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Touch por Etoile

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Palavras: 1325
Acessos: 797   |  Postado em: 22/12/2019

XI

A noite não findava, os instintos da professora estava em alerta, ela não sabia exatamente que horas eram, o quarto estava sob o profundo silêncio e escuridão, apenas a luz da lua que refletia no vidro e transpassava para o quarto, permitindo uma escassa iluminação.  A menina estava deitada de bruços, ressonava tranquilamente. Verena trabalhava em sua mente, o dia seria longo e todo cuidado seria pouco. Adormeceu sem perceber, foi vencida pelo cansaço.  Os raios solares fizeram a mulher franzir o cenho ao ser atiginda por um forte brilho em seu rosto. Verena abriu os olhos lentamente, suspirou fundo e tentava olhar ao seu redor. Não havia ninguém ao seu lado.  Sentou depressa na cama e sentiu uma leve vertigem. Levou a mão até a testa, tentando se recuperar.  Onde está Aline? Sua mente apenas a auto questionava. De repente a porta de madeira grossa fora aberta devagar, Aline entrava de costas, usando seu corpo para empurrar a porta, ela parecia carregar algo a frente. Era uma bandeja com muitas coisas que de longe a mais velha não conseguia distinguir o que seria. A menina sorriu ao ver que seu amor estava acordada, quando virou-se. -- Oi, bom dia! Eu queria ter acordado você. Verena olhou aquilo estranhando, nunca havia recebido tal tratamento. Não daquela forma, com o carinho todo daquela pequenina. -- Bom dia minha flor de cerejeira. - sorriu timidamente -- É para nós? - apontou para a bandeja. A mulher estava recostada na cabeceira da cama, admirando todo aquele cuidado e esmero que a menina fazia ao se aproximar dela. -- É para você, se você deixar eu comer, eu aceito.  -- Claro que sim. A bandeja foi depositava na coxa de Venera, logo a mulher retirou o objeto e tomou a menina em um abraço, a professora estava visivelmente emocionada.  -- Obrigada, obrigada! Você é a pessoa mais perfeita que eu já conheci em toda minha vida. O abraço era forte, as duas se ninharam ali, o coração batia forte e uma onda de ternura invadiu ambas. Aline sorria, os olhinhos brilhavam, o cabelo estava em um coque desgrenhado, os fios caíam sobre aquele rostinho pálido de lábios avermelhados. -- Eu fiz pra você, eu disse que sabia cozinhar, me desculpe se eu não pedi, eu fiquei com medo de você de repente ter ficado chateada por eu ir até sua cozinha, eu tive ajuda da sua governanta, ela me orientou onde estava seus ingredientes, mas eu fiz tudo com minhas mãozinhas - sorriu. -- Magina, fique a vontade, eu que agradeço sua gentileza.  -- Vamos comer? - olhavam-se. A professora pegou um pãozinho de mel e pôs na boca da pequena. A menina repetiu o gesto e assim tomaram o café da manhã. O primeiro, tinha gosto de ternura e felicidade, mas dentro do peito da professora ainda haviam muitos medos. -- Venera? - a menina pausou o café e olhava para baixo. -- Sim? - a professora olhava-a fixamente.  -- Preciso ir em casa, eu preciso ver como meu pai está. Ele estava nervoso ontem, mas ele é o único familiar que eu tenho. A mais velha olhou para a menina, ela tinha razão, era o seu pai. Mas Aline não sabia do que ele fora capaz de fazer todos esses tempos, colocando em risco a vida da própria filha. Verena respirou fundo, não queria que a menina fosse tão logo, mas iria respeitar a decisão dela. Enquanto a mais velha pensava, seu peito apertava ao olhar a marca levemente roxeada que ficou em sua têmpora, resultado da falta de controle do pai. -- Eu entendo você meu amor, mas tenho medo por você.  -- Você pode ir comigo, você pode? -- Claro que posso, eu vou com você, o Joe nos deixa, tudo bem? Recebeu um sorriso de volta, Verena analisava sua pequena, apesar de tudo que a menina sofrera em toda sua vida, ela era única, terna e não guardava mau algum dentro do seu peito. Era apenas uma paz que transmitia, e isso que a fazia amá-la ainda mais. -- Você quer ir depois do café? -- Quero sim, nos sábados papai não trabalha, ele costuma fazer panquecas para nós dois - lágrimas começavam a querer brotar. -- Ei, não fica assim, meu amor, não chore, por favor. Enlaçou a menina em seu peito, abraçava tão apertado, na vã tentativa de fazer sanar a dor que ela sentia. -- Aline, olhe para mim. Vamos nos aprontar, enquanto você vai fazer sua higiene, eu vou avisar Joe, e logo vou fazer a minha. Assim que estiver pronta, vamos até seu pai. -- Obrigada, eu prometo que vai ficar tudo bem. Dificilmente naquela cidade o sol conseguia se sustentar. O frio pairava sobre as árvores e em tudo que podia tocar. A nuvem ja havia escondido o sol, e o vento frio soprava nos cabelos da mulher que ia até a garagem. Joe mantinha um escritório ao fundo. -- Precisamos ir até a casa de Aline. Joe observou a mulher, visivelmente inquieta.  -- Eu não acho seguro, não sabemos como ele irá nos receber. -- Pelo amor de Deus, é filha dele, ele não tem amor à própria filha? Ela tem saudades. -- Não sabemos, a ficha dele é cautelosa, ele não é nenhum sociopata, apenas um ganancioso. Nem ele sabe como se meteu nisso, apenas está pagando por seus erros. -- Erros que estão fazendo refletir na menina. Joe, eu prometi a ela - Verena estava ao ponto de chorar. -- Você precisa ser forte. -- Eu sei, por ela. Eu preciso.  -- Vai ficar tudo bem. Eu vou reunir os homens. Vamos pouco, no seu carro, vamos nós três e de longe mandarei outro logo atrás, para precaução.  -- Obrigada Joe, daqui há 15 minutos iremos. O tempo de eu organizar as coisas. ¤¤¤ As árvores fechavam a claridade da estrada, eram muitas, e muitas delas estavam com folhas mortas e congeladas, o trajeto fora feito em silêncio. A menina vestia um casaco vermelho, uma camisa de lã por dentro e uma calça comprida. Uma touca vermelha deixava sua aparência ainda mais menina. O frio que fazia, deixava sua pele reluzente, e Venera não conseguia tirar os olhos do machucado em que o pai fez, machucado que era pra ter atingido a ela. A mulher vestia um sobretudo preto e grosso, envolvia a menina no calor do seu corpo e aconchegou todo o percurso em seus seus braços.  Joe estacionou na frente da casa da menina, havia um carro parado bem a frente donde estacionaram. Vozes alteradas podiam ser ouvidas desconexas. -- Joe, o que está havendo? - Verena indagou. Uma pessoa dentro da casa percebeu que não estavam sozinhos.  Aline remexeu-se no banco do carro, tentava entender e queria sair. Verena a mantinha em seus braços.  Joe acionou o rádio e emitiu um código para o carro que vinha a uma certa distância.  O pai de Aline apareceu de relance e a menina o viu, seguido de outro homem, ele mantinha uma arma na cabeça do pai. Verena segurou a menina forte, mas não foi o suficiente para mantê-la ali, Aline abriu a porta e correu em direção a sua casa, gritava pelo seu pai. A professora ficou apenas com o casaco vermelho da menina em mãos.  O desespero tomou conta de todos no momento em que Verena abriu a porta do carro para ir atrás da menina. Mas o que se pôde ouvir foi apenas um tiro, seguido de um grito desesperador.

Fim do capítulo


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