Capítulo 18
Amélia
- Você é o meu tudo!
Suspirei. Não estava acreditando que havia permitido aquilo. "Preciso sair daqui!" ela continuou:
- Você foi o meu primeiro beijo. A minha primeira vez. - "Eu deveria ter sido a única!" - O meu primeiro e único amor... - interrompi.
- Mas jamais fui a sua primeira opção! - Aquilo estava entalado há anos.
- Mia... - tentou tocar-me.
- Não! - exasperei.
- Eu quero tentar! Eu quero fazer certo dessa vez. Eu preciso de você! - implorou.
- Eu, eu, eu. - "Não mudou nada!" - Sempre foram as suas vontades. Por mais de dez anos, sempre! - a raiva estava dominando os meus instintos.
- Você dizia que entendia. - sussurrou.
- Na época sim, eu era muito idiota. - sorri com sarcasmo, me odiando por ter sido tão estúpida.
- Não fala assim. - pediu.
- Falo, e digo mais. Não sou mais aquela boba apaixonada que faz tudo por você. Se veio atrás dela, perdeu o seu tempo! Agora saia da frente, ou eu mesma a tiro. - estava prestes a explodir.
- Quem é você? - recuou.
- Alguém que você jamais vai querer cruzar o caminho! - sai.
Respirei fundo, desci as escadas. Vesti as minhas roupas que já haviam secado, estava me sentindo exposta. Daniele tentou aproximar, pedi para parar. "Preciso de ar!" O objeto estava repousando na poltrona, peguei e fui até o jardim.
Sentei próxima a piscina, de costas para a entrada. Precisava desabafar. Deixei os meus dedos passearam pelas cordas, mergulhei em antigas lembranças. A sua voz se fez presente, foi quando percebi que já não estava mais sozinha.
- Elena.
- Essa moça bonita disse que é amiga sua Mi. - David comunicou, sorrindo para ela.
Acenou discretamente para minha mãe, aproximou-se sorrindo. Deixe-me envolver naquele abraço apertado, retribuindo.
- Desculpe a demora. - sussurrou em meu ouvido.
- Que bom que veio! - fechei meus olhos.
- Não poderia deixar de atender um pedido seu. - fez carinho em meu rosto.
- Me tira daqui? - pedi.
- Claro, baby. - sorriu.
Envolveu a minha cintura, e fomos em direção a entrada. Entreguei o meu violão para o menino, avisando a Daniele:
- Dani, eu preciso dar um tempo. Se importa de ficar com o meu carro? - evitei olhar para o lado.
- Não. - olhou para Elena, abraçando-me - Se precisou chamá-la é por que realmente precisa de espaço. - falou em meu ouvido.
- Obrigada. A gente se vê amanhã? Te levo no aeroporto.
- Não esquenta, só procure ficar bem.
Despedi rapidamente de mamãe, e dos demais. Evitei contato com Esther. Elena levou-me para a sua casa.
***
Esther
- Quem é essa mulher?? - tentei manter a calma, o ciúmes falava alto.
Do mesmo jeito que entrou, saiu levando Amélia consigo.
- Há três anos, naquele bar, você as apresentou. - Daniele falou secamente.
Naquele dia...
Virou o copo, colocando no balcão. Enquanto eu fui pagar a conta, Mia desapareceu no meio da multidão. Procurei por ela, nada. "Ela não pode ter saído!" Nunca havia estado naquele bar, era bem exótico. Percebi que a maioria deveria ser pessoas com poses. Tentei o celular dela, e nada. "Droga Mi! Cadê você?" Alcancei o terceiro piso, era privado. Havia seguranças.
- Tem passe? - perguntou-me impedindo a minha passagem.
- Estou procurando uma amiga.
- Esse piso é só pra quem tem vip! - falou secamente.
- Por favor, só quero saber se ela está aqui? - olhei por sobre o seu ombro, avistando-a. "Mia?" - É ela ali! - apontei, tentando passar.
- Não pode passar! - barrou novamente.
- Ela não está ciente de seus atos! - perdi a paciência - Escuta aqui! Sou advogada, e caso não queira um processo atrás do outro, principalmente se algo acontecer à ela, é melhor levar-me até lá! - ameacei.
Encarei desafiando, pegou o rádio e comunicou com alguém. Instantes depois uma mulher aproximou, e liberou a minha passagem. Fomos até uma cabine privada. Mia estava deitada adormecida em uma cama. A morena que guiou-me até lá, pediu licença e saiu. Aproximei de Mia. Quando ouvi a sua voz.
- Você é uma amiga fiel. - estava de costas, olhou-me rapidamente.
- Quem é você? - não estava gostando nada daquilo.
- Sou a pessoa que está cuidando da morena adormecida. - sorriu, mostrando um pano úmido. - Posso?
- Deixa que eu faço! - entregou-me o pano, passei suavemente no rosto adormecido. - O que quer com ela? - observei a loira.
- Além de sex*? - sorria - Não me olhe assim. Não sou nenhuma aproveitadora!
- Jura? Não é o que está parecendo. - ironizei.
- Se eu fosse, com certeza não estaríamos agora tendo essa conversa. - foi até a janela com insulfilm, olhando o pessoal lá embaixo.
Mia resmungou, ficando agitada. Fiz carinho em seus cabelos. "Preciso levá-la para casa!" Olhei para a estranha, que parecia distraída.
- Vou poder sair com ela numa boa, ou terei que apelar para a polícia? - precisava saber com quem estava lidando.
Riu, olhando-me divertida.
- Não estão em cárcere privado, se é o que pensa. - ouvimos uma batida na porta - Entre!
A mesma morena que levou-me até lá, trouxe uma garrafinha de coca-cola gelada, e um lanche. A estranha agradeceu, abrindo a bebida em minha frente, servindo no copo.
- Dê à ela! Assim vai recuperar-se rapidamente.
- Mais alguma coisa dra. Elena? - perguntou antes de sair.
- Por hora é só, Ana. Obrigada!
Consegui fazer Mia sentar-se, e aos poucos fui dando a bebida. Elena estendeu o lanche, olhei desconfiada. Sua resposta foi dar uma mordida no mesmo e oferecer novamente.
- Por que está ajudando?
- Já disse! - deu de ombros.
- Uma noite de sex* não deveria trazer tanto transtorno, ou zelo.
- Não tenho resposta para a sua pergunta. - olhou para Mia - Minha noite de folga. Estava observando o pessoal, quando a sua amiga entrou chamando a minha atenção. - sentou na poltrona, cruzando as pernas - O olhar dela me atraiu! - falou sincera.
Mia ja tinha terminado o lanche, e bebericava o refrigerante alheia de tudo. Seu olhar estava vago. Acariciei o seu rosto.
- Está de carro? - olhava para Amélia.
- Não. Vim de táxi.
Pegou o celular, falando rapidamente com a pessoa.
- Meu motorista está nos esperando. - aproximou - Ela consegue andar?
- Não precisa. Olha, eu agradeço o que fez por ela, mas podemos ir embor... - interrompeu.
- Será que eu não posso ter um voto de confiança? Só quero levá-la para casa, e deixá-la em segurança. Até por que olha a hora? Vai demorar para chegar outro táxi, e ela precisa descansar.
Respirei fundo, estava certa. Olhei penalizada para Mia, sabia que tinha ido encontrar Esther, e iria fazer uma surpresa. Havíamos conversado durante a semana, e ela estava cansada daquela vida clandestina, iria pedir Esther em casamento. Pensando nisso ouvi o meu celular tocar. "Pensando no diabo, que ele mostra o rabo!" Atendi irritada.
- Alô!
- Dani?! Graças a Deus! Você a encontrou? Ela está bem? - disparou a falar.
- Sim, sim e não! - suspirei.
- Me deixa falar com ela, por favor! - pediu.
- Esther não é o melhor momento. - percebi que Mia reagiu ao ouvir o nome, ficou agitada.
Elena percebendo, aproximou tocando-lhe a face com carinho.
- Não sei o que você fez dessa vez, mas estou vendo o resultado disso! - respondi seca, afastando.
- Ela não me deixou explicar! - voz embargada - Preciso dela, me deixa falar com ela?
- Você pode prestar atenção um minuto no que eu estou dizendo? - falei baixo - Amélia não tem condições alguma de falar com você! Só de ouvir o seu nome, já ficou agitada.
Ouvi o choro sofrido do outro lado na linha. Queria poder fazer algo, mas por estar insistindo tanto naquela relação, Mia estava indo para o poço. Nunca tinha visto ela ficar tão desnorteada, e bebendo tanto. Temi que esse caminho não houvesse volta.
- Irei cuidar dela, apenas mantenha-se afastada. - desliguei.
Elena alinhava Mia em seus braços, engolia um soluço abafado. "Minha amiga!" Meu coração estava apertado por vê-la assim. "Jamais irei apaixonar-me assim" Ouvimos uma batida na porta.
- Podemos ir?
Falou baixinho no ouvido de Mia, ela apenas concordou. Deixou ser levada. Entramos em um corolla preto. Passei o endereço. Fiquei surpresa com a interação delas. Elena mantinha Mia em seus braços de forma protetora, cantarolando em seu ouvido.
- Ela iria me pedir em casamento? - era tudo o que eu ouvi daquela narração.
Olhei para Manu, que desviou o olhar. Lúcia estava em silêncio.
- Vocês sabiam? - falei em um fio de voz.
- Ajudei a escolher as alianças. - Lúcia comentou.
- Por que não me disse nada?
- Você havia feito a sua escolha.
Tive que apoiar na parede, sentindo o peso da minha infeliz decisão. Daniele prosseguiu:
- Sempre incentivei Amélia nesse relacionamento estranho que vocês tinham, pois ela te amava demais. Eu pensava que fosse recíproco. - pausa - Como eu estava errada. Se ela sofreu durante todos esses anos, parte dessa culpa é minha! - lamentou.
- O que foi que eu fiz?! - sentia o chão sumir.
- Deixou a sua vida ser guiada pela opinião alheia, pelo medo, e pelo egoísmo, invés de lutar e entregar-se para alguém que só te amou.
- Eu mudei... - respondi angustiada.
- Será mesmo? Sinceramente eu não acredito, e com certeza ela também não.
- Daniele, por favor...- Manu pediu.
- Ora Manuela, por favor digo eu! Até quando vão passar a mão na cabeça dela? - falou irritada.
- Você está certa. - concordei.
- Como disse? - olhou-me confusa.
- Absolutamente certa! - encarei o seu olhar - Achei que eu podia ir levando a vida que tinhamos por medo de encarar a verdade, por medo que fôssemos agredidas novamente, por medo de perdê-la em alguma violência de pessoas doentes que acham que a nossa felicidade corrompe o mundo! - respirei fundo - Mas, a minha covardia que afastou ela de mim.
- É um pouco tarde para lamentar.
Fiquei ereta, encarando-a. "Não vou desistir!"
- Não irei mais. Vou trazer de volta o que é meu!
- Boa sorte... - sorriu com ironia - Pois vai precisar! - ficando séria.
- Daniele podemos conversar? - Lúcia chamou.
- Claro. - saiu, deixando-me pensando.
***
Amélia
Havíamos tomado banho juntas, e agora estávamos deitadas em sua cama. Elena fazia cafuné em meus cabelos, eu permanecia em seu colo.
- Ela é muito bonita. - comentou.
- É sim - falei sem interesse.
- Se eu soubesse que vocês se encontrariam, não teria liberado os dois dias que pediu com a sua amiga.
- Está com ciúmes? - provoquei.
- Não deveria estar?
- Esther é passado.
- Que permanece presente! - retrucou.
Levantei a cabeça, encontrando com aquele tom mel esverdeado, totalmente aborrecido. Fiz carinho em sua face, trazendo para um beijo demorado.
- É com você que eu quero estar! - falei entre seus lábios.
Estreitou os olhos em desafio, arqueando a sobrancelha.
- Então demonstre! - mordiscou o meu lábio.
Suspirei diante do desejo em seu olhar. Sorri beijando a sua boca, virando o meu corpo. Puxei devagar o lençol que a cobria, expondo a sua nudez. Esfreguei o meu rosto no seu, em uma carícia. Elena fechou os olhos, entregando-se. Retirei o roupão, ficando entre as suas pernas. As suas mãos envolveram o meu corpo, pedindo por mais contato. Distribui beijos molhados por seu pescoço, ela levantava dando mais acesso. Iniciei um rebol*do lento, sentindo o contato dos nossos sex*s. Elena suspirava diante de minhas carícias arranhando as minhas costas. Fiz caminho até os seus seios, envolvendo ora um ora outro com a minha boca. Suas unhas marcavam a minha pele, abriu mais as suas pernas, sorri com a sua antecipação. Deixei uma trilha molhada por toda extensão até chegar ao seu sex*. Aspirei o seu perfume de fêmea. Brinquei com seu clit*ris predendo-o entre os meus lábios, passando a pontinha da língua ao mesmo tempo que a penetrava devagar. Era delicioso vê-la se contorcer de tesão com a leve pressão que eu fazia. Abocanhei, ch*pando-o do jeito que ela gostava. Seu gemido preencheu o quarto. Envolvi a sua cintura, puxando para dar mais contato. Minha mão subiu até o seu seio massageando-o, enquanto aumentei o ritmo da penetração. Suas unhas arranhavam meu pescoço, e ombros. Elena adorava me marcar. Deixei minha língua explorando toda a sua abertura, lambendo devagar, antes de voltar a ch*pá-la. Enrolou os meus cabelos em sua mão, rebol*ndo em minha boca. O gozo veio forte, fazendo seu corpo tombar na cama. Ainda respirando ofegante, mantinha a mão em meus cabelos puxando para si, encontrei com a sua boca. O seu beijo era possessivo, selvagem.
- Ai! - gemi pela dor.
- Doeu, é? - sorriu safada, mordendo meu lábio - Assim está gostoso? - diminuiu a pressão.
- Sim... - adorava o jeito que ela conduzia.
Elena virou nossos corpos, ficando por cima. A loira possuía um brilho perigoso no olhar. Mordeu meu ombro, deixando uma leve marquinha dos seus dentes. Beijou meu lóbulo, sussurrando em meu ouvido:
- Quem ela pensa que é? - tocou-me - Depois de tantos anos - iniciou uma massagem em meu clit*ris - Acha que tem direito de vir reivindicar o que é meu? - Arfeei quando penetrou-me fundo - Ela não faz ideia de com quem está lidando! - disse entre dentes.
- Elenaaa... - sua boca abocanhou meu sex* com gula.
Viramos o dia naquele quarto, fazendo... amor?
Desde do dia em que nos reencontramos, Elena havia deixado a sua marca em mim.
"Noite fria!" Esfreguei as minhas mãos procurando aquecê-las, enquanto esperava a condução. Coloquei os meus fones, distraída não percebi uma moça chamando-me.
- Com licença - tocou meu ombro.
- Oi! - assustei.
- Desculpe-me, não quis assustá-la. - sorriu simpática.
- Tudo bem! - observei melhor as suas feições - Posso ajudá-la?
- Na verdade eu nunca peguei a condução daqui, tive um probleminha com o meu carro... Enfim, sabe qual eu posso pegar para ir ao centro?
- Estou aguardando ele! - olhei o relógio - Daqui a pouco deve passar.
- Obrigada.
- Disponha. - Sorrimos, ela ficou ao meu lado.
Olhei de soslaio para aquela estranha, não consegui deixar de sorrir.
- Desculpe mas, eu te conheço? - o seu cheiro, a sua voz, e seu perfume estavam deixando-me inebriada.
- Talvez de seus sonhos... - sorriu - Elena Mertens - estendeu sua mão.
- Amélia Montenegro. - aceitei o gesto.
Um arrepio percorreu os nossos corpos, os nossos olhos sorriram.
“Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba. (Por Enquanto)”
Renato Russo
Continua...
Fim do capítulo
Meninas disponibilizei duas fotos de como eu vejo Mia e Esther, pra quem tiver curiosidade o link:
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Mika
Em: 22/12/2015
Vai contudo Esthezinha, to do teu lado amiga...
recupera essa morena e da uma rasteira nessa Elena, se precisar de ajuda tamo ai!
To começando a ficar com dó de Esther,
espero que o amor prevaleça no coração de Mia e elas fiquem juntas logo,
pois sofro de verdade junto com o personagem!!
bjos
Resposta do autor em 22/12/2015:
Falo nada, só observo rs
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lia-andrade
Em: 21/12/2015
Capítulo perfeito, cada vez mais me encanto com a história.
A cada capítulo vejo que a coisa está ficando mais complicada para Esther, precisará de muitas coragem para seguir e requisita a sua morena. Já estou até com pena dela. Elena me pareceu uma pessoa maravilhosa,porém, mostrou a que veio e não vai deixar Mia tão fácil. E sem dúvida será mais um problema para Estherzinha.
Beijão, ótima noite. Aguardando ansiosa o próximo.
Resposta do autor em 21/12/2015:
Rsrsrs isso vai render
Até o próximo capítulo ;)
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Ana_Clara
Em: 21/12/2015
Caraca, este capítulo me deixou confusa! De início fiquei realmente chateada com a Esther, de ler tudo o que a Mia já sofreu por ela. Fiquei depois com dó de ver o sofrimento atual e de como ela ainda vai sofrer para conquistar a nossa morena. E gente, essa Elena é linda, um grande empecilho no caminho da Estherzinha. E fiquei tbem muito feliz em saber o quão fiel é a Dani. Estava com medo de me surpreender para o lado negativo com ela, mas ela realmente ama a Mia. Eita que o bicho vai pegar, a Esther Está ferrada!
Resposta do autor em 21/12/2015:
Elena é maravilhosa rsrs adoro esse nome! Dani ♥
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