Capítulo 8
Resolvi dar umas voltas pela cidade após esse papo com o meu papai.
Já está anoitecendo e as montanhas ao redor da cidade só me fazem lembrar mais o Lucas.
Chego a uma praça onde eu costumava vir com ele. Começo a chorar, mas ouço alguém me chamando ao longe.
_ Olá Luana!
_ Olá Lisa!
Ela me olha meio sem jeito, sem sabem o que falar.
_ Eu sinto muito pelo acidente. Estive em sua casa semana passada, mas você não estava a fim de receber visitas, né?
Só para explicar, eu e a Lisa tivemos um caso quando eu tinha uns 17 anos e ela se machucou bastante com essa historia na época. Estranhava vê-la tão doce comigo. De qualquer jeito nem aquela bela mulher conseguia me chamar à atenção. Só tinha olhos para o meu interior onde o Lucas e minha dor existia.
_ É, são tempos um pouco difíceis para mim.
_ Eu imagino que seja. Uma barra esse lance de perder um amigo, ainda mais sendo um amigo tão próximo como o Lucas. Sinceramente não consigo me lembrar de você e não lembrar do Lucas. Vocês eram quase uma pessoa só!_ e sorriu, acentuando mais ainda a sua beleza.
_ Acho que não vou conseguir me recuperar. É muito difícil pensar em vida após perder alguém como ele.
_ Mas você vai se reerguer. Eu te conheço e poucos são tão fortes como você.
Eu levantei meu olhar pela primeira vez desde o começo da conversa, e ela ao notar lágrimas nos meus olhos me abraçou. Eu estranhei sentir aquele corpo que tantas vezes esteve nos meus braços, colado ao meu.
Apesar de estar vestida bem diferente da época de colégio, ela permanecia a mesma, e eu sentia isso, apesar das poucas palavras que trocamos.
O seu perfume também permanecia o mesmo, um perfume que noite após noite, já em BH, eu desejei sentir.
A vida é sempre tão imprevisível. Nem nos meus delírios mais delirantes eu esperava estar ali, naquela cidade, na casa de meus pais, ao lado da primeira paixão da minha vida. E o que mais me doeu naquele abraço não foi o fato de ter tido a Lisa e tê-la perdido, mas o fato de ter pensado no Lucas para contar todas aquelas mudanças na minha vida.
_ Olha, Luana, eu sei que deve ser barra isso tudo que você está passando. Mas não desista, por favor, não se abandone desse jeito. Você ainda tem toda uma vida pela frente e precisa vivê-la. Não só o Lucas, mas todos nós que gostamos de você, queremos isso.
Eu não sabia o que falar, eu não queria falar nada. Eu só queria que ela me abraçasse novamente e me protegesse de tudo aquilo que estava acontecendo.
Mas não foi isso que aconteceu. Ela me levou até a minha casa e eu me deixei levar. Ela foi conversando e eu a escutava sem dar muita atenção e toda a vida que transbordava dela, por mais que ela tentasse, não conseguia conter.
Ao chegar ao portão da minha casa, ela se despediu e disse para eu ligar, que ela ainda morava na mesma casa e trabalhava no mesmo lugar e se eu quisesse conversar ou sair, que contasse com a sua amizade (ela engoliu a seco algo que acho que ela queria falar no lugar de amizade, ou então indiretamente eu queria que fosse isso).
Eu agradeci e me senti culpada por ter sido tão má companhia. Despedimos-nos com um beijo no rosto que ela me deu e que eu não retribuí.
Ao entrar em casa minha mãe assistia à novela na sala e perguntou se eu precisava de alguma coisa. Eu disse que não e agradeci. Subi e tomei um banho sabendo que minha mãe havia visto a cena do portão pela janela da sala e que devagarzinho ela começava de alguma forma, a me aceitar.
Fim do capítulo
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olivia
Em: 10/01/2019
Autora Boa tarde , sabe , capítulos pequenos mas, cativantes ! Estou em fim de uma viagem, volto amanhã para, casa. Mora em Belo Horizonte estou em Recife , na casa do meu amor!!! Pretendo continuar para, como a Luana conseguir reerguer !!! Bjs
Resposta do autor:
Olá, Olívia! É muito bom saber que está gostando da história. Amor é tudo o que somo e sempre será tudo o que temos. Do resto, tudo é ilusão... Grande abraço!
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