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Decifra-me ou Devoro-te por KFSilver

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Palavras: 4251
Acessos: 2595   |  Postado em: 00/00/0000

Notas iniciais:

Só um lembrete meninas, esse romance é apenas ficção e como autora estou explorando o máximo a minha imaginação. Sou apenas uma curiosa sobre a doutrina espírita, até pq adoro os contos com essa temática, okay! Boa leitura! ;)

Capítulo 26

Esther

 

- Podemos conversar?

- Pensei que estivesse cuidando da sua... amiga?! - ironizou.

- Micaela, por favor? Eu sei que você não é assim. - pedi, ouvi o seu suspiro.

- Agora estou com os meus amigos, Esther... - interrompi.

- Podemos almoçar amanhã? - insisti.

 

Silêncio.

 

- Só se for na minha casa.

- Está ótimo! No mesmo horário?

- Sim. Preciso desligar, está barulhento aqui.

- Okay. Divirta-se.

- Com certeza! Te vejo amanhã. - desligou.

 

Pressionei a minha nuca, olhando o aparelho. Mia estava certa em uma coisa, precisava consertar as coisas entre nós. Micaela tornou-se alguém importante para mim, não podia agir daquele jeito novamente com ela.

 

- Você está bem? - voz suave.

- Ficarei.

 

Lúcia tinha um olhar preocupado, aquele de mãe quando o filho não está bem mas não quer confessar o que há.

 

- Espero que Amélia não tenha sido dura contigo.

- O que disse a ela?

- A verdade. Que você não consegue seguir em frente.

- Não tinha esse direito! - falei séria.

- Não, eu não tenho! - aproximou - Pode ficar com raiva de mim, mas não posso passar mais dez anos vendo você sofrer esperando um amor que não tem, não mais!

- Sentir raiva de você? Não... - sussurrei - Não sinto raiva, eu... Só me sinto triste.

 

Fui envolvida pelo o seu abraço acolhedor, sussurrou palavras de conforto.

 

- Minha criança, lamento por vocês duas estarem sofrendo tanto. - me fez olhá-la - Desejo poder ver vocês sorrindo como antes!

- Ficaremos bem. Somos adultas, encontraremos a melhor forma de resolver as coisas.

 

Pensei no que Mia disse sobre ter perdido algo, não era necessário dizer, no fundo eu sentia que a sua essência havia sumido.

 

- Estou preocupada com ela. - confessei.

- Te contou o que aconteceu? - olhou com interesse.

- Sim.

- Muito sério?

- Sim. É melhor deixar ela contar quando se sentir à vontade.

- Entendo, mas não me deixa menos angustiada.

- Mia precisa de espaço para saber como proceder, dê tempo, ela sempre te contou tudo. - sorri em conforto.

 

Conversamos mais um pouco, avisei que almoçaria com Micaela por isso iria com o meu carro na estância. Combinamos deixar Júlia passando o dia com ela, o que já havia sido programado antes. O pedido chegou, como a morena atendeu fez questão de pagar pelo jantar. Apesar do clima pesado entre nós duas, Júlia com o seu jeitinho aos poucos amenizou tudo, até incentivou Mia a comer mais, levando meio atrapalhada os hashis com frango até a boca da outra.

 

- Ela segura melhor eles do que eu! - Mia brincou.

- Isso é teimosia! - Lúcia completou - Ela comia só de colher, mas o seu pai ensinou um truque pra segurar os hashis. - sorriu - Ela só sossegou quando conseguiu. - sorrimos orgulhosas.

- Ah, é? Perseverante, gostei de saber. - piscou para baixinha que sorriu.

- Mamãe, você vai dormir aqui também? - perguntou bebericando o suco.

- Vou sim, amor. - percebi que ficou desapontada - O que foi? Que carinha é essa?

- É que vou ter que dormir contigo. - murmurou chateada.

 

As montenegros olharam divertidas para Júlia, e para mim.

 

- Nossa! E isso é tão ruim assim? - falei surpresa.

- Eu ia dormir junto da vovó. - fez um biquinho lindo.

- Hahaha... mas isso é golpe baixo! Por um momento você me assustou. Se sua vó deixar, não vejo problema em você dormir com ela. - Júliu olhou para Lúcia esperando a resposta.

- Lógico que deixo! Ter minha princesinha só pra mim, dormindo abraçadinha. - piscou travessa.

- E vendo desenho até tarde... - sussurrou com a mãozinha na frente na tentativa de só Lúcia ouvir.

- Vou fingir que não ouvi isso! - sorri.

- É, parece que perdi de vez o meu trono. - Mia lamentou.

- Ciumenta! - retrucamos juntas sorrindo.

 

Júlia voltou a comer até ficar pensativa de novo. Olhando para Mia e para mim.

 

- Eu divido a mamãe com você, pode dormir com ela! - sugeriu inocente. 

 

Quase afoguei com o suco, não tanto pelo o que Júlia disse, mas pelo rosto de Mia que corou na hora. Há muito tempo não via a morena ficar sem saber o que responder, queria ajudá-la, mas estava me divertindo com aquilo.

 

- Eu... hã... agradeço a oferta, aliás uma oferta muito generosa sabe... mas é colo de mãe que eu quis dizer... - tentou fugir.

- Mas é colo de mãe! - olhou para mim, sem entender - É quentinho também.

 

Até então estava segurando o riso quando senti o olhar de Mia em meu colo, senti as minhas faces queimarem. Eu estava usando uma blusa soltinha com leve decote que mostrava parcialmente as minhas pintinhas. A risada de Lúcia nos deixou mais constrangidas.

 

- Okay! Meu amorzinho, o que minha filha quer dizer é que o meu colo é insubstituível! - piscou para a morena - Acredito que o de Esther seja bem quentinho - sorriu maldosa - Mas não é o mesmo que dessa mamãe gata aqui. - brincou - Entendeu?

 

Júlia olhava meio desconfiada, mas acabou concordando. O restante do jantar foi tranquilo, a curisiodade da pequena sobre os cavalos nos fez relaxar novamente.

 

Mia lavou a louça e foi levar o lixo pra fora, terminei de secá-los e guardá-los. Estava subindo para o quarto quando encontrei com a morena retornando falando no celular, indo até o escritório, me despedi com leve aceno. Fui até o quarto de Lúcia, desejar boa noite para as minhas meninas.

 

- Senta aqui mamãe? - bateu na cama - Ver filminho.

- Claro! - beijei suas costas e fiz cafuné.

 

Em pouco tempo a baixinha apagou, beijei o seu rostinho e o de Lúcia desejando boa noite.

Tentei ler para distrair mas não tinha concentração alguma. Procurei não pensar tanto na conversa que havia tido com Mia sobre o sonho dela, mas foi difícil. Coloquei o livro na cômoda, apaguei a luz e deitei, iniciei um exercício de respiração para relaxar. Há pouco mais de dois anos que sou praticante de yoga, o que ajuda a fortalecer tanto o físico quanto o mental. Na maioria das vezes a técnica ajudava, mas quando já acordava sentindo alguma ansiedade sabia que não seria uma noite fácil. "Relaxa, esvazie a sua mente. Concentrece na respiração." Repetia em mantra. Meu corpo aos poucos foi relaxando, toquei suavemente o meu pingente e um calor gostoso envolveu a minha mão, suspirei adormecendo em seguida.

 

"- Salve-os! Eu te imploro, Gael! - voz ecoava.


- Meu bebê... ele é tão quietinho... deixe-me vê-lo? - voz cansada - Tão lindo! Será um...meu senhor, não sou digna de ti...mas ele tem seu sangue, faça dele o seu herdeiro... - voz falhava.


- Não há muito o que eu possa fazer por ela. Perdeu muito sangue, existem muitas lesões internas. - lamentou.
- Ela não deve comer há dias! Ela não passa de uma jovenzinha, que animal faria tanto mal a ela?
- Um que não viverá por muito tempo! - voz enravecida."

 

Despertei aos poucos, o meu coração estava acelerado. Sentei devagar sentindo a garganta secar, ainda era madrugada. A angústia em meu coração falou mais alto, quando dei por mim, estava tocando a maçaneta de sua porta.

 

- Mia? - chamei baixinho.

 

Entrei e fechei a porta sem fazer barulho. Vi o corpo adormecido na cama, aproximei da cômoda e acendi o abajur, havia um copo meio vazio pelo cheiro era conhaque. O corpo de Mia transpirava em um sono agitado. Peguei a sua mão e toquei em seu rosto, chamando-a:

 

- Mia? Tenha calma, estou aqui... acorde.

- Salve-os... - murmurou - Gael...

 

Era como se o meu corpo tivesse recebido uma descarga elétrica, tamanho arrepio que senti. Respirei fundo, sentando na beirada da cama.

 

- Salvar quem? - "Não pode ser apenas um sonho!"

- Salve-os... - percebi angústia em sua voz.

- Quem eu devo salvar... Samuel? - engoli seco.

 

Resmungou algo incompreensível, perguntei novamente:

 

- Camille? 

- Não...

- Quem? - insisti.

- Isadora. - pensei na voz daquela menina, apesar de exausta era suave.

- Farei o possível para salvá-los!

 

Acariciei o seu rosto, as suas palpebras tremeram abriram devagar. O seu era vago, como olhasse para algo além de mim. Aproximei para que pudesse me enxergar melhor.

 

- O que eu fiz, Gael? - havia dor em seu olhar - Foi tudo minha culpa! - lamentou.

- As pessoas erram, isso faz parte do nosso aprendizado. Evoluímos através de nosso arrependimento perante os erros cometidos, isso nós faz ter consciência entre o bem e o mal. - compadeci de sua dor, mas minha voz parecia não alcançá-la.

- Eu sempre te culpei por tudo. Deus como eu te odiei, e me odiei mais ainda por não ter ido atrás de ti e provado o meu amor. - em sua confissão percebi o cansaço em sua voz.

- A culpa é minha! Eu jamais deveria ter desistido de nós!

 

 Não consegui evitar a lágrima que caiu em sua mão que permanecia entre as minhas. O seu olhar encontrou com o meu em reconhecimento. Senti emoção pela dor e amor que estavam neles. Suspirei com o calor de sua mão em meu rosto. Não resisti quando puxou o meu rosto tomando posse de minha boca. O corpo, a boca era de Mia, mas aquela entrega era além do carnal, era como se sentisse pela primeira vez a extensão do nosso amor.

 

- Sempre te amarei. - sussurrou entre os meus lábios.

 

Envolvi o seu corpo que pesou entregando-se novamente a um sono profundo. Repousei ele com cuidado, ainda sentindo as minhas emoções a flor da pele. A sua expressão estava serena, rocei nossos lábios em uma promessa.

 

- E eu serei sempre sua!

 

***

As vozes vindas da cozinha chamaram a minha atenção. Dormi poucas horas, passei a noite tomando decisões.

 

- Que cheiro bom de café! Bom dia, meninas! - aproximei de Júlia, beijando-a.

- Bom dia, mamãe! - sorriu feliz.

- Bom dia, Esther. - responderam juntas.

 

Aproximei de Lúcia e beijei seu rosto, Mia estava entretida lendo o jornal e bebendo o seu café.

 

- Mia? - parei ao seu lado.

- Sim? - olhou em meus olhos.

- Está melhor? - "Será que lembra de algo?"

- Sim, um pouco.

 

Toquei o seu rosto, beijando a sua face. A morena parecia não entender nada, arqueou a sobrancelha.

 

- Vai dar tudo certo! - sorri.

 

Ficou em silêncio, apenas deu um leve aceno.

 

- Comam, depois pegamos a estrada. - levantou - Preciso fazer uma ligação. Licença.

 

***

Fazia muito tempo desde que estive ali no aniversário de Mia. Júlia olhava tudo com fascinação. Mia conversou rapidamente com o rapaz que saiu para cumprir alguma ordem. Fomos até a casa principal onde uma velha senhora nos recebeu.

 

- Bom dia! - sorriu simpátia.

- Bom dia, Cida! Lembra-se da minha mãe? - indicou - Esther - cumprimentei - E essa baixinha que aprender a montar hoje. - piscou.

- Júlia! - esticou a mãozinha.

- Que nome lindo! Combina com você, linda e educada. Raíssa vai adorar dar umas aulinhas para você.

- Raíssa chegou? - Mia perguntou com interesse.

- Sim, ontem a noite de Barretos. Thomaz foi buscá-la.

- Peça para vir falar comigo depois.

- Pedirei. Ela levou Pandora para treinar.

- Mal chegou da hípica e já foi treinar? Elena estava certa a respeito dela.

- Dona Elena veio? Preparei as comidas que ela adora.

- Não. Elena continuará ausente por algum tempo. - respondeu séria - Bom, mas nós aceitamos aquele bolo de cenoura com cobertura de chocolate que aposto que você fez. - desconversou.

- Com certeza. - sorriu.

- Vamos meninas? - chamou.

 

***

- Eros já está selado. - avisou o rapaz 

- Pronta, Júlia? - Mia chamou.

- Sim! - respondeu animada.

- Tenham cuidado! - falei aflita.

- Esther, relaxa? - Mia pediu.

 

Lúcia ficou ao meu lado se divertindo as minhas custas.

 

- Meu amor, tenha calma! Amélia não deixará que nada de ruim aconteça.

- Eu sei, mas Júlia é ainda tão pequena.

- Fico imaginando como será quando for o primeiro dia de aula. - riu - Aposto que você nem vai sair da frente da escolinha! - provocou.

- Acha que eu devo ficar por lá caso ela precise de algo? - falei preocupada.

- Eu sei exatamente o que você está passando. Nós nos dedicamos tantos aos primeiros anos de vida de nossos filhos que quando eles iniciam a jornada da escola, as primeiras festinhas com amiguinhos, a primeira paixão é quando percebemos que não faltará muito para vir o temido grito de liberdade chamado adolescência.

- Primeira paixão? Adolescência? - repeti aflita - Não estou preparada psicologicamente para isso! - olhei assustada.

- Hahahaha... Nunca estamos! - abraçou-me pela cintura - Então aproveite essa fase gostosa dos por quês? E carinho constante, pois logo mais serão substituídos pelas crises de namoros. - sorriu divertida.

 

Mordi meu lábio inferior e olhei para Júlia que sorria empolgada com a novidade. "Que essa fase demore a vir!" Desejei.

 

- Ei, garoto! - Mia abraçou o corcel  negro - Eu sei, eu sei, desculpe por ter estado tão ausente. - acariciou e beijou o animal - Vamos dar um passeio? - continuou conversando com ele e incentivando a aproximação de Júlia.

 

***

Esperei liberar a minha entrada no condomínio. Estava distraída quando ela abriu a porta. Micaela tinha presença, não só pela sua postura mas pela força de seu olhar. Meus olhos vagaram pelo seu corpo, vestida de forma simples; uma sandália, uma calça confortável de cós baixo e uma blusinha que deixava claro que não vestia nada por baixo. Ela não escondeu o sorriso ao perceber a minha reação.

 

- Oi! - olhei admirada.

- Oi! Entra! - convidou com sorriso discreto - Desculpa a demora, estava no banho.

- Tudo bem. Eu trouxe sorvete de frutas vermelhas, o seu favorito. - tentei disfarçar.

- Obrigada. Vem, o almoço está quase pronto.

- O cheiro está muito bom. Strogonoff de camarão?

- Uhum! - foi na frente, seu rebol*do fez minha mente ir longe - O que foi? - tinha um olhar divertido.

- Nada...

- Ora, Esther! Você já me viu com menos que isso, não tem que ficar tímida agora. - sorriso safado.

- Era outra situação, outro clima. - sorri descontraída.

 

O almoço foi tranquilo, conversamos de tudo menos sobre o ocorrido da noite anterior. Estávamos na sala aproveitando a sobremesa, resolvi entrar no assunto.

 

- Micaela, sobre ontem, eu sinto muito mesmo! Errei feio com você, deveria ter ligado e avisado o que havia acontecido. Era oficialmente a primeira vez que sairíamos juntas, não tive intenção de te deixar na mão. - falei sincera.

 

Ela estava olhando a vasilha em sua mão pondo-a em seguida sobre a mesa de centro, aproximou fazendo o mesmo com a minha. Sentou-se em minha frente pegando a minha mão.

 

- Esther, não vou negar que ainda estou chateada, pois eu criei muitas expectativas. Eu queria principalmente te apresentar aos meus amigos que me ouvem tanto falar sobre você. - pausa - Ando sobrecarregada com a clínica, mas por você, eu sempre consigo dar um jeitinho para ter um tempo. O que mais que deixou puta, foi que provavelmente você me esqueceu completamente por causa dessa sua antiga paixão. - engoli seco - Foi o que eu imaginei. - respirou fundo - Não sou mais uma adolescente, por mais gostoso que seja quando ficamos juntas, eu estou me apegando a você. Tem noção do que é isso? Eu, uma mulher no auge dos seus 33 anos parecendo uma boba apaixonada.

- Micaela, eu nunca quis te magoar!

- O que você sente por mim, afinal? Sou apenas uma amizade colorida, é isso?

- Não fala assim! Eu gosto de você, de verdade!

- E eu gosto de sorvete de frutas vermelhas! - suspirou.

- Eu amo a Mia! - procurei ser sincera - Nunca quis te iludir. Sinto muito, mas é melhor eu ir embora.

 

Segurou a minha mão, Micaela me fez olhá-la, estava séria.

 

- Não estou pronta para te deixar ir sem ao menos tentar!

 

Não tive chance de responder, sua boca envolveu a minha em um beijo exigente. Micaela abusava de suas mãos habilidosas para tocar em todas as partes que sabia que me deixariam sensível. Seu beijo era gostoso, quente, possessivo. Quando estávamos juntas não pensava em mais nada, talvez por isso tenha ficado mais tempo com ela do que com qualquer outra.

 

- Me deixa te namorar? - pediu roçando nossos lábios.

 

***

Amélia

 

- Mãe, vamos embora! - já estava saindo sem dar tempo dela perguntar.

- Meu Deus, filha!  O que houve? - segurando o meu braço.

- O que aconteceu? - Heloísa perguntou assustada.

- Você sabia! Não sabia?? - estava possessa.

- Sabia o quê?

- Sobre a gravidez! - acusei.

- Elena está grávida?! - Minha mãe olhou sem entender nada.

- Não! Ela não sabe de nada! - Elena respondeu - Por favor, amor, me deixa terminar de explicar?? - aproximou.

- Você já disse o bastante! - exasperei.

- Não fale assim com ela! - Heloísa me repreendeu.

- Está tudo bem aqui? - uma enfermeira e um segurança aproximaram-se.

- Está sim! Já estamos indo. Elena, depois vocês conversam. - Minha mãe adiantou em dizer, saí sem olhar para elas.

 

O caminho de volta foi feito em silêncio, minha cabeça latej*v*. Assim que estacionei minha mãe questionou:

 

- O que está havendo, Amélia? Que atitude grosseira foi aquela? - repreendeu.

- Elena está grávida! - minha voz saiu abafada.

- Okay. Isso eu entendi. Mas o que houve? - falou preocupada.

 

Silêncio.

 

- O que aconteceu de verdade naquela noite? - insistiu.

 

Passei a mão em meus cabelos em gesto nervoso, fechando os meus olhos com força.

 

- Agora eu sei como você se sentiu pelo o que Henrique fez. 

 

Silêncio. Tocou em meus cabelos, puxando-me para um abraço.

 

- Eu sinto muito, amor.

 

Meu celular começou a vibrar era número privado, ignorei.

 

- O que pretende fazer agora?

- Eu não sei! - esfreguei minha testa - Preciso marcar horário com advogado.

- Pretende se separar? - pressionei meu maxilar - Filha, eu sei que o que Elena fez foi sério e não entendo os motivos dela, mas antes de tomar uma decisão dessas é melhor pensar muito a respeito. Não tome decisões movida pela raiva, tem coisas que não podemos corrigir.

 

O meu celular voltou a tocar, ignorei e desliguei.

 

- Seja qual for a decisão de tome, estarei contigo.

- Obrigada.

 

***

Deixei a minha mãe em sua casa e liguei para Ana, pedi para remarcar os meus horários, fui até o meu antigo apartamento onde fiquei nos últimos dias. Precisava de espaço. Após um banho demorado, tomei um analgésico para aliviar a dor de cabeça. O interfone tocou, atendi e liberei a sua entrada. Peguei uma garrafinha de água gelada, aguardando a sua chegada.

 

- Você não atendia o celular e não estava no escritório, a sua mãe avisou que eu te encontraria aqui. - Heloísa falou assim que entrou.

- Tudo bem! - bebi devagar a água - Aceita algo? - ofereci.

- Não! Na verdade eu vim te buscar.

 

Se fosse outra pessoa com certeza eu teria dado uma resposta ironica e tê-la posto para fora, mas se tratando dela, respirei fundo e perguntei:

 

- E eu deveria ir com você para onde?

- Elena errou; é fato! Depois daquele pequeno espetáculo, ela confessou o que aconteceu. Estou aqui tomando as dores de mãe, e pedindo para você me acompanhar e ir até ela. Deixe que termine de se explicar, após isso não irei interferir mais.

 

Respirei fundo novamente. A última coisa que eu queria era encontar com Elena naquele dia. Heloísa percebeu a minha indecisão e envolveu a minha mão, tocando a minha aliança.

 

- Depois de tudo, você ainda a mantém. - sustentei o olhar - Acredito que no fundo é por que você ama minha filha mais do que imagina! Vocês passaram por muita coisa e em momento algum você deixou de estar ao lado dela. Não defendo a atitude dela, mas peço para considerar todos os bons momentos que tiveram sendo amigas; companheiras e amantes.

 

Silêncio.

 

- Eu vou pegar a minha bolsa. - decidi.

 

***

Esther

 

- O número no momento encontrasse... - desliguei.

- Estranho. Mia não é de deixar o celular desligado.

- Conseguiu falar com ela? - Júlia perguntou novamente.

- Ainda não amor. - ficou desapontada - Ela deve estar muito ocupada, mais tarde eu tento de novo. Okay?

- Tá bom! - abraçou a boneca e voltou para a sala.

 

"O que aconteceu Mia? Sinto que há algo errado." Pensei incomodada.

 

Assustei com o toque do celular, abri o sms e um ligeiro sorriso se formou em meus lábios.

 

"Obrigada pela manhã especial. A sua presença torna tudo melhor e agradável, momentos especiais e únicos. Por mais dias assim ao seu lado! Estou entrando em cirurgia agora, mais tarde eu te ligo. Bjs de sua, Mica!"

 

- Estamos apaixonados é? - Maria comentou ao entrar na cozinha.

- Eu diria felizes! - sorri - Micaela é romântica demais, ás vezes é difícil acompanhá-la. - comentei.

- Aproveita! Quem derá o meu velho voltasse a ser romântico, se ele lava a louça hoje em dia é muito! - reclamou - Quando somos jovens é tudo amor e chamego, depois que acaba só o amor para nos manter juntos. - refletiu - Ou seria o comodismo... - deu de ombros - Enfim, aproveite!

 

Sorrimos. Estar passando mais tempo com Micaela me fazia feliz sim, entretando, bastava Mia aparecer para buscar Júlia, ou apenas ligar e conversarmos que tudo voltava. Quando aceitei o pedido de Micaela, prometi me esforçar para dar certo, porém, era difícil com a presença constante, não só física mas por Júlia que vivia falando nela, criando assim um laço forte com a morena. Lorraine chegou a ironizar, dizendo que parecíamos um casal divorciado, dividindo a guarda da filha e que eu deveria tomar cuidado, pois Micaela se mostrava bastante ciumenta.

 

***

Amélia

 

- Heloísa, me desculpa pela maneira que falei com você mais cedo. - falei assim que o carro estacionou.

 

Após o acesso de raiva, senti vergonha pelo jeito que falei com ela que sempre me tratou muito bem.

 

- Esqueça isso, foi coisa do momento. Chegamos! - Matias abriu a porta do carro.

 

Estranhei o local, estávamos na clínica onde Elena fez todo o procedimento médico de inseminação. Heloísa entendeu o meu olhar e explicou:

 

- Ela não sabe que eu fui atrás de você, mas eu tinha que aproveitar enquanto ela estaria em consulta. Vamos? Talvez peguemos o final da consulta.

 

Assenti, ela foi na frente. Conversou com a recepcionista que avisou a médica, era a mesma que fomos quando Elena engravidou de Daniel. Heloísa ficou na recepção, acompanhei a moça até a sala. Fui recebida pela médica enquanto Elena se trocava na salinha ao lado se preparando para o ultrassom.

 

- É bom revê-la! Elena disse que estava muito ocupada, fico feliz que tenha conseguido vir. - falou sincera - Então vamos? - indicou a porta.

 

Elena já estava deitada, ficou surpresa quando me viu, mas não disse nada. Aproximei relembrando por um momento a emoção que tive quando vi Daniel pela primeira vez, não tinha comparação com o que estava sentindo agora. A dra. Janaína sempre conversou muito, o que acabou deixando Elena um pouco mais à vontade já que fiquei em silêncio. Por reflexo a loira procurou a minha mão quando a imagem apareceu, não repeli, deixei que ao menos ela curtisse o momento.

 

- Vejo que está mais calma. - sorriu - Da primeira vez achei que fosse precisar buscar uma maca para você. - tentou descontrair - Bom, ele tem um coração forte e está se desenvolvendo bem.

- Ele? - Elena sussurrou emocionada.

- O bebê! - sorriu - Apesar de estar com apenas nove semanas você pode descobrir o sex* com um exame de sangue de sexagem fetal. E não vou mentir, ele é bem carinho. Mas estragar a surpresa para quê? Vai curtindo o mistério. - piscou em cumplicidade.

- Espera... você disse nove semanas? - pensei em ter ouvido errado.

- Sim!

 

Minha mente nunca trabalhou tão rápido, puxando na memória todas as datas.

 

- Isso significa... - olhei para Elena - que esse filho é meu!

 

Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou, não suporto falsidade e mentira, a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna.

 Charles Chaplin


Continua...

Fim do capítulo


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Comentários para 26 - Capítulo 26:
rhina
rhina

Em: 16/06/2018


Tô  perdida com os sonhos  Não sei quem é quem....as crianças. ....perdidinha. Mas a história é excelente. .....E totalmente envolvente.. Rhina

Responder

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Runezinha
Runezinha

Em: 16/06/2018

Viuu Mia!!! Ve se aprende!! Ouvi primeiro tudo ... Ve se pode viu... Micaela Santa ou Diaba? Ainda nao deu para sentir se sera salvadora ou carrasca!! Parabens Autora , idepemdende do final que leve a história e excelente, envolvente !!

Responder

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Ana_Clara
Ana_Clara

Em: 24/04/2016

Gosto muito dessa história e espero que logo tudo se acerte, pq confesso que a demora é um pouco grande para pelo menos ter um pouco de felicidade e paz na vida das meninas.

E a Júlia é uma fofa, ela traz algo muito bom pra história!


Resposta do autor em 24/04/2016:

Pode deixar que tenho planos aqui pra todas rsrs ;)

Responder

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lia-andrade
lia-andrade

Em: 24/04/2016

Sempre nos surpreendendo né autora? Fiquei mega surpresa com a gravidez de Elena, eu não esperava que o filho fosse de Mia. Ainda irei ver Mia e Esther juntinhas novamente. Mas enfim, adorei.

Beijos, até o próximo.


Resposta do autor em 24/04/2016:

Até rsrs 

Responder

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graziela
graziela

Em: 24/04/2016

Só sei dizer que aí tem muita coisa para acontecer ainda. 

Esther com Micaela,  mesmo Micaela se mostrando apaixonadissima por Esther,  Esther não consegue esquecer de Mia e isso não é bom. 

E Mia bem estranho essa gravidez da Elena.

Mas vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos e sei que você está fazendo o melhor para a história para que no fim (td se ajeite ou não 😂 😂 😂).

 

Amo essa história e não vou negar que quero sim que as 2 se entendam logo,  mas td ao seu tempo. 

 

Bjs. Boa semana. 


Resposta do autor em 24/04/2016:

Próximo capítulo promete revelações ;)

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lis
lis

Em: 24/04/2016

Uauuuuuu que capitulo hein, pelo que vejo a Esther já entende que o envolvimento delas vem de vidas passadas e que elas precisam resolver as coisas que ficaram pendentes para poderem ser felizes, a Mia está bem fragilizada pelo ocorricodo com a Elena né e a Esther por mais que tente não está conseguindo seguir em frente com a Mica que me parece uma pessoa muito boa, espero que tudo se resolva e elas possam ser felizes mesmo que não seja juntas. Lindo a forma com a Esther trata a Julia o amor que ele sente pela filha, parabéns autora. E ai tudo bem com vc?


Resposta do autor em 24/04/2016:

Obrigada querida, estou bem sim! ^^
Obviamente a situação de Mia está bem complicada, principalmente agora, ela vai precisar de muito apoio e ajuda para poder entender e se encontrar novamente. ;)

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Mille
Mille

Em: 24/04/2016

Acho que a Mia e Elena tem pendência do passado e mesmo que a Ester seja o amor dela, pra ficarem juntas tem que resolver.

Elena esperando um filho da Mia, foi uma surpresa para nós. 

Bjus e até o próximo

 


Resposta do autor em 24/04/2016:

Very good! Rsrs até breve ;)

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Lavinne
Lavinne

Em: 24/04/2016

Todo mundo fica cheteado quando as protagonistas NUNCA... tipo nuca...nuncaaaaaa...ficam juntas,

(ficaram um tikim) mas tudo bem eu assisto the 100 aqui tem muito papel para reciclar.

Nesse capitulo acabou Mia e Ester porque a propria mão disse que ela estava esperando um amor que NÃO TEM todos fomos enganados por um amor que não existe e mão sabe dos paranaue conviveu com elas certamente ela sabe o que diz.

 

Mas quero te agradecer cada capitulo eu fico de boca aberta, são surpreendentes.

 


Resposta do autor em 24/04/2016:

Eu preparo cada capitulo com extremo cuidado, pensando nas reações das leitoras. Confesso que dessa vez vcs me surpreenderam tamanha "revolta" por algumas coisas que aconteceram, entretanto que fique claro, A históra não terminou, belezinha? Nem todo mundo vai aceitar certas coisas que são necessárias acontecer, apenas querem q cheguem logo ao finalmente juntas, mas as coisas não são assim. Pra quem gosta da minha históra peço apenas que mantenham a fé, tudo que vem fácil não vale a pena é tudo o que tenho a dizer. ;)
bjs 

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sonhadora
sonhadora

Em: 24/04/2016

Estou muito confusa e sinceramente um pouco perdida, já reli tudo e em nada vejo que Elena fique com Mia, tudo que vejo é a superioridade de um amor possessivo que Elena diz sentir por Mia, mas não consigo aceitar que Mia se deixe levar por isso. Sinto dizer mas não sei se vou conseguir ler os próximos capítulos, está muito confuso pra mim. Desculpe!

Um abraço de Luz!!!


Resposta do autor em 24/04/2016:

Lamento que pense assim, concordaria com vc caso a história terminasse por aqui, mas como não é o caso só resta aguardar até o final, até p q muita coisa será revelada no próximo cap
abraço

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melissa
melissa

Em: 24/04/2016

que coisa louca, por que não entendo muito bem, elena num fez o que fez por que tinha dado errado o processo de gravidez,porque lembro que ela fez o teste e deu negativo e agora ela já estava grávida antes... confesso que, no começo achava que era uma história de amor entre mia e Esther, sinto falta delas juntas, pena que não deu certo, se mia seguiu em frente, porque Esther não segue também??? .... tô mais confusa ainda.... parece que não tem chances pra elas mais...


Resposta do autor em 24/04/2016:

mulher de pouca fé, a história ainda não terminou ;)

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