Capítulo 14
Amélia
- Eu te amo.
Já não havia barreiras, apenas entrega mútua. Quis transmitir atráves daquele beijo todo o amor que estava guardado, sufocado a meses. Toquei o seu rosto, aprofundando. Seus braços envolveram o meu pescoço, enquanto as minhas mãos abraçaram a sua cintura. Ficamos alguns minutos apenas sentindo. Aos poucos diminui o ritmo, dando espaço para ela respirar. Rocei o meu rosto no seu. Devagar abriu os olhos, meu coração disparou em ansiedade. Engoli seco, não fazia ideia qual seria a sua reação. Não soube definir o seu olhar, mas imaginei a confusão que deveria estar sentindo.
- Você está bem?
Nada disse. Fez carinho em minha face, abraçando-me forte. Arrepiei sentindo a sua respiração em meu pescoço, retibrui o abraço.
- Meninas? - Ouvimos mamãe chamar - Está tudo bem?
- Está sim mãe! Já iremos descer. Só precisamos de um tempinho.
- Não precisa filha. Irei levar as garotas para casa.
- Obrigada.
Senti as suas lágrimas em meu pescoço, e o seu soluço. Deixei que chorasse, engolindo a minha própria vontade. A fiz deitar em minha cama, abraçando-a por trás. Cantarolei em seu ouvido até acalmá-la. Adormeceu, beijei sua face e pajeei o seu sono. Tentei manter a calma, e por meus pensamentos em ordem devido aos últimos acontecimentos. "Eu te amo" Meu coração disparava cada vez que sua voz ecoava em meu ouvido. "Ela vai embora" Só lembrar disso que ele parecia explodir. "O que eu faço, meu Deus?" Seu corpo ficou agitado. Abracei forte, entrelaçando nossos dedos.
- Nã...não... - choramingou, tendo pesadelo.
- Shhh... Estou aqui - Sussurrei em seu ouvido - Ficara tudo bem, amor. - Assustei com o que eu disse, mas pareceu surtir efeito.
Esther estava ficando quente, e respirava um pouco ofegante. Fiquei preocupada, mamãe ainda não havia chegado de certo estava nos dando espaço. Sai do abraço com cuidado, abri um pouco a janela para ventilar. Fui até o banheiro e umedeci uma toalha, passando em seu rosto. Seus olhos tremeram, despertando aos poucos. Toquei o seu rosto com extremo carinho. Mas tive receio de causar outra crise de choro. Ficamos assim por um momento, em silêncio.
- Eu vou sentir tanto a sua falta. - sua voz estava abafada.
Sorri, segurando as lágrimas que teimavam em cair. Peguei sua mão, beijando-a.
- Não mais do que eu.
- Mia... - interrompi.
- Não diz nada, não precisa... - Aceitei a sua decisão - Eu sempre irei te amar.
Sentou na cama, secando as minhas lágrimas. Beijando o meu rosto.
- Quanto tempo teremos?
- Talvez dois meses - respondeu triste.
Não houve promessas, somente uma única pergunta.
- Então deixa eu tornar esses dois meses os melhores de nossas vidas?
Sorriu, puxando o meu rosto. Olhou a minha boca, meu o pedido foi aceito por seu beijo tímido.
***
- Dani... - Não sabia o que dizer.
- Eu sei Mia, não precisa fazer essa cara. - Abraçou-me forte - Sinceridade sempre, lembra? - Falou em meu ouvido.
- Obrigada. - Sorrimos.
***
- Olha, lá! - Manu, fofocou - Finalmente o Gustavo vai falar com a Esther.
Pressionei as minhas mandíbulas. "Essa garotada não dá sossego!" Dani sorria, pedindo calma. Aproximei por instinto. O suficiente para ouvi-los.
- Parece que a sua agenda está mesmo cheia. - Sorriu.
- Oi?! - Estava distraída lendo um livro.
- Cinema. Encontro. Ficou de pensar a respeito.
- Ah! - Avistou-me atrás dele - Realmente, está lotada! - Sorriu simpática.
- E não tem nenhuma brechinha para mim? - Insistiu.
- Olha, sinceramente... - Fez carinha inconsolável - A situação está tão complicada, que tive que comprar outra. Para você ver como nós mulheres estamos cheias de compromissos. - Fingia lamentar.
Finalmente se tocou, dando uma desculpa qualquer e saindo. Segurei o riso, cruzando os meus braços encostando na parede. Fiz cara de paisagem, enquanto ela aproximou sorrindo.
- Espionando? - Perguntou sem interesse.
- Eu? Imagina! Apenas quis conferir os compromissos da senhorita para agora.
- Dependendo da urgência, posso até abrir um brechinha. - Entrou na brincadeira.
- Hmmm - pensei, olhei para o relógio - Podemos considerar uma situação de urgência já que fazem três horas que eu não beijo a senhorita? - Confidenciei.
- Tudo isso?? - Olhou assustada - Isso é uma situação extrema urgência! Na qual acarretara sérias consequências se não for feito algo agora! - Demonstrou preocupação.
- Concordo plenamente! - Sorri de lado - Atrás da quadra? - Mordi o meu lábio.
- Só se for agora! - Sem desviar o olhar da minha boca.
***
Estávamos saindo da sorveteira, depois de tanto insistir fui assistir o tal filme do bruxo com Esther. Confesso que foi muito bom. Levei a colherzinha até a sua boca fazendo aviãozinho, lambuzando os seus lábios. Eu estava louca para beijar aquela boca. Ela fugia, conhecendo o meu olhar.
- Nem me olhe assim! - Sorriu, limpando a boca.
- Poxa que desperdício amor! - Ela olhou surpresa. E eu fiquei sem graça. "Que mancada Amélia!"
- Repete? - Pediu.
- Ah, não me sacaneia Esther... Falei sem querer - Estava ficando roxa de vergonha.
Ela tinha um sorriso bobo, e eu nem sabia onde enfiar a minha cara. Abraçou-me forte, sussurrando em meu ouvido:
- Você também é o meu amor. - Beijou perto da minha boca.
Meu coração batia tão forte, sorrimos.
- SAPATÃO!! - ouvimos berros.
O homem estava descontrolado. Puxava o braço da jovem com violência. Ela chorava, pedindo desculpas. Reconheci. Bruna! Corri até eles. As pessoas estavam assustadas pela fúria do homem, que parecia embriagado. Notei outra garota que pressionava o rosto, estava sangrando.
- VOU ENSINÁ-LA O QUE A IMBECIL DA SUA MÃE NÃO FOI CAPAZ! - Jogou ela na calçada, e enquanto tentava retirar o cinto. - FILHA MINHA NÃO VAI PRO INFERNO POR SER PECAMINOSA!- Guspia as palavras.
-FAÇAM ALGUMA COISA! - Desesperei-me tamanho a inércia das pessoas diante da situação.
- SAI DA FRENTE! - Esther ficou na frente de Bruna, tentando proteger seu corpo já machucado - ENTÃO VOCÊ VAI APANHAR JUNTO COM ESSE LIXO!
Entrei na frente bloqueando a cintada com o meu braço. Esther gritou assustada, despertando os demais. Senti a ardência em meu braço, e costas. Dois vizinhos correram, segurando o homem o máximo possível. Ele berrava plaguejando, e recintando trechos da Bíblia.
- Não te deitarás com um homem como se deita com uma mulher. Isso é abominável!
Não estava acreditando naquilo tudo. Eu estava segurando o meu braço, doia muito. Logo a polícia chegou, e o homem foi detido, porém percebendo como Esther estava cuidadosa comigo, gritou conosco.
- VOCÊS TAMBÉM SÃO? - Falava com ira - OUTRAS DUAS ABERRAÇÕES?!
- Não! - Esther, disse chorando - Nós... nós.. - olhou-me - Somos irmãs!
***
Esther
- Eu sinto muito! - Escondi meu rosto em seu pescoço - Eu fique com tanto medo!
- Shhh... calma, já passou.
Quando vi Bruna deitava no chão chorando, pedindo perdão e Mia entrando em nossa frente bloqueando o golpe, fiquei desesperada. "Como as pessoas podem ser tão monstruosas?" Descobrimos que não havia sido a primeira vez que ela sofria esse tipo de violência. Sua mãe e suas irmãs sofriam constantemente violência doméstica. Lúcia queria matar o cretino. Tio Henrique entrou com um processo contra ele, sendo feito o habeas corpus. Bruna, e a garota tiveram os seus ferimentos cuidados, e Mia por ter recebido um golpe tão forte, teve luxação no pulso.
- Ela já foi medicada amor, agora só acordara amanhã - Tia Lúcia falou baixinho, acariciando o rosto adormecido.
Mia dormia profundamente. Seu pulso estava imobilizado.
- Fiquei com tanto medo! - minha voz embargou - Por que as pessoas ficaram paradas? Mia precisou se expor para alguém tomar alguma atitude.
Tia Lúcia envolveu-me em um abraço protetor.
- Mia tem um forte instinto de proteção... Sempre teve. - Suspirou - Existem pessoas que parecem apreciar a desgraça alheia, somente olham sem tomar qualquer atitude - Beijou a minha testa - Mas também existem pessoas como você, e Mia. Que ultrapassam os seus instintos para proteger o próximo.
- Eu não fiz nada...
- Fez sim! Colocou seu próprio bem estar em risco para proteger aquela menina, que se bem me lembro chegou a persegui-la. - Tocou o meu rosto - Você é mais forte, e corajosa do que pensa meu amor. Dian estaria orgulhosa. - Sorriu.
Passei os últimos dois meses tão bem com Mia, que esqueci completamente a história do colar. Antes dela sair do quarto, queria a verdade.
- Tia Lúcia...
- Sim?
- Foi você, não foi? - Mostrei o pingente.
Olhou o objeto, encarando-me. Assentiu discretamente.
- Por que nunca disse a verdade? - Procurei ser forte.
- Nunca houve necessidade. - Sorriu triste - Você parecia feliz em sua própria fantasia. - Nunca tinha visto tamanha dor em seu olhar.
- Eu tinha o direito de saber!
- A minha história com Dian, não pertence a você. - Saiu.
Sentei na beirada da cama, pegando o porta-retrato de mamãe. Toquei a fotografia com carinho. Estávamos sorrindo, dando um beijinho esquimó. Sentia o calor das minhas lágrimas. "Queria você aqui!"
- Estrelinha - voz arrastada.
Aproximei, acendi o abajur ao seu lado.
- Estou aqui gatinha. - Tentei sorrir.
- Chora não... Na próxima vez eu dou.. uma surra..naquele...
- Shhhh... Tenta dormir sua briguenta. - Pedi carinhosamente.
- Dá colinho? - Fez um biquinho lindo.
Beijei com carinho sua boca, deitando ao seu lado. Ela tomou posse do colo, sorri fazendo cafuné. Ouvi ela sussurrar antes de apagar.
- Nunc...deixarei alg..uém te mac...huc..ar.
***
- A gente se vê - Abraçou-me forte.
- Sempre! - Acreditei na minha própria promessa.
Olhei mais uma vez para elas, o meu coração doia tanto que por um momento achei que minhas pernas travaram no chão. Papai acolheu-me, guiando para dentro do avião.
***
Amélia
Estava tão cansada. Abri a porta do apartamento, entrei deixando a minha bolsa no aparador junto com as minhas chaves. Acendi a luz da sala e fui até a cozinha, tirando a minha camisa e sapatos pelo caminho. Peguei uma cerveja long neck. Minha secretária eletrônica estava piscando.
- Você tem quatro novas mensagens. - voz eletrônica.
Respirei fundo, deitando no sofá. "Dia longo" Bip. Primeira mensagem.
- Oi filha! Liguei para você, mas o seu celular deve ter descarregado. Me liga para confirmarmos o nosso almoço. Já marquei uma hora para nós no salão. Beijos, te amo!
Bebi um longo gole. "Preciso organizar a minha agenda". Bip. Segunda mensagem.
- Ei, morena fatal! A galera está planejando ir na balada amanhã. Você vem, né? É bom vir, ou faço um acampamento na sua porta! - Manu brincou - Sério, gata! Estamos com saudades. A vida não foi feita só de estudos e algumas pegações casuais... Okay, Okay... muitas pegações! - riu - Até por que as garotas não param de me infernar querendo saber de você, pode isso? Não sou a sua secretária não ein! Tu me respeita, que eu não sou as suas negas! - Fechei meus olhos, sorrindo - Enfim, Daniele pegou alguns dias de folga. Vai ser legal nos reunirmos, mesmo que seja só nós três... Beijos nessa boca gostosa! Tenha sonhos eróticos comigo! - riu, finalizando a mensagem.
Nesse momento, a porta do meu quarto abriu iluminando todo o corredor. Espreguiçou, encostando na parede.
- Manu não sabe que você chegou ontem? - observei a sua carinha de sono.
- Não. Preciso de um dia de paz, antes de cair na gandaia com aquela doida - bocejou - Dia cheio? - aproximou sentando em meu colo.
- Muito! - ofereci a bebida, que foi aceita - A preparação do TCC, o estágio, tudo está muito corrido. Meu orientador é um porre. - fiz carinho em sua perna.
Bip. Terceira mensagem.
- Ahhh, mas uma coisa! Fala para essa loira trairá mandar sms avisando se chegou bem. - sorrimos - Sei que vocês devem estar fazendo sex* selvagem ai, e tudo mais... Ótimo isso, mas é feio deixar a minha pessoa preocupada! Você não me engana não, viu loirão! Vejo vocês na balada!
Rimos. Manuela parecia adivinhar as coisas. Daniele avisou-me assim que chegou, e fui buscá-la no aeroporto. Apesar de não estarmos mais namorando, sempre que podíamos a gente curtia, e dessa vez não foi diferente.
- Essa guria não toma jeito.
- Mas ela deu uma ótima ideia. - sorriu maliciosa - A não ser que você esteja muito cansada? - Desafiou roçando sua boca na minha.
- Pra você? Nunca! - trocamos um beijo quente.
- Vou preparar o nosso banho. - levantou tirando a blusa, expondo toda a sua nudez. Sorriu indo para o quarto.
Tomei o último gole da cerveja, tirei a minha calça e fui atrás dela, ignorando a última mensagem.
- Oi... é difícil falar com você. Cheguei hoje ao Rio, assim que eu resolver algumas coisas, vou para São Paulo. - silêncio - Sei que fui ausente nos últimos anos, pouco nos vimos. Quero quebrar essa barreira que se ergueu entre nós... Preciso te ver! Sei que não tenho direito de exigir nada, eu sei... Mas sinto tanto a sua falta. - pausa - Preciso de você, Mia. Espero continuar sendo a sua estrela guia. Te vejo em breve. Te amo. - fim da mensagem.
“Feliz ou não, a lei da vida é seguir em frente com a cabeça erguida.”
Renato Russo
Continua...
Fim do capítulo
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Runezinha
Em: 14/06/2018
Essa peste volta depois de anos!!!
Nem a SemiDeusa(Dani) conseguem contra a aspirante a demonia (Esther)!
Serio isso ! Maldade!! Meu coração fica como...
Curiosa principalmente para saber o que ouve com Lucia e a Arcanja (Dian), pode nao pertencer a Esther mais ne ne nos merecemos saber!!!
Resposta do autor:
kkkk aspirante a demonia kkkk
Ana_Clara
Em: 10/12/2015
Pelo visto a amizade das duas deu uma grande esfriada, mas os verdadeiros amigos ficaram. Por isso eu digo, amo a Dani e sou completamente fã da Manu. E parece que a Esther está retornando para colocar a vida da Mia de cabeça pra baixo. Complicado!
Resposta do autor em 10/12/2015:
Rsrs a disputa entre torcidas está acirrada ein rsrsrs
Preparem o coraçãozinho, tudo o que eu digo rs
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Mika
Em: 08/12/2015
Ai que emoção...
Querida autora, acho que vc não tem noção do quanto sua história é maravilhosa, intensa e ao mesmo tempo de uma sensibilidade louvável!
Não demore postar novamente, please!!!
Anciosa... 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Resposta do autor em 08/12/2015:
Olha, confesso que reescrevi todo o capítulo com exceção a passagem de tempo, justamente por conta das reações de vcs rsrs A cada comentário eu percebo que estou indo pelo caminho certo. Eu que agradeço todo o carinho, e entusiasmo de vcs ;)
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MariaTK
Em: 08/12/2015
O meu deus(Que no caso é U.R.I) Como é possível ficar cada vez melhor!? É serio, sua historia é maravilhosa!
Então Pelo Divina e Sagrada Religião Unicórnio Rosa Invisível, quero que você seja abençoada com muita espiração!
#Amém!
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Resposta do autor em 08/12/2015:
HAHAHAHHAHA Muito obrigada! Agradeço imensamente o carinho, vcs m inspiram ;)
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