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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

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Palavras: 16311
Acessos: 11085   |  Postado em: 31/12/2017

Sexta Temporada - FELICIDADE X

No auge da festa, praticamente todos se esbaldavam de dançar. Camille estava sentada sozinha, bebendo um coquetel de frutas.

 

--Ah, não! -- Seyyed veio abordá-la -- Hoje você não vai ficar aí sozinha. -- estendeu a mão -- Vem dançar comigo! -- pediu sorridente

 

--Eu? Dançar? -- riu brevemente, colocando o copo na mesa -- Ô louco, tô fora! -- balançou a cabeça negativamente

 

--Desde que te conheço nunca te vi dançando. -- continuava com a mão estendida -- Hoje isso vai mudar.

 

--Ed, por favor... -- olhava para a mecânica

 

--Vem? -- curvou o tronco e parou com o rosto próximo ao dela -- Não tenha medo e nem vergonha. Você não será avaliada e julgada, só vai se soltar e se divertir um pouco. -- olhava nos olhos dela

 

--Eu... eu... -- não conseguia articular uma frase -- Eu não sei dançar muito bem... Pra todo ritmo é o mesmo movimento de vai lá, vem cá. -- perdia-se naqueles olhos

 

--Confie em mim, deixe-se levar pela música e não pense. -- deu seu melhor sorriso -- Vem?

 

“Ô, Deus meu, assim o coraçãozinho não agüenta...” -- pensou abobalhada -- Ah... tá. -- nem sabia o que dizia

 

Seyyed segurou a mão da loura e a fez se levantar. Caminharam para a pista de dança de mãos dadas. Camille sentia o coração acelerar e a morena também.

 

--Aproveite que essa meia luz errática e o pisca pisca não iluminam muito bem, -- a mecânica sussurrava no ouvido da outra -- esqueça que há mais gente aqui além de nós e se solte.

 

“E eu que já tô a ponto de soltar tudo!” -- a engenheira pensava nervosa

 

--Opa, que essa música é maravilhosa! -- puxou Camille pela cintura quase colando os corpos -- Solta o corpo, garota! -- pediu sussurrando -- Vem comigo!

 

https://www.youtube.com/watch?v=nFuYSQRfgTU

--Solto... -- respondeu sem pensar -- Vou...

 

“Fiz um contrato com a noite,

O céu sorriu estrelado,

Ruas vazias de gente,

Testemunhando desejos...”

 

Ed movimentava o corpo sem muita velocidade, segurando a loura pela cintura e olhando nos olhos dela. Não conseguia fugir dos verdes e nem pensar em outra coisa que não fosse estar ali com Camille.

 

“Antecipando teus gestos,

Leves,

Complexos,

Simples...”

 

A engenheira acompanhava os movimentos da mecânica com mais desenvoltura do que pensava ser capaz de fazer.

 

“Em pleno vôo noturno,

Zona de pura alegria,

A solidão sozinha,

Corria atrás de mim,

Experimentando assim,

Assiiim...”

 

Colaram testa com testa.

 

“Hoje,

Hoje é meu dia de gente,

Hoje é proibido dormir...”

 

--Gente! -- mesmo dançando Juliana reparou nas duas e ficou surpresa -- Tá vendo aquilo, Suzana? -- perguntou com os olhos arregalados

 

--Ju, -- puxou a esposa pela cintura para mais junto de si -- deixa pra lá! -- pediu

 

“Hoje,

Hoje é meu dia de gente,

Até o amanhecer,

Quero estar com você...”

 

A mecânica virou rapidamente a parceira de costas para si, segurando-a pela cintura, e dançava com o corpo bem colado ao dela.

 

A engenheira fechou os olhos e continuava acompanhando os movimentos da outra.

 

“Fiz um contrato com a noite,

O céu sorriu estrelado,

Ruas vazias de gente,

Testemunhando desejos...”

 

--Deixa eu te falar, fi, eu tô testemunhando altos desejos! -- Tatiana cochichou no ouvido de Renan

 

--Continua dançando e deixa quieto! -- ele respondeu

 

“Em pleno vôo noturno,

Zona de pura alegria,

A solidão sozinha,

Corria atrás de mim,

Experimentando assim,

Assiiim,..”

 

Seyyed novamente virou a loura de frente para si. Camille envolveu seu pescoço com os braços e começaram a rebol*r juntas, abaixando-se gradativamente.

 

“Hoje,

Hoje é meu dia de gente,

Hoje é proibido dormir,

Hoje, hoje é meu dia de gente,

Até o amanhecer,

Quero estar com vocêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê...”

 

Olga reparou na dança das duas e levou um susto. Rapidamente virou Mariano na direção contrária para que ele não visse.

 

--O que foi? -- perguntou no ouvido da esposa

 

--É só o homem que pode guiar? -- brincou com ele para disfarçar

 

“Hoje,

Hoje é meu dia de gente,

Hoje é proibido dormir,

Até o amanhecer,

Quero estar com você, vocêêêê....”

 

Seyyed e Camille dançavam abraçadinhas como se a música tivesse ficado lenta. Tinham olhos apenas uma para a outra.

 

--Eita lelê, o que meus olhos vêem?? -- Flávia perguntou ao marido enquanto dançavam

 

--Acho que o arco íris ganhou mais uma cor. -- Brito respondeu ajeitando a gola da camisa

 

“Hoje,

Hoje é meu dia de gente,

Hoje é proibido dormir,

Hoje,

Hoje é meu dia de gente,

Até o amanhecer,

Quero estar com você, com você,

Quero estar com você, com vocêêêê,

Com você, com vocêêêêêêêê,

Com você, com vocêêêêêêêê,

Com você...”

Eu Contra a Noite – Kid Abelha [a]

 

Verdes e azuis perdiam-se completamente em suas cores

 

***

 

--Mas, Seyyed, o que foi aquilo ontem à noite? -- Olga cobrava satisfações -- Você dançava com Camille como se as duas fossem um casal! -- fazia cara feia -- Sempre achei que na pista de dança você e Isa passavam dos limites em várias ocasiões, mas pelo menos estavam declaradamente juntas! -- olhava para a morena -- Essa coisa com Camille deixou todo mundo de queixo caído! O que foi aquilo, me responda! -- pôs as mãos na cintura

 

--Ah, mãe... -- passou a mão nos cabelos -- Aquilo foi... uma dança, simplesmente isso. -- queria não dar relevo ao fato -- Sabe que quando eu danço vou com tudo!

 

--Uma dança?! -- perguntou descrente -- E você foi com tudo mesmo, porque desde que começaram a dançar a coisa seguiu daquele jeito por muito tempo!

 

--Camille nunca dança e eu não conseguia acreditar que ela não tivesse vontade. Faltava era coragem e eu só... dei um empurrãozinho... -- olhava para a mãe um tanto receosa

 

Olga respirou fundo e cruzou os braços. -- O que você pretende, minha filha? Sabe que ela ama você!

 

--E eu também a amo! Não pretendo sacanear a garota, se é o que a senhora pensa. -- defendeu-se

 

--Você a ama só que pensa na Isa o tempo todo. Será que ama Camille do mesmo jeito como é amada por ela?

 

--Ah, mãe, eu não sei... -- caminhou até a porta e se apoiou no portal -- Isa não entra em contato comigo, não responde os meus e-mails, não quer mais saber de mim mesmo! -- falava com mágoa -- Vejo as fotos dela no Facebook e tá sempre cercada por mulheres, rindo, dançando, brincando...

 

--Ela cortou a comunicação com você porque não quer sofrer por sua causa! E também não quer dizer que ela esteja tão bem só porque não postou fotos de si mesma chorando. Acho que quase ninguém deve fazer isso, não é?

 

--Eu também não quero sofrer por causa dela! -- protestou olhando para Olga -- Será que devo ficar eternamente sofrendo e me sentindo um lixo porque ela não me quer mais? Eu tô deprimida, mãe! Posso agir naturalmente mas tô deprimida!

 

--Sei que está. -- respondeu com certa tristeza

 

--Não tô querendo usar Camille pra esquecer da Isa! -- pausou -- Nós só dançamos...

 

Olga caminhou até a filha e tocou o rosto dela com carinho. -- Ninguém quer sofrer, mas não se precipite. Faz muito pouco tempo que seu casamento acabou e cedo ou tarde Isabela vai ter que voltar pro Brasil pra ver os pais ou resolver qualquer problema... Você não sabe como vai reagir no caso de um provável reencontro.

 

A mecânica nada respondeu.

 

--Não se envolva com Camille sem pensar nas conseqüências. -- acariciava o rosto da morena -- Ela já sofreu demais e não merece ser usada por você.

 

--Eu não quero usá-la! -- argumentou

 

--Cuidado, meu bem. Muito cuidado. -- olhava compreensivamente para Seyyed -- Corações feridos demoram a cicatrizar, você bem sabe. Não seja motivo de dor pra ninguém!

 

Ed abaixou a cabeça e a mãe a abraçou com amor.

 

***

 

--Mas, Camille, que esfregação com Seyyed foi aquela? -- Mariângela cobrava satisfações -- Ficou todo mundo besta! Acho que seu tio Mariano foi dos únicos que não perceberam nada! -- cruzou os braços -- Meu irmão é muito avoado mesmo, nossa Senhora!

 

--Que esfregação, o que, mãe? -- virou-se de costas para não transparecer que estava corando -- Foi só uma dança...

 

--Só uma dança?! -- perguntou indignada -- Pois eu fiquei passada! Vocês se olhavam e se esfregavam de um jeito que me deu até medo! Parecia que iam se pegar ali na pista de dança!

 

--Ô louco, que exagero! -- defendia-se

 

--Exagero nada, menina! Você deu a maior bandeira! Agora não sabe que você é lésbica quem não quer! -- pausou -- E Mariano, claro!

 

--Ah, mãe, eu não te entendo! -- andava sem rumo pela sala -- Durante todo esse tempo em que eu não dançava, você reclamava. Aí eu me meto de dançar e você reclama também! Nunca tá satisfeita, ô louco!

 

--Camille, não é isso! -- foi até a filha e a segurou pelos braços -- Se não quer que os outros saibam de você não pode ser tão cara de pau. E não é só isso, Seyyed ainda não tirou Isabela do pensamento! Nem a aliança ela tirou! -- olhava para a jovem -- Vai se envolver com ela sabendo que tem tudo pra sofrer depois? Mais do que já sofreu?

 

--Eu não tô me envolvendo... -- desvencilhou-se da mãe com cuidado e se afastou -- foi só uma dança...

 

--Não se coloque em uma posição vulnerável, meu amor! -- pediu -- Seyyed é muito sedutora e pessoas assim enredam a gente. São perigosas...

 

--Acha que ela é mau caráter? -- olhou para a mãe -- Ou que eu sou tão bobinha assim?

 

--Nem uma coisa e nem outra. -- foi até a filha e acariciou o rosto dela -- Só não quero vê-la sofrendo por causa de alguém que ama outra mulher.

 

--Ela não ama Isa! -- pausou -- Não do jeito como você ou ela mesmo pensam!

 

--Não queira saber mais do coração dos outros que seus próprios donos. Às vezes, nem a gente entende direito o que vai aqui dentro. -- pôs a mão no peito da jovem

 

--Ah, mãe... -- não sabia o que dizer

 

--Vem aqui, meu bem. -- abraçaram-se -- Cuidado, muito cuidado! É só o que eu tô te pedindo!

 

Camille nada respondeu e ficou pensando.

 

***
--Ai, mulher, você não sabe! -- segurava as mãos da outra -- Não demora muito e vou ser orientada pra adaptar meu corpo espiritual a uma coisa tão pequena quanto um óvulo fecundado! -- olhava nos olhos da amada -- E pensar que passarei meses em estado de quase total inconsciência! Dá um aperreio doido! -- suspirou -- Ave Maria!

 

--Calma, Pat! -- a escaladora tranqüilizava -- Já passamos por isso tantas vezes nessa vida. A gente apenas não se lembra...

 

--E eu que não sei se esse esquecimento é bom ou ruim! -- acabou rindo um pouco -- Quem me vê assim nem acredita que fui eu que pedi pra voltar...

 

--Vai ser bom pra você, meu amor! -- tentava dar confiança a outra -- Seu irmão e a esposa dele serão ótimos pais pra você! Ele é tolerante com os homossexuais e super respeitoso com as escolhas humanas e ela até gosta de ler contos lésbicos! Não será como da outra vez! -- acariciou o rosto dela -- Seus antigos pais também mudaram muito e serão avós compreensivos...

 

--Você tá certa, não sabe? -- beijou a mão de Sabrina -- Vai ficar tudo bem e será melhor do que antes! -- sorriu esperançosa

 

--E eu não demoro muito. -- prometeu -- Você será apenas poucos meses mais velha que eu!

 

--Tem certeza? -- perguntou preocupada -- Você tem tão pouco tempo desencarnada e já vai recomeçar...

 

--Tenho toda certeza! -- respondeu convicta -- Meus guias aprovaram minhas intenções e é só a Tati ficar pronta que eu vou. -- sorriu -- Garanto que seus sogros serão maravilhosos! -- brincou

 

--Se Deus quiser não vai demorar tanto pra gente se reencontrar! -- desejou

 

--Se Deus quiser! -- olhou para o Alto e depois para Patrícia novamente -- Nossa história vai continuar e será muito bonita!

 

--Você não tem medo, não é, Sabrina? -- admirava-se com a amada

 

--"O Único Mal a temer, é aquele que ainda existe em nós."49 -- respondeu tranquilamente -- Tenha fé e sigamos em frente com a certeza de que um futuro lindo sorri diante de nós!

 

Sabrina e Patrícia deixaram que a esperança tomasse conta de seus espíritos e selaram suas promessas amorosas trocando fluídos edificantes diante do Infinito. Estavam conscientes de que o amor que as unia também as manteria fortes neste recomeço. Sabiam que a fé em Deus que as animava lançaria luzes poderosas para iluminar a estrada que lhes surgia à frente.

 

***

 

Ivone havia se aposentado há poucas semanas e acreditava que estava indo para o aniversário de Mariano. Ao entrar no salão foi pega de surpresa por alguns de seus ex pacientes e amigos que lhe prepararam uma festinha de despedida.

 

--Ivone, Ivone, Ivone!!! Uhu!!! -- batiam palmas e gritavam

 

--Gente!! -- cobriu os lábios com as mãos e olhou para todos -- Ai, mas que emoção!!

 

--Achou que fosse passar em branco? -- Juliana perguntou indo abraçar a psiquiatra -- Impossível! -- beijou a testa dela

 

--Eu não esperava por isso! -- sorriu emocionada -- Olga e Mariano me enganaram direitinho!

 

O casal se aproximou das duas.

 

--E então? Gostou do meu aniversário? -- Mariano brincou

 

--Isso não se faz! -- abraçou o homem -- Sou uma mulher de quase 72 anos, não abusa do meu coração! -- brincou também

 

--Teria sido menos interessante se você soubesse desde o começo! -- Olga afirmou sorrindo -- Assim fica mais gostoso!

 

--Vem aqui, Olga, me abraça também! -- pediu

 

--E o negócio tá chique, viu? -- a japonesa afirmou animada -- Tem bolo, salgadinhos, docinhos...

 

--Tem até água de coco! -- Suzana lembrou -- Disseram que você gostava! -- sorriu

 

--Ai, assim eu não agüento! -- a psiquiatra não cabia em si

 

Camille e Mariângela observavam a terapeuta sendo cumprimentada pelos participantes da festinha.

 

--Você não vai falar com ela, minha filha? Até eu quero dar um abraço nessa criatura iluminada! -- olhava para a jovem -- Ela te fez tão bem!

 

--Eu vou, mãe. Só espero a multidão dar um refresco!

 

--Multidão! -- achou graça

 

--Dona Olga, cadê Seyyed? -- Suzana perguntou preocupada -- Por que ela não veio? -- pausou brevemente -- Tô sentindo falta de Ricardinho também.

 

--Ela está em Joinvile. Foi ver um equipamento novo pra comprar pra oficina. -- olhava para Suzana -- E Ricardinho está ensaiando pra se apresentar junto com a Orquestra Sinfônica Jovem de Campos. Eles o convidaram. -- sorriu

 

--Ah, que bom! Muito bom pro menino! E quanto a Ed, pensei que ela não tivesse vindo por estar deprimida...

 

--Deprimida ela está, meu bem, mas não foi por isso que ela não veio. -- respondeu com certa tristeza -- Graças a Deus, Seyyed entende que a vida continua.

 

--Oi, dona Ivone! -- Mariângela cumprimentou um pouco formal -- Queria muito lhe dar um abraço e desejar tudo de bom no seu caminho! -- sorria

 

--Sem o dona, por favor! -- abraçou a costureira -- E fico muito feliz com a sua consideração em vir pra essa festinha!

 

--Ah, mas é claro! Você mudou a vida da minha menina! Vou morrer sem poder agradecê-la por isso!

 

--Não me agradeça! -- segurou o rosto de Mari -- Ela fez a parte dela e eu fiz o pouquinho que me cabia! -- sorriu

 

--Você é muito especial pra nós, Ivone! -- Camille sorria -- Não podíamos passar sem deixar isso muito claro!

 

--Ah, vem me abraçar também, menina! -- chamou emocionada

 

“Hum... Ela não perde a chance de sonhar um pouco com esse amor!” -- a engenheira pensou antes de se juntar naquele abraço

 

***

 

--E então, Ivone? -- Juliana abordou a psiquiatra -- Quer dizer que se aposentou? -- sorria -- Que maldade com os pacientes, hein?

 

--Ah, não diga isso... -- balançou a cabeça -- Há muita gente boa por aí e eu preciso de um descanso, do contrário não dou conta!

 

--Dá sim, boba! -- deu um tapinha no braço da outra -- Você é cascuda!

 

--Sou mesmo! Com a minha idade tenho casca até onde não devo! -- riram

 

--Ivone, vamos ter um particular de mulher pra mulher! -- a japonesa se aproximou e falou baixinho -- Esse teu marido aí... -- indicou o homem com o queixo -- ainda... -- fez sinais com as mãos -- Ele ainda agüenta o rojão? -- perguntou preocupada

 

A psiquiatra achou graça. -- Ih, minha filha, coitado dele! O homem tá todo cheio dos problemas de saúde. E isso vem desde 2009!

 

--Então quer dizer que desde 2009, você...? -- olhava espantada para a outra -- Nada?

 

--Hum... -- pensou -- Praticamente.

 

--Ah, meu Pai! -- fez uma expressão de pesar -- E como você tem saciado... -- olhou para todos os lados -- aquele fogo?

 

--Aquele fogo... -- riu -- Eu não tenho esse fogo há tempos! Não sei se é por causa da idade, muita coisa pra fazer... Mas com toda sinceridade, nem penso em sex*.

 

--Menina... -- não conseguia entender -- E olha que você tem a pele boa! -- apertava as bochechas da amiga

 

--Se continuar apertando assim vai deixar de ser boa! -- riu

 

--Como é que pode, né? -- estava pasma -- Mas no meu caso, -- olhou para Suzana -- duvido que aquela nhambiquara safada vá me dar tréguas algum dia! -- sorriu -- A menos que algum mal aconteça!

 

--Naturalmente nosso ritmo vai modificando. Claro que varia de pessoa pra pessoa mas o sex* vai perdendo o espaço no relacionamento e gradativamente dá lugar a outras formas de troca igualmente recompensadoras. -- explicava -- Meu marido e eu somos muito amigos, temos um entrosamento muito bonito e não estamos sentindo tanto a falta do sex*.

 

--É, eu acredito. Você é uma criatura especial... -- ficou pensando -- Mas se quiser uns conselhos, fala comigo que te ensino cada coisa que esse homem vai morrer na tua mão! -- falava gesticulando -- O bicho vai se danar, mas de prazer!

 

--Melhor não! -- achou graça -- Deixa ele vivo que eu prefiro assim! Basta a danação nossa de cada dia!

 

Camille iria viajar a serviço de madrugada e foi se despedir da psiquiatra com a mãe. Antes de sair ainda gastou uns minutos conversando a sós com a mulher mais velha.

 

--E então, meu bem? Está mais consciente do que quer? Vai largar o emprego e buscar outra coisa ou permanece onde está?

 

--Eu ainda não sei se o meu caso é uma saudade do que passou ou se meu prazer é mesmo trabalhar na oficina. -- respondeu pensativa -- Mas tenho pedido muita orientação a Deus quanto ao que fazer.

 

--Muito bom! -- balançou a cabeça concordando -- E quanto a Seyyed? Como vão as coisas?

 

--Ai, Ivone, nem me pergunte isso porque é complicado, viu? Ô louco! Situação horrível! Eu me sinto muito dividida entre ela e Fátima, mas na maior parte do tempo ela ganha. Por outro lado, sei que não tirou a bailarina do pensamento... -- passou a mão nos cabelos -- E o coraçãozinho sofre!

 

--Deixe estar, querida. Viva sua vida e o que tiver de acontecer, e for pro seu bem, acontecerá! -- aconselhou

 

A engenheira ficou olhando para a outra em silêncio até que decidiu falar: -- Olha, Ivone, eu juro que até pensei nesse nosso amor. Especialmente agora que você se aposentou e não tem mais o problema da ética. -- explicava com jeito -- Mas a droga toda é que é tanta mulher na minha vida que eu sou obrigada a reconhecer que não daria conta de mais uma! Espero que você entenda!

 

--Ah! -- não esperava ouvir aquilo -- Entendo! -- achou graça -- "Mas os anos passam e essa menina não esquece disso!” -- pensou divertida

 

--Eu não tenho preconceito com idade! Acho até que você é super bem apanhada, mas... não dá! -- pausou brevemente -- Hoje, vendo teu marido pela primeira vez em todos esses anos, entendo porque você não se assumiu até agora: pra não matar o velho! -- olhou para o homem -- O coitado não suportaria esse baque! Ele tem pinta de que não segura uma gata pelo rabo, ô louco!

 

Controlava a vontade de rir. -- Ah, é.

 

--Que bom que você não fica magoada comigo! -- voltou a olhar para a terapeuta

 

--De forma alguma! -- sorria

 

--É bom que tudo tenha terminado assim! Não queria que entrasse em depressão por minha causa. Quem iria te tratar?

 

“Definitivamente, baixa auto estima não é mais o problema dessa menina!” -- pensou achando graça

 

***

 

--Eu nem sei como agradecer por tudo isso! -- Guilherme dizia emocionado -- Esse apartamento é ótimo e vai ser maravilhoso viver aqui com meus filhos! -- sorria agradecido

 

--Desejo de verdade que vocês vivam ótimos momentos juntos. -- Juliana falou com entusiasmo -- Vida nova, meu irmão! -- olhou para os sobrinhos -- Pra todos vocês!

 

--Muito obrigada, tia! -- Júnior agradeceu feliz -- Muito obrigada, mesmo! -- olhou para Suzana -- Vou começar a me preparar pro ENEM desde já pra arrebentar na prova do ano que vem. -- prometeu -- Aí, se Deus quiser, entro pra faculdade de direito em 2014 e, no futuro, vou ser delegado de polícia! -- sorriu

 

--Vai sim! E no que precisar de mim, eu te ajudo! Brito também! -- sorriu e deu um tapinha no ombro do rapaz

 

--Também tô muito feliz, tias! -- Tainá falou animada -- Sei que tudo vai ser diferente pra todos nós! E pra muito melhor! -- sorria

 

--É isso aí, querida! -- a enfermeira segurou o rosto da menina -- E fiquei muito orgulhosa de você ter passado pro curso técnico de meteorologia!

 

--Mas ela vai trabalhar em que depois de formada, Juliana? -- Guilherme perguntou preocupado -- Eu fiquei feliz, mas ao mesmo tempo receoso!

 

--Ela pode prestar alguns concursos públicos muito interessantes, como o da Marinha do Brasil, por exemplo! -- passou a mão na cabeça da moça -- Já pensou ver sua filha toda garbosa com aquele uniforme branco?

 

--Ih, já pensou? -- Júnior olhou empolgado para a irmã -- Eu delegado e você militar? Ninguém vai segurar a gente!

 

--Meus filhos autoridades... -- o japonês pensou na possibilidade -- Que coisa maravilhosa!!

 

--Mas o que é isso aqui? -- Soraia chegava bisbilhotando -- Que japaria é essa nesse apartamento? -- entrou sem cerimônias -- Eu me sinto na rua 25 de Março de São Paulo! -- pôs as mãos na cintura -- Vocês tão vendendo alguma coisa?

 

--E quem é essa dona? -- Tainá perguntou espantada

 

--Dona Soraia! -- Juliana respondeu fazendo um bico

 

--A síndica mais abusada do planeta! -- a delegada complementou

 

--Ser síndica é um estado de espírito pra mim! -- reparava nos novos moradores -- Ainda mais agora que fiquei viúva! -- encarou com Júnior -- Tu é gay! Tu é gay que eu sei! -- balançou a cabeça desconfiada

 

--Gente, mas é tão óbvio assim? -- o rapaz perguntou surpreso

 

--A senhora veio ver o que aqui, hein, dona Soraia? -- a enfermeira cruzou os braços contrariada

 

--Vim ver o que se passa! Eu ouvi tudo e sei que essa japaria vai morar aqui no lugar de vocês! -- olhava para Guilherme e os filhos -- Tinha que saber que tipo de gente seria, pois, conforme fosse, eu dava meu veto! -- falou enfática

 

--Só faltava essa! -- a morena resmungou de cara feia

 

--Mas a senhora pode ficar tranqüila que, -- Guilherme segurou a mão de Soraia e a beijou -- somos uma família muito honesta e honrada! -- jogava um charme -- E fico extremamente satisfeito em saber que a síndica do prédio onde vou viver com meus filhos é uma senhora tão distinta e... -- sorriu -- bonitona!

 

--Bonitona?! -- Júnior e Tainá perguntaram-se surpreendidos

 

--Nossa! -- a síndica ficou toda prosa -- Juliana quem é esse cavalheiro? -- perguntou animadinha

 

--Meu irmão. -- respondeu com vontade de rir

 

--Sou um homem humilde, dona Soraia. -- falava cheio de mesuras -- Um pobre viúvo que recomeça a vida ao lado dos filhos amados. -- caprichava nos olhares

 

“Viúvo?” -- Júnior pensava -- "Meu pai não tava com minha mãe há séculos...”

 

--Sou um romântico apaixonado que não se cansa de sonhar em encontrar um sapato pra um pé cansado!

 

--Ô, Ju, -- a delegada se aproximou da esposa e cochichou -- é impressão minha ou teu irmão tá dando a maior idéia em dona Soraia?

 

--Acho que ele quer ter desconto no condomínio! -- cochichou também

 

--Ai, mas se eu não fosse uma mulher tão madura bem que podia te ajudar a encontrar esse sapatinho... -- Soraia respondeu melosa

 

--E qual o problema? -- perguntou sedutor -- Como diria o poeta: “Panela velha é que faz comida boa...” -- piscou

 

“Gente, meu pai não deixa passar nada!” -- Tainá pensou revirando os olhos

 

--Ui! -- abanou-se discretamente -- Bem, -- tentava se recompor -- já que se trata de uma família tão distinta eu deixo que eles fiquem aqui. -- ajeitou os cabelos -- Pode passar no meu apartamento mais tarde pra provar um bolinho que eu fiz. -- sorria -- Cenoura com chocolate. -- pausou -- Só que me faltou cenoura então acho que não ficou tão bom quanto poderia ser.

 

--Será um prazer! -- o japonês sorriu -- De mais a mais, sempre que precisar de cenoura... -- lançou-lhe um olhar sugestivo -- conte comigo!

 

“Que homem!” -- Soraia pensou entusiasmada

 

--E a senhora quer aumentar o condomínio pra quanto, hein? -- Suzana interrompeu a sedução -- Vi a convocação de reunião no hall do prédio.

 

--Pra quanto? -- nem sabia responder -- Ah... Pra nada! Nenhum centavo a mais. -- olhou para Guilherme -- Vamos deixar o cavalheiro e seus filhos chegarem primeiro e depois a gente vê isso, não é mesmo? -- sorria

 

--Muita gentileza sua! -- o japonês fez uma reverência

 

“Se eu soubesse que Guilherme era a solução, tinha apresentado ele pra dona Soraia faz tempo!” -- Juliana pensou

 

--Ah, mas eu sabia que ia te encontrar aqui, vovó! Temos que ir pra... -- Hugo chegava faceiro -- Ih, vizinhos novos! -- deu de cara com Tainá -- Gente, mas o que é isso que meus olhos vêem? -- sentiu o coração acelerar -- "Que japinha maravilhosa!!” -- pensou

 

“Hum...” -- a jovem fez um bico -- "Sinto que terei problemas...”

 

--Ju, eu vou quebrar a cara desse tal de Hugo e não demora muito! -- a morena reclamava em voz baixa ao perceber o lance -- Primeiro você, agora Tainá? Assim já é demais! -- fez cara feia

 

A enfermeira acabou achando graça. “Dona Soraia e a neta são um encosto pra minha família inteira!” -- pensou -- "Se bem que pelo menos Guilherme tá dando corda...”

 

Guilherme despedia-se de Hugo e Soraia caminhando com eles pelo corredor. Seguia abraçado aos ombros de Soraia.

 

***

 

Seyyed bisbilhotava o Facebook de Isa e encontrou uma fotografia recentemente adicionada que julgou suspeita: a ruiva abraçada com uma mulher branca dos olhos azuis, a qual regulava a idade da bailarina.

 

--Mas quem diabos é essa aí? -- resmungou contrariada -- E a desgraçada postou um monte de comentários! -- tentava entender -- Maldita hora que nunca quis aprender francês! -- reclamou -- Vou ver o perfil dessa tal de Julie Marrie! -- clicou na foto da mulher

 

E o acesso à internet caiu.

 

--Ai, mas que ódio!! -- bradou em alta voz -- Eu vou cancelar com esse provedor, só vivo perdendo sinal, que praga!! -- deu um soco na mesa

 

Nesse momento o interfone toca. A morena levantou-se para atender.

 

--Alô? -- perguntou tentando disfarçar sua fúria

 

--Oi, Ed, sou eu. Camille. -- respondeu receosa -- Cheguei em hora ruim?

 

--Claro que não!! -- sorriu animada -- Não podia ter chegado em hora melhor! -- apertou o botão -- Abriu?

 

--Abriu.

 

--Vou abrir a porta pra você. -- pôs o interfone de volta no gancho -- Que bom que ela veio, senão eu ia ficar aqui me corroendo! -- disse para si mesma enquanto abria a porta

 

Segundos depois a loura saía do elevador. -- Oi. -- saudou um pouco sem graça

 

--Por que essa carinha tão receosa? -- abraçou-a -- Você é mais que bem vinda aqui. -- beijou a cabeça dela e deu passagem -- Entra, por favor? -- convidou

 

--Você atendeu com voz de quem tava chateada. -- entrou no apartamento -- Fiquei sem graça de ter dado um furo. -- sorriu

 

--Nada! -- fechou a porta -- Eu tava na internet, queria ver uns negócios aí e o sinal caiu. Fiquei danada! -- apontou para as poltronas -- Senta? -- sentaram-se

 

--Eu mudei de provedor umas duas vezes. -- Camille falou -- Espero que esse novo resolva. Pelo menos todo mundo tem falado bem.

 

--Depois me dá a dica que eu também vou mudar. -- pediu -- O povo que acredita que privatização resolve os problemas deve ter um serviço de telefonia oferecido à parte! -- reclamou -- Não vi melhora nenhuma com a venda do sistema Telebrás!

 

--Nem eu! O que houve foi que a tecnologia evoluiu e o acesso aumentou, e isso iria acontecer independentemente de qualquer privatização. -- dava sua opinião -- Aí os defensores do neoliberalismo alardearam que a venda do sistema salvou a pátria, só que os serviços oferecidos nunca foram bons ou tiveram bom preço. O PROCON afirma que as empresas de telefonia são recordistas em queixas.

 

--E o sistema de transporte? Fala sério! -- reclamou -- Tudo privado e tudo ruim! Ônibus, trem, metrô... Fala se a gente é bem atendida?

 

--Aqui no Rio ainda é pior que em São Paulo. Pelo menos lá o metrô atende uma pá de bairros, enquanto que aqui na cidade ele não sai de um eixo bem restrito. -- olhava para a morena -- Agora imagine o caso dos deficientes físicos! Depender de transporte público é além de tudo um martírio! Acessibilidade quase zero!

 

--É por isso que eu ando de moto! -- brincou -- Tenho velocidade, gasto pouco combustível e vou pra onde quero!

 

--Pode ser, mas não saia por aí promovendo o uso de moto porque não é todo mundo que tem condições de ser bom motociclista! E vamos falar a verdade: é um bocado perigoso! Você mesma passou por uma boa! -- lembrou

 

--Mas ali não foi por causa de moto, mas do coração... -- passou a mão nos cabelos -- Desespero, tristeza, ansiedade, orgulho ferido... Foi isso... -- respondeu reticente

 

A engenheira ficou um pouco sem graça e decidiu mudar de assunto. -- Você deve estar estranhando minha vinda aqui, mas... Sabe que mamãe tá namorando, né? -- sorriu

 

--Tô sabendo! -- achou graça -- Ela demorou mas quando decidiu partir pra luta arrumou um baita de um negão! -- sorriu -- Ricardinho adora ele. Aliás, Sidney conquistou a família toda!

 

--Pra desespero do Romeu, que vive perseguindo os dois. -- comentou -- Meu, eu me divirto, sabe? Às vezes acontecem umas brigas e mamãe põe todo mundo pra correr! -- riu

 

--Mariano contou que uma vez até ele se deu mal e levou umas toalhadas! -- riu também

 

--Pois é... -- passou a mão nos cabelos -- O carro do Sidney tá com um problema estranho e já morreu no meio da rua várias vezes, por isso agora ele tem usado condução. Eu acabo de deixar mamãe e ele no Norte Shopping, porque vão comemorar o dia dos namorados lá. -- explicava -- Quer dizer, dia dos namorados tardio, porque nesse ano a data caiu na terça. -- pausou brevemente -- Sidney pediu pra te perguntar se você podia dar uma olhada no carro amanhã, lá na casa dele... Ele disse que paga o que você cobrar pela visita e, conforme for, manda o carro pra ESSALAAM. -- olhou para o chão -- Aí como eu não tinha nada pra fazer hoje pensei em vir aqui dar o recado e te convidar pra almoçar fora em algum lugar. -- sorriu constrangida -- Nem sei se você já fez comida... -- olhou rapidamente para Ed -- “Meu, que conversa fiada essa minha! Camille, você se superou na pagação de mico!” -- pensava com vontade de bater em si mesma

 

Seyyed acabou rindo ao perceber que a loura corava como um pimentão. -- E por que você fica com tanta vergonha disso, garota? Sem problemas! -- segurou a mão dela -- Eu não tinha marcado nada pra amanhã, então vou na casa do Sidney ver o carro dele. -- levantou o rosto da outra segurando delicadamente pelo queixo -- Quanto ao seu convite pra almoçar, tô dentro! Eu tava na internet desde que tomei café e não fiz comida e nem nada. -- sorriu -- Vai ser bom pra mim poder espairecer em boa companhia. -- levantou-se -- Me espera um pouco, valeu? É só o tempo pra eu tomar banho e me arrumar. Sou rápida, pode confiar.

 

--Ah, tá. -- sorriu também, tentando disfarçar a vergonha -- Eu espero.

 

--Em menos de quinze minutos a gente sai daqui. -- piscou para a loura e foi para o quarto

 

Camille esperou Seyyed sumir de seu campo de visão e comemorou fazendo uma dancinha discreta.

 

***

 

Por volta das nove da noite Camille e Seyyed voltavam para a casa da morena quando uma pesada chuva desabou sobre a cidade.

 

--Caraca, nem parece chuva de junho! -- Ed olhava espantada para fora -- Que pé d’água!

 

--Eu mal consigo ver! -- a loura reclamou esfregando a mão no painel

 

--Você não devia ter insistido em me trazer de carro. Podia ter me deixado no meio do caminho e eu me virava. -- olhou para a engenheira -- Não dá pra você voltar pra casa debaixo dessa água toda! É até perigoso!

 

--Não me condene porque no meu lugar você faria a mesma coisa. -- olhou rapidamente para Ed

 

A mecânica ficou pensando por uns segundos e depois falou: -- Faz o seguinte, então... -- decidiu -- estaciona o carro na garagem do prédio e dorme lá em casa. -- novamente olhou para a outra

 

--Vou ter que avisar pra minha mãe, pra ela não ficar preocupada. -- respondeu com certo nervosismo

 

--Então avisa! -- concordou -- Ela vai me dar razão, tá chovendo demais! -- voltou a olhar para as ruas -- E tá tudo enchendo, caraca! Não pode chover forte que essa cidade fica debaixo d’água!

 

--Meu, parece até que a história se repete... -- afirmou em voz baixa -- “Na primeira vez que eu fui no Barra Shopping com Fátima tive que dormir na casa dela por causa de um toró e deu no que deu... E o mês também era junho...” -- lembrava -- "No que será que vai dar isso, hein?” -- pensou sentindo um frio na barriga

 

***

 

--Olha só como ficou! -- Camille apareceu na sala

 

--Ah, mas que lindinha! Ficou muito fofa com meu pijama! -- caminhou até ela -- Parece até criança vestindo a roupa da mãe. -- brincou e riu

 

--Muito engraçado, Seyyed! -- deu um tapinha no ombro dela -- Não tenho culpa de ser menor que você!

 

--De ser pequena, quer dizer. -- provocou

 

--Fica na tua aí, tá? -- deu outro tapa

 

--Bem. -- segurou as duas mãos da loura -- Queria que soubesse que adorei esse dia no Barra Shopping com você! O almoço, as conversas, o filme que a gente assistiu... Foi tudo muito bom!

 

--Eu também achei! -- respondeu olhando nos olhos da morena -- Fazia um tempo que não me sentia tão bem...

 

--Digo o mesmo.

 

Verdes e azuis mergulharam uns nos outros.

 

--É... -- a engenheira soltou as mãos de Ed e afastou-se um pouco desnorteada -- Você tá com sono? -- não sabia o que dizer

 

--Não e você? -- sentou-se na poltrona

 

--Também não. -- olhou para baixo e se sentou também

 

Ficaram caladas por alguns segundos.

 

--Você tem Facebook, Camille? -- perguntou para puxar assunto -- Já te busquei por lá e não achei.

 

--Deus me livre! -- fez cara feia -- Odeio aquilo! Troço besta, ô louco!

 

A morena achou graça. -- Também não sou fã mas eu tenho um perfil fake, sabe como é? Não tenho amigo e nem nada.

 

--Então pra que criou perfil? -- perguntou curiosa

 

“Ih, dei bola fora...” -- Ed pensou arrependida por ter puxado o assunto -- Ah, eu... -- decidiu falar a verdade -- Crie pra... pra espionar a Isa. -- abaixou a cabeça -- É isso.

 

--E você tava nessa espionagem hoje cedo quando a internet caiu? -- arriscou

 

--Tava... -- continuava de cabeça baixa

 

Camille mudou de lugar e sentou-se do lado da mecânica. -- Ed? -- a morena olhou -- Até quando vai ser assim?

 

--Não sei... -- sentiu os olhos marejarem -- Realmente não sei...

 

--Você não parece querer se libertar. -- falava com delicadeza

 

--Sabe que não é fácil. Foram onze anos juntas... -- justificou-se

 

--Mas você quer se libertar? -- insistiu

 

A morena abaixou a cabeça e não respondeu.

 

--Precisa dar o primeiro passo, Ed. -- pegou a mão dela -- Já é hora... -- ameaçou remover a aliança -- Posso?

 

Seyyed olhou para Camille e com a outra mão tocou o rosto dela. Podia-se perceber o misto de sentimentos que convulsionavam no coração da mecânica naquele momento.

 

Sem esperar resposta, a loura tirou a aliança do anelar da outra e a colocou sobre a mesinha da sala.

 

--Não posso lhe prometer nada, Camille. -- falou olhando nos olhos -- Eu mal consigo entender o que vai dentro de mim. Talvez nunca tenha entendido...

 

--Eu não quero mais esperar. -- levantou-se mantendo o olhar preso ao da morena -- Já esperei tempo demais.

 

--Não sabe como me sinto em dívida com você! -- levantou-se também e segurou o rosto da loura com as duas mãos -- Eu te amo, mas não entendo como. Não entendo...

 

--Não quero entender. -- aproximou-se mais -- Você quer?

 

Após alguns segundos de hesitação, respondeu: -- Não! -- beijou-a com carinho, deslizando as mãos até a cintura da jovem

 

https://www.youtube.com/watch?v=7tcTrOq_vao

Camille segurou Seyyed pela nuca e o beijo tornou-se mais intenso. A morena abraçou-a com força e entregou-se à sensações que lhe turbilhonavam ainda mais o espírito inquieto.

 

“Minha laranja amarga e doce,

Meu poema...”

 

Ed levantou a jovem no colo e seguiu para o quarto sem deixar de beijá-la.

 

“Feita de gomos de saudade,

Minha pena...”

 

Camille sentia-se transportada no tempo, para uma época da qual não podia se lembrar, mas cujas marcas ainda estavam fortes dentro de si.

 

“Pesada e leve,

Secreta e pura,

Minha passagem para o breve,

Breve instante de loucura...”

 

Seyyed olhou nos olhos da loura e a colocou sentada na cama, ajoelhando-se diante dela. -- Me perdoe por tudo! -- pediu súplice -- Você ainda me quer? -- segurava-lhe o rosto com uma quase devoção

 

--Sempre! -- puxou-a pela camisa para um beijo ansioso

 

“Minha ousadia,

Meu galope,

Minha rédea,

Meu potro doido,

Minha chama,

Minha réstia...”

 

A mecânica despia lentamente a parceira, beijando cada parte do corpo descoberto como em um suave reencontro.

 

“De luz intensa,

A voz aberta,

Minha denúncia do que pensas,

Do que sente a gente acerta...”

 

A engenheira delirava com o toque firme e carinhoso da mulher que esperou por tanto tempo.

 

“Em ti respiro,

Em eu ti eu provo,

Por ti consigo esta força aqui de novo...”

 

Ed removeu a prótese da outra com cuidado e respeito, enquanto beijava e mordia a pequena porção de perna que havia ali. Camille reclinou-se para trás, apoiando-se pelos cotovelos.

 

--Ah!!! -- gem*u alto

 

“Em ti persigo,

Em ti percorro,

Cavalo à solta pela margem do teu corpo...”

 

--É o que quer? -- perguntou enquanto despia-se diante do olhar da jovem

 

--Não tenha tanto medo de me machucar, Ed... -- pediu com brandura -- Por favor...

 

--Você merece tudo, -- beijou-a -- tudo! -- deslocou a ambas para o meio da cama

 

“Minha alegria,

Minha amargura,

Minha coragem de correr contra a ternura...”

 

--Ah!!! Ah... -- a loura gemia arranhando as costas da morena. Parecia sentir os lábios de amante em toda parte de seu corpo

 

“Minha laranja amarga e doce,

Minha espada,

Um poema feito de dois gumes,

Tudo ou nada...”

 

A mecânica explorava o corpo da parceira como se empreendesse uma busca de coisas que haviam sido deixadas para trás. O toque, os beijos e as mordidas revelavam seu amor, respeito, carinho, desejo e arrependimento.

 

“Por ti renego,

Por ti aceito,

Este corcel que não sossega a desfilar no meu peito...”

 

Mergulhou entre as pernas da jovem acariciando os seios que lhe pediam atenção.

 

--Ai!!! -- gem*u alto

 

“Por isso digo,

Canção castigo,

Amêndoa, trava, corpo, alma, amante, amiga...”

 

Camille segurou uma das mãos da mecânica e abriu mais as pernas. O coração parecia a ponto de saltar do peito.

 

“Por isso canto,

Por isso digo,

Alpendre, casa, cama, arca do meu do trigo...”

 

Ed segurou a loura pela cintura e se sentou, trazendo-a para que sentasse em seu colo. Mordia e beijava o pescoço e a orelha da engenheira.

 

“Minha alegria,

Minha amargura,

Minha coragem de correr contra a ternura...”

 

Abraçou-a com força e deslizou uma das mãos para o sex* da jovem. Camille arranhou-lhe as costas, do ombro até a cintura, deixando que uma de suas mãos, da mesma forma, buscasse o sex* da amante.

 

--Ah!! -- gem*u no ouvido da outra -- Quero que você goze comigo, menina... -- sussurrou com voz rouca

 

--Ai... -- a loura fechou os olhos

 

“Minha ousadia,

Minha aventura,

Minha coragem de correr contra a ternura...”

 

Mordiam-se com fome uma da outra e se movimentavam cada vez mais rapidamente.

 

“Minha alegria,

Minha amargura,

Minha coragem de correr contra a ternura...”

 

Rostos muito próximos, verdes e azuis fundiram-se em um único tom de cor.

 

“Minha ousadia,

Minha aventura,

Minha coragem de correr contra a ternuuuuura...”

Cavalo à Solta – Rua da Saudade [b]

 

Chegaram ao orgasmo praticamente juntas, gem*ndo alto e respirando sofregamente.

(Nota da autora: essa música tinha tudo a ver, na minha opinião. A letra e a forma como é interpretada são belíssimas!)

***

 

--Minha mãe ralhou comigo por causa do modo como dançamos na festa de Flávia. -- Camille falou com os olhos fechados -- Ela disse que dei bandeira demais. -- sorriu

 

--A minha também reclamou. Disse que me excedi. -- mãos se acariciavam -- E ela também tem medo que eu te magoe. -- confessou -- Coisa que jamais gostaria que acontecesse... -- beijou a cabeça da amante

 

Seyyed estava deitada de barriga para cima, tendo Camille em seus braços.

 

--Você tem tanto medo... Por que age como se já tivesse me feito algum mal? -- olhou para a morena -- Por que me parece que você tem a consciência tão pesada em relação a mim?

 

--Porque sei que já te magoei muito em uma vida passada. -- acariciava o rosto da loura -- E disso muito me envergonho.

 

--Como pode saber? -- achava estranho

 

--Acredite que eu sei. -- afirmou convicta

 

--Mas... Isso é passado, Ed. O que interessa é daqui pra frente! -- beijou-a -- Não quero que se martirize por coisas que ficaram tão lá atrás.

 

--O que sente por Fátima? -- perguntou bruscamente -- O que ela representa pra você?

 

“Será que ela tem ciúmes de Fátima?” -- surpreendeu-se com a pergunta repentina -- Eu a amo e ela é importantíssima pra mim, só que... -- pausou brevemente -- acho que é um outro tipo de amor. Uma coisa mais fraterna, mais pura...

 

--E o que sente por mim? -- demonstrava uma certa insegurança

 

--Amor, carinho, desejo... -- percorria uma trilha no rosto da morena com o dedo -- Sentimentos misturados, -- deslizou o dedo sobre o lábio da outra -- que às vezes me assustam... -- silenciou por alguns segundos -- E você? O que sente?

 

--O mesmo que você: amor, carinho, desejo... de um jeito que me invade, assusta, confunde... -- sorriu -- Mas depois dessa noite posso dizer que também faz bem. -- beijou-a -- Muito bem! -- beijou-a novamente

 

--Você me faz bem. -- beijou-a -- E FAZ bem! -- acabou ficando corada por causa do que disse

 

A mecânica entendeu o significado da frase. -- Você também faz, mas precisa provar mais pra avaliar com propriedade. -- sorriu e a beijou mais demoradamente

 

--Hum... Mais? -- mordeu o lábio inferior da outra -- Ô louco, você é tarada, Seyyed!

 

--Pô, e eu tô devagar pra caramba... Ainda tô café com leite! -- brincou e ficou uns segundos calada -- Mas... é sério, ainda não tô no meu normal.

 

--Não tô fazendo cobranças, Ed.

 

--Mas e daqui pra frente... como vai ser?

 

--Eu não sei. -- deitou novamente a cabeça no ombro da amante -- Mas tudo isso me fez tomar uma decisão.

 

--Que decisão? -- perguntou curiosa

 

--Não vou mais me esconder. -- afirmou convicta

 

***

 

Camille e Mariângela estavam na casa de Olga e Mariano.

 

--Seyyed tá demorando na casa de Sid. -- Mariângela comentou -- Aquele carro deve tá uma coisa!

 

--Ela foi pra lá de tarde, mãe. -- Camille falou -- Ainda vai dar seis horas, não tá demorando tanto assim. Além do mais, ela foi de moto, então daqui a pouco aparece aí.

 

--Eu gosto de moto. Quando crescer vou comprar uma pra mim! -- Ricardinho comentou empolgado

 

--Nem pensar! -- Mariano protestou olhando para o menino -- Tire essas idéias da cabeça! -- fez cara feia

 

--Por que não, pai? Ed anda de moto, mamãe deixa! -- argumentou

 

--Ela começou a andar depois de grande. -- Olga se defendeu -- Já era adulta, independente e eu não podia fazer mais nada!

 

--Então quando eu for adulto e independente compro uma moto pra mim. E Ed vai me ajudar a escolher! -- decidiu

 

--Humpf! -- Mariano fez um bico -- Veremos, menino, veremos! Ricardo pode ter feito muitas loucuras, mas de moto nunca andou!

 

E nesse momento a campanhia toca.

 

--Deve ser Ed! -- Camille deduziu

 

--Eu abro! -- Ricardinho correu para a porta -- Oi, Ed! -- o menino falou -- Eu quero comprar uma moto mas ninguém deixa! Você me dá uma força?

 

--Comprar uma moto? -- beijou a cabeça dele e sorriu -- Calma, menino, você ainda tem muita bicicleta pra andar antes disso. -- olhou para os demais -- Boa tarde! -- cumprimentou

 

--Não ponha essas idéias de moto na cabeça dele! -- Mariano advertiu de cara feia

 

--Eita! -- olhou para o irmão -- Tá vendo? Nem fiz nada e já tomo bronca por tua causa! -- brincou

 

--E o carro, Seyyed? -- a costureira perguntou -- Muito ruim?

 

--Nada! Eram duas válvulas queimadas. Fiz um bate e volta na oficina, peguei o material que precisava e consertei. -- explicou -- No mais ele tem que levar o carro pra fazer uma limpeza e vai ficar como novo. -- sorriu -- Oi, mãe! -- beijou a cabeça dela -- Não vai brigar comigo porque seu filho quer comprar moto, não, né? -- brincou

 

--Deixa de bagunça e senta aqui! -- bateu no sofá -- Do lado de sua mãe! -- sorriu -- Quero um filho de cada lado meu!

 

A mecânica se sentou e olhou para Camille.

 

--É... -- a engenheira começou a falar -- Já que todos estão aqui, eu queria aproveitar a oportunidade pra dizer uma coisa. -- levantou-se -- Aliás, eu chamei mamãe pra vir aqui justamente por causa disso.

 

--Dizer o que? -- Mariângela olhou para ela intrigada

 

“Será que ela vai se assumir?” -- Olga pensou

 

--O que foi, prima? -- Ricardinho aguardava curioso

 

Mariano tinha pontos de interrogação na cabeça.

 

--Eu escondo uma coisa há muitos anos... -- olhava para todos e para ninguém ao mesmo tempo -- Primeiro por preconceito, medo e vergonha, depois somente por medo e vergonha... -- respirou fundo -- Mas agora não há mais razão pra isso, pelo menos não diante de vocês...

 

--Mas o que é?? -- o contador sentiu o coração acelerar

 

--Eu sou lésbica! -- falou como quem tira um peso das costas -- Chega de esconder a verdade! Vocês são minha família e devem saber!

 

--O que????? -- Mariano levantou-se apavorado -- Mas... -- não sabia o que dizer -- Camille, você...

 

--Eu sou lésbica, tio. E ponto! Não há mais o que dizer!

 

--Meu Deus!! Eu suspeitei que você estivesse gostando de Fátima, só que... -- olhou para Olga, Mari e Seyyed -- Vocês já sabiam disso??

 

Elas balançaram a cabeça confirmando.

 

--Até eu sabia, pai! -- Ricardinho afirmou

 

--Mas como?? -- olhou para o filho intrigado -- Minha nossa Senhora, eu sou um cego!

 

--Muda alguma coisa, tio? -- perguntou receosa

 

--Eu só fiquei um pouco abobalhado, mas... -- sentia-se perdido

 

--E quando você vai ficar com minha irmã? -- o garoto perguntou

 

Ed e Camille ficaram muito constrangidas. A loura corou com todas as forças.

 

--Que é isso, menino? -- Olga ralhou -- Isso são modos? -- fez cara feia

 

--O que tem de mais, mãe? Ed se separou e minha prima gosta dela mesmo! -- olhou para a loura -- Embora eu goste muito da Isa, queria que soubesse que aprovo o namoro.

 

--Mas vejam só isso! -- Mariano se revoltou com o filho -- Menino alcoviteiro, coisa mais feia!

 

Mari arregalou os olhos. “Gente, esse menino percebe tudo!” -- pensou atônita

 

--Ricardinho, não seja indiscreto desse jeito! -- Mariano repreendeu -- Sua prima gosta de Seyyed mas é como amiga!

 

Camille trocou olhares significativos com Seyyed, o que não passou despercebido à Olga.

 

--Relaxa, mulher! -- a mecânica tentava quebrar a tensão -- Viva sua vida em paz e sem temer os julgamentos. Você é adulta, responsável e independente. -- levantou-se -- Acho que falo por todos quando digo que a gente tá do seu lado. -- olhou-a nos olhos -- Dá um abraço? -- pediu sorridente

 

“Será que já estão juntas??” -- a costureira pensou desconfiada ao vê-las abraçadas

 

“Ainda não é o momento de deixá-los saber sobre nós!” -- a loura pensava -- “Além do mais, como deve estar o coração dela?” -- olhava para a outra como se quisesse ler seus pensamentos

 

“Que bom que Camille não falou nada...” -- pensava aliviada -- "Eu me sinto tão confusa, tão perdida... Preciso de um tempo pra ficar sozinha e pensar...” -- sorriu tentando disfarçar o tormento que lhe ia na alma

 

--Meus amores, -- Olga queria encerrar o assunto -- ninguém aqui deixou de amar Camille por causa de suas escolhas! -- olhava para todos ao se levantar -- E agora que estamos juntos, vamos lanchar? -- propôs -- O bolo de laranja tava só esperando a família se reunir. Será que pode ser?

 

--Pode não, deve! -- Camille concordou -- Tô azul de fome! -- riu

 

--Eu arrumo a mesa! -- Ricardinho se prontificou para acelerar as coisas

 

--E eu ajudo na cozinha! -- Mariângela se ofereceu -- "Ah, mas depois eu vou sondar essa menina pra descobrir o que anda acontecendo entre essas duas!” -- pensava -- “Ah, se vou!”

 

--Camille? -- Mariano chamou e ela olhou -- Não muda nada! -- abriu os braços

 

--Ah, tio! -- abraçaram-se

 

--Minha gente, eu adoro vocês, mas também adoro bolo de laranja! E aquela casquinha crocante por cima? Noooossa!! -- a morena brincou -- Dá até um troço no coração! -- pôs a mão no peito fingindo um drama -- Vamos acelerar as coisas e cair de boca nos quitutes! -- foi para a cozinha esfregando as mãos

 

--Nada de beliscar antes de servir o bolo na mesa, viu, Seyyed? -- Olga advertiu indo atrás da filha

 

--E de agora em diante, filha? -- Mariano perguntou preocupado -- Já que se assumiu, como vai fazer no seu trabalho? E diante das pessoas de um modo geral? -- olhava para ela

 

--Não vou fazer da minha sexualidade uma bandeira, tio. E no trabalho não vou dar satisfações a ninguém. -- respondeu convicta -- Vou ser como Seyyed, Juliana e Suzana, que vivem suas vidas normalmente, só que pretendo ser mais discreta do que elas. -- pausou -- E seja lá o que Deus quiser!

 

--Muito cuidado! -- acariciava o rosto da jovem -- Há muita gente recalcada e intolerante por aí! Lembre-se daquela maldade que fizeram com Seyyed! -- advertiu -- Se assumir não é simplesmente contar pra família! Há muito mais no processo...

 

--Eu sei, tio! Finalmente, depois de tantos anos de terapia, eu aprendi a me aceitar. Hoje sei que tenho condições pra encarar o que vier! -- sorriu -- E essa foi uma das maiores conquistas da minha vida! -- sentia-se orgulhosa

 

***

 

Priscila remexia-se na cama por conta de um sonho curioso.

 

“Ouvia o som da música tocando e seguia por um corredor estreito sem entender o que se passava. Ao final do caminho, deparou-se com um enorme salão impecavelmente decorado. A meia luz dava ao ambiente um aspecto sombrio, apesar da beleza.

 

--Mas que negócio é esse? -- olhava para todos os lados -- Não tem ninguém aqui e essa música tocando... -- estava intrigada

 

De repente as luzes se acendem completamente e Priscilinha aparece rebol*ndo e cantando: --Mamãe quer casar, tia Pi quer vazar, mamãe quer casar, só falta marcar...

 

Isabela, Tatiana e Jaqueline aparecem dançando e cantando em corinho: -- Mamãe quer casar, tia Pi quer vazar, mamãe quer casar, só falta marcar...

 

E Lady surge vestida de noiva. -- Casando, casando, casando, cacacacacasando, -- requebrava -- casando, casando, cacacacacasando!

 

E seguia o corinho: -- Casando, casando, casando, cacacacacasando, casando, casando!

 

--Minha nossa!! -- a dentista arregalou os olhos apavorada

 

--Case comigo! -- Lady pediu

 

--Vai, vai, vai! -- as meninas cantavam

 

--O véu na cabeça! -- a engenheira pôs as mãos sobre o véu

 

--Cabecinha! -- respondeu o corinho

 

--Me dá uma gastura! -- Priscila pôs a mão na barriga

 

--Gasturinha!

 

--Meu véu na cabeça!! -- Lady se acabava de dançar -- Diz aí meu corinho!

 

--Cabecinha!

 

--Te dá uma gastura! -- apontou para a morena

 

--Gasturinha!

 

E nesse momento aparecem Juliana, Suzana, Seyyed, Olga, Mariano, Ricardinho, Renan, Camille, Mariângela, Ana, Odete, os pais de Priscila e mais um monte de gente dançando e cantando: -- Casando, casando, casando, cacacacacasando, casando, casando, cacacacacasando!

 

--Mas até vocês?? -- a dentista perguntou desesperada

 

--Casando, casando, casando, cacacacacasando, casando, casando, cacacacacasando! -- todos cantavam juntos

 

--Você só quer casar, -- a morena olhava para Lady -- não canso de evitar, o medo me consome, dá um troço no meu abdômen... -- apertou a barriga

 

--Não pare pra pensar, -- rodopiava -- sinta essa vibração, põe ‘anelzim’ no dedo na batida da cançãoooooo! -- gritou -- Diz aí povo!!!

 

--Casando, casando, casando, cacacacacasando, casando, casando, cacacacacasando! -- todos cantavam e dançavam no passinho do ‘forewers’

 

--Casando, eu vou insistir! -- Lady cantava

 

--Socorro, quero morrer! -- Priscila respondeu

 

--Casando, casando, casando, cacacacasando, casando, casando, cacacacacasando! -- o povo cantava

 

Líderes de todas as religiões chegavam para casar as duas.

 

--Casando, casando, casando, cacacacasando, casando, casando, cacacacacasando! -- e tome de cantoria

 

--Casando, eu vou insistir! -- Lady segurava um calendário Maia nas mãos

 

--Socorro, deixa eu correr! -- a morena estava desesperada -- Não, não!! -- tentava fugir mas a multidão não permitia -- Nãããããããooooo!!! -- berrou ensandecida”

Dançando – Ivete Sangalo e Shakira [c]

 

--Nãããããããooooo!!! -- a morena acordou desesperada e suando por todos os poros

 

--Ai, amiga, o que foi isso? -- Lady sentou-se na cama assustada -- Cruzes! -- pôs a mão no rosto dela -- Nossa, que coisa suada!

 

--Tive um pesadelo medonho! -- passou a mão nos cabelos e olhou para a outra -- Eu sabia que isso ia acontecer!

 

--O que?? -- não entendia

 

--Essa sua sede por casamento tá me deixando louca! -- levantou-se da cama -- Eu vou lavar o rosto e beber uma água porque não tá dando! -- saiu do quarto

 

--Ah, mas você não vai ter força e nem coragem pra resistir! -- a engenheira falava sozinha -- Antes que o mundo se acabe a gente casa! Ah, se vai! -- deu um soco no travesseiro

 

“Depois que Lady começou com essa coisa pesada querendo casamento, minha vida nunca mais foi a mesma!” -- Priscila pensava ao se olhar no espelho -- Por que ela não se contenta com o que a gente já tem? -- falava com si mesma -- Precisa casar pra mostrar que ama?

 

--Sim!!! -- Lady gritou lá do quarto

 

“E não é que ela ouviu?” -- pensou abestalhada

 

***

 

Ricardo acabava de chegar na casa de Mariano.

 

--Hi there! -- cumprimentou desanimado -- Tá sozinho? -- perguntou reparando no silêncio

 

--Olga saiu e Ricardinho tá fazendo trabalho de grupo na casa de um colega. -- respondeu -- Vamos nos sentar! -- convidou -- Quer um café? Está com fome? -- ofereceu

 

--No, thanks! -- recusou agradecendo -- Eu vim mesmo pra conversar...

 

--E o que aconteceu? -- notou o desânimo do filho -- "O que será que ele aprontou dessa vez?” -- esperava pela bomba

 

--Aconteceu um monte de coisas nesses últimos dias, pai... -- contava entristecido -- Como você sabe, eu tava indo bem na minha vida de ambulante e até vendi aquela carrocinha que você me deu pra comprar outra maior. -- gesticulava -- Incrementei a coisa pra vender churrasquinho também e tava com a maior clientela! Um monte de gente era fiel a comprar comigo, you know? -- olhava para o outro

 

--E...? -- continuava tenso

 

--Nesse domingo minha carrocinha foi apreendida pela fiscalização e eles levaram tudo! -- queixava-se -- Foi o maior fuzuê! -- fez cara feia -- Life really sucks sometimes! -- suspirou

 

--Foi apreendida?! -- perguntou em choque -- Mas por que? Você fazia a comida sem higiene, menino?

 

--Oh, no, of course not! -- respondeu convicto -- Lembre-se de que eu vendia nas ruas de New Orleans e lá o padrão de qualidade é rigoroso pacas! -- coçou a cabeça -- O que aconteceu é que não tenho licença pra trabalhar como vendedor de rua e aí...

 

--E por que você não providenciou essa licença até hoje? -- cruzou os braços indignado -- Teve que esperar acontecer o pior?

 

--Porque dá muito trabalho... Tem tanta gente que vende aí, sem licença nenhuma, né mesmo?

 

--Tem tanta gente faz a comida de qualquer maneira! Tem tanta gente que rouba! -- protestou -- Por causa disso você vai fazer a mesma coisa?

 

Ricardo abaixou a cabeça e nada respondeu.

 

--Como é que você pode recuperar a carrocinha? -- perguntou contrariado -- "Aposto que tem que morrer numa grana!” -- pensou

 

--Primeiro tenho que conseguir a licença de ambulante e depois pagar uma multa... -- respondeu sem graça -- This kind of stuff, you know...

 

--Pare com isso de falar inglês comigo, tá? -- pediu contendo a irritação -- Eu já imaginava que essa sua visita tinha a ver com algum problema de dinheiro! -- olhava para o filho -- Vamos fazer assim: eu te ajudo a reaver a carrocinha e você cuida da documentação pra se regularizar. Depois que estiver com tudo certo vai me pagar cada centavo que vou gastar nessa brincadeira! -- seu tom era sério

 

--Plea... por favor! -- corrigiu-se -- Eu sei que o histórico justifica que você pense assim mas não foi só pra lhe pedir ajuda que eu vim aqui. -- dizia a verdade -- Pode deixar que vou lhe pagar cada centavo, eu juro! -- prometeu -- Mas eu preciso desabafar...

 

Mariano sentiu sinceridade nele e falou com mais delicadeza: -- O que foi, meu filho? Problemas do coração? -- pensava em Lady

 

--É... -- abaixou a cabeça -- Eu vacilei muito e Lady não suportou minhas trapalhadas... Foi também por isso que ela desistiu de mim... -- olhava para as mãos -- Fez um ano que ela terminou comigo e eu fiquei pensando em tudo... ela tinha razão em suas queixas. -- voltou a olhar para o pai -- Não tem idéia de como chorei!

 

--Imagino! -- respondeu compreensivo -- Aliás, lamentei muito pela separação porque aquela moça era uma boa influência pra você.

 

--Aí aconteceu uma coisa curiosa, you know? -- pausou -- Desculpe! -- pediu -- Força do hábito.

 

--Pode continuar. -- pediu

 

--Depois de muito chorar, -- continuou -- fiz uma coisa que não fazia há séculos: orei! -- respirou fundo -- E orei muito... Assumi todas aquelas mentiras que eu contava pros outros e pra mim mesmo e vi como perdi tempo precioso na vida! Vi também quanta porr*da a vida me deu por cada vacilo! -- pausou -- Chorei de novo, só que de arrependimento, e dormi assim... banhado em lágrimas. -- começava a se emocionar -- Então sonhei com a mamãe e ela me disse um monte de coisas. Não me lembro de uma palavra sequer, mas o perfume dela ficou... -- os olhos marejaram -- Posso sentir o cheiro se fechar os olhos... -- derramou uma lágrima e não conseguiu mais falar

 

Mariano mudou de lugar, sentou-se do lado do filho e fez com que se deitasse em seu colo. Ricardo assim o fez e gastou alguns minutos chorando.

 

--Mãe ou pai nenhum que se prezem abandona os filhos por mais que eles errem! -- acariciava a cabeça dele -- Clotilde nunca desistiu de você e nem eu! Além de nós dois, sua tia, Camille, Olga, Seyyed, todos nós desejamos que você se encontre e seja um homem de bem, feliz e livre! -- desejava tocar o coração dele -- Eu não facilitei as coisas pra você, porque não é assim que se ajuda, que se ensina. Você precisava aprender com o sofrimento e, ainda com tudo, cometeu vários erros desde que voltou pra cá.

 

--Eu sei... -- continuava chorando

 

--Mas não é o fim! Você tá vivo, saudável, consciente... pode recomeçar! -- continuava acariciando a cabeça de Ricardo -- Se não quer estudar, não estude, mas trabalhe com dignidade, com honra! Tire a sua licença, volte a vender a comida boa que tanto tem atraído freguesia e seja feliz, meu filho! Não sabe o quanto sonho em lhe ver bem orientado!

 

--Você não acha que sou um caso perdido? -- perguntou com tristeza

 

--Não! -- respondeu com firmeza -- Ninguém é, por mais que a visão materialista diga o contrário. Você é um filho de Deus, seu destino é nobre!

 

Ricardo sentou-se novamente e secou os olhos com as mãos. Olhou para o pai e afirmou com muita verdade: -- Eu prometo que daqui pra frente serei um novo homem! -- ajoelhou-se diante de Mariano -- Juro pela mamãe que nunca mais serei o mentiroso aproveitador e interesseiro que tenho sido até então! -- olhava nos olhos do contador -- E peço seu perdão por todo mal que lhe causei! Também vou procurar Seyyed e Flávia pra pedir perdão e esgotar minhas dívidas com elas. Tem minha palavra!

 

--Oh, meu filho! -- emocionou-se -- Não sabe há quantos anos espero pra ouvir isso de você com essa firmeza que ouço agora! -- levantou-se -- Fique de pé e dê um abraço no seu pai como até hoje nunca deu!

 

Abraçaram-se com muita emoção e carinho, de um modo como não se lembravam de ter feito um dia. Mariano fechou os olhos e agradeceu mentalmente a Deus e a Virgem Maria por terem ouvido suas preces de longos anos. Ricardo também fechou os olhos e mentalizou a mãe, pedindo perdão a ela da mesma maneira. Estava com o firme propósito em seu coração de recomeçar e não queria mais cometer os mesmos erros.

 

Sobre os dois homens, sem que percebessem, Clotilde derramava uma chuva de pétalas de rosas em um verdadeiro batismo de amor e de esperança.

 

***

 

Seyyed e Camille conversavam em um barzinho no Centro da cidade.

 

--Você deve estar chateada comigo... -- Ed falava um pouco envergonhada -- Depois do que aconteceu entre nós, a gente só se viu na casa da minha mãe e eu não te procurei, não te liguei... Não conversamos direito e somente hoje, quase uma semana depois, eu tô aqui pra te dizer alguma coisa... -- olhava para a loura -- Não queria que pensasse que sou do tipo que vai pra cama com uma garota e depois some, fica fazendo joguinhos... Não sou assim, Camille! -- dizia a verdade -- É que meu coração tá uma bagunça e eu precisava pensar um pouco...

 

--E eu não fui te procurar porque imaginei que você precisasse mesmo de um tempo. -- respondeu compreensiva -- Não estou chateada ou decepcionada com você.

 

--Mesmo? -- perguntou aliviada -- Graças a Deus! Morri de medo que por essa altura você me achasse uma canalha!

 

--Claro que não... -- sorriu -- Eu também pensei muito e acho que forcei a barra naquela noite. Talvez não fosse o melhor momento...

 

--Eu não fui seduzida! Fiz e assumo a minha responsabilidade! -- segurou uma das mãos da loura -- Não posso te dizer se era ou não o melhor momento, mas... não me arrependo! Foi muito especial!

 

--Que bom, porque eu também não! -- entrelaçaram os dedos -- E também achei muito especial...

 

--Também queria te agradecer por não ter deixado a família saber da gente naquele domingo. Não era o momento, embora meu irmão tivesse matado a charada. -- sorriu -- Ele e minha mãe, que me ligou no dia seguinte perguntando sobre nós.

 

--E o que você respondeu?

 

--Que tivemos uma noite linda! -- acariciava a mão da outra -- E ela me deu uma bronca dizendo que estava sendo precipitada.

 

--A minha me perguntou ontem. -- a loura falou -- E me deu uma bronca do tipo... -- pausou -- Acho que novamente só tio Mariano não sabe... -- achou graça

 

Verdes e azuis se perderam em um silêncio cúmplice.

 

--Mas eu acho que ainda não existe um ‘nós’, não é, Ed? -- perguntou receosa -- Talvez nem venha a existir...

 

--Nos últimos tempos não sou a melhor pessoa pra responder esse tipo de pergunta. -- afirmou em voz bem baixa

 

--Se a Isa viesse te procurar, -- a engenheira aventurou -- o que você faria? -- olhava nos olhos da outra

 

--Ela não vai vir me procurar... -- soltou a mão da loura delicadamente -- Podemos não falar dela? -- pediu -- Por favor?

 

Camille deu um suspiro e respondeu: -- Não falaremos, então.

 

--E se... -- passou a mão nos cabelos -- E se a gente começasse bem devagar? -- propôs -- Sem grandes expectativas, apenas uma tentativa sincera de recomeçar? Recomeço pra você, recomeço pra mim... -- olhava para a outra -- O que acha?

 

--Isso quer dizer o que? Um namoro simples ou sex* sem compromisso? -- perguntou abertamente

 

--Eu jamais lhe proporia sex* sem compromisso! -- respondeu chateada -- Mesmo que fosse o mais conveniente pra mim!

 

--Desculpe, eu... -- pausou brevemente -- esquece o que eu disse. -- debruçou-se sobre a mesa -- Se alguém me perguntar se eu tô namorando... respondo que sim? -- brincou

 

--Se me perguntarem eu digo que sim! -- sorriu

 

Azuis e verdes perderam-se uns nos outros novamente.

 

***

 

Camille e Seyyed faziam amor em um motel. A morena estava ajoelhada por trás da parceira, penetrando-a com os dedos enquanto a outra mão provocava um seio. Com uma das pernas dava apoio para que a loura se apoiasse com sua perna menor.

 

--Ai, ai, Ed!! -- gemia sentindo-se devorada -- Ah!! -- segurava-a pelos cabelos da nuca

 

--Você é... -- mordia e beijava pescoço e orelha da amante -- deliciosa! -- alternava a intensidade e freqüência da penetração -- Parece uma... -- rebol*va sensualmente fazendo-a acompanhar o movimento -- garotinha...

 

--Ai, o que... -- estava adorando o que a morena fazia -- Ai... isso é demais!!

 

--Assim, vem... -- continuava com os movimentos, só que em ritmo mais lento -- quero descobrir você... -- penetrava lentamente como se investigasse os pontos sensíveis da amante

 

--Ah!!!!!!! -- gritou mais alto ao goz*r repentinamente

 

--Continua, vai! -- acelerou os movimentos insistindo na penetração

 

Camille gem*u sentindo o corpo tremer de prazer. -- Ah!!! -- a respiração era ofegante -- Ah!!!! -- recuperava o fôlego -- Gente, isso foi... -- fechou os olhos -- Ô louco! -- sorriu

 

Seyyed achou graça e a fez se deitar apoiando-a delicadamente. -- Até fazendo amor você diz ‘ô louco’! -- sorriu e a beijou deitando-se sobre ela -- Linda!

 

A engenheira corou e a beijou mordendo-lhe o lábio inferior. -- Você é ótima! -- sorriu -- Não me admira que suas mulheres gostem tanto!

 

--Minhas mulheres? -- achou graça -- E quantas eu tenho? -- beijou-a

 

--Daqui pra frente só eu! -- beijou-a e ficou olhando para a morena -- Sabe... acho que se você tivesse me proposto apenas sex* sem compromisso eu iria aceitar... -- sorriu -- É tão bom... Acho que nunca me soltei do jeito como faço com você...

 

--Ah, mas já tá querendo se aproveitar do meu corpinho e não ter responsabilidade nenhuma? -- brincou -- Eu não esperava isso de você, Camille Trevisani! -- mordeu-lhe o queixo

 

--Eu sei o que você espera de mim, Seyyed Khazni! -- brincou também acariciando o rosto da amante -- E quero corresponder à expectativa, até porque você não me deu tréguas por três vezes seguidas... -- sorriu -- Mas preciso de um tempo pra me recuperar! -- beijou-a

 

--Tem alguém com pressa aqui? -- beijou-a mais demoradamente

 

--Meu! -- interromperam o beijo quando o ar lhes faltou -- É melhor você sair de cima de mim e ficar quieta porque senão começa tudo de novo! -- empurrou-a fazendo cócegas -- Vai, mina tarada!

 

--Tá bom! -- segurou as mãos dela para não deixá-la fazer cócegas -- Sem cosquinha, valeu? -- riu e se deitou do lado da loura

 

--Cosquinha! -- deitou-se de lado -- Isso é jeito de falar? -- sorriu -- Parece até criança!

 

--Nada de cócegas, então! -- deitou-se de lado também e a beijou

 

As duas ficaram caladas por alguns instantes apenas trocando carícias. -- Ed... agora pensei... quando Anselmo perceber o que está acontecendo entre nós ele vai contar pra filha... -- olhava para a outra com preocupação -- Ainda mais que você disse que ele e a mulher torcem pra que vocês reatem...

 

--Por mais que eu respeite os dois, eles não têm direito de se meter na minha vida. -- acariciava o rosto da jovem -- E se Anselmo contar pra Isa, tudo bem. Estamos separadas, não tô traindo ou enganando quem quer que seja.

 

--Acha que ela se importaria em saber?

 

--Por que sempre dá um jeito de falar sobre ela? -- perguntou tentando disfarçar o mal estar -- Isabela é um capítulo muito lindo e importante na minha vida, mas ela quis que terminasse, então vamos deixar pra trás e seguir em frente. -- olhava para a loura como se pedisse socorro -- Não me torture desse jeito, por favor. -- pediu

 

--Não está mais aqui quem falou. -- beijou-a e mudou as posições deitando-se sobre ela -- Sabe... Acho que já me recuperei... -- sorriu

 

--Hum, que rápida! -- segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou

 

--Rápida não... -- mordeu o pescoço da morena -- Vou beeeem devagar! -- começou uma trilha de beijos pelo corpo da amante

 

--Eita, garotinha danada... -- segurou-a pelos cabelos curtos -- Ah! -- gem*u

 

Camille prosseguia com uma exploração deliciosa, deixando a mecânica desnorteada com seu jeito doce e provocante de beijar, arranhar e sugar cada pedacinho de pele que encontrava em seu caminho.

 

 

19:00h. 13 de julho de 2012, QG do Chopp, Realengo, Rio de Janeiro

 

Suzana, Tatiana, Brito e Macumba conversam sobre assuntos confidenciais aproveitando o burburinho de um barzinho da zona oeste da cidade.

 

--Então é isso, gente! -- Suzana explicava -- Agora são quinze laboratórios de produção de crack no país. -- rabiscava um pequeno mapa do Brasil colocado sobre a mesa -- Romeu e seus informantes garantem que eles estão concentrados no sul e sudeste, mas só conseguiram localizar dois até agora. -- olhou para os amigos -- Tá bem mais difícil hoje em dia!

 

--Eles estão cada vez mais sofisticados. -- Tatiana interferiu -- E contando com a ajuda de gente grande, além de grupos estrangeiros. -- colocou algumas fotografias sobre a mesa -- O Brasil é o maior mercado consumidor do mundo e isso atrai muitos aproveitadores!

 

--Vou envolver aquele meu amigo da Federal nisso! -- Brito falou com decisão -- Vamos montar uma força tarefa pra descobrir onde estão todos esses laboratórios e desmanchar um por um!

 

--E pegar esse bando de canalhas que tá ganhando dinheiro com essa miséria toda de crack! -- Macumba deu um soco na mesa

 

--Meus âncoras também descobriram outras coisas interessantes! -- a repórter falou -- Atualmente existem três grandes pontos de distribuição da droga no país: um em Recife, outro em São Paulo e mais um aqui, no Rio; -- olhou para Brito e Macumba -- e esse é o mais forte.

 

--Quando desarticularmos esse, -- Brito apontava para o mapa, indicando a cidade do Rio -- os outros sentirão o baque!

 

--Tem muitos traficantes interessados em acabar com o crack! -- Suzana disse -- Eles reconhecem que a droga é tão incapacitante que o usuário fica inutilizado rapidamente e não gasta mais tanto dinheiro quanto no começo. -- explicava -- Além do mais o crack tem sido vendido a um preço mais barato que as outras drogas ‘tradicionais’! -- fez aspas com os dedos -- Muitos deles estão proibindo a venda de crack em suas comunidades, punindo com pena de morte aqueles que forem pegos desobedecendo à proibição.

 

--Agora veja só! -- Brito endireitava a gola da camisa contrariado -- Parece até piada de mau gosto!

 

--E foi por isso que não tive muita dificuldade em conseguir uns informantes que entregassem os detalhes que precisávamos saber sobre o ponto distribuição carioca. -- a morena olhava para Brito e Macumba -- Tá com vocês botar pra derreter!

 

--Ah, mas pode crer que a gente vai chegar rachando! -- o delegado garantiu

 

--Eu tô doido pra quebrar uns dentes e chutar uns traseiros! -- Macumba deu um soco na mão

 

--Deixa eu te falar, delegado! -- Tatiana olhou para Brito -- Queria mandar dois âncoras pra acompanhar essa operação com vocês.

 

--Fique à vontade! -- balançou a cabeça

 

--Agora você não vai mais, Tati? -- Suzana perguntou cruzando os braços -- Tô só vendo isso aí! -- descontraiu com uma brincadeira

 

--Sabe como é, agora que virei produtora só saio pra acompanhar o que se relacionar com algum projeto do ICIJ ou notícias mega bombásticas por demais da conta! -- sorriu

 

--Pois se prepare! -- Brito olhou para ela -- Me dê um tempo e você terá sua notícia mega bombástica. -- endireitou a gola da camisa -- Vamos desmanchar todo esse esquema do crack até 2013, ou eu não me chamo Paulo Brito!

 

--É isso aí! Ou eu não me chamo Florêncio Gumercindo! -- o outro policial deu um soco na mesa

 

--Eu prefiro Macumba, mesmo! -- a morena brincou

 

***

 

Após uma bem sucedida operação comandada por Brito, a maioria dos traficantes envolvidos com a distribuição de crack no Rio de Janeiro foi presa. Temendo o que pudesse acontecer, uma mulher de meia idade decide tomar uma decisão drástica. Enquanto subia as escadarias do Babilônia, ela pensava no futuro do bebê em seus braços.

 

Quando finalmente chegou no seu destino já era noite. Chamou a dona da casa com voz bem alta. -- Dona Joselina!! Dona Joselina!!

 

--Quem me chama? -- a mulher apareceu na janela receosa

 

--Sou eu, Maria Inês! Lembra de mim?

 

--Lembro. -- continuava desconfiada

 

--Esse é meu neto... e seu bisneto! -- mostrou o bebê -- Por favor, me deixe entrar que o negócio é sério!

 

“Ô, meu Deus, mais uma criança?” -- Joselina pensou apavorada enquanto abria a porta -- "Quantos filhos William arrumou por aí?”

 

A mulher entrou na casa da idosa como um foguete, dando de cara com a pequena Celina dormindo no sofá. -- E essa menininha? -- perguntou -- Outra filha do falecido?

 

--Sim. -- respondeu ainda desconfiada -- Por favor, pode se sentar! -- indicou o outro sofá e ambas se sentaram -- "Não me diga que Inês quer deixar esse bebê comigo também?” -- pensava aflita antes de olhar para o garotinho -- Ai, meu Deus, que coisinha linda... -- pôs a mão sobre os lábios -- É igualzinho a William quando nasceu! Até esse sinalzinho na cabeça... -- apontou para o sinal

 

--O nome dele é Murilo, tem apenas 22 dias. -- mostrava o menino para a outra -- Minha filha teve um envolvimento com seu neto e ele morreu antes de ver o filho.

 

--E onde está Maria Aparecida? – brincava com a mãozinha do bebê

 

--Morreu há dias atrás... overdose. Cena mais horrível que vi na vida toda! -- suspirou -- Nem sei como esse menino conseguiu nascer! -- olhou penalizada para Murilo

 

--Eu entendo o que você sente. -- olhou compreensiva para a mulher -- Foi horrível descobrir que meu neto morreu por causa daquele tal de crack....

 

--Minha filha se meteu com uns traficantes que foram presos nessa operação aí que desmanchou um ponto de venda de drogas. Ela servia de aviãozinho pra eles e sabia de muita coisa. -- contava -- Tenho muito medo que venham atrás de nós pra matar esse garoto!

 

--O que vai fazer? -- perguntou desconfiada

 

--Voltar pra Sergipe. Ainda tenho uma prima lá e vou ficar na casa dela. -- pausou -- Mas não tenho condições de levar essa criança comigo!

 

--Como assim? -- arregalou os olhos -- Não me diga que quer deixar ele aqui? -- reparou na bolsa que Inês trazia

 

--A senhora pode cuidar dele, dona Joselina! Tem sua aposentadoria e essa casa que é sua! O que eu tenho? Só a roupa do corpo e os móveis que já vendi!

 

--Pelo amor de Deus, Inês, olha pra cá! -- apontou para Celina -- Essa menina ainda nem completou um ano! Como é que uma velha como eu vai criar dois bebês? -- perguntou desesperada -- Pensa que minha aposentadoria é uma fortuna?

 

--Graças a seu neto minha filha está morta! -- acusou -- Foi ele que a colocou nessa vida triste de cracuda!

 

--Mas eu não tenho culpa! Só posso lamentar! -- defendeu-se -- Sofrer, já sofro bastante, pode crer!

 

--Não vim pra lhe condenar, mas pra pedir que fique com esse bebê! -- pediu com um certo desespero -- Ele só tem a senhora ou a sarjeta! -- ofereceu o garoto para a idosa segurar

 

--Aceite, Joselina, por favor! -- Valadão pedia súplice -- A ajuda virá no momento certo! Por favor, aceite!!

 

--Aceite, dona Joselina!! -- Vitória implorava

 

Rodolfo e Silvio pediam fervorosamente com os olhos fechados.

 

Relutante, a idosa sentia dentro de si que deveria aceitar e acabou cedendo.

 

--Tudo bem, Inês! -- tomou o bebê nos braços -- E que Deus nos abençoe!

 

Na espiritualidade, todos comemoravam esperançosos.

 

***

 

Isabela quebrava a cabeça tentando entender a complicada burocracia francesa e suas variações de um arrondissement (divisão administrativa da cidade) para outro.

 

--Meu Deus! -- soltou os papéis sobre a mesa e reclinou o tronco para trás com as mãos na cabeça -- E depois dizem que é só no Brasil que a burocracia é lenta e ineficiente! -- desabafou em voz alta

 

--Isabelle? -- Julie Marrie apareceu na porta e a chamou

 

--Sim, Marrie? -- olhou para a outra respondendo em francês -- Ainda aqui?

 

--Eu ia lhe perguntar o mesmo! -- sorriu -- Não acha que já é hora de parar de trabalhar por hoje? -- entrou na sala -- Você parece esgotada! -- parou diante da mesa da ruiva -- Por que não deixa os problemas para amanhã e vai comigo conhecer um pub muito interessante e descontraído no Marais?

 

--Nunca estive nesse bairro. -- comentou

 

--Grande falha sua! -- reclinou-se sobre a mesa -- O Marais abriga o melhor núcleo gay de Paris; -- sorriu -- e como tal, é imperdível!

 

A bailarina ficou uns segundos calada até que decidiu aceitar o convite: -- O que estamos esperando? -- sorriu e começou a arrumar as coisas para ir embora

 

 

***

 

--Deus, este lugar é realmente incrível! -- Isa reparava no ambiente -- Que pub cosmopolita! Vejo pessoas vindas de diversos países!

 

--O Marais é conhecido internacionalmente -- Julie explicava -- e este pub aqui tem a fama de receber gente chique e urbana por natureza! Também servem boa comida e os melhores vinhos e espumantes do mundo! -- olhava intensamente para a ruiva -- Sabia que um dia destes eu reparei que há vários rótulos brasileiros constando na carta de vinhos?

 

--Verdade? -- perguntou surpreendida

 

--Vocês têm vinhos muito apreciados na Europa! -- comentou -- Para ter uma idéia, em 2010, o espumante Moscatel de uma vinícola chamada Garibaldi foi medalha de ouro no concurso Effervescentes Du Monde, aqui na França, e prata no Internacional Wine Challenge, em Londres. -- falava com propriedade -- O Miolo Reserva Merlot, safra 2009, foi ouro no Mondial Du Merlot, na Suíça. Sem contar os 63 tintos, 26 brancos, 2 licorosos e 1 destilado Brandy que também foram agraciados com premiações de destaque! 50,51 -- respondeu orgulhosa de seus conhecimentos

 

A ruiva achou aquilo curioso. -- Enquanto isso, no Brasil as pessoas costumam dizer que os vinhos nacionais são uma droga! -- balançou a cabeça contrariada -- Pura falta de informação aliada à má divulgação do produto nacional. -- pausou brevemente -- Fiquei pasma com seu conhecimento sobre os vinhos do meu país!

 

--Eu aprecio o que é bom. -- jogou um charme -- E há várias delícias provenientes do Brasil que desejo ardentemente provar...

 

Isabela fingiu não entender o sentido real da frase. -- Mas, seja como for, não bebo e não entendo de vinhos ou espumantes.

 

--Não bebe? -- surpreendeu-se -- Imaginei que uma mulher fina como você apreciasse um bom vinho de vez em quando. -- caprichava no típico estilo de flerte das francesas -- Até pensei em convidá-la um dia destes para conhecer Les Caves Du Marais, um aconchegante bar para tomar vinhos e ler bons livros. -- silenciou brevemente -- Imaginei que fosse gostar...

 

--Não bebo... no máximo, aprecio os sucos de uva. -- riu brevemente para disfarçar

 

--Que pena... -- cruzou as pernas -- Seduzi-la vai se tornar mais difícil desse jeito... -- lançou-lhe um olhar insinuante

 

Isa ficou ainda mais sem graça. -- Marrie, eu não quero parecer indelicada mas... -- falava com jeito -- não estou interessada em me envolver com ninguém nem tão cedo. -- olhou para a francesa

 

--Oh, minha querida, por favor. -- segurou uma das mãos dela -- Você é uma mulher livre por opção, até quando ficará solitária?

 

--Comigo não é simples assim... -- recolheu a mão lentamente -- Meu coração ainda não está preparado e não sou do tipo que faz amor por fazer.

 

--Será que se eu aprender português aumento minhas chances? -- brincou

 

A ruiva sorriu e nada respondeu.

 

--Não deveria manter-se nesta solidão por tanto tempo. Duvido que sua ex não esteja acompanhada por agora. -- tentava convencê-la

 

--E ela está... -- respondeu com certa tristeza -- Mas eu dei a ela esse direito, não tenho do que reclamar... -- passou a mão nos cabelos

 

--Não é amadurecendo a tristeza que a dor passará, minha querida. Não sei porque decidiram se separar e nem lhe perguntarei o motivo, mas precisa experimentar um sabor diferente... -- debruçou-se sobre a mesa -- Não lhe faltariam opções ...

 

--Sinto muito, Marrie, mas ainda não. -- novamente recusou de forma polida

 

--Tudo bem! -- ajeitou-se na cadeira -- Sua companhia também me interessa para uma boa conversa. -- pegou o cardápio -- Que tal escolhermos algo para degustar? Os queijos da casa são maravilhosos!

 

--Aceito sugestões. -- sorriu

 

***

 

Dias depois, Isa e Priscila conversavam através da internet.

 

Pri        Mas e aí? Vai ou não vai?

Isa       Não tô nem pensando nessa hipótese...

Pri        Mas por que? Não me diga que essa Marrie é uma porca da texuga cabeluda igual aquela tal de Beatrice???

Isa       kkkkkkkkkkk

Isa       Ainda se lembra disso?

Isa       Não sei como é a ‘texuga’ dela! kkkk

Pri        Eu vi a foto da mulher no teu Face! Maior gata!

Pri        Mas, aqui... ela toma banho? Escova os dentes?? Tem que saber!!! *momento de tensão*

Isa       kkkkk

Isa       Desde que nos conhecemos noto que ela faz essas coisas, sim. Até lava o cabelo com freqüência!

Pri        Uff! O que o amor não faz, hein?

Isa       Amor... Ela não me ama, apenas tá interessada em mim.

Pri        E por que não dá uma chance? A mulher trabalha contigo, é gata, culta, interessante, gosta das coisas do Brasil... Tá até caprichando na higiene pra te seduzir!

Isa       kkk Ai, amiga, eu sei... Mas ainda não dá.

Pri        Por causa da Ed?

Isa       ...

Pri        Pára com isso, Isa! Você mesma falou que ela já se arrumou com Camille! Tá esperando o que pra partir pra outra?

Isa       Não é assim, Pri... Eu a amo!

Pri        Humpf! Deixa quieto...

Pri        E afinal, como soube desse babado forte?

Isa       Minha mãe me disse. Parece que meu pai percebeu que...

Isa       Vamos mudar de assunto?

Pri        Tudo bem.

Pri        Deixa eu te dar uma notícia legal: Pedro, irmão da Pat, me ligou pra dizer que Aline tá grávida! Dois meses!

Isa       Ai, que lindo!!!!!!!

Pri        E ele já comprou um monte de trecos do Vasco pro neném! kkkk

Isa       kkkkk

Isa       E quanto a você? Como vai a vida com Lady e sua pequena Priscila?

Pri        Priscilinha tá ótima, apesar da rebeldia. Mas eu sei lidar com ela e é contornável. Se dependesse só de Lady a menina mandava na casa!

Isa       kkkk

Pri        Tá bem de saúde, bem no colégio e é muito nossa amiguinha. Mas eu ainda não deixo ela usar minha maquiagem! kkk

Isa       Faz bem! Mas e a mãe dela? Você enrola e não diz!

Pri        Lady tem me deixado louca!! Ela me inventou uma campanha do Lady e Pri casadas forever e desde então minha vida virou um inferno!!!

Isa       E o que seria isso?? kkkkk No que consiste essa campanha?

Pri        Consiste em: greve de sex* e uma pressão alucinada pra casar no papel! Ela chegou a ponto de espalhar bilhetinhos pela casa dizendo: “Não esqueça do nosso casamento!”

Isa       Gente! kkk

Pri        Lady cismou que o mundo vai acabar em 21 de dezembro e reclama que não quer morrer solteira!

Isa       Mas minha nossa! Casa logo e acaba com essa agonia, criatura!

Pri        Aiiii!! Até você, amiga? Eu tenho até pesadelo por causa disso!!

Isa       Mas eu não entendo! Se você a ama e já vive como casada com ela, qual o problema? Priscila, vocês duas criam uma menina!!

Pri        Eu sei...

Isa       Então por que não casar?

Pri        Ah, Isa... Dá um medo... Se homens e mulheres costumam a se separar depois de casar no papel, faz idéia um casamento entre duas mulheres! Principalmente se uma delas é Lady Dy da Silva!

Isa       Mas que coisa! Suzana e Juliana se casaram e tão aí vivendo bem!

Pri        Ah, mas elas não contam! Aquelas duas têm aquele tipo de relacionamento que só se vê nos filmes!

Isa       Quer saber? Você é uma grandessíssima medrosa!! :P

Pri        Eu acho que sou! Dá uma folga pra mim, é meu primeiro relacionamento de verdade!

Isa       Você vai acabar fazendo Lady desistir de você... Por que não casar no papel se sabe que é tão importante pra ela?

Pri        Você também não casou!

 

Imediatamente a dentista se arrependeu por ter escrito aquilo.

 

Pri        Mil perdões!!!!!! Sou uma idiota!!

Isa       Tudo bem...

 

Isabela respirou fundo e ficou brincando com a aliança, que lhe servia de pingente desde que terminou com Seyyed.

 

--Se você soubesse o quanto que eu gostaria de ter me casado... -- a ruiva suspirou -- Mas foi melhor assim, Isa. -- falava consigo mesma -- Pelo menos há duas pessoas felizes no Brasil. -- voltou a teclar com a amiga

 

 

16:50h. 18 de agosto de 2012, praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro

 

Seyyed caminhava pela praia. Era um dia frio e uma chuva fina caía sobre a cidade. O vento, que soprava de forma esporádica, levantava folhas soltas e pedaços de papel que rodopiavam no espaço sem destino certo. Tudo era cinza, a começar pelo céu que ocultava o sol, e o ambiente mostrava a desolação típica atribuída ao inverno.

 

Mãos nos bolsos da jaqueta, ela seguia contemplando o mar revolto que parecia refletir o que se passava em seu interior. Ondas iam e vinham sem cessar, chocando-se furiosamente contra as areias da praia e pulverizando gotículas que se misturavam à chuva, trazendo um gosto levemente salgado aos lábios semi abertos. Mar e céu confundiam-se no horizonte monótono, a luminosidade morria devagar e lentamente fechava-se a pálpebra do dia.

 

Ultimamente Seyyed evitava pensar na vida, mas naquele momento não seria capaz disso. Havia tido uma conversa com Olga logo após ter deixado Camille no aeroporto e as impressões do que ouviu permaneceram reverberando em sua mente.

 

“--O que você quer com Camille, minha filha? Me diga o que é que você está fazendo com a sua vida? -- olhava-a nos olhos -- Mal saiu de um relacionamento tão sério e já se envolve em outro?

 

--E o que eu deveria fazer, mãe? Ficar deprimida e sozinha até hoje? -- perguntou agoniada

 

--E por acaso você não está deprimida, Seyyed? -- cruzou os braços -- Ou vai mentir pra mim dizendo que está feliz?”

 

Ed e Camille estavam juntas há dois meses e o relacionamento delas não era mais um segredo. Continuavam vivendo um dia de cada vez, sem cobranças, exigências ou expectativas e isso deixava as coisas mais leves para ambas. Parecia que tudo ia muito bem; pelo menos aparentemente.

 

“--Você a ama, Seyyed? Quanto de você está dando pra ela?

 

--Mãe... -- sentia-se confusa

 

--Por que não pode me responder? Não é capaz disso?

 

--Eu a amo e ela me faz bem! -- falou um pouco mais alto e em seguida silenciou para se recompor -- Quando estamos juntas é como se o mundo parasse, como se os problemas deixassem de existir. Ela me tranqüiliza, me conforta, me anima, me dá prazer... É como se pudesse me ver por dentro da alma e do coração. -- pausou brevemente -- Talvez ela seja a única mulher que me viu de verdade... -- passou a mão nos cabelos -- Não sei quanto de mim entrego nesse relacionamento... Aliás, sei muito pouco de tudo!

 

--Você diz que a ama, -- Olga insistiu -- mas que tipo de amor seria esse? Um amor de almas afins nublado pelas paixões terrenas? Um amor possessivo que ao desconsiderar o outro acaba por amar somente a si? Um amor verdadeiro, de alma, que de tão intenso não consegue acabar ou se transformar em um sentimento fraternal? -- aproximou-se da morena -- Às vezes me parece que você continua egoisticamente presa as suas vontades!52 -- pausou brevemente -- Talvez Camille também esteja...”

 

A mecânica parou de caminhar e ficou mirando o horizonte sem nada visualizar. Seus pensamentos estavam muito longe dali para que os olhos do corpo fossem capazes de ver, limitando-se ao ato mecânico de apenas enxergar.

 

“--Acha que Camille parece triste? -- perguntou chateada -- Todo mundo diz exatamente o contrário!

 

--Não sei até que ponto ela está feliz ou iludida.

 

--Acha que eu a iludo, mãe? -- estava decepcionada

 

--As duas se iludem mutuamente. -- pausou -- Vocês precisam aprender a se libertar...

 

--Libertar do que? -- estava agoniada -- Acha que o sentimento que nos une é uma prisão?

 

--Será amor? Será posse? Será meramente um encontro de almas desequilibradas? -- provocou -- É possível amar pela metade? Será fixação? Ainda não sei responder a essas perguntas, minha filha.52 -- olhava nos olhos dela -- Creio que só vocês poderão... um dia!”

 

Pensava também em Isabela. Em tudo o que viveram, em tudo que aprenderam juntas. O amadurecimento da ruiva ao longo dos anos foi um processo gradual e maravilhoso de se acompanhar, fazendo com que ela se tornasse uma mulher admirável e bem diferente da jovem que conheceu naquela danceteria da Gávea, a qual nem existia mais.

 

“E o que mais deixou de existir?” -- perguntava-se

 

Momentos inesquecíveis e maravilhosos, que tanto prazer e bem estar lhe proporcionaram, pareciam ter se convertido em fontes de distúrbio e dor à medida que eram revividos em sua memória. Como poderia ser assim?

 

A morena sentou-se na areia, não se importando com o fato de que estivesse molhada.

 

“--E quem você ama de verdade, Seyyed? -- Olga perguntou -- Isabela ou Camille?

 

--São pessoas diferentes, sentimentos distintos...

 

--Quando estava com Isa, você se perdia balançada por Camille, agora que está com Camille, você se pega pensando em Isa, que eu sei! -- acariciou o rosto dela -- Nunca estará plenamente com mulher alguma enquanto não deixar de ser escrava de suas próprias vontades!

 

--E como eu faço isso?

 

--Vai ter que descobrir sozinha.”

 

Completamente perdida, sentido-se triste, solitária, imatura e culpada, Seyyed fechou os olhos e chorou.

 

FIM DA SEXTA TEMPORADA - Não foi dessa vez que terminei... Essa sexta temporada foi complexa para escrever na época, eu estava cheia de dúvidas e não sabia com quem Seyyed ia ficar... Também tinha as sugestões das leitoras sobre um monte de coisas e o conto era interativo... A caipira inventou moda e depois se danou para acertar os trem todo! kkk Mas, se depois de tudo isso você ainda estiver viva, lúcida e com paciência para tanto, leia a sétima e última temporada aqui neste site.

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Citações

 

1 – Confúcio

2 – Joanna de Ângelis

3 – Aldous Huxley

4 – Joanna de Angelis

5- Confúcio

6 – Ernesto Cortazar

7 - Siddharta Gautama

8 – John Locke

9 - Provérbio chinês

10 - Malcolm X

11- Lao Tse

12 – T. S. Eliot

13 – Dalai Lama

14 - Goethe

15 – Frase da personagem Sonmi-451, filme Cloud Atlas (A Viagem)

16 - Siddharta Gautama

17 – Joanna de Ângelis

18 - André Luis

19 – Romanos, 2:6

20 - Siddharta Gautama

21 – Goethe

22 – León Tolstoi

23 – Frase da personagem Sonmi-451, filme Cloud Atlas (A Viagem)

24 – Baseado/inspirado na obra de Jon Krakauer: No Ar Rarefeito

25 - Siddharta Gautama

26 - Aldous Huxley

27 - Provérbio Chinês

28 – Gálatas 5:1

29 – 2 Pedro 2:18-19

30 - Provérbio Chinês

31 - Provérbio Chinês

32 – Rachel de Queiroz

33 - Siddharta Gautama

34 – Provérbio libanês

35 – Provérbio indiano

36 – Provérbio Chinês

37 – Autor verdadeiro desconhecido

38 - Provérbio Chinês

39 – Adaptação minha de uma poesia de Victor Hugo

40 – Baseado nas informações apresentadas em http://www.dancandoparanaodancar.org.br/root_br/texto/news/release05.html

41 – Emmanuel

42 – Adaptação minha de uma poesia de Victor Hugo

43 - André Luiz

44 – Baseado nas informações apresentadas em http://www.outraspalavras.net/2011/05/05/a-era-pos-nuclear/
45 – Millôr Fernandes

46 – Madre Teresa

47 – Rachel de Queiroz

48 - Thomas Mertou

49 – Chico Xavier

50 – Baseado nas informações apresentadas em http://www.souagro.com.br/vinhos-brasileiros-seduzem-o-paladar-europeu

51 - Baseado nas informações apresentadas em www.enologia.org.br

52 – Baseado nos comentários da leitora Mnemsis do abcLes

 

Músicas do Capítulo:

[a] Eu Contra a Noite. Intérprete: Kid Abelha. Compositores: George Israel / Paula Toller. In: Surf. Intérprete: Kid Abelha. Universal Music, 2001. 1 CD, faixa 1 (4min37)

[b] Cavalo à Solta. Intérprete: Rua da Saudade. Compositores: José Carlos Ary dos Santos / Fernando Tordo. In: Rua da Saudade – Canções de Ary dos Santos. Intérprete: Rua da Saudade. Farol, 2009. 1 CD, faixa 2 (3min48)

[c] Dançando. Intérpretes: Ivete Sangalo ft Shakira. Compositores: Filipe Escandurras / Márcio Victor / Tierry Coringa. In: Real Fantasia. Intérpretes: Ivete Sangalo ft Shakira. Universal, 2013. 1 CD, faixa 4 (3min50)


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Comentários para 39 - Sexta Temporada - FELICIDADE X:
PaudaFome
PaudaFome

Em: 14/05/2024

Cara que fofa! Como você escreve é fantástico esse conto tinha que ocupar lugar de onra no lettera mas já percebi que nesse meio é uma competição da porra! Muito muito bom vamos a última 


Solitudine

Solitudine Em: 20/05/2024 Autora da história
Olá querida!

Obrigada pelo seu reconhecimento! Fico lisonjeada!

Se há competição, posso apenas garantir que não estou nela. rs

Beijos,
Sol


Responder

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jake
jake

Em: 31/03/2024

Oie Sol Feliz Páscoa. Venho aqui agradecer por todas as emoções, lições e aprendizado adquiridos nessa temporada.Amo e lhe parabenizo por todos os tópicos tratados. Ah não poderia deixar de lhe dizer q foi mto emocionante o texto onde Solitudine se abre com a Maama. Tbm a 1 vez de Cami e Ed.(agora mudei de opinião acho que Ed não merece Camila)acho que há amor sim entre Fátima e Cami só falta elas descobrir. )Enfim tenho tantas coisas pra falar sobre essa temporada que daria um cap.rsrs.Por isso só te digo :

 

SOL VOCE É INCRIVELMENTE MARAVILHOSA UMA ESCRITORA FANTÁSTICA...PARABÉNS E OBRIGADA.


Solitudine

Solitudine Em: 02/04/2024 Autora da história
Olá querida!

Eita que ela completou a maior temporada da série! Fico feliz que tenha gostado; muito feliz mesmo!

Hum, então você acha que o grande amor de Camille é a doce Fátima? Então corre para ler a última temporada e deixe seus comentários aqui para mim, por favor!

Obrigada pelos elogios e gentileza de sempre!

Feliz Páscoa! Que seu coração seja um mundo o Cristo possa renascer todos os dias do ano!
Esse vídeo é de um grupo ao qual não pertenço mas isso não me impede de considerá-lo lindo! Espero que goste: https://www.youtube.com/watch?v=ckcVrHH4bwg


Beijos,
Sol


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Samirao
Samirao

Em: 07/10/2023

Eu amo esse CAPS e essa temporada!!


Solitudine

Solitudine Em: 11/11/2023 Autora da história
Obrigada!
PS: eu também! rs


Responder

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Joanna
Joanna

Em: 29/04/2023

Resolvi comentar antes do "gran finale"!!!

Apesar de já ter lido por ai em comentários spoiler. Kk Mas mesmo assim, vamos ver como a autora desenvolveu o destino dessas mulheres.

Eu particularmente, torcia pela Camille, mas o amadurecimento da Isa, nos levou a dúvida, pois a relação dela com a Ed se consolidou. Ficam as questões, ela priorizou a carreira, a Ed priorizou também seu estilo de vida, incompatíveis. E fica aquela escolha de cortar o mal pela raíz do que tentar e se esborrachar na ponte áerea Rio/Paris?

No lugar da Camille, como está agora, é um prêmio de consolação. Duas na cabeça realmente não é AMOR, pelo menos o que impediria existir dúvidas.

O conto tem toda essa questão de espiritualidade, e como o AMOR não tem explicação, vamos a próxima temporada!


Solitudine

Solitudine Em: 04/05/2023 Autora da história
Olá querida!
Eita, que ela já sabe o final por antecipação! rs Espero que o desenrolar te agrade.
Esse triângulo foi bem complexo e vinha de outros tempos. Coisas que ficaram confusas no espírito e no coração.
Você terminou? Volte para me dizer o que achou, por favor.
E vai que você anima de ler o Tao, CONVIDE-0 e Tempus Agendi? RS
Beijos,
Sol


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Hana Stewart
Hana Stewart

Em: 03/04/2023

Temporada terminando com o triângulo Camille - Seyyed - Isabela no auge de toda inconsistência! De todas as dúvidas, altos e baixos! Temporada magnífica com a preparação dos caminhos pro fechamento final! É a preferida!


Solitudine

Solitudine Em: 08/04/2023 Autora da história
Olá querida,
Esse triângulo, um misto de insegurança, apego, inconformismo e ilusão, precisava de tempo para ser digerido e compreendido. E elas tiveram esse tempo.
Beijos,
Sol


Responder

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Femines666
Femines666

Em: 14/03/2023

Minha nossa senhora das sapas haja coração! Seyyed e Camila se entregam, e que música maravilhosa, e aparece uma francesa na vida da Isa! Não, não,  não autora!!

Todos os ciclos tão se fechando. Tô com todos os dedos cruzados por Seyyed e Isabel e Camille e Fátima!!!


Resposta do autor:

Olá querida!

Continue com os dedos cruzados e aguarde! rs Confia na caipira.

Beijos,

Sol

Responder

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Seyyed
Seyyed

Em: 16/09/2022

Mas tá bem vai? Embora tu tenha separado o casal que AMO, O CASAL, essa temporada também foi foda. Tô com pena de ir pro recomeço mas espero me surpreender lá 


Resposta do autor:

Obrigada, querida!

Será que te surpreendi? Vou descobrir, eu acho! rs

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 16/09/2022

Essa festa... eu disse que ia ser o bixo!! 

Ivone saindo de cena e a mulherada voltando pra Terra ... bem show Irmão da Ju se arrumando com a síndica! Hahaha  Cararra se eu fosse Seyyed mesmo já tinha ido pra França pegar minha ruiva há muito tempo!

Cami tanto provocou que... mas serinho? Faltou um algo mais aí. Casal que não emplacou

E os sonhos da Priscila.... despirocou também. Eu tento gostar dela, aí vem ela e dá mau conselho pra ruiva sempre pra me ferrar! Essa francesa NÃO GOSTEI!!!

Coitada de mim, tô ferrada no coração ?? 


Resposta do autor:

A festa foi um começo...

Eu disse que você às vezes demora um tanto para se decidir! rs

As fãs da ruiva não veem química em você com Camille, não têm jeito.

Priscila está sendo muito pressionada, aí... fazer o que?

Você estava numa situação muito decisiva. Quanto mais demora a se decidir... dá nisso.

Beijos,

Sol

Responder

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Atrevida
Atrevida

Em: 01/05/2022

Pqp que temporada foda!!! Tô com pena de acabar. Torcendo pra nadadora ter chance com a loura e a bailarina firmar a maluca de vez. Muito bom isso aqui! Vou dar uns toque nas mana.


Resposta do autor:

Ah, então você está torcendo pelos casais Camille e Fátima e Isabela e Seyyed? Essa torcida dividiu muito as meninas na época. Vamos ver se você descobre o final ou não. rs

Sim, pode chamar suas manas que eu agradeço.

Beijos,

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 27/04/2020

Solzinha!

 

Sei que estamos vivendo momentos difíceis, diria que até sombrios... Às vezes é complicado ser otimista e ver uma perspectiva de melhora, mas é preciso ter fé, não podemos de forma alguma perdê-la, pois à partir do momento em que a perdemos , a vida perde  o sentido.

Agora é a hora de lutar e enfrentar essa batalha que a vida nos oferece nesse momento e acreditar que tudo vai passar e o sol vai voltar a brilhar. Por mais que hoje esteja tudo cinza e triste, tenho certeza que a vida vai voltar a sorrir e as cores voltarão a brilhar, acredite!! Tente não se abater com tudo o que acontece e nem com as pessoas que só se importam com elas mesmos. Lembre-se de quanto você é forte e especial!

Nesse momento difícil receba  todo meu carinho e as melhores vibrações positivas.

O que eu te desejo de bom, é o reflexo do que sua amizade desperta em mim. Você é uma amiga querida e um ser humaninho muito especial.  Continue sendo essa pessoa iluminada que só faz o bem aos que a cercam.

 

Beijos querida amiga! Cuide-se!


Resposta do autor:

Olá amiguinha!

Obrigada pela mensagem otimista e tão carinhosa.

Não estou pessimista, apenas cansada por certos excessos que tenho que enfrentar, mas a vida é assim mesmo. O saldo para a caipira é muito positivo, sem dúvida.

Você também é uma pessoa muito especial, seja para mim, seja para os seus amores. E a luz está intrínseca a você.

Beijos.

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 27/04/2020

Olá Solzinha tudo bem? Inicio de semana, tá animada?

 

Eita que a Seyyed já começou a festa com má intenção... Kkkkkk... Camille estava lá quietinha na dela com seu coquetel e a mecânica chegou abalando as estruturas e nessa dança... Os verdes nos azuis...

Gente a Ed sofre demais, tadinha da bichinha!

Entendo a preocupação de dona Olga e dona Mari, mas  Ed e Camille são bem grandinhas, sabem onde estão metendo e quando a emoção fala mais alto, nada e nem ninguém consegue fazer com que a razão tenha vez.

 

““Hum... Ela não perde a chance de sonhar um pouco com esse amor!” -- a engenheira pensou antes de se juntar naquele abraço” _ Trevisani, Camille... Kkkkkkk....

Ivone foi uma personagem que sempre gostei muito, adorava os embates dela com Juliana e  Camille, gostaria muito de ter visto a conversa dela com Solitudine, seria bárbaro!!

 

 

Juliana uniu o útil ao agradável,  deixou o apartamento para o irmão e se livrou da dona Soraia, ótimo negócio!

 

“Chove chuva, chove sem parar!”  Ai ai ... Verdes e azuis mergulharam pra valer.

Vou repetir o que disse da outra vez, foi linda a entrega delas,  era como se fosse possível sentir a necessidade de uma suprir o desejo da outra, porém, faltou algo, . Teve clima,  trilha sonora perfeita... Masss faltou química, apesar de todo desejo, carinho e tesão acumulado, não teve química.

 

 

O que não faz a convivência né? Até a Priscila está com uns sonhos loucos... Kkkkkkk....

E acho engraçado esse negócio da Lady chamar a Priscila de amiga.

“Nossa, que coisa suada!” .... Kkkkkkkkkkkk.....

 

 

E os verdes nos azuis, os azuis nos verdes....

 

Fim de temporada, sem dúvida essa foi a temporada onde mais foi gerada expectativa em relação a Camille e Ed e claro em relação a Lady e Priscila.

A cada temporada , os capítulos ficavam melhores e melhores e melhores!

 

Beijosss

 

 

 

 

 

 

 

 


Resposta do autor:

Gabinha!

Estou animada com o feriado, embora tenha labutado muito em casa fazendo os trens domésticos.

Seyyed não foi na má intenção. Na verdade, ela queria ajudar Camille a se soltar e dançar. E como a loura já havia se queixado que a coisa andava complicada para achar alguém para um sapateado com um mínimo de dignidade... achou! kkkk

Coisa de maama, Gabinha. A minha é assim também.

Solitudine com Ivone? Não... nossa amada médica já teve muita figurinha diante de si para aturar mais esta! rs

A solução para dona Soraia ali ao lado e Juliana que não sabia!

Ahá, mas você não percebeu assim na primeira vez! Interessante isso. Bibih comentou isso e outras garotas pró Ed e Isa, mas a metade Ed e Camille não concordaram.

Priscila foi mesmo influenciada! E veja: Lady chama todo mundo de amiga e amigo. O amor da vida dela não passa impune!

Eu sei que esses verdes e azuis abalaram muitos corações...

"A cada temporada , os capítulos ficavam melhores e melhores e melhores!" Obrigada!

 

Beijos,

Sol

Responder

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Gagia
Gagia

Em: 05/02/2018

Esqueci também de comentar que és astuta com paródias. Com o que não és, eis a questão!

Somente aqui entendi porque Seyyed deixava-se perturbar por Camille. Algo que se encontrava mal resolvido. E por que Camille trocava o amor puro da meiga Fátima por incertas emoções trazidas em olhares furtivos. Genial, mui genial.

Parabéns pelo vocabulário de época. Mas fora do Brasil ainda se usa a falar assim em alguns lugares. Poucas pessoas é verdade mas é usado.


Resposta do autor:

Sim, faço paródias. Coisa de caipira! kkk

Eu tentei repetir o português que você menciona. Obrigada 

Responder

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