Duas faces por ROBERSIM
Capítulo 44
-preciso conversar com vocês, por favor venham a meu consultório.
-eu também quero ir! Jessica se levanta automaticamente.
-você é da família? -o médico pergunta.
-ela é namorada de Diana!
Marcos fala deixando todos sem ação, seu Akira nada falou.
-então vamos!
Seguimos o médico ate seu consultório, nem bem sentamos seu Hidelgardo indaga.
-como minha filha está?
O médico continuava sério, um vazio , uma dor que me fez suspender minha respiração.
-durante a operação Diana teve duas paradas cardíacas, ela teve muita sorte da bala não ter atingido algum órgão vital. Só saberemos seu estado quando sair do coma.
-como assim coma! - Jessica se desespera.
-mas porque doutor?- estava tentando ser forte, por Jessica e pelos pais de minha irmã.
- a bala foi retirada, só que ela perdeu muito sangue. Só saberemos seu estado quando acordar- o medico nos dá mais algumas explicações e retorna pra seus pacientes.
...
Escutar do medico que Diana estava em coma, a princípio foi um choque. Mas quanto ele começou a nos explicar sua verdadeira condição consegui soltar a respiração que até então mantinha suspensa, com medo de escutar algo que viesse afastar de vez meu amor da minha vida.
- será que ele está nos contando tudo?- dona Carmem fala assim que o médico se retira.
- temos que acreditar que sim, não posso e não quero pensar o contrário- Vanessa fala, mas pra si mesma, ela estava abatida. Sempre que a olhava sentia um aperto no peito. Pensar que muito disso tudo aconteceu, por que não quis compreender e escutar Diana.
Voltamos para sala de espera, Carol senta - se ao lado da namorada dando-lhe força. Meus pais conversavam com o casal vanzeller. Não vi André e nem Marcos, mas também não estava com cabeça pra procurar saber onde tinham ido.
Estava com pensamento longe, minha mente voltava sempre no dia em que conheci Diana. Porque tinha que acontecer tudo aquilo? Pra que eu percebesse que aquela mulher, era parte de mim!
-o que o médico falou - Marcos senta - se a meu lado junto com André, o gerente estava com os olhos vermelhos.
-ela está em coma, mas a operação correu bem , retiraram a bala . Agora é esperar que acorde.
-agora só nos resta esperar- Marcos fala olhando pra André. Pra quem não gostava do gerente, sua atenção era de se estranhar.
Olho em direção a Vanessa, só naquele momento percebo que sua blusa estava manchada com sangue de Diana, olho pras minhas próprias roupa, que estava que também estava ensanguentada. A gêmea parecia tão frágil naquele momento, parecendo sua irmã no dia em que esteve na casa de meus pais querendo conversar comigo.
-A deusa gêmea está desolada!
André percebe meu olhar em direção a Vanessa.
-ela devia ir a sua casa trocar a roupa, mas duvido que queira sair daqui .
-conversa com ela Jessica, talvez te ouça. Você também precisa trocar essa roupa que está suja de sangue- André fala.
-não tanto quanto a de Vanessa. Não vou sair daqui enquanto Diana estiver nessa situação.
- filha estamos indo embora, venha conosco-minha mãe se aproxima de onde estávamos.
-eu não vou abandonar a Diana...
-Jessica a Carmem vai ficar com a Vanessa, você precisa comer algo, já é noite, precisa se alimentar!
Minha mãe insistia, mas não estava disposta a abandonar o hospital.
-André você vai a meu apartamento buscar uma roupa pra mim? Mãe irei comer algo aqui mesmo, mas não vou sair daqui.
André olha pra minha mãe, como pedindo permissão.
-tudo bem Jessica, estou indo com seus pais, me liga se precisar de algo.
Marcos acaba se oferecendo pra ir com o gerente em meu apartamento. Não sabia se pelo estado de André, que parecia bem abalado , ou outra coisa.
Logo após os dois saírem, me aproximo de Vanessa que estava abraçada a Carol, sentada em um dos sofás disponíveis ali.
-Vanessa - chamo baixo pois ela tinha os olhos fechados , parecendo está dormindo- porque você não vai em casa trocar de blusa, a sua está suja - ela me olhava como se não entendesse , só então baixa o olhar pra sua blusa.
-não quero sair daqui, preciso saber notícias de Diana.
-vamos amor, você troca de roupa e come algo. Vocês não comeram nada hoje - Carol me olha como se me recriminando também.
-não vou sair daqui amor, só estou esperando aquele médico sair de outra cirurgia pra saber mas notícias.
-vou pedir para o André, que foi pegar roupas limpas pra mim , trazer pra você, você veste igual a Diana?-ela confirma com a cabeça- em meu apartamento tem roupas dela ainda!
-como você está Jessica? – Carol é quem pergunta. Vanessa prestava atenção, sem falar nada.
-estou péssima, só quero meu amor de volta.
-ela vai voltar! Não posso perdê-la outra vez- enquanto falava, a gêmea fazia esforço pra não chorar.
...
P/CAROL
Observando o desespero de Jessica, aquilo tudo que aconteceu parece que amoleceu seu coração em relação à Vanessa.
Quando Vanessa me ligou, avisando que tinham resgatado Diana, mas que levará um tiro, senti o desespero de meu amor, o medo de perder a única pessoa que por anos a compreendeu como ninguém. Estava com Suzana na sala de Diana, organizando o contrato mais recente que Jessica havia pedido. Desde sequestro de Diana que não aparecia na empresa.
Suzana vivia pedindo informação sobre o caso, mas depois que relatou tudo para André, Jessica havia me proibido de falar a respeito.
-o que aconteceu? -pergunta assim que desligo o celular, minha palidez deve ter me denunciado.
-Diana! Ela foi baleada- falei automaticamente.
-como baleada? Meu Deus , como ela está?
-não sei, Vanessa acabou de me falar , estão indo para o hospital. Preciso ir pra lá, Vanessa está desesperada.
-há quanto tempo sabe sobre as duas? - desde o dia que minha namorada tinha ido até o escritório falar com Jessica, Suzana nada havia comentado sobre o fato de sua ex amante ter uma irmã gêmea.
-há pouco tempo. Conheço Vanessa a muito tempo , só que o destino resolveu nos separar.
-A quanto tempo vocês estão juntas?- Seu semblante era de desconfiança.
-há pouco tempo, por quê?
-posso te perguntar uma coisa. Se não quiser responder não precisa- fiquei calada pra que ela continuasse- a irmã da Diana tem uma cicatriz?
-como você sabe que ela tem?-não estava gostando do rumo daquela história.
-dias depois que você começou a trabalhar aqui, sai com Diana. Só que nunca havia percebido sua cicatriz, depois disso ela se envolveu com A Jessica e não pude comprovar aquele fato.
Não acreditava que Vanessa havia se passado por Diana, e ficado com sua secretaria!
-não fique assim, pelo que me lembre de você ainda estava com sua ex namorada.
Então fazia pouco tempo, mas não justificava a atitude de Vanessa.
Penso em minha ex que parecia ter evaporado da terra , desde o dia que apareceu porre em minha casa. Talvez tivesse com vergonha, ou quem sabe se convencido que realmente amo Vanessa.
Olhava Vanessa com os olhos fechados, o ciúme que senti ao ouvir Suzana foi irracional. Mas não ia tirar satisfações naquele momento que estava frágil, abatida pelo que aconteceu com a irmã.
-Carol quero te pedir um favor, volto ao presente ao ouvir a voz de Jessica- preciso que amanhã vá a loja do centro , André não está em condições de assumir nada e como você já conhece a rotina da loja, de assistência no que for preciso.
-vou sim Jessica, inclusive pedi a Suzana que remarcasse algumas reuniões que Diana tinha com fornecedores.
-Obrigada, vou pedir para o Marcos tomar a frente de alguns assuntos, enquanto eu não estiver com cabeça pra outro assunto a não ser Diana.
Vanessa parecia dormir, sua respiração estava calma, ressonava calmamente.
-ela deve está cansada, imagino que não deve ter dormido direito.
-e não dormiu, não pude ficar com ela, o investigado achou que seria melhor, mas ficamos conversando até na madrugada.
-ela deve amar muito a irmã!
-tenha certeza disso, conheço Diana a pouco tempo , mas o modo que Vanessa fala dela e como se conhecesse a anos. Olha Jessica, sei que Vanessa errou no passado, não vou defende-la dizendo que foi a necessidade, mas ela mudou muito , se arrependeu de muita coisa que fez, o sequestro acho que foi seu arrependimento mas real , pois envolveu sua irmã, a quem ama muito.
Jessica parecia refletir sobre minhas palavras, via em seu olhar a mudança em relação à irmã de seu amor.
-não vou dizer que não penso, mas nisso, pois estaria mentindo, mas estou tentando entender tudo isso. Meus pais ainda não sabem desse fato é por mim não vão saber!
Vejo o médico que operou Diana se aproximar.
-Jessica o médico de Diana.
Jessica se levanta em um salto assustando Vanessa. Essa ao ver o médico se aproxima junto com os pais de Diana.
-como ela está doutor - Jessica parecia impaciente por respostas.
-como falei tivemos que coloca-la em coma induzida. Amanhã iremos transferi-la para um quarto, se sua situação melhorar. Só poderão vê-la amanhã. Aconselho irem pra casa descansar, pois ela precisará do apoio de vocês.
Retira-se sem falar mais nada, Vanessa volta pra junto a mim.
-não vou embora, nem que tenha que dormir aqui nessa sala.
-eu também vou ficar não vou conseguir descansar sabendo que Diana está aqui. Dona Carmem, porque a senhora e seu marido não vão descansar, qualquer coisa eu ligo.
Jessica fala. Senhor Hidelgardo tinha a aparência cansada, e sua esposa parecia que não dormia há dias.
-não Sei minha filha , queria ficar perto de Diana.
-a senhora não ouviu o que doutor falou, só poderemos vê-la amanhã. Vão pra casa e pela manhã retornam.
...
Vanessa escutava meu diálogo com os Vanzeller, entendia a relutância dos dois de saírem de perto da filha.
-Jessica tem razão dona Carmem, Diana quando acordar vai precisar de vocês perto e inteiros- dei um sorriso fraco pra senhora, tinha uma enorme consideração por ela.
-acho que vocês tem razão, vamos Hidelgardo amanhã cedo retornamos.
Depois que o casal se foi, não demorou meia hora e Marcos retorna com roupas.
-você quer que fique contigo? Seu pai esta preocupado com você.
-ele não tem mais porque se preocupar. Aquele bandido está morto.
-entenda Jessica, e difícil pra ele saber que sua única filha e gay.
Foi a primeira vez que Marcos falou tão diretamente minha condição. Eu sabia que estava sendo difícil para meu pai, mas não ia, mas esconder seu amor por Diana.
-eu só quero viver esse amor, não estou pedindo que aceite, somente que respeite. Você não precisa ficar Vanessa e Carol também pernoitaram aqui.
Ele fica ainda alguns minutos, antes de ir embora. Quando abro a bolsa que continha às roupas meu rosto enchesse de lágrimas quando vejo a primeira peça dentro, era uma camiseta de Diana, amava quando vestia.
-aconteceu alguma coisa Jessica - Vanessa se aproxima, pego a peça é levo ao nariz , ainda tinha o perfume de minha amada.
-não aconteceu nada, toma essa blusa de sua irmã, vá trocar- a gêmea pega a camiseta e a calça jeans que Marcos também trouxera, segue em direção ao corredor sem falar nada.
-você também precisa tirar essa roupa e se alimentar, quer dizer vocês duas.
-minha mãe mandou uns sanduíches. Vou trocar de roupa e procurar uma lanchonete.
-não se preocupa, vá se trocar que vou atrás do que beberem.
Sigo na mesma direção que Vanessa, a vejo sair do banheiro, meu coração parou naquele momento lembrando de sua irmã. Como se me entendesse, ela me olha e sorrir fraco.
-ela vai sair dessa Jessica, minha irmã e forte e tem vários motivos pra querer viver... Você é um deles.
-Obrigada Vanessa!
Quando volto pra junto das duas, Carol conversava com sua namorada, essa tomava suco a contragosto.
-você tem que se alimentar, mesmo sem fome. Passou o dia sem comer. Daqui a pouco quem ficará internada e você!
Sento-me do lado das duas, Carol estende em minha direção, uma garrafa de suco.
-você também!- sorri pegando a garrafa de suas mãos.
Apesar de todo cansaço não consegui fechar os olhos. Não via a hora de amanhecer e poder ver Diana, o médico havia garantido que pela manhã estaria no quarto.
Carol estava sentada com a cabeça no colo da namorada, a posição não era das melhores, mas parecia cochichar.
-senhor, essas horas que não passam!- Vanessa estava impaciente.
-daqui a pouco saberemos, mas dela, agora só nos resta esperar.
-eu sei , mas... Será que Diana ficará com alguma sequela, já vi tantas coisas quando morava na rua, que fico com medo que minha irmã sofra.
-vocês são bem unidas, não é?-puxo assunto, querendo saber mais a respeito daquela relação.
-somos sim, agradeço muito ela não ter desistido de mim, quando eu mesma já tinha. Diana enfrentou o pai por minha causa e me mostrou um mundo novo que jamais imaginei conhecer- Vanessa começa a falar das viagens que fizeram do apoio que a irmã lhe dera pra voltar a estudar e a gratidão que tinha.
-daqui a alguns dias será o natal, torço pra que ela já esteja em casa conosco.
-ela vai esta! Depois que nos encontramos, passamos todos os natais juntos. Não me vejo comemorando a data sem ela - a gêmea tinha os olhos manejados , deveria está fazendo um grande esforço pra mais chorar.
Ela me conta, mas algumas coisas sobre a irmã, me fez rir com algumas situações em que confundiram as duas . Fala da insistência de Diana pra que a irmã fizesse faculdade.
-mas você vai fazer? - queria saber dos planos de Vanessa.
-eu não queria, sempre fui meio preguiçosa pra estudar, mas quero que ela se orgulhe de mim.
-ela se orgulha, tenho certeza disso! Pretende fazer qual área.
-pensei em fazer logística, Victória sempre fala que precisa de alguém que tome conta da loja. Apesar de eu cuidar ela quer que me forme. Ela é outro anjo em minha vida, graças a dona Carmem ela me acolheu, a princípio não me dava crédito, mas com o passar dos anos me incumbiu de tarefas que ela fazia.
-naquele dia que te confundi com Diana! Você me reconheceu de imediato.
Ela baixa a vista como se envergonhada, queria saber mais sobre ela , talvez fosse a necessidade de conhecer mas minha amada.
-olha Vanessa, não vou falar que esqueci o que aconteceu a anos atrás, mas já que é pra convivermos bem , pois quando Diana receber alta , vou ficar ao lado dela. Mas sei que pra isso tenho que conviver bem contigo, quem sabe com o tempo, possamos esquecer tudo isso.
-reconheci sim, mas fiquei com receio de falar com Diana, pois percebi desde o início que estava interessada em você .
Sorri com suas palavras, lembrando-se de como nos tratávamos logo que nos conhecemos.
-bom dia! Diana será transferida para um quarto. Assim que estiver no quarto peço pra avisar vocês.
O médico se aproxima que não notamos , olho o relógio e me assusto, estávamos tão entretidas naquela conversa que não percebemos a hora.
Depois de quase uma hora uma enfermeira vem nos avisar que Diana já estava no quarto.
-só pode entrar duas pessoas, ela ainda está dormindo.
-vai vocês, vou tomar um café depois nos encontramos - Carol fala ao ouvir a enfermeira.
Quando chegamos ao quarto meu coração bateu mais forte, Diana estava inerte , com aparelhos a monitorando.
Depois de algum tempo, minha amada acorda agitada, me aproximo tentando passar-lhe segurança.
-calma-se amor, agora você está bem.
-estamos aqui com você Di.
Vanessa se aproxima da cama junto à irmã.
Ela tenta se mexer, mas não consegue. Seu olhar era desesperador.
-minhas pernas... Não sinto minhas pernas!
Fim do capítulo
Boa noite meninas!
capitulo postado, espero que gostem.
bjss
Comentar este capítulo:
Fabiola Ramos
Em: 04/06/2018
AI MEU DEUS!!!
Era só o que faltava a Diana ficar paraplégica. Espero que ela não vá ficar assim permanentemente, que seja por pouco tempo, e, que com uma boa fisioterapia ela volte a andar. Ela e a Jéssica merecem ser felizes.
Espero ansiosa pelo próximo capítulo.
Resposta do autor:
Boa noite linda!
acho que as duas merecem felicidade total.
bjss
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