Arranjo por Nay Rosario
Juramento do dedinho - Mano Walter
Obs: Tem várias versões(Priscila Senna e a jogadora Marta)
12 - É o que, Helena?!
Obrigada pela hospedagem e pela boa vontade em me ajudar. Não gostaria de me sentir um entrave em sua vida por isso vou para o sítio.
Dominick
-Ora essa.
Reli algumas vezes aquele bilhete escrito de maneira rápida o que explicava a grafia um pouco distorcida. Deixei um recado para Katrina e Neiva seria a encarregada de passá-lo. Corri para a garagem e saí cantando pneu. Não havia lógica deixá-la debilitada naquele fim de mundo. Se houvesse alguém, uma amiga talvez... A única amiga dela que eu conhecia estava reticente em aproximar-se. É óbvio já havia percebido o clima entre elas e o olhar apaixonado que Dominick lançava mesmo tentando disfarçar. O mesmo sentimento que já figurou em meu olhar um dia.
Confesso que sem Kat em minha vida a solidão ganhava terreno fácil e sua volta me trouxe uma gama de sensações, mas... Algo mudou. A forma como eu via nosso relacionamento, talvez. O tesão estava ali. Quando nossos corpos se encaixavam era incrível e delicioso. Mas só isso já não bastava. Foram alguns anos entre namoro, casamento e separação. Tivemos altos e baixos e aos poucos tentamos retomar nossa parceria. Além dessa sensação de incompletude,tem as atitudes de Katrina. Ela parece não querer a presença de Dominick como se lhe fosse nocivo. A pessoa que ela dizia ser sua amiga, sua prioridade. E o pior é saber que a moça nem mais namorada tem para auxiliá-la.
Estacionei o carro em um caminho de pedras em frente a casa. Apreciei a vista e andei até a porta tocando a campainha. Uma senhora que deveria ter em torno dos quarenta ou cinquenta anos me conduziu até a sala. Contemplei Dom a ressonar de forma tão calma e pacífica que deu-me remorso acordá-la, mas era necessário. Fiz um carinho em sua face chamando-a. Seu olhar de espanto ao me ver só não superou o que ela deu-me quando encerrei a conversa que tivemos.
-Está decidido. Vou em casa buscar algumas peças de roupa e a noite estarei de volta.
Saí antes que ela retrucasse algo. Guiei o veículo pela Estrada do Coco direto para o bar. Havia me esquecido de uma reunião com alguns fornecedores. Quando cheguei, avistei Elton conversando com os nossos fornecedores de bebidas. Entrei no escritório a tempo de atender o telefone que tocava de maneira insistente.
-Alô!
-Helena, aonde se enfiou que não atende esse celular?!
-Bom dia pra ti, Katrina. Provavelmente meu celular descarregou e eu esqueci de pôr na tomada.
-Desculpe,amor. Não quero recomeçar. A Neiva me disse que irias resolver algo. Conseguiu?
-Sim. - sorri ao lembrar do método e vi Elton parado com uma pilha de papéis na mão esperando sua permissão para entrar.- Preciso desligar agora porque chegaram alguns problemas para eu resolver.
-Vou te esperar aqui. Posso?
-Claro. Nos vemos mais tarde. Beijo.
-Te amo. Beijo.
Encerrei a ligação depositando o telefone na base. Elton depositou os contratos na mesa e sentou-se a minha frente. Eu podia ler seu olhar e sabia que ele tinha perguntas a me fazer, mas só após nos resolvermos. Passamos boa parte do dia lendo e relendo tudo. Organizamos por ordem alfabética e entramos em contato com outras empresas que prestavam o mesmo serviço que a equipe que pretendíamos encerrar contrato. Desci ao palco enquanto observava o pessoal da limpeza e sentei ao piano. Uma música me atormentava o juízo. Um desses sertanejos universitários e o jeito de livrar-me era dedilhá-la.
"Eu tenho um abraço pra te dar
Se quer que eu leve aí ou você vem aqui buscar?
Te prometo não te prometer nada..."
Me encontrava tão centrada que não vi meu irmão passar por mim, sentar e pegar seu saxofone para tocar. Ele também era conhecedor das minhas reclamações sobre essa letra. Mas naquele momento, quando as ondas elétricas provocadas pelas notas musicais circulacam cada célula do meu corpo, nada me irritava ou entristecia. Cantei, ainda que em tom baixo.
"Vamos fazer o juramento do dedinho
Juntar o meu mindinho com o seu mindinho
Então fechou, o trato 'ta feito
Aqui não tem assinatura a gente sela com um beijo."
Olhei para o relógio e já era tarde. Me despedi do pessoal e fui para casa. Silêncio no ambiente e luzes apagadas indicavam que não havia ninguém. Subi para o quarto e peguei uma maleta que eu usava para viagens curtas e abri em cima da cama, colocando algumas peças dentro. Fechava o ziper quando Katrina entrou no quarto. Sentou na cama e observou o que eu fazia.
-Vamos viajar?
-Não.- procurava o carregador do celular e meu notebook.
-Você vai viajar a trabalho?
-Também não.
Saí do quarto com os pesos divididos entre as mãos. Coloquei em cima do aparador enquanto olhava algumas correspondências que haviam chegado. Notava que Katrina começava a bater o pé, um gesto seu bem característico, quando estava enervando-se.
-Helena, para onde você vai?
-Passae uns dias no sítio de Dominick.
-É O QUE?! - meu ouvido doeu diante seu tom estridente.
-Você ouviu.
-Nós mal voltamos e você vai me deixar aqui sozinha para passar dias no sítio de alguém que nem é íntimo seu?
-É. Ofereci ajuda, na verdade, a obriguei a aceitar e a tirei de seu habitat. Ela não se adaptou. Agora eu vou para lá fazer o que você, que se diz amiga dela, deveria estar fazendo.
-Mas...
Nem me dei ao trabalho de ouvir. Saí, abri a porta do carro e coloquei tudo no banco de trás, sentei no banco do motorista e dei partida. Se eu andasse na mesma velocidade, conseguiria chegar a tempo do jantar. Sorri. Confesso que havia um certo divertimento em deixar Katrina um pouco raivosa e pensar um pouco. Não posso fingir demência todo o tempo. A Estrada do Coco estava livre o que facilitou meu percurso. Ao chegar no sítio, vi a garagem aberta. Embora tivesse tentado declinar de meu auxílio, aparentemente Dominick pediu a seu caseiro para deixar o local aberto. Estacionei com perfeição, fechei o galpão e entrei na casa. Carmem, a mulher que havia me recepcionado pela manhã, me encaminhou até a sala de jantar. Dominick estava encostada na mesa. Usava um vestido branco e havia trocado o imobilizador. Fez sinal para que eu sentasse a mesa.
-Estava a sua espera para jantar.
Fim do capítulo
"Vamos fazer o juramento do dedinho..."
Comentar este capítulo:
Rosangela451
Em: 16/07/2019
Acho que Helena começou a perceber que a relação quebrada não volta a ser como antes ...
Katrina e meio egoísta , né?
Adorando ..... Não demore
Abraços Nay
Resposta do autor:
Nunca é tarde para acordar.
Meio?! ^_-
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