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Decifra-me ou Devoro-te por KFSilver

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Capítulo 8

Amélia

Respirei fundo, indo ao seu encontro. Deixei o meu material sobre a mesa, sentando no sofá. Mamãe estava séria, sabia que a diretora havia ligado e contado sobre a briga.

- O que aconteceu com o voto de confiança que dei a você? - Questionou, terminando de beber o seu café.
- Ela machucou, Esther! - Tentei justificar.
- Esther começou a briga? - Olhou ligeiramente surpresa.

A sua calma, estava me deixando nervosa.

- Ela apenas empurrou aquela... - Parei a frase, sobre seu olhar reprovador - Sim! Eu só quis protegê-la! - Engoli seco.
- Gerando mais agressões! - Negou com à cabeça - Amélia, quantas vezes eu disse, que brigar não leva a lugar algum! - Levantou, indo até a janela.
- Eu perdi a calma. - Confessei, cabisbaixa.
- Você?? - Olhou-me de relance - Você que sempre demonstrou muito autocontrole, ao sofrer provocações de Eduardo!? - Suspirou - Afinal, o que essa menina fez para que, até Esther, se metesse nisso? - Franziu a testa.
- Fez insinuações... - Falei num fio de voz.
- De que tipo? - Perguntou, voltando-se para a janela.
- Incesto. - Confessei, não consegui mentir.

Senti o seu olhar, mantive à cabeça baixa, envergonhada. O nó aumentava em minha garganta, sentia-me sufocada. Mamãe sempre foi a minha melhor amiga e confidente, e não poder dizer tudo à ela, estava me matando aos poucos.

- Como é que é? - Falou irritada - Quem essa pirralha pensa que é, para dizer um absurdo desses?! - Pensou - Segundo a diretora, tudo foi apenas um desentendimento desportivo! - Observou.
- Bruna mentiu! - Falei, sem encarar o seu olhar.
- Por que você não falou a verdade? - Franzia o cenho.

"O que eu faço?". Titubeei na resposta.

- Por que Amélia? - Insistiu.
- Eu não queria que a escola inteira ficasse sabendo! - Senti a minha voz embargar.
- Filha? - Aproximou - O que você não está me contando? - Falou suavemente.

Tocou o meu rosto, erguendo o meu queixo para encará-la. Não consegui mais segurar as minhas lágrimas.

- Eu não posso! Eu não posso! - Repeti várias, vezes sem me dar conta, que falava em voz alta.
- O que você não pode? - Questionou preocupada.

Agindo por impulso, levantei rapidamente e corri para o meu quarto. Joguei-me na cama, mamãe veio logo atrás, fechando a porta. Ela ficou parada no meio do quarto.

- Amélia, estou cansada das suas mudanças de humor, seja lá, o que estiver acontecendo, fale agora! - Exigiu.
- Me perdoa mamãe... - O aperto em meu peito, era forte demais - Eu juro que não tive intenção! - Confessei sufocada.
- Não teve intenção do quê, Amélia? - Olhou confusa - Meu amor, me conte o que houve! - Aproximou, agachando na minha frente - Fala para mim, por favor? - Pediu, acariciando o meu rosto.

Apertei forte as mandíbulas, tentando sufocar o pranto, que estava prestes a romper.

- Eu a amo... - Solucei, apertando os olhos.
- Quem? - Olhou confusa apenas um instante, antes de se dar conta - Esther? - Havia hesitação em sua voz.

Assenti. Engoliu seco, levantando-se. Tocou o pescoço, virando de costas para mim, o que me fez sentir ainda pior, com a rejeição. Apertei forte o travesseiro em meus braços, sufocando os meus soluços. Mamãe foi até a cômoda de Esther, pegando o porta-retratos; era uma foto de Diana com Esther, ainda bebê, em seu colo.

- Mas, eu criei vocês como irmãs... - Sussurrou.

Aquela era a mais dura realidade.

- Sinto muito... - Foi tudo o que eu disse, antes de deixar o pranto vir forte.

Jamais desejei aquele sentimento, ainda mais por Esther, porque sempre fomos tratadas como irmãs. O medo de me tornar uma ofensa para minha mãe, acabou com qualquer estrutura emocional que eu possuía no momento. Chorei como nunca, até sentir o seus braços fortes, acolhendo o meu corpo.

- Calma amor, estou aqui! - Sentou-se ao meu lado, puxando-me para o seu colo.

Chorei tudo o que estava guardado. Aos poucos fui acalmando, sentindo o seu cafuné. Meu olhar era vago, ouvi ela cantando uma antiga cantiga de ninar. Adormeci. Acordei sozinha no quarto. Chamei pela minha mãe, silêncio. Minha cabeça estava querendo doer, aproveitei e fui tomar uma ducha. Ouvi a voz de Eduardo e do meu pai, conversando na cozinha. Gelei. "Será que mamãe falou para eles?". Fiquei tensa.

Encontrei com eles, estavam preparando um lanche.

- Olha, a bela adormecida! - Provocou - Assim ta fácil ganhar a vida! - Abocanhou, o seu lanche.
- Deixe ela, Eduardo! Se você dedicasse ao estudo, tanto quanto tem tempo para provocá-la, não estaria correndo risco de pegar DP na faculdade! - Recrutou, sério.

Eduardo, abaixou os olhos, envergonhado.

- Cadê a mamãe? - Perguntei com receio.
- Ela me ligou, disse que você estava um pouco indisposta hoje e não deveríamos acordá-la. - Conferiu a minha temperatura - Você melhorou, filha? - Olhou preocupado.
- Mas, cadê ela? - Insisti.
- Foi terminar o balanço da loja. Hoje ela chegara mais tarde. - Acariciou o meu rosto.

Olhei perdida, sem saber o que esperar quando ela chegasse em casa.

- Precisa comer algo, filha!
- Estou sem fome. - Senti, como se uma mão apertasse o meu estômago.
- Essa é nova! - Eduardo, riu.
- Vou preparar algo para você. Deite um pouco no sofá, daqui a pouco, eu te chamo!

Fiz o que pediu, ignorando as provocações de Eduardo. Na verdade, nem senti o sabor do lanche, apenas comi para não deixá-lo mais preocupado. Fiquei vendo TV com eles, tentando distrair a mente, aguardando a chegada dela. Ouvi a porta abrindo. Edu, foi receber a minha mãe. Ajudou, levando algumas sacolas para cozinha. Fui atrás e travei na porta, temendo a sua reação.

- Vai ficar parada só olhando, pirralha? - Guardava os frios, na geladeira.
- Eduardo! - Ralhou - Venha filha, comprei algo para você! - Sorriu suavemente.

Aproximei e peguei o embrulho. Abri com cuidado. Era um diário. Folhei e havia uma frase:

“Os pais somente podem dar bons conselhos e indicar bons caminhos, mas a formação final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos.” 

Anne Frank

Com amor, mamãe!

 

- Eu não sei o que faço! - Encarei, o seu olhar amoroso.
- Então, vamos descobrir juntas! - Sorriu serena - Eu te amo, filha! - Me envolveu em um abraço protetor.

Não fazia ideia de como agiria dali para frente com Esther, mas, ter o apoio da minha mãe, era a melhor coisa do mundo!

***

Depois daquele dia, prometi à ela que sempre a procuraria, quando não soubesse o que fazer, ou, como agir. Falava que juntas, descobriríamos, como dar um jeito em qualquer situação! Confesso, fiquei revigorada. "Tenho a melhor mãe do mundo!". Usava isso, para provocar Eduardo. Afinal, às vezes, a mãe dele era bem chata.

- Você está mais leve. - Observou, Daniele.

Estávamos terminando de treinar na quadra, era aula de Educação física.

- Estou! - Concordei sorrindo.
- Quer conversar a respeito? - Perguntou.

Dani tocou a minha mão, acho que pela adrenalina, levamos um choque. Sorrimos. Nesse momento, vi Bruna passando por Esther, que estava lendo um livro, trombando de propósito com ela. Pediu desculpas sorrindo e entrou no vestiário. Manuela xingou ela, ajudando Esther a recolher o livro e as suas anotações. Sai no meio da partida, com Daniele pedindo tempo, correndo atrás de mim.

Encontrei Bruna, distraída, guardando as suas coisas no armário. Avancei sobre ela, jogando-a contra a parede, pressionei o meu braço em sua traqueia. Ela olhava assustada. Tentou me empurrar, mas a pressão que fiz, era maior.

- Escuta bem, o que eu vou dizer! - Aproximei, o meu rosto - Não sei que tipo de plano ordinário, que você e a treinadora, estão envolvidas! - Abaixei o meu tom - Mas, se você ousar, aproximar de Esther, ou relar um dedo sequer nela; novamente. Eu juro por Deus! Que não haverá, Daniele, ou alguma outra pessoa para te ajudar! - Falei enraivecida.

O seu rosto estava ficando vermelho, ignorei, o que Daniele dizia. O meu assunto era somente com ela.

- Estamos entendidas? - Vociferei.
- Estam... estamos! - Afrouxei a pressão.
- Assim, eu espero! - Afastei, encarando-a um instante.

Sai, deixando ela ser acolhida por Daniele.

- Essa garota é louca? - Colocou a mão no pescoço, em busca de ar.
- Louca é você! Por se meter com quem não devia! - A loira olhava assustada.

Pedi um tempo para o treinador, estava com à cabeça quente, e queria descansar um pouco. Ele concordou, finalizando o treino. Daniele apareceu logo em seguida, vi a Bruna saindo do vestiário. Sorri contida, vendo ela dar a volta na quadra, para desencontrar com Esther. Dani parou na minha frente, olhando-me séria.

- Que foi? - Bebi água, ignorando, o olhar reprovador.
- Acredito que já passou da hora de conversamos! - Aproximou.
- Sobre? - Me fiz de desentendida.
- Esther! - Sorriu, conseguindo a minha atenção.

Estreitei os meus olhos, vendo ela recolher as suas coisas e indo se trocar.

***

Estávamos em sua casa, liguei para minha mãe, avisando que iria passar a tarde com Dani, pois iríamos nos preparar para o torneio. Retornei para o seu quarto, já havíamos almoçado. A mãe de Daniele, era professora na pré-escola. Tão loira quanto a filha, Fernanda, era uma pessoa doce, atenciosa, mas reservada. Ajudei organizar tudo, tranquilizando-a para poder voltar a preparar a aula para os seus alunos. "Crianças de sorte!". Pensei.

- A sua mãe é tão de boa! - Comentei.
- É, sim! - Arrumando a cômoda de livros.
- Vou fazer higiene... - Tentei ganhar tempo.
- Pode ir, eu te espero! - Sentou na cama, abrindo um livro.

"Pelo visto é a semana do interrogatório!". Pensei amargurada.

- Vem, senta aqui! - Bateu na cama, assim que eu retornei.
- O que você quer saber, Dani? - Falei sem rodeios.
- O que você sente por Esther? - Daniele era assim, rebatia na lata.

Estava tentando entender, o sentido daquela pergunta.

- Não é óbvio? - Disfarcei.
- Acho que até demais. - Retrucou.
- Seja direta, Daniele! - Fiquei na defensiva, cruzando os braços.
- Mais direta que ter a certeza, que você a ama, porém, não admite? - Argumentou em desafio.
- Nunca neguei que a amo! - Levantei nervosa.
- Você sabe bem do que eu estou falando! - Falou ligeiramente, impaciente.

"Estou dando tanta bandeira assim?". Suspirei, passando as minhas mãos em meus cabelos, num gesto nervoso.

- Sim, eu a amo! - Encarei - Mas, é um amor impuro! Eu jamais poderia ter deixado acontecer! - Emendei rapidamente.
- Por que? - Questionou calmamente.
- Como porque Daniele?! - Olhei desnorteada - Ela é minha... - Pausa - Irmã! - Falei num fio de voz.
- Que bobagem, Mia! Vocês podem até ter sido criadas juntas, mas não tem o mesmo sangue!
- Esqueceu o significado da palavra incesto? - Peguei o dicionário - Incesto do latim (incestum) s.m. União sexual ilícita entre parentes consanguíneos ou afins. Relação sexual entre parentes, entre pais e filhos, entre irmãos (consanguíneos ou adotivos) - Bruna, está certa! - Os meus olhos arderam, segurei à vontade de chorar.
- Mia... - Levantou, abraçando-me forte - Não deixe que ela deturpe o que você sente. - Falou suavemente.
- Não só por ela, Dani! Você não entende? - Mordisquei o meu lábio - Para Esther, eu sou e sempre serei, a irmã amada! - Murmurei.

Levou-me até a sua cama, mantendo-me em seu abraço protetor.

- Eu preciso esquecê-la! - Decretei - Preciso, antes que ela perceba e eu a perca de vez!

Ficamos abraçadas. Podia ler na expressão de Daniele, que não concordava com aquilo, mas seria o melhor a se fazer.

- Então... - Pensativa.

Olhei, esperando concluir a frase.

- O quê?
- Hmm... Então, você gosta de meninas e meninos? - Observava as minhas reações.

Arregalei os meus olhos, surpresa. Não esperava por aquela pergunta.

- Eu... eu, não sei! - Gaguejei - Quer dizer, nunca parei para pensar a respeito! - Disparei.
- Então, pense agora! - Sorriu.
- Por que é tão importante saber agora? - Questionei confusa.
- Você mesma, acabou de dizer que tem que esquecer Esther! Acredito que a melhor maneira, é se descobrindo com outra pessoa! - Retrucou.

Concordei. "Mas, com quem?"

- Você poderia tentar uma aproximação com algum garoto, para tirar a dúvida! - Sugeriu.

Fiz careta sem perceber.

- Esquece! A sua cara já diz tudo! Reformulando: Alguma menina! - Riu gostosamente.
- Mas, eu não falei nada! - Falei estupefata.
- E precisa?! Foi só eu sugerir uma aproximação com algum garoto, que você já fez careta! - Debochou divertida.

Estava se divertindo as minhas custas. Fechei o cenho, com falsa irritação.

- Para, Dani! Não fica me sacaneando! - Ri, empurrando-a - Não é isso, tá! - Recebi um olhar maldoso - Talvez! - Suspirei - Poxa, eu acabei de admitir que amo Esther! E não posso correr o risco de afastá-la de mim. - Abaixei os ombros - Eu só tinha olhos para ela, entende?
- Claro que sim! - Sorriu cúmplice - Lembra como eu também fiquei besta, por causa do Guilherme? Sei bem o que é isso! - Deu um ligeiro sorriso maroto.
- Ei! - Cutuquei - Para de me chamar de besta! - Franzi o cenho, aborrecida.
- Só estou dizendo que, não controlamos o que sentimos! E nem por quem nos apaixonamos! - Sorriu, dando de ombros.

Assenti. Nos olhamos um momento, e a provoquei.

- E você? - Sorri de lado.
- Eu, o quê? - Olhou confusa.
- Nunca ficou interessada em alguma garota? - Perguntei para sacanear.
- Eu... eu, não! - Gaguejou - Sou hétero convicta! - Corou.

Estreitei os olhos, peguei ela de surpresa, trazendo o seu rosto próximo ao meu, dando a entender que iria beijar a sua boca, mas desviei, beijando próximo à ela.

"A vingança é muito mais doce que o mel. Obrigada, Homero!". Sorri satisfeita, por deixar a loira envergonhada.

- Convicta, é? Sei! - Zombei, vingativa.
- Palhaça! - Riu nervosa - Você me pegou de surpresa! - Acusou.
- Viu como é bom sacanear a cara dos outros?! - Rimos.

"Mais uma aliada! Em quê? Eu, ainda iria descobrir!". Fiquei feliz, em poder contar com Daniele e com a minha mãe. Pelo menos, estava sendo aceita por elas. Mas, e Esther? Qual seria a sua reação se descobri-se? Divaguei por um instante, voltando atenção para a loira, que estava querendo discutir as nossas estratégias.

 

***

Os dias passavam, e eu, alternava em confidenciar as minhas angústias e medos com mamãe e Daniele, que geralmente aconteciam quando Manuela, falava pelos cotovelos sobre o tal encontro. Sei que não falava por mal, até porque, não fazia ideia da minha situação, mas estava empolgada com o que poderia acontecer.

"Esse, o que pode acontecer, é o que me mata!". Nesses momentos, eu contava com Daniele. Acabamos nos aproximando mais.


Estávamos sentadas na praça de alimentação do Shopping, tomando um sorvete. Esther estava atrás de um vestido. Manuela, passeava em outras lojas, procurando algo que a agradasse. Foram tantas, que Daniele e eu, desistimos de acompanhá-las.

- O que acha daquela garota, ali? - Indicou, discretamente com o queixo.

Olhei, era bonitinha; moreninha, e com um belo sorriso. Procurei algum defeito.

- Baixinha demais! - Menosprezei.
- Deixa de ser chata! Já é a sexta que você descarta! - Dani resmungou.
- Minha "cúpida", precisa reavaliar os dotes das moças, isso sim! - Desdenhei.
- Preciso que você deixe de ser cabeça dura, e vai atrás do que deseja! - Retrucou.
- Não começa, Daniele! - Ralhei, sabia que voltaríamos no assunto.
- Então, seja boazinha e vai falar com ela! - Enxotando-me da mesa.
- Tá, tá, calma! Ôxe! - Ajeitei as minhas roupas, jogando o cabelo pro lado.

"O que eu, estou fazendo?". Dei o meu melhor sorriso. Retornei para a mesa instantes depois, com a cara fechada.

- Mas já? - Olhou confusa - O que ela disse? - Perguntou curiosa.

Torci os meus lábios, sentando-me aborrecida, antes de dizer.

- Obrigada, pelas informações! Tenho que encontrar com o meu namorado! - Imitei a voz.

Daniele começou a rir, mais pela a minha cara enfezada do que pelo "fora".

- Não estou achando a menor graça! - Resmunguei, arqueando à sobrancelha.
- Não mandei você ter descartado todas as outras, viu! - Cutucou - Acho que foi pouco! - Disse maldosa.
- Ah, muito obrigada! Você está sendo de grande ajuda! - Falei mal humorada.
- Ownt, a morena ficou bravinha! - Pegou uma colherada do sorvete - Abre a boquinha, vai! - Fez aviãozinho - Me deixa adoçar o seu dia!

Daniele fez graça, tentando me fazer sorrir, mas na hora que aproximou a colher da minha boca, ouvimos Manuela, chamando. Por reflexo virei o meu rosto, sentindo a colherada de sorvete, melando a minha cara.

- Dani! - Olhei feio.
- Que culpa eu tenho, se você virou à cabeça que nem uma coruja? - Riu divertida.
- Da para você limpar? - Procurei por um porta guardanapo de mesa.
- Deixa de ser chata, Mia! Sujou uma coisinha de nada! - Sorriu marota.
- Não interessa! Cadê a porcaria do guardanapo? - Suspirei irritada.
- Ai, que coisa! Vem cá! - Pegou o meu rosto, lambendo a marquinha de chocolate.

Arrepiei inteira. Olhei para loira que mantinha o meu rosto em suas mãos, sorrindo com travessura. Soltando, assim que Manuela se aproximou.

- Até que fim! To morrendo de fome! - Sentou, largando as sacolas na outra cadeira - Já pediram? - Manuela perguntou.
- Não. - Limitei a dizer, olhando de soslaio para a loira.
- Cadê a Esther? - Perguntou, Dani, disfarçando o sorriso.
- Deve estar perdida por ai! - Manuela, tomou posse do pote - Ainda frio, que delícia! - Devorando o sorvete.
- Como a vingança... - Dani sussurrou, arqueando à sobrancelha em desafio.

"Filha da mãe! Vai ter volta!". Aquela loira estava brincando com fogo.

- Eu vou procurá-la! - Falei aborrecida, percebendo o ligeiro sorriso dela.

"Cachorra! Sabe que estou à flor da pele, por conta da Esther, e me sacaneia assim!". Esfreguei o meu rosto, tentando diminuir o arrepio que percorreu todo o meu corpo. De longe, vi a silhueta familiar, estava olhando algumas vidraças. Fiquei observando, assim que saiu, fui conferir o que era.

- Nada mal, estrelinha! - Sorri, sabendo o que daria à ela.

 

***

No dia seguinte, chamei Daniele e umas meninas para vermos o treino da classe de Bruna. As meninas estavam numa sintonia muito boa, mas a minha atenção estava voltada a Bruna. Ela possuía muita habilidade, dava bons dribles e passes precisos. No momento estava fazendo tabelinha com Letícia e Géssica, mas era a única que finalizava. As outras até tentavam, mas se errassem, Cássia as punia com o dobro de exercícios no final do treino. Por mais esforçadas que fossem as meninas, a treinadora, sempre pegava no pé de Bruna, a sua capitã.

"Ela acha que o time é feito apenas com uma jogadora!". Lamentei. Vi o suficiente, chamei as meninas para irmos embora, queria por em prática as nossas estratégias e trancar o avanço do outro time.

- Aline, troque passes com a Drica. - O treinador pediu.
- Vamos melhorar os nossos passes, galera! - Incentivei, começando um treino rápido com a Chris.

Daniele estava fazendo alongamentos com Marcelinha. O dia seria de muito treino. Em determinado momento, Esther chegou acompanhada de Manu, elas traziam algumas toalhas e garrafas de água. Ganhamos dez minutos de pausa para descansar. Dani foi chamada pelo treinador que mostrava onde poderíamos melhorar.

- Toma! Bem gelada, como você gosta! - Esther, ofereceu.
- Obrigada! - Beijei, o seu rosto em agradecimento.
- Eca! Você está toda suada! - Fez careta, implicando com o meu estado.
- Ué, gata! Você quer o quê? Olha esse sol! - Sorri, mostrando a minha pele bronzeada.
- Está quase no ponto! - Manu brincou.
- Mia! - Esther chamou.

Ela pegou a minha mochila, buscando o protetor solar.

- Vem cá, agora! - Falou séria.
- Que isso, mãe?! - Impliquei, no fundo adorando aquela preocupação.
- Sem essa! Venha! Vou passar o protetor em você! - Insistiu.
- Deixa de coisa, Esther! - Pensei rápido - Ainda tenho muito treino, não posso ficar parando por bobagem. - Desconversei.

"A última coisa que eu preciso, é de suas mãos em mim!". Fiquei tensa com a possibilidade.

- Amélia Montenegro! - Ralhou - Agora! - Cruzou os braços.

"Mas que baixinha teimosa!". Percebi as meninas nos olhando e rindo da cena. Estreitei os olhos, mandando recado. Começaram alongar, para voltar da pausa. Daniele observava, reagrupando.

- Esther, para de cena! Está parecendo a minha mãe! - Pedi.
- Me desculpe se preocupo com sua saúde! - Bufou - Quer saber? Se vira! - Jogou o protetor solar nas minhas mãos, saindo.
- Mas que garota abusada! - Suspirei irritada.

Joguei o protetor para Manuela, que estava tomando sol. Fui até onde estavam as meninas e recomeçamos o treino. Era difícil concentrar, sabendo que Esther, estava brava comigo. Quando deixei à bola passar por mim, pela terceira vez, Dani parou ao meu lado.

- Vai logo, fazer as pazes! - Tocou o meu braço - Antes que percamos o jogo! - Falou séria
- Por que eu? Ela que fez cena! - Resmunguei.
- O jogo é amanhã! Quer mesmo, deixar a Bruna levar a melhor por causa de orgulho?! - Argumentou.

Percebi o duplo sentido, o que me deixou mais irritada.

- Não! Argh! Inferno! - Chutei à bola, fazendo sem querer, um golaço.
- Viram isso, meninas? É esse tipo de garra, que eu quero ver amanhã no jogo! - Luís falava com orgulho, sem saber o que estava acontecendo.
- Mia... - Pediu, tocando o meu rosto.
- Mandona! - Resmunguei conformada, indo fazer as pazes.

Encontrei Esther, um pouco mais afastada do outro lado da quadra aberta. Parei um momento, vendo ela resmungar sozinha, fazendo caretas, não aguentei e ri. Não tinha como levá-la a sério, ela ficava linda quando estava brava.

- Do que você rindo?! - Franziu o cenho.
- Impossível ficar séria com você, ainda mais quando fica com essa carinha tão fofa! - Provoquei.

Tentei aproximar, mas ela recuou.

- Nem vem!
- Ôxe! Deixei de coisa! Eu quero fazer as pazes!
- Você está toda molhada! - Desdenhou.
- Mas gente se abraça quando estamos na piscina! - Falei ofendida.
- Sim, na água! E não, no seu suor! - Fez cara de nojinho.
- Ah! Mas, sendo assim... - Peguei uma garrafinha de água - Eu posso dar um jeito! - Aproximei perigosamente.
- NÃO SE ATREVA, MIA! - Arregalou os olhos, recuando.

Sorri maldosa e corria atrás dela. Joguei água em sua direção, molhando-a, enquanto ela ria tentando desviar. Alcancei o seu corpo, envolvendo a sua cintura com o meu braço, erguendo-a do chão, enquanto jogava o restinho de água em sua cabeça. Ríamos, alheias dos comentários das meninas:

- Elas são muito fofas! - Drica comentou.
- Até demais! - Luana observou - São namoradas? - Sussurrou.
- Não! São irmãs! - Drica respondeu.
- Com uma irmã como a Mia, eu iria pro inferno, feliz! - Chris, entrou na conversa.
- Eu não sabia que você era sapatão?! - Drica falou assustada.
- Não sou! Mas é difícil resistir a sensualidade natural que Mia possuí! - Olhou para Dani - Não sei como você consegue ficar perto. - Sorriu sugestiva.
- Chega de fofoca! - Daniele chamou - Vamos concentrar, que amanhã será o nosso jogo! - Desviou o olhar da cena.

***

Na manhã seguinte, acordei mais cedo. Havia dormido bem, estava bem disposta. Fiz uma pequena série de alongamentos, e fui tomar o meu desjejum.

- Que apetite, filha! - A minha mãe comentou - Cuidado para não passar mal! - Advertiu.
- Preciso de energia. Hoje é a final, e eu quero ganhar! - Respondi animada.
- Essa é a minha garotinha! - Meu pai falou, entrando no ambiente.

Aproximou de minha mãe, beijando-a, depois me deu um beijo na testa.

- É uma pena que é fechado para público. Adoraria ver a minha princesa, mostrando do que é capaz! - Piscou cúmplice.
- Eu sei, pai! Mas, eles sempre gravam a final, a pedido dos treinadores. Eles gostam de rever os lances para o estadual. Tentarei conseguir uma cópia de VHS pra você! - Devolvi a piscadela.
- Agora que ele não vai parar de exibir a filha, para os amigos! - Minha mãe comentou, sorrindo.

O meu pai estava de bom humor, acabou me levando para a escola. Antes de eu sair do carro, ele me disse que havia feito uma aposta com os colegas de trabalho, reforçando que eu não poderia deixá-lo na mão. Ri divertida, falando pra deixar comigo. Passei a manhã concentrada, troquei ideias com as meninas do time. Quando estava terminando de me trocar, Daniele me chamou, pedindo para eu não estourar no jogo, haja o que houvesse.

- Tranquilo, loira! Apenas irei fazê-la engolir as provocações! - Pisquei convencida.

Assim que entramos na quadra, começamos com séries rápidas de alongamentos. Procurei pelas meninas na arquibancada, piscando para elas. Notei a presença dos dois garotos, logo atrás delas. Desviei o olhar. "Concentração!".

Mesmo com a nossa rivalidade, admito que o jogo estava muito bom. Bruna logo veio para cima, aproveitei e deixei ela para trás com um belo lençol. Podia ouvir Manuela eufórica, gritando da arquibancada. Avancei, Graziele (atacante do outro time), veio em minha direção, tentando tomar à bola, fiz valer os meus esforços, driblando-a e abrindo o placar.

Sorri, ouvindo Manuela cantarolando. Olhei na direção delas, e vi o "casalzinho", trocando sorrisos. Fechei o cenho, Dani percebeu, fez sinal para eu ter calma. Assenti. Os meus olhos traem a minha vontade, e foi em um desses momentos que o outro time aproveita para cavar uma falta. Último minuto. Abriram o placar, empatando o jogo, finalizando o primeiro tempo.

O treinador, chamou. O cansaço de Dani era evidente. Abaixei e comecei aplicar massagens em suas pernas.

- Vou pedir pro Luís, te substituir. - Comentei para ela.
- Não! Eu aguento! - Falou firme - Precisamos desempatar! - Respondeu ofegante.
- Não precisa esforçar tanto! Eu dou conta! - Acariciei, discretamente a sua mão.
- E deixar você com toda a glória? - Sorriu, retribuindo o carinho - Eu acho que não! - Piscou - Eu tenho um plano!

Iniciou o segundo tempo, e comecei a fazer tabelinha com Luiza e Aline, enquanto Daniele, ganhava terreno. Assim que ela alcançou a grande área, disparei pela lateral, e comecei a trocar passes com Dani, que finalizou fazendo um lindo gol.

- ESSA É A MINHA LOIRÃO! - Manuela gritava - Arrasa com elas, gata! - Assoviou – VAI LOIRÃO! VAI LOIRÃO! - Esther, se juntou ao coro.

Corri até a torcida e fiz sinal para que eles cantassem juntos. Voltei para minha posição, percebi que a treinadora chamou Letícia, falando algo. Eu havia acabado de receber à bola, e fui tentar o terceiro gol, quando ouvi um alvoroço, e o arbitro parar o jogo. Aproximei, Daniele estava no chão, sentindo à coxa. A enfermeira a examinou, e pediu para levarmos ela até o banco. Ajudei o treinador à levá-la para que a enfermeira prestasse os cuidados.

- O que houve? - Perguntei para Drica.
- Letícia veio por trás e deu jogo de corpo nela. - Falou antes de beber água.

"Desgraçada!". Apertei minhas mandíbulas, tentando conter a raiva, quando observei Cássia dando um tapinha bem na camaradagem, em Letícia. Voltei a minha atenção para Dani, fiquei sem reação diante da sua dor. Depois de ser atendida, manteve um saco de gelo no lugar. Dani foi substituída por Chris. Antes que reiniciasse a partida, Daniele me chamou, abaixei ao seu lado.

- Ganha esse jogo! - Pediu, ainda com expressão de dor.
- O próximo gol será para você! - Beijei o seu rosto, selando a promessa.

Chamei Chris e Drica, conversei rapidamente. Faltava menos de cinco minutos para acabar o jogo. Fui para cima de Bruna, que vendo isso, tentou dar uma lambreta. Como passei a semana treinando, estava preparada para aquilo. Acompanhei à bola, virando o meu corpo junto; usando o meu ombro, interrompendo o avanço. Partimos para o contra-ataque com Chris ao meu lado. Por um segundo, achei ter ouvido meu nome, ignorei, deu passe de bola para Chris, que marcou o gol. Partida encerrada, pulei em Chris para comemorar, e depois fui até Daniele que tentava ficar em pé.

Tiramos a foto do time. Envolvi a cintura de Daniele, que se apoiava em mim, para manter-se em pé. Cerimônia encerrada, Bruna aproximou, dando a mão num gesto de camaradagem. Eu não estava afim de aceitar, mas senti o toque de Daniele, pedindo para relevar. Nos cumprimentamos, e chamei a loira.

- A senhorita aceita uma carona? - Brinquei, cavalheiresca.

Sorriu, subindo em minhas costas. Fomos nos encontrar com as meninas.

 

***

 

Como combinado, Daniele iria dormir em minha casa, para que pudéssemos aproveitar o dia no clube.

- Então loira, será que vai conseguir nadar? - Falei preocupada.
- Nem que, eu fique de molho na água, está muito calor! - Caminhava devagar, com meu apoio - Foi apenas uma cãibra, já tomei um analgésico.
- Eu falei, que elas eram umas brutamontes! Onde já se viu, “encoxar”, a minha loira assim?! - Manu, gesticulava dramática.
- Ei! Ninguém aqui foi encoxada, tonta! - Riu - São ossos do ofício. - Deu de ombros.
- Não exatamente. A treinadora Cássia, pareceu ter apreciado muito, essa investida de Letícia! - Comuniquei séria.
- Também notei! - Esther comentou - Mas, Bruna deu uma chamada naquela garota!
- É o mínimo, que se espera de uma capitã! - Fechei o cenho.

"Vou ter que levar outro papinho com ela". Pensei irritada.

Manuela percebendo o climão, começou a falar dos melhores lances da partida, claro, sem deixar de zombar das adversárias. Esther, ofereceu carona para nós, mas a van já havia chegado, recusei. Eu queria cuidar da loira e esquecer do encontro delas. O que certamente seria o assunto que iria permanecer por todo o trajeto. Procurei ser o mais cuidadosa possível com Daniele, não queria acabar machucando a sua perna.

- Morena, assim eu fico mal acostumada! - Comentou sorrindo, por conta dos meus mimos.

Depois de um lanche leve, mamãe nos deixou no clube, avisando para ligarmos para ela que iria nos buscar. No clube, entramos na piscina funda, como sempre fazíamos. O que deixava Esther irritada, e uma Manu; suicida. Já que sem saber nadar, ela se jogava na água para infernizar a vida dos salva-vidas responsável. A sua desculpa era que precisava treinar natação, mas a verdade, era que ela achava lindo o rapaz que ficava de socorrista na piscina. Sonhava em ser resgatada por aqueles braços musculosos. Pensei nelas, e no tal encontro.

- Ei, acorda! - Esguichou água em meu rosto - Vai morrer afogada! - Sorriu.
- Que nada! Você não deixaria morrer! - Ri, jogando água nela - Até porque, sou a melhor adversária que você tem! O seu mundo, não teria mais graça sem mim! - Ironizei.

Entramos numa guerrinha d'água.

- Convencida, hein! - Esquivando.
- Realista, meu bem! - Aproveitei a distração, e mergulhei.

Estava chegando ao meio da piscina, quando senti minha perna sendo puxada. Dani, havia me seguido. Emergimos, juntas.

- No três! - Falamos - Um! - Dois! - Três! - Jogou água em meu rosto, mergulhando.
- Safada! - Puxei ar e nadei atrás daquela traíra.

Nadamos o máximo que podíamos, dando voltas na piscina até não ter mais fôlego. Indiquei com o queixo a borda da piscina, seguimos até lá.

- Nem trapaceando, você consegue me vencer! - Provoquei.
- Trapaceei nada! Estou na desvantagem, a minha perna não está cem porcento! - Justificou.
- Aham! Tenta a sorte, loira! - Desafiei, sorrindo de lado.

Daniele, envolveu o meu pescoço e se apoiando em mim.

- Convencida! - Sorriu.

Foi tão natural, as minhas mãos envolvendo firme a sua cintura, trazendo o seu corpo para o meu. Ainda sorríamos, quando ouvimos um assobio. Olhamos em direção ao som, haviam dois rapazes nos observando, sorrindo de um jeito bem descarado. Fechei o cenho, enquanto a loira riu, escondendo o seu rosto em meu pescoço.

***

- Estão prontas, meninas? - Minha mãe chamou, com as chaves na mão.

Shopping estava lotado. Foi difícil achar vaga no estacionamento. As pessoas já adiantavam as compras para as festas. Caminhávamos entre as lojas, esperando dar o horário do final da sessão. Olhamos lojas de roupas, jogos eletrônicos, até a joalheria. Gostei de um conjunto de pulseiras.

- Experimenta, filha! - Concordei, prendendo-a em meu pulso.
- Então? - Exibi.
- Linda! - Mamãe, sorriu orgulhosa.
- Muito! - Dani emendou, trocamos um sorriso.

Mamãe apenas observava, pagando pela joias, afinal, ela não ficaria sem comprar um conjunto para ela, também. Voltamos a bater pernas pelas lojas.

- Daniele, como está a Fernanda? - Perguntou interessada.
- Está bem! Um pouco cansada, mas com as aulas acabando, ficará de férias. - Daniele, sorriu tímida.
- Dani, olha aquela blusinha! - Comentei empolgada - Combina com os seus olhos! Deveria experimentar! - Incentivei.

A loira corou, cedendo ao meu pedindo. Enquanto aguardávamos, fiquei olhando algumas peças de roupas.

- Daniele é uma boa menina! - Minha mãe, aproximou, comentando.
- É sim! - Concordei, verifiquei o tamanho do short jeans.
- E muito bonita... - Prosseguiu.
- Muito! - Falei distraída.
- E vocês se dão tão bem... - Comentava sem interesse aparente.

Percebi o rumo daquela conversa. Encarando-a. "Será?".

- Mamãe!
- O que filha? - Inocente.
- Está tentando arrumar uma namorada para mim? - Sussurrei, pois havia pessoas por perto.
- Eu?! Minha filha, eu só estou comentando! - Deu de ombros - Afinal, que mal tem? - Sorria divertida.
- Não acredito que até você! - Inconformada.
- Querida, você conta tudo o que está acontecendo contigo. Principalmente, as tentativas amorosas que Daniele, tenta arrumar para você! - Refletiu - Já parou para pensar que às vezes, o que você precisa, está bem na sua frente? - Argumentou.
- Mamãe, ela é apenas uma amiga! - Suspirei, abaixando os ombros.
- Tem certeza? - Indicou com o queixo.

Segui o seu olhar, vendo Daniele saindo da cabine. Suspirei baixinho, admirando-a. Estava linda com a blusa que eu pedi para vestir. Realçava os seus olhos azuis.

- Eu, posso até não ser a pessoa mais observadora do mundo. Mas, conheço você com a palma da minha mão! - Comentou para mim.

Engoli seco, sem deixar de admirar a loira que se aproximava.

- Como estou? - Perguntou tímida.
- Linda! - Minha mãe, sorriu.
- Mia? - Me chamou, tirando-me da inércia que fiquei.
- Belíssima! - Sorrimos.

Senti o olhar e o sorriso discreto de minha mãe.

- Querem mais alguma coisa? E nem pense em recusar, Daniele! - Adiantou - É nosso presente de natal, antecipado! - Piscou, deixando a loira corada.

Já que era sexta-feira, e havíamos ganhado o torneio, merecíamos comemorar com rodadas de pizzas e refrigerantes. Diferentemente de Eduardo, eu não tinha costume de beber refrigerante, mas essa noite, eu me permiti. Compramos duas pizzas (muçarela com bacon e cheddar com calabresa), ficariam pronta em meia hora. Enquanto esperávamos, fitei um casal de namorados trocando carinho. Dani deu um leve empurrão com o ombro.

- Para de ficar secando! - Sussurrou.

Estava pensando no que havia conversado com a minha mãe.

- Está tudo bem? - Entrelaçou os nossos mindinhos.
- Está sim! Estou com fome! - Disfarcei, curtindo o contato.

Percebi, a minha mãe olhando de relance, sorrindo.

***

O andar do cinema estava lotado, muitas crianças estavam com trajes iguais ao do cartaz do filme. Subi no banco para procurá-las. Avistei uma Manuela, toda menininha em pé conversando com Esther, os garotos já não estavam por perto. "Como está linda!". O meu coração disparou na hora, me permiti admirá-la. Esther vestia uma jardineira preta feminina, com uma camisa branca por baixo, em seus pés; rasteirinha branca de plástico com lacinho preto. Manteve os cabelos soltos, deixando-a encantadora.

- Fecha à boca, filha! - Comentou discretamente.

Dani olhava risonha. Corei, chamando-as.

No caminho para casa, Manuela como sempre, monopolizava à conversa. Rimos muito de suas palhaçadas e imitações das cenas do filme. Convidamos Manuela para pernoitar, o que foi aceito de bom grado. Assim que chegamos, ela ligou avisando para sua mãe.

- Cadê Eduardo e o tio Rique? - Perguntou, Esther, percebendo o silêncio da casa.
- Bom, papai está em uma viagem de trabalho em outra cidade, resolvendo um problema do escritório. - Servi um pedaço de pizza - E o cabeção, está com a santa namoradinha dele! - Abocanhei à pizza.
- Amélia, não xingue o seu irmão! - Ralhou - Ele implica, mas ele te ama! - Mamãe disse, terminando de servir as meninas.

Dei de ombros, fazer o quê? Também amava aquele chato. Daniele, me deu um olhar acolhedor, buscando discretamente a minha mão por baixo da mesa, quando a minha mãe tocou no "assunto proibido".

- Ah, foi ótimo! Felipe foi super legal, conversamos muito! - Manuela, falou empolgada.
- Esther? - Percebi que ficou corada.
- Olha, quando dizem que as quietinhas são as piores, Esther, é a prova viva! - Manu respondeu maldosa.

Beberiquei o refrigerante, para ajudar a descer à pizza, que havia parou no caminho, diante da informação.

- Ah, é?! Por que? - Mamãe insistiu.

Parecia que uma mão esmagava o meu coração, enquanto Manu comentava o que houve, fazendo graça. Eu mastigava no automático, já nem sentia mais o sabor da pizza. "De que mesmo?!". Muçarela e bacon. Percebi os olhares de Esther, Daniele e mamãe, apenas Manuela estava entretida contando os fatos. Dei um sorriso irônico, abocanhando o restante da pizza. Terminamos de comer, ajudamos a limpar tudo e fomos nos preparar para dormir. Assim que sai do banheiro, a minha mãe me chamou para o seu quarto.

- Percebe o que eu fiz? - Sentei ao seu lado, na cama.
- Além de maltratar, o meu coraçãozinho? - Falei cabisbaixa.
- Meu amor, olhe para mim. - Tocou o meu queixo - Esther é apenas uma criança, assim como você! E não me venha com o papo que já está grandinha! - Acariciou o meu rosto - Vocês sempre serão os meus bebês! Mas, estão crescendo! - Pausa - Cada uma escolherá um caminho que por muitas vezes poderá causar dor, o que fará o meu coração sofrer junto! E eu poderei somente aconselhá-las, sem interferir em suas escolhas. Vocês precisaram delas para amadurecer! - Abraçou-me forte - Não foi por maldade que eu perguntei sobre o encontro. Eu também me preocupo com ela! - Beijou a minha testa.
- Eu sei... - Sussurrei.

Fiquei em seu abraço aconchegante, até Esther vir saber se estava tudo bem. Dei boa noite para mamãe, e fui ajudar as meninas. Emprestei uma camisa bem folgada para Manuela, porém, Esther franziu o cenho, tomando a camisa da minha mão, pegando outra para ela.

- O que foi isso? - Dani sorriu.
- Ela invocou que aquela camisa é propriedade dela! - Resmunguei.
- E, não é?! - Esther olhou feio, saindo para buscar os lençóis.
- Acredita que ela espera, eu usar primeiro e depois toma posse dela? - Falei inconformada.
- Por que? - Riu divertida.
- E eu que sei? - Indiquei com o queixo - Vai lá, tirar a dúvida!
- Pra receber aquela olhada feia? Não! Obrigada! - Rimos.

Dani gem*u baixinho, pressionando a sua coxa. A fiz sentar em minha cama e comecei aplicar uma massagem, usei o meu gel anti-inflamatório. Aqueci as minhas mãos e comecei a massagear com cuidado. Estava pensando na brincadeira de mais cedo, quando ouvi um gemido abafado. Olhei preocupada para Dani, que estava com as faces coradas. Senti o calor vindo dos meus dedos e percebi que a minha mão, avançou um pouco mais do que devia. Corei violentamente. Afinal, Dani estava de um minúsculo pijama, destacando as suas pernas. Ela tocou a minha mão. Estávamos tão próximas, a sua boca entreaberta. Manuela que retornava do banheiro, tropeçou no colchão, empurrando o meu corpo para cima de Daniele, apenas um instante. Senti o seu hálito quente e fresco, acariciando o meu rosto, engoli seco.

- Ai! Desculpa, meninas! - Manuela, resmungou.
- Não foi nada! - Levantei, com a respiração alterada - Vou lavar as minhas mãos. - Disparei.
- Obrigada. - Dani, respondeu tímida.
- Disponha... - Sai rapidamente, sem notar um discreto sorriso de Manuela.

Passei por Esther, entrando no banheiro e trancando a porta. Olhei as minhas mãos e tirei rapidamente o meu pijama, entrando no box, o meu corpo estava em brasas, tomei uma ducha gelada.

- O que foi isso?! - Questionei desnorteada, encostando na parede fria.

Retornei para o quarto e as meninas, já estavam deitadas. Ainda conversamos mais um pouco, senti o olhar de Daniele, pela primeira vez, achei interessante a decoração da parede.

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"O som de água corrente fazia o ambiente ficar sereno. Caminhei entre a relva, indo em direção a um chalé próximo. Havia fumaça saindo de sua chaminé. Sons de risadas, vinham lá de dentro. Sorri, uma sensação acolhedora. Aproximei e pela janela, eu vi duas menininhas brincando. Caminhei, procurando a porta, mas não tinha. Olhei novamente pela janela e não havia ninguém. Dei a volta e já não ouvia mais as risadas, apenas um choro baixinho. Segui, por entre as árvores até um riacho. Do outro lado, a menina de cabelos claros, estava sentada no chão, abraçando as suas perninhas, embalando o seu corpo num choro sofrido. Entrei na água e fui caminhando devagar. Não estava nem na metade, e a água, estava um pouco acima da minha cintura. Tentei nadar! Mas, as minhas pernas pareciam presas no fundo. Tentei chamá-la! Mas, a minha voz não saía. O céu atrás dela estava escurecendo rapidamente. Caminhei o mais rápido que podia. A água já tocava o meu queixo, senti o meu corpo tremer, pela falta de temperatura. A tempestade se aproximava. Puxei o máximo de ar, e gritei. A minha voz parecia ter despertado ela. O céu de repente ficou limpo, e o seu corpo, já não tremia mais. Ela levantou à cabeça, encontrei com o seu olhar. Pensei em Esther. Mas, os seus olhos; eram verdes. Olhei para o lado e uma onda gigante, cobriu o meu corpo."

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Puxei o ar, despertando na hora. Sentei em minha cama, assustada.

- Você está bem? - Dani, estava agachada ao meu lado.

Abracei forte o seu corpo, que não ofereceu resistência. Olhei para a outra cama, Esther dormia profundamente. "Está segura!". Pensei, aliviada.

- Foi um pesadelo... - Murmurei.
- Calma, já passou. - Dani, me confortou.

Sentou em minha cama, envolvendo o meu corpo em um abraço protetor. O meu rosto estava em seu pescoço, tentei controlar a minha respiração. Não sei exatamente quanto tempo ficamos ali, mas estava tão bom poder sentir o carinho de Dani. A minha vontade era de dormir abraçada à ela.

- Está mais calma, morena? - Perguntou suavemente.
- Uhum! - Suspirei, mantendo as minhas mãos envolta da sua cintura.
- Então, é melhor eu voltar para o meu lado, antes que Manuela, ocupe todo o colchão! - Observou divertida.

Rimos suavemente, vendo Manuela, dormindo em transversal.

- Mas, está tão bom aqui! - Murmurei, roçando a ponta do meu nariz em seu pescoço.
- Deixa de ser abusada, morena! - Riu nervosa.

Senti a sua respiração levemente alterada, e o seu corpo arrepiando.

- Abusada, por que? - Falei baixinho em seu ouvido - Está tão bom, o colinho dessa loirinha, mandona! - Brinquei.
- Que morena mais manhosa! - Sorriu serena.

Aquela sensação novamente. Cheirei o pescoço de Daniele, ouvindo ela suspirar baixinho. Senti a sua mão em minha nuca, fazendo carinho. Podia ouvir o seu coração batendo forte, ou, seria o meu? Me deixei guiar por aquela vontade. Levei a minha mão até o seu rosto e virei para mim. Os seus lábios eram vermelhos e carnudos. Toquei a covinha que tinha em seu queixo, percebi que fechou os olhos, curtindo a carícia em sua face. Beijei o seu queixo, roçando os meus lábios. Não resisti à vontade, beijando sua boca. O beijo era calmo, tímido, novo. Dani, não demonstrava resistência, retribuía a nova descoberta. A sua mão acariciava a minha nuca, enquanto as minhas, traziam o seu corpo para o meu. Diminui o ritmo aos poucos, dando selinhos. Sorrimos, entre os nossos lábios. Encarei o seu olhar. O tom azul, parecia ter ganho um brilho especial. Beijei, o seu lábio superior e mordisquei o inferior. Sorri, travessa. Ficamos deitadas, curtindo e descobrindo essas sensações novas. Daniele, achou prudente voltar para o colchão, afinal, não estávamos sozinhas. Roubei vários beijos, antes de deixá-la voltar para o colchão. Era impossível não sorrir. Entrelacei os nossos dedos, até apagarmos.

Acordei com uma movimentação no quarto. Manuela, ainda de olhos fechados, tateava a parede procurando a porta. Abriu e sumiu pelo corredor. Olhei para a loirinha adormecida, toquei os meus lábios, não foi apenas um sonho, sorri. Esther, já havia levantado, estávamos sozinhas. Fiquei admirando, o sono gostoso daquela loirinha mandona. Não contive à vontade de tocá-la, deixei a minha mão acariciar a sua face. Despertou aos poucos, estava com uma carinha tão linda e amassada. Dani, bocejou. Ainda sonolenta, sorriu.

- Bom dia! - Falamos juntas.

Daniele parecia estar sentindo a mesma necessidade, que eu, levantou o seu corpo alcançando a minha boca. Trocamos o nosso primeiro beijo de Bom dia! Suspirei, à minha vontade era de me perder em sua boca, em seus beijos. Arrumamos as camas, entre brincadeiras. Manuela entrou no quarto.

- Bom dia, pessoa! - Sorri, percebendo em seguida suas feições - O que houve? - Franzi a testa.
- Esther... - Falou preocupada.

 

“Dizem que a vida é para quem sabe viver, mas ninguém nasce pronto. A vida é para quem é corajoso o suficiente para se arriscar e humilde o bastante para aprender.” 

Clarice Lispector

Continua...

Fim do capítulo

Notas finais:

Pois é, e agora meninas? rs

Agradecimento especial a Jésy (assessora de moda) hahaha Vlw gata ;)

Ótima semana galerinha ;*

#campanhaDoeUmComentário, e faça sua autora feliz! Autora feliz e inspirada, postagens rápidas hahahaha 

 


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Comentários para 8 - Capítulo 8:
Runezinha
Runezinha

Em: 13/06/2018

Dani SemiDeusa!! Que intenso!! rsrs Mas estou achando essa Ester fraquinha viu. Lucia top Ever Mãe!! Eu acredito no amor da Mia pela Ester mais nao acho que vai para frente desse jeito. Quando e intensso assim sempre o outo lado acaba percebendo tarde de mais, e machucando muito quem sente primeiro, tadinha da Mia..

Responder

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rhina
rhina

Em: 12/06/2018

 

Lindo o capítulo. ....Mia e Dani juntas fofas

Mas onde foi parar o amor que disse sentir-se pela Esther....pois a maneira que está sentindo pela Dani  não é coisa de alguém que já ama outra é? ????

Para mim o que a Mia está sentindo pela Dani é amor....real....físico  e  de coração. ....acho que o que sente pela Esther é de  irmã 

Rhina

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Ana_Clara
Ana_Clara

Em: 10/12/2015

Amei essas duas juntas! Confesso que já me apaixonei pela Dani. Linda! Já que a Esther é meio 'tapadinha', estou torcendo por essas duas. Espero que elas aproveitem bem este momento!


Resposta do autor em 10/12/2015:

rsrsrs 

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graziela
graziela

Em: 12/11/2015

Maravilhoso a Mia narrando o que sente pela "irmã",  e a mãe tentando fazer ela ente.  que poderia se machucar,  por não ser correspondida acredito. 

Aguardando o próximo...


Resposta do autor:

É muito bom narrar os sentimentos de Mia, sendo tão nova, tentando lidar com tudo ao mesmo tempo rs... Lúcia é uma mãezona mesmo, que vai precisar ser forte pelas "filhas" rs

Responder

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Mika
Mika

Em: 12/11/2015

Caracaaa... E agora?!

 

Posta logo querida autora, please!!! 🙏

 

Beijo 😘


Resposta do autor:

E agora muitas coisas aconteceram rsrs ~~

Responder

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Mag Mary
Mag Mary

Em: 12/11/2015

Ai gente achei tão fofinho esse capítulo, a Mia é tão lindinha, e a mãe dela é tudo de bom <3

Só a Esther que acredito não irá reagir muito bem.

Bjus


Resposta do autor:

Lú é um amor mesmo sz

Esther hahahaha surpresa .. ;D

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perolams
perolams

Em: 11/11/2015

Eu amei a visão dos fatos através de Mia, mas estou cada vez mais ansiosa pela reação de Esther ao beijo das duas meninas, já que ela tem um comportamento homofóbico que pode trazer bastante sofrimento para a morena.


Resposta do autor:

Q bom que gostou. Ainda acontecerá muitas coisas hahahaha

Ótimo dia ;)

Responder

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