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Na Batida do Coração por Srta Prynn

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Palavras: 16090
Acessos: 3584   |  Postado em: 21/04/2017

Capítulo 10

Vládia não acreditava que aquilo estava acontecendo em sua vida, não de novo, correu para o interfone e ligou para portaria, seu Antonio atendeu.

-- Seu Antonio, é a Vládia, a Francis já passou por aí?

-- Menina Vládia, ela ainda não passou, por quê? Aconteceu alguma coisa? A menina tá chorando? – Seu Antonio ficou preocupado.

-- Não foi nada, seu Antonio, aconteça o que acontecer, não deixe Francis sair desse prédio, por favor, não deixe.

Desligou o interfone, pegou as chaves e foi correndo em direção ao elevador, e assim, descalça, com o coração aos pulos e uma dor tremenda dentro do peito, ela chegou a portaria e lá encontrou apenas seu Antonio. Procurou por Francis com os olhos, mas nem sinal da garota. Seu Antonio, vendo o sofrimento e as lágrimas que voltavam para os olhos da garota, disse.

-- Sinto muito menina, mas ela saiu pela garagem.

-- Tudo bem seu Antonio, obrigada.

Vládia ainda viu Francis entrar em um táxi do outro lado da rua, e viu sua felicidade ir embora junto com aquela morena que ela havia deixado escapar de sua vida. A dor que sentiu ao vê-la partindo, foi demais para ela, se despediu de seu Antonio e pegou o elevador de volta a sua casa, quando entrou encostou na parede e foi descendo até ficar deitada no chão, então deixou que as lágrimas saíssem, torcendo que com elas, todo sofrimento fossem embora.

-- Burra, burra, burra, Zammorah você é uma completa idiota. – Xingava a si mesma.

Havia magoado a única pessoa que cuidara dela e sabia que a Francis era orgulhosa o suficiente para não perdoá-la, sabia que não merecia seu perdão, mas era a única coisa que desejava nesse momento.

Não soube precisar quanto tempo havia ficado ali sentada, chorando, quando se deu conta já passavam das nove da noite, precisava se levantar, tomar um banho, mas não tinha coragem nem vontade de fazer, queria que um buraco se abrisse em sua frente para poder se jogar dentro dele.

O interfone há algum tempo que tocava, ela sabia que era seu Antonio, mas não atendeu, não queria falar com ninguém. Algum tempo depois escutou alguém abrindo a porta da sala e ouviu uma voz amiga e braços a envolvendo.

-- Branquinha, levanta desse chão amiga. – Pietra dizia enquanto se abaixava e com cuidado tentava levantar a amiga.

-- Vlá, o que aconteceu? Seu Antonio ligou para gente pedindo que viéssemos o mais rápido possível para cá, ele estava muito preocupado com você. – Silvinha ajudou Pietra levá-la para o sofá.

-- Ah meninas, eu fiz a pior besteira da minha vida, Francis foi embora, ela me deixou. – Disse as lágrimas para as amigas.

-- Vlá, você contou para ela sobre a Pâm? Eu disse para você esperar pelo menos até amanhã. – Pietra dizia enquanto alisava os braços da amiga.

-- Eu não disse nada Pietra, ela encontrou o soutien e o bilhete que a Pâm deixou. – Disse apontando as duas peças que estavam caídas ao lado do sofá.

Vládia contou a elas como tudo aconteceu, ao terminar de contar os fatos, Pietra abraçou a amiga e Silvinha disse.

-- Vládia, por que você guardou essas porcarias? Por que não jogou fora amiga?

-- Não sei Silvinha, estupidez? – perguntou a amiga.

-- Branquinha, você precisa se acalmar, amanhã vocês conversam e tudo se resolve, você vai ver.

-- Não Pietra, Francis nunca mais vai olhar na minha cara, eu a conheço, ela é orgulhosa.

-- Vládia, quando ela voltou, depois de ter te abandonado e sumido por dois anos, você a perdoou, por que agora ela não pode perdoar você?

-- Mas ela não me traiu Pietra, eu sim, ela sempre disse que a única coisa que ela não perdoa é traição.

Silvinha pegou o celular e discretamente saiu em direção ao quarto de hóspedes, queria ligar para Francis, mas não faria na frente da amiga, pois sabia que tudo o que ela havia dito sobre a outra era verdade, já no quarto, discou o numero da amiga e esperou ela atender.

-- Maria Sílvia, nem vem me encher a cabeça. – Já atendeu cortando papo.

-- Oi Fran, não vou te encher a cabeça, só quero saber como você está?

-- Como você acha que eu estou? Eu voltei de viagem, cheia de saudades e descubro da pior forma que minha namorada dormiu a ex.

-- Fran, sei que deve estar sofrendo, só quero que saiba que ela não está diferente de você.

-- Não venha me dizer que ela está sentindo o mesmo que eu Maria Sílvia, por que a traída da história toda fui eu.

-- Fran foi um deslize, por favor, você não é capaz de entender?

-- Deslize seria se a Pâm a tivesse agarrado a força, mas Sílvia, elas foram para cama, você entendeu, cama. – Francis estava chorando.

-- Mas, Fran, você foi embora, não deu notícias, voltou e ela te aceitou, por que você não pode perdoar também?

-- Eu não traí Sílvia, nunca sequer beijei outra boca enquanto estive com ela, mas ela, na primeira oportunidade que teve, enfeitou minha cabeça. Olha, não to afim de papo, to arrumando minhas coisas, viajo ainda essa noite, tenho que desligar.

-- Para onde você vai Fran?

-- A princípio vou a SP, de lá resolvo para onde ir, preciso sair daqui Sil, tá doendo muito. – Silvinha sentiu que a amiga iria desaparecer de novo.

-- Fran, só não deixe de dar notícias, não desaparece de novo.

-- Sil, não prometo ligar pelos próximos dias, mas não se preocupe, iremos nos falar sempre.

Despediram-se, e durante a despedida, Silvinha teve certeza que ficaria um bom tempo sem notícias da amiga. Voltou do quarto e encontrou Pietra sozinha com uma cerveja nas mãos olhando para o nada.

-- Onde está a Vládia? – Perguntou pegando a lata das mãos da amiga e tomando um gole.

-- Está no banho, você falou com a Francis Sílvia? – Silvinha apenas confirmou com um aceno de cabeça.

 -- E daí, o que ela disse?

-- Que está indo embora essa noite, a princípio para SP, depois, só Deus sabe.

-- O que faremos?

-- Você eu não sei, eu to cansada dessas duas, não sabem o que querem, ficam se magoando, trocando tudo por uma noite de prazer, até onde isso vale a pena? Sabe me dizer? Por que eu, sinceramente não entendo. – Tomou o que restava da cerveja e foi pegar mais na cozinha.

Passaram aquela noite com a Vládia, ninguém ousou tocar no nome da Francis, exatamente a uma da madrugada Silvinha recebeu um sms da amiga.

“Sil, preciso sair daki, n consigo estar na mesma city q ela e estar longe, ainda a amo, mas tá doendo demais preciso d um tempo p mim, cuida dela por mim, n deixe ela abandonar a fisio. Te mando noticias. Bjoks. Franny”

Sílvia só não sabia que essa seria a única mensagem que receberia da amiga no próximo mês.

 

****   

 

Um mês havia se passado do fatídico dia em que Francis tinha descoberto a traição de Vládia e tinha partido, Vládia mergulhou de cabeça no trabalho, fazia o som de 5 boates por final de semana, quase não saía de casa com as amigas, dizia que o trabalho ocupava sua mente, tentou em vão falar com Francis várias vezes, sentia uma saudade danada da garota, Pâm, desde a noite que passaram juntas não deu mais notícias. Vládia estava em sua casa olhando a chuva quando o celular tocou, era Pietra.

-- Fala amiga.

-- Branquinha, hoje tem festa na casa de umas amigas minhas e você está intimada a comparecer, vai comigo.

-- Pietra, não acho uma boa idéia. Tenho muita coisa para fazer em casa.

-- Deixe de bobagens, sei que não tem nada para fazer, poxa Vládia, faz tempo que não saímos para dançar, nos divertir, vamos vai?

-- Tá bom Pietra, eu vou, que horas você me pega?

-- Eita mina folgada, quando é que você vai comprar um carro?

-- Segunda você vai comigo e me ajuda a escolher um. – Riu da amiga

Marcaram de se encontrar às oito da noite, Pietra a pegaria na portaria do prédio. Vládia se animou um pouco, fazia tempo que não se divertia mesmo. Estava disposta a aproveitar aquela noite, se arrumou com esmero, fez cabelo, maquiagem, colocou sua melhor roupa e se admirou no espelho, gostou do resultado, a saia valorizou e muito suas pernas, a blusa, tomara que caia azul, contrastava com seu olhos e as mechas que haviam voltado para seus cabelos.

-- Vládia, a noite promete, vamos voltar a viver garota, se ela não te quer, tem quem queira. – Se auto-elogiou em frente ao espelho.

Pegou sua bolsa, celular, as chaves e desceu para encontrar Pietra, a noite prometia, ela sentia em seu íntimo. Passou por seu Antonio na portaria, trocou meia dúzia de palavras com ele e seguiu para a rua, sentia-se livre, aberta para novas sensações, resolveu que aquela noite se permitiria sentir e aproveitaria as oportunidades que aparecessem. Algum tempo depois, Pietra chegou para buscá-la.

-- Vlá, você está um arraso hoje, se não fosse minha amiga eu daria bola prá você.

-- Sempre se pode arriscar Pietra, mas depois que começar, não adianta querer fugir. – Piscou para amiga.

-- O que foi que deu em você hoje? – Disse admirada enquanto ligava o carro.

-- Nada, apenas me permiti aproveitar a vida, e se ela não me quer, vou achar alguém que queira.

-- Ai, ai, ai, isso não vai dar certo, vai ser promiscua agora Vlá?

-- Não Pietra, apenas vou me permitir sentir, viver e aproveitar a vida, só isso. Algum problema?

-- Não branquinha, é bom ter você de volta.

Seguiram conversando banalidades em direção a festa, embora não fosse intima da dona da festa, Vládia a conhecia, e estava ali apenas acompanhando a amiga.

-- Branquinha, relaxe, as meninas são legais, Luana e Sara são gente boa.

-- Sara eu não sei Pietra, mas Luana é muito boa mesmo.

-- Você não vale nada Vládia Zammorah. – Disse dando um tapinha no ombro da amiga.

-- Nem um real amiga, nem um real.

A casa já estava cheia, tinha mulheres de todos os tipos, das mais lindas até as mais estranhas, algumas, Vládia até tinha dificuldade em saber se eram homens ou mulheres, no meio de tanta gente, Pietra avistou as anfitriãs da festa, Sara era baixinha, loura, de olhos verdes e muito simpática, Luana era ruiva, tinha um corpo escultural, cheio de curvas, tudo bem distribuído em 1,78 e para completar um par de olhos azuis que mais pareciam duas safiras.

Cumprimentaram as amigas e ficaram batendo papo até que um burburinho lhes chamou atenção, alguém havia chego na festa, e chamava a atenção dos presentes, Vládia se levantou para ver melhor que chamava tanta atenção assim, seu coração disparou quando viu Francis entrar na festa, ela estava linda, com uma calça jeans e uma camisete que valorizava seus seios  que quase saltavam pela abertura da blusa, o cabelo estava mais curto, todo desarrumado atrás, nos lábios, o sorriso perfeito, o corpo ainda era delicioso, mas quando viu que em suas mãos havia uma outra mão, seu peito doeu, e como que atraída por aqueles olhos azuis, os olhos de Francis encotraram os seus.

O sorriso permaneceu nos lábios da Francis, Vládia sentia suas pernas tremerem, com dificuldades permanecia em pé, apesar da dor que sentia por vê-la de mãos dadas com a menina que ainda não havia conseguido distinguir quem era, estava feliz de vê-la, a saudade era muito grande, tinha vontade de ir ao encontro dela, abraçá-la, beijar aquela boca que sabia era doce, sem saber muito bem o que estava fazendo, começou a andar em direção aquele sorriso que encantava, era atraída para ele, Francis sustentando o olhar dela, encorajando-a a seguir em frente, pelo menos era o que ela achava, até que, há alguns passos dela, Francis puxou a menina e a beijou, na sua frente, podia sentir o calor das duas chicoteando seu corpo, ficou ali, parada, incapaz de se mover, até que o beijo terminou e Francis apresentou a ela, a namorada.

-- Vládia, essa é Ana Flávia, minha namorada, Aninha, essa é Vládia Zammorah, uma Dj muito conceituada por aqui. – Suas palavras foram sarcásticas, ela sequer a apresentou como amiga.

Ana Flávia estendeu a mão para Vládia que retribuiu apenas por educação.

-- Prazer Vládia, eu conheço seu trabalho, você realmente é demais. – E virando para Francis disse.

-- Amor, você não me disse que era amiga dela.

-- Simples, é por que não somos amigas, temos apenas alguns amigos em comum.

E dizendo isso, pediu licença e saiu com a namorada alegando que precisava tomar algo, deixando ali, parada no meio da sala, Vládia, com os olhos cheios de lágrimas que teimavam em cair, ela sentiu uma mão tocando seu braço, ao se virar deu de cara com Luana parada em sua frente.

-- Noite ruim Zammorah? – Disse tirando uma mecha de cabelo dos olhos e enxugando uma lágrima que havia escapado.

-- Péssima, mas vai melhorar.

-- Você quer tomar alguma coisa?

-- Quero, porr*dinha, topa? – Os olhos da ruiva brilharam, e feito criança, pegou a mão da Vládia e saiu dando pulinhos pela sala até chegar à parte externa da casa onde se encontrava o bar.

Pietra e Sara iam atrás das duas rindo da cena cômica daqueles dois mulherões pulando pela casa.

-- Branquinha, você tá bem? – Pietra perguntou enquanto Luana foi pegar a soda, vodka e copos para preparar as porr*dinhas.

-- Não, ela tá namorando, e o pior me apresentou como Dj, nem como amiga foi.

-- Ela tá chateada ainda, dá um tempo para ela Vlá.

-- Aquela Ana Banana está no meu lugar Pietra, era prá ser eu ali abraçada com ela, não aquelazinha.

-- Vlá, a menina não tem culpa do que aconteceu entre vocês, deixe de pôr apelido na coitada. – disse Pietra rindo da birra da amiga.

Luana chegou com uma garrafa de vodka, uma soda de dois litros e quatro copos, chamou as meninas e foi em direção a uma das mesas que tinha ao redor da piscina, colocou uma dose de vodka em cada copo, adicionou a soda e entregou a Vládia dizendo.

-- Você começa Zammorah, exorcize esse fantasma que tá dentro você.

Vládia pegou copo, bateu na perna e quando a espuma subiu, tomou de um gole só batendo o copo vazio na mesa.

-- Sua vez Luana.

E assim Luana fez, só que de uma forma muito mais sensual, olhando nos olhos da Vládia o tempo todo e prá completar, o pouquinho, que propositalmente ela deixou escorrer pelo canto da boca, passou o dedo e o ch*pou logo em seguida, deixando Vládia excitada com a cena. Sara e Pietra beberam logo em seguida, e foram tomando, uma, duas, três, até perderem a conta. Vládia tinha conseguido relaxar, embora procurasse Francis com os olhos pela festa e quando encontrava, ela sorria e virava a cara. Depois de tomar algumas doses, ela disse a Pietra que iria para o banheiro, a amiga que estava num papo com Sara à noite toda, disse que não queria ir ao banheiro ainda e Vládia vendo os olhares das duas durante a noite, resolveu deixá-las e seguir sozinha.

Estava lavando as mãos quando Francis entrou no banheiro e trancou a porta, a pegou pelo braço e a fez encostar na parede.

-- Você tem noção que já bebeu demais Vládia? Não acha que tá na hora de parar?

-- Ah, agora você me conhece? Não por que há algum tempo atrás nós só tínhamos amigos em comum.

-- Deixe de ser criança Vládia, você sabe que não pode beber demais.

-- Me diga por que não posso beber demais Francis.

-- Por que você perde a cabeça e vai acabar fazendo besteira.

-- Que tipo de besteira você se refere? Essa? – E levou sua boca em direção a dela parando um centímetro de distância.

Francis ficou olhando em seus olhos por um tempo e com muita força de vontade virou a cara, Vládia a empurrou e antes de sair do banheiro esbravejou.

-- Se você não quer não empata. – Bateu a porta do banheiro e voltou para junto das meninas.

Luana a recebeu com um sorriso enorme nos lábios, encostou seu rosto no dela e sussurrou em seu ouvido.

-- Você é sexy até andando Zammorah. – Vládia sentiu seu corpo arrepiar e pegando Luana pela mão disse.

-- Vamos dançar Luana, de repente me deu uma vontade imensa de dançar.

E foram em direção a pista montada do outro lado da piscina, Vládia literalmente se jogou na pista, dançava com a alma, sentia em seu corpo, cada batida da música, e fazia sinal com as mãos toda vez que a música viraria, errou apenas duas que foi desculpada devido ao teor alcoólico no seu sangue. Luana, cada vez mais próximas dela, a tocava, às vezes nos braços, às vezes na cintura e elas deram um show de sensualidade na frente de quem quisesse ver, algum tempo depois, voltaram para mesa aos risos, Pietra puxou a amiga e falou em seu ouvido.

-- Que showzinho foi esse que vocês deram lá na pista hein amiga?

-- Que nada, estávamos apenas dançando Pietra, relaxa. – Disse virando mais uma porr*dinha.

-- Se aquilo era dançar, não quero nem pensar como seria na cama.

-- Pietra, por que ao invés de ficar cuidando da minha vida, você não beija logo a Sara, vão ficar na conversa a noite toda?

-- Vládia, não tem nada entre mim e a Sara, você tá louca?

-- Que não tem eu to vendo, mas que estão com vontade, ah como estão. – Pietra deu um tapa no braço da amiga.

As duas riram do comentário que mais era uma constatação.

-- Não sei se tenho coragem, a Paula ainda é muito presente no meu coração.

-- Mas ela não está aqui Pietra, vamos nos divertir, só por hoje amiga.

O som mudou e começou a sessão de forró e aos poucos a pista foi ficando cheia de casais, Luana foi à primeira convidar.

-- Meninas, vamos dançar?

-- Eu só pago esse mico se a Pietra dançar com a Sarinha. – Vládia piscou para amiga que ficou vermelha.

-- Então fechou, vamos ver se essa paulista dança forró direitinho. – Disse Sara se referindo a mim e puxando Pietra pela mão.

As quatro seguiram para pista e a bagunça começou, Vládia puxava o cabelo de Pietra toda vez que ficava de frente para ela, em meio as brincadeira, ela viu Francis dançando com a namorada, viu a hora que Francis puxou a menina pela cintura e a beijou, ficou olhando o beijo e sentiu saudade daquele beijo, Luana interrompeu seus pensamentos.

-- Até que para uma paulista você dança bem.

-- Você é educada demais, já perdi as contas de quantas vezes pisei no seu pé, definitivamente esse ritmo não é meu forte.

Luana riu no ouvido dela, e o ar quente que saiu da sua boca arrepiou seu corpo todo, Vládia fechou os olhos e se permitiu aquela sensação que há algum tempo não sentia, ao abrir seus olhos viu Francis, do outro lado da pista, abraçada a namorada a encarando. Luana apertou mais seu corpo junto ao seu, provocando uma sensação gostosa e com uma de suas pernas entre a sua começou um atrito leve em seu sex*.

-- Menina, você está brincando com fogo. – Disse Vládia no ouvido de Luana.

-- Eu sou a própria chama, não tem perigo de me queimar. – Luana brincou pelo fato de ser ruiva.

Continuaram dançando em silêncio, apenas sentindo o corpo uma da outra.

-- Até que enfim desencantaram. – Disse Luana apontando Sara e Pietra se beijando.

-- Uau, demorou, achei que isso não ia acontecer hoje.

-- Poderíamos fazer o mesmo que elas, o que você acha? – Luana sussurrou no ouvido de Vládia.

Ela olhou nos olhos da ruiva e calmamente a puxou para um beijo, a ruiva a envolveu pela cintura, aproximando mais seu corpo ao dela, o beijo era muito melhor do que esperava, ela tinha a boca macia e uma agilidade invejável com a língua, as mãos não foram ousadas, mas o beijo fez com que cada pedacinho do corpo de Vládia reagisse a ele, não sabe exatamente quanto tempo ficaram naquele beijo e só pararam quando Pietra disse no ouvido dela.

-- Vocês não estão sozinhas nessa pista de dança, será que poderiam parar um pouquinho? Tem muita gente babando com a cena. – Vládia soltou os lábios carnudos de Luana, e com um sorriso disse.

-- Me desculpe Pietra, mas é que essa boca é simplesmente deliciosa. – Sorriu cúmplice para Luana.

-- Ah, então procurem um lugar melhor para fazerem isso. – Era Sara que chegava e abraçava Pietra pela cintura.

Elas riram e abraçadas, cada uma com seu par, voltaram para mesa, o entrosamento delas era visível, conversaram sobre profissões, Sara tinha duas lojas de moda praia, uma no shopping Recife e outra em Porto de Galinhas, enquanto Luana era designer de interiores.

A vodka já tinha acabado, mas agora elas estavam apenas entre água, suco e refrigerante, o carinho entre elas era visível, de mãos dadas, trocavam carinhos, beijos e descobriram que tinham muito em comum. Luana foi acompanhar umas pessoas que estavam indo embora, Pietra e Sara estavam num amasso e Vládia, não querendo ficar segurando vela, disse que iria até o banheiro.

Estava saindo, quando abriu a porta, Francis estava parada, em pé, com os braços cruzados e cara de poucos amigos, a empurrou para dentro do banheiro, fechou a porta, a prendeu na parede, se aproximou dela e com a mão em sua nuca começou a falar.

-- Você está se divertindo não é? Me esqueceu rápido não foi? – Ainda com a boca próxima da sua Vládia respondeu.

-- Você é engraçada Francis, não quer e acha ruim por que encontrei alguém que me queira?

Se encaram por um longo tempo, uma sentindo a respiração da outra, Francis colocou a outra mão na cintura de Vládia e a puxou para mais perto e assim, com os lábios roçando os seus disse.

-- Ah, Vládia, por que você fez isso com a gente?

E saiu do banheiro, a deixando ali, encostada na parede, ainda sentindo seu cheiro, seu corpo ainda queimava com o toque de Francis em sua pele, com muito custo se recuperou e saiu do banheiro, já não havia muitas pessoas na festa, apenas uns grupos isolados, avistou as meninas em uma rodinha conversando, se aproximou, envolveu a cintura de Luana e depositou-lhe um beijo suave nos ombros.

-- Você sumiu, onde estava?

-- No banheiro.

-- Tá tudo bem?

-- Sim, só estou cansada, há dias que não durmo direito.

Luana a abraçou, beijou seu pescoço e lhe disse ao ouvido.

-- Passa a noite comigo e garanto que te faço dormir bem relaxada.

-- Tentadora sua proposta ruiva, mas sou moça de família e não vou para cama no primeiro encontro. – Fez cara de ofendida.

-- Tudo bem, já entendi, ela ainda povoa essa cabecinha e esse coraçãozinho né?

-- É, mas não é por isso, é por mim sabe, quero fazer as coisas direito dessa vez, pois toda vez que fiz na doida não deu certo.

-- Hum, então quer dizer que tenho uma chance, mesmo que pequena, de fazer parte da sua vida Zammorah?

-- Tem sim ruiva, se você quiser é claro.

-- Quero sim. – A beijou com carinho

Foram interrompidas com a voz da Francis bem atrás delas.

-- Sarita minha amiga, a festa estava ótima, como todas que você faz, mas nós já vamos. – Disse abraçando a amiga.

-- Pietra, que bom que resolveu sair e se divertir, fico feliz em vê-la tão bem. – Abraçou sinceramente Pietra.

-- Obrigada Fran, você também está ótima, vê se aparece, Silvinha vai gostar de saber que você voltou, ela anda triste com sua falta de notícias.

-- Vládia, foi bom revê-la. – Estendeu a mão a Vládia que retribuiu.

-- Luana, a festa estava linda.

E saiu com a namorada abraçada a ela, Vládia tinha vontade de ir atrás dela, e gritar com ela, dizer que a amava e que ela era estúpida em insistir nessa besteira de ficarem separadas, elas eram muito melhores juntas, um comentário a trouxe de volta a realidade.

-- Quer ir atrás dela branquinha? – Pietra abraçava a amiga.

-- Não Pietra, ela nunca vai me perdoar, não vou dar murro em ponta de faca, o que está feito, está feito. – Encostou a cabeça no ombro da amiga.

-- Tem alguma coisa errada aqui não acha Luana? – Sara dizia olhando as duas abraçadas.

Vládia sorriu e abraçou ainda mais apertado a amiga dizendo.

-- Ah vocês não sabem? Pietra e eu temos um caso antigo, anos de amor, sex* muito selvagem, essa mulher é uma tigresa na cama Sara. – Disse deixando a amiga um pimentão.

-- Vládia Zammorah, você não presta. – Disse Pietra escondendo o rosto no ombro da amiga.

Ficaram mais um tempo conversando e logo se despediram alegando que estavam cansadas, afinal, já passava das três e meia da madrugada. Entraram no carro e foram em direção a praia, queriam ver o nascer do sol. Já estavam sentadas na areia quando iniciaram uma conversa.

-- Vládia, você está bem? Notei você calada em alguns momentos lá na festa.

-- Ela foi atrás de mim no banheiro Pietra, duas vezes. – Contou à amiga o que aconteceu no banheiro.

-- Vocês se amam, Vládia, dá para ver, sabe, não quero te encher de esperanças, mas, varias vezes eu a vi olhando para você durante a noite, principalmente na hora em que você estava dançando com a Luana, na hora que vocês se beijaram então, ela simplesmente abaixou a cabeça.

-- Eu sei que eu errei feio com ela Pietra, mas ela é tão cabeça dura.

-- E a Luana? Vocês se deram muito bem, achei que você não fosse voltar para casa comigo hoje.

-- Ela é linda, escultural, tem um beijo de enlouquecer qualquer pessoa, mas não to pronta para uma intimidade ainda.

-- Sei bem o que você está dizendo branquinha, também não acho que seja hora para mim, mas você rejeitando um avião daqueles é novidade para mim. – Riu da amiga.

-- Ah Pietra, por que essas mulheres são tão complicadas?

-- Não sei branquinha, mas desconfio que seja por isso que nós amamos tanto elas não é?

Abraçou a amiga e assim ficaram assistindo o nascer do sol, um novo dia estava nascendo e um novo ciclo estava começando na vida de ambas.

-- Pietra, vamos tentar refazer nossas vidas amiga? Vamos virar a página, correr atrás da nossa felicidade, acho que merecemos isso.

-- Vamos branquinhas, mas começamos por onde?

-- Começaremos por um café da manhã, estou faminta. – Disse rindo se levantando e puxando a amiga pela mão.

Quando se arrumaram e viraram para ir em direção a calçada, Vládia viu a única pessoa que não esperava encontrar ali, Francis estava sentada no calçadão, vendo o nascer do sol também, nas suas mãos uma água de coco. Olhou para Pietra, e depois para Francis e seguiram juntas até a garota que estava sentada, parecia estar longe, tinha o olhar perdido, pararam em frente ela e Vládia disse.

-- Velhos hábitos não mudam nunca né? – Francis, ainda olhando respondeu.

-- Pois é, ainda tem coisas com as quais eu não consigo viver sem. – Olhou para ela e sorriu.

Colocou o coco de lado e estendeu as mãos para as meninas que aceitaram, puxou elas e as fez sentarem uma de cada lado, e assim, segurando as mãos de ambas, deixou as lágrimas caírem. Vládia fez um carinho em seu rosto, enxugando ali uma lágrima que caía. Francis deitou no ombro da Vládia que enlaçou-a pela cintura sendo abraçada por ela. Pietra se levantou, e fazendo sinal para amiga, disse que estava indo embora.

Vládia estava contente pelo contato, afinal a outra não era indiferente a ela, imaginava isso e agora tinha certeza. Depois de algum tempo Francis começou a falar.

-- Eu tentei Vládia, tentei te tirar da minha vida, do meu coração, dos meus pensamentos e até achei que havia conseguido, mas te ver ontem, dançando, abraçando e beijando a Luana, só serviu para constatar que eu estava enganada, você está mais presente em minha vida do que qualquer coisa. – O coração de Vládia estava aos pulos dentro do peito, mas não interrompeu.

-- Eu ainda amo você, amo com toda minha alma, mas não consigo ficar com você, olho para você e me lembro daquelas coisas que encontrei em sua gaveta, mas também não consigo ficar longe de você, quero beijar sua boca, sentir o seu corpo, fazer amor com você, mas e depois Vlá? Como vai ser? – Francis olhava pra Vládia esperando por respostas, respostas que Vládia não tinha.

-- Meu amor, eu me arrependo tanto por ter feito isso com a gente, mas não posso voltar atrás e fazer diferente, eu te amo Francis, sinto tanto a sua falta, tanto que chega a doer.

Em meio às lágrimas, Francis segurou o rosto de Vládia em suas mãos e a beijou, era um beijo de saudades, calmo, intenso, Vládia simplesmente se deixou beijar, aproveitando aquele momento do reencontro de suas bocas, seus corpos e suas almas, aos poucos as bocas foram se separando e encostada em sua testa Francis disse.

-- Eu não posso, não consigo as imagens de você nos braços dela não saem da minha cabeça, desculpa.

Francis se levantou e caminhou em direção ao carro que estava estacionado na orla, antes de entrar no carro ainda olhou mais uma vez em direção a Vládia que a olhava com um sorriso tímido nos lábios e lágrimas nos olhos, ela simplesmente balançou a cabeça e entrou no carro, dando a partida e indo embora em seguida, deixando para trás uma Vládia perdida em seus pensamentos e se sentindo vazia.

Vládia voltou para casa sozinha, era uma caminhada curta, que ela fez em 15 minutos, chegando em casa encontrou Pietra dormindo em sua cama, sorriu ao ver a amiga dormindo, pegou uma roupa e seguiu para o banheiro, precisava de um banho antes de dormir.

Voltou ao quarto de calcinha e camiseta, ligou o ar-condicionado e deitou-se ao lado amiga dormindo em seguida, ainda com a sensação dos lábios de Francis nos seus.

Já passava das duas da tarde quando acordou com carinho em seu rosto, ainda de olhos de fechados envolveu a amiga em seus braços e aconchegou-se em seu em ombro.

-- Que abraço gostoso branquinha, mas já passa das duas e você me prometeu um café da manhã que não me deu e eu estou faminta.

-- Pietra, é tão gostoso ficar assim com você, como Paula consegue ficar sem isso? – Vládia disse ainda de olhos fechados.

-- Não sei Vlá. – Respondeu fazendo um cafuné na amiga.

-- O que vamos almoçar? – Vládia disse levantando a cabeça para olhar nos olhos da amiga.

-- Não sei, eu tava pensando em besteira, algo super calórico e nada saudável, o que acha?

-- Mc’Donalds?

-- Você leu meus pensamentos branquinha. – Disse fazendo cócegas em Vládia que pulou da cama.

-- Nossa Vlá, se eu soubesse que você estava dormindo com tão pouca roupa assim eu teria me aproveitado de você.

-- Se você quiser, eu posso voltar para cama, é só você me pedir. – Disse fazendo cara de tarada para Pietra que saiu correndo em direção ao banheiro.

 

-- Fuja dessa louca tarada. – Pietra gritou enquanto corria e se trancava no banheiro.

 

Vládia deu uma geral no apartamento enquanto Pietra tomava banho e se arrumava, depois foi à vez dela de se arrumar, vestiu uma calça soltinha de malha, uma regata vermelha, óculos escuros e sandálias baixas e seguiram para o shopping.

 

No caminho, Pietra tocou no assunto do encontro dela com a Francis na praia.

 

-- Vlá, como foi hoje de manhã com a Fran?

 

Vládia contou para amiga tudo o que havia acontecido entre as duas pela manhã, Pietra ouvia a tudo em silêncio, só falou depois que a amiga terminou de falar.

 

-- Sabe Vlá, eu a entendo, apesar de não ter visto vocês juntas, é impossível para ela não imaginar o que aconteceu entre você.

 

-- Eu sei Pietra, mas essa distância entre nós está me matando aos poucos.

 

-- Infelizmente Vlá, se você pensa em tê-la de volta, você vai ter que esperar amiga e ter muita paciência.

 

Chegaram ao shopping e foram direto a praça de alimentação, compraram o lanche e sentaram para comer, já estavam terminando quando uma voz chamou atenção das duas.

 

-- Posso saber por que vocês não atendem o celular? Acaso tão fugindo de mim? – Silvinha fazia cara de brava.

 

-- Silvinha sumida, até que enfim apareceu, senta aí. – Vládia disse abraçando a amiga.

 

-- O meu celular tá sem bateria o da Vládia eu não sei. – Pietra se explicou enquanto abraçava a amiga.

 

-- Mas diga aí, onde é o incêndio? Por que queria tanto falar com a gente?

 

-- Vládia, recebi uma ligação ontem a noite, uma proposta de trabalho, um final de semana, mas antes de aceitar, precisava saber se seu médico já te liberou para viajar.

 

-- Liberou sim Silvinha, onde é o trabalho?

 

-- Tem mais uma coisa que eu preciso te falar, é na Djieles Vlá.

 

-- Ah... Para quando é? – Vládia ficou surpresa por saber que voltaria para onde tudo começou.

 

-- Daqui a três semanas, é o aniversário de oito anos da boate, foi Sophia quem me ligou.

 

-- Pode fechar, faça o mesmo pacote da outra vez.

 

-- Vládia, você tem certeza disso? – Pietra, falava pela primeira vez.

 

-- Tenho sim Pietra, eu adoro o que eu faço e gosto muito das donas de lá, não vejo problemas.

 

-- Como não vê problemas Vládia? Sabe que a Pâm estará lá, e se bem conheço, vocês vão explodir uma nos braços da outra, de novo.

 

Vládia sabia que Pietra estava certa, que ela, apesar de amar Francis, não resistia à morena, mas ela já tinha em mente o que iria fazer para resistir a Pâm.

 

-- Meninas, não se preocupem comigo, Sil, peça dois quartos, um é por minha conta o outro, certifique-se que seja de casal. – Quando terminou de falar tinha um sorriso nos lábios

 

-- Quem você está pensando em levar? – Sílvia e Pietra perguntaram juntas.

 

-- Além de vocês duas? Segredo. Sílvia, não esqueça as passagens aéreas também.

 

-- Nem vem, você acha que vamos aceitar essa sua resposta? – Pietra disse segurando em seu braço.

 

-- Tenho alguém em mente, mas vou precisar da sua ajuda Pietra.

 

-- Minha? Por quê?

 

-- Simples, eu não tenho o telefone da Luana.

 

-- Luana? A Luana? A ruiva escultural? – Silvinha perguntava olhando de uma para outra.

 

-- É ela mesma Silvinha.

 

-- Como assim? O que foi que perdi esses dias hein Vládia?

 

Pietra contou a Silvinha sobre a festa e tudo o que aconteceu durante e depois da festa.

 

-- Vládia, se você e a Francis conversaram hoje pela manhã, por que você vai convidar a Luana para ir?

 

-- Sil, ela não quer mais ficar comigo, diz que não consegue esquecer o que eu fiz, não posso ficar esperando que ela me perdoe, quero e vou ser feliz, se não for com ela, vai ser com outra pessoa.

 

-- E essa pessoa é a Luana?

 

-- Eu gostei dela, ela é divertida, dança bem, tem um beijo que mexe com todas as células do meu corpo e ainda por cima é linda demais.

 

-- Ai, ai, ai Vládia, espero que você saiba o que está fazendo.

 

-- Não se preocupe Sil, eu vou apenas convidar e ela pode dizer não.

 

-- Prá você? Duvido ninguém consegue te dizer não Zammorah.

 

-- Isso quer dizer então que vocês vão comigo?

 

Silvinha olhou para Pietra e ao mesmo tempo disseram que iriam. Passaram o resto da tarde decidindo como fariam para encontrar a Luana já que ao celular ela não atendia, foram para casa de Vládia se arrumar, haviam decidido que iriam para um barzinho à noite.

 

Seguiram de carro até um barzinho a beira mar em Olinda, tinha música ao vivo, gente bonita, cerveja gelada e várias porções que ela apreciavam muito.

 

Passava das onze horas quando o celular da Pietra tocou, era Luana, Pietra disse onde estavam e ela disse que estava à caminho, que chegaria em meia hora. Vládia abriu seu melhor sorriso quando soube que a ruiva estava a caminho.

 

Algum tempo depois, Luana entra no bar, com um vestido preto, leve, soltinho, o decote chegava a cintura deixando a mostra a parte interna dos seus seios, o que fez com que bocas babassem enquanto ela fazia o trajeto até a mesa das meninas.

 

-- Vládia, fecha boca ou pede um babador. – Pietra sussurrou no ouvido da amiga.

 

-- Boa noite meninas, tudo bem com vocês? – Disse sentando-se na cadeira ao lado da Vládia e depositando sua mão na perna da Dj.

 

-- Olá Vládia, como passou o restante da noite?

 

-- Bem Luana, e você?

 

-- Bem também, mas vamos lá, me digam por que queria tanto falar comigo?

 

-- Eu queria te fazer um convite ruiva, o que acha de passar um final de semana no RJ?

 

-- Depende na companhia de quem.

 

-- Seríamos nós quatro. – Vládia disse fazendo sinal entre as quatro que estavam na mesa.

 

-- Hum, proposta interessante, mas não posso te dar essa resposta agora, pode esperar até semana que vem? Tenho que rever alguns projetos e ver se posso deixá-los de lado por um fim de semana.

 

-- Claro ruiva, ainda temos algum tempo para nos organizar.

 

A noite seguiu agradável, estava calor, a conversa animada, diversas vezes Vládia segurou a mão de Luana num gesto rápido de carinho, afinal de contas, elas não estavam um barzinho GLS. Já de madrugada, decidiram pedir a conta, e depois de muito discutirem por que Vládia queria pagar sozinha, dividiram por igual e saíram.

 

Luana se despediu de Sílvia e de Pietra, se virou para Vládia e disse.

 

-- Posso te deixar em casa Zammorah?

 

-- Er... As meninas vão dormir lá em casa.

 

-- Vládia, vai com ela, ela vai passar por perto mesmo, te deixa lá na portaria. – Silvinha disse entrando no carro de Pietra.

 

-- Se não for te desviar do caminho, eu aceito.

 

-- Hum, tá com medo de me desviar do caminho Zammorah? –Fez graça com que Vládia disse.

 

-- Bom, desse caminho eu também gostaria de te desviar. – Deu um beijinho rápido nos lábios da ruiva.

 

-- Entra logo nesse carro Zammorah, ou te agarro aqui na calçada mesmo.

 

Entraram no carro e seguiram até a casa de Vládia que aproveitava que a ruiva estava dirigindo e roubava beijos dela enquanto ela prestava atenção no transito.

 

Pararam um pouco a frente do prédio de Vládia, Luana soltou o cinto de segurança, e envolveu Vládia num beijo de tirar o fôlego, quando suas bocas enfim se separaram, Luana disse.

 

-- Está entregue senhorita, na quarta eu te dou a resposta.

 

Vládia a beijou mais uma vez e saiu do carro, seguindo direto para seu apartamento, Silvinha e Pietra já dormiam em sua cama.

 

“Essas duas folgadas, vou dormir no quarto de hóspedes.” Pensou olhando para as amigas em sua cama.

 

Eram oito da manhã quando Vládia acordou, não tinha dormido direito, estranhara a cama, o colchão, foi para seu quarto, apenas Silvinha ainda dormia, deitou ao lado da amiga, abraçou ela e dormiu de novo até quase onze da manhã, quando acordou estava sozinha na cama.

 

Durante a semana Vládia aproveitou para resolver alguns problemas, falava com Luana algumas vezes por dia até que na quarta ela disse que não poderia viajar com elas, pois alguns dos seus projetos já estavam muito atrasados. Vládia ficou chateada, ela era sua única chance de resistir às investidas da Pâmela.  Depois da recusa de Luana, elas quase não se falaram por dias.

 

Na sexta Pietra viajou para Maceió, para resolver algumas coisas na filial do escritório de contabilidade em que trabalhava e Silvinha estava com uma gripe que a havia deixado de cama, Vládia se viu só em plena sexta-feira, decidiu pedir uma pizza e assistir alguns DVD’s.

 

Tomou um banho, ligou para pizzaria e vinte minutos depois a campainha do apartamento tocou, ela pegou o dinheiro e foi para porta, ao abrir, seu coração quase saiu pela boca.

 

Francis estava lá, parada, com um sorriso bobo nos lábios e as mãos escondidas nos bolsos de trás da calça jeans.

 

-- Entra. – Foi à única coisa que Vládia conseguiu dizer.

 

-- Como você está Vlá? – Francis perguntou enquanto passava por ela.

 

-- Com saudades.

 

-- Eu também estou. – Francis disse sentando-se no sofá.

 

-- Está esperando alguém?

 

-- Não, só uma pizza que pedi para jantar, você já comeu? – Perguntou sentando-se no sofá de frente para ela.

 

-- Não, ainda não. Pediu de frango catupiry e quatro queijos ou calabresa?

 

-- Na verdade foi de frango com brócolis ao alho e óleo. – Era a preferida da Francis.

 

-- Sendo assim, se você me convidar para jantar eu aceito. – Disse tirando uma mecha de cabelo dos olhos de Vládia.

 

-- Você não precisa de convite Fran.

 

-- Obrigada. O que vai ser hoje? Pizza e filme?

 

-- Sim, se você quiser pode ficar e assistir o filme comigo.

 

Francis concordou com ela, conversavam mais soltas agora que a surpresa havia passado, a pizza chegou e Francis não deixou que Vládia pagasse. Pegaram copos com gelo e limão, coca-cola e guardanapos e foram sentar no chão da sala, no som, Isabela Taviani embalava o jantar e a conversa, Francis já estava mais a vontade, roubava os brócolis da pizza de Vládia alegando que eles eram mais gostosos que os seus.

 

Comeram quase a pizza toda, levaram o que havia sobrado da pizza para cozinha e voltaram para sala, Francis escolheu os filmes e ficou procurando pelo aparelho de DVD que costumava ficar na parte de baixo do rack.

 

-- Está no quarto Francis.

 

-- O que?

 

-- O DVD, está na televisão do meu quarto.

 

Vládia teve medo que Francis fosse embora ao saber que iriam assistir ao filme no quarto, mais especificamente na cama, onde muitas vezes fizeram amor até o dia amanhecer.

 

-- Se você quiser, podemos pegar e trazer aqui para sala.

 

-- Não, tudo bem, vamos assistir lá mesmo.

 

E com o coração aos pulos, Vládia seguiu Francis até o quarto e andando atrás dela, pode sentir o cheiro dos seus cabelos, da sua pele e seu corpo se arrepiou com esse perfume. Colocaram um filme e deitaram na cama, uma ao lado da outra, mas entre elas, caberia uma pessoa, Francis olhou para ela e estendeu os braços, chamando-a para deitar em seus braços, o que foi prontamente atendido por ela, e assim iniciaram o filme.

 

O filme já estava na metade quando Vládia sentiu o corpo de Francis tremer e só então notou que tinha as mãos em sua barriga, por baixo da blusa fazendo um carinho que sempre fazia quando estavam juntas assim. Devagar e sem olhar para trás, parou o carinho e tirou a mão de lá.

 

-- Por que você parou? Tava tão bom, continua vai. – Francis falou alisando as costas dela que se levantou para olhar pra ela antes de dizer.

 

-- Não posso, por que eu quero muito mais do que te fazer carinho.

 

Francis a olhou nos olhos, aproximou sua boca dela e a beijou, um beijo calmo, envolvente, cheio de saudades e carinho, Vládia, com o coração dando saltos dentro do peito, apenas se deixou beijar, sentir, queria parar aquele momento, sentir para sempre o que sentia quando Francis a beijava.

 

As mãos começaram com uma carícia tímida, peças foram tiradas com calma, Francis beijava cada cm daquele corpo que tanto amava enquanto Vládia, extasiada pelo contato dos corpos, gemia em seu ouvido. Aos poucos os corpos foram exigindo cada vez mais, queriam sentir cada vez mais as bocas, os toques, o gosto da pele uma da outra.

 

Francis tocou o sex* de Vládia que já estava molhado e pulsava em suas mãos, as estocadas eram ora leves e gentis ora fortes e intensas, e assim, em pouco tempo, chegaram juntos ao ponto mais alto do prazer.

 

Ficaram um tempo abraçadas, os corpos colados, sentindo apenas a respiração uma da outra, Francis quem quebrou o silencio mágico que havia se instaurado entre elas.

 

-- Vlá, eu te amo demais, às vezes acho que meu coração vai explodir de saudades de você docinho. – Disse enchendo o rosto dela beijos.

 

-- Também te amo meu amor, muito.

 

-- Mas eu não consigo Vla... – Vládia interrompeu o que ela estava dizendo.

 

-- Nada de promessas Francis, vamos aproveitar, nem que seja só por essa noite, me ame e me deixe te amar, faça amor comigo e me deixe fazer com você, sem nos preocuparmos com o que vai acontecer amanhã.

 

Selaram essas palavras com um longo beijo, não saberiam como seria o amanhã, nesse momento o que importava era matarem a saudade que existia entre ambas e saciarem o desejo de seus corpos, e assim o fizeram.

A noite foi intensa, fizeram amor até seus corpos não aguentarem mais, e assim, totalmente saciadas, dormiram, Francis envolveu Vládia em seus braços, e apertando, como se ela fosse fugir dos seus braços, adormeceram.

 

Vládia acordou ouvindo um telefone tocando, era o celular da Francis, sentiu quando ela, com cuidado para não acordá-la, soltou-a dos seus braços e se levantou caminhando até a janela para atender o celular, Vládia não se mexeu, resolveu deixá-la falar antes de perceber que ela também tinha acordado.

 

-- Alô.

 

-- Eu to na casa da minha irmã, me espera que eu já chego aí. – Um silêncio se fez até que Francis voltou a falar.

 

-- Também to com saudades meu anjo, já chego aí, beijo, tchau.

 

Francis desligou o celular e admirou o corpo de Vládia que ainda dormia, saiu pegando suas roupas e seguiu para o banheiro. Vládia não acreditava que ela havia falado como se nada houvesse acontecido durante a noite que passou, sentiu uma dor no peito, um vazio e decidiu que não deixaria Francis saber que estava se sentindo humilhada, fingiria que ainda estava dormindo.

 

Francis saiu do banheiro, sentou na cama e admirou mais uma vez o corpo da mulher que povoava seus dias, seus pensamentos, seus sentimentos mais íntimos, e reunindo forças, beijou de leve os lábios da Vládia e foi embora.

 

Depois que ouviu Francis sair do apartamento e fechar a porta, Vládia deixou as lágrimas caírem, sentia-se suja, usada, não acreditava que ela estava indo ao encontro da namorada depois da noite que tiveram, no seu íntimo, ela achava que quando amanhecesse, Francis fosse perceber que elas ainda se amavam muito e a perdoaria, que voltariam a namorar, que tudo seria esquecido, mas um balde de água fria caiu em sua cabeça, nada havia mudado, elas ainda estavam separadas, o vazio em seu peito continuava lá, seu amor, mais uma vez, havia sido descartado e em alguns minutos, Francis estaria nos braços da namorada. Com esse pensamento, Vládia levantou da cama e foi tomar um banho, precisava tirar da sua pele qualquer vestígio de que Francis havia estado ali, havia tocado, beijado seu corpo.

 

Saiu do banho, vestiu uma roupa qualquer, não tinha ânimo para escolher nada, muito menos roupas, pegou as chaves de casa, a bolsa, o celular e saiu, ia fazer algo que deveria ter feito há muito tempo, ia comprar um carro, desde que recebera o dinheiro do seguro do carro por causa do acidente, não havia conseguido decidir que carro compraria, mas hoje sentia que já sabia qual carro queria, e assim, pegou um táxi e foi até a loja.

 

Três horas depois, saía da loja satisfeita com a compra que havia feito, havia financiado uma parte do carro, pois esse era bem mais caro que o anterior, mas sentia-se satisfeita, pegaria o novo possante em 3 dias. Pegou um táxi e seguiu para casa da Silvinha, iria visitar a amiga que estava de cama. Já a caminho da casa amiga, recebeu uma mensagem.

 

“É ruim qdo a pessoa q está com a gente simplesmente sai p encontrar outra né??? Ou até mesmo qd sabemos q n somos nós q povoamos os pensamentos dela. Provou do seu próprio veneno....”

 

Há muito tempo que não recebia mais essas mensagens, mas seja lá quem fosse que estivesse mandando essa mensagem, sabia que Francis havia passado a noite com ela e havia saído para encontrar a namorada. Jogou o celular de volta na bolsa, estava quase chegando na casa da Silvinha, depois pensaria no assunto.

 

Silvinha abriu a porta e sorriu ao ver que era a amiga que tocava a campainha feito uma louca.

 

-- Vlá, que surpresa boa, o que faz aqui? – Disse enquanto abraçava a amiga.

 

-- Nossa, vim visitar você, saber como estava, não sabia que precisava avisar que eu estava vindo.

 

-- Boba, não é isso, é só que você quase não vem aqui, mas gostei da surpresa.

 

Foram abraçadas até a sala e se jogaram nos puffs que Silvinha tinha no lugar de sofás.

 

-- Como está sua gripe Sil?

 

-- Agora to bem, mas ontem eu estava derrubada. Agora me fala a verdade, o que você tá fazendo na rua essa hora? E nem tente me enrolar, te conheço bem demais.

 

-- É, você me conhece mesmo, mas não é nada demais, fui comprar meu carro, pego ele na terça de manhã.

 

-- Ah, você disse que iria me levar com você para ajudar a escolher. Mas to feliz por você, me diz, qual comprou?

 

-- Surpresa, na terça você fica sabendo, só te digo que é preto.

 

-- Vládia Christine Zammorah, vai logo, desembucha qual carro você comprou?

 

-- Silvinha, você é uma figurinha, comprei um Santa Fe, satisfeita? – Silvinha abriu e fechou a boca várias vezes antes de conseguir falar.

 

-- Uau, esse carro é simplesmente maravilhoso Vlá, parabéns.

 

-- Obrigada Sil. – Silvinha notou tristeza na voz da amiga.

 

-- Ah Silvinha, ontem eu tive a melhor noite da minha vida e hoje tive a pior manhã.

 

-- O que aconteceu?

 

Vládia contou a ela tudo o que havia acontecido na noite anterior e como foi pela manhã.

 

-- Vládia, por que você fica se machucando assim? – Disse abraçando a amiga.

 

-- Sil, hoje eu me senti um lixo, só faltou ela deixar dinheiro no travesseiro antes de sair, ela sequer me acordou Sil e ainda disse que estava na casa da irmã.

 

-- Mas você mesma disse a ela que o amanhã não importava Vlá.

 

-- Mas eu não achei que seria assim Sil.

 

-- Ei menina, fica assim não, eu te amo, sei que não sou ela e também não te amo da forma como ela te ama, mas eu to aqui viu?

 

-- Eu sei Sil, obrigada.

 

-- Agora vem cá, vamos até a cozinha, vou fazer um cafezinho fresquinho para nós.

 

Estavam sentadas, tomando café na cozinha e conversando como há muito não faziam, eram amigas há anos, Silvia conhecia Vládia como ninguém, sabia das suas dores, seus amores, sabia que a amiga, por baixo daquela independência toda, era apenas uma criança assustada, que tinha um coração enorme.

 

-- Sílvia, por que foi que nós não demos certo? Seria tão mais fácil amar você, viver com você, temos os mesmos gostos, nos conhecemos mais do que qualquer pessoa, seria tão natural à vida ao seu lado.

 

-- Não sei Vlá, talvez seja por tudo isso que você acabou de dizer, somos parecidas demais branquinha, não daria certo nunca.

 

-- Talvez você tenha razão.

 

-- Mas mudando de assunto, você já decidiu quem vai levar para o RJ?

 

-- Já sim, você e a Pietra.

 

-- Só? Ninguém mais?

 

-- Silvinha, vocês duas já vão me dar um trabalhão danado, ainda quer que eu leve mais?

 

-- Ai Vládia, você não fala sério nunca garota chata?

 

Vládia ficou lá até quase anoitecer, depois foi para casa, tinha que trabalhar em dois lugares naquela noite, precisava se arrumar.

 

A semana passou rápido, Vládia quase não viu as meninas, apenas se falaram por telefone, nem Luana deu o ar da graça no que Vládia agradeceu, já tinha problemas demais com duas mulheres, não precisava de uma terceira, o carro chegou o que tornava a vida dela mais fácil, não tinha que ficar de táxi prá todos os lados, ela aumentou o ritmo de trabalho, não queria pensar em tudo que vinha acontecendo em sua vida, apesar de não encontrar mais Francis, ficou sabendo que ela havia voltado com a namorada para SP, tinha coisas para resolver nos negócios da família.

 

Na terça-feira ela estava chegando em casa quando o celular tocou, era Sophia, ela atendeu enquanto entrava em casa e colocava as coisas que tinha nas mãos em cima da mesa.

 

-- Sophia, quanto tempo? Como você está?

 

-- Olá Dj, eu estou bem obrigada e você?

 

-- Tudo indo Sophia há que devo a honra de sua ligação? – Disse Vládia brincando.

 

-- Bem, é só que a Silvinha não atende o celular dela e eu queria avisar que o hotel já está reservado, o mesmo da outra vez, só que como a senhorita pediu dois quartos, tem uma pessoa aqui que está se comendo de curiosidade para saber se você virá acompanhada. –

 

-- Não Sophia, eu irei sozinha, com duas amigas, mas no meu quarto mesmo vou ficar sozinha.

 

-- Você sabe de quem eu estava falando né?

 

-- Sei sim Sophia, diz a Pâm que eu irei sozinha.

 

-- Como é que vocês estão? Ela, desde que voltou daí, está triste, quase não sai de casa, trabalha no automático, parece um robô.

 

-- Sophia, ela está assim por que quer, foi ela quem recusou meu pedido de casamento, eu estava disposta a construir uma vida com ela, mas ela me excluiu dos planos. – Vládia tinha mágoa na voz.

 

-- Ela é assim Vlá, meio arredia a compromisso sério, diz que morar junto só acaba com os sentimentos.

 

-- Eu entendo, mas eu acredito que quando se ama, quer se construir uma vida junto Sophia.

 

-- Eu concordo com você Dj, mas quem entende a Pâm?

 

-- Eu não entendo, até tentei, mas não consigo aceitar os motivos que ela me deu. E depois, eu esperava que ela ao menos me ligasse, passei um mês no hospital e ela sequer apareceu.

 

-- Ela ligou Vládia, a Silvinha disse umas verdades e ela ficou sem jeito de ligar de novo, mas me fazia ligar quase que diariamente para o hospital.

 

-- Ela me disse isso também.

 

-- Tá certo, mas vamos falar de negócios, você toca nas duas djieles como da outra vez, e eu prometo que dessa vez não vai ser um taxista a buscá-la no aeroporto.

 

-- Não precisa se preocupar, qualquer coisa nós pegamos um táxi, sem problemas.

 

Conversaram por mais algum tempo até que Sophia se despediu para receber a bebida que havia chego à boate.

 

Vládia terminou de arrumar seu case de música, mas a conversa que teve com Sophia mexeu com ela, em alguns dias estaria de novo na presença da Pâm, aquela mulher mexia com ela de uma forma que nem ela entendia, abriu a pasta de fotos que tinha no PC e procurou pelas fotos delas, tinha mais de duzentas e em quase todas, Pâm tinha nos lábios, o sorriso pelo qual havia se apaixonado desde a primeira que viu, ela era linda, isso ela não podia negar.

 

Nem viu o tempo passar, mas ao olhar no relógio, percebeu que passou horas vendo as fotos, sentiu uma saudade gostosa do tempo em que elas estavam juntas, a relação delas era simples, calma, se entendiam com apenas um olhar, sentia falta da calmaria que tinha ao lado da Pâm.

 

Vládia desligou o notebook quando a bateria avisou que estava acabando, tomou um banho, abriu uma garrafa de vinho e sentou na varanda olhando as estrelas no céu, se sentiu sozinha, queria alguém ali, para conversar, rir das suas histórias, chorar com suas dores, mas a única companhia que tinha era a garrafa de vinho. Lembrou-se que há pouco tempo atrás, ela era uma mulher realizada, mas hoje se sentia uma garotinha que precisa de colo.

 

Ligou o som, pegou algo para comer e ficou ali por muito tempo, até o cansaço a vencer e ela ir para cama.

 

Acordou as sete da manhã, a cabeça doía muito, consequência da companhia que havia tido na noite anterior.

 

-- Ai... Por isso não tomo vinho. – Disse enquanto procurava por algum remédio que amenizasse pelo menos a dor da cabeça, já que a do coração não tinha remédio que tirasse.

 

Tomou um banho, se arrumou e foi comprar algumas coisas que precisaria para viagem, queria também retocar as mechas azuis do cabelo, teria um dia cheio pela frente, mas era tudo o que ela precisava para esquecer um pouco a confusão que estava seu coração.

 

Saiu do salão já passava das quatro horas da tarde, resolveu comer alguma coisa pelo shopping mesmo, andou pela praça de alimentação tentando decidir o que comer, optou por comida japonesa, o restaurante japonês era agradável, entrou fez o pedido e enquanto esperava a comida, ligou para Pietra.

 

-- Fala branquinha, que saudades de tu menina.

 

-- Acredito, tem tanta saudade que nem foi me ver, nem me ligou, nem e-mail, nem sinal de fumaça, imagino como seria se não sentisse minha falta.

 

-- Para de drama Vlá. Tô até as tampas de trabalho, e se você quer minha companhia nessa viagem, precisa entender que preciso terminar para poder ir com você Dj gostosa.

 

-- Ui, só pelo gostosa te desculpo. Mas queria saber se já estão com as malas prontas? Viajamos amanhã no final da tarde.

 

-- Já sim branquinha, Silvinha me fez arrumar a mala ontem já, aquela louca.

 

-- Ela adora viajar, é das minhas.- Vládia riu com a alegria em que a amiga se encontrava.

 

Conversaram mais um pouco e quando a comida chegou, Vládia se despediu da amiga e desligou. Ela estava almoçando e ao olhar para fora viu Francis com a namorada, estavam sentadas na praça de alimentação comendo, elas tinham uma cumplicidade que Vládia sentia inveja, desviou os olhos da cena e terminou de comer o mais rápido que pode, queria sair dali sem que elas percebessem sua presença. Pediu a conta, pagou, colocou os fones no ouvido e ligou o mp4 com o volume no máximo e saiu em direção ao estacionamento, pegou o carro e foi para casa.

 

Já em casa, começou arrumar a mala, colocou tudo que tinha comprado no shopping aquele dia, perfumes, óleos, hidratantes, roupas, depois de verificar se não tinha esquecido nada fechou a mala e foi para sala ver TV.

 

Aquela noite foi agitada, teve sonhos estranhos com Francis e com a Pâmela e quando acordou achou que tinha mulher demais na sua vida.

 

As meninas chegaram às três da tarde como haviam combinado, Vládia chamou um táxi e seguiram para o aeroporto e às quatro e meia embarcaram para o RJ.

 

Duas horas depois, desembarcavam na cidade maravilhosa, pegaram as malas e ao cruzarem o portão de desembarque, Pâmela as esperava com um sorriso radiante no rosto, era o sorriso preferido de Vládia, ela a recebeu com um abraço demorado e aproveitou para dizer no seu ouvido.

 

-- Seja bem vinda Vlá, eu estava morrendo de saudades de você meu anjo.

-- Oi Pâm, tudo bem com você?

 

-- Agora que você chegou eu estou bem melhor. – Disse ainda abraçada a Vládia.

 

Pâm cumprimentou Sílvia e Pietra que a pedido de Vládia, foram simpáticas com ela. Seguiram para o carro, guardaram as malas no porta-malas e seguiram para o hotel, no caminho conversaram sobre a festa em que Vládia iria tocar, Pietra e Silvinha, no banco de trás, pareciam duas crianças, falavam sobre as belezas da cidade, elas nem sabiam qual era o assunto no banco da frente.

 

No hotel, depois que elas fizeram check-in, Pâm as convidou para sair e comer alguma coisa, convite esse que foi prontamente aceito por elas, apenas disseram que precisavam de um banho para se refazer da viagem. Enquanto elas subiram, Pâm ficou no bar do hotel esperando por elas.

 

-- Vládia, você tem certeza que quer sair para jantar com ela? – Pietra perguntou para a amiga.

 

-- Claro Pietra, além do mais, eu não vou só com ela, vocês irão junto.

 

Na porta dos quartos, marcaram de se encontrar no bar do hotel assim que terminassem. Vládia entrou e foi direto para o banheiro, precisava urgentemente de um banho. A água estava morna, relaxou a tensão que ela estava sentindo desde o momento em que encontrou com a Pâm no aeroporto, a garota estava realmente muito linda, um shortinho de tecido riscadinho, uma blusinha tomara que caia, sandálias altas e um casaquinho, sem falar no sorriso, ah como era lindo aquele sorriso, iluminava o ambiente.

 

“Vládia, Vládia, onde você está com a cabeça mulher??” ela riu do seu pensamento. Terminou o banho e saiu à procura do que vestir, queria impressionar a morena, estava decidida a isso.

 

Optou por uma calça jeans justa que desenhava bem as suas curvas, uma blusa preta frente única, maquiagem que realçou ainda mais o azul dos seus olhos, uma sandália alta e prá finalizar o perfume que sabia que Pâm gostava.

 

Olhou no espelho e gostou do resultado, pegou o celular e a bolsa e desceu. Chegou o bar do hotel e procurou por Pâm, ela estava sentada em uma mesa no fundo do recinto, caminhou até lá, Pâm estava de costas e não a viu chegar, parou atrás dela e ia tocar seu ombro quando Pâm falou.

 

-- Você demorou meu anjo, já estava com saudades. – Vládia sorriu e sentou-se na cadeira a sua frente.

 

-- Como sabia que eu estava aqui se não olhou para trás?

 

-- Conheço seu cheiro, te encontraria em uma have somente pelo seu cheiro, é inconfundível Dj.

 

O garçom chegou e colocou uma taça na frente da Vládia que ficou sem entender, assim que ele saiu, Pâm tratou logo de explicar.

 

-- Eu tomei a liberdade de te pedir uma taça de champagne, hoje é uma noite especial e quero brindar com você.

 

-- Sem problemas, mas o que vamos brindar? – Disse Vládia levantando a taça.

 

-- A sua volta ao RJ e quem sabe a minha vida. – Encostou sua taça na de Vládia e tomou.

 

-- Ah, qual é Dj, bebe logo, não é educado não beber após um brinde, sabe o que dizem né “Brindar sem beber sete anos sem...” – Fez sinal de aspas com as mãos.

 

-- Sete anos é muito para eu ficar sem, acho melhor beber.

 

-- Se me permite te fazer um elogio Dj, você tá uma delícia nessa roupa. – Vládia sentiu uma corrente elétrica passar pelo seu corpo.

 

-- Você também está um arraso hoje Pâmela.

 

-- Meu nome só é doce quando você fala Vládia.

 

A chegada das meninas interrompeu a conversa, Pâm chamou o garçom e pediu que fosse colocado na conta da suíte o que havia sido consumido, levantaram e saíram, no carro Silvinha disse.

 

-- Vládia minha amiga, Deus é justo, mas a sua calça é mais. – As quatro riram com o comentário da Silvinha.

 

Foram para um barzinho GLS, o ambiente era gostoso, muita mulher bonita, algumas sozinhas, outras acompanhadas, esse realmente era um lugar para clarear a vista como diria Paulinha.

 

Sentaram em uma mesa no canto, lá tinham a visão de quem chegava ao bar, fizeram os pedidos, queriam comer alguma coisa leve, estava tarde para jantarem.

 

Sílvia e Pietra adoraram o lugar como tudo mais que havia no RJ, conversaram, deram risada, a noite foi bem agradável, ficaram lá até às três da manhã, depois seguiram para o hotel, Pâm passou a noite arrumando pretextos para tocar em Vládia, o que não passou despercebido pelas meninas, ao cegarem na porta do hotel, Silvinha foi logo se despedindo e puxando Pietra pela mão.

 

-- Meninas já está tarde, Pâm, obrigada pela noite agradável, o lugar era simplesmente perfeito, mas vamos Pietra por que estamos sobrando aqui. – E saiu do carro puxando Pietra sem dar a chance dela se despedir.

 

-- Acho que a Silvinha bebeu demais, me tratou bem a noite toda. – Disse Pâm que sem jeito alisava o volante do carro.

 

-- A Silvinha é a melhor pessoa que conheci em toda a minha vida, não esperava uma atitude diferente dela, embora ela tenha tomado caipiroska demais.

 

-- Bom, então, você vai... – Vládia interrompeu a fala dela.

 

-- Você quer subir um pouco? Se estiver cansada eu entendo. – Vládia disse olhando nos olhos dela que diante do convite abriu o sorriso que ela tanto amava.

 

-- Eu nunca to cansada para você Vlá, mas prefiro que você vá comigo para minha casa, pode ser?

 

-- Claro Pâm, hoje quem escolhe é você. – Disse fazendo um carinho em seu rosto.

 

Pâm ligou o carro e seguiram para sua casa, ela envolveu a mão da Dj na sua e assim foram o caminho todo. Vládia sentia falta daquele contato com ela, o carinho entre elas era algo natural, ele simplesmente acontecia, não era nada pensado, seus corpos simplesmente regiam um a presença do outro, era como se elas sempre tivessem se pertencido, as coisas simplesmente fluíam entre elas.

 

Ao entrar na casa, Vládia fechou os olhos e sentiu o cheiro de Pâm, lembrou de tudo que elas passaram ali durante o tempo em que estiveram juntas, Vládia costumava brincar e dizer que a casa dela parecia uma casa de boneca, a sua boneca tudo ali tinha a cara da Pâm.

 

Pâm abraçou a Vládia, apertou-a em seus braços e disse em seu ouvido.

 

-- Sentí tanto a sua falta aqui, por muito tempo eu detestei ter que vir para casa, tem tanto da gente nesse lugar Vlá.

 

-- Senti falta da sua casa de boneca também, mas senti falta de um lugar em especial.

 

-- Qual meu anjo?

 

-- Da sua cama.

 

-- Vamos matar essa saudade sua que também é minha. – Pâm disse enquanto pegava Vládia pela mão e seguia para o quarto.

 

Lá, Vládia pode constatar que tudo ainda estava no mesmo lugar, Pâm caminhou em direção ao som e ligou, Isabela Taviani invadiu o ambiente, a passos lentos, Vládia caminhou até ela, a envolveu em seus braços e sua boca procurou pela dela, sua língua pediu passagem, ao que prontamente foi atendida e assim, de forma suave, sem pressa, como se fosse a primeira vez, seus corpos foram se conhecendo, se reencontrando, se sentindo, a cada toque uma lembrança, uma recordação, Pâm estava entregue, seu corpo respondia as mãos, a boca de Vládia.

 

As peças de roupas foram tiradas sem pressa e cada centímetro dos corpos foram beijados, Vládia deitou Pâm na cama e com a boca percorreu o corpo dela dos pés a cabeça, Pâm se contorcia em baixo dela, a cada beijo, um novo gemido, ela chegou até a orelha e mordendo de leve sussurrou.

 

-- Que saudades eu senti de você, do seu gosto, do seu cheiro, do seu sabor, do seu gemido no meu ouvido...

 

-- Vlá, só você faz isso comigo, só você me tem por inteira...

 

Vládia levou sua mão até o sex* de Pâm que já estava molhado, brincou ali, arrancando gemidos da morena que não agüentando mais suplicou para que ela a penetrasse, o que Vládia atendeu de imediato, seu corpos suados, se encontravam, ela aumentou o contato com o sex* de Pâm e assim, juntas, atingiram o orgasmo.

 

-- Vládia, não vá ficar convencida, mas você é sensacional na cama meu amor.

 

-- Eu faço o que eu posso Pâm, mas pensando bem, ninguém nunca reclamou, então eu devo ser boa mesmo. – Riu dos tapinhas que Pâm distribuía em seus braços.

 

As brincadeiras deram lugar a carícias e logo tudo começou de novo, os corpos se acenderam e elas se renderam ao prazer, passaram a noite fazendo amor e só dormiram quando o sol já lançava seus primeiros raios no céu.

 

Vládia acordou com seu celular tocando, olhou no visor e viu que era Pietra, atendeu.

 

-- Fala Pi.

 

-- Branquinha por que você não abre a porta do seu quarto?

 

-- Simples, eu não estou no meu quarto Pietra, mas o que você quer? – Sentiu Pâm abraçar pelas costas e depositar beijinhos no seu pescoço.

 

-- Ai Vládia, desculpe, eu já devia imaginar mesmo, desculpa, deixa prá lá, vou deixar você aproveitar. – Pietra bateu na testa pela gafe, esquecera completamente que as duas haviam ficado sozinhas no carro.

 

-- Pietra pare de bobagem e diga logo o que você quer bobinha. – Vládia ria do constrangimento da amiga.

 

-- É que Silvinha e eu, estamos indo à praia e queríamos saber se você iria conosco.

 

-- Faz assim, vai indo com ela e a gente encontra vocês lá, pode ser?

 

-- Pode sim, vamos ficar em frente ao hotel mesmo, qualquer coisa é só ligar. Beijo amiga linda do meu coração e me perdoe por atrapalhar. – Desligou o telefone sem esperar pela resposta da amiga.

 

Vládia desligou o celular e virou para Pâm que ainda de olhos fechados tinha um sorriso bobo nos lábios.

 

-- Bom dia luz do meu dia, como passou a noite? – Vládia perguntou dando um beijinho de leve nos lábios da Pâm.

 

-- Minha noite foi surreal, sonhei que um anjo de olhos azuis me levava por caminhos que jamais sonhei conhecer. – E olhando bem para Vládia completou.

 

-- Sabe que olhando bem, ele se parecia muito com você. – Vládia sorriu e seus olhos encheram de água.

 

-- Sinto falta da sua espontaneidade sabia? – Abraçou Pâm.

 

-- Eu to aqui e minha espontaneidade também meu anjo.

 

-- As meninas estão indo para a praia, vamos encontrar com elas?

 

-- Não vai dar, tenho que comprar algumas coisas que ainda faltam para a festa de hoje à noite, mas te deixo lá e a noite passo para pegar vocês.

 

-- Tudo bem, ficarei um dia inteirinho sem sua companhia, posso esperar até a noite.

 

Se arrumaram e apesar da insistência da Pâm, Vládia saiu sem comer nada, estava saciada com a noite que tivera. Encontrou com as meninas meia hora depois.

 

-- Oi meninas, que dia maravilhoso, como passaram a noite?

 

-- Não melhor que você cachorra. – Silvinha brincou com a amiga.

 

-- Ah, vocês não sabem o que estão perdendo, minha noite perfeita, a Pâm foi... – Silvinha interrompeu.

 

-- Não precisa trocar dinheiro na frente de pobre Vládia, nos poupe dos detalhes por favor.

 

As três riram muito. Passaram a manhã na praia, voltaram para o hotel e pediram comida no quarto e depois saíram para alguns pontos turísticos da cidade maravilhosa, entre eles o pão de açúcar e o cristo redentor, voltaram para o hotel por volta de sete da noite para se arrumarem e como combinado às dez horas Pâm as pegou para irem à boate.

 

O lugar estava diferente da ultima vez que esteve lá, o bar que antes, ocupava o canto da pista, agora ocupava a lateral toda, Paulinha ainda trabalhava e recebeu Vládia com seu suco pronto e um abraço apertado dando as boas vindas. Sophia e Andréia estavam no escritório e agradeceram Vládia pelo bom humor que a Pâmela estava desde que chegou para trabalhar de manhã. A noite foi tranqüila, a casa estava lotada, o som perfeito, a vibe era contagiante, ela tocou até as três da manhã depois foi para pista com Silvinha e Pietra.

 

Algum tempo depois Pâm apareceu e disse que essa noite ela precisava terminar umas coisas na boate então não iria dormir com ela, mas prometeu que passariam o dia juntas, deu uns beijinhos na Dj e foi com Andréia resolver as coisas na outra boate.

 

Às cinco da manhã as meninas chegaram ao hotel, foram tomar banho e Vládia já estava deitada quando batidas na porta a fizeram levantar, era Silvinha e Pietra com os travesseiros nas mãos anunciando que tinham ido para ficar. Como a cama era grande, as três deitaram tranquilamente e logo adormeceram só acordaram às onze da manhã com o celular da Silvinha tocando.

 

Sílvia levantou para atender e Vládia abraçou Pietra e ficaram assim ainda de olhos fechados deitadas na cama macia até que Pietra falou.

 

-- Branquinha, obrigada pelo passeio, eu estava precisando mesmo sair daquela cidade.

 

-- Eu que agradeço pela companhia Pietra. Mas e você e a Paula? Não acha que está na hora de conversarem? Se não for para voltar pelo menos para acabar de vez?

 

-- Eu vou ligar para ela quando voltarmos, essa situação tá acabando comigo, sinto falta daquela mulher, mesmo tendo água na cabeça. – As duas riram.

 

-- Vocês se amam, não sei por que ficarem separadas.

 

Silvinha voltou para o quarto, se jogou na cama com elas e disse a Pietra.

 

-- Era Paulinha, queria saber de você, disse que te liga desde ontem e você não atende.

 

-- Tá desligado meu celular.

 

-- Eu disse que amanhã iremos embora e você vai levá-la para jantar.

 

-- Tudo bem, já estava na hora mesmo. Mas isso será só amanhã, hoje ainda estamos solteiras no Rio de Janeiro. Qual a programação para hoje?

 

-- Hoje vamos pegar uma praia, passear, almoçar fora e a noite eu vou trabalhar e vocês vão se divertir.

 

-- A Pâm não vai aparecer por aqui hoje?

 

-- Não, ela tem que trabalhar, portanto, durante o dia eu sou de vocês, aproveitem sem moderação. – As três riram e foram se arrumar, passariam o dia fora, e logo terminaram, saíram.

 

O dia seguiu exatamente a lista de tour que Vládia fez, Pâm ligou durante à tarde para saber onde estavam e dizer que as pegaria no mesmo horário. Voltaram para o hotel a noite, compraram um monte coisa na rua, tinha presente para todas as amigas.

 

Tomaram banho, se arrumaram e no horário marcado estavam prontas esperando Pâm que não apareceu, pegaram um táxi e seguiram para a boate, dentro do carro, Pietra notou a tristeza nos olhos da amiga.

 

-- Tá tudo bem branquinha?

 

-- Tá sim, por quê?

 

-- Você ficou chateada por que ela não apareceu né?

 

-- Na realidade não sei o que estou sentindo, mas vou esperar que ela me diga algo.

 

Pietra decidiu não tocar mais no assunto, sabia que a amiga precisava de silencio e respeitou isso, embora nos olhos da amiga houvesse muitos questionamentos.

 

A boate já estava aberta quando chegaram, quem as recebeu foi Andréia que explicou que houve um atraso na entrega das bebidas por isso Pâm não havia ido nos buscar, Vládia subiu para a cabine arrumar seu equipamento, estava totalmente concentrada na arrumação que nem viu Pâm entrar na cabine e trancar a porta.

 

Só percebeu a presença da morena quando ela a abraçou por trás colando seu corpo ao dela, Vládia se virou e tomou seus lábios num beijo sedento, algum tempo depois separaram os lábios.

 

-- Por que você parou? – Pâm perguntou.

 

-- Eu começo a tocar em quinze minutos mocinha.

 

-- Na realidade você só começa a tocar em quarenta minutos, eu pedi que a Duda segurasse o som por mais algum tempinho, precisava recompensá-la pela minha ausência hoje.

 

Vládia não pensou duas vezes para tomar seus lábios de volta num beijo cheio de segundas intenções. Pegou a Pâm no colo e a apoiou sob a mesa de som, as mãos foram percorrendo cada parte daquele corpo com uma experiência que enlouquecia Pâm, em poucos segundos, Vládia subiu a mão pela perna de Pâm, agradecia o fato de ela estar de vestido, chegou ao sex* que já pulsava, Pâm gem*u no seu ouvido ao sentir sua mão, envolveu pela cintura com suas pernas a trazendo mais para perto de si e aumentando o contato dela com seu sex*. E assim, ao som de Alex Galdino, chegaram ao orgasmo. Colaram a testa e recuperaram a respiração, Vládia sorria, senti a corrente elétrica que ainda passava pelo seu corpo, beijou de leve os lábios da Pâm antes de dizer.

 

-- Você sempre me surpreende morena, eu adorei.

 

-- Você que me faz perder o controle Dj. Mas agora eu preciso ir, tenho que trabalhar.

 

-- Você vem, usa, abusa e depois vai embora. Tudo bem, eu também tenho que trabalhar. Eu te vejo no final da noite?

 

-- Não sei, preciso entregar umas caixas na outra boate com a Sophia, não sei se volto a tempo, mas eu te levo para o aeroporto amanhã. – Beijou Vládia nos lábios e saiu da cabine.

 

Vládia tocou naquela noite como há muito tempo não tocava, se perdeu no tempo, acabou tocando mais do que o combinado, mas não se importou com isso, encontrou com as meninas antes de ir até o escritório receber, depois de tudo acertado com Andréia e Sophia ela voltou para pista com as meninas de onde saiu as cinco e meia da manhã e voltou para o hotel de táxi com as meninas.

 

-- Vládia, você e a Pâm ainda vão se ver antes de irmos embora?

 

-- Não sei Pietra, não marcamos nada, ela apenas me disse que nos levaria até o aeroporto.

 

-- Pensei que vocês tinham voltado. – Silvinha disse.

 

-- Não Sil, não voltamos, não prometemos nada, apenas nos curtimos.

 

-- E tá tudo bem para você assim branquinha?

 

-- Não sei, só sei que não quero esperar nada, as coisas vão acontecer quando tiver que acontecer.

 

Elas seguiram para os quartos, ainda tinham que arrumar as malas, o avião sairia as onze horas. Vládia se perdeu nos seus pensamentos, apesar de tudo que viveu com Pâm nesses dois dias, a sentia distante, não era mais a sua Pâm, apenas na cama ainda era ela, mas fora dela, era distante, desperto dos pensamentos quando o celular tocou, era Pâm dizendo que senti muito por não ter falado com ela antes de sair e disse que estava presa na outra boate fazendo o fechamento da noite e dando baixa no estoque, se despediu dela e desligou.

 

Vládia tomou um banho e sentou na varanda para um cigarro, quando se deu conta Silvinha a chamava para pegarem um táxi se não quisessem perder o vôo.

 

Seguiram para o aeroporto, Vládia não entendia por que Pâm não havia aparecido para levá-las como tinha prometido, ficaram até a ultima chamada do vôo esperando que a Pâm aparecesse, mas a única coisa que recebeu foi uma mensagem com a foto da Pâm dormindo sobre o peito de uma mulher com algumas palavras escritas.

 

“Por isso ela n apareceu p te levar no aeroporto.”

 

Vládia desligou o celular e jogou dentro da bolsa chamando Silvinha e Pietra para embarcarem.

 

-- Aconteceu alguma coisa Vládia?

 

-- Aconteceu Silvinha, quando eu falar no nome da Pâm ou da Francis, você me bate para que eu lembre tudo o que elas me fizeram.

 

Com essas palavras de ressentimentos e lágrimas nos olhos da Vládia, elas embarcaram de volta para casa.

No avião, Vládia ligou o mp4, colocou os fones, jogou o casaco no rosto num gesto claro de que não queria papo, o que foi respeitado pelas meninas, e assim ela fez o percurso todo.

 

Em Recife elas desembarcaram perto das quatro da tarde, Vládia se despediu das meninas, pegou um táxi e foi direto para casa, lá desligou o telefone residencial, avisou ao seu Antonio que não estava nem se o papa aparecesse por lá.

 

“Vládia, você tem o dedo podre para escolher namoradas” ela pensava enquanto tirava as roupas da mala e separava para lavar, colocou tudo na máquina e foi até a cozinha preparar algo para comer, seu estomago dava sinais que estava vazio há muito tempo, não encontrou nada que lhe abrisse o apetite, pegou uma maçã e foi para sala, ligou a TV e se jogou no sofá, queria entender o porquê de tudo que estava acontecendo na sua vida, queria saber quem era a pessoa que estava com a Pâm, se era a mesma pessoa que havia feito as ligações e enviado as outras mensagens, mas não tinha essa resposta, a única coisa que tinham em  comum era que o remetente era desconhecido.

 

“A partir de hoje senhorita Zammorah, a senhorita não é de ninguém, será de todas e todas também serão sua, assim para de se magoar.” Com esse pensamento resolveu que sua vida seria assim, beijaria quantas bocas fossem possíveis, iria para cama com quantas quisessem, mas não se entregaria de alma para mais ninguém.

 

Ela não gostava desse tipo de atitude, mas só assim deixaria de se magoar, não queria mais saber da Pâm nem da Francis, apesar de ter sido muito feliz com ambas, no final, o resultado foi o mesmo, mágoa.

 

Adormeceu no sofá e só as cinco da manhã, quando os primeiros raios de sol atingiram seu rosto, ela acordou e foi para cama, fechou tudo deixando o quarto em uma escuridão total, ligou o ar-condicionado em 13°, amava o frio, a fazia lembrar de casa, e deitou embaixo do edredom, queria dormir, precisava dormir para esquecer e foi isso que fez, dormiu como há muito não dormia, foi um sono tranqüilo e sem sonhos. Acordou atordoada, sentia um corpo perto do seu, o calor da pele encostada na sua e o peso dos braços que envolviam sua cintura, não se lembrava de ter ido para cama com ninguém, se virou devagar, a pessoa, fosse quem fosse, estava num sono profundo, à escuridão do quarto não ajudava muito, ela sequer conseguia distinguir a forma do rosto. Aproximou o rosto, queria sentir o cheiro, precisava de algo que lhe dissesse quem estava deitada ao seu lado, errou a medida e seus lábios tocaram os lábios de quem estava ao seu lado.

 

-- Nossa, faz muito tempo que não acordo com beijinhos assim, bom dia Vlá.

 

-- Silvinha você quer me matar do coração é? – Vládia disse apertando o nariz da amiga.

 

-- Vlá, desculpa, mas é que você ficou calada a viagem toda ontem e hoje o telefone só dava caixa postal e o de casa a senhorita desligou, fiquei preocupada daí resolvi vir aqui para ver como você estava e te encontrei aqui, toda encolhida na cama, deitei para esperar você acordar e acabei dormindo.

 

-- Como seu Antonio deixou você subir?

 

-- Ele me disse que você não estava, mas você sabe que eu consigo tirar a verdade dele né?

 

-- Silvinha você não existe, mas antes da conversa começar, eu preciso de um banho e um café.

 

-- Então vai tomar banho que eu vou fazer um café para nós.

 

Vládia foi para o banheiro, Silvinha abriu as janelas e foi para cozinha fazer o café, pegou frios e pão e fez um sanduíche para Vládia, ela sabia que provavelmente a amiga não havia comido nada desde que chegaram. Vládia chegou na cozinha elogiando o cheiro do café.

 

-- Senta aí branquela azeda e trate de comer esse lanche que eu duvido que você tenha comida algo ontem. – Disse enquanto colocava o lanche na frente dela.

 

-- Comi sim, uma maçã, estava sem fome.

 

-- Eu sabia, mas come e depois a gente conversa.

 

Vládia obedeceu a amiga e comeu, só percebeu que estava com fome quando devorou o segundo lanche, falaram sobre banalidades enquanto ela comia, quando terminou de comer, ela pegou mais uma xícara de café, pegou Silvinha pela mão e foram para sala, lá ela pegou o celular, ligou, abriu a mensagem e mostrou para Silvinha.

 

-- Mas que porr* é essa?

 

-- Era o que eu também queria saber Silvinha.

 

-- Por que você não liga para ela e pergunta? Afinal, ela deve ter uma explicação para essa foto.

 

-- Que explicação Sil? Se você não reparou olhe de novo, ela está sem roupa, deitada sobre uma mulher e na casa dela, sei disso porque esse era o lençol que estava na cama no dia que eu dormi lá, não tem nada para explicar.

 

-- O que você vai fazer?

 

-- Nada Sil, vou voltar a viver minha vida como eu vivia antes dessas duas bagunçarem minha vida e acabarem com meu juízo.

 

-- O Marcelo me ligou, vai ter uma festa em uma fazenda perto de Caruaru, é aniversário do primo dele, aquele que é gay e ele quer saber se você poderia tocar lá, vai ser no sábado.

 

-- Pode dizer que eu vou, mas depois dessa festa vou viajar, preciso sair daqui um pouco.

 

-- Posso saber para onde você vai?

 

-- Vou para São Paulo, tem muitos anos que não vejo a casa que era dos meus pais, meus amigos, enfim, vou me refugiar lá por uns tempos.

 

-- Promete que volta Vlá?

 

-- Claro que eu volto Sil, só vou esfriar minha cabeça por uns dias, quinze no máximo.

 

-- Tá certo, agora deixa eu te contar a novidade.

 

-- Espero que seja coisa boa, não aguento mais desilusões.

 

-- É boa sim, a Pietra saiu com a Paulinha ontem para jantar e não voltou prá casa.

 

-- Tú jura? Até que enfim, elas se amam, não sei por que ficaram tanto tempo separadas.

 

-- Eu também acho.

 

Passaram o resto do dia conversando sobre a viagem, Vládia não tocou no nome da Pâm e Silvinha respeitou, embora não aceitasse muito a idéia dela de não querer saber da Pâm sobre aquela foto, ela não acreditava que a Pâm fosse tão baixa assim.

 

A noite, Pietra e Paulinha chegaram com pizza e cerveja.

 

-- Até que enfim vocês se acertaram, não agüentava a Pietra chorando noite e dia e me implorando para levá-la para cama. – Vládia disse rindo abraçando a amiga.

 

-- Esse é o seu sonho né branquinha, me levar pra cama.

 

Ficaram conversando até uma da manhã, quando Pietra lembrou a namorada que iria trabalhar no dia seguinte, a cumplicidade delas era visível, e por vezes Vládia sentiu vontade de ser assim com alguém, trocar o carinho que elas trocaram durante a noite, todos os beijos roubados, os afagos no cabelo, os braços sempre entrelaçados, Vládia sentiu que não tinha nascido para ser feliz assim. Depois que as meninas foram embora, Vládia estava sem sono e resolveu arrumar as coisas, depois de tudo pronto, ela sentou na varanda e quando se deu conta, estava conversando com as estrelas e a lua, pedia para ter uma pessoa que não fosse abandoná-la um dia, que a amasse incondicionalmente e fosse correspondida.

 

“Ai meu pai, agora enlouqueci de vez.” Pensou antes de decidir levantar e tomar um banho para tentar dormir.

 

 

 

****  

 

 

 

Silvinha chegou em casa e como não conseguia tirar da cabeça a mensagem que a Vládia tinha recebido, resolveu tirar a história a limpo, fez um chá, sentou na sala e depois de vários minutos olhando para o celular, resolveu ligar, era tarde as ela precisava saber se a amiga estava certa. Depois do terceiro toque, Pâm atendeu.

 

-- Pâm, desculpe te ligar assim tão tarde, mas é que preciso falar com você.

 

-- Tudo bem Silvinha, não tem problema, o que aconteceu?

 

Silvinha contou a ela tudo que aconteceu no aeroporto e depois quando Vládia mostrou a foto para ela, o silencio de Pâm estava deixando Silvinha preocupada.

 

-- Silvinha, nós não prometemos nada uma para outra, apenas nos curtimos, aquela noite foi maravilhosa, mas foi só isso, não sei por que a Vládia ficou assim.

 

-- Pâm, então quer dizer que aquela foto foi mesmo o que aconteceu?

 

-- Foi Silvinha, ela não devia ter enviado essa foto, mas acho que foi por que eu disse a ela que iria levar vocês para o aeroporto.

 

Silvinha então contou sobre as ligações e mensagens que a Vládia recebeu nos últimos meses, Pâm ficou surpresa.

 

-- Espera aí, você tá me dizendo que todas as mensagens e ligações foram feitas pela mesma pessoa, é isso?

 

-- Não sei se foi a mesma pessoa, mas o teor de todas são bem parecidos, não podem ser apenas coincidência.

 

-- Vou falar com ela e perguntar, se for ela que faz isso, lhe garanto que vai parar.

 

-- Ela, ela, ela, por acaso ela não tem um nome?

 

-- Tem sim Silvinha, mas vocês não a conhecem, prá que saber o nome? – Silvinha agora estava brava.

 

-- Olha Pâm, faz um grande favor para nós, desaparece da vida da Vládia, não faz mais ela sofrer, por que eu te garanto uma coisa, se ela derramar mais uma lágrima que seja por sua causa ou da Fran, juro que arrebento a cara das duas, você me entendeu?

 

-- Claro Silvinha, embora seja difícil resistir a Dj, prometo ao menos tentar.

 

-- Tá avisada, passar bem. – Desligou o telefone com tanta raiva que o coitado caiu no chão.

 

 

 

****  

 

 

 

A semana passou rápido, Silvinha contou apenas a Pietra sobre a conversa que teve com a Pâm e decidiram que o melhor era não falar nada com a Vládia, pois apesar do esforço que ela fazia, seu sofrimento era visível, iriam poupá-la de mais essa decepção.

 

-- Sivinha, a Pâm não foi baixa, ela foi subterrânea, não esperava essa atitude dela.

 

-- Eu também não Pietra, sempre achei que ela fosse sensata, mas acho que a garota é bipolar, ou simplesmente não vale nada.

 

Essa conversa foi a última que tiveram sobre Pâm. Vládia havia comprado sua passagem para São Paulo para segunda feira, tocaria na festa de aniversário do primo do Marcelo no sábado, voltava para casa no domingo de manhã e viajaria na segunda de manhã, já havia avisado Renatinha, sua prima, álias a única que Vládia realmente gostava e sentia saudades.

 

No sábado a tarde, as meninas seguiram com ela para a festa, era a primeira que Vládia passaria pela estrada na qual havia sofrido o acidente, por isso havia pedido que Paulinha dirigisse o carro, a amiga aceitou dizendo que não via a hora de dirigir a super máquina recém adquirida pela amiga. A viagem foi tranqüila, chegaram na fazenda por volta das cinco da tarde, as tendas já estavam arrumadas e muitas pessoas já se encontravam por lá, Vládia notou que havia belas mulheres, prometeu a si mesma que aquela noite beijaria quantas bocas tivesse oportunidade, e foi o que fez, perdeu as contas, só soube que havia passado de oito quando Silvinha a puxou pelo braço quando ela saía do banheiro com uma loira pendurada em seu pescoço.

 

-- Vládia Zammorah, posso saber o que está acontecendo com você?

 

-- Tô aproveitando Sil, só isso.

 

-- Aproveitando, tem noção de quantas bocas você já beijou hoje?

 

-- Não contei, você sabe?

 

-- Nove Vládia, e sabe-se lá quantas você comeu né?

 

-- Na realidade só essa loira que você expulsou.

 

-- Me poupe das suas promiscuidades Vládia, vamos embora, Pietra e Paulinha já estão no carro esperando.

 

Vládia não discutiu com a amiga, ela tinha razão, ela nunca foi assim, no carro ninguém falou nada, apenas a olharam com olhar de decepção, apenas Paulinha fez um comentário mas foi logo calada pela voz da mulher, chegaram no apartamento da Vládia um pouco depois das oito, Paulinha e Pietra foram para o quarto de hospedes e Silvinha ficou com Vládia no quarto dela, depois de tomarem banho dormiram até quase às quatro da tarde. Vládia foi a primeira a levantar, estava de ressaca, física e moral, fez um café forte e aproveitou para terminar de arrumar a mala para viagem, estava sentada na varanda fumando um cigarro quando Pietra e Paulinha apareceram.

 

-- Parece que tem alguém de ressaca por aqui, esse café está forte demais. – Paulinha disse bagunçando o cabelo da amiga e sentando-se no seu colo.

 

-- Adivinhou pandinha, física e moral.

 

-- Só por que você foi a forra ontem? Pelo menos alguma vez na sua vida você tinha que fazer merd* Vlá, e essa foi uma merd* deliciosa diga-se de passagem. – As duas riram do que Paulinha disse.

 

-- Pandinha senti sua falta, sabe que você é meu chocolate preferido, não desaparece mais.

 

-- Também senti sua falta Vlá e também sei que você é louca prá comer esse chocolate, mas meu bem, sinto lhe dizer, mas você vai ficar só na vontade.

 

-- Pietra, você não mandou drenar a água da cabeça dela?

 

-- Ainda não branquinha, vou matar a saudade antes.

 

Logo depois Silvinha apareceu com cara de sono, elas ficaram conversando e Paulinha fazendo um lista enorme de presentes que ela queria que a amiga trouxesse de SP.

 

-- Pandinha, mais alguns itens e serei presa por contrabando.

 

-- Neim...são só presentes Zammorah.

 

 

Saíram para jantar, não aguentavam mais comer pizza, foram para um restaurante onde comeram siri e mais alguns frutos do mar regado a cerveja, mas Vládia ficou só no suco, a oite foi agradável, voltaram para casa da Dj meia noite, ela viajaria na manhã seguinte e as amigas a levariam para o aeroporto.

Fim do capítulo


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