Recomeço – Capítulo 89
Sexta-feira à tarde, Raquel chegou ao parque e não sabia o que fazer com os seus peludos.
Naquele dia, Sófia ficou com Amanda, pois Tiago ainda estava com o pai.
Como não podia deixar os seus peludos estressados, o jeito foi levar os dois para passear.
— Bom... isso não deve ser tão difícil assim, e vocês me amam, não iriam me dar trabalho sabendo que estou sozinha com vocês. — Raquel olhou para os dois cachorros sentado na calçada a observando. — Nino, se você aprontar alguma coisa, vai ficar uma semana sem dormir com Nina — alertou e ouviu um latido.
Nino não havia gostado nem um pouco da novidade, visto que, havia dois cachorros ali e só ele era visto como bagunceiro.
— Não quero reclamações — Raquel falou e notou que algumas pessoas a observava com certa estranheza, pois a engenheira estava falando com os cachorros como se fossem pessoas. — Meu Deus, acho que preciso parar com isso. Logo vão achar que sou louca por estar falando com dois cachorros. — Tocou os cabelos, demonstrando certo constrangimento. — Vamos! — Começou a puxar os filhotes pelas guias.
Nino e Nina andavam tranquilamente. Raquel aproveitou a oportunidade para pensar em sua vida.
Nos últimos meses, ela havia vivido momentos muito felizes ao lado de Sófia e seus peludos.
Era interessante como tudo ficava mais leve ao lado da loira, contudo sentia que algo não estava completo dentro dela. Existiam assuntos ainda pendentes.
— Será que tenho que convidá-los para o meu casamento? — pensou e sentiu um dos peludos forçando a guia. Era Nino. — Garoto, você não vai fazer isso? — Tentou impedir, porém Nino estava sem controle.
Desobedecendo a sua dona, Nino se soltou e começou a correr para uma direção menos movimentada do parque.
— Nino! — Raquel gritou, mas o cachorro não lhe deu ouvidos. — Tá vendo, Nina, como ele é desobediente. Se eu fosse você, eu repensaria sobre este relacionamento de vocês — disse chateada com o comportamento de seu cachorro.
Como não tinha o que fazer quanto a isso, Raquel foi atrás de Nino.
_*_
— Você acha que isso foi uma boa ideia, Sheila? — Rita perguntou ao se sentar em um dos bancos do parque.
— Claro, você precisa de um pouco de ar livre — Sheila se sentou ao lado. — Sei que ainda está triste por conta da última conversa que teve com sua filha.
— Sim, eu estou. Não sei o que fazer para ela me amar como mãe.
— Rita, sua filha te ama como mãe. Ela só está precisando de um tempo. Não deve ter sido fácil para ela ter passado por tudo que passou. — Deu uma pausa. — Como você mesma disse, você foi dura com ela. Palavras magoam mais do que uma agressão física em certos momentos.
— Eu só desejo uma segunda oportunidade, Sheila, sei que não mereço, porém quero corrigir os meus erros. Quero ser uma pessoa melhor para a minha filha — disse sincera e ouviu um latido que a deixou temerosa.
Sem conseguir acreditar, olhou para o lado e se deparou com um cachorro que lhe olhava atentamente enquanto latia.
— Que monstro é esse? — Rita indagou já tentando proteger o seu corpo no de Sheila.
Ao se chamado de monstro, Nino latiu, pois se sentiu ofendido.
— Rita, é apenas um cachorro. E é muito bonito — Sheila comentou ao se aproximar de Nino que ficou todo bobo com o elogio. — Você deve ter uma dona. — Olhou para o nome que estava na coleira. — Raquel! — disse e olhou para a senhora. Seria possível?
— Raquel?! — Rita ficou surpresa com a novidade, Não imaginava que aquele cachorro pudesse ser de sua filha, pois havia visto uma vez e tinha o ignorado completamente, não o reconheceria. Porém estava surpresa por a dona daquele cachorro ter o mesmo nome da pessoa que dominava os seus pensamentos naquele momento.
— Coincidência, né? — Sheila reparou que alguém vinha correndo, acompanhada por um cachorro, na direção delas. — Ou nem tanta — disse ao reconhecer a mulher.
— Nino?! — Raquel gritou já sem folego. — Você irá ficar de castigo — disse e ouviu um latido.
Quando ouviu a voz de sua filha, Rita sentiu o seu coração bater mais forte e olhou para trás, deparando-se com um olhar surpreso.
— Mãe?! — Raquel nem conseguia acreditar no que acontecia. — Nino! — pensou ao olhar para seu cachorro todo arteiro balançando o rabo. — Eu não sabia que a senhora frequentava este lugar — comentou um pouco sem jeito pela situação.
— Ah... Sheila me chamou para sairmos um pouco hoje. — Rita olhou para a enfermeira que alisava Nino toda animada. — Você vem aqui sempre? — perguntou enquanto analisava a sua filha. Raquel não parecia mais magoada como no último encontro delas.
— Sim, eu trago os cachorros com Sófia para passear. Só que, hoje, ela não pôde...
— Acho que esse é o desobediente da turma — Sheila se referiu a Nino que logo se afastou dela. — E não gosta de ser reclamado — comentou em meio a risos.
— Não, ela não gosta. Não gosta nem um pouco — Raquel disse enquanto mantinha Nino ao seu lado.
Nino latiu demonstrando não estar nem um pouco contente com aquela conversa.
— Raquel, você e Sófia gostariam de almoçar em casa no fim de semana? — Rita olhou brevemente para Sheila antes de fazer essa pergunta.
— Eu... — Raquel ficou sem saber o que dizer. Não esperava por esse encontro. Olhou para Nino e não sabia se era coisa de sua cabeça, mas parecia que ele estava a incentivando a ir. — Bom... tudo bem, eu irei dizer a Sófia — disse após um bom tempo em silêncio.
Com a resposta positiva de Raquel, Rita olhou toda sorridente para Sheila.
— Fico muito feliz por você aceitar o meu convite.
_*_
Ao chegar em casa, Raquel soltou os seus peludos e começou a ficar pensativa.
Não acreditava no que havia acontecido mais cedo. Encontrou sua mãe e ela a chamou para almoçar no domingo.
— Aconteceu algo, amor? — Sófia surgiu na sala com seus cabelos molhados. Tinha acabado de se banhar. — Nino e Nina se comportaram?
— É... — Resolveu deixar o assunto principal para depois. — Bom... Nina foi uma lady, mas Nino continua dando trabalho. — Forçou um sorriso e Sófia a olhou desconfiada.
A loira sabia quando algo estava acontecendo.
— Você viu que neste passeio? — Foi direta.
Raquel respirou fundo.
— Amor, eu vi a minha mãe — falou e notou Sófia surpresa com a novidade. — Posso te contar o que houve quando retornar do banho?
— Claro, vida. Vou preparar o nosso jantar então.
Após a fala de Sófia, Raquel apenas assentiu com a cabeça.
Enquanto caminhava até o banheiro, os pensamentos de Raquel continuaram constantes. Queria entender o que ocorrera naquele dia. Além do mais, o comportamento de Rita estava muito diferente.
“Será que ela mudou mesmo?”, questionou-se.
Quando terminou de se arrumar, Raquel foi para a cozinha e encontrou Sófia cantando uma música qualquer.
— Como está o pai de Tiago? — indagou chamando a atenção de sua amada.
— Ah... está bem, amor — Sófia respondeu. — O médico disse para Tiago não deixar o pai sem tomar os remédios.
— E Amanda está bem? — Sentou-se em uma cadeira enquanto acompanhava os movimentos da loira.
— Está! Amor, o que houve entre você e sua mãe? Ela te tratou mal? — perguntou já preocupada.
— Não, amor, ela não me tratou mal. Ela me tratou muito bem... bem até demais.
— Isso é bom, não é?
— Eu não sei, amor. É tão estranho. A nossa conversa foi muito boa... Naquela época, ela havia me pedido perdão, mas eu estava muito chateada.
— Você teve motivos para estar chateada, mas... Agora, você sente como se algo tivesse mudado dentro de você? — perguntou ao se sentar ao lado da engenheira.
Enquanto aguardava uma resposta, Sófia notou Raquel com um olhar perdido.
— Sim, não que eu não sinta um certo rancor por tudo que acontece, porém, agora, não vejo mais motivos para alimentá-lo. — Tocou os cabelos devagar, no ritmo de seus pensamentos. — Ela nos convidou para um almoço no fim de semana. — Percebeu que Sófia ficou surpresa. — Você acha uma boa ideia convidá-los para o nosso casamento? — Aguardou o consentimento da loira.
— Bom... — Deu uma pausa tentando assimilar melhor aquela situação. — Não vejo problema em irmos e convidá-lo. — Segurou a mão de Raquel que estava posta na mesa. — Mas... você vai se sentir bem com isso?
— Não sei, acho que só saberei quando eu fizer isso — Comentou ao olhar nos olhos da mulher que fazia muito bem a ela.
— Então faremos isso e veremos no que vai dar depois. — Sorriu, fazendo com que Raquel fizesse o mesmo.
— Muito obrigada por sempre me apoiar em minhas decisões. — Raquel segurou firme a mão que estava sobre a sua.
— Não precisa agradecer, meu amor. Eu sempre estarei aqui ao seu lado e sei que você também estará sempre ao meu.
— Sim, eu sempre estarei. Você foi a melhor parte de toda essa confusão que é a minha vida — Raquel disse e ouviu um latido vindo da sala, com certeza era Nino querendo perguntar onde ele ficava nesta história. — Você e Nina são a segunda melhor parte. — As duas mulheres começaram a gargalhar e depois se olharam nos olhos — Eu te amo. — Começou a acariciar a face da loira.
— Eu também te amo, meu amor!
_*_
Já era de madrugada, Laura chegou em casa após um longo dia de trabalho.
Sentia-se muito cansada, todavia algo lhe agradava: a sua amada com certeza devia estar a sua espera no que era, agora, a cama do casal.
Sem fazer barulho, abriu a porta do quarto e sentiu seu o coração alegrar-se com a cena que viu: Norma estava deitada com um livro sobre a barriga. Certamente havia pegado no sono enquanto a aguardava.
A passos silenciosos, Laura retirou o livro que estava sobre o corpo da ruiva. Ouvindo alguns resmungos, afastou-se para poder se banhar e depois deitar onde ela encontraria aconchego.
Sem demorar, Laura arrumou-se e deitou na cama e afundou o seu rosto perto do pescoço de Norma.
— Que cheiro gostoso — uma voz sonolenta comentou.
Laura sorriu com o comentário da ruiva.
— Acabei de tomar banho. Estava me esperando?
— Tentei. — Norma sorriu e virou o corpo para poder olhar para Laura. — Acho que terei que me acostumar a ir dormir sem você comigo.
— Não é porque quero. — Laura tocou a face da ruiva. — Se pudesse, eu não perderia esses momentos contigo, contudo tenho responsabilidades.
— Eu sei, amor, e não estou cobrando. — Beijou os lábios volumosos rapidamente. — É que sinto a sua falta mesmo.
— Também sinto a sua, porém tem algo bom nisso tudo — disse enquanto entrelaçava as suas mãos.
As duas mulheres se olharam nos olhos por alguns instantes. Ficaram sem dizer nenhuma palavra a outra.
— O quê? — Norma indagou com a voz um pouco rouca.
— Agora, poderei ter sua companhia todos os dias. Mesmo não podendo ficar contigo sempre, eu estou feliz por todos os dias voltar para os seus braços — Laura disse e Norma sorriu encantada. Era impossível não amar aquela mulher.
Fim do capítulo

patty-321
18/12/2020 às 22:06
Amei o capítulo, super legal ver a rita tentando se aproximar de Raquel. É esse casal que roubou nossos corações? Adoro ler sobre Laura e norma. Bjs
Resposta do autor:
Olá,
Fico feliz por ter gostado do capítulo.
Rita está mudando.
Laura e Norma são fofas.
Muito obrigada pelo seu comentário.
Beijinhos^^
Van^^
Anny Grazielly
17/12/2020 às 20:26
Aiaiaiaiaiaia... simplesmente ameiiiiiii... louca por esse almoço....
Resposta do autor:
Olá,
Fico feliz por ter gostado, Anny.
Estou insegura com esta história. É bom ver que estou te agradando.
Muito obrigada pelo seu comentário.
Beijinhos^^
Van^^