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Decifra-me ou Devoro-te por KFSilver

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Palavras: 6469
Acessos: 3090   |  Postado em: 00/00/0000

Capítulo 21

Amélia

 

- Hoje você está insaciável... - suspirei em sua boca.

- É a saudade antecipada, meu bem! - voltando a beijar-me intensamente.

 

Meu estômago estava dando sinais, rimos ao ouvir um som constrangedor e muito a contra gosto Elena soltou-me.

 

- Okay! Já entendi o recado! - ria - Deixa eu ir alimentar essa morena.

- Eu não tenho culpa se você gastou todas as minhas energias! - ri envolvendo a cintura dela.

 

Fomos abraçadas até a cozinha, já era madrugada. Preparei dois lanches caprichados enquanto Elena foi ver os recados deixados no seu celular. Observei as suas reações. 

 

- Aconteceu algo? - cortei com cuidado o sanduíche.

- Vou ter que ir mesmo para a fazenda nessa próxima sexta-feira. - Suspirou resignada - Talvez eu tenha que ficar por lá algumas semanas - sentou em meu colo.

- Mas você adora aquela fazenda, por que essa carinha triste? - levei o lanche a sua boca.

 

Mastigou devagar desviando o olhar. Beijei o seu ombro,  acariciando a sua perna incentivando a falar.

 

- É que eu ficarei longe de você. - sussurrou olhando em meus olhos.

- E isso é muito ruim? - brinquei.

 

O seu olhar era intenso, tocou o meu rosto com carinho.

 

- Seria mais fácil parar de respirar... é o mesmo de tudo perder o sentindo e o sabor.

 

Sentia o meu coração disparar, sorri feliz.

 

- A minha moral está alta! Não imaginei que eu pudesse causar isso em você.

- Você é uma mulher inteligente, óbvio que sabia. - percebi a sombra em seu olhar - Apenas dribla qualquer sentimento que outra pessoa possa ter por você. Nunca te cobrei nada pois estou ciente das sequelas que o seu relacionamento anterior provocou em você, então procuro ser paciente mas nem por isso sinto menos ciúmes.

 

Tentou se levantar, segurei o seu braço fazendo ela voltar para o meu colo.

 

- Continua. - pedi.

- Amélia...

- Por favor.

 

Suspirou, o seu maxilar estava tenso, havia uma mágoa em seu olhar que eu não havia visto antes.

 

- Não quero te afastar de mim, fazendo cobranças que eu não tenho direito. Desde que ficamos juntas eu nunca mais fiquei com outra pessoa. - olhei surpresa - Eu não irei te pedir nada enquanto não tiver a certeza que você está pronta para um compromisso de verdade.

 

Entendi o que disse, mesmo nunca cobrando nada e aceitando o nosso tipo de envolvimento Elena procurava não deixar envidente o seu ciúmes. Não havia algo definido, ficávamos sempre juntas. Poucas foram ás vezes que estive com outras mulheres, geralmente um acordo mútuo quando ela não estava na cidade, também nunca cobrei isso dela. Elena era uma mulher muito bonita e elegante, dificilmente ficaria sozinha.

 

- Eu só quero estar contigo. - voz suave.

 

Comemos em silêncio. Comecei a me sentir mal por ter ficado com Daniele, e não ter resistido a Esther. 

 

Esther era o meu maior problema, era impossível resistir a aproximação dela. Eu era fraca e precisava mudar isso. Elena comia quieta alheia em seus próprios pensamentos. "Ela merece mais!" Deixei as minhas mãos vagarem lentamente por seu corpo fazendo ela relaxar novamente. Sorri com a ideia que tive. Beijei rapidamente seus lábios e peguei as nossas roupas. Elena olhava sem entender.

 

- Vem! - ajudei a vestir o agasalho.

- Para onde morena? São cinco da manhã, Amélia! - ralhou.

- Deixa de moleza loira! Anda, confia! - pisquei travessa.

 

Ela estreitou os olhos mas fez o que pedi. Peguei uma laterna e saímos de mansinho. Nossos corpos arrepiaram por conta da friagem da madrugada, estretei Elena em meus braços e seguimos até o estábulo.

 

- Não devíamos estar aqui! - sussurrou.

- Ué, por quê? - abri com cuidado a porteira para não assustar o animal.

- Por que todo mundo está dormindo! - comecei a selar a égua.

- E? - fiquei concentrada seguindo o procedimento do jeito que Thomaz ensinou - Que eu saiba, você é a dona de tudo isso! - falei de forma pomposa.

- Muito engraçadinha! - sorriu, achando graça da minha travessura.

- Sou uma pessoa encantadora! - terminei de afivelar a sela - Pronta garota, que tal um passeio? - acaricei o seu pescoço.

- Já vai amanhacer.

- Estou contando com isso! - Montei e estendi o meu braço para ela subir no cavalo.

 

Elena olhou-me com dúvida, sorri passando confiança. Suspirou olhando para os lados em seguida retribuiu o sorriso. Subiu com destreza envolvendo firme a minha cintura, colando em minhas costas.  

 

- Tome cuidado. - percebi o receio em sua voz.

- Deixa comigo.

 

Conhecia bem o caminho ainda assim não arrisquei e fui devagar. A respiração de Elena em meu pescoço, o seu corpo colado ao meu aos poucos estava sendo envolvida por ela e confesso estar apreciando muito. Chegamos no alto da pequena colina, ajudei Elena a desmontar e amarrei Aurora em uma árvore próxima. Já estava aparecendo os primeiros raios de sol. Aproximei devagar abraçando-a por trás, deixou o seu corpo encostar no meu, eu era só um pouco mais alta que Elena. Rocei o meu rosto no dela, beijando-lhe a face.

 

- Ainda com frio? - sussurrei em seu ouvido.

- Está gostoso esse abraço, você é quentinha. - entrelaçou os nossos dedos.

 

Assistir o amanhacer com Elena em meus braços foi maravilhoso.  Ela estava encantada com a vista, ficamos em silêncio deixando a natureza se fazer presente em sua alvorada. Sorrimos com um beija-flor passeando entre as flores. Fechei os meus olhos, sentindo o calor do toque de sua mão em meu rosto virando para a sua direção. O seu polegar contornava os meus lábios, o seu olhar acompanhava cada detalhe como se decorasse. Beijei o seu dedo despertando-a. Seus olhos estavam numa tonalidade verde única e serena. Aproximou devagar roçando a sua boca na minha.

 

- Amo você. - falou entre os meus lábios.

 

A adrenalina fluíu solta em minhas veias, meus batimentos cardíacos dispararam. Ela sentiu o leve tremor que suas palavras causaram em meu corpo, abraçou forte a minha cintura. A sua declaração me comoveu de um jeito que não tive como impedir uma lágrima solitária deslizar em minha face. Em questão de segundos tantas coisas passaram em minha mente, misturando-se com as novas emoções. Não deixei margem para que o meu silêncio fosse mal interpretado. Toquei a sua face com extremo carinho, e a beijei como se fosse a primeira vez. O beijo tinha um sabor especial, de entrega.

 

Ficamos namorando ali mesmo esquecendo do mundo, só paramos pois Elena achou prudente voltar já que saímos sem avisar a ninguém e provavelmente o desaparecimento da égua deixaria os peões em pânico. Ajudei ela montar aproveitando e deixando a minha mão passear por seu corpo, ela sorria safada. Sentei atrás dela aproveitando o movimento da égua para excitar a minha loira.

 

Elena ria tentando ajeitar as suas vestes, eu sussurrava pequenas obscenidades em seu ouvido causando arrepios em seu corpo. Tratei de me comportar assim que chegamos. Thomaz respirou aliviado dando graças que a égua estava bem. Pedi desculpas, porém Elena não deixou por menos, apesar da ideia ter sido minha ela deu bronca pela falta de segurança, que se podíamos pegar um animal no meio da noite qualquer um poderia roubar. Exigiu que a segurança fosse melhorada, e concluiu dizendo um bom dia geral.

 

- Ai! Doeu até em mim essa bronca! - falei baixinho enquanto íamos lado a lado para o chalé.

 

Ela olhava de soslaio sem disfarçar o sorriso, adorava ditar ordens mas nunca foi injusta, procurava sempre tratar da melhor forma possível os seus funcionários.

 

- O que vai doer de verdade, serão as minhas unhas cravadas em suas costas enquanto eu estiver rebol*ndo gostoso nessa sua língua safada. - agarrou-me assim que entramos no chalé.

 

***

 

Fiquei com pena de Elena, por conta da viagem as suas reuniões foram todas adiantadas. Dormimos um pouco na volta, ainda assim estávamos cansadas e ela encararia uma manhã cheia de reuniões. Despedi de Matias (o motorista de Elena) e cumprimentei o porteiro. Pensei em maneiras de agradá-la.

 

- A balada foi boa! - disse Leandro o meu vizinho. - Bom dia!

- E como foi! Bom dia, e bom trabalho. - falei já abrindo a porta do apartamento.

 

Ouvi algumas mensagens na secretária enquanto respondia um sms da Manu. Só queria tomar uma ducha rápida e descansar um pouco, teria a tarde cheia. Estava terminando de me secar quando ouvi o interfone, Paulo (o porteiro) ligou comunicando com Manuela havia acabado de chegar e precisava conversar comigo, estranhei o fato mas liberei, o meu cansaço era tanto que não pensei direito. Vesti um roupão quando ouvi uma suave batida na porta. "Manuela trairá!" Constatei ao abrir a porta. Estou precisando de novas amizades, pensei aborrecida dando passagem. "Vou ter um papinho com o meu porteiro!" Fiz nota mental.

 

- Seja rápida! - exige impaciente.

 

Não estava preparada para encontrar Esther após os dias maravilhosos que tive com Elena. A princípio não entendi as desculpas dela até que foi clara. Despertei quando tentou aproximar-se impedi com um gesto. Estava processando o que ela dizia. Não vou negar que aquilo mexeu comigo, porém foram necessários mais três anos para tomar uma atitude. O seu pedido me pegou de surpresa.

 

- ... Por favor amor, me dá uma chance? Permita-me ser a sua esposa. - havia sinceridade em seu olhar.

- Então você soube... Bom isso já não faz mais diferença. - desdenhei.

 

Suspirei fui até o meu quarto, abri o pequeno cofre embutido no guarda roupa. Hesitei apenas um segundo em tocar naquela caixinha, ás vezes olhava para ela mas não a pegava, procurei evitar as lembranças dolorosas. Retornei para sala e entreguei o objeto.

 

- Pode ficar! - dei de ombros - Mantive como prova que eu pelo menos tentei de verdade, mas nunca fui o suficiente para ser a sua primeira opção.

- Mia... - interrompi

- Agora por favor, vá embora! Estou cansada, e você já disse o que queria! - abri a porta.

 

Não tive tempo de reagir, tomou posse da minha boca do jeito que ela sabia que eu não resistiria. Tentei empurrá-la mas o seu toque, e seu cheiro me atingiram em cheio. Suspirei em sua boca, quando a sua língua exigente encontrou com a minha. "Elena" minha mente chamava, a sua mão percorre o meu corpo arrepiando inteiro. "Esther" penetrou-me fundo, arfei entregando-me. Fui amparada em seus braços quando o gozo veio forte. O seu toque tornou-se carinhoso, sorria fisgando o meu lábio. "Gael!" a lembrança veio rapidamente fazendo-me despertar e empurrando ela pra fora. Apoiei as minhas mãos na porta tentando controlar a minha respiração. As minhas pernas estavam fracas encostei na porta, deixando o meu corpo escorregar até o chão. 

 

- Mia?? Amor? Eu não vou desistir da gente! - batia na porta - Está ouvindo? 

 

"Sua fraca!" disse meia dúzia de impróprios ouvindo os pedidos dela.

 

- Eu te amo! Não desiste de nós Mia... Não desista do nosso amor! -  implorou.

 

Olhei para o trinco, deixei minha mão no ar ainda sentindo a sua presença. "Amo você" Fechei os meus olhos, trancando a porta.

 

Juntei o restante do meu amor próprio e fui tomar outro banho.

 

***

Esther

 

Encontrei Manu em um papo animado com o rapaz, passei direto por eles. Cheguei a calçada e respirei fundo, precisava por a minha mente em ordem. Olhei a caixinha em minha mão abrindo-a. As alianças eram de ouro branco e amarelo; um pouquinho grossas, todas trabalhadas nas bordas com ouro branco. Notei o desenho dividido, juntando ambas formavam o simbolo do infinito, em um par perfeito. Havia uma pequena descrição no interior: Para sempre sua! 

 

- Elas são lindas! - Manuela comentou ao meu lado.

- São perfeitas! - sorri tocando elas com carinho.

- O que houve Estherzinha? - tocou o meu braço com delicadeza.

 

Abracei ela forte pedindo para levar-me dali. Era muito cedo, resolvemos tomar café da manhã em uma padaria próxima da casa de Manu. Contei o que aconteceu na casa de Lúcia e há pouco no apartamento de Mia, evitando detalhar os nossos momentos íntimos. As expressões de Manu chegavam a ser hilárias, o que acabou quebrando um pouco o clima pesado.

 

- Isso está mais emocionante que novelas das oito.

- Manuela! - ralhei fingindo de brava.

- Drama! Emoção! Sexo selvagem! - sorriu maliciosa.

- Ai meu Deus! - arrependida de ter contado.

- Te contar ein... Quem diria que aquela menininha tímida se daria ao desfrute, dando amassos calientes na porta a essa hora da manhã que em qualquer momento alguém poderia passar e flagrar! - ria divertida - As quietinhas são as piores!

 

Foi quando eu me dei conta. Gelei na hora olhando assustada.

 

- Mia deve estar querendo me matar!

- Só se for de tesão minha querida! - zombou.

- Para Manuela! - passei a mão na testa - Foi tão no instinto que eu nem pensei na possibilidade de alguém nos flagrar.

- E eu que achava que trans*va loucamente - comentou pensativa - Como é? - olhando-me curiosa.

- O quê? - retruquei confusa.

- Transar com uma mulher? - seus olhinhos verdes estavam atentos.

- Manuela! - estava ficando roxa de vergonha.

- Por que olha... estou segura da minha sexualidade, mas ver como vocês se comem com os olhares, aquele tesão sexual só de estarem próximas... Menina isso é outro nível!

- Será que você poderia falar mais baixo! - peguei o cardápio escondendo o meu rosto.

- Isso daria uma matéria interessante. - fazia notas mentais - Claro que eu teria que experimentar... Existem também alguns brinquedinhos... Óbvio que Igor iria amar! Que homem não sonha em trans*r com duas mulhe... Esther! Menina o que você está fazendo ai? - chamando mais atenção.

 

"Manuela, sua sem noção!" Mania dela divagar e elevar a voz, queria sumir quando notei os olhares em nossa direção. Fui encolhendo na cadeira. Só relaxei quando entramos no carro, ela ria tanto que eu tive que guiar o carro. 

 

- Ai... hahahaha... desculpa Estherzinha... hahaha

- Não estou achando a menor graça, Manuela! - bufei aborrecida.

- A sua cara... hahaha... eu tinha que ter tirado uma foto!

 

Ouvimos o toque do seu celular, seja lá o que foi dito, foi o suficiente para Manu parar de rir e ficar tensa. Confirmou o horário e desligando em seguida.

 

- O que foi? - olhei de soslaio.

- Minha consulta. - olhava para as suas mãos.

- De quê? - questionei achando estranho a sua reação.

 

Silêncio, olhou para fora evitando contato. Pensei o pior insisti para dizer do que se tratava.

 

- Você está doente? - tive medo da resposta.

- Não. - sussurrou.

- Então? - estava ficando nervosa com o silêncio dela.

- Você poderia acompanhar-me? - seus olhinhos estavam temerosos.

- Claro! - olhei rapidamente para ela.

- Obrigada. - sorriso fraco.

 

Dei seta e estacionei o carro, peguei as mãos da Manuela entre as minhas e perguntei carinhosa:

 

- Manuzinha, me conta o que houve? - não sabia se eram as minhas mãos que tremiam ou as delas.

 

Desviou o olhar, toquei o seu rosto fazendo que me olhasse.

 

- Consulta do quê? - nossos olhos estavam chorosos.

 

Vi o medo em seu olhar, respondendo:

 

- Dentista! - voz tremula.

 

***

Amélia

 

- Vocês o quê?! - falou entre dentes.

 

Elena estava irada, nunca tinha visto ela tão irritada. Após a saída de Esther recebi uma mensagem da loira convidando para almoçarmos juntas, entre uma reunião ou outra arrumou um tempinho para nós. Nos encontramos em um restaurante italiano que ela amava. A culpa me consumia, tive que contar o que aconteceu mais cedo. Elena fazia um esforço monstruoso para manter a voz baixa evitando chamar atenção dos demais.

 

- Depois que eu me declarei para você... os nossos momentos juntas, e você não teve a capacidade de afastar essa mulher? - voz magoada - Ela é por acaso é mais forte que você? - sua respiração estava ofegante.

- Não... - abaixei a cabeça envergonhada.

- Diga olhando em meus olhos Amélia!

- Não.

- Então você quis! - acusou.

- Não! - respondi rapidamente.

- Fala olhando em meus olhos que não, mas pelo visto o seu corpo sim. - seu lábio tremia tamanha raiva.

- Elena...

- Não ouse repetir que ela foi o amor de sua vida, e por isso não teve forças para repeli-lá, por que eu juro por Deus que saiu por aquela porta e nunca mais nos veremos.

 

Não sabia o que dizer, o medo de perdê-la tomou conta. Elena levantou olhando decepcionada, segurei a sua mão impedindo que saísse. Ficou ao meu lado respirando fundo e prosseguiu:

 

- Eu te amo Amélia! Mas não serei taxada de idiota por conta da suas fraquezas carnais!

- Nunca mais, eu prometo! Fica? - pedi.

 

Fechou seus olhos por um instante respirando fundo. Olhou-me triste decidindo:

 

- Você deve resolver de uma vez por todas a sua situação com essa menina. Sexta a noite estarei indo para fazenda, acredito ser o tempo suficiente para você já ter tomado uma decisão. - falava pausadamente - Aproveite a comida, porque eu perdi o apetite. Agora se me der licença tenho negócios a tratar. - saiu sem olhar para trás.

 

Passei a mão em meus cabelos em um gesto nervoso. Agora que tudo estava indo bem, Esther tinha que ter voltado. "Merda!" Elena estava certa, tinha que parar e encarar o meu passado de uma vez por todas. Peguei o meu celular discando para um número conhecido. Esperei, atendeu murmurando algo incompreensível. Suspirei irritada.

 

- Manuela, passe o celular para ela!

- Bo..a..tar..de.. pr...a.. você..ta..bem... - ouvi um murmúrio.

- Alô? 

- Precisamos conversar!

 

Silêncio.

 

- Estou ocupada.

- Não parecia ocupada hoje cedo. - retruquei.

- Pois é, agora estou!

- E quando não estará? - perguntei sarcástica.

- Sexta?

- É uma pergunta?

- Sexta! Estava confirmando na minha agenda.

 

Não evitei um riso abafado de uma lembrança antiga.

 

- Okay.

- Te mando o endereço. - desligando.

 

Estranhei, não era do feitio de Esther ser sem educação. Guardei o meu celular e paguei a conta. Precisava resolver tudo até sexta-feira.

 

***

Esther

 

Tive vontade de matar Manuela pelo susto que me deu. Manu sempre teve medo de dentista, quantas vezes arrastou alguma das meninas ou todas nós juntas para acompanhá-la. A nossa manhã foi corrida. Recebi vários emails do escritório, respondi a todos. Por mais que eu tentasse parar um segundo para poder analisar o que aconteceu naquela manhã, o mundo parecia conspirar contra. O celular de Manuela não parava de tocar um minuto sequer. Almoçamos cedo por conta da consulta dela. Tive que ser firme e fazê-la entrar sozinha no consultório, sorte que o dentista dela era um gato, acredito que ela escolheu a dedo justamente para tentar diminuir a sua fobia. Encontrei naquela sala de espera, o meu único momento de paz no dia. Precisava pensar em uma maneira de fazer Mia me perdoar, e finalmente ficarmos juntas. Pensando nisso foquei o meu olhar em um ponto qualquer naquela parede, assustei quando percebi o seu olhar insistente.

 

- Olá Esther! - falou com uma máscara cobrindo o seu rosto.

- Desculpa, eu te conheço?

 

Puxei na memória tentando reconhecer aquele olhar azul ou seria verde? Retirou a máscara sorrindo para mim.

 

- Bruna! - levantei surpresa.

- Ótima memória! - falou rapidamente com a secretária antes de se aproximar. - Tudo bem com você? - cumprimentou, beijando a minha face.

- Sim! Não... quer dizer... um pouco confuso no momento. - sorri sem graça.

- Hahahah... Deixe-me adivinhar: Mia? - tinha um olhar risonho.

- A própria!

- Você está ótima! - olhou-me rapidamente.

- Você também. - sorrimos.

 

Após a agressão sofrida pelo seu pai e toda a confusão, Lúcia tomou a frente, dando apoio e ajudando no que podia a mãe e as irmãs de Bruna. Fabiana, a sua mãe, começou a trabalhar na loja que Lúcia administrava, enquanto as suas irmãs Aline, e Gabriele ficavam tendo aulas integrais recuperando o tempo perdido. Bruna  ajudava no que podia em sua casa. De seu pai, somente soube que tinha mudado de cidade e tornado-se pastor. Como eu mudei para Nova Iorque tive mais contato com Manuela, o meu contato com Bruna se perdeu com o tempo.

 

- Tem consulta marcada? - seu olhar percorreu a minha boca - A olho nu o seu sorriso continua perfeito.

 

Senti as minhas faces arderem, quando ouvimos um gritinho peculiar. 

 

- Não! Estou de acompanhante. - olhei assustada em direção a porta.

- Manuela? - sorriu divertida.

- Sim! - fiquei preocupada - Acho que seria bom se fôssemos ver se ela está bem.

 

Ria gostosamente tocando o meu braço.

 

- Não se preocupe, te garanto que é sempre assim com ela!

 

Concordei lembrando que nunca era fácil para Manu, olhei a sua mão em meu braço, sorriu retirando.

 

- Mas para você ter certeza que não estamos estripando a sua amiga, pode me acompanhar. - piscou indo na frente.

 

Era um consultório bem equipado e o pessoal muito bem treinado, sempre desejando bom dia, perguntando se estava tudo bem e sempre com um sorriso estampado. O seu andar atraiu a minha atenção, já não havia mais aquela tensão em seus ombros, agora andava com leveza. O seu corpo já não possuía aquele porte físico de nossa adolescência, estava com mais curvas e gestos bem femininos.

 

- Pode entrar na sala de tortura de Manuela! - riu suavemente, percebendo o meu olhar em seu corpo.

 

Fiquei sem graça por ter sido pega em flagrante, desviei os meus olhos entrando, encontrei Manuela com a boca cheia de algodão segurando tensa a cadeira.

 

- Já estou terminando. - falou Jorge.

- Trouxe apoio psicológico para a nossa paciente. - pegou outra máscara pondo antes de se aproximar.

 

Manu tentou falar mas fiz sinal para que ficasse quietinha, assim terminaria logo a sua tortura. Senti o olhar risonho de Bruna, piscou agradecida. Os atentos olhos verdes apenas observavam. Ouvimos uma música sertaneja preenchendo o som ambiente. Manuela apalpava sua calça pegando o aparelho.

 

- Prontinho. - terminava de tirar os algodões da boca dela.

 

A língua de Manuela estava dormente por conta da anestesiada, ainda assim atendeu. Tentou falar algo mas suspirou aborrecida estendendo o celular para mim.

 

- Sej..a difí..cil. - pediu antes de eu atender.

- Alô? - falei confusa.

- Precisamos conversar!

 

Arrepiei ouvindo a sua voz rouca.

 

- Estou ocupada. - pensei rápido.

- Não parecia ocupada hoje cedo. 

 

Manu aproximou e puxou o celular para ouvir a conversa.

 

- Pois é, agora estou! - fez jóia sorrindo.

- E quando não estará? - percebemos o sarcasmo.

 

Manuela bufou gesticulando para alguns dias, mas nem tanto.

 

- Sexta? - segurei as suas mãos para que parasse.

- É uma pergunta?

- Sexta! Estava confirmando na minha agenda. - Manuela estava se divertindo horrores nem parecia que estava sofrendo a pouco.

- Okay.

- Te mando o endereço... - antes que eu terminasse de falar Manuela derrubou a ligação.

- Manuela!

- Me agradeça depois. - falou pondo a mão na frente da boca.

 

Jorge e Bruna riam da nossa discussão, nos despedimos e Manuela foi marcar o retorno. Quando estávamos saindo senti o suave toque em meu ombro.

 

- Para você - entregou o cartão - Poderíamos marcar para sair qualquer hora, sabe... por o papo em dia.

- Claro. - sorri meio sem jeito - Tchau.

 

Nos despedimos e fomos para o carro. Manuela não parava de tagarelar e eu tentando entender as suas frases arrastadas. Fui pegando uma palavra ou outra quando uma ideia surgiu.

 

- Jantar...

- Pedido... - completei sorrindo - Mas onde?

- Xácomigo.

 

***

Amélia

 

Estava deixando o meu estágio satisfeita, por ter me saído bem apresentando o meu TCC e ter tido um dia bem produtivo. Infelizmente não tinha ninguém para comemorar, queria encontrar com Elena mas não antes de resolver o meu assunto com Esther. Não resisti e enviei um sms avisando como me sai diante da banca. Olhava o celular a cada minuto mas nada dela responder. Suspirei, parando no sinal selecionei a discagem rápida e deixei no viva voz.

 

- Alô? Mãe? - prestando atenção no trânsito.

- Oi amor! Lembrou que tem mãe é? - brincou.

- Que isso dona Lúcia! - ri - Te liguei ontem. Isso é carência de colo da sua filhinha?

- Com certeza! Como você foi?

- Na minha humilde opinião, muito bem!

- Hahahaha que bom amor, conte-me tudo!

- Assim que eu chegar em casa te falo tudinho.

- Amélia Montenegro! Está falando no celular enquanto dirige?? - ralhou brava.

- Estou no viva voz mãe. - já imaginava a bronca - Não aguentei até chegar em casa para te contar.

- Não interessa! Tem que estar cem porcento atenta enquanto dirige, assim que chegar você me liga!

- Okay. Também te amo mãe!

- Te amo filha, beijos. - encerrou a ligação.

 

Assim que estacionei na garagem recebi dois sms ao mesmo tempo. "Parabéns!", "Esteja aqui às 19hrs" Arqueei a sobrancelha reconhecendo o lugar e apostando que isso tinha o dedo de Manuela. Entrei no elevador planejando o que faria.

 

***

Esther

 

- E se ela não vier? - falei pela milésima vez.

 

Olhei novamente para o espelho conferindo a minha maquiagem, descendo os meus olhos para o vestido que destacava a minha silhueta. Depois de prender e soltar várias vezes o meu cabelo, optei por deixar solto.

 

- Guria se aquiete ou vou enchê-la de tabefes! - conferindo a iluminação do ambiente.

- Desculpa!

- Relaxa! - olhou-me - Você está linda! Mia vai morrer de tesão! - sorriu maldosa.

- Manuela Andrade, olhe o linguajar! - Lúcia ralhou com ela.

- Ihh, desculpe tia.

- Você está belíssima, meu amor! - segurou as minhas mãos com carinho - Fique calma, ela virá.

- Obrigada. - sorri.

 

Contei com ajuda de Lúcia e Manuela para preparar tudo. Manu conseguiu emprestada a casa de um amigo dela. Levava uns quarenta minutos para chegar lá, o lugar era espaçoso e tinha um jardim lindo. Bem cenário de filmes românticos segundo ela, tive que concorda.

 

- Só falta um detalhe. - abri a bolsa e pegando o objeto - Pode por em mim?

 

Lúcia tocou com carinho o pingente aceitando a tarefa.

 

- Preciso senti-la próxima a mim, nesse momento tão importante. - toquei aquele pingente que há muito tempo não usava.

- Dian sempre estará contigo, meu amor. - abraçou-me.

- Conosco! - sussurrei em seu ouvido.

 

Ouvimos o som do carro parando. Elas desejaram-me boa sorte e sumiram para o interior da casa. Queria fazer uma surpresa para Mia, e queria que as pessoas mais importantes de nossas vidas estivessem presentes após o meu pedido.

 

O som da suave música preenchia o ambiente do jardim iluminado estratégicamente por Manuela, criando um clima romântico. Olhei em sua direção ao ouvir o som de suas botas de bico fino pretas contra o assoalho da casa, aproximando-se. Fechei os olhos aspirando o seu perfume, suspirei diante dela. Apesar do tempo fresco Mia estava linda com jeans negro que destacava as suas pernas bem trabalhadas, uma blusa de gola alta branca e jaqueta de couro. Seus cabelos estavam soltos com a sua franja degrade um pouco rebelde.

 

- Boa noite. - voz levemente rouca.

- Boa noite. 

 

Seus olhos vagaram lentamente pelo o meu corpo, sentia como se me tocasse. Aquilo me deu confiança que precisava, aproximei pegando a sua mão, sorri por não ter sido repelida.

 

- Vem! - pedi.

 

Meu coração disparava em contato com a sua mão quente. Mia olhava tudo com curiosidade, porém nada disse a respeito. Indiquei a mesa preparada. Gentilmente puxou a cadeira para mim, a cada instante tive a certeza da minha escolha.

 

- Você está linda!

- Obrigada. Você também! - sorrimos.

- Posso? - indicou a garrafa.

- Claro!

 

"Ela aceitou o meu pedido! Não desistiu de nós!" Sorri encantada, vendo a minha morena de volta. Serviu o vinho sentando-se novamente.

 

- Um brinde? - sugeriu.

 

Levantei a minha taça acompanhando ela.

 

- A uma segunda chance. - brindamos, ela bebericava sem desviar o olhar.

- Está com fome? 

- Bastante. - olhou-me com gula.

 

Algo mudou em seu olhar, o que me deixou desconfortável.

 

- Vamos jantar primeiro, depois teremos muito o que conversar. - sugeri.

 

Assentiu. Aos poucos a conversa fluía, falamos sobre os nossos cursos, projetos e trabalho. Fiquei orgulhosa dela quando comentou sobre o seu projeto que estava sendo aplicado e o retorno estava sendo muito bom. Falei como o escritório que eu trabalhava era muito procurado, e mesmo a distância eu tinha muito trabalho. Em um determinado momento ficamos em silêncio, o olhar de Mia alternava entre os meus olhos e o meu pingente.

 

- Achei que nunca mais usaria ele.

- Por um tempo eu também.

- O que fez você mudar de ideia?

- Você!

 

Arqueou a sobrancelha, prossegui:

 

- Percebi que estava abrindo mão das coisas mais importantes da minha vida, que são vocês! - toquei o meu pingente e a sua mão - Mia, me perdoa? - levantei, e ajoelhei ao seu lado - Me perdoa, amor?

 

Não desviou o olhar, ficamos assim por um momento até que ela se levantou puxando-me junto. Pressionou várias vezes a mandíbula respirando fundo antes de falar.

 

- Li uma frase já algum tempo de Max Lucado: O perdão esclarece o passado e protege o futuro. - pausa - Nos últimos tempos tenho pensado muito a respeito disso. Eu quero muito  te perdoar Esther, mas isso leva tempo.

- Eu posso esperar o tempo que for necessário.

- Mas mesmo que eu te perdoe, não quero voltar para você - concluíu.

- O quê? - estava confusa.

- Você pediu o meu perdão, eu te digo que sim, e nada mais que isso.

- Não me ama mais? - sentia o chão se abrindo.

- Amo sim. Agora eu preciso ir embora. - beijando a minha face e saindo.

 

"Isso não está certo!" - Espera! Mia me da uma chance. - segurei a sua mão.

- Esther, por favor.

- Você mesma brindou a uma segunda chance.

- Sim, brindei. A chance de podermos tentar ter um relacionamento mais saudável por minha mãe que te trata como filha, e...

- E o quê? - o ciúmes começou a ganhar forma.

- E uma chance para sentir o amor outra vez.

 

A sua frase foi como um tapa. A calma que eu tinha foi pro espaço, não controlei as minhas palavras.

 

- E é pra ela que você vai entregar o meu amor? - acusei.

- O quê?

- E para ela que está voltando agora? - minhas mãos tremiam - E levando o nosso amor?

- Acho que você bebeu demais. - respirou fundo - É melhor escolher bem as suas próximas palavras ou podera ser impossível eu perdoá-la. - ficou séria.

- Não percebe o que está fazendo? Entregando o nosso amor para uma mulher que encontrou em um bar qualquer?!

- Pois saiba que essa mulher fez mais por mim em três anos do que você em dez.

- Eu te amo! Fica comigo! 

- Sabe o que eu engraçado? - sorria irônica - Somente quando eu estou com alguém que eu realmente goste, é que você resolve achar que me ama! - Seu olhar demonstrava o quão magoada estava - Curioso isso... não?

 

"Não acho. Eu te amo!" Desesperei-me. Não estava dando certo. Por mais que eu  tentasse demonstrar o quanto errei, e estava disposta a corrigir ela não acreditava.

 

- Mia, por favor! Errei muito antes, dei-me uma chance para eu reparar isso para que possamos nos amar... - interrompeu.

- E sermos felizes para sempre! - gesticulou teatralmente - Você ainda vive nesse seu mundinho de fantasias, não é mesmo?! Que quando você achar mais conveniente o seu príncipe... ops, a sua princesa, eu ainda estou confusa... - Aproximou - Vem salvá-la.

 

Estávamos tão próximas que poderia apenas puxa-lá e beijar derrubando suas barreiras, mas não o fiz. Dessa vez queria fazer da maneira certa. Provar que era muito mais que carnal. "Quero-te para a vida toda!" 

 

- Mia...

- Dessa vez não, Esther! - suspirou - Esse seu faz de conta não terá o seu final feliz. - Deu as costas e saiu.

 

Ouvi a forte batida na porta, corri até ela mas o seu carro já virava a esquina. Retornei para a casa, Lúcia e Manuela olhavam sem entender o que houve. Narrei o ocorrido, e Lúcia absorvia cada palavra como se desvendasse algum mistério.

 

- Percebe? - comentou pensativa.

- O quê?

- Em momento algum ela disse ama.

 

Olhei sem entender, ela prosseguiu:

 

- "Quando estou com alguém que eu realmente goste..." e não que eu ame. - entendi aonde ela queria chegar - Dê tempo para ela dirigir tudo, só peço que você não desista! Mia, está magoada mas ela te ama! - Tocou o meu pingente - Prometi a Diana que cuidaria de você e guiaria os seus passos para o caminho certo. A história de vocês ainda não terminou. Torço para a felicidade de ambas. 

 

Deixei-me ser abraçada por elas, desejando que estivesse certa.

 

***

Amélia

 

- Amélia?! - virou quando toquei o seu ombro.

- Demorei? - Entreguei minha bagagem a Pedro. 

- Não! Então? - sorria em expectativa.

 

Olhei em seus olhos e tive a certeza de minha escolha. Envolvi a sua cintura.

 

- Então que se você me aceitar, darei o melhor de mim para que a nossa relação dê certo! - Fiz essa promessa a mim mesma.

- Já não era sem tempo! - sorriu, trocamos um beijo selando nosso futuro.

 

A viagem foi tranquila apesar do meu nervosismo. "Odeio voar!". Elena providenciou um calmante e fez cafuné até que eu dormisse. 

 

***

Cinco anos depois...

 

Era madrugada quando cheguei da fazenda. Estava cansada, mas satisfeita com a produtividade nos campos e as vendas dos gados. Deixei minha bagagem na sala e segui até o nosso quarto. A encontrei saindo do quarto parecia um pouco perdida.

 

- Elena. - sorri ao encontrá-la acordada.

 

Ela vestia um roupão de seda transparente. Em seus olhos era evidente as enormes olheiras. Estranhei o cheiro forte que vinha dela.

 

- Amélia?? - assustada - Eu... eu... me perdoa! - dizia em prantos, escorregando pela parede.

 

Não havia entendido o que houve, mas vê-la daquele jeito deixou o meu coração angustiado. Entrei em nosso quarto e a cama estava bagunçada, nela repousavam dois corpos masculinos. Você simplesmente sente o seu mundo parar. Adrenalina fluí solta em suas veias, sua mente fica a mil. Olhei o corpo de Elena que chorava e tremia repetindo perdão. Encostei na parede o ar pareceu ficar rarefeito. As minhas mãos tremiam. Olhei para minha mão esquerda, onde repousava a aliança grossa. Senti as lágrimas queimando os meus olhos, não permiti que caíssem. Respirei fundo, secando-as. Apertei minha nuca. Fui até o interfone, chamei por Estevão (chefe de segurança), e Francisca (a governanta). Minutos depois chegaram esperando as minhas ordens.

 

- Prepare a banheira do quarto de hospedes. Rápido! - ordenei, esperando ela cumprir - Estevão!

- Sim senhora.

- Quero que cuide desse problema. - Peguei Elena no colo - Descubra tudo sobre esses indivíduos, preciso ter certeza que não são um risco para minha... - aquela palavra parecia queimar minha língua - esposa.

- Farei agora. - pegou o comunicador, ditando ordens.

 

Elena ainda soluçava, envolvendo meu pescoço e escondendo o seu rosto. A levei até o quarto de hospedes.

 

- Ela não está em condições de se lavar sozinha, por favor Francisca ajude-a. - com cuidado depositei o seu corpo frágil na banheira com água morna. 

 

Levantei, a sua mão segurou a minha. Não estava diante da mulher que jurei amar e proteger e sim de uma menina que tremia com seus olhos assustados por não saber como agir. Controlei ao máximo a minha raiva e sai.

 

Fui até a varanda, e vi Estevão e os outros seguranças entrando no carro com aqueles homens seguindo o seu destino. Não tive mais forças, meu corpo aos poucos foi alcançando o chão. Olhava para aquela aliança que agora parecia não ter significado algum. Uma suave brisa envolveu o meu corpo, olhei para lua. 

 

- Ajude-me! - voz  embargada.

 

***

Esther

 

Depois de fazer Júlia dormir, comecei a ler os artigos para o meu próximo projeto. Suspirei pela milésima vez. Desde que acordei, sentia uma angústia que pareceu aumentar com o passar do dia. Apertei a minha nuca. Estava uma noite fria, senti uma súbita falta de ar, fui até a janela e para minha surpresa era lua cheia. 

 

- Há quanto tempo que não presto atenção em você minha amiga? - murmurei. 

 

O seu sorriso invadiu os meus pensamentos. A sua voz preenchia os meus ouvidos. Era tarde da noite mas à vontade de ouvi-lá foi maior. Procurei nos arquivos de vídeo em meu celular "Estrelinha".

 

- Brilha Brilha Estrelinha

Quero ver você brilhar

Faz de conta que é só minha (entonou o é só minha)

Só pra ti irei cantar... 

 

A emoção tomou conta de mim, sorri vendo aquele rosto juvenil cantarolando a música baixinho. Estávamos frente a frente, sorrindo. Rocei meu nariz no dela num beijinho esquimó, antes de tomar a sua boca. 

 

- Somente sua! 

 

Refiz a minha promessa diante da minha maior aliada.

 

“Olha as estrelas. Enquanto elas brilharem haverá esperança na vida.” 

[Olhai os lírios do campo]

Érico Veríssimo


Continua...

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Próximo capítulo: Consequências 


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Comentários para 21 - Capítulo 21:
rhina
rhina

Em: 16/06/2018

 

Quantas  surpresas........

Sua história é maravilhosa. ....demais mesmo

Rhina

Responder

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Runezinha
Runezinha

Em: 14/06/2018

Vamos por partes. Elena, Deusa, meu deus e outro nivel de maturidade, eu nao teria metade paciencia e nem aceitaria o que Mia fez. Demonia como sempre egoista, so ela e apenas ela... Mia projeto de Anja, se voce nao por na balança tudo que viveu com a Deusa e toda a felicidade por conta de um erro que voce mesmo ja cometeu nao e voce que nao merece ela e sim ela nao merece voce! 

O autora ainda bem tem mais se nao ja ia pedir para explicar isso direito, nao acredito que em sanidade Elena trairia, ate porque demonstrou desespero o que da indicios de algo maior. Em fim trata bem minha Deusa u.u!!!!

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Esyal
Esyal

Em: 27/01/2016

Autora, minha linda! Quantas surpresas em um capitulo só!

Por favor não nos deixe esperando por muito tempo. Sua história está M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A

 


Resposta do autor em 29/01/2016:

Obrigada! Cap novo postado ;)

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lia-andrade
lia-andrade

Em: 19/01/2016

Que capítulo maravilhoso...aliás, a história é maravilhosa. Você sempre surpreendendo sua leitoras...

Bjos


Resposta do autor em 19/01/2016:

Obrigada querida ;)

Tenho leitoras maravilhosas que sempre ajudam com seus comentários ^^

Responder

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lis
lis

Em: 19/01/2016

Boa noite autora, tudo bem? Uauuuuuu que capitulo hein, divino, meus parabens. Pelo que vejo mesmo passando esse tempo todo a Esther não vai desistir do seu grande amor.


Resposta do autor em 19/01/2016:

Bom dia querida, tudo sim :D

Obrigada! hahaha iremos descobrir no decorrer da história

Ótima semana! ;)

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lehh
lehh

Em: 18/01/2016

Ain esse historia so melhora *-* 

Muitas mudanças devem ter acontecido nesse tempo q passou hahaha e estou adorando isso *0* 

Muitooooooooo ansiosa para o proximo cap....n demore pra posta pleaseee T.T é muita tortura

So acho q deveria posta 2 cap neh autora linda :3 haha 

Parabens pela obra simplesmente fantastica.

 


Resposta do autor em 18/01/2016:

Obrigada :D

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kiddah
kiddah

Em: 18/01/2016

Meu Deus!!! Bom demais.
Resposta do autor em 18/01/2016:

Obrigada ^^

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Tatta
Tatta

Em: 18/01/2016

Grnte! Como assim? 5 anos? Casamento?! Eu to passada! Quero o próximo!


Resposta do autor em 18/01/2016:

hahahaha não percam nesse mesmo site, nesse mesmo horário o próximo capítulo xD

Muita coisa aconteceu rsrs 

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Ana_Clara
Ana_Clara

Em: 18/01/2016

Uau, que capítulo surpreendente! Tantas coisas em apenas alguns parágrafos. Estava com muita pena da Esther, mas tbem muito feliz pela oportunidade que a Mia deu para a Elena. Mas com o final desse capítulo fiquei em plena confusão o pq da Elena trair a Mia, sendo que ela a ama loucamente. Enfim, já estou muito ansiosa para o próximo. E será que a estrelinha teve uma filha com a Bruna? Kkkkk 


Resposta do autor em 18/01/2016:

hmmm será? rsrsrs

Responder

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graziela
graziela

Em: 18/01/2016

Errei não ia perguntar se Mia teve uma filha,  e sim Esther.

Responder

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Taypires
Taypires

Em: 18/01/2016

Excelente capítulo, nossa esta de parabéns!!!!!


Resposta do autor em 18/01/2016:

Obrigada ;)

Responder

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graziela
graziela

Em: 18/01/2016

Acho que Mia vai repensar seu casamento com a Elena. 

E Mia teve uma filha? 

O tempo passou,  mas o amor de uma pela outra não deve ter passado. 


Resposta do autor em 18/01/2016:

Falo nada, só observo ;x

hahahaha excelente semana ;)

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paulaOliveira
paulaOliveira

Em: 18/01/2016

E essa histórias só melhora....
Resposta do autor em 18/01/2016:

Obrigada! :D

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