Capítulo 7
Na fazenda, Pietra e Francis tentavam dar banho em uma Silvinha bêbada.
-- Maria Sílvia, juro que eu vou te jogar na piscina se você não entrar nesse chuveiro agora, me entendeu? – Francis a sacudiu.
-- Você é muuiiito chata Francis, some por 2 anos e depois volta achando que nada aconteceu e que as pessoas ainda estão a sua disposição.. – Pietra interrompeu.
-- Chega Silvinha! Você não está contente da Vlá ter ido embora e agora vai fazer com a Francis a mesma coisa?
-- Você tem razão Pietra, eu exagerei, não menti, mas exagerei. Que burra que eu sou.
-- Agora não adianta se arrepender, depois você conversa com ela e pede desculpas, agora já para o banho.
Silvinha tomou banho sob os olhares atentos de Francis e Pietra que esperaram por ela no banheiro. Banho tomado, o efeito do álcool já havia diminuído e a consciência da Silvinha já começava a pesar.
-- Francis, me desculpa pelo que eu te disse lá no banheiro.
-- Maria Sílvia, não é para mim que você tem que pedir desculpas.
Silvinha já se preparava para mais uma frase quando o celular da Francis tocou, no visor, o número da Vládia apareceu, imediatamente ela atendeu.
-- Docinho, você já chegou?
-- A senhora conhece uma moça que tem um carro pérola, modelo Fiat 500? – Do outro lado da linha um homem indagou.
-- É a Vládia, minha amiga e esse celular é dela, quem tá falando? O que aconteceu? – Francis levantou a mão para Silvinha e Pietra que faziam gestos querendo saber o que estava acontecendo.
-- Senhora, por favor, tente manter a calma, sou o Sargento Dimas, Polícia Rodoviária, sua amiga sofreu um acidente.
-- Não! – Francis gritou antes de cair sentada no chão, ainda com o celular no ouvido.
--Como ela tá?
-- Senhora, se acalme, não tenho essa informação, só posso lhe dizer que ela está viva, mas desacordada e não sabemos a gravidade dos machucados.
-- Estou indo imediatamente para o local.
-- Procure por mim assim que chegar aqui, sim? – disse o Sargento e explicando onde fora o acidente, desligou.
-- Tá certo, obrigada sargento. – Francis desligou o celular e se virou para Silvinha.
-- Sabe rezar Silvinha? Você tem fé? – Indagou com raiva no olhar.
-- Sei...sim... Por quê? – Balbuciou Silvinha sem entender
-- Então comece, a Vládia sofreu um acidente, eu to indo para lá.
-- Espera Francis, como assim a branquinha sofreu um acidente? – Pietra perguntou com lágrimas nos olhos.
-- Não sei como foi, o sargento não me disse o que aconteceu, só me disse que ela tá viva, porém desacordada, quem vai comigo?
-- Vamos todas Francis, me deixa só pegar minha bolsa e chamar a Paula.
-- Te espero no carro, não demorem. Você vai comigo Maria Sílvia?
-- Vou, deixa só pegar minha bolsa.
Em poucos minutos elas saíram da fazenda e seguiram para o local do acidente.
***
Acordei com o barulho de sirenes e uma voz masculina que ao longe parecia falar comigo.
-- Moça! Moça, tá me ouvindo?
Eu tentava responder, mas minha voz não saía, eu queria gritar me esforcei para gritar, mas a única coisa que saiu da minha boca foi um gemido de dor, meu braço esquerdo doía demais, tentei puxar, mas ele estava preso, o mesmo ocorreu com minhas pernas, à voz masculina ainda me chamava, agora estava mais perto, consegui abrir meus olhos e encontrei um homem que usava uma farda que na hora não consegui identificar.
-- Ela está viva, abriu os olhos. – Ele se virou e gritou para alguém que estava do outro lado.
-- Moça, procure ficar acordada, consegue me dizer onde se machucou?
-- Meu...braço....pernas. – Foi a única coisa que consegui dizer antes de apagar de novo.
***
Quando Francis e as meninas chegaram ao local do acidente, não acreditaram na quantidade de viaturas que havia no lugar, Francis parou o carro e saiu correndo em direção ao aglomerado de pessoas que havia próximo dela, parou diante do cordão de isolamento e assim que teve coragem de olhar para frente, levou a mão ao peito diante da cena que viu, o carro da Vládia estava com as rodas para cima, todo amassado, o que indicava que havia capotado mais de uma vez, o asfalto estava marcado com a tinta do carro e um caminho de estilhaços de vidros começava há uns 100 metros antes do local de onde o carro se encontrava, havia policiais e bombeiros ao redor do carro, o que indicava que Vládia ainda estava ali, ia furar o isolamento quando sentiu mãos segurando seu braço, e se virou pronta para protestar quando viu que era um policial.
-- Acredito que foi com a senhorita que eu falei mais cedo no telefone hoje, sou o sargento Dimas. – Francis estendeu a mão a ele se apresentando.
-- Oi Sargento Dimas, sou a Francis, foi comigo sim que o senhor falou.
Seguimos em direção as meninas, Silvinha e Pietra choravam abraçadas e Paulinha fumava um cigarro ao lado delas com um choro silencioso, apresentei a elas o sargento Dimas.
-- O senhor sabe me dizer como que aconteceu? –Francis perguntou.
-- Segundo nos informou à testemunha que nos ligou, ela estava em alta velocidade, passou por um buraco, o pneu do carro estourou fazendo com que o carro capotasse por 4 ou 5 vezes, só não caiu na ribanceira por que parou na árvore. Você sabe me dizer se ela ingeriu bebida alcoólica?
-- Não, ela acordou cedo, tomou café da manhã e saiu, sabe me dizer como ela está?
-- Não vou mentir para vocês, ela está presa nas ferragens, mas abriu os olhos e disse que o braço e as pernas doíam, tem um corte na cabeça e várias escoriações pelo corpo.
Depois de ouvir o estado que ela estava, Francis precisou se apoiar no carro, Silvinha e Pietra voltaram a chorar, Paulinha abraçou Francis pela cintura e disse em seu ouvido.
-- Ela é forte Fran, é teimosa, vai sair dessa.
Ouvimos o barulho de um helicóptero que se aproximava e começava a pousar no meio na pista, o sargento pediu licença dizendo que voltaria com notícias. Pouco tempo depois, vimos uma maca ser levada em direção ao helicóptero, em cima uma pessoa com as roupas sujas de sangue, o sargento voltou dizendo.
-- Ela vai ser levada de helicóptero, pois está com a respiração fraca e assim será mais rápido, querem que a leve para algum hospital? Ela tem plano de saúde?
Francis deu a ele o nome do hospital e do plano de saúde dela, pegou os pertences que eles tiraram do carro e seguiram em direção à Recife, para o hospital que Francis havia pedido que ela fosse levada.
O trajeto pareceu demorar dez vezes mais do que o normal, deixaram os carros no estacionamento e seguiram para dentro do hospital. Chegando à recepção, Francis logo foi pedindo informações.
-- Quero saber de uma paciente que foi trazida para cá, Vládia Christine Zammorah, sofreu um acidente de carro. – A recepcionista me olhou e disse.
-- A senhora é da família? Só damos informações para familiares.
-- Somos a família que ela tem aqui.
-- Sinto muito, vou avisar o médico que vocês estão aqui, se ele decidir falar sobre a paciente ele pode, nós não, pode aguardar ali naquelas cadeiras. – Disse apontando para umas cadeiras que se encontravam no canto da sala.
-- Moça, acho que você não entendeu, somos a família dela aqui e temos o direito de saber notícias dela entendeu?
Paulinha pediu desculpas a moça que me olhava aterrorizada e me puxou até as cadeiras que ela havia nos mostrados, me sentei contrariada, depois de quase 40 minutos, um homem de mais ou menos 50 anos apareceu.
-- Sou o Dr. Cláudio Carrone, me disseram que vocês querem saber da paciente do acidente.
-- Sim Dr., como ela está? - Pietra perguntou.
-- Primeiro preciso saber, vocês são da família? Só podemos dar informações para familiares.
-- Dr, por favor entenda, somos a família dela aqui, ela tem um irmão que mora na Espanha, mas não se falam há muito tempo. – Pietra explicou ao Dr.
-- Sinto muito, mas.... – Francis não deixou ele terminar.
-- Ela é minha mulher. – Disse ficando em pé parada na frente dele.
-- Desculpe, como disse? – Ele olhou assustado para Francis.
-- Minha mulher, minha esposa, a mulher que eu amo, entendeu? – As meninas olharam para ela sem entender.
-- Entendi, mas ainda assim...- Ela interrompeu de novo.
-- Dr, não tenho uma certidão de casamento para provar o que estou lhe dizendo, mas posso garantir que digo a verdade.
-- Elas são casadas sim Dr, posso lhe garantir isso. – Pietra se pronunciava para surpresa de todas, elas sabiam que Pietra detestava mentira, mas essa era necessária.
-- Tudo bem, já entendi e me desculpem pela minha reação, fui pego de surpresa. – Ele se desculpou, estava visivelmente envergonhado.
-- Deixe as desculpas para depois, agora nos diga como ela está.
-- Sim, claro. Ela teve uma parada cardíaca no helicóptero, mas eles a trouxeram de volta, tem um corte profundo na cabeça, quebrou um braço, duas costelas e a perna direita em 3 lugares, está sendo operada nesse momento, por enquanto é só o que posso dizer.
-- Ela vai ficar bem? – Silvinha perguntou.
-- Só poderei te dizer depois da cirurgia, a princípio, os exames não acusaram nada, mas vamos repeti-los depois da cirurgia.
-- Quanto tempo vai demorar?
-- Umas quatro horas.
-- Obrigada Doutor, vamos esperar aqui, assim que tiver notícias nos avise sim.
-- Avisarei, agora se me derem licença, vou voltar para a emergência.
Despedimos-nos do médico e ficamos em silêncio, cada uma com seus pensamentos e orações, Silvinha se levantou e foi até a recepcionista, falou qualquer coisa com ela e saiu por uma porta, voltou pouco tempo depois com uma bandeja descartável trazendo 4 copos de café.
-- Fran, você ainda toma descafeínado sem açúcar? – Pergunto estendendo um copo.
-- É sim, obrigada.
Ela entregou as meninas um copo cada uma voltou a se sentar, já eram quase 7hs da noite quando o médico voltou para a sala de espera.
-- E aí doutor, como foi? – Quando a Francis ouviu a pergunta da Paulinha, pulou da cadeira.
-- A cirurgia foi bem, colocamos 3 pinos e uma placa de titânio no osso da panturrilha, mas ela teve 3 paradas cardíacas e resolvemos colocá-la em coma induzido para que se recupere, ela vai ficar na UTI por pelo menos 3 dias. Acho que vocês deveriam ir para casa, não podem vê-la e qualquer mudança no quadro dela avisaremos vocês.
Agradecemos à ele, deixei os números para contato com a recepcionista e fomos para casa, aquela seria uma longa noite.
-- Vamos para o apartamento dela, tenho as chaves, preciso avisar o Pietro, ela tem o telefone dele da Espanha na agenda de telefones. – Silvinha disse enquanto estávamos no estacionamento.
-- Tá certo. Pandinha, vocês vão voltar para a fazenda pegar as coisas que vocês deixaram lá?
-- Não, eu não passo por aquela estrada, não hoje. – Pietra olhou para Paula que segurava sua mão.
-- Nós vamos com vocês, amanhã ligo e peço para o seu Elias trazer o que deixamos lá.
E assim foram para o apartamento da Vládia, Francis parou na farmácia e comprou analgésico, sua enxaqueca estava dando sinal de vida. Chegaram lá e foram recebidas pelo seu Antônio que tinha lágrimas nos olhos, havia ficado sabendo do acidente pelo seu filho que viu na internet.
-- Dona Sílvia, é verdade o que saiu na internet? Dona Vládia sofreu acidente? – Seu Antônio perguntou.
-- É sim seu Antônio, infelizmente, mas ela está se recuperando.
Enquanto Silvinha explicava o acidente, as meninas subiram com as coisas que a policia entregou para Francis.
-- O notebook e o celular dela estão funcionando, mas o mp4 nem liga e está sujo de sangue, acho que ela estava com ele ligado na hora. – Paulinha dizia.
Francis pegou uma cerveja na geladeira e bebia em pé encostada na saída da varanda, com o pensamento longe.
-- Francis, ela vai ficar bem, não se preocupe, sua mulher, esposa, a mulher que você ama, vai sair dessa. – Brincou Paulinha com as palavras que ela dissera ao médico no hospital.
-- Você tinha uma ideia melhor Paulinha? Só assim obtivemos notícias dela.
Silvinha chegou e foi logo procurando o telefone do irmão dela para avisar sobre o acidente, assim que encontrou, foi até o quarto para telefonar.
-- Você acha que ele vai vir da Espanha? – Francis perguntou a Pietra.
-- O Pedro tem paixão pela irmã, a esposa dele é que não gosta muito dela.
-- A Vládia tem motivos para não gostar dela, depois que ela a pegou aos beijos com aquela Italiana na despedida de solteira dela.
-- É verdade. – Elas riram.
Silvinha retornou a sala com uma cara de pesar.
-- A Vlá está sozinha nessa, Pedro disse que não pode vir, que o emprego novo não permite que ele viaje agora, mas é desculpa, tenho certeza que a Luciana é que não deixa. – Cuspiu as palavras.
-- Ela tem a nós Silvinha, não está sozinha. – Francis corrigiu.
Como estavam cansadas, tomaram banho, comeram alguma coisa e foram deitar, aos poucos todas estavam dormindo, embora os sonhos fossem povoados pelas cenas do acidente.
Durante os três dias que se seguiram, elas se revezaram entre o hospital, a dar notícias aos amigos que ligavam todos os dias para saber notícias, o estado de Vládia não era animador, não houvera mudança em seu estado embora o calmante houvesse sido retirado há quase 30 horas.
-- Francis, a Vládia vai ser transferida para o quarto hoje a tarde, não há mais necessidade dela permanecer na UTI, já fizemos tudo que podíamos, ela respira sem ajuda de aparelhos, só nos resta esperar que ela acorde, iremos designar uma enfermeira para ficar ao lado dela o tempo que for necessário, não se preocupe. – Explicava Dr Cláudio.
-- Eu agradeço pela preocupação, mas pode dispensar a enfermeira, eu mesma ficarei com ela, quero estar lá quando ela acordar.
-- Ótimo, será bem melhor para ela ter por perto a esposa, vamos levá-la para o quarto agora mesmo, quando tudo estiver pronto, venho buscá-la. – E assim ele se despediu.
Francis pegou o celular e ligou para dar a noticia as meninas e a Dona Ana, que desde que soubera do acidente, não saiu da casa dela, todas vibraram com a notícia e disseram que estariam no hospital o quanto antes.
Depois de 20 minutos o doutor Cláudio apareceu para chamá-la e avisou sobre o estado em que Vládia se encontrava.
-- Quero que saiba que está muito machucada, tem hematomas pelo rosto e pelo corpo todo devido à batida, ela emite alguns sons, mas não quer dizer que ela esteja acordada, procure não sacudi-la para que ela acorde quando você ouvir esses sons, lembre-se que ela tem 2 costela quebrada, aconselho os familiares dos pacientes a conversarem com eles, colocarem música calma para eles ouvirem, enfim, tudo que possa fazer para que eles tenham vontade de acordar, esse método não é reconhecido, mas é muito eficaz.
Quando chegaram na porta do quarto, o médico colocou a mão sobre a dela e fez sinal para que ela entrasse. Ela agradeceu e entrou, a pessoa que estava sobre a cama em nada se parecia com a Vládia que ela amava, mas mesmo assim, ela a achou a pessoa mais linda desse mundo, caminhou em direção a cama e segurou sua mão entre as suas, lágrimas escorreram de seus olhos, ela depositou um beijo suave nos lábios da Vládia e disse.
-- Docinho, eu estou aqui, vou estar aqui até você acordar, eu te amo, volta meu amor, volta prá mim. – Ficou acariciando a mão dela.
Fez o contorno do rosto dela com a ponta dos dedos, beijou cada hematoma que era visível no rosto e nos braços dela, permaneceu por muito tempo, até que pegou no sono.
Francis acordou quando as meninas entraram no quarto, Pietra, ao se deparar com a aparência da amiga em cima da cama, começou a chorar baixinho, Paulinha abraçou a mulher enquanto Silvinha se aproximava da cama.
-- Como ela tá Francis?
-- O médico disse que agora temos que esperar. – Disse Francis enquanto levantava e se esticava.
-- Francis, como eu sei que você não vai sair daqui tão cedo, trouxe roupas para você e um lanche, aposto que você ainda não comeu nada.
-- Não comi mesmo Pietra, obrigada. – Pegou a sacola que Pietra entregou colocando dentro do armário.
-- A Paula pegou as roupas que ficaram na fazenda, se você precisar de mais alguma coisa é só dizer.
-- Fran vamos lá fora um pouco, fumar um cigarro, assim você sai daqui um pouquinho. – Paulinha puxava sua mão em direção à porta.
-- Não Paula, se ela acordar, eu quero estar aqui. – Protestou Francis.
-- Fran, ela não vai acordar agora, e se acordar as meninas chamam a gente. – Paulinha conseguiu tirá-la dali.
Seguiram em direção à saída do estacionamento, passaram pela lanchonete e compraram café e refrigerante, do lado de fora, sentaram no banco na área reservada a fumantes e permaneceram por algum tempo em silêncio, até que Paulinha puxou Francis para um abraço, ela se entregou no abraço e deixou que as extravasassem a sua dor, ainda não havia chorado.
Algum tempo depois, ela se afastou, pegou um refrigerante, acendeu um cigarro e como ela ficou em silêncio, Paulinha falou.
-- Você ainda não havia chorado né amiga?
-- Não, por mais que doesse eu ainda não havia conseguido, era como se eu admitisse que ela pudesse partir.
-- Mas ela não vai a lugar nenhum, logo estará de volta, você vai ver.
-- É, mas sabe o que é o pior Pandinha?
-- O que?
-- Quando ela acordar, não será eu quem ela gostaria que estivesse ali. – Enxugou uma lágrima que escorreu solitária.
-- Não pense nisso Francis, você pode estar errada.
-- Não, disso eu tenho certeza absoluta.
-- Por que fica aqui então, se tem certeza absoluta que vai sofrer?
-- Porque eu sofreria muito mais estando longe daqui, preciso ter certeza que ela estará bem, mesmo que ela me mande embora de sua vida assim que abrir os olhos.
-- Você é masoquista ou o que?
-- Sou uma pessoa que errou muito no passado e hoje gostaria de ter a chance de se redimir, só isso, além do que, eu a amo. Agora vamos voltar.
Voltaram em silêncio, as meninas estavam conversando na varanda do quarto, Francis entrou e disse que precisava de um banho, assim que a Francis saiu do banho, o celular da Silvinha tocou, no visor, o número era do Rio de Janeiro.
-- Alô.
-- Sílvia? É a Pâm, tudo bem?
-- O que você quer?
-- É verdade o que diz na internet? Ela sofreu um acidente?
-- Ela? Você sequer consegue dizer o nome dela.
-- Sílvia, não quero brigar, não liguei para isso. Só quero saber como ela está.
-- Ela está em coma, mas vai sair dessa, não se preocupe, ela sempre se recupera.
-- Eu sei que ela vai sair dessa, ela é forte.
-- Era só isso que você queria?
-- Era sim, obrigada.
-- Quando ela acordar eu aviso que você ligou.
-- Não precisa, eu só queria saber se ela estava bem. Tchau Silvia.
-- Essa não se emenda mesmo. – Resmungou Silvinha ao desligar o telefone.
-- O que ela queria Maria Sílvia? – Francis perguntou.
-- Saber se era verdade o que tá na internet, e disse que não era para dizer que ela ligou.
-- Melhor assim, me poupa do trabalho de encher a cara dela de porr*da. – Pegou o lanche e sentou na varanda para comer.
Ficaram mais um pouco por lá, mas a enfermeira chefe foi dizer que tinham que ir embora, se despediram e saíram.
Francis puxou a poltrona do papai para perto da cama e segurou a mão de Vládia como se assim segurasse a sua vida e adormeceu.
Acordou com o dia claro, seu corpo estava dolorido pela cama improvisada, olhou para Vládia para ver se havia alguma mudança, mas nada havia mudado, ela estava exatamente do mesmo jeito, suspirou e foi para o banheiro para fazer sua higiene pessoal.
Ao sair do banheiro, tinha duas enfermeiras que estavam ao lado da cama fazendo algo que ela não soube identificar, mas ao se aproximar, soube que era uma espécie de banho, e ao notarem a presença dela a chamaram.
-- Bom dia eu sou Ana e essa é a Carla, não sabíamos que você estava aqui. – Se explicou uma das enfermeiras.
-- Bom dia, eu sou Francis, tão fazendo o que?
-- Trocamos os curativos e agora estamos tentando nos aproximar ao máximo do que seria um banho. Gostaria de aprender?
Francis se aproximou e foi fazendo tudo que elas diziam, e assim deu o “banho” praticamente sozinha.
Quando terminou, Ana a enfermeira mais velha elogiou.
-- Muito bem! Acho que não será mais necessário que nós façamos isso.
E assim, Francis dava banho, fazia massagens nas partes onde não havia ferimentos. O tempo passou rápido, já faziam 25 dias que o endereço de Francis era o apartamento 1240 daquele hospital, ela conversava o dia todo com a Vládia, colocava as músicas que ela gostava de ouvir, falava dos amigos, o máximo que se afastava da cama dela era para renovar seu guarda roupas com roupas limpas e para fumar, fazia todas as suas refeições ao lado do amor da sua vida.
As meninas, com o tempo, desistiram de tentar tirá-la de lá, até Dona Ana, que não gostava dela, deu o braço a torcer e levava comida para ela no hospital todos os dias.
As enfermeiras e os médicos já a conheciam e muitas vezes, faziam companhia à viúva de mulher viva (muitos ali a chamavam assim, tamanha era a dedicação e o carinho que ela cuidava da Vládia), a maioria dizia nunca ter visto um amor assim.
Quando completou um mês que ela estava ali, ela sentou-se ao lado da cama da Vládia e segurando sua mão, começou mais uma das suas conversas solitárias.
-- Docinho eu sempre disse que você falava pelos cotovelos, mas você anda tão calada ultimamente. – Riu da piada que em seguida achou sem graça.
-- Sinto falta do som da sua voz, da intensidade dos seus olhos azuis me olhando, de ver o desejo neles, do seu sorriso que ilumina mesmo os dias mais escuros, do seu beijo, de fazer amor, sabe, disso eu sinto uma falta tremenda, já faz mais de um mês que eu fiz amor com você.
-- Eu não me importaria de você me mandar embora daqui, desde que você acordasse, te ver assim, nessa cama, me dilacera o coração.
-- Volte docinho, se não por mim, pelas meninas, pela Dona Ana, até pela nojenta da Pâm, mas eu preciso de você aqui.
Francis secou as lágrimas que desciam de seus olhos e ia se levantar para sair quando ouviu o que seu coração esperava há um mês.
-- Fique...- A voz era quase um sussurro, mas para Francis, era mais linda melodia.
Ela se virou e viu a intensidade dos olhos azuis, seu céu, seu mar, a sua vida, Vládia deu um sorriso fraco, mas sincero. Francis se aproximou da cama e beijou-lhe as mãos, o rosto, os lábios, tinha lágrimas em seu olhos, mas pela primeira vez em um mês elas eram de alegria.
-- Nunca mais faça isso comigo docinho, por favor. – Implorou entre lágrimas e sorrisos.
-- Desculpe, eu ...- Francis a interrompeu com o dedo indicador sobre seus lábios.
-- Eu sei, não se canse, você precisa descansar. Vou chamar o médico. – Apertou o botão que chamava a enfermeira.
Ana estava de plantão e quando entrou e viu a Vládia acordada, correu para chamar o médico. Em pouco tempo, doutor Cláudio entrou acompanhado da Ana e mais dois médicos.
-- Vejo que a bela adormecida acordou, viva! – Ele brincou.
-- Bem vinda de volta menina, como se sente?
-- Cansada, eu acho.
-- É natural, Francis, você poderia nos dar licença um minutinho? Precisamos fazer uns testes. – Pediu doutor Cláudio.
-- Claro, estarei lá fora. – Soltou a mão da Vládia, deu beijinho na testa dela, pegou o celular e saiu.
Já no corredor e ainda com o sorriso bobo nos lábios, ela ligou para Silvinha.
-- Maria Sílvia, cadê você e as meninas?
-- Estamos no shopping comendo alguma coisa, por que, aconteceu algo? – Silvinha já estava ficando nervosa.
-- Aconteceu Sil, ela acordou. – Explodiu de felicidades, finalmente ela entendeu o significado da palavra acordar.
As meninas compartilharam da felicidade dela e disseram que assim que terminassem de comer iriam direto para o hospital.
No quarto os médicos fizeram testes de sensibilidade e movimento.
-- Você se lembra de algo do acidente Vládia? – Doutor Cláudio perguntou.
-- Pouca coisa, na verdade são flashes, me lembro que tudo girava, de sentir uma dor profunda, uma dor que eu não sabia de onde vinha, me lembro do cheiro forte de sangue.
-- Você teve muita sorte, quebrou um braço, duas costelas, o mais sério foi a perna que você quebrou em três lugares.
-- Uau! Um estrago e tanto.
-- É, mas diante do estado que ficou seu carro, o estrago foi mínimo.
-- Há quanto tempo estou aqui doutor?
-- Há exatamente um mês caríssima, entendeu agora por que o estrago foi mínimo?
-- Nossa, tudo isso?
-- Sim, tudo isso, já estamos cansados de você e da senhorita Francis por aqui.
-- Ela tem estado muito aqui?
-- Desde que a senhorita saiu da UTI, há exatos 27 dias. E devo lhe dizer que sua esposa é muito dedicada.
-- Como? O senhor a chamou de quê?
-- Er... Esposa, nós não podíamos dar informações a pessoas que não fossem da família, então ela teve que nos contar, não precisa se preocupar com isso. – Vládia estava um pimentão.
-- Não, sem problemas, só fui pega de surpresa.
-- Ela é uma pessoa incrível, se me permite o elogio. – Ana se pronunciou.
-- É, ela é realmente incrível, e muito especial.
-- Eu a ensinei como dar seu banho e Sandro, o fisioterapeuta, a ensinou algumas massagens e exercícios para fazer em você, ela aprendeu direitinho – Derreteu-se a enfermeira.
Era muita informação, mas agora Vládia tinha uns flashes de memória que a principio achou serem sonhos, lembrou-se da voz da Francis cantando suas músicas preferidas, conversando, se declarando, era ela, só podia ser, ela havia estado lá o tempo todo.
-- Vou chamar a Francis, ela deve estar ansiosa lá fora. Vládia, qualquer coisa que sentir, pede para me chamarem, está bem?
-- Entendi, muito obrigada doutor Cláudio.
Ele já estava saindo quando ela o chamou.
-- Doutor, posso fazer só mais uma pergunta?
-- Claro minha filha, todas que você tiver.
-- Quando posso ir para casa?
-- Em quatro ou cinco dias, precisamos ter certeza antes de te deixar ir para casa, além do que, você precisa acertar com o Sandro, suas fisioterapias.
-- Só mais uma coisinha, o senhor me libera para um cigarro? – Fez carinha de criança.
-- Bom, aqui você não pode fumar, mas se você conseguir chegar até a varanda....- Piscou pra ela e saiu.
Francis estava sentada no corredor com um copo de café nas mãos, impaciente, quando viu o médico, se apressou em direção à ele.
-- E aí doutor, tudo bem com ela?
-- Tudo bem sim, ela ainda sente dores nas costelas e na perna, o que é natural, ainda não estão totalmente boas, mas te digo uma coisa mocinha, ela não deve fazer esforço algum, nem se cansar, por isso, nada de sex* por enquanto. – Bagunçou o cabelo dela e saiu rindo pelo corredor.
Ela ajeitou o cabelo, bateu de leve na porta e entrou, Vládia a recebeu com um sorriso nos lábios que aqueceu o coração da Francis.
-- Como você está?
-- Com sono, mas estou bem, e você?
-- Credo, faz um mês que você só dorme, como pode estar com sono ainda? – Perguntou Francis sentando-se na cadeira ao lado da cama.
-- Pois é, mas eu estou muito brava com a senhorita.
-- Comigo? Por quê? O que foi que eu fiz? – Francis se ajeitou na cadeira.
-- Você não trouxe café para mim, sua feia. – Mostrou a língua a Francis que caiu na risada diante da birra daquela menina.
-- Esse é do meu jeito, mas se você quiser eu vou buscar um cappuccino para você.
-- Você vai mesmo? Ai, obrigadinha, eu quero muito um café.
-- Teu pedido é uma ordem, eu já volto.
Francis foi buscar o café da Vládia, já estava voltando com o cappuccino quando encontrou com as meninas que estavam chegando com um lanche para ela.
-- Oi, o que você está fazendo aqui? Cadê a Vlá? – Perguntou Silvinha.
-- Oi, vim pegar café para ela, ela está no quarto, vocês me esperam?
-- Não, entrega o café para a Silvia e a Paulinha que elas levam, eu e você vamos sentar na lanchonete para você comer o lanche que eu trouxe, a Vládia adora esse lanche, mas acho que ela não pode comer ainda. – Disse Pietra a puxando pela mão.
-- Paula, como você aguenta essa mulher, ela é muito mandona.
-- Você ainda não viu nada, acho que vai preferir que ela não goste de você. – As duas riram e levaram dois tapas na cabeça.
Paulinha e Sílvia levaram o café da Vládia enquanto Francis e Vládia seguiram para a lanchonete.
-- Como vai a doente mais linda e mimada desse hospital? – Disse Paulinha, abraçando e beijando a amiga.
-- Oi Pandinha, que saudades de você amiga. – Correspondeu ao abraço.
Ela viu Silvinha, parada em pé, ainda na porta, tinha lágrimas nos olhos e um copo de café nas mãos.
-- Vai ficar parada aí Silvinha? Não vai me dar um abraço ou o meu café? – Abriu os braços esperando pela amiga que correu em direção ao abraço.
-- Me perdoa Vlá, eu fui uma idiota, uma completa idiota, me desculpa. – Repetia entre lágrimas, abraçada a amiga.
-- Deixe de besteira Silvinha, não tenho nada para perdoar. Eu te amo, somos irmãs, esqueceu?
Silvinha sorriu e chamou Paula para um abraço triplo, cheio de carinho, saudades, amor e cumplicidades.
-- Cadê a Pietra e a Francis? – Vládia perguntou.
-- Elas estão na lanchonete, se não for com a Pietra, a Francis não come, ela só obedece a Pietra.
-- Coitada da Francis. – Todas riram, pois sabiam que quando Pietra queria algo, ela conseguia.
Conversaram sobre as coisas que aconteceram durante o tempo em que Vládia saiu do ar, dos amigos, do irmão dela que mesmo sabendo da gravidade do acidente não apareceu, até que o assunto chegou em quem Silvinha não queria falar.
-- Sil, Andréia, do RJ ligou?
-- A Pâmela ligou, mas disse que era só para confirmar o que ela havia visto na internet, inclusive me disse para não lhe dizer que ela havia ligado. Vládia, desencana dela, olha para a pessoa que realmente se importa com você, quem você acha que passou todos os dias aqui do seu lado? Te garanto que não foi a Pâm. – Silvinha foi firme em suas palavras.
-- Silvinha, quem manda no coração?
-- Vlá, eu sei que no coração ninguém manda, mas você escolhe se quer alguém que desprezou o seu amor ou alguém que esteve do seu lado no momento em que nem o seu irmão esteve, não acha?
-- Olha Vlá, se você não quer nada com minha amiga, diga logo a ela, não a deixe ter expectativas onde não existe a mínima possibilidade... – Vládia a interrompeu.
-- Quem disse que eu não quero? Afinal, ela já é minha esposa né Pandinha? – Silvinha e Paula encararam ela com cara de surpresa.
-- Ela te contou? – Paula perguntou.
-- O doutor Cláudio me disse que eu tenho uma esposa muito dedicada, a enfermeira disse que ela é uma pessoa incrível, mas ela ainda não sabe que eu sei, não tivemos tempo de conversar. E Paulinha, não se preocupe, eu gosto dela sim, não vou brincar com os sentimentos dela.
Batidas na porta interromperam a conversa delas, eram Pietra e Francis que entravam conversando.
-- Branquinha, como é bom ver o azul dos seus olhos, nunca mais faça isso com a gente. – Pietra disse enquanto abraçava a amiga.
-- É bom te ver também Pietra e não se preocupe, não quero saber de hospital tão cedo na minha vida.
Vládia notou que Francis estava sentada na poltrona que ficava na varanda, mas tinha seus olhos grudados nela, resolveu brincar com a nova informação. Piscou para Paulinha e chamou por Francis.
-- Fran, você poderia me ajudar a levantar, por favor? – Pediu com carinha de criança pidona.
-- Onde você pensa que vai mocinha? – Brincou Francis que já se sentava nos pés da cama.
-- Doutor Cláudio me disse que eu só posso fumar se for na varanda, eu quero ir para lá.
-- Mas Vlá, e a sua perna? Você ainda ao sabe como ela está.
-- Francis, carrega ela até lá, eu sei que você consegue. – Brincou Paulinha.
-- Paulinha você ainda tá com água na cabeça? Ela quebrou duas costelas, não posso carregá-la.
-- Dá um jeitinho para levar sua esposa até lá Francis. – Vládia brincou e Francis sentiu seu rosto pegar fogo.
-- Eu...eu...foi preciso, ninguém queria nos dar informações sobre você... – Vládia a interrompeu.
-- Tudo bem Francis, eu não me importo, só queria ver sua carinha vermelhinha.
Todas riram e a conversa fluiu, as meninas ficaram até quase às 23h, mas resolveram ir embora antes que a enfermeira viesse pedir para que fossem embora.
-- Francis, a Vládia acordou, está bem, por que você não vai para casa descansar, faz um mês que você dorme nesse sofá. – Silvinha disse.
Diante daquele convite, Vládia sentiu um medo de que a Francis aceitasse, mas ela não poderia pedir para que ela ficasse, Silvinha tinha razão, aquele sofá não era uma cama decente, e ela merecia um noite tranquila, com um sono tranquilo, mas ela não queria ficar sozinha.
-- Sabe Sil, você tem razão, eu mereço uma noite tranquila, em uma cama de verdade, mas, não será essa noite, podem ir, eu vou ficar bem.
Vládia sentiu seu coração se encher de alegria ao ouvir a resposta da Francis, mas ainda assim ela falou.
-- Ela tem razão Francis, você deve estar cansada. – Francis fez um cara de tristeza.
-- Desculpe, eu não sabia que você queria ficar só.
-- Não é nada disso, eu só estou dizendo que você está com uma aparência cansada, só isso, mas se você quiser ficar, vou ficar feliz, não gosto de hospital e adoro sua companhia, combinação perfeita. – Francis não acreditou no que acabara de ouvir.
-- Eu fico docinho, sempre que você me pedir, até quando você não me pedir eu fico. – Fez um carinho no rosto de Vládia que fechou os olhos e aceitou o carinho.
--Xiiiiiiii, vamos parar com essa melação por que nós ainda estamos aqui. – Disse Paulinha.
-- Meninas, vocês me esperam que eu vou com vocês até lá embaixo. – Disse Francis enquanto pegava a carteira de cigarros e guardava no bolso da calça.
Se despediram e seguiram para fora, Francis disse a Vládia que voltaria logo e que traria dois cafés. Lá embaixo, ela se despediu das meninas, fumou seu cigarro e estava voltando para dentro quando seu celular tocou, olho no visor, riu e atendeu.
-- Já está com saudades?
-- Boba, só para te dizer que quero café preto e não cappuccino.
-- Seu pedido é uma ordem, chego em 5 minutos.
Desligou e foi comprar os cafés, aproveitou e comprou um pedaço de torta de chocolate com morango. Bateu na porta e entrou.
-- Trouxe café para você e para mim, café com torta de chocolate com morangos, me diz, como achou seu celular?
-- Nem pense nisso, você sabe que essa torta é minha favorita e o celular estava na mesinha aqui ao lado da cama. – Ameaçou Vládia.
-- Também sei que suas cores favoritas são azul e roxo, você adora massas, sorvete com calda de morango, apesar de fumar, detesta cheiro de cigarro, não gosta de ficar descalça, precisa de silêncio para pensar, mas de barulho para dormir, fala enquanto dorme e mais um monte de coisas.
Cortou a torta ao meio e deu metade a ela que estava admirada por saber que a Francis sabia tanto sobre ela. Pegou a torta, o café e começou a comer.
-- Obrigada Francis, obrigada mesmo.
-- Por uma torta e um café? Acho que vou pedir ao doutor Cláudio que solicite uma tomografia amanhã, você deve ter batido a cabeça. – Brincou para afastar o nervosismo.
-- Não, eu me refiro a tudo o que você tem feito por mim, sei que você não saiu do meu lado nada além de alguns minutos, sei das massagens, dos exercícios, até dos banhos.
-- Não foi nada, você faria o mesmo por mim.
-- Mesmo assim, você não tinha obrigação de fazer, mas fez, e eu fiquei feliz de acordar e ouvir suas palavras. Foram suas palavras que me trouxeram de volta, eu me lembro de te ouvir cantando, falando comigo, eu voltei por sua causa Francis, porque você não desistiu de mim. – Disse entre lágrimas.
-- Mas seu coração ainda quer outra pessoa Vlá, e eu não quero me iludir, você não sofreu sozinha durante o tempo que eu estive longe, eu também sofri e sofri sozinha, minha mãe não aceita o fato de eu amar uma mulher e tenho certeza que se meu pai não tivesse deixado um testamento, eu estaria deserdada hoje, então, eu não tinha ninguém para desabafar sobre a minha dor.
-- Não vou mentir para você, ela ainda ocupa um espaço significativo em meu coração, mas eu não quero mais, eu quero esquecer Francis, ela já saiu da minha vida e agora a quero fora do meu coração também. Só peço um pouco de paciência. – Fez um carinho no rosto da Francis.
Francis a puxou para um abraço, e choraram juntas, cada uma a sua dor e assim permaneceram até que as lágrimas cessassem.
Fim do capítulo
Boa noite Amoras!!!
Pois é, a Pâm não era tão perfeita assim...
Tive um descanso hoje e resolvi colocar mais um capítulo para vocês!!!
Nos vemos nos comentários!!!
Bjoks Estaladas!!!
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