Capítulo 13
Renata viu a tristeza nos olhos da prima, sabia que ela estava magoada, eram mais do que primas, quase irmãs, por isso se conheciam tanto, sempre foram ligadas, desde pequena, por mais que Renata buscasse em sua mente o dia em que Vládia se tornou em sua vida, ela não saberia dizer, pois a prima sempre estava em sua vida, desde o tempo das fraldas. Queria desfazer esse mal entendido, mas sabia que a prima não gostava que tentassem resolver seus problemas, então resolveu deixar para lá.
-- Qual a programação para hoje? – Luiz perguntou.
-- Podemos ir para a praia, almoçamos em um restaurante que tem uma comida deliciosa lá na orla mesmo, depois tenho que ir até a uma danceteria que vou tocar esse final de semana para resolver alguns assuntos, o que acham? – Vládia perguntou.
-- Prá mim está perfeito. – Renata respondeu.
-- Para mim também. – Luiz concordou.
Depois de acertarem o destino que tomariam naquele dia, foram se arrumar para saírem, estava um calor gostoso, o sol não estava forte, mas mesmo assim Vládia passou e fez eles passarem protetor solar. Passaram uma manhã gostosa na praia, comeram tanta besteira na areia da praia que resolveram não almoçar no restaurante. As três da tarde eles decidiram ir para casa para tomarem banho e tirar o sal do corpo antes de irem com a Dj até a boate. Vládia passou o dia olhando para o celular esperando uma ligação ou uma mensagem da Francis, mas ela não ligou. Quando chegaram em casa, enquanto Luiz foi tomar seu banho, Renata reparou que Vládia, várias vezes havia olhado o celular, discado um numero e desligado antes mesmo do celular dar o sinal da chamada.
-- Por que você não liga logo para ela?
-- Por que não Rê, por que se eu fizer isso, vou estar dando razão a ela e suas loucuras, não posso.
-- Olha Vlá, eu acho que você deveria ligar sim, independente do que ela vá pensar. Vocês se amam e não devem ficar brigando assim.
-- Rê eu agradeço, mas deixa eu fazer do meu jeito.
Dizendo isso ela foi para o banheiro tomar seu banho, não queria ligar, embora seu coração gritasse de saudades da namorada, seu corpo sentia falta do corpo dela, mas ela sabia que se cedesse de novo, seria assim a vida toda, e ela queria que Francis aprendesse a confiar nela, ela não queria viver com medo do que ela pudesse achar das coisas que ela fizesse.
Quando ela retornou a sala, o amigo e a prima já esperavam por ela. Vládia pegou as chaves do carro e desceram até a garagem, Renata quando viu o carro da prima comentou animada.
-- Acho que vou abandonar a publicidade e me tornar Dj, quero um carro igualzinho a esse, mas com meu salário, vai demorar. – Os amigos riram do comentário dela.
-- Rê, você não muda nunca né maluquinha? – Vládia comentou.
Na boate, os amigos foram conhecer o ambiente enquanto Vládia acertava os detalhes finais da noite de sábado, voltaram para casa perto das sete da noite, ao entrarem, se depararam com uma Francis dormindo no sofá da sala, os amigos, não querendo interromper a conversa delas, seguiram para o quarto que Luiz ocupava na casa.
Vládia sentiu uma vontade imensa de acordá-la com um beijo, mas resistiu e a acordou apenas tocando em seu ombro, Francis acordou e sentou no sofá encarando a namorada.
-- Pelo visto o dia foi bem longo para você? Aproveitaram muito? – Francis tinha um som sarcástico na sua voz.
-- Foi sim, fomos a praia e a tarde fui até a boate do Marck acertar os detalhes para sábado a noite, se você tivesse atendido algum dos dez telefonemas que eu fiz para você saberia ou talvez tivesse passado o dia conosco. – Vládia estava sem paciência para as crises de ciúmes dela.
-- É que de manhã você estava tão bem acompanhada que eu resolvi ir embora.
-- Pode parar Fran, não vou discutir esse assunto com você, eu to cansada, quero tomar um banho, trocar de roupa e comer alguma coisa.
-- Se você não quer tocar no assunto é por que tenho razão. – Francis disse se levantando e olhando nos olhs da Dj.
-- Amor, para com isso, não aconteceu nada entre mim e a Rê, ela é minha prima Francis.
-- Isso não quer dizer nada Vládia, já namorei duas primas minhas.
-- Não me julgue pelas coisas que você fez na sua vida. – Vládia disse indo em direção a cozinha.
Estava pegando um copo para tomar água quando ouviu a porta da sala batendo.
-- Cabeça dura. – Vládia disse.
Terminou de tomar a água, colocou água na cafeteira para fazer um café e foi tomar banho, sua cabeça estava doendo, não sabia se era efeito do sol durante o dia ou a discução que tivera com a Francis.
Tava saindo do banheiro e ouviu seu celular tocando, olhou no visor e viu que era a Pietra, atendeu.
-- Oi Pí, o que manda?
-- Branquinha, o que aconteceu entre você e a Fran?
-- Por quê?
-- Ela veio aqui em casa a tarde e pediu para a Paula sair dar uma volta com ela, disse que vocês tinham brigado.
Vládia suspirou e sentou na cama, contou a amiga o que havia acontecido durante todo o dia e a visita da Francis durante a noite.
-- Ela endoidou Vládia? Ciúmes de você com a Renata?
-- Pois é amiga, pra você ver o que estou passando, mas deixa ela, quando ela colocar a mão na consciência e ver que está errada ela me procura, só espero que não seja tarde demais.
Conversaram por alguns minutos, Vládia disse sobre a boate que iria tocar e marcaram de se encontrarem lá no sábado. Naquela noite não saíram de casa, pediram uma pizza e comeram por ali mesmo, apesar de verem a tristeza que estampava os olhos da Dj, a prima e o amigo nada disseram, respeitaram o silêncio dela.
A semana correu devagar demais para ela, parecia que os dias se arrastavam, não falou com Francis durante a semana, até tentou por dois dias, mas diante da recusa da outra em atender os telefonemas da Dj, ela desistiu.
Silvinha e Renata saíram para jantar por dois dias, mas nada além de alguns beijinhos aconteceu, elas estavam mais para melhores amigas do que futuras namoradas. Luiz ia a praia todos os dias, estava de paquera com um rapaz que malhava na orla, ele dizia que com esse ele casaria, o que arrancava boas risadas das amigas. Apenas Paulinha freqüentou assiduamente a casa da Dj esses dias, Vládia não sabia se era a pedido de Francis ou o ciúmes que ela havia descoberto ter da Silvinha.
O sábado chegou e com ele a euforia dos amigos em sair para uma balada todos juntos, passaram a semana combinando o passeio, o lema seria beber muito, dançar bastante e se divertir horrores como dizia Luiz. Por esse motivo, cogitaram irem todos de táxi, mas Vládia lembrou a eles que não iria beber e que ela iria dirigir.
A noite, Paulinha, Silvinha e Pietra chegaram juntas, Silvinha tinha cada uma delas enroscada em um braço, e diante da cara da amiga, tratou logo de falar quando essa veio lhe cumprimentar.
-- Não me olhe com essa cara, elas que me agarraram. – Cochichou no ouvido da amiga.
-- Sei, e você não teve como se soltar né amiga? – Vládia brincou com ela.
Os cumprimentos se seguiram até que finalmente Luiz terminou sua produção e elas puderam ir. A boate, como sempre estava lotada, Vládia deixou os amigos no camarote e seguiu para cabine de som, abriu a noite com uma energia que há muito tempo ela não sentia e ao constatar o entusiasmo das pessoas na pista, soube que era contagiante.
Se entregou ao trabalho de corpo e alma, aquela noite ela seria uma extensão da sua música, amava o que fazia, sentia cada batida da música com sua alma, era como se amúsica fluísse através dela.
Já passavam da uma da manhã quando sentiu uma mão tocar seu ombro, tirou os fones do ouvido e virou para ver quem a chamava, surpreendeu-se com quem encontrou ali, parada bem na sua frente, com seu rabo de cavalo que era sua marca registrada, pelo menos para ela, alguns fios da franja caíam sobre seus olhos, ela continuava linda.
-- Quando me disseram que você estava grávida eu não acreditei, tinha que ver com meus próprios olhos, você está simplesmente maravilhosa com essa barriguinha Zammorah. – Pâm falou abrindo os braços para um abraço.
-- Ei, será que nem um abraço seu eu posso ganhar? Se não for pelos velhos tempos que seja apenas por educação. – Vládia acordou do seu transe e a abraçou.
-- Pâmela, como você está? O que está fazendo aqui? – Disse Vládia abraçando a morena e sentindo o cheiro que por muito tempo foi seu.
Foram separadas por palmas que eram batidas em suas costas, quando Vládia olhou, pode ver Francis em pé, na porta, olhando para elas e aplaudindo a cena que acabará de presenciar. Pâm se assustou e afastou-se da Dj, Vládia tinha surpresa e mágoa nos ohos, sabia que se o fato de a ter encontrado abraçada com a prima ela n havia entendido, essa cena ela não daria sequer a chance dela explicar. Francis rodou nos calcanhares e saiu da cabine de som sem dar a chance de Vládia abrir a boca. Pâm, vendo a situação falou.
-- Você não vai atrás dela Zammorah?
-- Não Pâm, eu não vou, ela já tirou suas próprias conclusões mesmo, de nada vai adiantar eu ir atrás.
-- Poxa, me desculpe, eu não queria causar problemas para você, sinto muito.
-- Não sinta Pâm, não há nada para sentir em relação as atitudes dela na última semana.
-- Problemas?
-- Muitos, você nem imagina e todos são absurdos.
-- Mas me diz, o que você está fazendo por aqui? Não me diga que veio só para ver minha barriga? – Vládia disse rindo enquanto alisava a barriga.
-- Não Zammorah, negócios, apenas juntei o útil ao agradável.
-- Negócios? Aqui em Recife?
-- Sim, uma longa história. Já que eu provoquei esse mal entendido entre você e sua namorada, podemos conversar depois que você parar de tocar?
-- Claro, eu paro em meia hora.
-- Então tá mamãe Dj, te encontro no bar da pista principal em meia hora?
-- Estarei lá.
Pâm saiu da cabine e Vládia riu da ironia do destino, passou uma semana querendo ver Francis e ela resolve aparecer justo na hora em que a Pâm estava cumprimentando ela.
Terminou seu case da noite, guardou suas coisas e seguiu em direção ao bar, Pâm estava sentada em um banco no balcão e tinha os pés apoiados em outro, quando Vládia se aproximou, ela retirou os pés e disse.
-- Guardei para você, afinal você tem privilégios agora, não pode ficar em pé. – Vládia riu da cara dela, mas achou gracioso ela ter se preocupado com ela.
-- Obrigada, mas minha barriga ainda não pesa tanto.
-- Você está linda grávida Zammorah, mas se ficar tanto tempo em pé, vai ver seus pés virarem uma bolota.
Vládia riu do comentário e sentou no banco de frente para ela, pediu um suco e começaram uma conversa agradável, mas ela ainda lembrava da cena de Francis, parada em pé em sua frente, tinha um olhar que ela soube decifrar, não sabia se era raiva, mágoa ou tristeza. Renata chegou as interrompendo.
-- Branquela azeda da minha vida, estava te procurando. – Renata disse beijando o rosto da prima.
-- Eu tava aqui tomando um suco e conversando com uma velha amiga. Renata essa é a Pâmela, Pâmela, essa é a Renata, minha prima.
As duas se cumprimentaram com três beijinhos e por algum tempo, as três ficaram ali conversando, Renata gostou muito da Pâm, Vládia não entendia como ela ainda havia percebido que aquela ali era a sua Pâm do passado.
Eram quase duas da madrugada quando Vládia disse a prima que iria embora, mas que deixria a chave do carro com ela e pediria que Marck pedisse ao manobrista para levar ela e os amigos embora.
-- Mas você vai embora do que Vlá? – Renata perguntou.
-- Eu a levo embora Renata, não se preocupe. – Pâm respondeu antes que Vládia pudesse fazê-lo.
-- Não precisa Pâm, eu pego um táxi aqui na frente.
-- Nada de táxi senhorita Zammorah, eu já disse que te levo, a não ser que você não queira minha carona.
-- Tá certo Pâm, eu aceito sua carona.
As meninas se despediram, Vládia deixou as chaves com a Renata e falou com Marck antes de saírem em direção ao estacionamento.
Pâmela estava com um carro alugado, abriu a porta para que a Dj entrasse e entrou logo em seguida, ligou o rádio e conectou o pendrive, uma música suave invadiu o ambiente, colocou a chave na ignição e virando-se para a Dj perguntou.
-- Para onde a senhorita quer ir?
-- Na verdade eu estou com fome, e acho que em casa não tem nada para comer. – Ela disse.
-- Ok, vamos alimentar você e o bebê, aonde quer ir?
-- Tem um restaurante japonês na beira mar, o que acha?
-- O desejo de vocês é uma ordem. – Pâm respondeu apontando para ela e a barriga.
Vládia foi ensinando o caminho a ela e em vinte minutos elas estavam entrando no restaurante, havia algumas pessoas ainda o que as deixou mais tranqüila, Vládia não gostava de chegar nos lugares quando estes já estavam fechando, ela dizia que a cara de cansaço ficava visível no rosto dos garçons.
Escolheram uma mesa no canto, fizeram os pedidos e enquanto esperavam, começaram uma conversa que mais parecia um jogo de perguntas e respostas.
-- Então, a senhorita vai me contar como é que esse bebê foi parar aí dentro?
-- Da forma mais natural que existe, durante uma relação sexual. – Vládia respondeu assustando a Pâm que chegou a engasgar com o suco que bebia.
-- Nossa, por essa eu não esperava. Mas e aí, já sabe o que é?
-- Um menino e antes que me pergunte vou te dizer, vai se chamar Adrian.
-- Lindo nome, parabéns.
-- Obrigada.
-- E a Francis, onde ela se encaixa em tudo isso? Pela aliança em sua mão eu achei que vocês tinham voltado.
-- Tínhamos sim, ela me pediu em casamento há uma semana, mas me encontrou dormindo com minha prima e entendeu tudo errado, agora, depois de hoje, acho que não vou ter a oportunidade de conversar com ela tão cedo.
-- Poxa Vlá, eu sinto muito, não queria piorar as coisas entre vocês.
-- Não há nada para piorar Pâm, ela sempre teve esse ciúmes desmedido, mais cedo ou mais tarde teríamos uma crise dessas.
-- Vamos mudar de assunto por que eu notei tristeza em suas palavras. – Pâm disse fazendo um carinho nas mãos da Dj.
-- Obrigada Pâm. Me diz você agora, que negócios são esses que você veio resolver aqui em Recife? – Vládia perguntou retirando sua mão com a desculpa de pegar seu copo de suco.
-- Eu comprei uma boate aqui Zammorah, especificamente aquela que você estava tocando hoje. – Pâm falou deixando Vládia totalmente surpresa.
-- Eu sabia que o Marck estava cogitando vendê-la, só não sabia que já havia efetuado a venda.
-- Pois é, eu cheguei hoje pela manhã e quando entrei nela me apaixonei, ela, apesar de grande, é muito aconchegante, e tem também aquele ar rústico que dá um charme todo especial a ela.
-- Engraçado, há um ano atrás você não queria vir morar aqui, e hoje me conta que está comprando um negócio exatamente aqui. Acho que os motivos são diferentes, acho que esse vale a pena uma mudança.
-- Zammorah, até um tempo atrás eu me arrependia muito de não ter aceitado sua proposta, mas hoje eu vejo que talvez aquela não fosse a hora.
-- Pode ser.
-- Como seria minha vida hoje se eu tivesse aceitado sua proposta? Já pensei muito sobre isso.
-- Bom, hoje você estaria a cinco meses de se tornar mãe. – Vládia disse alisando a barriga rindo.
Pâm riu com ela, e o pensamento de que hoje ela estaria perto de ter uma família sua mexeu com ela que estendeu a mão até chegar bem próxima da barriga e perguntou.
-- Posso Vlá?
-- Claro, vai lá.
Pâm alisou toda a extensão da barriga da ex, fez carinho e quando sentiu se mexer abriu um sorriso enorme, Vládia vendo a cena e o sorriso, lembrou-se que foi pelo sorriso que se apaixonou, ele iluminava aquele rosto de contorno perfeito.
-- Se eu tivesse aceitado, você não estaria grávida, pelo menos não do jeito que você ficou.
-- Pâm, eu jamais faria uma inseminação artificial, nunca quis ficar grávida de uma pipeta ou tubo de ensaio.
-- Então minha linda, confesso que seria difícil, acho que só se eu estivesse junto na hora da concepção.
-- Esse seu lado eu não conhecia Pâm, sex* a 3 é?
-- Não seria bem a três, digamos que ele só participaria na hora de “colocar” a sementinha aí dentro. – Fez o sinal de aspas com as mãos.
-- Mas o pai dessa pipoquinha aqui gosta tanto de mulher como eu de jiló.
-- Como assim? Não entendi.
-- Ele é gay Pâm, foi depois de duas ou três garafas de vinhos que tudo aconteceu.
-- Você embebedou um gay só para engavidar dele Dj? Esse seu lado eu não conhecia. – Devolveu a brincadeira.
-- Não foi nada disso, vou te contar.
A comida chegou e enquanto comiam, Vládia contou a ela como sua pipoquinha havia sido encomendada. Comeram calmamente, a conversa fluía entre elas, nem parecia que haviam se magoado há alguns meses atrás. Terminaram de comer e como estava tarde, pediram a conta, Pâm brigou com a Dj para poder pagar sozinha, e depois de muita insistência ela venceu.
Dentro do carro Pâm perguntou.
-- Ainda mora no mesmo lugar?
-- Moro sim, você ainda lembra o caminho?
-- Chego lá com olhos vendados se for preciso.
Fizeram o trajeto até o apartamento da Dj cantando e rindo, Vládia se sentia solta, não tinha mais aquela apreensão que lhe era peculiar quando estava próxima da Pâm. Pâm estacionou na frente do prédio dela, e a olhando nos olhos disse.
-- Está entregue princesa, sã e salva.
-- Obrigada Pâm, não só pela carona, mas pelo jantar, pela companhia, pela conversa, enfim, obrigada pela noite agradável.
-- Nossa, quanta cerimônia Zammorah. – Ela disse arrancando risos da Dj.
-- O papo tá bom, mas tá na hora do sono dos justos, boa noite Pâm.
-- Boa noite mamãe Zammorah, dorme bem.
-- Você fica aqui até quando?
-- Volto na quinta para o Rio de Janeiro, por que?
-- Se der me liga e a gente marca alguma coisa, assim você conhece o pai do meu filhote.
-- Pode deixar, eu ligo sim, agora saia do meu carro ou te levo para o meu hotel.
-- Já to saindo, você é um perigo. – Vládia riu da cara indignada que ela fez.
Vládia foi beijar seu rosto enquanto se despedia dela, mas Pâm virou o rosto e tomou seus lábios num beijo doce e exigente, cheio de saudades e desejos, que foi correspondido profundamente pela Dj que se entregou aos lábios macios da morena do seu passado.
Quando se deu conta do que estava fazendo, Vládia se afastou sem graça, Pâm queria puxá-la de volta, mas respeitou, sabia assim como ela, que apesar do desejo latente que sentia pela Dj, esse beijo havia sido um erro, ela não pertencia mais a ela, amava outra pessoa, e que ela havia jogado fora a chance que a vida havia lhe dado de ser feliz ao lado da Dj.
-- Vládia, me desculpe, foi um erro, mas eu não resisti. – Pâm se desculpou sem jeito.
-- Pâm, você não beijou sozinha, eu correspondi, eu também quis.
-- Dj, acho que está na hora de você subir, precisa descansar, não deveria estar acordada até essa hora.
-- Acho que você tem razão, então, boa noite e mais uma vez obrigada pela sua companhia essa noite, fazia tempo que eu não tinha uma conversa e uma noite tão agradável.
-- A recíproca é verdadeira minha cara, mas agora desce logo desse carro. – Pâm brincou com ela.
-- Tô indo sua mal educada. Almoça com a gente amanhã? Voce já conhece a Rê, aproveita e conhece o Luiz.
-- Tá certo, eu não consigo dizer não para você mesmo. Que horas?
-- Acho que ao meio dia está bom.
-- Combinado, até amanhã então.
Vládia se despediu da Pâm e entrou em seu prédio, passou pelo André o porteiro da noite e foi em direção ao elevador apertando o botão e esperando ele chegar. Abriu a porta do apartamento e encontrou na sala a comitiva esperando por ela, estavam todos lá, Luiz, Renata, Silvinha, Paulinha e Pietra. Vládia fechou a porta, colocou a mochila em cima da mesa de jantar, Parou diante dos amigos e de braços cruzados disse.
-- Posso saber quem morreu para vocês estarem com essa cara de velório no meio da minha sala?
Silvinha foi a primeira a falar.
-- Posso saber onde a senhorita estava até essa hora? Por que com quem eu já sei.
-- No motel. – Vládia respondeu séria.
-- Não acredito que você teve coragem de ir prá cama com aquela vaca? – Silvinha quase gritou as palavras.
-- Ei, calma mocinha, é brincadeira tá. Apenas fui jantar com ela no japonês lá da orla, pode ligar e confirmar se quiser, agora não venha você me dizer o que devo ou não fazer, to cansada disso já. E só para avisar, amanhã ela vem almoçar aqui em casa. Agora, se me dão licença, preciso de um banho. – Disse isso e saiu em direção ao quarto.
Entrou no banheiro, colocou a banheira para enxer, pos os sais de banho e entrou tentando relaxar, quando se deu conta, lágrimas desciam de seus olhos, Vládia deu vazão as lágrimas, deixou que elas caíssem livremente.
Na sala, os amigos ainda pasmos com a resposta dura dela comentaram.
-- Nunca vi a branquinha explodir desse jeito, algo de muito sério aconteceu. – Paulinha falou.
-- Foi só a Pâm aparecer e ela ficou assim. – Silvinha disse.
-- Sil, acho que dessa vez não foi a Pâm, a Francis esteve na boate hoje a noite, eu a vi saindo da cabine de som, passou por mim com uma cara, se os olhos dela soltassem fogo, com certeza eu teria morrido incinerada hoje. – Renata disse.
-- O que anda acontecendo com a Fran, não consigo entender essas atitudes dela. Com certeza elas brigaram então, mais uma vez. – Pietra falou.
-- Eu vou lá falar com ela, vocês fiquem aqui, ela está nervosa e vocês sabem que ela tem dificuldades em se abrir. – Paulinha falou e foi em direção ao quarto da amiga.
Entrou no quarto e o viu vazio, caminhou até a porta do banheiro e como não ouviu o barulho do chuveiro, abriu a porta bem devagar e se deparou com a amiga abraçada as próprias pernas, tendo o corpo sendo sacudido pelos soluços que em vão ela tentava reprimir. Caminhou até o lado da banheira, tirou os sapatos e a calça, e entrou na banheira junto com a amiga, nas suas costas a abraçando e confortando, Vládia quando sentiu o abraço da amiga, se entregou e permitiu que o choro saísse, os soluços, antes reprimidos, agora saíam com força, e assim ela ficou por alguns minutos. Alguns minutos depois, mais calma, ela levantou os olhos e encontrou os da amiga, eles tinham preocupação e amor, Paulinha sempre foi diferente das outras, fazia coisas que as outras pessoas não teriam coragem de fazer, como por exemplo, entrar em uma banheira com roupa e tudo, apenas para oferecer um abraço e tentar confortar, para Vládia, ela era sua alma gêmea, um anjo disfarçado no corpo da sua amiga.
-- Choco, obrigada amiga, é sempre você a me acudir né?
-- Pois é, um dia eu vou cobrar isso, não tenho roupas para ir prá casa. – Disse beijando a pontinha do nariz da amiga.
-- Dorme comigo hoje? Preciso tanto de você, quero conversar.
-- Claro branquinha, vou só avisar para Pietra que vá embora com a Silvinha, daí serei só sua meu chocolate branco. – Paulinha conseguiu tirar um sorriso dos lábios da amiga.
-- Obrigada Paulinha.
Paulinha se levantou, saiu da banheira, tirou o resto da sua roupa que estava molhada e vestiu o roupão que estava em cima do armário de sais de banho e estava saindo quando Vládia falou.
-- Se eu soubesse que você se despia com essa sensualidade toda, eu teria me apaixonado por você choco.
-- Mais ainda branquinha? – Piscou para ela e saiu do banheiro em direção a sala.
Quando Paulinha entrou na sala, só de roupão, os amigos a olharam preocupados.
-- Aconteceu alguma coisa meu amor? – Pietra perguntou beijando a namorada.
-- Nada demais Píetra. – Paulinha contou a todos o que havia acontecido no banheiro.
-- Vou lá falar com ela, eu sempre faço merd*. – Silvinha falou.
-- Não vá Sil, dê um tempo para ela, ela está muito nervosa, precisa descansar, anda com a cabeça a mil, está sensível com a gravidez e a Francis fazendo um monte de merd* com a cabecinha dela, espere pelo menos até amanhã. Pietra, ela me pediu para dormir aqui, quer conversar, tudo bem para você?
-- Claro Paula, mas amor, você não trouxe roupa, vai dormir como? – Píetra perguntou.
-- Vou colocar um pijama dela e colocar as minhas roupas para secar na lavanderia.
Despediram-se e foram embora, Luiz pegou Renata pela mão e depois de falar para ela que não agarrasse ele durante o que restava da noite, seguiram para o quarto dele. Paulinha foi até a cozinha e preparou um café com essência de amêndoas e levou uma xícara para cada uma. Vládia estava deitada na cama e quando a amiga abriu a porta e entrou com as xícaras nas mãos, ela abriu os braços para amiga que depois de colocar as xícaras na mesa de cabeceira, aceitou o abraço.
-- Separei essas roupas para você. – Vládia disse apontando na poltrona. – Mas lingerie eu não tenho nenhuma nova para te dar, e as suas estão molhadas.
-- Não tem problema branquinha, durmo sem. – Piscou para amiga.
-- Ai, ai, ai, vai ser uma tentação e tanto. – Vládia suspirou.
Enquanto Vládia bebia seu café, Paulinha colocou a roupa que ela havia separado para ela, Paulinha notou que varias vezes Vládia virou o rosto para não olhar o corpo nu da amiga em sua frente, achou graça da atitude dela.
-- Que foi branquinha? – Paulinha perguntou deixando a amiga envergonhada.
-- Nada, é só que não me parece certo olhar seu corpo assim, tão desprovido de roupas.
-- Deixe de bobagens, não vamos fazer nada demais, somos amigas. Esse é o problema das pessoas, não imaginam que duas pessoas podem ser somente amigas a ponto de não sentirem desejo uma pela outra.
-- É verdade choco, você está certa.
Paulinha pegou o seu café e bebeu junto com a amiga, explicou a ela que Renata e Luiz estavam dormindo juntos e que as meninas haviam entendido que ela precisava dela naquela noite. Escovaram os dentes e deitaram, Paulinha abriu os braços recebendo Vládia que se aninhou neles e cheirou longamente o pescoço da amiga antes de dizer.
-- Tá cheirosa.
-- É para você amor da minha vida.
Conversaram durante horas, Vládia contou a ela como aconteceu seu encontro com a Pâm, como Francis as encontrou, a atitude dela, o jantar, a conversa, o beijo, quando falou do beijo, esperava uma reação da amiga que não veio, Paulinha nunca criticava a atitude de ninguém, ela tinha uma maneira muito diferente de ver as coisas, dizia sempre que as pessoas tinham que fazer o que realmente tinham vontade, mas apesar dessa forma de ver as coisas, ela sempre foi responsável. Paulinha deu a Vládia a sua opinião sobre as atitudes da Francis, assim como ela, não achava que a amiga estava em seu juízo perfeito.
-- O que será que está acontecendo com ela Paulinha?
-- Vládia, eu acho que essa história de casamento mexeu com ela, acho que a responsabilidade bateu na porta dela, ela não está sabendo como lidar com seus sentimentos.
-- Mas Paulinha, foi ela que falou de casamento, eu não toquei no assunto, se ela não queria, por que propôs?
-- Mas quem disse que ela não quer? Ela te ama Vlá e isso é fato, ela só não tá sabendo administrar essa enxurrada de sentimentos que está sentindo. Às vezes vemos coisas e por não sabermos exatamente como lidar com elas, simplesmente fechamos nossos olhos até surgir uma resposta.
-- Como você sabe disso tudo choco?
-- Veja o meu caso, por exemplo, acaso você acha que não sei o sentimento que a Silvinha tem pela Pietra? – Paulinha disse arrancando um suspiro da amiga.
-- Eu sempre soube que você sabia.
-- Então, mas por hora eu não sei como lidar com isso, eu sei que ela não procurou por isso, e eu a amo como uma irmã e não quero que ela saia da minha vida, e embora, por vezes eu ache que a recíproca é verdadeira, eu não posso tentar resolver isso agora. Eu sei que tenho culpa pela existência desse sentimento, se eu não tivesse deixado a Pi sair de casa, elas jamais teriam ficado tanto tempo juntas e esse sentimento talvez não existisse agora.
-- Poxa amiga, que barra. Mas eu posso te garantir, ela não procurou por isso e sofre muito por esse sentimento. Sofre por saber que ele nunca vai existir de ambas as partes, sofre por imaginar que ama a mulher da melhor amiga, sofre por que de certa forma ela acha que te traiu.
-- Eu sei disso tudo branquinha e ouso dizer que ela sofre mais do que eu, eu amo a Pietra, mas não é segredo que nosso relacionamento não anda bem das pernas, por isso acho que a Pi também tem algum tipo a mais de sentimento pela Sil, não sei qual, mas não é só amizade. Mas o que eu posso fazer? Já sei o desfecho dessa história amiga, só não tirei meu time de campo ainda, por que em meu coração ainda existe uma esperança, mesmo que ínfima, de que a gente vai se acertar e que tudo vai voltar ao normal, mas minha razão sabe que isso não vai acontecer.
-- Paulinha, eu sinto muito, sinto mesmo. Conheço a história de vocês, sei o quanto passaram até aqui e o tamanho do amor de vocês.
-- Eu estava super mal, mas depois que me deu essa pipoquinha para batizar, eu vi que não seria sozinha, que de certa forma eu sempre teria alguém em minha vida para amar, então amiga, eu só preciso de uma viagem para poder tomar por nós duas a decisão que a Pietra não tem coragem de tomar.
-- Mas Paula, você não pode terminar, a Sil tem noção que esse sentimento não pode crescer.
-- Meu chocolatinho branco favorito, quem manda nos sentimentos?
-- Essa resposta eu sei amiga, ninguém.
-- Então, ou eu termino agora e temos uma grande chance de dar continuidade a nossa amizade e respeito, ou eu deixo algo mais grave acontecer e eu perco tudo, e acredite em mim, é uma questão de tempo aquelas duas assumirem o sentimento que povoa as cabecinhas e os corações delas.
Vládia sentiu uma lágrima da amiga molhar seu rosto e a abraçou forte, se outras caíram ela não soube dizer, Paulinha apagou a luz e a abraçou, e assim, algum tempo depois, elas dormiram. Tiveram um sono tranqüilo, embora por vezes Paulinha acordou com Vládia se mexendo na cama.
Eram oito horas da manhã quando o barulho de algo se espatifando contra a parede tirou Vládia e Paulinha do sono. Paulinha sentou na cama e viu Francis parada em pé na porta, e ao procurar pelo quarto, achou os cacos da xícara que ela arremessou contra a parede.
-- Eu poderia esperar isso de qualquer pessoa Pandinha, menos de você. De você não. – Francis gritou com ela.
Vládia já estava levantando, mas Paulinha a segurou.
-- Se você está cega o problema é seu Francis, não meu.
-- Você vai me dizer que nada aconteceu aqui nesse quarto e nessa cama? E quanto a você Vládia, resolveu repassar todas as pessoas do seu convívio? Primeiro sua prima, depois a Pâm e agora a Paulinha? Ela é mulher da sua amiga. – Vládia chorava e seu corpo tremia, a essa altura, Luiz e Renata entravam no quarto dela levados pela gritaria.
Luiz se colocou ao lado da Vládia enquanto Paulinha se levantou e foi em direção a Francis que a olhou com raiva.
-- Fran, você não tem noção da besteira que tá falando. Acha mesmo que eu levaria a Vlá para cama? Você é minha amiga, ela é minha amiga, pelo amor de Deus, põe a mão na consciência.
-- Só por que você não consegue sequer segurar sua mulher, quer se meter com a minha? Todo mundo vê que a Pietra está totalmente envolvida com a Sil, estragou sua vida e agora quer estragar a minha? – Francis disse fazendo com que Paulinha começasse a chorar.
-- Você não sabe o que está falando, mas eu não vou levar em consideração devido ao seu estado, apesar de tudo, você é minha amiga.
-- Era, não sou mais, não tenho amiga traíra.
-- Pessoal, tem certeza que isso é tudo é realmente necessário? Francis, não diga nada que possa magoar ainda mais a Vládia e você. – Renata disse.
-- Magoar? Essazinha nunca se preocupou em me magoar, ela não merece meu respeito.
Paulinha chegou mais perto dela e disse.
-- Você não vai falar assim com ela, não na minha frente. – Paulinha defendeu a amiga.
-- Paulinha deixa ela, vem para cá. – Vládia chamou à amiga.
-- Tenho pena de você Fran, está jogando fora talvez sua única oportunidade de ser feliz. Você é simplesmente louca, só pode. Vai embora que é o melhor que você faz.
-- Vou sim, mas antes preciso fazer uma coisa.
E puxando Paulinha para que ficasse de frente para ela, acertou, a antes amiga, com um soco que a deixou atordoada levando-a ao chão. Vládia gritou e correu ao corpo caído da amiga, tinha um filete de sangue que escorria pelo canto da sua boca. Luiz se valendo dos 1,90, abraçou a Francis a tirando de dentro do quarto e levando-a em direção a porta.
-- Escuta aqui mocinha, eu não tenho o hábito de bater em ninguém, muito menos em mulher, mas se você não se controlar te coloco pra dormir. A Vládia não pode ter esse estresse todo, ela precisa ficar calma e você não tá ajudando.
Vládia entrou na sala intepestivamente gritando com ela.
-- Fora da minha casa, fora da minha vida, desaparece Francis, eu não quero mais olhar pra tua cara. – Vládia disse enquanto abria a porta para que ela saísse.
-- Com todo prazer, quem não te quer na minha vida sou eu, não mais, não essa leviana que você se tornou.
Dizendo isso saiu da casa e da vida da Vládia, ela estava cega pelo ciúmes doentio, não tinha noção do quanto havia magoado as duas pessoas que mais a amavam.
Lá dentro, Vládia correu para o quarto para ver como a amiga estava, ela sabia que as palavras da Francis sobre a relação da Sil com a Pietra haviam machucado muito mais do que o soco que ela dera. Paulinha estava sentada na cama e tinha uma Renata entre suas pernas fazendo um curativo nos lábios cortados. Vládia se aproximou da Paulinha e a abraçou.
-- Desculpa Paulinha, pelo machucado, pelas coisas horríveis que ela te disse, me perdoa.
-- Branquinha, você não teve culpa, e ela não disse nenhuma mentira, e eu faria tudo de novo, mas ela não iria te ofender, não na minha frente, eu nunca permitiria.
-- Eu te amo Paulinha, amo muito.
-- Eu sei Vlá, eu também te amo.
Vládia sentia na alma a dor da amiga, não só a dor física, mas a moral, essa ela sabia, seria a mais difícil de esquecer e perdoar.
Luiz fez um café e levou até o quarto para as meninas, por algum tempo, os quatro ficaram em silêncio, apenas tomando café e presos cada um com seus pensamentos, todos ouviram as revelações que Francis havia feito acerca do relacionamento da Paulinha com a Pietra, e os sentimentos que ligavam Pietra a Silvinha, e o que até então era segredo, fora jogado para fora, para quem quisesse ouvir. Paulinha estava calada, sentada na cama ao lado de Vládia, tinha suas mãos entrelaçadas com a da amiga, que em vão tentava passar uma tranqüilidade que ela sequer tinha. Naquela manhã, vários laços haviam sido quebrados, os da amizade, do amor e principalmente, o respeito. Silenciosamente, Paulinha levantou e caminhou até o banheiro, tinha lágrimas nos olhos.
-- Branquela, tudo bem com você? – Luiz perguntou acariciando o rosto da amiga.
-- Eu não sei Luiz, não consigo definir o que estou sentindo, mas minha preocupação agora é com a Paula, Francis não tinha o direito de dizer aquelas palavras duras a ela.
-- Mas o que ela disse, é sério, quero dizer, é verdade mesmo? – Luiz perguntou.
-- É sim Luiz, ontem ela me disse que sabia, eu já havia percebido e a Sil confirmou, existe um sentimento, que até então eu pensava ser apenas da parte dela, mas pelo visto não é.
-- A Paulinha deve estar arrasada. – O amigo comentou.
Renata que até então estava quase catatônica, finalmente falou.
-- Eu pensei que o amor secreto da Sil fosse a Paulinha, ela era sempre tão atenciosa com ela, carinhosa até.
-- Peso na consciência, ela não se perdoa por amar a mulher da sua melhor amiga. Paulinha tem uma chama que atrai as pessoas, quando você a conhece é impossível não amar o ser humano que ela é.
O interfone tocando atraiu Luiz e Renata até a sala para atender enquanto Vládia foi até o banheiro ver como estava a amiga. Encontrou Paulinha sentada no chão com a cabeça apoiada nas mãos, sentou-se ao lado da amiga e a envolveu nos seus braços.
-- Você está melhor Pandinha?
-- Eu to, e você branquinha?
-- Não sei.
Luiz bateu na porta e entrando disse que Pâm estava subindo, Vládia se levantou e puxou consigo a amiga que andava ao lado dela de forma mecânica.
Pâm entrou e Vládia apresentou ela ao Luiz que gostou dela de cara, sentaram todos na sala, Vládia foi até a cozinha e pegou alguns copos e uma garrafa de refrigerante para que eles pudessem beber algo antes de pedirem o almoço.
Pâm sentiu que o clima estava bem pesado naquele ambiente, viu que as pessoas ali se esforçavam muito para que parecesse que tudo estava bem, mas ela sabia que não estava.
-- Gente, posso dizer uma coisa para vocês? – Pâm perguntou.
-- Claro Pâm. – Luiz respondeu.
-- Vocês são péssimos atores, portanto se não querem me contar o que aconteceu tudo bem, mas não fiquem tentando fazer parecer que está tudo bem por que vocês não convencem nem uma criança, quanto mais a mim.
-- Havia esquecido que você analisa profundamente as coisas ao seu redor, mas não tem segredo nenhum, vou te contar o que houve. – Vládia disse.
Vládia contou a Pâm o ocorrido, omitindo as palavras que a Francis dirigiu a Paulinha, ela ouviu tudo calada, as vezes fazia uma caretas, mas não interrompeu a narrativa da Dj, apenas quando ela terminou de falar Pâm se pronunciou.
-- Ela é louca Vládia, pensar isso de você com sua prima depois com a Paulinha. Manda ela se tratar.
-- Pois é Pâm, acho que tem algo acontecendo com ela, mas sinceramente, eu não quero saber, não mais, acabou.
-- Vládia, eu acho que você deveria se afastar daqui por uns tempos, você ainda tem a casa dos seus pais no interior de SP, por que não vai passar uns tempos lá? Acho que seria bom para você e o bebê, vocês precisam de paz e sossego e me parece que aqui você não vai conseguir ter isso.
-- Acho uma boa idéia Vlá, assim você e minha pipoquinha podem descansar um pouco, dessa vez essa louca saiu daqui como entrou, mas da próxima eu mostro a ela o que acontece com quem magoa os meus. – Luiz disse.
-- Vamos Vlá, se não quiser ficar na casa dos seus pais, fica em casa comigo, eu vou adorar ter vocês por lá.
-- Não sei, mas vou pensar com carinho no complô de vocês. – Vládia disse.
-- Se você for e me levar, vou resolver aquele impasse na minha vida. – Paulinha falou.
-- Você tem certeza disso Choco?
-- Não posso mais adiar essa situação, ela está me matando aos poucos Vládia, não tem outra solução.
Vládia caminhou até a amiga e sentando-se em seu colo, depositou um beijo na sua face e falou.
-- Se você está dizendo, é só me dizer quando quer viajar.
-- Vou até em casa e te ligo a noite para dizer, mas acho que volto para cá ainda hoje, de mala e cuia como você mesma diz. – Falou com os olhos marejados.
-- Você sabe que pode contar comigo para o que precisar meu amor.
-- Sei sim Branquinha, só por isso vou resolver de uma vez por todas essa situação, acho que pelo menos duas de nós merecem ser felizes não acha?
Dizendo isso se levantou e foi até o quarto trocar de roupas para ir para casa e tentar da melhor forma possível resolver sua vida, sabia que daquele dia em diante começaria uma nova etapa da sua vida, e aquela viagem havia sido providencial em sua vida agora. Saiu da casa da amiga depois de recusar todo tipo de carona oferecido, precisava caminhar para colocar as idéias em ordem na cabeça, afinal, iria terminar uma relação de anos e apesar de todos os contratempos, amava Pietra, amava tanto que decidiu dar a ela a oportunidade de ser feliz afinal o que era o amor senão a busca iminente de fazer a pessoa amada feliz?
E com esse pensamento ela seguiu em direção a casa que morava com a Pietra, já era quase uma da tarde, Pietra logo chegaria do trabalho e elas poderiam conversar. Ao entrar em casa foi direto ao quarto que dividia com a mulher, abriu as janelas deixando o sol entrar, pegou a mala que estava em cima do guarda roupas e começou colocar algumas peças dentro dela, não levaria tudo agora, apesar da casa ser dela, ela não deixaria que Pietra saísse, pelo menos não agora, iria viajar e quando voltasse pegaria um dos apartamentos seus que seu pai administrava e se mudaria para ele, até por que sabia que não conseguiria viver naquela sem a presença da Pietra. Foi ali que começaram uma vida em comum, onde fizeram planos, onde se amaram inúmeras vezes e fizeram juras de amor eterno, que agora Paulinha sabia que não seria tão eterno assim. De recordação pegou apenas a primeira foto que elas tiraram juntas naquela casa, estavam na cama, Paulinha havia acordado ela com flores e café na cama, amava aquela foto, levaria essa, sabia que Pietra tinha uma igualzinha na carteira.
Nem viu o tempo passar, só notou quando escutou Pietra abrindo a porta e chamando por ela que apenas respondeu que estava no quarto. Quando chegou lá e viu a mala pronta ao lado da porta ela perguntou.
-- Oi amor, vai viajar? – Disse beijando de leve os lábios da mulher.
-- Vou, mas antes a gente precisa conversar, senta aqui do meu lado. – Estendeu a mão a puxando para sentar ao seu lado.
-- Que acontece Paula? Você tá estranha.
-- Nada que não deveria ter acontecido antes Pietra.
-- Paula, você está me assustando, o que foi?
-- Pietra, você não tem nada para me falar?
-- Não, por que?
-- Tem certeza?
-- Claro que eu tenho.
-- Tá certo, então eu digo por você.
-- Pietra, tá na cara que você e a Sil estão envolvidas, eu não sei até que ponto, mas que existe um sentimento entre vocês está mais do que claro, e não é só para mim.
-- Paula, não existe nada entre mim e a Silvinha.
-- Não to dizendo que você me traiu, to dizendo que existe um sentimento forte, e eu sinto que estou empatando sua vida, a dela e a minha também.
-- Paula, eu juro, não procurei por isso, quando dei por mim ele já estava aqui, mas é passageiro, eu sei que vai passar, fica comigo amor, eu te amo.
-- Não duvido do seu amor por mim, só que ele não é mais o amor de antes, aquele carregado de desejo, que faz o corpo incendiar com apenas um toque ou um pensamento, é um amor de amiga Pietra, e eu sinceramente, quero mais do que isso, mereço mais do que isso minha linda. – Abraçou Pietra e as duas se entregaram a esse abraço, cheio de recordações.
-- Mas você não tem que sair de casa, essa casa é sua Paula, se alguém aqui tem que sair, esse alguém sou eu.
-- Pietra, eu vou viajar com a Vládia, ela está indo passar uns tempos em SP na casa que era dos pais dela, aconteceu algo muito chato hoje pela manhã e ela resolveu viajar.
-- Não Paula, só me dá uns dias para eu encontrar um apê para alugar.
-- Pietra, mesmo quando voltar, não virei morar aqui, não conseguiria viver aqui com as recordações, pode ficar o tempo que precisar, é sério, eu prefiro assim.
-- Tá certo. Você disse que aconteceu alguma coisa hoje, o que foi?
Paulinha contou a ela o episódio do apartamento da Vládia, o ataque que a Fran teve ao encontrá-las dormindo na cama da Dj.
-- A Fran surtou de vez Paula, ela precisa se tratar, onde já viu ela achar que você e a branquinha tinham passado a noite juntas dessa forma?
Conversaram mais algum tempo, ao contrário do que Paulinha achou, ela estava se sentindo mais leve, mas a idéia de que jamais tocaria aquela mulher como antes, não teria mais os beijos doces que tanto amava, ainda apertavam seu peito e por vezes achou que não iria agüentar, mas já tinha tomado uma decisão e não poderia voltar atrás. Se despediram em meio as lágrimas que ambas se permitiram derramar e Paulinha seguiu para casa da Dj em sua moto, queria que o vento em seu rosto levasse com ele aquela dor que ela tinha dentro do peito.
Chegou ao apartamento da Dj e foi recepcionada pela mesma, que de braços abertos a acolheu e ao se sentir nos braços da amiga, Paulinha deixou que as lágrimas caíssem e ali chorou ate não ter mais lágrimas para sair. Não tinha ninguém na casa, apenas elas, Vládia a levou até seu quarto e a colocou sentada na poltrona, foi no banheiro e colocou a banheira para enxer, colocou sais de banho e foi buscar a amiga que tinha o olhar perdido, ajudou ela a retirar as roupas e a colocou dentro da banheira, a água quente fez com que aos poucos, Paulinha conseguisse relaxar.
Vládia saiu do banheiro e foi até a cozinha preparar um café bem forte para ambas, ela queria entender como foi que sua vida virou de pernas pro ar em tão pouco tempo, parecia que um furacão havia passado por ela e revirado tudo. O café ficou pronto, ela pegou duas xícaras e foi para o banheiro, Paulinha estava do jeito que ela havia deixado, pegou a xícara que a amiga estendia para ela e bebeu um generoso gole.
-- Como você está choco?
-- Em pedaços, foi mais difícil do que eu pensei que seria Vlá, tá doendo muito.
-- Eu sei Paulinha, mas acredite em mim amiga, passa, um dia passa. – Afagou os cabelos da amiga que estava preso em um coque no alto da cabeça.
Deixou a amiga sozinha com seus pensamentos e foi para sala, estava um calor ameno, pegou um cigarro e sentou na varanda decidindo se acendia ou não quando parou os olhos na aliança que tinha no dedo, lembrou da felicidade que sentiu ao ganhar aquele presente da Francis, da doçura que a outra tinha nos olhos e que em nada se parecia com a pessoa transtornada que havia estado na sua casa àquela manhã. Decidiu por fim acender o cigarro sabia que não deveria, mas naquela hora ela precisava, fumou calmamente o cigarro ali sozinha na varanda do seu apartamento.
Algum tempo depois, ouviu o barulho dos amigos que voltavam da rua, Luiz foi o primeiro a encontrar com ela sendo seguido pela Renata e pela Pâm que riam de algo que ela não soube o que era, mas achou engraçada a sintonia das duas.
-- Ela já chegou? – Luiz perguntou a ela que apenas balançou a cabeça de forma positiva.
-- Como ela está?
-- Acabada Luiz, os olhos perderam o brilho, o coração está dilacerado, a deixei tomando um banho na banheira para ver se ela relaxa um pouco.
--Muito linda a atitude dela, foi de um caráter invejável.
-- A Paulinha é assim meu amigo, um ser humano ímpar.
-- Vlá, estivemos pensando, devido aos fatos ocorridos nas últimas vinte e quatro horas, acho melhor irmos amanhã para SP, o que você acha?
-- Por mim tudo bem Luiz, e acho que para a Paula também, acho até que será melhor para ela.
-- Se vocês quiserem eu levo a Rê para comprar as passagens? – Pâm se prontificou, o que fez com que todos olhassem para ela.
-- Deixa só eu pegar os documentos da Paula então, daí vocês duas vão. – Vládia disse achando graça da cara das duas.
Vládia foi para o quarto e disse a Paula que precisava dos documentos para poder comprar as passagens, ela disse onde estavam, Vládia pegou e voltou para sala junto com os seus entregando para Renata que em seguida saiu com a Pâm.
-- Só eu percebi ou você também percebeu Luiz?
-- Pois é, depois que essa sapa iniciante saiu do armário ninguém segura. Você acredita que durante o passeio, elas simplesmente me ignoraram? Pareciam amigas de longa data.
-- As duas são muito parecidas, acho que vão se dar muito bem, pelo menos até Renata resolver colocar o cabresto na Pâm. – Os dois riram do comentário da Dj.
Luiz estava cansado, disse que iria tomar um banho e deitar um pouco, combinaram de pedir algo para comerem em casa mesmo, nenhum deles tinha ânimo para sair, Vládia foi até o quarto arrumar suas coisas para a viagem que fariam no dia seguinte. Paulinha estava deitada na cama, ainda enrolada na toalha, tinha o olhar vazio, perdido em algum lugar que só ela sabia, Vládia sentiu um aperto no peito em ver a amiga tão frágil daquele jeito, em nada se parecia com sua amiga extrovertida, aproximou-se da cama e sentou ao lado da amiga que olhou para ela e esboçou um sorriso deitando em seu colo.
-- Pandinha, você tem certeza que fez a coisa certa?
-- Tenho sim branquinha.
-- Como você sabe?
-- Ela sequer notou o inchaço em meus lábios Vlá, você acha que se o amor ainda fosse o mesmo ela não notaria?
-- Eu não agüento te ver tão triste assim, me parte o coração.
-- Não se preocupe comigo branquinha, como você mesma me disse, passa, um dia vai passar não é?
Foram interrompidas pelo celular da Dj que tocava, ela se levantou para atender, no visor viu o nome da Pietra, pegou o celular e foi atender na sala.
-- Oi Pi, tudo bem com você?
-- Tô indo Vlá, obrigada por perguntar.
-- Pietra, eu me importo com vocês duas, queria tanto que nada disso tivesse acontecido.
-- Eu também não queria branquinha, meu mundo desabou e eu não to sabendo o que fazer com ele.
-- Eu imagino amiga.
-- Ela tá aí?
-- Tá sim Pietra, tá deitada.
-- Ainda bem, não queria ela vagando pelas ruas em cima daquela moto e nervosa. Como ela está?
-- Despedaçada, tentando juntar os pedaços para tentar colar.
-- Ela me disse que vocês vão viajar, posso saber quando Vlá?
-- Se a Renata conseguir comprar as passagens vamos amanhã.
-- Vlá eu sei que nem preciso te pedir isso, mas vou pedir mesmo assim, cuida dela prá mim, apesar desse corpão todo, ela é uma criança.
-- Sabe que eu farei tudo que puder para ajudá-la, mas tem certas coisas que fogem das minhas mãos. Essa dor ela vai sentir Pi, se eu pudesse arrancaria dela, mas não posso.
-- Eu sei, mas mesmo assim, obrigada Vlá.
-- Pietra, você tá bem mesmo?
-- Não sei, estou anestesiada ainda e envergonhada, por que de certa forma, fiquei aliviada, não agüentava mais essa situação.
-- Você já falou com a Sil?
-- Não, ela me ligou, mas não atendi, preciso por as coisas em ordem na minha cabeça antes de falar com ela.
-- Ai amiga, que situação, eu não queria estar na sua pele.
Conversaram por mais algum tempo e quando as meninas voltavam do aeroporto, Vládia desligou o celular. Pâm e Renata compraram as passagens para a manhã do dia seguinte.
A noite pediram uma pizza, Paulinha passou o tempo todo com a Dj, só comeu quando Vládia brigou com ela e deu a pizza na boca dela que comeu com uma cara infezada. O clima entre Renata e Pâm estava cada vez mais visível, até Paulinha que parecia alheia a tudo, viu o clima e comentou com a amiga. Terminaram de comer e foram arrumar as coisas, Paulinha e Luiz foram para sacada da varanda fumar um cigarro e Vládia foi tomar banho. Quando saiu do banheiro, encontrou Renata sentada em sua cama.
-- Que foi Rê?
-- Er... Preciso falar com você.
-- Você esta hipnotizada pela Pâm e quer saber se eu me importo?
-- Putz, tá tão na cara assim?
-- Parece um letreiro colorido brilhando e piscando sem parar. Mas eu não me importo não Rê, apenas tenha certeza se ela também quer, e não espere nada muito sério com ela, ela não é dada a relacionamentos sérios.
-- Já conversamos sobre isso, não se preocupe.
Beijou a prima e saiu do quarto correndo para encontrar sua morena, Vládia sentiu um certo ciúmes, afinal até agora, a morena havia sido somente sua, mas achou graça na empolgação da prima. Colocou um piijama e sentada na cama sentiu seu filhote mexer na barriga, se perdeu naquela sensação maravilhosa e inevitavelmente lembrou do quanto Francis gostava de sentir ele se mexer, ficava horas conversando com ele até que ele se acalmava e parecia dormir lá dentro.
Levantou da cama e foi para sala, encontrou apenas Luiz e Paula sentados na varanda. Paulinha abriu os braços e acolheu a amiga em seu colo.
-- Cadê a Pâm e a Rê?
-- Saíram amiga, e pelas carinhas que eu vi não voltam hoje, acho que vou ter que levar a bagagem da Renata. – Luiz respondeu.
-- O que aconteceu com as pessoas nos últimos dias? Alguem sabe me responder?
-- Branquinha, se você descobrir me conta? Por que eu também não sei.
Os amigos riram e ficaram conversando até quase meia noite quando decidiram que era hora de dormir, viajariam as onze horas, e pelo menos para duas pessoas que iriam nessa viagem, seria uma nova fase na vida, um recomeço, cada uma delas tentando juntar os cacos e montar de novo os corações.
O dia amanheceu como a vida de Paula e Vládia, nublado, a DJ acordou a amiga que passou a noite revirando no colchão não dormindo nem deixando a amiga dormir.
Tomaram banho e fizeram de conta que comiam algo durante o café da manhã, quando Luiz sentou a mesa, Vládia falou.
-- Bom dia Luiz, sabe se a Renata já levantou? Temos que sair logo senão perdemos o vôo.
-- Ela nem dormiu em casa Vlá, acho que ela resolveu sair de vez do armário.
-- Vamos para o aeroporto e ela nos encontra lá, vou ligar para ela enquanto você toma seu café.
-- Já liguei, caixa postal, deixei recado para ela nos encontrar lá.
Terminaram o café e pegaram as malas enquanto Vládia pedia a seu Antonio que chamasse um táxi no ponto da esquina. O trajeto até o aeroporto foi tranqüilo, chegaram antes do horário previsto. Os amigos ficaram passeando esperando a hora de fazer o check in e embarcar as bagagens.
-- Vládia vou ligar para essa doida pela última vez. – Tirou o celular do bolso e discou.
-- Renata, eu juro que essa é a última vez que eu te ligo, se você não chegar em 10 minutos aqui, eu juro que embarco e deixo sua bagagem aqui no meio do saguão do aeroporto. – Desligou o celular e foi com as amigas que riam da cara dele em direção ao guichê.
Estavam chegando à fila quando uma Renata quase sem ar chegou até eles sendo seguida por uma Pâm que tinha um sorriso nos lábios, mas que quando chegou precisou tomar um ar antes de falar qualquer coisa.
-- Desulpem o atraso, foi minha culpa. – Pâm falou.
-- Nem vem não morena, sei que essa senhorita aqui tem e muita, culpa nesse atraso. – Luiz falou.
-- Ai gente, me atrasei só um pouquinho. – Renata brincou.
-- Tá, você já me fez de carregador por um bom tempo, agora pega você suas malas. – Luiz entregou as malas dela que estavam em seu carrinho fazendo bico.
Fizeram o check in e se dirigiram ao portão de embarque, Paula tinha os olhos voltados para a porta de entrada do aeroporto e um desconforto visível cada vez que consultava seu relógio.
-- Pandinha, ela não vem. – Vládia disse se enroscando nos braços da amiga.
-- Eu sei Vlá, mas no fundo eu queria que ela viesse e me dissesse que tudo não passa de um engano.
-- Por que você não liga para ela? Para se despedir?
-- Não branquinha, essa eu perdi e preciso aprender a conviver com isso. – Vládia abraçou a amiga.
-- À partir de hoje pandinha, começaremos uma nova fase em nossas vidas, eu, você e o Adrian.
-- Sem ninguém para nos magoar, só nós três.
Ouviram o último chamado para o vôo com destino a SP, Pâm e Renata tinham os olhos marejados, e vendo aquela cena, Vládia teve a sensação de que sua história não se repeteria, não dessa vez, Pâm parecia realmente querer se envolver.
-- Vlá, eu espero que as coisas voltem ao lugar em sua vida, quero que você seja realmente feliz. – Pâm disse ao abraçar a Dj se despedindo.
-- Pâm, eu também quero, aliás é o que eu mais quero, meu filho me basta, chega de pessoas complicadas.
Todos se despediram dela, inclusive Paulinha que a abraçou de forma sincera. Entraram no avião, e quando esse decolou, um misto de saudade por tudo que ficou e de ansiedade por tudo que viria pela frente, invadiu o coração das duas amigas.
Fim do capítulo
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