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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

Ver comentários: 11

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Palavras: 21098
Acessos: 11245   |  Postado em: 31/12/2017

Sexta Temporada - FELICIDADE V

16:20h. 21 de dezembro de 2009, Escola de Balé Joice Avelar dos Santos, Morro do Pavão Pavãozinho, Rio de Janeiro

 

Isabela havia encerrado as atividades do dia e se preparava para ir embora. Quando estava prestes a sair deu de cara com Juliana.

 

--Juliana? -- surpreendeu-se -- Nossa, como foi que me encontrou aqui? -- perguntou curiosa -- Não sabia que estava no Rio!

 

--Esse seu projeto já foi notícia mais de uma vez. Não foi nada difícil te encontrar... -- sorriu encabulada -- E o recesso de natal começou na sexta, por isso eu vim... -- calou-se por uns segundos -- Será que a gente podia ir pra algum lugar e conversar? Preciso muito desabafar. -- pediu

 

--Claro que sim! E eu já tava de saída mesmo. -- sorriu -- Vamos, eu conheço um lugar bem legal. E a gente ainda curte um belo pôr de sol! -- saíram da sala

 

***

 

--E aí ela saiu de casa no começo desse mês. Dois dias depois voltou, pegou os remédios e mais algumas coisas e veio pro Rio. Disse que nosso relacionamento não dava mais pra ser... -- a japonesa contava entristecida -- Eu não tive condições de voltar pra cá antes, mas telefonei várias vezes e ela não me atendeu. Quando cheguei no sábado encontrei a casa vazia... -- suspirou e olhou para Isa -- Você teria idéia de pra onde ela foi? -- perguntou preocupada -- Sei que se perguntar pra Ed ela pode não me dizer pra proteger a outra!

 

As duas amigas conversavam em um quiosque de Copacabana.

 

--No dia em que chegou aqui no Rio, Suzana passou lá em casa de noite. Pediu pra Ed dar uma revisada na moto dela e desabafou com a gente. Quando a moto ficou pronta ela foi embora com o pessoal do motoclube pra não sabemos onde. -- respondeu com a verdade -- Só sabemos que vai levar uns bons dias na estrada!

 

--Sede de Sangue! -- fez cara feia -- É Lucas Damaso e esse maldito motoclube pra infernizar meu juízo! -- reclamou -- Mas pelo menos o psicopata vai passar o resto da vida no hospício enquanto que esse motoclube pestilento veio pra ficar! -- cruzou os braços contrariada -- Ô praga dos infernos! -- resmungou

 

--Suzana precisava de um tempo pra pensar. Ela desabafou, a gente ouviu e deu apoio. Sabemos de tudo pela versão dela. -- olhava para a outra -- Mas agora eu queria ouvir de você, a sua versão dos fatos! -- pediu -- Eu fiquei sem entender sua atitude! O que aconteceu, hein? Você se cansou dela, tá apaixonada pela tal advogada, quer só um caso...? O que você quer, afinal? -- queria uma explicação

 

A enfermeira respirou fundo e respondeu: -- Eu queria saber te responder, mas nem eu mesma entendo o que acontece comigo! -- passou a mão nos cabelos -- Foi gradualmente que fui me interessando por Irina e ao mesmo tempo me afastando de Suzana... -- mexia na aliança -- Eu não amo Irina... apenas sinto uma atração louca e inexplicável por ela! E inexplicável mesmo, porque ela não faz o meu tipo! Nunca gostei de mulher lacraia! -- ficou se contorcendo toda na tentativa de imitar a loura

 

--Mulher lacraia?! -- não entendeu

 

A japonesa não se importou em esclarecer. -- É como se ela me dominasse, como se estivesse dentro da minha mente! -- olhou para a ruiva -- Às vezes parece que Irina sabe exatamente o que eu tô pensando... E aí ela vem toda molinha, que nem mulher gato e minha periquita chega faz sinfonia de tanto piar! -- revirou os olhos

 

Isabela teve que rir, mas logo ficou séria. -- E você não acha perigoso se aproximar de uma mulher que esteve perto de coisas tão terríveis quanto os crimes daquele psicopata? -- segurou uma das mãos dela -- Não vale a pena jogar um casamento fora por causa de uma aventura! Ainda mais uma aventura com uma mulher do mal como essa!

 

--Eu sei de tudo isso, mas... A bichinha lá embaixo fica a ponto de falar! Dá até câimbra no útero! -- exclamou enfática e gesticulando muito

 

--Eu, hein? -- riu de novo e balançou a cabeça

 

--Vou te contar uma coisa que aconteceu e mexeu demais comigo! Mas fica sendo um segredo nosso! Você não conta nem pra Ed! -- pediu

 

--Tem minha palavra! -- garantiu

 

--Eu nem sei o que me deu, mas acabei indo pro apartamento de Irina. Aí rolou um clima, ela veio pra cima de mim cheia dos vem cá minha nega e a gente se pegou no sofá que foi uma coisa louca! Saiu faísca! -- contava -- Quando eu tava pra ficar totalmente nua, dei de cara com mamãe e dona Lourdes me olhando com a maior decepção!

 

--Gente! -- a bailarina ficou pasma

 

--Elas me disseram coisas que mexeram comigo de um jeito que parece até que saí de uma espécie de transe. -- ajeitou-se no banquinho -- Então peguei minhas coisas e me mandei! -- pausou -- Chegando em casa fiz uma coisa que não fazia há tempos: orei. E chorei muito! Dali pra frente foi como se a ficha tivesse caído e eu me arrependi pra caramba; por tudo! -- falava com tristeza

 

--E ainda se sente atraída pela outra lá?

 

--Sim, mas não me sinto mais indiferente a Suzana. -- suspirou -- E justo agora aquela nhambiquara safada me deixou e sumiu... -- lamentou

 

--Juliana, eu não acho que é preciso ser muito inteligente pra sacar que isso aí não é simplesmente uma atração por outra pessoa! Isso me cheira a magia da braba! -- afirmou convicta -- E você por acaso não viu a entrevista que Lucas deu a Tatiana? -- perguntou -- Ele disse que mandou doença pra Sabrina e que Suzana sabia o que ele tinha mandado pra ela. E eu digo: ele mandou a advogada pra destruir o casamento de vocês!

 

--Eu conversei com Ivone sobre isso, mas já tem tempo. E ela achava a mesma coisa que você... -- lembrava -- E me mandou conversar com Suzana e dona Olga, só que não segui o conselho dela... -- pausou -- Eu devia ter obedecido... Naquela época as coisas não estavam como estão hoje! -- lamentou -- Teria evitado esse sofrimento todo! -- olhou para o horizonte -- Não sabe como me dói ter magoado Suzana como magoei!

 

--Olha, Juliana, eu vou tomar a liberdade de te dizer uma coisa: eu acho que você ficou muito deslumbrada com a fama, com o poder, o assédio das pessoas... Você mudou, se afastou de todo mundo, ficou meio... -- tentava não ofendê-la

 

--Metida? -- completou a fala da outra -- É, você tem razão... Ivone me advertiu quanto a isso e Suzana me disse as mesmas coisas que tô ouvindo de você agora. -- ficou pensativa -- E vocês estão certas... "Nossos desejos são como crianças pequenas: quanto mais cedemos a eles, mais exigentes se tornam."31 -- calou-se por alguns segundos -- Eu cedi bastante... E acabei me perdendo... talvez tenha perdido minha delegada também...

 

--Juliana, escuta, olha pra mim! -- pediu com delicadeza -- Você pode reverter tudo isso! Volte a orar, reveja suas atitudes e procure mesmo por dona Olga. Sempre soube que ela é como se fosse sua mãe!

 

--Claro que é! -- sorriu

 

--Faça um tratamento espiritual pra se livrar disso e pelo amor de Deus, afaste-se de Irina! Peça a Deus pra ter forças de não ceder à tentação de correr atrás dela! -- segurou as duas mãos da japonesa -- Você tem uma coisa que poucas pessoas têm: um amor verdadeiro de uma pessoa linda, bacana e fiel! Suzana nem consegue se imaginar com outra mulher, o coração dela é todo seu! -- olhava nos olhos da amiga -- Há pessoas que nascem e morrem sem saber o que é um amor assim! Se você tem, não jogue fora!

 

Juliana ouvia pensativa.

 

--Eu desejei o sucesso desde menina! Eu ardia por ele, era capaz de sacrificar quase tudo por causa dele! Mas quando conheci o amor, quando permiti que Deus entrasse na minha vida, essas coisas ficaram tão pequenas que eu simplesmente mal posso acreditar que um dia fui tão iludida! -- falava com emoção -- Essas coisas passam! Poder, fama, sucesso, tudo isso é temporal. O que fica com a gente é o que vai na alma! O resto é bobagem! -- pausou -- Quanto a Suzana, ela vai voltar. E quando voltar, esteja lá pra ela! Mostre a ela que o amor não acabou! -- sorriu -- Eu não acredito que tenha acabado!

 

--Não acabou...

 

--Então não desista! Vocês têm uma história muito bonita! Eu sei que se você lutar pra vencer essa provação e mostrar a sua delegada que a Juliana que todos amamos está aí, -- apontou para o coração dela -- ela vai voltar pra você! E tudo vai dar certo!

 

A japonesa sorriu e balançou a cabeça concordando. -- Eu vou seguir seus conselhos! -- ficou pensando -- Veja como é a vida! Nunca imaginei que estaria aqui aprendendo um monte de coisas com você: uma garota 16 anos mais jovem do que eu! -- falava com admiração -- Acho que dentre todas nós, você e Camille foram as pessoas que mais rapidamente amadureceram!

 

Ouvir o nome de Camille não agradou a ruiva mas ela não demonstrou isso. -- Talvez não. Pelo menos não no meu caso. -- soltou as mãos da enfermeira -- Ainda há coisas que me muito me incomodam. -- pensava em Ed e na loura

 

--Eu não disse que vocês eram perfeitas! -- deu um tapinha no ombro de Isa -- Mas confesso que sinto uma pontinha de inveja da sua classe! -- brincou -- Quisera eu ter metade dela e não ser tão explosiva. Quando eu me espalho, minha filha, quero ver me juntar!

 

“E eu sinto inveja do amor que Suzana tem por você!” -- pensou -- "Queria muito ter sempre a certeza de que o amor de Seyyed é só meu e de mais ninguém...”

 

***

 

Solitudine estava em sua sala arrumando as coisas para partir. Naquela quarta-feira não havia mais qualquer outro colega de trabalho no departamento e ela se preparava para o recesso de final de ano.

 

--Eu tinha certeza que te encontraria aqui! -- ouviu uma mulher dizer

 

--Sheyla?! -- perguntou com espanto -- O que faz aqui a essa hora, menina? Já deveria estar em casa, uai! -- olhava para a jovem

 

--Fiquei enrolando pro pessoal ir embora e... -- caminhou sensualmente até a outra -- eu ter uma chance de conversar com você, -- parou diante dela -- a sós! -- sorria

 

Solitudine afastou-se da moça. -- E tem assunto, por acaso? -- perguntou sem graça

 

--Ah, mas o que não me falta é assunto pra tratar contigo! -- aproximou-se novamente

 

--Ô, menina, mas você tem namorado e vem aqui com essa atitude? -- correu para trás da mesa -- E de mais a mais você nem sabe se eu gosto desse tipo de conversa! -- estava nervosa

 

--Meu namorado era um escudo pra mim, -- debruçou-se sobre a mesa -- pra minha fase de dúvidas quanto ao que fazer da vida! -- olhou para a outra de cima a baixo -- Agora eu me assumi pra mim mesma e terminei com ele. Sei o que quero e algo me diz que você gosta da fruta tanto quanto eu! -- sorriu e piscou

 

--Olha, é melhor você ir embora porque eu não quero problema e esse aqui é meu lugar de trabalho! -- falou com seriedade

 

--Sabia que eu li o texto que você escreveu sobre os mananciais brasileiros, os minérios, petróleo, privatizações e os interesses do capital internacional? -- caminhou como felina para trás da mesa -- Adoro a força que você transmite quando escreve essas coisas! E quando discursa me deixa excitada... -- imprensou a mulher mais velha contra a parede -- Eu fico toda arrepiada pensando em como deve ser você entre quatro paredes!

 

--Ah, mas é aí que você se engana... -- engoliu em seco -- Eu sou de uma fraqueza de fazer vergonha! -- sentiu um frio na barriga -- Um verdadeiro fiasco!

 

Achou graça. -- Hum, que fofo, eu te deixo nervosa? -- sorriu -- Sabia que eu adoro esse seu jeitinho de caipira? Dá vontade de te dar um colinho... e otras cositas más! -- segurou-a pelo jaleco

 

--Ave Maria! -- arregalou os olhos

 

--Mas que sacanagem é essa aqui???? -- uma voz enfurecida assustou a ambas, fazendo com que se afastassem rapidamente

 

--Samira?! -- Solitudine correu até o meio da sala. Sentiu o coração disparar

 

--Quem é essa? -- a moça perguntou com as mãos na cintura

 

--Quem sou eu?! -- Samira foi até a jovem e a pegou pelo braço -- Sou uma pessoa que pode te fazer se ferrar de verde e amarelo, sua moleca! -- levou-a até a porta -- Some daqui, garota! -- expulsou

 

--Eu, hein! -- fez cara feia -- Quem você pensa que é? -- respondeu desaforada

 

--Você não me conhece, fedelha, some daqui! Não se mete comigo! E isso aqui é lugar de trabalho e não de pouca vergonha! -- encarou com a moça

 

--Humpf! -- fez um bico -- Eu vou sim, mas não porque você mandou! -- olhou para Solitudine -- Essa conversa ainda não terminou! -- deu as costas e foi embora

 

--E você, hein? -- parou diante da ex com as mãos na cintura -- Agora deu pra isso é? Seduzindo garotinha? -- franziu o cenho -- Só me faltava essa!

 

“Então ela ainda tem ciúmes de mim?” -- pensou admirada -- Eu não, uai, foi ela que veio aqui!

 

--Porque você deu confiança! E tava a ponto de te tascar o maior dos beijos e você ali, gostando bem! -- reclamava

 

--Samira, deixa eu te falar, a partir do momento que você saiu da minha vida porque quis, não tem o direito de brigar comigo por ciúmes! -- retrucou

 

--Ciúmes, eu?! -- riu -- Não seja boba, eu não tô nem aí pra isso! -- deu de ombros -- Por mim você pode sair até com as meninas do ensino médio que eu nem ligo! -- ficou de costas e cruzou os braços

 

Solitudine olhou para ela com carinho e confessou: -- Eu não sei porque você veio aqui, mas adorei que tenha vindo! Sinto muito a sua falta...

 

--Sente? -- perguntou com descrença -- Você nem sequer me procurou! O máximo que se limitou a fazer foi mandar um e-mail no meu aniversário e outro no final do ano! -- falou magoada

 

--Eu não te procurei, -- virou-a de frente para si -- porque você já tinha decidido tudo sozinha e deixou bem claro que não me queria mais. -- acariciava o rosto da ex -- Eu te amo, querida, mas também amo a mim mesma e quis me preservar da sua rejeição.

 

--Ah, tá! -- continuava sem acreditar -- Você saiu da minha casa de um jeito que nem parecia estar sentindo nada! -- falou como criança

 

--O que queria que eu fizesse? -- continuava acariciando o rosto da motociclista -- Que me jogasse aos seus pés? -- sorriu -- Sinto muito, mas eu não faria isso! -- pausou -- E se fizesse não seria uma prova de amor mas de fraqueza. -- acariciava os cabelos dela -- Minhas provas de amor eu te dava no dia a dia, nas pequenas coisas que realmente fazem a diferença! -- olhava nos olhos da ex

 

--Não me venha com essa conversa mole! -- afastou-se novamente, caminhando até a estante -- Eu vim aqui pra resolver nossa situação de uma vez por todas!

 

--E como seria isso? -- perguntou curiosa ao se sentar na beirada da mesa

 

--Minha irmã disse que você fez macumba pra mim! -- olhou para Solitudine outra vez

 

--O que?? -- riu gostosamente -- Ai, ai, meu Deus... -- balançou a cabeça -- Se é uma coisa que admiro na sua irmã é a criatividade dela!

 

--Eu nunca mais consegui me envolver com ninguém! -- encostou-se na estante -- Conheço mulheres, tento seduzi-las, jogo um charme e na hora H eu desisto! -- passou a mão nos cabelos -- Desde que terminamos eu nunca mais nem... -- abaixou a cabeça -- Nunca mais nem beijei alguém...

 

--Então você também fez macumba pra mim e a sua ainda foi mais forte. -- falou achando graça -- Sequer consigo me interessar por alguém a ponto de jogar charme. -- sorriu -- Coisa que aliás nem sei fazer direito!

 

--Ah, não? -- aproximou-se de cara feia -- E a pirralha que tava aqui? Eu vi tudo, tá bom? Mais um pouco e vocês faziam sex* em cima da mesa!

 

-- Nossa! -- riu brevemente e balançou a cabeça -- Você não veio aqui porque acha que fiz macumba! -- levantou-se olhando-a nos olhos -- Veio porque também sente saudades e no fundo sabe que essa distância entre nós não tem sentido. -- aproximou-se mais -- Você quer resolver as coisas de uma vez por todas, então eu também quero! -- respirou fundo -- Casa comigo, por favor! -- pediu

 

--O que?! -- perguntou confusa

 

--Eu ia te pedir em casamento no dia em que terminou comigo! -- afirmou com firmeza -- Mas você não me deu tempo de falar!

 

--Eu... eu achava que essa idéia nem passava pela sua cabeça... -- estava surpresa

 

--Entende uma coisa, menina, eu não vou viver girando ao seu redor, mas se quer que eu tenha mais tempo pra você, a gente pode trabalhar isso! A gente pode resolver qualquer problema! Eu te amo! E muito!

 

--Nós somos muito diferentes... -- falava como se estivesse confusa

 

--Não me interessa que sejamos diferentes! Não quero mais ser sozinha! “A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precise tanto de viver acompanhada.”32

 

--Eu... você... você fica me dizendo essas coisas só pra... eu não sei o que dizer...

 

--Diga que sim! -- segurou o rosto dela -- Ou então não diga nada... Só me beija! -- beijaram-se apaixonadamente

 

 

15:00h. 01 de janeiro de 2010, Edifício Rubro Negro, Flamengo, Rio de Janeiro

 

Lady fazia limpeza no apartamento enquanto ouvia música e curtia uma dor de cotovelo diante os olhinhos curiosos da filha.

 

“Um ano sem você,

Um ano já passou,

Um ano é muito tempo pra quem amou...”

 

-- É sim, é sim! -- passava pano molhado na sala e fazia uma voz de fundo

 

“Quando a saudade vem,

Não tem explicação...”

 

-- Tem não, tem não! -- cantava

 

“Queima por dentro,

Chora,

Meu coração...”

 

--Ai, ai, ai, ai, vem cá que eu te ensino, a gostar de mim! -- rebol*va e cantava alto -- Toda vida! Se liga, vem ser minha marida, me diga que sim!

 

“Uh, uh, uh,

Vem cá que eu te ensino,

A gostar de mim,

Toda vida...”

Um Ano Sem Você - Paquitas [a]

 

--Se liga, vem ser minha marida, me diga que sim! -- cantava

 

Nisso, a gaúcha abre a porta da sala e dá de cara com Lady dançando coladinha com a vassoura ao som do solo de sax.

 

--Tia Lila! -- Priscilinha exclamou surpresa

 

--Mas, bá, guria, que fundo de poço! -- exclamou com as mãos na cintura -- Rolinho no cabelo, creminho no rosto e dor de cotovelo com música de Paquita! -- balançou a cabeça negativamente -- Olha o exemplo pra criança! -- apontou para a garota sentada no sofá

 

--Mamãe é engaçada! -- a menina falou sorrindo

 

--Lila?! -- derrubou a vassoura no chão, foi até o rádio e o desligou -- Meu Deus, criatura, por onde você andava? Não te vejo desde que saiu daqui pro Everest!! -- estava surpresa e curiosa -- E você tá diferente! O que houve com seu visual místico? Se não fosse por essa enorme mochila nas costas eu nem te reconheceria.

 

--Lady, não me chame de Lila, porque ela não existe mais! -- foi até Priscilinha e a beijou na cabeça -- De agora em diante tu vais chamar a tia de Jaqueline, tá, piazinha? -- olhava sorridente para a criança

 

--Tá!

 

--Mas... -- Lady colocou as mãos na cintura -- Li... Jaqueline, eu quero entender o que aconteceu contigo! Você simplesmente sumiu do mapa! -- fez cara feia -- E deixou de pagar sua parte no aluguel durante todos esses meses!

 

--Eu vou resolver isso, guria, fique tranqüila. -- olhou para a engenheira -- Porque não te colocas de um jeito mais apresentável e vamos as três pro aterro dar um passeio? -- propôs -- Enquanto a menina brinca nós conversamos!

 

--Tudo bem, a gente vai, mas deixa eu terminar minha limpeza!

 

--Oba! -- a criança pulou para o chão animada

 

--Vem comigo, piazinha! -- deu a mão a Priscilinha -- Deixemos a mamãe trabalhar em paz. -- foram andando para o quarto -- Vamos nos arrumar!

 

--Olha vocês duas pisoteando o chão que eu tô limpando! -- ralhou e voltou a trabalhar

 

***

 

Lady e Jaqueline estavam sentadas sob a sombra de uma árvore enquanto observavam Priscilinha brincar.

 

--Pelo que vi quando cheguei, Priscila ainda não voltou e tu estás a morrer de saudades! -- a gaúcha concluía

 

--Ai, amiga, nem me fale! -- suspirou -- E eu ando numa dúvida tão atroz que minha cabeça deu até tilt! Era por isso que eu precisava me expressar com música! Botar pra fora o bicho que me corrói nos peitos! -- apertou os próprios seios

 

--E qual é tua dúvida? -- olhou para Lady com curiosidade

 

--O enviado! -- segurou o antebraço da amiga -- Ele finalmente apareceu!

 

--Enviado?! -- não entendia

 

--O homem que a cigana me anunciou! Aquele que viria de longe depois de uma crise muito séria! -- falava como quem conta um fato chocante -- E você não sabe! Ele é sobrinho de dona Mari: a costureira que ajeitava meu vestido de noiva! -- arregalou os olhos

 

--Bá, mas e o que tem isso de mais?

 

--Ora, mas você não é nada boa de charadas, hein? -- fez cara feia -- Isso assina em baixo que é o homem certo pra casar comigo!

 

Jaqueline estranhou. -- E eu que pensava que essa fase casadoira de tua vida tivesse passado! -- revirou os olhos

 

--E tinha! Mas depois do bidivórcio e da chegada do enviado, ela ressuscitou!

 

--Humpf! -- fez um bico -- E como é esse homem? Não me diga que é mais um daqueles tipos esquisitos que tu arrumas?

 

--Não, ele é normal! -- respondeu enfática -- O nome dele é Ricardo! -- sorriu -- Tem 41 anos, é viúvo e morou nos Estados Unidos por mais de 20 anos. É carinhoso, atencioso e muito bom pra Priscilinha!

 

--E faz o que da vida? -- continuava desconfiada com o tipo de homem que seria

 

--Ah, ele... -- ficou sem jeito -- Ele faz uns bicos na oficina da Seyyed e na academia da fisioterapeuta que tratava da Camille.

 

--Resumindo, não tem emprego! -- cruzou os braços -- E qual a profissão dele?

 

--Bem, ele... -- passou a mão nos cabelos -- Ele é dogueiro!

 

--É o que?! -- nem desconfiava do que seria

 

--Dogueiro, fazedor de hot dog! -- esclareceu meio sem graça

 

“Mas, bá, que partidão que Lady me arrumou!” -- pensou -- E tu queres te casar com um homem que vai viver às tuas custas?

 

--Fica sendo dono de casa! -- respondeu de pronto -- E me poupa de pagar babá!

 

--Confias tua piazinha com ele? -- perguntou indignada -- Lady, quando uma mulher que tem criança decide se casar com alguém ela tem que ter certeza de que o escolhido não se trata de um tarado! Não faltam exemplos de homens que abusam dos enteados!

 

--Muitos pais fazem isso com os filhos também, Lila! -- pausou -- Quer dizer, Jaqueline! -- olhava para a gaúcha -- E também não tô dizendo que vou me casar com ele amanhã!

 

--Tu o amas? -- perguntou à queima roupa

 

A engenheira suspirou e olhou para a filha. -- Você sabe quem é a pessoa que eu amo!

 

--E ainda assim vais casar com o tal enviado? E tua marida, como fica?

 

--Eu não vou passar a vida esperando Priscila se decidir! -- olhou para Jaqueline -- Depois de uma noite linda, ela não me quis mais! Priscila falou de amor, me iludiu e depois foi embora! Ela falou de amor! Me usou e depois jogou fora! -- voltou a olhar para a criança -- Aposto que deve ter passado o rôdo naqueles canadenses das bundas mal lavadas! -- falou magoada -- A vida dela nesse ano que passou deve ter sido só festas, praias, homens e alguns estudos!

 

--Praias em Montreal? -- riu -- Ai, ai, Lady, a história de vocês duas dava um livro tri louco!

 

--Mas vamos deixar minha vida amorosa de lado e falar de você! -- sentou-se de frente para Jaqueline -- A senhora desapareceu! Perdi a conta de quantos repórteres e emissoras de TV me ligaram te procurando pra dar entrevista. -- contava -- A imprensa ficou sabendo que você foi a última pessoa a falar com Sabrina e todos queriam te ouvir! E eu fiquei boba de você deixar passar uma chance de aparecer e ganhar dinheiro! -- calou-se pois se arrependeu do que disse -- Foi mal! -- pôs a mão sobre os lábios

 

--Não te desculpes porque Lila era assim mesmo: gananciosa! Mas como te disse, ela morreu. Jaqueline não é perfeita, mas com certeza superou essa pobreza de alma!

 

--Mas pára de fazer suspense e fala logo! -- pediu impaciente -- Por onde andou? O que aconteceu? O que Sabrina te disse? E o que aconteceu naquela excursão, afinal?

 

--Uma sucessão de erros, que não foram dela, causaram uma série de problemas. Sabrina lutou até o fim pra salvar todas as vidas e ela conseguiu o impossível! -- lembrava -- Eu não tinha idéia de quem ela era e a pessoa que vi ali me ensinou muito! -- olhava para Lady -- Você sabia que ela, além da luta pelo meio ambiente, trabalhava como voluntária em orfanatos e asilos?

 

--Eu não! -- espantou-se -- Ela nunca disse!

 

--Sabrina fazia caridade sem alarde e ajudou muita gente usando o dinheiro que ganhou com o montanhismo.

 

--Gente... -- balançou a cabeça pensativa -- e pensar que uma pessoa tão boa assim tentou me seduzir e eu disse não por amor a Priscila! Mas também, se tivesse topado, agora seria bidivorciada e viúva! -- concluiu -- Mas, vai, continua!

 

--No dia do ataque ao cume, Sabrina determinou que depois das 14:00h o grupo voltaria pro acampamento 4, não importando onde estivessem. -- lembrava -- Só que seis homens desobedeceram: cinco escaladores e o repórter americano. Ela foi atrás deles e fez com que os escaladores voltassem, mas o repórter...

 

--Foi o tal que morreu!

 

--Sim! Ele caiu em alguma das fendas no gelo depois de escalar o Hillary, ao que se pôde deduzir... O corpo não foi encontrado. -- pausou -- Sabrina decidiu, talvez por estar muito perto do cume, concluir os dois projetos dela e desobedeceu a própria regra que criou. Quando caminhava pra lá, consegui contatá-la pelo rádio e ela me disse que estava aonde deveria estar. -- emocionou-se -- Eu senti que ela estava no limite de suas forças, mas parecia feliz e muito serena. -- derramou uma lágrima -- Me disse adeus e nada mais falou. -- lembrava -- O corpo dela foi encontrado pelo único grupo que chegou no cume naquela temporada; um grupo que escalou a montanha pelo lado tibetano. Disseram que estava sorrindo... -- secou os olhos com um lenço

 

--Nossa, que coisa tocante! -- Lady também se emocionou

 

--Maya, a chefe dos sherpas escaladores, também me marcou bastante e me deu um suporte importantíssimo em nosso caminho de descida. O grupo estava de luto, sabe? -- contava -- Mas não era um luto depressivo... havia algo diferente no ar e parece que todo mundo que tava ali foi tocado pela magia de Sagarmatha, a montanha sagrada!

 

--E por isso você mudou? -- concluiu

 

--Sabrina tinha razão o tempo todo! A montanha forçou meu encontro comigo mesma e foi tri doloroso! -- confessou -- Quando chegamos em Katmandu, pedi a Maya pra ficar com a família dela por uns tempos e ela deixou. Trabalhei muito, vi a miséria de perto, convivi com a falta dos mais básicos recursos e aprendi que “a sabedoria já existe em estado latente dentro de nossa consciência”.33 Eu é que não dava ouvidos a ela! -- pausou -- Fiquei com eles por três meses.

 

--Mas e depois? -- perguntou curiosa

 

--Fui pra Porto Alegre e pedi perdão aos meus pais. Arrumei emprego numa loja e trabalhei duro. Enquanto isso, escrevi um livro e terminei no final do ano. Agora que voltei pro Rio vou procurar um jeito de publicar. -- olhou seriamente para Lady -- Quanto ao que devo do aluguel, vou te pagar tão logo tenha teus dados bancários.

 

--Um livro?! Você?! -- achou graça -- Mas se bem que você mudou mesmo. Esse tempo todo não fez salamaleques ou aqueles gestuais característicos.

 

--Aquilo era um teatro tolo que não se justifica mais. -- olhou para as crianças -- Agora eu vou procurar um emprego de professora de português, continuar o trabalho de Sabrina naquilo que tiver condições de fazer e dar aulas de meditação de verdade. Vou trabalhar a consciência corporal com yoga e massoterapia Ayurvédica.

 

--Nossa, mas eu tô boba! -- estava boquiaberta -- E quanto ao seu livro? Qual o nome dele? Sobre o que se trata?

 

--O nome é Em Busca do Tao! Mostro minha visão sobre o que aconteceu naquela expedição, falo do esforço de Sabrina, fazendo-lhe uma justa homenagem, e conto sobre meu doloroso despertar. Meu objetivo é mostrar às pessoas como estamos todos interligados e que nunca é tarde pra encontrar o verdadeiro caminho. -- sorriu -- Pode ter demorado, mas finalmente me encontrei!

 

***

 

Suzana estava em um bar de motociclistas da Ala Norte. Após quarenta e cinco dias rodando pela América do Sul, finalmente havia voltado para casa. Teve uma conversa tensa e emocionada com Juliana e decidiu que era melhor terminar de vez. Não conseguia aceitar que sua mulher sentisse desejo por outra a ponto de quase ter feito sex* com ela. Também sofria muito com o descaso do qual fora vítima ao longo de todo o ano que passou. Tudo aquilo era demais.

 

“Tá decidido! Eu vou pro Rio, pego minhas coisas e alugo uma quitinete pra morar. Vejo algum cafofo perto do Centro da cidade e tá bom demais!” -- pensava -- "Depois a gente vê como fica a situação e eu pego todos os bagulhos que estão em Brasília e na Ilha. Ou deixo pra lá mesmo, que não me interessa!” -- estava desgostosa

 

Enquanto se perdia em pensamentos tomando um porre de refrigerante, Tatiana chegou e pôs a mão em seu ombro. -- Há quanto tempo! -- sorriu

 

--Oi, Tati! -- deram beijos de comadre -- Senta aí! -- puxou uma cadeira

 

--Obrigada. -- sentou-se -- Eu ia voltar pra Goiânia pela manhã, mas depois que recebi teu telefonema mudei meus planos.

 

--Quer beber alguma coisa? -- perguntou -- Tá com fome, quer algum petisco?

 

--Obrigada! -- balançou a cabeça negativamente -- Queria mesmo era saber de você. Se está bem, como vai a vida depois desse período fora... Você e Juliana conseguiram se acertar? -- perguntou preocupada

 

--Não. -- passou a mão nos cabelos -- Mas não vamos falar sobre isso, por favor. -- pediu -- E você? -- mudou de assunto -- Como vai a vida?

 

--Agora vai bem, graças a Deus, mas deixa eu te falar que depois do rebuliço causado por aquela reportagem andei tendo uns problemas de saúde que nem sei! -- contava -- Renan insistiu pra gente ir no centro de dona Olga e andei indo pro Rio em vários finais de semana só por causa disso. -- olhava para a delegada -- Minha agonia começou em maio e só acabou em dezembro!

 

--Você mexeu com coisa pesada! No passado os traficantes tentaram te matar; os feiticeiros fizeram a mesma coisa, só que do jeito deles! -- explicava

 

--Meus pais fizeram novena por demais da conta! E até Tânia encomendou uma missa! -- lembrava -- Mas aqui estou eu firme e forte! -- sorriu -- Tamires disse que tô perto de gastar o que me resta das minhas sete vidas!

 

--Você é bem protegida, menina! Pode acreditar! -- sorriu também -- Mas... o que eu queria te contar é que acho que o caso do psicopata místico ainda não se resolveu! -- falou com muita convicção

 

--Como não, uai?! Lucas foi preso e depois dos três anos de medida de segurança, vai passar o resto da vida num manicômio judiciário! -- não entendia a afirmação da morena -- E o louco que encomendou os filmes acabou se matando!

 

--Quem te garante que aquele homem era o real interessado nos vídeos que Lucas e seus secretários faziam? -- pôs em dúvida -- E quem te garante que era ele que desejava tanto poder?

 

--Não entendo aonde quer chegar! Aquele outro que comprou as relíquias era só um laranja, um testa de ferro idiota!

 

--Também não pensei nele! -- aproximou-se da jornalista -- A verdadeira louca da história, além de Lucas, é Irina!

 

--O que??

 

--E vou te dizer: ela é tão ardilosa e manipuladora, que nem Lucas percebeu que o tal cliente não passava de um fantoche nas mãos dela! -- afirmou tacitamente

 

--Ah, não, delegada! -- discordava -- Você tá levando a coisa pro lado pessoal!

 

--Tatiana, presta atenção! -- explicava -- Foi Irina quem encontrou Paulo e ofereceu ajudá-lo com as licenças. Era Irina quem negociava com Lucas e ela estava junto quando o poderoso fez o contato inicial com ele. Lucas te disse que o cliente selecionava as mulheres, mas quem passava essa informação pra ele? Irina! -- a repórter ouvia atentamente -- Não acha que o suicídio daquele homem foi uma coisa muito suspeita? Suspeita e conveniente!

 

--Então você acha que o verdadeiro cliente de Lucas era ela o tempo inteiro?

 

--Não acho, tenho certeza! -- deu um soco na mesa -- Eu parei pra pensar e lembrei que Juliana me disse que aquela mulher parecia sempre adivinhar onde ela estava! Irina sabe localizar as pessoas, do mesmo modo como Lucas faz! Só que ainda é melhor do que ele, porque pode encontrar mesmo a quem não conheça e sem ter qualquer objeto da pessoa em mãos. Ela é uma médium poderosa, mas não entende de feitiços, tanto que precisou de Lucas pra ajudar em seus intentos do mal! -- pausou -- Vai ver deve estar até estudando pra aprender o que antes não sabia!

 

--Faz sentido... -- ponderava

 

--Lucas deve ter feito magia pra Juliana se interessar por outra mulher e acabou que a tal mulher foi a louca de plantão que tava perto dele o tempo inteiro!

 

--Pode ser. -- olhou para a morena -- Nos dias de hoje, depois do que já vi, eu não duvido de mais nada! -- falou enfática -- Mas, pense comigo! Se Irina é mesmo a mandante dos crimes de Lucas, então ela está prestes a encomendar ou cometer por si mesma um assassinato. Afinal de contas, deveriam ser oito vítimas!

 

--E foram sete... -- Suzana concluiu pensativa

 

***

 

Fátima vinha nadando atrás de Celso e Clara. Flávia acompanhava na beira da piscina.

 

--Maravilha! -- a fisioterapeuta exclamou com um cronômetro na mão -- Celsinho fez 45 segundos e Clarinha fez 25 segundos pra nadar 10 metros!

 

--E tá excelente! -- a nadadora apoiou-se em uma das raias da piscina -- São dois peixinhos! -- sorriu

 

--Eu sou é tubarão! -- Celso agarrou-se em Fátima

 

--E eu! -- Clara agarrou-se nela também

 

--Ai, meu Deus, socorro! -- fingiu que estava com medo das crianças

 

Os três ficaram treinando e brincando por mais algum tempo, até que a nadadora saiu da água e sentou-se na beirada da piscina. Flávia sentou-se do seu lado mas sem mergulhar as pernas na água.

 

--E então, Splash, uma sereia em minha vida, o que você achou dos meus pequenininhos? -- olhava para a outra

 

--Ai, Flávia, você só lembra de filme velho... -- achou graça -- Bem, eles são bons, mas a menina é melhor. E, apesar de mais nova, leva a coisa na seriedade! Pro irmão é brincadeira. -- sorriu

 

--Eu também sinto isso. Ele curte, mas não é muito a dele. Clarinha nada como um torpedinho! -- deu um tapa na coxa da amiga -- Vem aí tua sucessora nas paraolimpíadas! -- brincou

 

--É, eu vou precisar de uma sucessora mesmo! Em 2012 me aposento! -- falou

 

--É mesmo? -- perguntou surpresa

 

--Minha rotina é extremamente puxada, Flávia. Em 2012 eu vou estar com 33 anos e uma boa soma em dinheiro na conta. É melhor me aposentar no auge que na decadência!

 

--Tem razão! Eu considero que me aposentei no auge, embora tenha perdido o mundial praquela tunisiana tarada! -- lembrava -- E minha academia vai de vento em popa! O boxe tem ganhado espaço entre as mulheres e as coisas têm evoluído bem. -- pausou -- E depois que você se aposentar vai fazer o que? -- perguntou curiosa -- Uma mulher de 33 anos tem muuuuuita lenha pra queimar!

 

--Vou encarar o desafio de me tornar a primeira instrutora cega de natação! -- sorriu -- E o resto do tempo será muito bem aproveitado com mamãe e Ca... E cada amigo meu! -- lembrou-se que o relacionamento com a loura não era assumido

 

A fisioterapeuta não percebeu que a nadadora disfarçava quanto a Camille. -- Tá certo! -- concordou -- Você já escreveu seu nome na história do esporte uma vez que é recordista no número de medalhas de ouro! E ainda têm dois recordes de velocidade! -- balançou a cabeça pensativa até que se lembrou de um detalhe -- Eita, que sou amiga de celebridade! Eu não tinha pensado nisso! -- riu

 

--Celebridade... -- riu também -- Atleta paraolímpico nunca é celebridade, Flávia. Note que a imprensa não dá a mínima pros nossos jogos! Pelo menos não na maioria dos países! -- desabafou

 

--Preconceito!! Puro preconceito! -- protestou -- É igual a Copa de Futebol Feminino! Vê se a imprensa dá atenção? E a seleção feminina do Brasil tem feito muito mais bonito que a masculina! Marta foi eleita a melhor do mundo nem sei quantas vezes! -- reclamava -- E as mulheres tenistas ainda ganham menos que os homens, você sabia?

 

--E a fórmula 1 que até hoje não tem espaço pra mulher? -- lembrou

 

--Pois é! Como diz a dona mãe: essa pouca vergonha tem que acabar! -- imitou Mariângela

 

--Por que você a chama de dona mãe? Ela não é tão mais velha que você.

 

--Eu a chamo de dona mãe só de onda, até porque ela é só um ano mais velha do que eu. Tô com 49 e ela com 50. -- explicava -- A loura é jovial, inclusive na aparência, mas sei lá. Inspira um respeito na gente... É tipo dona Olga, que todo mundo trata por senhora, embora só tenha 60 anos muito dos bem apresentáveis. Acho que no caso dela a culpa é da Ed, que sempre chamou a mãe de senhora.

 

--Eu gosto muito da dona Mari! -- Fátima dizia -- E do pouco que conheço da dona Olga também simpatizo muito com ela!

 

--São duas mulheres especiais! Dona mãe mudou radicalmente! Tornou-se mais segura, mais independente, faz um excelente trabalho nas escolas de balé da Flashdance e ainda arrepia no meu boxe. E dona Olga mudou a filosofia do centro dela da água pro vinho!

 

--É, minha amiga, esse mundo ainda tem muita coisa pra mudar! -- deu um tapinha na coxa de Flávia -- Mas estamos fazendo nossa parte, não é? -- levantou-se

 

--É isso aí! -- levantou-se também -- Deixa que eu te ajudo! -- pegou a bengala da amiga e entregou a ela

 

--Obrigada! -- sorriu

 

--Turminha! -- bateu palmas chamando as crianças -- Simbora! Vem com a mamãe! -- sorria

 

As crianças vieram nadando para a beirada da piscina e Flávia pegou as duas no colo, enrolando-as com as toalhas e mordendo a barriga delas, que riam animadas.

 

--Mamãe, eu quero vestir minha fantasia de carnaval! -- Celso pediu

 

--Mas já? Carnaval é só na semana que vem, garoto! -- caminhava com os filhos em direção ao vestiário

 

--Eu também! -- Clara pediu

 

--Ih, meu Deus, olha o que Brito me arruma! -- riu

 

--Vocês vão passar o carnaval aonde, Flávia? -- entraram no vestiário

 

--Em Cabo Frio e você? -- colocou as crianças sentadas em um banquinho e foi pegar as coisas no armário

 

--Eu vou com mamãe, Camille e dona Mari pra Cabo Frio também! Recebemos o convite delas ontem! -- exclamou empolgada -- Vamos marcar de nos encontrar por lá?

 

--Demorou! Vamos ver isso, sim! -- gostou da idéia -- Celsinho, espera a mamãe dar banho na sua irmã! -- olhou para o menino sorridente -- Depois que fizer isso e colocar a prótese dela, dou banho em você, tá bom? -- levou a menina para um dos boxes

 

--Tá! Mas eu posso vestir minha fantasia quando chegar em casa? -- insistiu

 

--Pode! -- achava graça

 

--E eu? -- Clarinha perguntou

 

--Pode também! -- riu brevemente -- Eita, criançada pra gostar de se fantasiar!

 

--Posso dar banho nele se não se incomoda. -- Fátima ofereceu

 

--Ah, te agradeço. -- olhou para o filho -- Obedece a ela, querido!

 

--Tá! -- o garoto foi pulando para outro box -- Eu tô bem aqui! -- bateu na parede

 

--Tudo bem, querido! -- sorriu -- Mas... Flávia, me diga onde as coisas dele estão, porque senão vou ter que sair apalpando tudo nesse vestiário. Vai que aperto algo que não devo? -- brincou

 

***

 

Renan e Seyyed conversavam na ESSALAAM. Era sábado e os dois estavam sozinhos.

 

--Tô gostando de ver, Ed! -- olhava admirado para o ambiente -- Tá bacana, hein? A oficina já cresceu um tanto! -- sorria

 

--Isso é trabalho, garoto! Tá pensando que Seyyed Khazni é alguma pomba lesa? O que você vê aqui, -- apontou para si mesma -- são quase quarenta anos de pura raça e gostosura! -- voltou a dar atenção ao Pegeout 306 diante de si

 

--Pois é! -- achou graça -- Você é a quase quarentona mais poderosa que eu conheço! -- brincou com a irmã -- Mas, me diz uma coisa: Juliana e Suzana ainda investem aqui?

 

--Não. O investimento delas terminou no ano passado. -- olhou rapidamente para o irmão -- Já fizeram muito por mim e eu achei melhor seguir caminhando com minhas próprias pernas. O pior já passou e eu sei que daqui há uns dez anos volto a ter a estrutura que tinha, se Deus quiser. Pra que a pressa em crescer, né? Tá dando certo, a fase dos prejuízos já acabou e é isso que interessa!

 

--Mamãe me disse que Rubens veio aqui te procurar. -- encostou-se no carro -- O que ele queria? -- perguntou de cara feia -- Pra mim aquele sujeito tinha que ser preso!

 

--Ele veio confessar tudo que fez, pedir perdão e agradecer pela ajuda espiritual que recebeu. Queria agradecer também porque não o processei. -- olhou para Renan -- Chorou como um bezerro desmamado, você tinha que ver!

 

--Humpf! -- cruzou os braços contrariado -- Faz as sacanagens pra depois ficar assim! Se eu estivesse aqui quando ele veio, tinha metido-lhe um socão nas fuças pra deixar de ser salafrário e ingrato!

 

--Cara, você tem que ver como Rubens tá destruído! Tutancâmon tá mais novo que ele! -- o mecânico riu -- E a família tá totalmente ferrada de grana. Eu não preciso fazer nada, ele mesmo cavou a própria cova! -- voltou a mexer no motor do carro -- E parafraseando o que o Mestre diz na Bíbila, não sou mulher de quebrar cana caiada ou apagar a mocha que ainda fumega! Chutar cachorro morto nunca fez minha cabeça!

 

--Ai, Ed, quando eu crescer quero ser igual a você, sabia? -- olhava para a morena com admiração -- Mas deixa eu te contar as últimas fofocas de Goiás!

 

--Manda ver! -- sorriu

 

--O filho mais velho de seu Marciano teve uma idéia fantástica! Ele transformou a coleção carros antigos do pai numa espécie de museu interativo e tá faturando a maior grana! -- contava -- A família que já era rica arranjou mais um jeitinho pra ganhar dindim!

 

--E como é o esquema? -- perguntou curiosa

 

--Ele colocou umas placas ao lado de cada veículo contando a história deles. As pessoas pagam pra visitar a coleção e aprender um pouco sobre carros. Os mais endinheirados podem pagar uma soma extra e dar uma circulada com o modelo que quiser! Tá vindo gente até do exterior!

 

--Sério?? -- parou tudo e olhou surpresa para o outro

 

--Seriíssimo! -- respondeu enfático -- A família tratou de recapear um trechão da estrada e tá muito show! Eu só não paguei uma pequena fortuna pra dar uma voltinha naquele Lamborghini 350 GTV que a gente restaurou, porque senão a Tati ia me dar o maior sermão dizendo que tô gastando dinheiro à toa com gente rica! -- riu brevemente

 

--Eu nem penso em fazer isso porque acho que o coração não guenta! Na hora que desse partida no carro ia ter um infarto fulminante e morrer ali mesmo! -- voltou ao conserto -- Mas se fosse pra escolher, eu preferiria dar uma voltinha naquele Porsche 550 Spyder, que foi a causa de termos conhecido seu Marciano. -- lembrava -- Ainda mais um carro que foi dirigido por James Dean! É muita moral!

 

--E com isso, eu tenho feito muito mais dinheiro porque cada vez mais torna-se necessário dar uma olhadinha nos modelos raros. -- sorria -- Além do que, os antigos clientes da ESSALAAM quase todos me procuram quando precisam de qualquer coisa pra suas relíquias!

 

--Você tá vivendo seu bom momento, garoto! Aproveite com sabedoria, viu? -- aconselhou -- Especialmente hoje em dia que todos os empréstimos estão pagos.

 

--É, mas eu tô querendo me meter num investimento aí!

 

--Que investimento? -- parou tudo novamente e olhou para ele preocupada -- Olha lá no que vai se meter!

 

--Eu tô querendo investir numa oficina de restauro de carros antigos aqui no Rio. -- aproximou-se de Ed -- Pensei, pensei e não vejo lugar melhor do que esse! -- olhava nos olhos da morena -- Especialmente porque ouvi dizer que a dona dessa oficina aqui é a melhor! -- sorriu

 

--Garoto... -- sentiu o coração disparar

 

--Peça pra seu sogro levantar o orçamento necessário pra gente montar a mesma estrutura de restauro que um dia já houve aqui. Você ajuda ele a fazer isso e depois que tiver uma resposta me fala. -- deu um soquinho de leve no ombro dela -- Eu tô a fim de bancar essa brincadeira aí!

 

--Renan... -- pôs a mão no peito -- olha o respeito com uma deficiente física, rapaz! Se isso é uma brincadeira, saiba que eu já tô a ponto de cair durinha aqui!

 

--Tô falando sério! -- respondeu com convicção

 

--Você não precisa fazer isso!

 

--Assim como você também não precisava fazer nada em Goiânia! -- respondeu acariciando o rosto dela -- Eu QUERO fazer isso, Ed! Você merece! -- pausou -- E também quero te ver voltar a folgar nos sábados! -- brincou -- Até no sábado de carnaval você trabalha!

 

--Ah, mas depois dessa novidade, agora eu trabalho até no natal! -- sorriu feliz

 

--Eu te amo, minha irmã! E te serei grato eternamente por tudo!

 

--Vem aqui e me dá um abraço! -- pediu emocionada e abraçaram-se com força

 

***

 

Ricardo e Mariano estavam na pracinha enquanto Ricardinho brincava.

 

--Eu acho legal o garoto gostar de fazer balé. No problem at all! -- Ricardo dizia -- Tem nada a ver com ser homossexual. -- reparava no menino -- Ele tem bons modos mas não é efeminado. -- olhou para o pai -- Vai ser do tipo cavalheiro assim que nem você. -- sorriu

 

--Confesso que morri de medo no começo, mas Olga me tranqüilizou. -- sorriu -- Aliás, ela sempre me tranqüiliza. Desde que a conheci!

 

--Você é gamado nela, né, pai?

 

--Não fique chateado com o que vou dizer, mas Olga é o grande amor da minha vida! -- olhava para o infinito -- Eu amei muito a sua mãe, mas com Olga é especial demais!

 

--Não me admiro, porque ela é uma pessoa diferente de todo mundo que já conheci. Parece até que nem erra!

 

--E quanto a você e Lady? Quais são suas intenções com ela? -- perguntou seriamente -- Mari conhece aquela menina já tem um tempo e me garantiu que é muito boa moça! Não quero saber de você magoando a garota! -- advertiu

 

--Lady é uma mulher muito especial de fato! So nice, so sweet! -- respondeu sorrindo -- Ela é muito louca e nunca vou esquecer do modo como nos conhecemos! -- riu brevemente -- Tem um coração de ouro e parece uma criança grande! Ela também me tranqüiliza e eu tô gostando dela de verdade! -- estava sendo sincero -- Se eu tivesse condições, preparava o terreno pra gente casar. Tinha coragem até de registrar Priscilinha no meu nome! -- pausou e ficou uns segundos calado -- Sabe, pai, é por essas e outras que mesmo me dando bem com vocês três eu queria um canto meu. Meu mesmo, sabe? -- mexia na areia com o pé -- Tô bem velhinho pra ficar ocupando quarto na casa de vocês... Já estamos em março e continuo na mesma! Eu me sinto um verdadeiro jackass! -- riu rapidamente

 

Mariano não entendeu o último comentário. -- Mas pra ter uma casa sua, é preciso que tenha condições. Você ainda não tem dinheiro suficiente, a menos que viva de aluguel.

 

--Não dá pra pagar aluguel com o que eu ganho pai! -- respondeu contendo o mau humor -- Não consegui ser professor de cursinho de inglês, e até hoje eu vivo de fazer bicos na oficina da Ed ou na academia da Flávia. E nenhuma das duas nem pra me contratar! -- reclamou

 

--Como queria que elas te contratassem, meu filho? -- perguntou indignado -- Você não é formado em nada, não tem profissão, não tem ofício algum! Seria contratado por que? Simplesmente por ser meu filho? -- olhava para ele

 

--Pelo menos Ed podia me dar uma força! Afinal de contas ela é rica e nós somos parentes! Renan também! Eu não me incomodava de morar em Goiânia!

 

--Parentes? -- achou graça -- Seyyed e Renan batalharam muito pra ter o que têm, e eles nunca foram de dar moleza pros outros!

 

--Ah, mas o sogro dela tá lá! Bandido, presidiário! -- protestou -- E o cara é o maior boneco! Tremendo puxa saco, ass sniffer!

 

--Pera lá! -- revoltou-se -- Anselmo pode ser um engomadinho mas ele tem profissão, foi gerente de banco por muitos anos e vem fazendo um trabalho muito bom na oficina até onde eu saiba! -- pausou -- E você não tem moral pra falar mal dele. Seu passado te condena!

 

Ricardo ficou calado e pegou um graveto para rabiscar no chão. Mariano começou a se preocupar com o que se passava na cabeça do filho mais velho. Enquanto isso, o mais novo continuava brincando com outras crianças.

 

--Ô, pai... tia Rosa me contou que aquela casona da tia Mari na verdade foi herança do meu vô, né isso? -- perguntou enquanto escrevia na areia

 

“Olga parecia que adivinhava...” -- pensou -- Sim. E a casa está no nome de Camille. Eu, -- olhou para o filho -- e você não temos nada a ver com ela!

 

--What?? -- perguntou escandalizado -- Holy shit, você abriu mão dos seus direitos?? -- olhava para o pai com revolta

 

--Totalmente! Aquela casa é delas e minha sobrinha investiu muito lá.

 

--Ah, claro! Você não ligou porque tem o apartamentão da Olga!

 

--Que está no nome de Ricardinho, diga-se de passagem. -- sorriu ironicamente

 

--Como é???? -- arremessou o graveto para longe -- What about me? You don’t give a shit, don’t you? -- fazia um drama

 

--Nós somos brasileiros. Agradeceria se você conversasse comigo em português e sem essa mania irritante de mesclar termos perdidos de uma língua que não é a sua! -- respondeu enérgico

 

--Você não me dá a mínima, não é pai? Arrumou a vida de todo mundo mas não se importou em deixar um patrimônio pra mim! -- reclamava

 

--Parte do patrimônio que seria seu, você vendeu pra transformar em drogas, será que não se lembra? -- segurou-o pelo braço -- E o que tínhamos em São Paulo já era! -- largou o filho -- Eu sabia que você não tinha boa intenção quando voltou pro Brasil! -- estava decepcionado

 

--Eu vou procurar um advogado! Vocês não podiam ter saído por aí fazendo a partilha dos bens pra todo mundo sem pensar em mim!

 

--Então procure! Procure e quebra a cara, porque não há o que você possa fazer! Já era, meu filho, babau!

 

Ricardo ficou calado tentando controlar a decepção e a raiva que sentia. -- Você acha que me deu uma volta, né, pai? -- olhou para o contador -- E acha que esse garoto aí vai ser o filho que eu não fui! -- levantou-se falando com despeito -- Pois ele vai quebrar sua cara! -- rogava praga -- E digo mais: AIDS não cura! Não dá muito e o moleque morre aí na flor da idade!

 

--Não se atreva a dizer isso! -- Mariano se levantou e segurou Ricardo pelo colarinho -- Se não estivéssemos em uma praça, eu faria você cuspir cada palavra! -- empurrou-o e olhou para o menino -- Ricardinho! -- chamou -- Hora de ir para casa! -- estava zangado

 

--Mas pai... -- lamentou

 

--Depressa, menino! -- voltou a olhar para Ricardo -- Acho bom você cuidar da vida, porque vou te dar um prazo pra procurar outro lugar pra morar!

 

--Não acredito que vai me colocar na rua! -- respondeu enquanto endireitava a roupa

 

--Na rua, não! Mas fora daquela casa, sim! -- olhava nos olhos do outro

 

--Pronto, pai! -- Ricardinho se aproximou dos dois desanimado -- Vamos embora. -- segurou a mão do pai -- Nossa, o que foi? -- olhava espantado para os adultos

 

--Nada, filho! -- olhou para o menino e sorriu -- Vamos! -- foram andando

 

Ricardo passou a mão na cabeça e ficou pensando no que fazer dali para frente. “Eu deveria ter esperado mais ou então ter feito uma outra abordagem.... Oh, shit, não tenho nada mais pra vender e tirar uma grana... Nessa eu me ferrei! Fuck!” -- pensava -- "Agora já era...” -- seguiu atrás dos outros dois -- "E não posso nem pedir pra morar com Lady... Priscila e Jaqueline não deixariam...”

 

 

15:20h. 03 de abril de 2010, Shopping da Gávea, Gávea, Rio de Janeiro

Priscila e Isa passeavam pelo shopping.

 

--E foi no final do mês passado que eu conheci o namorado dela. -- Priscila dizia com despeito -- Sujeitinho sem graça! Aquele típico homem de quarenta e poucos anos que parece um cinqüentão ferrado, sabe como é? -- olhou para Isa -- Ficou lá fazendo umas gracinhas com Priscilinha e depois chamou as duas pra sair. -- voltou a olhar para frente -- Quebrou a cara porque a menina não quis ir e ficou comigo! -- sorriu vitoriosa -- Acho que quando eles saem é Lady que paga tudo! Aquele cara mal tem onde cair morto! -- olhou para a amiga de novo -- Sabia que ele tá morando num verdadeiro barraco aos pés do morro Dona Marta?

 

--Eu não gostei muito daquele Ricardo! -- a ruiva desabafou -- O pai o colocou pra correr porque ele veio com uma conversa fiada, cheio de olho na casa de Camille e no apartamento de dona Olga, que foi passado pro nome de Ricardinho. -- contou -- Ed também não vai muito com a cara dele mas de vez em quanto paga pra que faça alguns pequenos serviços na oficina. Da mesma forma Flávia, lá na academia. -- olhou para a morena -- Dona Mari também é super desconfiada com ele! Camille nem se fala!

 

--Pois é, o cara não agrada nem a família e Lady com essa besteirada toda! Voltou com aquele papo sem sentido de enviado e diz que quando casarem ele vai ser dono de casa e babá da menina! -- fez um bico

 

--E quando eles casam? -- perguntou curiosa

 

--Sei lá! Lady falou que tem juntado dinheiro pra dar de entrada num imóvel. Ela sabe que nosso grupo vai se desmanchar no ano que vem, então acho que pretende casar depois que isso acontecer.

 

--Como assim o grupo vai se desmanchar? -- perguntou curiosa

 

--Eu defendo meu doutorado no final desse ano e daí volto pra morar em Piraí lá pra abril do ano que vem. Papai já viu um lugar onde posso montar meu consultório e eu tô providenciando tudo. Afinal de contas, junto dinheiro pra isso não é de hoje, e meus pais vão me ajudar emprestando uma parte do recurso que preciso. -- explicava -- Lila, ou melhor, Jaqueline disse que quando eu for embora ela vai morar em um apartamento pequeno fora da zona sul. Parece que já tá até procurando. Então, sozinha, vai ser muito pesado pra Lady agüentar o aluguel do apartamento em que vivemos. -- pausou -- Sem contar que ela tem uma filha, a família dela e o pai da garota não dão a mínima pras duas e ela precisa ter um lugar certo pra morar, né, amiga? -- suspirou -- E nisso o tal do Ricardão vai se dar bem, porque vai morar num lugar melhor e ser sustentado por Lady! -- afirmou em tom de crítica

 

--Olha, eu não falo isso por machismo ou qualquer outro preconceito, mas... Ricardo não é boa coisa pra casar com Lady!

 

--Fala isso pra ela, não pra mim! -- respondeu de cara feia

 

--Priscila, olha aqui pra mim! -- parou de andar e segurou a amiga delicadamente pelo braço -- Você não vai fazer nada? -- perguntou com indignação

 

--Lady não é criança, Isa! Ela tá vendo a realidade! Se não quer ver, aí é problema dela! -- passou a mão nos cabelos -- Só lamento pela criança, que não tem nada com isso e vai sofrer as conseqüências...

 

--Lady sempre teve essa neura de casamento e depois do que você fez com ela, acho que a garota pirou de vez!

 

--Depois do que eu fiz com ela?! -- desvencilhou-se da amiga com cara feia -- Qual é, Isa, fala como se eu tivesse usado e abusado daquela maluca e depois jogado fora!

 

--Foi quase isso! -- cruzou os braços -- Você sabia que ela te amava e foi pra cama com ela pra depois abandoná-la de um jeito cruel e ficar longe por pouco mais de um ano! -- criticou

 

--Eu não me aproveitei dela, eu tava confusa! -- voltou a andar -- Mas isso acabou e eu já sei que não quero nada com aquela engenheira doida!

 

--Não mesmo? -- segurou-a pelo braço novamente fazendo-a parar -- Olha na minha cara e diz com toda sinceridade que você não ama Lady!

 

--Ah, Isa, pára, vai? -- reclamou

 

--Confessa, Priscila! -- insistiu -- Eu não te entendo! A quem você tenta enganar? Será que não vê que está deixando o amor de sua vida fazer uma burrada simplesmente por causa de um preconceito seu? Por causa de um orgulho bobo que não vai te levar a lugar algum? -- queria fazê-la abrir os olhos

 

--Eu não amo Lady, tá legal? -- desvencilhou-se da bailarina e ficou uns segundos calada -- Se ela quer se casar com Ricardo ou com quem mais for eu não tenho nada com isso!

 

--Tudo bem, Priscila, eu não vou mais insistir. -- suspirou contrafeita -- A vida é sua e os arrependimentos também serão! -- voltou a andar -- Venha, vamos ver se a gente acha um vestido novo pra eu comprar! Tô precisando de roupa!

 

--Tá, vamos... -- seguiu pensativa atrás da amiga

 

***

 

Camille e Fátima estavam em um restaurante na Ilha do Governador. Haviam acabado de jantar.

 

--Que jantar delicioso! -- a nadadora exclamou com gosto -- Adorei o risoto de camarão! E os pasteizinhos? Hum, só de pensar já me dá água na boca outra vez! -- sorriu

 

--Eu gosto muito daqui! Sabia que você também iria apreciar! -- segurou uma das mãos dela -- É tão difícil encontrar um tempo nessa sua agenda de atleta, que quando finalmente acontece, a gente tem que caprichar! -- os dedos entrelaçaram-se com carinho

 

--Não diga isso, pequena, você é dona de boa parte da minha tal agenda. E a senhora por sua vez também tem um dia a dia muito puxado. Mulher de negócios que se tornou... -- brincava

 

--Que nada, sou engenheira peão, isso sim! Minha gerente arranca meu couro, ô louco! Aquela mulher não vive, só trabalha! -- revirou os olhos

 

--Desde que você também não fique assim... -- beliscou levemente a mão da amante

 

--Deus me livre! Eu quero viver também, não só trabalhar! -- pausou e mudou de assunto -- À propósito, os velhinhos te adoraram, sabia? -- sorriu

 

--Também eu os adorei! Aquele asilo que você freqüenta tem um clima muito especial!

 

--Eu vou lá há anos. Uma das últimas coisas que a falecida dona Lourdes fez antes de morrer, foi encenar uma pecinha pra eles. Desde aquele dia, eu nunca mais os deixei!

 

--Fico feliz com isso. Aliás, você só me orgulha! -- falava com delicadeza

 

Camille corou. -- Se existe um remédio pra levantar minha auto estima ele se chama Fátima Borges! -- brincou

 

--E hoje é dia de você experimentar desse remédio, não é? -- perguntou com malícia

 

A loura riu. -- Ah, sim! E a bula diz que a superdosagem não traz efeitos colaterais além de um delicioso cansaço! -- respondeu brincando

 

--Então talvez seja hora... -- sorriu -- Que tal pedirmos a conta? -- propôs

 

--Calma, Fátima! -- falou mais baixo -- Vamos esperar um pouco mais porque depois das refeições isso dá consumição! -- alertou

 

--Consumição?! -- riu brevemente -- Nunca ouvi falar nisso! -- riu de novo

 

“Por que elas sempre acham graça quando eu digo isso?” -- pensou intrigada

 

Letícia e uma namorada estavam sentadas relativamente perto delas, mas a engenheira não percebeu. A professora devorava-as com os olhos.

 

--O que foi, amor? -- a mulher perguntou estranhando -- Por que olha tanto pras mulheres naquela mesa? -- estava desconfiada

 

--Ah, é... porque... -- ficou sem graça pensando no que dizer -- vejo que aquela ali, -- apontou discretamente -- é ninguém menos que Fátima Borges! E eu sou fã dela! Muito fã! Escandalosamente fã! -- mentiu

 

--E quem é essa?? -- ficou olhando intrigada

 

--A nadadora cega que abalou os alicerces da natação mundial, como é que você não conhece?! -- fingia espanto e indignação

 

--Nunca ouvi falar! -- continuava olhando

 

O celular de Camille tocou.

 

--Minha chefe, vê se pode? -- fez cara feia olhando para o aparelho

 

--Se quiser atendê-la fique à vontade, minha linda. Eu não me incomodo. Pode ser alguma coisa urgente. -- Fátima respondeu com sinceridade

 

--Eu vou ver o que ela quer. Dê um minuto, por gentileza. -- resolveu atender -- Alô. -- pausou -- Como assim, não chegou? Não é possível, a carga foi despachada anteontem, já tinha que ter chegado há muito tempo! -- pausou novamente e olhou para a nadadora -- Vai demorar um pouquinho mais, será que me daria uma licença?

 

--À vontade. -- balançou a cabeça

 

A loura se levantou e continuou a conversar com a chefe caminhando para a sacada.

 

--Meu bem, será que me daria uma licença rápida? -- Letícia pediu a namorada -- Vou aproveitar a oportunidade e conversar dois segundinhos com minha ídola! -- indicou a nadadora com um gesto de cabeça

 

--Tudo bem, mas não demore muito! -- respondeu desconfiada -- E a mulher está acompanhada, você não sabe o que rola entre aquelas duas!

 

--Pode deixar! -- levantou-se rapidamente -- "Pois sim, que não sei! Sei do que tá rolando faz tempo!” -- pensou chateada

 

Letícia caminhou até a mesa de Fátima e se sentou no lugar que Camille ocupava.

 

--Fátima Borges, mas que prazer em conhecê-la! -- afirmou com um sorriso sarcástico

 

--Pela sua maneira de falar posso imaginar. -- respondeu calmamente -- Quem é você? -- perguntou curiosa

 

--Letícia Avelar! -- aproximou-se um pouco mais e falou baixo -- Ex namorada de Camille. Aquela em quem vocês colocaram chifre quando se encontraram em Salvador! -- afastou-se novamente

 

--E por que me aborda? -- continuava calma -- Já deveria ter se libertado disso, não?

 

--Ah, mas é muita cara de pau! -- respondeu controlando a raiva -- Você se acha uma grande coisa só porque nada como doida e ganha umas medalhinhas por aí, né? -- falou com deboche -- Pois pra mim você não passa de uma cega que nada sabe fazer além de fingir de peixe! O que você gera pra sociedade, hein? Pois eu digo: nada! -- afirmou enfática -- Ao contrário de você, que mal deve ter concluído o ensino médio, sou uma professora universitária! Com pós doc em física! Meu trabalho gera conhecimento útil e preparo pessoas para serem igualmente úteis a esse país. -- lançou-lhe um olhar de desprezo -- Não sei o que Camille viu em você, francamente!

 

--Talvez eu tenha visto nela algumas coisas que você não pôde ver, e isso tenha feito a grande diferença. "Mais vale ser cego dos olhos, do que do coração."34 -- continuava serena

 

--Ah, mas também é metida a ser filósofa e falar bonito? -- debochou -- Eu também sei falar bonito; e em cinco idiomas! -- exibiu-se

 

Fátima riu brevemente e perguntou: -- Está se colocando nessa infeliz posição de tentar se mostrar superior a mim simplesmente por despeito? -- Letícia franziu o cenho -- Eu não tenho interesse em competir fora das piscinas e estou certa de que você tem mais currículo e beleza do que eu; só que nada disso me faz sentir diminuída. Cada pessoa cumpre um papel diante da vida e no final das contas o que importa é o que tenhamos feito dos recursos que nos foram disponibilizados. Ou acha que nos derradeiros momentos a morte vai se importar em fazer uma prova de títulos? -- sorriu -- Analfabetos e doutores morrem da mesma maneira.

 

A professora se aborreceu com aquela resposta. -- Foi essa a conversinha mole que usou pra seduzir Camille?

 

--Eu nunca a seduzi, apenas conquistei. E conquistar uma mulher vai além de falar palavras doces, dar beijos intensos e fazer amor com paixão. Conquistar alguém é um processo que se estende por todos os dias. Não tem fim.

 

--Humpf! -- fez um bico

 

--Talvez seja a hora de você se dispor a amar com alma e não somente com os sentidos físicos.

 

--O que Camille te falou a meu respeito? -- perguntou desconfiada

 

--Muito pouco. Ela é bem reservada.

 

Letícia preparou-se para se levantar, mas antes decidiu falar o que considerava ser capaz de calar a nadadora: -- Você tá se sentindo muito dona da situação, mas Camille não ama nem a mim e nem a você! Ela ama Seyyed e só não está com aquela mecânica metida porque a mulher é casada e assim deseja permanecer! -- aguardou para ver a reação da outra

 

--Sei disso há bem mais tempo que você. Afinal, conheço Camille há quase dez anos. -- continuava inabalável

 

A professora ficou pasma. -- Não acredito que isso não te aborreça! -- duvidava

 

--Eu amo Camille! Ela não é um objeto que eu tenha que disputar com você ou Seyyed. Tampouco é um troféu pra meu ego. -- falava com suave firmeza -- Enquanto quiser ficar comigo, ela ficará, e no dia que não mais quiser, deixo-a ir. Camille não é minha felicidade, mas um belo presente de Deus para me tornar mais feliz do que já sou. -- virou o rosto na direção de Letícia -- Ao contrário de você, não desejo ser a dona do coração dela. Quero apenas contar com o prazer de sua companhia enquanto puder.

 

Letícia levantou-se contrariada.

 

--Você é daquele tipo que gosta de ter a última palavra, né? Tem resposta pra tudo! Aposto que passa horas lendo frases de efeito em Braile só pra ter o que dizer! -- falava com a mais pura falta de argumentos

 

--Não, querida. Eu sou daquele tipo que tem o seguinte entendimento: “quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio."35 -- pausou -- Vejo que não compartilhamos da mesma filosofia! -- sorriu

 

A física retirou-se de volta para sua mesa. Camille presenciou esse momento e se apressou para voltar junto de Fátima.

 

--O que Letícia fazia aqui? -- sentou-se olhando para a mesa da professora com a cara feia -- Ela veio te desacatar, o que ela queria? -- olhou para a nadadora -- Quando menos espero ela aparece, ô louco! -- reclamou

 

--Ela queria apenas conversar um pouco. -- não quis entrar em detalhes -- Agora que você já trabalhou pelo telefone e alguns minutos se passaram, creio que a tal da consumição não é mais um risco tão alto. -- brincou

 

A loura sorriu e chamou o garçom.

 

--Vamos embora. -- decidiu -- Depois do que vi aqui, preciso urgentemente de meu remédio preferido! -- brincou também

 

Enquanto isso, na outra mesa, Letícia pensava no que ouviu daquela que considerava uma rival.


***

 

Isabela, Neyan e Ricardinho aguardavam pelo encontro com Ana Fluminense. Estavam no Municipal.

 

--Será que ela vai mesmo querer falar comigo? -- perguntou receoso para a ruiva

 

--Claro, meu bem! -- respondeu sorrindo -- Se ela prometeu que ia falar com você, então ela vai fazer isso!

 

--Ana Fluminense não é como essas estrelecas que tem por aí, Ricardinho! -- Neyan dizia com afetação -- Ela tem simplicidade sem perder a classe!

 

De repente a silhueta da bailarina pôde ser vista caminhando na direção deles.

 

--Ai, é ela! -- o menino constatou nervoso

 

--Eu não disse? -- Isa piscou para ele

 

--Bom dia! -- cumprimentou sorridente -- Então este é o famoso Ricardinho? -- olhou para o garoto

 

--Um dos mais novos alunos aprovados na Escola do Municipal, Aninha! -- Neyan apresentava -- E eu estava lá assistindo. Posso te dizer que ele tem muito futuro! -- sorria

 

--É um prazer conhecê-lo! -- Ana recurvou o tronco para beijar a cabeça dele

 

Ricardinho mexia os lábios mas não falava.

 

--Eu acho que ele ficou mudo de emoção! -- a ruiva falou achando graça

 

--Vambora, menino, fala! -- o coreógrafo se divertia com a reação da criança

 

--Eu... eu... -- sentia um frio na barriga

 

--Não fique tão nervoso! -- Ana pediu com delicadeza -- Sou uma pessoa normal igual a todo mundo que você conhece! -- sorria

 

--Eu te acho maravilhosa e se você esperasse eu me formar, eu bem casava contigo! -- falou rápida e nervosamente

 

Os três adultos riram.

 

--Mas, meu querido, eu já sou casada! E você é muito novinho pra mim! -- acariciou o rosto dele

 

--Eu não ligo pra isso de idade! -- afirmou resoluto -- A droga é que as mulheres que eu me apaixono sempre são comprometidas com alguém que chegou na minha frente! -- reclamou

 

--E além da Ana, quem é sua outra paixão? -- Isa perguntou controlando o riso

 

O garoto olhou para a bailarina mais jovem. -- Lady! Mas ela é namorada do meu irmão e aí fica chato! -- olhou para Ana novamente -- Mas de você eu gosto mais! E adoro te ver dançar!

 

“Lady faz sucesso com os filhos de Mariano!” -- a ruiva achava graça

 

--Fico lisonjeada! Só não posso retribuir esse sentimento porque, como te disse, já sou casada! -- cruzou os braços sorridente

 

--Eu entendo! -- balançou a cabeça -- E pode ficar tranqüila porque sou um cavalheiro! -- garantiu

 

Os três riram novamente.

 

--Ai, Ricardinho, você fará sucesso no meio das bailarinas! -- Neyan fez um carinho rápido na cabeça dele -- Elas costumam gostar dos cavalheiros!

 

--E o cavalheiro gostaria de visitar as instalações do Theatro comigo? -- Ana convidou

 

--Claro!! -- exclamou empolgadamente

 

Nesse momento, um homem chega discretamente para abordá-los. -- Olá, com licença?

 

--Cleiton? -- o coração do coreógrafo disparou

 

--Eu acompanho vocês na visita ao Theatro. -- Isa falou olhando para Ana e Ricardinho

 

--Vamos lá! -- Ana deu a mão ao menino que seguiu todo prosa ao lado da ídola

 

--Espero que vocês se entendam. -- a ruiva piscou para os dois homens e se afastou

 

--Nossa, mas que surpresa inesperada... -- Neyan comentou sem saber onde colocar as mãos

 

--Eu esbarrei com a Isa em Botafogo um dia desses e ela me falou de você... -- Cleiton se aproximou receoso -- Falou do que te aconteceu, da sua recuperação, do trabalho que vem fazendo... Fiquei impressionado!

 

--Ah, que é isso? -- sorriu encabulado -- Essa menina é que tem sido um anjo na minha vida! -- pausou -- E pensar que um dia eu a julguei tão mal... -- olhou para o ex namorado -- E você? Como tem ido? Continua trabalhando no mesmo lugar?

 

--Tenho ido bem e progredi bastante no trabalho. Passei cinco anos trabalhando em Angola, mas agora tô no escritório de Botafogo. -- sorriu -- Tudo mudou!

 

--Legal... -- não sabia o que dizer

 

Os dois ficaram uns segundos calados até que Cleiton rompeu o silêncio: -- Senti muito a sua falta! -- olhava saudoso para o ex

 

--E eu a sua... -- passou a mão nos cabelos -- Já que a palavra de ordem é recomeço... será que a gente não poderia... assim...?

 

--Que tal a gente se encontrar no sábado naquele mesmo restaurante que você tanto gostava? -- propôs

 

--Nossa! -- o coreógrafo sorriu lisonjeado -- Será que ainda lembra dos meus gostos?

 

--Lembro de tudo! -- afirmou convicto

 

Neyan sentia-se aprisionado no olhar de seu grande amor.

 

***

 

Tatiana e Renan estavam com a família da repórter em meio a uma churrascada. Comemoravam o dia das mães.

 

--Deixa eu te falar que minha irmã tá chique por demais da conta, viu, fi? -- Tamires dizia a todos sorridente -- Recebeu o segundo Prêmio Esso de Jornalismo e o segundo Prêmio Vladimir Herzog, além de ter se tornado a mais nova integrante do ICIJ! -- cruzou as pernas

 

--A primeira mulher brasileira a entrar no consórcio, que só tem quatro brasileiros, diga-se de passagem! -- Renan explicava orgulhoso -- E a primeira negra dentre todos os participantes do mundo inteiro!

 

--Ah, mas minhas irmãs também não ficaram paradas, não, uai! -- a jornalista dizia -- Uma virou juíza e a outra é chefe de departamento! -- sorriu -- Eu sou café pequeno na frente disso tudo! Dou conta, não! -- brincou

 

--Agora eu tô esperando meus netos! -- Claudio cobrou em tom de brincadeira -- Até agora nada! Quero três de cada uma!

 

--Três?! -- Tânia arregalou os olhos -- Ih, pai, vai demorar! Ainda não tá na hora nem de arrumar um, faz idéia três! -- falou descartando a idéia

 

--É ela que decide, eu não posso fazer nada! -- Daniel, marido de Tânia, falou para o sogro que preparava as carnes junto com ele -- A gente que é homem pega a parte mais fácil nesse negócio, aí já viu! Tá com elas! -- brincava

 

--Pra gente também vai demorar mais um pouco! -- Tatiana anunciou resoluta -- E eu quero no máximo dois! -- olhou para o marido -- Concorda, meu pretinho?

 

--Dois, três, dez, não importa! -- sorriu -- Eu tô satisfeito com o que vier!

 

--Dez? -- riu -- Homem de dinheiro é outra coisa, viu, fi? -- Daniel brincou com o cunhado

 

Clarice olhou para Tamires.

 

--Ih, mãe, esquece! -- respondeu enfática -- Casamento e filhos, eu tô fora!

 

A mulher mais velha suspirou insatisfeita e resolveu voltar ao assunto inicial. -- Mas deixa eu te perguntar, Tatiana, como é o negócio desse tal consórcio ICIJ? -- perguntou curiosa

 

Claudio aguardava a resposta com interesse.

 

--A sigla ICIJ quer dizer, traduzindo pro português, Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. -- a repórter explicava -- O consórcio foi criado por um grupo de jornalistas norte americanos que entenderam a importância de montar uma organização que fizesse reportagens investigativas com neutralidade e independência. -- sorriu -- O trabalho é muito interessante e o ICIJ conta com membros de vários países!

(NOTA DA AUTORA: explicação baseada no livro A Privataria Tucana, de Amauri  Ribeiro Jr)

 

--Mas como é que funciona isso aí, Tati? -- Tânia estava curiosa

 

--Uma vez por ano o grupo se reúne e discute sobre o panorama mundial. Aí é decidido qual o tema palpitante que deve ser investigado e um dos membros do consórcio conduz esse trabalho.

 

--Mas tem base isso?! -- Claudio olhou para a filha apavorado -- Então quer dizer que você foi se meter num negócio que existe só pra procurar chifre em cabeça de burro? -- cruzou os braços -- E nós tamo aqui satisfeitos com isso, uai? Num dou conta, não!

 

--Calma, sogrão! -- Daniel falou achando graça -- Sua filha tá muito bem! Todas elas, aliás! -- continuava preparando o churrasco

 

--Ah, meu filho, eu entreguei nas mãos de Deus! -- Clarice acariciou as costas do marido -- E agora que Tamires virou juíza eu vou acender uma dúzia de velas por noite! Seis pra Tatiana e seis pra ela!

 

--Eita! -- Renan achou graça

 

--E eu, mãe? Só pra mim não tem vela? -- perguntou enciumada

 

--Você é professora, Tânia, e graças a Deus não se mete nesses trem perigoso! Daí não precisa de tanta reza quanto essas duas! -- Clarice se explicava

 

--Aí é que a senhora se engana! -- Daniel comentou sem pensar -- Se soubesse de alguns alunos que ela tem... É de dar medo! -- revirou os olhos

 

--O que??? -- os pais das garotas perguntaram em choque -- Mas até de onde menos se espera vem uma bomba? -- Clarice reclamou

 

--Obrigado, viu, fi? -- Tânia olhou chateada para o marido, que ficou calado

 

--Ô, meu Pai, mas eu tive três filha que são três fonte de aporrinhação! -- Claudio voltou a dar atenção às carnes -- Vocês tanto que falavam das prima caipira de Pau D’Arco, mas ela tão tudo lá, vivendo bem e sem dar preocupação pra ninguém! -- fez cara feia -- Num chego vivo aos setenta! Num chego! -- balançava a cabeça contrariado

 

--Nem eu... -- Clarice concordou pensativa

 

***

 

Juliana se encaminhava para o estacionamento quando foi surpreendida por Irina.

 

--Ju, espere! -- veio correndo aos pulinhos

 

“Ô, meu Pai, lá vem... Dai-me forças!” -- pediu mentalmente sem olhar para a loura

 

--Ei, espere! -- segurou a outra suavemente pelo braço -- Por que tá me evitando? -- olhou para a japonesa -- Desde que foi no meu apartamento você parece que vê um fantasma quando me percebe chegar! -- reclamava fazendo charminho -- Queria entender o que houve... -- lançou-lhe um olhar sensual -- Tava tão bom, tão quente, você e eu... -- sorriu -- Naquela noite eu dormi tão excitada... Mesmo depois de tantos meses ainda acordo molhada quando sonho com o que quase aconteceu...

 

A enfermeira perdeu-se naqueles olhos por alguns instantes mas logo se recompôs.

 

--Aquilo foi um erro que não vai mais se repetir! -- desvencilhou-se da advogada -- Eu sou casada, amo minha mulher e vou fazer de tudo pra salvar meu relacionamento! -- falava com decisão

 

--Ah, baby, não me venha com esse papinho de ‘eu amo a minha mulher’. -- sorriu e se aproximou mais -- Tá parecendo até aqueles homens que traem a esposa e depois vêm cheios de conversa moralista pra cima da amante. -- tocou no bolso do blazer da japonesa -- E esse discurso nem cabe pra nós uma vez que ainda não chegamos na parte do sex*. -- acariciou o ombro dela -- Ainda...

 

--Não chegamos e nem vamos chegar! -- afastou-se e ajeitou a roupa -- Você pra mim é página virada e eu não vou mais me deixar levar pelo teu feitiço! -- exclamou revoltada

 

--Feitiço?! -- perguntou um pouco constrangida

 

--Eu tô fazendo tratamento espiritual e sei que você fez feitiço pra mim! Os guias disseram! -- afastou-se ainda mais -- Acabou, Irina! Me esqueça, porque desse mato aqui não vai sair coelha pra comer tua cenoura! -- destravou o carro -- Passar bem! -- foi até o veículo, entrou e partiu

 

A advogada ficou acompanhando com olhos repletos de fúria.

 

“Mas não é possível!!!” -- pensava tomada pelo ódio -- "Ninguém nunca resistiu aos meus feitiços!” -- passou a mão nos cabelos transtornada e caminhou em direção ao carro -- "Se tem gente desmanchando meus trabalhos, então eu retorno à carga com força total e quero ver quem vai ter poder pra enfraquecer minha magia!” -- entrou no veículo e partiu furiosa

 

O que Irina e Juliana sequer imaginavam era que um repórter maledicente assistiu à cena e tirou fotos comprometedoras das duas.

 

***

 

Suzana lia o jornal.

 

“Ligações Perigosas

 

A deputada Juliana Okinawa Mitsui, candidata a reeleição pelo PCons, foi flagrada em situação deveras comprometedora com a advoga Irina Meyer, cujo nome esteve envolvido no caso do psicopata místico, Lucas Damaso. As más línguas de plantão alardeiam que a delegada aposentada Suzana Mello, companheira da deputada, estaria vivendo no Rio de Janeiro desde o início deste ano. Seria uma separação? Seja como for, as ligações com Irina são extremamente perigosas para a imagem de alguém que pretende se reeleger às custas da confiança do eleitorado.”

 

Abaixo do texto, podia-se ver uma fotografia onde Irina sedutoramente tocava o bolso do blazer da japonesa.

 

--Mas que inferno! -- a morena amassou a página do jornal com revolta e a jogou na lixeira -- Juliana também só faz droga, vou te contar! -- reclamou de cara feia

 

Segundos depois a delegada ouve o celular tocar.

 

--Alô! -- atendeu ainda transtornada

 

--Oi, delegada, sou eu, Tati. Tenho uma notícia pra te dar que pode fazer a diferença!

 

--Se é sobre aquela maldita nota no jornal...

 

--Nota?! -- ainda não tinha lido -- Não sei do que você tá falando, mas não tem nada a ver com nota de jornal, não, uai! -- esclareceu -- Eu tive que ir pra São Paulo à serviço e me deu uma intuição de procurar por Lucas Damaso. Tamires me deu uma ajuda e tive acesso a ele com muita facilidade.

 

--E o que você foi fazer de novo atrás daquele homem? -- perguntou surpreendida

 

--Eu tinha uma pulga atrás da orelha e decidi assuntar. Perguntei o que ele havia destinado pra você nas magias que vinha fazendo e a resposta não foi Irina ou qualquer outra mulher pra conquistar Juliana. Ele disse que trabalhou pra que sua japonesa fosse vencida pela vaidade, e ainda citou um versículo de Salomão que diz: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade debaixo do sol.” -- explicava -- Ele queria que Juliana se deixasse levar pela vaidade e te abandonasse por puro desprezo!

 

--Hum... -- ouvia atenta

 

--Lucas nem desconfiava que o cliente daqueles vídeos macabros na verdade não era o falecido lá, mas Irina! -- afirmou enfática -- Tinha que ver como que o bicho ficou brabo ao perceber que foi enganado pela advogada loura o tempo todo! Ele disse que não há mais ética no meio dos psicopatas! -- achou graça mas logo voltou a seriedade -- E agora o mais interessante: você pensava que Irina não entendia de magia? Que nada! Lucas se concentrou pra se conectar a ela em pensamento e descobriu que aquela mulher é a maior das feiticeiras!

 

--Então... -- a cabeça de Suzana fervilhava -- Então ela usou Lucas pra fazer os sacrifícios dos quais precisava e sair limpinha no final da história! -- deduziu tudo -- Claro! -- deu um soco no ar -- E a coisa dos vídeos era só um disfarce pra incriminar o outro que se matou! Mas como eu não pensei nisso antes? -- questionava-se revoltada

 

--Você perdeu o foco porque o caso te abalou por demais da conta, mas ainda há tempo de deter Irina em suas intenções! Você precisa falar com Brito e arrumar um jeito de prendê-la! -- pausou -- Desconfio que Juliana corra perigo com aquela mulher! -- alertou preocupada

 

--O oitavo sacrifício! -- a morena concluiu -- Ah, mas eu não vou permitir!! -- exclamou furiosa -- Vou arrumar minhas coisas e hoje mesmo volto pra Brasília! -- decidiu

 

***

 

Suzana chegava em sua casa em Brasília altas horas da noite. A enfermeira assustou-se ao vê-la tão inesperadamente mas ficou feliz.

 

--Você voltou!! -- sorriu animada dando pulinhos -- Ai, meu nenenzinho, que bom!!! -- foi abraçá-la

 

A morena se desvencilhou e impediu o contato. -- Isso não quer dizer que a gente se reconciliou! -- estava de cara feia -- Voltei porque você corre perigo! -- pausou -- Eu vou ocupar o quarto de empregada. -- afirmou resoluta e foi andando para lá, sendo seguida pela outra

 

--Corro perigo?? -- não entendia

 

--Aquela Irina é uma bruxa louca que quer te matar! -- falava sem rodeios enquanto abria a mala -- Você é a oitava vítima que ela esperava sacrificar pelo poder! -- olhou para Juliana -- Agora eu já saquei tudo!

 

A japonesa ficou assustada. -- Há poucos dias atrás dona Olga me ligou dizendo que os guias revelaram que Irina fez feitiço pra me enredar na sedução dela! -- contou à morena -- O que explica tudo, porque eu nunca fui de gostar de mulher manteiga!

 

--Humpf! -- fez um bico -- Você ficou amanteigada com muita facilidade! -- reclamou sarcástica sem olhar para a mulher -- Eu vou cuidar da sua segurança novamente e serei sua sombra daqui por diante! -- arrumava as coisas no armário -- Quero ver aquela maldita se aproximar! -- desafiou

 

--Minha sombra, é? -- deslizou as mãos nas costas da delegada -- Adorei a novidade! -- arranhou de leve -- Tava com saudade desse corpo a corpo com você!

 

Suzana sentiu um arrepio e se afastou da japonesa nervosamente. -- Não vai ter corpo a corpo nenhum! -- olhou para a outra constrangida -- A coisa aqui é profissional! -- engoliu em seco

 

--Sei! -- cruzou os braços sorrindo com descrença

 

--Não pense que porque você faz tratamento espiritual e agora parece mais boazinha comigo que significa que eu vou voltar pra você! -- avisou -- Não perdôo traição e pra mim não tem retorno!

 

--Ah, é? -- aproximou-se destilando charme -- Então por que não tirou a aliança do dedo? -- olhou rapidamente para a mão da morena

 

--Por que? -- não sabia explicar -- Porque... porque meus dedos incharam e não deu pra eu tirar, foi isso!

 

--Hum... -- balançou a cabeça fingindo acreditar

 

Suzana pulou por cima da cama para fugir da amante. -- Agora vá se deitar que tá muito tarde e eu tenho que arrumar as coisas aqui! -- pediu quase tremendo

 

--Tá bom. Já que você quer assim... -- foi até a porta e soprou um beijo para a outra -- Boa noite e bem vinda! -- piscou e saiu

 

--Uff! -- a delegada respirou aliviada -- Eu não sei o que vai ser mais difícil: prender Irina em situação de flagrante ou resistir a isso tudo aí! -- passou a mão nos cabelos -- Ô, meu Pai, essa japonesa me mata! -- balançou a cabeça transtornada

 

***

 

Lourdes, Valadão e Vitória aplicavam passes em Ana, que estava sentada no jardim da clínica psiquiátrica com um olhar distante.

 

--Ela tem melhorado bastante! -- Vitória afirmou satisfeita -- Não demora muito e ficará livre do aprisionamento em que se encontra! -- sorria para os outros dois

 

--Creio em Deus que sim! -- Lourdes afirmou confiante -- Quando Olga e seu grupo insistirem novamente na próxima reunião, acredito que Ana estará finalmente livre! -- sorriu

 

--Ai, gente, eu me sinto tão útil e feliz em participar dessas atividades! -- Vitória falava -- Nunca imaginei que desse lado da vida houvesse tanto serviço!

 

--Pois é, também me surpreendi quanto cheguei aqui. -- Valadão exclamou -- E vejo com muita satisfação o quanto você progrediu, moça! -- sorriu -- Nem parece aquela jovem assustada e aflita que amparamos no umbral.

 

--Eu sofria por temer pelo futuro de meu filho e me contorcia de ódio e revolta contra Silvio. -- lembrava -- Mas isso já se foi pra mim. Ricardinho está curado e desde novinho recebe uma boa orientação espiritual por parte de dona Olga e seu Mariano; sei que será um bom homem! -- sorriu orgulhosa -- Quanto à Silvio, eu já o perdoei. -- falava com sinceridade

 

--E como ele está? -- Lourdes perguntou -- Faz tempo que não o vejo.

 

--Trabalhando e se recuperando. Silvio lesou bastante suas potências sexuais e ainda precisa de tratamento. -- pausou -- Mas ele tem se esforçado pra auxiliar aqueles que desencarnam em condições iguais a ele. -- olhou para os outros dois -- E creiam que são muitos!

 

--Imagino! -- Valadão respondeu balançando a cabeça

 

--Agora, se não se incomodam, peço licença. Minha benfeitora me chama. -- Vitória deu tchauzinho e partiu

 

--Essa menina é um amorzinho! -- Lourdes sorriu olhando para o marido

 

--Ela é. -- concordou e pausou por uns segundos -- Lourdinha... não sei se Juninho conversou com você, mas ele planeja voltar em breve. Disse que será um menino abandonado. -- olhou para a esposa -- Fiquei orgulhoso e surpreso com a decisão dele. Acho que o fato de ter visto Gisele voltar tão rápido acabou o encorajando!

 

--Sim, eu sei disso, ele me contou. -- pausou -- E eu decidi que vou junto!

 

--O que??? -- perguntou com os olhos arregalados

 

--Tão logo Ana se liberte e Juliana esteja fora de perigo, eu me preparo pra voltar. Serei irmã mais velha de Juninho. -- afirmou resoluta

 

--Mas... como decidiu isso sem me consultar, Lourdinha? -- cruzou os braços indignado -- Quando a gente tava encarnado não era assim, não! -- protestou

 

--Ah, meu filho aquele tempo já passou! -- retrucou -- Depois que eu saltei de parapente e de pára-quedas tudo mudou pra mim! Tô noutra! Fiz até batismo de mergulho! E ainda andava de moto! -- lembrou

 

--Mas agora veja! -- indignou-se

 

--O tempo que eu te obedecia já era, Valadão! -- falou enfática -- E fica esperto porque tem mais serviço pra nós ainda hoje! -- preparou-se para partir -- Fui! -- foi embora

 

--Mas como é que pode? -- estava pasmo -- A gente morre antes da mulher e olha no que dá! -- foi embora também

 

 

19:00h. 12 de junho de 2010, Motel Céu Estrelado, Copacabana, Rio de Janeiro

 

Priscila havia levado Priscilinha para um evento sobre saúde bucal infantil e Lady aproveitou para comemorar o dia dos namorados com Ricardo.

 

Os dois haviam acabado de fazer amor e estavam deitados nos braços um do outro. Ele repousava a cabeça no colo da engenheira que acariciava seus cabelos.

 

--Adorei essa dia dos namorados com você! Just amazing! -- o homem falou com um sorriso nos lábios -- E esse motel aqui foi um achado! -- suspirou

 

--Eu nunca tinha vindo e até que gostei. -- olhava para o teto -- Mas a propaganda é enganosa, porque tem aqueles dois ursinhos na entrada enquanto que nesse quarto eu não vi nem sombra de urso! -- reclamou

 

Ricardo riu. -- É só um desenho, Lady. Não quer dizer que tem urso de pelúcia nos quartos.

 

--E você só me avisa agora? -- perguntou chateada

 

--Ai, ai... -- levantou a cabeça para olhar para a namorada -- Você é uma gracinha, sabia? -- beijou-a e ficou uns instantes calado -- É... -- não sabia como dizer -- Eu vou precisar que você quebre mais essa pra mim... Tô realmente sem grana...

 

--Tudo bem. Não precisa ficar constrangido. Não acho que é obrigação do homem pagar todas as contas.

 

--Mas eu não pago conta nenhuma, né, Lady? -- comentou chateado -- Tô sempre liso como um côco! Shame on me... -- deitou-se do lado dela -- Não é à toa que sua amiga Jaqueline me detesta! A tal da Priscila então nem olha na minha cara!

 

--Elas não detestam! -- virou o rosto para olhar para ele

 

--Quando a gente ia saindo da sua casa e deu de cara com Jaqueline, ela quase me fulminou com os olhos! -- o homem reclamou como criança queixosa -- Eu notei!

 

--Impressão sua. -- respondeu com delicadeza -- É que ela tem excesso de zelo comigo!

 

--A verdade, Lady, é que ela não gosta de mim! Mas é porque eu sou pobre! -- lamentava olhando para a namorada

 

--Não seja cismado!

 

--Tô com uma mão na frente e outra atrás, mas já faz tempo que eu estou pra te dizer: -- pausou -- Tô com uma mão na frente e outra atrás... de você! -- beijou-a rapidamente

 

--Nossa, que coisa meiga! -- sorriu -- Eu não ligo pra isso de riqueza ou pobreza! -- virou-se de lado -- Não me prendo a essas bobagens!

 

--Se assim é, então me diga por que te sinto tão distante em determinados momentos? Como há minutos atrás, por exemplo? -- perguntou inseguro -- Você está assim... so far away from me!

 

A engenheira sentou-se na beirada da cama, de costas para o namorado. -- Ricardo, eu não vou mentir! -- falou em tom melodramático -- Meu coração não é teu! O meu peito abunda de amor por outra pessoa!

 

--Oh, my gosh, eu já desconfiava! -- sentou-se também -- Algo me dizia! -- preocupou-se

 

--Jaqueline sabe disso e na opinião dela cometo um erro namorando contigo! Não por tua pobreza, mas por meu amor bandido! -- olhou para ele com cara de atriz mexicana -- Mas não posso viver sofrendo por alguém que me pediu o bidivórcio!

 

--Bidivórcio? What the hell is it?? É a segunda vez que te ouço dizer essa palavra! -- não entendia

 

--Não tente entender! -- pôs a mão sobre os lábios de Ricardo -- É muita dor na minha alma de mulher! -- levantou-se rapidamente e ensandecida -- E eu ainda gosto dela, mas ela já não gosta tanto assim! -- esfregava-se nas paredes

 

--Ela?! -- arregalou os olhos -- "Oh, shit, então é isso! Bidivórcio é o divórcio bissexual!” -- concluiu surpreso

 

--E eu ainda penso nela, mas ela já não pensa mais em mim! Em mim não, ai, ai, ai! -- lançou-lhe um olhar macambúzio

 

--Chega de tanto sofrimento! -- levantou-se também -- Agora que você surgiu na minha vida, my universe will nerver be the same. I’m glad you came, -- aproximou-se dela --I’m glad you came!

 

--Nossa, que coisa poliglota! -- segurou o rosto dele -- Peço que não se choque com meu sofrimento! Nem sempre é so easy se viver! -- cerrou os olhos -- Mas o teu amor me cura, de uma loucura qualquer. É encostar no teu peito, e se isso for algum defeito, por mim tudo bem!

 

--Nossa, que coisa profunda! -- Ricardo exclamou embevecido e puxou a namorada pra um beijo alucinado

 

***

 

Isabela estava em Cingapura por conta do Festival Asiático de Dança Contemporânea. Apresentou-se junto com a Companhia da EEFD e novamente chamou atenção como um dos destaques da temporada.

 

--Mas essa ruiva não se cansa de me surpreender! -- Seyyed a abordava sorridente -- Com tanto trabalho pra fazer nas escolas de balé ainda teve tempo de ensaiar pra esse festival! -- olhou para a amante -- Qual o segredo, hein?

 

--Nos últimos tempos você trabalha aos sábados, então eu tinha que aproveitar minha solidão com algo útil! -- sorria para a morena -- Recebi o convite da EEFD, aceitei e tome de ensaiar!

 

--E como sempre, arrepiou! -- aproximou-se para sussurrar no ouvido da bailarina -- Eu vou ter que esperar você fazer uma social com essa galera toda pra te jogar na cama?

 

--Ed! -- arregalou os olhos e deu um tapinha no braço da mecânica -- Fale baixo que as meninas podem ouvir! -- fez um charminho

 

--É ruim, hein? Tuas amigas tão curtindo amarradonas! -- riu brevemente -- E o resto do pessoal aqui não fala português. -- piscou

 

--Vamos ficar só um pouco mais. -- pediu -- Afinal de contas, só Deus sabe se um dia voltaremos a Cingapura! -- reparava no ambiente -- Esse tal de Suntec Singapore International Convention Center é um luxo! Tudo moderno, bem iluminado, envidraçado, parece coisa de filme futurista! -- exclamou empolgada -- A cidade em si é super organizada, limpa... O lugar é incrível!

 

--Incrível e louco! Eu até que tô gostando do coquetel, mas eles me aparecem com cada parada bizarra que só vendo! -- apontou discretamente para um garçom -- Aquele maluco ali veio me oferecer uns canapés, sei lá o que diabo era aquilo, com umas lagostinhas bonitinhas, mas os bichos tavam todos vivos! Só vi as pincinhas abrindo e fechando e aqueles olhinhos acusadores me olhando! Deu medo!

 

Isabela riu. -- Ai, eu vi! -- olhou para a morena -- E os pepinos do mar? Não dá pra comer aquilo! -- revirou os olhos

 

--Ah, que pena! -- fingiu-se decepcionada -- Eu comprei um monte desses pepinos aí pra viagem! Tô levando uns cinco quilos pra gente comer em casa! -- brincou

 

--Pra VOCÊ comer, sua safada! -- riu e deu outro tapinha na morena

 

--Eu também tava a fim de comer umas outras coisas... Mas não é pepino, não. -- falou mais baixo

 

--Seyyed Khazni, você só pensa naquilo, sabia? -- beliscou amante discretamente

 

--Não belisca meu bumbunzinho! Olha a maldade com a deficiente! -- fez beicinho

 

A bailarina sorriu e balançou a cabeça achando graça.

 

***

 

Seyyed e Isa caíam na cama do hotel aos beijos. Estavam recém saídas do banho.

 

--Adoro minha ruiva assim, -- mordeu o mamilo da amante -- geladinha...

 

--Já não te bastou o que aconteceu no banheiro? Ai... -- gem*u

 

--Não! -- beijou-a novamente

 

--Hum, sai de cima de mim, sua mecânica tarada! -- desvencilhou-se da morena e se sentou olhando para ela -- Eu quero dançar pra você! Tem uma coreografia nova que você não conhece. É sobre a vida no mar.

 

--Tô assistindo! -- sentou-se também

 

Isabela ficou de pé e começou a dançar como se seu corpo se movimentasse ao sabor da maré. Ed foi para a beirada da cama e a ruiva se aproximava e se afastava dela ciclicamente, fingindo-se controlada por uma força exterior. Seus movimentos eram leves e sensuais.

 

--Eu vou pegar essa sereia não demora muito! -- sua voz era cheia de desejo

 

--Eu sei te provocar, não sei? -- espalmou as mãos na parede e ficou de costas para a mecânica, rebol*ndo bem devagar -- Gosta assim? -- perguntou destilando sedução

 

--Preciso responder, deliciosa? -- levantou-se e espalmou as mãos por cima das mãos da ruiva, começando a rebol*r junto com ela -- Você me excita de um jeito como nenhuma mulher sabe fazer! -- sussurrou no ouvido da bailarina

 

--Ai... -- gem*u arrepiada

 

Ed deslizou as mãos pelos braços de Isa até encontrar seus seios e apertá-los com força, sem machucar.

 

--Ah... -- reclinou a cabeça para trás -- Ai, Ed...

 

A morena beijava e mordia pescoço da amante, seguindo com uma das mãos para o sex* dela, onde dedos hábeis encontraram seu lugar.

 

--Gostosa! -- mordia a orelha da bailarina -- Ah! -- gem*u

 

Movimentavam-se juntas, enquanto Seyyed penetrava a parceira com desejo.

 

--Eu quero te beijar! -- a ruiva pediu

 

Ed segurou-a pela cintura e rapidamente a virou de frente para si. -- Você manda! -- beijou-a com paixão ao mesmo tempo que levantou-a para que enroscasse as pernas em sua cintura

 

Esfregavam-se uma na outra, devorando-se em beijos ansiosos.

 

--Quero... você... dentro... de mim... amor! -- pediu entre beijos

 

--Agora... não! -- lambeu os lábios da bailarina e beijou-a novamente

 

A mecânica pegou as duas mãos da amante e ergueu-as sobre a cabeça dela para que se segurasse em uma barra de aço presa na parede.

 

--Segura aqui! -- pediu olhando em seus olhos

 

Isa sorriu mordendo o lábio inferior e fez o que lhe era pedido. Sem que esperasse, Ed seguiu beijando seu corpo, ajoelhou-se e invadiu seu sex* com os lábios, apoiando suas pernas nos próprios ombros.

 

--Ah!!!!! -- gem*u alto -- "Nossa, ela faz cada coisa que me deixa... ai...” -- pensava -- Ai, Ed, eu não tô agüentando mais me segurar...

 

A mecânica deslizou as mãos para seus seios e começou a brincar com seus mamilos.

 

--Ah!!!! Ai, mas assim... ai... -- gemia

 

Em pouco tempo a ruiva chegava ao orgasmo, lutando para se manter segura na barra de aço.

 

--Relaxa, que agora eu te seguro! -- levantou-se e fez com que a mulher mais jovem enroscasse as pernas em sua cintura novamente -- Vamos pra caminha! -- sorriu

 

--Ai, isso foi louco! -- envolveu os braços no pescoço da morena -- Eu pensei que não me agüentaria mais... -- sorriu -- Ou que aquela barra iria se despregar da parede pelo modo como eu a puxava... -- a mecânica deitou a ambas na cama

 

--Não, ela tá bem presa! Fiz umas flexões nela hoje de manhã. -- beijou o queixo da mulher

 

--Pra que será que fixaram ela na parede? Pra fazer flexões? -- perguntou curiosa

 

--Pra tornar minha vida mais fácil! -- beijou o pescoço da bailarina

 

--Hum... -- riu -- Eu não vou tornar sua vida mais fácil! -- inverteu as posições e deitou-se sobre a amante -- Vou bem devagar pra te deixar maluca -- mordeu o mamilo da morena demoradamente

 

--Eita, que essa mulher é minha perdição... -- fechou os olhos e sorriu

 

***

 

Isa e Ed estavam deitadas nos braços uma da outra.

 

--Amor, eu fiquei tão feliz que meu pai ganhou liberdade condicional! Graças a Deus! -- sorria acariciando o braço da morena -- Ele parece que renasceu!

 

--Se foi um cara que aprendeu com o sofrimento na prisão foi teu pai! -- admirava-se -- É outro homem! -- acariciava as costas da ruiva -- Deixei a oficina com ele sem qualquer receio. O trabalho que faz é na maior dedicação!

 

--Ele ficou super orgulhoso com a sua confiança. -- segurou a mão da morena e entrelaçaram os dedos -- E eu, grata!

 

--Não há pelo que me agradecer. Ele fez por onde!

 

Depois de uns segundos a bailarina perguntou: -- E Ricardo, amor? Vai mesmo contratá-lo?

 

--Agora que estou montando a estrutura pra restauro de carros antigos, acho que posso contratá-lo como uma espécie de auxiliar. Tem muita coisa pra fazer e ele pode dar uma força! Aí posso ir treinando ele pra ser mecânico também. Vou precisar de mais pessoal no futuro!

 

--Sei lá... Não confio nele! -- confessou

 

--Alguém tem que dar um voto de confiança pra ele. Mariano, Mariângela, Camille, você, parece que todo mundo julga o cara pelo passado!

 

--E pelo presente, né, Ed? -- retrucou -- Ele voltou querendo abocanhar um patrimônio que não o pertence!

 

--É, mas já caiu na real e o namoro com Lady tem feito bem a ele. -- sorriu -- Às vezes acho que tua cisma também é porque torce por Priscila! -- riu

 

--Não é por isso... Mas, enfim! Você é quem sabe. -- suspirou -- Eu torço mesmo é por Suzana e Juliana, que não se acertam!

 

--A delegada tá magoada com toda razão. Mas vamos ver, Juliana parece que tá voltando a ser a mulher que sempre foi. Eu torço muuuito pelas duas, e confio que o melhor vai acontecer. -- pausou brevemente -- Não sei por quanto tempo Suzana vai resistir àquele charme oriental. -- sorriu -- Mas... -- mudou as posições e deitou-se sobre a ruiva -- o que me importa mesmo agora, sendo bem egoísta, é que Ed e Isa tão bem pra caramba! -- beijou-a

 

--Amém! -- beijou-a mais demoradamente

 

***

 

Mariângela e o irmão conversavam na casa da loura. Estavam sentados no sofá e haviam acabado de tomar um café.

 

--Eu sei que ele é seu filho e meu sobrinho, mas não pude ficar a favor dele! -- a loura dizia -- Ricardo cismou porque cismou que Flávia tinha que pagar pelo serviço mais do que o anteriormente combinado e por conta disso destratou ela na frente de todo mundo! Aí, meu irmão, a casa caiu: Flávia se estressou, discutiu com ele e a coisa lá pegou fogo! -- pausou -- Foi horrível!

 

--Meu Deus, mas que vergonha! -- corou -- E por que ele cismou com isso? Alegava o que pra receber mais? -- perguntou atônito

 

--Ele disse que se sentia explorado demais e que Flávia sabia da luta dele e não dava um help.

 

--Dava um help... -- fez um bico e balançou a cabeça contrariado -- E esse menino fez isso justo agora que Seyyed pensava em contratá-lo como auxiliar! -- deu um soco na perna -- Acho que ela vai mudar de idéia quando souber... -- lamentava -- E quem pode condená-la por isso, não é?

 

--Pois é... Lá na academia de Flávia ele não pisa mais, com toda certeza. Ainda saiu quebrando as coisas...

 

--O que?! -- arregalou os olhos

 

--É. Ele jogou dois halteres contra os espelhos e chutou um banquinho contra a parede. -- suspirou -- Deu prejuízo!

 

--Ah, mas eu vou procurar por Flávia e pagar isso aí, porque é vergonha demais pra minha cara! -- sentia-se envergonhadíssimo -- Como é que eu vou olhar pra ela daqui pra frente?

 

--Eu me ofereci pra pagar mas ela recusou veementemente. Disse que Ricardo não é criança e não cabe a nós o conserto dos erros dele. -- passou a mão nos cabelos -- Eu sei foi que minha cara rachou no meio!

 

--Também pudera, depois de uma vergonha dessas! -- gastou uns segundos em silêncio -- Acho que Clotilde e eu deveríamos ter esperado mais pra ter um filho. Nós casamos muito cedo e logo nos empolgamos... Ela ainda perdeu um bebê antes dele nascer... Aquilo era um aviso pra gente deixar passar mais tempo antes de tentar ter outro filho...

 

--Quando Camille nasceu eu também tinha 20 anos. E quando Seyyed nasceu Olga tinha essa mesma idade! -- argumentou -- Nós três tivemos filho muito jovens e nem por isso Camille e Seyyed saíram fazendo as trapalhadas que Ricardo fez e faz!

 

--A gente não soube criá-lo! Especialmente eu! -- afirmou decepcionado

 

--Não, meu irmão, vocês não fizeram nada errado! -- discordava -- Você e Clotilde não eram pais irresponsáveis ou permissivos demais! A personalidade dele é que é complicada! -- cruzou as pernas -- Ricardo não é um bandido, um marginal ou um homem ruim; ele só é trapalhão e não enxerga que se não tem onde cair morto é por culpa de si mesmo!

 

--Eu rezo pra Virgem orientá-lo e já fiz uma novena pra ver se ele se apruma! -- suspirou -- Também tenho esperança de que Lady consiga mudar a cabeça dele!

 

--Assim desejo! -- pausou -- Eu vou fazer essa novena junto com você! A Virgem há de orientar esse menino do mesmo modo como fez com Camille! -- desejou

 

--Mari, falando em Camille... -- pensava em como introduzir o assunto -- Eu ando preocupado. -- olhou para ela receoso -- Não acha que já era tempo dessa menina arrumar um namorado? Depois de Augusto não houve qualquer outro rapaz...

 

“Por que será que Mariano tá vindo com essa conversa?” -- pensou desconfiada --Depois de Antônio também nunca mais tive homem algum! -- argumentou

 

--Mas é diferente! -- retrucou -- Você foi casada, é mãe e ficou muito marcada pelo que viveu com meu cunhado, mas Camille é uma moça que nunca se casou, não teve filhos... ela não tem a mesma experiência que você!

 

--Eu não pressiono pra que ela arrume namorado! Se quiser arrumar, tá bem e se não quiser, tá bem do mesmo jeito! Além do mais é melhor vê-la solteira e feliz do que se pegando com uma dessas tantas titicas que têm por aí e sofrendo! -- afirmou enfática

 

--Eu sei, mas... -- apoiou os cotovelos sobre as pernas -- Não acha que o entrosamento dela com a tal da Fátima é meio demais? -- olhava para a irmã

 

--Meio demais?! -- fez cara feia -- Mariano, Fátima passa a maior parte do tempo treinando, como é que pode ser entrosada demais com minha filha?

 

“Ela não quer ver a realidade...” -- concluiu -- Tudo bem, Mari. Só acho que Camille e Fátima têm uma atitude juntas que me causa estranheza. É totalmente diferente do que é Camille com Flávia ou Aline!

 

--Está querendo insinuar o que, meu irmão? -- perguntou diretamente -- Que Camille e Fátima namoram?

 

O contador corou e não respondeu.

 

--Se elas são namoradas, isso não me interessa! Camille é minha filha e sempre vai ser! -- seu tom de voz era ríspido -- Tampouco é da sua conta!

 

--Calma! -- pediu -- Eu não... -- balançou a cabeça -- Desculpe, Mari, eu de fato não tenho nada com isso! -- esfregou as mãos -- Vamos mudar de assunto! Não está mais aqui quem falou!

 

--Melhor assim! -- passou a mão nos cabelos contrariada -- "Eu, hein! Ricardo dá desgosto e aí ele vem querendo arrumar idéia com minha filha? Deixa ela em paz! Não tá perturbando ninguém! ” -- pensou chateada

 

--E quanto a você? Nunca mais teve outro homem...

 

--Não me diga que quer insinuar que também sou lésbica? -- perguntou revoltada

 

--Não, calma! -- afirmou enfático -- Eu queria era te perguntar... e quanto a Romeu? -- arriscou dizer -- Se interessa por ele? Ele diz que vocês estão apaixonados!

 

--Como é???????? -- perguntou indignada -- Ô, Mariano, você tá querendo me destruir ou o que? Tanto assunto pra tratar e vem falar logo daquela praga na minha vida? -- perguntou revoltada -- Eu não sou e nunca fui apaixonada por aquele bicho da cor de pão! -- levantou-se -- E acho bom você tomar seu rumo porque daqui a pouco tá na hora de Ricardinho sair do colégio! -- foi abrir a porta para o irmão ir embora

 

“Ô louco, que hoje eu só dei furo...” -- pensou arrependido

 

 

18:00h. 11 de julho de 2010, Grupo Espírita Fény Az Út, Ilha do Governador, Rio de Janeiro

 

O centro estava lotado, contando inclusive com a presença de todos os médiuns da casa, os quais estavam dispostos em um círculo. Suzana, Cléa e mais cinco pessoas encontravam-se sentadas no seu interior.

 

Isabela, Odete, Seyyed, Ricardinho, Renan, Tatiana, Juliana, Ivo, Ana Paula, Mariana, Fátima, Camille, Aline, Pedro, Lúcia, Ivone, Brito, Flávia, Lemos, Jailson, Coimbra, Macumba, Selma, Ruy, Priscila, Lady e Ricardo integravam o contingente de participantes. No plano astral, Khazni, Lourdes, Valadão, Rodolfo, Patrícia, Sabrina, Vitória, Silvio, Joice, Irineu e Antônio, auxiliados por seus respectivos benfeitores, constituíam o grupo de desencarnados que enriquecia a atmosfera de bons fluídos em ligação com os excelsos Missionários da Luz.

 

Priscilinha, Celso e Clara, assim como outras crianças pequenas, encontravam-se na creche do centro, sendo estimuladas a participar da intensa colaboração energética que ora se desenrolava na medida de suas possibilidades de espíritos em nova encarnação na Terra.

 

Mariângela, Mariano, Romeu e Jurema participavam de uma missa, encomendada pelos dois irmãos, em favor da luta contra o mal fortalecido não somente por obras de magia negra, mas pelas mentes em desalinho da população deste planeta. Em Goiânia, Clarice e Cláudio também participavam de um missa pela mesma razão.

 

Simultaneamente, Nilza, Lina e seus jovens especiais participavam de um culto e Jaqueline guiava um grupo de trinta e cinco pessoas em meditação profunda.

 

Após a oração de abertura, Olga coordenou a formação de um intenso e gigantesco campo de força que envolveu os médiuns e protegeu o ambiente físico e astral da casa.

 

Atendendo aos apelos de Suzana, tribos inteiras de indígenas de diversas partes do país apareceram lideradas por seus respectivos representantes, tendo a mãe da delegada como líder de todas elas. Mães e pais velhos, caboclos e a força do espírito do negro brasileiro igualmente se fizeram presentes, invocados pelos centros de umbanda que se encontravam irmanados no mesmo objetivo de combate ao mal.

 

As energias da natureza aglutinaram-se no ambiente e os espíritos guerreiros, utilizando-se também do ectoplasma dos médiuns, partiram em batalha em direção os locais onde o mal se concentrava e estabelecia fortaleza.

 

Grupos imensos de irmãos desencarnados dedicados às causas das trevas foram trazidos para a reunião e mantidos aprisionados em campos de força. As pessoas sob suas influências viram-se libertadas.

 

Enquanto isso, a quilômetros dali, Irina sentia que algo muito poderoso acabava de desmanchar de vez o efeito de suas magias. “O que será isso?” -- pensava amedrontada

 

***

 

--Dona Olga, foi uma emoção inexplicável! Eu me sinto arrasada, mas... -- Suzana falava com empolgação e lágrimas nos olhos -- Ver aquele exército de índios, caboclos, mães e pais velhos, lutando contra as forças do mal e destruindo toda obra de feitiçaria me deixou... -- não tinha palavras -- Meu Deus, eu nem sei como explicar!!

 

--Também não saberia te dizer o que sinto agora! E da mesma forma me sinto cansadíssima! -- secou os olhos úmidos com as costas da mão -- Foi muito importante coordenar nossa sessão com as reuniões de outros grupos religiosos para fortalecer nossas potências criadoras e focar todas as intenções benfazejas em um objetivo comum! Deus é Deus de amor e não um Deus de religião, restrito a essa ou aquela filosofia. Cristo sempre disse que onde estivessem dois ou três reunidos em seu nome, lá estaria ele! -- sorriu

 

--Então vencemos? -- perguntou inocentemente -- As forças do mal foram definitivamente derrotadas?

 

--Ainda não, meu bem, não se engane! Enquanto a Terra não completar sua dolorosa transição para mundo de regeneração, o mal sempre buscará se refazer. -- explicava -- Não demora muito e os espíritos perdidos nas trevas já terão construído outras bases, até porque nós os alimentamos com nosso comportamento voluntarioso e pensamentos desequilibrados. -- pausou -- A notícia boa é que todas as bases espirituais vinculadas aos grupos malignos que Tatiana denunciou, não existem mais. -- olhou para cima -- Graças a Deus!

 

--Dona Olga!!! -- Isabela vinha apressada com o pai, a avó e Seyyed -- E quanto a minha mãe? -- perguntou cheia de esperança

 

--Agora é só uma questão de tempo pra que o tratamento clínico faça efeito e Ana volte ao seu convívio! -- respondeu feliz -- Finalmente ela está livre! Acabou! -- sorriu

 

--AHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! -- Isa gritava e pulava abraçada ao pai e a avó

 

--Valei-me, Deus, valei-me!! -- Odete chorava -- Graças a Deus, louvado seja!!

 

--Obrigado, Senhor!! -- Anselmo exclamou -- Obrigada, Mãe Divina!

 

--Ouviu isso, amor?? -- a ruiva olhava para Ed aos prantos -- Mamãe finalmente vai voltar pra casa!! -- abraçou-a com força

 

--Graças a Deus!! -- estava igualmente emocionada -- Graças a Deus!!

 

Em outro canto do salão, Juliana prestava atenção em Suzana conversando com Seyyed, Isa e a família da ruiva.

 

--Juliana! -- Selma despertou-a de seu transe -- Adorei essa reunião de estudos, muito boa! -- sorriu

 

--Também gostei! -- Ruy concordava

 

--A sessão de hoje foi muito especial. -- continuava olhando para a delegada -- Muita coisa foi feita aqui, vocês não têm idéia!

 

--Nós também não tínhamos idéia de que você ficou ontem o dia todo no asilo desse centro cuidando dos velhinhos e fazendo curativos! -- Selma comentou um tanto chateada -- E parece que não foi a primeira vez!

 

--Humpf! -- fez um bico e cruzou os braços -- E o que os dois têm a ver com isso, hein? Agora tenho que dar satisfação da minha agenda pros graciosos, por acaso? -- perguntou desaforada

 

--Não é isso, mas a gente podia ter pego umas imagens dessa tua atuação caridosa e usar na campanha! -- Ruy explicava -- Afinal de contas desde que saiu aquela nota no jornal, a oposição tem te marretado com duras críticas!

 

--Ai, não, gente, eu não vou entrar nesse jogo! -- respondeu indignada -- Se a população esquecer de tudo o que eu fiz nesses quatro anos por causa de uma nota de jornal extremamente maldosa, então que se dane! -- olhava para os dois -- Mas fazer propaganda em cima do meu trabalho aqui, isso nunca! -- afastou-se de cara feia

 

--Ô, mulher difícil! -- Selma suspirou

 

Lady, Ricardo, Tatiana, Renan e Priscila conversavam com Olga. Ricardinho permanecia ao lado da mãe como um pequeno guarda costas.

 

--Dona Olga, nossa, minha sogra, que coisa poderosa! -- Lady segurou o braço dela -- Vi cada coisa inenarrável! -- exclamou enfática -- Eu sou sensitiva, né? Não sei se a senhora sabe... -- olhava para a outra

 

Olga achou graça e Ricardo ficou impressionado.

 

--Sensitiva desde quando, Lady? -- Priscila perguntou descrente

 

Lady ignorou a pergunta. -- O que eu vi aqui foi um poder que me deixou até besta! Esse centro da senhora tem mais energia que o castelo de Greyskull! -- gesticulava -- Durante a reunião eu fiquei só abrindo a boca, abrindo a boca, abrindo a boca e uns arrepios pelo corpo, tinha que ver! -- gesticulava

 

--Que tem a ver isso de abrir a boca, fi? -- Tatiana perguntou sem entender

 

--Ih, mas você não sabe nada de espiritismo, hein? -- recriminou -- Os espíritos do mal quando querem possuir a gente entram pela boca!! -- exclamou enfática -- Eu tava pra ser possuída mas lutei bravamente!

 

--É verdade, mãe? -- Ricardinho perguntou aos cochichos. Olga só ria discretamente

 

--Ainda bem que é pela boca! Já pensou se fosse por outro canto? -- Renana cochichou com a esposa e os dois riram

 

--Você tava era bocejando de sono, porque foi dormir tarde da noite ontem! -- Priscila retrucou

 

--Que nada, gente! -- protestou -- Tanto que quando eu ordenei que eles fossem embora, eles me obedeceram! Desafiei o mal e venci! -- bateu no peito

 

--Really?? Nossa, eu fico até arrepiado! -- Ricardo exclamou com os olhos arregalados

 

“Ô, homenzinho trouxa!” -- a dentista pensou fazendo um bico

 

--Dona Olga, minha sogra, eu virei pra eles e mentalizei assim: “Sai da minha aba, sai pra lá! Sem essa de não poder me ver! Sai da minha aba, sai pra lá! Não aturo mais você! Ai, saravá, meu Pai!” -- deu um tapinha no braço da outra -- E num instante acabou aquele assédio do mal! -- Olga novamente riu

 

--Mas isso aí não é letra de pagode? -- Renan perguntou intrigado

 

--Palavras sábias, meu cunhado, aprende comigo! -- Lady respondeu crente que abafava

 

--Isso funciona mesmo, mãe? -- o menino cochichou novamente

 

--Não é bem assim, querido! -- respondeu em voz baixa

 

--Mas e aí, Suzana? -- Ed perguntava discretamente a amiga -- E como vai a vida ao lado de Juliana? Continua resistindo bravamente? -- deu um tapinha no braço dela

 

--Ô, Ed, isso é conversa pra se ter no centro? -- ralhou de cara feia -- Olha o respeito! -- deu um tapa no ombro da morena

 

--Ai! -- esfregou o ombro dolorido -- Mas eu perguntei no respeito! -- protestou -- Eu torço pelas duas, só queria saber se você resolveu dar uma chance pra japonesa ou não!

 

--Eu não aceito traição e quando digo que acabou, acabou! -- respondeu decidida -- É muito fácil culpar Irina e suas magias! Juliana não é totalmente inocente, ela deu margem pra que acontecesse o que aconteceu! Ela não quis conversar comigo na época certa, por mais que eu tentasse! -- relembrou magoada -- Eu tô cuidando da segurança dela porque não quero que nada de mal aconteça, mas tão logo Irina seja presa, eu volto pro meu canto de novo!

 

--E não me diga que você não sente mais nada por ela? -- perguntou descrente -- Duvido que não goste mais dela e que não sinta mais atração pela tua japinha!

 

--É claro que eu gosto e é óbvio que ela ainda mexe comigo, mas isso vai passar! -- respondeu secamente

 

--Suzana, escuta uma coisa: -- Ed olhava nos olhos da outra -- você acabou de participar de uma coisa linda e muito intensa. Não deveria estar com essa dureza toda no coração! -- segurou uma das mãos da delegada -- E em um relacionamento, traição não é só fazer sex* com outra pessoa ou quase fazer. Há várias formas de magoar alguém que a gente ama e você não é de todo inocente!

 

--O que quer dizer? -- soltou a mão da mecânica

 

--Quando você sumiu sem dar satisfações e foi pra Roraima, Juliana ficou arrasada! -- lembrava -- E você voltou do nada e a pediu em casamento; ela te disse sim e sem pestanejar!

 

--É diferente! -- retrucou

 

--Só porque não dormiu com alguém? -- balançou a cabeça discordando -- Você traiu a confiança dela quando sumiu sem dizer pra onde ia e se voltaria. -- pausou -- Se pensar bem, verá que vacilou com ela mais de uma vez e foi perdoada!

 

Suzana ficou calada.

 

--Não seja tão radical! -- aconselhou -- Ela não saiu por aí pra viver uma aventura! Não ficou na farra com Irina te sacaneando. Juliana apenas foi incauta e vacilou, mas voltou atrás a tempo! -- deu mais um tapinha no braço da amiga -- Pense nisso, porque a gente nunca sabe até quando as pessoas estarão do nosso lado! Depois não vale ficar chorando arrependida!

 

A delegada olhou para a japonesa, que conversava com o irmão, a cunhada e a sobrinha. “Mas é tão difícil perdoar isso...” -- pensava magoada -- "Só de pensar que ela beijou outra pessoa...”

 

Fim do capítulo

Notas finais:

 

Músicas do Capítulo:

[a] Um Ano Sem Você. Intérpretes: Anna Paula Almeida & Tatiana Maranhão. Compositores: José Augusto / Paulo Sérgio Valle. In: Paquitas. Intérpretes: Anna Paula Almeida & Tatiana Maranhão. RGE & Xuxa Discos, 1989. 1 disco vinil, lado A, faixa 5 (4min44)

 

Diálogo Lady e Jaqueline:

Tão Só. Intérprete: Só Pra Contrariar (SPC). Compositores: Carlos Colla / Chico Roque

 

Diálogo Lady e Ricardo:

O Pobre. Intérprete: Leo Jaime. Compositores: Herbert Vianna / Leo Jaime;

Ainda Gosto Dela. Intérprete: Skank ft Negra Li. Compositores: Nando Reis / Samuel Rosa;

I’m Glad You Came. Intérprete: The Wanted. Compositores: Ed Drewett / Steve Mac / Wayne Hector;

Tudo Bem. Intérprete: Lulu Santos. Compositores: Lulu Santos / Patty Schemel

 

Lady no Centro Espírita:

Sai da Minha Aba. Intérprete: Só Pra Contrariar. Compositor: Alexandre Pires / Lourenço Olegário dos Santos Filho

 


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Comentários para 34 - Sexta Temporada - FELICIDADE V:
PaudaFome
PaudaFome

Em: 12/05/2024

Você é ótima pra construir mistérios essa da Irina me pegou de surpresa adorei a união de todas as religiões contra o mal! Torcendo por Su e Ju. Também amo Fátima se Camille não quiser me dá 


Solitudine

Solitudine Em: 20/05/2024 Autora da história
Olá querida!

Obrigada por gostar dos meus mistérios!

Vamos ver se nosso casal vai se reencontrar.

Deixa Camille saber disso!!! kkk
Beijos,
Sol


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Samirao
Samirao

Em: 01/04/2024

E vamos que vamos?


Solitudine

Solitudine Em: 02/04/2024 Autora da história
Para onde não sei, mas simbora! rs

Beijos,
Sol


Responder

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Samirao
Samirao

Em: 07/10/2023

Fala aqui no ouvidinho habibem

Isa, Jamila, Mariah, Elza... ce nunca vai esquecer de nós né? 


Solitudine

Solitudine Em: 11/11/2023 Autora da história
Este veio repetido... Ai, que daqui a uns dias apagam. Esse é o único ponto desse site que eu não gosto!


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Samirao
Samirao

Em: 07/10/2023

Fala aqui no ouvidinho habibem

Isa, Jamila, Mariah, Elza... ce nunca vai esquecer de nós né? 


Solitudine

Solitudine Em: 11/11/2023 Autora da história
Laa!!


Responder

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Femines666
Femines666

Em: 14/03/2023

Gente eu fico excitada! Juliana pedindo conselho pra Isa, Fátima jantando a Letícia, eu adoro a nadadora, e a salvação da Ana ao final. Essa tua parte espiritual é linda e une Kardec a umbanda, é lindo!!!

Nunca comentei tudo gostaria porque fico maluquinha e sou ansiosa!


Resposta do autor:

kkkkk Que bom que você fique assim! Adoro ler isso!

Neste conto e no Tao trabalhei para desmitificar o preconceito em torno da Umbanda. Pálida contribuição, mas uma tentativa.

Beijos.

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 15/09/2022

Mamãe é phoda (erudita de novo) e Lady me vem zorrar no assunto sério hehe Porra delegada perdoar vai?


Resposta do autor:

Essa sua erudição me mata! kkkk

Será que a delegada perdoa? 

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 15/09/2022

Esqueci de dizer que Lady só pega homem bosta vou te contar!  Ju pedindo conselhos pra minha delícia ruiva, uia! Lila salvou as gaúchas finalmentchê! Hehe Pegou sua mulher de volta, aeee hehe Pow Letícia perdeu as chances de ficar calada né? PQP Minha ruiva resolveu a vida de todo mundo, isso é que é mulher! Enquanto isso Suzana imvestiga e a Ju é só fazendo merda! 

Dançando em Singapura? Tu conhece o mundo!! E do rala e rola também hahaha 


Resposta do autor:

Lady é desesperada para casar e quem se coloca nessa posição, tende a só arrumar uns trem meio doido. Pelo menos, é o que vejo do lado de cá! rs

Veja como a vida é: Juliana pedindo conselhos para Isabela!

A caipira também tem seus momentos de glória, uai! rs

Letícia deixou o conhecimento fazê-la soberba, em determinadas cirscunstâncias. Mas Fátima tem sabedoria e isso a Academia não ensina.

Isabela é um mulherão, concordo!

Eu conheço o mundo? Só um tantinho dele. E de rala e rola, bem... não me comprometa! rs

Beijos,

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 26/04/2020

Olá Sol!!

 

Adorei a ideia de ir para Netflix, já tem em mente alguma atriz?

Pensei em Nathalia Dill para fazer a Seyyed, Marina Ruy Barbosa pode ser a Isa, Daniele Suzuky faz a Juliana, Dira Paes pode  fazer a Suzana, Tatá Werneck a Lady, Bruna Linzmeyer faz a Camille, Erika Januza a Letícia, a Fatima pode ser feita pela Chandelly Bia Arantes pode interpretar a Jaqueline, Anaju Dorigon pode fazer a Sabrina, Nanda Costa pode fazer a Priscila e Andreia Horta faz a Patrícia. Olha que elenco!!

Importante, não escalei, baseado na ilustração.

 

Gostou, aprova? Kkkkk... Manda aí suas preferências.

 

Beijos


Resposta do autor:

Olá Gabinha!!

Esse trem de conto em Netflix é ideia de Samira. Confesso que seria legal ver, tipo a mãe vendo a cria fazendo sucesso, mas não gasto tempo pensando.

Dessas atrizes que você falou só conheço Tatá e Dira. Mas lembre-se: Lady tem seios grandes.

Eu não tenho preferências, pois como te disse não penso nisso.

Beijos,

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 26/04/2020

Adoro essas músicas que todo mundo curte , mas não admite.

Dá pra lançar um cd só com as músicas da Lady e outro com a trilha sonora da história, seria um sucesso!

 

Beijos


Resposta do autor:

Eita, que ela está empolgada com ideias que nem Samira! kkkk

Mas ela está um passo adiante: que Maya na Netflix! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Beijos.

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 25/04/2020

Solzinha!

 

Juliana falando de lacraia e periquita fazendo sinfonia foi de lascar...KKkkkkk....

A verdade é que Juliana se deslumbrou com o poder e esqueceu sua verdadeira essência  e precisou correr atrás para consertar o estrago que fez.

 

 

Solitudine sendo atacada, que poder dessa mulher hein?

“ Eu sou de uma fraqueza de fazer vergonha! -- sentiu um frio na barriga -- Um verdadeiro fiasco!” Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.... Não se deprecie mulher!

Ow que fofo a reconciliação de Samira  com a caipira... Ai ai ...

 

Solzinha! Lady se superou... Música das paquitas, adoro! Nem tem conto, tenho o disco elas até hoje... Kkkkkkkk....

 

A evolução da Jaqueline foi pela dor, mas ao menos ela soube aproveitar esse aprendizado.

 

Ricardo realmente mostrou a cara, mau caráter , egoísta e por aí vai!

 

Letícia se rebaixou , humilhou e foi humilhada por conta do orgulho ferido, e o que ela ganhou com isso? Foi deprimente.

Fátima divou!  “quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio."35 -- pausou -- Vejo que não compartilhamos da mesma filosofia! “

 

Só Suzaninha para salvar a Juliana das garras da mocréia, felizmente ela vai contar com ajuda preciosa de muitas pessoas queridas.          

 

Mariano tem umas conversas que tá louco!

 

Lady ... Lady é cada música que ela canta! Kkkkkk....

 

 

Beijossss


Resposta do autor:

Gabinha!

Isso, você disse tudo em relação à Juliana. Mas ela se encontra.

"Solitudine sendo atacada, que poder dessa mulher hein?" - a caipira da história não sei que poder tem. Esta que vos escreve, nenhum! kkkk

Mas foi você que me pediu essa paquitaria. Assim como a música de "Susha" mais adiante. kkkkk

Letícia estava mal acostumada. Sucesso no trabalho, fazendo com as mulheres o que bem queria. Camille disse não sem voltar atrás. Ela queria descontar em Fátima o azedume que ficou. Só que Fátima não é qualquer marmota! rs

Suzana não desiste!     

"Mariano tem umas conversas que tá louco" Não é?

E Lady é Lady; não tem jeito.

Beijos,

Sol

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Gagia
Gagia

Em: 05/02/2018

O tempo todo nos ensinas que o amor salva e liberta. Noto que acreditas nisso como alguém que já viveu ou vive a salvação do amor. Amor de Deus, amor de família, amor de amigas, amor de amantes. Foste salva por todos eles? Ou por qual deles? Tuas personagens vivem esse amor salvação e isso arrebata.

Fizeste-me voltar o olhar ao Alto. Devo te agradecer por isso.


Resposta do autor:

Sem dúvidas, o Amor me salvou de várias mortes: do corpo e da alma!

Responder

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