Arranjo por Nay Rosario
Olha só quem voltou?! Boa leitura!
Kell Smith - Era Uma Vez
10 - Decepção Que Define
A noite de Dominick foi regada a dores que acentuavam-se ao menor sinal de locomoção, sensação incômoda de estar atrapalhando e tristeza pela sua situação. Pouco antes das 7 horas da manhã, Helena deu duas batidas suaves na porta anunciando sua entrada. Dom estava saindo do banheiro usando um roupão e pensando no que vestir.
-Bom dia. Aqui estão os analgésicos e anti-inflamatórios. - Além dos remedios, havia um copo com água, suco Natural da fruta e bolo.
-Obrigada! - Os tomou e degustou daquele singelo café.
Após seu desjejum, optou por vestir uma bata e seguiu em direção às vozes animadas. Ao descer as escadas ouviu duas vozes conhecidas e uma com sotaque carregado que julgou desconhecer. Andou devagar devido as dores e foi notada por uma senhora de aparentemente quarenta anos, com avental e touca. Cortava alguns pedaços de carne enquanto explicava algo as donas da casa.
-E fim. Desse jeito que se abre bife.
-Katrina vai tentar.
Helena ria da expressão desolada da moça. Sabia que a outra era um verdadeiro desastre na cozinha e das vezes que tentou, o jantar acabou queimando. A mulher fez o tempero e deixou que a carne pegasse o sabor. Lavou as mãos e limpou a bancada da pia enquanto comentava.
-Dona Helena, a senhora não avisou que estava com visitas.
-Não é uma visita qualquer. Você deve se lembrar dela. Dominick é aquela amiga de Katrina que sofreu um acidente e estamos ajudando-a a se reestabelecer.
-Ah! Sim.
-Bom dia.
Dom fez-se notada. Após os cumprimentos conversaram amenidades, houveram apresentações e Dominick, meio sem jeito, pediu a permissão da dona da residência para usar o escritório da casa.
-Sinta-se em casa. Bom... Estou saindo. - Quando se dirigia a porta, Helena virou-se em direção a Katrina. - Vai ou fica?
- Irei em breve.
Helena seguiu seu caminho. Dominick já havia instalado-se no escritório e digitava a senha de login de seu notebook. A pasta de músicas estava diversificada, mas preferiu um dos inúmeros aplicativos de músicas que possuía. Os primeiros acordes do violão e a voz em baixo tom da Kell Smith cantando um conto de fadas da infância a fez relaxar e iniciar sua leitura.
"Era uma vez o dia em que todo dia era bom..."
Katrina apenas a olhava, encostada na soleira da porta, pensativa sobre os últimos acontecimentos incluindo a estadia de sua amiga naquela casa. Sentia-se incerta acerca da decisão de sua... Ex? Atual? Enfim... Não queria ter que conviver com ela.
-Acho que fez mal.
Dom estava tão centrada no contrato a sua frente que foi necessário que Katrina repetisse em um nivel mais elevado para que se fizesse notar.
-Acho que fez mal em aceitar o convite de Helena.
-Como?! - Pega de surpresa, a jovem parou admirando a outra. - Por que você acha isso? - retirou os óculos que usava para ler a tela do notebook.
-Ora! Você diz que me ama e vem ficar de hóspedes na casa da mulher que eu amo. É autoflgelar-se não acha?! - Sentou-se no braço do sofá que ali dispunha.
-Ah! Sua mulher... Aquela que mal olhava pra você... Motivo pelo qual você ia parar no meu sítio de madrugada... - respirou fundo. - Katrina, embora pareça, o mundo não gira a sua volta.
Recolocou os óculos e observou a outra sair. Se fosse analisar de maneira racional, a mulher tinha razão. Mas recordando que não estava em condições de realmente escolher o melhor a se fazer era aceitar a guarida que lhe ofertavam. Mesmo a contragosto.
"... É só não permitir que a maldade do mundo te pareça normal... "
Quando concentrado em algo, o ser humano tende a esquecer da presença de Cronos. As horas voam, a fome não se apresenta e qualquer barulho externo é ignorado. Ao encerrar seu expediente, atentou para o avançar das horas e as dores alertando para a negligência dos remédios. Na porta da geladeira, encontrou um recado da funcionária avisando-a sobre a comida no microondas, esquentou-a e após ingerir um purê de batata, arroz branco e frango grelhado, tomou os analgésicos.
Andou pela casa escura e seguiu para o quarto que lhe foi reservado. Tomou banho com certa dificuldade e deitou-se. O efeito sedativo começava a se fazer presente. Há certa altura da noite assustou-se com o barulho de vidro quebrado. Pensou ser algum invasor e levantou no intuito de trancar a porta quando ouviu uma voz conhecida. Pelas frases sussurradas e alguns sons de objetos sendo derrubados entendeu o que acontecia. Voltou para o leito na tentativa de ressonar, mas os intensos gemidos para não dizer gritos impossibilitavam o silêncio necessário. Abraçou-se e lágrimas silenciosas verteram de seus olhos.
"É que a gente quer crescer e quando cresce quer voltar do início. Porque um joelho ralado dói bem menos que um coração partido."
Amanheceu. Quando Helena adentrou o quarto de hóspedes encontrou a cama arrumada. Saiu em direção a cozinha pensando encontrar a moradora temporária por lá, mas apenas sua funcionária se encontrava.
-Cadê? - Referia-se a amiga de sua esposa.
-Já foi. Quando cheguei estava na varanda com uma mala e um carro parou para ela entrar. Tem um bilhete pra tu ali na mesinha.
Fim do capítulo
Segue o baile!
Comentar este capítulo:
Rosangela451
Em: 13/07/2019
Dom fez bem em ir embora ..
O que olhos não vêem o coração não sente.
Adorando .... .....
Resposta do autor:
"Eu me apaixonei pela pessoa errada. Ninguém sabe o quanto que eu estou sofrendo...????
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