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Touch por Etoile

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Palavras: 1601
Acessos: 2667   |  Postado em: 22/12/2019

XII

O barulho do tiro deu um eco em toda a região, pássaros gritaram com o súbito silêncio com a explosão de estouro repentina. Carros aproximaram-se, os homens de Joe faziam-se presente. Dentro da casa a movimentação ficou quieta, não se observava mais ninguém dentro dela. Joe seguido de seus capangas foram para o redor da casa, outros ficaram à espreita, tudo parecia fora dos eixos, o inacreditável, mas já esperado, acontecera. Verena andava em direção à casa, seus pés já não correspondiam o que seu corpo mandava, estava no automático, já não conseguira descrever o que sentia, o que pensava, apenas ia, a sua vontade era de sair correndo, mas seus pés pareciam pesados, com o que poderia encontrar. Ouviam-se gritos por todos os lados, desespero vindo de dentro da casa. A mais velha abriu a porta e deparou-se com Aline de joelhos ao lado do pai, sangue por todo a extensão ao redor do corpo do pai, ele ofegava agonizando, tentava lutar pela sua vida, ou pelo menos tentar pelo pouco de vida que ali restara. A mulher abaixou-se, ainda incrédula, ao lado da menina, Verena tremia mas tentava se conter. Aline estava rouca de tanto chorar, pedir socorro, de clamar pelo pai. -- Meu amor! - finalmente saiu a voz da professora, abraçando Aline. - JOE!!! gritou. Joe alguns segundos depois adentrou a casa, ficando estagnado com o que vira. O pai da menina havia sido baleado no peito esquerdo, entre as costelas, mas havia muito sangue e isso fazia com que ficasse difícil a verdadeira localização do ferimento. O homem respirava fraco. Joe pediu socorro ao rádio, iram levar o homem Imediatamente ao hospital. -- Venera, olha o que fizeram com meu pai - Aline mantinha os bracinhos envolto do pai, olhava para a professora com pesar e tristeza - Foi você quem mandou fazer isso? Foi você? - gritou. A professora ficou assustada, fora pega de surpresa, mas entendia o ressentimento da menina. - Meu amor, não fui eu, eu prometo que não mandei fazer isso com seu pai. Por favor, acredite em mim. Olhavam-se, os olhos da mulher emitiam verdade e o da menina fragilidade. Os paramédicos e socorristas abriram a porta em um só movimento, assustando as duas. Passou um tempo naquele olhares, não mensuravam o tempo. - Afastem-se, vamos imobilizá-lo. Verena levantou rapidamente tirando a menina com cuidado e abraçando-a em seguida. - Aline, precisamos conversar, venha comigo, por favor, vamos até o hospital com seu pai.  Entraram no carro, a professora praticamente conduzia a menina que se mantinha inerte, todo aquele desespero havia dado lugar a inércia da mesma. -- Aline, meu amor! Me perdoe por estar contando isso nesse momento tão delicado, apesar de tudo é seu pai, e você o ama, e me corta o coração vê-la diante desta situação - respirou fundo - Seu pai, meteu-se com cassino, quando era casado com sua mãe, depois que você nasceu, ele parou com os jogos, com as apostas, com toda atividade que ele tinha diante disso. Ele devia muito à essas pessoas que o perseguem, já faz um tempo que ele voltou novamente com as apostas e acabaram descobrindo onde ele estava, por isso todos esses anos vocês viviam mudando, se escondendo. E o departamento em que ele trabalha, acabou descobrindo tal prática - pausou para pensar - e foi mandado expedir um ação para o prender, pois havia descoberto fraudes a respeito desses jogos, ele se meteu com problemas na empresa por isso. Todo o dinheiro que sua mãe deixou para você, não existe mais. Antes de ela morrer, ela descobriu. E acabou não suportando. Na investigações, seu pai ajudou a alterar cenas de certos crimes, e por ele saber demais, acabou refletindo nele e em você, queriam pegá-la para atingir o seu pai, tem muita coisa em jogo meu amor, me desculpa te contar isso - Verena já estava em lágrimas com o semblante da menina -- Tudo que foi contado à você sobre a morte dela, era pra esconder isso, o emprego do seu pai, tudo, não era verdade. A cabeça da menina fervilhava, não esboçada reação alguma, apenas grosas lágrimas tomavam todo seu rosto, chorava, soluçava, era tudo que seu coração mandava. Verena não sabia como reagir, se sentira mal por ter que contar isso à ela, não queria ser a pessoa a fazer isso, mas tinha quer sê-la. Tudo estava pesadamente insuportável dentro de seu peito. Continuou... - Aline, me perdoe - atropelava as palavras - Eu não sabia que isso ocorreria, eu não queria isso, saiu fora do controle, eu ia te contar, eu só queria te proteger, eu não queria que você descobrisse essas coisas, ele é seu pai, você o ama. Eu sei que não sou eu quem decide o que você deve saber sobre sua vida, mas eu fiquei perdida. A menina a abraçou tão forte que pôde sentir seu coração batendo descompassado. - Eu não sei o que estou sentindo, só dói, parece que tem um buraco me sufocando, eu não estou com raiva, apenas triste, acho que meu coração está sangrando de tanta dor que sinto. Eu não quero perder meu pai, eu te amo, muito, e obrigada por ter me cuidado, ter me feito sentir feliz todo tempo que esteve comigo. Eu não quero ser egoísta de culpar o mundo, e desculpa por fazer doer no teu coração. Verena só conseguia chorar, não sabia mais o que faria se matassem aquela menina, já dependia dela para se sentir bem, o amor que sentia era tão grande que pensar em magoá-la estardalhaçava seu coração. Joe estacionou o carro em frente ao hospital, as duas tentavam se recompor, Aline criava coragem para descer do carro, tinha medo que algo pudesse acontecer. - Seu pai está aqui, eu acho que já fizeram os primeiros entendimentos, Joe vai ficar conosco. Você quer descer? Aline relutava mas queria saber sobre seu pai. - Sim, eu quero. - Eu vou estar com você - limpou as lágrimas do rosto da menina - Sempre. Adentraram ao hospital e havia muito burburinho a respeito do homem baleado, poucos acontecimentos haviam naquela cidade e quando aconteciam, era motivo de manchete.  Muitos olhares direcionado as duas, primeiro que Verena naquele hospital pouco havia se visto, Verena quase nunca era vista na cidade, com exceção da escola. A professora tinha os braços sobre o ombro da menina, uma maneira de protegê-la daquela situação. Foram para a recepção e informaram que o homem havia sido encaminhado à sala de cirurgia, seu estado era grave.  Não sabiam ao certo o tempo que ele ficaria lá, mas Aline queria ficar. - Meu bem, você não quer ir em casa, trocar de roupa, estamos sujas, suas roupas estão com sangue, você quer? Voltamos logo, eu prometo que fico contigo. - E seu meu pai morrer? - sua voz saiu por um fio. - Vamos pedir a Deus para que não, vamos torcer e orar para que fique tudo bem, você está tensa, eu entendo, não pense nisso meu amor, pense e mande vibrações para ele, ele precisa que faça isso por ele. Eu também o farei. - Eu preciso quero ir, obrigada! Esse cheiro de sangue está me deixando mal, sinto como se fosse desmaiar a qualquer momento. Joe estava conversando no rádio a todo momento e Verena notava, mas mantinha toda atenção na menina. Foram para sua casa e no momento em que a menina entrou no banho, foi ao encontro de Joe, que estava na sala de estar. - O que está acontecendo, Joe? - Eram 5 caras, os rapazes o perseguiram, fugiram pela floresta, apreendemos os carros e eles foram a pé, três deles foram baleados, um está dando depoimento. Está tudo sob controle, eram apenas acerto das contas do jogo, um estava infiltrado da Polícia, infelizmente foi baleado, mas se encontra bem. - E o pai dela? - A bala não atingiu o coração, se alojou no pulmão, a cirurgia é para retirar, e estancar, o que piorou o quadro foi o choque hipovolêmico, e isso fez com que ele perdesse sangue. Estão fazendo de tudo, agora é com o tempo. - Obrigada Joe, eu não sei como estou conseguindo me manter sã, estou aguentando por ela. - Eu estou com você, conte comigo! - Obrigada amigo - colocou mão no peito, fechando os olhos, enchendo os pulmões de ar e soltando aos poucos - Pode ir resolver as coisas, eu vou ficar bem, levo ela até o hospital, nos encontraremos lá, eu cuido aqui. - Está tudo sob controle, eles queriam ele e conseguiram acertar, então isso diminui quase 100% os riscos. Verena se despediu de Joe e foi em direção ao banho, não tinha ideia de como seria na próximas horas, parecia estar vivendo em uma montanha russa, onde se encontrava no topo, com o frio nas entranhas que arrepiavam toda a extensão do seu corpo, mas precisava se manter bem. Pelo bem sua menina.

Fim do capítulo


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