• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Sob o Encanto de Maya
  • Sexta Temporada - FELICIDADE IX

Info

Membros ativos: 9579
Membros inativos: 1617
Histórias: 1971
Capítulos: 20,927
Palavras: 52,929,536
Autores: 808
Comentários: 108,967
Comentaristas: 2597
Membro recente: Anik

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • 10 anos de Lettera
    Em 15/09/2025
  • Livro 2121 já à venda
    Em 30/07/2025

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (234)
  • Cronicas (232)
  • Desafios (182)
  • Degustações (27)
  • Natal (9)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Entrelinhas de um contrato
    Entrelinhas de um contrato
    Por millah
  • RASGANDO O VEU DE MAYA
    RASGANDO O VEU DE MAYA
    Por Zanja45

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • Dia dos Namorados em Tempos de Quarentena -  Se Reinventando
    Dia dos Namorados em Tempos de Quarentena - Se Reinventando
    Por Rosa Maria
  • Shot me Down
    Shot me Down
    Por Mabes Okada

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (875)
  • Contos (476)
  • Poemas (234)
  • Cronicas (232)
  • Desafios (182)
  • Degustações (27)
  • Natal (9)
  • Resenhas (1)

Sob o Encanto de Maya por Solitudine

Ver comentários: 11

Ver lista de capítulos

Palavras: 18365
Acessos: 11087   |  Postado em: 13/04/2020

Sexta Temporada - FELICIDADE IX

 

 

Camille estava de férias. Depois de ter passado o réveillon em Goiânia com a família, ela e a mãe viajaram para Manaus.

 

Era domingo e as duas bebiam um guaraná reforçado enquanto caminhavam pela feirinha da Avenida Eduardo Ribeiro.

 

--Mãe, que feirinha da hora! -- exclamou animada -- E esse guaraná aqui levanta até defunto! -- saboreava -- Hum...

 

--Também tô achando o máximo! É tanto artesanato bonito, doces gostosos, comidinhas diversas...

 

--Eu vou comprar uma pá de coisas aqui! -- prestava atenção nas barraquinhas -- E muito, mas muito chocolate! -- terminou de beber o guaraná

 

--Já eu prefiro a bala de castanha ou cupuaçu com doce de leite! -- suspirou -- Ai, ai, vou engordar uns dez quilos nessa viagem!

 

--Sabe que eu não esqueço mais daquele hotel de selva? Que coisa incrível aqueles passeios de lancha pelo rio, as pescarias, a focagem noturna... Que lindo ver o sol nascer e se pôr no horizonte do rio mar... -- sorriu -- E o melhor: que comida! Eu amei aquele peixe Pirarucu! -- jogou o copo vazio no lixo

 

--Eu também. Só não gostei do nome do bicho. -- fez cara feia -- Coisa indecente!

 

--Que é isso, mãe? -- a jovem achou graça -- É nome indígena!

 

Mariângela olhou na direção do teatro e viajou no tempo. -- Como a vida é, né? Parece que foi ontem que eu estava aqui com Olga vendo Isa se apresentar... -- lembrava -- Tantas coisas aconteceram de lá pra cá, não é mesmo? -- pensava -- Meus pontos de vista eram tão diferentes naquela época...

 

--E os meus... -- a jovem concordava -- Lembro que por causa dessa viagem eu briguei com você e destratei Flávia... -- passou a mão nos cabelos -- Naquela época eu era uma pessoa tão amargurada, tão de mal com a vida! -- suspirou -- Que merd*!

 

--Olha a boca, menina! -- deu um tapa na filha

 

Camille acabou achando graça. -- Fazia tempo que eu não ouvia isso!

 

--Fazia tempo que você não xingava na minha frente! -- justificou-se de cara feia

 

--Acho que o fato de viver cercada por pessoas mais pacientes do que eu ajudou a melhorar meu vocabulário. -- sorriu -- Sabe, mãe, eu fico pensando... Se alguém me dissesse naquela época que eu iria voltar a estudar, usar uma prótese e caminhar novamente, trabalhar com Seyyed, me formar, trabalhar numa grande empresa, viajar tanto e virar gerente... -- balançou a cabeça -- Eu daria uma sonora gargalhada e diria: “Tá me tirando, meu?” -- pausou por uns instantes -- Eu mudei muito! -- concluiu

 

--Você?? -- perguntou -- Você mudou demais!! -- afirmou enfaticamente antes de limpar os lábios com um guardanapo -- E seu exemplo teve mais força sobre mim do que você poderia imaginar! -- olhou para a filha -- Não tem idéia do quanto me orgulho da sua trajetória! -- pôs a mão no rosto dela -- Foi um longo caminho... Dor, sofrimento, superação, recomeço -- sorriu -- e vitória! Sua história é muito bonita, meu amor!

 

--Ô louco! -- ficou envergonhada e feliz ao ouvir aquilo

 

--E uma das coisas que você esqueceu de citar: -- complementou -- seu encontro com Deus! -- continuava sorrindo -- Mudou tudo pra você! -- jogou copo e guardanapo em uma lixeira

 

--É verdade... -- gastou uns segundos calada -- Era bem mais difícil sem Ele... -- admitiu

 

--Mas, apesar de tudo isso, noto que desde que Fátima foi embora pra tal da concentração, você tem andado triste. -- teve coragem de tocar no assunto -- E pela primeira vez vi você entrar de férias como quem sai de uma prisão! -- olhou para a jovem -- Gostaria de desabafar sobre o que está acontecendo? -- olhou para frente -- Sou sua mãe... queria entender.

 

A engenheira ficou surpresa com o fato de que Mari mostrava-se disposta a falar sobre assuntos que envolviam sua opção sexual. Até então, ficava tudo sempre subentendido.

 

--Vamos falar do trabalho primeiro porque é mais fácil. -- caminhavam em direção a praça São Sebastião -- Tenho andado muito em dúvida quanto ao que fazer. -- passou a mão nos cabelos

 

--Por que? -- apontou para um banquinho -- Vamos sentar aqui? -- propôs

 

--Vamos. -- sentaram-se -- Tenho andado em dúvida porque... -- olhava para as mãos -- apesar do meu trabalho ser empolgante e enriquecedor, eu... -- não sabia como se explicar -- não sinto felicidade! -- olhou para a mãe -- Sei que muitas pessoas dariam tudo pra estar no meu lugar e valorizo muito o que conquistei, mas... Falta uma coisa, mãe! -- gesticulava -- É tudo muito bacana, mas não é o mundo onde eu queria estar! -- respirou fundo -- Ai, eu odeio parecer alguém que reclama de barriga cheia...

 

--Não, meu amor, eu entendo! -- segurou a mão dela -- Sei que você tem muito compromisso com seu trabalho, que dá valor às oportunidades, mas falta a satisfação no que faz. Aquela satisfação que eu sinto no meu trabalho com as escolas de balé, por exemplo.

 

--É isso mesmo! -- concordou -- Sou totalmente diferente de Aline, que vibra com o que tá fazendo. -- pausou -- E você não sabe... Antes de sair de férias, minha gerente imediata falou que meu nome tá cotado pra assumir uma gerência mais alta em Santos.

 

--Camille!! -- exclamou atônita -- Meu Deus, querem te dar uma promoção!!

 

--E seria uma promoção daquelas!! -- enfatizou -- Qualquer pessoa no meu lugar soltaria foguetes, mas... eu não me empolguei. -- balançou a cabeça contrariada -- Não sei o que acontece comigo, mãe!

 

Prestava atenção na filha. -- Quando começou a se sentir assim?

 

--Desde os meus primeiros dias como gerente. -- respondeu com sinceridade -- Em pouco tempo vi que não era o que eu queria, mas tentei me enganar. Tentei me empolgar e até deu certo no começo. -- pausou -- Só que com o decorrer do tempo fui tendo certeza de que estou no lugar errado!

 

A costureira ouvia com atenção e ficou um tanto preocupada. -- O que está pensando em fazer? Se você for a pessoa escolhida pra ir pra Santos?

 

--Não quero ir! -- olhou para a mãe -- Eu não quero sair do Rio. Hoje minha vida, as pessoas que eu amo estão lá. Não desejo abrir mão disso por causa de uma promoção, por mais medíocre que o raciocínio possa parecer.

 

--Não é mediocridade, filha. As pessoas têm que pesar na balança todos os aspectos de uma mudança antes de assumi-la. Eu fiz isso quando saímos de São Paulo. -- pausou -- Mas o que pretende fazer?

 

--Não sei! Eu queria mesmo era pedir demissão. -- Mariângela sentiu medo ao ouvir aquilo -- Mas tenho que ser prática. Temos contas pra pagar, eu não tenho outro emprego em vista e tenho estabilidade, coisa que a iniciativa privada não vai me dar. -- suspirou

 

--Pense com muita calma, filha! -- acariciou a cabeça dela -- Muita calma!

 

--Eu sei, mãe. Não farei uma loucura, pode acreditar.

 

--No que você gostaria de trabalhar? -- perguntou curiosa

 

--Na oficina de Seyyed. -- respondeu convicta -- Quando estava lá, foi uma época da minha vida em que eu realmente amava o que fazia. -- sorriu -- Abrir aquela filial em Goiânia foi o máximo pra mim!

 

--Nossa... -- estava surpresa -- Nunca poderia imaginar!

 

--Pois é...

 

--Mas... será isso mesmo? Às vezes a gente pensa que era aquele lugar, aquela pessoa, mas na verdade era aquele contexto, aquela época. -- argumentou -- Um tio nosso, que morreu quando você era bebê, vivia sonhando em voltar a morar na Itália. Ele dizia que a época em que viveu em Veneza, na juventude, foram seus anos de ouro. -- contava -- Pois bem, no governo Geisel ele se separou da mulher, vendeu o que tinha e foi pra lá. -- pausou brevemente -- Menos de dois anos depois, ele estava de volta e dizia o tempo todo: “-- Aquela cidade fede!” -- olhava para Camille -- O que ele queria estava no passado e não em Veneza. Será que o que você acha que encontraria na oficina, também não está no passado? -- questionava -- Será que não está iludida com Veneza? -- perguntou em sentido figurado

 

A jovem loura ficou pensando antes de responder. -- Não sei, mãe. Sinceramente não sei.

 

--Se o trabalho era a parte mais fácil da conversa, imagino o outro assunto! -- tentou descontrair -- Eu já achei esse tema um bocado complicado... -- riu brevemente

 

--Eu SOU complicada! -- reconheceu -- É uma merd*...

 

--Olha a boca!! -- deu um tapa na coxa da filha

 

A engenheira achou graça e depois de uns segundos calada perguntou hesitante: -- Quer mesmo que eu desabafe? -- tinha receios

 

--Quero! -- respondeu convincentemente -- Mas sem palavrão! -- advertiu

 

Camille riu e olhou ao redor para ver se alguém poderia estar prestando atenção à conversa delas. Como não observou curiosos por perto, decidiu abrir o jogo completamente: -- Mãe, há uma coisa sobre mim que você não sabe. -- tentava criar coragem -- "Pôxa, Camille, mas tinha que começar justo pela parte mais difícil, ô louco!” -- recriminava-se

 

--E o que é??? -- arregalou os olhos -- "Meu Deus, a menina é viciada em drogas!” -- a costureira ficou aflita

 

--Calma, que não é nada grave! -- tranquilizou-a -- É que... -- pausou -- desde que conheci Seyyed, eu... -- abaixou a cabeça -- sou apaixonada por ela!

 

--O que?? -- pôs a mão no peito -- Então... Então foi ela que te levou pra essa vida?? -- perguntou em choque

 

--Opa! -- um homem que ia passando ouviu a pergunta e ficou todo interessado -- "Te levou pra essa vida??” -- olhou para a engenheira cheio de malícia -- “Será mulher biscate?” -- lambeu-se -- “Mas é uma gracinha...” -- decidiu enrolar por ali perto para tentar ouvir mais coisas

 

--Mãe, que vida?? -- olhou chateada para ela -- A essa altura do campeonato eu pensei que seu entendimento sobre essas coisas tivesse mudado! -- protestou

 

--Ah, filha... -- ficou sem graça

 

--Eu sou lésbica porque sou e não porque Seyyed me fez assim!! -- falou em voz mais alta

 

"Então a gostosura é lésbica?” -- o homem mexeu entre as pernas -- “E a outra? Qual será a dela?” -- pensava

 

Mariângela estava pasma. Foi a primeira vez que ouviu a filha verbalizar que era lésbica e isso mexeu com ela, por mais que já soubesse. Da mesma forma, nunca imaginou que Camille gostasse da mecânica há tantos anos.

 

--Então... Desculpe! -- tentava se recompor -- Você... -- não entendia -- Mas você implicava tanto com ela, criticava... Eu pensei que a odiasse!

 

--Era bem o contrário! -- foi enfática -- Gostar de Seyyed era a confirmação de algo que eu não queria que fosse verdade. -- explicava -- E mais o meu despeito, meu complexo de inferioridade... Eu escondia tudo aquilo usando a máscara da homofobia.

 

“Que máscara é essa?” -- o homem tentava entender -- "Será coisa de sexy shop?” -- coçou o queixo

 

--Nossa! -- olhava surpreendida para a outra -- E... ela sabe dos seus sentimentos?

 

--Já deixei bem claro. -- confessou -- Mas nunca aconteceu nada. Desde que a conheço existe uma Isa na vida dela. -- pausou -- Ed sempre babou por aquela mulher...

 

--E eu que sempre pensei que Fátima fosse seu grande amor...

 

--Não sabe como eu queria que fosse! -- lamentou -- Eu a amo muito, mas ainda não consigo me dar completamente a ela... -- pausou -- E Fátima sempre se deu toda pra mim!

 

“Que sacanagem! É um tal de mulher dando pra outra!” -- o homem pensava excitado ao ouvir partes picadas da conversa -- "Essas aí são tudo safada!” -- sorria maldoso

 

--Mas... -- a costureira dizia -- Eu acho que... -- não sabia como dizer -- Me desculpe, filha, mas sempre achei que... -- evitava magoá-la demais -- Seyyed e Isa foram feitas uma pra outra...

 

Camille não gostou de ouvir, porém não discordou. -- Mas às vezes me parece que ela sente algo por mim... Algo que ela não entende, mas que é forte!

 

--Isabela sabe de seus sentimentos por Seyyed?

 

--Acho que sabe há mais tempo que a própria Ed.

 

“Todo mundo sabia, só eu que tava comendo mosca!” -- a costureira pensou revoltada -- "Se bobear até Olga sabe!” -- olhou para a jovem -- Será que foi por isso que ela quis terminar?? -- estava intrigada -- Será que teve medo que com a ausência dela pudesse acontecer algo entre vocês? -- conjecturava -- De repente me ocorreu que Fátima e Isa estão testando vocês. Cada uma por um motivo, cada uma a sua maneira...

 

--Já pensei nisso. Pode ser...

 

--E o que vai fazer? Vai tentar alguma coisa com Seyyed? -- continuava intrigada -- "Será?”

 

--Mãe, eu cheguei a um ponto que não sei de mais nada! -- respirou fundo -- Procuro respostas e não encontro... Peço orientação a Deus mas ainda não tive sabedoria de entender o que Ele diz... -- pausou -- Procuro, procuro e não acho!

 

“Procura um macho??” -- o homem ouviu errado e se animou -- "Ah, mas é agora!” -- decidiu abordá-las

 

--Continue pedindo orientação a Deus e eu vou entregar seus problemas à Virgem! -- segurou as duas mãos da filha -- Sempre entreguei você pra Ela e a Sagrada Mãe nunca nos desamparou! -- sorriu -- Queria que soubesse que apesar do furo que dei aqui, tudo continua igual pra mim! Você é minha filha amada e eu só quero que seja feliz. Aonde for e com a mulher que escolher!

 

--Ah, mãe! -- abraçou-a emocionada

 

“Opa, agora elas tão se pegando!” -- o homem esfregou as mãos -- "Vou papar as duas, que massa!” -- parou perto delas e pigarreou

 

--Ué? -- Mari olhou para o estranho desconfiada

 

--Que foi, meu? -- Camille perguntou

 

--Eu não pude evitar de ouvir. -- sorria com cara de tarado -- Achou o macho que procurava! -- apertou o próprio sex* -- Conheço um lugar legal aqui pertinho! -- fez sinal com a cabeça -- Eu agüento meter nas duas, mas se quiserem... -- fez movimentos sugestivos com a língua -- também mando bem! -- piscou

 

As louras se entreolharam com raiva e na sequência levantaram-se.

 

--Você é maluco, ou que, seu tarado? -- a costureira deu-lhe uma peitada -- Vem de gracinha, vem? -- armou-se na posição de luta

 

--Tá tirando a gente, meu? -- a engenheira falava alto -- Que abuso é esse? -- encarou

 

--Mas... você não é uma sapatão querendo macho? -- respondeu constrangido ao notar que havia gente prestando atenção

 

--O que???? -- Mariângela estava enfurecida

 

--Vai tomar no cu, seu babaca!! -- estava possessa -- Não vem, não, que eu tô danada, viu? Eu tô danada! -- ameaçou

 

--Eu pensei que você era sapatão e a outra aí... -- olhou para a costureira -- Sei lá, pensei que gostavam da putaria...

 

--Seu doente! -- a costureira movimentava-se como se estivesse no ringue -- Acha que pode nos faltar ao respeito dessa forma?

 

--Mas é muita cara de pau, viu? -- a jovem socou o peito dele com raiva

 

--O que tá acontecendo aqui? -- pessoas perguntavam em burburinho

 

--Olha lá, sua putinha! -- o homem partiu para cima da engenheira

 

Nesse momento Mariângela perdeu a cabeça e aplicou seu cruzado animal. -- Ai, que cara dura! -- sentiu dor na mão

 

Ao ser golpeado, o homem deu um giro de corpo e se projetou contra uma parede próxima. Lentamente deslizou até cair desmaiado no chão.

 

--Mãe, você nocauteou o tarado! -- Camille arregalou os olhos

 

--E devo ter me quebrado também, porque tá doendo... -- chacoalhava a mão -- As luvas fazem falta, viu?

 

--Alguém chama uma ambulância! -- uma mulher gritou ajoelhando-se perto do desmaiado

 

--Tem que chamar é a polícia! -- um homem falou zangado

 

--Ih, mãe, -- olhou espantada para a costureira -- e agora? -- aproximou-se -- Vamos fugir? -- propôs aos cochichos

 

--Não, Camille, que fugir, o que? -- fez cara feia -- E se esse desgraçado se danou todo? Eu tenho que assumir a minha culpa! -- olhou para as pessoas ao redor -- Alguém tem gelo aí, por favor? -- sacudia a mão

 

“Ô louco, viu?” -- a jovem pensou revirando os olhos -- “Por que é só comigo que acontecem essas coisas?”

 

***

 

Juliana terminava seu almoço quando foi surpreendida por duas pessoas paradas a seu lado.

 

--Mas minha nossa! -- arregalou os olhos assustada -- O ano mal começa e vocês já estão aqui nos meus calcanhares? -- reclamou

 

--Oi, Juliana! -- Selma cumprimentou um tanto decepcionada -- Pensei que ficaria feliz em nos ver em Brasília.

 

--Até ficaria se não soubesse que quando os dois aparecem com esse brilho no olhar, -- levantou-se -- boa coisa não é! -- pegou a bolsa

 

--A gente precisa conversar! -- Ruy exclamou ansioso -- Assuntos variados!

 

--Sei! -- fez um bico e se pôs a andar -- Venham comigo e a gente conversa no caminho!

 

Eles se entreolharam e seguiram atrás da japonesa.

 

--Juliana, eu andei fazendo umas pesquisas após esse um ano de governo Vilma Youssef e percebi que o eleitorado brasileiro está aceitando muito bem esse negócio de termos uma Presidenta ao invés de um Presidente.

 

--Sei... -- apertou o botão do elevador -- E daí?

 

--E daí que já é hora de trabalharmos sua candidatura à Presidência da República em 2014! Vai pegar fogo, viu? -- Ruy esfregou as mãos ao entrarem no elevador

 

--O que????? -- Juliana perguntou espantada e depois riu gostosamente -- Ai, meu Deus, vocês viajam!! -- revirou os olhos

 

--Que nada! A gente sabe farejar as oportunidades! -- Selma respirou mais fundo e foi fungando na direção do pescoço da enfermeira -- Hum, cheiro bom... Que perfume é esse, hein?

 

--Eu, hein, Selma, sai pra lá! -- deu um tapa no braço da repórter e saiu do elevador -- Deixa Suzana saber que você anda cheirando meu cangote! -- caminhava

 

--Juliana, você precisa nos dar ouvidos! -- Ruy pedia -- Lembre-se de que quando apostamos na sua candidatura pra deputada federal você duvidou que pudesse acontecer! -- argumentava -- Você é figurinha conhecida, tenho certeza de que teria um monte de eleitores! -- quase pulava seguindo a japonesa

 

--Gente, não é qualquer um que tem cacife pra chegar à Presidência, não! Até eu que entrei na política há pouco tempo sei disso! -- respondeu convicta -- É preciso firmar alianças fortes, investir pesado na campanha, contar com uma boa empresa de publicidade... E o Brasil ainda não tá preparado pra ter uma Presidenta lésbica assumida! -- riu brevemente -- A ala dos conservadores me derrubaria sem muito esforço!

 

--É, isso é verdade... -- Selma pensou em voz alta -- A homofobia está se manifestando nesse país em níveis alarmantes... -- ficou uns segundos calada -- Mas podemos lançar sua candidatura só pra experimentar o eleitorado! Dar o primeiro passo, sabe como é!

 

--Vamos, Juliana! -- Ruy insistia -- Temos dois anos pra trabalhar nisso! Vamos investir nessa idéia que eu vejo futuro nela! Quem sabe você consegue chegar no segundo turno? -- especulou

 

--Hahaha! Faz-me rir! -- passou a mão nos cabelos

 

--Deixe estar, Ruy! -- Selma cochichou com o amigo -- A gente vai fazendo a cabeça dela aos poucos...

 

--É! Vamos induzi-la discretamente sem que ela perceba! -- cochichou também -- No momento certo ela há de ceder!

 

--O que é que vocês cochicham aí? -- olhou rapidamente para trás -- Não é sobre mim, não, né? -- perguntou desconfiada

 

--E quanto à adoção? -- Ruy desconversou -- Quando você e a delegada conseguirem adotar uma criança legalmente, abrirão precedentes pra que outros casais homossexuais façam o mesmo. Aí já é mais eleitorado que a gente conquista em seu nome!

 

--E mais os intelectuais, livres pensadores, humanistas, gente de cabeça aberta! -- Selma reforçou -- A oposição conservadora vai enlouquecer, mas acho que as pessoas esclarecidas são a maioria dentre os eleitores!

 

--Gente, vocês não existem! Querem usar tudo pra fazer campanha política, cruzes! -- a japonesa reclamou -- Ainda não conseguimos adotar, porque não é fácil, mas quando acontecer, não vou deixar vocês transformarem nossa família numa propaganda eleitoral! -- fez um bico -- Vocês são capazes de querer me filmar trocando fralda de neném pra lançar um slogan do tipo: “A candidata que não tem medo de limpar a merd*!” -- gesticulava

 

“Sabe que seria uma boa idéia?” -- Ruy pensava

 

--Mas vamos marcar uma reunião... -- Selma propôs como quem não queria nada -- Temos que debater sobre quais seriam as bases dessa campanha, se ela acontecesse...

 

--Eu não disse que topava, gente! -- olhou rapidamente para os dois -- Tem reunião, não! Não vai ter campanha presidencial! -- decidiu

 

--Fica na tua, Selma, que a gente convence ela! Conseguimos convencê-la a se candidatar, não foi? -- cochichava -- Conseguimos qualquer coisa!

 

Ambos não sabiam que a enfermeira ouviu o comentário. -- Vão nessa! -- riu

 

***

 

Deitado no chão William se debatia sem sossego. O suor brotava em seus poros como se o corpo estivesse expulsando toda água de modo desesperado.

 

--Me deixem em paz! Me deixem! -- gritava espumando -- AHAHAHAHAHAHAH!!!! -- berrou contorcendo-se em convulsão

 

A taquicardia acelerava seu ritmo de modo alucinado. Sentia dor no peito e falta de ar crescentes. Os gritos, cada vez mais abafados pela falência gradual das funções vitais, convertiam-se em espuma e vômito que jorrava em jatos esporádicos.

 

Sem que pudesse controlar, as fezes eram eliminadas na forma de uma fétida e amarelada pasta gosmenta, misturando-se com a urina que também escapava furiosa. E a dor no peito se intensificava...

 

Minutos depois, com a depressão do sistema nervoso central, uma agonizante parada cardiorrespiratória levou o rapaz à morte. Um grupo de espíritos perdidos no vício recolheu aquela alma infeliz e ainda inconsciente de seu novo estado, rumando para regiões de baixíssimas vibrações astrais e dor.

 

No plano físico, William esteve sozinho em seus derradeiros momentos. O corpo degenerado pela overdose, jogado aos pés do viaduto Pedro Álvares Cabral, em Botafogo, testemunhava as conseqüências drásticas de suas escolhas equivocadas. Sem ter tido tempo de completar dezoito anos, o jovem era mais uma dentre as tantas vítimas que o crack faz diariamente neste país.

 

***

 

Suzana seguia por um corredor extenso e mal iluminado, acompanhada por dois homens. Trazia consigo apenas a carteira e um envelope.

 

--É aqui! -- um dos homens indicou uma sala -- Aguarde um pouco, por gentileza, que ela virá sem demora, delegada. -- informou educadamente

 

--Obrigada! -- agradeceu e se sentou à mesa

 

Os homens se retiraram e Suzana ficou na expectativa.

 

“Até que as instalações para mulheres são um pouco melhores...” -- a morena pensou

 

Depois de alguns minutos Irina apareceu acompanhada por uma policial. A mulher deu algumas orientações, alertando que ambas seriam monitoradas por vídeo, e deixou-as a sós. A loura sentou-se em frente à outra.

 

--Delegada Suzana Mello... -- a advogada anunciou balançando a cabeça -- A que devo a honra dessa visita? -- sorriu -- Juliana mandou algum recadinho pra mim? Bateu uma saudade? -- provocou

 

A morena decidiu ignorar. -- Você até que está bem melhor do que pensei que estaria. Imaginei que estivesse um bagaço, mas está apenas muito mal tratada. -- usou de sarcasmo com a outra -- Parabéns! Soube se cuidar! -- cumprimentou

 

--Gentileza sua! -- tentou disfarçar a contrariedade com a brincadeira

 

--Mas eu não vim aqui pra te provocar. -- colocou o envelope sobre a mesa -- Vim pra te trazer isso. -- empurrou-o na direção da loura

 

--E o que é? -- pegou desconfiada

 

--Carta de sua mãe. -- respondeu objetivamente

 

--O que? -- olhou indignada para a delegada -- Isso é alguma brincadeira? -- perguntou com raiva

 

--É uma psicografia que foi recebida mês passado no centro que eu freqüento. Não pude trazer antes, -- explicou -- mas prometi que iria trazer.

 

--Eu não vou nem ler! -- arremessou o envelope de volta na direção de Suzana -- Não acredito nisso! Além do mais eu contei algumas histórias de minha mãe pra Juliana. Vocês podem forjar uma carta dessas com facilidade. -- fez cara feia

 

--Você lidou com o mundo espiritual e não acredita em psicografias? -- perguntou surpresa -- Pensei que sua cabeça fosse mais aberta. -- debruçou-se sobre a mesa -- Se não quiser ler, o problema é seu. -- olhava nos olhos da advogada -- Mas se raciocinar um pouquinho verá que não temos motivo algum pra forjar uma carta de sua mãe. Você já tá ferrada, Irina! A gente não precisa fazer mais nada... -- afastou o tronco novamente e cruzou os braços -- O que sua mãe deseja é te fazer abrir os olhos. Ela se importa com isso; eu não dou a mínima pra você!

 

A loura olhou para o envelope receosamente e depois para Suzana. -- E aí, o seu lado espírita cristão te fez vir até aqui só pra me trazer essa carta? -- desconfiava daquela atitude -- Justo você que não me dá a mínima?

 

--Faço isso por sua mãe, que não tem culpa da filha que tem. -- justificou-se -- Aliás, não sei se você sabe, mas Lucas está sofrendo terrivelmente. -- pausou -- Câncer nos intestinos! O homem passa quase todo o tempo cagado, já imaginou uma coisa assim? -- queria fazê-la refletir -- E sente dores terríveis!

 

--Problema dele! -- respondeu sem saber o que dizer

 

--Também não sei se você sabe, mas dentre todos os homens que se envolveram com Lucas no assassinato de Patrícia Feitosa, somente um ainda vive. É o tal do Luis. -- contava -- Ele conseguiu resistir bravamente às sessões de estupro das quais foi vítima na prisão, mas... não pôde evitar de ter pego AIDS. -- olhava para a outra

 

Irina engoliu em seco. -- Não sei porque está me dizendo isso!

 

--Pra você ver que aqui se faz, aqui se paga. -- afirmou enfaticamente -- E mesmo que a pessoa consiga passar a vida longe de sentir os efeitos dos males que causou, quando a morte chega, minha amiga... -- riu brevemente -- aí é que a porca torce o rabo! Se você soubesse dos relatos tenebrosos e comoventes que muitos desencarnados fazem no nosso centro... -- balançou a cabeça -- ficaria besta!

 

--O que foi? -- perguntou com deboche -- Tá querendo me converter? -- sorriu

 

--Eu não! -- levantou-se -- Só tô atendendo a um pedido, porque afinal de contas tua mãe é gente fina. -- sorriu -- Agora tá contigo! -- deu dois tapinhas no ombro dela -- Ainda tenho que conversar com alguém muito especial hoje. -- saiu

 

Irina gastou uns segundos olhando para a carta e acabou pegando o envelope de volta. -- Vamos ver que palhaçada é essa! -- retirou duas folhas de papel dobradas -- É, escreveram foi coisa! -- resmungou antes de começar a ler -- "Minha pequena Isra...” -- pôs a mão no peito e interrompeu a leitura em estado de choque -- Meu Deus!! Meu apelido secreto... -- começava a acreditar na veracidade daquela mensagem

 

***

 

Seyyed estava sozinha na oficina trabalhando no restauro de um Tucker 48.

 

--Carrão bonito, hein? -- brincou ao chegar -- A mulher fica até enfeitiçada mexendo nele! -- sorriu

 

--Ora, ora, se não é a delegada Suzana Mello Mitsui! -- sorriu para a amiga -- Chega aí! -- convidou -- Surpresa boa! Não sabia que você tava na cidade!

 

--Eu tive que vir resolver algumas coisas e, -- pegou um banquinho para se sentar -- decidi aparecer pra dar uma olhada em você.

 

--Relaxa... -- continuava trabalhando -- É como diz a música: I will survive! -- olhou para a delegada -- Se incomoda que eu...

 

--Não interrompa seu trabalho, por favor! -- tranquilizou-a -- Podemos conversar ainda assim; não seria a primeira vez que divido sua atenção com essas belezuras!

 

--É que eu tenho que entregar amanhã, sabe como é!

 

--E se não tivesse que entregar amanhã, você estaria aqui da mesma maneira. -- olhava para a mecânica -- Sua mãe me disse que sua vida tem sido só trabalhar.

 

--Tenho que manter a cabeça ocupada. -- respondeu objetivamente

 

--E tem que viver também, Ed. -- aconselhou -- Sei, por experiência própria, que se afogar em trabalho não cura as feridas. Trabalhar é bom, mas não é o remédio.

 

--E qual é o remédio? -- perguntou sem olhar para a delegada

 

--Você precisa se curtir, Ed. -- aconselhou -- Entrar em clima de oração, estar com as pessoas que te amam, se divertir, fazer outras atividades construtivas...

 

--Por que acha que não entro em clima de oração? Faço isso todas as noites e todas as manhãs. Quanto ao resto, ainda preciso de um tempo comigo. E esse tempo ainda não passou.

 

--Sei como se sente. Pode acreditar que eu sei... -- falou com delicadeza

 

--Não, você não sabe! -- interrompeu o que fazia e olhou mal humorada para a outra -- Você não sabe e ninguém sabe, só que todo mundo pensa que entende mais dos meus sentimentos do que eu! -- seu tom era um tanto ríspido -- Todo mundo acha que sabe quem é a mulher da minha vida, e não importa o que eu diga, todos acham que me engano! -- jogou a estopa no chão -- Isso me deixa tão irritada! Você mesma é dessa patota que sabe mais do meu coração do que eu! -- caminhou um pouco pela oficina -- Isa terminou comigo porque ela sabe de mim o que nem eu sei! -- olhou para Suzana novamente -- Será que ninguém entende que eu não sou perfeita? Então eu não posso dar um amor perfeito, isso não é óbvio? -- encostou-se em um carro -- Eu detesto essa situação! Mais do que detestar, eu odeio! -- mostrou a mão esquerda -- Não consigo ter coragem de tirar essa merd* do meu dedo! -- indicou a aliança e olhou para o chão -- Mas não adianta eu falar nada porque todo mundo já decidiu por mim. -- pausou -- É uma droga!

 

Suzana se levantou e foi até a mecânica.

 

--Isa terminou contigo porque ela não sente firmeza no seu amor. -- pôs as mãos nos bolsos -- Ela acha que a distância física entre vocês faria o relacionamento perder um monte de coisas importantes que o convívio proporciona.

 

--Deixou de amar sua mãe porque ela morreu? -- perguntou à queima roupa olhando nos olhos da delegada -- Deixou de amar dona Lourdes?

 

--É diferente, Ed, não dá pra comparar. O amor em um relacionamento de casal envolve sex*.

 

--Deixaria de amar Juliana se ela fosse embora? -- insistiu sem ouvir resposta -- Tudo bem, eu concordo que a distância muda muita coisa, mas ela não é capaz de acabar com o amor!

 

--E quanto ao desejo? -- cruzou os braços

 

--Que quer dizer? A falta da Isa aqui pra fazer sex* comigo na freqüência habitual vai me induzir a catar outra mulher? -- riu brevemente -- De fato, ela e você me julgam muito por baixo!

 

--Eu não tô te julgando, tô apenas querendo te explicar o que ela pensou.

 

--Mas eu sei de tudo isso! -- respondeu impaciente -- Só que não há o que eu possa fazer pra me mostrar convincente quanto aos meus sentimentos! E isso é uma droga, se você quer saber! -- falava com mágoa

 

--E quanto à Camille? -- prestava atenção nas reações da mecânica -- O que sente por ela?

 

--Eu a amo! -- respondeu com firmeza -- E sinto aqui dentro, -- bateu no peito -- como se eu tivesse uma dívida muito grande com ela! -- pausou -- Mas eu não tô inteira pra me envolver e dar-lhe o que merece.

 

--E pra Isa, você está inteira?

 

Após uns segundos calada, Ed respondeu com a verdade: -- Não... mas é diferente.

 

A delegada balançou a cabeça e sorriu. -- Você é complicada, Ed. Nenhuma das duas ficaria satisfeita com isso...

 

--Então a solução é tudo ou nada? -- colocou as mãos nos bolsos -- Eu não sou tão radical assim... Amor é um sentimento que evolui com o processo de conhecer o outro. Se eu só gostasse mesmo do sex* com a Isa, nosso relacionamento não teria resistido às pedreiras que surgiram no caminho. Foi fácil, não...

 

--Eu sei que não. -- acariciou o rosto da outra -- Já faz dois meses que ela foi embora, né?

 

--Dois meses que eu me sinto um lixo. -- emocionou-se

 

--Vem aqui, Ed. -- abriu os braços carinhosamente

 

Seyyed se abraçou com a amiga e chorou com muita tristeza.

 

***

 

Samira e Letícia conversavam pelo Facebook.

 

Let       Vc tá pousando de solteira no Face??? Qual é a tua?

Sam     Eu tô solteira!

Let       =O

Let       O q aconteceu com teu casamento?

Sam     Quer deixar de ser indiscreta? =(

Sam     E nem combina com você essa linguagem moderninha de internet!

Let       É que eu queria entender...

Let       E tô aprendendo muito da social na rede com Diva!

Let       <3

Sam     kkkkkkk Figura!

Let       Tá, já saquei que esse assunto não vai rolar. Esquece...

Sam     E você e Diva? Fiquei boba de ver tanto amor no teu Face. Nem parece você! ;P

Let       Encontrei a mulher da minha vida!!!! <3 <3 <3

Sam     Percebi! kkk

Let       Que mulher incrível!! Ela é tudo que eu queria: bem sucedida, culta, talentosa, segura de si, metidona... E o melhor de tudo: gostosa demaaaaais!!!!!!!

Sam     kkkkk

Let       Aquilo ali é a mulher elástico! Ela abre as pernas a 180 graus como se fosse nada!! Se der mole, ela faz 270 graus!!

Sam     Imagino que pra você isso seja muito importante! kkk

Let       Ô :P

Let       E ela quer experimentar em todas as posições e todos os brinquedinhos que eu proponho... Eu fico doida!!! Isso é que é mulher pra mim!!!

Sam     Mas como funciona esse relacionamento? Você mora em Viena e ela em Nova York!

Let       A gente se vê uma vez por mês. E cada encontro é em uma cidade do mundo.

Sam     Ui, que chique!

Let       E nesse meio tempo sem se ver, a gente cai dentro do trabalho!

Sam     E é só dentro do trabalho que você cai quando ela está longe? kkk

Let       Olha o respeito, mulher!! Agora eu tô no compromisso e no sapatinho! Não sou mais aquela!

Sam     Quem te viu e quem te vê! Parabéns!

Let       Mas e você? Tá solteira desde quando?

Sam     Podemos não falar sobre isso? Por favor? :(

Let       Tá bom...

Let       Quando vc entra de férias?

Sam     Em abril, por que?

Let       Vem pra cá! Passa uma ou duas semanas comigo. Vem no começo do mês!

Sam     Pra ficar ouvindo você e Diva acasalando como duas coelhas? Obrigada, amor, mas não rola!

Let       Diva estará muito longe daqui. A gente só vai se ver no final de abril!

Sam     Sendo assim... :)

Let       Aí vc me conta em detalhes o porque dessa separação. Afinal de contas a caipira é minha amiga e eu quero saber. Nós, as físicas, somos uma categoria unida!

Sam     Eu sabia que por trás desse convite havia um motivo escuso! :(

Let       Que nada! Só estou zelando pelo seu bem! Você tem que tomar jeito na vida, criatura! Chega de bagunça!!!

 

“Só faltava essa!” -- Samira pensou fazendo um bico -- "Letícia querendo me dar lição! Justo quem?”

 

 

15:00h. 03 de março de 2012, Rua Arquias Cordeiro, casa 6, Engenho,  Rio de Janeiro

 

Mariângela e Olga conversavam na sala da costureira.

 

--E aí, foi uma loucura total! -- Mariângela narrava os fatos -- O pessoal ficou lá fazendo enxame e acabou que ninguém chamou nem polícia e nem ambulância! Me deram um saco plástico cheio de gelo pra colocar na mão e ficamos esperando pra ver no que ia dar!

 

--E o homem? -- perguntou achando graça

 

--Ficou deitado no chão e cercado de gente falando pelos cotovelos! A maioria nos apoiou, mas teve quem quisesse nossas cabeças na bandeja! -- fez cara feia -- Vê se pode? -- pausou brevemente e acabou rindo -- Camille tava que nem siri na lata! Ficou doidinha!

 

--E como terminou essa história toda? -- estava curiosa

 

--Terminou com o safado recobrando os sentidos quase uma hora depois e dizendo que não queria saber de hospital ou de polícia. Deram um saco de gelo pra ele também e o tarado saiu trocando as pernas que nem bêbado. -- contava -- Aí Camille e eu fomos pro hotel e a viagem foi seguindo no seu normal.

 

--Meu Deus... -- balançou a cabeça -- Você tem que ter cuidado, mulher. Não pode sair por aí nocauteando os outros, pois isso pode terminar muito mal! -- advertiu

 

--Ah, Olga, foi mais forte do que eu! Aquele tarado chega cheio das safadezas pro nosso lado e ainda partiu pra bater na minha filha! Imagina se eu ia deixar barato! -- justificou-se -- Apliquei meu lendário cruzado animal e foi só pena que voa! -- repetiu o movimento do golpe -- E ele ainda deu sorte porque tô no Muay Thai há pouco tempo! Do contrário, nem sei o que podia acontecer com aquele bisco!

 

Olga riu. -- Ai, ai... -- olhou para a costureira com curiosidade -- Mas por que esse homem veio pra cima de vocês, hein? Não entendi até agora!

 

--Camille e eu estávamos tendo uma conversa bem íntima e ele deve ter ouvido alguma coisa a ponto de se empolgar. Sabe como é, há homens que pensam que podem tudo! -- pausou e abaixou a cabeça mexendo na barra da saia -- Foi a primeira vez que Camille me disse com todas as letras que é lésbica...

 

--Bom! -- afirmou satisfeita -- Se você já tolera ter esse tipo de conversa franca com sua filha, isso é muito bom pra ambas!

 

--Você sabia que minha filha é apaixonada por Seyyed desde que a conheceu? -- perguntou bruscamente olhando para a cunhada

 

--Sabia. -- respondeu sem demora -- Desde que viemos aqui naquele jantar percebi que havia algo diferente no ar.

 

--Mas minha Virgem Santíssima! -- deu um tapa na perna -- Será possível que todo mundo sabia disso menos eu?

 

--Mariano também não sabe. Pra dizer a verdade ele nem sabe se Camille é lésbica ou não; vive na dúvida!

 

--Humpf! -- fez um bico -- Todo mundo sabia, menos os irmãos lesados! -- reclamou

 

--Eu nunca lhe contei porque achava que isso cabia a sua filha. É um assunto dela!

 

--E Seyyed, hein, Olga? O que ela sente? -- estava intrigada

 

--Seyyed vive eternamente dividida entre Isa e Camille. Não entendo como pode ser... -- foi sincera -- Agora que Isa não está mais aqui e sequer mantém contato com minha filha, não sei o que vai acontecer... -- passou a mão nos cabelos -- Só sei que nunca na vida vi Seyyed tão triste e isso me preocupa demais!

 

--Também acho Seyyed completamente mudada. Não tem mais aquela animação que lhe é peculiar... -- reconheceu -- Coitadas... Coitadas de todas as quatro! Sofrer por amor é muito triste!

 

--Quatro? Está incluindo Fátima?

 

--Claro! Aquela moça ama minha filha, Olga! Tenho certeza... -- balançou a cabeça

 

--E Isa ama minha filha... -- suspirou -- Mas eu entreguei nas mãos de Deus! Oro todos os dias pra que todas elas fiquem bem!

 

--E eu! A Virgem há de ajudar! -- benzeu-se e beijou a mão -- Confio nEla!

 

--Mas... mudando um pouco de assunto e ainda falando de amor... -- olhava para a loura -- E quanto a Sidney, hein, Mari? -- sorriu

 

A costureira corou. -- O que tem ele? -- disfarçava -- Aliás, daqui a pouco ele chega aí...

 

--Vocês estão namorando? -- arriscou perguntar -- Se não quiser responder, fique à vontade! É que eu não me aguentava de curiosidade! -- sorriu -- Seu irmão só vive conjecturando à respeito!

 

--Ah... -- olhou para as mãos -- A gente conversa, passeia de vez em quando... é uma amizade bem gostosa...

 

--Só isso?

 

--Bem... -- olhou para Olga -- Eu tô gostando dele, mas ainda não me sinto preparada pra... -- corou de novo -- Você sabe, as coisas danadas...

 

--Coisas danadas... -- achou graça -- Ai, querida, viva no seu tempo e deixe acontecer naturalmente. -- aconselhou -- Sidney me parece um bom homem, vocês combinam e ele se dá bem com nossa família! Melhor que isso não podia ser!

 

--Ele não me pressiona, sabe? -- sorriu -- Não sei se um dia vai acontecer, mas tô gostando do que estamos vivendo!

 

--Enquanto isso Romeu tá que não se agüenta de ciúmes! -- sorria

 

--Humpf! -- cruzou os braços revoltada -- Aquilo ali é uma praga na minha vida! Não quero nada com ele mas o desgraçado não se manca!

 

--Romeu vai acabar desistindo mais cedo ou mais tarde!

 

--Assim espero!

 

A campanhia tocou.

 

--Ih, -- olhou para o relógio -- deve ser o Sid!

 

--Então eu vou indo! -- levantou-se -- Vou deixá-los a sós. -- pegou a bolsa

 

--Que é isso, mulher? -- levantou-se também -- Não precisa ir porque ele chegou, imagina! -- estava sendo sincera

 

--Não, meu bem! -- deu beijos de comadre na costureira -- Tenho que encontrar com seu irmão pra buscarmos Ricardinho no balé. -- sorriu -- Tá na minha hora mesmo!

 

Mariângela acompanhou a cunhada até a porta. Na saída, Olga e Sidney se cumprimentaram.

 

Uma vez dentro de casa, o coreógrafo mostrou-lhe um embrulho. -- Pra você! -- sorria

 

--Presente pra mim? -- pegou o embrulho animada -- O que será? -- sorriu

 

--Vamos descobrir? -- piscou

 

A loura abriu o pacote e encontrou um lindo ursinho de pelúcia com pequeno envelope colado na patinha.

 

--Ai, que fofo! -- abraçou o urso -- E tem cartinha! -- abriu o envelope e leu a frase em voz alta -- "Depois de muitos anos, meu coração bate mais forte novamente. Namora comigo?” -- corou e abaixou a cabeça -- Que romântico...

 

--Você aceita? -- perguntou nervoso -- Eu não sou muito bom nisso de tomar iniciativa, mas... -- pôs as mãos nos bolsos -- Tô gostando de verdade de você...

 

--Sidney, eu... -- olhou para ele -- Eu queria muito mas... -- não sabia como dizer -- Não sei quando terei coragem de... você e eu... é...

 

--Tudo bem! Eu não tenho pressa! -- falava a verdade -- Passei tantos anos sem... essa... essa parte... Eu espero! -- pausou -- Acho que também preciso de um tempo!

 

--Sendo assim... -- sorriu encabulada -- Eu aceito!

 

Os dois ficaram se entreolhando por uns segundos até que Sidney segurou uma das mãos de Mari. Aproximou-se devagar, acariciou o rosto da loura e, depois de alguma hesitação, beijou-a com muito carinho. Ela jogou o bicho de pelúcia sobre o sofá e delicadamente envolveu o pescoço do coreógrafo com os braços.

 

Aos poucos o beijo tornou-se mais intenso.

 

BUFF!!! -- um barulho se fez ouvir

 

--Mas o que é isso? -- Mariângela perguntou espantada

 

--Alguma coisa caiu no seu quintal! -- o coreógrafo correu até a janela para ver

 

--Abram essa porta!! -- um homem gritava do lado de fora -- Abram agora mesmo!

 

--Romeu?? -- a costureira reconheceu a voz -- Mas só me faltava essa! -- abriu a porta furiosa e deu de cara com ele -- Posso saber por que invadiu meu domicílio, seu nojento? -- pôs as mãos na cintura desaforada

 

--Não pode fazer isso! -- Sidney reclamou com o outro fazendo cara feia -- Quem você pensa que é?

 

--Não só posso como devo! -- entrou na casa como um foguete -- Mari, você não pode se envolver com esse homem! -- mostrou um envelope de papel pardo -- Tenho provas de que essa bichona te engana! -- jogou o envelope sobre a mesa -- Aí estão as fotos! -- apontou

 

--Fotos do que? -- o coreógrafo perguntou de cara feia

 

--Fotos que mostram tua boiolice em mais alto grau! -- olhou para a loura -- Veja com seus próprios olhos, Mari! -- puxou um galho de planta que havia ficado preso em sua calça -- Ai, tem espinho! -- reclamou

 

--E desde quando anda me investigando?

 

--Ai, ai, ai, ai, ai! -- a costureira pegou o envelope e tirou as fotos de seu interior -- Vamos ver que palhaçada é essa! -- olhava para as fotos -- E o que tem de anormal aqui, Romeu? -- perguntou impaciente

 

--Você não tá vendo ele agarrado com esses caras? Cada hora é um!

 

Sidney foi ver as fotos também. -- Ora, mas você fotografou minha aula!

 

--E desde quando aula de dança precisa desse chamego todo? -- questionou provocador -- Além do mais só dava macho naquela aula!

 

--Era uma aula de reforço pros condutores, ou seja, pros homens. -- esclareceu -- Ou você não sabe que homens e mulheres desempenham papéis diferentes na dança? Os homens conduzem, as mulheres são conduzidas! -- cruzou os braços revoltado -- Vai ter apresentação e eles estavam muito fracos! Tinham que trabalhar um pouco mais!

 

--Mas até na dança existe machismo! -- Mari resmungava ao jogar o envelope sobre a mesa novamente

 

--Você não me engana! -- Romeu deu uma peitada no outro -- Bichona fingida! Enganando uma pobre mulher ingênua!

 

--Você é patético! -- empurrou-o -- Será que não se manca, seu idiota? Ela não te quer! -- falava alto -- Mari e eu estamos namorando, não tem espaço pra você!

 

--Namorando??? -- arregalou os olhos -- Isso é verdade?? -- perguntou a mulher

 

--É!! -- afirmou enfática -- E eu tô até agora querendo entender o que você faz aqui!! -- falou com a cara feia

 

--Eu vim pra te proteger, mulher! -- segurou-a pelos braços -- Já te disse que você precisa de um homem que sou eu, não dessa bicha dançante, libélula alucinada!

 

--Ah, mas eu vou quebrar a sua cara! -- Sidney puxou o outro pelo ombro e mirou um soco

 

Romeu se esquivou e ficou pulando como pulga. -- Quer brigar, boneca? Vem! -- chamou provocando -- Vem que eu te quebro no meio! -- rosnou

 

--Ah!!! -- o coreógrafo avançou sobre ele e os dois caíram agarrados no chão

 

--Parem com isso agora mesmo!! -- Mariângela ordenou furiosa

 

Os dois homens rolavam no chão se digladiando.

 

--Ah, mas eu vou acabar com isso e vai ser agora! -- foi até a cozinha

 

--Seu desgraçado! -- Romeu tentava enforcar o outro, que lhe entortava a perna -- Ai! -- gem*u

 

--Você vai engolir cada palavra, seu diabo! -- Sidney socou-lhe entre as pernas

 

--AHAHAH!!! -- gritou

 

--Chega! -- Mariângela chegou batendo nos dois com um pano molhado -- Levanta do chão e chega dessa baixaria na minha casa! -- batia forte -- Chega! -- estava possessa

 

--Ai, Mari! -- Romeu soltou o outro homem e se contorceu de dor -- Isso dói, ai!!

 

--Não bate, amor! -- Sidney pediu -- Ai, chega!!!

 

--Levantem e vão embora daqui! -- continuava batendo -- Fora!! -- falava alto

 

--Mas, Mari... -- os dois reclamaram juntos -- Ai! -- gem*ram

 

Nesse momento a campanhia toca.

 

--E quem será dessa vez, hein? -- a costureira foi ver enfurecida

 

--Acho que... -- Sidney se levantou estropiado -- É melhor a gente ir nessa...

 

--Ai... -- Romeu se apoiava no sofá para ficar de pé -- Sou obrigado a te dar razão...

 

--Mas o que está acontecendo por aqui? -- Mariano entra em casa apavorado -- Pensei que fosse encontrar com Olga e dou de cara com essa cena! -- olhou para os dois homens -- Parece que um caminhão passou por cima de vocês! -- pôs as mãos na cintura

 

--Muito pior que qualquer caminhão... -- Romeu tentava se endireitar -- Sua irmã... acabou com a gente...

 

--Essa baixinha é danada, viu? -- Sidney chacoalhou a cabeça -- Tô até zonzo, ui!

 

--Mas... -- o contador não entendia

 

--Olga foi se encontrar contigo, homem! -- a costureira falou de cara feia -- Se tivesse prestado atenção ao que ela te disse antes de sair de casa não teria vindo pra cá!

 

--Ah... ela foi? -- perguntou sem graça

 

--E quer saber? Eu não quero homem nenhum nessa casa! -- voltou a bater com o pano -- Fora! Todo mundo pra rua! -- bateu no irmão -- Inclusive você!

 

--Ai, Mari! -- reclamou se esquivando -- Eu tô apanhando por causa de que? -- correu para fora

 

--Eu não sei, mas motivo há de ter! -- continuava batendo -- Simbora! Todo mundo pra rua!

 

--Corre! -- Sidney fugiu com pressa

 

--Mas é uma bichona covarde! -- Romeu resmungou -- Ai! -- apanhou de novo

 

Após enxotar todos os homens e fechar as portas a costureira foi arrumar a bagunça que ficou na sala.

 

--Ai, que saudades da época que não tinha homem nenhum na minha vida!! -- reclamou em voz alta -- Homens... Ô raça infeliz! -- revirou os olhos

 

***

 

Juliana havia passado o final de semana cuidando dos velhinhos que viviam no asilo do centro espírita e ficou extremamente decepcionada com o que ouviu da parte de alguns freqüentadores da casa. Aquelas pessoas, que estudiosas da doutrina deveriam dar o exemplo, carregavam o coração cheio de preconceitos contra os idosos. Preconceitos que se manifestavam em pequenos comentários e atitudes, aparentemente inofensivos, mas que faziam uma enorme diferença no final das contas.

 

Pensando em todas estas coisas a japonesa pediu a Olga uma oportunidade para palestrar brevemente na sessão noturna de domingo, tendo recebido permissão para tal. A notícia de que uma deputada federal iria se pronunciar na reunião deixou a casa espírita lotada; e a enfermeira um tanto nervosa.

 

--Boa noite! -- olhava para os rostos das pessoas -- Eu me sinto honrada por essa oportunidade e adianto que não tomarei muito tempo. Queria apenas dizer algumas coisas que lembrassem a todos aqui que nós vamos envelhecer; inexoravelmente! Não há como fugir disso! A menos que a morte nos leve antes... -- pausou brevemente -- Eu sou enfermeira e cuido de idosos há muito tempo. Mesmo sendo deputada, não me distanciei dos velhinhos e muito me entristeço com o que vejo acontecer! -- preparou-se para o que iria dizer -- E muitos irmãos espíritas não são diferentes das outras pessoas que não respeitam a velhice; lamento dizer, mas a verdade é essa!

 

--Mas que absurdo! -- Paulo resmungou revoltado -- Olga inventa dessas sapatonas palestrarem e a desgraçada ainda vem dar lição de moral na gente? Quem ela pensa que é?? Deputada de sapatanice!!

 

--Paulo! -- Beatriz chamou e ele olhou -- Cale a boca, sim? -- pediu em voz baixa

 

--Humpf! -- o homem fez um bico

 

--Há pouco tempo eu comecei a ler um livro, de Odir Cunha, chamado Os Bichos Ensinam, -- Juliana dizia -- e gostaria de ler para vocês uma passagem muito interessante sobre os elefantes. -- mostrou o livro -- O nome do capítulo é: Os mais velhos sabem o caminho. -- abriu o volume -- Acho que pode nos ensinar alguma coisa. -- começou a ler -- "A sociedade dos elefantes depende das matriarcas, detentoras de uma sabedoria acumulada por várias gerações, que equivalem a alguns séculos.” -- interrompeu a leitura para provocar os presentes -- A sociedade humana também depende absurdamente das matriarcas, mas o machismo e a arrogância masculina lutam para que pareça o contrário!

 

--E mais essa! -- Onofre resmungou de cara feia

 

Olga estava gostando.

 

--“Elas podem viver até 64 anos e têm na memória os caminhos de migração em busca de água e pastos verdes. Quando morrem prematuramente, nas mãos dos caçadores de marfim, suas manadas vagam perdidas.” -- a japonesa continuava a ler -- “Na vida dos elefantes não há pressa, mas o tempo é um bem precioso. A gestação de um filhote demora 22 meses; levam seis meses para usar a tromba e até 10 anos para dominá-la; andam devagar, mas dormem apenas de três a quatro horas por noite. O ritmo lento da marcha permite que indivíduos feridos ou enfraquecidos acompanhem a manada, aumentando suas chances de sobrevivência.” -- olhou para os presentes mais uma vez -- Enquanto isso, nós, os humanos, costumamos a andar depressa demais, deixando os ‘feridos’ e ‘enfraquecidos’ pra trás. Geralmente não sabemos pra onde estamos indo com tanta pressa, mas quando o sapato aperta a gente lembra que Deus existe e pede um arrego! Aí fica todo mundo uma seda!

 

--Isso são modos de falar no centro? -- Paulo continuava revoltado

 

--E é mentira o que ela tá dizendo, Paulo? -- Cléia perguntou

 

--“Mesmo os elefantes mais velhos, que ficam com a pele mais fina e só podem comer grama fresca, pois com o tempo seus molares enfraquecem e caem, ainda são valiosos.” -- seguia lendo -- “Além de conhecerem o caminho para as nascentes de água, farejam a chuva a 24 quilômetros de distância e identificam as plantas que podem ser comidas. Por isso, quando morrem, são reverenciados pelos outros, que, em silêncio, permanecem ao lado de seu corpo por horas, até dias.”

 

--Mãe, como os elefantes são gente fina! -- Ricardinho exclamou surpreendido

 

--Tem muita gente que podia reencarnar como elefante, não? -- Olga brincou -- Pra ver se aprendia alguma coisa!


--“Bem diferente da sorte dos humanos, que vão sendo abandonados pela sociedade e pelos parentes à medida que se tornam idosos.” -- a enfermeira finalizava a leitura --“Acabam sozinhos, em asilos, sobrevivendo de pensões humilhantes, como um peso morto para o sistema de previdência e mesmo para seus filhos e netos, que ignoram sua experiência e nunca mais os consultam sobre a escolha dos caminhos." -- fechou o livro e olhou para os freqüentadores da casa -- Há pessoas que internam seus velhinhos em asilos porque realmente não têm opção, não têm o que e como fazer. Porém, infelizmente, sei por experiência própria, que a maioria toma essa decisão pra se livrar daquele idoso que daria muito trabalho. -- debruçou-se sobre o púlpito -- E quem quer ter trabalho, né? É tão chato ter que limpar fezes, dar banho, fazer curativo, dar comida na boca, não é isso? Mas quando é a gente que precisa deixa de ser chato... -- provocou -- Se não está nos nossos corações aquele senso de gratidão com um avô, avó, mãe e pai, se não está nos nossos corações um pingo de humanidade e compaixão pelo semelhante, que haja pelo menos um pouco de consciência de que a gente colhe aquilo que semeia. -- pausou -- Mais do que vir pro centro todo sábado ou domingo e sentar o rabinho nessas cadeiras pra ouvir palestra, que a gente tenha uma atitude digna de nosso discurso. -- empolgou-se -- Chega de ler Kardec e André Luis até se danar pra na hora H fazer feio! Chega de falar bonito no meio do povo pra mostrar cultura e no momento de mostrar fraternidade cristã dar uma de fariseu! Chega de dormir na palestra, que eu tô vendo isso aí! -- apontou para um pessoal que dormia -- Depois acorda com a boca toda babada e diz que é ectoplasma!

 

--Ah, mas eu vou dar um basta nisso e vai ser agora! -- Paulo ameaçou se levantar mas foi detido por alguém que pôs a mão em seu ombro

 

--Como é que é? -- Suzana perguntou a ele com a cara feia

 

--Eu vou... -- pensava no que dizer -- cumprimentar essa mulher! Que palestrão! -- sorriu sem graça

 

--Bem melhor assim... -- olhava para o homem seriamente

 

***

 

Camille chegava tarde na ESSALAAM desejando encontrar Seyyed sozinha. Sabia que a morena estaria lá.

 

--Meu, a estrutura nova de restauro ficou mesmo da hora! -- Ed olhou para a loura com surpresa -- Você não exagerou na sua propaganda! -- sorriu

 

--E não dizem que a propaganda é a alma do negócio? -- sorriu também e caminhou até a outra -- Você parece que adivinhou! Acabei de acabar e me preparava pra puxar a última porta e ir embora. -- limpava as mãos com uma estopa

 

--Quer que eu puxe? -- ofereceu -- Ainda tenho jeito pra isso!

 

--Ah, vamos ver se tem! -- pegou um puxador -- Vai encarar mermo? -- estendeu para a loura, que o recebeu

 

--E eu sou mulher de fugir da raia? -- dirigiu-se até a porta e a puxou

 

--Gostei de ver! Que categoria! -- brincou

 

--Viu? -- colocou o puxador de volta em seu lugar -- Nunca menospreze uma Trevisani!

 

--Jamais! -- levantou as mãos como se estivesse em um assalto -- Me dá só uns minutinhos pra eu me colocar em condições de ir pra rua? -- pediu enquanto soltava os cabelos

 

--Aliás, você tá com pressa? -- Camille perguntou -- Queria conversar contigo... -- olhava para a mecânica

 

--Pressa nenhuma. -- respondeu simplesmente -- Tá de carro aí?

 

--Tô. -- pausou brevemente -- E você? Veio de moto?

 

--Vim. -- aproximou-se -- Vamos fazer o seguinte: você me segue. Vou devagar.

 

--Tá. -- verdes e azuis se misturaram

 

***

 

--Então eu recusei a proposta de ir pra Santos e isso gerou um mal estar como você não imagina! -- Camille contava -- Continuo gerenciando a mesma divisão de antes, mas acho que a alta gerência não me vê mais com os mesmos olhos.

 

--Eu acho que se você não tava disposta a mudar sua vida pra assumir uma função que não era do seu anseio, foi mais do que certa! -- opinou -- Se você tivesse a fim de pegar o cargo e não topasse a proposta só pra não se mudar eu ia achar que deu mole, mas não foi o caso.

 

--Não mesmo! -- concordou -- E eu não quero sair do Rio, pelo menos não nos dias de hoje. Já me acostumei, minha vida tá aqui e morar em Santos me bagunçaria toda!

 

As duas conversavam na praça de alimentação do Shopping Iguatemi. Haviam terminado de lanchar.

 

--Mas você não curte o trabalho que tem? -- perguntou curiosa -- Sempre te achei tão empolgada no que se envolve... Não sinto mais essa empolgação ao te ouvir falar do que faz.

 

--É verdade, eu não curto muito o que faço atualmente... Essa coisa de ser gerente, sabe? -- suspirou -- Chego a pensar em largar tudo e voltar correndo pra ESSALAAM. -- brincou sorrindo

 

--Sério?! -- Ed perguntou espantada

 

--Ah... -- passou a mão nos cabelos -- Às vezes eu penso nisso... -- corou -- Era tão bom aquela época em que eu trabalhava lá...

 

Seyyed ficou pasma. -- Nossa, eu fico honrada em ouvir isso, mas... -- brincava com o canudo -- Pense bem, porque o que você tem hoje eu não poderia te dar. -- estava sendo sincera -- Ainda tenho um longo caminho pra colocar a oficina no mesmo patamar de antes e não teria condições de pagar o salário que você deve receber na atualidade. De mais a mais você tem estabilidade e isso faz a maior diferença!

 

--Eu sei... -- respondeu um pouco decepcionada -- "Será que ela realmente se preocupa comigo ou não quer me ter por perto?” -- pensou -- "No entanto ela tá certa no que diz...”

 

--Por que não pesquisa outras áreas dentro da sua empresa? Deve haver outras atividades bastante interessantes e motivadoras por lá, não? -- sugeriu

 

--De fato não fiz essa sondagem. -- constatou -- Trabalho com comércio desde o começo. Depois especializei em comércio exterior. -- pausou -- Em Santos eu trabalharia com produção, mas não é a minha.

 

--Talvez seja a hora de mudar!

 

--Mas não é fácil assim... Quando é a chefia que indica é outra coisa!

 

--Nunca soube de você gostar das coisas fáceis! -- piscou para a loura -- Sei bem o quanto um desafio te deixa animada! -- sorriu e segurou uma das mãos dela -- Não quero que pense que sua presença na oficina seria mal vinda, não é isso, mas não posso permitir que deixe uma coisa boa por outra coisa que não teria o mesmo nível de benefícios pra você! -- falava com carinho -- Naquela época em que trabalhávamos juntas, você era uma profissional em início de carreira e eu vivia meu auge na ESSALAAM. -- pausou brevemente -- As coisas mudaram, querida. Pra nós duas! Queria que isso ficasse claro pra você...

 

--E... -- entrelaçaram os dedos -- o que mais mudou, Ed? -- olhava para a morena

 

--Muita coisa mudou, mas outras ainda continuam como antes... -- respondeu com delicadeza

 

Só então Camille reparou que Seyyed ainda usava aliança e soltou a mão dela. -- Ainda se sente casada? -- foi direta

 

A mecânica respirou fundo e passou a mão nos cabelos cruzando os braços em seguida. -- Isa não se comunica comigo; ela cortou o canal completamente. É o pai dela quem me conta as novidades, assim na maciota, mas eu entendo. Ele e a esposa desejam que a gente volte, mas não Isa... -- debruçou-se sobre a mesa -- A verdade é que não consigo tirar essa aliança ainda, mas quando fizer isso é sinal de que desisti. -- olhava nos olhos da outra -- E você? Ainda pensa em Fátima?

 

--Não tanto quanto penso em... -- arrependeu-se de ter iniciado aquela frase e se calou

 

--Eu não quero abusar dos seus sentimentos. -- pensava no sonho que teve -- Não quero mesmo!

 

--Tudo que eu não quero é ser um prêmio de consolação! -- falou abertamente -- Isso seria abusar dos meus sentimentos!

 

--Jamais faria isso com você! -- afirmou convicta

 

Debruçou-se sobre a mesa também. -- Há anos que a gente vive essa situação que se arrasta e... Conversamos sempre com meias palavras! -- reclamou de forma contida -- Chega, né? -- silenciou brevemente -- O que você realmente quer, Ed? -- imprensou-a contra a parede

 

--Não me pergunta isso agora, vai? -- pediu -- Não tem idéia de como me sinto...

 

Verdes e azuis se misturavam.

 

--E nem você de como eu me sinto... -- quebrou aquele clima e mexeu na bolsa -- É melhor a gente ir. -- sugeriu

 

--É. -- concordou -- Vamos embora! -- levantou-se -- "O que você realmente quer, Ed?” -- perguntava-se -- "Quando eu penso que sei, vem ela e me confunde toda!”

 

“O que VOCÊ realmente quer, Camille?” -- perguntou-se ao se levantar -- "O tempo passa e é sempre assim, ô louco!” -- caminhavam em direção ao estacionamento -- "Que merd*!”

 

***

 

Solitudine chegava na roça no início do dia. Trazia seu mochilão nas costas e uma bolsa cheia de ovos de Páscoa para as crianças.

 

Como sempre encontrou a casa materna com os portões abertos. Entrou silenciosamente e reparou na beleza das pequenas flores que ornamentavam o jardim. Sentiu o cheiro bom vindo da cozinha e seguiu para lá. A mãe estava parada diante do fogão, colocando tampas nas panelas.

 

--Eita, que o almoço vai ser bom por demais da conta! -- brincou

 

--Minina!! -- olhou para a filha sorridente -- Eu num sabia que ocê vinha! -- foi abraçá-la --Tira esse trem das costa! -- ordenou

 

--Agora! -- colocou a mochila sobre a cadeira e a bolsa sobre a mesa -- Que saudade! -- abraçou a mãe com carinho e beijou-lhe a mão -- A benção, mãe! -- pediu

 

--Deus ti abençoe! -- pôs a mão sobre a cabeça da filha

 

--Cadê todo mundo? -- perguntou curiosa -- Tá tudo tão quieto! -- olhava para todos os lados

 

--Tá todo mundo cum teu pai modi montá as barraca pra festa do padre! -- respondeu olhando para a filha

 

“Então não haverá momento melhor do que esse...” -- Solitudine pensou decidida

 

--Mas, deixa eu ti perguntá, minina, o que é que ocê tem? Cara triste... -- segurou o rosto dela -- Tá seca! -- deu-lhe um forte tapa no braço -- Num come, não é?

 

--Ai! -- achou graça -- Mas a senhora sempre diz que eu tô seca! -- esfregou o braço -- E pode acreditar que eu continuo comendo bem, graças a Deus. A senhora vai ver só durante esse almoço! -- riu brevemente

 

--É bão! Num tô gostando dessa magreza! Os osso tão tudo de fora, ói! -- apertou as clavículas da outra

 

--Mas esses aí sempre ficam de fora, uai! -- continuava achando graça -- Mãe... -- pausou por uns instantes -- Eu queria aproveitar esse momento que estamos sozinhas pra ter uma conversa muito séria com a senhora... -- sentiu um frio na barriga

 

--Num me venha falá di uns assunto que... -- reclamou contrariada

 

--Por favor! -- interrompeu-a com respeito -- Por favor, mãe, eu preciso muito! -- pediu -- Deixe-me falar o que gostaria de lhe dizer? Depois pode fazer o que quiser e até me mandar embora! Mas não me impeça, por favor... -- olhava nos olhos da mulher mais velha

 

Caminhou até a pia e pegou folhas de alface para cortar. -- E o que diacho ocê tanto qué mi dizê? -- estava de costas para a outra

 

--Eu... -- não sabia o que fazer com as mãos -- A senhora tá me achando triste com razão... -- pausou brevemente -- Eu tinha um relacionamento sério com uma pessoa que me deixou sem mais sem menos... Tá sendo muito difícil pra mim lidar com isso! -- respirou fundo -- Sei que vou conseguir, porque todas as coisas passam... só que ainda não passou. -- esfregou as mãos -- Eu vim pra cá não só por causa do feriado. Pra dizer a verdade nem poderia ter vindo, mas... preciso de um colo de mãe... -- pediu humildemente

 

--E que relacionamento é esse que eu num sabia que ocê vivia? -- continuava cortando alface -- Nunca ti vi cum homi!

 

--Não era com um homem... -- sentiu que a mãe prendeu a respiração -- Nunca estive com homens, mãe... Eu sou... -- respirou fundo -- lésbica!

 

--O que??? -- cravou a faca na tábua de madeira e olhou para Solitudine -- O que ocê tá mi dizendo?? -- fez cara feia

 

--É isso mesmo... -- confirmou receosa

 

--Arre!! Nunca ti vi vistida de macho!! -- estava revoltada -- E ocê num tem cara dessas muié maluca que gosta dessas patifaria!

 

--Eu não me visto de homem e me comporto normalmente. -- explicava -- Apenas amo as mulheres.

 

--Mas pur que?? -- foi até a filha e bateu no ombro dela -- Ocê num procurou si tratá pur que?? -- cobrou -- Tem istudo, pudia di tê visto isso!

 

--Porque não é doença, mãe! -- esquivava-se dos tabefes -- Eu já estudei tanto sobre essas coisas como a senhora não imagina! E já conversei com psicólogos sérios... -- tentava tranqüilizá-la -- Não é doença!

 

--O padre disse que é, uai! -- pôs as mãos na cintura

 

--Alguns padres falam muitas bobagens! -- retrucou -- Eles diziam que nosso povo era amaldiçoado, a senhora não lembra?

 

--Humpf! -- caminhou de volta até a pia -- Eu sei purque ocê ficô assim! Cidade grande, muita pouca vergonha...

 

--Sempre fui assim, mãe... Desde criança! E nunca vivi na pouca vergonha...

 

A mulher permaneceu uns segundos calada e se encostou na pia com os braços cruzados. -- Foi pur causa das ignorança di teu pai, num foi?

 

--Não... juro que não! -- falou com segurança

 

--E o povo da cidade sabe disso? Desses teus gosto?

 

--Pouquíssimas pessoas sabem. Não tenho coragem de me assumir abertamente. -- encostou-se na mesa -- Meus colegas de trabalho são conservadores demais e eu não sei como seria... -- pausou -- Mãe, pelo amor de Deus, não conte isso pra ninguém de nossa família e nem pro povo daqui!

 

--Discunjuro, minina, sê besta! -- benzeu-se -- Deus me livre di passá uma vergonha dessa! -- fez cara feia

 

Solitudine ficou triste ao ouvir aquilo. Controlou-se para não chorar. -- A senhora tá com muita raiva de mim? -- perguntou insegura

 

--Mãe ninhuma qué a fia assim! -- pensava em voz alta -- É uma sina triste!

 

--Eu sei que não quer... -- respondeu com dor na alma -- “Ela não está preparada pra isso... Não pode dar colo pra mim agora...” -- constatava

 

--Si seu pai viesse di sabê... -- balançou a cabeça contrariada

 

--Olha, mãe... eu sempre achei que não era a filha que a senhora sonhou... -- dizia -- Não casei com um homem, não lhe dei netos... Ao contrário me meti de estudar e ainda chego aqui pra lhe dizer que sou lésbica... -- pausou brevemente -- Devo ser uma grande decepção pra senhora. -- olhou para o chão -- E o pai... -- riu brevemente -- Ele nunca sonhou nada pra mim, então é mais fácil. Não tem decepção...

 

A mulher mais velha ficou calada.

 

--Eu queria um colo seu, mas já vi que a senhora ficou muito decepcionada comigo. -- pegou a mochila e a colocou nas costas -- Só queria que soubesse que sempre tive orgulho de ser sua filha e minhas origens humildes nunca me foram motivo de vergonha. -- olhava para a mãe -- Por muito tempo me senti deslocada em alguns ambientes... uma eterna caipira no meio das moças que sabiam se vestir e maquiar bem... -- pausou -- Mas aprendi a me amar como sou e apesar não ter me assumido pra todo mundo, não tenho vergonha de ser lésbica. Tenho apenas medo de encarar as coisas que eu sei que iriam acontecer... Como esse momento, por exemplo. -- pausou -- Mas eu precisava dessa conversa! -- apontou para a bolsa sobre a mesa -- É pras crianças. -- preparou-se para sair -- Fique com Deus, mãe.

 

--Ocê trate di pará pur aí! -- ordenou, fazendo com que Solitudine parasse na porta da cozinha -- E tire essa peste das costa, que já mandei! -- falou mais alto. A filha obedeceu e se virou de frente para ela -- Eu num disse que tenho vergonha di ocê! Eu falei que num gostei di sabê que ocê gosta desses trem esquisito e num quero que o povo sabe, purque sinão vai sê uma fofocada pur dimais da conta! Vão fazer nóis passá vergonha! E sabe pur que? -- aproximou-se -- Purque eles têm tudo inveja!! -- deu um soco na mão -- Inveja purque a única daqui que tem fia dotôra sou eu! E eles num ingole! Num ingole! -- olhava para Solitudine -- Ocê é minha única fia e a mió das criança que sairo do meu ventre! A mais boa e a que mais si importa! Num tenho vergonha di ocê; só orguio!

 

--É sério, mãe? -- perguntou surpresa

 

--Sê besta, minina, num tô dizendo? -- deu-lhe um tapa no braço -- E muito me dói que seja ruim como é cum seu pai, mas num posso fazê nada! Deixei nas mão da Virgi faz tempo!

 

A caipira sorriu. -- Então a senhora não quer que eu vá embora? -- estava cheia de esperança

 

--Anêim, e eu ti mandei sair, minina? -- deu-lhe outro tapa -- Num seji besta di mi fazê uma desfeita dessa! -- fez cara feia

 

--Vou embora, não, mãe! -- achou graça

 

--Ainda acridita em Deus, minina? -- bateu de novo

 

--Claro!! -- respondeu enfática -- Mais do que nunca!

 

--Em Jesus? -- estudava o rosto da filha

 

--Sempre!!

 

--Ainda é devota da Virgi Maria? -- deu mais um tapa

 

--Claro, mãe! -- esfregava o braço

 

--Hum... -- afastou-se um pouco -- E a muié? A que vivia cuntigo? Era aquela que ocê trôxe aqui uma vez, num foi?

 

--Foi...

 

--E pur que ela num vinha nu final di ano? -- cruzou os braços intrigada

 

--Ela não comemorava festas cristãs.

 

--Ave Maria! -- arregalou os olhos -- Que tipo ocê foi mi arrumá!

 

Achou graça. -- Ela não era ruim, mãe. Só foi criada em outra filosofia, é isso. Outro jeito de pensar na vida.

 

--E ocê tá danada di sofrê pur causa dela? -- encarou a filha

 

--Mais do que gostaria... -- abaixou a cabeça

 

--Levanti essa cabeça, minina! -- ordenou e a filha obedeceu -- Vem aqui! -- chamou e ela foi -- Ocê num vai di baixá cabeça pur causa di muié ninhuma! Ouviu? -- deu-lhe um tapa

 

--Ouvi! -- sorriu

 

--Ocê venceu as dificuldadi, a pobreza, as duença... -- segurou-a pelos braços -- Ocê venceu as ignorança di teu pai e mais tudo! -- falava com emoção -- Ocê venceu a guerra! Num podi si entregá pur causa di uma muié burra dimais da conta que num viu o tisouro que tinha na mão! -- segurou o rosto da outra -- Sei que sô uma muié istranha e num sei purque Deus me deixô sê tua mãe, mas eu... -- pausou incapaz de deter as lágrimas -- Eu só tenho orguio di minha minina! E ti amo!

 

--Ah, mãe... -- chorava também -- E eu amo tanto a senhora...

 

--Ocê tá proibida di chorá pur causa daquela uma! -- falou de cara feia -- Si eu ti vê chorá, ti dou uns tapa! -- ameaçou

 

--Mas a senhora já me bate por qualquer coisa, uai! -- riu brevemente

 

--Pois que vô batê di força!! -- prometeu -- Ocê é dotôra lá fora, aqui pra mim é minha minina e si tivé di ti batê, eu bato!

 

--Ave Maria, não choro, não! -- achava graça -- Prometo!

 

--E si arrumá outra dessas aí, vai trazê aqui modi eu oiá nos oio dela e dizê si presta!

 

--Trago, sim! -- sorriu

 

--Agora pare di chorá! -- beijou-lhe a bochecha -- E abraça tua mãe! -- pediu

 

Abraçaram-se com força. Solitudine sentia-se nas nuvens.

 

--E vai cumê bem purque ocê tá muito seca! -- falou enquanto ainda estavam abraçadas

 

--Não vou lhe fazer desfeita, mãezinha! -- sorria com os olhos fechados -- Num vô de jeito maneira, uai! -- brincou

 

***

 

Ana havia acabado de voltar da França após ter passado quase um mês com a filha. Anselmo, Odete, Leila e Paulo ouviam suas narrativas.

 

--Gente, mas a minha estrela tá mais Dalva do que nunca! -- Ana dizia para a família -- A escola de dança que ela montou é um ES-PE-TÁ-CU-LO! -- enfatizou a última palavra -- Está situada simplesmente em um teatro que havia sido desativado no Centre National d’Art et Culture Georges-Pompidou! -- caprichou no sotaque francês

 

--Meu Deus, área cultural e vanguardista de Paris! -- Leila exclamou surpreendida -- Que chique!!!

 

--Pois é, meu bem! Isabela estava preparando um outro lugar mas os planos mudaram e a escola foi sendo transferida pra Pompidou. -- explicava -- Ficou tudo pronto agora, em fevereiro, e tem que ver que maravilha! -- gesticulava -- Não tem qualquer extravagância, mas sobra a classe que é peculiar ao meu bebê! -- sorria -- Que pena que não achei o cabo de vídeo pra projetar as imagens na TV, senão vocês veriam cada foto de alucinar!

 

“Graças a Deus que o cabo sumiu!” -- Paulo respirava aliviado

 

--E ela tem trabalhado muito, Ana? -- Odete perguntou preocupada -- Emagreceu, tá bem tratadinha? Tenho medo que esses franceses possam estar judiando de minha neta!

 

“Emagreceu!” -- Paulo pensou despeitado -- "Já era seca que nem um vara pau, vai emagrecer o que?”

 

--Judiando?! -- olhou para a mãe -- Que nada! Aquela menina curvou a França diante de seus pés como nem Carla Bruni conseguiu fazer! -- exagerou

 

“Pois sim!” -- Paulo protestava mentalmente

 

--A princesinha do papai... -- Anselmo começava com seu mantra

 

--E já tem muitas alunas, Ana? -- Leila perguntou curiosa -- As imigrantes se empolgaram com a idéia de estudar balé contemporâneo?

 

--Ih, gente, nem te conto! -- gesticulava -- Já são cinqüenta e poucas alunas vindas de tudo que é canto! Você pensa que tá na ONU, coisa linda de se ver! -- olhava para a irmã -- E depois que a escola dela engrenou de vez, a França anda numa paz de fazer inveja!

 

--Humpf! -- Paulo fez um bico discreto -- "Maldita hora que Leila quis vir aqui! Me forçar a ouvir tanta besteira...” -- pensou contrariado

 

--E vocês não sabem quem apareceu pra visitar a escola quando eu estava lá: -- olhava para todos -- ninguém menos que Agnes Letestu! AHAHAHAH! -- gritou histérica

 

--Agnes Letestu? Pra ver minha neta? -- Odete arregalou os olhos e pôs a mão no peito -- É muita emoção nesse peito de vó!

 

--Agnes Letestu?! -- Anselmo perguntou emocionado -- Ai, meu Deus, é muita emoção nesse peito de pai! -- socou o tórax

 

--E quem é essa, gente?? -- Leila perguntou sem entender aquela comoção

 

--Como você não sabe quem é Agnes Letestu?? -- Ana ficou em choque

 

--Como você não sabe?? -- o marido fortaleceu a indignação

 

--E quem é essa? -- até Paulo queria saber

 

--Diga pra eles, Ana! -- Anselmo pediu -- "Também quero saber quem é!” -- pensou

 

--Isso, Ana, diga! -- Odete também não sabia

 

--Simplesmente a bailarina que abalou os alicerces da França e devastou a Europa inteira com seu talento! -- gesticulava como doida -- E até uma mulher dessas rendeu-se à competência de minha estrela Dalvérrima!

 

--Gente! -- Leila ficou impressionada

 

--Eu não vejo a hora de poder ir vê-la! -- Anselmo afirmou orgulhoso -- Minha princesinha... -- suspirou

 

--E eu! -- Odete afirmou empolgada -- Só não fui agora com Ana porque tive aquele problema de clonagem do cartão de crédito! -- reclamou

 

--A senhora vai nas minhas férias! -- Anselmo convidou -- E Ana vai de novo, então faremos uma excursão em família! -- sorriu

 

--Vocês podiam ir com a gente também, né, Leila? -- Ana falou para a irmã -- Isa iria amar a surpresa!

 

--Ah, mas não vai dar! -- Paulo respondeu de imediato -- Paulinho vai casar no final do ano e a gente tem gasto muito dinheiro por causa disso. É festa, igreja, enxoval... -- olhava para Ana e Anselmo -- Casamento de verdade, sabe como é? Aquele do tipo convencional! -- alfinetou o casal por conta da orientação sexual de Isabela

 

--Claro que sabemos! -- Anselmo respondeu de cara feia -- Mas é uma pena que vocês não possam ir, não é, Ana? -- olhou para a esposa -- Se Paulinho tivesse estudado mais ou conseguido um emprego melhor, -- olhou para o cunhado -- vocês não precisariam bancar o casamento dele! -- sorriu sarcástico -- Quando minha princesa casou, eu não precisei gastar nem um centavo!

 

“Eita, que patada boa!” -- Odete pensou

 

Paulo e Leila ficaram um tanto constrangidos e aborrecidos com aquela resposta.

 

--Pode ser, mas... -- sorriu também -- pelo menos meu filho vai ter um casamento que é reconhecido no mundo todo. Sem correr o risco de ser linchado por aí.

 

--Ah, é. -- Ana concordou -- O mundo ainda tem pessoas muito ignorantes, né, Paulo? É por isso que essas coisas acontecem! -- cruzou as pernas -- Minha filha é uma artista, e como tal não tem sex*! -- gesticulou -- No entanto, competência ela tem e de sobra! E competência é assim: ou você tem ou não... -- sorriu -- Mas eu tenho pedido a Deus que Paulinho e Bruno consigam empregos decentes. Especialmente o mais velho, que tá pra casar, né? -- fez um gesto -- Um dia eles conseguem, tenham fé!

 

--Eles podem não ser famosos mas estão bem empregados! -- Leila protestou de cara feia

 

“Ah, é!” -- Ana pensou com vontade de rir

 

“Sinto que essa conversa não vai terminar bem!” -- Odete pensou preocupada -- E Bruno, como vai? Melhorou da virose? -- olhou para Leila

 

--Graças a Deus! -- respondeu balançando a cabeça -- Mas ainda tá tão fraquinho... Saímos de casa e o coitado dormia como pedra!

 

--E falando em meus sobrinhos... -- Ana se levantou e foi até o quarto -- Já ia me esquecendo! Trouxe presentes pra vocês!

 

--Presentes? -- Leila se surpreendeu

 

--Ana é uma mulher generosa, Leila, como não? -- Anselmo respondeu -- Ela me deu umas camisas ótimas!

 

“Generosa! Aposto que só trouxe presente pra humilhar a gente!” -- Paulo pensava de cara feia

 

--Aqui estão! -- voltou carregando uma grande sacola plástica -- Este é o seu, mamãe! -- entregou um embrulho a idosa, que lhe sorriu -- E esse o de Leila.

 

--Ai, obrigada! -- a irmã recebeu excitada

 

--Dentro do saco estão os presentes dos meninos; o nome tá escrito. -- estendeu um embrulho para o cunhado -- Esse é o seu.

 

--Obrigada. -- recebeu o presente desconfiado

 

--Ai, Ana, que estojo de maquiagem maravilhoso! -- Leila exclamou sorridente -- Amei!

 

--Sabia que você ia gostar! -- respondeu com sinceridade -- É pelos velhos tempos! -- abraçaram-se

 

--E eu adorei esse kit com perfume, creme, bolsinha, toalha... -- Odete olhou para a filha -- Muito fofo e cheiroso! -- sorriu -- Também adorei a cor!

 

--Sei que gosta de lilás!

 

--A camisa é bonita. -- Paulo falou secamente -- Obrigada, Ana.

 

--Não há de que. -- respondeu polidamente

 

--Ana, esqueci de te dizer. -- Odete falou -- A neta de uma das minhas amigas vai casar e ela se interessou em alugar o apartamento de Isa. -- contava -- Como você já tava pra voltar, pedi pra ela esperar um pouco e conversar diretamente contigo. O nome da moça é Regina e ela disse que vai ligar hoje à noite.

 

--Ah, sim. -- olhou para a mãe -- Que bom que é gente conhecida.

 

--Isa ficou com aquele apartamento? -- Leila perguntou surpresa -- Pensei que ele ia ficar com a outra lá.

 

--Seyyed, -- Anselmo fez questão de falar o nome da morena -- deu aquele apartamento pra minha filha. -- esclareceu

 

“Pelo menos Isa escolheu uma sapatão desprendida.” -- Paulo pensou com vontade de rir -- Então, a julgar pelo modo como falou de sua ex genra, -- pronunciou a última palavra com deboche -- vejo que ainda trabalha pra ela.

 

--Trabalho e com muito gosto, por que? -- perguntou desconfiado

 

--Nada. Só pra saber se você ainda tava naquela oficina. -- respondeu fingindo naturalidade

 

--Ainda está de condicional? -- Leila perguntou por não saber o que dizer -- Digo... sua pena já acabou? -- falava com jeito

 

--A partir de junho deste ano estarei totalmente livre! -- sorriu

 

--Graças a Deus! -- Ana beijou o rosto do marido

 

--Veja no que vai se meter agora! -- Paulo advertiu rindo um pouco

 

--Qual é o seu problema, hein? -- Anselmo se levantou invocado -- Desde que pôs os pés nessa casa você só faz provocar a gente!

 

--E vocês só fazem querer nos humilhar! -- levantou encarando o outro

 

--Amor, por favor! -- Leila se levantou envergonhada -- Não viemos aqui pra brigar!

 

--Ora, Leila, pára com isso! -- olhou para ela -- Você mesma disse que sabia que sua irmã ia encher o saco se exibindo e falando abobrinha, mas que queria vir pra fofocar!

 

--O que??? -- Ana se levantou revoltada -- Então você me chamou de exibida e burra??

 

--Exibida e burra, não! -- a irmã esclareceu -- Exibida e doida!

 

--Mas é muita cara de pau! -- Ana falou com as mãos na cintura -- Irmã invejosa essa a minha!

 

--Irmã metida essa que eu tenho! -- respondeu com as mãos na cintura também

 

--Saiam daqui, seus invejosos! -- Anselmo ordenou -- Especialmente você, cara! -- olhou para o cunhado -- Tô a ponto de te acertar um soco na cara!

 

--Soco? -- riu provocando -- Pensei que ia querer me matar, ainda mais depois que virou bandido!

 

--O que???????? -- gritou furioso -- Me segura, Ana, me segura!! -- cuspia fumaça

 

--A senhora tá vendo, mamãe! -- Ana dizia -- Eles vieram pra puxar briga! Gente invejosa!!

 

--A senhora nota que eles querem crescer pra cima da gente, não é, mãe? -- Leila se defendia -- Gente besta!!!

 

E o fuzuê era total...

 

--Ô, meu Pai... -- Odete suspirou decepcionada -- Certas coisas parecem que não mudam nunca...

***

Lady assistia a uma novela mexicana enquanto Priscila monitorava Priscilinha com o dever de casa.

 

--Oh, Cacilda Juvência, -- o galã dizia com a beldade nos braços -- meu coração por ti gela! -- preparou-se para beijá-la

 

--Então se assim é, Augusto Orlando, -- não deixou o beijo acontecer -- por que ainda não nos casamos? -- perguntou com um olhar lânguido

 

--É, por que? -- Lady tomava satisfação

 

--Cacilda Juvência, seja paciente, por Deus! -- afastou-se dela e parou com a mão no peito -- Não é tão simples! -- fez olhar de enigma -- Tenho meus motivos... -- música de suspense

 

--E que motivos seriam estes?? -- rodopiou pela sala -- Conta-me, que preciso saber! -- encostou-se na parede

 

--Nossa, que coisa dramática! -- a engenheira se envolvia na trama

 

--Eu sempre tive medo de me desposar! -- gesticulou performático -- E não só isso! -- aproximou-se da mocinha novamente -- Como acha que foi dizer a meus pais que eu sairia de casa pra viver com sua pessoa? -- jogou o topete para o lado -- Foi pura tensão!!

 

--Mas agora eles não têm mais porque sofrer! -- Cacilda segurou o amado pela gola do paletó vermelho -- O que esperamos pra nos casar no papel? -- seu olhar era puro desespero -- O que?? Fala-me agora!

 

--Por favor, carinho! -- afastou-se sorumbático -- Não é tão simples assim! -- fechou os olhos

 

--Gente, mas a arte imita a vida!! -- Lady arregalou os olhos -- Eu sou Cacilda Juvência! -- pôs a mão no peito impressionada

 

--Muito bom, meu amor! -- Priscila beijava a testa da menina -- Você é muito inteligente! -- sorria -- Já terminou a tarefa toda e fez certo! A professora vai gostar!

 

--Quando eu crescer vou ser poderosa, tia Pi! -- fechava os cadernos -- Você bem vai ver! -- falava confiante

 

--É isso aí! Quero ver você continuar bem estudiosa e boa aluna pra ter profissão boa!

 

--Eu quero trabalhar com computador! Vou saber consertar e fazer um monte de coisas!

 

--Ótimo! -- acariciou a cabeça dela -- Você é uma menina pequena que já sabe o que quer e isso é muito bom! -- olhava para a criança com orgulho -- "Essa garotinha tem raça, gosto disso!” -- pensava

 

--Posso brincar agora? -- guardou o material na mochila

 

--Pode. -- balançou a cabeça

 

--Então eu vou jogar no computador! -- decidiu

 

--Nada disso, hoje não é dia de computador! -- proibiu -- Vai brincar com brinquedo! -- afirmou com firmeza

 

--Ah, tia Pi... -- reclamou

 

--Nada de ‘ah, tia Pi’! -- olhava para a menina -- Eu já disse que não quero você uma viciadinha em computador! Tem dia e hora pra usar!

 

--Humpf! -- fez um bico -- Meus outros colegas ficam no computador o tempo todo e ninguém se mete! -- cruzou os braços

 

--Sem bico! -- puxou a menina para um abraço e a beijou -- Sua tia não está chateando você! -- segurou o rostinho dela -- Não quero que fique obesa, sedentária, com as mãos estragadas e cheia de problemas de saúde. O computador é bom, mas a vida real tem que ser melhor ainda! -- olhava para a garota -- E pouco me interessa que seus colegas fiquem no computador o dia todo! Minha criança é você! -- pausou -- Vai ver como eles estarão daqui a alguns anos!

 

--Pára de enrolar minha amiga, Augusto Orlando! -- Lady falou bem alto com voz de choro -- Casa logo com ela e chega de trololó! -- fungou -- Eu te entendo, Cacilda Juvência... Eu te entendo!

 

--Mamãe tá chorando, tia Pi? -- perguntou preocupada

 

--Ah, deve ser de emoção com a novela! -- tranquilizou-a -- "Só faltava essa! Lady cobrando casamento até pra personagem de novela!” -- pensou revirando os olhos

 

--Então... você e mamãe brinca comigo? -- perguntou mais conformada

 

--Guarde seu material e pegue os brinquedos que a gente brinca.

 

--Ai, que sina ingrata a de Cacilda!! Como sofre esta mulher!! -- lamentava às lágrimas -- A arte imita a vida, meu Pai... a vida imita a arte, ai, ai, ai...

 

--Ué? -- Priscilinha olhava para dentista intrigada

 

--Querida, guarde seu material e pegue os brinquedos que eu vou ver que novela triste é essa! -- levantou-se da cadeira -- “Ô, meu Pai, mas fazia tanto tempo que ela não caía no berreiro!” -- a morena pensava -- Vamos ver o que está acontecendo aqui! -- foi para a sala

 

--Pobre Cacilda! -- assuou o nariz no lenço -- Mas não desiste, não, amiga! Faz uma pressão! -- aconselhava ao secar as lágrimas -- Inferniza ele! Faz greve!

 

--Lady, mas o que foi? -- a dentista parou diante da outra -- A menina ficou apavorada com esse chororô repentino!

 

--O que foi?! -- levantou-se do sofá encarando com a morena -- O que foi é que eu vi a minha vida refletida nessa novela mexicana, viu, Priscila? E vi essa situação que a gente vive: eu querendo casar e você se esquivando! -- pôs as mãos na cintura -- Sei bem o que sente uma Cacilda Juvêncio, sua Augusta Orlanda enrolona! -- fez cara feia

 

“Ai, meu Deus...” -- pensou preocupada -- Você não devia perder tempo com essas novelas horríveis! -- pegou o controle e desligou a TV -- Agora vamos brincar com a menina! -- agia como se não tivesse ouvido as queixas da outra -- Você chora até por novela, eu, hein?

 

--Choro porque ando à flor da pele! -- caminhou até a janela -- Ando tão à flor da pele, que qualquer beijo de novela me faz chorar!

 

--Lady... -- foi até a engenheira e beijou a cabeça dela -- Pare com isso, meu amor. -- virou-a de frente para si -- Priscilinha tá querendo brincar com a gente... -- lançou-lhe um olhar terno -- Vamos dar atenção a nossa menina e esquecer dessas coisas complicadas. -- pediu com voz mansa -- Você ultimamente anda tão estranha... Me evita na hora H... Parece que não sente mais vontade, -- beijou o ombro da engenheira -- parece que não sente mais desejo...

 

Desvencilhou-se da dentista. -- Porque eu ando tão à flor da pele, que meu desejo se confunde com a vontade de nem ser! -- começou a rodopiar pela sala -- Ando tão à flor da pele, que a minha pele tem o fogo do juízo final! -- achatou-se contra a parede -- Ui!

 

“Eita, que endoidou de vez!” -- revirou os olhos -- Não dá pra conversar com você quando fica assim, que nem peru de roda! -- reclamou

 

--O mundo vai acabar em dezembro desse ano, ninguém te contou, não? Dia 21 de dezembro!! -- esfregava-se na parede -- Eu não queria morrer solteira, oh, não, eu não queria!! Você enrola demais e não casa comigo!! -- falava totalmente ensandecida -- O drama de Cacilda Juvência me tocou n’alma! -- apertou os seios -- Ai, ai, ai, meu Pai, será este o destino de Lady Dy? Morrer solteira depois de tudo, will I? -- fazia um drama -- Sofro horrores por tua causa! -- acusou

 

--Por minha causa? -- protestou

 

-- Por sua causa, que não se casa comigo pra fazer de mim uma mulher honesta! -- endireitou a roupa -- Mais um pouco e fico mal falada no bairro!

 

--Mal faladas vamos ficar se casarmos no papel! -- continuava falando baixo -- E essa menina não vai resistir à pressão dos coleguinhas! Já pensou? Todo mundo zombando dela porque a mãe é casada com a tia Pi? -- argumentava

 

--Mãe, tia Pi, vamos brincar? -- a menina chegou na sala -- Que foi? -- perguntou desconfiada

 

--Vamos, minha filha! -- foi até a menina -- Vamos brincar com suas bonecas! -- olhou rapidamente para Priscila -- Afinal de contas, elas serão as únicas coisas fêmeas com as quais uma certa pessoa vai brincar até que uma certa situação se resolva! -- seguia com a menina em direção ao quarto -- Como diria outra maravilhosa Lady, a Gaga: -- deu uma paradinha -- ô, ô, ô, I’m in love with Judas, -- olhou novamente para a morena -- Judas! -- entrou no quarto

 

--Humpf! -- fez um bico -- Sinto que Lady tá fazendo uma greve de sex* pra me pressionar a casar! -- resmungava bem baixo enquanto ia para o quarto da garota -- Ô, ô, ô, inferno da minha vida!

 

***

 

Maio estava em seus primeiros dias e Suzana estudava as informações que possuía sobre as novas rotas do crack no Brasil. Apesar de já terem mapeado a maior parte dos caminhos de entrada que a pasta de coca seguia para aportar no país, parecia-lhe muito mais difícil descobrir o intrincado percurso que a droga fazia em território nacional.

 

--Meu Deus, quando isso vai acabar? -- falava consigo mesma

 

Mãos delicadas deslizaram por seus ombros fazendo uma breve massagem. -- Já não é hora do meu nenenzinho descansar? -- beijou o rosto da morena -- Hum? -- girou a cadeira para que a amante ficasse de frente para si -- Eu quero minha índia danada comigo! -- sentou-se no colo da amante e a beijou -- Meu nenenzinho não me liga mais... -- falou cheia de dengo

 

--Não diga isso... -- a delegada envolveu a cintura da japonesa com os braços e puxou-a para um beijo carinhoso -- Sabe que eu adoro ficar contigo, te dar atenção... -- beijou-a novamente -- Mas é que esse problema do crack me deixa agoniada demais! Isso é uma coisa muito séria e me parece que as pessoas não estão dando a devida atenção.

 

--Voltou com força total, não é? -- acariciava o rosto da morena -- Nem parece que vocês fizeram tanto pra combater esse problema no passado...

 

--A situação estaria muito pior hoje se não tivéssemos feito nada antes! -- deslizava as mãos pelas costas da amante -- Eu sinto tanto ao ver esses cracudos por aí, como se fossem farrapos humanos... Aquelas pessoas são como zumbis! Olhares sem expressão, uma atitude totalmente desconexa da realidade... E tanta sujeira, tanta tristeza... -- pausou brevemente -- Quanta vida desperdiçada...

 

--Estamos vivendo tempos muito difíceis, meu amor. -- beijou-a -- Mas há que se ter esperança, do contrário o que sobra? -- olhava nos olhos da amada -- O mal não pode imperar eternamente! As coisas vão mudar, mesmo que as mudanças demorem a ser percebidas... -- beijou-a novamente -- Enquanto isso a gente vai vivendo a nossa vida, -- voltou a massagear os ombros de Suzana -- cuidando uma da outra, fazendo um carinho... -- sorriu

 

A delegada sorriu também e gastou uns segundos contemplando o rosto da japonesa. -- Você deixa tudo mais leve... -- beijou-a e se levantou segurando-a pelas pernas -- Eu me preocupo tanto assim com essa situação porque tenho um vício e não sei o que fazer! -- fingia seriedade -- Preciso de ajuda! -- caminhava em direção ao quarto

 

--E que vício é esse, hein? -- envolveu o pescoço da morena com os braços -- Sou profissional da área da saúde e de repente posso te ajudar. -- também fingia

 

--Sou viciada em japonesa. -- entraram no quarto -- É uma coisa incontrolável! -- deitou a ambas na cama -- Sinto os sintomas da dependência me dominando cada vez mais!

 

--Eu sou do tipo japonesa, então... -- mudou as posições e ficou sentada sobre a outra -- posso examinar as suas reações com propriedade!

 

--Mas não é perigoso? -- segurou-a pela cintura -- Posso ficar incontrolável! -- deu ênfase a frase

 

--Incontrolável? -- falava como se estivesse preocupada -- Quais são os sintomas que você sente?

 

--Ansiedade, taquicardia, vontade de ter uma japonesa comigo e uma coisa tão louca em certas partes que nem sei!

 

--Hum, tadinha! -- fez beicinho -- Vem cá, meu bem! -- puxou a outra pelos ombros para que se sentasse -- Deixa eu te examinar direitinho! -- tirou a camiseta dela

 

--Será que é grave?

 

--Eu vou ver com muito cuidado! -- removeu o sutiã da parceira -- Vamos analisar tudo pra esgotar as possibilidades, sabe? -- começou a tirar o short da morena -- E vamos tirando essa roupinha, senão como é que vou examinar?

 

--Eu ajudo! -- levantou os quadris para facilitar o trabalho da outra

 

--Pronto! -- deixou a amante completamente despida -- Agora vamos começar o exame! -- engatinhou para os pés da cama e parou de joelhos diante de Suzana -- Vamos estudar suas reações. -- começou a despir-se lenta e sensualmente -- Já está sentindo alguma coisa diferente?

 

A delegada continuava sentada e acompanhava cada gesto da amante com interesse. --Tô! -- respondeu com voz rouca

 

“Acho incrível que haja esse mesmo fogo nos olhos dela depois de tantos anos!” -- Juliana pensou orgulhosa -- Noto que sua respiração começa a se tornar errática. -- aproximou-se novamente engatinhando

 

--E o coração já tá batendo forte! -- novamente a japonesa sentou-se no seu colo -- E as partes lá embaixo tão de um jeito... -- olhava nos olhos da enfermeira -- Nem sei descrever...

 

--Eu vou investigar esses sintomas com muito cuidado! -- mordeu o queixo da parceira -- Muito! -- seguiu mordendo, sugando e lambendo o pescoço da amante

 

--Ah!! -- gem*u

 

--Sinto que... -- aproximava-se dos seios da morena em sua exploração -- os batimentos cardíacos... -- sugou a pele -- estão evoluindo... -- mordiscou um mamilo -- aceleradamente... -- empurrou-a para que se deitasse

 

--Ah!!! Eu... é... -- sentia a excitação crescente

 

Deslizou uma das mãos para o sex* da morena. -- Nossa, -- divertia-se com o seio da amada -- que molhada...

 

--Ai, Ju... -- fechou os olhos

 

--Vamos continuar... -- arranhou o abdômen da amante com força moderada -- Onde eu estava? -- fingiu que pensava enquanto provocava os seios da amante com uma das mãos -- Ah! -- voltou a degustar o corpo da outra -- Assim! -- descia pela barriga da delegada

 

--Você me mata... ah!!! -- gemia -- Quando me morde, ai!! Arranha e provoca... desse jeito... Ah!!!

 

A japonesa sorriu e mergulhou entre as pernas de Suzana.

 

--Eita, Ju! -- delirava com o que a parceira fazia com língua e dedos -- Isso é... muito louco!! Ah!! -- gemia

 

Juliana caprichava em provocar a delegada de todas as formas como sabia que a mulher gostava. Ao sentir que beirava o orgasmo resolveu torturá-la e interrompeu o que fazia.

 

--De fato... -- mordeu a coxa da morena -- o nível de dependência que seu corpo manifesta é... -- mordeu a outra coxa -- preocupante! -- olhou para ela sensualmente

 

Quase que sem pensar, Suzana segurou o rosto da enfermeira e rapidamente inverteu as posições, tomando-a com a fúria de beijos ansiosos e mordidas breves. Imobilizando a parceira pelos pulsos, esfregava-se contra ela enquanto devorava-lhe os seios alternadamente.

 

--Gente!! -- a japonesa exclamou surpreendida -- Ah!!!! -- gem*u alto

 

A delegada soltou os pulsos da amante e deslizou as mãos pelos braços dela, indo encontrar-lhe os seios, ao mesmo tempo em que os lábios rumavam para o sex* da outra.

 

--Ai, Su, meu animal!!! -- fechou os olhos excitada -- Nhambiquara safada!!! Ai!!!

 

Surpreendendo mais uma vez, a morena virou Juliana de lado e se colocou posicionada atrás dela. Penetrava-a com os dedos e devorava seu pescoço beijando e mordendo. Sentindo-se perto do clímax, a japonesa ainda atinou para deslizar uma das mãos para o sex* da parceira e as duas satisfizeram-se deliciosamente.

 

--Acho que... -- a enfermeira dizia com respiração ainda ofegante -- também sou viciada... mas em índias! -- sorriu

 

Suzana também sorriu e abraçou-a pela cintura.

 

***

 

--Amor, ouve o que eu tô dizendo! A gente tem que ficar morando aqui em Brasília pra facilitar as coisas. Nessa ponte aérea que é a nossa vida não vai ser viável conseguir adotar uma criança! -- Juliana argumentava olhando para Suzana

 

--Mas e quando a gente quiser visitar os amigos? E pra eu ir no centro? -- respondeu enquanto acariciava o rosto da outra -- E o asilo?

 

Estavam deitadas de lado, uma de frente para a outra.

 

--Calma, meu nenenzinho! Eu não disse que a gente nunca mais volta pro Rio, -- sorriu -- mas que deveríamos fincar raízes aqui, só isso. Continuaremos indo pro Rio, mas nossas coisas não estarão mais divididas em dois apartamentos; ficará tudo num lugar só! -- beijou a mão da delegada -- Além do mais temos Tamires aqui e ela está do nosso lado!

 

--Isso é... -- pensou -- E o que faremos com o apartamento da Ilha? -- perguntou curiosa -- Quais são os seus planos? -- continuava acariciando a enfermeira

 

--Se você concordar... -- aproximou-se mais -- Você sabe que Guilherme tá se modificando muito e ele vai ficar sem ter onde morar dentro em breve... A senhoria quer o apartamento de volta pro filho dela, que vai casar...

 

--Aí você queria que ele ficasse morando lá? -- deduziu -- Especialmente agora que Juninho ficou órfão de mãe...

 

--Meu irmão tá disposto a viver com o filho. Ele quer recuperar o tempo perdido e pela primeira vez sinto firmeza no que diz. -- olhou receosa para a amante -- Ele também quer morar junto com a Tainá, algo do tipo, ela fica com a mãe uns tempos, depois com ele... Como se a menina tivesse duas casas. -- pausou -- Mas se você não concordar, eu não vou ficar zangada...

 

--Quando eles vão pra lá? -- perguntou seriamente -- No dia da mudança quero dar uns apertos no teu irmão pra ele andar na linha!

 

--Hum, meu nenenzinho lindo! -- beijou-a repetidas vezes -- Você aceitou? -- sorriu

 

--Família é família, Ju. E eu fico feliz que tudo tenha finalmente dado certo! -- sorria também -- Não sabe o quanto!

 

--Ai, meu bem! -- beijou-a -- Te amo muito!!!

 

--Também te amo! -- abraçou-a -- E não vejo a hora de ter filhos com você!

 

--E eu!

 

--E não vejo a hora de te ver Presidenta! -- brincou

 

--Mas até você? -- deu um tapinha nela e riu

 

 

20:00h. 12 de maio de 2012, Salão de Festa Allegro, Bonsucesso, Rio de Janeiro

 

Flávia comemorava seu aniversário em uma casa de festas. A fisioterapeuta estava radiante.

 

--E não é que elas vieram? -- abraçou Suzana e Juliana ao mesmo tempo -- Direto de Brasília pra dançar comigo aqui em Bonsucesso! -- sorria -- Se preparem que vai bombar! Já combinei com o DJ e vai ter dança até às três da madruga! Só música poderosa!!

 

--Quem perderia esse aniversário? Nunca!!! -- Juliana sorriu -- Parabéns, amiga! E acredita: eu vim pra dançar muuuuito!

 

--Ai, meu Deus... -- Suzana lamentou

 

--Mas até hoje com medo de sacudir o esqueleto, Katy? -- deu um soco no braço da delegada -- Solta a franga que hoje é o dia!

 

--Chefe! -- Brito vinha de mãos dadas com os filhos -- Que bom que vieram! -- sorria

 

--Ai, Su, olha como os dois estão lindos! -- a japonesa se abaixou para abraçar as crianças

 

--Oi, tias! -- Celsinho falou sorridente

 

--Oi! -- Clara deu tchauzinho

 

--Mas estão lindos mesmo! -- a morena beijou os dois e os colocou no colo -- Nossa, como tão grandes, hein? -- sorria -- E pesados!

 

--Como não vão resistir até a madrugada, já preparei um lugarzinho pra cochilarem quando bater o sono. -- Brito falou -- E eu vou acabar cochilando junto! -- sorriu

 

--Tem lugar pra mais uma? -- a delegada perguntou em voz baixa quando colocou as crianças de volta no chão

 

--E aí, mulher? -- Seyyed chegava com a família -- Sessenta e dois, é isso mesmo? -- mexeu com a outra -- Até tá conservada! Se eu não soubesse diria que só tem sessenta!

 

--Qual é, Mad Max, me envelhecendo dez anos? -- abraçou a mecânica -- Ainda tô a maior gataça! -- brincou também

 

--Oi, Flávia! -- Ricardinho cumprimentou -- Feliz aniversário! -- abraçou-a

 

--Valeu garoto! -- beijou a testa dele -- Tá cada vez mais bonitão, hein? Quem diz que esse menino só tem 10 anos, gente? -- o bailarino corou

 

--Feliz aniversário, querida! -- Olga a abraçou -- Que Deus a ilumine sempre! -- beijou a testa da aniversariante

 

--Obrigada, dona Olga!

 

--Deixamos os seus presentes no baú que você colocou logo na entrada! -- Mariano disse ao cumprimentá-la -- E já tá abarrotado de embrulhos!

 

--Festa cheia é isso aí! Por que vocês acham que eu convidei tanta gente? -- a fisioterapeuta brincou -- Cadê o outro Ricardo? -- procurou por ele com o olhar

 

--Ele ficou um tanto envergonhado em aceitar seu convite, mas... pediu pra que te disséssemos que agradece pela gentileza e te deseja tudo de bom. -- o contador respondeu com a verdade

 

Depois que os recém chegados cumprimentaram Brito e as crianças e conversaram um pouco entre si, Flávia falou: -- Olha, gente, dona Mãe e a loura Belzebu já chegaram. Elas vieram com o namoradão da loura e dona Jurema. Tá todo mundo sentado ali. -- apontou para a mesa

 

--Fátima vai vir, Flávia? -- Seyyed perguntou tentando ser natural

 

--Não. A sereia em minha vida disse que não ia poder... -- pausou -- Por que?

 

--Nada, só curiosidade. -- passou a mão nos cabelos

 

--E o pessoal da gente tá onde, Brito? -- Suzana perguntou -- Cadê a força policial dessa festa? -- brincou

 

--Ali. -- apontou -- Mas tem mesa vazia perto da mesa de dona Mari, então eles podem trocar de lugar.

 

--Ótimo, vamos ficar todos juntos! -- Juliana deu o braço a Olga

 

--E Renan e Tati? A dupla vem ou não vem? -- a mecânica perguntou -- Renan me enrolou pra caramba pra dar uma resposta!

 

--Ele tava na dependência da repórter, mas já tô sabendo que dentro de instantes os dois aparecem. -- a fisioterapeuta respondeu -- E aqui! -- olhou para todos -- Todo mundo aqui vai dançar, va, va, vai dançar! -- brincou

 

--Ouviu, né, Su? -- a japonesa perguntou

 

--É isso aí, delega! -- Ed brincou com a amiga -- Hoje ninguém vai ficar parada!

 

A delegada se limitou a suspirar.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Músicas do Capítulo:

Diálogo Lady e Priscila:

Vapor Barato / Flor da Pele. Intérprete: Gal Costa ft Zeca Baleiro. Compositores: Jards Macalé / Waly Salomão / Zeca Baleiro;

Judas. Intérprete: Lady Gaga. Compositores: Lay Gaga / RedOne


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 38 - Sexta Temporada - FELICIDADE IX:
PaudaFome
PaudaFome

Em: 14/05/2024

Bom ver que Mari abriu a cabeça com a filha e até arrumou namorado detesto Romeu. Essa festa Flávia sei não. Seyyed e Camille. Lady me mata de rir Adoro que você reabilitar todos os personagens. É uma grande escritora!


Solitudine

Solitudine Em: 20/05/2024 Autora da história
Olá querida!

Romeu era outro que tinha um fã clube ao contrário! rs

Sim, eu não concebo isso de gente totalmente boazinha e totalmente mazinha. A vida não é assim... E todos têm a chance de recomeçar; inclusive nós.

Obrigada pela gentileza!

Beijos,
Sol


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Em: 03/04/2024

Samira tô deixando a bola na cara do gol pra ti marcar 


Solitudine

Solitudine Em: 10/04/2024 Autora da história
Não estou dizendo? rs


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Samirao
Samirao

Em: 01/04/2024

Agora vai que é tua jakes


Solitudine

Solitudine Em: 02/04/2024 Autora da história
kkkkkkkkk Deixa ela, Samira.

Beijos,
Sol


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Samirao
Samirao

Em: 07/10/2023

Aí aquela festa... huahuahua 


Solitudine

Solitudine Em: 11/11/2023 Autora da história
E que festança!!!! kkkk


Responder

[Faça o login para poder comentar]

Femines666
Femines666

Em: 14/03/2023

Capítulo show mas minha angústia continua. Acho que Seyyed e Camilo se psgam nessa festa da Flávia..

Céus!!!


Resposta do autor:

Será? Vamos ver no que vai dar essa festança!

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Samirao
Samirao

Em: 13/11/2022

É só divulgar e elas vêm habibem! huahuahua 


Resposta do autor:

Estou sabendo dessa divulgação massiva! kkkk

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Seyyed
Seyyed

Em: 16/09/2022

E tu já perdeu a mulher de novo? Pelo menos a acolhida em casa foi boa. Minha ex sogra é a família me divertem uma barbaridade! hehehe Lady não tem jeito! Enquanto não casar vai ficar despirocada! Hahaha Essa festa da Flávia... sei não.... (mas eu quero a ruiva de volta!!!)


Resposta do autor:

A vida é dinâmica! A gente ganha, perde... rs

A família da sua ex sogra é também um capítulo a parte! Faixa bônus nos trem sem base! rs

Lady está na pressão pelo casório!

A festa da Flávia... assista às cenas dos próximos capítulos! rs

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Seyyed
Seyyed

Em: 16/09/2022

A gente quer ficar puta contigo mas não consegue. Cami e a mãe num papo mó cabeça e surge um tarado hehe Você aborda o problema do crack. Isso é muito sério sem dúvida. Gostei do jeito como fez, ainda criando os mistérios que eu adoro.

Mari detonando os macho véi hahaha Ju voltando a ser a Ju cada vez mais.

Cami chegou cheia das intenções né, puta merda. Assim fica difícil 


Resposta do autor:

kkk Que bom que não consegue!!

Sim, não poderia deixar de salientar essa questão do crack que é tão séria, triste e me parece estar em todos os lugares.

Juliana se reencontrou. E Mariângela não aceita certas coisas que ela considera abuso! rs

Camille estava totalmente cheia das intenções! E você nem resistiu! rs

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Samirao
Samirao

Em: 14/09/2022

Você não tem história ruim amore. Deixa de show huahuahua


Resposta do autor:

Obrigada, querida! Você me vê com olhos superlativos.

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Atrevida
Atrevida

Em: 30/04/2022

Surge um negão e o véio se ferra ainda mais! Torcendo contra o sangue ruim. Deixa a loura com o Black que ela fica relax. Essa temporada até agora é a mais foda! A cada uma vai ficando melhor o negócio. Tu escreve muito pqp mas dá vontade pra ler. É até divertido. Até agora esse é o meu top one


Resposta do autor:

Olá garota!

O véio deve ser Romeu, não? Ele de fato não estava preparado para encarar um coreográfo que se apaixonasse pela loura que tanto deseja. E mais, que a loura também o quisesse. Você verá o desfecho desse caso e creio que gostará.

Escrevo muito mesmo. Mas esse conto foi o meu recorde em conteúdo. Não tenho mais condições de produzir algo igual. rs

Felicidade foi uma temporada muito especial.

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Gabi2020
Gabi2020

Em: 27/04/2020

Olá Solzinha como vai?

 

Essa conversa da Camille e de sua mãe demorou, acho que faltoi coragem as duas, mas a conversa veio e foi muito boa, pena que o palhaço apareceu, ainda bem que a dona Mari resolveu tudo!

 

 

Own tadinha da Ed! Precisando de colo... Ela ama as duas e não dá pra julgar, fiquei com pena dela.

 

 

Tava tudo imdo tão bem entre dona Mari e Sidney... Aí aparece o empada foda do Romeu... Ô bicho imprestável!

 

 

Azuis nos verdes... Verdes nos azuius...

 

 

Solitutine e a mãe...Muito amor, muita doçura, foi lindo!

 

 

Família mais doida essa da Isa!! 

 

 

Lady e seus ataques... Kkkkkk... Ela aperta  tanto esses seios que tá louco! Agora num ponto ela está certa, Priscila está muito hesitante e Priscila morre de medo da exposição e do que as pessoas vão pensar.

 

Beijos


Resposta do autor:

Gabinha!

Essa conversa com a maama é coisa que tem que ter coragem! Eu mesma levei anos para ter. Camille foi mais rápida.

Seyyed andava precisando passar por esse sofrimento...

Acho incrível esta sua admiração por Romeu! kkk

As caipiras da história, a do conto e a autora, têm sorte com suas maamas.

A família de Isa é um arraso! kkkk

Priscila ainda estava assimilando uma realidade pela qual nunca esperou (e nem ninguém que a conhecesse). rs

Beijos,

Sol

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web