Capítulo 4
Era quase meia-noite quando Sam estacionou a moto perto do quiosque e desceu.
- Olá, pessoal!
- Oi, Sam! Tudo bem? Cumprimentou Andy.
- Tudo. Estou apenas um pouco cansada. Respondeu ela.
- Então vá para casa. A gente está dando conta. Você não dormiu nada hoje. Disse Andy.
- Tem certeza?
- Claro.
- Se precisarem de mim, liguem que virei correndo.
- Está bem, agora vá para casa.
Sam deu um beijo em Andy e voltou para a moto.
Em instante chegou em casa. Ligou para o pai.
- Alguém se machucou? Perguntou Arthur.
- Não, papai. Por sorte não tinha muita gente na hora. Os assaltantes levaram o dinheiro dos caixas, cigarros e bebidas.
- Ainda bem. O que o delegado Mota disse?
- Algumas testemunhas foram para a delegacia prestar depoimento e fazer o retrato falado deles.
- Amanhã o Alex irá para lá acompanhar as investigações.
- Se precisar de mim me ligue.
- Está bem, filha. Obrigado. Boa noite.
- Boa noite, papai. Dê um beijo na mamãe.
Sam tomou um banho e ligou para Eve.
- Você está bem?
- Estou. Vem passar a noite comigo.
- Logo estarei chegando. Beijos.
- Outros.
Enquanto esperava Eve chegar, Sam comeu um lanche.
Quando voltou para a sala o interfone tocou. Acionou o portão eletrônico e foi abrir a porta.
Eve estacionou o carro e desceu.
- Oi. Cumprimentou ela.
- Oi.
Como Sam estava dois degraus acima, apoiou as mãos nas coxas e ficou da altura de Eve. Beijou-a e a convidou para entrar.
- O que vai beber? Perguntou Sam.
- Um campari soda.
Enquanto Sam foi até a cozinha buscar gelo e soda, Eve reparou as fotos espalhadas sobre um aparador. Quando Sam retornou, ela indagou.
- Como você conseguiu fazer essas montagens fotográficas?
- Não são montagens. Esta não sou eu. É minha irmã Fernanda, Alex meu irmão e eu.
- Vocês são trigêmeos?
- Sou a mais velha depois a Fernanda e o Alex. Somos minutos de diferença. Estes são meus pais, Christiana e Arthur. Meus avôs maternos, vovô Lico e vovó Maria e estes os paternos Ramiro e Rafaela. Foram tios, tias e primos. Explicou Sam.
- Nossa, sua família é grande!
Tomaram um gole das bebidas ainda observando as fotos, depois foram se sentar no sofá.
- O que houve? Perguntou Sam. – Sinto você triste.
- Estou sofrendo por antecipação. Já estou pensando como será quando as férias acabarem. Terei que voltar para a capital e você ainda terá o verão inteiro longe de mim. Respondeu Eve.
- Não precisa ficar assim. Daremos um jeito. Eu subo e fico dois dias com você durante a semana e você faz a mesma coisa. Não ficaremos longe por muito tempo.
Ficaram em silencio e depois Sam perguntou se ela queria comer algo.
- Não, obrigada. Mas aceitaria um café.
- Vou fazer.
Com a saída de Sam, Eve se acomodou no sofá e tirou o tênis.
Instantes depois, Sam trouxe duas canecas fumegantes e se sentou ao lado dela. Beberam e depois acenderam um cigarro.
Sam encostou-se nas almofadas e puxou Eve para seu peito. Ela se encostou de costas entre suas pernas e suspirou de prazer.
- É tão bom ficar assim com você. Disse Sam.
- Aproveite bastante antes de ir descansar. Retrucou Eve.
- Mas você disse que passaria a noite comigo.
- Disse, mas não quer dizer que ficaremos acordadas.
Sam ficou calada. Sua mão livre começou a fazer carinho no braço de Eve. Terminaram de fumar, agora a mão estava na barriga.
- Você está me provocando. Falou Eve baixinho.
- De jeito nenhum. Discordou Sam rindo.
Sam beijou o pescoço de Eve fazendo-a gem*r. A mão subiu e parou sobre o seio pequeno e firme. No mesmo instante o bico ficou evidente sob a blusa fina.
Eve se ajeitou melhor e virou a cabeça para beijar Sam que intensificou o carinho. Agora as duas mãos acariciavam os seios. Suas respirações se aceleraram.
- Quero você, Eve.
Sam se levantou e pegou Eve no colo e subiu as escadas.
No quarto tiraram as roupas e se deitaram.
Naquela noite foi Eve que tomou a iniciativa. Explorou todo o corpo de Sam, descobriu pontos sensíveis levando-a ao delírio. Muitas vezes Eve parava com as caricias, pois Sam tirava lhe as forças. O ápice do prazer chegou poderoso deixando-as tremulas e ofegantes. Eve ficou deitada metade sobre o corpo de Sam e outra metade sobre o colchão. Sam não conseguia se mexer suspirou fundo e fechou os olhos.
Devagar, Eve deitou se ao lado de Sam que parecia adormecida. Por isso levantou-se e vestiu um roupão atoalhado que estava sobre uma cadeira.
- Não pense em ir embora. Disse Sam sem abrir os olhos.
- Só vou buscar uma bebida para nós. Falou ela.
- Tem um vinho bem gelado e um pratinho de salame no fundo da geladeira.
Na sala pegou as canecas e levou-as para a pia. Na geladeira achou o vinho, abriu-o e pegou o salame. Voltou para o quarto.
Sam havia desfeito a cama e estava no banho. Eve colocou as coisas sobre uma mesinha e foi para o banheiro.
- Estou precisando que alguém esfregue as minhas costas. Falou Sam.
- É mesmo? Indagou Eve divertida olhando ao redor do banheiro. Achou o que procurava e abriu a porta do chuveiro e disse rindo.
- Aqui está quem vai esfregar suas costas.
- Ah, não! Exclamou Sam. Odeio essa escova. Não sei por que a Andy a comprou.
- Se você não sabe, eu menos ainda.
As duas riram e Eve retirou o roupão entrando no box.
Depois de comerem e beberem adormeceram abraçadas.
Nike estacionou o carro na garagem e ajudou Andy a descer.
Na sala Andy perguntou.
- Você quer comer alguma coisa?
- Não, meu amor. Prefiro um café.
Andy encheu duas canecas e voltou para a sala. Estendeu uma para Nike e se sentou ao lado dela.
- Quando o quiosque fechar o que pretende fazer? Quis saber Nike acendendo um cigarro e dando-o para Andy.
- Preciso ficar uns vinte dias em Santos ajudando meus pais na reforma da loja. Explicou ela.
- Não vai ter nenhuma folga?
- Durante este vinte dias, não, Mas depois estarei livre para ficar com você na capital.
- Isto será muito bom.
Instantes depois as duas subiram. Ao passarem pela porta do quarto de Sam, ouviram vozes. Andy bateu e entraram.
- Oi crianças!
- Olá. Foi tudo bem esta noite? Quis saber Sam.
- Foi acelerado, mas tudo terminou bem. Respondeu Andy. Você descansou?
- Descansar como? A Eve não me deixou quieta um minuto sequer.
- Eu? Quem era que estava me provocando? Agora a pouco eu estava tentando dormir e você não deixou.
- Agora a culpa é minha?
- Bem, resolvam a questão de vocês que vou dormir. Disse Andy.
- Até parece que vocês vão dormir. Falou Sam.
- Deixe de ser abelhuda, Sam. Repreendeu Eve.
- Isto mesmo. Obrigada, Eve. Agradeceu Nike. – Vamos, meu amor.
- Boa noite. Desejou Sam rindo.
Andy fechou a porta do quarto. Sam abraçou Eve. Instantes depois estavam dormindo.
Depois do banho, Andy e Nike deitaram e dormiram abraçadas.
Na tarde do dia seguinte, Eve e Nike viajaram para a capital para resolverem um problema na loja.
No caminho Eve ligou para Sam avisando da viagem inesperada.
- É grave? Quis saber Sam.
- Ainda não sabemos. Espero resolver rápido para voltarmos na sexta-feira. Ligo a noite. Explicou Eve.
- Está bem. Beijos.
- Para você também.
Chegando à capital, Eve rumou ao bairro dos Jardins. Sua casa era protegida com muros altos e cercada por um lindo e florido jardim.
Desceram e Nike foi pegar seu carro na garagem.
- Te vejo daqui a pouco na loja. Disse Nike.
- Está bem.
Assim que Eve entrou na sala, Sofia, a governanta, veio recebê-la.
- Eve, tudo bem? Não esperava ninguém antes de fevereiro.
- Só vim resolver um problema na loja. Só vou tomar um banho e sair.
- Não vai comer nada? Indagou Sofia.
- Não, obrigada. Mas deixe algo leve para mais tarde.
- Está bem.
Algum tempo depois, Eve estacionou o carro em um shopping.
Assim que desceu da escada rolante, Eve observou a decoração de sua loja e gostou do que viu.
- Oi, pessoal! Cumprimentou ela entrando.
As vendedoras a cumprimentaram sorrindo.
- Olá, Ligia! Cumprimentou ela entrando no escritório.
- Olá, Eve! Respondeu a loira simpática que era gerente da loja.
- O que está acontecendo? Perguntou Eve.
Naquele momento Nike entrou no escritório, sentou-se depois de cumprimentar Ligia.
- Nosso maior problema é que o estoque está no fim e a encomenda não chegou hoje de manhã com previsto.
- Entrou em contato com o fornecedor? Quis saber Nike.
- Logo cedo. Seu assistente disse que ele viajou para Miami na sexta-feira e que não havia nenhum pedido nosso.
- Como não? Fizemos o pedido com dois meses de antecedência. Vou até lá conversar com este cara. Falou Nike se levantando.
- Enquanto isso vou tentar com os outros fornecedores. Disse Eve.
Foram várias horas de procura e conversas. Às 21h00min quando Nike voltou para a loja. Despediram das funcionarias e as duas foram para a casa de Eve.
Assim que entraram, Sofia se aproximou.
- Boa noite, meninas! Deixei uma refeição leve para você. Irão precisar de mais alguma coisa?
- Não, Sofia obrigada. Pode ir descansar. Tenha uma boa noite. Agradeceu Eve.
- Obrigada, para vocês também.
Nike pegou duas taças e uma garrafa de vinho no barzinho e foram para o escritório.
Discutiram várias probabilidades e no fim da garrafa de vinho ainda não havia chegado a nenhuma solução. Eve acendeu outro cigarro e recostou na cadeira suspirando.
- E agora? Nosso estoque talvez agüente só mais duas semanas. Só vejo uma solução: fechamos agora e reabrimos na semana do Natal ou não teremos nada para vender nos dias que faltarem.
- Todas as possibilidades de fornecedores estão esgotadas? Perguntou Nike.
- Você sabe que sim. Respondeu Eve.
- Só não verificamos uma.
- Qual?
- Sonhos Noturnos.
- Nem pensar. Protestou Eve veemente. Não quero negócios com a Carla.
- Isto são negócios, Eve. Eles são nossa única saída. Ela nem vai saber, eu ligo direto para o Meira e faço o negocio com ele.
- Como não? Ela sabe de tudo o que acontece na indústria do pai. Ela tem acesso a todos os contratos de vendas.
- Somente os grandes contratos passa pela aprovação da presidência, os pequenos o Meira tem autonomia para liberar, já que ele é o gerente de vendas.
Eve se levantou da cadeira e começou a andar de um lado para o outro.
Depois de alguns minutos, falou.
- Tudo bem. Faça o contrato, mas não vou me envolver em nada.
- Está bem. Amanhã de manhã eu ligo para ele. Agora vou para casa. Falou Nike beijando-a. Você ficará bem?
- Ficarei Nike. Tenha uma boa noite.
- Você também.
Assim que Nike saiu, Eve preparou um campari com gelo e se deitou no sofá da sala. Tinha um pressentimento que aquele novo contato com a Carla, mesmo que indiretamente, lhe traria problemas. Sua vontade era pegar o carro e voltar para a segurança que os braços de Sam lhe davam. Pensando nela, sorriu ao se lembrar dos momentos mágicos que viveram desde que se conheceram. Pegou o celular e ligou para Sam.
- Oi! Cumprimentou Eve.
- Oi. Você está bem? Perguntou Sam.
- Com saudades. E você? Respondeu Eve.
- Precisando de você. Conseguiu resolver seus negócios?
Eve contou tudo para Sam e finalizou.
- A única solução será fazer um contrato com a indústria do pai da Carla.
- Não estou gostando disso. Retrucou Sam.
- Eu também não, mas é isso ou poderemos só abrir na semana do Natal correndo o risco de não termos nenhuma peça até o final de ano.
- Quem vai fazer o contrato?
- A Nike se prontificou para fazer isso para eu não me envolver.
- Isto é bom! Vocês virão no final de semana?
- Ainda não sei meu bem. Tudo dando certo chegaremos na sexta a tarde.
- Me liga se precisar de algo que irei correndo.
- Sempre vou precisar de você. Disse Eve. Beijos.
- Para você também. Tchau.
- Sam?
- Sim.
- Gosto muito de você, muito mesmo.
- Eu também, Eve. Durma bem.
Eve desligou e acendeu um cigarro indo para o quarto. Tomou um banho e no momento que deitou, adormeceu.
Na manhã seguinte, enquanto tomava café. Nike ligou para o escritório dos Sonhos Noturnos.
- Gerencia de vendas Sonhos Noturnos bom dia. Falou a secretaria.
- Bom dia. Gostaria de falar com o senhor Meira. É Nicole Martins da Utopia.
- Um momento, por favor.
Enquanto esperava, Nike terminou de tomar seu café da xícara e acendeu um cigarro.
- Nike? Como vai, menina?
- Bem, Eduardo. E você?
- Muito bem. A que devo a honra tão cedo?
- Precisamos repor o estoque com certa urgência até amanhã de manhã.
- Muitas peças? Perguntou ele.
- Trezentos a trezentos e cinqüenta conjuntos e cem camisolas de varias cores. Respondeu Nike.
- Sem problemas, mas só poderei fazer a entrega depois de amanhã à tarde. Tudo bem?
- Maravilha.
- Mandarei por um boy o contrato hoje depois do almoço.
- Ótimo. Obrigada, Eduardo.
- Eve está bem?
- Está sim.
- Dê um beijo nela por mim.
- Darei. Um abraço Eduardo e tenha um bom dia.
- Obrigado. Tchau Nike.
Assim que desligou, Nike suspirou aliviada. Levantou-se e foi para o quarto.
Ainda com o telefone na mão, Eduardo apertou uma tecla e falou.
- Juliana, procure o contrato antigo da Utopia nos arquivos e redija um novo só trocando a quantidade de peças para trezentos e cinqüenta conjuntos e cem camisolas de cores variadas. Depois traga para eu assinar e peça para o Marcos levantar até o Shopping e entregar na Utopia, por favor. O endereço está no contrato.
- Está bem, senhor Meira.
Eduardo desligou o telefone e voltou para os papéis que estava lendo, quando a porta se abriu e entrou uma moça alta de cabelos curtos pretos, ainda úmidos do banho, os olhos da cor dos cabelos. Vestia uma calça de linho grafite de corte masculino e uma camisa branca, com as mangas arregaçadas até os cotovelos. Cumprimentou-o sorrindo.
- Bom dia, tio. Tudo bem?
- Bom dia, Carla. Tudo. E você?
- Estou ótima. Muito trabalho?
- Não. Estou liberando a entrega do pedido daquela loja do Rio de Janeiro e vou dar uma verificada pessoalmente no embarque.
- Vou para minha sala. Tenho uma reunião com papai e alguns fornecedores daqui a pouco. Falou ela.
- Irão precisar de mim? Quis saber ele.
- Acho que não.
- Então eu vou para o estoque.
Carla saiu e Eduardo resolveu não falar sobre o contrato com a Utopia, pois sabia que Carla iria importunar Eve novamente e ela já havia sofrido muito. Foi para o estoque e esqueceu o assunto.
Eve encontrou Niki no elevador do shopping e as duas se abraçaram.
- O que aconteceu com você? Está com uma aparência horrível. Comentou Nike.
- Obrigada por levantar o meu astral. Ironizou Eve.
- Desculpa Eve. Fui indelicada. Teve insônia? Desculpou-se Nike.
- Assim que deitei logo dormi, mas tive um pesadelo que não consigo me lembrar e perdi o sono. Explicou Eve.
- A noticia que tenho, fará você se sentir muito melhor.
- Conta logo.
- Nossos estoques estarão reabastecidos amanhã pela manhã. O Eduardo mandará o contrato agora à tarde. Falou Nike com um sorriso.
- Que bom Nike! Disse Eve abraçando-a rindo.
Entraram na loja e cumprimentaram as funcionarias.
- Meninas, deixei um envelope em cima da mesa do escritório para vocês.
- Obrigada, Ligia. Agradeceu Eve.
Entraram no escritório e Nike pegou o envelope e abriu-o. Assinaram e Nike pediu para devolverem para o escritório do Eduardo.
O dia passou normal com muitas vendas. No final da tarde Nike convidou Eve para jantar fora.
Já em casa antes de tomar banho, Eve ligou para Sam dando a noticia que tudo estava resolvido e que na quinta antes do almoço estariam de volta.
- Fico feliz que tudo tenha terminado bem. Falou Sam.
- Vou jantar com Nike e assim que chegar eu te ligo.
- Está bem, Eve. Divirtam-se. Beijos.
- Beijos.
Eve desligou com lagrimas nos olhos. Não sabia o porquê de tanta emoção ao falar com Sam. Será que estava apaixonada por ela? Perguntou-se.
No armário pegou uma pantalona preta de seda e uma blusinha branca com delicados babados na frente e colocou sobre a cama e entrou no banheiro. Tomou um banho, fez a maquiagem e se perfumou. Depois de se vestir, calçou sandálias pretas de salto altíssimos e escovou os cabelos até ficarem brilhantes, pegou a bolsa e desceu.
Na garagem entrou em seu Camaro vermelho e saiu da garagem cantarolando.
No caminho pegou Nike que comentou assim que entrou no carro.
Fim do capítulo
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