Capítulo 9
Vládia parecia uma criança, seus olhos não perdiam nada, parecia que fazia anos que ela não via a cidade, quando notou onde Francis estacionava o carro, olhou para namorada com lágrima nos olhos, era a praia, ela podia ver o mar bem na sua frente, só então se deu conta de como sentia falta daquele lugar. Caminharam lado a lado até a areia, Francis ajudou ela a sentar na areia e foi comprar duas águas de coco, tomaram em silêncio, apenas contemplando as ondas e o barulho do mar, foi Vládia quem quebrou o silêncio.
-- Obrigada amor, eu não tinha noção da falta que sentia desse lugar. – Entrelaçou seus dedos com os da namorada.
-- Eu sabia que você iria gostar, faz tempo que não fazemos isso.
Ficaram por cerca de uma hora na praia, depois seguiram em direção ao apartamento de Vládia, lá seu Antonio a recebeu com carinho e lágrimas nos olhos, subiram e quando Vládia abriu a porta à gritaria foi geral.
--Surpresa! – Sílvia, Paulinha, dona Ana e Pietra gritaram juntas.
Na parede da sala, uma faixa dizia.
“Bem-vinda de volta Branquinha.”
Essa faixa ela teve certeza que foi obra de Pietra, ela quem havia dado esse apelido a ela. Muitos beijos e abraços depois, com as roupas já levadas por dona Ana, elas estavam sentadas na sala, comendo e conversando quando Vládia se levantou e pegando Pietra pela mão, se dirigiu até a varanda para fumar um cigarro.
-- Pronto minha amiga, agora somo só nós duas, me diz, como você está? – Vládia disse puxando Pietra se sentar ao seu lado.
-- Eu estou bem, estou indo na verdade, meio no piloto automático sabe? – Disse entrelaçando os seus dedos com os da amiga.
-- Não tem volta Pietra?
-- Ah branquinha, eu sinto uma saudade danada dela, mas se a gente voltar agora, as coisas voltam a ser como antes, e sinceramente, eu não quero, embora a saudade seja imensa, me faz bem saber que ninguém acha que me sustenta.
-- Ela também está abatida, sofrendo, vocês já conversaram depois da separação?
-- Branquinha, eu também to sofrendo, deixei tudo para trás para poder viver esse amor com ela, meus irmãos não falam comigo pois não aceitam minha orientação sexual, não to reclamando, eu faria tudo de novo, mas o que ela fez para salvar nossa relação? Nada, ela se esconde atrás desse dinheiro do pai dela.
-- Não é bem assim, esse dinheiro é dela, o pai só o administra.
-- Exatamente, ele sabe que se deixar por conta dela, ele acaba em um ano, ela precisa crescer branquinha, ter responsabilidades, a vida não é só festa.
-- Tudo bem Pietra, como já disse outras vezes, não vou me meter, pois amo as duas, mas ainda acho que vocês deveriam conversar.
Abraçou a amiga e ficaram por um tempo nesse abraço, até Vládia sentir que a amiga estava chorando, beijou demoradamente o rosto da amiga antes de retornarem para sala.
As meninas passaram o dia lá, no final da tarde, antes de irem embora, Silvinha chamou Francis na cozinha para dizer.
-- As rosas que você pediu que eu comprasse estão no quarto da Vlá, dentro de um vaso, aproveitem sem moderação nenhuma a noite.
E rindo abraçou a amiga. Na sala as meninas se despediam da Vládia quando elas voltaram, Paulinha era a mais triste de todas, Pietra se aproximou da ex-namorada para se despedir.
-- Paula, você está de carro? – Perguntou meio sem jeito.
-- Eu estou de moto, é mais rápido. – Disse baixando a cabeça, sabia que a namorada não gostava que ela andasse de moto.
-- Paulinha, você sabe que moto não é seguro. – Disse tirando uma mecha de cabelo do rosto de Paulinha.
-- Ficar sem você também não é seguro, mas mesmo assim você foi embora, por que vai se preocupar agora? – Sua voz era carregada de mágoa.
-- Paula, não seja infantil, você sabe muito bem por que eu fui embora.
-- Ah, vê se me erra Pietra, você não preferiu sair da minha vida? Pois então me faça um favor e fique fora dela. – Deu um beijo nas meninas e saiu, algum tempo depois escutaram o motor potente da moto arrancar.
-- Pietra, você conhece bem a Paula, dizer a ela para não fazer é o mesmo que dizer faça.
--Eu sei Francis. Silvinha podemos ir?
-- Claro, vamos.
Se despediram e saíram, enquanto Vládia arrumava as coisas na sala, Francis levou as coisas na cozinha e lavou o que estava sujo, sentaram na sala, fumando um cigarro e olhando uma para outra, Vládia se aproximou da Francis, e com a ponta dos dedos foi desenhando todos os traços do seu rosto.
-- Eu preciso terminar algo que comecei no hospital. – Foi descendo a mão desenhando o coro dela até o decote V da blusa que Francis usava, arrancando um gemido da namorada.
-- Ainda não, tenho algo para lhe dar, espere aqui na sala e não venha atrás de mim ok? – Beijou a namorada e foi em direção ao quarto.
Cerca de vinte minutos depois voltou à sala para buscá-la, nas mãos tinha um lenço de seda com o qual vendou os olhos da namorada e a conduziu até o quarto. Quando retirou a venda, Vládia pode ver o quarto repleto de pétalas de rosas e velas, sob a cama havia escrito TE AMO com pétalas de rosas, Vládia tinha lágrimas nos olhos quando olhou para namorada que a pegou no colo e a levou até o banheiro, tirou peça por peça, beijando cada pedacinho do corpo da mulher que amava e a colocando dentro da banheira e em seguida tirou sua roupa, bem devagar sob o olhar da namorada, se juntou a ela na banheira e fez com que Vládia se encostasse nela, entregou nas mãos uma taça de suco de abacaxi e sussurou em seu ouvido.
-- Já que não podemos brindar esse momento com um champanhe, o faremos com suco mesmo.
Depois de tomarem um gole do suco, começaram a se tocar, uma encostada na outra, Francis pegou as mãos de Vládia e as levantou para que ficassem por trás do seu pescoço, beijava a nuca dela enquanto as mãos exploravam seu corpo sem pressa, passeou por cada centímetro do seu corpo, sentindo ela se arrepiar e ouvindo seus gemidos, Vládia, não agüentando mais aquela tortura, pegou a mão da Francis e a levou até seu sex* pedindo que a penetrasse e assim ela o fez, sentia o corpo da namorada responder ao seu toque e a medida que o prazer ia aumentando, aumentou também a intensidade das estocadas, até que juntas chegaram ao orgasmo.
Fizeram amor durante a noite toda e boa parte da madrugada, até que exaustas, adormeceram uma nos braços da outra.
Já haviam se passado dois meses desde que Vládia havia deixado o hospital, Francis cuidava dela e quase todos os dias dormiam juntas, ora na casa da Vladia ora na casa de Francis, Vládia havia voltado a tocar, mas só nas duas boates que era a DJ residente, o médico ainda não havia liberado ela para viajar.
Era segunda de tarde quando Francis recebeu uma ligação da mãe dizendo que devido à um compra grande de peças, ela teria que ir para SP para assinar a ordem de pagamento e verificar o balanço dos últimos meses.
-- Amor, eu vou morrer de saudades de você, não demora a voltar. – Vládia choramingou no pescoço da namorada.
-- Docinho, fico no máximo 5 dias lá, e vamos nos falar todos os dias.
Francis combinou que Silvinha ficaria esses dias com a Vládia e com tudo arrumado, seguiu para SP na quarta a noite prometendo voltar na segunda pela manhã.
Na sexta-feira, Pietra foi para lá para terem uma noite das meninas, tinha cerveja, petisco, filmes, música e elas estavam animadas, já passavam das dez quando a campainha tocou, Pietra pulou e olhou para as meninas.
-- Vocês não chamaram a Paula né? Nós combinamos que seriamos só nós.
-- Ninguém chamou a Paula, além do mais ela está em Salvador há quinze dias já. – Vládia disse enquanto levantava e ia até a porta.
Quase desmaiou quando viu quem era que estava parada lá.
-- Pâm, o que você faz aqui?
-- Er..Oi Vlá, será que eu posso entrar? Só um pouquinho? Por favor? – Ela estava linda, com as mãos nos bolsos e com carinha de criança pidona.
Vládia se afastou, dando passagem a ela, Silvinha e Pietra, olharam de forma inquisidora para ela, mas ao verem os olhos da Vládia pedindo para que não falassem nada, abaixaram a cabeça e voltaram a tomar a cerveja que tinham nas mãos.
-- Sente-se Pâm, fique a vontade, as meninas você já conhece. – Disse apontando as meninas e sentando no chão ao lado das meninas, Pietra pegou a mão de Vládia entre as suas e entrelaçou seus dedos. Pâm cumprimentou as meninas que responderam apenas com um aceno de cabeça.
-- Vládia, essa conversa pode ser em particular? – Ela estava realmente nervosa.
-- Não tenho nada a esconder delas Pâm, então pode dizer, assim me poupa o trabalho de ter que repetir a história. – Foi seca, mas olhar aquela mulher ali na sua frente, a levou direto para o dia que ela recusou seu pedido de casamento, e isso lhe doeu na alma.
Como ela não dizia nada, tinha apenas os olhos marejados, Vládia decidiu que queria saber o que a fez vir de tão longe para vê-la.
-- Silvinha, Pietra, vocês poderiam nos dar licença, amanhã eu falo com vocês.
Pietra se aproximou da amiga e disse no seu ouvido.
-- Você tem certeza disso branquinha?
Vládia apenas balançou a cabeça afirmando e as amigas levantaram e se despediram dela antes de sair.
De volta a sala, Vládia ofereceu a Pâm uma cerveja que ela aceitou de imediato, acendeu um cigarro e sentou na no sofá de frente para Pâm.
-- Pode dizer agora, somos só eu e você.
-- Primeiro quero saber como você está?
-- Eu estou bem, tenho algumas cicatrizes, mas as que mais doem são as que não se podem ver, passei um mês e alguns dias internada, to fazendo fisioterapia e em breve vou poder correr na praia de novo.
-- Que bom, fico feliz.
Um silêncio que pareceu durar uma eternidade se instalou naquela sala, o único som que se ouvia era o da cerveja quando ingerida, Vládia estava suando, sentia suas mãos molhadas, ela não era imune a presença daquela mulher, precisava sair daquela situação, seu coração já estava aos pulos.
-- Você não veio até aqui para ficar calada me olhando não foi?
-- Não, na realidade, além da saudade que eu senti de você, eu preciso te explicar o porquê da minha recusa diante do seu pedido de casamento.
-- Porque agora? Depois de tanto tempo, porque mexer em feridas Pâm?
-- Por que eu preciso Vlá, você precisa saber, tem o direito, sei que a resposta está vindo com muitos meses de atraso, mas mesmo assim eu preciso te dizer.
-- Tá certo Pâmela, sou toda ouvido, pode começar.
-- Olha, te peço uma coisa, apenas uma coisa, me deixe terminar antes de você se pronunciar está bem?
-- Tá bom Pâmela, eu tentarei ficar calada.
-- O que nós tínhamos era muito bom, intenso, tínhamos sintonia, o carinho era gostoso, o sex* era simplesmente espetacular, então por que mudar? Por que casar? Dividir o mesmo teto é sinônimo de brigas, rotinas e ainda tinha o meu sonho se concretizando, você não sabe quanto tempo eu esperei para ter minha independência Vládia.
Ela tomou um gole da cerveja, suspirou e continuou.
-- Quando eu tinha 20 anos, um acidente de carro matou minha mãe, estávamos eu, ela e meus irmãos menores, Ricardo e Camila, eles são filhos do segundo casamento da minha mãe, hoje eles tem 12 e 14 anos, mas o que você não sabe é que eu estava na direção e quando acordei, a avó paterna já tinha a guarda deles, ela cuida deles com muito amor e carinho, mas não tem dinheiro suficiente para dar a eles a educação que merecem, eu precisava dessa independência muito mais por eles do que por mim Vládia e apesar de amar muito você, casar nunca esteve nos meus planos.
Aquelas palavras lhe feriam a alma, não sabia como processar as informações que estava recebendo.
-- Quando soube do seu acidente eu quase pirei, Andréia e Sophia que se informavam sobre seu estado no hospital e me diziam, eu liguei para Silvia uma vez, mas ela quase me engolia pelo celular, e com razão, então não liguei mais para ela. Depois fiquei sabendo que você e a Francis estavam juntas, então vi que não tínhamos mais a possibilidade de nos entender, você consegue me entender Vládia? – Ela perguntou sentando-se ao lado de Vládia no sofá.
-- Eu não sei o que dizer Pâm, entendo alguns dos seus motivos, mas não consigo entender outros, você quer dizer que o que existia entre nós era apenas um sex* muito bom, é isso?
-- Não é bem assim, existia amor, um amor diferente, mas não o suficiente para eu me casar.
Vládia levantou do sofá e começou a andar pela sala, seu peito doía agora mais do que na noite em que foi rejeitada pela mesma mulher que hoje estava ali em sua frente.
-- Eu te amo Vládia, do meu jeito complicado, mas eu amo, você consegue sentir isso aqui? – Pegou a mão dela e levou até o peito para que ela sentisse o seu coração aos pulos.
Vládia sentiu seu estremecer com o toque da sua pele em sua mão, fechou os olhos e respirou fundo, sentindo ali em sua mão, o coração da Pâm aos pulos, sentiu seu corpo arder, em sua mente, lembranças passavam em câmera lenta, lembrava do sorriso da Pâm quando acordava ao seu lado, do cheiro da sua pele suada na hora que faziam amor, sentia falta daquele turbilhão de emoções que sentia ao lado dela.
Pâm sentindo que a outra não era imune ao seu toque, se aproximou, e bem próxima do ouvido da outra sussurrou.
-- Me beija Vládia, faz amor comigo, apaga essa chama que arde em meu corpo só de pensar em você.
Sem conseguir pensar em mais nada, prensou Pâm contra a parede e deixou todo o desejo extravasar, beijava o pescoço, os lábios, o colo enquanto suas mãos ágeis a livravam das peças de roupas que a separavam daquele corpo que tanto desejava naquele momento, uma a uma as peças foram arrancadas, uma foi rasgada e foram ficando jogadas em um canto qualquer da sala, pegou Pâm pela cintura e se jogou com ela em cima do sofá, em uma dança selvagem, cheia de desejos, a penetrou com certa brutalidade, arrancando da Pâm gemidos e frases desconexas, intensificou as estocadas, pegou um dos seios em sua boca e ch*pava, lambia, mordia e quanto mais intenso eram as investida, mais Pâm gemia, quando sentiu que seu corpo já dava sinais que o orgasmo estava chegando, olhou nos olhos da Pâm e disse.
-- Vem, goz* comigo. – E assim, juntas chegaram ao orgasmo.
Quando conseguiu se mexer novamente, pegou Pâm pela mão e a levou para o quarto de hóspedes deitando-a de costas, começou a beijar e lamber toda a extensão das costas, dava leve mordidinhas no bumbum e subia até chegar na nuca, embaixo dela, Pâm enlouquecia com as carícias recebidas.
Vládia procurou pelo sex* dela que já estava molhado esperando por ela e penetrou, Pâm soltou um gemido alto que enlouqueceu Vladia, e mais uma vez começaram a dançar, Vládia sentia todo o corpo de Pâm sob o seu e mais uma vez chegaram juntas ao orgasmo.
A madrugada toda foi essa maratona de sex*, Vládia queria exorcizar o Fantasma que atendia pelo nome de Pâm da sua vida, e quando estavam exaustas adormeceram.
Eram nove da manhã quando Vládia acordou com o celular tocando, sentiu um peso em seu peito e ao abrir os olhos e ver deitada ali do seu a Pâm teve noção da merd* que tinha feito. Pegou o celular, no visor o nome Francis aparecia, ela não podia atender, não naquela hora, precisava tentar entender o que havia acontecido na noite anterior, derrubou a ligação, e sentou na cama olhando para Pâm que dormia e tinha marcas pelo corpo todo, resultado da noite intensa que tiveram, não pode deixar de sorrir, passou as mãos no cabelo e sussurrou.
-- Que merd* que eu fiz?
Levantou e foi para cozinha, sabia que a qualquer momento Silvinha iria aparecer, não queria que a encontrasse na cama com a Pâm, já na sala começou a recolher as roupas e notou que o soutien da Pâm estava rasgado, mesmo assim levou todas as peças para o quarto de hóspedes e decidiu que precisava de um café.
Na cozinha, já estava tomando seu café e fumando seu cigarro quando seu celular tocou, era Silvinha, atendeu.
-- Bom dia Silvinha. – Disse querendo disfarçar.
-- Bom dia Vlá, aconteceu alguma coisa? A Francis me ligou dizendo que estava tentando falar com você, mas você não atendia.
-- Acho que foi na hora que eu estava fazendo café, o celular estava no quarto.
-- Ela ainda está aí Zammorah?
Vládia suspirou antes de responder.
-- Tá Silvinha, no quarto de hóspedes. – Sentiu um certo desconforto da amiga.
-- Você dormiu com ela Vlá? – Como a amiga não respondeu ela continuou.
-- Eu sabia, eu disse a Pietra que isso iria acontecer.
-- Silvinha, já me basta minha consciência, não preciso que você também venha me censurar.
-- Vládia, não estou te censurando, apenas acho que a Fran merecia um pouco mais de respeito.
-- E você acha que eu não sei disso? Tô me odiando por ter deixado que isso acontecesse. – Lágrimas começavam a se formar em seus olhos.
-- Pelo menos valeu a pena?
-- Não sei o que estou sentindo, vem prá cá, por favor?
-- Estou indo ao banco, tenho que pagar umas coisas, depois vou até aí.
Se despediu da amiga e ficou perdida em seus pensamentos, lembrava do carinho que Francis havia tido com ela durante o tempo em que esteve no hospital e se sentiu a pior das espécies, foi tirada dos seus pensamentos por Pâm envolvendo seu pescoço e beijando sua nuca.
-- Bom dia linda. – Vládia se assustou.
-- Bom dia Pâmela. – Se afastou dos braços dela.
-- Nossa, ontem você estava mais receptiva.
-- Ontem eu estava fora de mim.
-- O que foi agora Vládia, achei que estava tudo resolvido entre nós?
-- Não tem para resolver Pâm, até por que não existe mais “nós”. Fez o sinal de aspas com as mãos.
-- Você nunca vai me perdoar não é? – Fez um carinho no rosto de Vládia que fechou os olhos para receber.
-- Não tenho nada para perdoar Pâm, você trilhou seu caminho, e eu não estava nele, só isso. – Vládia sentiu o peso dessa frase nessa alma.
Pâm nada disse, apenas ficou olhando ela que brincava com a colher em cima da mesa, notou que ela estava mais magra, porém bonita, talvez até mais do que antes, se é que isso era possível. Vládia levantou e disse.
-- Tem café no lugar de sempre, na geladeira tem frutas, frios e suco, pegue o que quiser, eu vou tomar banho, tenho fisioterapia daqui a pouco. – Era mentira, a fisioterapia era só a tarde, mas precisa sair de perto daquela mulher que exercia sobre ela uma força descomunal.
-- Eu só quero um café, depois eu vou embora, meu avião sai daqui a pouco e ainda tenho que ir ao hotel pegar minhas coisas.
Vládia seguiu para seu quarto e só prá ter certeza, fechou a porta com chave e entrou no banho, ao sair Pâm já tinho ido, mas havia um bilhete e embaixo dele, o soutien que ela havia rasgado.
“Uma recordação para a noite selvagem que tivemos. A primeira de muitas que ainda virão.
Um beijo nessa boca gostosa.
Sua Pâm.”
Um sorriso brotou em seus lábios, cheirou o soutien, ainda tinha o cheiro dela, como ela gostava daquele cheiro, dobrou o soutien e colocou no fundo da sua gaveta de lingerie, secou os cabelos, colocou roupas leves e foi para sala assistir TV.
Uma hora depois, ainda estava em frente a TV, embora não tivesse noção do que passava, seu celular tocou, era Francis, com uma culpa imensa no peito, atendeu.
-- Oi amor, que aconteceu que te liguei e você não atendeu? – Francis perguntou.
-- Oi, eu estava fazendo café e deixei o celular no quarto.
-- Por que não me ligou de volta? Fiquei preocupada.
-- Por que você me disse que hoje teria uma reunião importante, não sabia se você poderia atender. – Se sentiu mal pela mentira.
Conversaram por um bom tempo, Francis toda carinhosa com ela e ela cada vez se sentindo culpada, só desligaram quando Silvinha chegou.
-- Cadê ela Vládia? – Silvinha perguntou jogando a bolsa no sofá e indo para cozinhar com Vládia em seu encalço.
-- Ela já foi, nem vi quando saiu, eu estava no banho.
Silvinha se serviu de um copo de suco, pegou uma maçã e sentou-se na mesa de frente para ela.
-- Por que deixou acontecer se era para ficar com essa cara de enterro no dia seguinte?
-- Eu precisava exorcizar esse fantasma da minha vida Sil.
-- Vládia, se queria uma sessão de exorcismo, fosse para uma igreja ou um centro, sei lá, não precisava ir para cama com ela.
-- Ai Sil, eu tentei, Deus sabe que eu tentei, eu fugi dela, mas no fim, foi mais forte do que eu.
-- Vem cá minha amiga. – Abraçou minha amiga e afagando sua costa, continuou a conversa.
-- Ela ao menos disse o porquê de ter dito não para você?
-- Ela disse que o sex* entre nós era muito bom, que ela me ama, do jeito dela, mas ama, mas que casar não estava nos planos dela.
-- Ela é baixa, como tem coragem de dizer isso?
-- Eu não sei Sil, só sei que na hora doeu muito ouvir isso, eu preferia que ela tivesse me dito que tinha outra pessoa, sei lá.
-- Ai Vládia, tem algo em você que atrai pessoas complicadas amiga.
-- Não quero mais isso na minha vida Sil, a calmaria que a Francis trouxe para minha vida estava tão bom, por que ela tinha que aparecer e bagunçar tudo? – Lágrimas já caíam de seus olhos.
Silvinha, acolheu mais a amiga e deixou que ela colocasse para fora tudo o que lhe ia na alma através daquelas lagrimas. Algum tempo depois, Vládia tirou o celular do bolso e discou, Silvinha se roia de curiosidade para saber para quem ela estava ligando, mas não perguntou.
-- Oi amor, vem logo prá casa, não agüento mais de saudades de você.
-- Nossa, o que aconteceu para que eu recebesse uma ligação dessa? – Francis, apesar de feliz, estava surpresa.
-- Nada demais, apenas to com saudades de você, do seu corpo junto ao meu, dos seus beijos, vem logo.
-- Amor, se você continuar falando assim eu vou acabar batendo o carro docinho.
-- Desculpa, não sabia que você estava no trânsito.
-- Não estou andando, estou presa em um típico engarrafamento de SP.
-- Você volta logo?
-- Volto sim, amanhã estarei aí para matar a sua saudade e a minha.
-- Tá bom, eu espero até amanhã. Beijo.
-- Beijo, docinho eu te amo.
-- Eu também Fran, muito.
Desligou o celular e viu Silvinha com uma cara estranha.
-- O que foi agora Silvinha?
-- Você sabe o que está fazendo Vládia?
-- Estou retomando minha vida Sil, o que me faz bem, a minha realidade, só isso.
-- Tá certo Vlá, você já é maior e vacinada, acho que sabe o que está fazendo, só não quero que você sofra e nem que faça a Francis sofrer também. – Abraçou a amiga.
-- É por isso que eu te amo minha amiga, amo tanto, obrigada por você existir e fazer parte da minha vida. – Beijou o rosto da amiga, nos olhos, a sinceridade era visível.
O domingo chegou e com ele uma chuva fina, Vládia ainda sentia no corpo as consequências da noite com a Pâm, estava com a perna dolorida, havia abusado e sabia disso.
Eram quase 11hs da manhã quando o interfone tocou, era Pietra que estava lá embaixo esperando ela descer para irem almoçar, Vládia pegou a bolsa, o celular e as chaves e desceu para encontrar com a amiga.
-- Branquinha, tudo bem com você?
-- Não precisa de cerimônia, sei que você já falou com a Silvinha.
-- Tudo bem, ela me contou sim, mas nem precisava, você já viu cachorro cuidar de carne sem comer?
-- Você tá me chamando de cachorra Pietra? – Disse fazendo cara de indignação.
-- Não branquinha, mas bem que você merecia né? – Disse bagunçando o cabelo da amiga.
-- Ai Pietra, eu sei que eu fiz merd*, me arrependo tanto.
-- Só se arrepende por quê ela disse que não quer casar com você.
-- Não Pietra, me arrependi mesmo, eu deveria ter sido forte sabe, mas não consegui.
-- Quando a Francis chega?
-- Hoje à noite.
-- Como vai ser?
-- Não faço a mínima ideia, eu queria contar para ela.
-- Se você contar, sabe que vai perdê-la né?
-- Eu sei, é um risco, mas você sabe que não gosto de mentiras.
-- Eu também não gosto Vlá, mas acho que isso pode esperar mais um pouco.
-- É, quem sabe, ainda não sei o que vou fazer.
-- Espera uns dias pelo menos, ela chega de uma viagem de negócios hoje, provavelmente vai estar cansada, com saudades, não jogue uma bomba dessas na cabeça dela hoje.
-- Você pode ter razão, acho que vou esperar, até porque não verei mais a Pâm.
Chegaram ao restaurante, a beira mar, boa comida, som ambiente, elas fizeram o pedido e conversavam animadamente até que Pietra ficou séria, Vládia, vendo o semblante da amiga mudar, olhou na direção onde se encontravam os olhos da amiga e viu Paulinha entrar com uma loira de parar o trânsito.
-- Você quer ir para outro lugar? – Disse fazendo um carinho na mão da amiga.
-- Não Vlá, já fizemos o pedido e vamos almoçar aqui, tá tudo bem. – Apesar da afirmativa, seus olhos marejaram.
-- Quem é a garota? Você a conhece?
-- É uma amiga dela, elas não se viam há anos, mas parece que se encontraram pela internet.
-- Menos mal Pietra, são só amigas.
-- Olhe direito Vlá, tem cumplicidade entre as duas, sintonia, não são só amigas, se ainda não namoram, estão caminhando para isso.
Vládia começou a analisar e logo viu um carinho entre as duas, a amiga estava certa, não eram apenas boas amigas, havia algo mais entre elas. O pedido delas chegou, almoçaram quase em silêncio, terminaram, pediram a conta e saíram, evitaram serem vistas por Paulinha, foram caminhar na praia, a chuva havia parado e embora o tempo estivesse nublado, o clima estava ameno.
-- Minha vida está exatamente como esse céu, nublado, cinza, sem cor alguma. – Pietra falou sentando-se na areia.
-- Está assim por que você quer, quando vocês vão conversar?
-- Você realmente acha que eu quero sofrer Vlá?
-- Não, mas você também não faz nada para isso mudar, se você a quer, corra atrás dela e a pegue enquanto é tempo.
-- Eu não posso, eu preciso que ela cresça Vládia, eu não agüento mais aquela situação em que vivíamos.
-- A Paulinha crescer é quase impossível, ela vai ser eternamente aquela criança Pietra, e você sabe disso.
Ficaram sentadas olhando o horizonte, sentindo o cheiro do mar e torcendo para que ele levasse embora com suas ondas, tudo o que lhes machucavam naquela hora. Foram para casa perto das cinco da tarde, Pietra deixou Vlá na portaria e seguiu para casa de Silvinha, que por ora era sua também.
Vládia conversou com seu Antonio na portaria por um tempo antes de subir, o avião da Francis chegaria em algumas horas e ela queria ir buscá-la no aeroporto.
Entrou no apartamento e foi direto para cozinha tomar água antes de tomar um banho, de volta à sala, colocou uma música no som e deitou por cinco minutinhos para relaxar antes de ir se arrumar, acabou adormecendo.
Acordou com beijinhos no rosto, aspirou o cheiro e se certificou que seu porto seguro estava de volta, a envolveu em seus braços e aproveitou seu beijo, e só nesse momento se deu conta do tamanho da saudades que havia sentido dela, a puxou para que se deitasse ao seu lado no sofá e assim ficaram ainda por alguns minutos. Até que ela falou.
-- Sentí saudades de você meu anjo.
-- Não mais que eu docinho, pode ter certeza disso.
-- Que horas são?
-- 5:40, por que? Acaso a senhorita tem compromisso para hoje? – Disse beijando sua bochecha.
-- Tenho sim, minha namorada chega hoje de uma viagem estressante de trabalho, preciso me arrumar para ir buscá-la no aeroporto.
-- Sinto lhe dizer que a senhorita não sai daqui tão cedo hoje.
-- Hum, saio sim, saiba que ela é muito ciumenta.
-- Eu também seria tendo uma mulher linda desse jeito ao meu lado.
-- Ah, ela é muito mais linda do que eu, ela para o transito querida.
Riram da brincadeira e Francis se levantou dizendo que precisava tomar água e Vládia acompanhou a namorada aarrada as suas costas.
-- Por que você não me disse que iria chegar mais cedo amor?
-- Eu queria te fazer uma surpresa, só consegui trocar minha passagem hoje pela manhã.
-- Adoro surpresa, essa então, eu amei. – Beijou a nuca dela que se arrepiou com o gesto.
-- Docinho, eu preciso de um banho antes, estou cheirando à viagem.
-- Francis qual o cheiro de viagem?
-- Cheiro de muita gente junto.
-- Boba, pois para mim você está muito cheirosa.
Francis fiou de frente para ela e a puxou para um abraço apertado, cheio de saudades.
-- A senhorita foi para fisioterapia?
-- Fui sim, o Sandro tá quase arrancando meu coro com essa fisioterapia.
-- Deixe de drama Vládia.
Foram caminhando abraçadas até a sala, Francis sentou, pegou a mala e tirando de dentro uma caixinha, entregou a Vládia.
-- Eu achei que tinha tudo haver com você, não resisti e comprei. – Entregou a Vládia.
Vládia abriu e dentro havia uma corrente com um pingente na forma da clave de som, eram em ouro branco, e na clave havia dois brilhantes, Vládia amou o presente
-- Meu amor, é lindo, amei. – Beijou a namorada.
-- Você sabe que não precisava ter tido o trabalho né?
-- Para ver esses olhinhos brilhando desse jeito, eu teria esse trabalho mais vezes docinho.
Vládia beijou a namorada, puxando seu corpo contra o seu, caminhou até que suas pernas bateram no sofá, fez a namorada se sentar e logo em seguida sentou em seu colo, seus dedos se enrolaram nos cabelos da nuca dela fazendo com que ela soltasse um gemido, beijou seu pescoço, passava a língua nele conseguindo assim vários outros gemidos, sussurrou em seu ouvido.
-- Agora é minha vez de te dar um presente.
Se afastou de Francis e tirou a blusa da namorada e depois a sua, libertou os montes gêmeos da namorada para logo em seguida tomá-los em sua boca, ora sugando e lambendo, ora mordendo, enlouquecendo a namorada que a segurava pela cintura e gemia em seu ouvido.
Desceu a mão pela barriga dela até alcançar o cós da calça, Vládia saiu do seu colo e tirou sua calça beijando toda a extensão das suas pernas, parou na parte interna da coxa levando a outra se contorcer de prazer, brincou com o elástico da calcinha, passou a língua sobre o sex* pulsante e molhado, afastou a calcinha e invadiu o sex* dela com a língua, Francis gem*u alto com o toque suave da língua da namorada em seu sex*.
Vládia ditava o ritmo do prazer da namorada que puxava seu cabelos e sussurrava.
-- Ai amor...que gostoso...adoro o que sua língua me faz....
E com essas palavras ditas, intensificou o ritmo até que sentiu a namorada goz*r na sua boca, bebeu até a última gota do mel da Francis e subiu distribuindo beijinhos pelo corpo todo até chegar em sua boca, depois disse.
-- Bem vinda de volta amor.
-- Acho que vou viajar mais vezes, só prá ser recebida assim por você docinho.
Ficaram abraçadas por um tempo, até Francis dizer algo.
-- Me lembrei agora que você sempre gostou do cheiro que fica no ar depois de fazer amor, você ainda gosta?
-- Amo, esse cheiro é delicioso.
-- Eu prefiro o cheiro da sua pele, ele fica meio amadeirado, quase um cheiro selvagem.
Vládia ouviu o estomago de Francis reclamar.
-- Você comeu alguma coisa amor?
-- Na verdade não, avião ainda me deixa enjoada e não é uma boa idéia viajar com o estomago cheio.
-- Tadinha, to matando minha namorada de fome.
-- Se o que você acabou foi uma tentativa de me matar, quero que você tente me matar todos os dias da minha vida. – Elas riram juntas da constatação da Francis.
-- Seu desejo é uma ordem meu amor, farei amor com você todos os dias, até a gente ficar bem velhinha, banguela, com tudo caído e as dentaduras dividindo o mesmo copo de água. – Gargalhou Vládia.
-- Ainda assim eu te acharia a mulher mais linda do mundo.
-- Você é boba.
-- Uma boba apaixonada, que te ama mais do que qualquer coisa no mundo.
Abraçou e beijou Vládia fazendo carinho em suas costas, mas o estomago quebrou o clima de novo.
-- Amor, acho melhor você ir tomar um banho enquanto eu vou preparar algo prá gente comer.
-- Tá tão bom aqui, não quero ir agora.
-- Vai, quando você sair, já vai estar tudo pronto, daí a gente come e depois vai para o quarto namorar um pouco mais. – Beijou a pontinha do nariz dela.
-- Tenho que abrir a mala para pegar roupa, estou com preguiça.
-- Tem roupa sua no meu guarda-roupa, não precisa mexer na mala.
-- Daqui a pouco eu vou.
-- Francis, você vai e é agora, eu estou mandando. – Fez cara de brava.
-- Mamãe, eu não sabia que a senhora tinha vindo comigo? Bem que eu achei minha mala pesada. – Brincou com Vládia fazendo ela rir com ela da brincadeira.
-- Não sou sua mãe mocinha, mas se precisar, serei igualzinha a ela.
-- Deus me livre, já estou indo tomar banho meu amor.
Aos risos Francis correu para o banheiro com a calça na altura dos pés, quase caindo, deixando na sala uma Vládia que chorava de tanto rir da cena da namorada correndo nua pela casa, tendo apenas as calças nos pés.
“Essa doidinha alegra minha vida, como pude trair ela com a Pâm” pensou Vládia à caminho da cozinha para fazer um lanche para elas.
Pegou pão integral, peito de peru, queijo minas, alface, tomate, picles e montou dois lanches imensos deixando na mesa e indo fazer um suco.
Já estava com tudo preparado na mesa, estranhou a demora da namorada e resolveu ir atrás dela, tinha quase certeza, que após ao banho ela teria deitado e estava dormindo, ficou surpresa quando a encontrou sentada no sofá da sala, quando olhou para as mãos dela suas pernas falharam, era o soutien da Pâm em uma mão e na outra o bilhete. Notando a presença da namorada na sala, Francis olhou para ela, lágrimas escorriam de seus olhos.
-- Me diz que isso não é o que eu estou pensando Vládia?
-- Amor, eu posso explicar?
-- Não me chame de amor e não, você não pode explicar, sabe por que Vládia? Por que não tem explicação.
-- Francis, me deixa falar o que aconteceu, por favor.
-- Ah, o estado em que esse soutien se encontra e o bilhete explicam muito bem o que aconteceu aqui, só me diz quando foi.
-- Sábado de madrugada, mas Francis, acredita em mim por favor, não significou nada para mim.
-- Significou tanto que você guardou o soutien e o bilhete.
-- Não é assim Francis, ela apareceu aqui, disse que queria me explicar por que recusou meu pedido de casamento, e acabou acontecendo, mas eu ia te contar amor, eu juro.
-- Ia? Quando? Daqui a quantos anos você pretendia me contar Vládia? – Francis, em meio aos gritos que dava, foi catando sua mala e sua bolsa indo em direção a porta.
-- Francis, espera, não vai embora, não sai da minha vida de novo.
-- Vládia, dessa vez foi você quem me jogou prá fora da sua vida. – Bateu a porta e saiu.
Fim do capítulo
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