Capítulo 10
Lisa me ligou no dia seguinte, que era um domingo, às 7 horas da manhã e foi minha mãe que estava acordada, que veio me chamar (acordar) para atender ao telefone.
Eu desci às escadas imaginando que algo de grave havia acontecido para ela ter me ligado àquela hora.
Quando atendi ao telefone, não entendi porque ela estava tão brava comigo:
_ Luana, eu odeio aquela Fernanda!
Luana não entendia.
_ Bom dia pra você também, Lisa!
_ Por favor, não me venha com esse papo de que não notou o que rolou ontem à noite.
_ Desculpa Lisa, mas eu não consigo entendê-la.
_ Não se faça de coitada, Luana!
_ Eu realmente não sei o que você quer de mim. Eu não sei o que rolou ontem à noite que tenha sido tão grave a ponto de você me ligar às 7 horas sem me dar nem bom dia e me cobrar explicação de algo que eu não sei o que é!
Minha mãe notou o meu tom alterado e esticou o pescoço da sala da tevê, para ver se eu estava bem.
_ Ou você esta brincando ou os remédios que você está tomando estão te deixando lesada.
Ali eu fiquei com mais raiva.
_ Obrigada pelo lesada!
Ela caiu na real naquele momento e viu que estava sendo grossa comigo e pediu para a gente se ver na sorveteria que havíamos ido dias atrás.
Eu aceitei relutante e às 9 horas eu a esperava na sorveteria que ainda estava fechada.
_ Nossa, como a própria Nanda disse sábado lá na porta de sua casa: “Você mudou muito Lu”. Está tão pontual!
Ao ouvir aquilo naquele tom de voz debochado, pois ela imitou a Nanda bem debochadamente, eu me vi novamente com 17 anos, tendo uma DR “daquelas” com a Lisa.
A diferença era que naquele tempo éramos namoradas e agora estávamos começando uma amizade. Era o que eu achava, pelo menos.
_ Então o problema é a Nanda?_ eu disse com um sorriso que sabia que a enfezava.
_ Não é bem isso. Mas sim aquele lance dela querer te levar em casa. O que ela queria, afinal? Que eu deixasse vocês duas sozinhas para ela...
_ Para ela... Por favor, Lisa! Nós não temos nada e eu não acho mais graça na Nanda se é isso que te preocupa. Sinceramente eu não sinto atração por ninguém. Minha cabeça anda uma bagunça, não tenho pensado em mulheres.
Ela me olhou e encontrou verdade no meu olhar. Eu continuei:
_ Lisa, eu mudei muito desde o nosso namoro. E mudei mais ainda após o acidente. Eu não vejo mais as mulheres como ‘meros objetos de prazer’, como você dizia. Nem as vejo depois desse acidente! E você ainda achou que eu havia gostado de ser apreciada pela Nanda! Eu nem notei nada! Eu não tenho cabeça nem para mulher, nem pra nada.
_ Me desculpe, Luana, é que a Nanda não me traz boas lembranças. Você se lembra o quanto ela atrapalhou o nosso namoro...
_ Não guarde rancor dela, Lisa, guarde de mim, quem te traiu foi eu e não as meninas que eu fiquei naquela época.
_ Mas ela era minha amiga, se dizia hetero e fez até ceninha quando ficou sabendo que eu era lésbica. Foi aí que ela te conheceu e daí em diante nosso namoro só decaiu.
_ Você sabe que antes de te trair com a Nanda, eu já havia te traído com a Júlia, com a Érica, com a Pâmela...
_ Já chega, você já me humilhou bastante naquela época... Isso porque dizia que me amava. Se não amasse então em?
_ Eu te amava sim e...
Os olhos dela se arregalaram:
_ Não venha brincar comigo novamente Luana, você não tem esse direito.
_ Eu não estou brincando. Eu me arrependo por ter feito o que fiz. E não foi só você que sofreu. As meninas com que eu fiquei sofreram bastante e eu também sofri quando te perdi e percebi que havia dado um tiro no pé, que realmente te amava e...
_ O que você quer de mim? Quer que eu pire?
_ Não, quero que você pare de guardar rancor das pessoas. Que supere tudo que te fez sofrer e que me esqueça, pois você merece alguém melhor do que eu e nós duas sabemos que nunca vou ser boa o bastante para você.
Levantei da mesa e pedi pra ela não ir atrás de mim, pois precisava ficar sozinha. Ela respeitou meio a contragosto.
Eu estava realmente magoada com ela e mais ainda comigo. Como eu era burra! Na época do namoro ela era toda menininha, toda dependente, e até meio feinha, mas ela me amava e eu joguei tudo fora. Eu não ia fazê-la sofrer novamente, ela merecia ter aquela garota perfeita que ela sonhava desde a adolescência e que com certeza não era eu.
Por outro lado, meu lado mulher grunhia em meu ser. Lisa estava linda, independente, solteira e me queria, mesmo que não houvesse dito isso claramente. Eu sentia desejo por ela e no fundo ainda a amava. Sem falar que meu corpo em luto começava a sentir “fome”, e sei que homens e mulheres com vida sexual ativa podem me entender.
Fim do capítulo
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