Capítulo 11
São Paulo, abril de 1968.
Dois dias após a noite do aniversário do meu irmão e de sua tia, voltei para São Paulo. Júlia não mais se aproximou de mim. Limitou-se a me cumprimentar quando se fazia necessário, acredito que para não dar o que falar. Com toda certeza, dona Dulce e meu noivo iriam estranhar e muito, se ela não me dirigisse a palavra.
Tentei me aproximar dela no dia seguinte à nossa noite de amor para podermos dar continuidade à conversa interrompida, mas ela não quis acordo comigo. Simplesmente me evitou, dizendo apenas que aquele não era o momento para termos uma conversa. Alegou que estava muito confusa e temerosa. Insisti bastante, mas de nada adiantou. Ela ficou irredutível. Apesar de doce e terna, sabia ser teimosa e inflexível quando queria.
Ela não nos acompanhou até a cidade. Preferiu ficar no sítio e, assim sendo, retornei para São Paulo sem tornar a vê-la. Desisti de conhecer outras cidades da Chapada Diamantina. Segui para Salvador e de lá peguei um avião com destino a minha casa. Augusto não voltou comigo, ficando na capital baiana para conhecer as praias do nordeste brasileiro.
Sai de Mucugê com o coração aos pedaços. Precisava saber como iríamos ficar. A incerteza e a insegurança dela me deixavam angustiada. Desde que voltei, vivia em constante suspense. A saudade me amargurava. Sonhava com ela praticamente todas as noites. Sentia o cheiro dela. Quando, passando pelas ruas de São Paulo, via alguma mulher levemente parecida com ela, meu coração saltitava na vã esperança de que ela já pudesse ter retornado. Depois me achava uma completa idiota. Mil e um pensamentos passavam pela minha cabeça. Imaginava que ela não gostava de mim; que os nossos momentos tinham sido para ela, insignificantes; que foram apenas para satisfazer a curiosidade que a maioria das mulheres heterossexuais tem. Sentia-me um lixo. Não conseguia me concentrar no trabalho. Antônio e Helena percebiam a mudança que se operava em mim. Lisa, em muitas noites, enxugou o meu pranto. Ela sabia o que estava acontecendo comigo. Era um grande alívio poder conversar com ela.
Apenas através de Helena eu obtinha notícias dela. Escrevi uma ou duas cartas, passei alguns telegramas, mas ela não se dignou a me responder uma vez sequer.
Quase três meses sem vê-la. Era uma tortura tremenda para minha alma e para meu corpo. Minha carne clamava pela dela; meus lábios ansiavam pelos dela; a minha sede era eterna, pois a única forma de saciá-la era provar novamente da sua fonte. Queria sentir novamente o cheiro dela, o gosto dela; ouvir aquela voz doce, suave e aveludada. Precisava mergulhar no azul profundo dos seus olhos para voltar a enxergar as cores da vida. Precisava abraçar novamente o seu corpo para aquecer a minha alma, pois o meu coração e o meu espírito pareciam estar submersos nas profundezas de um negro e gelado oceano.
A minha tia estava muito preocupada comigo. Eu até tentava me reanimar, mas a dor da ausência e do desprezo dela me deprimia de uma forma que eu tinha que fazer um esforço, praticamente além das minhas forças, para continuar levantando todos os dias e ir trabalhar. Afundava o rosto nos inúmeros e longos relatórios numa tentativa louca de colocar outro pensamento no meu cérebro, mas eram dela a única imagem e o único nome que circulavam na minha cabeça.
Quando me apaixonei por minha professora Eloise eu imaginei que nunca mais sentiria amor igual ou mais intenso, mas hoje eu vejo que aquele sentimento era realmente uma paixonite de adolescente, uma descoberta, um encantamento, um fascínio por uma pessoa mais velha.
Se eu imaginasse que minha vinda para o Brasil fosse me provocar uma dor tão intensa, confesso que daria um jeito de concentrar meus negócios apenas na Europa. Mas, como algumas vezes, somos inconstantes em relação ao que sentimos, ao mesmo tempo em que queria me ver livre daquele tormento, sentia a delícia de amá-la e recordar os nossos momentos.
Ela era o meu primeiro pensamento ao acordar e o último ao me deitar. Antes de dormir chamava por ela em pensamento deixando as lágrimas lavarem o meu coração e, a única forma que encontrava de continuar mantendo a sanidade, era acalentar a esperança de tê-la, pelo menos mais uma vez, em meus braços.
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Mucugê, abril de 1968
-- Júlia! Eu não vou admitir que você continue desse jeito! Tem se observado no espelho? Já viu como estão seus olhos?
-- Tia, eu estou bem. Só um pouco indisposta.
Dona Dulce, impaciente, sentou-se no sofá da sala ao lado da sobrinha. Pegou-lhe no queixo, forçando-a a encará-la:
-- Um pouco indisposta! Minha filha, uma indisposição que dura quase três meses, é muito estranho, não acha?
-- Não exagere, tia! -- Júlia abaixou as vistas e se levantou sentando-se numa poltrona. Temia encarar a tia.
Dulce pôs-se a observá-la. Percebeu que dias depois que Sylvia e Augusto tinham ido embora, Júlia começou a ficar acabrunhada, sorumbática, se largando pelos cantos da casa. Muitas vezes, jogava-se num sofá e punha um livro em frente ao rosto, fingindo uma leitura.
-- Julinha, não quer se abrir comigo? Sou sua tia, pode confiar em mim! -- Dona Dulce estava desconfiando que Júlia estivesse apaixonada. -- Alguma coisa ou alguém está machucando seu coraçãozinho? -- Perguntou com um sorriso matreiro estampado nos lábios.
Júlia virou-se para ela, com os olhos arregalados. Sentiu o corpo gelar. O medo de que a tia estivesse desconfiada do real motivo que a estava deixando naquele estado, apavorava-a. Sabia que a tia não era como Helena. Era conservadora demais.
-- Tia!? De onde tirou essa ideia?
A mulher aproximou-se e agachando-se aos seus pés, tomou-lhe as mãos. Beijou-as e olhando dentro dos seus olhos, sorriu e disse.
-- Tirei essa ideia de um belo rapaz loiro que esteve aqui no mês de janeiro. -- Júlia sentiu um imenso alívio acariciar seu peito. -- Minha filha, confesse para sua tia, você está apaixonada pelo noivo da sua enteada?
Júlia novamente levantou-se. O alívio era enorme e uma vontade de rir rompeu-lhe os lábios e ela gargalhou.
-- Que absurdo a senhora está dizendo, tia! Jamais me apaixonaria por aquele rapaz. E, além do mais, ele é comprometido!
-- Então não entendo porque você anda assim, tão deprimida.
Júlia ficou de costas para ela e aproximou-se de uma janela e se pôs a observar a pracinha. Viu Antenor brincando de pega-pega com a babá.
-- Tia! Estou assim porque fico imaginando o que fazer da minha vida. Como será a minha velhice, afinal estou ficando velha.
Dulce gargalhou.
-- Júlia! Ficando velha! Você só tem 31 anos! Se se acha velha, o que pensa de mim então, que tenho quarenta e seis? -- Aproximou-se da sobrinha e a abraçou. -- Minha bobinha! Tire essas minhocas da cabeça e aproveite a sua juventude. Devia se casar. Com a sua beleza, com certeza, não faltarão homens dispostos a desposá-la.
Júlia a olhou e pensou: "Se ela soubesse o que me atormenta a alma... Sylvia! Sylvia que saudades de você! "
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São Paulo, julho de 1968
Os meses de maio e junho passaram arrastados para mim. Nenhuma novidade, um dia após o outro, todos idênticos. A única coisa que me fazia diferenciá-los era o calendário.
Júlia parecia ter se evaporado do planeta. Nem Helena sabia mais notícias dela. Pelo jeito, queira mesmo se isolar no meio das matas da Chapada Diamantina. O medo de que ela resolvesse ficar lá para sempre, me apavorava.
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Ana Clara bateu na porta da minha sala e entrou no seu andar elegante. Trazia um sorriso no rosto e um mistério no olhar.
-- Senhorita, há uma moça aí fora que quer lhe falar. Disse que é sua amiga.
Estranhei. Não tinha amigas em São Paulo. Não tive ânimo para fazer amizades profundas a ponto de receber visitas em pleno horário de trabalho, sem um prévio agendamento.
-- Minha amiga? Estranho! Mas, de qualquer forma, pode mandar entrar.
Ana Clara saiu e menos de um minuto depois, eis que vejo uma linda mulher entrando na minha sala e andando vagarosamente na minha direção com os braços abertos.
Meu coração disparou e um sorriso largo tomou conta do meu rosto. Levantei-me e fui na direção dela e a apertei em meus braços. Ficamos longos minutos abraçadas, matando a saudade. Depois nos afastamos e nos olhamos com os olhos cheios de lágrimas. As esmeraldas dela ficavam lindas umedecidas
-- Emanuelle! Que surpresa maravilhosa! Por que não me avisou que vinha?
-- Se eu tivesse avisado não seria surpresa! -- Rapidamente tomou meus lábios num beijo caloroso cheio de saudades. Correspondi, mas de repente senti uma dor enorme e, delicadamente, afastei-a.
Ela, se percebeu alguma coisa, não demonstrou.
Tornamos a nos abraçar.
-- Você não faz ideia do quanto essa surpresa me faz feliz. Você é um anjo, minha querida!
Sem me conter abracei-a novamente e me pus a chorar. Ela me amparou e, com seu jeito doce, me esperou acalmar.
Assim que me acalmei, olhei para o relógio e, vendo que faltava pouco para o meio dia, liguei para a chácara e pedi a tia Cláudia que arrumasse um quarto de hóspede para a minha doce amiga.
Peguei-a pela mão e a levei para almoçar e em seguida fomos para a chácara. Tiraria o resto do dia de folga para pajeá-la.
-- Meu bem, vamos almoçar e depois vamos para casa. Precisamos conversar e matar as saudades.
Ela me olhou com aquela carinha sapeca e disse com uma voz provocante.
-- Temos sim, que matar as saudades! Mais de um ano sem a ver. É tempo demais para mim.
Estremeci, pois eu sabia como ela queria matar as saudades. Mas, como dizer a ela que não estava mais disposta a matar as saudades do jeito que ela estava pensando? Eu não tinha vontade de me relacionar sexualmente com mais ninguém que não fosse Júlia. O único jeito de fazê-la entender seria lhe contando a verdade.
Sorri imaginando-a frente a frente com Júlia. Com certeza ela ficaria deslumbrada com a beleza da minha madrasta, apesar de já conhecê-la por fotografia.
Não sei se foi coincidência, mas assim que chegamos à chácara, tia Cláudia veio correndo me receber e, depois de cumprimentar Emanuelle, me deu a maravilhosa notícia de que minha madrasta e meu irmão haviam retornado da Bahia. Meu coração galopou no peito, minhas pernas amoleceram e minhas mãos ficaram geladas. Emanuelle tomava um copo de água, acredito que por isso não percebeu o meu estado.
-- Co... Como a senhora soube, tia?
-- Helena acabou de me ligar. Eles chegaram pouco antes do meio dia.
Eu não consegui dizer mais nada. Deixei o meu corpo desabar num sofá e me pus a controlar minha respiração.
Emanuelle sentou-se ao meu lado e pegou em minha mão. Depois me olhou profundamente nos olhos. Apertou meus dedos e, com aquele seu jeito matreiro, falou baixinho.
-- Depois quero saber o que foi que sua tia lhe disse que fez com que ficasse com as mãos tão frias e trêmulas.
Eu tinha mesmo que contar a ela, pois assim que ela me visse frente a frente com Júlia, perceberia tudo. A perspicácia de Emanuelle era tremenda, afinal a inteligência dela era muito acima da média.
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Durante a tarde eu e Emanuelle ficamos conversando no jardim. Foi um momento maravilhoso e, só depois de algumas horas, que tive coragem de introduzir o assunto. Enquanto eu fazia o relato da minha vida desde que meu pai morreu, ela se mantinha calada apenas me ouvindo. Já havia bebido não sei quantas xícaras de café, pois ficara maravilhada com o café torrado em casa, puro e repleto de cafeína.
-- Nossa, Sylvia! Que maravilha! Nunca imaginei que existisse um café tão delicioso!
Encantava-me as caras e bocas que ela fazia ao bebericar as enormes xícaras.
Depois que terminei de lhe contar toda a história, todo o drama pelo qual vinha passando, ela, sem tirar a xícara das mãos, me olhou com as esmeraldas brilhando e falou com uma voz que traduzia uma compreensão mesclada com tristeza.
-- Meu anjo, você trilhou por uma estrada sem volta. Enquanto você não se fartar dessa mulher, não terá paz. Se bem que, por tudo que você me disse, não acredito que isso um dia vá passar. Você está amando, Sylvinha! Isso não é paixão, é um amor verdadeiro.
Com os olhos banhados em lágrimas olhei-a e supliquei um conselho.
-- O que devo fazer para conquistá-la, para convencê-la que amar, se relacionar com uma mulher não é errado, não é pecado?
Emanuelle enfim pousou a xícara de café sobre a mesa e se serviu de mais uma fatia de cuscuz de milho.
-- Acho que vou me mudar para cá. Nunca comi tanta coisa gostosa, e olha que nossa culinária é a mais famosa do mundo!
Depois de dar uma boa garfada no cuscuz e mastigá-lo com os olhos fechados, deu outro gole na xícara de café, agora batizado com leite e me respondeu com a boca ainda cheia.
-- Acredito que ela nunca vai se convencer de que esse tipo de relacionamento não é errado, Sylvia! Uma mulher com trinta e um anos de idade, trazendo toda uma bagagem de preconceitos, de conservadorismo, será muito difícil jogar tudo isso para o lado e enfrentar a sociedade de peito aberto.
Meu choro sacudiu meu corpo e me vi perdida com as palavras de Emanuelle.
-- Calma, minha querida! O que eu disse não significa que ela não vá se sucumbir ao amor que sente por você. Acredito que se ela te ama de verdade, pode sim, manter um relacionamento com você, mas tudo muito discreto, muito escondidinho.
-- Duvido que ela me ame. Se me amasse não agiria com tanta frieza como tem agido.
-- Preciso vê-la de perto para saber o que ela sente por você. -- Dando um sorriso complementou, sem nenhuma modéstia -- Você sabe que eu sou danada para descobrir os mistérios da natureza humana!
Remexi-me na cadeira e, tirando a xícara que estava novamente em suas mãos, entrelacei meus dedos nos delas e, com os olhos suplicantes, implorei.
-- Manu, me ajude a trazer essa mulher para mim! Por favor! Se eu não a tiver comigo, do meu lado, eu vou morrer! Eu não posso viver sem ela, entende?
Ela desprendeu suas mãos das minhas e acomodou melhor o corpo na cadeira. Deixou seus olhos vagarem pelo enorme jardim e só depois, do que foram para mim, torturantes minutos, ela voltou os olhos na minha direção e se fez ouvir.
-- Você sabe o quanto é doloroso para mim, ouvi-la me pedindo isso, não sabe?
Eu não fui capaz de sustentar seu olhar.
-- Mas, como nunca vamos ter uma relação verdadeira, porque você não me ama como eu gostaria, então, não me resta alternativa, ao não ser tentar fazer alguma coisa para não lhe ver sofrer desse jeito.
Segurei suas mãos novamente e as levei aos meus lábios. Quando a encarei, vi que seus olhos estavam úmidos. Ela estava mais linda do que nunca naquele fim de tarde. O sol, apesar de ser inverno, aquecia mornamente o jardim, e os seus raios espargindo por todo o ambiente davam aos verdes olhos de Emanuelle um tom de ocre esverdeado maravilhoso.
-- Eu peço perdão por não lhe amar como você gostaria que eu amasse, meu bem. Mas, você sabe que o nosso coração é a parte mais burra, mais idiota do nosso corpo. Ele não nos obedece.
Como resposta, ela simplesmente sentou-se no meu colo e me tomou os lábios nos seus. Eu me deixei beijar e correspondi. O beijo dela era delicioso e tê-la ali sentada em meu colo fez meu corpo reagir. Percebi, naquele momento, que eu conseguiria sim, me relacionar sexualmente com outra pessoa que não fosse Júlia. Pelo menos com Emanuelle eu conseguiria e com todo o prazer.
Depois de encerrado o beijo, ela sussurrou baixinho com os lábios ainda colados aos meus:
-- Você pode amar quem esse seu coração imbecil quiser, mas eu sei que você também me ama, mesmo que não seja com a mesma intensidade com que eu te amo.
-- Eu amo você, meu amor! É uma pena que seja diferente... -- Ela interrompeu minha fala me beijando novamente.
-- Essa noite e, enquanto eu estiver aqui e essa sua madrasta não se resolver, eu quero amar você de todas as formas. Afinal, tenho que aproveitar enquanto posso.
Sorri e a abracei. Com Emanuelle ali, teria um pouco de alento. Seria tão fácil amá-la, seria tão bom que me apaixonasse por ela e tirasse Júlia de minha cabeça de uma vez por todas.
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Durante o jantar tia Cláudia anunciou que iria, no outro dia, sábado, visitar Júlia e Antenor. Olhou para mim e perguntou com uma voz calma, porém seus olhos me observavam atentamente.
-- Você irá comigo, Sylvia? É bom que Emanuelle conheça Antenor. Ela me disse que quer muito conhecê-lo.
-- Claro tia! Vou sim!
-- Certo! Iremos então, logo após o almoço.
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Naquela noite eu me deixei abandonar nos braços de Emanuelle. Ela me amou de forma tão carinhosa, tão doce e cheia de saudades que, graças a Deus, a imagem de Júlia, se apagou um pouco da minha mente. Eu não podia me permitir usar Emanuelle para afogar meus desejos pela minha madrasta. Concentrei-me naquela mulher loira e maravilhosa que me dominava por inteiro. Tudo nela era diferente de Júlia, o físico, o cheiro, o tom de voz, o sotaque, tudo isso favoreceu para que minha mente não corresse feito louca em busca daqueles olhos azuis. Emanuelle era uma pessoa deliciosamente sensual, deliciosamente feminina, doce e solta na cama. Ela era incansável e insaciável. Eu a devorei e ela me devorou. Fomos dormir o dia já estava clareando. Não sei como ela aguentou, pois desde que chegara de viagem ainda não tinha dormido.
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No outro dia, por volta das 15 horas estávamos em frente à casa de Júlia. Tia Cláudia apertou a campainha e, enquanto aguardávamos, meu coração palpitava e minhas mãos suavam frio. Emanuelle tocou-as levemente e, me olhando nos olhos, me acalmou:
-- Fique tranquila, eu estou aqui do seu lado.
A própria Júlia abriu a porta e seus olhos se esbarraram diretamente nos meus. Para mim, os segundos que nos fitamos pareceram séculos. Ela me pareceu ainda mais linda, se é que isso era possível. Trazia sobre o corpo uma saia longa estilo hippie nas cores rosa, azul, branco e laranja, uma camisetinha branca e nos pés uma sandália rasteira de couro. Saímos daquele torpor porque meu irmãozinho surgiu na porta e correu ao meu encontro.
-- Shilva! Shilva! Toxe binquedo?
Todo mundo achou graça da espontaneidade dele e ficamos admirados por ele se lembrar de mim tão de repente.
Meu corpo todo tremia, mas mesmo assim, me abaixei e o peguei no colo. Estava pesado e crescera bastante naqueles meses. Abracei-o fortemente e ele fungou reclamando.
Emanuelle mantinha os olhos fixos em Júlia. Com certeza a estava admirando e analisando.
Entramos e Antenor mantinha-se grudado em mim. Naquele momento ele era minha tábua de salvação.
Júlia estava totalmente sem graça. Vez ou outra olhava na direção de Emanuelle. Daria tudo para saber o que ia em sua mente.
Tia Cláudia lhe apresentou minha amiga francesa, quando viu que eu estava completamente atarantada e, em seguida, pôs-se a encher-lhe de perguntas sobre a Chapada Diamantina.
Eu fiquei sentada num sofá, com Antenor no colo, ao lado de Emanuelle. Ela acariciou os cabelos dele e me disse baixinho:
-- Ele é lindo! A mãe, não tenho palavras! Agora a compreendo minha amiga! É impossível não cair de amores por ela. É um pecado de mulher!
Pegou Antenor do meu colo e ficou olhando para o azul dos olhos dele.
-- Sylvia, quero ele para mim! É fofo demais! -- Com um riso safado, olhou na direção de Júlia e complementou -- Quero a mãe dele também. -- Suspirou e sussurrou mais baixo ainda -- Meu Deus, eu com uma mulher dessas na cama, não sei não, viu?
Eu não me aguentei e acompanhei o seu sorriso e olhei para Júlia. Ela estava com os olhos, que pareciam soltar chispas, voltados para mim e Emanuelle. Aquelas chispas me pareceram chispas de raiva.
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Quando Júlia pousou em São Paulo, uma alegria enorme preencheu o seu peito. Era bom estar de volta ao lar, depois de sete meses. Foi muito boa a temporada que ficou com a tia, mas a sua terra da garoa era insubstituível. Adorava aquele frio, aquela agitação, aquele cheiro de cidade grande. Mesmo ela sendo de natureza pacata, adorava São Paulo. Além do mais, a saudade que estava sentindo de Sylvia, estava minguando todas as suas forças. A ausência da enteada estava fazendo com que se enveredasse para um mundo de tristeza, para uma depressão que poderia não ter volta. Havia chegado num ponto que estava começando a negligenciar o próprio filho, pois não arredava o pé da cama para nada. Sua tia, um belo dia, perdendo a paciência, a arrastou para fora da cama e lhe passou o maior sabão. Fez com que acordasse daquela inércia e lhe chamou a atenção para que, se não pretendia pensar em si mesma, que pensasse no filho, pois ele não tinha culpa dos problemas que a perturbava.
Refletiu sobre o puxão de orelha que a tia havia lhe dado e resolveu voltar a viver. A angústia de sentir um amor impossível a deixava por demais arrasada. Chegara à conclusão de que amava Sylvia mais que a própria vida, mas, mesmo assim, não se permitia se entregar àquele tipo de amor. Sentia como se tivesse indo de encontro às leis da natureza. Estava tão confusa, com os pensamentos tão desencontrados que, em dados momentos, achava que esse amor tão intenso que sentia não podia ser um sentimento pecaminoso, uma vez que era tão bonito e tão arrebatador. Em outros momentos a culpa, a sensação de estar fazendo as coisas erradas a torturava terrivelmente.
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Quando recebeu o telefonema de dona Cláudia anunciando que ia lhe visitar naquele mesmo dia à tarde, Júlia sentia o chão fugir-lhe de sob os pés. Estava ansiosa para rever Sylvia, mas junto com a ansiedade, um medo angustiante a dominava. Depois do telefonema o frio no estômago se fez presente. O corpo trêmulo a fazia se sentir fraca, tornando suas pernas bambas dando a impressão de que a qualquer momento, poderia desabar no chão.
Quando ouviu a campainha tocar o coração disparou. Vagarosamente se dirigiu à porta e a abriu. A vontade de ver aquele lindo par de olhos castanho-esverdeados lhe proporcionava uma felicidade indescritível, mas ao mesmo tempo desejava que ela não tivesse vindo com a tia, pois temia a própria reação. Era possível que ela tivesse preferido ficar na chácara, uma vez que deveria estar se sentindo magoada por não ter respondido as suas cartas.
Quando abriu a porta não enxergou mais nada nem ninguém, a não ser ela ali parada, mais linda do que nunca. Seus olhos se beijaram saudosos. Observaram-se, alegraram-se ao se vislumbrarem e fugiram para uma dimensão que pertencia apenas a eles mesmos. Tudo ao redor perdeu a importância, o significado, apenas a fusão do azul com o verde-castanho era o que realmente, importava. A comunicação que eles estabeleceram entre si, naqueles poucos segundos, na dimensão em que se encontravam, foi muito mais completa e significativa do que se fosse feita com palavras. Júlia e Sylvia trocaram, naqueles mínimos segundos, a mais linda declaração de amor, mesmo que, voltando para a dura e concreta realidade, não tivessem plena consciência disso.
Júlia se sentiu retornar à porta da sua casa como se estivesse acordando de um sonho. Seu filho, com sua doce voz infantil, correndo ao encontro da irmã, lhe trouxe de volta à realidade e, assim, deu-se, aos poucos, conta das outras duas pessoas que ali se encontravam: dona Cláudia e uma moça loira de braço dado com Sylvia. Observou aquela intimidade e uma fisgada em seu coração a inquietou. Convidou-as a entrar. Dona Cláudia a abraçou e lhe apresentou a moça. Observou a beleza da mulher francesa e, no momento em que seus olhos se encontraram, teve quase certeza de que ela e Sylvia eram mais do que apenas amigas.
Mal conseguia prestar atenção ao que dona Cláudia lhe dizia, pois, seus ouvidos estavam atentos à conversa das duas no sofá oposto ao que estava sentada. De vez em quando seu olhar se esbarrava no de Sylvia e no da tal Emanuelle. Elas riam, mas não conseguia ouvir do que falavam, pois mantinham a voz baixa e falavam muito rápido em francês. Ela dominava o francês muito bem, falava fluentemente, mas àquela distância, e quase num sussurro ficava difícil acompanhar o teor da conversa. Teve a impressão de que a francesa estava rindo dela, pois uma ou duas vezes a flagrou olhando em sua direção e rindo em seguida. Depois de algum tempo, resolveu ignorar as duas e dedicou sua atenção apenas a dona Cláudia.
Alguns minutos depois foram para a sala de jantar fazer um lanche. A empregada havia feito café e Emanuelle se deliciou com o pãozinho de queijo, biju, brevidade, pamonha, requeijão e outras iguarias típicas da culinária brasileira.
-- Este pãozinho, Emanuelle, é uma receita tipicamente brasileira, mais presente nos estados de Goiás e Minas Gerais. A sua origem ninguém sabe ao certo. Não me estranharia se fosse francesa, uma vez que a França é a terra do pão. Dizem que a receita dessa iguaria já existia em Minas Gerais, desde o século dezoito, vindo a se popularizar em nosso país, a partir dos anos de 1950. -- Informou dona Cláudia se deliciando.
Emanuelle sorriu com a boca cheia. Provou de tudo o que havia na mesa, não estava se incomodando de fazer feio. Enquanto estivesse no Brasil iria comer de tudo principalmente experimentar a enorme variedade de frutas.
-- É uma delícia, dona Cláudia. Acho que quando eu retornar para a França terei que reformar todo o meu guarda-roupa.
Júlia olhou-a e, não se contendo, perguntou:
-- Já está pensando em voltar para a França? Mal chegou...
Emanuelle esboçou um singelo sorriso e deixou seus olhos verdes penetrarem naquele azul divino. Deixou-se ficar olhando aquele rosto perfeito, tão perfeito, tão simétrico que parecia ter sido feito à mão. Desviou os olhos para os lábios e, uma vontade enorme de prová-los lhe contraiu o ventre. Olhou a curva do pescoço, o colo, os seios redondos sob a blusa delicada. Pensou: "Sylvia é uma felizarda, apesar de todo o sofrimento pelo qual vem passando! Essa mulher é deliciosa demais, meu Deus! Se minha querida Sylvinha não fosse ficar magoada, eu juro que lhe levaria para a cama Senhora Júlia, nem que tivesse que usar a força". Respirou fundo e respondeu, sem conseguir se controlar, com o tom de voz sedutor que sempre usava em suas conquistas.
-- Não. Não estou pensando em retornar logo. -- Estudou as reações dela às suas palavras -- Pretendo ficar um tempo por aqui. Seu país é lindo, Júlia! Pretendo conhecê-lo bastante e bem.
Júlia nada disse. Olhou na direção de Sylvia que estava sentada ao lado de Emanuelle, e estremeceu ao observar o quão intenso estava o olhar dela. Leu naqueles olhos desejo e adoração. Sentiu as faces ruborizarem. Abaixou os olhos para a xícara.
Dona Cláudia observava-as disfarçadamente. Havia consolado a sobrinha durante toda a ausência de Júlia e, portanto, sabia do turbilhão de emoções que estava revolvendo o coração da sua querida Sylvia naquele momento. Resolveu dar um jeito de deixar as duas a sós e, para isso, após alguns minutos, chamou Emanuelle para acompanhá-la até o carro com uma desculpa qualquer. Quando já estavam na sala de estar ela esclareceu:
-- Sylvinha está que não se aguenta para ficar a sós com ela, querida. Por isso a chamei para me acompanhar.
Emanuelle sorriu-lhe em concordância. Mas, no fundo, não gostou. Não queria ver Sylvia sofrendo, mas ao mesmo tempo, não queria que elas se entendessem. Contudo, tinha plena consciência de que não seria capaz de fazer nada para atrapalhar, as ajudaria, se fosse preciso.
**********
Júlia viu-se a sós comigo. Antenor já havia sido levado pela babá para tomar banho.
-- Temos uma conversa pendente.
-- Agora não é o momento... -- Júlia esclareceu olhando-me nos olhos.
-- Quando será este momento? -- A minha voz estava entrecortada. Estava nervosa por demais, na presença dela. A vontade de tomá-la em meus braços era crescente e tinha que fazer um esforço enorme para me controlar -- Só espero que não demore muito.
-- Por que insiste... que devemos ter essa conversa? Acho... Acho melhor deixar as coisas... como... Como estão e... e esquecermos o que aconteceu. Aquilo... -- Percebi os seus lábios trêmulos e a vontade de beijá-la aumentou -- Aquilo... foi uma loucura. Estávamos sob o efeito do álcool. E... E além do... mais, você... está acompanhada... e muito bem... pelo que vejo... -- Seu ciúme estava palpável em seu tom de voz - Não deve deixar... sua amiga... esperando...
-- Ela não está me esperando. Minha tia a chamou. Você viu.
Levantei-me e me aproximei dela.
-- Por favor. Vamos conversar um pouco num lugar mais reservado. Prometo que será rápido. Não vou ficar lhe importunando.
-- Acho... Acho que aqui é... é melhor. Sua amiga pode... voltar e lhe procurar...
Segurei-lhe uma mão e olhei-a bem dentro dos olhos.
-- Por favor... Não estou lhe pedindo nada demais.
Ela por fim se levantou.
-- Está bem. -- Acredito que ela sabia que eu iria tentar alguma coisa. Ela relutava, tentava se enganar, tentava fugir, mas eu tinha quase certeza de que ela estava louca para que eu a tomasse nos braços novamente. -- Vamos para a sala onde ministro o curso de violão.
Seguimos por um corredor e entramos numa pequena sala. Deixei-a entrar e tranquei a porta. Ela ficou parada no meio da sala me olhando. Estava visivelmente trêmula, fragilizada. Aquilo me excitou mais ainda. Aproximei-me lentamente e abracei. Quando nossos corpos se encontraram gem*mos ao mesmo tempo.
-- Meu Deus! Meu Deus! Que bom que você voltou, meu amor! Estava louca para sentir você de novo em meus braços. Estava morrendo de saudades, Júlia! Morrendo!
Deixei meu rosto se perder nos cabelos dela. Aspirei o seu perfume, apertei-a mais sentindo o calor daquele corpo delicioso que se encaixava tão bem ao meu. Deslizei minhas mãos enfiando-as por baixo da blusa e tateei as costas quentes e macias. Ela gem*u novamente, dessa vez um gemido mais alto e, totalmente, dengoso, cheio de excitação. Beijei-a no pescoço, nas faces e, vagarosamente, deixei meus lábios seguirem de encontro aos dela.
Sentir novamente a maciez, a suavidade, o calor e o doce sabor daquela boca, tirou de vez a minha razão. Esqueci-me de onde estava, me esqueci de que minha tia e Emanuelle estavam lá fora. Esqueci-me de tudo, a única coisa que o meu cérebro conseguia sentir, pensar era naquela loucura de mulher em meus braços.
Deixei minha língua acariciar a dela, suguei sua saliva e ali, na doce quentura daquela boca, lhe ofertei, mais uma vez, a minha vida. Coloquei-me, novamente, nas suas mãos. Eu já havia me tornado, desde a primeira vez que fizemos amor, sua eterna escrava. E assim seria: a cada novo encontro, a cada novo beijo, uma nova entrega, uma nova reafirmação de amor eterno. Ela poderia fazer de mim o que bem quisesse.
Com a boca gulosa continuei explorando a dela. Era uma sensação tão deliciosa sentir os lábios, a língua e a saliva de Júlia! Eu estava no paraíso. Suguei a sua língua quando ela me ofereceu toda rendida, toda entregue. Seus braços enlaçaram meu pescoço e seu corpo se aconchegou mais ao meu. Apoiei-me em uma mesa e a puxei mais de encontro ao meu corpo, de forma que nossos sex*s se tocassem, com isso, uma corrente elétrica percorreu nossos corpos. Estremeci e a senti tremer em meus braços. Como sua saia era de elástico, rapidamente a empurrei para baixo. Ela, sem oferecer nenhuma resistência, terminou por tirá-la completamente ficando apenas de calcinha e blusa. Deixei minhas mãos pousarem em suas nádegas e a trouxe mais para meu corpo. Ela gem*u novamente e dessa vez, amoleceu inteira se oferecendo mais ainda. Quando a ouvi sussurrar docemente de encontro aos meus lábios, pois nossas bocas não se desgrudavam, eu me senti morrer de felicidade.
-- Faça-me sua novamente, meu amor!. Estava doida... por isso!
Completamente ensandecida, arranquei sua blusa e sutiã e deixei, antes de qualquer coisa, meus olhos se embebedarem daquelas obras primas que eram seus seios; em seguida, espalmei minhas mãos sobre eles, fechei os olhos e apertei levemente aqueles dois pêssegos macios e tenros. Era extasiante sentir aquela textura em minhas mãos.
Ela gem*u e suspirou:
-- Meu Jesus! Isso é... é delicioso! Ah! Sylvia! Você... está me... levando... à loucura!
Ouvi-la dizer aquilo com a voz rouca, me provocou outra contração e uma dor profunda no ventre e minha calcinha ficou ainda mais molhada. Não consegui dizer nada, apenas gemi. Minha boca salivou ainda mais e, não mais aguentando, deixei meus sedentos lábios se perderem naqueles maravilhosos seios. Eu precisava de doses diárias daquela mulher, para sobreviver, portanto, teria que providenciar um meio para conseguir isso.
As minhas mãos, que já haviam adquirido vida própria, estavam dentro da sua calcinha, usufruindo as delícias daquela umidade quente e abundante. Ah! Como ela gemia gostoso. Sussurrava o meu nome e palavras gostosas que aumentavam mais e mais a minha excitação.
Eu tinha ganas de morder seus seios. Sentir a textura daqueles biquinhos em minha boca, senti-los tenros e macios trazia à tona o meu lado animal. Eu tinha que me controlar, senão acabaria machucando-a. Fiquei ali por longos minutos me deleitando em seus mamilos. Porém, sem mais me conter deitei-a no chão e tirei sua calcinha. Em alguns momentos minha lucidez voltava me dizendo que não poderia demorar muito, pois poderia chegar alguma pessoa atrás dela, por isso nem tirei a minha roupa. Queria apenas senti-la, possuí-la.
Observei-a nua deitada ali no chão e, mais uma vez, fiquei estarrecida diante de tamanha beleza. Não havia tido ainda a oportunidade de vê-la sem roupas à luz do dia. Apesar de já estar caindo a tarde, ainda entrava bastante luz pelas vidraças da janela. Observei cada detalhe do seu corpo. Era perfeito, deliciosamente, apetitosamente perfeito. Depois de me deleitar observando seu corpo, fitei seus olhos. Estavam mais lindos ainda, mais intensamente azuis. Ela me olhava com tanta ternura e com tanto desejo que me estremeci inteira. Com um doce sorriso me pediu:
-- Tire suas roupas. Quero senti-la.
Ao ouvir isso daqueles lábios adorados, meu desejo por ela aumentou de tal maneira que meu corpo todo ficou dolorido e me provocou pequenas ondas de choques.
Eu tirei apenas a blusa e me deitei sobre ela. Beijei sua boca e fui descendo para o pescoço, depois o colo. Demorei-me mais um pouco nos deliciosos seios, pois sentia vontade de devorá-los, mas naquele momento minha boca ansiava mais pela sua fonte do prazer. Toquei suavemente seu sex* com meus dedos. Novamente gemi ao constatá-la tão molhada, tão quente, me pedindo loucamente, para sugá-la que, não mais resistindo, deslizei meus lábios sobre sua barriga, virilha; brinquei com a língua em seu umbigo, no baixo ventre, rocei os lábios suavemente sobre o seu monte de vênus bastante aparado; passei a língua pela parte interna das coxas para, finalmente, me posicionar entre suas pernas. Ela se retorcia numa angustiante expectativa e, de seus lábios, saiam suspiros, gemidos e sussurros incompreensíveis, mas que me excitavam de forma alucinada. Primeiro, aspirei seu perfume para em seguida beijar e deixar minha língua ansiosa, saciar a sede que há meses vinha sentindo. Quando senti na ponta da minha língua o seu gosto maravilhoso, um gemido sufocado rompeu a minha garganta. Abri a boca com gula e tomei posse daquela deliciosa vagin* que era minha, inteiramente minha. Ninguém mais poderia sequer ousar, pensar em ter aquela mulher, porque eu seria capaz de matar quem se aventurasse a se aproximar dela. Minha língua, meus lábios se perderam naquela gruta saborosa. Com os olhos fechados e sentindo nos meus lábios, aquela textura, aquela maciez divina, eu me esqueci do que era sofrimento, eu me esqueci do que era preocupação. Eu experimentei o que era felicidade, eu me senti próxima da essência da vida, me senti próxima de Deus. Compreendi novamente o que era viver, o real significado de estar viva. O real significado do que é amar. Ali, entre as pernas da minha mulher, bebendo da sua essência, eu me senti nela e a senti em mim. Naquele momento, mesmo fazendo aquele amor às pressas, senti que eu e Júlia estávamos irremediavelmente predestinadas uma à outra.
Sentindo seu gozo se aproximar, penetrei-lhe dois dedos dando início a um vai e vem maravilhoso e, acelerei os movimentos da minha língua em seu intumescido clit*ris. Ela explodiu num gozo cheio de saudade, pois a ouvi chorar e me brindou enchendo minha boca com o seu delicioso e quente mel. A bebi, e a felicidade se fez plena em minha alma.
Fim do capítulo
Meninas,
Infelizmente não foi possível postar antes, mas agora vai.
A leitora Lu Braga, lendo o capítulo anterior, lembrou-se da música Fruta Mulher, interpretada por Nana Caymmi. Espero que vocês apreciem também.
https://www.youtube.com/watch?v=HflsBwxRjQE
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LuBraga
Em: 06/08/2018
Meu Deus, fortes emoções aqui!rsrs
Pobre álcool, coitado...mas como dizem as boas línguas:"quando o álcool entra, a verdade sai"!rsrs
Saber de uma Julia ciumenta é ver que ela sabe lutar pelo que deseja e longe de mim fazer alguma apologia a esse sentimento que tem extremidades bem distintas.
Amando cada linha Nicole e obrigada pela citação da citação.
Bjs
Resposta do autor:
Boa noite, Lu.
Mais uma vez lhe agradeço pelas suas palavras mais que estimulantes. Fico muito feliz por apreciar a minha história.
Pois é, Júlia é ciumenta e sabe conduzir Sylvia direitinho.rsrs.
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cris05
Em: 30/07/2018
Ai, ai...o que dizer? Simplesmente MARAVILHOSO esse capítulo!
Eu amo esse conto. E já estou super ansiosa para o próximo capítulo.
Autora, parabéns! Você é demais.
Resposta do autor:
Cris,
Que bom que goste tanto assim. É muito bom ler os comentários. Eles fazem com que nós autoras tenhamos mais estímulos para continuarmos postando.
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