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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

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Palavras: 17395
Acessos: 10825   |  Postado em: 12/04/2020

Terceira Temporada - BUSCAS III

 

 

Suzana estava em Boa Vista pesquisando sobre o rapaz que ela assassinou acidentalmente. Guiada por sua intuição havia descoberto muitas coisas, mas faltava o principal: a identidade de Sammael. O jovem era registrado apenas no nome da mãe.

 

Depois de cinco dias de investigações intensas conseguiu chegar na casa de uma senhora que conhecia a família do rapaz. A delegada fingiu que era apenas uma pessoa saudosa procurando informações sobre os amigos e depois de muitas mentiras foi convidada para um café. Acomodou-se na poltrona e iniciou uma conversa. Apesar do convite, percebeu que a mulher mais velha parecia meio desconfiada com ela.

 

--Fazia muitos anos que eu não vinha a essa cidade. Como está mudada! -- comentou enquanto mexia o café

 

--E põe mudada nisso! -- sorriu -- Mas tenho saudades da época em que era uma ‘roça’, como dizem as pessoas do sul. A modernidade cobra um preço alto... e olha que nem somos tão modernos assim.

 

--Como diria um colega de trabalho: “Nem sempre aquilo que vem depois é um progresso.”13

 

--É mesmo... -- bebeu um gole de café

 

--Mas, senhora... o que sabe sobre a família do Irineu? -- bebeu um gole também -- Ele era meu amigo e depois de sua morte nunca mais soube deles.

 

--Aqueles ali... -- pausou -- uma família pequena, que foi desgraçada por aquele garimpeiro ambicioso. Ele foi lá longe com um monte de homens fazer maldade com os índios e o menino foi quem se deu mal! Dizem que foi uma índia desesperada que matou o menino pra fazer vingança.

 

A delegada sentiu uma dor no peito ao ouvir aquilo. -- É, mas talvez ela quisesse um e acabou pegando outro sem querer... Além do mais o tio de Irineu acabou sendo preso! E morreu na cadeia!

 

--Ah, mas levou tempo pra isso acontecer... Tempo demais... -- bebeu outro gole

 

--Mas, e o pai do Irineu? Ele estava arrasado no enterro. O que se deu dele?

 

--O pai do Irineu não foi no enterro, ele passou mal... -- coçou a cabeça -- Ou foi? Nem sei mais... -- pensou -- A mãe do menino definhou muito rápido depois da morte do filho. Não durou muito tempo viva. O mesmo se deu do pai...

 

--Como assim o mesmo se deu do pai? -- perguntou sem entender

 

--Morreu! -- respondeu convicta

 

--Morreu?!

 

--Sim! Eu não fui no enterro de Irineu, mas estive presente no da mãe e do pai dele. -- bebeu mais café

 

--Mas... -- Suzana estava atônita -- Isso não pode ser! -- colocou a xícara de café sobre a mesa -- Qual era o nome dele mesmo? Nossa, faz tanto tempo... -- fingiu ter esquecido -- Lembro bem da dona Catarina, mãe do Irineu, mas o nome do pai dele tá na ponta da língua e não vem!

 

--Mateus Damaso. Mas todos o conheciam como Dama.

 

--Isso! -- fingiu ter lembrado -- Mas... gente, não é possível que ele tenha morrido! -- passou a mão nos cabelos

 

--E por que não? -- perguntou surpresa. A mulher não tinha idéia de que Suzana era policial

 

--Eu... -- pensou no que dizer -- Eu juro que vi um homem lá no Rio idêntico a ele. Idêntico! E ele ficou me olhando como se me conhecesse! Não tive como falar com ele... -- balançou a cabeça -- Não é possível!

 

--Nem sei o que dizer!

 

Suzana levou um impacto. “E mais essa!” -- pensou

 

--Olhando você melhor agora eu noto... você é índia?

 

--Não... tenho parentesco com indígenas mas nasci aqui na cidade. Meu pai também era garimpeiro, por isso conheci a família do Irineu. E de mais a mais, quem por aqui não tem um parente índio? -- brincou -- Só quem veio de fora!

 

--E por que eu não lembro de você? -- perguntou desconfiada

 

--Não sei... Talvez seja porque minha família se mudou quando eu estava com dezoito, dezenove anos, e isso faz tempo! A gente também não morava aqui em São Vicente, mas em Pricumã. -- sorriu -- Meu pai me regulava muito, eu não ficava andando pela rua. Irineu é que ia lá em casa.

 

--Mas aqui nessa cidade todo mundo se conhecia naquele tempo. E Pricumã é aqui do lado... -- pausou -- E qual era o nome dele? Do seu pai?

 

--José de Faria Mello. -- falou a verdade

 

--Não me lembro desse seu José... -- olhava fixamente para Suzana -- Como ele era?

 

--Um mulato alto. Não era de muita conversa.

 

--Não me lembro mesmo... -- respondeu pensativa -- E sua mãe? Qual o nome dela?

 

--Juliana! -- mentiu. A mãe da delegada tinha apenas o nome na tribo e não era registrada -- Olha, dona Leda... -- terminou de beber o café -- Adorei o café e o papo com a senhora mas tenho que ir. -- levantou-se -- A essa altura o pessoal deve estar preocupado comigo. Depois de tantos anos acertar chegar aqui... -- sorriu -- Foi como caminhar em um labirinto!

 

--Eu abro a porta pra você! -- deixou a xícara na mesa e se levantou -- Vamos lá!

 

A delegada partiu deixando a mulher muito desconfiada, mas isso não importava. Sabia o que precisava saber.

 

“Hora de investigar sobre Mateus Damaso!” -- pensou -- "Esse cara não pode ter morrido... tem alguma coisa errada aí!”

 

 

11:00h. 30 de novembro de 2001, Olaria, Rio de Janeiro

 

Renan estava em uma loja de autopeças comprando alguns mantimentos quando um travesti entra no estabelecimento e distribui filipetas anunciando o show de um transformista. Curioso ele dá uma olhada e leva um susto: -- Meu Deus! -- exclamou de olhos arregalados

 

--É uma pouca vergonha, não é? -- o dono da loja reclamou com ele -- O mundo tá perdido! Show de transformista! Pra mim um sujeito desses tinha que ser castrado e depois apanhar até morrer!

 

Renan ignorou o comentário infeliz e respondeu: -- Esse cara... é noivo da amiga da minha namorada! Vão casar no dia 29 do mês que vem!

 

--Ih, meu filho, avisa a ela! -- endireitou o cinto -- Se fosse minha filha eu matava ele!

 

--Nossa... -- Renan falou com tristeza -- A pobre daquela maluquinha vai surtar... -- ficou parado com a filipeta na mão

 

***

 

--Priscila, deixa eu te contar! -- Tatiana invade o quarto da outra e pula em cima dela na cama -- Tenho uma notícia bombástica! -- estava nervosa

 

--O que é??? -- endireitou-se na cama apavorada -- São os assassinos de Patrícia??? -- arregalou os olhos

 

--Olha pra isso! -- estendeu a filipeta para a outra ver

 

--Meu Deus! -- Priscila pegou o papel boquiaberta

 

--Carlão é mesmo gay como a gente desconfiava! E faz show em Olaria!! Chega doeu quando Renan me mostrou esse trem hoje!

 

--E o nome dele é... Priscila??? -- perguntou chocada -- E nessa foto ele tá usando minha saia!! Aquela que sumiu!!! -- levantou-se da cama com ódio -- Ah, desgraçado!!

 

--Eu sempre achei que ele queria ser você! -- levantou-se também -- E o show é hoje, começa pras onze, tá vendo?

 

--Ah, mas Lady tem que saber disso! A gente tem que levar ela pra ver! -- olhou para Tatiana -- Eu tinha que estudar hoje mas nem vou! Se arruma e vamos!

 

--Lady ainda não chegou! -- pôs as mãos na cintura -- Achei estranho porque ela deveria estar aqui...

 

--Ela tá na manicure, daqui a pouco volta. E quando voltar a gente seqüestra ela e vai pra Olaria voando! É hoje que esse fingido desse Carlão vai ser desmascarado! -- deu um soco na mão -- E vai devolver minha saia! Ah, se vai!

 

***

 

--Gente, eu ainda não entendi porque vocês me trouxeram pra cá! -- Lady falou enquanto olhava para todos os lados -- Show de transformista, eu hein?

 

--Você vai entender daqui a pouco! -- Priscila respondeu com ênfase

 

--Eu tinha que estar resolvendo os detalhes do casamento. Ainda não decidi com que cabelo eu vou pra igreja...

 

--Depois você vê isso, Lady! -- Tatiana afirmou com delicadeza -- "Ô meu Deus, será que isso foi uma boa idéia? Quando é fé essa menina pode até morrer aqui! Mas também ela é tão custosa, tão cabeça dura que se a gente mostrasse a filipeta era capaz de não acreditar...” -- pensou

 

--A casa tá cheia... -- Priscila disse para Tatiana -- Não sabia que meu cover fazia tanto sucesso! -- a outra riu

 

--Gente linda!!!! -- um travesti chegou anunciando -- É com muito prazer que eu, Paulina Siorra, apresento quem vocês mais estavam esperando: -- apontou para a entrada do palco -- Priscila Caballeras!!

 

Carlão apareceu com uma blusa justa branca e a saia comprida de Priscila. Usava uma peruca igual aos cabelos da morena e sapatos de saltos enormes. Entrou no palco dançando sensualmente e cantando: -- Bandido, bandido, corazón!!

 

Lady levou um impacto ao ver aquele homem e abriu a boca levando a mão aos lábios. -- Meu Deus... -- os olhos se encheram de lágrimas -- Não é possível! -- começou a tremer

 

--Calma, amiga, calma! -- Tatiana pediu apavorada

 

--A gente te trouxe aqui pra você cair na real! -- Priscila falou com jeito -- Esse cara te enganava o tempo todo! Ele não trabalha em banco até altas horas da noite. -- olhou para o palco -- Ele faz é isso aí!

 

--Ah, não, não!! -- Lady se levantou e invadiu o palco gritando -- Pára tudo!!! -- levantou os braços -- Pára com essa música agora!!!!! -- pulava como se sapateasse

 

--Lady?! -- Carlão perguntou nervoso. Deixou o microfone cair no chão

 

--Gente, mas o que é isso?? -- Paulina perguntou nervosamente. Fez sinal para interromperem a música

 

--O que é isso?? O que é isso?? -- Lady falou olhando para Paulina -- Eu vou dizer o que é isso! -- olhou para Carlão -- Essa Priscila na verdade é Carlão! -- puxou a peruca dele -- Meu noivo!!!

 

Na platéia muitos exclamaram: -- OOhh!!!

 

--Lady, eu... -- Carlão voltou a fazer voz grossa -- Eu posso explicar... -- pôs as duas mãos diante dela como se fosse rezar

 

--E tem o que explicar, Pri? -- Paulina perguntou -- Isso é que nem batom na cueca, amor! -- pôs as mãos na cintura

 

--Seu fingido! -- jogou a peruca no rosto dele -- Você vivia falando mal de todos os homens, chamando todo mundo de gay, de bicha, de viado, e olha só... -- começou a chorar -- Você queria bater nos gays que apareciam na rua, se dizendo muito macho, e no entanto olha quem você é!

 

--Você queria bater nos gays na rua, Priscila?? -- Paulina perguntou revoltada. Outros gays na platéia começaram a vaiar

 

--Não, calma, eu posso explicar pra você também! -- falava desesperadamente

 

--Não tem o que explicar, seu maldito!! -- Lady gritou e olhou para a platéia -- Gente, esse canalha se fingia de machão, bancava o homofóbico, me prometia um monte de coisas, dizia que me amava... A gente ia se casar no dia 29 de dezembro! Vocês acham certo isso?? Por que não se assume logo ao invés de brincar com os sentimentos dos outros?? Vocês acham certo??

 

--Não!!!!! -- todo mundo respondeu

 

Tatiana olhava para todos os lados e cochichou para Priscila: -- Amiga, vamos dar no pé porque vai ter arranca rabo nesse lugar! Tá todo mundo revoltado e o coro vai comer aqui dentro!! -- disse com medo

 

--Vem comigo! -- Priscila levantou-se e puxou a amiga

 

--Uma vez tava tendo um show de transformista na Lapa e ele tava comigo... -- fungou -- A gente tava passando de carro, aí ele parou de qualquer jeito, pegou pedra e tacou no travesti! Bem assim na cara! Sorte que o rapaz desviou e a pedra pegou só no braço. -- fungou de novo -- Se eu não saio do carro pra brigar com ele, nem sei o que tinha acontecido! Talvez tivesse matado o artista!

 

--Ah, Priscila, nessa casa você não pisa mais, sua salafrária!!! -- Paulina correu avançando sobre Carlão. Outros homens se mobilizaram para fizer o mesmo

 

--Vem aqui, doida! -- Tatiana puxou Lady pelo braço -- Vamos fugir!

 

--Ele tem que me dar satisfações!! -- ela protestou

 

--Isso aqui vai pegar fogo, viu, fi? Vambora, que num dou conta!!

 

Carlão caiu no chão se debatendo contra Paulina. Mais alguns homens se aproximavam. Priscila se meteu no tumulto e deu um berro horroroso. Todos pararam assustados.

 

--Com licença! -- olhou para eles e depois para Carlão -- Você tem algo que me pertence! -- abaixou-se e puxou a saia dele, deixando-o de calcinha -- Além de tudo é ladrão de roupa, gente! -- olhou para os outros homens -- Isso aqui foi presente de papai, comprando em Milão! Vê se ia deixar com ele?

 

--Não mesmo!! -- Paulina começou a enforcar Carlão -- Então quer dizer que foi você que jogou pedra na minha amiga Dolores?? Ela me contou, sua maldita!! Só nunca podia imaginar que fosse você!!!

 

--Corre, Priscila, pelo amor do Pai!! -- Tatiana acenava desesperada para Priscila do lado de fora

 

--Eu não ia deixar ele ficar com minha saia por mais um segundo sequer!! -- ostentava a peça de roupa vitoriosamente

 

--Gente, eu quero morrer... -- Lady chorava

 

--Vamos embora, querida. -- Tatiana abraçou a outra

 

--Tudo vai dar certo, Lady... -- Priscila falou com calma -- Morre agora não que tá muito cedo pra isso!

 

As garotas correram para o carro de Priscila e foram embora.

 

***

 

Era sábado e Camille estava em casa fazendo fisioterapia.

 

--Maluquete, agora que estamos terminando, olha isso aqui! -- mostrou o folder de uma empresa fornecedora de produtos ortopédicos, próteses, órteses e coisas do gênero -- Você tem que ter uma dessas! Foi Luca quem me deu esse folder.

 

Camille pegou o folder para ler. -- Perna mecânica com controle da fase de balanço hidráulico. -- ficou olhando a foto -- Joelho com sistema hidráulico rotativo...

 

--Sabe o que isso significa? -- Flávia perguntou -- Uma redução significativa na quantidade de força necessária pra iniciar a fase de balanço. E mais! Você tem maior liberdade de movimento porque, dentre outras coisas, a perna adapta-se rapidamente às mudanças na velocidade do passo, minimizando impactos no deslocamento. -- apontou para o folder -- Esse sistema hidráulico de rotação aí responde às forças de reação do solo durante a fase de apoio, aumentando a resistência hidráulica e prevenindo a flexão involuntária da articulação, o que te dá maior segurança.

 

--Aqui diz que o nível de resistência pode ser facilmente ajustado às exigências do usuário, permitindo uma flexão variável do joelho conforme a carga. -- olhou para Flávia -- Será verdade?

 

--Claro que é! Tem um jogador de vôlei usando essa prótese e Luca falou que é uma maravilha! -- respondeu empolgada -- Os ajustes finos de amortecimento são feitos através do giro de anéis. É molezinha!

 

--E o preço?

 

--Elas são feitas sob encomenda. É um produto customizado. Podemos telefonar, marcar um dia e ir lá conversar, fazer um orçamento. -- sorriu e deu um tapa nas costas dela -- Agora que você é mulher de negócios e ganha dinheiro pode comprar uma! Tô sabendo que já viajou três vezes à serviço. Tá chique, hein?

 

--Chique... -- sorriu envergonhada -- Eu sou apenas uma trainee. Em português claro, estagiária...

 

--Mas é assim que se começa, meu bem. -- pegou as agulhas -- E olha só, fica muito contentinha, não, que tá na hora das agulhas!! -- riu

 

--Ô inferno da minha vida! -- gritou -- Que merd*!

 

--Menina, olha essa boca! -- Mariângela repreendeu gritando da cozinha

 

***

 

Isa e Priscila faziam um lanche na Confeitaria Colombo.

 

--Francamente, amiga, se não fosse você a me contar isso tudo eu não acreditaria... Que história é essa do ex noivo da Lady? -- balançou a cabeça -- Coitada da garota... Como está a pobre criatura?

 

--Arrasada!! -- bebeu um gole de chá -- E vou te contar, ela jogou no ventilador! No dia seguinte foi na casa da mãe do Carlão e descarregou! -- olhou para a amiga -- E depois ligou pros pais e contou tudo!

 

--Nossa, e aí? -- perguntou enquanto comia um pedaço de bolo

 

--E aí que a família de Carlão topou pagar o prejú desse casamento cancelado em troca de não se falar mais nisso. Lady mandou uma carta pros convidados alegando que discutiu com Carlão e por isso não haveria mais casamento. Daí, arrumou as trouxas e se mandou pra casa da família!

 

--Antes do período acabar?? -- perguntou espantada

 

--Ah, Isa, ela não teria cabeça pra estudar... Imagina! Se qualquer mulher entraria em parafuso, pense naquela louca com mania de casamento! -- pausou -- Nessa brincadeira ela vai perder três matérias, porque as provas seriam por agora. -- comeu um pedaço de torta -- Foi uma pena, porque ela é maluca mas é boa aluna!

 

Isa ficou olhando para Priscila. -- Mas essa situação toda foi... Coisa caricata! Parece anedota de programa de humor de quinta categoria... -- pausou -- E você ainda foi tirar a saia do cara, meu Deus... -- acabou rindo -- Você é muito figura, Pri...

 

--Eu sou figura? Você acha que eu ia deixar com ele uma saia comprada na Galeria Vittorio Emanuele II?? Simplesmente a galeria mais chique de Milão? -- balançou a cabeça -- Forget about it!

 

--E Carlão queria ser você além de tudo! -- riu -- Ai, amiga, me perdoa mas essa situação é, no mínimo, esdrúxula!

 

--Não foi ruim de todo. -- brincou -- Poucas pessoas podem se gabar de terem um cover. Eu tenho! -- as duas riram

 

Depois de uns minutos de silêncio apenas saboreando os respectivos lanches, Priscila desabafa: -- Eu acho isso uma sacanagem, sabe? Se ele não tinha coragem de se assumir, que ficasse na dele. Arranjava um namorado discretamente, fazia os shows e ficava por isso mesmo. Mas usar uma garota como escudo pra se esconder eu acho uma baita de uma sacanagem!

 

--É mesmo! -- a ruiva concordou -- E eu sempre fui muito desconfiada com esse povo que enche a boca pra dizer que é homofóbico, que quer bater, quer matar... Pra mim é gente enrustida! Olha a confirmação aí! Esse Carlão foi muito mau caráter com a pobre da Lady. -- olhou para Priscila -- Agora se prepara que ela vai voltar mais louca do que nunca!

 

--Ela disse que nunca mais quer saber de casamento!

 

--E você acreditou? -- riu -- Pobre Priscila...

 

--Falando em relacionamentos e casamento... -- mudou de assunto -- Como vai a vida de casada, hein? -- piscou

 

--Ótima! -- limpou os lábios com o guardanapo -- Seyyed me chamou pra conversar pra que a gente criasse as regras de convivência; isso foi logo no começo. E aí é tudo muito legal, gostoso... -- suspirou -- Eu tirei a sorte grande, sabe? Ela é uma pessoa incrível! Eu me apaixono cada vez mais...

 

--E o sex*? Continua bom?

 

--Maravilhoso! -- sorriu -- Ela é um arraso na cama, amiga! -- inclinou-se um pouco mais sobre a mesa -- Acredita que ela me faz goz*r duas vezes? Eu fico louca!

 

--Sério?! -- arregalou os olhos

 

--Sim... mas agora eu também aprendi como fazer o mesmo com ela. -- bebeu um gole de chá -- E Ed faz cada massagem! E as meditações, as coisas que a gente faz pra relaxar... E é tão gostoso quando a gente faz orações, ou discute sobre um livro, ou quando eu passo algumas coreografias pra ela ver... -- sorriu -- Só que nesse último caso, dificilmente consigo terminar porque ela me agarra antes e... -- pausou -- você entendeu! -- olhou para a outra com cumplicidade

 

--Casar assim deve ser bom... -- respondeu pensativa -- Mas não é pra todo mundo...

 

--Se você achar a pessoa certa...

 

--Acho que nem todo mundo tem a pessoa certa pra si. -- terminou de lanchar -- E sinceramente eu não procuro por isso. -- limpou os lábios -- Mas, vamos às coisas práticas: a mudança pra zona sul sai ou não sai?

 

--E cadê que a gente acha apartamento? Só aparece cacareco velho ou coisa absurdamente cara! -- pausou -- A corretora falou de um apartamento na rua Visconde de Pirajá, perto do metrô, em excelente estado. A dona ficou viúva, vai morar nos Estados Unidos com o filho e quer vender urgentemente. Parece que o preço é bom, mas eu não sei... A Érica é um bocado enganadora!

 

--E quando vocês vão ver esse apartamento?

 

--Amanhã.

 

--Se vocês gostarem mesmo, pede pra Seyyed colocar ele no teu nome. Tudo que vocês têm é dela e o casamento entre mulheres não é reconhecido pela justiça. Você precisa de algo no seu nome!

 

--Mamãe diz isso, mas... eu não tenho coragem de pedir uma coisa dessas a Ed. Não quero que ela pense que sou uma pessoa interesseira.

 

--Deixa de ser boba! -- cruzou os braços olhando para a amiga -- Aquela mulher beija o chão que você pisa! Se não tem coragem de pedir, joga a indireta. Assim, com jeitinho, depois do sex*... -- sorriu -- Ela compra e coloca no seu nome sem pensar duas vezes!

 

--Seyyed é uma pessoa maravilhosa, Priscila. -- respondeu com muita sinceridade -- Não quero me aproveitar dela!

 

--Não estará se aproveitando, sua boba. Isso é apenas cuidar do futuro e dividir o patrimônio de forma justa!

 

Isabela ficou olhando para a morena e pensando no que havia escutado.

 

***

 

Juliana voltava com Maria Lourdes do hospital. A idosa esteve internada por causa do coração, mas já estava bem. Entraram em casa e, após um lanche, a enfermeira levava Lourdes para se deitar.

 

--Eu fico tão constrangida com tudo isso... -- a idosa disse envergonhada -- Agora eu só vivo dando trabalho pra você! Vira e mexe passo mal...

 

Juliana deu um beijo na cabeça dela enquanto a idosa se sentava na cama. -- Ninguém passa mal porque quer. E além do mais eu gosto da sua companhia. Não sabe o quanto. -- abaixou-se diante dela sorrindo

 

--Mas, meu anjo... Eu tiro a liberdade de você e Suzaninha nessa casa, trago preocupações...

 

--Suzana e eu continuamos com nossa vida íntima, dona Lourdes, a senhora não nos prejudica! Além do mais eu me sinto feliz em tê-la aqui. Não sabe como é bom chegar cansada do trabalho e ter alguém me esperando com um sorriso e comidinhas gostosas pra saborear!

 

--Você diz isso pra eu não me sentir tão mal... -- olhou para ela com ternura -- Mas estive pensando... é melhor eu ir para um asilo. Vocês podiam ir me ver lá quando pudessem. -- deu um sorriso triste -- A velhice é uma fase de declínio, meu bem. Posso estar andando um pouquinho com minha bengala, mas daqui pra frente eu não evoluo mais...

 

A enfermeira pensou e perguntou a ela: -- Dona Lourdes, a senhora lê a Bíblia?

 

--Leio... -- respondeu sem entender -- Por que?

 

--Já leu o livro de Rute, no Antigo Testamento?

 

--Acho que não...

 

--Então vou lhe contar a história dela. -- pausou -- Rute foi casada e ficou viúva muito cedo. O irmão do marido dela também morreu cedo e daí ela ficou vivendo com a esposa desse cunhado, Orfa, e com a sogra, Noêmi. Lá pelas tantas as três deixaram o lugar em que viviam e foram para a terra de Judá. Noêmi pediu que as noras voltassem para a casa de suas respectivas famílias, pois as duas ainda eram jovens e podiam se refazer. Ela já era idosa, não podia mais ter filhos, estava amargurada e se sentia um estorvo nas vidas das duas noras. Orfa obedeceu e partiu, Rute, porém, não quis deixá-la. Quando a mulher mais velha insistiu para que Rute a deixasse, ela simplesmente respondeu: “-- Não me instes a que te abandone e deixe de seguir-te. Porque aonde quer que tu fores, irei eu; e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo será o meu povo, o teu Deus será o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada. Assim me faça o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.”14 -- pausou emocionada -- Faço minhas as palavras dela!

 

--Meu Deus, Juliana... -- lágrimas escorreram por sua face -- Eu nunca ouvi coisa tão linda! -- segurou o rosto dela -- Nunca pensei que Deus mandaria um anjo como você para dar consolo aos meus dias de inverno... nunca pensei que pudesse ser feliz agora, com quase oitenta anos, doente do coração e com problemas nas pernas. -- sorriu enquanto chorava -- Que felicidade ter te conhecido! -- disse emocionada

 

--Eu não tenho interesse na sua pensão e nem me passou pela cabeça me favorecer com a senhora quando disse, naquele dia, que eu a traria pra viver comigo. Fiz o que fiz com o coração!

 

--Você é toda coração, meu amor! -- continuava chorando -- Mas olha, também tenho uma coisa a te contar. -- pausou -- Um dia você me perguntou porque sempre acendo três velas na cozinha e eu não respondi. Ainda quer saber o porquê?

 

--Sim... -- também estava muito emocionada

 

--Uma é pra iluminar a alma da pobre Gisele, que morreu sob a maior ilusão que poderia alimentar. A outra é pra clarear os caminhos de Suzaninha que trabalha com coisa perigosa. E a terceira é pra dar luz aos olhos de sua mãe.

 

--De minha mãe?? -- perguntou surpresa

 

--Claro! Ela gerou um tesouro de mulher, uma pessoa maravilhosa! É tempo de ver isso! Ela tem que enxergar a realidade! -- pausou -- Acredite no que lhe digo! Ela vai vir te procurar e te pedir perdão! Ela e sua família toda! -- falava com muita emoção -- Mesmo que não seja amanhã, mesmo que demore, ela virá! E quando isso acontecer, aonde quer que eu esteja, você vai lembrar que hoje, neste dia, eu segurei seu rosto e afirmei com certeza: ela virá te pedir perdão!

 

--Nossa, dona Lourdes... -- a japonesa chorava -- eu nem sei o que dizer...

 

--Não diga nada... apenas me abrace!

 

E elas se abraçaram emocionadamente e choraram sentindo imensa felicidade por suas vidas terem se cruzado. O amor é a força que vence todas as batalhas da vida, que alimenta a alma, que ilumina os caminhos, que transforma o efêmero em duradouro.

 

***

 

Seyyed voltava de São Paulo. Entrou em casa, tomou um banho e vestiu a roupa de trabalho. Desceu as escadas e entrou na sala de Camille.

 

--Olá, garota! -- cumprimentou sorrindo -- Cadê Mariano? -- perguntou olhando para todos os lados

 

--Foi com Renan pra uma reunião com o gerente do seu banco. Eles discutem sobre linhas de crédito e financiamento. Eu fiquei pra segurar as pontas já que todos os ‘cabeças’ estavam fora. -- respondeu sorrindo

 

--Muito bom! -- puxou uma cadeira e se sentou em frente a ela

 

--Como foi a reunião? -- perguntou interessada

 

--Proveitosa! -- respondeu entusiasmada -- Vi bons equipamentos e trouxe um monte de folders e cotações pra gente discutir juntos. Mas vou dar uma passada em Santa Catarina também porque lá tem uns fornecedores legais. Daí teremos um bom material pra apreciar. -- pausou -- E aqui? Tudo tranqüilo?

 

--Sim. -- pausou -- Os seus jovens... -- pensou antes de dizer -- especiais também dão conta do serviço direitinho, viu? Impressionante!

 

--Eles são ótimos. -- cruzou -- Conto nos dedos as vezes em que tive problemas com eles.

 

--Mas eu te pergunto: vale a pena? Eles são bons mas produzem menos e de forma limitada. -- pausou -- Não acha que isso representa um custo alto? Qual o retorno?

 

--O retorno é intangível e ao mesmo tempo incalculável! Integração, satisfação, valorização de pessoas que a sociedade simplesmente não enxerga. Dinheiro algum paga isso... -- respondeu empolgadamente -- Todos nós temos nossas limitações e há coisas que não têm preço. Uma pessoa precisa de oportunidade, precisa de alguém que lhe estenda a mão. Enquanto eu puder mantê-los comigo, eles ficam.

 

A loura abaixou a cabeça e sorriu sem graça. -- E quem sou eu falando de limitações, não é? Uma aleijada...

 

--Ei! -- pôs as duas mãos sobre a mesa e reclinou-se olhando nos olhos dela -- Não fale de você mesma desse jeito! Você não é uma aleijada, você é uma mulher! E uma mulher de muito valor!

 

Camille perdeu-se naqueles olhos. A morena sorriu e tornou a se sentar.

 

--Você é uma sonhadora, não é, Seyyed? -- perguntou como se estivesse enfeitiçada -- Você vive de fazer os outros felizes... Não sabe o quanto eu amo... -- caiu em si e mudou o tom de voz -- essa proposta da oficina! -- calou-se -- "Camille, vê se te liga, mina! Dessa vez quase escapuliu...” -- pensou

 

--Sonhadora, sim. -- sorriu -- Aliás, vamos mudar de assunto e falar de uma outra coisa: sua participação nos lucros!

 

--Aqui tem isso? -- perguntou espantada

 

--Ué, Camille, essa oficina é coisa de nível! -- falou brincando -- Ela não é uma mina de ouro mas dá dinheiro, como não? Só vive cheia, ainda não percebeu? -- olhou para o alto -- E graças a Deus! -- olhou para ela de novo -- Você tem sido muito séria, competente e já fez um monte de coisas. -- tirou uma folha de cheque do bolso -- Aqui está! Mas vê se não vai gastar com homens e farra, viu? Dinheiro não é coisa pra se brincar! -- piscou para ela e estendeu-lhe o cheque. Camille pegou -- Agora deixa eu ir porque é hora de trabalhar! -- levantou-se

 

Quando Ed estava saindo da sala Camille chamou: -- Ed! -- a morena olhou -- Mas... você me deu exatamente o que faltava pra eu comprar a perna mecânica que Flávia e eu fomos ver... -- falou sensibilizada

 

--Gente, que coisa! -- exclamou -- Veja que coincidência! Isso é um aviso do céu dizendo que você tem que usar a grana pra comprar essa tal perna aí. -- fingiu que não sabia do fato

 

--Você não liga pra dinheiro não, é? -- perguntou quase chorando

 

--“O dinheiro é a coisa mais inútil do mundo. Não estou interessada nele, apenas nas coisas de que ele é símbolo.”15

 

--Fique parada aí! -- ordenou chorando e se levantou pegando a muleta e indo até a morena -- Você... você... -- olhava para ela

 

--Sou um espetáculo de patroa e você vai querer trabalhar aqui depois que se formar! -- brincou com ela

 

A loura abraçou a mecânica com força e chorou emocionada. -- Eu não vou esquecer o que fez e faz por mim. -- falou -- Perdoe por todas as vezes em que te tratei mal...

 

--Tudo bem. -- abraçou-a com carinho -- Sem ressentimentos...

 

--Eu fico aqui a vida toda se você quiser... -- continuava abraçada a ela -- E se um dia precisar de mim, prometo que não ficará sem minha ajuda!

 

Seyyed sentiu um estranho conforto com a loura em seus braços e de repente lhe pareceu que aquele inesperado contato era tão bem vindo como não saberia descrever. Não havia desejo, malícia ou qualquer coisa do gênero, somente uma indefinível sensação de familiaridade.

 

***

 

Ana e mãe Dadá dançavam e fumavam charuto em uma encruzilhada na Ilha do Fundão. Era noite. Um alguidar cheio de farofa estava preparado e quatro velas foram acesas.

 

--Minha mãe... -- tossiu -- tem certeza de que é necessário passar esse vexame... -- tossiu de novo -- pra Seyyed colocar o apartamento no nome da minha filha?

 

--Ê, ê, minhas infia! Vosmicê queria afastá a mulher de vosso marido e mãe Dadá fez cumprir! Faz o que tua mãe manda que vosso desejo acontece! -- deu um tremelique -- Ih, kaô, kaô, cabeci ...

 

--Ô, ô, ííí... -- Ana repetiu tossindo

 

--Agora despacha o charuto com tua mãe! -- as duas se ajoelharam e posicionaram os charutos na beirada do alguidar

 

--E agora? -- Ana perguntou -- Do jeito como tenho baforado charuto mata rato vou acabar tendo um enfisema pulmonar!

 

--Agora, -- pegou uma galinha embrulhada no jornal -- vosmicê vai sangrar essa galinha em cima do alguidar

 

--Ave Maria! -- benzeu-se -- Isso eu não faço, não! -- arregalou os olhos

 

--Ô, minhas infia... -- a falsa mãe de santo fez uma cara feia -- vosmicê tem que fazer isso!

 

--Faça por mim, por favor! -- pediu apavorada

 

--Mas minhas infia, se tua mãe fizer não é igual a se vosmicê fizer...

 

--Eu pago o dobro! -- ofereceu

 

--Ê, minhas infia! -- os olhos dela faiscaram -- Pra tudo tua mãe dá um jeito... -- pegou a galinha e puxou o cabelo de Ana, arrancando vários fios

 

--Ai!! -- gritou

 

--Pronto! -- colocou os cabelos de Ana dentro do vestido que usava -- Agora faz o mesmo efeito que se vosmicê tivesse fazendo a oferenda! -- matou a galinha

 

--Minha nossa! -- Ana exclamou apavorada -- "Que sacrifícios uma mãe zelosa tem que fazer pela felicidade da filha...” -- pensou

 

***

 

A delegacia de Suzana estava uma loucura.

 

--Delegada, essa mulher é louca! -- um homem gritava -- Eu nunca encostei um dedo nela e a safada me acusa de agressão física!

 

--Olha aqui, delegada! Vê se não é  uma unhada! -- a mulher mostrava a marca no braço

 

--E vê lá se homem dá unhada em alguém! Homem dá é porr*da!  -- gritou

 

--Fala baixo aí, malandragem, que isso aqui não é lugar de zona! -- Suzana deu um soco na mesa

 

--Ele me pegou pelo braço com força e me unhou com o dedinho de coçar o ouvido! -- ela argumentou

 

--Eca, que nojo! -- Suzana pegou a mão do homem para ver -- E você tem a unha do mindinho grande mesmo!

 

--Mas eu não fiz nada de mais, delegada. Só peguei ela pelo braço e...

 

--Me bateu na cara! -- a mulher interrompeu e mostrou o rosto avermelhado

 

--Então você gosta de bater em mulher? -- a delegada perguntou de cara feia

 

--Ah, mas... -- ele tentou argumentar

 

--Brito, registra a ocorrência! -- disse para o colega -- E quanto a você! -- olhou para a mulher -- Vê se larga esse cara que fica te batendo! Mulher que apanha de homem e continua com ele é uma séria candidata a ser vítima de assassinato! Tem que ter auto estima!

 

--Delegada, e eu? -- um rapaz interferiu chateado -- Tô aqui há um tempão e ninguém me libera!

 

--Ao que me consta você atropelou um velhinho que está hospitalizado e não prestou socorro. -- ela respondeu seriamente -- Tá pensando que vai pra casa assim? Vocês são muito sem noção, viu?

 

--Delegada, eu quero que a senhora prenda aquele homem que olha pra minha esposa! -- um outro repetia sistematicamente

 

--Senhor, eu não posso prender uma pessoa simplesmente porque sua vontade é essa! Não é crime olhar pra uma mulher quando ela passa!  O senhor quer que eu faça o que?

 

--Mas ele olha com cara de tarado!

 

--Fica esperto e acompanha! Eu não posso prender alguém por tão pouco!

 

Um casal entrava esbaforido. -- Delegada, eu vim pagar a fiança do meu bebê! -- o homem falou -- Quanto é? -- foi abrindo a carteira

 

--Meu filho preso nessa pocilga... -- a mulher falou contrariada

 

--Ô gente, isso aqui não é supermercado que vocês chegam, pegam, pagam e vão levando pra casa, não!  Quem é o ‘bebê’ de vocês? -- perguntou cruzando os braços

 

--Rômulo Martinelli! -- o casal respondeu orgulhoso

 

--Esse é o playboyzinho metido a porr*r todo mundo, delegada! -- Lemos esclareceu

 

--Ah! -- ela sorriu -- O ‘bebê’ de vocês é um lutador de jiu jitsu que acha que pode sair na noite batendo nos outros. Especialmente nos travestis!

 

--São as más companhias, delegada! -- a mãe argumentou -- Ele por ele mesmo é um anjo!

 

--Ele tem uma gangue e, até onde eu tenha percebido, é o líder!

 

Nesse momento  o advogado da família entra apressado. -- Boa tarde! -- cumprimentou o casal -- Doutora, -- olhou para a delegada -- vamos cuidar do caso do meu cliente imediatamente!

 

--Imediatamente? -- olhou para ele com deboche e se levantou -- Escuta uma, doutor, tem gente na frente e ninguém aqui tá à toa! Espera! -- fez cara feia

 

De repente Macumba chega com duas lésbicas. -- Delegada, as duas aqui arrumaram uma briga no boteco e quebraram tudo! O português dono do bar tá fazendo o maior enxame aqui na porta!

 

“O que mais falta acontecer hoje?” -- a morena pensou revirando os olhos

 

Quase no final do expediente Juliana entra na delegacia impecavelmente arrumada e maquiada. Usava um vestido branco de alças finas, comprimento ligeiramente acima dos joelhos e um sensual decote em V. Na cintura amarrou uma faixa de seda vermelha. Ao entrar todos os policiais pararam para ver. Alguns homens sussurraram gracejos.

 

Suzana estava de pé lendo alguns papéis. Ouviu o barulho dos passos da japonesa e olhou curiosa para ver quem era. -- Misericórdia! -- exclamou ficando de boca aberta. Os papéis caíram no chão

 

--Oi... -- sorriu de um jeito bem sedutor

 

--Oi... -- olhou a japonesa de cima a baixo. De repente sacudiu a cabeça despertando do transe e olhou para os demais policiais -- E vocês vão ficar aí parados por causa de que? Circulando cambada, nunca viram mulher bonita, não, é? -- fez cara feia -- Eu, hein! -- olhou para Juliana e sussurrou quase no ouvido dela  -- Você vem pra essa delegacia toda gostosa e cheirosa assim só pra causar tumulto, não é? Pra me deixar doida, não é?

 

--Não foi nada disso... -- respondeu fingindo inocência -- Eu vim trazer o seu presente de natal. -- apontou para a faixa de seda -- É só desembrulhar... -- sorriu

 

--Só desembrulhar... -- estava quase babando

 

--Seu expediente já tinha que ter acabado, não é? Olha só a hora!

 

--É... olha só a hora... -- sacudiu a cabeça -- É hora de ir! -- catou os papéis do chão, arrumou tudo rapidamente, pegou o blazer e a mochila -- Vamos! -- estendeu a mão para ela e as duas saíram juntas

 

***

 

Suzana e Juliana faziam amor em um motel.

 

--Ai, delegada sem vergonha... -- a japonesa gemia enquanto a morena devorava seu corpo com paixão

 

Suzana mergulhou a cabeça entre suas pernas e apertava seus dois seios fazendo pressão e estimulando os mamilos.

 

--Ah, Suzana, ah!!! -- gem*u alto

 

Sem que a enfermeira esperasse, a delegada levantou-se ficando de joelhos na cama e com um movimento rápido levantou-a também para que ficasse na mesma posição, porém, virou-a de costas para si.

 

--Ai, Su, você mal me dá tempo de pensar... -- gem*u

 

--Não pensa em nada... -- sussurrou no ouvido da outra

 

A morena começou a estimulá-la com dedos ágeis, vagando a outra mão por seu corpo e beijando seu pescoço e costas sem parar. À beira do clímax, a japonesa segurou-a pelos cabelos e gem*u alto, cada vez mais sendo provocada pela outra mulher que não parava.

 

--Ah, ah, ah... ai... -- sorriu enquanto a respiração se acalmava -- Ai, amor, você me mata...

 

--Eu quero você bem viva! -- continuava sussurrando

 

Suzana virou a parceira de frente para si e deitou-a na cama, colocando-se sobre ela. Seguia beijando seu pescoço e seios.

 

--Hum, você é um animal... -- arranhava os braços da morena -- e nunca fica saciada...

 

--De você? -- beijou um seio dela -- Não... -- sorriu

 

--Eu já cuidei de você três vezes hoje e você não sossega! -- segurou a outra pelo  queixo

 

--Não mandei ir me provocar na delegacia... -- beijou os lábios da amante

 

--Eu queria te dar... seu presente... -- sorriu e beijou-a

 

--E eu adoro esse presente... -- mordeu o lábio inferior da japonesa

 

--Diz que tipo de mulher pôde dizer que você é ruim de cama? -- envolveu o pescoço dela com os braços -- Você é um animal, minha índia guerreira! -- beijou-a -- E muito safada!

 

Suzana beijou a amante novamente e as duas começaram um gostoso amasso.

 

--Precisa... me dar... um tempo! -- pediu entre beijos

 

--Hum... -- mordeu a orelha dela -- vai ter que me pedir pra parar...

 

--Ai, amor, pára... -- sorriu e deu um tapinha no braço dela -- Além do mais já são dez da noite... -- a delegada beijava seus seios e apertava suas coxas -- Eu tenho que ir pra casa... ai... -- gem*u -- Tenho minha dona Lourdes pra cuidar...

 

--Eu vou parar só por causa disso! -- olhou para ela e beijou-a -- Do contrário, ia ter que me implorar! -- sorriu maliciosamente e saiu de cima dela, sentando-se na cama

 

--Por que não dorme lá em casa, hein? -- deslizou o pé no braço dela e sorriu. Continuava deitada

 

--Hoje não dá! -- sorriu -- Amanhã eu vou pra Manaus por conta de umas investigações. Tem um morto vivo que anda confundindo minha cabeça... Tenho que pesquisar mais sobre aquele psicopata! -- levantou-se -- Falta arrumar a mala e mais um monte de troço!

 

--Você vai viajar e não me diz nada? Eu fico sabendo assim? -- perguntou decepcionada

 

--Eu ia dizer, sempre te digo! -- pegou o roupão -- Mas o dia hoje foi uma loucura e você apareceu pra me deixar mais doida ainda... -- sorriu -- Quando eu voltar pouso na sua casa! -- estendeu a mão -- Vem tomar um banho comigo?

 

Juliana se levantou de cara feia e foi para o banheiro sozinha. -- Você podia me falar com mais antecedência!

 

A delegada foi atrás. -- Pára com isso, Ju! -- abraçou-a pela cintura e beijou-lhe a nuca -- A gente teve uma noite tão gostosa e você fica zangada comigo à toa.

 

A japonesa virou-se de frente para ela e respondeu chateada. -- Você tem que começar a se comportar como alguém que tem mulher, viu? -- virou-se de costas para a outra e entrou no box. Suzana entrou junto

 

--Ju, escuta. -- a japonesa abriu o registro -- Eu vivi anos da minha vida absolutamente sozinha. Não é automática essa coisa de dar satisfações e tal. -- segurou o rosto dela com delicadeza -- Eu te amo! -- Juliana olhou para ela -- Eu te amo! -- beijou-a -- Não acredita? -- perguntou preocupada

 

--Não é que eu não acredite... -- pausou -- Mas você... você não parece querer assumir... suas atitudes não... -- suspirou e virou de costas para ela -- Deixa pra lá, Suzana. Vamos tomar banho e ir embora.

 

“Será que ela se sente insegura porque eu nunca falei da gente se casar?” -- Suzana pensou -- "Eu não tô preparada pra isso...” -- ensaboava o corpo -- "Mas eu a amo e não quero ninguém mais..."

 

“Ela vai fazendo as coisas, decide tudo sozinha, só me avisa em cima da hora... Ela não age como alguém que pensa em se casar... Suzana pode ser companheira mas ela não quer compromisso duradouro comigo!” -- a japonesa pensou enquanto molhava o cabelo

 

“Se Juliana soubesse que eu gostaria de ficar com ela pela vida toda...” -- a delgada pensou -- "No dia em que ela perceber que é areia demais pro meu caminhão... Ela é muito mulher pra uma criatura sem graça igual a mim!”

 

***

 

Seyyed e Isa estavam no banco resolvendo os assuntos referentes à compra do imóvel. Érica estava radiante. A proprietária lia o contrato que deveria assinar.

 

--Gente, olha, nós demoramos a achar mas encontramos uma jóia rara pra vocês! Apartamento lindinho, documentação arrumadinha, condomínio gostosinho... -- a corretora exclamou empolgada

 

--E no bolso uma facadinha... -- Ed falou para si própria

 

--O que foi, amor? -- Isa perguntou

 

--Nada...  -- sorriu

 

--Olha, vou te contar, que marida é essa que você arrumou, viu? -- Érica mexeu com Isa -- Comprar um apartamento na Visconde de Pirajá e colocar no seu nome... Não é qualquer coisa! -- sorriu

 

--Marida?! -- Ed perguntou de cara feia. A ruiva ficou sem graça

 

Seyyed pediu um empréstimo no banco porém pagou uma parte do valor da venda do imóvel em dinheiro. Fez o cheque e entregou à proprietária, que sorria de orelha a orelha. Concluídos todos os acertos burocráticos e financeiros a mulher deu as chaves nas mãos da morena e falou: -- Eu desejo de coração que vocês sejam muito felizes naquele apartamento. Eu vivi anos maravilhosos lá. -- abraçou Seyyed -- Tudo de bom! -- abraçou Isa -- Que vocês vivam experiências inesquecíveis. -- sorriu

 

--Obrigada! -- a ruiva sorriu -- E tudo de bom pra senhora!

 

--É! -- Seyyed complementou -- Boa viagem!

 

--Meninas! -- Érica abraçou as duas ao mesmo tempo -- Eu me diverti com vocês! -- olhou para elas -- Nunca vou esquecê-las! -- sorriu -- Sempre foram muito sinceras e criteriosas em seu julgamento. Precisando, sabem onde encontrar sua corretora favorita!

 

--Favorita... -- Seyyed riu e revirou os olhos

 

--Obrigada, Érica. -- a ruiva sorriu

 

***

 

Seyyed e Isabela estavam no apartamento.

 

--Ele é lindo, não é? -- a bailarina deu um pequeno salto na sala e sorriu

 

--A gente tem que fazer umas poucas coisas aqui antes de vir morar. -- Ed olhava ao redor -- Raspar essas paredes, colocar massa, pintar...

 

--O momento é esse. -- a ruiva andou até a janela -- Eu gostei muito daqui! -- sorriu

 

--Que bom! -- a morena veio e a abraçou por trás -- Porque eu só comprei ele por sua causa. -- beijou a cabeça dela -- Já que era o que você queria...

 

A ruiva virou-se de frente para ela e envolveu seu pescoço com os braços. -- Não, eu queria e quero você! -- sorriu -- Morar aqui é outra coisa... -- beijou-a

 

--Tomara que a gente seja feliz aqui! -- Ed desejou -- Quero viver muitos e bons anos do seu lado! -- sorriu

 

--Que tal a gente fazer uma oração pedindo a Deus que isso aconteça, hein? Eu também quero passar o resto da vida com você! Aqui ou em qualquer outro lugar!

 

--Então me dê as mãos! -- as duas apertaram as mãos e encostaram as testas uma na outra -- Feche os olhos e vamos orar.

 

“Tenho certeza de que estou vivendo os melhores anos de minha vida!” -- Isa pensou emocionada

 

***

 

--Seyyed, mas... -- Olga conversava com a filha preocupada -- Você colocou o apartamento no nome dela?? -- penteava os cabelos

 

--O que tem isso, mãe? -- pegou um travesseiro e deitou-se de barriga para cima na cama da mãe -- Tudo está no meu nome. Ela também tem que ter alguma coisa!

 

--Até que ponto esse apartamento era um desejo de vocês duas? Até que ponto não era a vontade de Ana prevalecendo sobre a filha e você se curvando a isso? -- virou-se de frente para a morena

 

--Ah, mãe, não fale assim! -- a mecânica protestou

 

--Você queria morar lá, Seyyed? -- cruzou os braços e ficou estudando o rosto da filha

 

--Tá, mãe, eu preferia continuar no Meyer, na casa onde vivo há anos, mas não pode ser só a minha vontade. Além do mais eu já vivi lá com Juliana e é natural que Isa não goste muito disso.

 

Olga respirou fundo e balançou a cabeça. -- Espero que você nunca se arrependa por isso. Mas, é a sua vida! -- guardou o pente e fechou a porta do armário -- Vamos falar do natal! Isabela e você ficarão conosco ou vão para outro lugar?

 

--É claro que a gente passa a data junto com vocês! Ela está super animada com isso! -- sorriu -- No réveillon é que a gente vai pra casa dos parentes dela. Nesse ano vai ser em Iguaba. -- passou a mão nos cabelos -- Como será que vai ser isso, hein? -- perguntou pensativa

 

--Relaxe, que Ana cuidará de fazer com que todos te tratem bem, especialmente depois desse apartamento. -- pausou -- Eu não deveria dizer essas coisas, mas é mais forte do que eu!

 

--Eu sei que minha sogra é interesseira, mãe. Além do mais a senhora pode falar o que quiser comigo.

 

--Voltemos ao natal! -- foi até a mesinha e pegou um bloco -- Veja como somos muitos! -- começou a ler -- Além de você e Isa, temos Renan, Tatiana, Claudio, Clarice, Tamires, Tânia, Mariano, Mariângela, Camille, Juliana, Suzana, dona Lourdes, Flávia, Brito e eu. -- olhou para a filha -- Dezessete pessoas!

 

--Legal! Eu gosto de festa cheia de gente! -- sentou-se -- A casa da Mariângela vai bombar! -- pausou -- E senhora e Mariano vão mesmo passar o ano novo em Goiânia?

 

--Sim! Mariano já comprou as passagens e tudo. Vamos pegar o mesmo vôo que Renan e a família de Tatiana. -- sentou-se na cama ao lado da filha

 

--Renan fez bem em ter proposto essa mudança de planos. É melhor pra mim que ele tire férias em janeiro do que em dezembro. Em janeiro o movimento é menor. -- pensou -- O problema é que em janeiro dona Cindy chega aí... ô diacho... -- suspirou e riu

 

--E falando na oficina, o que acha do trabalho que Camille tem feito?

 

--Muito bom! Ela tem me surpreendido, sabe? Trabalha com gosto, capricho, tem uma boa postura. -- riu -- Nem parece aquela que vive dando patada em todo mundo!

 

--Camille agride porque vive na defensiva, Seyyed. Na verdade ela não passa de uma mocinha sofredora, doida pra se libertar das amarras que ela mesma criou. Você verá como que, com o tempo, ela se tornará uma pessoa encantadora. Ou seja, ela vai mostrar a pessoa que realmente é.

 

--Ela melhorou muito depois que começou a terapia com Ivone. Igual Juliana... -- pensou -- Aquela danada é boa, viu, mãe? Ivone parece que tira das pessoas o que elas têm de melhor!

 

--Porque ela não se limita a olhar o físico. Ela vai além disso... -- pausou e lembrou de um outro assunto -- E quanto a vaga que Silvio deixou? Não parou ninguém no lugar dele até hoje, não é?

 

--É difícil encontrar bons profissionais, mãe. Quando não tenho problemas com a falta de competência dos caras, esbarro na falta de compromisso deles ou então em uma tendência em encher o pote e chegar trocando as pernas na oficina!

 

--E Silvio, hein? -- pensou -- Como será que anda aquela criatura?

 

--Sei lá... mas deixa estar. No dia em que ele precisar de ajuda, vai saber nos encontrar. -- falou de cara feia

 

--Deixe eu te contar uma coisa interessante... Ontem sonhei com aquela moça, a Patrícia, e ela me agradecia por orar por ela até hoje. Estava em um lugar muito triste, cheio de sofrimento... Ela me dizia que não descansaria até que o último homem fosse pego...

 

--E por isso ela permanece sofrendo! Pelo desejo de vingança...

 

--É compreensível, filha. Foi uma morte muito traumática...

 

--Às vezes eu oro por ela, mas confesso que esqueço muitas vezes. -- olhou bem para a mãe -- A senhora nunca esquece, não é?

 

--Eu nunca vou esquecer daquela história... Eu... me coloquei no lugar dos pais dela e... Deus me livre que essa gente intolerante faça mal a você, minha filha! Deus livre... -- tocou no rosto dela

 

--Ninguém vai fazer, mãe. -- beijou a mão de Olga -- Ninguém vai...

 

Olga ficou pensativa. -- Esses últimos dois anos foram tão intensos, não é filha? Tantas coisas aconteceram nas nossas vidas... parece que o tempo foi maior do que o calendário mostrava...

 

--“Não há nada mais falso do que o tempo fora da mente...”16

 

***

 

--Eu já posso olhar? -- Mariângela perguntou

 

--Calma, mulher! -- Mariano tampava os olhos dela

 

--Gente, nós temos que terminar de preparar a ceia! -- ela falou sorrindo -- Hoje é véspera de natal, daqui a pouco o pessoal chega...

 

--Calma, minha irmã! -- fez sinal para Camille entrar

 

A jovem loura entrou e parou no meio da sala. -- Pronto, mãe!

 

Mariano descobriu os olhos dela e então a mãe de Camille pôde ver a filha de pé, sem muletas, segurando apenas uma bengalinha.

 

--Quando eu ficar craque nisso nem vou mais usar essa bengala! -- sorriu -- Vou ficar que nem Flávia e sua perna!

 

Mariângela cobriu os lábios emocionada e começou a chorar de felicidade. Depois de tanto sofrimento, angústias e conflitos íntimos a filha estava ali, parada de pé diante dela, usando uma perna mecânica da melhor qualidade. Camille havia terminado o período com ótimas notas, freqüentando a faculdade de cabeça erguida, e ela sabia que a filha tinha todas as condições para se formar com louvor. Agora a jovem trabalhava, fazia um tratamento psiquiátrico que a deixou mais tolerante e continuava com sua natação. Nem de longe se parecia com a moça depressiva e triste que a fazia sofrer tanto. Camille era a prova de que o ser humano consegue tudo quando quer e se dispõe a lutar com determinação e vontade. No peito de Mariângela, somente orgulho, felicidade e gratidão a Deus e a Virgem Maria.

 

--Não vai me abraçar, mãe? -- lutava para não chorar

 

Mariângela se lançou nos braços da filha e a abraçou com a ternura das mães que se doam em um amor abnegado. Agora as duas choravam e selavam um acordo silencioso de amor e companheirismo. Mariano se aproximou e abraçou a ambas igualmente emocionado. Ele chorava e sorria pensando em como, no curto tempo de dois anos, tudo havia mudado. E para melhor, muito melhor. Tudo aquilo que buscava parecia ter sido conquistado.

 

 

15:00h. 07 de janeiro de 2002, Edifício Ícaro, Ipanema, Rio de Janeiro

 

Ana lanchava com a filha e Seyyed no apartamento delas.

 

--Meninas, vocês estão de parabéns! -- comentou sorridente -- Amei esse apartamento, a decoração, tudo! Lindo, lindo!

 

--A decoração foi idéia da sua filha. -- a morena respondeu -- Por isso ficou bacana assim. -- sorriu

 

--Hum... -- sorriu para Ed -- Mas você participou bastante! Não dê as glórias com exclusividade!

 

--Mas, digam, meninas... -- passava geléia no pão -- E a viagem de lua de mel, hein? Por que não vão pra Bora Bora, Bali, Ilhas Maurício ou algum paraíso desses? A filha do Sessé de La Carmo passou a lua de mel nas Ilhas Maurício e vocês tinham que ver! Coisa linda! Chique demais! Vi tudo na revista Faces.

 

--Ah, mãe, sem viagens por um bom tempo. Gastamos dinheiro com esse apartamento, mobília e tudo mais. Temos que poupar por agora. -- servia-se de chá

 

--Um dia a gente vai. -- a mecânica afirmou enquanto comia uma torrada -- "Essa mulher tem cada uma...” -- pensou

 

--Fica aqui a sugestão. Vale a pena dar uma pensada a respeito. -- sorriu enquanto se servia de chá. Olhou para Seyyed -- E a oficina em Goiânia, meu bem? Sai ou não sai?

 

--Claro que sai, se Deus quiser. Mas não é uma coisa que se faça tão rapidamente. Nossa previsão é concluir o processo no começo do ano que vem. -- bebeu um gole de chá

 

--As coisas vão muito bem, mãe! -- Isa sorriu -- Graças a Deus! -- comeu um pedaço de pão

 

--E trabalho, meu bem? Quando veremos seu próximo espetáculo? -- perguntou sorrindo

 

--Ah, mãe, não é assim... Parece que vem aí uma proposta pra um espetáculo em abril. Neyan também falou de um festival de dança que estão promovendo em Frankfurt, previsto pra agosto, e talvez eu integre a equipe que vai representar o Brasil. -- pausou -- São só especulações... Por enquanto tenho apenas minhas aulas para adultos.

 

--Logo você receberá a confirmação dessas propostas! Uma estrela Dalva como você tem que brilhar! Ana Fluminense há de te convidar pra alguma coisa! -- bebeu chá -- Hum! Seu pai está melhorando daquela depressão. Acho que ele vai voltar ao normal!

 

--Ah, então logo ele arruma uma outra amante pra se distrair! -- a bailarina respondeu acidamente. Ana ficou sem graça

 

--Isa! -- Seyyed olhou para ela

 

--Desculpe, mãe. -- falou envergonhada

 

--Vamos mudar de assunto... -- passou a mão nos cabelos -- E quanto àquela norte americana que vem passar dias com vocês? Quando ela chega? -- olhou para as duas

 

--Semana que vem. -- a mecânica respondeu -- Tá preparada, Isa? -- olhou sorridente para a ruiva

 

--Fazer o que? -- sorriu revirando os olhos

 

--Eu estou achando isso muito chique! Receber uma estrangeira rica em sua casa! -- olhou para Isa -- Quando sua tia souber vai morrer de inveja!

 

--Inveja?? -- Ed perguntou rindo -- Se ela quiser eu cedo as honras todas a ela...

 

--E eu! -- Isa concordou

 

--Vocês podiam convidar a Ana Fluminense pra vir aqui, hein? -- olhou tudo ao redor novamente -- Ela ia ficar boba! Aí você podia mostrar sua oficina pra ela, Seyyed. Vai que ela vira sua freguesa? -- olhou para a morena e depois para Isa -- Sabe quem eu soube que tem um apartamento aqui em Ipanema também? Aquela cantora Ivete Zagalo. Vocês podiam descobrir onde ela mora e de repente...

 

--Convidar ela pra vir aqui também? -- Ed perguntou rindo

 

--E por que não? Gente, tem que pensar grande! Parar com isso de só querer viver cercada de pobre, eu hein!

 

--Ai, mãe... -- a ruiva comentou rindo -- você não existe...

 

***

 

Seyyed chegava da oficina quando encontrou Isa na cozinha fazendo comida.

 

--Oi, amor! -- beijou-a? -- O que faz aí? -- perguntou curiosa parando atrás dela e abraçando-a pela cintura

 

--Panqueca de espinafre com ricota. E tem suco de uva branca na geladeira, pra acompanhar. -- sorriu -- Será um jantar light!

 

--Além de gata, -- beijou a nuca da ruiva -- gostosa, chique, talentosa, -- continuava beijando -- ainda é gourmet macrobiótica? Que mais eu poderia querer de uma mulher?

 

Isabela ficou toda prosa. -- Vá tomar seu banho e se aprontar! -- deu um tapinha no braço da morena -- Ainda tenho uma coreografia pra passar pra você hoje!

 

--Hum, isso é uma promessa de uma noite daquelas... -- mordeu a orelha da amante -- Eu vou me aprontar agora! -- beijou a nuca da jovem mais uma vez e foi tomar banho

 

--Você vai se surpreender, Seyyed Khazni. -- disse animada para si mesma

 

***

 

Seyyed estava sentada na cama, apoiando as costas na cabeceira e com um travesseiro no colo. Usava uma camisola de tecido leve.

 

--Cadê você, minha ruiva? -- perguntou sorrindo

 

--Calma, amor! -- respondeu da sala -- Espera eu me preparar! Você não vai se arrepender por esperar.

 

--Ah, mas eu nunca me arrependo... -- disse para si mesma

 

Isa liga o som.  A voz de Natacha Atlas cantando Kidda (música egípcia, cantada em árabe) invade a casa. Seyyed já começou a se excitar por antecipação.

 

https://www.youtube.com/watch?v=KpgtILuOl68

 

A bailarina entra no quarto dançando sensualmente. Os cabelos estavam parcialmente presos por um belo enfeite de cabeça. Usava um bustiê ornado com pequenas pedrinhas brilhantes e correntes douradas que se entrelaçavam com a saia, que era composta por várias tiras de tecido colorido. Anéis, pulseiras, braceletes e uma tornozeleira dourada completavam a produção da ruiva. A morena foi  para a beirada da cama e ficou sentada olhando fixamente para sua esposa. -- Eu não vou deixar você terminar de dançar... -- sussurrou tomada pelo desejo

 

--Não? -- abaixou-se até ela fingindo que iria beijá-la -- Então eu não vou deixar você fazer nada comigo! -- afastou-se e continuou dançando sensualmente

 

Seyyed se levantou tentando controlar a vontade de agarrá-la. Devorava cada movimento da ruiva com olhos famintos.

 

--Você adora essa música, não é? -- perguntou enquanto se requebrava -- Você acha sensual...

 

--VOCÊ é sensual... -- a mecânica aproximou-se dela e segurou-lhe pela cintura acompanhando seus movimentos

 

Isa virou-se de costas e ficou dançando com Seyyed roçando seu corpo no dela.

 

--Eu quero você agora... -- sussurrou cheia de luxúria

 

A ruiva afastou-se dela novamente. -- Não ainda... -- saiu do quarto dançando. A mecânica foi atrás

 

--Habibi ya nour el ain... (Minha querida você é o brilho dos meu olhos...) -- Seyyed sussurrava para ela enquanto a seguia pela casa

 

A ruiva continuou dançando até a cozinha.

 

--Está gostando? -- perguntou sorrindo

 

--Dii zogtii! (Esta é minha mulher!) -- olhou-a de cima a baixo -- Ana cawza enti! (Eu quero você!) -- falava como se estivesse enfeitiçada

 

--Você me deseja? -- perguntou enquanto dançava

 

--Aywah!! (Sim!!) -- tirou a própria camisola e a arremessou por sobre a cabeça

 

Aproximou-se da mesa da cozinha. -- Quer? -- puxou um fio que fez com que o bustiê e a saia caíssem no chão

 

--Alaan!! (Agora!!) -- avançou sobre ela e deitou-a furiosamente sobre a mesa. Abriu suas pernas e seguiu beijando o corpo da ruiva com muita volúpia

 

--Ai, Ed, vem meu amor... -- pedia excitada -- Vem meu amor... -- fechou os olhos

 

Seyyed mergulhou entre suas pernas e devorou-a com muita excitação. A ruiva gemia descontroladamente.

 

--Ah, ah, ah, ah, ai, amor, não pára... -- gemia alto

 

A morena interrompeu o que fazia, segurando-a pela cintura para que se sentasse. Puxou-a pelas coxas e começou a penetrá-la, enquanto beijava seu pescoço. Isa a abraçou com força arranhando suas costas.

 

--Gostosa, deliciosa... -- Ed sussurrava no ouvido da outra

 

Isa não conseguia dizer coisa alguma, sentindo um orgasmo que se aproximava intensamente.

 

***

 

Suzana investigava sobre a vida de Mateus Damaso. Estava na delegacia pesquisando, quando aos poucos sentiu-se tomada por uma sensação de torpor. As idéias vagaram pelo passado.

 

“Manhã de abril de 1974, comunidade Ianomâmi, Serra do Imeri, Roraima

 

Conversavam em língua ianoman.

 

--Mãe, quem são aqueles homens que chegaram com o nascer do sol? São brancos como as flores do alto das serras! Nunca vi gente assim!

 

--Eles se dizem missionários, Yamaki. -- respondeu preocupada -- Mas não confio neles. Alguns têm coração puro, outros apenas fingem ser o que não são.

 

--O que é um missionário? -- a jovem perguntou curiosa

 

--São homens que vem para nos falar do Deus dos brancos. Seu pai havia me explicado sobre eles. -- pausou -- Não a quero junto a esses estrangeiros, a menos que esteja comigo, com seu pai ou com algum dos nossos anciãos. Você é jovem e bonita e o desejo do homem branco o escraviza de tal modo que ele pode fazer qualquer coisa.

 

A jovem índia balançou a cabeça confirmando que obedeceria ao conselho da mãe.”

 

A delegada continuava imersa naquela sensação de torpor.

 

“--Pai, por que esses missionários não se vão? -- perguntou em língua ianoman

 

--Porque eles querem conhecer mais de nós e de nosso povo. -- respondeu

 

--Mamãe não confia neles. Ela diz que há frutos podres no meio destes estrangeiros.

 

--Ela se engana. -- respondeu secamente

 

--De onde eles vêm?

 

--Você não conhece o lugar, e nem eu. É uma terra que tem nome tupi. Igarassu, significa canoa grande.”

 

Outras lembranças descortinavam-se diante dela.

 

“Yamaki reparou que um dos missionários costumava a excursionar pela serra. Ele prestava atenção em todas as coisas, fazia perguntas para seu pai e demonstrava encantamento pela vida na tribo, mas ela não acreditava na sinceridade do que o homem se esforçava para demonstrar.

 

Um dia, a jovem o encontrou sozinho na mata. Ela estava caçando com outros jovens e ele parecia perdido.

 

--Que faz aqui, napë? -- Yamaki perguntou a ele em português

 

--Está perdido! -- um rapaz disse a ela em ianoman

 

--Vou sentir saudades da serra do Imeri. -- o homem afirmou sorrindo -- É tanta riqueza, não?”

 

Suzana relembrou alguns lances dos dias atuais.

 

“Ela olhava para aquele rosto parcialmente escondido pela penumbra da noite mas não conseguia reconhecê-lo. “Ele sabe falar ianoman. Sabe o que é um napë...” -- pensou intrigada

 

--Não sente saudades da serra do Imeri? Era tanta riqueza, não? -- sorriu novamente”

 

--Chefe! -- a voz de Brito chamava ao longe -- Chefe! Algum problema? Chefe?

 

A morena abriu os olhos bruscamente. -- Então era ele! -- afirmou de súbito

 

--Ele quem? O que houve? -- Brito perguntou com estranheza -- O que está acontecendo, chefe? Nunca te vi dormir no trabalho!

 

--Eu não dormi! -- esfregou o rosto -- Brito, Mateus Damaso esteve na minha tribo se passando por missionário um ano antes do massacre! -- levantou-se da mesa esbaforida -- Ele estava colhendo informações pra garantir o sucesso da investida daqueles assassinos! -- passou a mão nos cabelos -- Isso explica o modo como eles foram vitoriosos com tanta eficiência...

 

--Meu Deus... -- Brito acompanhava os movimentos da delegada -- Você parece que vive pensando nesse homem...

 

--Eu quero meter todos aqueles desgraçados na cadeia! -- vociferou com raiva contida -- Em especial esse homem que surgiu na minha vida há tantos anos atrás...

 

--Não vai me dizer o vínculo entre vocês? Vai continuar trabalhando sozinha?

 

--Ainda não dá, Brito. -- respirou fundo e olhou seriamente para ele -- Tô indo pra Recife.

 

--Quando??

 

--Assim que eu comprar as passagens. E vou fazer isso na hora do almoço, ou seja, agora! -- pegou a mochila

 

--Naquele esquema de arcar com as faltas e trabalhar por conta própria! Não pode ficar fazendo isso, sabe muito bem! -- cruzou os braços

 

--Eu não sou mulher de trabalhar no estilo by the book e VOCÊ sabe muito bem! Faço o que tem ser feito! -- colocou a mochila nas costas

 

--Vai fazer o que em Recife?

 

--Alugar um carro e ir pra Igarassu!

 

--Igarassu?? -- perguntou surpreso -- Fazer o que lá??

 

--Conversar com um padre! -- sorriu -- Tá na hora de me confessar. -- saiu da sala

 

***

 

Juliana fazia curativo em um paciente que tinha uma enorme escara nas costas. Era um homem maduro e extremamente disponível.

 

--Enfermeira, vou te contar, viu? -- ele comentou enquanto ela trabalhava -- Você tem mãos maravilhosas...

 

--Já me disseram... -- respondeu com naturalidade

 

--Fico pensando... será casada?

 

“Ô meu Pai, dai-me paciência...” -- pensou revirando os olhos -- Não sou casada mas tenho um compromisso sério.

 

--Ah... -- suspirou -- Ilusão minha ter acreditado que uma delícia dessas, um verdadeiro sushi do paraíso não tivesse um samurai por de trás!

 

--Eu hein? -- terminou de fazer o curativo -- Não tenho samurai por de trás e nem pela frente! -- dirigiu a atenção para outro paciente

 

--Ô cara, olha o respeito com a enfermeira! -- um rapaz advertiu -- É cada uma!

 

--Ah, mas uma gata dessas a gente vê mesmo que esteja no leito de morte! -- olhou para ela de cima a baixo -- Isso não é mulher, isso é um poço fundo de coisa boa!

 

Juliana balançava a cabeça com vontade de rir. “É cada cantada cachorra que a gente ouve!” -- pensou

 

Nesse momento Débora entra na enfermaria e começa a ajudá-la. -- Más notícias, -- disse para Juliana em voz baixa -- nosso aquecimento foi pro espaço e os homens da manutenção não estão querendo vir resolver o problema. Dizem que estão cheios de coisas pra fazer! -- riu descrente do argumento -- Está calor mas os velhinhos não sentem conforto com a água gelada.

 

--Ah, mas esses homens vão vir aqui nem que eles não queiram! -- a japonesa exclamou furiosa

 

--Eu contava com teu poder de convencimento mesmo! -- riu

 

Juliana olhou para a colega e sorriu. -- Você agora se importa com coisas que antes não te abalavam... Fico feliz em notar sua mudança!

 

--Humpf! Tô ficando soft com o tempo... -- respondeu de cara feia

 

Embora não quisesse admitir, Débora havia mudado muito e a japonesa estava feliz em perceber isso. Sentia uma ponta de orgulho e lembrava que Ivone sempre dizia que o exemplo é uma força que arrasta.

 

--Pode ficar cuidando de tudo enquanto dou uma passada lá na manutenção? -- perguntou

 

--Vai lá, Ju. Eu seguro aqui. -- Débora respondeu

 

Juliana pediu para uma acompanhante de paciente ir com ela para a manutenção e chegando lá as duas encontraram cinco homens sentados com os pés nas mesas. Eles falavam alto e faziam muito barulho. Um deles folheava uma Playboy. A primeira coisa que a japonesa fez foi tirar uma fotografia.

 

--Ué, que brilho é esse? -- um dos homens perguntou

 

--Se manda daqui! -- pôs a máquina nas mãos da moça que a acompanhava, a qual não esperou um segundo sequer e partiu -- Mas é muita cafajestagem isso aqui, viu? -- reclamou em voz alta -- Disseram que estavam cheios de serviço e olha só o que eu vejo! Um bando de vagabundo na maior putaria!

 

--Que é isso, quem é você? -- um dos homens se levantou e veio falando cheio de atitude

 

--Eu sou enfermeira, meu filho, não sou desocupada igual a vocês, não! -- respondeu desaforada -- O aquecimento do meu andar se dana e vocês não querem consertar pra  poder ficar aqui nessa pouca vergonha? Ah, mas assim não dá!

 

--Você não manda na gente, não, ô sua babaca! -- outro homem veio cheio de atitude

 

--Eu tirei uma foto de vocês aqui nessa galhofa em plena hora do trabalho e se ninguém aparecer pra consertar o aquecimento eu vou fazer um fuzuê dos diabos! Vou jogar tudo no ventilador! -- falava com decisão -- Tem um monte de pacientes que precisam de água quente pra tomar banho e vocês aqui de sacanagem! Tinham que ter vergonha na cara, bando de salafrários!

 

--Cuidado com o que diz! -- um deles gritou

 

--Não quer trabalhar? Dá a vaga pra quem quer! -- ela respondeu resoluta

 

--E que merd* é essa de tirar nossa foto? -- o mais velho de todos perguntou com raiva -- Palhaçada!

 

--Eu agora ando com minha máquina por todo canto e tiro foto de toda putaria e pouca vergonha que vejo nesse hospital! Vão ficar aí à toa? Esperem só no que vai dar!

 

--Eu nem ligo, não vou ser demitido mesmo! -- um dos homens deu de ombros

 

--Não confiaria muito nisso se fosse vocês! -- preparou-se para sair -- De mais a mais, lembre-se de que vocês são... contratados. -- foi embora resoluta

 

Em poucas horas o aquecimento estava funcionando.

 

***

 

--E então, Camille? -- Ivone perguntou -- Como vai a vida agora que redescobriu o prazer de se levantar sobre dois pés? -- sorriu

 

--Minha vida está mudando constantemente. -- olhou para a perna mecânica -- Tenho treinado muito pra aprender a controlar essa perna... -- olhou para Ivone -- E tenho trabalhado muito também!

 

--Que bom! E na faculdade, como foi o período?

 

--Passei em tudo. Período que vem me restam só quatro matérias. -- pausou -- Vou pegar o trabalho que estou fazendo como um estudo de caso pro meu fim de curso. Mesmo antes de concluir o projeto da oficina nova posso ter material suficiente pra cumprir os requisitos e tirar meu diploma. -- sorriu -- Finalmente!

 

--Você entrou na faculdade muito jovem. Mesmo tendo ficado parada por um tempo, ainda não se pode dizer que se atrasou.

 

--É... -- afirmou pensativamente

 

--E no mais? O que me diz? -- perguntou curiosa -- Como estão os seus sentimentos?

 

--Quer que eu te diga o que? -- sorriu desafiadora cruzando os braços

 

--Diga o que sente.

 

--Aposto que sei o que pensa! Que eu sou uma sapatão enrustida! Uma... -- pensou -- como é o nome? Ah! -- estalou os dedos -- Egodistônica!

 

--O que está em questão aqui não é a minha opinião. -- afirmou tranquilamente

 

Camille ficou olhando para a psiquiatra e respondeu: -- Eu estou bem mais tolerante com as lésbicas, se quer saber. Convivo quase que diariamente com uma; minha patroa! -- passou a mão nos cabelos -- E devo muito a ela, não posso negar. Ela já me ajudou muito e é uma pessoa... incrível!

 

--Diga-me, Camille... o que sente por Seyyed?

 

--Eu? -- foi pega de surpresa -- Sinto nada! Quer dizer... amizade, gratidão... -- Ivone permaneceu calada -- Que cara de descrença é essa?

 

--Não estou desacreditando.

 

--Ah, com certeza está! -- afirmou enfática

 

--E isso importa para você?  Não acredita no que diz? -- também desafiou

 

--Acha o que? -- perguntou mais rispidamente -- Quer que eu diga que me apaixonei por Seyyed?

 

--E se apaixonou?

 

--Claro que não! -- respondeu impaciente

 

--Então, onde está o problema? -- perguntou calmamente

 

--Ivone, você me aborrece, sabia?

 

--Sinto muito! Não é minha intenção.

 

A loura ficou calada por uns minutos. -- Eu não sou lésbica! -- afirmou em voz baixa

 

--O que é ser lésbica pra você? Por que se apavora tanto com isso? O que teme?

 

Não esperava por aquela pergunta. -- Eu... eu acho que uma lésbica é uma mulher iludida, que luta contra algo que é muito maior do que ela.

 

--Ou seja, na sua opinião, ser lésbica é algo extremamente condenável.

 

--Não é a minha opinião! É condenável, isso é um fato! -- gritou -- É anti natural! É abominação! -- pausou -- A Bíblia diz isso, você não sabe? Está escrito: “Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.”17 O mesmo se estende às lésbicas!

 

--O Levítico, livro bíblico que você citou, foi escrito para direcionar e trazer a ordem a um povo rude, ainda pautado sobre a lei da violência. Era necessário naquele tempo que se apresentasse às pessoas um Deus vingativo e duro demais. -- explicava calmamente -- A Bíblia, no Novo Testamento, já apresenta um Deus de amor, que não abomina Seus filhos e filhas e que não amaldiçoa. -- pausou -- Camille, você não pode querer encontrar na Bíblia um estímulo à prática homossexual! Entenda que a Bíblia não tratou de todas as verdades sobre a alma porque as pessoas daquele tempo não estavam preparadas para entendê-las. Veja que somente com o passar do tempo o ser humano vai descortinando os mistérios da vida e aprendendo um pouco mais sobre a Grandeza que a tudo modela, movimenta e modifica. -- olhou bem para ela -- Não há sentido algum em acreditar que os homossexuais estejam perdidos, condenados ou desgraçados. Todos nós, homo ou heterossexuais, colheremos aquilo que plantarmos e essa colheita depende do seu procedimento diante da vida.

 

--Mas... -- argumentava agoniada -- Alguém assim condena-se a ser prisioneira de uma mentira pela vida toda!

 

--Você é livre?

 

--Claro que sou!! -- continuava gritando

 

--Acha mesmo?

 

--O que é liberdade pra você? -- ela perguntou revoltada

 

--“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”18

 

--Por favor, Ivone, não é hora de poesia!

 

--Mas liberdade pra mim é poesia! Porque “a prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”19

 

A loura respirou profundamente e falou com mais calma: -- Você gosta de me desafiar... -- pausou -- E eu não tenho estrutura pra te fazer frente... Ô louco! -- balançou a cabeça

 

--VOCÊ gosta de me desafiar. -- sorriu -- Suas sessões sempre são desgastantes... não precisava ser assim. -- falou calmamente

 

--Eu não estou preparada pra um monte de coisas, Ivone... -- afirmou como se estivesse cansada

 

--Se não quiser viver essas coisas, não viva. Mas pelo menos não negue a verdade, não se condene, não condene as pessoas, não se esconda agredindo os outros... Olhe para dentro, Camille, veja quem você é e não negue essa realidade.

 

--Mas e depois?

 

--A decisão quanto ao que fazer é sua! Pense na forma como quer conduzir a sua vida e faça isso da maneira mais proveitosa e saudável que te for possível.

 

--Eu... -- fechou os olhos -- Ainda não sei o que quero fazer...

 

--Peça orientação a Deus. E seja sincera com seu coração.

 

--Eu sou atéia, lembra?

 

--Então reflita e seja sincera com seu coração.

 

Camille olhou fixamente para Ivone e disse: -- Você tem conquistado o meu respeito...

 

--E você o meu! -- ela respondeu com sinceridade

 

***

 

Suzana visitava uma ordem religiosa de Igarassu e conversava com um padre bem idoso.

 

--Eu não sei no que posso lhe ajudar já que faz tanto tempo... -- ele dizia enquanto caminhavam pelo jardim do convento

 

--Será que o senhor não teria um registro dos nomes dos missionários em algum lugar? É muito importante pra mim. É a história da minha fé, da minha comunidade... -- a delegada alegou ser indígena e precisar das informações sobre os missionários por conta de sua tese de doutorado em sociologia. Ela também se passava por uma católica fervorosa

 

--Hum... -- pensou -- talvez tenha algo que possa lhe ajudar... Venha comigo!

 

Os dois caminharam até uma sala cheia de livros e documentos antigos.

 

--Nós não fizemos muitas missões em Roraima. A malária ceifou as vidas de muitos homens e as comunidades Ianomâmis eram muito distantes umas das outras. -- mexia na gaveta de um armário

 

--Nós nem tínhamos contato com as outras comunidades. Era muito raro que isso acontecesse. Quando vocês chegaram eu fiquei... nem sei definir! Nunca tinha visto uma pessoa branca!

 

--Achei! -- pegou uma fotografia -- Aqui está nosso grupo. Tiramos esta foto no dia da partida. -- estendeu para Suzana

 

A delegada reconheceu Mateus Damaso no canto esquerdo da foto. -- O senhor se lembra dos nomes de todos eles?

 

--Bem, eu... -- franziu os olhos e foi citando os nomes na medida em que se lembrava -- Glauco, Josielton, Lucas... -- apontava para os homens

 

--Com licença. -- interrompeu com delicadeza -- O senhor disse... Lucas? -- apontou para o homem -- Eu lembro dele porque ficou amigo de meu pai. Apresentou-se com o nome de Mateus Damaso.

 

--O sobrenome é esse mesmo mas ele era Lucas. Não havia Mateus algum! -- exclamou

 

--Mas... eu me lembro que ele não era padre. A afinidade com meu pai foi justamente porque ambos eram ex garimpeiros. -- arriscou. Não sabia a profissão de Mateus

 

O padre ficou nitidamente constrangido e após uns minutos de silêncio afirmou: -- Essa foi uma das razões por termos interrompido este trabalho... Haviam homens que se aproveitavam para cuidar de... outros interesses.

 

--Mas o nome dele não era Mateus? -- perguntou desconfiada

 

--Não. Era Lucas. -- pausou -- Ele morou aqui na cidade por muitos anos, quis ingressar em nossa ordem religiosa, mas depois foi embora.

 

--Sabe pra onde?

 

--Não... e nem queria saber. Ele e eu discutíamos muito.

 

--Mas, vamos continuar. Poderia dizer os nomes dos outros homens? -- pediu apenas para disfarçar

 

Enquanto o padre falava, Suzana pensava em mil coisas. “Será que Mateus tinha um irmão gêmeo? Será que o homem que eu procuro chama-se Lucas?” -- ficou aventurando possibilidades

 

***

 

Isabela buscava informações sobre Joice com outras bailarinas e nenhuma sabia de grandes novidades desde que a moça abandonou o balé. Conseguiu o telefone da casa dela e ligou para saber notícias.

 

--Alô? -- uma voz de mulher atendeu do outro lado

 

--Oi, boa tarde. A senhora não me conhece, meu nome é Isabela e eu sou colega da Joice. -- pausou -- Nós chegamos a dançar juntas por um tempo curto...

 

--Boa tarde, Isabela. -- foi a resposta que ouviu -- Sou tia de Joice.

 

--E como vai ela? -- perguntou arriscando -- Ela está?

 

Silêncio do outro lado. A ruiva estranhou aquela reação.

 

--Não, ela não está... -- respondeu reticente -- Ela faleceu hoje. Eu estava me preparando pra voltar pro hospital quando você ligou.

 

Isabela engasgou-se do outro lado. -- Ela... -- não sabia o que dizer -- Ela morreu de que? -- pausou -- A senhora me perdoe a inconveniência é que eu fiquei tão chocada com a notícia... Meus sinceros sentimentos, eu não queria ser desagradável...

 

--Você está sendo gentil em querer notícias... pena que elas não sejam boas, não é? -- pausou -- Ela tomou veneno de rato... nós a levamos pro hospital mas não houve jeito... -- pausou -- Você me perdoe, mas eu tenho que ir. Minha irmã e cunhado estão desesperados... Eu vim aqui pegar umas coisas dela e recebi o telefonema do hospital... Acaba que as coisas que vim buscar nem serão necessárias...

 

--Meus sentimentos. Eu realmente sinto demais por isso!

 

--Ela não se conformou em ter de abandonar o balé. E o pior é que minha religião condena os suicidas. Nem poderá haver celebração religiosa...

 

--Eu rezarei por ela enquanto viver! Tem minha palavra!

 

A mulher se despediu e desligou o telefone, deixando a ruiva totalmente sem chão.

 

 

14:25h. 15 de abril de 2002, Ginásio Yuko Shitsi, Tókio, Japão

 

Flávia deixava o ringue arrasada. Sua adversária havia levado a melhor e vencido a luta: o cinturão de ouro era dela.

 

Em meio a algazarra da equipe tunisiana, a fisioterapeuta caminhava tentando não chorar. Sabia que aquele seria seu primeiro e último mundial e a frustração era muito grande.

 

Em meio a um monte de pessoas que iam e vinham fazendo alarido, Brito a esperava com os braços abertos.

 

--Perdi... -- foi o que conseguiu dizer

 

--Vamos embora daqui. -- ele respondeu carinhoso

 

O empresário de Flávia e a delegação brasileira falavam em publicidade, fotos, mas ela não queria saber de nada daquilo.

 

--Ela não quer saber de enxame! -- Brito respondeu enquanto caminhava abraçado com a namorada

 

--Mas não podem sair daqui assim, nós temos... -- o empresário vinha atrás deles falando

 

Brito soltou Flávia e virou-se rapidamente na direção do homem pegando-o pelo pescoço. -- Ela quer ir embora, então ela vai! -- o empresário consentiu com a cabeça enquanto agonizava com falta de ar. O policial então largou o pescoço dele e voltou a caminhar com a namorada

 

--Nossa, que pegada é essa que você tem! -- Flávia exclamou impressionada

 

--Aprendi com minha chefe! -- respondeu orgulhoso

 

***

 

--Foi um péssimo final de carreira... -- Flávia se lamentava no quarto do hotel -- Por que a vida não é como nos filmes, hein? Se fosse filme eu ia apanhar como uma égua, cair no chão desfalecida e aí quando o juiz estivesse prestes a dar vitória por nocaute eu me levantaria soberba e meteria os cacetes na adversária. -- começou a gesticular como se estivesse vivendo o que narrava -- Aí seria a vez dela cair feito jaca podre no chão, eu venceria absoluta, ganhava o cinturão e tudo acabava com a gente se beijando ao som de um fundo musical alucinante e o povo gritando!

 

--É... os americanos retratam uma vida onde os mocinhos sempre se dão bem e não é assim... todo mundo tem seus altos e baixos. -- estava sentado na cama olhando para ela

 

--E lá se foi minha chance de ganhar um mundial. -- sentou-se na cama também -- Essa foi minha última luta... -- abaixou a cabeça -- E que fiasco!

 

--Ei! -- ele se aproximou dela e levantou seu rosto devagar segurando pelo queixo -- Não se deixe abater dessa forma. Ainda não conseguiu ver tudo o que conquistou? -- perguntou sorrindo

 

--E o que acha que conquistei? -- perguntou curiosa

 

--Flávia... -- ele riu -- Nossa, você é o máximo! Uma mulher que trabalha como fisioterapeuta e ainda assim conseguiu disputar simplesmente a final? Isso é muito, mesmo que consideremos que é boxe amador! -- pausou -- Estamos aqui no Japão! -- abriu os braços -- Quantas pessoas viveram o que você viveu? Há atletas que têm dois braços, duas pernas e deficiência alguma que nunca estiveram em uma final dessas! -- acariciou o rosto dela -- E cá pra nós, aquela sua adversária parecia uma tarada, uma coelha cruzando alucinada que não parava hora nenhuma! Aquilo ali deve ter treinado sem parar todos os dias... E debaixo de chicote!

 

--É mesmo, né? -- sorriu -- Pensando bem, acho que não fui tão mal!

 

--E você pode dar aulas de boxe pra mulherada, como me disse que tem vontade de fazer!

 

--Eu vou ter que trabalhar melhor essa idéia, mas... por que não?

 

--Além do mais, ganhando ou perdendo, o seu gancho de direita continua sendo o melhor que já vi na vida! -- afirmou empolgado

 

--Você sempre um galanteador... -- respondeu fazendo charminho

 

--É a mais pura verdade... -- olhou para ela com desejo -- E no final de tudo isso você conquistou algo que não vai perder pra tunisiana nenhuma!

 

--O que? -- perguntou excitada

 

--Eu! -- pulou sobre ela.

 

Os dois rolaram na cama e fizeram amor apaixonadamente.

 

 

11:05h. 17 de abril de 2002, Oficina ESSALAAM, Meyer, Rio de Janeiro

 

Camille e Seyyed haviam encerrado uma reunião com Renan e Mariano. Os homens voltaram ao trabalho enquanto que a mecânica subiu as escadas e foi para sua antiga casa. A loura viu que havia um documento que ela esqueceu de assinar e tomou a liberdade de subir as escadas para encontrá-la no segundo andar. Ed estava na cozinha colocando a marmita para esquentar.

 

--Desculpe? Você esqueceu de assinar... -- a jovem mostrou o papel

 

A mecânica sorriu e disse: -- Sem cerimônias, Camille. Entra!

 

Ela veio receosa e estendeu o papel. -- Eu sou abusada, não é? -- sorriu sem graça -- Devia ter esperado você descer, mas... -- não sabia o que dizer -- "Você não tinha a menor necessidade em vir até aqui, Camille! Vai dizer o que??” -- pensou

 

--Sem problemas. -- pegou o papel e colocou sobre a mesa. Tirou uma caneta no bolso e assinou -- Aqui está! -- estendeu para a outra

 

A loura recebeu o documento e comentou: -- Engraçado isso... a dona da oficina come de marmita... -- sorriu

 

--Quando eu morava aqui, comia minha comida. Agora que não moro mais, trago marmita.  -- olhou para ela -- Não gosto de viver comendo em restaurante.

 

--É você quem faz a sua comida ou a empregada?

 

--Sou eu, mas tem vezes que a Isa faz pra mim.

 

--Ela sabe cozinhar?! -- perguntou surpresa

 

--Por que a surpresa? Ela sabe e eu adoro a comida dela.

 

“Uma patricinha daquelas... pensei que não sabia nem lavar um copo!” -- pensou e depois respondeu com sinceridade: -- Ah, ela é a maior patricinha, não é, Ed? Fiquei surpresa.

 

--Ela é chique, impecável, cheia de estilo... -- olhava para um ponto perdido no infinito como se visualizasse a bailarina -- Isa é sempre gata, arrumada, cheirosa, cheia de classe, tem aquele porte maravilhoso de bailarina... ela é demais! E não é uma garota sem noção das coisas ou superficial. Ela é culta, inteligente, crítica... -- pausou e olhou para Camille -- Ela pode parecer arrogante e metida mas é uma pessoa maravilhosa!

 

Camille não gostou de ouvir aquilo e nada respondeu.

 

--Vamos descer? -- Ed propôs

 

--Ah, vamos! -- respondeu sem graça

 

As duas desceram e cada uma foi para seu devido posto de trabalho.

 

“Aonde você acha que vai chegar, hein, Camille?” -- pensou -- "Seyyed e Isa se amam, não tem espaço pra você! A forma como falou daquela garota... toda apaixonada... Ela acha Isabela o máximo! E de mais a mais, mesmo se Seyyed estivesse solteira, você iria querer viver alguma coisa com ela?” -- perguntou-se -- Ô louco, Deus me livre! -- respondeu enfática

 

--Deus te livre o que, menina? -- Mariano perguntou curioso

 

--Nada, tio... -- respondeu desanimada -- "Que droga que eu fui cair nessa esparrela de gostar de uma mulher... e logo uma que já tem alguém pelo qual ela anda com os quatro pneus arriados!” -- suspirou -- Que merd*! -- deu um soco na mesa

 

--Camille, olha essa boca! -- Mariano ralhou

 

“Quando não é mamãe, vem meu tio ralhar comigo por causa de palavrão! Ô louco, viu?” -- pensou revoltada

 

***

 

Silvio estava em casa deitado na poltrona no maior amasso com uma mulher. De repente a campanhia toca insistentemente.

 

--Não vai... atender? -- a mulher perguntou entre beijos

 

--Deixe tocar... -- respondeu de imediato

 

Como a pessoa insistia a mulher decidiu parar, empurrando-o para o lado e saindo de debaixo dele. -- Assim eu não consigo relaxar! -- reclamou -- Você tem que ver quem é!

 

--Ô merd*! -- levantou-se revoltado -- Tem gente que não se manca! -- olhou pelo olho mágico e viu que era Vitória -- Ah, não acredito! -- revirou os olhos

 

--Abre a porta, Silvio! -- ela gritou -- Sei que você está aí!

 

--Outra mulher?! -- a jovem que estava com Silvio levantou-se da poltrona revoltada

 

--Abre, Silvio! -- Vitória insistia

 

--Mas, que merd*! -- abriu a porta com ódio e se surpreendeu com Vitória segurando um bebê no colo

 

--Eu... -- ela ficou perturbada ao vê-lo -- Eu trouxe o seu filho pra você ver!

 

--Filho?! -- a outra mulher exclamou surpresa

 

--Esse filho não é meu!! -- ele gritou olhando para Vitória

 

--Olha pra ele! -- levantou um pouco mais o bebê -- É seu filho, sim! O nome dele é...

 

--Eu não quero saber o nome dele!! -- Silvio berrou interrompendo a fala da jovem -- Você achou o que? -- perguntou com sarcasmo -- Que eu ia me comover vendo esse bastardinho e com isso ia te pedir em casamento? Que eu ia registrar o moleque? -- riu -- Esqueça! E vê se me esquece porque não quero ver esse garoto e nem você na minha frente nunca mais!

 

Vitória começou a chorar, mas continha as emoções para não explodir em um pranto sem controle. -- Eu prometi a mim mesma que nunca mais vinha te procurar mas mudei de idéia porque achei que meu filho merecia ter um pai. -- falava com muita dor -- Mas eu me enganei! Um pai como você é um castigo que ele não merece! Fique tranqüilo que nunca mais vai nos ver enquanto estiver vivo! -- deu as costas e partiu chorando

 

Silvio ficou um pouco perturbado mas não quis pensar. Ele, como tantos outros homens, havia se auto concedido um status superior demais para se preocupar com uma mulher. -- Onde paramos? -- sorriu malicioso

 

--Onde paramos?! -- a mulher perguntou abismada -- Acha que depois de tudo isso eu vou querer alguma coisa contigo? -- pegou a bolsa -- Tô fora! -- caminhou até a porta

 

O mecânico segurou-a pelo braço no momento em que iria sair da casa dele. -- Pára com isso! Você não é do tipo que quer arrumar um príncipe encantado pra casar e ter filho!

 

--Mesmo pra sacanagem, é preciso que um homem tenha um mínimo de decência, coisa que você não tem! -- deu um safanão nele para se libertar e foi embora

 

--Droga! -- Silvio fechou a porta com ódio -- Maldita Vitória!

 

***

 

Tatiana dormia em seu quarto agitada por um sonho turbulento.

 

“Andava em um local escuro, lamacento, ao som de gritos e gemidos de desespero até que deu de cara com Patrícia. -- Amiga... -- Tatiana chorava -- Saia desse lugar horrível... -- pediu com muita tristeza

 

--Ainda não, mulher! -- respondeu com decisão -- Eu quero ver todos eles pagando pelo que fizeram comigo!

 

--E eles vão pagar! -- respondeu confiante

 

--Preciso dividir uma lembrança com você! -- pôs a mão na testa dela

 

Tatiana sentiu sua cabeça girar e de repente parecia estar assistindo a um filme do passado recente.

 

“Patrícia participava de um debate sobre a legitimidade do casamento homossexual. -- Infelizmente ainda se respira o ar do conservadorismo intolerante e preconceituoso nesse país, que ao invés de ser governado como um Estado laico, dobra-se ante as mentes fechadas de religiosos radicais que se sentem melindrados diante da possibilidade da concretização civil de um casamento homossexual. Ora, que fé é essa, tão desprovida de força, que se sente ameaçar pelo modo como algumas pessoas conduzem sua própria vida particular? Por que minha escolha de vida ameaça a estabilidade da sua família? Onde uma coisa interfere na outra? Será que sua família é tão desprovida de bases sólidas que pode desabar pelo simples fato de dois homens ou duas mulheres poderem se casar, goz*ndo de seus plenos direitos civis na vida a dois? -- olhava para os presentes. Alguns concordavam, outros vaiavam -- Quando foi colocada na Câmara dos Deputados, em dezembro de 1997, a Lei da Parceria Civil Registrada possibilitando as uniões estáveis entre pessoas do mesmo sex*, cenas patéticas como as que vejo agora tomaram parte em pleno reduto parlamentar 11. -- levantou-se. Pessoas protestavam enfurecidas -- Assim como vocês estão fazendo aqui,  ouviu-se em Brasília um palavreado fuleiro, marcado por um humor debochado e mesquinho de gente preconceituosa e falsamente religiosa. -- falava com paixão -- Vocês acham que entendem da Palavra, pois eu vou citar um pouco dessa mesma Palavra pra vocês: “Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão.”20 Hipócritas! -- gritou -- Vocês são um bando de hipócritas! Fariseus da modernidade! Vocês querem ditar as regras sozinhos mas não é assim que funciona em uma democracia! -- o tumulto tomou conta da sessão e o debate teve que ser interrompido

 

Um homem de cabelos brancos e imensa barba de mesma cor se aproximou de Patrícia. -- Olá, minha jovem Patrícia! -- ele sorriu -- Você falou muito bem, mas não deveria ter se exaltado tanto. Quem grita acaba perdendo a razão. -- comentou com muita educação

 

--Eu sei... -- passou a mão nos cabelos -- Mas quando eu vejo essa fuleiragem, essa hipocrisia da porr*, e a falta de respeito na hora de um debate sério desses o sangue me ferve e eu perco as estribeiras! -- balançou a cabeça -- Vixi! Deu até uma dor de cabeça...

 

--Eu entendo. -- abriu a carteira e tirou um cartão -- Estou do lado de vocês e admiro seu conhecimento jurídico e a forma como se mobiliza. -- estendeu o cartão para ela, que o recebeu -- Você é uma formadora de opinião e preciso desse tipo de gente do meu lado.

 

Patrícia leu o cartão e perguntou curiosa. -- O senhor, então, se chama Baltazar Mendes? -- olhou para ele

 

--Não, este é um dos meus filhos. -- sorriu -- Meu nome é... Sammael.

 

--O meu nome o senhor já sabe. -- sorriu também

 

--Passe lá no escritório e faça uma entrevista. Há um emprego esperando por você! -- cumprimentou-a com a cabeça e se retirou

 

Patrícia olhava para aquele homem e, estranhamente, não sentiu qualquer empolgação com aquela proposta. Guardou o cartão na carteira sabendo de antemão que nunca iria procurá-los.”

 

Tatiana arregalou os olhos assustada.

 

--Meu irmão ainda tem minha carteira, Tati...”

 

Tatiana acordou suada e nervosa. Olhou no relógio, eram duas e dez da madrugada. Passou a mão no rosto e decidiu que iria contar tudo a delegada.

 

***

 

Tão logo soube de tudo, Suzana ligou para Pedro e pediu para que o rapaz procurasse o tal cartão de visitas nas coisas da irmã. Sem muita demora ele retornou a ligação e passou os dados para a delegada via fax.

 

--Petrópolis? -- Suzana lia a cópia do cartão -- Então quer dizer que há mais um ‘filho’ perdido em Petrópolis? -- sorriu

 

Brito se aproximou curioso. -- O que é isso, chefe?

 

--Nosso querido Sammael tem um ‘filho’ advogado com escritório em Petrópolis. -- olhou para ele e pensou -- Onde está o novato?

 

--Cuidando de uns problemas menores no Caju, por que?

 

--Ele ainda não é conhecido... -- sorriu -- Vai comigo fazer um pequeno passeio em Petrópolis!

 

--Passa naquela lojinha de doces húngaros e compra um doce folhado de maçã pra Flávia? Ela adora! -- pediu empolgado

 

Suzana revirou os olhos.

 

***

 

Coimbra e Suzana estavam em Petrópolis. O rapaz vestia-se impecavelmente bem. Ele estava lá para se passar por um jovem advogado recém formado procurando emprego. Tiveram uma certa dificuldade em encontrar o escritório, pois havia mudado de endereço, mas conseguiram quase ao final do dia.

 

--Boa tarde! -- Coimbra bateu na porta e a abriu devagar -- Poderia falar com o doutor Baltazar Mendes?

 

A secretária o convidou para entrar. -- Está em atendimento, mas já está quase na hora dele encerrar o dia. O senhor não marcou um horário... -- olhava na agenda

 

--Não... -- sorriu -- Meu nome é Paulo Maciel. Eu vim solicitar uma entrevista com ele recomendado pelo senhor Sammael.

 

--E ele sabe quem é este senhor? -- a secretária perguntou intrigada

 

--Certamente!

 

--O doutor Baltazar não recebe ninguém que não tenha agendado um horário, mesmo que seja recomendação...

 

--Creia que ele abrirá uma exceção. Diga o nome do senhor Sammael e ele não vai se opor a me receber. -- continuava sorrindo

 

--Então sente-se que quando a cliente dele sair eu entro e lhe anuncio. Se ele quiser recebê-lo...

 

Coimbra obedeceu e se sentou. -- Muito obrigada!

 

Suzana ouvia tudo do lado de fora através de uma pequena escuta. Esperava dentro do carro.

 

A cliente saiu da sala do advogado e a secretária fez o que havia dito. Depois de alguns minutos Baltazar pede para que o jovem entre. Quando viu Coimbra entrar, o outro homem o olhou desconfiado.

 

--Boa tarde, doutor Baltazar. -- estendeu a mão -- Meu nome é Paulo Maciel. É um prazer!

 

Baltazar apertou a mão dele e pediu para que se sentasse. -- Igualmente. -- pausou -- Então, Sammael recomendou você? -- perguntou desconfiado

 

--Sim. Ele disse que o senhor era um excelente filho. -- olhava nos olhos do outro

 

--Estranho porque ele não me disse nada... E ele nunca recomenda alguém sem me avisar antes... -- cruzou as pernas

 

--Mas as coisas estão difíceis, não é? Ele precisa... se cuidar. -- sorriu

 

--Onde se conheceram? -- continuava muito desconfiado

 

--Em um debate sobre casamento homossexual que aconteceu na sede da TV Tamoio. Ele gostou de me ouvir falar.

 

Baltazar estremeceu. -- Mas esse debate não aconteceu por agora...

 

--Não... Já tem um tempo. -- pausou -- E na ocasião ele convidou outra pessoa pra vir aqui. Só que ela não veio.

 

O advogado levantou-se da cadeira rapidamente e sacou um revólver de dentro da gaveta. -- Quem diabos é você e o que veio fazer aqui? -- perguntou furioso

 

--Se eu fosse o senhor abaixava esse revólver porque há um monte de policiais lá fora, louquinhos pra invadir esse lugar e detonar tudo. -- blefou afirmando com muita calma

 

O homem obedeceu.

 

--O senhor está envolvido na morte de Patrícia Feitosa e será indiciado por isso. -- Coimbra continuava impassível

 

--Eu?! -- respondeu nervosamente -- Eu não tenho nada com aquilo lá. Eu não quis participar! -- passou a mão no rosto -- Desde que percebi que ele estava envolvido com coisas tão... macabras... eu me afastei! Não sei de Sammael há muito tempo! Foi um susto pra mim ter ouvido o nome dele hoje!

 

--É, mas o seu cartão foi encontrado junto aos pertences da vítima. E temos testemunhas que alegam que Sammael disse a Patrícia que o senhor era filho dele! -- mentiu -- É advogado, sabe o quanto somente isso já é capaz de virar sua vida pelo avesso, não?

 

Baltazar respirou fundo e fechou os olhos. -- Por favor... eu casei de novo... -- abriu os olhos -- Minha mulher está grávida de gêmeos! Não desgrace a minha vida! Eu não tive nada com aquele assassinato!

 

--Fale tudo o que sabe sobre Sammael e a seita e nós o deixaremos em paz.

 

Riu. -- Está louco? Aquele homem é o diabo, eu não quero morrer como aconteceu com José!

 

--Está nas suas mãos. -- Coimbra se levantou e mostrou a escuta -- Nossa conversa foi toda gravada e a delegada me aguarda lá fora, dentro de um modesto Chevette preto. -- colocou um papel com um número de celular sobre a mesa dele -- Se quiser colaborar por bem, é só ligar. Do contrário, aguarde a intimação da justiça. -- retirou-se da sala

 

Horas depois, o advogado telefonava desesperado. -- Tudo bem, eu vou falar tudo o que sei... -- afirmou com o corpo trêmulo

 

Fim do capítulo


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Comentários para 12 - Terceira Temporada - BUSCAS III:
NovaAqui
NovaAqui

Em: 15/06/2024

Patrícia ajudando Suzana

Isa vai embora, né? Vai dançar em outro país. Não vai?


Solitudine

Solitudine Em: 15/06/2024 Autora da história
Olá querida!

Patrícia e Suzana unem-se mentalmente por um desejo de justiça (ou vingança, quem sabe?).

kkkkk Eu não posso responder sobre a Isa agora senão perde a graça. Você vai lendo aí para descobrir. rs

Beijos,
Sol


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jake
jake

Em: 17/03/2024

Olá Sol,  Sera q a Lady toma jeito agora depois do Carlão?Adoro as sessões de terapia ,Ivone junto com Camile, feliz pelo dela progresso diante da vida .Bom me emocionei com Ju e tenho medo desse velho acho q ele já perseguia Patrícia. Tenho medo dele fazer algum mal a Suzana ja que matou toda sua aldeia. Amo dona Lourdes .Isa tanto insistiu q ganhou o AP. Morrendo de rir da Ana com a falsa mãe de santo .... Parabéns Sol aprendo mto com sua escrita vc é  incrível .Olha eu lia muito no Abcles, como leio mtas autoras aqui pena q  só comecei ler vc a pouco tempo tudo bem antes tarde do que nunca rsrs. 

Felicidades e Gratidão...


Solitudine

Solitudine Em: 22/03/2024 Autora da história
Lady está apostando todas as fichas no Carlão, vamos ver.
Ivone e Camille foi quase um duelo! rs
O tal "velho" ainda vai dar muito o que falar. Fique atenta!
Que bom que você gosta da nossa dona Lourdes!
Isa seguiu conselhos que deram certo. rs E Ana, uma das maiores conselheiras, só se envolve com gente pilantra! rs

Você não me conheceu no abcLés mas me conheceu aqui e agora. Era o momento certo. rs

Obrigada por tudo!
Beijos,
Sol


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Samirao
Samirao

Em: 07/10/2023

Também to repondo os comnents que as perseguidoras apagaram no non senso! Huahuahua


Solitudine

Solitudine Em: 11/11/2023 Autora da história
Como assim???


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Samirao
Samirao

Em: 23/03/2023

Sorte que eu tô na clínica 


Solitudine

Solitudine Em: 26/03/2023 Autora da história
Ah, é??


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Alexape
Alexape

Em: 10/12/2022

Amando essa mulherada louca!!! @@


Resposta do autor:

kkk Que bom!

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 12/09/2022

PS tô adorando a Pat não ter saído da história 


Resposta do autor:

Ela não poderia sair. A caipira jamais deixaria! rs

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 12/09/2022

Lady Lady meu senhor hehe Cami toda por mim e Isa ouvindo conselho da amiga esnobe. Mas fala sério Isa pisa e me deixa babando. Sonho de qq sapinha ic Ju e Su no DR mau entendido hehe Fiquei emocionada com Cami você é foda tô adorando os mistérios a delegada é show!!!


Resposta do autor:

Lady não para!!! rs

Camille cada vez mais encantada com você. 

Priscila e Ana sempre foram as grandes conselheiras da Isabela. Ela ouve umas conversas, outras não... Mas você estava sempre babando! rs

Juliana e Suzana, como qualquer casal, têm seus momentos...

Camille emociona em vários momentos. É o processo dela.

Beijos,

Sol

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Samirao
Samirao

Em: 01/05/2022

Tenho que te dar razão habibem... mas eu não desisto! Huahuahua 


Resposta do autor:

Disso eu sei muuuito bem!!!!! kkkk

Beijos,

Sol

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Samira Haddad
Samira Haddad

Em: 23/04/2020

Amore eu disse que ia constelar não foi? E quando a Fa vier ela também constela. Tô achando estranho que Irina sumiu!


Resposta do autor:

Menina, não fica falando isso para elas. E Irina deve voltar depois. Não fique ansiosa.

Beijos,

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 18/04/2020

Solzinha!

 

Lady bichinha... Peninha dela, mas adorei Carlão desmascarado... Kkkkkkk ... Imaginei a cena do Carlão de calcinha e a Paulina junto com os outros batendo nele, Sol do céu o que foi aquilo? Kkkkkkk....

 

Fico pasma , quando não é a mãe da Isa é a amiga enchendo o saco, deviam cuidar cada uma de sua vida.

 

Seyyed é tão generosa e fofa, dá vontade de colocar num potinho e levar pra casa.

Camille tá encantada com ela, bonitinha.

 

Suzaninha toda poderosa, dona da porra toda na vida profissional, mas na pessoal... Ô mulher insegura, chega ser contraditório.

 

Isa conseguiu o que quis, nem pensou duas vezes em ter o apartamento no nome dela, tem horas que dá vontade de enforcar a filé de borboleta.


Resposta do autor:

Gabinha!!!

Lady investe demais nos namorados logo de cara e também cata papel na ventania. Aí dá nisso...

Ana era muito movida por interesses mesquinhos e uma necessidade louca de se exibir. Priscila era um tanto preconceituosa e egoísta. Isabela muito insegura se deixava influenciar. E as inseguranças dela também se relacionavam ao envolvimento de Seyyed na relação. A ruiva não foi movida pela mesma mesquinharia de suas confidentes.

Esse triângulo Isabela-Seyyed-Camille deu e dá o que falar.

 

E a delegada também tem suas inseguranças. Acontece com as poderosas também... kkk

Beijos!

Sol

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