Capítulo 12
Vládia acordou com uma bandeja de café da manhã, Francis tinha os olhos perdidos no corpo da namorada, nem notou que ela havia acordado.
-- Bom dia meu amor. – Vládia disse tirando Francis da sua contemplação.
-- Bom dia docinho, acordei você? – Francis perguntou beijando de leve os lábios da namorada.
-- Foi a intensidade do seu olhar que me acordou amor.
-- É que eu simplesmente não resisto a você, seu corpo e quando você está dormindo, fica mais linda ainda.
-- Eu to gorda amor, minhas roupas não servem mais, quase que ontem venho de pijama, nada entrava e o que entrava não fechava.
-- Docinho, você está enganada, está cada vez mais linda, tem um brilho diferente em seu olhar, você não tem noção de como está sedutora nessa fase da sua vida.
-- Vou fingir que acredito em tudo que você está me dizendo. – Vládia brincou com ela.
-- Pois deveria sua bobinha, se antes meu corpo já ardia de desejo por você, hoje ele simplesmente incendeia. – Tomou a boca da namorada num beijo urgente, mas foi afastada pela mesma.
-- Amor, desculpe, mas preciso ir ao banheiro, esse bebê aqui adora apertar minha bexiga.
Francis deixou a Vládia ir ao banheiro e aproveitou para arrumar a cama com a bandeija para tomarem o café da manhã. Quando Vládia voltou, ela já a esperava com uma torrada com mel nas mãos.
-- Vládia, você já escolheu o nome dele? – Acariciou a barriga da namorada.
-- Amor, eu tenho tantos nomes na minha cabeça, mas não consigo me decidir por um.
-- Me diz alguns, quem sabe eu te ajudo a decidir.
-- Eu pensei em João Pedro, Guilhermo, Yan, Diogo, Gabriel, Felipo, Adrian, Benjamin, Ícaro, Arthur... – Francis a interrompeu.
-- Docinho, eu pensei que você estava em dúvida entre 2 ou 3 nomes, não em uma lista.
-- Tá vendo minha situação amor? É tão difícil escolher apenas um.
-- Bom, eu gosto de Adrian, Benjamin e Arthur, acho todos, nomes fortes.
-- Você não me ajudou em nada, escolheu três.
-- Docinho, essa é uma decisão que cabe a você e ao Luiz, eu irei amá-lo tenha ele o nome que tiver.
-- E nós iremos te amar para sempre.
Terminaram o café da manhã e Francis foi levar Vládia até em casa, no caminho, ela entrou no shopping e Vládia perguntou.
-- O que você vai fazer aqui?
-- Vamos comprar umas roupas de grávida para você, não pode ficar apertando o bebê docinho.
-- Tá certo, eu preciso mesmo.
Entraram em uma loja especializada para gestante, Vládia não acreditava que a partir daquele dia só iria usar aquelas roupas largas, que segundo ela, não valorizavam em nada seu corpo, mas acabou cedendo ao ver os olhos de Francis sobre uma grávida de oito meses que estava comprando roupas também.
-- Francis, é essa grávida aqui que você tem que ajudar a escolher roupa. – Disse ela com uma voz irônica.
-- Hã? A claro, estou indo. – Disse ela meio sem graça.
-- Você poderia ser mais discreta e disfarçar ao invés de ficar comendo ela com os olhos.
-- Não, eu não estava... Eu estava imaginando você com um barrigão assim.
-- Não conhecia essa sua tara por grávidas, amor. – Sussurrou no ouvido da namorada.
-- Só por você docinho, mas não é nada disso que eu estava falando, olha como ela tá linda?
-- Tá certo, agora vem aqui e me ajuda a escolher umas roupas.
Compraram algumas batas, calças de malha e alguns vestidos, Vládia pagou e seguiram em direção a sua casa. Dona Ana estava preparando o almoço, elas entraram, levaram as roupas para o quarto e voltaram para a cozinha.
-- Bom dia mama.
-- Bom dia menina, saiu cedo ou chegou agora?
-- Acabei de chegar mama, fui comprar roupas, as minhas na cabem mais em mim.
-- Estava na hora já. E a consulta de ontem?
-- Mama, é um meninão.
-- Minha menina, parabéns.
Enquanto Vládia mostrava sua lista imensa de nomes a dona Ana na cozinha, Francis na sala falava ao celular com Silvinha. Vládia abraçou a namorada pelas costas e esperou que ela terminasse a ligação.
-- Era a Maria Sílvia, as meninas estão vindo para cá, tudo bem para você docinho?
-- Claro meu amor, assim eu aproveito e conto a elas que o nosso filhote será um macho alfa.
-- Vládia, parece que você está falando de um cão reprodutor. – As duas riram.
-- Docinho, você não vai ligar para o Luiz e contar?
Vládia concordou com a namorada, pegou o celular e discou, como de costume, no segundo toque, Luiz atendeu.
-- Que foi borboletinha, aconteceu alguma coisa com essa pipoquinha que você carrega dentro de você?
-- Oi Luiz, não foi nada, eu só queria te contar o sex* da pipoquinha, você quer saber?
-- Claro borboletinha, conta logo.
-- Luiz, você vai ser papai de um garotão.
-- Eu sabia que eu tinha feito um garotão.
Conversaram por algum tempo, Vládia contava a ele as novidades do desenvolvimento do bebê, terminaram a ligação com a promessa que assim que fose possível, Luiz viria encontrá-las.
Francis ligou o som e deitou no tapete da sala enquanto Vládia se acomodava no sofá, Francis esticou o braço e tocou a barriga da namorada, foi nesse momento que ela teve a melhor sensação da sua vida, sentiu um chute, depois outro, ela sentou ao lado da namorada e ficou sentindo aqueles movimentos, ela já havia sentido ele mexer, mas chutar era a primeira vez, ela ficou ali brincando, passando a mão de um lado para o outro na barriga da Vládia.
-- Amor, ele já te reconhece, já precisa de você tanto quanto eu. – Vládia disse fazendo um carinho gostoso no rosto da namorada.
-- Docinho, eu preciso tanto de vocês.
-- Então por que você insiste em ir embora para sua casa quase todas as noites?
-- Docinho, acaso você está me pedindo em casamento?
-- Você aceitaria amor? Se eu te pedisse para casar comigo, você aceitaria?
-- Docinho, você sabe que não é uma questão de querer ou não.
-- Você já está fugindo do assunto né mocinha? – Vládia brincou com ela.
Ficaram abraçadas até que as meninas chegaram e Paulinha monopolizou a atenção da barriga da amiga. Vládia contou que era um menino e suas dúvidas quanto aos nomes que ela queria.
Francis foi até a varanda para fumar um cigarro e Silvinha aproveitou para conversar um pouco com a amiga.
-- Como você está Francis?
-- Eu to num estado de felicidade plena Sil.
-- Mas tem um “mas” te perturbando, quer conversar sobre isso?
-- Tem mesmo, que droga, por que você tem que me conhecer tanto assim?
-- Para mim você é transparente feito água Fran, mas vai lá, desembucha logo o que está te incomodando.
-- Eu quero dar um passo a mais na nossa relação Sil, mas tenho medo de levar um não bem redondo na cara.
-- Francis, você está querendo casar? Dividir uma casa? Responsabilidades? É isso mesmo que eu entendi?
-- É sim Sílvia, mas não sei se esse também é o desejo dela.
-- Ai que bonitinho, a Fran quer casar.
-- Maria Sílvia, é sério.
-- Eu sei, desculpe. Mas por que você não pergunta a ela se ela quer?
-- Eu já pensei nisso, aliás, é só no que eu tenho pensado, até comprei as alianças já, mas cadê coragem para fazer o pedido?
-- Francis, pior que uma resposta negativa é viver com essa incerteza, acaba logo com isso mulher.
-- Você tem razão Silvinha, vou fazer isso.
-- Ai amiga, fico feliz por vocês. Mas não faça esse pedido na doida, faça um jantar romântico, luz de velas, faça tudo como manda o figurino.
Voltaram para sala junto com as meninas, em seu bolso ela sentia a caixinha que continha um par de alianças, tomou a decisão que não passaria daquele dia, ela a pediria em casamento naquela noite.
Perto das oito da noite as meninas se despediram delas e foram embora, Francis pegou a namorada pela mão e a levou até o quarto pedindo que ela tomasse um banho relaxante e a encontrasse na sala para jantar, e assim ela o fez. A mesa estava posta, tinha um macarrão aos quatro queijos que Francis havia preparado, um suco de abacaxi bem gelado com gelo picado e apenas algumas velas iluminavam o ambiente.
-- Assim eu vou ficar mal acostumada amor, dois dias seguidos sendo coberta de mimos.
-- Você merece docinho.
Comeram conversando, Vládia estava amando os cuidados que a namorada estava com ela e o bebê, quando terminaram, Francis retirou os pratos e levou até a cozinha. Quando voltou, Vládia estava linda sentada no chão com as costas apoiadas no sofá. Francis segurou suas mãos entre as suas e olhando no fundo dos olhos da namorada começou a dizer.
-- Vládia, o que nós temos é mágico, mas eu quero mais, quero dormir e acordar ao seu lado todos os dias, quero ser a primeira pessoa que seus olhos vêem pela manhã, quero ser eu a ser acordada quando esse bebê resolver que está na hora de chegar a esse mundo, quero dividir minha vida com vocês docinho. – Tirou do bolso uma caixinha de veludo vermelho, abriu e colocou em cima da barriga da namorada dizendo.
-- Docinho, você quer se casar comigo? Vocês querem dividir suas vidas comigo?
Vládia tinha em seus olhos lágrimas que ela deixou cair sem constrangimento, pegou a caixinha das alianças e começou a observar, eram sete alianças, seis em ouro branco e uma em ouro amarelo, e dentro dessa de ouro amarelo tinha escrito. “PARA TODO O SEMPRE”. Eram delicadas, mas diziam exatamente como ela queria que fosse, para todo o sempre.
-- Docinho, você poderia me dizer algum coisa, por favor? Esse silêncio está me matando.
Vládia pegou a mão da namorada e olhando nos olhos dela respondeu.
-- Eu e o Adrian também te queremos para todo o sempre meu amor.
Ela não deixou de notar que Vládia tinha escolhido um dos nomes que ela disse gostar, ela pegou a aliança da namorada e colocou em seu dedo, Vládia repetiu o mesmo gesto.
Um beijo selou oficialmente a aceitação do pedido feito.
-- Francis, você sempre me surpreende amor, eu amei as alianças, o pedido, o jantar, tudo.
-- E eu amei você ter dito sim.
-- E do nome? Você também gostou?
-- Amei docinho, Adrian é simplesmente perfeito.
-- Eu pesquisei para saber o significado, e significa ousadia, espírito competitivo, independência, força de vontade e originalidade. Eu gostei. – Francis foi até a altura da barriga da agora noiva e disse.
-- Adrian, seja bem vindo filho! Nós te amamos muito. – E como resposta ela teve um chute.
-- Vai ser jogador de futebol. – Vládia brincou.
As duas riram do comentário da Dj, Francis beijou a namorada e foi até a cozinha deixando Vládia maravilhada, olhando a aliança em seu dedo, ela achou a atitude da Francis muito linda, ela sabia que a Dj não gostava de ouro amarelo, sempre preferiu o branco, e já havia dito a ela que o dia que resolvesse se casar com alguém, só o faria quando tivesse certeza de que seria para a vida toda, queria envelhecer ao lado de alguém como seus pais haviam envelhecido um ao lado do outro, apesar de terem morrido com apenas 56 anos, ela sabia que se ainda fossem vivos, com certeza estariam juntos e ainda apaixonados e queria que sua vida fosse exatamente assim. Adrian mexeu na barriga dela tirando-a dos seus pensamentos, ela alisou a barriga e conversou com o filho.
-- Adrian, a mamãe pediu a mamãe em casamento filho, quando você chegar terá uma família prontinha esperando por você aqui, terá um papai amoroso, duas mamães que irão te amar muito, várias tias doidinhas por você amor e uma vovó que é um arraso, nenhuma dessas pessoas, com excessão do seu pai e eu, são do seu sangue, mas você aprenderá que nem sempre laços sanguíneos significam amor incondicional, você terá uma família que foi escolhida para você e não uma que a vida te impôs. – Disse alisando a barriga.
Francis voltou da cozinha, sentou-se no chão e encostando-se no sofá, puxou Vládia para se sentar em sua frente, abraçou a namorada e ligou o som, ficaram trocando carícias por um longo tempo, Francis sentia o perfume que exalava do pescoço da Vládia, amava aquele cheiro dela, durante o tempo em que ficaram separadas, foi disso que Francis mais sentiu falta. Sem perceber, começou a beijar a nuca da namorada, dava beijinhos estalados, roçava os lábios, respirava fundo, fazendo com que o perfume natural da pele da namorada chegasse até seu pulmão, só se deu conta que o seu ato havia excitado e muito a namorada quando a ouviu soltar um gemido e apertar sua mão. Continuou com a provocação, as mãos que até então estavam paradas, começaram a ganhar vida e passear pelo corpo da Vládia, acariciava os seios dela por cima da blusa arrancando gemidos cada vez mais alto, Francis tava adorando a entrega da Dj, era a primeira vez que iriam se amar sem que suas bocas se encostassem, sem que os olhos se cruzassem, Francis desceu a mão até o sex* da Vládia ainda por cima da calça de malha e sentiu que ele já pulsava, tirou a blusa dela, liberou os seios do soutien, eles estavam bem maiores, quase não cabiam na mão dela mais, mordeu a orelha dela e sussurrou em seu ouvido.
-- Gostosa... Quero você entregue em minhas mãos...
Vládia gemia cada vez mais, a respiração já estava ofegante, Francis a estava torturando, dizia palavras que a deixavam cada vez mais excitada, brincava com seus seios e seu sex* ainda por cima da calça. Vládia, num rompante por não agüentar mais aquela tortura, se livrou da calças e da calcinha, pegou a mão de Francis e a levou até seu sex* dizendo para ela entre gemidos e sussurros.
-- Me come agora Francis.... Não aguento mais....Quero sentir você amor....
Francis enlouqueceu com a atitude dela, e atendeu prontamente seu pedido, começou uma massagem deliciosa em seu clit*ris, mas Vládia ainda tinha suas mãos na dela e a encaminhou até a entrada e disse.
-- Aqui...eu quero você dentro de mim...Eu preciso te sentir lá dentro...
Francis a penetrou, seu corpo respondeu a sensação de que a noiva já estava completamente molhada, começou com movimentos circulares e lentos, com a mão livre, acariciava o seio dela, brincava com o bico ora apertando ora alisando, Vládia rebol*va em seus dedos, gem*ndo, falando palavras desconexas deixando Francis ainda mais louca de tesão, ela aumentou ritmo dos movimentos dentro da noiva e em pouco tempo Vládia disse.
-- Amor, vou goz*r prá você...
E seu corpo explodiu num orgasmo pleno, cada célula do seu corpo recebeu a corrente elétrica que fluiu entre os dois corpos, Francis não conseguia acreditar que havia atingido o orgasmo junto com a noiva só sentindo as sensações do corpo da amada, foi a sensação mais pura que ela já havia sentido em toda sua vida. Vládia se deixou cair nos braços da noiva até que sua respiração voltasse ao normal.
-- Amor, o que foi isso que você fez comigo? Eu nunca senti nada igual em toda minha vida.
-- Eu apenas te amei docinho.
-- Não, definitivamente não foi só isso, eu senti como se você estivesse fazendo amor com minha alma e não apenas com meu corpo, foi inacreditável.
Francis entendia perfeitamente o que ela estava sentindo, pois se sentia da mesma forma que ela.
-- Acho que nossas almas fizeram amor docinho.
-- Amor, quando vamos contar as meninas sobre esse presente que você me deu hoje?
-- Docinho, eu não sabia que você queria contar a elas que fizemos amor no meio da sala.
-- Pára Fran, eu to falando dessa algema enorme e delicada que você colocou no meu dedo.
-- Podemos marcar algo aqui ou lá em casa, só nós, e fazemos uma pequena festa, o que você acha?
-- Adorei, mas já vou avisando mocinha, nada de despedida de solteira ok?
-- Não amor? Eu já havia contratado algumas dançarina e umas GO GO Girls, mas já que você não quer tudo bem, eu não convido você.
-- Francis, pare gracinha, nem eu e muito menos você, iremos nessa tal festinha.
-- Docinho, então você vai ter que dançar pra mim, por que eu já estava animada com a ideia de uma despedida de solteira.
Vládia deu vários tapinhas no braço da namorada antes abraçá-la e começar a beijar com paixão e desejo a mulher da sua vida.
Aos poucos foi subindo no colo dela e com uma agilidade incrível, tirou a camiseta e o soutien dela, beijando toda extensão do seu pescoço e colo até chegar em seus seios e os ch*par com força, arrancando de Francis gemidos e alguns arranhões em suas costas. Com alguma dificuldade conseguiu tirar a calça jeans que a Francis vestia e começou a rebol*r de forma sensual no colo da namorada fazendo com que seus sex*s se tocassem trazendo com esse toque um tesão e um desejo que cresciam a cada encontro do seu sex* com o dela. Vládia a penetrou e começou um movimento de vai e vem, ora rápido ora lento, levando Francis a loucura. Quando sentia que Francis estava prestes a goz*r, tirava o dedo de dentro dela e a olhava nos olhos passando a língua nos lábios da namorada fazendo com que gem*sse cada vez alto em sua boca, ficou nessa tortura deliciosa por algum tempo, até que Francis, com dificuldade, pediu que ela a fizesse goz*r.
-- Pára docinho... deixa eu goz*r amor....não aguento mais de vontade...
Vládia afastou o suficiente para olhar no rosto da namorada eretomou os movimentos dentro da namorada para olhar seus olhos no momento que ela goz*sse, e assim, pouco tempo depois, o corpo da Francis explodia em espasmos e tremores nas mãos de Vládia.
Ficaram algum tempo abraçadas, sentindo seus corpos e sua respiração voltarem ao normal. Passaram aquela noite se amando, fazendo promessas e planos para um futuro juntas, Vládia deciciu que depois que seu filho tivesse uns dois anos, Francis teria um, ela queria um filho da futura esposa, disse que assim teriam uma família completa.
Francis acordou logo cedo, ao seu lado, Vládia dormia de forma serena e tranqüila, ela não quis acordá-la, levantou, tomou um banho e foi até a cozinha preparar um café, preparou um suco, torradas, pegou frutas e frios na geladeira, arrumou tudo em uma bandeja e foi até o quarto acordar Vládia para que tomassem o café juntas. Sentou na cama ao lado dela e ficou admirando a noiva dormindo, naquele momento teve a certeza de que realmente queria passar sua vida toda acordando ao lado daquela mulher maravilhosa. Com beijinhos ela acordou Vládia que envolveu o pescoço dela a puxando de volta para cama.
-- Acorda dorminhoca, eu trouxe café da manhã na cama para você docinho.
-- Francis, eu já te disse o quanto eu te amo e o quanto você é perfeita amor?
-- Hoje ainda amor.
-- Pois saiba que você é tudo isso e muito mais meu amor.
Tomaram café da manhã, Vládia havia acordado com uma fome gigantesca, devorou mais da metade de tudo que Francis havia preparado para elas.
-- Amor, eu tava pensando em chamar as meninas e fazer um almoço aqui em casa, assim a gente aproveita e mostra para elas essa algemas lindas que você me deu, o que você acha?
-- Eu acho ótimo, vou ligar para a Paulinha e combinar. – Francis disse enquanto pegava o celular e discava o número da amiga.
-- Pandinha, bom dia amor da minha vida.
-- Bom dia Francis, há que devo a honra dessa sua ligação? – Paulinha respondeu brincando com a amiga.
-- Eu queria convidar vocês para almoçar aqui na casa da Vládia com a gente. O que me diz?
-- Chegamos aí em quinze minutos, a Sil e a Pietra estão me enlouquecendo aqui nesse supermercado. O que a gente precisa levar?
-- Só cerveja e alguns petiscos, traz que chegando aqui a gente dividi o desfalque.
-- Tá certo. Daqui a pouco a gente cola aí gata. Um beijo nessa sua boca deliciosa. – Paulinha brincou com a amiga.
-- Pandinha, qualquer dia desses eu vou cobrar esses beijos todos que você me manda pelo telefone e te garanto que não vou me contentar só com beijinhos morena gostosa. – Francis disse arrancando de Paulinha uma gargalhada gostosa.
Francis procurou Vládia pela casa e a encontrou sentada na varanda de olhos fechados, deu um beijinho na namorada e contou que as meninas logo estariam por lá.
-- Eu ouvi sua conversa caliente com a choco. Agora você é uma mulher extremamente comprometida, não pode ter mais esse tipo de conversa com ninguém. – Vládia disse brincando, mas de uma forma séria.
-- Docinho, eu sou uma mulher comprometida desde o primeiro dia que eu te vi, naquela festa eu soube que você seria a mulher que me colocaria o cabresto.
-- Você estava tão linda naquela festa, mas tinha aquela morena sem sal a tiracolo, ela não saía do seu pé. Eu te procurava com os olhos e nada de te encontrar, daí resolvi começar a procurar pela morena, com certeza ela estaria ao seu lado.
-- A Vanessa era realmente um chicletinho, mas é muito gente fina, é só você não se envolver com ela, por que um beijo ela já acha que é um pedido de namoro, se levar ela prá cama tá perdida, é casamento na certa. – As duas riram.
-- A minha vida é dividida em duas, existe a minha vida antes de você e a minha vida depois de você.
-- Ah é? E qual delas você prefere?
-- Deixa eu pensar um pouquinho. – Fez cara de paisagem.
-- Às vezes eu prefiro minha vida antes de você, principalmente quando estávamos separadas, mas quando eu a tenho em meus braços, eu com certeza prefiro minha vida depois de você.
Ficaram ali sentadas e conversando até que o interfone tocou e Francis foi atender, as meninas estavam lá e seu Antonio estava avisando que elas estavam subindo, Francis abriu a porta da sala e foi avisar Vládia que elas já haviam chegado. Paulinha entrou com a cara fechada, deixou as sacolas na sala e foi ao encontro de Vládia na varanda, beijou a amiga, no rosto e na barriga, e deitou-se no sofá com a cabeça em seu colo.
-- Ei minha amiga, o que aconteceu? – Vádia perguntou fazendo um carinho no rosto da amiga que alisava a barriga dela.
-- A Pietra tá muito chata branquinha, briga comigo por besteira, ultimamente, qualquer coisa é motivo de briga. Você acredita que hoje ela brigou comigo por que nós estávamos no supermercado, e você sabe a paciência que eu tenho nesses lugares né? Daí tinha uma mulher com um bebezinho lindo na cadeirinha do carrinho e eu estava brincando com ele, ela disse que eu arrumei um pretexto para me aproximar da garota, eu posso com isso Vlá?
-- Eu achei que esse tempo que vocês ficaram separadas tinha servido para alguma coisa.
-- Eu também achei Vlá, mas só serviu em algumas, se é que você me entende. – As duas riram.
-- Mas para outras, parece que foi pior, não posso olhar para ninguém que ela acha que eu to paquerando, você sabe que eu não aguento essas coisas.
Foram interrompidas pelas meninas que saíam para varanda e ao verem a cena das duas, pararam e ficaram olhando. Pietra fez uma cara feia para Paula ao ver que ela estava deitada no colo da Vládia que viu a cara da amiga e não aguentando disse.
-- Que foi Pietra? Algum problema?
-- Não branquinha, nenhum, é que ultimamente ela anda com a cara feia e só muda essa cara quando está perto de você.
-- Não vai me dizer que você está com ciúmes por que ela está aqui comigo? – Paulinha sentou e ia levantar quando Vládia a puxou e fez ela se sentar ao seu lado abraçando a amiga.
-- Não é nada disso branquinha, é que ela só se acalma quando está próxima a você.
-- Será que é isso mesmo? – Estendeu a mão para amiga a chamando para ficar do seu outro lado, a amiga aceitou e sentou.
-- Pietra, é que o Adrian tem o poder de acalmar qualquer um, eu não quero que vocês briguem mais, vocês se amam poxa, pra que brigar por besteiras?
-- Adrian? Você já escolheu o nome? Por que você não me disse? – Paulinha disse fazendo birra com os braços cruzados.
-- Choco, eu escolhi o nome ontem a noite, vocês são as primeiras a saber o nome, depois de mim e da Francis.
Paulinha deitou no colo dela e beijando a barriga da amiga disse.
-- Adrian... Príncipe Adrian... Meu príncipe Adrian... a titia te ama muito bebê. – Vládia olhou para Francis parada em pé na porta e com os olhos conseguiu se fazer entender, Francis apenas balançou a cabeça de forma que Vládia entendeu que ela concordava.
-- A dinda ama muito você Adrian. – Vládia disse olhando da barriga para Paulinha que ao entender a frase da amiga, seus olhos se encheram de lágrimas.
-- Verdade Vlá? Você jura?
-- Ele não poderia ter uma madrinha mais presente na vida dele pandinha, eu tenho certeza que ele será muito amado por essa dinda doida dele, e se algo acontecer comigo um dia, tenho certeza que a minha pipoquinha terá em você uma terceira mãe.
Paulinha deixou as lágrimas descerem e abraçada a amiga ela chorou. Pietra vendo a cena, a mulher ali, entregue a um sentimento sincero, agradeceu a amiga.
-- Pipoquinha da dinda, não vejo a hora de olhar sua carinha linda, tenho certeza que terá os olhos azuis igual aos dos seus pais. Eu te amo, te amo, te amo, te amo muito. – Disse enxendo a barriga da amiga de beijos, fazendo cócegas e arrancando uma risada gostosa das amigas ali presente.
-- Vládia, tenha certeza que você fez uma criança muito feliz com essa sua atitude amiga, obrigada. Mas em contra partida, acaba de arrumar um carrapato na sua vida. – Disse Pietra abraçando a amiga.
-- Pietra, nós somo uma família, não temos sangue para nos ligar, mas temos algo maior do que sangue, temos o amor, o carinho, a cumplicidade, temos tantas coisas, passamos por tantas coisas juntas que a presença do sangue se faz desnecessária.
-- Branquinha, você disse a mais pura verdade agora, eu me sinto realmente em família quando estamos juntas e eu realmente amo você amiga, amo do fundo do meu coração. – Abraçou e beijou a amiga, ambas tinham lágrimas nos olhos.
-- Tá bom, vocês já se declararam, juraram amor eterno, mas será que a gente pode começar a beber? – Silvinha disse abraçando as duas amigas.
-- Silvinha, eu também amo você amiga, amo muito, você é a irmã que eu não tive, mas é a que eu escolhi. – Vládia disse.
-- Tá bom, todo mundo aqui ama todo mundo, mas vamos beber né gente, por favor. – Francis disse rindo das amigas e entregando a cada uma um copo de cerveja. A Vládia ela disse.
-- Docinho, só esse, para gente brindar, depois a senhorita vai entrar no suco. – Beijou de leve os lábios dela.
-- Vamos brindar a que? – Silvinha perguntou.
-- Cada uma escolhe uma coisa, eu começo. – Paulinha disse.
-- Ao Adrian! – Paulinha disse levantando o copo.
-- Aos amigos! – Silvinha disse.
-- A vida! – Francis disse.
-- Ao amor. – Vládia disse.
-- A nossa família. – Pietra disse concluindo o brinde.
Todas tinham lágrimas nos olhos, promessas silenciosas na alma e muito amor nos corações.
Depois do brinde, de abraços e beijos, Pietra notou as alianças nas mãos das duas.
-- Pára tudo! O que significa essas argolas enormes nos dedos de vocês duas hein? – Pietra disse apontando para as mãos delas.
As meninas que estavam se arrumando no sofá, pularam, Paulinha pegou a mão da Vládia para ter certeza que seus olhos não a enganavam.
-- Branquinha, quando é que você ia me contar hein?
-- Paulinha, eu ganhei ontem à noite, a reunião de hoje era para comunicar a vocêsque a Francis me pediu em casamento e eu aceitei.
-- Amiga, eu te amo muito e desejo do fundo do meu coração que vocês sejam muito felizes.
-- Quanto a você dona Francis, espero que faça a Vlá muito feliz também, e cuide muito bem dela e da minha pipoquinha. – Paulinha disse fazendo cara de brava.
-- Paulinha, se depender de mim, os dois serão as pessoas mais felizes desse mundo.
-- Acho bom, para o seu próprio bem.
Depois dos abraços e das felicitações, Francis seguiu para cozinha acompanhada da Silvinha.
-- Fran, parabéns amiga, as alianças são lindas.
-- Eu resolvi seguir seu conselho e arriscar Sil, me dei em, agora tenho a mulher da minha vida e um filhote que já amo a caminho.
-- Fran, espero que tudo dê certo entre vocês, vocês se amam e merecem ser feliz.
-- Eu também Sil, quero muito que dê certo e vou fazer de tudo para que dê.
Pegaram algumas coisas para levarem até a sala, Silvinha colocou algumas cervejas em um balde com gelo enquanto Francis arrumava uma tábua de frios e seguiam para varanda, lá Vládia estava sentada no sofá e Paulinha no chão, em frente a ela no meio de suas pernas, fazia massagens nos pés da Dj, o que não passou despercebido pela Fran que comentou.
-- Paula, você tem trinta segundo para sair daí antes que eu tire você pelos cabelos. – Disse fazendo cara de brava para amiga que não se importou e continuou o que estava fazendo.
-- Pietra, sua mulher é muito abusada. Não medo de morrer não o encosto? – Disse parando na frente de Paulinha que rindo virava a cara para a amiga.
-- Fran, agora eu sei por que você gosta tanto de ficar no meio das pernas da Vlá, é quentinho e oha que estou só do joelho para baixo. – Disse Paulinha arrancando risadas de todas.
-- Pietra, leva logo essa doida para drenar essa água da cabeça antes que ela piore. – Francis disse sentando ao lado da Vládia e pegando sua mão.
-- Francis, acho que essa aí não tem mais jeito, já danificou por dentro, não tem dreno que resolva.
-- Paulinha, se contente em ficar do joelho para baixo, por que vai ser o máximo que você vai chegar de ficar no meio das pernas dela.
-- Tá com medo que eu seja melhor do que você Fran? – Paulinha provocou.
-- De forma alguma, eu me garanto meu bem. – Francis disse rindo para amiga.
-- Ei vocês duas, eu estou aqui sabiam? – Vládia questionou.
-- Vlá, eu sei que você tá louquinha de vontade de provar meus dotes amiga, mas agora com esse negócio de comadre, você para mim é sagrada. – Paulinha disse para amiga.
-- Eu mereço isso viu, duas doidas na minha vida.
-- Vládia, deixa essas duas de lado e vamos falar sério, vocês vão casar de verdade ou vão apenas juntar as escovas de dentes? – Pietra perguntou.
-- Pietra apesar de agora ser reconhecida a união, nós não precisamos de um papel para afirmar ou medir o que sentimos uma pela outra, vamos fazer uma comemoração entre amigos e iremos juntar as escovas de dentes, não precisamos de papel, até por que você sabe que a minha sogra não aprova a opção da filhinha dela, não quero afrontá-la.
-- Também acho que um papel não muda em nada os sentimentos, seria apenas uma segurança, uma forma de garantir que o que vocês construíram juntas fique para vocês mesmo caso algo venha acontecer com uma de vocês.
-- Mas Pietra, eu tenho a casa que era dos meus pais em SP, esse apartamento e umas economias no banco, a Francis tem a dela, os negócios que o pai deixou para ela e a irmã, mesmo que algo aconteça, ninguém ficará descoberta, até por que depois que o Adrian nascer, tudo que é meu será dele.
-- É verdade amiga, não tinha pensado por esse lado. Onde vai ser a festa?
-- Ainda não sei, ainda não escolhemos uma data nem onde iremos morar. – Vládia respondeu.
-- A gente pode fazer ou na fazenda ou na casa de porto, o que vocês acham? – Paulinha disse.
-- Na fazenda não Paulinha. – Vládia respondeu ao ouvir a proposta, não queria passar por aquela estrada tão cedo.
-- Desculpe branquinha, eu havia me esquecido do acidente, desculpe mesmo. – Paulinha disse com um olhar triste que fez com que Vládia se odiasse por ter respondido daquela forma a amiga.
-- Choco, não precisa se desculpar, eu é que tenho que me desculpar pela forma como eu falei, foi automático, não é nada pessoal, só não me sinto preparada para passar por aquela estrada ainda.
-- Vlá, fica tranqüila, eu havia me esquecido do acidente, faremos na casa de porto, tendo o mar como testemuha, o que acha?
-- Por mim tudo bem, seria perfeito, o que você acha amor? – Perguntou olhando para ela.
-- Docinho, com você eu caso até dentro do cemitério minha vida, mas a praia será perfeito.
-- Então é só vocês escolherem o dia e marcamos a festa. – Paulinha se empolgou.
-- Paulinha eu concordo em fazer a festa lá sim, mas tem uma condição minha maluquinha preferida. – Vládia disse.
-- Ai, ai, ai, lá vem, diz logo, qual sua condição?
-- A lista de convidados, eu faço, senão você vai convidar a cidade toda e eu quero apenas os mais chegados.
-- Tudo bem Vlá, será apenas uma reuniãozinha então, mas tudo bem, eu supero, só por causa do pipoquinha viu? – Fez cara de brava para amiga que riu.
A conversa seguiu animada por quase toda a tarde, Paulinha de tempo em tempo ia até Vládia e beijava sua barriga, fazia carinho, Francis e Pietra apenas riam com a cena que ela fazia com a mesma naturalidade de quem bebe um copo de água. Apesar de saber que a amiga era mei piradinha, não se preocupava muito com as coisas, Vládia tinha certeza que a capacidade que ela tinha de amar era enorme e tudo que seu precisava era de pessoas que o amassem, e com ela ela sabia que ele seria. Paulinha sentava sempre próxima a Vládia, e alguma parte sua estava sempre em contato com a barriga dela.
-- Pietra se eu não conhecesse a pandinha e soubesse o quanto ela te ama, eu acharia que ela estava arrastando a asa para minha noiva. – Francis disse para Pietra.
-- Asa Francis? Acho que seria a galinha inteira amiga, mas ela é assim mesmo, extremamente carinhosa, às vezes me atormenta com esses carinhos. Dá pra acreditar que um mulherão desses se derrete toda com um cafuné?
-- Realmente, a Paulinha é única, perdi as contas das vezes que amanhecemos acordadas, abraçadas na cama, falando sobre nossos amores, ela só falava em você, idolatrava você, mas você nem dava bola para ela e eu que tinha que agüentar as lamentações dela.
-- Ela realmente me venceu pelo cansaço, ela me cercava por todos os lados, parecia que ela conhecia toda minha agenda, onde eu estava ela aparecia, até que um dia eu não resisti e cedi a tentação daquela boca carnuda dela, e confesso que me arrependi.
-- Como assim se arrependeu Pietra?
-- Me arrependi de ter demorado a provar. Fran, vou te dizer uma coisa, mas fica só entre nós ok? – Francis concordou.
-- A Paulinha consegue te levar ao céu apenas te beijando, sabe o que é você quase atingir o ápice apenas com um beijo? Pois ela tem esse dom amiga, ela consegue beijar minha alma.
-- Uau! E pensar que eu tive essa mulher inúmera vezes em minha cama e a única coisa que eu fiz foi cafuné. – As duas riram do comentário dela chamando atenção das demais que se encontravam ao lado.
-- Por que vocês não nos contam para que possamos rir também? – Paulinha perguntou.
-- Pandinha, já que você fica arrumando desculpas para tocar minha futura esposa eu decidi que também vou investir na sua, e rimos por que a Pietra aceitou minha proposta, vamos passar essa noite juntas amor. – Francis disse abraçando Pietra e beijando demoradamente o pescoço dela.
-- Vládia, acho que você ficará viúva antes mesmo de se casar amiga. – Paulinha disse fazendo cara de brava.
A risada foi geral, Pietra saiu dos braços da Francis e se jogou no colo da mulher no sofá, beijando-a com tanta intensidade que as meninas precisaram interferir.
-- Vocês querem uma cama? Tem uma no quarto de hóspedes que vocês podem usar se quiser. – Vládia disse dando tapinhas no ombro das duas.
-- Docinho, pelo que fiquei sabendo, acho que alguém já chegou lá, apenas com esse beijo. – Silvinha riu e Vládia ficou sem entender.
As duas se separaram e Pietra olhou para Silvinha e para Francis que riam da cara dela. Aquela tarde foi tranqüila, olhando para todas sentadas juntas e rindo de alguma palhaçada que a Paulinha estava fazendo, Vládia agradeceu pela sua família torta.
Passava das sete horas quando o interfone tocou e Silvinha foi atender, disse a seu Antonio que mandasse subir, abriu a porta da sala e voltou para varanda.
-- Vládia, você tem visitas amiga.
-- Quem é Sil?
-- Me disseram que era surpresa, então você vai ter que esperar. – Piscou para amiga e pegou seu copo tomando.
Vládia se levantou e se dirigiu a porta da sala, quando a porta do elevador se abriu e ela viu quem saía de dentro, deu um grito e correu para abraçar e beijar sua surpresa.
-- Rê, que surpresa boa, eu tava morrendo de saudades suas.
-- Já que minha prima não me visita eu a visito né? Mas me deixa ver essa barriga linda que o Luiz não para de falar nela, falando nele cadê ele? – Virou procurando o amigo que tentava sair do elevador com as sacolas.
Correram para ajudá-lo com as sacolas e malas, Vládia puxou o amigo para um abraço demorado.
-- Que saudades Luiz, achei que você tinha nos abandonado já?
-- Nem que você quizesse minha amiga, esqueceu que carrega uma semente da nossa tórrida noite de amor?
-- Agora eu que te digo meu amigo: nem que eu quisesse, ele me chuta de cinco em cinco minutos.
Entraram e Vládia foi logo apresentando a prima para as amigas. Renata era uma pessoa zen, nada a incomodava, parecia que vivia em um mundo paralelo, para ela tudo era normal, nada a chocava.
-- Rê, cadê o Vini? Por que ele não veio com vocês? – Vládia perguntou sentando ao lado da prima.
-- Ah Vlá, vamos deixar essa parte vai, depois a gente fala sobre isso, pode ser?
-- Claro, sem problemas. – Vládia entregou uma cerveja para ela e outra para Luiz que a puxou para se sentar em seu colo.
-- Como está minha pipoquinha Vlá? – Luiz disse beijando a barriga da amiga.
-- Ele está ótimo Luiz, até acho que será jogador de futebol, ele chuta o dia e a noite inteira. – Vládia riu.
-- Já escolheu o nome dele Vládia?
-- Já sim, Adrian, o que acha papai?
-- Muito lindo, eu amei Vlá.
-- Voce quer sugerir ou adicionar algum Luiz? Afinal você é o pai, tem tanto direito quanto eu.
-- Não amiga, você foi perfeita na escolha, esse nome é lindo.
-- E você Rê, o que achou?
-- Lindo Vlá e quero dizer que você tem sorte de estar grávida priminha, por que senão eu iria te dar uma surra.
-- Posso ao menos saber o porquê? – Vládia fez cara de indignada.
-- Se prepara amiga, por que eu já apanhei dessa louca aí. – Luiz disse.
-- Por quê? Voce ainda me pergunta o por quê? Você dá pra um cara na minha casa e não me conta nada e se não bastasse ainda aparece grávida.
-- Renata, eu te disse, você que não acreditou em mim. – Vládia disse segurando a mão da prima.
-- E você queria o que? Até onde eu sabia, os dois eram gays, quem acreditaria na história de que vocês haviam passado a noite toda se pegando?
-- A noite toda? – Paulinha disse.
-- E pelo que eu vejo a senhorita ainda nem contou para suas amigas né mocinha? Vou contar todos os seus podres, me aguarde.
-- Ôpa, já gostei dela. – Paulinha disse fazendo com todos os presentes rissem.
A conversa fluiu bem, várias vezes Vládia viu os olhos da prima perdidos e de repente eles pousavam em Silvinha que retribuía o olhar, ela achou que seria engraçado ver a prima envolvida com a Silvinha, mas nada disse, pelo menos não na frente das outras pessoas. Vládia aproveitou que a prima foi até a cozinha e foi atrás dela, lá chegando foi logo perguntando.
-- Vai me dizer o que aconteceu com você e o Vini?
-- Vlá, nós terminamos, há uns vinte dias já.
-- Pôxa, sinto muito, mas por quê vocês terminaram?
-- Não tava dando certo mais, ele queria que eu mudasse, que trocasse de amigos, dizia que depois do casamento as coisas seriam diferente, que não aceitaria meus amigos em casa, começou com um ciúmes sem propósito, lembra da Letícia, que morava na rua de trás da sua casa?
-- Lembro sim, a ruivinha sexy, tinha um corpo maravilhoso e um beijo de tirar o fôlego.
-- Pois é, essa mesma, então, ela voltou da Alemanha há uns três meses, e nos encontramos na boate, ela começou freqüentar minha casa e o Vini não gostou, disse que ela dava em cima de mim na maior cara dura.
-- E ela dava? – Vládia perguntou.
-- Ai Vlá, não sei se ela dava, mas eu gostava da companhia dela, ela me fazia rir, me divertia com ela, depois de muito tempo eu me senti como a Renata dos velhos tempos e isso incomodava o Vini e consequentemente a atitude dele me incomodava.
-- Sei não Rê, mas isso tá me cheirando a sentimento recolhido.
-- Sinceramente eu não sei Vlá, mas se for, não é pela Letícia, ela tá namorando com uma menina lá, não sei o nome.
-- Rê, posso te falar uma coisa? Você não fica brava comigo?
-- Diga, sabe que não fico brava com você.
-- Eu vi sua troca de olhares com a Silvinha lá na varanda, tá interessada prima?
-- Não sei.
-- Peraí, como não sabe?
-- Não sei, eu achei ela linda, tem um sorriso lindo, é delicada, tem um olhar profundo, mas não to em condições de sentir nada Vlá, eu to fechada para balanço.
-- Eu vou te dizer uma coisa, você pode até não saber ainda o que está se passando com você, mas o que eu vi lá fora foi uma paquera aberta, de duas pessoas livres.
-- Ai será Vlá? Tenho medo de confundir as coisas.
-- Vai por mim prima, meu gaydar nunca errou. – As duas riram.
-- O meu também nunca se enganou, mas ultimamente ele está pedindo revisão.
Silvinha entrou na cozinha interrompendo o papo das duas, os olhares se cruzaram e havia intensidade neles, a corrente elétrica que corria por elas era visível a qualquer um, Vládia virou as costas e saiu da cozinha brincando com elas.
-- PI...PI...PI...PI... Tem gay novo no recinto. – Saiu da cozinha rindo das duas que ficaram sem graça com a constatação da amiga.
Na varanda Luiz perguntou para ela por Renata.
-- Ela e a Silvinha estão com cara de bobas se olhando nos olhos lá na minha cozinha.
-- Jura? Eu bem que notei uns olhares mais cedo, mas não comentei nada, ela anda meio sentimental esses dias.
-- Ela me disse por que se separou do Vini.
-- Graças a sua vizinha toda boa, amor. – Luiz disse deixando Francis com uma cara de poucos amigos.
-- Francis se acalme, a branquela azeda aí, teve um afair com essa menina quando ainda era adolescente, nunca mais se viram, ela voltou da Alemanha há alguns meses e encontrou com a Rê, mas ela tá namorando uma menina lá, e a Rê só terminou com o Vini quando a Letícia apresentou a namorada para ela.
-- A Rê teve sua primeira decepção homossexual e não se deu conta Luiz.
-- Também acho.
Silvinha entrou na sala sozinha, sentou ao lado de Pietra e nada falou, pouco tempo depois, Renata chegou e sentou ao lado da Vládia no sofá.
-- Aconteceu algo? – Vládia disse no ouvido da prima enquanto a abraçava disfarçando.
-- Ela me beijou.
-- E aí?
-- Eu gostei, to perdida Vlá.
-- Então por que voltaram para a sala? – Vládia se afastou para olhar a cara dela.
-- Acho que ela se arrependeu, pediu desculpas e saiu praticamente voando da cozinha.
-- Vou procurar saber o motivo e te conto. – Piscou para prima.
Vládia esperou um tempo e chamou Silvinha para ir com ela até a cozinha com o pretexto de que precisava de ajuda para pegar algo. Chegando lá, ela trancou a porta e sentando-se indicou a cadeira a frente pedindo que a amiga sentasse em sua frente.
-- Silvinha, o que tá acontecendo?
-- Você tá falando do beijo né Vlá?
-- Não Sil, to falando desse amor impossível que você nutre dentro do peito.
-- Tá tão na cara assim?
-- Não tá Sil, mas eu te conheço, nós já namoramos, conheço esse seu olhar esqueceu?
-- Não Vlá, você realmente me conhece.
-- Então, por que não se dá uma chance de conhecer minha prima, amiga ela está solteira e gostou de você.
-- Vlá, eu não sei, é mais forte que eu, me policio para disfarçar, me contento apenas com a presença dela.
-- Você sabe que isso nunca vai se concretizar né amiga?
-- Eu sei Vlá, mas explica isso para o meu coração que parece que vai sair pela boca quando eu a vejo.
Vládia abraçou a amiga e disse ao seu ouvido.
-- Minha pequena tire esse sentimento de dentro de você, ele só vai te trazer sofrimento amiga.
Ficaram abraçadas enquanto Silvinha, pela primeira vez, chorava a certeza de que jamais seria correspondida nesse amor.
Vládia esperou que ela se acalmasse antes de retomar a conversa.
-- Silvinha, como você foi deixar as coisas chegarem a esse ponto minha amiga?
-- Não sei Vlá, as coisas foram simplesmente acontecendo e quando eu vi já estava simplesmente apaixonada por ela.
-- Mas alguma vez ela deu a entender que algo poderia acontecer entre vocês?
-- Não Vlá, ela sempre me tratou da mesma forma, mas teve um dia, que elas já estavam separadas, nós bebemos vinho, umas duas garrafas, e quando eu vi, o beijo já havia acontecido, mas foi só isso, nós nunca tocamos no assunto.
-- Silvinha, com tanta mulher solteira dando sopa por aí, você foi se apaixonar logo por uma casada, e com sua melhor amiga ainda?
-- Vlá, você acha que alguém percebeu?
-- Eu tenho certeza que não Sil, ainda, mas se você continuar babando por ela do jeito que você está, tenho certeza que logo vão perceber.
-- Acho que vou me afastar um pouco Vlá, dar um tempo sei-lá, quem sabe fazer uma viagem, ainda não decidi.
-- Silvinha, esse sentimento vai te acompanhar para onde quer que você vá, você sabe disso, mas se você acha que isso vai te ajudar.
-- Ai Vlá, sinceramente, eu não sei o que fazer.
-- Silvinha, espere um pouco, por que você não se permite conhecer a Rê e tenta esquecer dela?
-- Vlá, você sabe que esse negócio de usar uma pessoa para esquecer outra não funciona.
-- Eu sei, mas você tem que se dar a oportunidade de conhecer outra pessoa Sil, e não to dizendo para você se casar com ela, apenas para se permitir conhecer, se rolar rolou e se for bom continua rolando.
-- Vou pensar Vlá, mas não posso decidir nada agora, deixa rolar, o que tiver que acontecer vai acontecer.
Saíram da cozinha abraçadas, Francis trocou um olhar cúmplice com a Vládia, mas nada disse.
Sentaram-se na varanda junto com as meninas, Silvinha pegou a cerveja que a Renata lhe ofereceu acompanhada de uma piscada, Luiz abraçou Vládia e a puxou para seu colo, beijando sua barriga.
-- Branquela, posso saber onde você estava? – Luiz perguntou.
-- Eu estava na cozinha com a Silvinha Lú, por quê?
-- Eu tava com saudades dessa barriga já.
-- Xii Fran, você vai perder a Vládia para o papai babão. – Paulinha disse brincando com a amiga.
-- Não tem perigo amiga, eu me garanto. – Francis brincou de volta.
A noite correu agradável, a conversa estava amigável, Silvinha e Renata estavam se entendendo, mas Vládia ainda não sabia se era por causa do efeito do álcool ou não.
-- Eu acho que to sentindo um clima no ar branquinha. – Pietra sussurrou no ouvido da Vládia apontando as duas sentadas mais no canto com a desculpa de fumarem um cigarro.
-- Tomara Pietra, a Sil, mais do que ninguém merece ser feliz, e acho que a Rê é a pessoa certa para isso.
-- Não sei não branquinha, ela é sua prima, mas não sei se ela faria a Silvinha feliz.
-- Eu notei uma pontinha de ciúmes no seu comentário ou foi impressão minha?
-- Deixe de besteira Vlá, eu só me preocupo com ela, apenas isso.
-- O que vocês estão conversando aí, posso saber? – Paulinha chegou abraçando a mulher e quebrando o clima.
-- Eu tava dizendo a Pietra que a Silvinha merece ser feliz e que talvez minha prima seja essa pessoa, o que você acha Choco?
Paulinha olhou bem para as duas que continuavam no canto alheias a tudo que estava acontecendo ao redor delas.
-- Não sei, acho que a Pietra tem razão, eu gostei da sua prima Vlá, mas não acho que ela vá fazer a Sil feliz. – Paulinha se afastou delas e foi em direção a Silvinha.
-- Silvinha, preciso falar com você, pode ser? – Paulinha perguntou.
-- Paula, eu to conversando com a Renata, já já eu falo com você pode ser? – Silvinha perguntou para uma Paulinha contrariada.
-- Tá bom, pode sim. – Ela disse saindo de perto delas e parando na sacada, acendeu um cigarro.
Vládia foi até a amiga, abraçou ela pelas costas apoiando a cabeça em seu ombro, roubou o cigarro da mão dela, deu um trago e devolveu dizendo.
-- Quer conversar choco?
-- Sobre o que?
-- Essa cena de ciúmes que eu acabei de presenciar.
-- Zammorah, você sabe o quanto a Silvinha é importante para mim, e vê-la assim, envolvida com alguém, é como se eu a estivesse perdendo, você me entende?
-- Mas quando ela namorou comigo você não se importou, nem com a Tônia, por que com a Renata você se incomoda?
-- Não sei Vlá, acho que por que ela de SP e pode tirar a Silvinha daqui.
-- Isso não explica, a Tônia era do RS, muito mais longe e você não se importou.
-- Talvez eu veja que com a Renata ela possa realmente querer ir.
-- Choco, ela sempre será sua amiga, independente de com quem ela esteja, de onde more, você sabe disso.
-- Ela não é só uma amiga, ela é minha melhor amiga, minha outra metade.
-- Achei que sua outra metade fosse eu?
-- Branquinha, eu tenho várias metades.
-- Choco, você não vale nada sabia?
-- Nem um real Vlá, mas sei que você é louca para provar desse chocolate.
-- Só se você fosse uma barra de chocolight branco, tipo um LAKA, saca amorê?
-- Chocolight?
-- É, chocolate light, você come, come e não engorda. – Vládia riu gostoso no pescoço da amiga.
-- Branquinha, você provoca depois foge e se esconde atrás da Francis né? – Paulinha disse ficando de frente para Vládia.
-- Eu nunca fujo choco, jamais. – Aproximou os lábios dos da amiga e fitou seus olhos, sustentando o olhar.
-- Se afaste ou não respondo por mim branquinha. – Paulinha disse se aproximando ainda mais da amiga.
Na entrada da sala, os amigos assistiam a tudo em silêncio, Luiz e Renata nunca haviam visto a brincadeira entre elas, estavam sem entender nada.
-- Aposto 50 que a Paula recua antes da Vládia beijá-la. – Francis disse.
-- Eu aceito, a Paula não é louca de se deixar beijar. – Pietra disse rindo.
Na varanda, Vládia prendeu Paulinha entre a sacada e seu corpo, suas respirações se misturavam, os corpos estavam juntos que pareciam apenas um.
-- Tô esperando você não responder Paula. Vou contar até cinco e te beijar.
-- Um, dois, três, quatro...Cinco. – Vládia colou seus lábios nos da amiga.
A gritaria foi geral, Francis cobrava de Pietra o dinheiro da aposta, e ela contrariada, pagou a divida.
-- Vládia Zammorah, você não vale nada, abusou de mim. – Paulinha se fez de ofendida ainda nos braços da amiga.
-- Choco, você não é chocolate branco, mas é gostosa igualzinho. – Vládia disse passando sua língua na extensão do rosto da amiga e se afastando em seguida.
Abraçadas voltaram para dentro, Pietra não tava com uma cara muito boa.
-- Paulinha não sei se eu te bato por me fazer perder cinqüenta reais ou por ter deixado essa grávida devassa te beijar.
-- Amor, ao invés de me bater, quando a gente chegar em casa você me come, acho bem melhor. – Paulinha beijou profundamente a mulher.
Vládia pode ver Silvinha abaixar a cabeça para não presenciar a cena daquele beijo.
Começaram a organizar as coisas e Francis chamou Vládia na cozinha e disse.
-- Docinho, sua prima está aqui e me parece que vocês tem muito o que conversar, vou dormir em casa hoje e deixar vocês a vontade para conversar, tudo bem para você.
-- Ela realmente precisa conversar amor, mas eu não queria dormir longe de você, sabe que eu adoro fazer amor com você antes de dormir e quando acordo. – Vládia beijando os lábios da noiva.
-- Vládia, depois eu te prometo que iremos viajar um final de semana e passaremos três dias no quarto fazendo amor.
-- Promete minha vida?
-- Prometo docinho.
-- Vou cobrar hein?
-- E eu vou ter o maior prazer em te pagar, e não digo literalmente.
As duas foram interrompidas pelas amigas que já estavam se despedindo para irem embora. Renata estava na entrada da varanda enquanto elas se encaminhavam para a porta, já estavam no corredor quando Silvinha voltou para a sala e tomou os lábios de Renata nos seus sob os olhares incrédulos das amigas, Francis e Luiz que quebraram o silêncio.
-- Aê Silvinha, desencalhou amiga. – Francis disse.
-- Renata, eu sempre disse que você era uma sandálinha imbutida amiga, agora vai ser feliz.
Apenas Pietra e Paulinha mantinham a cara séria, num semblante fechado, Silvinha soltou Renata e sussurrou um até amanhã ainda com seus lábios nos seus. Depois que as meninas saíram Luiz disse:
-- Racha, agora eu estou com pressa, tenho que ligar para o meu bofe escândalo, mas amanhã você não me escapa, quero saber de tudo nos mínimos detalhes. – Beijou a amiga se despedindo.
-- Quanto à você Vládia, nada de ficar falando indecências na presença da minha pipoquinha aqui. – Disse alisando a barriga da amiga.
As duas foram para o quarto, tomaram um banho e deitaram na cama da Vládia.
-- Vai, agora me conta tudinho, o que foi aquele beijo no meio da minha sala?
-- Aquilo foi o melhor beijo da minha vida Vlá, nossa, senti meu corpo flutuar.
-- Que bom, Rê, fico feliz por você.
-- Mas como nem tudo são flores prima, ela ama outra pessoa. – Vládia notou tristeza em suas palavras.
-- Ela te disse isso?
-- Não foi bem isso, mas eu sei que é assim. Ela me disse que estava envolvida sentimentalmente com alguém, mas que nunca iria acontecer nada entre elas, ou seja, amo minha amiga casada e nunca teremos nada.
-- Nossa. Ela te disse quem é essa pessoa?
-- Não Vlá, mas no começo eu achei que fosse a Paula, mas durante a note, senti o olhar de Pietra em nós enquanto conversávamos, só sei que é uma delas. Você sabe quem é né?
-- Sei sim Renata.
-- E não vai me dizer né?
-- Desculpe Rê, mas esse é um segredo dela e não meu, então só ela poderá te dizer.
-- Às vezes eu odeio esse seu caráter sabia?
-- Deixa de bobagem, mas me diz, o que tanto conversaram?
-- A gente tava se conhecendo, comida preferida, estilo musical, essas coisas.
-- E marcaram algo para amanhã?
-- Na realidade, depois daquele beijo, eu fiquei bestificada, não consegui dizer nada, mas acho que ela disse algo como um “até amanhã”.
-- Então se ela disse isso, amanhã cedo ela estará aí, com o café da manhã. – Vládia ria da cara da prima.
Conversaram até altas horas, até que Vládia, rendida pelo cansaço, adormeceu nos braços da prima que tinha pensamentos só para o beijo roubado na sala da casa da prima.
Na manhã seguinte, Vládia acordou e se viu totalmente enroscada no corpo da prima, Renata tinha uma de suas mãos sobre a barriga dela. Com cuidado para não acordar a prima, Vládia se desenroscou do corpo dela e levantou indo em direção ao banheiro para sua higiene matinal.
Saindo do banheiro foi em direção a cozinha, Luiz estava sentado na varanda tomando café da manhã, ela se juntou a ele.
-- Bom dia branquela azeda do meu cuore, dormiu bem? – Luiz perguntou beijando a amiga e servindo a ela uma xícara de café.
-- Bom dia Lu, dormi muito bem sim meu amor, e você?
-- Sozinho demais para o meu gosto, mas dormi bem, a Francis não vai tomar café?
-- A Fran não dormiu aqui Luiz, endoidou?
-- Mas eu passei por ela quando estava indo para cozinha preparar o café, estranho.
-- Quanto tempo faz isso? – Vládia perguntou estranhando o fato da namorada não ter ido acordá-la.
-- Uns quarenta minutos eu acho, por quê?
-- Por que eu acordei toda enroscada na Renata e se a Fran viu a cena, tenho certeza que não deve ter gostado nenhum pouco. – Vládia sabia que o ciúmes da noiva estava metido nessa confusão.
-- Pelo amor do Pai né Vládia, vocês são primas, que mente imunda poderia achar que algo teria acontecido entre vocês?
-- A da Francis Luiz, a dela com certeza conseguiria ver o que não havia acontecido ali, tenho certeza. Vou ligar para ela. – Se levantou e foi pegar o telefone sem fio na sala.
Discou e esperou que ela atendesse, mas não atendeu, tentou mais quatro vezes até que na quinta vez, o celular deu desligado. Ela olhou para o amigo que esperava ansioso que a outra atendesse o celular, e colocou o telefone sobre a mesa de café.
-- Não te disse? Ela consegue se superar em cada coisa Luiz, isso me chateia, ela tira as próprias conclusões. – Vládia disse ao amigo enquanto se servia de mais café, estava visivelmente chateada com a atitude da Francis.
-- Deixa ela na dela, daqui a pouco ela vê a besteira que tá fazendo e te liga.
-- Isso cansa sabia? Toda vez é a mesma história, tenho que esperar, me desculpar por algo que nem fiz, ninguém merece. – Vládia se levantou e foi até a sala, voltou de lá com um cigarro nas mãos.
-- O que você acha que está fazendo branquela? – Luiz disse apontando o cigarro em suas mãos.
-- Só esse Luiz, não sou louca, mas é que agora ela realmente me tirou do sério.
Luiz ia protestar, mas foi interrompido pela entrada da Renata se espreguiçando na varanda.
-- O cheiro desse café me acordou, espero que esteja tão bom quanto o cheiro. Bom dia para vocês dois. – Renata disse aos dois enquanto se sentava e se servia de uma generosa xícara de café.
-- Bom dia Rê, dormiu bem? – Vládia disse tirando a mecha solta do cabelo que caía sobre os olhos da prima.
-- Dormi sim Vlá, parece que dormi nos braços de um anjo.
-- Foi no meu maluquinha. – Vládia disse rindo da cara da prima.
-- Pois é, e logo de manhã mandou esse anjo ir parar no inferno. – Luiz disse abrindo o jornal e fingindo que lia interessado.
-- Como assim Luiz? Não entendi. – Renata perguntou.
-- Nada não Rê, o Luiz apenas não tem medo de perder língua. – Vládia respondeu tentando impedir o amigo de dar com a língua nos dentes.
Foi em vão, Luiz contou a Renata tudo que havia se passado desde que ele encontrou Francis entrando naquela sala pela manhã.
-- Poxa Vlá, eu sinto muito mesmo, me dá o número dela que eu ligo e explico.
-- Não Rê, não tem nada para explicar, eu cansei, deixe ela pensar o que ela quiser, eu não vou mais dar explicações a ela.
Fim do capítulo
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