Capítulo 25
Esther
- Elena? - quis confirmar o motivo dela estar ali.
- Sim... - murmurou.
- Quer conversar? - falei suavemente.
- Não, agora não. - respondeu no mesmo tom.
- Descanse, estarei aqui contigo. - acariciei o seu rosto - Sabe que pode contar comigo, né? - assentiu.
Ficamos abraçadas em silêncio, mas Mia estava inquieta, percebi que olhava para o meu pingente.
- Eu...
- Você?
- Eu sonhei com a Diana.
Olhei confusa achando que não havia ouvido direito.
- Sonhou com a Diana... Sonhou com a minha mãe? - toquei o pingente por reflexo.
- Sim. Foi estranho... Quero dizer, pelo menos as partes que lembro. - ergueu o corpo, apoiando no braço para me olhar melhor.
- E o que você lembra? Sobre o que foi? - precisava de detalhes.
- Não lembro direito - pensou - Tudo está muito vago, não foi nada demais... - interrompi.
- Conte-me?! - pedi - Mia, você nunca sonhou com ela, e agora assim do nada diz que sonhou. - havia dúvida em seu olhar - Por favor, conta o que você lembra?
Respirou fundo, olhando para o meu pingente e puxando na memória alguma lembrança.
- Só fragmentos! - fechou os olhos, esfregando a testa - Lembro de água e dela aparecer... sei que conversamos, mas... parece tudo tão vago agora.
- Lembra o assunto?
- Ela... - riu suave - Isso é ridículo!
- Fala!? - insisti.
- Disse que somos companheiras. - estreitando os olhos - Que somos eternas companheiras.
- Almas companheiras? - senti emoção - O que mais ela te falou?
- Você acredita nessas coisas? - olhou incrédula - Esther, foi apenas um sonho! Foi algo fantasiou, sem nexo, não é real!
Sorri e fiz carinho em seu rosto.
- Então por que te perturba tanto? - Desviou o olhar - Quero detalhes. - pedi carinhosa.
Suspirou, deitando-se ao meu lado. Virei, envolvendo a sua cintura.
- Para você entender alguma coisa preciso contar um que tive antes desse.
- Sou todo ouvidos.
Respirou fundo e aos poucos foi narrando um sonho antigo, apesar de não detalhar muito, tudo o que dizia fazia o meu coração acelerar. Sentia como se completasse o que eu havia tido, mas ainda faltava alguma coisa que não entendia. "Preciso conversar com Lorraine!" Assim que finalizou senti que ela estava de certo modo mais leve. Queria dizer sobre os sonhos que tive também e como eles se completavam, mas ela parecia tão confusa e perdida, achei melhor dizer depois. Algo em sua narrativa ficou fragmentado, não entendia qual era ligação de Elena nisso tudo.
- Percebe o quão isso é fantasiou?
- No começo é difícil mesmo, muitas dúvidas e questões. Com o tempo em busquei respostas para algumas coisas as quais acabei encontrando diante de muita leitura e conversas com Lorraine.
- Vidas passadas, missões, dividas... parece aquelas ficções que você costumava a ler. - comentou cética.
- Para tudo tem o seu tempo, Mia. Você encontrará as respostas que deseja. - pensei em Lorraine, parecia ela falando.
Olhou para a sua aliança um momento, voltou a sua atenção para o ambiente.
- Gostei da nova decoração do quarto. - desconversou.
"Levantou a barreira novamente!" Lamentei.
- Sua mãe queria algo moderno, mais íntimo para casal, mas sem perder totalmente a nossa essência.
- É a cama de casal dela?
- Sim, mandei pintá-la!
Silêncio. Olhei preocupada para ela, não entrou em detalhes mas tinha certeza que algo sério aconteceu entre elas. Beijei o seu ombro, e pedi:
- Vira? - olhou sem entender - Você está exausta, mas não consegue relaxar, te farei uma massagem.
- Esther... - tentou recusar.
- Anda, morena! Eu te conheço, sei do que precisa. - percebi o receio - Confia em mim?
Fez um coque frouxo e ficou de bruços, toquei os seus ombros sentindo a tensão neles. Fiquei por cima de seu corpo, apoiando em minhas pernas e aqueci as minhas mãos. Iniciei a massagem, suspirou suavemente. Fiz movimentos circulares em seus ombros, indo e vindo até a sua nuca. Deixei os meus polegares fazerem leves pressões, em seguida massageei o seu couro cabeludo. A respiração dela ficava cada vez mais pesada, relaxando o corpo. Voltei a dar atenção em seu pescoço, foi quando notei o pequeno desenho em sua nuca. Sorri, tocando-o suavemente. Era uma delicada tatuagem do infinito com pequenas estrelinhas fazendo contorno. "Havia me esquecido de você" Fiquei feliz por ela ter mantido. Abaixei beijando-a com carinho e continuei a massagem.
O som do celular nos despertou. Com dificuldade me afastei para poder atendê-lo.
- Alô? - falei sonolenta.
- Oi! Está pronta? - voz animada.
- Micaela! - "Esqueci completamente o encontro!" - Oi, tudo bem? - tentei pensar em algo.
- O que houve? - percebeu - Aconteceu algo? A sua voz está estranha.
- Não... quero dizer... Micaela não fica brava, por favor? Surgiu um imprevisto de última hora. - tentei me desculpar.
- O que aconteceu? Algo com a Júlia? - perguntou preocupada.
- Não, ela está bem! - sorri diante de sua preocupação - Uma amiga está com problemas, eu não consigo sair sabendo que ela precisa de mim. - respondi sincera.
- Será que eu posso ajudar? - ofereceu solidaria.
- Somente ela pode se ajudar, posso apenas estar ao seu lado agora.
- Entendo. - silêncio - Vocês precisam de algo? Estou chegando no seu bairro... - interrompi.
- Não estou em casa. Estou na casa de Lúcia.
Houve em breve silêncio.
- Está com ela aí? - voz abafada.
- Sim! - ouvi o suspiro irritado - Mia não está bem, ela precisa de cuidados... - interrompeu.
- Você é médica? - questionou fria.
- Micaela...
- Você é? - insistiu.
- Não!
- Foi o que eu pensei.
- Tenta compreender, por favor? Ela é minha amiga! - tentei argumentar.
- Esther! - riso contido - Sabemos que ela sempre foi e sempre será muito mais que uma amiga para você! - pausa - Ao menos poderia ter ligado antes e desmarcado, esperava mais consideração de você. - notei o quanto havia ficado chateada.
- Desculpe.
- Não se desculpe, apenas melhore! - desligou.
"Droga!" Passei a mão em minha testa e olhei o aparelho.
- Esther não precisa cancelar os seus compromissos por minha causa. - voz rouca.
Olhei para o seu rosto, sorri. "Linda até de cara amassada!"
- Sei que não, mas eu quero estar contigo! Você não está bem, não conseguiria sair sabendo disso, sabendo que eu poderia fazer algo para ajudar.
Apertou os olhos pensativa, deitando-se novamente.
***
Amélia
- Amanhã cedo estarei ai. Okay! - Desliguei - Mãe, amanhã irei na Estância, alguns assuntos requerem a minha atenção. - avisei.
- Filha, achei que tivesse dado um tempo. Mia, você não está bem! - comentou preocupada.
- Mãe, dei um tempo da minha casa, mas não dos negócios. - suspirei - Olha, não vou passar o dia no escritório, apenas preciso revisar uma papelada e verificar como estão os animais.
- Animais? - Júlia repetiu - Cachorrinhos? - olhou em expectativa.
- Não, cavalos.
Sorri com a sua carinha de decepção, abaxei ficando na sua altura.
- Já andou de cavalo?
- Não! - olhou pensativa para Lúcia.
- Quer andar?
- Mia!
- Sim! - deu um gritinho de alegria.
- Então amanhã iremos para a Estância! - sentia-me leve em imaginar passar um tempo com elas.
- Amélia, você nem perguntou a Esther! - recriminou - E a senhorita sabe que precisa da permissão da sua mãe. - cruzou os braços, arqueando a sobrancelha.
- Deixa vovó? - fez bico.
- É mãe, deixa? Até por que você vai conosco. - pisquei.
- Mia! - sorriu - Acredito de lhe dado uma educação melhor ao convidar alguém!
- Convidar quem? - Esther entrou na cozinha de banho recém tomado.
- Mamãe! - Júlia esticou os bracinhos para ser pega no colo - Andar de cavalinhos, deixa??
- É mamãe, deixa? - imitei a pequena.
- Mia, ela é muito pequena! - falou preocupada.
- Ela vai andar comigo, Esther! Não tem perigo!
Esther olhou para a minha mãe pedindo apoio, mas só encontrou com sorriso divertido. Olhou a pequena em seu colo que fazia um biquinho lindo.
- Uma volta?! - falou com receio.
- Prometo!
- Okay.
- Ebaa! - beijou a face de Esther.
- Já vai começar o seu desenho favorito, vai lá que levo o seu suco. - Minha mãe avisou.
Sabia o motivo para ela ter feito aquilo, esperou a pequena ir para a sala e virou em minha direção.
- Então?
- Elena teve uma crise, precisei interná-la. - omiti.
- Meu Deus, filha! Por que não ligou? Quando foi isso? - questionou preocupada.
- Foi na madrugada de quinta, mãe. Foi tudo muito corrido. - apertei a minha nuca - Eu tinha acabado de chegar de viagem. - suspirei - Só consegui avisar Heloísa.
- E como ela está?
Expliquei todo o procedimento de internação e tratamento, Esther nada dizia, mas sentia o olhar dela.
- Amanhã irei vê-la!
- Elena só aceita ver a mãe dela.
- Por quê? Mas você é a esposa!
- Mãe, por hora é melhor assim. Elena precisa descansar, quando ela se sentir melhor tenho certeza que irá querer vê-la.
- O que você não está me dizendo? - olhei surpresa - Eu te conheço filha, tem mais alguma coisa... - interrompi.
- É tudo o que a senhora precisa saber! - tocar naquele assunto me tirava do sério.
- Mia! - Esther chamou a minha atenção.
Respirei fundo, precisava me controlar.
- Desculpe, não quis faltar com respeito.
- Tudo bem, filha. Não devo me meter no seu casamento. - abraçou-me forte - Eu sei que ela ficará bem.
- Mamãe, desculpa... eu...
- Shhh... Seja lá o que tenha acontecido sei que vai dar um jeito.
Me deixei levar pelo abalo do seu abraço, sentia aquele sentimento me corroendo aos poucos.
- Vou pedir algo para a gente comer. - Esther sugeriu.
Minha mãe pareceu se dar conta de algo e olhou para o relógio.
- Esther, você não vai se atrasar?
- Não vou sair mais. - percebi a troca de olhares - O que vão querer comer?
- Não tenho muita fome.
- Lúcia?
- O que você escolher está bom.
- Okay.
Saiu para pegar o celular e fazer os pedidos. Olhei para a minha mãe.
- O que houve?
- Como assim?
- É sobre o encontro com a tal Micaela? Por isso fizeram essa cara?
- Ela te contou?
- Estava do lado dela quando cancelou. Elas podem marcar novamente.
- Aí que tá! Micaela é médica, até onde eu sei, demorou para conseguir ter essa folga.
- Elas são namoradas?
- Mia, você deve perguntar isso a ela.
- Mãe, qual é o problema?- insisti.
- O problema é que ela não consegue seguir em frente. - respondeu séria.
***
Esther
- Espero que estejam com fome, pedi o especial japonês! - sorri - E frango xadrez pra baixinha.
- Eu vou dar banho em Júlia enquanto isso. - saiu.
- Hmm... Aconteceu algo? - Mia estava pensativa, bebericando um suco.
- Está namorando, Esther? - sua pergunta me pegou de surpresa.
- Não.
- Por que não? - insistiu.
- Mia... - sorri achando graça - Que pergunta!
- Responda! - sua voz soo fria.
- Não que eu lhe deva satisfação da minha vida, mas já que insiste em saber... Não houve ninguém que me fizesse sentir algo para eu querer manter alguma coisa.
- A não ser eu... - não gostei nada do rumo daquela conversa.
- Não sei aonde pretende chegar, mas é melhor pararmos por aqui.
- Elena me traiu. - disse olhando fixamente para a parede.
Assustei com a revelação, sabia que algo sério havia acontecido, mas traição. Elena sempre demonstrou ser uma mulher apaixonada, era inconcebível imaginar ela traindo Mia. Não sabia o que dizer, ela prosseguiu:
- Algo aqui dentro... - tocou o coração - Se perdeu e eu não sei como recuperar. Não quero que perca mais tempo esperando por algo que talvez nunca tenha. - encarei o seu olhar.
- Mia... - não me deixou falar.
- Esther, não me espere mais! Não é justo com você! Eu desejo que você seja feliz, sério! - acariciou o meu rosto - Liga para ela, ainda da tempo de consertar as coisas, se permita ser feliz! - beijou o meu rosto e saiu.
Precisei apoiar no balcão, somente Mia exercia essa influência sobre mim. Me senti sufocar, tentei controlar a minha respiração. Olhei para o objeto sobre a mesa e procurei o seu número.
- Alô?
- Micaela, não desliga, por favor...
***
Amélia
Minha mãe me acompanhou até a clínica. Era difícil sempre que ia lá sozinha. Ás vezes nos falávamos por telefone por insistência dela, o Dr. Stein, achava melhor dar o espaço principalmente pelo o que aconteceu, dizia que Elena precisava daquele tempo para poder encarar as consequências dos seus atos e trabalhar em uma forma de corrigir, o que aparentemente era algo tratado em suas consultas. Ele um dia chegou a indicar um psicólogo para mim, para eu poder trabalhar tudo o que estava sentindo desde da morte do meu filho e os últimos meses. Cheguei a cogitar a possibilidade, mas nunca fui em frente.
Encontramos com Elena e Heloísa no jardim, estavam tomando chá. Fazia pouco mais de um mês que a loira estava lá, fisicamente estava melhor. Elena estava aprendendo a reconstruir a sua autoestima.
- Elena, minha querida! - abraçou - Como você está? - perguntou zelosa.
- Melhor na medida do possível, Lúcia. - sorriu - Que bom que veio! - abraçaram-se novamente, sentia o olhar da loira em minha direção.
Cumprimentei Heloísa mantendo certa distância. Das vezes que conversávamos nunca tocamos no assunto "proibido", eu queria saber como estava, se havia melhorado, ou era algum assunto relacionado aos negócios.
- Oi. - aproximou-se.
- Oi! - fiquei desconfortável com os olhares delas sobre nós - Vejo que tem se alimentado direito.
Elena disfarçou o olhar decepcionado quando eu não venci a curta distância para abraçá-la. Simplesmente não conseguia fingir que nada havia acontecido, queria muito ter uma conversa a respeito do que houve. A única coisa que impedia era o seu estado emocional. Não queria ser motivo para desmotivá-la com o tratamento, apesar do que aconteceu desejava de coração a melhora dela.
- Sim. Eu preciso... O tratamento tem surtido efeito. Só quero melhorar logo para poder voltar para a nossa casa. - enfatizou o "nossa casa".
- Precisamos conversar.
- Eu sei! - sustentou o olhar.
- Venham se sentar, meninas! - Heloísa chamou, virando para a minha mãe - Rodrigo viajou hoje para Buenos Aires...
A conversa fluía, participei ao máximo. Observei discretamente Elena, que sorria contida ás vezes, era visível o seu esforço para melhorar. Aos poucos o seu corpo voltava a ganhar formas, e seu interesse sobre o andamento dos seus bens parecia retornar. Senti a vibração em minha bolsa, pedi licença e fui atender.
- Alô?
- Moa! - vozinha alegre.
- Oi, princesinha! Que surpresa boa! Tudo bem? - sorri.
Desde que levei ela para andar de cavalo, despertei a paixão dela por eles. Os poucos momentos que passei com Júlia pareciam ser os únicos que faziam algum sentido para mim, a sua inocência e carinho pelos animais, o seu jeitinho tagarela tornaram-se importantes.
- Sim! - riu - Quando vamos passear de novo? - ouvi ao fundo um "Menina isso é jeito de pedir algo?".
- Hahaha... Olha, amanhã eu terei a tarde livre, caso a sua mãe não veja mal, podemos ir ao cinema e depois passear no Shopping, que tal? - sugeri.
- Ebaaaa! - ri com a sua empolgação.
- A sua mãe está?
- Não. Saiu com a dôtora. - fofocou, novamente ouvi Maria chamando a sua atenção.
- Ah, é? Hmm... Peça para ela me ligar quando chegar, assim poderemos combinar o passeio, pode ser?
- Xácomigo! - sorri, Manuela e suas "más" influências.
Conversamos mais um pouco, quando retornei não pude esconder o sorriso que foi percebido pelos olhares curiosos.
- Júlia? - Mamãe perguntou.
- Sim! - sentei sobre o olhar atento de Elena.
- A sua netinha? - Heloísa perguntou curiosa.
- Uhum, filha de Esther! - pegou o seu celular - Ela está crescendo tão rápido...
Minha mãe entreteu Heloísa com papo de vó coruja, sorri lembrando as travessuras da pequena.
- Vocês têm passado muito tempo juntas? - Elena perguntou com interesse.
Questionei um momento se era uma pergunta com sentido dúbio.
- Um pouco.
Uma enfermeira aproximou sorrindo, conversou rapidamente com Elena, para a minha surpresa a loira me chamou até o seu quarto para conversarmos. Esperei que tomasse a sua medicação, confirmou o horário da consulta e se despediu da enfermeira.
- Quer se sentar? - indicou a poltrona.
- Estou bem em pé. - me mantive encostada na parede de braços cruzados.
- Tudo bem. - sentou na beirada da cama - Tenho tanta coisa para dizer... - sorriu nervosa - Mas é difícil com você estando tão distante.
Silêncio.
- Sei que desde que estou aqui você exige que a cada 15 dias eu faça um exame geral, e entendo perfeitamente os seus motivos. - respirou fundo - Eu... ainda é difícil assimilar aquele dia. Converso constantemente com Stein, por conta de flashs de sonhos daquela noite, é tão confuso. - levantou - Entendo as consequências do que eu fiz, e Deus... Amor, me perdoa? - aproximou.
Vi a sinceridade em suas palavras, porém, me sentia vazia por dentro, não conseguia expressar qualquer reação sobre o seu pedido de perdão.
- Amélia, por favor, diz algo? - seus olhos estavam lagrimejados - Diz que me odeia! Que me perdoa! Que me ama! Mas fala alguma coisa?? - implorou.
Respirei fundo, o meu maxilar estava tenso.
- Você se arrepende? - minha voz saiu abafada.
- A cada segundo! Se eu soubesse... - passou a mão nos cabelos - Jamais teria maculado o nosso amor se eu estivesse consciente dos meus atos! - respirou fundo - Eu te amo, Amélia! Sempre vou te amar! E vou pagar pelo o que eu fiz... já estou pagando! Estamos a menos de um metro e não posso nem te tocar... - sua voz falhou.
O seu corpo tremia, não se importou com as lágrimas que molhavam o seu rosto. Lembrei da primeira vez que nos vimos; do primeiro sorriso compartilhado, do primeiro beijo. Venci a distância acolhendo o seu corpo em meus braços. A quanto tempo não tínhamos mais esse simples contato. Suas mãos agarravam com forças a minha blusa, como se temesse que eu fosse embora.
- Te amo, te amo, te amo... - repetia sem parar.
Eu sentia o calor do seu corpo contra o meu, sabia o significado de suas palavras, mas única coisa que pensava foi no que havia dito a Esther. "Algo aqui dentro se perdeu, e eu não sei como recuperar..." Ficamos abraçadas por algum tempo, até ela se acalmar. Elena tocou o meu rosto em uma carícia.
- Entendo que está magoada, e eu vou reparar isso todos os dias de nossas vidas. Nunca mais deixarei de demonstrar o que sinto por você! - apossou da minha boca em um beijo cheio de saudade.
"O que está havendo comigo?" Pensei correspondendo o beijo no automático. A loira sorria feliz, fez carinho em meu rosto novamente antes de afastar e ir até a cômoda. Toquei os meus lábios, não sentia sabor algum. Elena aproximou entregando-me um papel.
- O que é isso? - questionei ainda confusa.
- O resultado dos meus exames. Estou vendendo saúde! - brincou.
Da primeira vez o Dr. Stein estava comigo quando recebi os resultados e explicou cada um deles, então tinha noção por alto o que estava marcado ali.
- O que significado isso?
Elena se aproximou envolvendo a minha mão.
- Estou grávida, Amélia! - recuei sentindo o peso daquelas palavras.
Neguei com a cabeça, aquilo só poderia ser uma brincadeira de mau gosto. Elena tentou aproximar, impedi levantando a mão para que ficasse onde estava.
- Grávida... - sussurrei pressionando a minha têmpora - Grávida... - repeti debilmente tentando compreender o significado daquilo.
Comecei a rir de nervoso, o que foi mal interpretado por ela que tocou o ventre sorrindo suavemente.
- Vamos ter um filho! - falou emocionada.
Passei as mãos em meus cabelos, olhando para a sua barriga. Pressionei as mandíbulas, as imagens daquele dia vieram fortes em minha mente.
- Não... - encarei - Você vai ter um filho! - peguei a minha bolsa e saí.
Na vida, nada se resolve, tudo continua. Permanecemos na incerteza; e chegaremos ao fim sem sabermos com o que podemos contar.
André Gide
Continua...
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Runezinha
Em: 15/06/2018
Mia nao seja cabeça quente... Termina de ouvir mulher!!! Nossa em que coisa ... Essa maniande sair sem ouvir o que os outros esta falando e ja passar mal, fica tonta... Pissicologo viu faz bem... Esther acorda !! Mia nao e uma opção... Mais sera Micaela e a Santa que resgatara a Demonia?
Resposta do autor:
Mia tem sangue quente mesmo xD
[Faça o login para poder comentar]
lia-andrade
Em: 02/04/2016
Como assim Esther dá uma chance para Micaela? Mia esta entregando ela assim fácil.. Elena grávida? Que surpresa hein... tadinhas da Mia, é cada uma.... louca para ver logo Mia e Esther juntas.
Beijão autora..
Resposta do autor em 02/04/2016:
Hahaha Mia, banho de sal grosso queridinha! :*
Será q Estrelinha vai ceder? Hmmm será? Hahaha
Em breve! ;)
[Faça o login para poder comentar]
Mille
Em: 01/04/2016
Para a Mia quando não é oito é oitenta.
Bem que ela poderia se dar a chance e ficar com Ester e Júlia.
Mandou a Estar dar uma chance para a Micaela, e mesmo que ela não sinta um quarto do que ela sente pela Mia, Ester irá tentar.
Elena grávida e com certeza o filho é fruto da traição, e feliz diz para a Mia elas vão ter um filho. É doideira mesmo.
Bjus e até o próximo
Resposta do autor em 01/04/2016:
Rss só observo! ! ;x
[Faça o login para poder comentar]
Tatta
Em: 01/04/2016
Gente que babado! Grávida?! Pqp... O destino gosta de pregar muitas peças na vida da Mia.... Bom, eu já tenho o meu team... Então espero que toda essa bagunça leve logo Mia para os braços de Esther 😁
Resposta do autor em 01/04/2016:
Bom dia querida! Hahaha
Veremos o que o destino reserva pra essas duas! ;)
[Faça o login para poder comentar]
graziela
Em: 01/04/2016
Que confusão, Elena grávida do cara daquela noite maluca.
E Mia mandando Esther seguir em frente com sua vida, acabou de entregar sua amada de bandeija para a Doutora...
Resposta do autor em 01/04/2016:
Pois é, essa morena vai pirar facin facin assim hahaha
Ótimo dia querida! ;)
[Faça o login para poder comentar]
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:
[Faça o login para poder comentar]