Capítulo 12

Capítulo 12 - Outro prisma... Esperança!

de Eclipse do Coração, por Paloma Lacerda

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Duas semanas se passaram e Sarah, mesmo ainda muito desapontada com a amiga, já se encontrava totalmente desarmada, pronta pra pedir desculpas, seu orgulho baixava as defesas. A saudade fazia muito estrago. Relembrava, a todo instante, os momentos que tivera com Clara. E, logo, a cena bizarra da crise da outra. Sarah não conseguia encontrar uma explicação razoavelmente lógica para o acesso de raiva da outra e muito menos a distância que ela havia imposto.

Aquela conversa, definitivamente, nunca deveria ter existido. Traição? Violação? Aqueles conceitos martelavam na cabeça de Sarah. Sentia o peso do mundo em suas costas e não sabia como procurar a amiga... Afinal, também estava muito magoada.

Falar sozinha, dentro de seu apartamento, já estava se tornando um hábito constante.

“Preciso vê-la ou vou enlouquecer... “

 Caminhava de um lado para o outro dentro de sua sala. Tentando encontrar coragem para abordar Clara na esperança de ter uma conversa madura. Elas precisavam de uma conversa madura mesmo que fosse para decidir pelo fim da amizade que já estava para lá de abalada com o rompante da morena.

 De repente ouviu risos e conversa no corredor

“ Só pode ser ela, vou lá vou pedir desculpas e dizer que sem a amizade dela nada vale à pena”.

Saiu pela porta, esperançosa, e viu o que não estava preparada para ver. Era Clara com outra mulher, a mesma loira da noite em que passara acordada ouvindo a parede. Seu sorriso que de imediato fora desfeito. Seu coração naquele momento dava demonstrações de que não aguentaria aquela situação

Ao avistar Sarah, o coração de Clara também disparou, não esperava encontrá-la ali, ainda menos ser flagrada no início de uma noitada. E a linda mulher com quem estava perdera a graça, deixou de fazer sentido. Mas, era orgulhosa, fez pose ignorou a presença da amiga entrou em seu apartamento com sorrisos e malícias que prometiam uma noite ardente. Fechou a porta.

“Eu não acredito que ela me ignorou”

Estava perplexa com a atitude daquela que um dia fora sua amiga. Voltou para seu apartamento, com a mente ancorada no apartamento ao lado, com o coração doído, despedaçado. Respirou fundo, as lágrimas teimavam em lhe desafiar e descer livremente pela face. Sentia-se sufocada. Decidiu que  não deveria ficar em casa naquela noite, passaria a noite em seu trabalho, precisava mesmo colocar alguns relatórios em ordem. Achou que ocupar a mente lhe faria muito bem naquele momento. Pegou a bolsa e foi para o planetário. Começou a pensar com mais seriedade sobre o observatório Giordano Bruno em Fortaleza. Desenvolvera um projeto que interessara os pesquisadores deste laboratório... Talvez, estivesse na hora de entender que pagara um preço muito alto por optar pelo amor. Antes tivesse se contentado com a amizade.

Chorava a perda de um amor que nem manifesto estava... Nunca seria declarado. Nunca vivenciado...

No apartamento ao lado...

- Parece que viu um fantasma? – Sabrina perguntou tentando não dar tanta atenção para a grande mudança no semblante de Clara.
- Nada que mereça atenção. – “Eu fui uma experiência para ela e ponto.”

Clara também estava sofrendo. Desde o episódio da conversa, que agora começava a pensar que pegara pesado com a amiga, não tinham se visto mais. Sentia muita falta de Sarah. Seu coração parecia que ia explodir de tão comprimido. Mas, simplesmente ignorava o fato da possibilidade de correspondência de sentimento da ruiva. Decidira que naquele momento extravasaria a dor de um amor fora de hora com a loira exuberante e extremamente sensual a sua frente. Colocou uma música ambiente. Pegou duas bebidas fortes para elas. E, naquele momento, esqueceria Sarah.

Envolveram-se com a música, com a bebida e a dança de corpos fora iniciada com beijos, chupões... Não era a mesma coisa, Clara sentia falta de algo que não sabia explicar o que era...

Sabrina repousava ao lado de Clara, mas não deveria ser assim... Tinha que estar sentindo o peso do corpo dela, assim como foi com... Sarah

“Que droga, por ela tinha que marcar tanto. Eu quero o beijo dela, o suspiro, o gemido, eu quero tudo dela. Só vai fazer sentido se for com ela”.

Esta constatação a deixou chocada.

Sabrina ficou em cima dela, parecia ter lido os pensamentos de Clara:

- Posso conversar com você agora?
- Que tom de coisa séria – Se beijaram – Sou toda ouvidos!!!
- Você está apaixonada! – Clara ameaçou falar alguma coisa, mas com um dedo em seus lábios Sabrina a calou – Não estou fazendo uma pergunta, é uma afirmação. Adoro você, todas as outras vezes que saímos, embora eu soubesse que saía com outras também, quando transávamos você estava comigo. Hoje foi diferente. – Ela suspirou e continuou – Você buscou em mim um prazer que infelizmente não pude te dar, um orgasmo que pensei que seria a primeira a te proporcionar, mas chegaram antes de mim... E, pior, te conquistaram. Alguém despertou em você algo delicioso, por que está fugindo? Por que não se entrega?
- Porque ela me quer como uma experiência. – Disse fechando os olhos. As lágrimas vieram forte e sem controle.
- Tem certeza? O olhar dela não dizia isso! – Disse com um ar de quem já passara por isso.
- Como assim? – Abriu os olhos e encarou a loira que estava sobre si.
- Qual foi o grande erro da sua vizinha?
- Como você sabe?
- O olhar de dor que ela lançou para você quando me viu a denunciou, e você foi desprezível com ela... Como pode ser tão cruel com alguém que ama?
- Eu não a amo! – duas lágrimas grossas escorreram dos olhos de Clara - Estou ficando mole mesmo. – Resmungou tentando enxugar o rosto.
- Você pensa nela?
- Com certeza, o que ela fez comigo me magoou, não dá pra esquecer assim...
- O que ela fez? – Clara esclareceu com detalhes a sua visão dos fatos. Sabrina estranhou sua reação, mas para ela não era novidade a falta de tato da outra com sentimento. A amiga, com benefícios, fazia questão de sempre afirmar que não se apegava. Que queria uma boa transa e se encontrasse alguém que estivesse disposta a algo mais nem iniciava o jogo de sedução. Nunca passara pela cabeça de Sabrina lhe revelar que só não a tinha pedido em namoro porque corria o risco de nunca mais tê-la em sua cama. Era melhor tê-la desta forma e não ter. – Acho que o tempo te dirá se ela te usou ou não.

- Eu sei que fui usada e isso é o que mais me assusta. Porque eu me apaixonei.

- Mas acho que mesmo assim ela merece uma segunda chance, pois você já errou bastante também, quantas pessoas você já não usou, magoou? Ela só te fez sentir uma mortal, fez com que enxergasse que tem sentimento, que sente orgasmos, ela te mostrou um mundo que quer queira ou não está te fascinando, está te prendendo. Não desperdice com outras ou sozinha o sentimento que pode desfrutar com ela.
- Ela é hetero. – Sabrina deu uma sonora gargalhada.
- Com aquele olhar que lançou para você? Solte-se e descubra o amor. Mesmo que ela seja hetero, concorda que deva ter despertado algo nela para que a primeira vez dela tenha sido contigo? O que está esperando para tentar conquistar esta mulher? Agora se preferir ficar presa a uma moral que não lhe cabe, eu nada posso fazer e ela vai sofrer muito, mas encontrará alguém que a fará feliz. Ela é um mulherão.
- Ela é linda, inteligente, sensível e ao mesmo tempo de uma força exuberante!!!
- Isso é paixão das grandes!!! Preciso ir embora, ouça o que te falei, ela te levou ao céu, dificilmente alguém por quem você não esteja apaixonada fará o mesmo.

Beijaram-se mais uma vez e Sabrina partiu, faltava poucos minutos para meia-noite, Clara foi tomar banho pensando somente nas palavras de Sabrina e no olhar de desprezo que lançou para Sarah... Pela primeira vez começava a enxergar a história por outro prisma. “De fato, se ela é hetero eu devo ter despertado sua atenção. Será que tenho chance?”

Assim que terminou o banho estava decidida a ir ao apartamento de Sarah, e ter uma conversa definitiva, dizer que a amava que faria de tudo para conquistá-la, mas e se a perdesse? Teria que ao menos tentar. Afinal, o não ela já tinha.
Tocou a campanhia. Bateu na porta... Mas ninguém atendeu, insistiu... Nada aconteceu.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

4
W

wood

22/05/2016 às 17:50

Duas cabeças duras 😞😞😞



Resposta do autor em 22/05/2016:

Oie, 

Q bom q vc voltou para terminar a leitura. São cabeças duras essas meninas, rsrs.

No ritmo que vc está lerá tudo hj. Não deixe de me contar sobre o que está achando.

Beijos

S

Sara

16/04/2016 às 19:57

Tadinha da Sarah foi assim ignorada caramba! Se não fosse a Sabrina, a Clara não ía perceber que é óbvio que se a Sarah estive com ela, é porque ela desperta algo nela. Agora corre atrás corre Clara, tou aqui na torcida por estas duas 😊



Resposta do autor em 19/04/2016:

Oi, Sara!

Nossa Clara é um tanto lerdinha, né?! rsrs. Será que conseguirá reparar a mágoa?

Tem um capítulo novo postado.

Beijos

S

Sofi

16/04/2016 às 19:24

haha agora a Clara foi atrá dela mas ela não estava, e eu acho que a Sarah não pode aceitar assim de boa haha deixa a Clara sentir um pouquinho do que a Sarah sentiu haha mas gostei dessa Sabrina boa moça, fez a Clara ver as coisas de outra maneira



Resposta do autor em 19/04/2016:

Santa Sabrina, né Sofi? rsrs

Vc é muito má querendo que nossa Clarinha sofra um pouquinho, rsrs.

O que será que a conferência nos trará de bom?

Beijos

M

Mille

16/04/2016 às 18:09

Clara agora terá que correr para segurar a ruiva.

A ruiva está decidida a se entregar ao seu projeto, será que a Clara impedirá ou ficara na dúvida de experiência. 

Bjus e até o próximo



Resposta do autor em 19/04/2016:

Oi, Mille!

 

Tem um capítulo fresquinho. Bora torcer, rsrs.

 

Beijos

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