Capítulo 2
- Quero sim.
Sam a serviu e tomaram em silencio.
As oito em ponto a campainha tocou. Sam olhou para Andy quando se levantou e essa suspirou.
- Olá, Nike. Vamos entrar.
- Evelyn, irmã da minha sócia. Esta é Sam.
- Muito prazer, Sam. Falou ela.
- O prazer é meu. Entrem e fique a vontade.
Entraram na sala e Andy se levantou.
- Oi, Andy. Como vai? Cumprimentou Nike.
- Bem. E você?
- Estou bem. Evelyn, esta é Andy.
As duas se cumprimentaram e Sam serviu o vinho.
Andy se levantou e foi até a cozinha buscar um prato de frios que Sam deixara pronto. Nike foi atrás.
- Podemos conversar Andy?
- Já achou outros absurdos para me acusar?
- Admito que fui uma estúpida e que errei. Quero te pedir desculpas por tudo que te fiz. Falou Nike.
- Você não acha que levou muito tempo para tentar se redimir. Durante um ano você nem ao menos ligou, não quis saber como eu estava, o que eu estava sentindo. Você duvidou do meu amor e da amizade de Sam. Agora é muito fácil chegar aqui e pedir desculpas. Você me machucou demais. Desabafou Andy.
- Quero me explicar o porquê da minha atitude infeliz, não era a minha intenção de ficar tanto tempo sem falar com você, mas aconteceu tanta coisa na minha vida que me impediram de vir falar com você. Hoje estou aqui para me redimir e implorar seu perdão de joelhos se for preciso. Se você não quer mais meu amor vou entender, mas aceite pelo menos minha amizade.
- Para que tudo isso agora? Se você não quis meu amor, por que acha que vou querer sua amizade? Você não confiou em mim.
- Estou admitindo o meu erro. Dê-me uma nova chance, por favor, Andy. Pediu Nike segurando seu braço.
- Não toque em mim.
- Desculpa. Falou Nike soltando-a e se afastando.
- Me deixa sozinha, por favor.
Nike retornou a sala e logo depois Andy também voltou.
- Me desculpe, eu já havia marcado um compromisso e estou atrasada. Falou Andy pegando a bolsa.
- Sem problemas, Andy. Falou Evelyn.
- Boa noite para todas.
Andy deu um beijo na cabeça de Sam e saiu.
As três conversaram por mais um tempo e na hora que se despediram, Sam falou.
- Não fique assim, Nike. Dê um tempo para a Andy analisar o que vocês conversaram. Sei que o que vocês viveram não morreu. Logo ela irá procurar você.
- Obrigada pelo apoio, Sam. Amanhã a gente se fala. Disse Nike abraçando-a.
- Foi um prazer conhecer você, Sam. Falou Evelyn.
- O prazer foi meu. Volte mais vezes. Convidou Sam.
- Eu voltarei.
Assim que o carro saiu da garagem, Sam fechou a porta e voltou para o sofá após abrir outra garrafa de vinho. Tomou um gole e acendeu um cigarro.
Instantes depois a porta se abriu e Andy entrou.
- Quer uma taça? Perguntou Sam sem se virar.
- Acho que vou precisar de um garrafão essa noite. Respondeu Andy sentando no sofá e acendendo um cigarro.
- Você não tinha parado de fumar? Indagou Sam estendendo uma taça para ela.
- Voltei hoje.
Beberam em silencio. Andy olhou para Sam e perguntou.
- O que faço agora, Sam?
- O que é melhor para você. Respondeu Sam. Sei que você sente algo ainda por ela.
- Algo não. Eu a amo. Muito mais que antes.
- Então, minha amiga. Dê outra chance para vocês serem felizes.
- Tenho medo.
- Eu sei que sim. Mas se você não se arriscar não saberá se dará certo. Pense com calma e o que você decidir, eu estarei do seu lado.
- Obrigada, Sam.
Sam terminou seu vinho e convidou.
- Quer sair um pouco?
- Não, obrigada. Vou para a cama.
- Até amanhã. Falou Sam beijando-a.
Pegou a carteira e a chave da moto e saiu.
Andy ficou olhando Sam sair e acendeu outro cigarro. Tornou a encher sua taça e foi para o quarto.
Na rua Sam passeou sem pressa pela orla marítima. Depois encontrou alguns amigos em um barzinho e encostou a moto. Cumprimentou-os e pediu um vinho no balcão.
Ficou na calçada conversando, foi quando viu um BMW passar devagar. Sentada atrás uma moça linda chamou sua atenção. Elas se encararam e Sam reparou que ela tinha um olhar intenso e uma boca que parecia da Angelina Jolie.
Ficou olhando o carro até ele estar longe. Instante depois pagou o vinho e voltou para casa prestando atenção nos carros para ver se a via novamente.
Quando passou em frente do seu quiosque, viu um carro parecido com o que vira antes, mas não teve certeza. Parou a moto e olhou para os prédios em frente. Será que ela estava por ali? Perguntou-se. Várias janelas estavam com as luzes apagadas, olhou por mais alguns segundos depois ligou a moto e voltou para casa.
No ultimo andar de um edifício do outro lado da rua um par de olhos tristes observava Sam parada sobre a moto. Ela era uma graçinha e deveria ser muito forte para conseguir pilotar uma moto daquele tamanho. A sensação quando se olharam foi como uma corrente elétrica passando por seu corpo. Sentiu como se a conhecesse há bastante tempo. Seria muito bom se encontrasse alguém que a amasse de verdade. Estava cansada de ser humilhada por alguém que havia entrado em sua vida somente para acabar com sua paz de espírito. Ela balançou a cabeça com vigor para jogar fora aqueles pensamentos ruins e entrou na sala, fechando a porta.
Sam chegou a casa foi direto para seu quarto, mas antes deu uma olhada em Andy que dormia profundamente. Tomou um banho e deitou. Acendeu um cigarro e ficou olhando a fumaça. Novamente visualizou o rosto da moça do carro. Sorriu. Sentiu que seus destinos iriam se cruzar e quem sabe seriam felizes. Apagou o cigarro e o abajur e adormeceu.
Na manhã seguinte acordou cedo, após tomar um suco saiu para caminhar. Passou perto do quiosque e o carro não estava mais lá. Não soube explicar, mas sentiu a presença da moça no ar. Era uma coisa estranha. Olhou novamente para os edifícios e depois voltou a caminhar. Andou até a plataforma e voltou correndo pela areia.
Em casa foi tomar um banho. Quando desceu, Gil entrou na cozinha.
- Bom dia. Cumprimentou Gil. Caiu da cama?
- Resolvi correr mais cedo hoje. Respondeu ela.
- Logo preparo o café. A Andy já levantou?
- Acho que não. Vou ver.
Sam subiu as escadas correndo e bateu na porta.
- Entre, Sam. Falou ela.
- Bom dia. Como se sente hoje? Quis saber Sam.
- Melhor. Pensei bastante ontem quando você saiu. Resolvi dar outra chance para Nike. Vou convidá-la para o almoço e resolver de uma vez por todas essa situação.
- A melhor coisa para resolver uma situação é conversando. Se precisar de mim estarei sempre do seu lado.
- Obrigada. Enquanto tomo banho, você a convida para o almoço?
- Claro.
- Obrigada.
Andy se levantou e Sam voltou para a cozinha na passagem pegou seu celular na sala. Ligou para Nike.
Um pouco distante dali, Nike estava no banho e pediu para alguém atender seu celular.
- Eu atendo. Falou a irmã de Evelyn que havia chegado à noite anterior.
- Alô, Nike? Perguntou Sam.
- Não, é Eve.
- Por favor, a Nike está?
- Ela está no banho. Quer deixar recado?
- Sim, por favor, diga que a Sam ligou.
- Darei seu recado.
- Obrigada.
- Por nada.
Sam desligou o telefone e pensou. Essa moça que atendeu deve ser a sócia de Nike. Que voz deliciosa!
Eve ainda segurava o celular, pois também gostara da voz do outro lado, quando Nike entrou no quarto secando os cabelos.
- Algum problema? Perguntou ela.
- Não, nenhum.
- Quem era no celular?
- Alguém chamado Sam pediu para você retornar a ligação.
- Sam? Será que aconteceu algo com a Andy? Perguntou Nike pegando o celular que Eve lhe estendeu.
- É sua amiga? Quis saber Eve.
- Eu a conheço há anos. Você gostará dela quando a conhecer.
- É sua namorada?
- Não. Respondeu Nike rindo. Sam é a lésbica mais cobiçada de Mongaguá.
- Então deve ter uma namorada muito ciumenta.
- Que nada. Pelo que sei está solteira há mais de dois anos. Evelyn a conheceu ontem. Por que o interesse?
- Nenhum. Só curiosidade.
- Sei.
- É verdade, Nike. Confirmou Eve.
- Vou acreditar. Disse Nike rindo ligando para Sam.
Eve também riu e saiu do quarto.
Eve tinha os cabelos castanhos escuros todo anelado, o corpo perfeito e maravilhosos olhos cor de esmeralda, boca de lábios grossos e sensuais que cativavam no primeiro olhar.
Todos estavam sentados na mesa do café, quando Nike entrou cumprimentando-os.
- Qual o motivo de tanta alegria logo cedo? Quis saber Evelyn.
- Vou almoçar com Andy. Respondeu Nike se servindo.
- Tomara que seja para vocês voltarem.
- Tomara Evelyn. Tomara.
- Como é a Sam? Perguntou Eve.
Nike riu maliciosa, mas foi Evelyn que respondeu.
- Alta, cabelos curtos encaracolados, um olhar lindo e um sorriso de tirar o fôlego.
- E para completar pilota uma moto enorme. Falou Nike.
Eve sentiu o coração disparar. Era muita coincidência a Sam ser muito parecida com a moça da noite passada, mas tudo levava a crer que se tratava da mesma pessoa. Precisava conhecê-la o mais rápido possível ou não teria sossego.
Após o café, Evelyn e os pais foram ao supermercado, Nike foi para o quarto e Eve sentou-se na varanda com um livro.
Nike chegou na hora marcada e levou flores para Andy que agradeceu emocionada. Ficaram conversando na sala, enquanto Sam ajudava Gil com o almoço.
No almoço foram servidos moqueca de peixe com arroz, salada de folhas e de sobremesa pudim de laranja tudo regado a vinho branco gelado. Sam fez um brinde.
- Desejo a vocês toda a felicidade do mundo.
- Obrigada, minha amiga. Respondeu Andy.
Andy e Nike terminaram o dia trancadas no quarto, amando-se. Sam havia saído e Gil logo depois de ter terminado todo o serviço havia ido para casa.
Quando Evelyn e os pais voltaram do supermercado, Eve ainda estava sentada na varanda. Almoçaram e ela voltou para a varanda.
Estava olhando tristemente o cair da tarde, quando Amanda, sua mãe, se aproximou. Era uma mulher que conservava a beleza da juventude, muito parecida com a filha.
- Anime-se, meu amor! Falou ela colocando o braço sobre os ombros de Eve. – Você precisa conhecer gente nova. Não gosto de te ver desse jeito. O tempo é ainda o melhor remédio para recuperarmos das coisas ruins. Durante esse tempo você vai conhecer alguém muito especial que vai te amar como merece.
- Tenho tanto medo, mamãe. Sinto que a Carla minou tudo o que eu tinha de bom. Sinto-me incapaz de amar novamente.
- É claro que isso não aconteceu. Você está muito ferida e é normal nos sentirmos assim. Ninguém é igual, você encontrará a pessoa certa.
Ficaram em silencio por alguns segundos. A lembrança da moça que vira a fez sorrir. Perguntou para a mãe.
- Mamãe, é possível você olhar uma pessoa por alguns segundos e sentir uma corrente elétrica percorrer seu corpo e sentir algo diferente?
- Claro que sim. Isso acontece quando essa pessoa está no nosso destino. Por quê?
- Na noite que chegamos eu vi uma moça na beira da praia. Quando nos olhamos senti uma coisa inexplicável, gostosa. Desde então não consigo esquecer aquele rosto e por coincidência essa moça se encaixa na discrição que Evelyn fez da amiga da Nike.
- Logo você terá a confirmação, pois ela vai nos apresentar hoje à noite.
- Legal!
- Agora acabe com essa tristeza e vamos tomar um lanche. Vamos sair mais tarde, irá conosco?
- Claro que sim.
Elas entram sorrindo.
Ao anoitecer, Andy e Sam saíram para a primeira noite daquele verão.
Quando chegaram, José e Luis já as esperavam. Enquanto Sam descarregava a caminhonete, Andy guardava as coisas nas geladeiras e José e Luis arrumavam as mesas e cadeiras na calçada.
- Sara está atrasada. Comentou Sam.
- Será que aconteceu algo? Indagou Andy.
Naquele momento ouviram um barulho ensurdecedor de motor.
- Sara! Falaram elas em uníssono rindo pra valer.
Sara entrou bufando com o capacete na mão e cumprimentou-as.
- O que houve? Perguntou Sam.
- Tive problemas com aquela porcaria de novo. Resmungou ela.
- Já levou ela no mecânico?
- Eu vivo lá. Agora ele me disse que vou economizar muito se eu comprar outra.
- Concordo com ele.
- Sam, estou sem grana no momento para comprar outra.
- Se eu der a entrada você se livra daquela porcaria?
- No mesmo instante. Respondeu Sara colocando o avental e a touca.
- Amanhã vejo isso para você.
- Obrigada, Sam.
O movimento aumentou no decorrer das horas. Nike chegou acompanhada por Evelyn e um casal. Sentaram se e José foi atendê-los.
- Boa noite. Sejam bem vindos ao Quiosque das Pedras. Olá, Nike.
- Olá, Zezinho. Como vai?
- Tudo bem.
- Vou querer aquele vinho especial que a Sam tem. Falou Nike.
- Algo mais?
- Por enquanto é só.
- Com licença.
Sam foi servir o vinho e cumprimentou Evelyn.
- Sam, meus pais, Amanda e Ricardo.
- Sejam bem vindos.
- Obrigada. Respondeu Amanda.
- Vocês não querem comer nada? Temos mariscos deliciosos temperados.
- Foi a Gil que fez? Quis saber Nike.
- Foi sim. Respondeu Sam.
- Gente, eu não resisto ao marisco a La Gil. Falou ela rindo. – É simplesmente delicioso.
- Então vamos experimentar. Disse Ricardo.
-Trarei num instante.
Quando Sam se afastou, Evelyn comentou.
- A Eve está virando um bicho do mato. Ela bem que poderia estar aqui se divertindo um pouco.
- Ela estava com dor de cabeça. Disse quando melhorar virá para cá. Falou Amanda.
Na varanda do apartamento, Eve observava o movimento do quiosque e pensou:
“- Estou fugindo do quê? Preciso parar de viver o passado e aproveitar o presente e preparar o futuro. Não vou ser feliz se ficar me escondendo.” Com esse pensamento ela correu para o quarto, retocou a maquiagem, perfumou-se e saiu.
Quando estava atravessando a rua, Sam a viu e ficou paralisada com os olhos arregalados.
- É ela! Murmurou.
- Você falou algo, Sam? Perguntou Andy.
Rapidamente Sam contou o ocorrido para Andy sem tirar os olhos de Eve.
- É muita coincidência. Vamos ver aonde ela vai se sentar. Disse Andy.
As duas ficaram observando-a.
Eve se aproximou e se sentou à mesa de Nike.
- Pronto você tem a sua resposta. Logo saberá quem é a beldade. Tornou a dizer Andy.
Na mesa todos ficaram contentes com a chegada de Eve.
- Melhorou Eve.
- Estou ótima.
- O que vai beber? Perguntou Nike.
- O mesmo que vocês. Respondeu ela.
Nike chamou Luis e pediu outra taça.
- Legal esse lugar. Eve comentou.
- Também gostamos. Falou Amanda.
Eve procurou Sam com os olhos e quando seus olhos cruzaram com os dela, segurou a mão de Amanda.
- O que houve?
- A pessoa que te falei é a amiga da Nike.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Fique calma que ela está vindo para cá.
Sam conversou com o pessoal da mesa vizinha e depois se aproximou.
- Vocês desejam mais alguma coisa?
- Outra garrafa de vinho. Pediu Ricardo.
- Sam, quero lhe apresentar minha sócia e amiga. Eve, essa é a Sam.
- Oi.
- Oi.
Foi tudo o que conseguiram falar no momento, mas continuaram a se encararem.
Andy salvou a situação quando se aproximou e foi apresentada para Eve.
- Sam seu celular tocou era sua mãe. Vá ligar para ela que eu anoto o pedido.
- Pedimos outra garrafa de vinho. Falou Nike.
Andy pediu licença e voltou em seguida com a garrafa.
- Venho te buscar mais tarde. Falou Nike segurando a mão de Andy.
- Vou esperar.
Algum tempo depois Sam e Andy voltaram à mesa para se despedirem.
Sam ficou olhando-os se afastarem. Quando voltou para perto de Andy, essa não comentou nada apenas sorriu para ela.
O quiosque foi fechado às quatro da manhã. Nike pegou Andy e foram para casa. Sam pegou uma garrafa de vinho e uma taça e se sentou na mureta da praia e acendeu um cigarro. Gostava de fazer isso sempre que fechava o quiosque.
Não fazia muito tempo que estava ali, quando alguém se aproximou e perguntou.
- Você acende meu cigarro?
Como estava um pouco escuro onde estavam Sam não reconheceu a pessoa. Levantou-se e se aproximou, quando a chama do isqueiro iluminou o rosto da moça ela exclamou.
- Eve!
- Eu precisava te ver de perto, falar com você ou não conseguiria dormir.
- Eu sempre fico aqui depois que fecho o quiosque, mas confesso que fiquei na esperança de te ver novamente. Você é real?
Eve riu gostosamente como há muito tempo não fazia e respondeu.
- Sou bem real.
- Ufa, que sorte!
Fim do capítulo
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