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  • Primeira Temporada - MUDANÇAS VI

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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

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Palavras: 17880
Acessos: 10672   |  Postado em: 31/12/2017

Primeira Temporada - MUDANÇAS VI

 

Mariângela e Olga estavam na pracinha sentadas em uma das mesinhas do famoso Tacacá da Gisela.

 

--Esse tal de tacacá tem um sabor forte... -- Mariângela estranhava

 

--Se tem. Não é o tipo de coisa que eu comeria todo dia mas gostei de ter provado. -- Olga respondeu

 

--É, eu acho interessante experimentar as iguarias dos lugares que se visita. Quando Antônio era vivo, a gente viajava nas férias dele e de Camille. Íamos para o lugar que ele cismasse de ir. Geralmente eram destinos nacionais, mas por duas vezes conhecemos outros países. -- ficou rememorando -- Fomos pra Bariloche e Buenos Aires em 97 e pra Lisboa e arredores em 99. -- sorriu -- Parece que faz tanto tempo... -- ficou mirando um ponto perdido no infinito

 

--Já esteve aqui?

 

--Não... nunca na região norte. Antônio preferia o sul ou então o nordeste. -- olhou para Olga -- E você? Viajava muito com seu marido?

 

--Não... -- balançou a cabeça -- Quando Khazni e eu nos casamos mal tínhamos dinheiro pra pagar as contas. -- riu brevemente -- Lutamos arduamente por longos anos. -- pausou -- Khazni foi lesado quando deixou a Marinha Mercante indiana. Saiu de lá quase sem um tostão. Foi trabalhar como técnico na empresa em que eu era secretária e foi daí que nos conhecemos. Ambos ganhávamos mal naqueles tempos. Nossas viagens se resumiam a idas a Paquetá; quando sobrava um dinheirinho podíamos ir pra Petrópolis ou Cabo Frio, mas isso aconteceu pouquíssimas vezes. Depois Seyyed nasceu e mais apertado o orçamento ficou. A situação só melhorou mesmo quando ela começou a trabalhar no próprio negócio. Mas aí ele já havia morrido.

 

--A vida de vocês foi difícil, não foi? -- perguntou com jeito

 

--Financeiramente sim. E muito! Mas tivemos um ótimo casamento. Nós tínhamos diálogo, amizade, um bom relacionamento sexual... ele não era um homem grosseiro, do contrário... Khazni era romântico, observador, pacato...

 

--Quantos anos sua filha tinha quando ele morreu?

 

--Quinze. Quer dizer, ia fazer quinze. Foi na véspera do aniversário dela.

 

--Coitada! -- exclamou -- Imagino como deve ter ficado triste!

 

--Ela e o pai se davam muito bem. -- pausou -- Ela sofreu muito, sim. Mas nada desesperador.

 

--E... desculpe perguntar isso... -- pigarreou -- Ele sabia que Seyyed era... -- não conseguia completar a frase

 

--Acho que naquele tempo nem ela tinha muita certeza quanto a isso. Minha filha se assumiu lésbica aos dezoito anos.

 

--E você, como reagiu? Não consigo me imaginar no seu lugar. -- estava intrigada

 

--Conversamos muito, eu tentei orientá-la pra uma vida amorosa saudável e consciente e ela tem se saído bem. Não chorei, não desesperei, não tive vergonha dela ou do que os outros fossem pensar. Apenas tive, e ainda tenho, medo que alguém fizesse uma maldade com ela, por conta de homofobia. Mas entrego a Deus e confio nEle.

 

--Eu acho incrível. -- terminou de comer -- E você vem, assiste a apresentação da moça que sabe que é a namorada dela... Acho incrível. -- balançou a cabeça pensativa

 

--Chegou a pensar que era uma pouca vergonha, não foi? -- perguntou sorrindo Mariângela corou e abaixou a cabeça --Tudo bem, não fique constrangida... -- pausou -- Quando se ama alguém, Mari, você aceita que a pessoa não seja exatamente como você gostaria que ela fosse. -- Mariângela olhou para ela -- Se eu pudesse interferir no coração dela, faria com que fosse hetero, pra que sofresse menos e se ajustasse completamente ao sex* biológico. Mas não posso fazer isso. E seja como for, é minha filha, ótima filha e eu a amo muito.

 

--Eu não sei o que faria no seu lugar... Não expulsaria Camille de casa, não faria um escândalo, mas não sei se reagiria tão bem... -- ficou brincando com a cuia -- Eu vou te desabafar uma coisa... morro de inveja de seu relacionamento com Seyyed... nunca consegui fazer de Camille minha amiga. Ela sempre gostou do pai e acho que somente dele. -- disse com tristeza

 

--Por que diz isso?

 

--Camille nunca perdeu tempo conversando comigo. Sempre desabafou todas as coisas com o pai. E depois que ele morreu, ela me culpa por isso. -- pausou -- E também me culpa por seu acidente.

 

--E você não tem culpa, pelo amor de Deus! Nem pense nisso. -- segurou uma das mãos dela -- Responda-me uma coisa, Mari: como Camille reagiu quando você decidiu vir comigo?

 

--É uma longa história... -- respirou fundo -- Primeiro eu falei de seu convite. Ela estava fazendo fisioterapia com Flávia, eu devia ter esperado acabar, mas fiquei tão surpresa e empolgada... Camille disse que não viria, falou desaforos e acabou discutindo com Flávia, que me dava força pra vir. -- pausou -- Ela ofendeu a moça, que acabou pedindo demissão.

 

--O que??? Flávia pediu demissão?? -- Olga se surpreendeu. Soltou a mão de Mariângela

 

--Pois é... Ai, eu nem sei como vai ser daqui pra frente... -- sorriu com tristeza

 

--Eu vou pedir pra Juliana conversar com ela. Talvez possa reconsiderar...

 

--Eu agradeceria, mas acho que é um caminho sem volta. Camille sempre foi grossa com ela, acho incrível que tenha durado tanto.

 

--Mas e então? Flávia pediu demissão, foi embora e aí? O que aconteceu depois? -- estava curiosa

 

--Camille se trancou no quarto e eu fiquei paralisada diante da máquina de costura. Pensei no que Flávia falou, pensei na minha vida... Eu nunca fui feliz, Olga. Eu fingia o contrário, mas nunca fui feliz. Decidi vir com você porque queria me dar um presente. Eu sempre fiz todas as coisas pensando em agradar os outros; nunca a mim mesma. -- esfregava as mãos nervosamente -- Eu casei com Antônio porque meus pais queriam. Acabei acreditando que era o melhor homem pra mim, mas eu amava outro. Antônio decidia tudo, eu apenas o seguia. Eu sempre fiz todas as vontades de Camille e depois do acidente mais mimada permiti que ficasse. -- pausou -- Eu quero acabar com isso de uma vez por todas. Sei que tenho responsabilidades, não vou abandonar minha filha, mas quero pelo menos tentar ser feliz. Quero deixar de ter esse medo constante de desagradar os outros.

 

--Pode e deve fazer isso, querida.

 

--Você sabia que Antônio nos deixou na penúria? -- tinha necessidade de desabafar -- Eu confiei nele a vida inteira e ele nunca me confiou nada. -- lágrimas rolaram de seus olhos -- Ele perdeu quase todo o nosso patrimônio em roletas clandestinas, corridas de cavalo, jogos de cartas e caça níqueis. E eu nunca soube desse vício maldito! -- tentava segurar as lágrimas -- Eu tive que vender nossa casa pra poder me livrar dos cobradores e ninguém na nossa família estendeu a mão pra nos ajudar. Se não fosse Mariano...

 

--Calma, querida... -- Olga pegou um guardanapo e secou o rosto dela com delicadeza -- Não guarde mágoas de Antônio, porque ele já tem motivos suficientes pra sofrer onde quer que esteja. Você não disse que quer começar uma vida nova? Então comece deixando o passando onde deve permanecer. -- pausou -- Quanto a Camille, seja boa com ela, mas não lhe permita ser cruel com você. Tem que aprender a lhe respeitar. E olha? -- segurou o queixo dela para que lhe olhasse -- Ela gosta de você, mas devia se identificar mais com o pai. E hoje em dia, está tão revoltada e triste por tudo o que aconteceu que procura alguém pra descarregar as mágoas, e esse alguém é você. Não permita que ela viva fazendo isso a todo momento. Sua filha já progrediu muito em certos aspectos, mas precisa ensiná-la que você merece respeito e consideração. Não fique eternamente orbitando ao redor dela. Camille precisa aprender o valor das coisas, e mais que tudo, o valor da mãe dela.

 

--Ela vai aprender... Assim como eu mesma tenho que aprender o meu valor. -- fungou baixinho

 

--Não está sozinha nisso. -- sorriu

 

--Eu sei. -- sorriu em retribuição -- Oh, Olga, me perdoe por tudo. Fui uma ignorante tentando afastá-la de nossa família. E nós devemos muito a você.

 

--Não me deve nada...

 

--Mariano não poderia ter encontrado mulher melhor.

 

--E nem eu poderia ter encontrado homem melhor. E ainda me deu uma boa cunhada. -- sorriram

 

--Sabe? -- queria mudar de assunto e fofocar um pouco -- Eu não gostei da família da Isa. A tia é metidinha e não fala com ninguém, o pai parece que vive angustiado esperando uma coisa e a mãe é uma louca megalomaníaca. Tem certeza de que quer Seyyed metida com essa família?

 

Olga teve que rir.

 

***

 

--Ponta Porã... -- Suzana falava consigo mesma enquanto analisava algumas informações que recebeu -- Então foi lá que você se escondeu, não é, seu safado? -- sorriu

 

--Chefia, escuta a bomba! -- Brito aparece correndo -- A quadrilha dos trafica que a gente quer pegar tá organizando a festa do nosso casacudo de BH. Ao que tudo indica, estarão todos no Savassi depois de amanhã.

 

--Eu sabia! -- deu um soco na mesa -- Sabia que aquele safado fingido tinha culpa no cartório. Vive tirando uma de bom moço mas é cheio de amizades comprometedoras! -- riu -- Está nas nossas mãos agora!

 

--Vamos na festinha? -- debruçou-se na mesa dela -- Eu estou louco pra dançar um funk em BH. -- sorriu -- E comer pão de queijo, porque adoro isso!

 

--Vambora! -- sorriu também -- Mas de lá eu vou direto pra Ponta Porã encontrar com Macumba.

 

--E por que? -- não entendeu

 

--Otávio Bueno. Nosso homem está lá. -- apontou a tela do computador -- Veja se não é ele nessa foto!

 

Brito olhou. -- O próprio. Só que agora é ruivo. -- pausou -- Não ficou bem! Mas, já era um branco sem graça... -- balançou a cabeça -- Não acha que Macumba pode prendê-lo sem você?

 

--Eu quero estar lá na hora. Macumba segura as pontas enquanto eu não chego.

 

--Então eu vou junto. Nossos homens farão as honras em BH quando a festinha terminar.

 

--Se também quer vir... -- olhou para ele -- Eu é que não perco a chance de prender aquele traste por nada.

 

--Não costuma levar os casos pro lado pessoal como está fazendo com esse. -- encarou a chefe tentando entendê-la -- É só por que ela, a garota, era...? -- não conseguiu completar a frase. Endireitou a gola da camisa

 

--Talvez seja. Mas o fato é que eu quero estes miseráveis na cadeia! -- afirmou entre dentes

 

--Sempre quer os bandidos lá! Qual a diferença?

 

--Você não entenderia...

 

***

 

Juliana havia acabado de chegar da instituição onde prestava seu trabalho comunitário. Tomou banho e trocou de roupa, vestindo uma camisola leve. Foi estender a toalha de banho no varal quando ouve a campanhia tocar. Correu para ver e era Suzana. Abriu a porta com um enorme sorriso.

 

--Que surpresa boa! Acabo de chegar! -- reparou no semblante da delegada -- Nossa, que cara. Entra. --ficou desconfiada

 

Ela entrou e parou no meio da sala. Trouxe uma pequena mala, que colocou no chão. Começou a esfregar as mãos.

 

--Você... se incomoda se eu... estou armada, Ju. -- mostrou o revólver

 

--Não me incomodo. A menos que queira treinar pontaria aqui. -- brincou para aliviar a tensão -- O que houve, Suzana?

 

--Viajo amanhã pra BH. Vamos dar uma batida na casa de um safado e prender um monte de gente. Não vai ser fácil porque esses caras não relaxam e têm sempre quem fique de tocaia pra proteger a matilha. -- pausou -- Vai ser uma operação arriscada... -- olhou para ela

 

--Meu Deus! -- pôs a mão sobre o peito -- Suzana, pelo amor de Deus, toma cuidado. Se cuida! -- olhou para ela com preocupação

 

--De lá, se tudo der certo, vou pra Ponta Porã prender o outro canalha que Tatiana descreveu.

 

Juliana abraçou-se fortemente com a delegada. -- Cuide-se, por favor! -- fechou os olhos -- Quero que volte sã e salva.

 

--Escuta, Ju. -- segurou delicadamente os braços da enfermeira, que olhou para ela -- Durante todos esses anos, eu nunca tive medo dos riscos inerentes ao meu trabalho. Encarava tudo e já fiz coisas que ninguém em sã consciência faria. Achava que não tinha nada a perder... Mas agora... -- acariciou o rosto da japonesa -- pela primeira vez, tenho receio de que algo possa dar errado. Agora eu me sinto como se... como se tivesse razões pra voltar inteira...

 

--E você tem! -- segurou o rosto dela -- Quero que volte pra mim!

 

--Me mostra que eu tenho para quem voltar? -- pediu

 

Juliana beijou os lábios de Suzana, que abraçou-lhe pela cintura e retribuiu o beijo com muita intensidade. A japonesa começou a desabotoar os botões da camisa da delegada e em pouco tempo deixou-a livre dela. Suas mãos correram o abdômen da mulher mais velha e começaram a desabotoar a calça comprida, deslizando-a para que fosse ao chão. Suzana chutou a roupa para longe depois de arrancar os próprios sapatos. Estava somente de roupas íntimas.

 

E os beijos e carícias não paravam. Era como se estivessem com fome uma da outra.

 

A japonesa quebrou o contato entre elas e afastou-se um pouco. Tirou a própria camisola sensualmente e depois a calcinha. Estava completamente nua diante da outra. Suzana sentiu-se tomada pelo desejo e arrancou as próprias roupas íntimas com fúria. Foi até a enfermeira e beijou-lhe com paixão.

 

--Ah, mas você beija muito... -- disse com olhos semi cerrados -- Me leva pra cama AGORA! -- pediu enquanto a delegada explorava seu pescoço

 

Suzana levantou-a no colo e correu com ela até o quarto. Deitou-a na cama e ficou por cima. Juliana estremeceu em contato com aquele corpo forte e pesado.

 

--Ai, ai, ah... -- gemia -- Nossa, você... -- foi calada com um beijo -- Ai, mas você... -- fechou os olhos -- Meu Pai... -- mordeu os lábios

 

A delegada não deixou que a amante sequer pensasse no que estava acontecendo. Não parava de explorar seu corpo e parecia ter necessidade da outra para viver. O prazer chegou com intensidade.

 

--Ah... Você me deixou louca. Aliás, não era de hoje que eu estava louca por você. -- olhava para Juliana

 

--Nossa... -- respirou fundo -- O que foi isso? -- sorriu e deitou-se de lado, olhando para a amante -- Você é um animal, sabia? -- continuava sorrindo-- Nunca ninguém me possuiu desse jeito.

 

Deitou-se de lado também. -- Eu sei que sou bruta... -- respondeu preocupada -- É que me empolguei... eu... -- foi silenciada pelos dedos da japonesa em seus lábios

 

--Eu ADOREI! Não entendeu isso? -- sorriu

 

--Sério? -- perguntou sorridente

 

--Sim... -- beijou-lhe -- E pra provar isso... -- empurrou a morena para que deitasse de barriga para cima sentou-se sobre ela -- Vou te levar ao céu... -- sorriu e beijou-a

 

Juliana beijava o corpo da amante dando atenção a cada cantinho que julgasse interessante. Arranhava sua pele de leve e provocava a morena com suas carícias.

 

--Ai, Ju... caraca, isso é muito bom! -- sorria e gemia -- Ah... Você vai me matar, assim, garota... -- disse com voz gutural

 

***

 

Estavam deitadas e abraçadas. Juliana de barriga para cima e Suzana com a cabeça em seu peito. A japonesa acariciava os cabelos dela.

 

--Você é uma menina muito má, viu, delegada? -- disse em tom brincalhão -- Estou arrasada... -- sorriu

 

--Eu vou viajar toda arranhada e ardida... mas não me arrependo de nada. -- respondeu sorrindo

 

--Nem eu...-- beijou-lhe a cabeça -- Volta pra mim, tá? -- pediu com seriedade -- Eu não quero te perder...

 

--Não vai me perder. -- levantou a cabeça e olhou nos olhos da japonesa -- Não vai.

 

--Jura?

 

Suzana respondeu beijando-a com delicadeza.

 

***

 

Juliana acordou um pouco mais tarde que o habitual mas não se incomodava pois seu plantão seria à noite. Olhou para o lado e viu que a delegada não estava mais lá. Porém, havia uma folha dobrada ao meio sobre sua escrivaninha. Levantou-se e foi ver o que era.

 

--Bilhete de Suzana... -- disse para si mesma

 

Ju,

 

Eu não me despedi porque não gosto de despedidas. Saí cedo e não quis te acordar. Você é uma mulher de muita fé, então peço que ore por mim. De minha parte, peço aos meus guias e sigo com firmeza. Dará tudo certo!

Quando voltar te procuro.

 

Você é muito importante para mim! Suzana

 

--E você também é muito importante... -- respirou fundo e olhou-se no espelho -- Meu Deus, estou com dois ch*pões e manchas roxas pelo corpo... Como vou esconder esses ch*pões?? -- passou a mão no pescoço e sorriu -- Ai, Suzana, eu te mato...

 

***

 

Silvio estava trans*ndo com uma mulher.

 

--Isso gata... sente o pauzão dentro... -- começou a rebol*r -- Gosta?

 

--Pára de falar e continua assim! -- respondeu com os olhos fechados

 

--Vai goz*r? -- continuava rebol*ndo

 

--Quase lá... -- abriu a boca -- Ah...

 

--Ah!!! -- gritou e curvou-se sobre ela -- Ah!!! Adoro mulher estreitinha assim.

 

--Ah!!! -- sorriu-- Tira, vai? -- pediu. Ele obedeceu e ela deitou-se na cama

 

--Foi bom. -- sorriu -- Vou te deixar recuperar um pouco e vou te comer por trás. Fiquei com tesão no teu cuzinho -- deitou-se ao seu lado e mordeu um seio dela

 

--Não, gatão... Eu não pratico sex* anal. Vai ter que procurar outra garota interessada. -- sorriu e acariciou a cabeça dele

 

--Como não? -- olhou para ela ainda sorrindo -- Eu sempre pego uma mulher de frente e verso.

 

Gisele achou que aquela conversa iria terminar mal e se levantou da cama.

 

--Esqueça. Não rola. -- foi até onde estava sua bolsa

 

--Escuta aqui, piranha de merd*! -- levantou-se também e falou com grosseria -- Eu vou meter no teu cú você queira ou... -- foi interrompido por um trinta e oito apontando para ele

 

--Como é? Você me chamou de que? -- perguntou franzindo o cenho -- Você pensa o que, seu escroto? Acha que sou piranha porque tô aqui contigo? Dobre sua língua, seu babaca. E um homem vai comigo até onde eu quero. -- engatilhou o revólver -- Quem manda aqui sou eu!

 

--Calma gata! -- levantou os braços com medo -- Eu... era brincadeira!

 

--Sei... -- sorriu com deboche -- Pense melhor em suas brincadeiras antes de sair com uma policial.

 

--Você é...? -- sentiu uma forte pancada no rosto e caiu desacordado

 

***

 

Horas depois Silvio acordou nu em um terreno baldio em um local desconhecido. Não tinha qualquer peça de roupa, documento, nada. Sentou-se e sentiu que a cabeça doía. Pôs a mão no rosto e gem*u.

 

--Desgraçada! -- olhou tudo ao redor -- Onde é que eu tô? -- sentiu uma coisa nas pernas e viu que baratas corriam por seu corpo. Levantou-se apavorado -- Porr*! -- começou a espanar as baratas

 

Após se livrar dos insetos reparou que estava perto de uma via bem movimentada, mas não reconhecia aquele lugar. Não via pedestres também.

 

--Que droga, e agora? -- perguntou desesperado

 

Encontrou um pedaço de jornal velho e cobriu somente a parte da frente com ele. Não dava para mais que isso. Decidiu caminhar até a beira da estrada e pedir ajuda.

 

--Maldita mulher! Piranha desgraçada! -- reclamava -- Ei! -- gritava para os carros -- Me ajuda! Ei! -- ninguém sequer reduzia a velocidade -- Ei! -- estava quase chorando

 

***

 

Camille nadou até a exaustão. Queria pensar em nada e talvez o cansaço lhe ajudasse. Não queria ser lésbica, não queria que Flávia tivesse desistido dela e não queria que Mariângela tivesse ido para Manaus. Sentia-se abandonada e traída.

 

“E logo pra prestigiar aquela tal?” -- pensava despeitada

 

Ao sair da piscina viu que Fátima estava sentada sozinha, como sempre bebendo água. Foi ajudada a sentar-se na cadeira de rodas e não sabia o que fazer. Pensou muito se deveria abordá-la e permanecia em um impasse.

 

--É você, pequena rebelde? Camille, não é? -- perguntou

 

--Como sabe? -- perguntou desconfiada

 

--Ouço os movimentos de uma cadeira que se aproxima e afasta... Achei que deveria ser você. -- sorriu -- A dúvida é seu eterno dilema.

 

--Sabia que essa sua mania de saber tudo me irrita? -- respondeu franzindo o cenho. Manobrou a cadeira para ficar mais perto da nadadora

 

--Você vive com raiva, pequena. Aproveite enquanto é tempo e mude seu panorama mental. Vai acabar

adoecendo desse jeito...

 

--Acho que já nasci doente.

 

--É tempo de buscar uma cura, não acha?

 

--E a cura é sair por aí lambendo vagin*s? -- perguntou sarcástica

 

--Meu Deus, de onde tirou isso? -- perguntou em choque mas depois acabou rindo -- Você é uma figura, viu?

 

--Ah, porque do jeito que afirmou com tanta certeza que eu sou lésbica achei que o próximo passo seria me dizer que bucet* é terapia. -- cruzou os braços

 

--O que lhe aborrece a ponto de já iniciar uma conversa com tamanho azedume? Sinto que gostaria de alguém para desabafar.

 

Camille calou-se.

 

--Quando se sentir à vontade, estou aqui para ouvi-la. -- bebeu um gole de água

 

--Minha fisioterapeuta pediu demissão porque eu a destratei e minha mãe viajou sem mim e foi ver um balé em Manaus. -- parecia criança fazendo queixa

 

--Hum... -- fez um biquinho -- E daí você ficou triste e zangada, não foi?

 

Ela demorou segundos para responder. -- Sim...

 

--Por que não pede desculpas a sua fisioterapeuta? É um começo.

 

--Desculpas não resolvem nada...

 

--Será? Você nem tentou. -- sorriu -- E quanto a sua mãe, dê um desconto a ela. Aposto que deve cuidar de você o tempo todo. Também precisa de descanso e distração.

 

--O que mais me chateia foi mamãe ter ido prestigiar aquela garota metidinha.

 

--E quem é essa?

 

--Longa história, mas resumindo: meu tio vai casar e a filha da noiva dele é lésbica. Ela namora uma metidinha que é bailarina e parece que a tal ganhou um papel de destaque em um espetáculo. Como Seyyed não podia ver a namorada dançar em Manaus, a mãe dela convidou mamãe e eu. Não quis ir porque não gosto da metidinha.

 

--Hum... -- pensou -- Há quanto tempo é apaixonada por essa tal de Seyyed?

 

--Ah, não, Fátima... Também, eu nem sei o que deu em mim de ter vindo falar com você. -- começou a se afastar

 

--Por que nega tanto seus sentimentos? Quando vai ser você mesma? Será sempre uma mulher amarga enquanto não for honesta o suficiente pra assumir o que é. Ao menos aceitar a si mesma já seria um grande passo.

 

--Fátima, vai se danar! -- respondeu quando já estava relativamente longe -- Tchau! Fui!

 

--Ai, garota, garota... quando você vai sair do armário, hein? -- bebeu um gole de água -- Eu adoraria estar por perto nesse momento. -- sorriu

 

***

 

Camille estava em casa estudando no quarto. Desde que decidiu batalhar a transferência para a UFRJ pensou que já era hora de voltar a estudar e rever o conteúdo que havia aprendido na USP. Afinal de contas já era um ano sem ocupar a mente em algo útil.

 

Mariângela já estava de volta de Manaus e conversava com uma cliente na sala.

 

“Mamãe voltou tão diferente... Nem parece mais a mesma.” -- por uns instantes pensou, interrompendo sua leitura

 

Mariângela não vivia mais tão preocupada em agradá-la e nem se incomodava mais quando a filha não saía do quarto. Camille percebeu isso e comentou com o tio que se limitou a responder: “-- As coisas mudam, filha.”

 

Pensou em Flávia. A fisioterapeuta não voltou atrás e eles não haviam conseguido quem pudesse continuar o trabalho. A maioria dos profissionais cobrava o dobro do preço para trabalhar na casa do cliente.

 

“Será que Fátima tá certa? Se eu pedir desculpas ela volta?” -- pensou esperançosa. Tinha que tentar.

 

Pegou a extensão e ligou para a fisioterapeuta. Tocou várias vezes mas ninguém atendeu. Tentou mais três vezes até que...

 

--Alô.

 

--Oi Flávia, sou eu, Camille. -- disse timidamente -- Pensei que não queria me atender.

 

--Eu não atendo telefone trabalhando, maluquete. Sabe disso.

 

--Tudo bem? Pode falar? -- continuava humilde

 

--O que houve?

 

--Queria te pedir desculpas pelo que falei... Eu estava sendo infantil e grossa e descarreguei em você. -- Flávia permaneceu muda. A loura esperou uns segundos mas como não ouviu respostas continuou: -- E acabou que mamãe foi ver o balé.

 

A fisioterapeuta riu. -- Maravilha! Até que enfim ela pensou em si mesma em primeiro lugar. Já era hora!

 

Camille não gostou do que ouviu mas não respondeu. -- Ainda tá muito zangada comigo?

 

--Zangada não. Mas acho que você não precisa mais de mim. Juliana veio me pedir pra reconsiderar, mas qualquer um pode continuar o trabalho que começamos.

 

--Eu não vou mentir, nós procuramos outros. E não vou mentir, cobravam o dobro do preço que você faz, mas não foi somente por isso que decidi te ligar. -- pausou -- A verdade é que... Você é minha única amiga... -- estava sendo sincera

 

--Poderia ter mais amigos se não tivesse um gênio tão ruim. Você parece que vive com o diabo no corpo! Por qualquer coisa se estressa...

 

--Eu não consigo ser diferente. Tento mas não consigo.

 

--Isso não existe, loura Belzebu. O ser humano consegue tudo o que quer, mesmo que demore. O ginásio que você freqüenta é uma prova disso. -- pausou -- Por que não busca ajuda com um tratamento psiquiátrico? Ajuda muito, sabia?

 

--Será possível que todo mundo acha que sou maluca? -- perguntou contrariada

 

--Isso é preconceito seu. Eu fiz tratamento psiquiátrico e não me arrependo de nada. Só me fez bem! Já te recomendei que fizesse mais de uma vez.

 

Camille não queria continuar com aquele assunto. -- Dá uma chance, Flávia... -- teve vontade de chorar -- por favor... A última chance...

 

--Eu tô na final do Panamericano, sabe como é, pra compensar meu vexame no brasileirão...

 

--Ficar em terceiro lugar não é vexame, Flávia. -- riu

 

--Na minha opinião é. E minha adversária tinha um braço e um olho a menos que eu! Bem, esquece isso, o caso é que estou na final do Panamericano e vou ficar duas semanas concentrada. Não admito sair do ringue sem o cinturão. Quando eu voltar, te procuro e conversamos.

 

--E quando e onde será essa luta? -- secava os olhos

 

--Daqui a 18 dias. E vai ser em Lima. Nunca fui lá.

 

--Nem eu. -- sorriu -- Boa sorte! E não esquece de mim, por favor.

 

--Não dá pra te esquecer, maluquete. Você é uma figura.

 

--Só eu? -- riu -- Sei... -- pausou -- Bem, você deve estar querendo desligar... Tchau.

 

--Tchau. E escuta aqui: toma vergonha e pede desculpas a tua mãe também. Você sacaneia muito ela. Fui! -- desligou o telefone

 

Camille se encheu de esperanças que a fisioterapeuta voltasse atrás, mas era uma pena que teria de esperar tanto. Pensou naquilo de pedir desculpas a mãe e achou que de repente Flávia tivesse razão.

 

--Aqui dona Mari. -- Tatiana mostrava na revista -- Eu quero esses sete vestidos aqui. Esse, esse, esse... -- falava mostrando as fotos nas páginas

 

--Calma menina! -- riu

 

--Trouxe de Goiás os tecidos que mamãe me deu. A senhora acha que vai dar? Tem 10metros de cada um.

 

--Dez metros de cada um?? -- riu -- Claro que dá, precisava que você fosse uma balofa. -- abriu a bolsa e pegou os tecidos -- Onde sua mãe compra tecidos tão bons?

 

--Na Goiânia, na loja da madrinha da minha irmã mais nova. -- sorria -- Ela é libanesa e acho que traz tudo de lá.

 

--São de excelente qualidade. -- admirou

 

--Deixa eu te perguntar, e a sua filha dona Mari? Como vai? -- olhou para a direção do quarto de Camille

 

--Vai bem. Ela já consegue andar muito bem de muletas, usa a cadeira só às vezes, está nadando e decidiu que vai voltar a estudar. Depois do carnaval vamos na USP pra ela destrancar a matrícula e pedir transferência pra UFRJ.

 

--Ela era da USP? Estudava o que?

 

--Engenharia.

 

--A madrinha da amiga que divide apartamento comigo trabalha na reitoria de lá. O nome dela é Conceição, e é funcionária antiga.

 

--Mesmo? -- olhou surpresa para a moça -- Será que ela nos ajudaria com essa transferência? -- perguntou esperançosa

 

--Acho que deve poder sim. Vou falar com minha amiga. Mas olha, dona Mari, não prometo nada porque não posso garantir. Eu nem conheço ela, só sei que trabalha na USP e que faz tudo que Priscila pede.

 

--Mas tenta, minha filha. Não se perde nada com isso, não é? -- sorriu

 

***

 

Ed fechava a oficina quando Juliana chegou.

 

--Olá! -- sorriu. Estava ainda vestida de branco

 

--Oi... -- respondeu desconfiada -- Algum problema, Juliana?

 

--Não... e eu vim em paz. Será que posso entrar?

 

--Claro. -- fez sinal para que entrasse -- Entra. Só me dá dois segundos pra eu puxar estas portas. -- estava terminando de trancar tudo

 

Juliana observou a ex mulher e notou que estava com aspecto de cansaço.

 

--Está abatida, Ed. Algum problema com você?

 

--Não... -- olhou para ela -- Quer dizer... tive uns problemas na oficina, Silvio pediu demissão e tô ralando pra recuperar o prejuízo e sair de uma crise que pode ser perigosa se eu der mole.

 

--Silvio pediu demissão?? -- não entendeu -- O que houve afinal?

 

--Longa história... -- revirou os olhos -- Mas vai acabar bem. -- pausou -- Vamos subir?

 

Juliana percebeu que Ed não queria entrar no detalhe do problema com ela. Lembrou-se da época em que eram casadas e não tinham segredos.

 

--Incomodo? -- perguntou receosa -- Eu vim sem avisar e você...

 

--Não. Tô há três dias sem dormir e queria dar um tempinho por agora mesmo. Vamos subir e a gente come alguma coisa. -- pensou -- Quer dizer, não come porque não comprei nada nos últimos dias. Nem tem o que! -- riu

 

--Não TINHA o que! -- sorriu -- Trouxe pão, queijo e suco. Se vim sem avisar não poderia vir de mãos vazias. -- mostrou as duas bolsas de plástico que segurava

 

--Me dá isso. -- pegou as bolsas das mãos de Juliana -- Nem reparei que segurava peso, desculpa.

 

--Não precisa se desculpar. -- alisou o braço da ex

 

Subiram as escadas e foram para a cozinha lanchar. Antes Ed arriou a parte de cima do macacão e lavou as mãos.

 

--Lembra da delegada? Suzana? -- colocava queijo no pão

 

--Se acertaram? -- Ed sorriu. Fazia o mesmo que ela

 

--Acho que sim. Ela foi viajar a serviço e passou lá em casa... aí nós.... -- sorriu -- Foi uma noite louca, sabe? Ela é um animal... -- serviu as duas com suco

 

--Então perdeu o medo de vez? -- olhou para o copo -- Obrigada.

 

--Acho que sim. Eu não vi nem resquício de medo nenhum. -- mordeu o pão -- Ela me ligou ontem, mas não me disse onde estava. Falou que o pior já tinha passado e que agora estava montando a ratoeira pra pegar outro rato. -- sorriu -- Eu estava tensa com medo que algo ruim tivesse acontecido. Depois que ligou me tranqüilizei.

 

--Que bom, Ju. -- sorriu -- Eu torço de verdade pra que você seja muito feliz. Se ela é a pessoa, que tudo dê certo.-- bebeu um gole de suco

 

Comeram em silêncio por uns instantes até que a enfermeira pergunta: -- Não sente nem um pouquinho de saudade de mim? -- não teve coragem de encará-la

 

--Sinceramente? -- parou de comer -- Sim. Às vezes lembro de nós e dá uma saudade danada. Em outras dá tristeza. Mas não costumo a ficar pensado. -- bebeu suco

 

--Quando eu acordei no dia seguinte ela já havia ido embora. Eu cuidei da vida e tal e lá pelas tantas lembrei da nossa primeira vez. -- pausou -- Sabe, Ed? Suzana e eu nos identificamos muito. Nós somos pé na porta, grossas, pavio curto... E eu gostei de estar com ela. Mas, você... -- sorriu e olhou para o lado -- Será sempre minha lembrança mais especial.

 

--Você também é uma lembrança especial. Pode acreditar. -- estava sendo sincera -- Ainda tem muita mágoa de mim?

 

--Não... -- olhou para ela -- Acho que aprendi a me libertar de você. Pelo menos na maior parte do tempo, sim.

 

--Que bom. Que bom. -- ficou calada e voltou a comer

 

--E a bailarina? Como vocês vão?

 

--Sei lá... Não quero pensar nisso agora.

 

Juliana ficou desconfiada. -- Estão em crise?

 

--Essa coisa toda com a oficina me desestabilizou, Ju. Não quero falar sobre isso. -- preparava mais um sanduíche

 

Por uns instantes a enfermeira pensou: “Será que tenho chances?” Mas ao mesmo tempo lembrou-se de Suzana. Sentia-se dividida.

 

Ed comia devagar totalmente absorta em seus pensamentos. Juliana ficou admirando seu rosto e viajando em lembranças do passado.

 

***

 

Ed se despedia de Juliana na porta de casa quando Isa chegou de táxi. As duas não a viram se aproximar.

 

--Nossa, mas eu vim no dia certo. Parece que hoje é dia de comemoração, não é? -- a bailarina perguntou com deboche -- A festinha tava boa?

 

--Não pense bobagens, coisinha. -- Juliana sorriu igualmente debochada -- Eu vim em paz e não aconteceu nada. Pode ver que ela ainda está de macacão. -- olhou para Seyyed -- Cuide-se e descanse. Três dias sem dormir por conta de trabalho é demais. -- voltou a atenção para Isa-- E você deveria cuidar melhor do que é seu. No meu tempo isso não aconteceria. -- olhou para ambas -- Tchau. -- caminhou até seu carro

 

--Tchau, Juliana. -- Ed respondeu. Olhou para Isa -- Tudo bem? -- perguntou sem sorrir

 

--Tudo... -- também não sorria

 

Isa vestia calça jeans, blusa de alças e sandálias de salto. Na opinião de Ed estava linda. E super cheirosa.

 

--Vamos entrar. -- apontou para dentro de casa

 

A bailarina entrou e Ed fechou a porta.

--Eu não vou me demorar. -- abriu a bolsa e tirou uma caixinha preta de dentro -- Vim pra devolver isso. -- estendeu o braço segurando a caixa -- É seu. -- mordeu o lábio inferior

 

Seyyed passou a mão nos cabelos e respirou fundo olhando para o teto. -- Quando eu te comprei essa aliança, foi desejando que ficasse no seu dedo até nossos últimos dias. -- olhou para ela -- Se não me quer mais, dê ela pra alguém, venda... mas não me devolva. Não se devolve presente, Isa. -- seu olhar era triste

 

A ruiva abaixou o braço e olhou para outro lado. -- Você disse que se arrependeu...

 

--Eu disse -- interrompeu a fala dela -- que fui precipitada no meu pedido porque não havíamos discutido tudo. Eu disse que se a gente brigasse a cada vez que eu não pudesse te acompanhar no seu trabalho nosso casamento acabaria logo. Eu disse que somos diferentes, porque preparamos nossas vidas de formas diferentes. Queria que pensasse se eu sou mesmo o tipo de companheira que você deseja pra estar do seu lado pelo resto dos seus dias. -- pausou -- E pelo visto já decidiu que não sou... -- virou-se de costas para ela e cruzou as mãos por detrás da cabeça caminhando um pouco pela oficina

 

Isa observava a mecânica. Parecia cansada.

 

--É verdade que está trabalhando há três dias sem dormir? -- perguntou preocupada

 

--É... -- virou-se de frente para ela e pôs as mãos na cintura -- Eu não menti pra você quando te expliquei porque não iria contigo pra Manaus. -- pausou -- Aliás, eu li uma nota na internet dizendo que foi um sucesso. E também vi que você passou pra universidade... Parabéns.

 

--Você sabe? -- perguntou surpresa -- Fiz a matrícula e me inscrevi nas disciplinas hoje...

 

--Eu presto atenção nas suas coisas, Isa. -- esfregou as mãos -- Bem, eu descansei um pouco mas vou voltar ao trabalho. Já que terminou comigo não vai querer dormir aqui, então... quer que eu te chame um táxi?

 

Ficou sem graça se sentindo expulsa. -- Está tão ansiosa assim pra me ver longe? -- perguntou magoada

 

Seyyed riu brevemente. -- Eu te amo, Isa! -- olhou firmemente em seus olhos. A ruiva ficou arrepiada -- E ponto final! -- pausou -- Vou ligar pra Marlene. -- foi até o telefone

 

Alguém parou o carro perto da casa de Seyyed e o rádio estava bem alto. Roberta Miranda cantava:

 

https://www.youtube.com/watch?v=U-boewHn9rI

“Tanto tempo longe de você,

Quero ao menos lhe falar...”

 

Isa ficou acompanhando todos os movimentos da mecânica e ao mesmo tempo pensava no que estava fazendo. Impulsivamente abriu a caixinha,

 

“Cartas já não adiantam mais,

Quero ouvir a sua voz...”

 

tirou a aliança e a colocou no dedo novamente.

 

“Vou telefonar dizendo,

Que eu estou quase morrendo,

De saudades de você!”

 

Jogou a bolsa no chão e correu até Ed.

 

“Eu te amo!”

 

--Eu vou cuidar melhor do que é meu! -- segurou o rosto da namorada e a beijou. Seyyed largou o telefone sobre uma mesa e lutou para não abraçar a namorada.

 

“Eu te amo!”

 

--Eu... -- disse entre beijos -- tô suada... suja...

 

--Eu não ligo. -- respondeu com olhos semi cerrados -- Não ligo... -- voltou a beijá-la

 

“Eu te amo!”

 

---Ainda quer... ficar comigo? -- Ed ainda falava entre beijos

 

--Eu quero me casar com você! -- beijou-a novamente Seyyed ficou surpresa.

 

“Eu te amo!”

 

--Eu fui imatura e infantil... me perdoa porque eu te amo! -- a bailarina pediu -- Eu quero me casar com você, sim!

 

--Não tem o que perdoar. -- acariciou seu rosto -- E eu também quero me casar contigo. -- beijou-a

 

“Ai, eu amo!”

 

--Vamos subir. -- a ruiva sorriu

 

“Eu te amo!”

Eu te amo, te amo, te amo - Roberta Miranda [a]

 

--Eu vou dar um banho em você e cuidar da minha mecânica direitinho. Por hoje o expediente acabou. -- segurou as mãos dela e encaminhou-se para as escadas.

 

Sem que esperasse, Seyyed levantou-a no colo, tirou os próprios sapatos com os pés e subiu as escadas correndo. A bailarina ria.

 

***

 

Ed estava deitada sobre Isa. Segurava uma de suas coxas e beijava seus lábios e pescoço com desejo. Seu peso estava totalmente sobre a amante.

 

--Ah, ah, ah... -- arranhava as costas da morena -- Ai, Ed... ai, meu tesão... -- fechou os olhos

 

Goz*ram. Ed não parou de se movimentar sobre ela até que seu corpo parasse de tremer.

 

--Ah!! -- gem*u alto -- Ah, eu tô goz*ndo de novo!!! Ah, ah!!!

 

--Isso, vai, linda, vai... Ah, ah... -- fechou os olhos também

 

As duas relaxaram e Ed permaneceu deitada sobre a ruiva.

 

--Eu sempre quis te fazer goz*r duas vezes. -- sorriu -- Acho que agora descobri seu segredo. -- beijou seu queixo

 

Isa respirou fundo e abriu os olhos. -- Que loucura! -- sorriu -- Ai, eu adorei isso, que sensação...

 

--Vamos fazer mais? -- foi beijando seu queixo e descendo até um seio

 

--Hum... -- sorriu de novo -- Pra quem está há três dias sem dormir... que fogo! Já quer pela terceira vez?

 

--E até mais. -- olhou para ela e sorriu

 

--Eu disse que EU ia cuidar de você. -- deslizou um dedo na sobrancelha da morena-- Eu! -- empurrou a mecânica para que deitasse de barriga para cima-- Você é muito boa de cama, sabia, Seyyed? -- mordeu a barriga da amante -- Adoro, ADORO fazer amor contigo! -- começou a beijar seu corpo

 

--E eu adoro fazer amor com você, minha ruiva... -- segurou Isa pelos cabelos -- Ai... -- sorriu

 

****

 

Seyyed acordou sozinha. Eram sete horas. Levantou-se, escovou os dentes e tomou banho. Foi até a cozinha e viu que Isa preparava dois pratos de cereal com leite, mel e bananas. Vestia uma camiseta dela.

 

Abraçou-a por trás e beijou-lhe a cabeça. -- Minha camiseta ficou bem de vestido pra você. -- as duas sorriram -- Bom dia! -- virou-a de frente para si

 

--Bom dia! -- sorriu e beijou-a nos lábios -- Sente-se porque é hora do café da manhã. Ainda estou no comando aqui, viu?

 

--Claro. -- sorriu e se sentou -- E quem sou eu pra desobedecer a minha estrela?

 

Ela sorriu e serviu os pratos.

 

--Não tem quase comida aqui, Ed. Acabei com o que restava de cereal, leite e banana. O mel tá quase no final também.

 

--É, eu não tive tempo de comprar comida. Se Juliana não tivesse trazido pão francês, queijo e suco eu nem teria comido nada ontem.

 

--O que ela veio fazer aqui afinal? -- tentava disfarçar a contrariedade

 

--Veio se abrir e falar do relacionamento com Suzana, a delegada. -- comia

 

--E precisa vir falar com você?? -- olhou para ela

 

--Acho que ela precisava fazer isso. Tipo, exorcizar os próprios demônios, sabe? Não queria provocar, brigar, se insinuar... nada disso! -- deu outra colherada

 

--Hum... -- começou a comer. Achou que deveria mudar de assunto -- E a oficina? Como vão as coisas?

 

--Mariano, Renan e eu temos trabalhado muito. Eles ficam até depois da hora e eu já disse que não tenho como pagar horas extras. -- sorriu -- E eles continuam me dando força ainda assim. Vou dar um aumento pra ambos quando essa maré braba passar. -- riu brevemente -- Mas não posso me queixar do resto da equipe. Estão todos dando muito duro! -- pausou -- Vou passar o carnaval trabalhando e Mariano quer ficar aqui comigo. Liberei Renan porque ele vai receber os pais da namorada em casa e tem que dar atenção a eles.

 

--Dessa parte eu sei. E Tati me disse que enquanto isso as irmãs ficam na casa dela aproveitando que Priscila vai viajar com os pais. -- pausou -- Não vai arredar o pé daqui no carnaval? -- perguntou preocupada

 

--Quero aproveitar o tempo ao máximo, Isa. Vou trabalhar a portas fechadas e Mariano vai ficar fazendo a calculeira toda.

 

--Mas tá recuperando o prejuízo? Estou preocupada com isso.

 

--Vamos conseguir pagar tudo e não perder prazos com os clientes. Vai dar tudo certo. Falta pouco agora.

 

--Graças a Deus. -- segurou uma das mãos da namorada -- Prometo que nunca mais deixarei de apoiá-la quando precisar. Sei que você vai superar isso. -- pausou -- Nós vamos!

 

--Nós vamos! -- sorriu e beijou a mão de Isa

 

--Eu... -- pausou -- acabo de decidir que vou passar o carnaval aqui, cuidando de você... senão vai acabar ficando doente. -- pausou -- Quer dizer, a menos que não me queira aqui... -- sorriu sem graça

 

--Eu, não te querer aqui?? -- perguntou sorrindo -- Só se fosse louca! -- pensou -- Mas, o que vai dizer em casa? Você uma vez me disse que costuma a passar o carnaval na casa de sua avó em Iguaba.

 

--Eu dou um jeito... hoje de tarde vou pra casa e falo com mamãe.

 

--E vocês iam viajar quando?

 

--Hoje! -- riu -- Mas, deixe comigo... -- pausou -- Poderia me trazer de volta depois que eu resolver tudo em casa? -- perguntou receosa

 

--É só me ligar que eu vou. Vou de moto e aí é rapidinho. -- piscou

 

Passaram uns segundos em silêncio.

 

--Tenho uma coisa a dizer. Recebi um convite.

 

--Pra que? -- perguntou curiosa

 

--Para dançar em um espetáculo com a Ana Fluminense. -- respondeu sorridente

 

--Caraca! -- gritou -- Isa, isso é o máximo!!

 

--Ela é minha ídola!

 

--Parabéns, amor! -- beijou-a -- E qual será o espetáculo??

 

--Floresta Amazônica. -- pausou -- Eu não vou protagonizar nenhuma personagem central mas só o fato de ter sido convidada...

 

--É o máximo!! Tô muito orgulhosa de você!

 

--Vamos começar a ensaiar depois do carnaval. Este espetáculo será apresentado em São Paulo e Brasília, mas a estréia será no Municipal, em maio. -- falava empolgada

 

--E vai se sair muitíssimo bem, tenho certeza. -- sorriu -- Também vai perder aulas quando viajar. Vê se estuda! -- brincou

 

Voltaram a comer. De repente Isa falou: -- Ed, escuta. Eu queria mudar algumas coisas nessa casa antes de vir morar aqui. Mudar a cor das paredes, a arrumação do quarto... Também tenho que trazer minhas coisas e pensar em como vai ficar...

 

--O que você quiser. -- sorriu

 

--E fique tranqüila que não penso em nada que vá gastar horrores. Só temos de comprar tinta e arrastar alguns móveis. -- sorriu

 

--Tudo bem. -- pausou -- Isa, eu não deveria mas tenho que te dizer: sua mãe esteve aqui antes de você viajar.

 

--Esteve??? -- ficou com a colher paralisada diante da boca -- O que ela queria? -- perguntou surpresa

 

--Dizer que me apoiava por ficar aqui e cuidar dos negócios. Disse também que sua família iria se opor ao nosso casamento e que somente contando com o apoio dela a gente podia ficar juntas sem maiores problemas.

 

--Eu digo isso a ela. Se nos apoiar eu me sinto mais segura... Mas não sei porque veio te dizer isso.

 

--Porque ela quer que eu transforme minha conta bancária em uma conta conjunta contigo. Também quer que eu te compre um carro. São as condições para o apoio dela.

 

Isa cobriu o rosto com as duas mãos. -- Meu Deus, como mamãe me faz passar uma vergonha dessas?? -- perguntou chateada

 

--Não a deixe saber que te contei. Só tô falando sobre isso porque queria discutir estas coisas com você.

 

--Eu não quero nada disso! -- descobriu o rosto -- Nada!

 

--Eu te pedi em casamento, eu te sustento. Sei que tá cuidando do seu futuro. Mas não sou chegada a isso de conta conjunta.

 

--Esquece. Mamãe gosta de bancar a caipira de Pau d’Arco! -- deu um colherada

 

--Mas ela tem razão quando diz que você vai precisar de carro.

 

--Não. Posso pegar ônibus como qualquer pessoa. E se precisar de carro você me empresta o seu. Está ótimo assim!

 

--Isa, o curso de dança é noturno! Eu não quero você saindo de noite, sozinha, daquela Ilha do Fundão. É perigoso!

 

--Eu hein, pra que tanto carro? Você me empresta o seu de vez em quando e pronto! -- balançou a cabeça -- Deixe que eu vou conversar com mamãe. Se seu apoio tem um preço eu sei como fazer. -- calou-se e depois acabou sorrindo -- Agora, em virtude da crise, acho que devemos pensar em casar lá pra junho. Penso no dia 12.

 

--Se minha situação ainda não estiver normalizada... ainda assim vai querer casar comigo no dia 12? --olhou para Isa insegura

 

--Quero! -- soprou um beijo para a namorada -- Só a festa é que vai ser mais simples, ou nem vai haver festa.

 

Ed sorriu e acabou de comer. -- Vou me arrumar e cair dentro! -- levantou-se e levou o prato até a pia

 

--Deixe aí que eu lavo. -- levantou-se também com seu próprio prato nas mãos -- Vai cuidar da sua vida lá embaixo que eu cuido dela aqui em cima. -- sorriu

 

--A que horas vai pra casa? -- Ed perguntou curiosa

 

--Depois do almoço. -- envolveu o pescoço da namorada com os braços -- Daqui a pouco vou no mercadinho comprar umas coisinhas pro nosso almoço. Hoje você vai comer bem.

 

--Hum... -- fez um olhar faminto

 

--Comida!! -- riu

 

--Ah... só isso? -- beijou o pescoço da ruiva

 

--Se me convencer... -- fechou os olhos -- Também pode provar bastante de outras iguarias.

 

--Vou me esforçar ao máximo. -- sorriu -- Olha, minha carteira tá na gaveta da mesinha do quarto. Pega meu cartão. A senha é 2166. E vai no meu carro pra não ficar carregando peso por aí.

 

--Não se diz a senha do cartão pros outros! -- deu um tapinha no ombro dela

 

--Você vai casar comigo, qual o problema? -- beijou-a

 

Isa segurou o rosto dela e olhou bem fundo nos seus olhos.

 

--Você é muito pura, Seyyed. Confia muito nas pessoas. Não pode ser assim.

 

--Não posso confiar em você? -- perguntou preocupada

 

--Pode... pode sim. Eu nunca vou te trair! -- beijou-a com muito carinho

***

 

Suzana, Brito e Macumba estavam no bar do hotel em Ponta Porã. Eram cinco da tarde.

 

--Lugarzinho quente, viu? -- Macumba reclamou -- Pior que o Rio!

 

--E a gente nem pode tomar uma cerveja... -- Brito lamentou

 

--Vocês reclamam demais. -- Suzana bebeu um gole de refrigerante -- Não estão se concentrando. Temos que pensar em como a gente localiza Otávio Bueno.

 

--Não acaba a pilha, chefe? A gente quase morreu em BH e você aí pensando nesse tal! -- Brito reclamou

 

--E não é por causa dele que estamos aqui?

 

--Mas chefe, já viramos esta cidade de cabeça pra baixo e fomos em quase todos os cassinos de Pedro Juan Caballero e nada! -- Macumba respondeu contrariado -- Ele deve ter se mandado pra outro lugar!

 

--Não, ele não foi... -- bebeu outro gole -- Sonhei que a garota me apontava um caminho. Ele tá aqui, eu sei. Apenas não identifiquei o tal caminho ainda.

 

--Não acha que confia demais em sonhos e intuições? -- Macumba perguntou

 

--Vê lá sujeito! -- Brito deu um tapa na cabeça dele -- São quinze anos sem falhar! Todo mundo sabe disso! E ela é indígena. Deve contar com a bênção dos espíritos da tribo.

 

Macumba passou a mão na cabeça e fez um bico.

 

A TV do bar estava ligada e de quando em vez Suzana prestava atenção. O jornal local mostrou que uma determinada via da cidade estava quase intransitável por conta das fortes chuvas da véspera. Ela viu a imagem e logo reconheceu.

 

--É ali! -- largou o copo na mesa e correu até o garçom. Brito e Macumba se alarmaram.

 

--Onde é aquela estrada que apareceu na TV?? -- perguntou quase segurando o homem pelo colarinho

 

--Calma eu lhe mostro... -- respondeu desconfiado -- Tem um mapa ali na parede.

 

Foram até lá e o garçom explicou como os policiais poderiam chegar àquele local.

 

Suzana fez sinal para os outros dois e partiram.

 

***

 

--Essa estrada é só lama! Vamos acabar com as motos dos caras! -- lutava para não colocar os pés no chão

 

--Como sempre reclamando, não é, Macumba? -- Suzana disse

 

--Pra onde vamos, chefe? -- Brito perguntou -- Nessa estrada aqui é só mato!

 

--A gente vai saber quando chegar. Vambora! -- acelerou

 

Quarenta minutos depois avistaram uma casa. Era a única construção no local. Do lado de fora, uma caminhonete preta. Suzana fez sinal para parar.

 

--Que te faz pensar que é aqui? -- Macumba perguntou

 

--A placa da caminhonete é de Ribeirão Preto. Nosso homem esteve por lá, lembra? -- sacou o revólver

 

--Bingo! -- Brito respondeu sacando o dele

 

Rondaram a casa e havia gente dentro. Podiam ouvir sons no interior. Suzana e Brito foram para a entrada e Macumba pelos fundos. Invadiram a casa gritando: -- Polícia!

 

E encontraram Otávio no quarto trans*ndo com um menino.

 

--E além de tudo pedófilo?! -- Suzana perguntou enquanto o algemava -- Você tá ferrado comigo, cara! -- rosnou com ódio

 

Enquanto isso, no Rio, Juliana orava de joelhos para que Suzana encontrasse o bandido e que Deus a protegesse de todo mal.

 

***

 

Anselmo estava no telefone se desculpando com a amante por não poder passar o carnaval com ela. Enquanto isso, Isabela e a mãe discutiam no quarto da moça.

 

--Você enlouqueceu ou o quê?? Nunca passou carnaval sem a gente, a menos quando estava na França! Até o sem vergonha do seu pai vai deixar a amante no freezer e vir junto!

 

--Mãe, eu acabo de fazer as pazes com a Ed e ela vai passar o carnaval trabalhando! Não posso deixar de apoiá-la em uma hora como essa!

 

--Já repetiu isso umas três vezes! O que vai fazer lá? Consertar carros, limpar a casa dela ou o que? -- pôs as mãos na cintura -- Não vê que isso é ridículo?

 

--Ah, mãe... -- virou-se de costas para ela -- Logo agora que ela me liberou o cartão...

 

--Como é??? -- Ana perguntou animada

 

“Eu sabia!” -- Isa pensou -- Sim, ela me liberou o cartão. Olha só! -- mexeu na bolsa e mostrou o cartão da namorada

 

Ana se aproximou e olhou o cartão. -- Nossa é Diamond!! Ela deve ser cliente vipérrima desse banco!!

 

--Deve ser mesmo!

 

--Ah, mas... -- circulou pelo quarto -- Pensando bem... Em um relacionamento o casal tem que permanecer unido não importa o que houver. -- olhou para a filha -- Você está certa. Arrume suas coisas e suma daqui! Digo pros parentes que você vai passar o carnaval na casa da Ana Fluminense ensaiando pro espetáculo. E quanto a seu pai eu sei que ele vai passar a viagem preocupado pensando na tal. Não vai atrapalhar em nada.

 

--Vai dizer que eu vou passar o carnaval na casa da Ana Fluminense ensaiando?? -- Isa chocou-se -- Mãe, não viaja! Isso é demais!

 

--Nossa família acredita em qualquer coisa! Eu sei o que dizer e como vou dizer!

 

--Pelo amor de Deus, não me ponha em situações constrangedoras... -- riu -- Se a Ana soubesse disso

ficaria decepcionada comigo...

 

--E ela não saberá. -- sorriu -- Arrume as coisas e desapareça! -- beijou a testa da filha

 

--Mãe... -- chamou antes da mãe sair do quarto -- Como aceita essa situação do papai? Não te dói? Tenho medo que isso acabe com sua auto estima. -- estava sendo bastante sincera

 

--Nosso casamento acabou há anos, querida... Eu não vou te dizer que gosto ou que não ligo pra isso, mas não quero me separar. Teria vergonha de ser a única descasada da família.

 

--Mas mãe... esse tempo já passou! O importante é ser feliz! -- correu até ela e segurou suas mãos -- Veja o meu caso. Não estou desafiando tudo para ser feliz?

 

--Cada pessoa é de um jeito, filha! -- sorriu -- Que você seja feliz é o que me basta. -- soltou as mãos dela -- Agora vá! -- saiu do quarto

 

--Mas, Gisele, fofucha, calma! Eu sempre passo carnaval com a família! O que diria a todos?? Quantas vezes tenho que repetir isso?? -- olhou para todos os lados -- Eu te amo, por que não acredita? -- fez voz de criança

 

--Quer saber, Anselmo? Vai curtir com seu pessoal que eu vou curtir a minha maneira. Tchau! -- desligou na cara dele

 

--Gisele, fofucha, não... Calma meu chuchuzinho... -- percebeu que ela havia desligado -- Droga! -- exclamou chateado

 

--Vai passar com a família, Anselmo? -- Gisele disse para si mesma -- Pois eu vou pra gandaia! -- mexeu no guarda roupas -- E começa hoje! -- sorriu -- Eu já te chifro sem motivo mesmo, faz idéia quando tem!

 

***

 

Mariano e Olga estavam na casa dela, deitados na cama. Ele de barriga para cima e ela com a cabeça em seu peito. Acariciavam-se mutuamente.

 

--Sabe, Olga? Com você o sex* é intenso, quente e ao mesmo tempo tão puro que parece divino! Eu me sinto como se uma descarga de energia positiva invadisse meu corpo e me fizesse tão bem... -- sorriu

 

--Sexo é uma troca de energias muito grande, querido, e a qualidade da energia trocada depende apenas dos sentimentos do casal. -- olhou para ele -- Aprendi a amá-lo e você também aprendeu a me amar, não poderia ser diferente. -- sorriu

 

--Mas eu nunca tinha vivido algo assim com minha falecida esposa. E eu a amava...

 

--Nosso caso é antigo, meu bem... Isso conta! -- beijou-o

 

--Não sou da sua religião, mas acho que sou obrigado a acreditar nessa explicação. -- sorriu. Olga deitou a cabeça em seu peito novamente -- Querida... eu não tenho mais qualquer patrimônio mas gostaria que nos casássemos com separação de bens. Um dia Ricardinho pode aparecer e não quero que ele a prejudique.

 

--Seu filho me prejudicar? Como? -- não entendeu

 

--Se eu morrer antes de você e ele estiver aqui no Brasil vai querer minha parte na sua casa, vai querer dinheiro. Não quero que ele a deixe sem recursos como fez comigo. -- disse com mágoa

 

--Se assim deseja... -- novamente levantou a cabeça e olhou para ele -- Você raramente fala no seu filho, e quando fala seu tom carrega muitas mágoas.

 

Mariano não respondeu.

 

--Se um dia quiser desabafar, estarei aqui. -- beijou seu queixo

 

--Sou um homem muito cheio de mágoas, meu amor. -- disse com tristeza -- Você tem a alma tão leve... Tem certeza de que quer se sujar com a lama que trago por dentro?

 

--Totalmente. -- olhou no fundo de seus olhos

 

Ele gastou uns segundos calado e depois começou a falar: -- Ricardinho foi um bebê muito esperado... Clotilde demorou a engravidar e quando aconteceu nós ficamos eufóricos. Lembro da minha emoção ao segurá-lo nos braços pela primeira vez... -- pausou -- Desde pequeno sempre deu muito trabalho. Batia nas outras crianças, era muito violento, não gostava da escola, mentia muito... Nós fazíamos de tudo só que ele parecia não ter mais jeito... Mas, surpreendentemente dos treze anos em diante se acalmou. Quer dizer, nós assim pensamos. Ele apenas mudou de tática.

 

--Como assim?

 

--Deixou de ser violento pra ser ardiloso. Parecia ser bonzinho, mas às escondidas aprontava demais. Nós ficávamos loucos! E ele era tão mentiroso que olhava nos olhos da gente e jurava mentiras sem o menor pudor.

 

--Nossa! Imagino o que devem ter passado.

 

Ele riu. -- Não, você não imagina... -- ficou pensativo -- Aos dezoito se envolveu com drogas e quase nos deixou na miséria. Falsificou a assinatura da mãe, vendeu coisas dela, coisas minhas... Nunca vou esquecer das crises de overdose... Era traumático! -- sentiu a mão de Olga acariciando seu rosto -- Ele se libertou do vício e pouco tempo depois Clotilde morreu.

 

--Quantos anos ele é mais velho que Camille?

 

--O mesmo tempo que sou mais velho que Mari: dez anos. -- pausou -- Ele nunca quis nada com os estudos, mas sempre gostou de aprender idiomas. Estudava inglês, francês e aprendeu italiano só de conversar com os avós. Aliás, papai era a única pessoa que ele respeitava. -- pausou brevemente -- E quem não respeitaria? -- sorriu -- Um dia ele me chega em casa e pede dinheiro para ficar seis meses nos Estados Unidos, fazendo intercâmbio. Eu não queria que ele fosse, mas acabei dando ouvidos aos parentes que me diziam que o intercâmbio forçaria meu filho a cuidar de si mesmo, criar juízo e responsabilidade. Dei o dinheiro, cuidei de tudo e ele foi. E nunca mais voltou... -- suspirou -- E ainda me fez ser demitido do emprego.

 

--Por que?? -- não entedia

 

--Pouco antes de me falar do intercâmbio Ricardinho criou o hábito de me visitar no trabalho de quando em vez. O otário aqui ficava todo prosa... -- balançou a cabeça -- Na véspera da viagem, ele foi lá pela última vez. Na verdade, ele passou aquele tempo sondando a loja... Roubou algumas coisas...

 

--Como soube que foi ele?

 

--Um colega viu e entregou pro chefe depois que Ricardinho foi embora. E eu dancei... -- respirou fundo -- Se não fosse Mari, eu nem sei... Eu me sinto um fracasso como pai.

 

--É muito triste ter um filho desorientado, mas não assuma a culpa por isso. Você e Clotilde fizeram o seu melhor. Todo mundo tem suas próprias tendências e faz uso do livre arbítrio como melhor entende. -- beijou o rosto dele -- Vocês certamente estarão juntos de novo, nem que seja em outra vida. Precisam acertar as contas.

 

--Não sei se quero vê-lo novamente.

 

--Claro que quer, ele é seu filho! -- sorriu -- Diz isso por estar magoado, mas você precisa aprender a se libertar dessas mágoas. Se ele voltar ao Brasil, o que acho que acontecerá um dia, estaremos preparados.

 

--Estaremos? -- sorriu -- Sempre achei que se isso acontecesse seria algo pra eu encarar sozinho.

 

--Mas você não está sozinho!

 

--Você apareceu na minha vida e mudou tudo... -- segurou o rosto dela e beijou-a -- Não me deixe, Olga, porque depois de você eu nunca mais me senti só.

 

--“Amar é chamar o outro para fora de sua solidão.”23 Nós nos chamamos mutuamente. -- beijaram-se

 

***

 

--Eu vou falar com a dindinha sobre o caso dessa tal de Camille. Mas vai ter que me passar o nome dela completo e a matrícula. -- Priscila respondeu -- Depois do carnaval eu ligo pra ela e engano que a maluca é minha amigona.

 

--Pergunto pra dona Mari hoje. -- Tatiana sorriu -- Ela vai te agradecer eternamente demais da conta!

 

--Não precisa, eu vou viver bem menos. -- sorriu e piscou para a amiga

 

As duas estavam na sala vendo TV.

 

--A filha da amiga de mamãe tá demorando! -- Priscila reclamou olhando o relógio -- Já deixei de viajar hoje por causa dela. Se não vier, que se dane! Amanhã eu vou embora.

 

--Qual o nome dela?

 

--Sei lá... Mamãe já falou de tanta garota pra ficar no lugar de Patrícia que eu nem sei! Só sei que ela é de Porciúncula.

 

--Onde é isso???

 

--Norte do estado do Rio. -- pausou -- E sua família, chega quando?

 

--Meus pais já estão na casa do Renan. Chegaram hoje à tardinha. Minhas irmãs chegam amanhã cedo.

 

A campanhia toca.

 

--Ih, deve ser ela! -- Tatiana levantou-se para abrir a porta. Priscila foi atrás

 

--Oiii!! -- uma garota mais ou menos de sua altura agarra Tatiana pelo pescoço em um abraço sufocante -- Tudo bem? -- olhou para os cabelos da outra -- Adorei esses cabelinhos! -- olhou para Priscila -- Priiii!!! -- abraçou-a com igual entusiasmo

 

--Ai, calma. -- Priscila desvencilhou-se dela. Olhou para a porta e ficou estarrecida -- Meu Deus quanta coisa!! E quem são esses?? -- olhou para dois homens parados diante da porta

 

--Primo João e primo Tenório! -- apresentou

 

--Oi! -- um falou. O outro só balançou a cabeça

 

--Onde será meu quarto? -- perguntou sorrindo

 

A moça era branca com cabelos pretos, sem muito volume, e bem lisos. Era magra mas tinha seios grandes.

 

--É... -- Priscila estava em choque -- Vem comigo. -- foi andando pelo apartamento

 

A moça apontou o caminho aos primos que seguiram Priscila carregando mil malas, bolsas, travesseiros e saquinhos.

 

--Eu levo o principal. -- pegou uma gaiola com um curioso pássaro dentro -- Deixa eu te apresentar: este é Clint Eastwood!

 

--Ih! Você tem um papagaio! -- Tatiana riu

 

--Papagaio não; maritaca austral! -- abriu a gaiola e estendeu a mão com o indicador esticado -- Vem mamãe, vem! -- e o bicho saltou no seu dedo

 

--E o que essa tal de maritaca austral faz? -- olhou desconfiada para o bicho, que mais parecia um papagaio punk

 

--Nada, oras! Maritacas austrais não falam como papagaios e por isso não incomodam. São silenciosas e agradáveis parceiras! -- acariciava a cabeça da ave

 

--Ah, tá! -- riu -- Oi, Clint! -- deu tchauzinho

 

--Vem comigo, amor, vou te mostrar meu quarto! -- colocou o bicho na cabeça e foi andando

 

“Eu hein! Maritaca austral, nunca ouvi falar nisso!” -- Tatiana pensou

 

***

 

--Bem, agora que conheço as regras da casa... já me sinto em casa. -- jogou-se no sofá

 

--Afinal de contas... qual é seu nome? -- Priscila perguntou

 

--Ih, gente, que feio! Esqueci! -- deu um tapa na cabeça -- Lady Dy da Silva. -- sorriu

 

--Putz! -- Priscila pôs a mão na boca para não rir. Tatiana não agüentou.

 

--Mamãe gostava da princesa, tá gente? -- cruzou os braços chateada

 

--Tudo bem, o importante é ter saúde. -- Priscila brincou -- Mas, aqui... aquele teu papagaio perto da geladeira não vai dar problema, não?

 

--Papagaio não! Maritaca austral! -- corrigiu -- E não, Clint é um gentleman!

 

--Podia ter colocado o nome dele de Príncipe Charles. -- Tatiana disse

 

--Ou Willian, Henry... -- Priscila ria

 

--Muito engraçado... -- respondeu chateada

 

--Relaxa, garota... -- Tatiana deu um tapinha no braço dela -- Deixa eu te perguntar, você estuda o que?

 

--Engenharia de Produção na UFRJ. Estou no terceiro período e sem dependências -- respondeu orgulhosa

 

--Legal! -- Priscila respondeu

 

--Então você deve de gostar demais, porque engenharia, ainda mais no ciclo básico, reprova a beça. Meu ex fazia mecânica na UERJ e perdeu um monte de matérias. -- Tatiana comentou

 

--Sou estudiosa. Além do mais quero atingir minha meta.

 

--E qual seria? -- Priscila perguntou curiosa

 

--Casar antes dos trinta, oras! Por que acham que escolhi um curso cheio de homens? -- sorriu -- E hoje em dia eles querem mulheres bem sucedidas.

 

--Fala sério que foi por isso?? -- Tatiana estava em choque

 

--Claro! -- respondeu resoluta -- Mulher solteira não dá, não é, gente?

 

Priscila e Tatiana se entreolharam. Não acreditavam no que ouviam.

 

--Vocês têm namorado?

 

--Eu tenho um e é sério. Ela tem vários. -- apontou para Priscila

 

--E não é sério! -- Priscila sorriu

 

--Não pode! -- agarrou Priscila pelo braço -- É feio isso! Você tem que se contentar com um e se casar.

 

--Eu, hein, Lady! -- desvencilhou-se dela -- Nem penso em casar. Um dia vejo isso... -- levantou-se -- E, olha, vou dormir porque amanhã quero sair daqui cedinho. Só não viajei hoje esperando você.

 

--Eu também vou dormir porque amanhã será um dia longo. -- Tatiana falou -- Não está cansada? -- perguntou para Lady

 

--Sim. -- levantou-se -- Eu vou passar os meus cremes e fazer minhas simpatias.

 

--Pra que?? -- as duas perguntaram curiosas

 

--Pra casar, ué? Não tá fácil achar homem no mercado. -- foi para o banheiro

 

--Tati, acho que vou levar essa garota praquela danceteria lá da Gávea... -- Priscila sorriu

 

--Vamos dividir apartamento com uma legítima caipira de Pau d’Arco! Tem base isso? -- Tatiana revirou os olhos

 

***

 

Era domingo e Juliana e Suzana estavam deitadas de lado na cama, uma olhando para a outra.

 

--Eu adoro quando você chega assim de surpresa! Me deixa tão feliz... -- beijou-a

 

--A primeira coisa que fiz depois de resolver o inevitável e cuidar daquele traste foi vir te procurar. -- sorriu

 

--Sinto-me honrada delegada! -- beijou-a de novo -- E a segunda coisa foi me comer como um animal faminto... -- sorriu -- Sabia que me deixou marcas daquela vez?

 

--Eu também saí daqui com evidências de felicidade... -- beijou-a. As duas riram e ficaram se olhando -- Sabia que pensei em você direto? Minha concentração era interrompida de tempos em tempos pela imagem de uma japonesa maravilhosa... -- sorriu

 

Juliana se sentiu mal ao ouvir aquilo. Decidiu que deveria ser honesta com a delegada. -- Amor, escuta... eu também pensei muito em você, orei muito por você, mas tenho uma coisa a dizer... -- mexia em uma mecha de cabelo da outra

 

Suzana notou a mudança na atitude da enfermeira. Parecia uma criança prestes a dizer que fez besteira.

 

--E o que é? -- perguntou desconfiada

 

--Eu fiz uma visita a minha ex mulher enquanto você estava fora... -- notou que Suzana parecia a ponto de saltar da cama e segurou-a delicadamente pelos ombros -- Calma, eu não fui pra cama com ela, me espera terminar... -- a morena se acalmou -- Nós conversamos sobre vários assuntos, eu falei de você, de nós...

 

--Por que foi lá? Só pra ver se ela ficava com ciúmes de saber da gente? -- perguntou chateada

 

--Não é isso... ela é minha amiga e eu queria desabafar... Ela também falou de si, da crise com a namorada atual...

 

--E você adorou saber disso, não foi? Quem sabe tenha uma nova chance? -- virou-se de barriga para cima se desvencilhando da outra

 

Juliana pensou antes de continuar. -- Cheguei a ficar feliz com a crise delas, sim... -- virou o rosto de Suzana para si -- Mas eu compreendi que quero mesmo é você!

 

--Claro, porque ela não te quer mais! -- respondeu com rispidez -- O que foi fazer lá? Fala a verdade! -- encarava a japonesa -- Desabafar o que? Você queria era um pretexto pra vê-la! -- estava com raiva

 

--Não... -- esforçava-se para não brigar -- eu já tinha falado de você pra ela no réveillon e queria que soubesse que estamos bem...

 

--Falado de mim pra ela no réveillon??? -- Suzana sentou-se na cama irritada -- Você não me disse que passou a data com ela!! Disse que tava na casa de veraneio de uns amigos!!

 

“Ai, meu Deus...” -- pensou -- “Pra que eu tinha que ter relembrado isso?” -- sentou-se também e tentou se explicar: -- E estava! A casa é do namorado de uma amiga minha. Eu não tinha pra onde ir, ela havia me convidado e eu não tinha dado resposta. No final fui pra lá, só que não podia imaginar que Seyyed também estava lá com dona Olga e a família do noivo dela. Eu cheguei na véspera do ano novo e todos já estavam em Búzios desde o dia anterior.

 

--E você nem podia imaginar que esse pessoal todinho tava lá? -- perguntou com deboche -- Ainda mais você que fala que essa dona Olga é como se fosse tua mãe??

 

--Acontece que eu contava em passar o ano novo com você, sua idiota! E o que aconteceu? A madame foi passear de moto! -- respondeu com raiva, falando um pouco mais alto -- Eu não tinha pra onde ir! Então peguei o carro e fui pra Búzios!

 

--Ah, então eu fui a culpada? -- levantou-se da cama -- Tomo chifre e sou culpada?

 

--Toma chifre?! -- levantou-se também -- Mas não aconteceu nada! E naquela época não estávamos juntas. Você vivia fugindo de mim, lembra? -- perguntou ironicamente

 

Suzana catou as roupas e começou a se vestir.

 

--Eu prefiro ficar sozinha a ser jogadora reserva. Não vou me deixar usar enquanto você e sua amada e perfeita ex não se acertam de novo!

 

Juliana se desesperou. -- Não faz isso, não vai embora! Você não está sendo usada! -- abraçou-se a delegada -- Não está, eu juro!

 

--Me larga! -- afastou-se dela e continuou a se vestir

 

--Está cometendo um erro... -- disse agoniada

 

Suzana terminou de se arrumar e respondeu: -- Erro cometi quando me permiti me apaixonar por você! -- foi até a sala

 

Juliana vestiu a camisola e correu atrás dela. Encontrou-a de mochila nas costas e abrindo a porta.

 

--Não vá, por favor! -- pediu com tristeza -- Preciso que fique aqui! Não me deixe...

 

--Se em dia você conseguir tirar essa mulher da cabeça e do coração... -- olhou para ela -- me procure. Enquanto isso, me esquece! -- saiu

 

--Droga! -- jogou um jarro vazio no chão e chorou. Estava se sentindo, como em tantas vezes na vida, abandonada

 

***

 

Sabrina estava sendo entrevistada no programa do famoso Lô Tavares. Usava um vestido azul brilhante de comprimento até um pouco acima dos joelhos. O decote era discreto e dava-lhe um ar garboso e sensual. Os sapatos eram de salto bem alto e pretos. Os cabelos estavam soltos, escovados e modelados. A maquiagem era discreta e de muito bom gosto. Sentia-se nas nuvens por estar na TV.

 

--Você acabou de voltar da Antártida, não é? -- perguntou sorrindo -- Hoje é segunda, ainda dá tempo de pegar um baile de carnaval amanhã! -- brincou

 

--Ai, não, Lô... Agora eu preciso é de um bom descanso! -- sorriu

 

--Imagino que sim! Eu no seu lugar estaria mooorrrto -- falou fazendo caretas -- Mas, o pessoal na platéia e em casa está curioso... Conte pra nós como foi mais essa aventura! Comece contando como conseguiu chegar lá! Você pegou algum ônibus aqui na rodoviária? -- brincou

 

Sabrina riu brevemente e começou a falar: -- Eu estava planejando a escala no Maciço Vinson desde que voltei da Guiné e não conseguia, não imaginava um jeito de chegar lá na península Antártica. Eu andava atrás dos patrocinadores e eles me perguntavam: “--Sabrina, quanto?” e eu não tinha uma idéia concreta. A única coisa que eu sabia era o tipo de material eu tinha que levar pra escalada no gelo e, claro, pra suportar aquele frio todo!

 

--Ah, mas você não deve ter tido muito problema quanto a isso porque aqui no Rio a gente já tem que usar tanta roupa de frio não é mesmo? -- perguntou para a platéia -- E o Corcovado, que vive cheio de gelo! O pessoal vira e mexe vai patinar na Lagoa e corta a cabeça dos peixes com as lâminas dos patins. Aí esses ecologistas inventam mentiras e dizem que é a poluição que mata os bichos, vê se pode? -- Sabrina e a platéia riram -- Você gosta de entrar numa fria, não é? Numa fria, não, numa gelada!

 

--Esse Lô Tavares é metido a engraçado e não tem graça nenhuma! -- Camille resmungou enquanto assistia ao programa -- Não sei do que esse povo ri!

 

--É, escalador é gente que gosta de inventar, não é Lô? E eu inventei que queria entrar nessa gelada. E entrei, mas foi por um golpe de sorte, viu?

 

--Conta pra gente! -- apoiou o queixo sobre as duas mãos entrelaçadas

 

--Um dia, no começo de janeiro, um colega que trabalha em uma revista esportiva me ligou dizendo: “--Vem pra cá agora! Mary Kellogue está aqui e vai dar entrevista. Ela está indo pra Antártida!” Eu saí correndo de casa e fui pro estúdio voando. Conheci a Mary, nós conversamos por uma hora e ela convidou: “--Vem com a gente! Vamos pra Ushuaia daqui a cinco dias e depois embarcaremos no Explorer rumo à península.” Eu quase perdi a fala, mas encontrei forças pra perguntar: “--Mas quanto eu tenho que pagar? Não levantei recursos suficientes e nem providenciei todo o material de que vou precisar!” E aí vem a melhor parte. Ela respondeu: “Já está ‘pago’. Uma das tripulantes não poderá mais ir; você vai no lugar dela. Se vira com teu material, providencia as passagens aéreas e seguro de viagem e esteja pronta pra daqui a cinco dias.” Eu estava a ponto de desmaiar! “Mas, eu preciso de um guia! Nunca estive lá!”, eu falei, no que ela me respondeu: “-- Há um outro explorador polar no grupo. Ele já esteve no Vinson. Pode ir de novo. Estava desejoso por isso!” Aí, eu me virei em mil, dei meu jeito e fui.

 

--Gente, mas essa menina nasceu de quina pra lua! Mary Kellogue não é aquela exploradora polar norte americana que escreveu Terra Australis Incognita? -- ajeitou os óculos -- Um livro muito interessante, diga-se de passagem; pena que não foi publicado em português.

 

--Ela mesma, você sabe tudo, viu? E a expedição contava com umas trinta pessoas dentre exploradores, geólogos, zoólogos, oceanógrafos, ecologistas, historiadores... e eu. -- sorriu

 

--Hum... -- Camille fez um bico -- Esse Lô Tavares é metido a intelectual! Deve ter pesquisado tudo no Google antes da entrevista! -- resmungou enquanto assistia ao programa -- Não sei porque esse povo se impressiona!

 

--Imagine o que é navegar com gente de alto nível em um quebra gelo de fundo chato, todo pintado de vermelho, por entre paisagens de gelo maravilhosas, apreciando mar e céu numa infinidade de tons de azul. -- Sabrina continuou -- Indescritível!

 

--Deve ser mesmo... E os bichos? Vocês viram muitos?

 

--Uma infinidade de pingüins, leões marinhos e alguns ursos polares que brincavam sobre ondas congeladas. A quase completa ausência de gente faz com que os animais sejam pacíficos. É incrível!

 

--E a escalada, quanto tempo durou?

 

--Ao todo foram treze dias! O vento atrapalhou um pouco mas deu tudo certo.

 

--E qual era a temperatura média, só pra ter uma noção? Trinta graus? -- brincou

 

--Ô bobeira! -- Camille reclamou

 

--Estamos no verão, então a temperatura em terras baixas era ótima: dois graus negativos. Mas em altitude e com vento a sensação térmica chegava a menos vinte, menos trinta...

 

--Nooossa, eu quase acertei, viu? Só esqueci o menos. -- a platéia riu

 

--Que graça tem isso, gente? -- Camille perguntou revoltada

 

--Esse pico tem 4892m de altitude. Um glaciar magnífico, lindo e extremamente desafiador.

 

Enquanto ela falava, um telão exibia algumas fotos da viagem.

 

--Que lindo! -- Camille exclamou

 

--E com isso, depois que chegar no cume do Everest, você se tornará a primeira brasileira e a mulher mais jovem do mundo a completar o projeto dos sete cumes?

 

--Isso! Mas o meu projeto é ainda mais ambicioso! Vou deixar o Everest esperando e investirei a partir de agora nos quatorze cumes, que são todas as montanhas do planeta com mais de oito mil metros de altitude. A última delas será o Everest. Concluirei dois projetos em uma  única escalada! -- disse empolgada

 

--Oito mil metros... -- olhou para as câmeras -- Falando assim parece fácil, não é gente?

 

--Fácil não, viável! -- Sabrina respondeu sorrindo

 

--Mas deixa eu entender mais. -- cruzou os braços -- Por que essa expedição da Kellogue foi tão curta? Quer dizer, vocês ficaram pouco mais que um mês fora. Costuma a durar tão pouco?

 

--A partir de março as temperaturas caem demais e os dias encurtam. A região fica bem mais inóspita. Eles tinham os recursos disponíveis praquela ocasião e aproveitaram. Posso dizer que aproveitaram bem o tempo. E pra mim, foi um timing perfeito.

 

--Mas conta aqui pra gente por que George Bush, mesmo que sem saber, pagou pra você ir nessa expedição? -- olhou para as câmeras -- Abafa o caso, gente! -- o público riu -- Você conversou com Mary Kellogue, uma exploradora renomada que deve conversar com um moooonte de gente que adoraria ir numa expedição destas e ela certamente não convida. Conta pra gente que charme é esse que você tem! Qual é o seu segredo, garota?

 

--Na verdade, Mary Kellogue foi dar a entrevista que eu mencionei porque se assumiu lésbica há pouco tempo e isso gerou muita repercussão. Ela teve um caso com uma historiadora que escrevia uma coluna na revista que a entrevistou e a mulher havia sido demitida de pouco, por outras razões, e fez um bafafá. Nem eu entendi bem essa fofoca, mas a revista queria conhecer a versão da Mary e aproveitar para perguntar sobre a expedição. Eles queriam fazer a cobertura, sabe? E aí nós duas conversamos, eu disse a ela que sou lésbica também e que seria a primeira escaladora lésbica a realizar o projeto dos sete e dos quatorze cumes juntos e então ela me deu essa força. -- pausou -- Antes que pensem bobagens, não me pediu nada em troca.

 

--Então foi só... corporativismo? -- perguntou brincando

 

--Somente isso!

 

--Gente, fala sério! -- olhou para as câmeras -- O mundo é gaaaaaayyyy! -- gritou

 

--Eu é que digo, fala sério! -- Camille levantou-se da poltrona revoltada -- Por toda parte que eu olho só dá sapatão!!! E a gente ainda vai jantar no meio de um monte delas!

 

Mariano e Mariângela também estavam assistindo.

 

--Não começa, Camille! -- a mãe ralhou

 

--Não é obrigada a ir. Se quiser ficar em casa sozinha, fique à vontade. -- Mariano complementou

 

A loura foi resmungando para seu quarto.

 

Lô olhou para as câmeras: -- Gente, agora vamos falar sobre um assunto muito sério: homofobia. -- olhou para Sabrina -- Você viveu e vive um drama pessoal que começou no ano passado, que foi o assassinato brutal de sua companheira Patrícia Feitosa. -- o telão exibiu uma foto da jovem

 

--Companheira??? Que cara de pau, nem namorar a garota essa safada queria!!! -- Priscila assistia em Iguaba e se revoltou

 

--Foi uma coisa horrível! Eu não estive com a Pat na noite do assassinato mas uma grande amiga dela, a Tatiana, me contou tudo. Elas estavam na Cinelândia, em uma plenária sobre os direitos dos trabalhadores e Patrícia discursou sobre a questão das mulheres no mercado de trabalho. Aliás, ela fazia discursos maravilhosos!

 

--Como se um dia você tivesse ouvido algum! Tem base isso, gente? -- Tatiana exclamou revoltada. Assistia com sua irmã Tânia

 

--Ao final foi abordada por uns homens que disseram que a queriam para uma palestra. Falaram que pertenciam a uma ONG, que não existe, e pediram pra que ela fosse na sede conhecer. Ela acreditou neles e saiu com os caras por volta das oito e meia da noite, segundo disseram, e desde então nunca mais foi vista com vida. -- pausou -- Tati desconfiou deles o tempo inteiro e quando me ligou procurando pela Pat meu coração parou.

 

--Que mentira!! Ela me despachou e voltou pra uma reunião atrás de patrocínio como se nada tivesse acontecido!! -- pulou da poltrona revoltada -- Chega doeu, viu?

 

--Calma, Tati, você vai acabar tendo um treco! -- a irmã falou

 

--Quando a delegada Suzana Mello assumiu o caso eu me enchi de esperanças. Depois de quase um mês desaparecida, a delegada encontrou o corpo de Patrícia apesar de um terrível erro que cometeram: ela foi registrada como homem.

 

--Minha nossa, o pessoal não sabe mais a diferença? -- exclamou chocado -- É demais, não é? -- balançou a cabeça -- E você foi lá, sozinha, reconhecer o corpo?

 

--Eu achava que ela merecia isso de mim. E vou lhe dizer que nunca esquecerei o que vi naquele necrotério... -- passou os dedos sobre os olhos para impedir que as lágrimas caíssem -- Foi horrível...

 

--Você lucrou e lucra muito às custas dela, sua aproveitadora! -- Priscila reclamou -- O mínimo que podia ter feito era ter reconhecido o corpo mesmo!

 

--Nós vimos nos telejornais que a delegada Suzana Mello localizou e prendeu os dois homens que abordaram Patrícia Feitosa, além de ter retido mais um outro suspeito.

 

--Sim, mas eles entram com pedidos de Habeas Corpus... Um já responde em liberdade. Não demora muito e Clóvis e Otávio Bueno também estarão livres. -- Sabrina desabafou. Enquanto isso o telão mostrou o retrato dos três homens: Clóvis, José e Otávio.

 

--Vamos torcer pra que se faça justiça nesse país e esses três bandidos da pior espécie fiquem presos e apodreçam na cadeia! -- Lô afirmou com veemência

 

--É o que todos nós queremos, Lô. Confio na Justiça!

 

--E essa foi Sabrina Magalhães: a escaladora que esteve tremulando a bandeira brasileira nos picos do Kilimanjaro, Aconcágua, McKinley, Elbrus, Pirâmide Carstensz e Maciço Vinson. Dentro em breve ela estará fazendo a mesma coisa nos cumes das quatorze montanhas mais altas do planeta, todas com mais de oito mil metros de altura, e será a primeira brasileira e a mulher mais jovem do mundo a poder se gabar do fato! Lésbica assumida, consciente, linda e carismática, gostem ou não, é uma mulher de muita coragem e muita raça, porque fazer o que ela faz não é qualquer um que consegue! -- pausou -- Se alguém me mandasse subir em uma só dessas montanhas, eu diria: “--Eu??? Imagiiina, santa!” -- imitou trejeitos estereotipados de gay. O público riu.

 

--Mas tem que ter muito preparo físico e muita coragem, não é Mari? -- olhou para a irmã -- Eu nem imagino uma montanha de oito mil metros!

 

--Não sei o que é pior, encarar essas montanhas monstruosas ou se assumir lésbica na televisão com todo mundo vendo! -- balançou a cabeça

 

*****

 

Olga, Mariângela e Isa começaram desde cedo a preparar o jantar da quarta-feira de cinzas. Camille estava na casa também mas não moveu uma palha sequer. Às 19:00h estava tudo pronto. Ed chegou por essa hora com Mariano, e vinham trazendo mais uma pequena mesa e quatro cadeiras. Montaram tudo na sala.

 

--Esse seu apartamento é ótimo, Olga. Montaram esse mesão na sala e não ficou apertado! -- Mariângela exclamou

 

--Ficou legal, não é? Agora só faltam os convidados. -- Olga respondeu animada

 

--Pensei que fossemos convidados também. -- Camille reclamou

 

--Não, vocês são de casa. -- Olga afirmou sorrindo

 

--Tu vais ser minha prima, nêga! -- Ed mexeu com ela e piscou

 

--Deixa a garota, boba! -- Isa deu um tapinha no braço da namorada. A loura se incomodou com aquilo

 

Poucos minutos depois Renan chegou com os sogros, Tatiana e as irmãs. Seu carro veio lotado como o Fusca dos Trapalhões.

 

As pessoas se cumprimentaram e foram devidamente apresentadas. O jantar correu animado e descontraído. Somente Camille não conversava.

 

--Deixa eu falar, nós dois estamos indo embora amanhã, mas posso dizer que apesar de curta essa viagem foi maravilhosa! Renan nos tratou muito bem demais da conta e, por favor, que jantar foi esse? -- beijou os dedos -- Divino! -- Claudio afirmou sorrindo

 

--Faço minhas as palavras de meu marido! E vocês, a família e amigos de Renan, são pessoas ótimas! -- Clarice sorria

 

--Também gostei muito da oficina! -- Claudio havia passado lá mais cedo para visitar -- Coisa bacana e ambiente de família mesmo! Só peço desculpas por tê-la incomodado. -- olhou para Ed

 

--Incômodo algum. Sempre apresento aquela oficina com muito orgulho. -- sorriu -- E nós também gostamos muito de vocês! São simpáticos e muito divertidos!

 

--Concordo! Fico feliz de saber que meu filho fará parte de uma família excelente! -- Olga disse sorrindo

 

--Ai, tia, eu nem sei como agradecer! -- Tatiana falou -- Esse carinho todo com a gente... E você também, amiga... -- olhou para Isa -- Te adoro!

 

--Amigos são para isso, e eu só dei uma mãozinha. Agradeça a estas duas aqui! -- apontou para Olga e Mariângela

 

--Ei, mas a gente trouxe as cadeiras!! -- Mariano brincou

 

“Que rasgação de seda!” -- Camille pensou e revirou os olhos

 

--Vocês ficam aqui até quando? -- Isa perguntou para as irmãs de Tatiana

 

--Até domingo! -- Tânia respondeu

 

--Pra mim, carnaval só acaba no domingo -- Tamires falou sorridente

 

--E adivinha por que? -- Tatiana perguntou baixinho para Isa

 

--Está de namorado... -- a bailarina arriscou

 

As irmãs apenas riram.

 

--Eu queria falar umas breves palavras... -- Renan se levantou -- Será que posso? -- olhou para Olga

 

--Claro meu bem! -- ela respondeu

 

--Eu era menino de rua e achava que iria morrer antes dos dezoito... mas aí conheci estas duas mulheres. -- apontou para Olga e Seyyed -- Uma me acolheu como se fosse filho, me deu um lar, me deu valores e fez de mim um ser humano livre. A outra me ensinou um ofício, me deu disciplina e fez de mim um ser humano útil. As duas me deram amor e uma vida nova se abriu na minha frente. Fizeram de mim um homem! -- pausou emocionado -- Eu estava sofrendo por amor e aí conheci esta mulher. -- olhou para Tatiana -- E ela me viu, de verdade ela me viu. E me deu amizade, carinho e amor. Ela me ensinou a gostar de ler, a ter cultura e ter consciência real do que é ser negro, sem preconceitos ou complexos. Fez de mim um ser humano completo... -- sorriu -- E a vida me apresentou a sua família maravilhosa, a família do seu Mariano e a Isabela. Graças a Deus! -- olhou para os homens na mesa -- Sortudos somos nós, benditas sejam as mulheres, e graças a Deus temos estas maravilhosas mulheres em nossas vidas para torná-las ricas e plenas de tudo. -- concluiu emocionado

 

--Ai, que lindo, amor... -- Tatiana foi até ele e o beijou emocionada

 

--Mandou ver! -- Ed falou sorrindo

 

Todos batiam palmas. Camille fazia isso apenas para ser gentil, mas não disfarçava o bico.

 

--Não acredito que não esteja gostando do jantar e nem que não tenha se emocionado com as palavras do rapaz! -- Mariângela sussurrou para a filha

 

--Nunca vi tanta rasgação de seda e papo fiado. Só valeu pela comida... -- respondeu baixinho -- Quando é que a gente vai embora? -- olhou para a mãe com um sorriso falso nos lábios

 

***

 

Seyyed trabalhava desde cedo e já estava cansada. Morrendo de calor e muito suada decidiu que era hora de parar e tomar um banho. Abriu a parte de cima do macacão, tirou os sapatos e soltou os cabelos. Ouvia uma voz falando baixinho.

 

“Cadê a Isa?” -- pensou

 

Decidiu procurá-la e encontrou-a na própria oficina, dançando em uma área destinada aos carros antigos.

 

Estava treinando. Conforme dançava ia falando para si mesma: -- Pas de bourrée couru. -- executou uma ligeira corrida-- Rond de jambe en l'air! -- deu passos nos quais os movimentos eram feitos no ar -- Sur lês pointes! -- elevou o corpo para sustentar-se pelos dedos do pés-- En face! -- ficou de frente para ela

 

--Está me deixando excitada, sabia? -- perguntou com voz gutural

 

Isa sorriu e continuou: --Em tournant-- girou o corpo em torno de si mesma

 

--Você não está acreditando em mim? -- caminhou lentamente em direção a ela. Seu olhar era faminto

 

Isabela parou de girar mas continuou dançando. Usava uma blusa justa de alças, calça bailarina e sapatilhas. Os cabelos estavam presos em um coque.

 

--Sabe o que quero fazer contigo? -- perguntou com voz rouca

 

-- Dis-moi! (Diga-me!) -- respondeu fingindo inocência

 

--Você me deixa ainda mais excitada falando francês! -- pegou-a pela cintura e puxou-a com força para junto de si

 

--Ai... -- gem*u sorrindo -- Ce que vous voulez faire? (O que você quer fazer?) -- perguntou dengosa

 

Ed apertou-a ainda mais fortemente contra seu corpo e respondeu no ouvido da bailarina: --Te devorar inteira!

 

Isa ficou arrepiada e excitada por antecipação. -- Vous êtes tout en sueur… (Você está toda suada…) -- respondeu com os olhos fechados. Ed não entendeu o que dizia

 

A mecânica imprensou Isa contra a parede e ajoelhou-se arrancando-lhe as calças. A bailarina levantou uma perna e dobrou-a sobre o ombro da morena.

 

--Ah, ah, oui mon amour, oui, oui... -- gemia de olhos fechados

 

Mãos impacientes percorriam seu corpo e faziam o que bem entendiam. A morena começou a se levantar devagar beijando sua barriga. Tirou-lhe a blusa.

 

--Mon amant... me devore... -- pedia com os olhos fechados

 

Seyyed parou brevemente para tirar as próprias roupas. Isa admirava-a com desejo. A morena segurou-lhe pela cintura e abraçou-a com força, beijando-lhe os lábios, pescoço e orelhas.

 

--Solta o cabelo pra mim, vai? -- pediu ao seu ouvido. A ruiva sorriu e obedeceu

 

A morena levantou uma das pernas da ruiva e para sua surpresa, a bailarina jogou o pé acima de seu ombro. Ela sorriu.

 

--Você me deixa louca... -- sussurrou e imprensou a mulher mais jovem novamente contra a parede. Estava muito excitada e seus lábios pareciam estar em toda parte do corpo da outra. Isa sentia-se devorada

 

--Ah, ah, ah, mon amour... vous êtes tout…Je t'aime… -- gemia e falava de olhos fechados abraçada a sua amante, arranhando-lhe as costas

 

--Também te amo, minha gostosa...

 

A bailarina sentiu que iria goz*r e nesse momento levanta a outra perna que se enrosca na cintura de Ed. Gem*u alto e falou palavras perdidas em francês.

 

***

 

Ed dormia deitada de bruços. Isa estava deitada com a cabeça nas costas dela, arranhando de leve. Era quinta-feira à tarde e a bailarina ainda estava acampada na casa da namorada. Decidiu e negociou com a mãe que só voltaria no domingo. Estava adorando aquela espécie de pequena lua de mel. Seyyed trabalhava, mas ao terminar era somente da ruiva e aquele clima de romance e sensualidade estava ótimo.

O sex*, como sempre, delicioso. Pensava nisso quando o celular da mecânica começou a tocar.

 

Isa se levantou com preguiça e pegou o aparelho. Viu que era Juliana. “Por que Ed ainda não apagou o número dela da memória?” -- pensou contrariada

 

Como insistisse muito, Isa resolveu atender: -- Alô. -- respondeu decidida

 

Juliana não reconheceu a voz. -- Devo ter me enganado... este não é o celular de Seyyed?

 

--É, mas ela está dormindo e eu só vou acordá-la se você me garantir que o que tem a falar com ela é importantíssimo! -- respondeu educada e séria

 

A enfermeira finalmente identificou a voz de Isa. “Será que se acertaram?” -- pensou -- Não é que... eu só queria conversar com ela sobre o aluguel... -- respondeu contrariada

 

Isa ficou sem entender e achou que a japonesa estava mentindo.

 

--Já era tempo de você buscar outras pessoas pra conversar, não acha? Dona Olga tem andado muito ocupada com o noivo dela e Seyyed igualmente se ocupa com a NOIVA dela, que sou eu.

 

“Noiva???” -- Juliana pensou em choque -- Tão ocupada com a noiva, -- disse a última palavra com deboche -- que ela dorme e você fica aí... -- não sabia o que dizer e falou o que lhe veio à cabeça

 

Isa riu. -- Olha, eu não brigo por causa de namorada, acho isso total mediocridade, e nunca declarei guerra contra você. Você é que sempre viveu em guerra comigo, desde que me conheceu. Goste ou não, Juliana, ela está COMIGO, então eu vou te pedir civilizadamente: deixe Seyyed em paz e cuide de sua vida, porque a delegada não vai te esperar eternamente. Eu estou cuidando do que é meu, seguindo seu próprio conselho. Quando vai cuidar do que é seu, hein? -- pausou -- Tenha uma boa tarde! -- desligou

 

Juliana ficou possessa e pensou em ligar de novo mas não o fez. Isa estava certa e parecia até ter adivinhado sobre sua discussão com Suzana, exatamente por causa de Ed. Para a japonesa, era óbvio que a crise entre as duas havia passado, e ela estava, como sempre, sobrando.

 

***

 

Tamires voltava de uma noitada às três da manhã. Arranjou um namorado carnavalesco e ainda estava curtindo. Tatiana, Tânia e Lady dormiam.

 

--Uff! -- abriu a porta e tirou os sapatos -- Carnaval no Rio é tudo! -- acendeu a luz e entrou -- E eu ainda tô igual uma doida com essa mania que peguei de ficar falando sozinha! -- riu

 

--ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ... -- um sussurro sinistro se fez ouvir na cozinha -- Trevas do mal... sangue...

 

“Mas que diabo é isso???” -- sentiu um medo sincero

 

--Fogo do mal... sangue... -- os sussurros se repetiam – ÊÊÊÊÊÊÊÊ...

 

Correu para o quarto de Tatiana. --Tati, acorda! -- chamou aos sussurros enquanto chacoalhava a outra -- Deixa eu te falar, tem um ladrão aqui! --estava com medo

 

--O q...? -- Tamires tampou sua boca

 

--Não grita, doida! -- sussurrava

 

--Ai meu Deus, e agora?? -- perguntou apavorada -- E se for Clóvis ou Otávio Bueno querendo vingança? -- falava bem baixo

 

--Quem são esses??

 

--Assassinos de Patrícia, uai! Não lembra que a delegada pegou eles??

 

--Cruzes! -- olhou para todos os lados -- Olha! -- viu uma faca sobre um prato esquecido na mesinha -- Vamos lá comigo!

 

--Lá aonde??

 

--Na cozinha, uai! As vozes vêm de lá. -- puxou a outra pela mão -- Vem!

 

--Calma! -- Tatiana levantou-se catando cavaco

 

--Psiiii, psiii... ÊÊÊÊÊÊÊ... -- o sussurro continuava

 

--Ouviu isso?? -- Tamires perguntou

 

--Por que um ladrão faria isso?? Tem base, não...

 

--Pode ser um tarado, Tati. Quer fazer guerra psicológica. Nunca assistiu O Silêncio dos Inocentes?

 

--Eu não!

 

Foram se encaminhando para a cozinha

 

--UAUAUAUAUAUAUA... demo... demo... -- ouviam a voz cada vez de mais perto

 

Abaixaram-se e entraram na cozinha quase rastejando.

 

--ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ... -- o som parecia vir de perto do tanque, na área de serviço

 

-- A gente acende a luz e ataca! Seja lá o que Deus quiser!

 

--Mas, Tami, só temos uma faca!!

 

--Usa tuas unhas, que estão enormes! -- respondeu. Tatiana olhou para as próprias unhas.

 

Tamires levantou-se em um pulo, acendeu a luz, mirou a faca e quando se preparava para atacar deu de cara com Clint: a maritaca austral.

 

--Batman!!! Batman!!! -- gritou desesperado

 

--Batman?! -- Tamires riu -- Eu pensei que tua dona tivesse dito que as maritacas da tua raça não falassem! -- riu de novo

 

A ave arregalou os olhos, que pareciam vermelhos e saiu do tanque para pousar de volta no seu puleiro, perto da geladeira.

 

--Sangue... sangue... -- dizia sussurrando

 

--Eu hein! -- Tatiana olhava desconfiada -- Não bastasse essa tal de Lady ter trazido dez toneladas de mudança, ainda me arrumou um satanás como bicho de estimação! -- apontou para a ave -- Fica aí na tua! -- foi se encaminhando para o quarto -- É cada uma, viu?

 

--Demo... demo... -- o bicho sussurrava olhando para Tamires

 

--Ei, me espera! -- Tamires foi atrás da irmã correndo

 

***

 

Ivone estava saindo do mercadinho. Abriu o porta malas do carro e colocou as bolsas dentro dele. Quando deu a volta para entrar percebeu que o pneu da frente estava completamente vazio.

 

--Ai meu Deus... -- suspirou

 

Silvio permanecia de olho nela desde que estava nas compras. Aproveitou a oportunidade e correu para ajudar.

 

--Olá querida! -- sorriu. Ivone se assustou -- Não tenha medo, -- levantou as mãos -- não sou bandido! -- abaixou as mãos novamente -- Veja que sorte, eu sou mecânico! Se tiver um estepe eu troco esse pneu furado!

 

--Ah, tenho sim. -- sorriu -- Sou prevenida! -- abriu o porta malas novamente -- Minha caixa de ferramentas está ali. – apontou -- E o macaco.

 

Silvio pegou o pneu novo e as ferramentas.

 

--E que homem não gosta de uma mulher prevenida? -- abaixou-se em frente ao pneu furado -- Eu sou Silvio. -- olhou para ela

 

--Ivone, prazer. -- sorriu

 

--Vamos começar... -- estalou os dedos -- Poderia engatar o carro em primeira, por favor? -- pediu

 

--Ah sim! -- Ivone abriu a porta, entrou, ligou o carro e engatou -- Tudo bem? -- perguntou

 

--Agora deixe comigo! -- sorriu de novo. Ela saiu do carro

 

Silvio começou a afrouxar as porcas com a chave de roda. -- Eu sei que as mulheres hoje em dia sabem fazer tudo, mas seria um pecado deixar uma dama como você fazer um serviço desses. -- fazia mais força que o necessário para mostrar os músculos -- Um homem de verdade preserva as mulheres. -- fingia-se de cavalheiro. Ivone percebeu que estava sendo cantada e achou graça

 

O moreno começou a usar o macaco e levantou o carro. Retirou as porcas e puxou o pneu com a roda. -- Não é todo homem que sabe fazer isso. A maioria finge que sabe. Aliás, os homens fingem demais! Fingem que amam, fingem que são bons de cama, fingem que não têm medo... -- colocou o estepe e pôs as porcas fixando a roda -- Eu sou das antigas. Não tenho medo de mergulhar de cabeça no amor.

 

--Imagino que você seja daquele tipo que realmente não tem o menor medo de mergulhar de cabeça... -- satirizou sorrindo, coisa que ele não percebeu

 

Apertou bem as porcas da roda trocada. -- Tem que dar aquele aperto, pra ficar bem firme, mas não pode ser demais. É igual na hora do amor, -- olhou para ela brevemente -- o cara tem que ter pegada mas tem que sabe dosar! -- abaixou o carro com o macaco -- Sabia que o modo como um homem troca o pneu de um carro diz muito sobre ele? Isso é psicologia! -- pausou -- Entende de psicologia? Já leu a respeito?

 

--Eu não entendo muito destas ciências... -- mentiu

 

Levantou-se e guardou o pneu furado e as ferramentas no porta malas.

 

--Leva ele a uma borracharia. -- apontou para o pneu -- Vou te dar umas dicas que você deveria seguir daqui pra frente: -- começou a enumerar nos dedos -- tenha sempre duas tábuas de madeira na mala do carro pra travar a roda do lado contrário ao pneu furado, tenha uma chave de roda além da chave que vem com o carro, verifique a cada quatro meses se o estepe está devidamente calibrado e tenha um par de luvas, como as usadas em jardinagem, pra segurar o pneu com mais facilidade e não se sujar. -- aproximou-se dela e fez olhares sensuais -- Eu sou mecânico escolado, não me sujo, mas se fosse outra pessoa... -- pausou -- Aliás, sou escolado em um monte de coisas...

 

--Posso imaginar... -- sorriu e se afastou -- Silvio, nem tenho palavras pra agradecê-lo.

 

--Mas eu não pensei em palavras... -- sorriu -- Que tal irmos tomar um chopinho, papear, se conhecer melhor... -- falava com voz de cafajeste

 

--Você tem carro? -- ela perguntou

 

--Tenho, claro... -- respondeu estranhando -- Por que?

 

--Será que me emprestaria ele por alguns minutos?

 

Ele sorriu sem graça sem entender.

 

--Ou, será que me emprestaria as chaves da sua casa? Mas eu devolverei logo.

 

--Olha, eu sinto muito mas eu mal te conheço... -- sorriu sem graça -- Não posso fazer isso. Nem tô entendendo qual é a sua... -- abriu os braços

 

--Estou apenas analisando o valor que dá a cada coisa. -- pausou -- Você, assim como muitos homens, infelizmente preserva coisas como seu carro, sua casa, seu time de futebol... mas não preserva o seu próprio corpo. Não tem coragem de me emprestar o que pedi mas está disposto a partilhar seu corpo comigo. Sob este aspecto nem interessa que eu seja uma estranha, não é?

 

Silvio ficou sem graça sem saber o que dizer.

 

--Um homem precisa saber se dar valor, rapaz. É exatamente por vocês serem desse jeito que temos tantos problemas sociais. -- abriu a porta do carro -- Ao contrário de você, que se considera pouco valioso, eu valho mais que um pneu trocado ou um copo de chope. -- entrou -- Por isso não aceito o seu convite. -- ligou o carro novamente -- E à propósito, eu sou casada e não saio com estranhos. -- fechou o vidro e foi embora

 

--Coroa marrenta! -- exclamou -- Duvido que teu marido tenha um maior que o meu! -- gritou, mas ela não ouviu. Chutou o chão e foi embora

 

***

 

"José corria por lugares escuros, medonhos e fétidos. Ouvia gritos e gemidos de desespero. De tempos em tempos a mulher de roupa preta aparecia fazendo uma careta e olhares ameaçadores. Não adiantava onde se escondesse, ela sempre o encontrava.

 

--Sai de mim, seu demônio! -- ele gritava -- Sai de mim!!

 

--Confessa? -- sumiu e voltou a aparecer -- E entrega os outros que eu te deixo!

 

--Não!!! -- gritou -- Se eu fizer isso eles vão me matar!

 

--E se não fizer... -- ouviu a voz dela dentro da própria cabeça -- EU VOU TE DEIXAR MALUCO!!!!! -- deu uma gargalhada diabólica

 

José correu apavorado, escorregou em um abismo e caiu. Gritava desesperadamente." -- AAAAhhh!!!! -- sentou-se na cama apavorado

 

Olhou para o relógio; três da manhã. Passou a mão no rosto. Estava suado demais. Passou a outra mão sobre as cobertas e percebeu que havia urinado.

 

--Meu Deus... quando esse inferno vai acabar? -- fechou os olhos e quase chorou -- Eu vou enlouquecer...

 

 

FIM DA PRIMEIRA TEMPORADA - se você quer continuar, segue a segunda temporada. Confia na caipira. ;P

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Citações:

1 -Parágrafo de abertura e citação inspirados na obra de Fritjof Capra. O Tao  da Física. Ed Cultrix 

2- Hanna K

3 - Raydon Donovan

4- Albert Schweitzer

5- Antonio Skármeta

6 – Antoine de Saint Exupéry

7- Buddha

8- Allan Kardec

9- Lao – Tse

10- Khalil Gibran

11- Conde de Chesterfield

12- Karl Marx

13- Affonso Romano De Sant’Anna

14- Hanna K

15- Mark Twain

16- Bismael B. Moraes

17- Provérbio chinês

18- Madre Teresa de Calcutá

19- Marcos, 4:28

20- Carta aos Romanos, 14:6

21- Antoine de Saint Exupéry

22- Emmanuel

23- Ligneul

 

Nota: esqueci lamentavelmente de citar, mas as explicações sobre a depressão dadas por Ivone baseiam-se principalmente no livro Depressão e Mediunidade de Jairo Avelar, Célio  Alan  Kardec, Wanderley Oliveira e Wander Luis Lemos. Editora Itapuã.

 

A conversa sobre dança, entre Seyyed e Isabela, baseia-se no excelente artigo de Andréa Cristhina Rufino Assumpção, o qual li uma vez e não consegui encontrar de novo.

 

O discurso de Pedro na morte de Patrícia baseia-se em um texto sobre preconceitos que me foi apresentado por um colega. Desconheço a fonte.

 

Música do Capítulo:

 

[a] Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo. Intérprete: Roberta Miranda. Compositores: Roberto e Erasmo Carlos. In: Roberta Miranda – Volume 09. Intérprete: Roberta Miranda. Warner Music, 1996. 1 CD, faixa 2 (4min18)

 


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Comentários para 6 - Primeira Temporada - MUDANÇAS VI:
NovaAqui
NovaAqui

Em: 13/06/2024

Não sinto firmeza na Isa! Não sei por que 


Solitudine

Solitudine Em: 14/06/2024 Autora da história
No começo, ninguém sentia! Kkk


Responder

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jake
jake

Em: 13/03/2024

Oieeee Querida autora estou aqui para parabenizar e agradecer por mais essa temporada,Li e amei, refleti ,chorei ,sorri e principalmente aprendi mto . Vou lá ler a 2 temporada... Obrigada. 


Solitudine

Solitudine Em: 15/03/2024 Autora da história
Olá querida!

Fico feliz em saber que a Primeira Temporada deste grande seriado repercutiu tão bem em você!

Mas não suma! Volte para me contar o que está achando de cada capítulo e faça uma caipira feliz! rs

Beijos e obrigada pelo carinho, atenção e amizade!
Sol


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Hana Stewart
Hana Stewart

Em: 30/03/2023

Li todas as suas histórias mas hoje decidi te favoritar. Estou relendo essa que é a mais linda história de todos os tempos!


Solitudine

Solitudine Em: 31/03/2023 Autora da história
Olá querida!
É a primeira vez que a vejo aqui e fico muito feliz, especialmente em saber de tudo isso!
Obrigada por seu elogio! Fico lisonjeada!
Beijos,
Sol


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Seyyed
Seyyed

Em: 11/09/2022

PQP que maluca essa Lady! Ainda trouxe uma tal de maritaca pior do que ela! hehe você é engraçada. Vou confiar na caipira e continuar lendo porque isso aqui vicia! Haja criatividade!


Resposta do autor:

Lady é uma personagem singular! Você verá (ou já viu) rs

Eu sou engraçada? Obrigada!

A caipira agradece!

Beijos,

Sol

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Seyyed
Seyyed

Em: 11/09/2022

Essa Isa é uma chave de cadeia... A delegada tirou o atraso mas a Ju faz umas que deixam qq umabroxada né? Fátima de novo...certeira!


Resposta do autor:

Sem dúvida, Isabela é uma chave de cadeia... rs

Juliana ainda estava dividida naquela época.

E Fátima... ela enxerga, fazer o que? rs

Beijos,

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 16/04/2020

Olá Solzinha!!

 

Pensa aí numa história (mesmo que curta) com a Lady Di, ela é sensacional!! Kkkkkk.... Imagine várias aventuras dela e do Clint em pleno Rio.

 

Mesmo em férias, as coisas não param, você bem sabe disso!!

 

Beijos querida!


Resposta do autor:

Olá Gabinha!

Ideias não faltam, especialmente nestes tempos em que o país virou piada sem graça. Mas antes eu tenho que concluir o Tao. CONVIDE-0 atropelou porque veio na cabeça igualmente me atropelando.

Gabinha, o que eu sei é: honre suas férias! Até eu, do jeito que sou, honrei as minhas em 99% do tempo. Depois de tanto levar na cara, especialmente nos últimos anos, estou deixando de ser boba.

Beijos!

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 15/04/2020

Voltei só pra dizer que a Lady Di e o Clint são demais!! Kkkkkk...


Resposta do autor:

Lady merecia um conto só dela. Várias garotas me pediram  isso na época do abcLes

Responder

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 15/04/2020

Solzinha,

Que sabedoria da dona Olga! Outra persongem marcante.

Em uma coisa a Isa sempre teve razão, a Sayed é muito pura, até ingênua, mas ela tem um coração tão bom, que pensa que todo mundo é igual a ela.

 

Não lembrava da Ana Fluminense... Kkkkkk... Só você mesmo!!!

 

Beijos


Resposta do autor:

Eu adoro a Olga!!! 

Sim, Seyyed é uma pessoa muito pura e às vezes o povo abusava dela.

Uai, Ana Fluminense era essencial para a minha bailarina. 

Beijos,

Sol

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Irina
Irina

Em: 09/04/2020

Minha kota,

Vi que já me respondeste cá e lá em CONVIDE-0. Agradeço-te a fineza. Li a primeira temporada e o Entrelaçadas I. Este segundo comentarei no lugar devido. Como tu soi sistemática (decerto que és).

O drama de Camille toca-me fundo em minhalma e esta é minha persona primordial. Mas não sei... Embora eu adorasse ter uma Seyyed não sei se é o que Camille precisa. Deixas a dúvida no ar mas eu prefiro que a bailarina tenha a preferência. Não sei, vamos ver.

Olga é um sonho maternal e Ana só me põe a rir. Como é toda despautérios...

Entendo porque deixaste a Gagia no Ar.


Resposta do autor:

Olá querida!

Sim, sou sistemática, tem razão. É tão óbvio assim? rs

Sob o Encanto de Maya foi postado pela primeria vez em um site que foi desativado chamado abcLés. Esse triângulo Isabela-Seyyed-Camille, naquela época gerou um grande grupo de torcedoras que se dividiram torcendo pela ruiva ou pela loura. E como a história era interativa a coisa oscilou entre lá e cá até que no final... bem, você lerá o desfecho (espero) e me dirá (espero também). rs

Olga também tinha um fã clube e Ana divertiu e aborreceu muita gente.

Onde anda a Gagia? Ela sumiu.

Beijos,

Sol

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Gagia
Gagia

Em: 05/02/2018

Vou comentar em cada capítulo só porque tu mereces uma constelação. Eu deveria ter feito isso logo à princípio mas como te disse não sou de comentar contos. Tu desencadeaste em mim esta vontade. Talvez por gratidão minha. Ler-te foi terapia e oração, foi erótico e não vulgar, foi divertido e não piegas, foi uma descoberta plena!


Resposta do autor:

Desculpe responder mais de dois anos depois do comentário. É a minha desordem e loucura. Não sei o que dizer. Perdoe e muito obrigada por seu tempo e cada palavra

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