Capítulo 9
No dia seguinte, acordei um pouco mais disposta. A fisioterapeuta chegou bem cedo e cedo acabamos as seções de exercícios.
Meu pai já estava no trabalho e minha mãe não desgrudava os olhos de mim. Tinha medo que eu caísse, ou que eu sentisse necessidade de algo que em casa não tivesse. Às vezes ficava até chato vê-la andando atrás de mim, mas não falei nada, sabia que aquilo era amor e eu precisava (e queria) me sentir amada.
A falta que o Lucas me fazia era enorme. Sentia falta de seus papos, de ligar pra ele pra contar qualquer coisa ou nada, ou de sair e curtir com ele.
Naquele maldito dia que saímos, ele havia sido um anjo comigo. Também não quis beber e eu até estranhei o comportamento dele. Passamos a noite mais conversando do que dançando ou beijando na boca dos gatos e gatas. Eu estranhei tudo o que acontecia, mas no falei nada, pensei que era carência dele e que, como mulher, um homem também tinha seus dia de TPM, tinham seus dias mais bebês.
Eu, apesar da dor dia após dia, me reerguia. Meu corpo, tão cheio de energia, reagia indiferente de mim e eu me via arrastada para o centro de um furacão da vida, onde as coisas acontecem.
Eu já saía mais de casa. Liguei algumas vezes para a Lisa e saímos umas duas vezes. Uma vez fomos a uma soverteria, outra voltamos para aquela praça onde nos reencontramos. Lá, nessa praça, encontramos algumas pessoas da turma da escola. Desde aquele dia o nosso papo era só sobre coisas da nossa vida e não tocamos no assunto sobre nosso antigo relacionamento fracassado. Eu, sinceramente, já pensava que ela já havia superado tudo isso, pois se mostrava tão feliz na sua solterisse!
Mas nesse dia na praça, estávamos além da Lisa e eu, o Carlos, o João Pedro, a Naiara, a Fernanda, o Maurício e a Taty. Sim, era muita coincidência encontrar todo o pessoal. Mas eu não acreditava em coincidências, e achei que aquilo era algum sinal.
Passamos a tarde sentados no chão da praça, tomando Coca-Cola e comendo Ruffles, conversando sobre a vida que agora tínhamos. Acho que há tempos não me sentia tão bem, e ali consegui dar uma risada, a primeira desde o acidente.
O problema começou quando anoiteceu e eu precisava tomar um dos milhares de remédios que os doutores “super protetores” haviam receitado.
Fomos embora caminhando e, um a um, eles iam entrando em suas respectivas casas.
A minha casa era a última da turma, a mais longe do ponto em que estávamos, e a da Lisa ficava bem próxima da minha. E nossa amiga Fernanda quis porque quis me levar até a porta da minha casa, sendo que a casa dela ficava bem longe da minha, o que nem eu nem ninguém entendemos.
A Lisa foi cordial aconselhando-a a ir para casa, dizendo que a cidade apesar de pequena andava perigosa, que ficaria perigoso para ela voltar sozinha e eu, por um momento, pensei que a Lisa queria que a Fernanda a convidasse para acompanhá-la e que eu estava atrapalhando um possível romance. O que só comprovaria a minha tese de que Lisa havia me esquecido mesmo, pois eu quando estava com ela, a traí publicamente exatamente com a Fernanda.
Só que não era bem isso.
A Lisa queria que a Fernanda fosse embora porque ela pensou que a garota estava a fim de mim e isso eu só sei por que notei que a Lisa estava começando a se irritar com a garota.
Naquela noite realmente a Nanda me elogiou bastante a caminho de casa e a Lisa não virou a rua que a levaria para sua casa. Mas daí a pensar que algo estava indiretamente acontecendo era um abismo enorme. Pelo menos na minha cabeça traumatizada onde minha auto-estima tinha se esmagado naquele acidente (me sentia culpada pela morte do Lucas).
Elas me levaram em casa e só se foram quando eu entrei porta adentro.
Fim do capítulo
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