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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

Ver comentários: 11

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Palavras: 13111
Acessos: 10778   |  Postado em: 31/12/2017

Quinta Temporada - LIBERDADE VII

Tempos depois...

 

17:05h. 23 de julho de 2007, Esplanada dos Ministérios, Brasília, DF

 

Juliana saía do trabalho acompanhada por Suzana quando um verdadeiro enxame de repórteres corre em sua direção.

 

--Deputada, deputada!! -- um deles chama -- Por favor, uma entrevista!!

 

--Deputada Juliana, por favor, um minutinho de atenção -- uma repórter solicita

 

--Deputada, deputada!! -- eles insistem

 

--O que desejam? -- a japonesa interrompeu sua trajetória para perguntar

 

A delegada parou atrás dela com cara de má.

 

--A senhora poderia falar um pouquinho sobre seus polêmicos projetos de lei? -- um jovem pergunta

 

--Polêmicos não, meu querido, necessários! -- respondeu convicta -- Meu projeto que prevê a redução de nosso salário -- colocou a mão sobre o peito -- é importantíssimo! O recurso que nos sobrará proveniente dessa medida poderá ser empregado em outros setores da sociedade!

 

--Mas a proposta tem despertado reações apaixonadas. Há quem diga que a senhora propõe um corte burro e demagogo!

 

--Êpa, olha lá o que fala!!!! -- revoltou-se -- Burro nada! Eu me baseei no modelo sueco pra lançar minha proposta, minha filha! Tá pensando o que? Juliana Okinawa Mitsui estuda antes de apresentar alguma coisa, não é bagunça, não! E não há demagogia no meu trabalho! Eu apenas mostro às pessoas o que elas podem fazer pra que seus interesses sejam contemplados aqui em Brasília! -- olhou para as câmeras -- Aliás, meu blog explica tudo o que você sempre quis saber sobre política e nunca teve a quem perguntar!!

 

--E os outros projetos, deputada? A senhora é redatora de vários outros projetos que estão na boca do povo! Por que tantos projetos?

 

--Eu trabalho, rapaz! -- respondeu enfática -- Tem muita coisa pra ser feita e eu tô tentando fazer a minha parte! -- olhou para as câmeras -- Veja o caso dos velhinhos, por exemplo! Nós temos que proteger o idoso do desrespeito e da exploração familiar! Hoje em dia qualquer um pode internar um idoso num asilo e fica por isso mesmo! O que eu proponho, antes de mais nada, é uma CPI dos Asilos e Casas de Repouso, porque tem cada tranqueira por aí que eu fico até besta! -- gesticulava -- E pra internar alguém aos cuidados de terceiros a família vai ter que provar que isso é realmente necessário, porque o que mais eu vi na minha vida foi gente despachando seus velhinhos, simplesmente pra não esquentar cabeça e usufruir do dinheiro de alguém que trabalhou muito duro! Isso tem que acabar! -- justificava -- E o projeto de apoio à terceira idade contempla também outros aspectos que dizem respeito ao bem estar social dessa camada da população! -- pausou -- Também estou batalhando por uma CPI dos Planos de Saúde! Que negócio é esse de cobrar tanto do beneficiado e pagar uma miséria aos profissionais e aos hospitais? Que negócio é esse de usufruir da rede pública de saúde? Ah, não! -- balançava a cabeça contrariada -- A coisa tem que ser feita como se deve! E também batalho por uma revisão do plano de cargos e salários dos profissionais de saúde do sistema público! Não pode uma pessoa ter que ficar trabalhando em um monte de lugares pra no final do mês ganhar uma migalha! Aí não, minha gente! Aí não!

 

--Parece que a senhora está se envolvendo até mesmo com a questão do lixo hospitalar!

 

--Estamos propondo uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, contemplando todo tipo de lixo, inclusive os rejeitos hospitalares e radioativos! E isso não veio à revelia, não! Conto com o apoio de especialistas, vocês pensam o que? -- esclarecia -- E acabar com essa coisa do Brasil receber lixo de outros países! Isso aqui não é bagunça, não! Eles que vão exportar lixo pro inferno!

 

--Suas propostas versam sobre variados assuntos, deputada!

 

--Eu trabalho, meu filho, vocês não tão notando, não? E sou muito da bem assistida! -- gesticulava -- E vou lançar uma proposta de projeto pra discutir os rumos do ensino fundamental e de nível médio nesse país, que anda uma vergonha, e contemplar a situação dos educadores, que daqui a pouco tão circulando nas ruas com um pires na mão pra pedir esmola! -- olhava para os repórteres -- Tem muita gente torcendo pra que o ensino público e a saúde pública vão pro buraco, porque isso é uma forma indireta de privatizar! Mas eu tô de olho e vamos lutar pra que isso não aconteça! A população tem direito, porque paga MUITO imposto, de contar com bons hospitais e boas escolas PÚBLICAS e de QUALIDADE!! -- continuava -- E vamos discutir a questão das reservas indígenas, controlando muito bem o acesso desses gringos que vem pra cá com essa conversa de ONG! Que tanta ONG é essa perdida no meio do mato? -- questionava -- Vamos também lutar pra revisar o plano de manejo dos nossos parques nacionais! Aqui no Brasil o povo pensa que proteger a natureza é proibir a visitação dos parques e isso é um absurdo!! -- gesticulava -- Nesses meus quatro anos de mandato a cobra vai fumar, anotem aí!

 

Os repórteres iam ao delírio.

 

--A senhora também tem mostrado uma persistente atuação pra que a CPI das Drogas não termine em pizza!

 

--E não vai terminar mesmo! -- gesticulou com fúria -- Ah, minha filha, nem que eu seja presa, mas terminar em pizza é que não vai! -- deu um soco na mão -- Todos os que tiveram envolvimento comprovado naquele esquema vicioso devem ser punidos com rigor! -- olhou novamente para as câmeras -- E vou lutar pela revisão do Código Penal porque a questão dos chamados semi imputáveis merece ser vista com mais cuidado! Nesse ano mesmo tem um psicopata prestes a ganhar liberdade! E como fica, hein? Vamos esperar ele matar mais alguém pra que seja preso de novo? -- perguntou

 

--A senhora se refere a Lucas Damaso, deputada?

 

--Ele mesmo! Ouçam o que eu estou dizendo! Vão soltar esse homem e ele vai buscar retornar ao esquema de antes! Agora que minha Suzana, -- apontou para a morena, que fez posição de sentido -- não é mais delegada na ativa quero só ver isso aí!

 

--E os direitos dos homossexuais, deputada? A senhora também tem se empenhado para a aprovação do casamento homossexual

 

--Se tenho!! Pode chamar de casamento, associação ou pacto civil, não importa! Nós lutamos pra que os casais homossexuais em relação estável tenham essa relação oficialmente reconhecida, se assim desejarem, e que gozem de direitos civis como o direito à adoção, à pensão, ao divórcio... E quando for aprovado, porque vai ser, se Deus quiser, nós seremos das primeiras a nos casar! -- respondeu convicta. Suzana balançou a cabeça concordando

 

--A senhora não acha que a adoção de menores por parte de casais homossexuais é uma questão um tanto delicada?

 

--Delicada é a situação de uma criança que vive largada em um orfanato sem ninguém pra lhe dar amor e carinho, isso é que é situação delicada! Eu diria mais: situação infeliz! -- gesticulava -- Esse povo que foi criado por mãe e pai é que vem com essa conversa fiada! Pergunta pro órfão se ele gosta de viver no orfanato? Vocês não sabem o que é viver sem ser prioridade de ninguém! Vocês não sabem! -- olhou para as câmeras -- O artigo 1622 do novo Código Civil afirma que “ninguém pode ser adotado por duas pessoas, salvo se forem marido e mulher ou viverem em união estável.” 9 -- explicava -- Se um relacionamento homoafetivo for reconhecido como união estável, não há impedimento jurídico pra adoção de um menor por parte de um casal homossexual. E anotem aí: a gente quer adotar uma criança e vai adotar, se Deus quiser! -- olhou para a delegada que balançou a cabeça

 

--Esse aspecto de suas reivindicações tem lhe custado o apoio precioso de certos grupos no Congresso e no seio da população!

 

--O que é uma pena, pois as pessoas confundem as coisas e esquecem que o Brasil deveria ser um Estado Laico! -- respondeu de imediato – Isso também nos remete a outro ponto muito importante: a criminalização da homofobia! Nossa luta pra que isso aconteça não vai parar! -- olhava para os repórteres -- Que a pessoa não concorde, não aprove o meu jeito de viver, é um direito dela, mas não faz parte desse direito vir me agredir ou matar! A gente -- apontou para si mesma e para Suzana -- não gosta de pagode e nem por isso nós saímos por aí agredindo ou matando os pagodeiros! Já pensou se todo mundo decidisse bater ou matar aqueles de quem não gosta ou discorda? Seria o fim, né, gente?

 

--A luta contra a homofobia desperta discussões apaixonadas!

 

--Por puro preconceito e intolerância! Mas nem tudo está perdido e eu também sei que conto com o apoio de outros grupos muito fortes, compostos não exclusivamente por homossexuais! Há muita gente esclarecida e consciente nesse país! -- pausou -- Agora com licença! Hoje foi um dia cheio e eu quero um descanso! -- voltou a caminhar seguida pela delegada

 

--E essa foi a deputada Juliana Okinawa Mitsui, -- uma repórter anunciava -- a qual em menos de um ano empossada já se tornou uma das figuras mais conhecidas do Congresso Nacional!

 

--Viu, mãe?? Viu, pai?? -- Mariana exclamou orgulhosa -- Minha tia fez bonito na televisão! -- olhou para Ivo e Ana Paula -- Quando eu crescer quero ser igual a ela!!

 

“Tomara!” -- Ivo pensou -- "Tomara!”

 

--Caraca, pai, viu só? -- Lúcio olhava sorridente para Henrique -- Minha tia é demais!!

 

--É... -- o homem mais velho balançou a cabeça -- Ela é especial... sempre foi. Nós é que tivemos dificuldade em ver isso no passado, mas não será assim com você. Eu lhe prometo!

 

Lúcio abraçou o pai.

 

--Você foi muito burro, viu, Guilherme? -- o dono do bar falava para o japonês -- Rompeu relações com tua irmã, nunca deixou que teus filhos tivessem grandes contatos com ela e olha aí! -- apontou para a TV -- A mulher virou personalidade! E o que é melhor: -- olhou bem para o outro -- cheia do dinheiro!

 

--Juliana é muito complicada! -- respondeu contrariado -- Mulher já é complicada; sapatão é complicada ao quadrado!

 

--Pois é! Complicada ou não, ela tem dinheiro e podia lhe ajudar! -- deu um soco na mesa -- O senhor me deve seiscentos e vinte e cinco reais e dez centavos! Quero ver pagar!

 

“Que dureza...” -- pensou com preocupação

 

***

 

Lady dormia. O período estava se encerrando e ela sabia que faltava pouco para se formar. A colação de grau estava marcada para meados de agosto e a jovem mãe andava nervosa por conta disso. Nem podia acreditar que finalmente estava prestes a se tornar uma engenheira de verdade.

 

E um sonho curioso mexia com seu subconsciente...

 

“Lady rodopiava em lugar desconhecido. -- Oh, meu Pai, where am I? -- olhava para todos os lados e só via água -- Ih! -- parou -- Estou em um navio! -- constatou surpresa -- Será o Titanic? -- perguntava-se

 

De repente olhou para si mesma e viu que usava uma saia rodada de cor escura, blusa branca e casaco. Pôs as mãos sobre os lábios. -- Meu Deus, sou Lady Winslet!

 

Olhou em direção a proa da embarcação e avistou Priscila contemplando a paisagem. A morena vestia uma calça comprida preta, casaco da mesma cor e botas de cano longo; admirava o mar.

 

Voltou a rodopiar ensandecida. -- Priscila diCaprio! -- chamou pela amiga -- O capitão disse que você deveria...

 

--Sssshh. -- a morena virou-se de frente para ela e pediu silêncio -- Venha aqui! -- chamou sorrindo

 

Lady obedeceu. Priscila pôs as mãos em sua cintura e falou como se fosse beijá-la. -- Feche os olhos!

 

“É hoje que esse amor acontece!” -- pensou e obedeceu

 

Priscila posicionou Lady de frente para o navio e ficou em pé atrás dela. Então pegou as mãos da amiga e fez com que abrisse os braços como se fosse voar.

 

--Okay. Abra os olhos. -- pediu com gentileza

 

--Estou voando! -- sorriu embevecida

 

“Every night in my dreams I see you, I feel you,
That is how I know you go on…”

 

--Ai, amiga, ouça nossa canção! -- falou emocionada -- Eu sempre achei essa cena aqui a coisa mais forte do cinema! Ô coisa antológica, viu? -- o vento bagunçava seus cabelos -- Nossa, que coisa descabelada!

 

--Isso não é cinema, Lady Winslet! -- sussurrou no ouvido na outra -- Isso é muito amor! -- a dentista respondeu com raça

 

“Far across the distance and spaces between us,

You have come to show you go on…”

My Heart Will Go On – Celine Dion [a]

 

--Nossa, que coisa molhada! -- sentiu uma excitação crescente a lhe tomar o corpo

 

--Molhada ou seca, é chegada a hora! -- Priscila virou-a bruscamente de frente para si. Fazia um olhar sedutor

 

--Tá na hora, amiga... Kiss me now! -- fazia um bico para beijá-la”

 

--Ô, Lady, que negócio é esse? -- a morena protestou quando a outra caía para cima dela com um bico beijoqueiro -- Tá maluca, é? -- fez cara feia

 

--Ué? -- percebeu que a música parou e arregalou os olhos -- Não estamos no Titanic singrando o oceano? -- olhava para todos os lados -- Como foi que a gente já chegou tão rápido?

 

--Que Titanic, mulher! Isso aqui é a barca Rio-Niterói! -- Priscila respondeu impaciente -- E se prepara que já chegou a Praça XV!

 

--Alegria de pobre dura pouco, viu? -- fez cara de decepção

 

--Você caiu no sono durante essa rápida viagem, babou, resmungou umas coisas e veio caindo pra cima de mim com um bico de dar medo! -- reclamou -- Parece doida, eu, hein?

 

“Meu Deus! Esses sonhos me deixam louca!” -- pensou constrangida -- "E ainda fiquei toda molhada!” -- constatou -- Ai, amiga, desculpa! -- pediu no momento em que se levantaram -- É muito estresse na minha cabeça! -- caminhavam para descer da barca – Formatura, colação de grau... tô nervosa como nem sei dizer!

 

--Tá, eu sei. -- olhou para ela -- Graças a Deus você está prestes a se tornar uma engenheira formada! Agora que pegamos seus documentos na casa de sua prima, vê se não enrola pra dar entrada no diploma, CREA e essas coisas todas quando for a hora!

 

--Que situação, né? Mamãe deixar meus documentos na casa de uma prima que eu mal conhecia só porque não posso ir pra casa! -- falou chateada -- Tudo isso por ser mãe solteira...

 

--Seus pais um dia vão se arrepender por isso e voltar atrás! Pode ter certeza! O tempo passou e eles não podem viver no século XIX eternamente! -- foram andando pela Praça XV -- Agora vamos pegar meu carro logo e voltar pra casa! Não confio em Lila tomando conta de nossa menina!

 

--Nem eu! Vai que ela ensina Priscilinha a ser picareta?

 

--Ontem eu escutei a garota fazendo ‘aum’. Fez pouco mas fez! É assim que começa!

 

--E Lila até hoje não arrumou emprego, né?

 

--E ela procura? Aliás, acho que deve ganhar mais dinheiro com aquele papo místico do que se trabalhasse de verdade! -- fez um bico -- É o fim do mundo! -- destravou o carro -- Vamos embora! -- as duas entraram

 

--Pri, eu queria te agradecer por ter ido pra Niterói comigo! Nunca tinha ido lá e teria me perdido se não fosse por você! -- sorriu olhando para a outra

 

--Não precisa agradecer! Somos uma família, lembra? -- piscou para ela e ligou o carro -- Aliás, falando em família, a gente tem que conversar sobre alguns aspectos da criação da menina!

 

--Quais? -- perguntou curiosa

 

--Não pode fazer todas as vontades dela, Lady! -- ganhou a rua -- Priscilinha é esperta e ela já percebeu que basta dar uma choradinha pra você fazer tudo que ela quer! Criança tem que ter carinho e atenção, mas também tem que dar limites! Do jeito que vai não dá!

 

--Ah, Pri, mas eu tenho pena! E a bichinha já teve tantos problemas! -- justificava -- Problemas de rim, de sangue... Nasceu com lábio leporino, operou... Coitadinha!

 

--Não por isso a gente vai fazer todas as vontades da criança! -- argumentava -- E ela tem gênio forte! Se não dermos disciplina, daqui a pouco quem manda na casa é ela!

 

--Tá bom... eu vou ser mais rígida!

 

--E ela é danada de vaidosa! Só tem um ano e meio de vida e já fica doida pra mexer na minha maquiagem! -- a morena riu -- A importada de Paris, diga-se de passagem!

 

Lady riu também.

 

O celular da morena toca. -- Ih, o telefone! -- Lady falou

 

--Atende pra mim, por favor?

 

--Tá! -- pegou o celular -- Alô? -- pausou -- Marquinhos?! -- olhou desconfiada para Priscila, que balançou a cabeça -- Eu sou Lady Dy da Silva! Não sou dona do celular, mas a dona dele me pertence! -- respondeu de cara feia

 

--Como é que é? -- a dentista perguntou espantada

 

--Ele quer saber se a festa de amanhã está de pé! -- olhou para a outra novamente

 

--Confirmadíssima!

 

--Ela disse que sim! -- respondeu desanimada -- E espero que só isso fique de pé, viu? -- advertiu

 

--Ô, menina! -- a morena riu

 

--Tá. Tchau! -- desligou contrariada -- Priscila, posso saber quem é esse? -- perguntou ciumenta

 

--Um colega de trabalho.

 

--Colega? -- perguntou descrente -- Você não me disse que sairia amanhã! E com um colega...

 

--Ah, é que é tanta coisa que eu esqueci! -- respondeu naturalmente -- E na verdade seremos vários colegas.

 

--Sei... -- cruzou os braços revoltada

 

***

 

Priscila estava toda produzida segurando sua pequena no colo. -- Fica bonitinha com a mamãe, tá, minha lindinha? -- deu um beijo na mãozinha dela -- Tá?

 

--Tatatata... -- a menina respondia

 

--Tatata, minha fofinha? -- sorria -- Coisa lindinha de mãe, lindinha de mãe! -- brincava com ela

 

--Mas, bá, que produção é essa, guria? -- Lila chega da rua e pergunta curiosa

 

--Vou pra uma festa. -- respondeu naturalmente

 

Lady vinha do banheiro. Havia acabado de tomar banho. -- Nossa, que coisa produzida! -- exclamou -- Tudo isso é pra tal da festa, é? -- perguntou de cara feia -- Me dá? -- abriu os braços e pediu a menina

 

--Vai com a mamãe, minha lindinha! -- beijou a mãozinha da bebê novamente e a entregou a Lady -- Não se pode fazer feio em festa, né? -- olhou para o relógio -- Hora de ir! Vou no banheiro e depois embora! -- saiu da sala

 

-- Que festa é essa? -- Lila perguntou em voz mais baixa olhando para Lady

 

--Eu te disse ontem! -- Lady respondeu com a filha nos braços -- Desconfio que Priscila está prestes a me trair com um tal de Marquinhos!

 

--Que relacionamento liberal, daí! -- cruzou os braços revoltada -- Tu vais deixar tua marida sair toda livre e toda solta, assim desse jeito?

 

--Eu não sei o que fazer! -- respondeu agoniada

 

--Toma uma atitude de mulher, guria! Até quando vai te comportar como se fosses uma piazinha inexperiente?

 

A dentista voltou para a sala andando rapidamente. -- Pessoas, fui! -- preparou-se para sair

 

--Priscila Toledo Galvão! -- Lady falou desaforada -- Nós precisamos ter uma conversa muito séria de mulher pra mulher!

 

--É isso aí! -- Lila deu força

 

--Eu, hein, gente? -- olhou para as duas -- E logo agora? Eu já tô em cima da hora!

 

--E é por isso mesmo que a gente tem que conversar: você, Marquinhos, essa festa e a pouca vergonha que tá pra acontecer essa noite! Hora de dar satisfações! -- estava decidida

 

--Que papo é esse, Lady? -- a morena fez cara feia -- Não tô te entendendo!

 

--Pois vai entender muito bem! -- respondeu com atitude -- Eu até casei sem perceber, mas tenho me mantido fiel durante todo esse tempo! Enquanto isso, você parece esquecer em determinados momentos que é marida e mãe!

 

--Como é que é??? -- perguntou em choque

 

--Isso, Lady! -- Lila incentivava -- Bota pra fora essa coisa que pulula no teu peito!

 

Mostrou a menina. -- Olhe pra essa criança inocente e me diga com que cara pode ir pra gandaia sabendo que a pobrezinha fica aqui sem uma das mães que tem! -- fazia um drama -- Não, Priscila, você não se comporta como se deve!

 

--Mamamama!! -- a menina falava

 

--Isso, Lady! Dá uma dura nela! -- a mística botava lenha na fogueira -- E até a criança protesta, daí! Priscila, você é má, má, má!

 

--Mas... -- ficou indignada -- vocês têm titica na cabeça ou o que, hein??? E que papo é esse de casou sem perceber?? -- olhou para Lady

 

--Ora, Priscila, não se faça se desentendida! -- retrucou -- Quando você foi até aquela clínica abortiva, me salvou e mostrou tudo, a gente se casou e eu nem me dei conta! Tudo era apenas uma brincadeira e foi, crescendo, me absorvendo, e de repente eu me vi assim: completamente sua!

 

--Mas Lady, o que eu falei foi que iria te ajudar com o bebê, porque me arrependo imensamente em ter feito um aborto, mas em momento algum eu disse que queria casar contigo!

 

--Ah, eu tô entendendo qual é a sua tá, Priscila? -- respondeu magoada -- Então tá combinado é quase nada! É tudo somente sex* e amizade!

 

--Que sex*, criatura, enlouqueceu??? Eu nunca fiz sex* contigo!

 

--Mas nem tuas mais íntimas obrigações de marida tu estás cumprindo, Priscila?? -- Lila perguntou horrorizada -- Capaz! Então a coisa é muito pior do que eu pensava!

 

--Mas... -- estava transtornada -- Será que vocês ficaram loucas ou o que??? Gente, eu nunca tive nada com contigo, Lady! -- tentava se explicar -- Eu amo Isa, Tatiana, Patrícia, mas não quer dizer que sinta desejo por elas e queira qualquer coisa íntima com minhas amigas. Aprendi a gostar de você e te ajudo, mas de forma alguma quero ter relação contigo! Muito menos sexual!

 

--Mas, bá, então... -- coçou a cabeça -- tu não és lésbica, Priscila? -- perguntou sem entender

 

--Eu não!! -- respondeu convicta olhando para a gaúcha -- E nem Lady é! Está é confundindo as coisas! As duas estão!

 

--Gente, eu... -- respirou fundo -- Eu preciso de um tempo pra digerir tudo isso! Mal casei e já vivo um divórcio!

 

--Divórcio?? Mas você não entendeu nada do que eu falei??

 

--Mamamama!

 

--Priscilinha tem razão! Você é muito má, má, má! -- foi para seu quarto e se trancou lá dentro com a filha

 

--Te dizer, viu? Tô de cara! -- a gaúcha afirmou pensativa

 

--Vocês duas... -- balançou a cabeça -- Que droga, não vou mais pra festa nenhuma! -- foi para o próprio quarto e se trancou também

 

--É por isso que eu não me envolvo com ninguém! Esse negócio de relacionamento é tri complexo! -- olhou para o relógio -- Hora de dar aula de pompoarismo tântrico pra síndica. Vai que tem desconto no condomínio? -- abriu a porta e saiu

 

 

9:20h. 03 de agosto de 2007, Aeroporto Internacional do Galeão, Rio de Janeiro

 

Renan e Tatiana desembarcavam no aeroporto do Galeão. Olga, Mariano, Ricardinho, Seyyed e Isabela aguardavam ansiosos.

 

--Meu filho!! -- Olga correu de encontro ao rapaz e o abraçou com força -- Quantas saudades! -- começou a chorar

 

--Mãe! -- ele chorava também

 

--Oi, amiga! -- Isabela abraçou Tatiana sorridente

 

--Que bom te ver!! -- sorria -- Deixa eu te falar, tô sabendo que a senhora tá com um projeto que é muito massa! -- olhava para a ruiva

 

--E o projeto está deslanchando! -- respondeu animada -- Quando vier pro Rio com mais tempo passa lá pra ver!

 

--Com certeza!

 

Seyyed deu a mão a Ricardinho e se aproximou de Renan e Olga. -- Ei, e a gente? -- brincou tentando disfarçar a emoção -- Você tem irmãos, seu danado!

 

--É! E a gente? -- o menino repetiu sorrindo -- Seu danado!

 

O mecânico achou graça e sorriu para eles. -- Também morri de saudades dos dois! -- respondeu chorando -- Venham cá! -- levantou o menino no colo e abraçou a irmã

 

--Oi, dona Olga! Seu Mariano! -- a jornalista cumprimentou sorridente dando beijinhos e abraços

 

--Bem vinda, querida! -- Olga beijou a cabeça dela com carinho

 

--Que bom que você voltou! -- Mariano disse -- Conversei com seu pai por telefone ontem e ele disse que mal vai agüentar dormir essa noite! Sua mãe disse que não vai nem tentar porque perdeu o sono desde que soube que vocês voltariam! -- sorriu

 

--Mas eu tô tão doida pra ver meus pais e minhas irmãs que chega dói! Tânia e o marido vão pra Goiânia amanhã! -- sorria

 

--Você me parece bem melhor, Ed! -- Renan exclamou enquanto limpava os olhos -- Cadê a bengala? Não precisa mais?

 

--Faz duas semanas que deixei de usar. Sabe como é, tinha que receber vocês em grande estilo! -- brincava -- Além do mais, -- falou no ouvido dele -- você sabe que nunca fui chegada a essa coisa de viver segurando pau!

 

--Palhaça! -- deu um tapinha no ombro dela e olhou para o menino -- E você, garoto? -- beijou a testa dele -- Como vai na escola?

 

--Eu sei escrever um monte de palavras, sei contar...

 

--É o melhor aluno da classe! -- Mariano respondeu orgulhoso

 

--Ah, mas eu sabia que seria assim! -- beijou Ricardinho de novo e o colocou no chão

 

--Vamos indo, gente! -- Ed falou -- Estamos em dois carros e vocês vêm com as duas poderosas aqui! -- apontou para Isa e para si

 

Mariano veio empurrando um dos carrinhos de bagagens com Ricardinho sentado sobre as malas. Renan empurrava o outro, tendo Olga e Ed a seu lado.

 

--Eu sinto muito, meu irmão, mas já que vocês aportaram aqui em plena sexta-feira eu fui obrigada a dar ontem e hoje de folga pros funcionários. Eles ficaram chateados mas logo se conformaram. -- brincava -- E a partir de segunda você volta a comandar o barco!

 

--Imediato pronto pra assumir o comando, comandante! -- brincou

 

--Parem de falar em trabalho! -- Olga pediu -- Hoje os assuntos serão outros! Quero ouvir todas as novidades dos dois andarilhos! -- beijou o rosto de Renan -- E eu fiz muito feijão com arroz!

 

--Oba!! -- respondeu animado

 

--E seus pais, amiga? -- Tatiana perguntou a Isa -- Como têm ido as coisas?

 

--Mamãe passa mais tempo sedada do que com os olhos abertos e já envelheceu dez anos... Quanto ao meu pai, está bem mais magro e também muito envelhecido. O novo advogado conseguiu que ele comece a cumprir pena em regime semi aberto a partir do ano que vem! Rezo a Deus todos os dias que ele resista até lá!

 

--É uma barra, não é? -- balançou a cabeça entristecida

 

--Mas vamos falar de assuntos mais leves! -- sorriu -- Priscila e Lady vão te visitar amanhã. Elas querem que você conheça Priscilinha!

 

--E eu tô doida pra ver elas todas, uai! -- riu -- A vida tem cada coisa, não é? Quem poderia imaginar Priscila e Lady criando alguém! -- pausou -- E Sabrina? Desde que ela foi escalar o K2 eu nunca mais tive notícias! Conseguiu fazer o cume?

 

--Fazer ela fez, mas Priscila me disse que o preço foi alto! Sabrina foi na casa delas domingo passado e deixou as meninas chocadas!

 

--Por que?? -- arregalou os olhos -- Não me diga que ela teve que amputar mais algum dedo??

 

--Tati, aquela garota quase morreu na escalada! Não fosse uma sherpa chamada Maya, Sabrina agora estaria jazindo em uma enorma greta a 8400m de altitude!

 

--Cruzes!!!

 

--Ela perdeu 15kg naqueles 75 dias de expedição e sofreu várias escoriações. Um companheiro de escalada ficou cego, outro teve que amputar sete dedos e o nariz e um sherpa morreu após ser atingido por uma pedra.

 

--Meu Pai do céu! -- balançou a cabeça -- Pelo menos, agora só falta uma montanha! Ela me disse que encerra o projeto no ano que vem, porque imaginou que o K2 fosse exigir muito dela.

 

--Só falta uma montanha... -- a ruiva riu -- Simplesmente o Everest, o básico!

 

--E como vão sua irmã e Camille, Mariano? -- Renan perguntou

 

--Vão bem, graças a Deus. Mas fique tranqüilo que hoje mesmo elas passarão lá em casa pra vê-los.

 

Chegaram no estacionamento e caminharam até os carros.

 

--Eu sei que mamãe não quer saber de papo de trabalho, mas agora que voltei, você vai fazer o que, Ed? -- perguntou preocupado

 

--Voltar ao esquema de antes: procurar emprego! Ainda não tenho condições de montar uma oficina nova. O máximo que fiz foi mandar limpar aquele terreno.

 

Mariano e Renan colocavam as bagagens nos porta malas dos carros.

 

--Mas vocês trouxeram coisa, viu? Saíram daqui com duas malas e voltaram com seis! -- o contador brincou

 

--Uma dessas malas é só presente! -- Tatiana falou sorrindo

 

--Cadê o meu? -- o menino perguntou animado

 

--Ricardinho! -- Olga ralhou

 

--Calma, menino! -- Renan respondeu -- Em casa você vai receber! Tem presente pra todo mundo aqui! -- sorriu

 

--Acho bom! Senão vai à pé! -- Ed brincou

 

***

 

Isabela vinha dirigindo. Os quatro conversavam no trajeto.

 

--Contem pra nós como foi essa experiência fora! -- a ruiva pediu -- Achei muito louco isso de Tatiana ir fazer reportagens por aí com o marido a tiracolo! -- riu

 

--Tati tem uma lábia que me deixa besta! Ela convenceu os gringos que era interessante manter um mecânico no grupo e lá íamos nós! Os caras me bancavam pra ir junto! -- riu

 

--E é muito amor, né, meu irmão? Porque vocês só se meteram em furada! -- a morena riu

 

--Bem, tudo começou com um contrato que dizia que eu deveria investigar um paraíso fiscal na Inglaterra, e esse trabalho durou uns cinco meses. Depois, na primeira renovação, nos mandaram pra Grozni pra investigar os bastidores da guerra na Tchetchênia.

 

--E que coisa triste! Eu chorei tanto por causa daqueles órfãos! -- Renan falou -- Se o governo deles deixasse, eu teria adotado bem uns três!

 

--É triste mesmo! Chega dói só de pensar e quase não dava conta! -- Tatiana concordou

 

--Foi por essa reportagem que você ganhou o Free Speech Award? -- a bailarina perguntou

 

--Foi. Ela repercutiu muito e foi por isso que renovaram meu contrato mais uma vez e nos mandaram pra Uganda.

 

--E lá foi ainda pior! Nunca vi tanta crueldade! -- o mecânico desabafou -- Acho que vou morrer com a visão daqueles olhinhos tristes na minha mente... -- pensava nas crianças -- Se eu pudesse, teria adotado várias delas também, mas o processo é tão complicado...

 

--Imagino! -- Ed respondeu -- Há muitas misérias nesse planeta, muita coisa pra consertar... Não nos libertaremos completamente enquanto houver esse tipo de sofrimento na Terra...

 

--Sofrimento? Põe sofrimento nisso, uai! -- pausou -- Em Uganda eu também tive um pouco de contato com gente que praticava magia negra e isso me fez lembrar do que descobrimos aqui.

 

--Pois é! O pessoal daquela feiticeira foi eliminado em uma verdadeira queima de arquivo. O único rapaz que sobreviveu prestou seus depoimentos e depois sumiu do mapa.

 

--Mas, Isa, não se iluda! Eles não eram os únicos a fazer tais coisas! Existem outros! E eu quero investigar isso aí!

 

--Ai, Tati, pelo amor de Deus! Acabamos de chegar! -- o mecânico reclamou -- Não inventa problema! -- fez cara feia

 

--São planos pro futuro, meu bem! Minha prioridade no momento é arrumar emprego!

 

--E vai conseguir rapidinho! -- Ed olhou para ela -- Você ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog do ano de 2006, meu bem! E foi âncora de uma das maiores redes de jornalismo do mundo, tendo ganhado prêmio no exterior! Teu passe vale ouro! -- sorriu

 

--Mas eu ganhava mal... -- revirou os olhos

 

--Vocês não têm idéia dos perrengues que a gente passou! O único momento de glamour foi quando ela ganhou o tal do Free Speech. E cadê que a gente tinha roupa pra usar na cerimônia? -- riu

 

--Todo começo é assim! Vejam só a minha ruiva! -- olhou para Isa -- Ela começou dando aula sozinha pra 39 alunas em um espacinho de nada! Hoje ela tem uma equipe multidisciplinar dando conta de oitenta e um alunos em duas comunidades cariocas! -- sorriu -- E semana que vem vai receber a resposta final quanto a um patrocínio que tá batalhando!

 

--E se Deus quiser vai ser um sim! -- a ruiva desejou -- E se assim for, nós levaremos o projeto pra pelo menos mais uma comunidade!

 

--Tá vendo, Renan? -- olhou para ele -- Casamos com mulheres poderosas! Difícil dar conta, viu?

 

--Nem me fale! Ai! -- sentiu que Tatiana o beliscava brincalhona

 

--Você também vai voltar a ser poderosa, amor! É só uma questão de tempo! -- a bailarina olhou rapidamente para ela

 

Seyyed balançou a cabeça e nada respondeu.

 

***

 

--Às vezes, os casais esperam muito na fila de adoção porque o perfil de crianças que eles desejam não corresponde à realidade brasileira. -- a assistente social falava -- Muitos querem bebês louros de olhos claros e a predominância dos menores órfãos é de crianças negras ou mulatas. -- caminhava

 

--Nós não temos essas coisas! -- Flávia falou -- A criança pode ser negra ou mulata ou morena ou branca que tanto faz! E não precisa ser bebê também!

 

--Certamente! O que a gente quer é adotar! -- Brito ajeitou a gola da camisa

 

--Fico feliz! -- sorriu -- E como vocês já tinham dito isso, achei que iriam gostar de conhecer um menininho muito especial. Os pais dele morreram em um acidente de carro. -- entraram em uma sala -- Este é Celsinho. -- segurou a criança no colo -- Ele tem dois anos!

 

--Ah, que lindo! -- Flávia exclamou ao sentir uma estranha sensação de familiaridade -- "Que criança fofa! Como pode alguém não querer só porque é negro?” -- pensou penalizada

 

--Será que se eu tentar segurá-lo, ele vem? -- Brito perguntou

 

--Vejamos! -- a mulher entregou-lhe o menino que não se opôs ou fez manha

 

--Oi, rapaz! -- sorriu -- Como vai? -- beijou a cabeça dele. Sentia-se muito bem com aquela criança em seus braços

 

--Ele parece tão tristinho... -- a fisioterapeuta acariciava a cabeça dele -- Está deprimido? Ou é outra doença?

 

--Não... -- a mulher respondeu -- Eu ia contar o resto da história agora. -- pausou -- Ele tem uma irmã de um ano que é deficiente física. Creio que sente tristeza por temer uma provável separação...

 

--E cadê ela? -- Flávia perguntou

 

--Venham comigo! -- entraram em outra sala e aproximaram-se de um berço -- Aqui está ela! -- mostrou a criança -- Clarinha!

 

--Ah, meu Deus! -- a fisioterapeuta a pegou delicadamente no colo -- Ela não tem uma perninha... -- beijou a cabeça dela e olhou para o marido -- Eu quero adotar Clarinha também! -- pediu emocionada

 

--Seus pedidos são ordens, minha querida! -- respondeu sorridente

 

--Clala!! -- Celso sorriu animado

 

--Olha como ele ficou feliz! -- Flávia constatou -- Não podem ser separados, não seria certo! -- olhou para a outra mulher -- Podemos adotar os dois? -- perguntou esperançosa

 

--Podem, podem sim! -- respondeu satisfeita -- O que nós mais desejamos é que as crianças tenham um lar! -- estava radiante -- É muito difícil que os casais queiram adotar irmãos, ainda mais sendo uma das crianças portadoras de deficiência física!

 

--Eu sou portadora de deficiência, dona! Sou fisioterapeuta e já reabilitei pessoas a perder de vista sob as graças de Deus! Com minha filha, meu trabalho será ainda mais especial! -- respondeu confiante

 

--Essas crianças serão amadas, pode ter certeza, senhora. -- Brito afirmou -- Nós as queremos! -- sorriu com lágrimas nos olhos -- E não vamos voltar atrás!

 

--Então faremos de tudo pra que assim seja! -- a mulher também se emocionou -- Não sabem como estou feliz que tenham escolhido esses dois!

 

--Não os escolhemos! -- Flávia olhou para as crianças -- Eles escolheram a gente! -- sorria

 

***

 

Mais uma sessão de tratamento se encerrava no centro espírita. Após conversar e dar atenção a várias pessoas, Olga podia se juntar a Suzana, Juliana, Seyyed e Isabela.

 

--Que dia, hein? -- abordou o grupo -- Estou exausta mas me sinto muito bem apesar disso!

 

--Dona Olga, nunca me senti tão exausta! -- a delegada desabafou -- Os trabalhos de hoje exigiram muito de mim!

 

--Hum, tadinha! -- Juliana beijou o rosto dela -- Mas foi por uma boa causa, meu amor!

 

--Não tô reclamando. -- sorriu com expressão de cansaço -- Foi só um desabafo!

 

--Eu fiquei boba com o que foi revelado hoje! -- Ed falou

 

--E eu! -- Isa concordou -- Saber que a loucura de Neyan foi causada por magia negra me deixou passada! E mamãe está em uma situação ainda pior do que pensei!

 

--E Rubens! -- Ed complementou -- Saiu do coma porém é um verdadeiro morto vivo! Nunca imaginei que isso fosse causado por magia e não por doença!

 

--As ciências do corpo e da alma debatem-se diante de casos que parecem sem solução justamente por conta desse desconhecimento. -- Olga explicou -- E mesmo a comunidade espírita ainda tem muito o que estudar e se capacitar pra aprender a combater as conseqüências da magia negra.76 Vejam como nos esforçamos pra ter condições de começar a fazer esses trabalhos de anti goécia! -- pausou -- Ou destruição dos efeitos de magia, como preferirem.

 

--E como vamos salvar essas pessoas, dona Olga? -- Suzana perguntou agoniada -- Como vamos libertar a mãe de Isa, Neyan e Rubens, além de todas as pessoas vítimas das magias daquela tal de Àjé?

 

--Àjé! Que nome! -- a japonesa protestou

 

Isabela olhava esperançosa para a sogra.

 

--Nós vamos fazer isso, podem confiar! -- respondeu com firmeza -- Falta muito pouco pra que tenhamos condições de vencer! Deus e a Espiritualidade Superior estão do nosso lado!

 

--E quanto a Léo, João, os rapazes que me agrediram e todas as pessoas que foram sacrificadas? -- a mecânica perguntou -- O que faremos? Penso inclusive nas vítimas de Lucas Damaso!

 

--Muitos deles já foram socorridos e estão bem. Outros começam a ser auxiliados, porém, os que deixaram essa Terra com pesadas dívidas é que levarão mais tempo no sofrimento. Vamos fazer nossa parte, mas eles precisam de mais tempo estagiando na dor pra poder amadurecer e se transformar. E isso não é algo que nós estejamos decretando, são as Leis da Vida. -- Olga esclarecia -- Nós não podemos esquecer que o sofrimento é o remédio necessário em muitos momentos de nossa caminhada evolutiva. "Os olhos que nunca choraram raramente aprendem a ver."80 -- citou -- A própria Àjé não está esquecida! Ela vai passar um bom tempo sentindo as conseqüências de seus atos, mas não será, de forma alguma, desprezada por Deus.

 

--É nessas horas que eu vejo como sou atrasada, viu? -- Juliana desabafou -- Por mim essa bicha ficava era se danando pra vida toda!

 

Isabela riu e balançou a cabeça. Em seguida olhou para a sogra novamente. -- Ai, dona Olga, o que eu mais quero na minha vida é ver mamãe saindo daquela clínica e recomeçando! Daria tudo por isso!

 

--Acredite, meu amor! -- segurou as mãos dela -- Sua mãe e seu pai terão um belo recomeço! -- sorriu

 

--Acredite, Isa! -- Seyyed deu força -- Você vem conquistando maravilhas brilhantemente! Conseguiu até o patrocínio que estava faltando -- sorriu

 

--Ô, Ed! -- a japonesa chamou -- Eu queria conversar um negócio contigo.

 

--Eu também. -- Suzana falou

 

--Ih, gente! -- a morena brincou -- Pega leve com uma dedeta, tudo bem?

 

--Dedeta, Ed! -- a ruiva protestou

 

Olga olhou para a filha com uma cara não muito boa.

 

--Vocês não têm senso de humor...

 

***

 

--Já sabemos que você conseguiu o patrocínio, -- Juliana dizia -- mas e quanto ao resto? Como vai a vida?

 

Estavam conversando na casa de Seyyed e Isabela.

 

--Ah, vai bem. -- a ruiva respondeu -- Continuamos lutando com dificuldade mas as coisas melhoraram bastante. -- sorriu

 

--Só falta eu poder voltar a andar de moto!

 

--Eu falei que você está proibida de fazer isso, Ed! Até o fim da vida! -- olhou para a amante com a cara feia

 

--Humpf! -- a morena fez um bico

 

Juliana olhou para a delegada.

 

--Eu nunca me acidentei, Ju! -- levantou as mãos

 

--E eu só me acidentei porque estava correndo muito, na chuva e chorando! -- justificava -- Em condições normais sempre fui um espetáculo de motociclista! -- afirmou sem modéstia

 

Juliana riu e olhou para a mecânica. -- Ai, Ed... -- balançou a cabeça -- Vamos direto ao assunto porque viemos aqui hoje pra falar de negócios! -- cruzou as pernas -- Suzana e eu estivemos pensando no que fazer com nosso dinheiro e acreditamos que seria uma boa investir em negócios que dessem retorno!

 

--Ué? Vocês não disseram que vão ajudar o centro a construir um local pra receber idosos e crianças abandonadas? Como podem esperar que isso dê retorno financeiro? -- a morena perguntou sem entender

 

--Mas isso não é investimento, Ed. É algo que queremos fazer! -- a delegada esclareceu -- Você ainda não deixou minha japonesa se explicar.

 

--Desculpe. -- fingiu que estava com medo delas

 

--Boba! -- sorriu -- Bem, nós decidimos que uma forma interessante de investir nosso dinheiro seria em uma oficina mecânica! -- a japonesa falou

 

--O que?? -- Seyyed sentiu o coração acelerar

 

--Gente! -- Isabela também ficou nervosa

 

--Pensamos em investir em uma oficina para conserto de automóveis e motos. -- Juliana continuava

 

--E restauro de carros antigos. -- Suzana ajudava

 

--Sem aquela baixaria de fotos de mulheres nuas pelas paredes! A gente quer tudo limpinho e bem arrumado!

 

--E tem que empregar jovens com síndrome de Down porque senão não tem o menor interesse pra nós!

 

--Gente... -- a morena estava a ponto de chorar -- não brinca assim comigo porque eu tô a ponto de desmaiar!

 

--Meu Deus! -- a ruiva já chorava

 

--E a gente é mulher de brincadeira, Ed? -- a delegada imitava o jeito da amiga falar

 

--Também não queremos que a oficina seja localizada em qualquer lugar. -- a enfermeira continuava falando -- Tem que ser em um terreno interessante que fica na rua... -- olhou para a amante -- Qual o nome mesmo daquela rua, amor? -- fingiu que esqueceu

 

--Eu acho que é Joaquina Meyer.

 

--Por favor! -- Seyyed se levantou chorando -- Por favor, gente... Vocês não podem fazer isso!

 

--E não podemos por que? Posso saber? -- Juliana se levantou fingindo-se desaforada -- É dinheiro lícito do meu salário, da aposentadoria de Suzana e a gente gasta como bem entende! Se queremos investir numa oficina do tipo que descrevemos, quem é que pode nos impedir?

 

--Se você não tá preparada pra tocar essa oficina... -- a delegada se levantou fingindo-se decepcionada -- Vamos ter que procurar outra pessoa!

 

--Que decepção, viu? -- a enfermeira cruzou os braços -- Não se fazem mais Seyyeds como antigamente!

 

Ed olhou para a bailarina. -- Você tá ouvindo isso, meu amor? -- chorava -- A ESSALAAM vai voltar! Vai voltar!

 

A ruiva se levantou e a abraçou com força. -- Você merece, minha querida! -- beijou-a -- Não sabe o quanto orei por isso! -- olhou para Juliana e Suzana -- Nós nunca vamos poder agradecer por isso! -- estava muito emocionada

 

--Eu amo vocês! -- Ed falou

 

--Nós também te amamos, sua boba! -- a enfermeira abraçou as duas -- E Isa tem razão: você merece!

 

--Mas vai ter que trabalhar, hein? -- a delegada brincou e se uniu àquele abraço coletivo -- Eu vou cobrar! -- sorriu

 

--Pode cobrar! A nova ESSALAAM será um orgulho pra todo mundo!! -- a mecânica afirmou decidida

 

 

19:10h. 12 de outubro de 2007, Rua Arquias Cordeiro, casa 6, Engenho,  Rio de Janeiro

 

Mariângela, Camille e Ricardinho acabavam de chegar do parque de diversões.

 

--Gostou do dia de hoje, Ricardinho? -- a engenheira perguntou sorridente

 

--Eu gostei muito!!! E gostei do auto pista e do trem fantasma e da roda gigante e do carrossel! -- pulava excitado

 

--Resumindo, gostou de tudo! -- a costureira riu -- Agora é hora de tomar banho pra poder lanchar!

 

--Eu ajudo ele, mãe! -- Camille respondeu -- Embora um rapazinho desses não precise de ajuda pra tomar banho. -- sorria para a criança -- Vamos pro quarto pegar suas coisas?

 

--Vamos! -- segurou a mão da jovem loura -- Tia, meu pai bem me deu xampu do Mickey! -- andavam para o quarto

 

--A gente vai estrear esse xampu hoje!

 

Quando Mariângela se preparava para providenciar o lanche a campanhia toca. -- Ué? Quem será? -- foi até a janela e olhou para a rua -- Não acredito! Tinha que acontecer alguma coisa errada! -- abriu a porta contrariada -- Ô encosto na minha vida! Vou levar o nome desse bisco pro centro de Olga! -- foi para o quintal para abrir o portão da rua

 

--Oi, minha linda loira! -- Romeu saudou fazendo vozes -- Passei na casa de Mariano e Olga e seu irmão me disse que meu neto estava aqui!

 

--Às vezes Mariano fala demais! -- abriu o portão fazendo um bico

 

--Como vai? -- entrou e se preparou para os beijinhos de comadre

 

--Bem! Agora venha! -- não deu beijinhos no homem

 

“Eita, mulher tímida! Ela não tem coragem de deixar transparecer que me ama!” -- Romeu pensava enquanto seguia a costureira para dentro de casa

 

--Camille está dando banho em Ricardinho e eu vou preparar o lanche. -- Mariângela falou -- Aguarde ai na sala que você logo verá o menino!

 

--Que gentil, me convidando pra lanchar! -- sorriu animado

 

--Mas eu não convidei! -- protestou

 

--Não fique envergonhada, eu não vou fazer desfeita. -- sorria -- Fico aqui e lancho com vocês!

 

--Humpf! Mas é uma praga! -- foi para a cozinha

 

Romeu foi atrás.

 

--Sabe...? -- parou ao lado dela que começava a preparar sanduíches -- Depois das investigações que fiz, algo mudou em mim. Percebi que estava velho e acabado, mas agora estou me cuidando! -- mostrou o bíceps -- Em pouco tempo fiquei em forma como no passado! -- sorriu -- Veja como tenho um corpão!

 

--Corpão? -- olhou para ele -- Você tem é cor de pão! Aquele pão sem graça que fica pouco tempo no forno e já vem murcho!

 

--Pôxa, mas eu peguei um bronze...

 

--Vai, pra sala, vai? E não me perturba! -- enxotou o homem com o pano de prato

 

“Ô mulher de gênio!” -- pensou enquanto ia desanimado para a sala

 

Minutos depois Camille aparece com o menino.

 

--Vovô! -- correu para abraçar Romeu

 

--Meu filho! -- abraçou a criança e beijou-lhe a testa -- Que saudades!

 

--Oi, tudo bem? -- Camille cumprimentou desconfiada

 

--Olá! -- sorriu para ela

 

--Prepara a mesa por favor! -- Mariângela pediu da cozinha

 

--Pode deixar, mãe!

 

--Eu ajudo! -- Ricardinho foi pulando atrás da loura

 

--Não, meu filho! Isso é serviço de mulher! -- Romeu protestou

 

--Ih, meu, aqui em casa não tem disso, não! E nem na casa de dona Olga! Ricardinho aprende a colaborar! -- Camille e o menino arrumavam a mesa -- E se quer alguma coisa com a mamãe jamais deveria dizer uma coisa dessas! -- olhou para ele

 

--Ah, mas era brincadeira! -- levantou-se de um pulo para ajudá-los -- Eu lavo, passo, cozinho e faço de um tudo numa casa! -- mentia

 

--Sei... -- respondeu descrente

 

***

 

Depois do lanche Romeu fez uma surpresa para o menino. -- Olha aqui! -- pegou um embrulho -- Trouxe pra você!

 

--Oba!! -- sorriu -- Obrigado! -- começou a abrir o embrulho ansioso -- Um carrinho de controle remoto! -- mostrou para Camille

 

--Meu, que da hora!

 

--Olha, tia Mari! -- mostrou para ela

 

--Que bonito, querido!

 

--Vamos brincar? -- tirou o carrinho da caixa

 

--Vamos! -- a engenheira sentou-se no chão do lado dele

 

Em poucos minutos Ricardinho e Camille estavam entretidos com o brinquedo novo.

 

--As crianças ficam felizes com tão pouco não é, Mari? -- olhou para a loura -- Que pena que nós, os adultos, criamos tantas barreiras a felicidade!

 

--Humpf! -- fez um bico

 

--Mas eu não desisto. -- aproximou-se dela no sofá -- Gosto do desafio, gosto de desvendar os enigmas da alma feminina... -- fez um olhar sedutor -- Eu não desisto de nós dois!

 

Camille pôde ouvir essa última frase do homem. “Esse cara não desiste!” -- revirou os olhos -- "Criatura chata, ô louco!”

 

--Me diga, Mari. -- falou em voz baixa -- O que é necessário fazer pra que você me dê uma chance? Meu coração sofre essa dor desde que nos conhecemos! -- tentava mostrar-se um sofredor apaixonado -- O que eu tenho que fazer?

 

--Gosta de enigmas? -- a costureira perguntou olhando para ele -- Então eu lanço um enigma pra você: sua resposta está em João, 3:7. -- pausou -- Agora com licença, -- levantou-se -- tenho que terminar uma roupinha que estou fazendo pra Ricardinho. -- caminhou até a máquina de costura -- "Quando é que ele vai se mancar e ir embora, hein?” -- pensava contrariada

 

--João, 3:7... -- repetiu para si mesmo -- Vou pesquisar isso aí!

 

Altas horas da noite, Romeu buscava a resposta para o enigma que Mari lançou. Ao encontrar o capítulo e o versículo citados pôde então ler: “Não te admires de eu haver dito: necessário vos é nascer de novo!”

 

Fechou o livro e resmungou de cara feia: -- Miserável!

(Nota da autora: piadinha infame...)

 

***

 

Priscila dormia e um sonho esquisito fazia com que rolasse na cama.

 

“--E senhora quem é? -- a diretora perguntava seriamente

 

--Bem... a mãe da Priscila da Silva não pôde vir, então aqui estou eu. -- respondeu meio sem graça -- Eu não sou parente, mas ajudo a criar. -- pausou -- Meu nome é Priscila, prazer. -- balançou a cabeça

 

--Ah, sei! -- olhou-a com desdém -- Agora eu me lembrei da história! A senhora é a ex marida de Lady Dy, a mãe da menina!

 

--Ah, não, mas até a senhora? -- a morena colocou as mãos na cintura -- Eu nunca fui marida de Lady!

 

--Olha, moça, eu não estou aqui pra me meter nessas questões familiares mas o ponto é que a menina está crescendo revoltada por conta dessa situação! -- pegou uma folha de papel -- A professora pediu que cada criança escrevesse uma palavra com as sete primeiras letras do alfabeto e veja no que deu! Leia o que ela escreveu!

 

--Ué?? -- pegou o papel -- Ela já escreve? Mas não tem nem dois anos! -- não entendia

 

--Isso são detalhes, minha filha! Isso aqui é sonho, e sonho não tem que ter coerência! -- respondeu impaciente -- Leia e comprove o que estou lhe dizendo! -- insistiu

 

--Vamos ver: -- olhou para o papel -- A de Audi conversível, B de Bvlgari, C de Carolina Herrera, D de Dolce&Gabbana, E de Empório Armani, F de Ferrari e G de Guggi! -- ficou em choque -- Gente!

 

--A criança se transformou em uma consumista inveterada! É capaz de tudo pra conseguir dinheiro pra sustentar seus luxos!

 

--Não pode ser...

 

--Ela apareceu em sala de aula portando um canivete de pelúcia! Tudo pra extorquir dinheiro dos coleguinhas! -- cruzou os braços -- Saiba que ela roubou até a bolsa da professora!

 

--Como é?? -- perguntou horrorizada

 

--E digo outra! Está fumando!

 

--O que??????? -- arregalou os olhos

 

--Cigarros de chocolate, mas é daí que começa!

 

--Mas não é possível! -- passou a mão nos cabelos -- A gente se esforça tanto pra dar uma criação decente a essa menina!

 

--E eu ainda não terminei. -- olhou nos olhos de Priscila -- Ela hipnotiza as outras crianças fazendo ‘aum’!

 

--Não, mas não pode ser!!! -- protestou furiosa -- Priscilinha não pode ter se tornado uma aumzeira!! Não pode, não pode!! -- não queria aceitar

 

--A culpa de tudo isso é sua! Desde que abandou a mãe dela isso começou a acontecer!

 

--Eu não abandonei, nós ainda dividimos apartamento! Eu tô fazendo doutorado, só vou embora do Rio quando defender a tese!

 

--A senhora divide apartamento com a mãe dela, mas vive no desfrute com homens aqui e ali! Pensa que ninguém sabe? Isso magoa a pobre Lady! E foi isso que revoltou a menina! -- pausou -- À propósito, lá vem ela! -- apontou

 

A dentista olhou e viu que Priscilinha vinha montada em velocípede motorizado, vestida como hippie e usando tererês nos cabelinhos.

 

--Menina, mas o que é isso?! -- ralhou com as mãos na cintura -- Quem deu permissão pra você circular de velocípede por aí? E que trajes são esses?

 

--Eu não lhe dou satisfações, viu? Você largou minha mãe! -- respondeu com voz de mosquitinho -- Além do mais, fica quieta aí que eu vou trabalhar! -- desceu do velocípede

 

--Trabalhar fazendo o que??? Você vai é estudar pra ser uma dentista ou uma engenheira no futuro! -- retrucou

 

--É ruim, hein? Eu vou é fazer aum!

 

--O que??? -- pôs a mão sobre o peito -- Não me mata de desgosto!!!

 

--Aummmmmmmmmmmmmmmmm!!! Aummmmmmmmmmmmmmmm!! -- Priscilinha fazia

 

--Não, não, não!!! -- a morena gritava em desespero -- Nããããããããããããoooo!!!!! -- deu um berro dos mais medonhos”

 

--Nããããããããããããoooo!!!!!

 

--Amiga, mas o que é isso??? -- Lady veio correndo -- Acorda, Pri! -- pediu chacoalhando a morena pelo braço

 

--Meu Deus! -- sentou-se na cama apavorada -- Lady, -- olhou para a outra -- cadê Priscilinha??

 

--Dormindo! Mas se você continuar gritando desse jeito ela vai acordar!

 

--Gurias, mas o que houve aqui? -- Lila veio também -- Até tu, Priscila? Não bastavam os pesadelos de Lady e seu agudo maldito?

 

--Ei! -- a engenheira protestou

 

--Você! -- levantou-se da cama e pegou a mística pelo pijama -- Se eu souber que você anda ensinando a menina a fazer ‘aum’ pra enganar os outros eu te mato!!! -- ameaçou

 

--Mas, bá, me larga, guria! -- desvencilhou-se dela -- Vocês é que cismam com esse negócio de ‘aum’! -- endireitou a roupa -- E ela gosta e bem de me ver meditar!

 

--Lady, de hoje em diante Priscilinha nunca mais fica com Lila. Tive um pesadelo horrível! -- passou as mãos nos cabelos -- Foi um aviso pra que o pior não aconteça!

 

--Mas ela quase não fica! Tenho levado a menina pra procurar emprego comigo. -- pausou -- E aliás desconfio que é por isso que eu não arrumo nada!

 

--Vocês são duas ingratas, daí. -- fez cara feia -- Boa noite! -- retirou-se

 

--Vai, picareta! -- a dentista se benzeu -- Eu hein, pesadelo diabólico!

 

--Bebe água e lava o rosto amiga. -- Lady aconselhou -- Também vou voltar a dormir, porque tô um caco. -- bocejou -- Boa noite. -- foi para seu quarto

 

“O que será que esse sonho quis dizer, hein?” -- Priscila pensou agoniada -- "Será que eu tô mesmo traumatizando a criança?”

 

***

 

--E aí foi isso, amiga! Acordei apavorada por conta desse pesadelo maldito!

 

Isabela riu gostosamente. -- Ai, Priscila, você é muito louca! -- ria

 

--Ah, não, Isa! Eu me desloco até aqui pro meio dessa comunidade que não conheço pra poder te contar uma coisa séria e você ri da minha cara? -- perguntou revoltada

 

--Ai... -- secou os olhos pois havia chorado de rir -- Desculpe, mas isso... Isso não foi um pesadelo, foi um filme de humor! E humor dos mais pastelões! -- balançou a cabeça

 

--Eu não devia ter vindo! -- ameaçou partir

 

--Calma, fica aí! -- pediu com delicadeza -- Olha, amiga, eu entendo que a maluquinha da Lady possa ter confundido as coisas, mas você? -- olhou para ela -- Não existe isso da menina ficar revoltada porque Lady e você se separaram! E se separaram sem nunca nem terem ficado juntas!

 

--Eu sei que você tá certa, mas desde nosso ‘divórcio’, -- fez aspas com os dedos -- Lady mudou comigo. Parece que no fundo ficou magoada, sabe? Isso me incomoda...

 

--Por que não conversa com ela?

 

--Não sei nem o que dizer! É uma situação tão esquisita... -- ficou pensativa -- Eu não queria fazê-la sofrer! Gosto tanto dela... Aquele jeito doidinho... -- sorriu -- Parece uma criança que não cresceu. Tem que ver ela brincando com a filha. -- balançou a cabeça -- E vendo desenho? Parece que acredita! -- riu

 

Isabela ficou prestando atenção no modo como Priscila falava da outra. -- Será que você... não acabou se apaixonando por ela e esse sonho refletiu isso?

 

--Eu, hein, Isa? -- bateu na mesa três vezes -- Posso ter ficado amiga de Lady e gostar muito dela, mas ainda prefiro um peito cabeludo e um volume no meio das pernas! Tô longe de ser lésbica! -- pausou -- Com todo respeito!

 

--Tudo bem! -- riu brevemente -- E quanto a Lila, fique calma que ela não vai convencer a menina a ser uma golpista. Acho que nem mesmo tem essa intenção!

 

--Se quiser continuar viva, que não tenha! -- gesticulou revoltada e se calou -- Lila ficou com a menina em pouquíssimas vezes pra ser honesta. -- assumiu

 

--Lady precisa colocar a menina numa creche, do contrário não vai conseguir emprego.

 

--Quando Lady voltou a estudar eu levava a garota comigo, mas pra esse semestre não consegui vaga na creche do hospital e ficamos no hora e veja! -- reclamou -- Não temos coragem de deixar Priscilinha em lugares sem referência. -- suspirou -- Eu já pedi recomendações pra um monte de gente, mas tenho ouvido cada história...

 

--A mãe de uma das minhas alunas daqui é babá e está desempregada. Por que não conversam com ela? É uma boa mulher e muito bem quista na comunidade.

 

--Ah, então me dá o contato dela que me interessa. Falo com Lady e damos um jeito de pagar. Até Lila vai ter que abrir a mão!

 

--Então pode deixar que hoje à noite eu te ligo e passo o contato dela. -- olhou para o relógio -- Daqui a pouco vou ter que ir, amiga! Mil perdões!

 

--Tudo bem, eu também tenho que ir. -- levantou-se -- Bem, nem perguntei porque sei que esse projeto vai de vento em popa. -- sorriu -- E a oficina nova?

 

--Ah, minha filha, Ed parece até pinto no lixo! -- levantou-se sorridente -- Está coordenando as obras e pesquisando equipamentos... Os jovens especiais estão numa ansiedade só pra voltar a trabalhar e ela tem feito contatos por aí pra contratar novos mecânicos. -- sorria

 

--Dos que trabalhavam com ela ninguém vai voltar? -- foram andando

 

--Só dois. Com os demais ficou um clima estranho por causa dos processos que moveram contra ela. -- desciam as escadas -- E eu prefiro assim, sabe? Deixa aquele bando de sangue ruim pra lá!

 

--Quem diria, não é? Juliana ficou poderosa e tá ajudando Seyyed a se reeguer...

 

--Pois é... E pensar que um dia eu briguei com Ed porque pagava uma pensão e o aluguel de Juliana. -- lembrava -- Como também briguei porque decidiu doar um rim pra Suzana... Como eu estava errada! -- constatou

 

--Você mudou muito! Nem de longe parece aquela garota que eu conhecia.

 

--Você também. -- olhou para a dentista -- Nós amadurecemos, Pri. Você e eu!

 

--E ficamos ainda melhores depois disso, diz se não é? -- piscou -- Lindas, gostosas, poderosas e maduras!

 

--Resumindo: insuperáveis! -- brincou

 

***

 

Sabrina conversava com sete escaladores em uma lanchonete.

 

--Qual é gente? Não acredito que vão ficar de fora de fazer a tentativa de conquistar o Everest! -- a morena provocava -- Essa excursão vai ser TUDO! Se Deus quiser vou concluir o projeto dos sete e dos quatorze cumes numa única empreitada e vai estar todo mundo de olho! -- buscava deixá-los interessados -- A primeira mulher do mundo a concluir esse projeto! A imprensa não vai deixar de cobrir!

 

--Você antigamente dizia que era a mais jovem, a lésbica... -- um rapaz protestou -- Agora diz simplesmente que é a mulher!

 

--Porque eu achava que uma escaladora mais antiga seria a primeira mulher do mundo a vencer esse desafio mas ela desistiu! Agora não tem outra em pé de igualdade comigo! -- sorriu -- O patrocínio tá garantido e foi a primeira vez na minha vida que não tive de fazer das tripas coração pra descolar a grana necessária. -- olhava para eles -- Vamos lá gente, vamos formar um grupo brasileiro! -- pedia

 

--Tô fora! Eu vi no que deu tua excursão no K2! -- uma garota falou

 

--O K2 é muito mais difícil que o Everest! -- respondeu de pronto -- E os fatos não têm obrigação de se repetir sempre! A gente deve aprender com os erros e não desistir por causa deles!

 

--Suas expedições têm sido uma sucessão de problemas, Sabrina! -- um homem barbudo falou -- Bruna me contou do que aconteceu no ano passado!

 

--Gente, pelo amor de Deus! -- olhou para todos eles -- Isso é uma questão de estatística. Quem é que nunca teve problemas nas montanhas? Só quem não escala!

 

--Eu vou nessa com você! -- uma mulher afirmou decidida -- Conta comigo!

 

--Valeu garota! -- deu um tapa na mão dela -- Tamo junta!

 

--Conta comigo também, vai? -- um rapaz falou

 

--Beleza! -- deu um tapa na mão dele também

 

--A tal da Maya, a sherpa que salvou tua vida, também vai? -- ele perguntou

 

--Com certeza! -- afirmou convicta -- Ela quer, eu quero e Deus há de querer também! -- sorriu -- E você não sabe: ela fala português, além de tudo!

 

--Como pode? -- o barbudo perguntou

 

--É indiana nascida em Bombaim e criada em Goa. E em Goa se fala português! -- sorriu

 

--Depois dessa, até eu vou! -- o barbudo acabou cedendo

 

--E vocês quatro? Animam não? -- insistiu

 

Eles ficaram mudos.

 

***

 

Sabrina saía da estação de metrô e caminhava até seu prédio. Não sabia que estava sendo seguida.

 

Cruzou o hall após cumprimentar o porteiro e pegou o elevador.

 

Patrícia aparece do seu lado, mas ela não percebe.

 

--Não saia mais de casa hoje, visse? -- dizia -- Não vá na tal da festa!! Não vá!

 

--Ai, mas eu tô cansada... Acho que não vou naquela festa, não! -- desceu do elevador falando sozinha

 

--Vá, não, mulher!! -- Patrícia insistia -- Vá não!

 

--É... vou não! -- entrou em casa

 

--Isso!! -- comemorou e desapareceu

 

Enquanto isso, no hall do prédio um homem distinto abordava o porteiro. -- Boa noite, amigo! -- sorriu

 

--Boa noite, senhor! -- respondeu -- O que deseja?

 

--Vim trazer uma encomenda para a senhorita Sabrina Magalhães. -- estendeu um envelope para o homem -- Aqui está!

 

--Está entregue! -- respondeu

 

--Muito obrigado! -- fez uma saudação com a cabeça

 

O porteiro se levantou para colocar o envelope no escaninho enquanto Lucas Damaso saía do prédio caminhando tranquilamente.

 

Minutos depois Lila chegava para visitar Sabrina. O porteiro pediu que a mística levasse o envelope para a outra jovem e ela assim o fez.

 

A escaladora a atendeu desconfiada. Depois de breves cumprimentos a gaúcha entregou-lhe a correspondência.

 

--O que será isso? Nem tem remetente! -- abriu o envelope curiosa -- Hum... Uma revista sobre esportes de aventura... -- leu a capa -- Nossa, mas é de 1996! -- achou esquisito

 

--Mas, bá, só um pouquinho defasada... -- Lila brincou

 

--A matéria da capa é sobre a tragédia que aconteceu no Everest naquele ano... -- fez cara feia -- Eu, hein? Mau agouro, brincadeira de mau gosto! -- olhou para Lila -- Quem será que deixou isso aqui?

 

--Pergunte pro porteiro porque ele me disse que um senhor entregou o envelope a ele em mãos!

 

--E é o que eu vou fazer mesmo! -- jogou a revista sobre a poltrona -- Bem... vamos sentar! Fique à vontade! -- ofereceu e ambas se sentaram

 

A mística então foi direto ao assunto: -- Guria, deixa eu te falar qual é a real: quero me juntar ao teu grupo! Quero encarar o Everest! -- afirmou convicta -- Estou na busca de conquistar o meu Everest particular! Aqui, dentro do peito! -- colocou a mão sobre o seio esquerdo

 

--Como é??? -- Sabrina soltou uma gargalhada -- Ai, me desculpa mas eu acho que você não tem a menor idéia do que tá me dizendo! -- olhava para a loura

 

--Eu não quero conquistar o cume, sei que não tenho condições! -- explicava -- Mas li sobre a caminhada até o campo base e sei que vocês passarão por lá, já que teu grupo vai explorar a rota nepalesa. -- pausou -- O que eu quero é me unir a vocês e chegar até esse campo base! Aí quando vocês voltarem, nós descemos juntas!

 

--Ainda assim não é uma coisa simples! Você por acaso pratica exercícios físicos? Tem hábito de fazer trekking?

 

--Ultimamente não, mas quando estive na Índia eu fiz várias caminhadas pesadas. Agüento peso, não estranho comida diferente e não apresentei sintomas de mal da montanha. -- sorriu -- Posso começar a me exercitar desde já e até abril eu fico tinindo!

 

--É, vejo que tem lido sobre minha expedição! -- respondeu achando graça

 

--Guria, essa caminhada vai renovar minha alma e carregar meus sete chakras de energia prânica das montanhas do Himalaia! Será mais um degrau evolutivo transposto no meu processo incessante de busca pelo conhecimento. -- fazia seus gestuais e salamaleques -- “O conhecimento é para a consciência o que a luz do sol é para as plantas”.81

 

--Sei... -- desconfiava das motivações de outra -- Não me diga que está querendo ir com a gente pra chegar aqui e vender seus tratamentos místicos com mais facilidade? -- perguntou diretamente -- E além disso trazer consigo pequenas coisinhas que serão vendidas a um preço muito do bem cobrado?

 

--Ah... -- começou a enrolar um cacho de cabelo nos dedos -- Sabia que eu nem tinha pensado nisso, daí? -- mentiu

 

Sabrina riu novamente. -- Olha garota, mesmo pra quem vai só até o campo base a brincadeira não é barata, não! Além das passagens aéreas, você vai gastar uma grana e precisa também de material pra caminhada no gelo. E você quer ficar lá durante todo o tempo da expedição... -- balançou a cabeça -- É bom que saiba que dura uns 60 dias! -- sorriu -- Vai ter que desembolsar no mínimo, e bem no mínimo, uns cinquenta mil reais!

 

--Capaz!! -- arregalou os olhos

 

--Posso te dar uma lista do que vai ter que levar, mas não posso arrumar um patrocínio pra você! -- foi sincera -- "E nem me esforçaria pra isso! Priscila fala que essa aí é a maior golpista!” -- pensou

 

--Até quando eu tenho que estar com tudo resolvido pra poder me juntar a vocês?

 

--Na pior das hipóteses, até janeiro!

 

--Janeiro?? Mas já estamos em novembro! -- reclamou

 

--Sinto muito!

 

--É... -- respirou fundo e se levantou -- Eu dou meu jeito! -- olhou para Sabrina -- Se Lila Moksha quer ir pro Everest, ela vai pro Everest! -- respondeu decidida

 

A escaladora olhava para ela como se achasse que estava diante de uma louca.

 

***

 

Seyyed olhava orgulhosa para a estrutura que estava sendo erguida. As obras ainda consumiriam um tempo, mas ela conseguia vislumbrar perfeitamente o resultado final.

 

--Agora será só oficina. Não faço mais casa conjugada. Isso é prático mas também arriscado. -- falava sozinha -- Se eu não tivesse dado ouvidos a Isa quando ela propôs a mudança teríamos ficado desabrigadas e com um prejuízo muito maior. -- pensava em voz alta -- Quem sabe até estaríamos mortas... -- olhou para a planta baixa que tinhas nas mãos e sorriu. -- Vai ficar legal pra caramba!

 

--Tenho certeza que vai! -- uma voz conhecida concordou

 

A mecânica olhou para trás e viu que Camille se aproximava. -- Oi! -- sorriu

 

--Oi, Camille! -- sorriu também

 

--Eu não sabia que estaria aqui. -- parou perto dela -- Estou vindo direto do trabalho e quis passar aqui pra ver em que pé estava a obra. -- explicava-se -- Mas imaginei que você já estaria em casa.

 

--Não consegui. Fiquei fazendo uma vistoria da coisa toda, sonhando acordada... Mal posso esperar pra voltar a trabalhar na minha ESSALAAM! -- respondeu empolgada

 

--Até eu tenho saudades, imagine você! -- cruzou os braços

 

--Aliás, antes que eu me esqueça, parabéns pela promoção! Com certeza foi merecida!

 

Corou. -- Tio Mariano que contou?

 

--Sua mãe! -- respondeu -- Não fique zangada ou com vergonha, isso é coisa de mãe! É natural e muito bonito!

 

--Eu sei... -- olhou para o chão

 

--E o MBA começa quando? Mulher chique, vai estudar comércio exterior!

 

--Meu, ela contou tudo mesmo, ô louco! -- riu brevemente -- Ano que vem, em abril. -- respondeu meio sem graça

 

--E onde vai ser?

 

--Na FGV de São Paulo.

 

--Ah, tá em casa! -- brincou -- Quanto tempo dura isso? -- perguntou curiosa

 

--Acreditaria se eu dissesse que ainda não sei? -- riram -- Não diz no site e eu ainda não tive tempo de ligar pra lá. Vou ver isso amanhã!

 

--Não esquece de colocar no currículo que trabalhou na ESSALAAM, tá bom? Só pra me dar uma moral e me atrair clientes bem sucedidos no mundo dos negócios. -- brincou novamente

 

--Ah, sim, pode deixar! -- olhou para ela -- Eu jamais vou esquecer que trabalhei com você!

 

--Eu também jamais vou esquecer que tive uma baita engenheira de produção na equipe. -- pausou -- E que mandava na bodega toda! -- lembrou e balançou a cabeça rindo -- Ri muito quando me você me disse aquilo!

 

--Eu sou abusada, né? -- olhou para as mãos

 

--Não é, não... -- voltou a olhar para a obra -- Eu tive um sonho muito bonito essa noite. -- contava -- Sonhei que um espírito, que eu não conheço, me dizia que meu comportamento fez com que minhas dívidas fossem atenuadas. -- enrolava as plantas para guardá-las

 

--Isso não me surpreende. Você é uma pessoa boa! – caminhou para perto da parede mais próxima -- Se fez alguma coisa ruim em outra vida, já teve ter aprendido sua lição. Você é uma pessoa muito boa!

 

--E você também! -- virou-se para a loura -- Sua transformação ao longo dos anos é algo admirável de se ver! -- pausou -- Escute... eu vou lhe pagar todo o dinheiro que me deu. É minha obrigação.

 

Camille encostou-se na parede, olhou para o chão e depois para Seyyed. -- Se quiser me ofender, faça isso. -- respondeu com seriedade

 

--Menina... -- retrucou

 

--Se quiser me ofender e magoar, faça isso! -- reafirmou

 

A morena suspirou. -- Então me permita te dar um presente quando essa oficina ficar pronta.

 

“O presente que eu queria é você, sua trouxa!” -- pensou -- Que presente?

 

--Surpresa! -- sorriu -- Não é o dinheiro numa caixa, é um presente mesmo. Pode ser?

 

--Vamos ver. -- fingiu que estava esnobando

 

--Camille, -- aproximou-se dela -- eu queria muito te agradecer pela sua ajuda, pela força que nos deu com a mãe da Isa e por ter dado o caminho das pedras pra ela solicitar o patrocínio. -- segurou as mãos dela -- Muito obrigada mesmo! De coração!

 

--Não precisa agradecer. Fiz de boa vontade e com sinceridade. -- olhavam-se nos olhos

 

--Eu sei!

 

A loura gastou uns segundos calada, soltou as mãos da morena e decidiu perguntar à queima roupa: -- Por que não, Ed? -- prendeu a respiração -- "Eu não aguentava mais. Tinha que falar!” -- pensou decidida

 

(Somente instrumental. Tem tudo a ver com o momento. Ouça tudo, e veja como a cena surge na mente a ponto de envolver. Confesso que até emocionei, especialmente na parte do violino)

 

https://www.youtube.com/watch?v=RjvFMQGHVTs

--Por que não o que? -- perguntou desconfiada

 

--Você sabe. -- olhava intensamente nos olhos da morena -- Não finja que não entendeu! -- começou a andar em uma pequena trajetória -- Nós nunca perdemos o contato, mas uma distância se impõe a cada ano. Você sabe disso! -- parou -- Você faz isso!

 

A morena passou a mão nos cabelos, respirou fundo e olhou para a loura. -- Eu amo a Isa! Tinha que ser assim! Eu não queria te magoar. É a última coisa que quero fazer.

 

Sentiu muita dor ao ouvir aquilo. -- Diz isso pra mim ou pra você? -- provocou

 

--Houve uma época em que me confundi, não nego. Mas hoje eu tô muito segura do que tô te dizendo. -- acariciou o rosto dela -- Você e eu... não é pra ser, Camille.

 

--Queria concordar com você, mas eu não consigo. -- removeu a mão dela do próprio rosto -- Só que... tudo bem. Eu toquei nesse assunto porque precisava falar, já não agüentava mais!

 

--Eu sinto muito. -- pausou -- Nem sei o que dizer! -- estava constrangida

 

--Não precisa dizer coisa alguma. Eu não vou me fazer de vítima, não vou chorar, não vou perturbar o seu relacionamento ou sequer desejar que ele acabe. -- respirou fundo -- Eu só queria ouvir a sua resposta. Eu precisava!

 

A morena balançou a cabeça.

 

--Se é feliz com Isabela, desejo que assim continue. -- seus olhos marejaram -- E que esse relacionamento de vocês seja sempre muito bom. -- sorriu -- Eu sempre morri de inveja, confesso. Queria viver uma coisa assim...

 

--Você vai viver! É só uma questão de tempo! E saber esperar! -- também estava emocionada

 

--Esperar? -- riu brevemente -- Eu não quero mais esperar! -- respondeu resoluta -- Eu espero por você desde o dia em que entrou no meu quarto me chamando pra jantar e me levou no colo pra sala. -- lágrimas teimosas escorriam de seus olhos -- Por todos esses anos, eu venho esperando que você venha e me pegue no colo e me leve contigo... Seja pra onde for! -- lágrimas também escaparam dos olhos de Seyyed -- Mas a gente precisa buscar ser feliz e eu acho que já sofri demais. -- secou os olhos -- Não espero mais, Ed. Termina aqui. E eu já havia dito isso pra mim mesma por várias vezes, mas... no fundo havia uma esperança. Agora acabou! -- sorriu -- Mas não pense que digo isso com raiva, despeito ou mágoa. -- pausou -- É apenas uma decisão pra viver melhor.

 

A mecânica não conseguia falar.

 

Camille ainda lançou-lhe um último olhar e foi embora sem nada dizer. Seyyed acompanhou sua caminhada com os olhos e pensou em como aquela cena e a dor que sentia lhe pareciam familiares.

 

 

Fim da Quinta Temporada – será que temos sobreviventes depois de tudo isso? Essa temporada termina com um pouquinho de tristeza, não? Coisa que só entende quem espera ou um dia esperou por quem não viu chegar. Bem, se ainda há vida após tanta leitura, procure pela sexta temporada neste site e mãos à obra! Vai que você gosta?

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Citações

1 – Carlos Castañeda

2 – Baseado na obra de Amaury Ribeiro Jr: A Privataria Tucana. Ed. Geração Editorial.

3 - Frase da leitora Mnemsis

4 - Baseado no relato de uma colega de motoclube de Samira, que caiu em uma vala após perder o controle de uma Honda CBX 750F a 212km/h em 2009

5 - Baseado no trabalho de B. Jeanneret e S. Schären

6 – Joanna de Ângelis

7 – Raydon Donovan

8 - Churton Collins

9 – Extremamente baseado no livro de Gibson Bastps: Além do Rosa e do Azul - Recortes Terapêuticos sobre Homossexualidade à Luz da Doutrina Espírita. Ed. CELD

10 – Baseado na obra de Collin Spencer: Homossexualidade - Uma História. Ed Record

11 – Baseado no trabalho de Elizabete Demetriuk

12 – Baseado no exposto em

http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_na_Gr%C3%A9cia_Antiga

13 - Gênesis, 1:28

14 – Baseado na obra de José Carlos Leal: A Maldição da Mulher de Eva aos Dias de Hoje. DPL Editora

15 – Baseado no trabalho de Alcemar Oliveira

16 - Baseado no trabalho de Luiz Mott

17 - Baseado no trabalho de Mary del Priore

18 – Baseado no exposto em http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/20061121-100_homoeroticos.pdf

19 – Comentário da leitora Cambarah

20 – Baseado no artigo de Alessandra El Far

21 – I Tessalonicenses, 5:21

22 – Depressão e Mediunidade de Jairo Avelar, Célio  Alan  Kardec, Wanderley Oliveira e Wander Luis Lemos. Editora Itapuã.

23 – I Coríntios, 6:12

24 - Apóstolos 10:34

25 – Baseado nos textos de Madre Teresa. Psicografia Robson Pinheiro. Não lembro o nome do livro

26 – Allan Kardec

27 - Efésios, 6:9

28 - Baseado na obra do espírito Joseph Gleber, psicografada por Robson Pinheiro.  Não lembro o nome do livro

29 – Baseado na obra do espírito Hammed, psicografada por Francisco do Espírito Santo Neto.  Não lembro o nome do livro

30 – Baseado no exposto em http://www.dhnet.org.br/dados/manuais/dht/br/mott_assassinatos_h/01_crime.html

31 – Baseado no trabalho de Nadia Guerlenda

32 - Baseado no trabalho de George Sarmento

33 – Baseado no exposto em http://homofobiamata.wordpress.com/

34 – Contardo Calligaris

35 – Henry E Adams

36 – Tito, 2:8

37 – Baseado nas informações do site http://www.brasilescola.com/politica/deputado-estadual.htm

38 – Baseado nas informações do site http://pt.wikipedia.org/wiki/Quociente_eleitoral

39 – Provérbio Zen

40 – Baseado no artigo de Thaís Sabino

41 - Charlotte Whitton

42 e 43 - Friedrich Nietzsche

44 – Madre Teresa

45 - Provérbios 13:7

46 – Rachel de Queiroz

47 – Siddarta Gautama

48 – André Luiz

49 - Emmanuel

50 – Provérbio Chinês

51 – Baseado no belíssimo projeto Dançando para não Dançar, idealizado e coordenado pela bailarina Thereza Aguilar (maravilhosa!!!)

52 – Aldous Huxley

53 – Madre Teresa

54 – Baseado na mensagem de Paulo Roberto Gaefke

55 – Albert Einstein

56 – Aldous Huxley

57 – Santiago Ramón y Cajal

58 – Diálogo inspirado na peça Tarja Preta (foi aí que aprendi sobre a ‘química da paixão’)

59 – Baseado na rotina do nadador Thiago Pereira descrita em http://veja.abril.com.br/quem/thiago-pereira-michael-phelps.shtml

60 – Frase da personagem Sonmi-451, filme Cloud Atlas (A Viagem)

61 - Aldous Huxley

62 e 63 - Rachel de Queiroz

64 – Olavo Bilac

65 e 66 – Frases da personagem Frobisher, filme Cloud Atlas (A Viagem)

67, 70 e 71 - Autoria real desconhecida por mim

68 - Condessa Diane

69 – Frase da leitora Pryscilla

72 - Valdemir Barbosa

73 - Frase da personagem Sonmi-451, filme Cloud Atlas (A Viagem)

74 – Emmanuel

75 – Baseado na obra de Léo Montenegro

76- Baseado na obra do espírito Ângelo Inácio. Psicografia de Robson Pinheiro. Aruanda. Ed. Casa dos Espíritos

77 – Baseado na obra de Asne Seierstad. Crianças de Grozni. Ed Record

78 - Chuang Tsé

79 – Baseado no exposto em http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/192963-CONHECA-AS-ATRIBUICOES,-DIREITOS,-DEVERES-E-VERBAS-DOS-DEPUTADOS.html

80 - Meimei

81 - Frase da personagem Sonmi-451, filme Cloud Atlas (A Viagem)

 

Música do Capítulo:

 

[a] My Heart Will Go On. Intérprete: Celine Dion. Compositores: James Horner / Will Jennings. In: Let’s Talk About Love. Intérprete: Celine Dion. Columbia & Epic, 1997. 1 CD, faixa 12 (4min40)

 


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Comentários para 29 - Quinta Temporada - LIBERDADE VII:
PaudaFome
PaudaFome

Em: 11/05/2024

Temporada incrível!!!!!! O final foi tocante essa história deixa a gente viciada nos encantos de maia


Solitudine

Solitudine Em: 20/05/2024 Autora da história
Cada vez mais feliz em saber que Maya te encantou tanto!

Beijos,
Sol


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jake
jake

Em: 26/03/2024

Que temporada !!!! Cheia de grandes emoções,revelações, ensinamentos e mto aprendizado. Tbm não podia ser diferente já que as mãos que escreve faz com Maestria.Sol vc nos leva a rir e chorar  trata assuntos delicados, polêmicos com uma leveza extraordinária. E consegue encaixar as músicas de uma forma que nos faz viajar num carrossel de emoções. Muito obrigada. 

Ps: Quero dizer que gostei da participação da Samira e Sua na história. Vou correr pra ler minha Felicidade sob os encantos de Maya


Solitudine

Solitudine Em: 02/04/2024 Autora da história
Olá querida!

Liberdade foi a temporada de abrir os caminhos para as coisas começarem a se ajustar!

Fico feliz que esteja gostando tanto! Realmente fico!

Sim, leia tudo e me deixe saber o que achou! rs

Obrigada!!!!!!!!!!!!!

Beijos caipirescos,
Sol


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Hana Stewart
Hana Stewart

Em: 02/04/2023

Temporada linda que trouxe mais provações e aprendizado, o estremecimento em algumas relações e descobertas sobre si.

Vou começar a rer a minha preferida! FELICIDADE!


Solitudine

Solitudine Em: 08/04/2023 Autora da história
Olá querida!
Novamente me encanta seu poder de síntese.
Felicidade é a temporada preferida da maioria das que leram e vieram me dizer o que acharam. Fico feliz com isso, porque é sinal que o final agradou. rs
Beijos,
Sol


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Femines666
Femines666

Em: 11/03/2023

Meu que temporada linda! Eu cacei o instrumental e li ouvindo. Que lindo! 

Eu ri muito e me emocionei bastante. Você impregnou essa história de energia do Bem. Amando demais!!!


Resposta do autor:

Que bom que você sentiu essa energia! Espero que continue lendo com a mesma empolgação!

Aquele instrumental é de arrepiar! Eu acho...

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 14/09/2022

Não resistir e fui ouvir a música. É linda **|**  e tu é demais! Escrita perfeita em tudo


Resposta do autor:

Muitíssimo obrigada!

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 14/09/2022

Decidi terminar essa temporada antes de trampar hehe

Lady me mata de rir e tu me mata de me fazer passar vergonha no meu das multidões. Sem te nem pra que tô eu dando risada ou gargalhada.

Lila bota muita lenha hehe E tanta coisa emocionante acontecendo comigo, Tati e Renan voltando até que... Priscila vive momentos de Lady e sonha loucura. Vem Pri que o lado sapa da força te espera! Hehehe;

Temporada terminou tão triste... eu vou ouvir a trilha sonora daquele papo mas não agora Tu escala? Lila com certeza não hehe


Resposta do autor:

Rir é uma coisa boa. Típica vergonha que não faz problema passar! Quando é fé, o povo ri contigo! rs

Torcendo por Priscila e Lady? Você verá (ou já viu) no que vai dar.

A temporada terminou com uma nostalgia inexplicável no ar. Meio tristeza.

Sim, eu amo escalar. Porém, depois da pandemia, ainda não voltei a fazer isso.

Beijos,

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 25/04/2020

Olha só, deixei a escritora sem palavras, que isso!!

 

Cuide-se mulher!

 

Beijos


Resposta do autor:

Gabinha, você é porreta!

Beijos!

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 25/04/2020

Que matar a caipira? Tá doida mulher? Kkkkkkk...

Ju tá naquela correria e desgaste, mas tá bem.

 

Tudo que escrevi é verdade viu? Você mora no meu coração! Por isso que sempre falo, se cuida!

 

Beijos 


Resposta do autor:

A caipira está quase só o quimba nessa loucura. Mas a gente "rodopeia" sem frear! kkk

É recíproco, Gabinha!

Beijos,

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 23/04/2020


Diva é uma divindade feminina, uma deusa. No sentido figurado é uma mulher muito bonita. É um substantivo feminino derivado do latim divus (deusa).


Resumindo aí: Solzinha você é uma diva, escreve divinamente bem, ler suas histórias além de ser um grande prazer, faz com que repensemos atitudes, enxergarmos o mundo além do nosso umbigo e a cada capítulo finalizado façamos uma reflexão da vida e do mundo que vivemos.


 


Amiga, você não faz ideia do quanto você é especial para mim. Você sabe que sempre que precisar de alguma coisa, pode contar comigo, não importa o momento, seja ele de tristeza ou alegria, estarei sempre contigo.

Solzinha , não quero nunca perder sua amizade, ela é tudo para mim. Não há palavras no mundo que eu consiga explicar meu carinho por você. Em você, eu sei que posso confiar, e sei também que você vai estar sempre comigo, quando eu precisar.


 


Beijos



Resposta do autor:

Olá Gabinha!

Assim você mata a caipira... Obrigada. Nem sei o que dizer.

E a nossa Ju Jujuba, cadê?

Você e sua família também são especiais para mim. E sempre serão. Também sinto um carinho imenso, valorizo e por mais que eu suma de quando em vez nunca esqueço.

Também pode contar comigo sempre!

Beijos!

Sol

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 23/04/2020

Olá Sol!

Juliana para presidente do Brasil e tenho dito!!

Adorei as propostas dela.

 

Lady Winslet? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.... Priscila di Caprio, Céline Dion... Gente!! Não aguento esses sonhos loucos.

Mas é inegável que ela se apaixonou pela Priscila e dentro dessa loucura de ser Lady, foi um sentimento puro e verdadeiro.

 

Essalam de volta, que alegria! Ed ajudou tanta gente ao longo das temporadas, que agora está colhendo os frutos , ela merece.

 

Ai Dona Mari, como é decidida e mais esse Romeu é nojento! Uiii... Ela deu um direto nele sem ao menos encostar... Kkkkk...

 

 

Gente no sonho da Priscila , a Priscilinha é um mini pistoleira, que horror! Kkkkkk... Mas cá entre nós achei o máximo esse alfabeto.

 

Eita que a Sabrina é porreta mesmo!

 

Caramba essa conversa final da Ed e da Camille foi tão intensa, tão cheia de significados. Lembro que na época ficou um gostinho de ter faltado algo, mas hoje vejo que não.

Foi emoção na medida certa, porém deu peninha da Camille.

 

Beijos

 

 

 


Resposta do autor:

Gabinha!!!

E tudo que a gente precisava agora é de uma Juliana para presidente do Brasi, não é? Se bem que só presidente não basta; Congresso e Senado têm que ter gente boa também porque senão a coisa empaca.

Lady sonha sempre mais além. Pegou a barca e se viu no Titanic com a diCapria! kkk

Sabe que eu gosto dessa oficina?

Lembro que você era outra que detestava Romeu! kkkk

"Mas cá entre nós achei o máximo esse alfabeto".- Claro! Mulher rica! Acontece uma afinidade.

Sabrina mudou, não te digo?

E a música ajuda também naquela conversa nas entrelinhas. Adoro aquela música, aliás. E a letra, embora eu tenha escolhido a versão instrumental, também tem sintonia.

Beijos,

Sol

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Gagia
Gagia

Em: 05/02/2018

Tantas coisas, tantas coisas. Até um filme que assistes enriquece teu conto. Cloud Atlas... És incrível!

Lady vivendo em seu mundo paralelo, tu me deixas louca de rir. Esqueci de escrever no local devido sobre a cura de Ricardinho. Também foi grande emoção!

Dona Lourdes e suas velinhas... tão romântico, tão acolhedor. Juliana lendo o livro de Rute. Sabes a bíblia de cor? Mui adequado!

As consequências do documentário da Tatiana me fizeram sentir o efeito cascata que narraste no conto. A prisão de Anselmo, senti como se estivesse lá. São tantas coisas a dizer e não sei como colocar aqui.

A síndica louca me lembra uma senhora que conheci algures. Somente você Solitudine... rs

Eu ouvi o instrumental ao final do capítulo. O som dos violinos me arrepiou. O que passava em teu coração? Como escreves desta forma? Tu te aproprias do emocional de quem lê. Somos escravas de teus desejos. É como se dissesses, agora ri, assim fazemos, agora chora, assim sofremos, agora sonha, assim nos perdemos nos espaços da imaginação. Diva!


Resposta do autor:

Assisti Cloud Atlas por conselho de uma amiga e leitora. E aí foi pura inspiração. 

A forma como descreves as personagens me encanta. Gagia, quem é você?  Uma escritora?

O som dos violinos me fez chorar naquela hora de escrever. Pode acreditar. Eu primeiramente conheci aquele instrumental e depois veio a cena...

Você e uma grande amiga são as pessoas que me chamam de diva. Acho diferente e fico um pouco envergonhada...

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