Capítulo 12

Capítulo 12- Sócia Nova

de Sob Nova Direção, por Mary_b94

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Nathalie Cross não aceitava um "não".

Não por vaidade. Por método. Em quinze anos construindo uma empresa do zero, tinha aprendido que toda recusa escondia uma informação, e que a informação certa, no momento certo, valia mais que qualquer contrato.

Foi por isso que, naquela segunda-feira, ficou duas horas olhando uma parede.

Era a parede de vidro do escritório dela, no décimo quinto andar da Meridian, de onde se via metade de Dublin sob uma chuva fina. Em cima da mesa havia uma pasta aberta, um copo de uísque intocado e uma foto impressa de Mavie Smith, tirada num evento beneficente, o cabelo ruivo preso, o queixo erguido, o olhar de quem não devia nada a ninguém.

A porta se abriu sem batida. Siobhan, sua assistente havia seis anos, entrou com um tablet na mão e a expressão de quem já sabia o que ia escutar.

— O relatório chegou.

— Fala.

— Você não vai gostar.

— Eu nunca gosto do que é importante. Fala.

Siobhan encostou o quadril na mesa.

— Pesquisei tudo o que era público e um pouco do que não era. Mavie Smith viajou ao Maranhão em junho, há dois anos, junto com Alex Carter, para fechar a parceria com o resort. Ficou uma semana e dois dias. O voo de volta foi remarcado por causa de uma enchente.

— Isso eu já sabia.

— O que você não sabia é o que aconteceu depois. — Siobhan deslizou o dedo pela tela. — Um mês após a volta, o noivado foi rompido. Sem escândalo, sem comunicado, sem briga pública. O pai do Carter só confirmou quando um jornalista perguntou. E, no mesmo mês, Mavie tirou a conta do resort das mãos dela e passou para uma diretora, com uma ordem por escrito: nada de relatórios sobre o Maranhão.

Nathalie girou a cadeira devagar.

— Ela fugiu do assunto.

— Parece.

— Há dois anos.

— Dois anos e três meses.

Nathalie pegou a foto e a olhou de perto. A boca fechada, a postura perfeita, o brilho frio nos olhos verdes. Em outro tempo, Nathalie teria olhado aquele rosto e visto apenas uma concorrente. Agora via uma mulher que passara mais de dois anos construindo uma muralha, e uma muralha daquele tamanho só se constrói em volta de uma coisa.

— Você lembra do jantar de gala? — perguntou.

— O do outono passado.

— Eu a convidei para tomar uma taça na minha cobertura.

— Eu estava na mesa ao lado. Ouvi tudo.

— Ela disse não.

— Disse. — Siobhan hesitou. — Em menos de um segundo, na verdade. Sem sorriso, sem educação, sem nem fingir que pensou.
Nathalie sorriu.

Aquele sorriso que Siobhan conhecia bem, e que raramente acabava em coisa boa para alguém.

— Eu fui rejeitada muitas vezes, Siobhan. Por homens, por mulheres, por conselhos, por bancos. E nunca doeu tanto quanto aquele "não", porque era um "não" que não tinha nada a ver comigo.

— Você ficou ofendida.

— Fiquei intrigada. — Nathalie pousou a foto. — Ninguém recusa daquele jeito por falta de interesse. Recusa assim quem já deu o coração para outra coisa.

— Ou para outra pessoa.

— Ou para outra pessoa.

O silêncio se alongou. Do lado de fora, a chuva escorria pelo vidro.

— Eu tenho a empresa dela na mira há anos — Nathalie disse, em voz baixa. — Tentei por ações, por contratos, por acionistas. Nenhum deles rendeu o que eu queria, porque a Mavie sempre foi blindada. Não tem dívidas, não tem escândalos, não tem vícios. Nenhuma brecha.

— E agora tem.

— Agora tem uma.

Ela se levantou e foi até a janela.

— Todo mundo tem um preço ou um ponto fraco. Ela escondeu o dela do outro lado do oceano. Eu só preciso achá-lo.

— E o resort?

— Comprei trinta por cento na semana passada. Vou conhecer pessoalmente.

— Para procurar o quê?

Nathalie se virou, e os olhos cinza brilharam.

— Uma pessoa.

— Você nem sabe quem é.

— Não sei. — Ela pegou o paletó. — Mas lá tem gente que sabe. E gente, Siobhan, sempre fala, se você souber a hora certa de perguntar.

Siobhan fechou o tablet.

— Você não está fazendo isso só por causa dos negócios.

A pergunta ficou ali, pesando.

Nathalie vestiu o paletó sem pressa.

— Negócios — respondeu, afinal. — E a satisfação de ver a Mavie Smith perder o controle uma vez na vida.

Mas, ao sair da sala, ela se deu conta de que não tinha sido totalmente honesta.

O que movia Nathalie não era só vingança.

Era a vontade de descobrir quem tinha conseguido entrar onde ela nunca conseguiu.

Quatro semanas depois, Marcela acordou antes do despertador.

Estava ansiosa havia semanas. Desde que Carolina mencionou os novos sócios, o resort inteiro tinha entrado em modo de preparação. Quartos revisados duas vezes, equipe treinada, carros lavados, menu do jantar de recepção escolhido a dedo. Marcela passou os últimos dias com uma lista no bolso e uma sensação estranha no estômago que não passava com chá, nem com café, nem com os abraços da Isa.

— Você não precisa ficar assim — Isabela disse, parada na porta do quarto, de uniforme. — Eles são irlandeses, não são fantasmas.

— Eu sei.

— Então por que você está com essa cara?

— Que cara?

— De quem vai encontrar o ex.

Marcela parou de abotoar a camisa.

— Eu não tenho ex.

— Marcela.

— Não tenho.

— Você tem uma hóspede ruiva que atravessou o Atlântico e levou o seu coração na mala.

— Isa.

— Eu só estou dizendo.

Marcela respirou fundo.

— Eu não sei nem quem eles mandaram. Pode ser qualquer pessoa.

— Pode ser.

— Provavelmente não é ela.

— Provavelmente não.

— Ela tem uma empresa gigante, tem mil coisas para fazer. Não ia vir pra cá.

— Também acho.

Marcela fechou o último botão com mais força que o necessário.

— Então por que eu estou assim?

Isabela sorriu, de lado, sem nenhuma malícia.

— Porque nós duas sabemos que alguma parte de você ainda espera.

Marcela não respondeu.

Pegou o crachá, a lista, o celular, e saiu.

O carro preto parou diante da entrada principal às quatro da tarde.

Marcela estava ali, de pé, ao lado de Carolina e Eduardo, com o uniforme azul-marinho de coordenadora e o cabelo preso num coque baixo. O coração batia tão forte que ela achava que dava para ouvir.

A porta traseira se abriu.

Marcela olhou, antes de conseguir impedir, para o cabelo.

Preto.

Um homem de terno cinza desceu primeiro, magro, de óculos, carregando uma pasta. Depois uma mulher de uns cinquenta anos, de cabelo grisalho curto. E, por último, uma terceira figura saiu do carro devagar, de óculos escuros, num terno vinho de corte impecável.
Cabelos pretos até os ombros. Postura de quem sempre entra primeiro.

Não era Mavie.

O alívio atingiu Marcela como uma ducha fria, seguido, logo atrás, de uma pontada tão rápida e tão feia que ela quase não a reconheceu. Decepção. Mesquinha, infantil, injustificável.

Você é ridícula, pensou.

— Senhora Cross — Eduardo estendeu a mão, sorrindo. — Bem-vinda.

— Nathalie, por favor. — A mulher tirou os óculos escuros, e os olhos eram cinza, de um tom escuro e frio, como o céu antes da tempestade. — Eu pretendo ficar um bom tempo por aqui. Formalidades nos atrasariam.

Havia uma suavidade calculada na voz dela, quase carinhosa, que fazia qualquer ordem soar como convite.

Carolina apresentou a equipe. Nathalie cumprimentou cada um com um aperto firme e um sorriso diferente para cada pessoa, ajustado com precisão cirúrgica. Quando chegou a Marcela, parou.

Foi só um segundo.

Mas Marcela sentiu.

— Marcela Alves — disse Carolina. — Nossa Coordenadora de Experiência do Hóspede.

— Ah. — Nathalie estendeu a mão. — A famosa Marcela.

— Famosa?

— A Carolina me disse que sem você este lugar não funciona.

— A Carolina exagera.

— Eu não costumo escutar exageros.

Os olhos cinza desceram por um instante ao rosto dela, depois aos olhos, e ficaram. Marcela retribuiu o aperto de mão e sentiu uma coisa estranha, uma espécie de atenção desproporcional. Não era o olhar de uma sócia avaliando uma funcionária. Era outra coisa. Mais lenta. Mais curiosa.

— Seus olhos — Nathalie murmurou, quase sem perceber. — São azuis.

Marcela piscou.
— São.

— Não é comum.

— Meu pai também tinha.

Nathalie soltou a mão dela devagar.

— Interessante.

Havia alguma coisa naquela palavra que fez Marcela se arrepender de ter respondido.

O jantar de recepção foi no terraço do restaurante principal, com mesa longa, velas e uma vista que Marcela já conhecia de cor. Carolina a convidou para sentar perto, "para o caso de precisarem de alguma coisa", e Marcela aceitou com um aperto no estômago.

Nathalie ficou na ponta da mesa, ao lado de Eduardo, comendo pouco e ouvindo muito. Fazia perguntas precisas, sempre num tom ameno, e Marcela percebeu, depois da terceira, que cada pergunta era uma sonda.

— Quantos hóspedes estrangeiros vocês recebem por ano?

— Perto de quarenta por cento.

— E quantos repetem a visita?

— Uns quinze por cento.

— Que perfil?

— Famílias, na maioria. Alguns casais. Um ou outro executivo.

— Alguém famoso?

— Aqui, discrição é parte do serviço — Carolina respondeu, sorrindo.

— Claro. — Nathalie girou a taça. — Mas, entre os executivos, algum que valha a pena lembrar?

Eduardo riu.

— Tivemos um grupo irlandês há dois anos. A Smith Tecnologias e a Carter Hotels. A senhora deve conhecer.

Marcela sentiu o garfo parar no meio do caminho entre o prato e a boca.

— Conheço — Nathalie disse, sem pressa. — Mavie Smith. Uma das melhores executivas da Europa. E uma das mais fechadas.

— Ela é muito competente — Eduardo concordou.

— Ficou quanto tempo aqui?

— Uma semana.

— Uma semana. — Nathalie pareceu pensar. — E foi bem tratada?

— Muito bem. — Carolina olhou para Marcela, só por um instante, e voltou a olhar para a taça. — A Marcela cuidou muito bem dos dois.
Marcela largou o garfo no prato, com o coração batendo contra as costelas.

Nathalie a olhava.

Os olhos cinza estavam fixos nela, sem pressa, sem expressão, absolutamente atentos. Marcela, treinada em anos de atendimento, ajeitou o rosto numa máscara de cordialidade profissional, mas já era tarde: tinha visto, nos olhos da outra, o instante exato em que alguma coisa se encaixou.
— Verdade? — Nathalie perguntou, suave.

— Era meu trabalho.

— E ela deixou saudade?

A pergunta foi tão leve, tão despretensiosa, que quase passou despercebida.

Quase.

— Deixou uma boa avaliação — Marcela respondeu, com um sorriso tranquilo que custou toda a energia dela. — Foi a nota máxima no questionário.

Eduardo riu. Carolina riu. Nathalie sorriu, e voltou à comida.

Mas Marcela, sob a mesa, tinha as mãos apertadas uma contra a outra com tanta força que as unhas deixaram marcas nas palmas.
Na manhã seguinte, Nathalie pediu um passeio.

— Uma visita guiada, só eu e a coordenadora, pelas áreas do resort — disse a Eduardo, no café. — Quero entender o lugar pelos olhos de quem trabalha nele.

Marcela, que não queria passar mais cinco minutos sozinha com ela, ouviu a ordem com um sorriso profissional e um aperto no peito.

— Claro.

Saíram às oito, com o sol ainda baixo, passando pelos jardins, pelas piscinas, pela cozinha, pela área de manutenção. Nathalie observava tudo com atenção e fazia perguntas inteligentes, sem pressa, sem fingimento. Marcela percebeu, com uma irritação crescente, que gostava de responder.

— Você conhece o nome de todos? — Nathalie perguntou, depois que Marcela cumprimentou o terceiro funcionário seguido.

— Quase todos.

— Por quê?

— Porque eles trabalham aqui.

— Isso é tudo?

— O que mais seria?

Nathalie a olhou de lado, os olhos cinza meio fechados contra o sol.

— Eu conheço o nome de poucos dos meus. Eu sei qual a função, a produtividade, o salário. Mas nome, não.

— Isso diz alguma coisa sobre a senhora.

— Diz?

— Diz que a senhora está acostumada a ver cargos, não pessoas.

Marcela se arrependeu do comentário no mesmo segundo. Mas Nathalie, em vez de se ofender, riu, um riso baixo, sincero, diferente do sorriso calculado do dia anterior.

— Você é direta.

— Me desculpe.

— Não. Gostei.

— A senhora...

— Nathalie.

— Nathalie.

— Melhor.

Chegaram ao mirante às dez. A plataforma estava vazia, as dunas brilhando sob a luz do dia, o céu de um azul infinito. Nathalie se apoiou no corrimão e ficou olhando, em silêncio, durante tanto tempo que Marcela começou a se perguntar se tinha dito algo errado.

— É bonito — Nathalie murmurou, por fim.

— É.

— Qual a melhor hora para ver?

— No pôr do sol. Mas dizem que vale mais ver com os próprios olhos.

A frase saiu antes que Marcela pudesse impedir.

Vale a pena ver tudo com os próprios olhos.

Era a mesma que ela dissera numa recepção, anos antes, olhando para uma mulher ruiva que diminuiu o passo.

Marcela travou. Os olhos arderam. Respirou fundo, devagar, e esperou que o vento levasse o resto.

Nathalie se virou.

Observou o rosto dela por um instante, sem dizer nada. Depois, num tom mais baixo, quase gentil:

— Está tudo bem?

— Está.

— Você ficou pálida.

— É o sol.

— Claro. O sol.

O silêncio que se seguiu foi pesado, mas não hostil. Nathalie não insistiu. Só olhou outra vez para as dunas, as mãos apoiadas no corrimão, o vento mexendo no cabelo preto.

— Eu vim até aqui por motivos que não eram bonitos — disse, de repente, em voz baixa.

Marcela a olhou, surpresa.

— Como assim?

— Nada. — Nathalie sorriu, e o sorriso dessa vez não chegou aos olhos. — Eu falo demais quando estou diante de uma paisagem bonita.

— A senhora...

— Nathalie.

— Nathalie. Você parece uma pessoa que raramente fala demais.

— Eu sou uma pessoa que raramente deixa alguém ver quando falo.

A resposta ficou suspensa no ar.

Marcela desviou o olhar. Alguma coisa, uma desconfiança velha, uma intuição fina, avisou que ela estava caminhando por um terreno perigoso. Mas a mulher ao lado dela não parecia perigosa. Parecia sozinha.

Isso é exatamente o que ela quer que você pense, uma voz fria sussurrou.

Marcela se endireitou.

— Se quiser, posso mostrar a parte da praia agora.

— Eu adoraria.

Foram. E, no caminho, Marcela notou que Nathalie caminhava mais perto do que o necessário, e que, quando passaram pelo trecho de areia mais fofo, a mão dela apareceu sob o cotovelo de Marcela, firme, quente, por apenas um segundo.

— Cuidado.

— Obrigada.

— De nada.

Marcela retirou o braço com delicadeza.

Nathalie fingiu não perceber.

Mas, quando se afastou para olhar a lagoa mais próxima, deixou escapar um sorriso pequeno, quase imperceptível, de quem acabou de descobrir que o jogo pode ser mais interessante do que previra.

Naquela noite, Isabela esperou Marcela chegar com um pote de pipoca no colo e a expressão de quem estava morrendo de curiosidade.

— Fala.

— Não tem o que falar.

— Marcela.

— Ela é só uma sócia nova.

— Uma sócia nova de terno vinho, cabelo preto e olho de gelo que passou o dia inteiro grudada em você.

— Foi uma visita guiada.

— De oito horas.

— Ela fez muitas perguntas.

— Ela fez muitas perguntas sobre você.

Marcela largou a bolsa no sofá.

— Isa, eu não quero outra gringa na minha vida.

— Eu não falei em vida.

— Você falou.

— Eu falei que ela olha pra você.

— Ela olha pra todo mundo.

— Não do mesmo jeito.

Marcela sentou no braço do sofá e esfregou o rosto com as duas mãos.

— Ela mencionou a Mavie no jantar.

O sorriso de Isabela desapareceu.

— O quê?

— Perguntou do grupo irlandês de dois anos atrás. Citou o nome, "Mavie Smith". E olhou pra mim quando a Carolina disse que fui eu que cuidei deles.

— Ela sabe?

— Não sei. — Marcela engoliu em seco. — Eu respondi que ela deu nota máxima no questionário.

— Boa.

— Foi a melhor mentira que eu consegui na hora.

— Marcela. — Isabela segurou a mão dela. — Isso é suspeito.

— Percebi.

— Você acha que ela conhece a Mavie?

— Eu acho que ela conhece muito bem a Mavie. Concorrente, rival, sei lá. Alguma coisa. A forma como falou... — Marcela balançou a cabeça. — Não era comentário de mercado. Era pessoal.

— Então por que comprou o resort?

— Eu não sei.

As duas ficaram em silêncio por um momento.

— Se ela está investigando — Isabela disse, devagar —, e você é a pessoa mais perto da Mavie nessa história...

— Eu sei.

— Você precisa tomar cuidado.

— Eu vou.

— E se ela te tratar bem?

Marcela olhou para ela.

— Como assim?

— Se ela for gentil. Se ela for... charmosa. Se ela tentar te conquistar. — Isabela mordeu o lábio. — Você tem como saber o que é verdade?
A pergunta ficou sem resposta.

Marcela levantou, foi até a janela e olhou para fora, para os coqueiros balançando na escuridão, para as luzes distantes do resort, para o céu cheio de estrelas
.
Ela segurou meu cotovelo. Só um segundo.

E eu não me afastei logo.

Fechou os olhos.

— Eu não vou me deixar enganar de novo — murmurou.

Mas a frase soou, mesmo para ela, menos como promessa e mais como pedido.

Na suíte do segundo andar, Nathalie estava de pé diante da janela, com um copo de uísque e o telefone na orelha.

— Eu quero a lista — dizia. — Todos os funcionários da recepção, da hospedagem e do atendimento que estavam aqui há dois anos. Nome, cargo, tempo de casa. Quem deixou o resort, quem ficou, quem foi promovido.

Do outro lado, Siobhan suspirou.

— Você já tem alguém em mente?

— Talvez.

— Quem?

— Ainda não tenho certeza.

— Nathalie.

— Siobhan.

— Você parece estranha.

— Eu estou em ação.

— Não. — A voz da assistente suavizou. — Você parece interessada em outra coisa.

Nathalie ficou em silêncio.

Do outro lado da janela, o resort dormia sob uma lua enorme. Em algum lugar lá embaixo, entre os coqueiros, havia uma mulher de olhos azuis que não tinha conseguido esconder a palidez quando alguém disse "vale ver com os próprios olhos".

— Manda a lista — repetiu, seca.

— Está bem.

— E Siobhan.

— Sim?

— Se alguém perguntar, eu estou aqui por causa dos negócios.

— Você acha que vão acreditar?

Nathalie tomou um gole do uísque, devagar.

— Eu não sei.

Desligou. Ficou olhando a escuridão por mais um tempo, o copo frio na mão.

Aquela garota tinha dito que ela via cargos, e não pessoas.

E era verdade.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, Nathalie Cross estava olhando para uma pessoa.

E isso, descobriu, era muito mais perigoso do que qualquer fusão de empresas.

Fim do capítulo

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