Sexta Temporada - FELICIDADE VIII
03:10h. 12 de julho de 2011, Edifício Ícaro, Ipanema, Rio de Janeiro
Seyyed sonhava com épocas passadas.
“Havia acabado de participar de uma orgia com três escravas. Todas estavam deitadas em uma enorme cama de casal.
--Vosmicê não te cansas de tantos prazeres? -- Agda perguntou exausta
--Certamente não! Mulheres como tu são meu vício! -- beijou-a. Estava deitada sobre ela -- Todas as vicissitudes desaparecem quando me entrego a tais gozos sublimes. -- sorriu
--Onde anda vossa muié? -- Zilá perguntou agarrando-lhe por trás -- Não poderia ela assim, de chofre, nos surpreender em tamanho deleite? -- mordeu a orelha da morena e puxou-a para que saísse de cima da outra
--A qual delas te referes? -- deitou-se sobre Zilá -- Sabes que tenho várias mulheres... -- beijou-a
--A escritora! -- respondeu sorrindo -- Ela é a principal dentre todas, iaiá!
--Onde ela está? -- Xosa perguntou curiosa -- Não a tenho visto!
--Algures, não sei. Creio que esteja longe! -- virou-se de lado para beijar a escrava que havia acabado de falar -- Não vos preocupeis com possibilidades remotas neste momento! -- beijou-a -- Ela não virá ao nosso encontro!
--E quanto a vosso senhor? -- Agda se sentou sobre a morena -- Não deves provocar a fúria do barão!
--Meu senhor está em São Vicente! -- respondeu sorrindo -- Filinto não me causa temor; ele crê em cada palavra que sai de minha boca, por mais torpe que seja!
--Deves garantir a ele prole numerosa pelo bem de tua família! -- Xosa lembrou -- Até agora teu ventre não pariu um menino sequer, sinhá!
--Não me recordes quanto à obrigações, assim te peço! Já me basta suportar Filinto. -- fez uma cara feia que logo se desmanchou -- Devias refrescar minhas memórias com os sons de teus gemidos de gozo. -- sorriu e puxou Xosa para perto de si, provocando seus risos
--Vosmicê andas a cortejar a bailarina de França! -- Zilá comentou maldosa -- Mas ela não se rendeu aos vossos encantos... -- arranhou o braço da morena
--Ainda! -- sorriu -- Ainda!
Nesse momento a porta se abre e uma bela e jovem mulher entra no quarto nitidamente furiosa. As quatro amantes surpreenderam-se assustadas.
--Eu sabia que tu eras capaz de cometer despautérios como este, -- falava controlando-se para não chorar -- mas imperioso era ver com meus próprios olhos! -- olhava para as mulheres com desgosto -- Não te envergonhas de promover esbórnias com escravas sob o teto de teu senhor? -- perguntou encolerizada -- E quanto a vós outras? -- dirigia-se às negras -- O que estais a esperar?
As escravas se agitaram para se retirar, recompondo-se rapidamente, enquanto que a morena levantou-se e buscou o vestido para se cobrir. Nada falavam. A escritora mantinha seus olhos sobre ela.
Quando as negras se retiraram, a jovem dirigiu-se a amante e perguntou: -- Até quando vais viver deste modo vil e mesquinho? -- não conseguiu evitar a fuga de uma lágrima -- Até quando serás uma estranha ao amor?
Sentiu uma imensa dor ao ver a escritora chorar. Vergonha e arrependimento invadiram sua alma. -- Não digas isso! -- pediu súplice -- Eu te amo, e só a ti!
Repentinamente sentiu o tapa estalando em seu rosto.
--Não digas que tu me amas, pois não sabes o que é isto! Maldita hora em minha vida em que me permiti apaixonar-me por ti! -- retirou-se do quarto
A morena cobriu a face esbofeteada com a mão e chorou.”
--Ah!!! -- Seyyed acordou nervosa e se sentou -- "Meu Deus, que sonho foi esse?” -- pensou enquanto esfregava o rosto com as mãos -- "Preciso conversar com mamãe!” -- olhou para ruiva, que permanecia dormindo -- "O que tudo isso significa?” -- perguntava-se
***
--E foi isso, mãe! -- Ed andava de um lado a outro da sala -- Acordei de madrugada depois desse sonho, que foi muito real! -- olhou para Olga -- Eu era capaz de sentir a maciez da pele daquelas mulheres sob minhas mãos! -- parou de andar e passou a mão nos cabelos -- E quando levei o tal tapa no meio da cara pude sentir a dor! -- pausou -- E doeu! -- balançou a cabeça enfatizando
--Pode ter sido uma lembrança de uma vida anterior. -- cruzou as pernas -- Interessante que esse sonho se relaciona muito bem com aquele sonho que Isa teve há tempos atrás.
--Pois é! Ela é a tal artista francesa! -- achou graça -- E agora a França a chama de volta... Realmente tem tudo a ver!
--E a jovem escritora? -- olhava para a filha -- Poderia ser Camille... -- arriscou
--Camille? -- riu brevemente -- E desde quando ela escreve? Além do mais, ela é muito objetiva pra isso!
--Escritores não podem ser pessoas objetivas? -- não entendia a colocação
--Claro que sim, mas... -- ficou pensando -- Não, ela é objetiva demais pra romantizar! -- descartou a hipótese
--Ai, Seyyed, às vezes você é tão cega... -- balançou a cabeça discordando -- Camille é uma das jovens mais românticas que eu conheço. É que ela é muito reservada e até hoje você não se permitiu ver quem realmente está ali.
--Ah, mãe, não sei! -- voltou a andar por lá e cá -- Desde o final do ano passado eu não entendo mais nada! -- respirou fundo -- E também tô muito pra baixo! Meu casamento vai acabar e isso tá me matando! -- sentou-se na poltrona ao lado de Olga -- Eu me sinto vivendo em uma terrível contagem regressiva!
--Seu casamento não tem que acabar porque Isabela vai passar uma temporada fora.
--Temporada fora?! -- olhou surpresa para a mãe -- Ela nunca mais volta a morar aqui, escuta o que eu digo! -- cruzou os braços e se encostou na poltrona -- O Governo francês vai bancar uma escola de dança e uma companhia de balé contemporâneo que ela vai fazer acontecer e deixar do jeitinho que sempre quis! -- olhou para Olga novamente -- Quando Isa me disse que ia preparar a coisa toda e deixar nas mãos de uma substituta eu tive vontade de rir! Ela nunca teria coragem de fazer isso e nem os franceses iriam aceitar que fizesse! -- balançou a cabeça negativamente -- Acredita que ela vai largar esse sonho pra lá? Duvido! Ninguém largaria! -- suspirou
--E ela ainda afirma que fará isso? Essa coisa de preparar uma substituta e voltar pra cá?
--Ela não afirma ou nega mais coisa alguma! -- apoiou os cotovelos sobre os joelhos -- Mas o que me matou mesmo, foi que não quis se casar comigo quando pedi! -- olhava para o chão -- Foi depois do casamento da Ju. Eu pedi pra que ela se casasse comigo, à vera mesmo! E ela disse que precisava pensar... -- olhou para a mãe -- Acredita que até o pai dela veio me perguntar porque a gente não casou até agora? -- pausou e abaixou a cabeça -- Ele ficou bobo quando eu disse que ela não topou!
--Isa está dividida entre você e a carreira. -- começou a fazer carinho na cabeça da filha -- Mais uma vez...
--Eu sei que devo deixá-la ir... mas cadê vontade? -- uma lágrima rolou-lhe pelo rosto -- Eu a amo! Não quero perdê-la! -- não resistiu ao choro
--Ah, meu amor... -- ficou com pena -- Deita aqui no colo da mamãe! -- a morena obedeceu -- Ah, meu bem... -- beijou a cabeça dela
--Eu me sinto como se... -- chorava -- como se eu vivesse atrapalhando a vida dela... mas eu não consigo, mãe... Isa é tudo que eu sempre quis... -- soluçava -- A gente se dá tão bem...
Olga nada respondeu. Abraçada à filha, deixava que desabafasse naquele choro saudoso por antecipação. Orava mentalmente para que Deus a ajudasse a saber deixar a ruiva decidir o que fosse melhor para a própria vida.
***
Isa chorava no colo de Ana.
--Ah, meu bebê, não chora! -- estava abraçada com a filha -- Eu não gosto de te ver assim... -- beijou a cabeça dela -- E Dalvas não choram!
A ruiva acabou achando graça. -- Ai, mãe... -- sentou-se e passou a mão nos olhos -- Só você pra me fazer rir num momento desses... -- balançou a cabeça negativamente
--Isa, eu não entendo porque você nunca ouve meus conselhos! -- olhava para a bailarina -- É tão simples resolver tudo isso! -- falava gesticulando -- Case com Seyyed, vá pra França, providencie a adoção de uma neném, fique indo e voltando, Seyyed também viaja pra Paris sempre que puder e domine o mundo, pronto! -- concluiu como quem falava o óbvio
--Ah! -- riu de novo -- Domine o mundo... -- achava graça -- Ai, mãe, queria que fosse tão fácil assim... -- levantou-se do sofá -- Depois que eu for, tudo entre nós vai acabar. Não vai ser hoje nem amanhã, mas aos poucos... -- passou a mão nos cabelos -- E isso me dói tanto... Seyyed é tudo que eu poderia querer... -- suspirou -- Ao mesmo tempo, eu simplesmente não consegui dizer não à proposta dos franceses! -- olhou para a mãe -- Eu abri mão de meus sonhos uma vez e sei que tomei a decisão certa, mas agora surge uma nova chance pra mim... sei que será a última!
--Então aproveite a oportunidade e coloque a França a seus pés! -- levantou-se da poltrona resoluta -- Mas não entregue Seyyed assim de bandeja praquela loura sem sal! -- pôs as mãos na cintura -- Você pode ter tudo, minha filha, não precisa fazer escolhas!
--Não dá pra conciliar as duas coisas, mãe! -- respondeu agoniada
--Então você já decretou que é o fim! -- retrucou revoltada -- Isa, pelo menos uma vez deixe de ser tão cabeça dura! -- segurou-a pelos ombros -- Seyyed é uma mulher como poucas, não abra mão dela! -- olhava-a nos olhos -- Case-se com ela e não saia desse país sem fazer isso!
--Mãe... -- sentia vontade de chorar novamente
--Você a ama?
--Claro que sim! -- derramou uma lágrima -- Do contrário não iria sofrer desse jeito!
--Então lute por ela! -- apertou os ombros da ruiva -- Eu lutei pelo seu pai por anos a fio e veja no que deu! Estamos juntos e felizes!
--Eu não sou assim! -- argumentou -- Não toleraria o que você engoliu!
--Mas com Seyyed você não tem o que tolerar! Ela não te trai e te ama demais!
A bailarina fechou os olhos e chorou contidamente. “Será que ama mesmo? Será que não é companheirismo, carinho, desejo, tesão?” -- pensava -- "Às vezes acho que Seyyed ainda não sabe amar de verdade... Seja Camille ou seja eu!”
***
A secretária havia acabado de partir e Priscila preparava-se para fechar o consultório quando uma pessoa conhecida entra correndo.
--Tia Pi!!! -- pulou no colo da morena -- Surpresa!!!
--Meu Deus!! -- sentiu o coração acelerar -- Priscilinha?? -- sorriu estupefata enquanto abraçava a criança -- O que você tá fazendo aqui?? -- beijou a cabeça dela -- Cadê sua mãe?
--Quem me chamou, -- Lady aparece na porta fazendo um tipo -- quem vai querer voltar pro ninho? Redescobrir seu lugar... -- lançou um olhar fatal
--Mas o que...? -- achou graça -- O que vocês fazem aqui, criatura? -- não entendia
--Nós moramos aqui, Priscila. -- respondeu calmamente -- A mudança toda chegou há três dias atrás. -- caminhou para dentro do consultório -- E deu um trabalho danado porque a gente tem é troço, vou te contar! -- desabafou enquanto reparava no ambiente -- Esse consultório até que é legalzinho...
--O que????? -- estava em choque -- Vocês vieram morar aqui?????
--Vem morar com a gente, tia Pi! -- a menina pediu -- A casa é bonita e tem florzinha!
--Tem florzinha, meu amor? -- beijou a cabeça da garota novamente e riu
--Uma casa muito da boa, diga-se de passagem! -- Lady complementou orgulhosa -- O melhor de tudo é que o dinheiro que usei pra dar de entrada nela não dava nem pra pegar um muquifo no Rio de Janeiro. -- pôs as mãos na cintura -- Amiga, que economia! Nessa, eu me dei bem! -- balançava a cabeça
--Mas, Lady, que loucura é essa de ter vindo morar aqui? -- não conseguia acreditar naquela situação -- E o seu trabalho e o colégio dessa menina?
--Mas eu tenho colégio! -- Priscilinha argumentou -- Mamãe já viu isso!
--É?? -- olhou espantada para a engenheira
--Eu sou antenada, filha! -- respondeu se exibindo -- Perspicácia é meu nome do meio! -- jogou os cabelos
--Mas e teu emprego, mulher? -- insistiu
--Pedi demissão. -- falou naturalmente olhando para as unhas
--Mas, Lady, que loucura é essa?? -- estava indignada
--E fui contratada por essa fundição que tem aqui na cidade. -- passou a mão nos cabelos -- Eles precisavam de uma engenheira de peito pra botar ordem na casa! -- apertou os próprios seios -- E peito não me falta!
--Gente, eu tô boba... -- colocou a menina no chão -- Mas... e essa menina, Lady? Você veio pra cá com filha pequena e...
--Priscila... -- aproximou-se da morena e pôs os dedos delicadamente sobre os lábios da dentista -- Priscilinha vai estudar aqui e viver a vida dela nessa cidade igual você fez. -- olhava nos olhos da morena -- E quando ela tiver idade pra ir pra faculdade, vai estudar no Rio ou em qualquer outro lugar que seja interessante, assim como nós fizemos. -- acariciou o rosto da morena -- E ela vai dividir apartamento com amigas, vai aprender um monte de coisas, amadurecer e, se tiver sorte, o que eu espero que tenha, vai encontrar um alguém especial pra viver um grande amor...
A dentista sentia-se presa no olhar de Lady. -- É você mesma? -- perguntou abobalhada -- Eu tô sonhando, você é um clone, eu tô doida, o que tá acontecendo aqui? -- estava atônita -- "Lady falando normalmente, sem fazer confusão, gritar ou dar rodopio... Mal posso acreditar!” -- pensava
--E então, tia Pi? -- puxou a morena pela perna da calça e ficou olhando para ela -- Quando é que você vem??
--Ah, meu amor... -- abaixou-se -- Não é bem assim... A tia Pi mora com os pais, que você conhece, e não dá pra sair de casa desse jeito... -- olhava para a menina -- E outra coisa, Lady... -- olhou para a engenheira -- E aquele tal de Ricardo? Que fim levou? -- perguntou curiosa
--Dançou! -- Priscilinha respondeu satisfeita
--Dançou?! -- achou graça
--Eu cansei daquela vida de Gepeta e dei um basta! -- respondeu com raça -- Tudo que ele queria me dar, era demais! Era pesado, não tinha paz! -- fez um ar solene -- Tudo que queria de mim... Irreais! -- pausou brevemente -- Expectativas desleais!
“Hum, então ela terminou com aquela bomba...” -- pensou
--Olha, amiga, o recado tá dado! -- Lady afirmou enfática enquanto retirou um papel do bolso da calça -- Esse é o nosso endereço! -- entregou para Priscila -- Qualquer coisa, já sabe... -- piscou
--Eu mal posso acreditar! -- olhava para mãe e filha sem saber o que dizer
--Pois acredite que é verdade! -- sorriu feliz -- Por tanto amor, por tanta emoção, a vida me trouxe aqui. -- gesticulava -- Doida ou atroz, mansa ou feroz, eu vim pra Piraí! -- começou a rodopiar -- Amiga, não temos nada a fazer senão esquecer o medo, oi, oi... Ui! -- esbarrou na cadeira de dentista e quase derrubou o suporte da luminária
--Lady, isso aí custa dinheiro, quer parar de rodopiar?? -- pediu enfurecida ao se aproximar da cadeira -- Quer esquecer o medo, esquece, mas não me dá prejuízo!
--Ih! -- olhava sem graça para os equipamentos
Priscilinha ria. -- Mamãe é engraçada!
***
Lady havia terminado de cuidar das obrigações do lar. Era sábado e Priscilinha estava no Rio passeando com Olga, Mariano e Ricardinho. O casal havia pedido à engenheira que deixasse a menina participar de um evento de férias escolares, pois aconteciam vários deste tipo em alguns shoppings da cidade ao longo do mês de julho.
“Priscila veio aqui visitar a gente uma única vez pra nunca mais...” -- pensou decepcionada -- "É, Lady... como dizia Ricardo: some things are meant not to be...” -- suspirou
Sentindo-se abandonada e solitária, a engenheira foi até o rádio e decidiu desabafar com música.
--Dessa vez eu quero ouvir uma coisa que me dê esperança! -- pegou um de seus CDs -- Quero ouvir uma música que traga uma mensagem profunda! -- colocou o disquinho para tocar -- Algo que me toque n’alma! -- aumentou o som e começou a cantar junto -- Tudo pode ser, se quiser será, -- dançava lentamente -- sonho sempre vem pra quem sonhaaaaaarr!!! -- rodopiou -- Tudo pode ser, só basta acreditar, tudo que tiver de ser será!! -- esfregou-se na porta da sala e a abriu -- Gente, eu preciso botar pra fora! -- pulou pelo quintal -- Tudo que eu fizer, eu vou tentar melhor do que já fiz, -- rodopiava entre as roseiras -- esteja o meu destino onde estiver, no Rio de Janeiro ou Piraí!!
https://www.youtube.com/watch?v=WYqrvKgFgmM
Priscila subia a rua de táxi. Antes de chegar na casa já podia ouvir a voz de uma mulher cantando a plenos pulmões embalada pela música.
--Nossa, tem uma aí que gosta da loura, viu? -- o motorista comentou achando graça
“Ô, meu Pai, que não seja Lady!” -- pediu em pensamentos olhando para cima
“Vamos com você,
Nós somos invencíveis,
Pode crer...”
--Cantem, minhas Paquitas, comigo, vai! -- imaginava Isabela, Tatiana e Jaqueline vestidas com roupas de soldadinho
“Todos somos um,
E juntos não existe mal nenhum,
Vamos com você,
Nós somos invencíveis,
Pode crer...”
--O sonho está no ar, -- cantava e rodopiava -- é muito amor pra daaaaarr!!!!
O táxi parou na porta da casa.
--Ih, mas é aqui a cantoria! -- o taxista comentou divertido
“Ai, meu Deus, será que eu tô fazendo um bom negócio?” -- Priscila pensou preocupada
--Lua de cristal, que me faz sonhar, faz de mim estrela, -- apertou os seios -- que eu já sei brilhaaaarr!!! -- fechou os olhos rodopiando
A dentista observava a dança enquanto o motorista retirava suas malas do bagageiro. “É essa loucura que você quer pra sua vida?” -- a morena se questionava
--Lua de cristal, nova de paixão, traz minha Priscila, cheia de emoção!!! -- desequilibrou-se no rodopio -- Ui!! -- caiu no meio do canteiro
--É aqui mesmo, moça? -- perguntou desconfiado ao ver Lady caída
--É! -- respondeu decidida -- É dessa loucura que eu preciso na minha vida! -- pagou a corrida e sorriu balançando a cabeça -- É exatamente aqui onde eu quero ficar!
O homem entrou o carro e foi embora. A dentista posicionou as duas malas em frente ao portão.
Lady, alheia a tudo isso, levantava-se espanando a terra do corpo.
“Tudo que eu fizer,
Eu vou tentar melhor do que já fiz,
Esteja o meu destino onde estiver,
Eu vou buscar a sorte e ser feliz...”
--Ô de casa! -- Priscila chamou sorridente, fazendo com que Lady olhasse espantada para o portão
--Amiga?! -- sorriu emocionada
--Aqui a pessoa fica do lado de fora, é? -- continuava sorrindo
--Ai, meu Deus!! -- correu para abrir o portão
“Vamos com você,
Nós somos invencíveis,
Pode crer...”
--Você trouxe malas!! -- olhou animada para as bagagens da outra
--Ainda vou trazer mais coisas. Por enquanto só tem o básico pra uma semana! -- colocou as malas para dentro
“Vamos com você,
Nós somos invencíveis,
Pode crer...”
--Ai, amiga!! -- cobriu os lábios emocionada -- Eu não acredito que você veio!! -- pulava
--Já perdi tempo demais! -- respondeu seriamente
“Lua de cristal,
Que me faz sonhar,
Faz de mim estrela,
Que eu já sei brilhar...”
--Eu te amo, Lady! -- olhava nos olhos da outra
--Nossa, que coisa TUDO!! -- lançou-se nos braços da morena -- Também te amo, Priscila!! -- sorria feliz -- "Gente, essa música tem poder!” -- pensou impressionada -- "Obrigado, meu Deus!!” -- fechou os olhos -- "Valeu a força, minha rainha loura!!”
“Lua de cristal,
Nova de paixão,
Faz da minha vida,
Cheia de emoção...”
Lua de Cristal - Xuxa [a]
(Nota da autora: GabiRegi, obrigada pela inspiração!)
***
Lady e Priscila estavam na cama, deitadas de lado, uma de frente para a outra. As mãos brincavam enquanto elas tentavam capturar o polegar uma da outra.
--Ah, não vale! -- protestou quando seu dedo fico preso
--Eu era fera nessa brincadeira, Lady! -- sorriu
--Você sempre pega o meu dedo e eu não acerto pegar o seu! -- reclamou
--E sei pegar tudo que quero! -- respondeu com um sorriso malicioso
--Ai, mas sabe mesmo! -- sorriu apaixonada -- Você é o máximo!
Priscila puxou a amante para mais perto de si e a beijou demoradamente. -- Nós somos!
--Nossa, você beija tão bem! -- sorriu embevecida -- Sabe... -- deslizou o dedo ao longo do pescoço da outra -- eu não tive tantos amantes assim... Foram só quatro, mas... nunca foi tão bom com nenhum deles como é com você! -- olhou para a morena
--Eu também nunca tinha sentido algo assim tão especial... -- acariciava o rosto da engenheira -- Você foi a única pessoa com quem fiz amor a vida toda...
--Com quantos homens esteve? -- perguntou curiosa
--Vários... -- continuava com suas carícias -- eu demorei muito pra perceber uma coisa que Isa diz que Seyyed fala: “sex* não é coisa para se brincar.” -- pausou brevemente -- Mas agora eu quero só você! -- sorriu -- E não vejo a hora de nossa menina chegar!
--Ai, mas Priscilinha vai amar saber que você veio pra morar com a gente! -- respondeu animada -- Amanhã dona Olga e seu Mariano vão chegar com ela por volta de umas duas ou três da tarde!
--A única coisa boa de você ter namorado aquela bomba foi essa proximidade com eles. Dona Olga e seu Mariano são boas influências pra nossa pequena linda de gênio difícil!
--Eu me identifico tanto com dona Olga, sabe Pri? Nós duas somos iguais em tudo! -- afirmou convicta
--Ah, é... -- achou graça -- Idênticas!
--A única diferença é que ela prefere os coroas dos olhos verdes e eu, as morenas dos olhos negros! -- sorriu e beijou-a
Priscila deitou-se por cima da amante e o beijo seguiu mais quente.
--Ah... -- a engenheira gem*u enquanto sentia os lábios da morena percorrendo seu corpo devagar -- Ai, Pri... -- segurou-a pelos cabelos
A morena começou a explorar os seios da parceira enquanto as mãos seguiam livres pelo corpo dela.
--Ai... -- gemia -- Quando é que você... ai... vai trazer tudo e morar aqui de vez? -- fechou os olhos
--Calma, Lady... -- mordiscava os mamilos da outra -- Não foi... fácil... sair de casa! -- brincava com o seio da outra
--E... quando é que... você vai ser... minha marida... de papel passado? -- perguntou entre beijos -- Eu quero... casar... amiga!
--Calma... não é tão... simples assim! -- tentava acalmar a fúria casamenteira respondendo entre beijos
--Eu quero... festa! Ai, ah! -- gemia -- Ai, mas você é tão... ah!! -- sentia o toque da morena -- Dona Olga vai... fazer... a parte religiosa! -- estava excitada -- Quero... ai! Convidar todas as nossas... amigas!! Ah!!
--Calma... -- beijou-a -- Vamos nos concentrar em outras coisas agora! -- olhava para a outra cheia de desejo
--Quando que a gente casa? -- insistiu
Priscila interrompeu o que fazia e respirou fundo antes de responder contrariada. -- Mas será possível que você só pensa em casar?
--E você só pensa naquilo! -- desvencilhou-se da morena e se sentou -- Eu não vou ficar dando mole pra você, viu? -- cobriu-se com o lençol -- Deixei que acontecesse porque eu tava com saudades, mas agora é papo sério! -- passou a mão nos cabelos -- Tô com 30 anos, amiga, quase 31! -- enfatizou -- Sou mãe e mulher! -- cruzou os braços e fez cara feia -- Quero casar!
A dentista se sentou também e ficou olhando para a outra. -- Como acha que foi ter abordado meus pais, que a vida inteira souberam que eu era hetero e com fobia de casamento, pra dizer que eu ia sair de casa pra viver contigo? -- passou a mão nos cabelos -- Não foi nada fácil! -- afirmou enfática -- A conversa foi tensa e... eles ficaram desesperados! -- explicava -- Eles estão com medo da reação da nossa família, dos amigos, das fofocadas que virão, das zombarias... -- pausou -- Eu entendo, porque também tenho meus medos... e nunca fiquei brigada com meus pais. Não quero que eles fiquem de mal comigo!
--Eu bem sei como é isso... -- respondeu com tristeza -- Se meus pais me enxotaram porque engravidei solteira, imagine se soubessem que estamos juntas... -- olhou seriamente para a morena -- Estamos, não é, Priscila? -- perguntou preocupada -- Você é minha marida, não é?
--Marida... -- riu brevemente e balançou a cabeça -- Eu vim morar com vocês pra valer, Lady. E sim, eu tô contigo! -- olhava nos olhos da amante -- Mas me dá um tempo que vou trazendo minhas coisas aos poucos.
--E a gente vai casar? -- insistiu novamente -- No papel? Agora pode, que eu sei!
--Me dá um tempo... -- pediu delicadamente -- Eu não tô te enrolando, juro! -- percebia a insegurança da outra -- Vem cá? -- segurou uma das mãos dela e puxou-a para perto -- Vem? -- sorria
--Hum... -- fez um charme
Tomada pelo medo de um futuro tridivórcio, Lady projetou-se em sua realidade paralela.
Vestia uma túnica de tecido azul, com os fartos seios sobressaindo no decote. Priscila vinha vestida de malandra carioca: calças e sapatos brancos, blusa listrada e chapéu de panamá.
--Priscila, você faz de conta, que quer meu perdão, -- lançou um olhar solene --
Mas depois apronta, no meu coração... -- jogou os cabelos
--Vem cá, minha querida! -- Priscila insistiu -- Agora vai ser diferente! -- a engenheira veio e se sentou no colo da dentista, entrelaçando as pernas na cintura dela -- Eu não tô aqui pra me aproveitar dos seus sentimentos. Tô aqui porque é com você que quero ficar! -- segurou o rosto da outra -- Depois de muitas dúvidas e conflitos interiores eu acordei e finalmente vim! -- pausou -- Eu te amo, Lady! -- falava com sinceridade
Sentiu o coração acelerar. -- Mesmo eu sendo tão maluca? -- perguntou receosa
--Do jeito como é! Você é tudo que eu precisava na minha vida! -- olhava nos olhos dela
“Desarruma tudo,
Fazendo arruaça...”
--Nossa, que coisa apaixonada! -- suspirou abobalhada e envolveu o pescoço da morena com os braços
--E nós vamos criar nossa filha juntas! -- beijou-a -- Porque Priscilinha é nossa filha! Minha e sua! Desde o começo foi assim! -- falava com sentimento
--Nossa, que coisa materna! -- exclamou emocionada
“Me põe quase louca,
De tanta pirraça...”
--Priscilinha será uma grande mulher, você vai ver! E vai ter uma vida maravilhosa! -- sorria -- Um dia, quando a maturidade ou a velhice fizer com que seus pais e Charles pensem nas próprias vidas, eles irão se arrepender e vão procurar por você e pela menina! -- acariciava o rosto da outra -- E vão se envergonhar ao perceber que ela venceu sem precisar deles!
--Nossa, que coisa profética! -- sorria feliz
“Com os carinhos,
Que dá sem favor...”
--E você quer casar comigo? -- beijou-a -- Enquanto não fazemos isso no papel, podemos fazer do modo mais importante: no coração! -- sorriu também
--Ai, amiga, você fala cada coisa que me deixa besta de amor... -- suspirou
“Tira meu escudo
Me põe indefesa...”
Priscila abraçou a amante com força, colando os corpos e acariciando as costas dela. --Você quer casar comigo? -- beijou-a -- Eu quero casar com você, Lady Dy da Silva! -- beijou-a mais uma vez -- E quero criar Priscilinha junto contigo até o fim!
--Ai, eu quero casar com você também!! -- beijou-a repetidas vezes -- Eu te amo, Priscila Toledo Galvão! Te amo, te amo, te amo!! -- sentiu os olhos marejarem
--Chora, não... -- secou os olhos da engenheira com carinho -- Faz amor comigo e esquece do resto! -- beijou-a -- Vai dar tudo certo!
--Ai, é muito amor!!!! -- beijou-a mordendo-lhe os lábios e sorriu -- E um queimor... -- beijou-a com ardor
“Me deixa acesa,
Com água na boca,
Carente de amor...”
Perdida entre beijos e carícias provocantes, Lady viu-se novamente em sua dimensão paralela.
--Garota , marota, travessa, no jeito de amar! -- cantava com Isabela, Tatiana e Jaqueline ao fundo -- Faz de mim, seu pequeno brinquedo, querendo brincar... -- apertou os próprios seios
Priscila deslizou a mão pela coxa da amante e seus dedos encontraram o sex* molhado esperando para ser tomado. A outra mão apertava um seio com força, enquanto a boca faminta beijava, mordia e sugava lábios, pescoço e orelha da engenheira.
--Ahh!!!! -- gem*u alto ao sentir a penetração da parceira -- Ai, amiga... -- fechou os olhos
--Garota! -- rodopiava ensandecida, túnica ao sabor do vento -- Vem amor, vem mostrar o caminho, do que? -- perguntou para as backing vocals
--Da doce ilusão... -- responderam fazendo a dancinha
A dentista mudou as posições e deitou a ambas na cama, percorrendo o corpo de Lady com beijos, lambidas e suaves mordidas. Não parava de penetrá-la com os dedos.
--Ai, ai, ai!!! -- gemia -- Ai, meu Pai... É muito amor...
A morena mergulhou entre as pernas de Lady e começou a provocá-la com a língua.
--Só você -- berrava -- pode ser a dentista do meu coração! -- e rodopiava em seus sonhos
--Ah!!! -- arqueou as costas e puxou os lençóis ensandecida. Sentia as mãos da amante provocando seus seios -- Ai, amiga!!!! Ô, meu Pai, where am I? -- perdia a pouca noção que lhe sobrava
--Garota, marota, travessa, no jeito de amar! -- cantava alto e dançava em seu mundo virtual -- Faz de mim, seu pequeno brinquedo, querendo brincar... -- e tome de rodopio
Sentindo que a engenheira estava perto do orgasmo, a dentista abriu bem as pernas dela e se posicionou entre elas como se fossem dançar. Com uma das mãos segurou a cintura da amante e pediu olhando em seus olhos: -- Mexe comigo! Vem! -- começaram a se esfregar como se rebol*ssem
--Nossa, que coisa picante! -- exclamou excitada -- Garota! -- gritou
E rodopiava alucinada seguida pelas amigas. -- Vem amor, vem mostrar o caminho... -- olhou para as garotas -- Do que? Canta depressa, gente, que eu tô quase chegando lá, ui! -- pôs as mãos sobre o sex*
--Da doce ilusão... -- elas se abanavam
--Vem! -- Priscila pedia com desejo -- Assim... -- fechou os olhos
Em poucos minutos as duas chegavam ao orgasmo.
--Só você, -- berrava na vida real -- pode ser a dentista do meu coração! -- sorriu com os olhos fechados
Garoto Maroto - Alcione [b]
“Mas é a gente fazendo amor e Lady pensando em Alcione!” -- a dentista revirou os olhos -- "Ai, que essa mulher vai me deixar maluca...” -- acabou achando graça
--Tira meu escudo... -- Lady ainda balbuciava apaixonada
***
Tatiana conversava com um empresário, no escritório dele, em Goiânia. Após os cumprimentos de praxe o homem decidiu entrar no assunto que motivou aquele convite.
--Eu soube que você trabalhava na afiliada que a TV Mundo tem aqui na capital, -- cruzou as pernas -- e que pediu demissão por causa do que descobriu nas Fazendas Calabreza. -- olhava para a jovem -- Parece que eles usavam um produto cheio de benzeno, que por sua vez vinha para o Brasil por motivos nada nobres...
--É verdade. -- respondeu um pouco desconfiada
--E isso acabou sendo muito bom pra você, porque as investigações cresceram e se transformaram naquele trabalho fantástico que ficou conhecido mundo afora como o documentário The Drug Empire! -- sorriu
--Obrigado pelo fantástico. -- agradeceu ainda desconfiada
--Você também fez trabalhos ótimos durante o tempo em que foi âncora da DDC de Londres. Ganhou prêmio lá fora e tudo mais!
--Vejo que o senhor anda bem informado sobre mim! -- sorriu enquanto analisava os gestos do homem
--Ah, sim! -- balançou a cabeça -- E aquele trabalho sobre magia negra, muito bem casado com o mistério do psicopata místico sendo desvendado! -- levantou os braços como se estivesse em um show -- Bravíssimo! -- abaixou as mãos -- Rendeu mais prêmios e o convite para ingressar no ICIJ. -- simulou estar batendo palmas -- É impressionante!
--Também estou impressionada com o conhecimento que o senhor tem sobre o meu trabalho. -- queria entender os objetivos dele
--Recentemente você publicou mais uma reportagem pesada na revista Isso Vai! -- abriu a gaveta e pegou o fascículo -- Eu li e fiquei bobo! Em pouco tempo os bandidos criaram novas rotas para o crack e você já desvendou uma boa parte delas.
--Tive ajuda preciosa de meus contatos! -- pensava em Suzana e Romeu
O homem abriu a revista e leu um trecho: -- “Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Brasil é o maior mercado consumidor de crack do mundo!” -- fez cara de surpresa -- “O levantamento foi feito pela Agência Brasil com base em informações das polícias ou de notícias de jornais no período de 1º de março a 3 de maio deste ano.” -- olhou para a jovem -- E você já dizia, desde 2006, que o crack seria o grande câncer desse país! -- lembrou admirado
--Eu não sei no que o senhor acredita, mas a Espiritualidade Maior nos advertiu sobre isso com muita antecedência. Temos que tomar providências sérias, porque o crack é extremamente letal, incapacitante e não respeita idade, gênero, condição social ou qualquer coisa!
--Tenho filhos e isso muito me preocupa. -- colocou a revista sobre a mesa
--Mas... deixa eu perguntar, por que o senhor me chamou aqui? -- decidiu ser direta -- Não foi pra discutir minha trajetória profissional e nem pra falar do problema do crack...
--Certamente não! -- sorriu -- Ou sim, os assuntos estão relacionados. -- levantou-se e começou a caminhar pela sala -- Depois de anos pleiteando, eu consegui reaver meus direitos sobre aquela afiliada onde você trabalhou e ela não faz mais parte do sistema TV Mundo. -- parou diante da repórter -- Agora está no sistema TV Brasil!
--Sim? -- continuava sem entender
--Estou precisando de uma produtora executiva pra minha emissora. -- cruzou os braços -- Será que aceitaria?
--O que???????? -- levantou-se e arregalou os olhos
--Quero que faça uma programação que mostre a verdade, doa a quem doer! Sem sensacionalismos, -- gesticulava -- notícias verdadeiras e inteligentes! Quero fomentar a criação de algo diferente nesse país! -- falava com empolgação -- Meu pai teve a carreira destruída por causa de mentiras contadas pela imprensa e eu tive de começar do zero pra poder chegar onde estou! -- estava sendo sincero -- Mesmo que nossa emissora passe anos e anos sendo uma pequena voz no meio da multidão, eu quero que ela fale ainda assim! -- segurou Tatiana pelos ombros -- Sei que você tem competência e coragem pra isso!
--Ô meu Pai... -- sussurrou em tom inaudível
--Você vai poder trabalhar aqui mesmo em Goiânia e eu pago o triplo do que está recebendo atualmente. -- ofereceu
--O triplo? -- perguntou receosa
--Tudo bem! -- soltou-a -- Quatro vezes mais e não se fala mais nisso! -- olhou nos olhos dela -- Quanto tempo quer para pensar?
“E precisa?” -- a repórter pensou entusiasmadíssima
Horas depois, Tatiana chega na oficina e encontra Renan mexendo em um carro. Pulou em cima dele abraçando-o pelos ombros.
--Ué?? -- o mecânico arregalou os olhos e riu -- Da onde você veio, menina?
--Meu pretinho, você não sabe!! -- virou-o de frente para si e o beijou -- Eu recebi uma proposta pra ser produtora executiva de uma rede de TV aqui na Goiânia!!! -- pulava
--Ah!! -- pulava também abraçado com ela -- Que maravilha, Tati!!! E você já aceitou?
--Eu já, mas fiquei quieta! -- não paravam de pular -- Tem que fazer um doce, uai!
--Festa!! -- um dos especiais apareceu pulando
--Vem aqui, galerinha! -- Renan chamou os jovens -- Minha mulher se deu bem!!
Eles vieram animados e comemorando sem nem saber o que.
--Você não vai mais precisar ficar indo pra Brasília toda hora? -- perguntou animado
--Não! -- continuavam pulando, só que dessa vez abraçados com os jovens especiais
--E nunca mais vai ser ameaçada de morte, correr perigo...? Nunca mais?? -- perguntou feliz
--Uai... -- parou de pular -- A depender, né? Sabe Deus... -- respondeu reticente
--Vou te contar! -- Renan parou de pular também -- Alegria de marido de repórter dura pouco! -- reclamou
--Tati, casa comigo! -- um dos jovens pediu -- Eu não reclamo!
--Ih, mas que conversa é essa aí? -- o mecânico cruzou os braços achando graça -- Tô de olho, hein, moleque?
A repórter beijou a cabeça do rapaz e piscou para o marido. -- Digamos que vão querer me matar com menos freqüência.
--Meu Deus, dai-me forças... -- olhou para cima -- Protege essa mulher, meu Pai!
--Ele protege, rapaz! -- Valadão respondeu sem que Renan pudesse ouvir -- E nós também, sob Suas graças! -- olhou para Patrícia, Sabrina e Rodolfo
--Chefia, era bom a gente dar uma olhada na futura mãe da dona Lourdinha! -- Rodolfo sugeriu -- Aquela garota só vive metida com bandido e Vitória me contou coisas preocupantes!
--Lourdinha escolheu nascer em um meio difícil demais... Tudo pra acompanhar Juninho desde começo. -- balançou a cabeça -- É por isso que eu admiro as mulheres! -- olhou para Patrícia e Sabrina -- O que vocês não são capazes de fazer por amor? Especialmente quando se trata de um filho! -- sorriu
--Dona Lourdes é muito massa! Ela vai se sair bem! -- Patrícia respondeu convicta
--Queria ter tido mais contato com ela... -- Sabrina lamentou -- Quando tá previsto o nascimento? -- perguntou para Valadão
--Outubro! -- olhou para o Alto -- E tudo vai correr muito bem, se Deus quiser! -- desejou com muita fé -- Agora vamos! -- voltou a olhar para os companheiros -- Hora de dar uma olhada na futura mamãe. -- sumiu nos espaços sendo seguido pelos demais
13:50h. 19 de agosto de 2011, Viagem Macaé-Rio, Rodovia Amaral Peixoto, Rio de Janeiro
Camille voltava para casa de ônibus após três dias e meio de muito trabalho em Macaé. Para descontrair, vinha pesquisando seu Ibope no mundo lésbico virtual. Apesar do corre corre da vida, a engenheira havia acabado de lançar mais uma história que vinha causando frisson entre as leitoras.
“Meu, mas a coisa tá boa pro meu lado! Tô super bem com minhas fãs!” -- pensava orgulhosa -- "Sou autora preferida de mais de trinta mulheres!” -- sorria -- "Meu novo conto já somou mais de vinte mil leituras em menos de três semanas!” -- estava a ponto de soltar foguetes -- "Vai escrever bem assim em Dubai, hahaha!”
Enquanto isso, o homem que viajava ao lado da loura prestava atenção nela cheio de segundas intenções. Disfarçadamente começou a abrir mais as pernas para roçar uma delas na de Camille, que nem estava percebendo.
“Agora vamos ver como vai aquela pobre caipira!” -- riu brevemente -- "Eu já tô no vigésimo conto e ela até hoje não terminou aquela história triste, ô louco!” -- começou a ler os comentários postados para a concorrente
“O que será que ela tanto lê que fica rindo?” -- o homem tentava bisbilhotar mas não conseguia
Javel said:
Olá Sol. Eu nem queria mas vou apelar. Eu vou me mandar, e não leio mas os seus contos. Só leio os das CRISÁLIDA. E tenho dito.kkkkkkkkkk
Riu de novo. “É por isso que eu gosto dessa garota!” -- sentia-se vitoriosa -- "Javel é uma de minhas fãs mais fiéis e me segue por onde eu for!”
E o homem continuava abrindo as pernas para roçar em cheio na loura. Empolgada com o que lia, Camille nem atinava.
Depois de alguns segundos de espionagem, a engenheira encontrou outro comentário envolvendo seu nome.
Andys said:
Mas bah que agora fiquei indecisa... qual autora de contos lés eu gosto mais Crisálida ou Solitudine a briga ta boa..:)
--Mas que inferno, ô louco! -- reclamou em voz alta assustando o companheiro de viagem -- Já é a segunda fã que me trai! -- deu um soco no braço da poltrona -- Primeiro Luana e agora Andys, que maldição! Não se pode mesmo confiar em ninguém! -- resmungava -- A gente se dedica pra agradar essas fãs, pra que? Pra que?? Pra elas se bandearem pro lado da primeira caipira que aparece!! -- fez cara feia -- Traidoras!!
“Fã?” -- o homem não entendeu
De repente a loura percebeu a atitude maldosa do viajante a seu lado e olhou para ele com ódio mortal. -- E você, meu? Tá nessa reganheta aí por causa de que? -- perguntou furiosa e falando alto -- Tá pensando que vai me tirar?? -- empurrou as pernas dele com violência para que se fechassem -- Trate de se sentar como gente!
--Ai, mas o que é isso? -- perguntou escandalizado e disfarçando o constrangimento -- Quer conforto, vai de táxi! -- ajeitou-se no assento
--Você que vá pra puta que te pariu, tarado sem vergonha!! -- respondeu falando bem alto -- Não sou obrigada a aturar babaquice de homem galinha porque tô de ônibus! -- fechou o laptop -- Tarado canalha, babaca!!
"Que mulher barraqueira!” -- pensou apavorado -- "Tá todo mundo olhando!”
--Ih, o tarado se deu mal! -- uma mulher comentou com outra
--Bem feito! -- foi a resposta
--E isso aqui, seu idiota, -- bateu na perna -- é uma prótese! Você tava se roçando em perna falsa, seu burro!!
“Ué??” -- ele pensou surpreendido -- "Que peste de mulher é essa?”
--E viaja ocupando pouco espaço porque eu tô danada! -- deu outro soco no braço da poltrona -- Tô danada e vai dar treta!!
--Algum problema aí, moça? -- um passageiro se levantou e veio ajudar -- O rapaz aí tá dando uma de bobinho? -- olhou para o outro com a cara feia
--Ele tava, mas como não comeu merd* quando era criança vai passar o resto da viagem sentadinho como gente! -- olhava furiosa para o safado -- Do contrário eu arranco minha perna e meto-lhe o cacete com ela!
--Você é louca! -- respondeu revoltado -- Eu não tava fazendo nada!
--Se a garota diz que tava é porque tava! -- o outro homem respondeu de cara feia -- Esquenta não, moça. Se o engraçadinho aí continuar, tô com mais dois amigos e a gente dá um jeito! -- ameaçou
--Continua nessa sacanagem que você vai apanhar muito, meu! -- Camille ameaçou -- Eu sou baixinha, mas ninguém me segura quando tô possuída!!
--Mete a porr*da nele! -- uma mulher falou
O homem engoliu em seco e se encolheu todo. O outro passageiro voltou para seu assento e a viagem da loura transcorreu calma até o final; apesar de seus resmungues.
***
Camille caminhava pelo ginásio a procura de Fátima. Depois de uns minutos de busca, viu que a namorada conversava com uma mulher que não tinha um braço.
--Você tá ótima, Fátima! -- Daniele dizia -- Tá ainda mais atlética, mais encantadora... -- jogava um charme -- Quando eu te vejo nadar lembro de tanta coisa...
--Ah... Obrigada. -- agradeceu constrangida -- E você, como vai?
--Por que não me toca e descobre por si mesma? -- pegou a mão da nadadora e a levou ao próprio rosto -- Sabia que... -- guiou a mão da outra para que fosse descendo -- sinto saudades desse toque firme e suave que só você tem? -- caprichou no tom mais sexy
--Dani... -- recolheu a mão -- sabe que não tô sozinha! -- estava corada
--E quem disse que eu sou ciumenta? -- aproximou-se de Fátima -- Ai, que fofo, ela corou!
--Posso saber o que acontece aqui? -- Camille chegou e perguntou cruzando os braços
--Pequena? -- respondeu sorridente -- Seus passos me soaram tão diferentes! Não te reconheci!
--Tem muita coisa, -- olhou para Daniele com a cara feia -- diferente por aqui!
--Bem, -- afastou-se de Fátima e passou a mão nos cabelos -- eu vou indo nessa! -- sorriu para a loura e olhou para a nadadora -- Tchau, Fá! -- partiu
--Tchau, Dani. -- respondeu simplesmente
--Ô, Fátima, que conversa é essa de Fá e Dani, hein? -- perguntou enciumada -- Quem é essa maluca que eu nunca vi? O que faltou em braço sobrou em pouca vergonha, ô louco!
A nadadora riu. -- Dani era eletricista e perdeu o braço por conta de um choque elétrico. De uns anos pra cá tornou-se nadadora também.
--Sei. -- continuava de cara feia -- E o choque deixou a periquita dela cuspindo faísca! -- a outra riu de novo -- Eu não tô de brincadeira, não, Fátima! Quero saber que intimidades são essas! Todo mundo que nada junto fica nessa baixaria, é? Mão naquilo e aquilo na mão?
--Que história é essa de mão naquilo? -- riu brevemente -- E não havia baixaria nenhuma! -- respondeu sorrindo -- Ela só estava tentando coisas e eu não alimentei.
--Tentando coisas?! -- continuava chateada -- Não me diga que já rolou alguma coisa entre vocês??
--Sim... mas faz tempo!
--Meu, mas eu vivo cercada por traidoras, viu? Ô louco! Não posso confiar em ninguém! -- reclamava -- Você é uma tarada, Fátima! Não pode ver uma perneta, braceta, zureta que não deixa passar nada!!
--Não posso ver? -- riu -- E que conversa é essa de braceta, menina? Nome feio! -- balançou a cabeça -- E quem são perneta e zureta?
--Zureta é aquela preparadora física que você já passou o rôdo e a perneta sou eu! -- parou para pensar -- Não me diga que tem mais outra? -- arregalou os olhos
--Ai, pequena, até mesmo enciumada você é uma gracinha! -- aproximou-se e beijou o rosto dela -- Mas não há motivos pra isso porque sou fiel! -- sorriu -- Estou muitíssimo feliz que tenha vindo me ver. Vamos sair daqui e ocupar o tempo com coisas boas ao invés de discussões sem motivo!
--Humpf! -- passou a mão nos cabelos -- Minha viagem teve o maior estresse e eu ainda chego aqui pra te ver no maior clima com a braceta! -- falou fazendo um charminho
--Não fale isso! -- riu -- E eu não tenho olhos pra outras! -- brincou
--Piadinha infame! -- balançou a cabeça
--Me dê alguns minutinhos pra me arrumar e serei toda sua. -- sorriu
--Hum... -- continuava fazendo charme
--Quando estivermos a sós, -- aproximou-se da loura -- vou te cobrir de beijos e cuidar atenciosamente de cada partezinha do seu corpo. -- afastou-se e seguiu em direção ao banheiro
Camille suspirou e ficou vendo a namorada caminhar. “Vê lá se vou dar mole pra qualquer ‘eta’ que aparece! Pois sim!” -- pensou desaforada
***
Fátima e Camille estavam em um quarto de motel sentadas uma de frente para a outra. A loura envolvia a cintura da amante com a perna e brincava com o cordão dela.
--Hahahahahaha!! -- a nadadora ria -- Então você fez isso com o safado? Ai, pequena, eu daria tudo pra ver! -- riu novamente
--Ah, mas eu fiquei possessa! Ele passou o resto da viagem tão encolhido que eu acho que ocupava meio assento! -- acabou rindo
--Fazia tempo que você não ficava assim, até onde eu saiba! -- sorriu -- Mas foi por uma boa causa! -- beijou-a e acariciou as costas dela
--Ah, eu hein? Não venha me tirar que dá treta! -- respondeu com firmeza
--E essa prótese nova que você comprou? Você ainda não tinha usado ela na minha frente!
--Ah, é uma prótese super da hora, Fátima! -- envolveu o pescoço da nadadora com os braços -- Feita exclusivamente pra mulheres, permite que você acople uma sola com saltinhos. E ainda tem um esquema de peles que você usa pra cobrir ela, ficando muito igual a uma perna de verdade! -- explicou empolgada
--Eu senti a tessitura dessa pele quando tirei a prótese de você. Deve ser uma coisa realmente muito bonita e interessante! -- beijou-a -- Igual a dona dela!
--Eu vou usá-la em ocasiões especiais e no dia a dia uso a que já tinha, que também é muito boa!
--Uma gerente tem que ter essas coisas mesmo! -- beijou-a -- Ainda mais uma gerente linda, maravilhosa e poderosa como você!
--Imagina! -- sorriu encabulada -- Você tá sempre enchendo minha bola...
--Você merece... -- acariciou o rosto da loura e a beijou ternamente
--Eu... -- colou testa com testa -- Meu sentimento por você aumenta cada vez mais! -- falava com sinceridade -- Não sabe o quanto você é importante pra mim!
Fátima gastou uns segundos calada até que resolveu falar: -- Eu sei! De verdade eu sei, mas seu coração continua com outra mulher... -- pausou brevemente -- E eu pensei muito em nós duas, em tudo que está acontecendo... É melhor a gente terminar...
--Mas por que?? -- perguntou surpresa -- Eu não quero!!
--Isabela vai embora e Seyyed ficará livre pra você.
--Não é porque ela vai embora que Seyyed vai ficar livre! E de mais a mais, quem disse que eu quero ficar com ela?
--Camille... -- achou graça -- Você deseja isso desde que a conheceu!
--Eu não quero ficar com ela!! -- protestou -- Você foi a pessoa que me aceitou do jeito que eu era desde o começo! Nunca me cobrou nada, nunca me fez exigências! Eu não quero ser o prêmio de consolação de Seyyed! -- segurou o rosto da nadadora -- Eu quero ficar com você!
--Você não se dá inteira, meu amor! E nem pode fazer isso ainda!
--Mas um dia eu vou fazer! -- respondeu desesperada -- E esse dia não está longe!
--Camille...
--Não me deixe, Fátima, não faz isso! -- pediu com tristeza -- Pouco me importa que Isa vá embora! Eu quero você e ponto!
--Pequena, eu... -- a loura calou a amante com um beijo súplice
***
Jaqueline voltava de ônibus para Porto Alegre. Havia passado uns dias com os parentes em Caxias do Sul, por conta do enterro do pai, que era natural daquela cidade. Sua mãe sofria mas estava serena e isso a tranqüilizava.
Olhando através da janela fazia uma retrospectiva de sua vida, sem perceber os detalhes da paisagem que se sucediam diante de si. Sentia um misto de dor, arrependimento e saudade.
Conseguia ver-se como criança brincando na praça. Lembrava das tardes douradas pelo sol que se punha e da voz de Ulisses dizendo: “-- Corre, Jaque! Corre pra ver se não deixa o sol se pôr! -- e os dois corriam de braços abertos olhando para o horizonte.
--Foi embora, papai... -- lamentou com tristeza
--Amanhã ele volta, piazinha! -- segurou-a no colo -- O sol é como a esperança que nunca morre, mesmo que em algum momento desanime!”
Ulisses e a filha tinham um ótimo relacionamento, mas tudo começou a mudar quando ela entrou na adolescência.
“--Isso são horas, guria? -- perguntou furioso quando a loura entrou em casa
--Eu tava curtindo, pai! Sou jovem e isso é normal! -- respondeu mal criada
--Capaz! E curtir é isso? -- segurou-a pelo braço -- Viver enchendo a cara por aí com um bando de desocupados?
--Me solta! -- tentava se desvencilhar
--Tu tens que ter responsabilidade, filha! -- falava zangado -- Tens que construir alguma coisa! Acha que vais ter pai e mãe a vida inteira?
--Eu não ligo! -- respondeu dando de ombros”
“Eu ligo sim...” -- deixou que uma lágrima lhe escapasse -- "Que pena que perdi tanto tempo com bobagens...” -- pensava com pesar
“-- Mas, bá, Jaqueline, eu não te entendo! Moras em Porto Alegre, por que foste prestar vestibular pro Rio de Janeiro? E aqui por acaso não tem faculdade boa pra ti? -- cruzou os braços revoltado
--O senhor não vive dizendo que preciso crescer? -- respondeu de cara feia -- Morando fora de casa eu vou ser obrigada a me virar, daí!
--Humpf! -- fez um bico
--Deixe ela ir, querido! -- a mãe da jovem pediu -- Vocês têm discutido demais e fora de casa essa menina vai ter que cuidar de si mesma!
--Quando tu te formares em advogada vais voltar e trabalhar comigo! -- olhava para a filha -- Essa é minha condição!
--Aceito! -- mentia"
“Eu fiz tantas bobagens... Como dói saber que não posso reverter nada disso...” -- sofria ao constatar -- “Na vida a gente tem que fazer o certo desde o começo, porque do contrário a dor é pesada demais...” -- não conseguia mais conter as lágrimas -- "Graças a Deus que acordei pra vida a tempo de pedir perdão a papai! Graças a Deus que ele me viu mudar!” -- suspirou -- "E graças àquela viagem pro Everest... Tudo mudou depois que estive lá!”
O livro de Jaqueline havia se tornado um best seller nas categorias montanhismo e auto ajuda, e estava para ser traduzido para o inglês. A gaúcha transferiu todos os direitos para a mãe, esperando desta forma dar-lhe mais conforto na velhice. Nos últimos tempos vinha sendo assediada por alguns produtores que desejavam transformá-lo em filme.
“Sabrina... Como será que ela está?” -- perguntava-se -- "E Maya? Como estará vivendo?” -- suspirou -- “Maya... quantas saudades...”
Jaqueline secou os olhos com um lenço e espontaneamente viajou no tempo. De repente viu-se em Katmandu, dividindo um quarto de hotel com Maya. Haviam terminado a expedição.
“--Eu te agradeço por ter ficado estes dias aqui comigo, Maya. -- a loura dizia -- Não tem idéia de como estou me sentindo! Parece que há uma tempestade no meu coração!
--Mas o luto é uma tempestade no coração. -- olhava para a outra com carinho -- E como toda tempestade, vai passar. Porém, seus efeitos se farão sentir por um tempo que depende só de você; da sua capacidade de reconstruir. -- sentou-se na cama -- Que tal meditarmos um pouco? -- propôs -- Vamos nos conectar com o Onipotente. -- estendeu as mãos
A gaúcha sentou-se ao lado dela e segurou as mãos da sherpa. Fecharam os olhos e concentraram-se em meditação. Pouco a pouco Jaqueline percebia-se tranqüilizada e confortada; era como se um poderoso fluxo de energias salutares houvesse invadido seu corpo e sua alma de forma extremamente bem vinda.
Depois de um bom tempo de imersão, as duas soltaram as mãos e ficaram apenas se olhando.
--Tu tens a incrível capacidade de trazer a paz ao espírito das pessoas. -- afirmou com admiração -- Parece que nada é forte o suficiente pra te abalar ou desanimar... -- a sherpa lhe sorriu -- Que tipo de pessoa tu és, Maya? Sinto-me enfeitiçada, atraída e atemorizada por ti ao mesmo tempo... Nunca me vi assim...
--Você não se vê de verdade e nem permite que os outros o façam. -- respondeu mansamente -- Por acaso sabe quem é aquela que os espelhos mostram?
--E tu sabes? -- não sabia o que responder
--Gostaria de saber... Eu não sei, apenas imagino.
--Quem imaginas que sou?
--Fuga e solidão, dor e medo, alegria contida, lembranças secretas, a busca que segue em direções equivocadas, uma alma sedenta de respostas e de um amor que você não se permite viver.
--E quem tu és?
--Para você, -- aproximou-se da outra tocando-lhe o rosto -- sou a personificação do que procura e ao mesmo tempo não quer encontrar, sou aquilo que não quer ver e que te salta aos olhos, sou o esforço vão que te move a querer ser o que não será e a constatação das perdas inevitáveis de suas escolhas.
Jaqueline sentia-se possuída pelo olhar da outra. -- Tu me confundes...
--Sou a palavra dura, o carinho desejado, as perguntas não respondidas de tua alma inquieta, a correnteza que te leva de inesperado... -- olhava nos olhos da gaúcha -- Sou a ilusão que te encanta, o mistério que você quer e não quer desvendar...
--Maya, eu... -- o coração batia acelerado -- eu... não sei explicar como me sinto...
--Não explique. -- levantou-se e estendeu a mão
--O que eu faço? -- segurou a mão da sherpa e levantou-se insegura
--Apenas viva! -- sussurrou no ouvido dela e deslizou o nariz ao longo do pescoço da gaúcha -- Abhaya...( Sem medo...)
--Ah... -- soltou um gemido ansioso
Maya segurou o rosto da loura e aproximou os lábios sem beijá-la. Jaqueline fechou os olhos ao sentir que a sherpa delicadamente deslizou as mãos por seu corpo buscando despi-la devagar.
--Deha... (Corpo...) -- tirou a blusa da gaúcha enquanto continuava a agir como se fosse beijá-la sem o fazer -- Manas... (Mente...) -- libertava a parceira de sua calça -- Pratyaya... (Pensamentos...) -- ajoelhou-se devagar, deixando que os lábios roçassem contra a pele da outra mulher
--Meu Deus... -- Jaqueline sentia-se hipnotizada
Após despir a outra completamente, Maya seguiu beijando, lambendo e tocando a gaúcha a partir dos pés. A loura, ainda de olhos fechados, segurou-a pelos cabelos gentilmente, e perdia-se em sensações que vibravam em seu íntimo.
--Somos tão diferentes... -- sussurrou
--Preman... (Amor...) -- mordeu um mamilo -- Dvandvatitha... (Além dos opostos...)
--Ai... -- gem*u abrindo os olhos
A sherpa novamente segurou o rosto da jovem e ameaçou beijá-la. Afastou-se brevemente e começou a se despir como se dançasse. Jaqueline acompanhou seus movimentos completamente envolvida naquela aura de sensualidade quase sagrada.
--Jiva... (Identificação entre corpo, mente e intelecto) -- segurou a loura pela nuca e pela cintura aproximando-a de si -- Kama, (Desejo) -- olhava nos olhos da parceira -- Yoni, (O feminino), Purnam... (plenitude...) -- beijou-a com desejo, paixão e sentimento, guiando a ambas para uma das camas
A gaúcha se entregou sem medo e sem reservas; ainda não havia experimentado nada igual com outra pessoa. Sabia que estava totalmente presa, absorta e perdida sob o encanto de Maya.”
***
--Então, vô, eu levantei ela assim no alto e dei um giro rápido, -- tentava não usar os termos técnicos para se fazer entender -- sem perder o equilíbrio, e logo depois a coloquei no chão! -- sorria -- A professora ficou tão empolgada que disse que eu tenho tudo pra participar do Quebra Nozes! -- falava animado -- Serei o menino mais novo no elenco!
--Ah, mas isso não me surpreende! -- segurou o braço de Ricardinho -- Ele é magro mas é forte, veja isso, Olga! -- sorriu para a mulher -- Como todos os Toledo é um homem de rigidez!
--Ricardinho tem se destacado muito no balé, Romeu. -- Olga falou -- Isa disse que se continuar assim ele pode fazer uma audição e continuar os estudos no exterior. -- sorria -- Quando estiver com uns quinze anos.
--Ah, e não demora muito! É bom que esse menino tenha experiência fora do país, isso enriquece um homem! -- olhou novamente para o garoto -- E na escola, como tem ido?
--Sou dos melhores alunos! -- respondeu orgulhoso
Nesse momento Mariano aparece na sala. -- Olga, não tô me entendendo com esse forno! Pode me ajudar? -- pediu constrangido -- Não quero estragar a comida que tô preparando pro nosso almoço!
--Claro, meu bem! -- levantou-se do sofá -- Um minuto, queridos. -- falou para Romeu e Ricardinho antes de se retirar
Romeu esperou que o casal se afastasse e perguntou ao neto em voz baixa: -- Agora que estamos a sós, vamos ter um papinho de homens. -- deu um soco no braço do garoto e sorriu -- E as meninas? -- piscou -- Namorando muito? Você vive cercado de bailarinas, deve estar aproveitando! -- falava com malícia
--Eu não me interesso por qualquer garota, vô. -- respondeu naturalmente
--Claro. -- respondeu meio sem graça -- Mas se interessa por alguma, não é? -- perguntou tentando disfarçar a preocupação
--Eu sou completamente apaixonado pela Ana Fluminense, mas ela já casou... -- desabafava -- Depois gostei da Lady, mas ela namorava meu irmão e depois terminou com ele e foi morar em outra cidade. -- pausou -- Agora estou gostando de outra, mas ela não quer nada comigo...
“Hum, ele prefere as mais velhas. Isso é bom! São as mulheres ideais pra iniciação de um homem!” -- pensava -- E quem é? -- estava curioso
--A professora de balé. -- respondeu desanimado -- Eu me declarei com uma flor e um bichinho de pelúcia que comprei com minha mesada. Ela ficou toda feliz, mas disse que sou muito jovem pra ficarmos juntos...
--Ah, então você se declarou? -- ficou orgulhoso -- Muito bom! Um homem de verdade tem que saber correr atrás do que quer. E essa abordagem romântica, -- aproximou-se mais e piscou para ele -- seduz a maior parte delas! -- olhou para a porta para ver se Olga ou Mariano se aproximavam -- Mas, por agora, não é hora de buscar as mulheres sérias. Se gosta das mais velhas, invista nas mais fáceis. Naquelas que têm fama de galinha. -- aconselhava -- Trate bem, faça essa abordagem romântica e creu! -- fez um gesto sugestivo -- E assim você vai comendo uma a uma! -- deu outro soco no braço do neto
--E por que eu faria isso? -- perguntou sem entender
--Pra comer, oras! -- continuava monitorando os pais do menino -- Quanto mais mulheres você comer, melhor pra você!
--Por que?
--Como por que? -- cruzou os braços -- Um homem tem que ter experiência! E começar pelas vadias é o caminho!
--Mas eu não quero ser um vadio! -- respondeu convicto -- Não achei meu pinto no lixo!
“Humpf!” -- fez um bico -- "Olga já encheu a cabeça do menino com idéias nobres do ideal de um homem espírita! Quando ele ficar rapaz vou dar um jeito de levá-lo pra um bordel, do contrário vai perder a virgindade só depois do casamento!” -- pensava contrariado
Nisso o interfone toca. Depois de uns segundos, Olga vai abrir a porta e Romeu fica olhando curioso.
--Mari! -- Olga e ela se abraçaram -- Venham, entrem! -- convidou
“Opa!” -- Romeu levantou-se de um salto -- "Eu sempre adivinho os melhores dias pra vir nesta casa!” -- sorriu -- Oi, minha diva! -- cumprimentou fazendo vozes
“Ô, meu Deus, mas que inferno!” -- a costureira pensou contrariada
--Oi, tia! -- Ricardinho foi até a loura e a abraçou
--Oi, meu bem! -- beijou a cabeça dele
--Oi, tio! -- o garoto abraçou um homem
“Tio?!” -- Romeu pensou arregalando os olhos
--Olá, rapaz! -- acariciou a cabeça do menino e sorriu
--Venha, querido! Não fique aí parado na porta! -- Olga insistiu em convidar -- Você já nos conhece, não deveria ter vergonha!
“Já conhece?!” -- pensou alarmado -- "Então Olga conhece esse cara??”
--Com licença! -- entrou sorridente
--E quem é o senhor? -- aproximou-se tomando satisfações -- Eu sou Romeu, o avô do menino, e vejo que conhece meu neto! -- fazia cara de mau
--Meu nome é Sidney. -- estendeu a mão para cumprimentá-lo -- Sou coreógrafo e trabalho na escola de balé da Mangueira.
--Ele é ótimo, vô! Tem que ver!
Sidney era um homem negro, alto e atlético que regulava a idade de Mariângela. A cabeça raspada e o rosto liso davam-lhe um aspecto jovial.
--Sei... -- apertou a mão do outro com força, tentando machucar, mas o homem nem percebeu
--Que prazer revê-la, Olga! -- o coreógrafo abraçou a amiga -- Como vai? -- sorria
--Melhor agora que vocês chegaram! -- respondeu gentilmente
--Sidney! -- Mariano apareceu na sala sorridente -- Que bom que aceitou o convite! -- abraçaram-se
“Mas até Mariano já tá íntimo desse cara??” -- Romeu estava contrariado
--Mari disse que vocês faziam questão, então eu vim!
--Mari?! -- Romeu questionou -- Que intimidades são essas? -- cruzou os braços de cara feia
--Venha, Sid! -- a costureira segurou o homem pelo braço -- Vamos nos sentar!
“Eu não acredito!” -- pensava revoltado -- "Eu já tava com ela no papo e vem esse negão pra bagunçar meu coreto!” -- seus olhos faiscavam de ciúmes
***
Após o almoço todos conversavam na sala.
--Então Camille já está em Houston de novo? -- Olga perguntou surpresa -- Essa menina não pára!
--Ela se destaca, Olga! -- Mariano respondeu orgulhoso -- A empresa sabe da competência que Camille tem e aí só ficam delegando responsabilidades!
--Acredita que dias antes dessa viagem ela teve de ir às pressas pra Santos? -- Mariângela comentou -- E o celular dela é toda hora tocando! Não sei como a menina agüenta!
--Ela gosta do que faz, Mari. E é inteligente, dedicada, safa... Espere como ainda vão promovê-la pra um cargo mais alto! -- Sidney afirmou sorridente
--O senhor conhece a filha dela?? -- Romeu perguntou boquiaberto
--Conheço. -- respondeu olhando para o outro -- Temos altas conversas sobre literatura!
“Literatura... Coisa de fresco!” -- pensou com despeito
--Não sei porque chama Sid de senhor se ele é mais novo que você! -- Mari afirmou contendo a indignação
“Mais novo que eu? Nem parece!” -- continuava no despeito
--Outro que tem futuro é meu sobrinho! -- Mari exclamou orgulhosa -- Isa não cansa de falar de bem de você! -- olhou para Ricardinho
--Claro, com o avô que tem! -- exibia-se
--Ninguém é perfeito... -- a costureira resmungou baixinho fazendo Olga rir
--Tio, eu tô com uma certa dificuldade no meu petit battement... -- buscava um conselho
--Petit?? -- Romeu perguntou contrariado -- Você é meu neto, e os homens de nossa família não têm nada petit! Tudo nosso é grande, senão enorme!
“Ô, coisa tosca!” -- Mari fez um bico
--Isso é um passo de dança, Romeu. -- Sidney esclareceu
--Mas é claro que eu sei disso! -- respondeu de cara feia -- Entendo muito bem de dança!
--É, vô? -- perguntou surpreso
--Ricardinho, este é um exercício de velocidade e agilidade nas pernas. -- o coreógrafo explicava -- Escolha a perna de apoio, estenda a outra em sur le cou-de-pied e movimente-a para a frente e para trás do tornozelo da perna de apoio, várias vezes, acompanhando a música. Talvez a sua dificuldade seja em manter o joelho e a coxa da perna de apoio trabalhando no mesmo lugar e não se mover durante o exercício. Tem que ficar rijo sem perder a leveza!
“Isso aí é uma bichona!!” -- Romeu pensava desgostoso -- Não esqueça, menino! -- interferiu fingindo entender do assunto -- Vai no copied pra frente e pra trás e fica duro! Tudo duro! Os homens da nossa família não amolecem quando têm que mostrar uma dureza! -- olhava para o neto -- Acompanha a música!
Todos acharam graça.
--O que? -- perguntou sem entender porque riam
“Isso aí é um ogro!” -- Mariângela pensou desgostosa -- Bem, -- levantou-se -- eu vou beber uma água. -- olhou para Olga -- Dá licença, tá?
--Que é isso, mulher? -- Olga respondeu -- Até hoje pedindo permissão pra isso! A casa é sua!
A costureira sorriu e foi para a cozinha.
--Eu também morro de sede! -- Romeu levantou-se de um pulo -- Com licença! -- foi atrás da loura
Mariano e Olga se entreolharam com vontade de rir.
--Vê se eu tô fazendo certo, tio! -- Ricardinho se levantou para mostrar o passo. Sidney prestava atenção
--Mari, o que existe entre você e este homem? -- aproximou-se dela repentinamente
--Cruzes, que susto! -- arregalou os olhos -- Ô louco! -- fez cara feia
--Isso é namoro ou amizade? -- perguntou preocupado -- Aquilo ali te parece um negão de tirar o chapéu, mas é uma tremenda bichona, posso sentir!
--Bichona! -- repetiu indignada -- Sidney é um homem gentil e cavalheiro! E assim como eu é viúvo há anos e está sozinho desde que a mulher se foi! -- bebeu a água
--Também sou viúvo! -- mostrou os bíceps -- E muito macho!
--Humpf! -- fez um bico -- Pois fique com seu excesso de macheza que não me interessa! -- lavou o copo
--Mari, é namoro ou amizade?
--Eu, hein, Romeu, você parece até o Silvio Santos perguntando isso! -- enxugou o copo e preparou-se para sair -- Não te interessa!
--Mari, espere! -- segurou-a pelo braço e puxou-a de encontro a si -- Se está impressionada com ele por conta da fama que os negros têm, -- caprichou nos olhares -- saiba que eu tenho aquilo grande! E roxo!
--Mas que diabo! -- desvencilhou-se com raiva -- Continue com essas conversas pro meu lado que aquilo, -- fez um gesto -- vai ficar ainda mais roxo! Só que de levar cacete! -- saiu
--Eu não vou desistir de você, Mari! -- disse para si mesmo -- O 007 brasileiro não pode te perder pra essa bicha louca que finge ser macho! Coreógrafo, pois sim! -- endireitou a blusa -- Eu vou lutar! É guerra! -- deu um soco na mão
***
--E aí é isso, Coimbra! -- Flávia mostrava a academia para o ex policial -- A academia foi ampliada e agora as garotas me pedem cada vez mais pra oferecer o Muay Thai, além do boxe tradicional. -- olhou para o homem -- Brito me falou que você é um lutador excelente, graduado como mestre pela CBMT e que se destaca nos estilos que dão ênfase a velocidade.
--Agradeço pelo elogio. -- respondeu sorridente -- E é verdade que meu estilo é Muay thasao, que enfatiza velocidade e pontapés rápidos. -- explicou -- Fui graduado como mestre pela Confederação no ano passado. Estou com 21 anos de prática ininterrupta.
--Que acha de me ajudar a implantar o Muay Thai aqui? Eu entro com a parte burocrática, a grana e você com a expertise na luta. -- ofereceu -- Tenho interesse em evoluir no esporte a ponto de filiar a academia na Confederação Brasileira.
--Sério?? -- arregalou os olhos -- Nossa! Seria um sonho!
--Então deixe de sonhar e parta pra ação! -- deu um tapa no braço dele e sorriu
--É claro que eu quero! Desde que deixei a polícia, vivo de fazer bicos como segurança e isso não me dá o menor tesão! -- estava empolgado -- Temos que discutir tudo com detalhes mas eu já acho que você tem uma baita estrutura aqui! -- olhava ao redor
--E temos que discutir teu salário também, Van Dame! -- brincou -- Mas relaxa que não sou mão de vaca! -- riu
--Tio!! -- Celso veio correndo e pulou no colo de Coimbra
--Oi, garotão!! -- beijou a testa dele -- Cadê a Clarinha?
--Tá com papai na natação! -- respondeu sorridente
--Clarinha é uma pequena sereia, rapaz! -- Flávia exclamou orgulhosa -- E esse menino quer ser policial e lutador. Já pegou até a mania do pai de endireitar a gola da camisa de quando em vez!
--Quer ser policial, é? -- riu -- E quer lutar também?
--Eu bem já tenho luvas! E um saco de areia só pra mim!
--É, eu tive que providenciar isso. -- a fisioterapeuta comentou sorrindo -- Celsinho já tem um espaço próprio nessa academia.
--Vem comigo que eu te mostro! -- movimentou-se para sair do colo do policial, que o pôs no chão -- Vem!
--Celsinho, leva ele mas traz de volta porque estamos discutindo coisa muito séria! -- beijou o filho -- Negócios! -- riu
--Deixa comigo, mãe! -- sorriu para a mulher e olhou para Coimbra -- Vem! E me obedece, viu? -- puxou o homem pela mão
--É mole? -- o policial riu e foi com a criança
A fisioterapeuta ficou olhando para o filho e então se preparou para monitorar as alunas. Mal se aproximava de uma delas quando pôde ouvir um homem lhe chamar: -- Flávia?
--Ué? -- virou o rosto na direção da voz e deu de cara com Fábio, seu ex namorado -- O que é isso? A volta dos mortos vivos! -- disse para si mesma
--Oi. -- aproximou-se receoso -- Veja como o mundo é pequeno. -- sorriu e apontou para uma mulher -- Aquela ali é minha prima. Você não conhecia porque ela morava em BH e se mudou pro Rio há pouco tempo.
Olhou para ver quem era. -- Lídia? A mineirinha? -- olhou para o homem novamente -- Eu nunca imaginaria.
--A gente tava conversando e ela falou da academia, da professora... Não deu outra; matei a charada na hora.
--Sei... -- estava desconfiada -- E você veio fazer o que aqui?
--Vim te ver! -- aproximou-se sedutoramente -- Faz tanto tempo... -- sorriu
--Que houve, Fábio, você tá ferrado na vida? -- perguntou à queima roupa -- Pelo menos na aparência, tá caidinho, viu? -- reparou nele, que ficou sem graça
--Ah... -- passou a mão nos cabelos -- Eu tive uns problemas nos negócios, mas... não foi por isso que vim. -- fez um olhar especial -- Senti saudades...
--Sei...
--É sério, Flávia! -- segurou-a pelos braços -- Não adiantou eu querer negar pra mim mesmo! Você sempre foi e sempre será o amor da minha vida!
--Ih, malandragem... -- desvencilhou-se dele -- Não me venha com esse olhar de Clark Gable que não cola! Você me chifra, me esculacha e depois de anos, quando a porca torce o rabo, vem atrás de mim com essa cara de piranha velha me pedindo arrego? -- riu brevemente -- Já era, filho, perdeu!
--Flávia, eu sei que fui um canalha, mas... -- tentava convencê-la
--Fábio, eu casei! -- interrompeu a fala dele -- E com um homem ótimo, que gosta das mesmas coisas que eu, inclusive de uma boa pancadaria! Se ele te visse aqui, teu coro ia gem*r que nem tamborim na avenida!
--Casou?? -- estava surpreso
--Que foi? Achou que a desinteressante aqui ia ficar encalhada? -- riu novamente -- Teve quem desse valor, meu nêgo! E digo outra, temos um casal de filhos que são as coisas das mais lindas!
--Filhos??
--Já era, bicho! Esquece!
--Mas... -- caprichou na fala cinematográfica -- Eu sou teu grande amor! Ninguém mais!
--Coitado! -- balançou a cabeça -- Você não valorizou, você sequer me olhou, disse que eu era muito feia pra você, mas, agora que cresci, -- fez sinal de dinheiro com os dedos -- você quer me namorar? -- cantava sarcástica -- Não vou acreditar, nesse falso amor, que só quer me iludir, me enganar, isso é kaô! -- segurou-o pelo ombro -- E pra não dizer que eu sou ruim, vou deixar você olhar, -- indicou a academia -- só olhar, só olhar, baba! -- bateu no peito dele e se afastou cantando -- Baba baby, baby baba, baba! E que babaca! -- riu sonoramente
Fábio ficou parado com cara de trouxa. “Por essa eu não esperava...” -- pensou decepcionado
***
Solitudine chegava no Arco do Teles e surpreendeu Camille abandonadamente sentada e bebendo refrigerante.
--Eita, mas o que foi? Tomando porre de Grapete, uai? -- olhou para as garrafas de vidro sobre a mesa -- E na garrafa de vidro? Nem pensei que fosse mais ver um trem desses no Rio de Janeiro!
--Senta aí, meu! -- bateu na mesa -- Eu te chamei aqui porque preciso desabafar! -- olhou para a outra -- Ivone tá pra se aposentar e é cada vez mais difícil marcar consulta! -- Solitudine se sentou -- E além do mais você anda experiente nessa coisa de levar pé na bunda sem esperar!
--É melhor ouvir isso do que ser surda, né? -- respondeu achando graça -- Deduzo que Fátima terminou contigo...
--Leia essa carta! -- estendeu um papel para a amiga -- Já te deram um fora assim? Por escrito? -- bebeu refrigerante -- Só me aparece traidora, viu? Ô louco!
--Não reclame porque ela foi chique! Com a modernidade o povo tá investindo é nos torpedos! -- pegou o papel e parou para pensar -- Mas Fátima é cega! Como pôde ter escrito carta?
--Pra você ver! Ainda contou com participação especial! -- bebeu refrigerante -- Eu me senti como quem namorasse uma dupla sertaneja!
--Eu hein? -- riu brevemente e começou a leitura silenciosa -- "Minha pequena, estou ditando essa carta para uma amiga que ouvia meus desabafos e me conhece bem. Não precisa ter receios, pois eu jamais exporia nossa intimidade para uma pessoa indiscreta.”
--Já leu? -- perguntou ansiosa
--Calma, mulher! Deixa eu ler com atenção! -- voltou à leitura -- "Sou testemunha de sua dedicação ao nosso relacionamento e do esforço que fez para ser uma namorada companheira e maravilhosa. Creia que não falhou em coisa alguma e eu não poderia ter vivido momentos mais incríveis do que aqueles que se passaram a seu lado. Foram dois anos inesquecíveis e eu acho que nós precisávamos ter vivido o que vivemos, do contrário passaríamos a vida pensando em possibilidades não concretizadas e isso é muito ruim.” -- balançava a cabeça concordando -- "Mas, apesar de tudo, eu sempre soube que não a tinha por inteiro nessa relação. Seu coração pertence a outra mulher e seus esforços não foram suficientes para cortar esse vínculo que me parece vir de longa data, tempos outros além desta vida. Agora, que ela ficará livre, quero que você também esteja livre para tomar suas decisões sem qualquer culpa e sem acreditar que deve fazer o ‘certo’ e não o que seu coração mandar.”
--Acabou? -- insistiu impaciente
--Eita! -- ralhou -- Tô terminando, tenha paciência! -- voltou a ler
--Humpf! -- fez um bico -- "Não me admira que seja tão lerda pra escrever! Até pra ler é essa moleza!” -- pensou
“Eu te amo, pequena, e isso não me é um fardo ou motivo de sofrimento.” -- lia -- "Meu amor por você é tranqüilo e assim estou eu: tranqüila. Fique com Deus e, por favor, não insista em me procurar pois não voltarei. Quero muito que seja feliz e um dia você vai me entender. Com amor, Fátima.” -- terminou -- Deixa eu te contar que Fátima tem categoria!
--Categoria... -- reclamou bebendo refrigerante -- Ela me deu uma punhalada sem igual! Enfiou a faca no meu cóccix e foi sair no pescoço!
--Cruzes! -- devolveu a carta para a loura -- Doeu até em mim!
--Fui na casa dela e dona Jurema me falou que Fátima vai ficar em concentração intensa lá em São Paulo até a época das paraolimpíadas. Eu sei que não é necessário essa concentração toda com tamanha antecedência! Ainda estamos em novembro, bem longe dos jogos! -- passou a mão nos cabelos -- O que Fátima quer é evitar o contato comigo!
--Crisálida, eu achei a atitude dela admirável! -- olhava para a engenheira -- Quantas pessoas têm coragem de fazer isso? Pois eu te digo, ela te deu uma prova de amor que poucas pessoas dariam! Fátima quer te ver feliz, mesmo que pra isso tenha que abrir mão de você! -- explanava sua interpretação dos fatos -- Ela quer que sua decisão quanto ao que fazer seja sincera e não motivada por um sentimento de gratidão para com ela.
--Mas, quem disse que eu quero ficar com Seyyed? Que droga! -- deu um tapa na mesa -- Eu não sou um prêmio de consolação! -- protestava -- Então, se Ed e Isa se separarem mesmo, eu vou correr atrás daquela mecânica e me jogar nos braços dela como se estivesse desesperada? Não, eu não quero isso pra mim!
--Você diz isso aqui! Longe dela! E quando estiver frente a frente com Seyyed, será que pensará da mesma forma? -- provocou
--Sol, se Ed me quisesse ela teria que ter lutado por mim, coisa que nunca fez! Ela quer montar um harém? Quer ficar com a ruiva e comigo como coadjuvante? -- riu sarcasticamente -- No way! -- respondeu convicta -- Além do mais, Fátima decreta o fim do relacionamento da mulher como se já estivesse tudo decidido! Da vida de Seyyed e Isabela elas é que sabem! -- pausou -- De mais a mais, a maluca ainda nem foi embora!
--Mas vamos supor que elas terminassem mesmo. Se Seyyed viesse te procurar, o que você faria?
--Diria um sonoro não! -- respondeu com firmeza -- Assim como Fátima não quer alguém pela metade eu também não quero! -- bebeu refrigerante -- Eu não viveria com Seyyed sabendo que cada vez que a bailarina colocasse os pés nesse país, ela iria ficar babando como um cão vendo frango rodar em padaria! -- colocou a mão na barriga -- Meu, tô cheia de gases... -- reclamou
--Pudera! Bebendo tanto refrigerante! -- achou graça
--Já vi que vou voltar pra minha vida monástica... -- apoiou a cabeça na mesa -- Que merd*!
--Ô, Crisálida... -- fez um carinho na cabeça dela -- Não se deixe abater assim! Peça orientação a Deus, pense nas coisas com mais calma, reflita e vai ver que Fátima não foi uma traidora. Do contrário, ela foi linda!
--Ai, ai... -- levantou a cabeça -- Eu não sei o que fazer da minha vida, sabe? Nem no trabalho ando satisfeita... -- olhou para a amiga -- Acho que não estou fazendo aquilo que eu queria. -- passou as duas mãos nos cabelos curtos -- O trabalho é desafiador, me faz aprender, me testa, me ensina, eu já conheci várias cidades, países... mas não sei... acho que não é bem aquilo que eu mais queria... -- suspirou -- Eu não gosto de reclamar de barriga cheia, porque é um empregão, mas... Sei lá!
--Calma, querida, agora você tá magoada. Não é o momento pra pensar nessas coisas... E de mais a mais, trabalho é assim mesmo. Eu amo o que faço, mas às vezes me dá vontade de jogar tudo pro alto e abrir uma empresa de turismo ecológico. -- sorriu -- Depois que passa o estresse eu fico bem de novo. O mesmo é você.
--Você tá certa... -- ficou pensando
--Quando chegar em casa hoje, tome seu banho, lave a cabeça, relaxe... -- aconselhava -- Converse com sua mãe sobre assuntos amenos, deite no colo dela, que com certeza vai te dar um cafuné, -- Camille sorriu -- e na hora de se deitar faça uma oração e peça pra Deus te dar sabedoria quanto ao que fazer. -- segurou rapidamente a mão da loura -- Vai dar tudo certo! -- piscou
--É... é por aí mesmo... -- gastou uns segundos calada -- Mas, mudando de assunto, -- olhou para a outra -- já acabou de escrever o último capítulo daquela agonia?
--Agonia... -- riu -- Na verdade vi que terei de escrever mais outro pra finalizar bem. Aí termino.
--Meu, vou te contar, viu? -- estava admirada -- Que vergonha, Sol! Essa tua história tem mais de duas mil páginas e não termina! Não sei como as leitoras insistem contigo! -- cruzou os braços -- E que demora!
--“Não é preciso pressa na literatura. Um romance é como gravidez: aquilo fica dentro de você, crescendo, incomodando, até sair.”47
--Humpf! -- fez um bico -- Mas essa tua gravidez é pior que de elefanta, que espera 22 meses pra ver o filho nascer! Vai demorar assim no inferno, ô louco!
--Eu não tenho a sua dinâmica. Vi que já está na vigésima história!
--E enquanto isso você continua na mesma! -- criticou -- E aquelas duas personagens, hein? Hebe e Jamille? Vai ou não vai?
--Não sei... Estou fazendo a coisa de um jeito pra me dar liberdade pra escolher qualquer coisa... -- parou para pensar -- Ah, você tá lendo! -- riu
--Que nada! Sei disso porque ouço os poucos rumores das pobres coitadas que ainda te dão bola! -- justificou-se -- Eu nem teria tempo pra ficar lendo, porque mal dou conta de cuidar de mim e dar atenção as minhas fãs! -- exclamou orgulhosa -- Javel, Priscilla, Hirome, Ada Melo, Mnemsis, Julia Eidrian, Natacha, Patty_321, Flavia Cris, GabiRegi, Cristina, Daenerys e Ivy Fortal seguem comigo por onde eu for! -- exibia-se -- Elas clamam por meu nome aos berros no mundo virtual!
--Gente! -- estava impressionada
--Luanab e Andys faziam parte desse grupo mas elas me traíram! -- falou chateada -- E contigo!
--Ah! -- riu -- Deixa Samira ouvir isso! -- riu de novo
--Eu tenho uma campanha, sabia? É a campanha do Forewers! Tem música, dancinha e tudo mais.
--Eita, nóis! Poderosa você, viu, fi?
--Agora vê se aprende com meu exemplo, dá um jeito nessa tua trama e termina essa história! -- aconselhou -- Já deu o que tinha que dar!
--Tô sabendo... -- passou a mão nos cabelos -- Pode deixar que vou pensar com calma e fazer um esforço pra encerrar meu conto da melhor forma possível. -- sorriu -- De preferência, com um final inesperado... ou não!
--Como assim? -- perguntou curiosa -- Hebe vai ficar com quem?
--Vai ter que ler pra saber, fi... -- respondeu brincando com a loura
***
José se aproximava de uma casa pobre com uma bebê nos braços e uma bolsa nas costas.
--Deve ser aqui. -- disse para si mesmo -- Dona Joselina! -- chamou -- Ô de casa!
--Quem me chama? -- a idosa se apresentou na janela
--A senhora não me conhece mas meu nome é José; sou pai da moça que teve uma filha com seu neto William.
--William teve filha?? -- arregalou os olhos e apressou-se para abrir a porta -- É essa bebezinha aí? -- saiu para abrir o portão
--A própria. -- mostrou a criança -- O nome dela é Celina.
--Celina... Era o nome da minha avó... -- abriu o portão e o convidou para entrar -- Por favor!
--Onde está ele? -- perguntou ao entrar na casa
--Queria saber também. -- apontou o sofá -- Sente-se, por favor.
--Eu não vou enrolar, não, dona. -- sentou-se e colocou a bolsa sobre a poltrona -- Minha filha teve essa menina com seu neto e ele não quis assumir. Depois ela se meteu com um bandido aí e os dois tiveram que fugir porque prenderam um manda chuva do morro e a senhora sabe como é. -- olhava para a idosa -- Eu não tenho condições de cuidar dela! -- colocou a garota nos braços de Joselina -- Vim trazer ela pra ficar com a senhora.
--Comigo?? -- segurou a bebê com cuidado -- Moço, o senhor já olhou bem pra mim? Sou uma velha, não posso cuidar de criança! E William... -- balançou a cabeça -- Aquele ali mal cuida de si!
--Bem, se não pode ficar com ela, vou deixar em um orfanato. Comigo é que não dá! Nem a mãe quis!
Joselina ficou com pena da criança, que parecia ser tratada como um trapo que ninguém queria. -- Não... -- olhou carinhosamente para ela -- Orfanato, não... -- beijou a mãozinha da menina -- Tudo bem, eu fico com ela. E seja lá o que Deus quiser!
Valadão e Vitória sorriam satisfeitos.
***
Isabela terminava com as bagagens. Partiria em definitivo no dia seguinte. Seyyed acompanhava seus movimentos com atenção e em silêncio.
--Pronto! -- fechou a última das malas -- Agora está OK. No mais, só amanhã pra guardar as coisas que ainda vou usar antes da viagem. -- olhou para Ed
--E agora somos nós... -- respondeu reticente -- A despedida tão adiada...
--Não fale assim... -- aproximou-se da morena
--Você passou o ano numa ponte aérea Rio-Paris e adiou essa fatídica viagem pra dezembro! -- abriu os braços -- E estamos aqui! -- caminhou para a porta do quarto e pôs as mãos na cintura -- Diga se não é o momento do adeus? -- olhou para a ruiva
Respirou fundo antes de responder. -- Acho que é...
--Por que eu tenho a impressão de que no final é sempre assim? -- lutava para não chorar -- Eu perco você?
--Talvez porque nós insistimos em manter esse laço atado... e talvez seja o momento de nos libertarmos...
--E se eu disser que não queria me libertar? -- caminhou até a amante e parou bem próxima a ela -- Eu te amo, Isa! Não quero te perder! -- falava com emoção
--Ama mesmo? -- questionou -- Você tem carinho, amizade, companheirismo, paixão, desejo... mas não amor!
--Mas que inferno! -- segurou-a pelos braços -- Será que depois de tudo que vivemos você ainda tem coragem de me dizer isso? -- olhava nos olhos da outra -- Eu te amo e me dediquei a você como nunca fiz com mulher alguma! -- largou-a e afastou-se parando de costas para a bailarina -- Você tem tudo que eu sempre quis em uma mulher!
--E você é tudo que eu poderia desejar! -- foi até a mecânica e acariciou as costas dela -- Eu sei que você foi a melhor companheira que eu poderia ter. -- abraçou-a -- Dedicada, atenciosa, carinhosa, excelente amante, amiga... Aprendi muito com você, Ed! Sob todos os aspectos! -- beijou o ombro da outra -- Não sabe como me custa abrir mão de você agora...
--Não parece! -- desvencilhou-se devagar -- Eu sei que você vai realizar o seu sonho, e não sei como evitar essa despedida! -- virou-se de frente para Isa -- Não queria fazer você abrir mão do que deseja e merece novamente! -- passou a mão nos cabelos -- Mas meu lado egoísta não aceita te perder! Não precisávamos terminar...
--Não precisávamos, concordo. Mas nossa relação não resistiria a distância que vai haver entre nós. -- suspirou -- Eu pensei muito antes de tomar essa decisão, pensei em mil possibilidades e concluí que você tinha razão quando disse que eu não teria coragem de abrir mão de tudo lá e entregar o projeto nas mãos de outra pessoa. Não teria mesmo... -- pausou brevemente -- Talvez até tivesse... mas eu não sinto firmeza em você pra isso...
--Por causa de Camille? -- perguntou de cara feia
--Por causa de você! Camille não tem culpa de coisa alguma...
--Eu não sei o que você quer, Isa! Acho que sonha com esses romances irreais de filme! Não existem amores perfeitos! As pessoas não somos perfeitas!
--Não sou uma sonhadora ingênua, Ed. E é por isso mesmo que sei que nosso relacionamento deve terminar aqui! -- segurou uma das mãos dela -- Você me pediu pra transformar o destino contigo e nós fizemos isso. Agora é hora de cada uma seguir seu caminho...
--Claro, agora você não precisa mais de mim! -- afastou-se
--É o contrário! Vocês é que não precisam mais de mim! -- argumentou -- Estão todos bem, felizes, refeitos... Posso ir embora sem medo de causar dor.
--Isso é piada? -- perguntou com sarcasmo -- Como acha que eu me sinto? -- olhava para a ruiva com mágoa
--E eu? -- aproximou-se da morena -- Acha que é fácil pra mim?
--E quem decidiu terminar? -- perguntou exaltada
--Por uma questão de sobrevivência! -- respondeu em tom mais alto e se calou em seguida -- Sejamos sinceras uma com a outra, Seyyed! -- falava em seu tom normal -- O que vivemos foi maravilhoso e eu repetiria tudo, TUDO! -- segurou o rosto da amante -- Mas o que temos aqui não é amor. É um conjunto de sentimentos maravilhosos, mas não amor.
--Você não me ama? -- derramou uma lágrima
--Sim. -- emocionou-se também -- Mas passei todo esse tempo querendo que você me desse uma coisa que não pode me dar. Eu quis te moldar no meu sonho, mas não deu... -- pausou brevemente -- “O ponto de partida do amor consiste em permitir àqueles que amamos serem perfeitamente eles mesmos e não transformá-los para que se ajustem a nossa própria imagem. Caso contrário amaremos apenas o reflexo de nós mesmos que encontraremos neles.”48 -- controlava as próprias emoções -- Você merece mais do que ser meu espelho e eu mereço mais que uma ilusão.
A mecânica afastou-se novamente e parou diante da porta.
--Vamos falar das coisas práticas. -- olhava para Isabela -- Eu vou sair daqui e voltar pro apartamento de Ricardinho. Seus pais podem alugar esse imóvel e passar o resto da vida contando com esse dinheiro. Ou você pode deixar o apartamento sempre à disposição pra quando voltar pra cidade e passar uns dias aqui. -- falava com decisão -- Eu não vou levar muita coisa; não preciso de muito.
--Ed, você não precisa sair de casa...
--Esse apartamento é seu e assim vai continuar. -- respondeu enfática -- Eu dei ele pra você e não quero de volta. Não quero que venda por minha causa e não quero ganhar dinheiro com ele, não quero! Está decidido!
--Ed...
--Não insista, pode ser? Pelo menos isso? -- pediu chateada
--Tudo bem, Ed. Já que quer assim...
--Sim, eu quero! -- secou os olhos com as mãos
--Amor... -- aproximou-se delicadamente -- Estamos nos despedindo e eu não queria que nossa última noite fosse assim: tensa e dolorosa...
--Queria festa? -- perguntou com deboche
--Por favor, amor! -- segurou o rosto da morena mais uma vez -- Sem deboches, sem agressões... Nossa história é muito bonita pra se reduzir a isso! -- falava com carinho -- Vamos nos despedir como devemos... -- pediu
--Isa... -- abraçou-a com força -- Mesmo que morra dizendo o contrário e duvidando de mim... saiba que eu te amo! -- olhou para ela -- Você é a mulher que mais invadiu minha alma!
--Promete uma coisa? Que nunca vai me esquecer? -- duas lágrimas rolaram-lhe dos olhos
--Esquecê-la seria impossível! Seria o mesmo que esquecer de respirar...
--Faz amor comigo, Ed. -- pediu -- Pela última vez?
--Quem sabe se será a última? Outras vidas virão! -- beijou-a -- E não me peça desse jeito! Fazer amor com você sempre foi e sempre será, antes de mais nada, uma honra! -- beijaram-se com ternura
https://www.youtube.com/watch?v=SPivgpKNaWw
“Onde você estiver,
Não se esqueça de mim...”
Despiam-se uma a outra entre beijos e carícias carregadas de carinho e um pouco de pesar.
“Com quem você estiver,
Não se esqueça de mim...”
As mãos percorriam os corpos como se quisessem desvendar todos os segredos por ventura ainda não revelados. Os beijos falavam o que palavras jamais poderiam expressar.
“Eu quero apenas estar,
No seu pensamento...”
Seguiram até a cama e se deitaram. A mecânica por cima da parceira.
“Por um momento pensar,
Que você pensa em mim...”
Seyyed, como tantas outras vezes, seguiu saboreando o corpo da ruiva com seus beijos e mordidas suaves, mas agora havia um algo mais. Era a canção da despedida que não se verbalizava naquele momento.
“Onde você estiver,
Não se esqueça de mim...”
Invadiu o sex* da outra com a paixão e a intensidade que a caracterizavam.
--Ah!!! -- a ruiva gemia
“Mesmo que exista outro amor ,
Que te faça feliz....”
A ruiva segurou a mão que tocava seu seio e pediu: -- Amor, vem aqui! Ai... -- gemia
Seyyed obedeceu e veio lambendo a amante até chegar em seu pescoço.
“Se resta, em sua lembrança,
Um pouco do muito que eu te quis,
Onde você estiver,
Não se esqueça de mim...”
Isabela inverteu as posições e ficou sobre a morena, começando sua lenta e derradeira exploração pelo corpo da mulher amada.
“Eu quero apenas estar,
No seu pensamento...”
--Ah!! Isso, linda... -- Ed gem*u quando sentiu os dedos da ruiva dentro de si
A bailarina mordia a pele da amante como se quisesse guardar na lembrança aquele sabor.
“Por um momento pensar,
Que você pensa em mim...”
--Ah... -- gem*u excitada quando a amante tomou seu sex* com língua e lábios
“Onde você estiver,
Não se esqueça de mim...”
Perto do orgasmo, a mecânica segurou a ruiva pelos cabelos. -- Vem! -- pediu tomada pelo prazer
Isabela interrompeu o que fazia e deixou-se guiar pela morena, que novamente se deitou sobre ela. Colaram testa com testa e começaram a se movimentar uma contra a outra.
“Quando você se lembrar,
Não se esqueça que eu...”
Estimulavam-se mutuamente com as mãos.
“Que eu não consigo apagar,
Você,
Da minha vida...”
Goz*ram juntas, presas no olhar uma da outra.
“Onde você estiver,
Não se esqueça de mim...”
Abraçaram-se com força, desejando que o tempo parasse.
“Não se esqueça de mim...”
As lágrimas foram inevitáveis.
“Não se esqueça de mim...”
E as palavras inúteis.
“De mim...”
Não se Esqueça de Mim – Nana Caymmi [c]
(Nota da autora: Acho que nunca chorei tanto escrevendo essa história... Mas certas despedidas são inevitáveis!)
16:00h. 07 de janeiro de 2012, Aterro do Flamengo, Flamengo, Rio de Janeiro
Priscila, Lady e Jaqueline conversavam sentadas na grama. Priscilinha divertia-se brincando com as outras crianças.
--Eu quis que viéssemos pra cá porque acho que o aterro diz muito sobre nós, gurias. -- Jaqueline dizia -- Encerrar aquele maravilhoso almoço e depois não passar aqui pela última vez seria um pecado! -- sorriu -- A despedida seria incompleta!
--Ei, não diz isso de última vez! -- Priscila pediu -- Não é porque vai você voltar a morar em Porto Alegre que significa que nunca mais vem aqui! -- retrucou
--Tens razão! -- passou a mão nos cabelos -- Mas acho que vocês entendem o que quero dizer!
--Ai, amiga, eu entendo! Nós moramos aqui pertinho naquele prédio por tanto tempo, né? -- Lady respondeu pensativa -- Tantas vezes viemos aqui espairecer, conversar... Tinha que ser mesmo! Este solo tem a marca de nossas pegadas! -- passou a mão na grama
--Pena que a Tati não pôde vir... -- a dentista lamentou -- Mas o que esperar de uma executiva de TV? Vai ter tempo? -- sorriu -- Não, né?
--Mas, bá, meu consolo é que ela pôde ir na despedida de Isabela e nos vimos lá! -- a gaúcha comentou -- Menos mal... E a internet vai nos ajudar a manter contato.
--Gente, eu fico tão triste com essas despedidas, viu? -- a engenheira falou emocionada -- Me sinto num jogo de resta um! Tatiana foi embora, Priscila foi embora, -- enumerava nos dedos -- eu fui embora, Priscilinha foi embora, Isa foi embora e agora você, Jaque... -- olhou para a loura -- Gente não sobrou ninguém! -- constatou alarmada -- É resta zero!! -- teve medo
--Ô, Lady, Priscilinha e eu moramos contigo!! -- retrucou -- Como é que restou zero?? -- olhava para a mulher
--Mas, amiga, é muita gente que partiu! Até eu parti!! -- estava em choque -- Ai, Pri, eu fico só pensando... o que fazer quando Priscilinha sair de casa, hein? Eu não tô pronta, amiga, não tô! -- apertou os seios
--Guria, tua filha ainda nem fez seis anos... -- a gaúcha riu balançando a cabeça
--Mas as coisas estão cada vez mais rápidas, amiga! Priscilinha é da geração Z, ou seja, eles passam zunindo! -- argumentava -- Daqui uns dias essa menina sai de casa pra casar e eu vou morrer de saudade!
--Sai de casa pra casar??? -- a morena perguntou revoltada -- Ah, não, Lady, você não vai endoidar a menina e fazer da criança uma casamentomaníaca de jeito nenhum! -- protestava -- Só por cima do meu cadáver! -- gesticulou com o dedo para cima -- Se comprar vestido de noiva pra ela eu rasgo!! -- deu um soco na mão
--E por falar nisso, dona Priscila... -- lançou-lhe um olhar desconfiado -- você já levou tudo teu pra nossa casa, então... a gente casa quando? -- queria saber
Priscila sentou-se em outra posição e respondeu querendo mudar de assunto: -- Lady, não mistura tudo que o papo aqui é outro! -- passou a mão nos cabelos -- Vamos dar atenção a nossa amiga, entendeu? -- disfarçava -- Ela tem que ser o foco das conversas!
--Se eu soubesse quando a gente vai casar, já aproveitava pra convidar ela! -- argumentou -- Eu quero festa, viu?
--Calma, que tudo vem a seu tempo... -- fez cara de profeta -- Não criemos pânico!
--Humpf! -- fez um bico -- Você é um ônibus de roda quadrada: não anda! -- reclamou
Jaqueline apreciava a cena se divertindo.
--Diz pra gente, Jaque, -- tentava desviar o rumo da conversa -- você volta pra casa pra cuidar da sua mãe, mas e o trabalho?
--Bá, eu já arrumei uma escola pra trabalhar no Centro da cidade e o interessante é que eles oferecem um curso técnico em informática. -- respondeu excitada -- Vou tentar levar a idéia do projeto de inclusão digital e reciclagem de e-lixo pra lá. Acredito que alguns alunos vão se empolgar e querer trabalhar como voluntários. -- sorria -- No mais, vou tentar conquistar espaço oferecendo aquele trabalho de consciência corporal com yoga e massoterapia Ayurvédica.
--Aqui no Rio o projeto vai ter continuidade? -- Lady perguntou curiosa
--Vai. Está em boas mãos. -- balançava a cabeça
--Como tem pique pra se envolver em tantas atividades, hein? -- a engenheira perguntou admirada -- Eu me limito a trabalhar em uma empresa e mal dou conta da vida! É tanta demanda, amiga... -- fazia um drama -- Priscilinha e Priscila me exigem demais, demais!! -- falava com ênfase -- É muita coisa pra uma Lady só!
--Não sei que tanta exigência é essa!! -- protestou indignada
--Minha filha me consome com as exigências infantis, coisa de mulherzinha! -- olhou para a amante -- E você me consome toda hora, me querendo! Coisa de mulherona! -- olhou para a loura -- Amiga, é um tal de mexe e remexe, se encosta, se enrosca... ela me abre e me fecha... -- passava as mãos pelo próprio corpo -- E me agarra, me lanha, me arranha... -- fechou os olhos -- Ai, Pri, não muda! Eu quero você sempre assim! -- delirava -- Oi!
--Me mata de vergonha, Lady! -- cobriu o rosto com as mãos
A gaúcha riu gostosamente. -- Ai, gurias, vocês me divertem! Vou sentir saudades disso! -- sorria -- Eu me envolvo nessas coisas todas, Lady, porque gosto e porque o trabalho de professora de ensino fundamental ou médio é muito frustrante! Tu te desgastas, ganhas mal, a maioria dos alunos não te valorizam, muitos não te respeitam e o sistema só perde qualidade ano a ano... Pelo menos eu sinto assim...
--É, a situação da educação nesse país é triste mesmo... -- a dentista concordou -- Mas, e o filme? -- perguntou jogando pedacinhos de grama na loura -- Sai ou não sai?
--No final desse ano! -- respondeu sorrindo -- Não está completamente fiel ao livro, mas pelo menos não desvirtuaram a mensagem.
--O dinheiro dos direitos autorais, ainda mais com esse filme, vai dar uma certa tranqüilidade pra você e sua mãe. Agora é se concentrar e pensar no próximo texto que vai escrever. -- a morena comentou
--Ai, mas é muita emoção gente! -- a engenheira falou mirando um ponto no infinito -- Eu só me envolvo com pessoas poderosas, viu? -- começou a enumerar -- Tatiana virou dona de TV, Jaqueline é nossa Paula Coelha, Isa curvou a França a seus pés, Priscila é quase prefeita de Piraí...
--Eu?? -- perguntou surpreendida -- Desde quando??
--Sabrina também ficou famosa e virou personagem de best seller, minha ex sogra é a rainha dos espíritos... -- olhou curiosa na direção da filha -- O que o destino reserva pra essa menina, hein?
--Não é viver correndo atrás de homem pra casar, com toda certeza! -- a morena respondeu enfática
--E falando nisso, a gente casa quando? -- insistiu
--Ô, meu Pai, dai-me forças... -- pediu olhando para o céu
--E falando nas pessoas poderosas com quem te envolves, guria... -- indicou alguém com o queixo -- Vê quem tá chegando!
Priscila e Lady olharam na direção indicada e viram que Ricardo se aproximava empurrando um carrinho de cachorro quente.
--Eu vendo hot, hot-dog, -- anunciava cantando -- e com ele cê não pode, se provar, tu vai levitar! -- procurava freguesia -- Eu vendo hot, hot-dog, e com ele cê não pode, veja bem, pra depois não chorar! -- reconheceu a ex namorada -- "Oh, my God! Quem vejo? Lady, a marida e a amiga sangue ruim!” -- pensou constrangido
--Humpf! -- a morena fez um bico -- Quanto mais eu rezo... -- resmungou
O homem parou a meia distância e cumprimentou receoso: -- Boa tarde.
--Boa tarde. -- elas responderam em jogral
--Lady... -- olhava para a ex namorada -- será que... maybe... eu poderia dar uma palavrinha contigo? It won’t take too much... -- garantiu
A engenheira olhou para a dentista como se pedisse permissão. Priscila balançou a cabeça positivamente.
--Tudo bem! -- levantou-se e foi até ele -- Então... -- parou diante de Ricardo -- quer dizer que você voltou a ser dogueiro? -- Lady perguntou cruzando os braços
--Well, meu pai me comprou essa carrocinha e tenho vendido hot dog por aí. Até que dá pra fazer um dinheirinho... -- sorriu -- O duro é fugir da Guarda Municipal! -- riu
--Espero que agora você tome jeito! -- desejou -- Mas podia voltar a estudar, ter uma profissão...
--Oh, come on, sejamos realistas! -- objetou -- Com um monte de jovem por aí, quem é que vai contratar um quarentão recém formado e sem experiência?
--Você jogou fora uma oportunidade de ouro quando estava na oficina de Seyyed... -- balançou a cabeça criticando -- Agora já era!
--Eu tenho pago o prejuízo dela em suaves prestações. -- queria se mostrar regenerado -- Foi a condição que o velho impôs pra me dar essa carrocinha.
--Menos mal!
--Lady... -- aproximou-se dela -- Será que... Não haveria mais qualquer chance pra nós? -- perguntou esperançoso -- No more chances?
--Ih, Ricardo, me esquece! Você já teve a tua chance e desperdiçou com teu jeito Pinóquio de ser! -- afastou-se -- Tô de casamento marcado com Priscila e nosso relacionamento vai de bem a melhor!
--Casamento marcado?? -- ficou surpreso -- Oh, my gosh, pra quando? -- queria saber
--Ah... -- olhou para a morena que conversava com Jaqueline -- You'll see! -- respondeu jogando os cabelos -- "Essa dentista não vai ter força e nem coragem pra resistir à minha fúria casamenteira!” -- pensava resoluta -- "Ah, mas não vai mesmo!!! De agora em diante começa a campanha: Lady e Pri casadas forever!”
Fim do capítulo
Músicas do Capítulo:
Diálogo de Lady e Priscila:
Brincar de Viver. Intérprete: Maria Bethânia. Compositor: Guilherme Arantes / John Lucien;
Boa Sorte / Good Luck. Intérpretes e Compositores: Vanessa da Mata & Ben Harper;
Caçador de Mim. Intérprete: Milton Nascimento. Compositores: Sérgio Magrão / Luiz Carlos Sá
[a] Lua de Cristal. Intérprete: Xuxa. Compositores: Michael Sullivan / Paulo Massadas. In: Xuxa 5. Intérprete: Xuxa. Som Livre, 1990. 1 CD, faixa 6 (4min22)
[b] Garoto Maroto. Intérprete: Alcione. Compositores: Jose Franco Lattari / Marcos Cezar de Oliveira Paiva. In: Garoto Maroto. Intérprete: Alcione. RCA Victor, 1986. 1 disco vinil, lado A, faixa 1 (4min03)
[c] Não Esqueça de Mim. Intérprete: Nana Caymmi. Compositores: Roberto e Erasmo Carlos. In: Elas Cantam Roberto Carlos. Intérprete: Nana Caymmi. Sony & BMG Intertainment, 2009. 2 CDs, CD2, faixa 7 (3min42)
Flávia canta:
Adaptação de Baba. Intérprete: Kelly Key. Compositores: Kelly Key / Andinho. In: Kelly Key. Intérprete: Kelly Key. Warner Music, 2001. 1 CD, faixa 2 (3min44)
Diálogo Lady, Priscila e Lila:
Taras e Manias. Intérprete: Elymar Santos. Compositores: Marcos Valle / Carlos Colla;
Hot-Dog. Intérprete e Compositor: Buchecha
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PaudaFome
Em: 13/05/2024
Você separou Seyyed e Isa e Camille e Fátima até a si mesma você separou??? Não não não até chorei Pelo menos a Jaque veio pro lado arco-íris da força
Mas chorei de rir também com Camille Lady e Priscila
Solitudine
Em: 20/05/2024
Autora da história
kkkkkkkkkkkkkkkkk Eu não! Quem separou foi a vida. Vamos ver se ela une de novo?
Jaqueline também é do arco-íris, fazer o que? rs
Beijos,
Sol
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Faltando pouco minha franga hehe
Solitudine
Em: 10/04/2024
Autora da história
Estou vendo, minha criadora! kkk
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Samirao
Em: 07/10/2023
Esse CAPs foi aquele que acabou comigo... A história se repetindo honey
Solitudine
Em: 11/11/2023
Autora da história
"Eu vejo o futuro repetir o passado..."
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Femines666
Em: 14/03/2023
Cara, chorei muito! Seyyed e Isa separadas não!!!! Autora, por favor!!! O capítulo foi lindo mas essa separação é de matar!
Resposta do autor:
Calma, menina! Aguarde as cenas dos próximos capítulos! rs
Mas eu também chorei, se te serve de solidariedade. :)
Beijos,
Sol
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Seyyed
Em: 16/09/2022
Puta merda autora! Se tu chorou que digo eu? Tô envolvida nessa história..
Nem as loucuras de Lady me animaram
Não aceito eu com Camila. Meu amor é Isa que até pisa mas é essa!!! Depois eu volto
Resposta do autor:
Foi uma despedida difícil, não? Mas Isabela foi certa. Cabe agora a você, Seyyed, decidir o que fazer. E às vezes você demora a fazer isso.
Beijos,
Sol
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Gabi2020
Em: 26/04/2020
Olá Solzinha!
Olá Solzinha!!
Que momento delicado da Isa e da Ed, ambas se amam muito, e temem magoar uma a outra.
Maria Betânia na área... Kkkkkkk... Fala sério Lady!
Imagine a cara do taxista vendo a Lady cantando e dançando .... Kkkkkkk... mas , graças a Lua de Cristal ela e Priscila se acertaram!! Legal você ter me dado crédito na história e foi só uma brincadeira na época . Mas nem na hora do sexo a Lady esquece do casamento... Gente!
Mundo real x mundo parcela... Lady entre elas e até fazendo amor ela é engraçada... Kkkkkkk....
Os barracos de Camille sempre foram bons, mas esse do ônibus foi épico. Muito fofa ela com ciúmes.
Ah Fatima que mulher especial,! Sem contar que é classuda até pra terminar um relacionamento. E mesmo sofrendo foi super carinhosa com a Camille.
Na época eu lembro de ter ficado feliz com o término (coisa mais insensível), pois achava a todo custo que Ed e Camille eram o par ideal, mas hoje percebo o quanto fui injusta com a Fatima e faço aqui um mea culpa.
Dona Mari se deu bem! E o Romeu? Bom ele se f.
As conversas de Camille com Solitudine são sempre ótimas pra ler, me divirto muito.
Cara essa despedida da Ed e da Isa foi duro de ler viu? Linda demais, emocionante demais, trilha sonora perfeita... Caiu um cisco aqui.
Lady fez escola, até a Flávia tá de cantoria... Kkkkkk...
Beijos
Resposta do autor:
FGabinha!!!
Seyyed era o elo fraco nesta ocasião. Ela ainda precisava de mais tempo.
Você pediu Suxa, seus desejos foram atendidos. E justo na chegada de Priscila. kkk Claro que Lady não podia deixar de ser Lady na hora do amor. Senão, algo estaria errado.
Já pensou se todo tarado de condução esbarrace com uma Camille? kkk
Fátima sempre amou sem posse. Na publicação original de Maya, você disse que nem deu para sentir direito a personagem dela e te respondi: permita-se e você sentirá. Fico imensamente feliz que tenha se permitido.
Romeu era o seu preferido, confesse! kkkk
"As conversas de Camille com Solitudine são sempre ótimas pra ler, me divirto muito". - duas autoras maluquinhas. Dá nisso. kkkk
Essa despedida para mim também foi dura. Creia!
Flavia não precisa de Lady para aprender a ser doida! kkk
Beijos!
Sol
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Solitudine Em: 20/05/2024 Autora da história
kkkkkkkkkkkk Ele não agradou muito...
Beijos,
Sol