Capítulo 11
As onze e meia, Vládia desembarcava em SP, Renatinha a esperava com um sorriso enorme nos lábios, a viagem de SP para sua cidade natal durou cerca de três horas, Renatinha tratou logo de atualizar a prima sobre os acontecimentos dos últimos anos, quem havia casado, quem havia separado, quem já tinha filhos, o destino de alguns dos seus amigos, enfim, Vládia praticamente nada falou, apenas contou por alto as coisas que aconteceram na sua vida, as desilusões, decepções, o acidente, a recuperação e o motivo que havia levado ela a fazer essa viagem.
-- Vlá, apesar do motivo, fico feliz de ter você de volta, já marquei com alguns amigos um churras em casa para você reencontrar as pessoas, você vai se divertir.
-- Rê, eu senti tanta falta de todos, dos tempos em que minha única preocupação era fechar as notas no final do ano, qual roupa eu iria usar no fim de semana.
-- Eu sei Vlá, também sinto falta disso, o Vini diz que eu sou abitolada demais, sabia que vamos nos casar ano que vem? Ele me convenceu.
-- Até que enfim, depois de enrolar o coitado por dez anos.
-- Ah, você sabe como eu gosto da minha liberdade, não me agrada a ideia de ter uma pessoa bagunçando minhas coisas, mas eu amo ele e acho que pode dar certo.
Chegaram na casa da Renatinha e deixaram as malas, seguiram para a casa dos pais de Vládia, uma saudade imensa invadiu o coração da Dj, desde que eles haviam partido naquele dia fatídico, uma morte besta, um adolescente embriagado havia batido a camionete de frente com o carro de seus pais, naquele dia Vládia sentiu que tinha que crescer, ser responsável, teria que pagar sua contas e apesar de ter recém completado seus dezoito anos, sabia que não poderia contar com o irmão, só seus pais aceitavam sua opção sexual, o irmão sempre deixou claro que respeitava mas que aceitar jamais.
Lembranças acometeram seu coração, lembrou do pai sentado na poltrona, fazendo palavras cruzadas com ela ao lado fazendo junto, da mãe na cozinha, fazendo aquele arroz e feijão que nunca mais comeu um igual, de deitar no meio dos pais na cama para assistir o jornal, coisa que fazia mesmo depois de grande, do amor com que os pais a acolheram depois dela contar a eles que gostava de mulher.
Ficou naquela casa por um tempo muito grande, ali tinha sido feliz, ali se sentia amada, depois de algumas lágrimas que caíram, ela fechou a casa e voltou para casa da prima.
-- Vlá, por que você não aluga a casa? Ela fica fechada, você gasta com faxineira e nunca vem prá cá.
-- Esse é meu refúgio Rê, é o único lugar onde me sinto realmente em casa, onde sinto meus pais e o amor que eles tinham por mim, não posso deixar outras pessoas morando no lugar que sempre foi nosso, já comprei a parte do Pedro, agora essa casa é só minha.
O telefone da prima não parava de tocar, todos queriam saber se a Vlá já havia chego, os dias que se seguiram foram cheio de festas, churrascos, reuniões, à tarde, enquanto a prima trabalhava, Vládia se escondia no seu refúgio, passava a tarde toda na casa dos pais, mexia no jardim que sua mãe cuidava com tanto amor, ela havia ensinado Vládia a mexer com a terra, mas depois que os pais morreram, Vládia nunca mais havia mexido com plantas, mas ali, era tudo tão natural, enquanto mexia nas plantas, ela conversava com a mãe contava as suas tristezas, como faziam no tempo que a mãe era viva, ela só sentia falta abraço e do beijo que a mãe dava nela quando dizia que tudo iria passar.
Dez dias haviam se passado desde que chegara na cidade, voltaria para casa em dois dias, mas estava se sentindo renovada, forte e pronta para seguir com sua vida novamente, falava com Silvinha e Pietra diariamente, as amigas estavam saudosas e por vezes ela se sentiu da mesma forma. A prima invadiu a sala aos gritos quando Vládia estava procurando seus cigarros.
-- Vlá, você não acredita quem deu o ar da graça hoje e está eufórico para te ver.
-- Nossa Rê, quer me matar do coração criatura, entrar desse jeito.
-- Ai desculpe prima, mas é que sei que você vai amar saber quem é.
-- Então diz logo quem é.
-- O Luiz, veio visitar a mãe e encontrou com o Vini na farmácia, então já sabe, a noite ele e o Vini vem para cá.
-- O Luiz Fernando?
-- Ele mesmo.
Luiz Fernando e Vládia namoraram por seis meses, logo depois que ela teve sua primeira decepção com mulher, queria saber se com um homem seria mais fácil, mais em pouco tempo, ela descobriu que o namorado era mais gay do que ela, e desde então eram amigos, mas haviam perdido contato depois que o amigo passou uma temporada na Alemanha e agora iria poder reencontrar o amigo. Luiz era lindo, branquinho e assim como ela tinha olhos azuis, o corpo parecia ter sido desenhado, devido as aulas que dava na academia e por conta desse amor pela musculação, ele fez educação física
-- Nossa Rê, faz muito tempo que não vejo o Lú.
Saíram para comprar coisas para comerem a noite, essa noite seria só os quatro e às oito da noite Vini entra os olhos ainda eram como Vládia se lembrava, azuis e intensos. Depois de longos abraços e muitos beijos, eles sentaram na sala e se lembraram de várias coisas que haviam passado juntos.
Depois de algumas garrafas de vinhos que foi servido na companhia de variados tipos de queijos, eles estavam todos meio altos já, Vládia e Luiz estavam deitados no tapete em frente ao sofá e Rê e Vini quase se comiam no sofá, Vládia jogou uma almofada no casal e em meio às gargalhadas disse.
-- Vão terminar o que começaram no quarto por favor, não queremos assistir uma cena de sex* explicito.
Renatinha levantou, pegou o namorado pela mão e seguiram para o quarto deixando Vládia e Luiz sozinhos na sala. Entre um carinho e outro a conversa foi ficando monótona, os assuntos estavam acabando, Vládia fechou os olhos e aceitou os carinhos do amigo e da mesma forma os retribuiu.
Não soube exatamente como foi que tudo começou, mas quando teve noção do que estava acontecendo, Luiz e ela já estavam sem roupas e no exato momento em que ele a penetrou Vládia o olhou nos olhos, mas nada fez para impedir, se sentiu desejada e amada, naquele momento ele era dela e ela era dele, simples e sem medo, se amaram, o prazer veio logo em seguida, embora em nada se comparava com o que ela sentia quando estava com uma mulher, mas Luiz foi carinhoso ao extremo, dando a ela um orgasmo diferente de todos o que ela já havia sentido, pela primeira vez na vida ela era dominada e não a dominadora na relação.
Após recuperarem as forças e a respiração voltar ao normal, Vládia colocou a camiseta de novo, pegou as roupas de ambos que estavam o chão e estendendo a mão para Luiz que a olhava, disse.
-- Vem, vamos para o quarto, não quero que a Rê tenha uma síncope amanhã com a cena de nós dois nus no meio da sala dela.
Luiz riu e se levantou, pegou a amiga nos braços e entre carinhos e beijinhos roubados, seguiu para o quarto que ela ocupava na casa, fecharam a porta e sem se preocuparem com o amanhã, passaram a noite naquela experiência de descoberta dos corpos, sentidos e sensações, adormeceram com dia quase claro.
Quando Vládia acordou, braços fortes a envolviam e sem saber bem o porquê, sentia-se segura neles, levantou o rosto para olhar o dono daquele peitoral musculoso que ela utilizava como travesseiro, viu que Luiz já estava acordado e também a olhava.
-- Bom dia furacão. – Luiz brincou com ela dando um beijinho de leve em seus lábios.
-- Bom dia Luiz. – Ela ficou sem graça, será que tinha sido ousada demais com o amigo, ela não sabia responder.
-- O que foi? Acaso está arrependida? Ou acha que agora vai ter que casar? – riu da cara da amiga.
-- Não to arrependida, só to querendo entender o que foi que aconteceu, por isso eu nunca tomo vinho.
-- Quer dizer que para ir comigo prá cama, só tomando vinho? Você me magoou profundamente agora. – Luiz se fez de ofendido.
-- Não Lú, não é isso, é só que quando eu tomo vinho, as coisas meio que fogem do meu controle sabe.
-- Vládia, preciso te dizer uma coisa.
-- Diz Luiz, você se arrependeu?
-- Não, só queria te dizer que apesar de ser mulher, você é muito boa na cama, perdi minha virgindade com estilo.
-- Ai seu bobo, para com isso. Ei, espera aí, quer dizer que você nunca transou com uma mulher? Eu fui à primeira?
-- Primeira e única meu amor, me desculpe Vlá, foi bom, mas ainda prefiro homem.
-- Ah, essa é boa, prá mim também foi bom, você não foi meu primeiro, mas também prefiro uma mulher, acho que faltou algo em cima e sobrou em baixo.
Os dois riram e levantaram, colocaram as roupas e saíram do quarto, ao chegarem na sala, Renatinha deu um grito ao ver a cara dos dois.
-- Vocês estão com cara que aprontaram essa noite.
-- Nada demais, apenas passamos a noite fazendo sex*. – Vládia disse para a surpresa do Luiz.
-- A tá bom, vocês dois, fizeram sex* a noite inteira? Então eu virei virgem de novo. – Os dois amigos caíram na gargalhada sendo acompanhados pela Renatinha que mal sabia que tudo que a prima disse era a mais pura verdade.
Luiz se despediu das amigas e foi embora deixando um cartão com o telefone para amiga, os últimos dias de Vládia na cidade natal foi sem maiores surpresas, e no dia marcado, embarcou de volta para casa.
As meninas a receberam com uma festa, Paulinha ganhou todos os presentes que havia listado para a amiga, parecia uma criança abrindo os pacotes, contou as amigas como foi a viagem, todos os amigos que encontrou, omitiu apenas o fato de ter ido para cama com o amigo.
Ficaram juntas até de madrugada, depois foram embora deixando Vládia sozinha, apesar de estar só, ela não se sentia assim, estava bem e vendo sua agenda verificou que seu mês seria cheio, as aulas da escola começavam na próxima semana, então, até algumas das suas tardes estavam comprometidas.
***
Aquele mês, como Vládia previa, passou voando, em alguns dias seria seu aniversário e apesar da insistência das amigas, não tinha vontade alguma de comemorar. Já passava das onze quando dona Ana chamou ela para almoçar, Vládia seguiu a senhora que a puxava pela mão.
Quando sentiu o cheiro da comida, seu estomago reclamou e ela correu para o banheiro, colocou para fora tudo que havia comido no dia anterior, dona Ana a amparava tirando seu cabelo do rosto, ela se levantou, lavou o rosto e foi para sala, foi quando dona Ana comentou algo que fez Vládia pular no sofá.
-- Se você não fosse gay eu diria que você está grávida menina.
Vládia correu para o quarto, procurou pela sua agenda, precisava saber quantos dias havia passado desde sua viagem, trinta e oito dias, isso significa que sua menstruação estava atrasada há quinze dias.
-- Meu Deus, isso só pode ser piada, não pode ser verdade.
-- O que foi menina, parece que viu fantasma, tá branca igual cera.
-- Ai mama, se eu contar a senhora não vai acreditar.
-- Então me conte e eu te digo se acredito ou não.
Vládia contou a senhora a história toda, Dona Ana ouvia calada, quando ela terminou de contar a história, a senhora finalmente falou.
-- Menina, eu não preciso de exames para confirmar o que eu já te disse, mas acho que você precisa, mas não se preocupe, eu estarei sempre do seu lado.
Vládia abraçou dona Ana e deixou que as lágrimas caíssem, naquele instante, dona Ana se parecia muito com sua mãe, se fosse sua mãe ali, ela sabia que teria ouvido exatamente a mesma coisa.
Vládia agradeceu dona Ana, ligou para farmácia e comprou todos os testes de gravidez que havia, mas teria que esperar até a manhã seguinte para fazê-los, aquele dia se arrastou, a ansiedade dela fez com que sua gastrite gritasse, custou a dormir e quando conseguiu, teve uma noite tumultuada por sonhos estranhos. Acordou às seis da manhã, foi direto para o banheiro, e depois de ver o resultado do quinto exame, teve a certeza, estava grávida.
Procurou nas suas coisas pelo cartão do Luiz, afinal ele tinha o direito de saber. Luiz atendeu antes do segundo toque.
-- A que devo a honra desse telefonema da minha amiga ingrata que não me ligou antes?
-- Ai Lú, para de drama, é serio o que preciso falar com você.
-- Fala mulher.
-- Lú, aquele dia que a gente...er...você sabe, naquele dia, você usou camisinha?
-- Naquela loucura toda você acha que eu me lembrei de alguma coisa, mas por quê?
-- Eu to grávida Luiz. – Escutou um baque do outro lado da linha, provavelmente o amigo havia caído.
-- Você tem certeza disso Vládia?
-- Eu fiz cinco exames diferentes de farmácia e todos sem exceção deram positivo.
-- Quer dizer que eu vou ser papai? Isso é maravilhoso amiga. – Vládia sentiu alívio ao ver a reação do amigo, ficou com medo que ele achasse que ela havia tramado isso.
-- Então tá tudo bem pra você se eu tiver a criança?
-- Como assim? Você estava pensando em não ter?
-- Não, de forma alguma, fiquei com medo de você achar que eu armei para você.
-- Eu nunca pensaria isso de você minha amiga, mas eu pensava que você se prevenia Vládia, por isso nem me liguei em pegar a camisinha.
-- Luiz acorda, eu namoro com mulheres, por que eu deveria tomar pílula?
-- Ai Vládia, assim como você eu também tinha bebido, agora não adianta ficar procurando desculpas, o rebento já está a caminho.
-- Eu sei.
-- Vou me organizar por aqui, e assim que der, estarei voando para encontrar com você.
Se despediram e desligaram, Vládia deitou na cama e sem se dar conta do ato, se viu alisando sua barriga e nesse momento sentiu um amor nascendo dentro do seu coração, tinha vida dentro de si, alguém que amaria sem medidas e sem se preocupar se era amada, tinha certeza que seria e de repente, sua vida ganhou um novo sentido, sempre quis ser mãe, só achava que ainda não era a hora, mas agora, sentia que mais do que nunca, sua hora havia chegado. Ligou para a sua ginecologista e marcou uma consulta, agora ela era responsável por esse ser que habitava seu corpo.
Quando dona Ana chegou, encontrou Vládia na sala, com uma xícara de café em uma mão e um cigarro na outra. Pela cara dela sabia que os exames deram positivo. Depositou um beijo na cabeça e seguiu para cozinha, algum tempo depois voltou com um copo tampado e com canudo e entregando a ela disse.
-- Tome tudo, é uma vitamina, tem cenoura, beterraba, mamão, maçã, leite e mel. Coloquei nesse copo por que você enjoa com tudo que é cheiro, assim pelo menos você consegue por algo no estomago.
Vládia pegou o copo da mão de Dona Ana e tomou a vitamina toda, o fato de não sentir o cheiro ajudou, há dias que ela não conseguia comer direito.
-- Obrigada mama, estava uma delícia.
-- Tem que agradecer não menina, mas me diga, você fez os exames?
-- Fiz mama, e você estava certa, estou mesmo grávida. – Pousou a mão sobre a barriga.
-- Filho é uma benção minha menina, depois que o susto passar, você vai sentir com mais clareza o que te digo, vai saber o que é amar uma pessoa mais do que si própria e sem se preocupar se é correspondida. Já falou com o pai?
-- Já sim mama, hoje pela manhã.
-- E o que ele disse?
-- Ficou feliz mama, o que me deixou aliviada, confesso que estava com medo da reação dele.
-- Então ele vai ser um bom pai minha menina.
-- Vai sim mama, tenho certeza que ele vai estragar essa criança antes mesmo do primeiro dentinho nascer. – As duas riram.
-- Vai contar quando para menina Sílvia?
-- Ainda não sei mama, preciso amadurecer mais essa ideia antes de contar, por enquanto só você, eu e o pai que sabemos.
-- Tá certo menina, da minha boca ninguém vai ficar sabendo nada. Vai trabalhar hoje a tarde?
-- Não mama, marquei uma consulta com a Daniela hoje a tarde, preciso saber se está tudo bem com esse casulo aqui. – Fez graça apontando para a barriga.
Dona Ana foi arrumar as coisas enquanto Vládia foi se sentar na varanda, ficou imaginando como seria sua vida dali pra frente, se viu com uma criança nos braços, correndo na praia, dando os primeiros passinhos, acabou se lembrando do pedido que fez as estrelas outro dia, fora atendida, ela finalmente teria alguém para amar e ser amada sem medidas. “tantos desejos para serem atendidos e atenderam logo esse? E nem era um filho que eu pedia.” Pensou.
A tarde foi para consulta, chegou meia hora antes do horário marcado. Não tinha muita gente, então teve que esperar pouco, logo a secretária chamou seu nome e ela foi para a sala, Daniela era sua amiga desde que havia chegado em Recife, se conheceram no prédio em que moravam, eram vizinhas de porta, Dani já estava quase concluindo a faculdade e Vládia ainda não sabia o que queria da vida, foi amizade a primeira vista como elas mesma diziam.
-- Olá Vlá, quase não acreditei quando vi seu nome na minha lista de pacientes para hoje, não tem seis meses que se consultou, aconteceu alguma coisa? – Disse enquanto abraçava e beijava a amiga.
-- Aconteceu Dani, você não vai acreditar, acho melhor você sentar. – Daniela mais do que depressa sentou na cadeira ao lado da dela.
-- Então conta logo menina vai, to ficando nervosa já.
-- Dani, eu to grávida. – Dani abriu e fechou a boca várias vezes antes de conseguir falar algo.
-- Caraca Vlá, como foi que isso aconteceu? – Dani estava surpresa.
-- Dani, se você que é médica não sabe como os bebês são feitos, não sou eu que vou dizer.
-- Ai, você sabe o que eu quis dizer, afinal tecnicamente, é preciso de um homem e uma mulher para se fazer um bebê, e você, até onde eu sei, é lésbica, então acho que entende minha pergunta, ou talvez você tenha feito inseminação artificial.
-- Não Dani, ele foi concebido de forma natural mesmo e antes que você me pergunte, eu ainda sou lésbica. – Riu da cara da amiga.
-- Como foi que aconteceu?
Vládia contou a ela como foi que tudo aconteceu, Dani pedia detalhes para amiga deixando-a vermelha feito pimentão.
-- Bom, já que você fez cinco exames diferentes e vem tendo enjoos diariamente, vamos logo fazer uma ultra para ver como está o bebê.
Foram para a sala de ultrassom, Dani dispensou a enfermeira que geralmente a acompanhava nesses exames, Vládia colocou a camisola e deitou, Dani espalhou o gel pela barriga dela e começou a fazer o exame, Vládia estava impaciente com o silêncio da amiga que só emitia sons do tipo, “hum....interessante....” , não aguentando mais o silencio da amiga perguntou.
-- Dani, será que dá para você falar para mim o que está vendo?
-- Achei que você não ia perguntar nunca. Seu bebê está bem, o coraçãozinho dele bate igual bateria de escola de samba. Você está com sete semanas e algo me diz que ele vai ser grandão, qual a altura do pai?
-- 1,93, por quê?
-- Nada, só queria saber o porquê de você ter ido para cama com ele. – Vládia deu um tapinha no braço da amiga.
-- Quer ouvir o coraçãozinho dele?
-- Eu já posso?
-- Claro, espera que vou pegar o aparelho para você escutar.
Dani arrumou o aparelho na barriga dela e assim que ligou, os batimentos cardíacos do bebê invadiram a sala, trazendo lágrimas aos olhos de Vládia
-- Meu bebê... – Ela sussurrou.
Dani deixou que ela ouvisse por um tempo, depois retirou o aparelho, limpou o gel da barriga dela e disse.
-- Vládia, se troque e me encontre no consultório.
De volta ao consultório, Dani passou as orientações sobre alimentação, exercícios e a quantidade de consultas para ter um pré-natal correto, se despediu dizendo que aguardava a amiga em breve em seu consultório.
De lá Vládia seguiu para o shopping, tinha algumas contas para pagar, parou diante de uma loja de roupas para bebês e não contendo sua curiosidade entrou para olhar, no inicio essa era sua intenção, mas quando notou, saía da loja com três sacolas
Chegou em casa e dona Ana disse que Pietra e Silvinha já haviam ligado várias vezes, queriam marcar a festa para comemorar o aniversário dela que seria no sábado, em dois dias. Vládia agradeceu e antes de ligar para as meninas mostrou a senhora as coisas que havia comprado.
-- Menina, é tudo muito bonito, esse bebê vai ser muito paparicado. – Disse rindo.
-- Mama, esse bebê vai ser sim muito paparicado e amado também.
-- Isso eu não tenho duvida minha menina, você será uma ótima mãe.
-- Só queria que meus pais o tivessem conhecido mama. – Seu olhar ficou triste.
-- Eles vão conhecer minha menina e tenho certeza que de onde eles estão, estão olhando por vocês. Agora chega de tristeza, trate de ligar para as meninas. – Dona Ana foi para cozinha deixando-a sozinha na sala.
Vládia pegou o celular na bolsa e ligou para Silvinha.
-- Até que enfim a senhorita deu o ar da graça.
-- Oi Silvinha, tudo bem?
-- Tudo sim, e você, como está?
-- Bem também, mama disse que você queria falar comigo, o que é?
-- Vlá, não enrola, você sabe o que eu quero, seu aniversário é sábado, onde vamos comemorar? – Vládia sabia que ela não desistiria.
-- Vamos fazer algo aqui em casa mesmo, marca com as meninas e vem prá cá, esse sábado não vou trabalhar.
-- Combinado então, chegaremos logo pela manhã, passaremos o dia com você e não precisa se preocupar, vamos levar tudo.
Vládia se despediu da amiga e foi arrumar algumas coisas em seu quarto, ficou analisando qual seria o melhor lugar para um berço, a principio queria que seu bebê ficasse em sua cama, perto dela, mas sua mãe sempre dizia que bebês tem que dormir no berço, então iria providenciar um.
Os dois dias passaram voando, quando se deu conta já era sábado e as meninas entravam em seu quarto fazendo a maior bagunça e cantando parabéns enquanto Paulinha, com uma câmera na mão, filmava tudo.
-- Choco, se esse vídeo for para na internet, você será uma barra de chocolate derretido.
-- Vlá, você tá tão linda, esse vídeo seu, de calcinha e camiseta, seria um sucesso.
As brincadeiras continuaram até que elas conseguiram tirá-la da cama, já na sala, de banho tomado e conversando, Dona Ana trouxe seu copinho com tampa cheio de vitamina, Vládia agradeceu e bebeu.
-- Branquinha, desde quando você toma nesse copinho de tampa e canudinho?
-- Essa ideia foi da mama, sabe que ela me trata como criança né Pietra. – Mesmo não gostando de mentiras contou uma.
As meninas trouxeram presentes, cerveja, frios, salgados e uma torta de chocolate com morango, a preferida dela. Já passava das duas da tarde quando Vládia chamou mama para se sentar ao seu lado, pediu que as meninas sentassem em volta dela dizendo que tinha algo muito importante para falar.
-- Bom, quero dizer para vocês que em breve, uma pessoa vai estar morando comigo aqui nessa casa.
-- Vládia, eu não creio, já vai enfiar alguém aqui de novo? – Silvinha falou.
-- Sil, quando você conhecer essa pessoa, vai amá-la assim como eu já amo.
-- Já ama? Como assim? Há uns dias atrás você suspirava pela Francis e agora diz que ama outra pessoa.
-- Eu ainda amo a Francis, isso não mudou em nada. – O som da campainha interrompeu a conversa.
Mama foi abrir a porta e disse que ela podia continuar a história que ela já voltava. Alguns minutos depois, para surpresa de todas, Francis entrou na sala com um presente nas mãos, caminhou até a Vládia lhe entregando o presente.
-- Parabéns Vládia. – Entregou o presente dando um abraço apertado dizendo no seu ouvido.
-- Não achou que eu esqueceria seu aniversário, achou?
-- Não. Obrigada. – Agradeceu abrindo o pacote de presente, era uma coelha de pelúcia, a mesma que alguns meses atrás elas viram enquanto passeavam pelo shopping, Vládia havia se apaixonado por ela.
-- Você lembrou Fran, obrigada. – Abraçou ela.
-- Eu a vi na loja semana passada, não resisti e comprei. Você gostou?
-- Amei.
Vládia foi colocar a coelha em sua cama e quando voltou, Paulinha estava atualizando Francis sobre os últimos acontecimentos.
-- Então quer dizer que a senhorita vai casar? – Francis tinha ironia na voz.
-- Não é bem um casamento sabe.
-- Vládia, desembucha logo, quem é? Como é? O que faz?
-- Como é eu ainda não sei, mas sei que é maravilhosa.
-- Como você não sabe quem é? Acaso conheceu pela internet?
-- Silvinha, você vai me deixar falar, por favor?
-- Silvinha, cala a boca, deixa ela falar. – Pietra se irritou e Vládia agradeceu a intervenção da amiga.
-- Essa pessoa é muito importante para mim, eu a amo e sei que ela, se ainda não me ama, vai me amar mais do que qualquer pessoa já amou. – Silvinha fazia careta a cada palavra dita e Francis apenas ouvia.
-- Vládia, se você tem certeza de que essa pessoa vai ser tudo isso na sua vida, eu só desejo que vocês sejam felizes. – Pietra disse.
Vládia encostou no sofá, levantou a blusa deixando a barriga exposta, e tirando de trás da almofada, dois sapatinhos de bebê, um rosa e outro azul, colocou eles em cima da barriga dizendo.
-- Eu ainda não conheço, por que essa pessoinha ainda não nasceu, mas já está crescendo aqui dentro. – Olhou para as amigas que olhavam para aqueles sapatinhos sem acreditar no que viam.
Elas abriram e fecharam a boca várias vezes antes de conseguirem expressar qualquer reação, a primeira a se mexer foi Paulinha, que abraçou e encheu a amiga de beijos na barriga, Pietra foi a segunda a se manifestar, encheu ela de beijos, Silvinha deu tapinhas no braço da amiga para logo se render também aquele serzinho que habitava aquela barriga. Francis era a única que não tinha expressão, estava séria, sentada no mesmo lugar, com o copo na mão. Depois que o alvoroço passou e as meninas sentaram-se ao lado da Vládia, Francis se levantou e caminhou até ela, ajoelhou-se em sua frente e tocou sua barriga, acariciando, deu o seu melhor sorriso acalmando o coração da Vládia, e disse para barriga dela.
-- Seja bem vindo bebê, a esse mundo louco, quando você sair daí, vai achar tudo muito estranho, às vezes frio, às vezes quente, um corre-corre, nem sempre você vai ter a atenção das pessoas a sua volta, mas vai aprender que chorando, você consegue tudo o que quer, só posso te garantir que você vai ser muito amado, vai ter a melhor mãe do mundo, às vezes ela é meio cabeça dura, tinhosa, brava, mas tenho certeza que vai amá-lo mais do que qualquer coisa nesse mundo. – Deu um beijo suave na barriga dela e olhando-a nos olhos disse.
-- Tenho certeza de que você vai ser uma boa mãe docinho, parabéns. – Vládia tinha lágrimas nos olhos, não esperava essa reação dela, podia jurar que seu bebê havia se mexido com as palavras dela, como se a reconhecesse de alguma forma.
-- Obrigada Francis. – Disse segurando sua mão.
Paulinha saiu do lado de Vládia dando lugar para que Francis sentasse ao lado dela, o que ela fez assim que Paulinha saiu, manteve a mão da Dj entre as suas.
-- Vlá, como é que você ficou grávida? – Silvinha fez a pergunta que ela temia, justo agora que Francis estava ao seu lado.
-- Ora Silvinha, acho que você sabe como os bebês são feito. – Francis respondeu.
-- Sim, mas Vládia é lésbica. Você fez inseminação artificial?
-- Vládia não engravidaria de uma agulha Silvinha, esse bebê vem pelos meios tradicionais, tenho certeza.
-- Não acredito, é verdade Vládia?
-- É sim Silvinha, não teria um filho com alguém que eu não conhecesse.
-- Mas então, quem é o pai dessa criança? A gente o conhece?
-- Silvinha, hoje você parece uma metralhadora, mas não, vocês não o conhecem, ele deve chegar por esses dias.
Antes que Silvinha continuasse com o bombardeio de perguntas, dona Ana veio chamá-las para almoçar.
-- Mama, hoje não precisava fazer almoço, nós trouxemos muita coisa. – Silvinha disse.
-- Minha menina precisa se alimentar direito Maria Sílvia, agora ela tem que comer por dois.
-- E eu espero que ela esteja se alimentando bem. – Francis completou.
Seguiram para a mesa e almoçaram entre uma brincadeira e outra, Paulinha era a que mais se divertia com a situação.
-- Eu que vou ensinar ele a jogar bola, a andar, nadar.... – Pietra interrompeu o falatório da mulher.
-- Meu amor, o bebê é da Vlá, não seu, não acha que ela que tem que participar desses momentos?
-- Sim, claro que ela vai estar junta com a gente.
-- Vládia, eu desisto, tudo indica que você vai ter uma babá em tempo integral.
-- Pietra, veja pelo lado bom, você sempre vai saber onde sua esposa está.
Silvinha apenas ria das brincadeiras das amigas e observava Francis, que não tirava os olhos da Vládia, seu olhar tinha algo diferente, tinha amor, paixão, carinho, mas ela se preocupou, pois a amiga ainda namorava outra garota e ela sabia que a atitude dela, mais cedo, quando ficou sabendo da gravidez, havia trazido esperança aos olhos da Vládia e a amiga não poderia sofrer, não agora, não mais.
Depois do almoço as meninas voltaram para sala e Silvinha aproveitou que Francis tinha ido até a varanda para fumar e foi conversar com ela.
-- Francis, posso falar com você um pouquinho? – Disse sentando-se na cadeira ao lado dela.
-- Desde quando você precisa pedir pra conversar Silvinha?
-- É que o assunto é sério Fran. – A amiga disse sem graça.
-- Tá certo Sil, diz aí o que está te incomodando.
-- Cadê a sua namorada Fran? – Foi direta deixando a amiga curiosa.
-- Por que isso agora Sil?
-- Por que a sua atitude lá na sala com a Vlá foi linda, mas sei que ela ficou cheia de esperanças sobre vocês, e bem, você sabe que agora, no estado que ela se encontra, ela vai ficar muito mais sensível e eu quero que ela tenha uma gravidez tranquila e outra decepção não vai fazer bem a ela nem ao bebê.
-- Eu entendo sua preocupação Sil, mas não se preocupe, já tem uns dias que estou solteira.
-- E quando você pretendia nos contar isso?
-- Hoje! Eu vim para cá atrás da minha felicidade Sil, mas teve essa novidade toda que eu resolvi esperar.
-- O que aconteceu? Por que terminou com ela?
-- Foi ela que terminou comigo Sil, disse que não conseguia conviver com meus fantasmas.
-- Ah tá. Mas quando você diz que veio atrás da sua felicidade, você se refere a voltar a com a Vládia?
-- Era isso sim Silvinha.
-- Como era? Era é passado Fran.
-- Sil, eu adorei a idéia da Vlá ter um bebê, só não sei se eu sou a pessoa mais indicada para estar com ela nesse momento, não sei se tenho essa estrutura sentimental para a explosão de hormônios que ela vai ter.
-- Francis, você está me dizendo que está com medo? Do quê?
-- Tô Sil, muito medo, medo de me apegar demais a essa criança e amanhã ou depois ela me mandar às favas e aí, como vai ser?
-- Fran, acho que você conhece a Vlá tanto quanto eu e sabe que ela jamais faria isso, nunca impediria você de ver o bebê.
-- Você acha que eu já não pensei nisso? Sei que ela tem o coração do tamanho do mundo e seu maior problema é quase nunca dizer não, coisa que se ela tivesse feito há um tempo atrás, nós ainda estaríamos juntas.
-- Fran, você errou no passado, ela errou agora, mas está mais do que confirmado o amor que existe entre vocês, então porque não passam uma borracha por cima de tudo e começam daqui para frente?
-- Silvinha, falar em perdoar é fácil, mas eu nunca a traí, então, toda vez que a sinto, que a toco, a imagem de que ela esteve com a Pâm quando estávamos juntas e ela dizia que me amava, é inevitável.
-- Ai, ai viu, por que vocês complicam tanto as coisas? – Francis riu da impaciência da amiga.
-- O amor, que na realidade era prá ser simples, é mais complicado do que parece amiga. Vamos dar tempo para as coisas acontecerem.
Voltaram para sala, às meninas estavam em uma conversa animada, Vládia estava abraçada ao pescoço da Paulinha e Pietra com uma almofada na mão ameaçava jogar nela.
-- O que está acontecendo aqui? – Francis perguntou rindo da cena.
-- Eu perguntei para essa descarada se ela já estava sentindo os desejos da gravidez e ela me disse que quer comer uma certa barra de chocolate, ah mas eu pego essa grávida descarada.
-- Vládia se comporte, você agora será uma mãe de família. – Silvinha disse aos risos.
-- Silvinha, diga a Pietra que eu estou grávida, ela não pode me agredir, Paulinha, faz alguma coisa, essa louca é sua mulher. – Paulinha abraçou Pietra e a fez sentar no sofá.
-- Pietra, quanto você me ama? – Paulinha perguntou sério.
-- Como assim amor? – Pietra não entendeu.
-- Qual o tamanho do seu amor por mim?
-- Enorme amor, abraça o mundo umas cinco vezes, por quê?
-- Eu também quero um bebê. – Paulinha disse deixando Pietra sem saber o que dizer.
-- O que me diz? – As meninas esperavam ansiosas a resposta da Pietra.
-- Paula, eu concordo em ter, mas não agora amor, temos que nos preparar antes. – Disse beijando de leve sua mulher nos lábios.
-- Branquinha, logo depois que essa coisa fofa nascer, vou encomendar o meu, e se o pai dele for um bom pai, vou fazer uma proposta a ele, daí ficamos tudo em família. – Paulinha arrancou boas gargalhadas das meninas.
-- Vládia, você tem noção do que vai ser minha vida daqui prá frente né amiga? – Pietra disse abraçando a amiga.
-- Pietra, a culpa é sua, devia ter drenado essa água da cabeça dela logo que voltaram a namorar.
A noite chegou e perto das oito as meninas começaram a se organizar para ir embora, estavam na sala se despedindo quando dona Ana entrou falando.
-- Vou precisar dar uma saidinha, quem pode ficar com minha menina até eu voltar? – As meninas se olharam, Silvinha ia de carona com Pietra e a mulher e Pietra ainda tinha uns relatórios para terminar.
-- Pode ir mama, eu fico com ela. – Francis disse piscando discretamente para Silvinha.
-- Então vem comigo menina, vou te mostrar os remédios que ela ainda tem que tomar antes de dormir. – Saiu puxando Francis pela mão.
As meninas se despediram da Vládia, deram um grito se despednindo da Francis e foram embora, Vládia ligou a televisão e sentou no sofá, esperando que mama e Francis voltassem da cozinha. Dona Ana e Francis voltaram, a senhora se despediu delas e saiu, Francis sentou ao lado dela no sofá.
-- Qual a sensação Vlá? – Francis perguntou quebrando o silêncio.
-- A primeira foi de total desespero, mas depois começa um sentimento diferente, algo maior do que qualquer um que tenha sentido até hoje e depois que ouvi o coraçãozinho dele batendo, me rendi totalmente a esse sentimento é algo surreal, parece que não cabe dentro de mim.
-- Eu não te disse que você seria muito amado. – Francis disse bem próximo da barriga dela.
-- Posso saber em quais circunstâncias ele foi encomendado? – Vládia sentiu medo, mas contou tudo a ela, não sabia o porquê, mas não omitiu nada.
-- Ainda é filhote de duas garrafas de vinho, tu vai dar trabalho. – Disse passando a mão de leve na barriga da futura mamãe.
-- Minha irmã diz que você tem que conversar com o bebê, para ele já ir conhecendo sua voz, se acalmando com ela, ela fazia na gravidez e a Ana Laura conhecia a voz dela desde que saiu da maternidade, ela ficava procurando de onde vinha o som e quando ela chorava, era só ouvir a voz dela e ficava calma.
-- Não sabia que você sabia essas coisas Fran.
-- Tá vendo, sua mãe não sabe nada, mas não se preocupe, ela aprende bebê e logo será expert no quesito gravidez. Eu sei muita coisa que você nem sonha Vládia.
-- Você ainda tá magoada comigo né Fran? – Baixou os olhos, foi mais uma afirmação do que uma pergunta.
-- Por que você tá dizendo isso? – Francis levantou seu rosto.
-- Porque você raramente me chama pelo nome, sempre foi docinho. – Francis se derreteu com o olhar pidão dela.
-- Vládia, não vou mentir para você, ainda dói aqui dentro do meu peito, mas o que está feito está feito né? Mas você sempre vai ser meu docinho, não importa quantas vezes me machuque, sempre foi e sempre vai ser, isso é fato concreto em minha vida.
-- Se eu pudesse mudar as coisas, eu mudaria Fran, juro que mudaria.
-- Ei, você não mudaria nada docinho, por que se mudasse, esse bebezinho não estaria aqui com a gente agora. – Disse fazendo carinho em sua barriga.
Vládia olhou nos olhos dela e colocou a mão sobre a sua, queria dizer a ela que o lugar dela era ali, ao lado deles, que eles precisavam dela, que ela era essencial em suas vidas. Francis a olhou com olhos diferentes, não tinha mais mágoa, só um sentimento carregado de amor e desejo, achava incrível que Vládia estivesse mais bonita, sensual, sempre ouviu dizer que nessa fase a mulher exala desejo e beleza, mas nunca tinha visto como era. Mas agora ela não só via como sentia, a corrente elétrica que fluía entre suas mãos, Francis se aproximou, sentiu sua respiração falhar, como sentia falta daquela mulher, como se enganou achando que seria capaz de viver sem ela em sua vida, aproximou seus lábios dos seus e a beijou, lenta e calmamente, sentiu como se seu beijo tocasse cada célula daquele corpo que tanto amava.
Vládia recebeu aquele beijo de corpo e alma, sentiu que sua Fran estava de volta, mas ela não iria apressar as coisas, iria com calma dessa vez, não meteria os pés pelas mãos. Aos pouco os lábios foram se separando e seus olhos se encontraram, tinham um brilho diferente, promessas que se fizeram sem palavras.
-- Fran, eu quero muito que dê certo... – Francis a calou com o dedo indicador em seus lábios.
-- Shh... Eu tmbém quero docinho, quero demais que as coisas sejam como antes, mas... – Vládia a interrompeu.
-- Eu sei, você tá namorando, não me esqueci esse fato. – Francis sorriu ao ver ciúmes em seus olhos.
-- Não to mais docinho, não existe no mundo, alguém capaz de ocupar seu lugar em meu coração. Cada célula do meu organismo, cada poro da minha pele, cada ínfimo pedacinho do meu ser deseja você, ama você, só você. Eu te amo docinho, amo demias, me assusta até a intensidade desse sentimento.
-- Eu sonhei com o dia que ouviria isso de novo. Diante de tudo isso que você me falou, quero te perguntar uma coisa, posso?
-- Claro docinho, hoje você tá podendo tudo. – Disse entrelaçando seus dedos nos dela.
-- Você quer namorar uma pessoa brava, tinhosa, cabeça-dura, que tá grávida, mas que te ama mais do que achou que seria possível amar um dia? Você teria o pacote completo, mãe, filho, casa, carro e muito amor.
-- Docinho, se vier a mãe e o filhote, eu já serei a pessoa mais feliz desse mundo. Mas eu não quero que seja como antes, quero que seja diferente, vamos recomeçar, construir nosso relacionamente sob pilares fortes, eu quero vocês na minha vida para sempre amor. Quero ver esse bebê nascer, quero ensinar ele, amar ele, da mesma forma que eu amo você.
Um beijo selou o compromisso firmado naquele sofá, logo o beijo lugar para um abraço e a cada investida para algo mais intimo que Vládia dava, Francis evitava, assim ficaram até Francis sair em direção a cozinha pegar a vitamina que Vládia tinha que tomar.
-- Fran, posso te fazer uma pergunta?
-- Depois que você tomar os comprimidos você pode. – Disse entregando o copo com água e os dois comprimidos a ela que tomou.
-- É impressão minha ou você está fugindo de mim? – Disse sentando-se no colo dela e beijando seu pescoço.
-- É só que eu meio que não sei como agir, o que fazer, o que eu posso fazer, entende?
-- Ora, é só você fazer como sempre fez, me tome em seus braços e me ame até o dia amanhecer. – Disse mordendo sua orelha fazendo seu corpo arrepiar.
-- Docinho, eu tenho medo e se eu machucar você ou..ou.. não quero nem pensar. – Vládia achou linda a carinha que ela fez.
-- Amor, você não vai machucar a gente, vamos com calma, sem pressa, temos a noite toda.
Vládia tomou seus lábios com calma, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo dela com saudades, tiraram peça por peça beijando cada parte nova que ficava desnuda e a cada toque da boca, os gemidos iam ganhando espaço, cada vez mais alto, cada vez mais urgente. Vládia pegou a mão da Francis e a olhando nos olhos, levou até seu sex*, fzendo com que dois de seus dedos a penetrasse e começou a reolar sensualmente sobre eles, fazendo com Francis quase tivesse um orgasmo só com a cena daquela mulher dançando de forma sensual em sua mão. O desejo se fez urgente e Vládia intensificou a dança para assim, juntas atingirem o melhor orgasmo que já tiveram em suas vidas.
-- Amor, você foi perfeita. – Vládia disse ainda com a respiração ofegante.
-- Docinho, não tenho palavras para expressar o que você me proporcionou.
-- É amor Fran, só isso. – Beijou de leve a pontinha do nariz dela.
-- Você tá bem? Quer dizer, eu não machuquei vocês né?
-- Só poderei te responder essa pergunta amanhã amor, por que eu não sei se eu senti algo que não seja prazer com você.
Francis a pegou no colo e a levou até a cama, e passaram a noite se amando, sem fantasmas, preocupações, naquele quarto não tinha para espaço para mais nada além de amor, desejo, tesão e a cumplicidade delas.
O dia amanheceu e ao abrir os olhos, Vládia se deparou com a cena mais linda de toda sua sua vida, Francis estava deitada em sua barriga e conversava baixinho com o bebê que havia lá dentro, ela ficou embevecida ouvindo a conversa.
-- Sabe meu anjinho, sua mamãe é um pessoa simplesmente única e maravilhosa, basta fazer as coisas do jeito dela, você pode estranhar por que ela ganha a vida fazendo barulho, mas muitas vezes ela vai pedir para você fazer silêncio e ficar quietinho, não pense que ela é louca, é por que nessas horas ela costuma estar pensando em coisas sérias, ela não gosta de bagunça, é muito metódica, organizada e certinha, mas a gente enrola ela e faz muita bagunça, ela tem o hábito de ficar cantarolando, não sabe ficar sem música, as vezes parece que ela respira música, ela tem uma voz doce, canta bem, mas nunca elogie, por que ela aumenta o volume e ninguém mais vai agüentar, toca violão como ninguém, é doce, meiga, muito carinhosa e tenho certeza que já te ama muito, enfim, quando você a conhecer vai ver por que ela é tão apaixonante, e não é só pelos olhos que ela tem, nem pela maneira doce de falar, é pelo ser humano que ela é.
Vládia enxugou uma lágrima que escapou de seus olhos e o movimento fez com que Francis se virasse para ela.
-- Acordou faz tempo docinho?
-- O suficiente para ter mais certeza de que tenho a pessoa perfeita ao meu lado.
Francis a abraçou e beijou demoradamente seu pescoço, tinha certeza absoluta de que fizera a escolha certa, a vida ao lado dela era simples, fácil e apaixonante.
-- Sabia que é feio ficar ouvindo a conversa dos outros docinho?
-- Não quando se ama profundamente essas pessoas. – Beijou de leve os lábios da mulher que parecia um anjo em seus braços.
-- Francis, eu te amo sabia? Muito mesmo.
-- Eu também docinho, você é meu bem mais precioso, voce e agora essa sementinha que está crescendo aqui dentro.
Batidas na porta assustou as duas, era dona Ana que entrava com dois copos de vitaminas nas mãos, estendeu para ela que sem graça, por dona Ana as encotrar na cama, sem roupa, apenas envolvidas num lençol.
-- Mama, como sabia que dois copos seriam necessários hoje? – Vládia tentou parecer natural.
-- Só um cego não veria ontem que vocês estavam entregues de novo, uma na vida da outra.
Dizendo isso, deu meia volta e saiu, deixando as duas rindo com as palavras da senhora.
-- Não sei como consegui sobreviver sem você em minha vida docinho.
-- Eu também não meu amor, minha vida sem você não faz mais sentido.
-- Vamos levantar por que meu filhote acorda cedo, e depois que ele nascer, ninguém mais dorme até tarde nessa casa.
-- Do que você chamou ele Francis?
-- Filhote? – Ela disse sem graça.
-- Não, antes de filhote.
-- Er...de meu, algum problema docinho? – Vládia envolveu os braços em seu pescoço, e depositando um beijo em seus lábios respondeu.
-- Não meu amor, nenhum, achei lindo você chamá-lo de seu.
Foram para cozinha, Francis fez com que Vládia comesse uma fruta, um copo de suco e uma fatia de pão integral, depois que ela já estava devidamente alimentada, Francis disse que precisava ir para casa arrumar umas coisas, falar com sua mãe para saber o andamento das empresas, mas que assim que resolvesse tudo, voltaria para perto dela, beijou demoradamente os lábios dela e se ajoelhando para ficar na altura da barriga dela, distribuiu beijos pela extensão toda e disse.
-- Filhote, deixe o que a mamãe comeu aí dentro, não faça ela passar mal, ela precisa se alimentar bem para você crescer forte e saudável. – Vládia abraçou ela enquanto recebia mais um beijo na barriga.
-- Assim vou querer estar grávida sempre, só para ser paparicada por você.
-- Por mim podemos ter um por ano, só precisamos arranjar outro jeito para senhora ficar grávida. – Piscou para ela e saiu em direção a porta da sala deixando Vládia curtindo aquele primeiro momento em que sentiu que a partir dali, elas seriam uma família, sorriu com o pensamento.
-- Ah Francis, você trouxe o sol de volta a minha vida, o colorido, o gosto, a alegria e principalmente a vontade sorrir. – Ela disse sozinha na cozinha.
Dona Ana a encontrou com sorriso bobo os lábios, olhando pela janela.
-- Vejo que tem alguém muito feliz nessa casa hoje, aposto que uma certa pessoa que passou ainda agora por mim, e que tinha um sorriso bobo igual esse nos lábios é a responsável, acertei?
-- Ai mama, acertou sim, eu to tão feliz, parece que agora as coisas vão se acertar, tá tudo tão perfeito na minha vida que tenho até medo.
-- Não sinta medo minha filha, aproveite esse momento que é único na sua vida, nove meses passam voando, e se a menina Francis está com você não tem que se preocupar com nada, apenas sentir a intensidade desse sentimento.
Vládia abraçou a senhora, ela se parecia muito com sua mãe, o mesmo olhar doce, o mesmo carinho, cuidava dela com tanto amor que Vládia as vezes sentia que se a mãe fosse viva, com certeza teria ciúmes dessa relação, o momento mágico entre elas foi interrompido pelo interfone, dona Ana foi atender e Vládia depositou um beijo em sua cabeça e seguiu para sala. Dona Ana chegou algum tempo depois anunciando que ela teria visita.
-- Quem é mama?
-- Não sei, mas pela descrição do seu Antonio, acho que é o pai do seu bebê.
Vládia já ia perguntar o porquê quando a campainha tocou e dona Ana foi atender a porta. Um homem de 1,93 estava parado diante da porta, usava uma camisa preta justa que acentuava ainda mais seu peitoral definido, uma calça jeans clara, óculos escuros e nas mãos, várias sacolas e uma mala, cumprimentou dona Ana e foi em direção a Vládia que já o esperava de braços abertos.
-- Ai branquela que saudades, e esse bebê, como está? – Disse enquanto alisava a barriga da amiga.
-- Oi Luiz, eu estava com saudades também, o bebê está bem, assim como eu, embora você não tenha perguntado. – Fez cara de sentida.
-- Ai amor, você eu to vendo que tá bem né bobinha, tá mais bonita, tem brilho nos olhos, ouso dizer até que está mais gostosa. – Abraçou a amiga a carregando nos braços e colocando-a no sofá sentou-se ao seu lado.
-- Por que você não avisou que estava chegando Luiz? Eu te pegaria no aeroporto.
-- Deixe de frescura, disse seu endereço ao taxista como se eu viesse para cá sempre, ele não podia achar que não conhecia nada, senão ao invés de trinta reais me custaria cem. – Os dois riram.
Dona Ana voltou com dois copos de suco e uma garrafa de café e duas xícaras, Luiz agradeceu, pegou um copo e deu a Vládia que recusou.
-- Vládia Zammorah, espero que a senhorita esteja se alimentando bem, por que se ele puxar ao pai vai ser grande e vai precisar de energia.
-- Bobo, eu to me alimentando sim, é que tomei café não faz nem uma hora, não aguento mais nada, vou ficar com um cafezinho mesmo.
-- Tá certo, olha quanta coisa eu trouxe para ele. – Disse apontando as sacolas que estavam no chão.
Vládia olhou para dona Ana e disse.
-- Tá vendo mama, por que eu disse que ele vai estragar esse bebê antes de nascer o primeiro dentinho? – As duas riram deixando o rapaz sem entender nada.
-- Não vou estragar nada, mas se vou ser pai, serei um pai muito presente na vida dessa criança.
A manhã passou rápido, Luiz havia trazido várias coisas, macacãozinho, meinhas, toucas, camisetinhas com frases do tipo " eu tenho o melhor pai do mundo", " sou da mamãe e do papai", calças, tudo muito lindo e de muito bom gosto, almoçaram em casa mesmo, e só se deram conta da hora quando dona Ana avisou que as meninas haviam chego e que estavam subindo. Ao entrarem, se depararam com a cena de Vládia deitada na sofá, com a cabeça no colo de Luiz, que carinhosamente alisava sua barriga.
Vládia apresentou o Luiz para as amigas, Paulinha se assustou com o tamanho do homem que ficou em pé na sua frente e não segurando a língua comentou.
-- Vládia se essa criança nascer de parto normal amiga, você nunca mais será a mesma. – Arrancando gargalhadas de todas.
-- Pietra, se você não mandar drenar essa cabecinha eu vou mandar. – Disse rindo para amiga.
-- Vládia, ela não tem jeito, a língua é mais rápida que o pensamento.
-- Ei, eu to aqui viu, e ouvindo. – Paulinha cruzou os braços fazendo cara de brava.
-- Vládia você não sabe o que eu passei, ela me azucrina o juízo desde as dez horas da manhã para vir aqui paparicar você, de uma hora para outra você não pode mais estar sozinha.
-- A criança é só uma desculpa, na realidade a sua mulher me ama. Paulinha, aproveita e fala para o Luiz que você quer ser mãe e pede para ele te fazer um também.
-- Neim...esse homem, com essa altura toda, essa largura toda, o filho dele deve nascer medindo quase um metro já, basta você que nunca mais vai ser a mesma, me deixe como estou, minha mulher gosta assim. – Todos riram e Luiz incentivado por Vládia entrou na brincadeira.
-- Paulinha, prometo que você nem vai sentir, saímos para jantar, tomamos um vinho bom, passamos uma noite inteira fazendo amor e no outro dia você já estará grávida e querendo casar comigo. – Todos caíram na gargalhada vendo a cara que Paulinha fez.
-- Nem vem. Vládia, com você foi assim? Jantar romântico, vinho, a noite inteira?
-- Tire o jantar romântico e o fato de querer casar com ele na manhã seguinte, de resto foi assim mesmo.
-- Ai coitada da minha amiga. – Disse abraçando a amiga.
-- E tire também a parte de fazer amor e troque por uma noite caliente com muito sex* selvagem, essa mulher é uma fera na cama. – Vládia ficou vermelha e deu um tapa no braço do amigo.
-- Ah, isso eu sei, não precisa nem me falar. – Paulinha tapou a boca com as mãos quando se deu conta do que falou.
-- Como assim isso a senhorita sabe? – Pietra fez cara de brava para a mulher.
-- Ai, eu e minha língua nervosa. Amor, não é nada disso que você está pensando, é que eu sou amiga da Francis uma vida inteira né, e amigas conversam, sobre tudo, inclusive o desempenho, sabe como é né?
-- Paula, não me diga que você fica falando da nossa intimidade com as pessoas?
-- Com as pessoas não amor, só com a Francis e talvez a Vládia e a Silvinha, mas é só, eu juro.
-- Paula, amanhã eu mesma tiro essa água da sua cabeça. – O riso foi geral.
Passaram uma tarde agradável, Luiz contou os podres da adolescência da Vládia, do tempo que namoraram, tudo debaixo de muito cascudo da amiga que a cada revelação ficava mais vermelha.
Já passava das sete horas quando Francis chegou, Vládia a recebeu na porta com um beijo e enquanto a abraçava disse ao seu ouvido.
-- Sentimos sua falta amor. Agora vem, quero te apresentar o Luiz.
Francis concordou e abraçada a ela caminhou até a varanda onde eles se encontravam para conhecer a pessoa responsável pela alegria que invadia seu coração há alguma horas.
-- Luiz, essa é a Francis, minha namorada, Fran esse é o Luiz, um grande amigo e pai do nosso filhote.
Os dois se cumprimentaram com abraços e beijos, quebrando a tensão que Vládia havia sentido desde a hora que aquele homem entrara pela porta da sua casa.
-- Então você é a responsável por esse sorriso bobo que essa maluquinha aqui está nos lábios desde que cheguei?
-- Assim eu espero. – Francis respondeu tímida.
-- É ela também Luiz, a responsável pelo meu sorriso. – Disse Vládia beijando de leve a boca da namorada.
Francis sentou no sofá e Vládia se encostou nela e sem se dar conta, suas mãos pousaram na barriga dela num carinho gostoso, o que não passou despercebido por ninguém.
-- Pelo visto não serei o único a estragar essa criança, fico aliviado. – Disse Luiz apontando para as duas no sofá.
Todos riram e Francis beijou o pescoço da namorada aninhando ainda mais ela em seus braços.
-- E aí Paulinha, já disse ao Luiz que você também quer ser mãe? – Francis perguntou.
-- Desisti Fran, você já reparou na altura e na largura desse homem? Depois que essa criança nascer, sua mulher nunca mais será a mesma.
-- Não importa, ainda assim ela será a mulher mais linda e amada desse mundo.
-- Ai meu pai, o amor é lindo. – Luiz disse bagunçando o cabelo das duas.
A conversa foi animada até altas horas, e por várias vezes Vládia pensou que aquela ali era realmente a sua família, fora dos padrões, sem laços sanguíneos, mas totalmente ligados pelo coração, agradeceu a Deus pela dádiva que recebia.
Eram quase meia noite quando as meninas foram embora, Vládia levou Luiz até o quarto de hóspedes que dona Ana havia preparado para ele antes de ir embora, acomodou o amigo e depois seguiu para seu quarto, Francis estava no banho, ela tirou a roupa e surpreendeu a namorada entrando no Box e abraçando-a por trás.
-- Por que você não me esperou? – Disse beijando o pescoço da namorada.
-- Justamente por isso, adoro quando você me surpreende no banheiro. – Disse virando-se para ela e beijando seus lábios.
-- Fran, senti saudades de você hoje amor. – Disse entre um beijo e outro.
-- Eu também docinho, muita saudade. – Disse Francis encostando a mulher na parede no Box.
-- Hum, to começando a gostar desse banho. – Vládia sussurrou em seu ouvido.
-- É? Então vem cá, deixa eu dar banho em você docinho. – As mãos começaram a ter vida própria.
Se amaram e se entregaram ao prazer ali, com a água descendo pelos corpos acalmando um pouco o calor que emanava delas. Seguiram para cama, e Vládia deitou com Francis se aninhando sobre sua barriga, achou incrível aquela parte do seu corpo ter se tornado o lugar preferido dela nos últimos dois dias.
-- Fran, o que você achou do Luiz?
-- Legal, acho que vai ser um bom pai.
-- Só isso Fran? Legal?
-- Vládia, confesso que me senti estranha na presença dele, com ciúmes até.
-- Ciúmes amor, por quê?
-- Ah Vládia, por dois motivos. – Como ela se calou, Vládia perguntou.
-- Quais amor?
-- Primeiro, ele é bonito, tem presença, imaginar aquele semideus te tocando, beijando, não foi nada agradável, segundo, ele te proporcionou algo que eu jamais poderia proporcionar.
-- Quer dizer que se ele fosse baixinho, gordinho, feio e careca você não teria ciúmes?
-- Não é bem assim, mas seria mais fácil acreditar que foi apenas o álcool que a levou as vias de fato, você me entende?
-- Você não acredita em mim? Tudo bem, não foi só a bebida, eu estava carente, sofrendo e ele me deu colo, o álcool ajudou um pouquinho, na realidade, o álcool me ajudou a pensar que era você comigo naquele momento, mas nem assim senti com ele o que sinto quando estou com você, quando você me toca, quando fazemos amor.
-- Eu sei docinho, foi só uma besteira que eu pensei, nada demais.
-- Você realmente não poderia me proporcionar o que está crescendo dentro de mim amor, mas você pode me proporcionar o prazer de vermos minha barriga crescer, ele chutar, nascer, chorar de madrugada, andar, enfim, um monte de coisas que só com você importariam.
-- É por isso que eu te amo Vládia, você tem uma capacidade incrível de me convencer a fazer o que você quer. – Beijou longa e calmamente a namorada.
E entre planos e promessas para um futuro, adormeceram, enroscadas uma nos braços da outra.
Luiz passou uma semana lá com as meninas, aos pouco Francis foi se soltando e no final daquela semana já eram melhores amigos, Luiz voltou para São Paulo com a promessa de voltar em breve, precisava organizar a vida para poder se ausentar por um tempo maior, pois iria para lá quando Vládia estivesse no oitavo mês e só voltaria depois do nascimento do bebê.
Vládia, depois da autorização de sua médica, continuou no mesmo ritmo de trabalho, a única diferença é que agora ela sentia mais sono. Diminuiu o café consideravelmente, deixou de fumar, e por causa disso, vez ou outra ficava estressada, mas Francis com seu amor e sua paciência, que ultimamente as meninas diziam que parecia ter aumentado, sempre a acalmava.
Elas passavam mais tempo juntas do que separadas, mas Fran relutava em deixar que suas coisas ficassem na casa da Vládia, pelo menos até o humor dela se estabilizar.
***
Dois meses se passaram, Vládia estava entrando no quarto mês de gestação, seu corpo já dava os sinais da mudança, a cintura foi embora, os peitos estavam ficando maiores e a barriga já mostrava uma forma arredondada. O semi-casamento delas, como Paulinha dizia, estava bem, Francis fazia tudo por ela e o bebê, tinha paciência com as crises de choro, stress e saía de madrugada para comprar algo quando ela acordava com desejo de comer alguma coisa, Luiz ligava todos os dias para saber delas e do bebê e fazia Vládia colocar o celular no viva voz para ele falar com a barriga dela, mas ela não mexia como quando Francis falava com ela, toda noite antes de dormirem, Francis falava com a barriga da namorada, cantava músicas e as vezes quando bebê estava agitado e Vládia não conseguia dormir com os movimentos dele, era só Francis falar que ele se acalmava.
A terça-feira amanheceu com chuva, era dia de consulta, e nessa em especial, Francis iria com ela, já que nas duas anteriores ela estava viajando a trabalho. Vládia acordou com os beijinhos que Francis dava em seu rosto e pescoço.
-- Ai que gostoso amor, faz tempo que você não me acorda assim.
-- Falha minha docinho, prometo que vou te acordar sempre assim, agora levanta, toma banho e vem tomar café da manhã, a consulta é daqui a duas horas.
Vládia foi para o banho e Francis foi para cozinha terminar de preparar o café. Quando Vládia chegou na cozinha, Francis já estava com tudo pronto, apenas esperava por ela.
-- Senta que eu vou te servir. – Francis disse enquanto puxava a cadeira para que ela se sentasse.
-- Como você passou a noite docinho? – Perguntou servindo suco e torradas.
-- Se você tivesse passado a noite comigo saberia. – Vládia disse fazendo bico.
-- Docinho, você sabe que eu tinha que revisar os relatórios que minha mãe enviou, amanhã é fechamento de mês.
-- Eu sei amor, é só que sentimos sua falta na cama essa noite, esse bebê pulou a noite toda, eu não dormi quase nada.
Francis beijou a mulher e sentou ao seu lado fazendo-a recostar-se em seu ombro.
-- Essa noite nós vamos passar juntas, mas não aqui.
-- Aonde vamos? – Vládia olhou para ela.
-- Surpresa. Minha namorada tá precisando relaxar, sair de casa, e eu vou levá-la. – vládia sentou no colo dela e ao pé do ouvido sussurrou.
-- Essa noite, por acaso, envolve só nós duas né? Tô morrendo de saudade do seu corpo sobre o meu. – Francis arrepiou inteira.
-- Vládia, eu não to reclamando de nada, mas assim, você sempre foi fogosa, mas depois dessa gravidez, tá acabando comigo.
-- Tá reclamando amor? – Vládia perguntou já com as mãos no seio da namorada.
-- Não docinho, to adorando. – E tomou sua boca num beijo urgente.
As mãos já começavam passear pelos corpos quando foram interrompidas.
-- Meu pai do céu, vocês não podem fazer isso em outro lugar? Precisa ser aqui na cozinha? – Dona Ana disse entrando com as sacolas da feira e assustando as meninas. Vládia abraçou Francis que estava roxa de vergonha.
-- Ai mama, se me assustar assim de novo vai me matar do coração. – Vládia disse.
-- Se eu ainda não morri depois de todas as vezes que as peguei se agarrando desse jeito, não vai ser um sustinho que vai te matar minha menina. – Beijou a cabeça de Vládia e mexeu nos cabelos de Francis.
-- Bom dia Francis. – Dona Ana disse para ela que se escondia no ombro da namorada.
-- Bom dia dona Ana, tudo bem com a senhora? – Ela respondeu sem graça.
-- Tudo sim minha filha.
Elas terminaram o café e foram para a médica. O consultório não tinha muita gente, foam atendidas logo, Dani recebeu a amiga com abraços e beijos e parou diante da Francis a cumrimentando.
-- Dani, essa é a Francis, minha namorada. Amor, essa é a doutora Daniela, minha médica e amiga.
-- Prazer em conhecê-la Francis, já ouvi falar muito de você. – Abraçou ela.
-- Prazer também Doutora, espero que tenha ouvido falar bem de mim.
-- Nada de doutora, Dani tá bom, e ouvi coisas boas também. – Vládia deu um tapinha no ombro da amiga.
-- Não me agrida Vlá, ou terá que procurar outra obstetra. – Disse rindo.
-- Agora vem, vamos ver o quanto essa mamãe aqui já engordou.
Ela levou Vládia até a sala ao lado e aferiu a pressão, pesou, fez as perguntas de praxe sobre alimentação e as vitaminas e enquanto Vládia respondia, Dani ia fazendo anotações. Voltaram para a primeira e sentaram e Dani começou a falar.
-- Vládia, você está entrando no seu quarto mês de gestação, sua pressão está normal e engordou apenas 5 kilos, se continuar assim não deve passar dos dez. Você tem dormido bem, sente enjoos ainda?
-- Nada demais, só às vezes, quando é um cheiro novo que eu enjoo, quanto a dormir, quando ele para quieto eu durmo.
-- Isso é normal, agora você tem que dormir do jeito que ele quiser amiga, não do seu mais.
-- Eu percebi isso Dani.
-- Agora vamos fazer a ultra para ver como está esse bebezão?
-- Vamos sim.
Seguiram as três para sala de ultrassonografia. Ela começou a fazer e foi explicando onde estavam a cabeça, os bracinhos, as perninhas.
Francis olhava a tela sem acreditar que aquela imagem borrada era de uma pessoinha que já era tão importante em sua vida. Vládia viu o amor com que Francis olhava a tela e sorria a cada movimento do bebê que aparecia, pegou sua mão e entrelaçou seus dedos nos dela. Naquele momento Francis soube que era capaz sim de existir um amor maior do que o amor que ela sentia pela mulher da sua vida. Daniela interrompeu as duas perguntando.
-- Será que essas mamães babonas querem saber o sex* do bebê que está a caminho?
Francis queria gritar que sim, que ela poderia dizer, mas sabia que Vládia queria ter a surpresa na hora do nascimento.
-- Quero Dani, não aguento olhar essa carinha curiosa aqui do meu lado. – Alisou o rosto de Fran.
-- Bom, então, antes que vocês mudem de ideia, vou dizer que tem um belo menino a caminho.
Vládia olhou para Francis no exato momento em que ela falava para a barriga da namorada.
-- Ei garotão, seja bem vindo, você já é muito amado e esperado. – Beijou de leve a barriga ainda suja de gel.
-- Amor, vamos ter um menininho. – Vládia disse a Francis.
-- Sem querer estragar esse momento família, mas vai ser um meninão e não um menininho. – Daniela disse.
Terminaram a consulta e saíram em direção ao shopping para almoçar. Francis foi o caminho todo sorrindo e alisando a barriga da namorada. Almoçaram, compraram um sorvete gigante que Vládia monopolizou antes de Francis tirar a segunda prova.
-- Docinho, vamos entrar naquela loja ali na frente. – Francis chamou Vládia apontando para uma loja de bebês.
-- Amor, essa criança já tem roupa demais, tem certeza?
-- Ah docinho, eu sei que ele tem muita roupa, mas agora é diferente né, a gente já sabe que é um menino.
-- Tá certo meu amor, o que você pede que eu não faço?
Entraram na loja e Francis começou a procurar por algo especial, Vládia se divertia vendo a namorada, parecia mais uma criança dentro da loja. Francis comprou um móbile de carrinhos que tocava uma música suave, um tennis all star que mais parecia um chaveiro de tão pequeno e um macacão que mandou bordar na hora com os dizeres “Sou o príncipe das mamães!!” e uma plaquinha para colocar na porta do quarto do hospital quando nascer. “É um menino!!”.
-- Amor, você mandou bordar agora?
-- Mandei docinho, a menina da loja perguntou se eu queria bordar algo então pedi que ela bordasse isso, tudo bem prá você? E a plaquinha poderia ser o nome do bebê, mas como você não me disse como ele vai se chamar, então fiz assim mesmo.
-- Claro amor, afinal de contas você e mamãe desse garotão aqui. Sabe amor, eu tenho um monte de nomes na minha cabeça, mas ainda não decidi.
Seguiram para casa, mas Francis não subiu, disse ela que subisse e que às sete da noite viria buscá-la.
Vládia subiu, guardou as coisas que a Francis comprou no shopping, comeu uma fruta e foi tomar um banho e se arrumar. Depois de experimentar várias roupas e não entrar em nenhuma optou por um vestido florido soltinho e colocou uma sandália plataforma.
Exatamente às sete horas Francis ligou avisando que já estava lá embaixo esperando por ela, ela fechou a casa e desceu, no carro, Francis a esperava com um buque de rosas nas mãos.
-- São lindas amor, obrigada.
-- Não mais do que você docinho.
-- Para onde vamos?
-- Para minha casa mesmo, preparei uma surpresa para você. – Piscou para ela e deu partida no carro.
Chegaram na casa dela, Francis a pegou pela mão, ao chegar na porta de entrada, Francis tapou os olhos da namorada e abriu a porta encaminhando ela até o sofá. Ao abrir os olhos, Vládia ficou maravilhada com as coisas que Francis havia preparado. Tinha pétalas de rosas pela sala toda, no lugar do sofá, ela havia colocado várias almofadas, havia também várias velas perfumadas acesas deixando a sala numa penumbra convidativa e com leve cheiro de canela e no canto da sala, Francis havia colocado o aparelho de som que ficava em seu quarto.
Vládia abriu e fechou a boca várias vezes antes de conseguir falar alguma coisa. Estava tudo lindo e perfeito.
-- Amor, tá tudo tão perfeito, eu amei. – Envolveu o pescoço da namorada depositando um beijo em seus lábios.
-- Você ainda não viu tudo amor, vem cá. – Francis a pegou pela mão e a fez sentar entre as almofadas.
-- Espere aqui que eu já volto.
Francis foi até até a cozinha e voltou com duas taças de vinho e uma travessa com queijos. Entregou a Vládia uma taça e sentou-se em sua frente.
-- Uma taça de vinho a senhorita pode beber, eu liguei para a sua médica para saber e ela autorizou, mas é uma taça apenas. – Beijou a namorada.
-- Amor, você é simplesmente perfeita.
Tomaram o vinho e comeram o queijo num clima total de sedução, quando terminaram, Francis retirou a taça de sua mão e junto com a travessa, colocou num caninho da sala. Arrumou as almofadas para que Vládia encostasse de uma forma confortável. Retirou dos seus pés a sandálias, beijando-os. Nos olhos de Francis se via puro desejo, ela se levantou e foi até o som, ligou e pegou o controle.
-- Docinho, eu queria que você soubesse o quanto é importante em minha vida, e essa semana eu ouvi uma música que diz exatamente tudo o que eu quero te dizer, ela não é o estilo de música que você gosta, mas ela diz tudo o que eu trago dentro do meu peito nesse momento, então tente pelo menos prestar atenção na letra ok. – Beijou a pontinha do nariz dela.
-- Amor, vai ser difícil prestar atenção em algo que não seja você, mas eu vou tentar.
Francis se levantou e deixou que a música tocasse, e calmamente, com os olhos fixos nos olhos da namorada, começou tirar a roupa, lenta e sensualmente.
Pra Você
Paula Fernandes
Eu quero ser pra você
A alegria de uma chegada
Clarão trazendo o dia
Iluminando a sacada
Eu quero ser pra você
A confiança o que te faz
Te faz sonhar todo dia
Sabendo que pode mais
Eu quero ser ao teu lado
Encontro inesperado
O arrepio de um beijo bom
Eu quero ser sua paz a melodia capaz
De fazer você dançar
Eu quero ser pra você
A lua iluminando o sol
Quero acordar todo dia
Pra te fazer todo o meu amor
Eu quero ser pra você
Braços abertos a te envolver
E a cada novo sorriso teu
Serei feliz por amar você
Se eu vivo pra você
Se eu canto pra você
Pra você
Quando a música terminou, Francis usava apenas uma lingerie vermelha que contrastava perfeitamente com a tonalidade de sua pele, se aproximou de Vládia e lentamente a livrou do vestido que ela usava, beijando cada centrimento daquele corpo que tanto amava, e se amaram sem reservas, se entregaram ao prazer a noite toda, até que exaustas e satisfeitas adormeceram.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
alany
Em: 21/04/2017
Nossa to amando poder continuar a ler a historia, que bom que vc voltou a postar espero que continue.
Resposta do autor:
Oi, me perdoe por esse espaço tão longo de tempo, mas muita coisa aconteceu e eu estive tentando resolver as coisas...rsrs
termino ele ainda hoje...
:*
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