Capítulo 18

Capítulo 18 - Chefe

de Mais que benefícios, por Paloma Matias

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Victoria


— Você fez o quê?
Minha voz ecoa pela sala de Marcela. Ela está sentada atrás da mesa, completamente tranquila. Tranquila demais para alguém que acabou de me dizer que matriculou minha filha em outra escola sem sequer conversar comigo.
— Foi o que você ouviu. — Dá de ombros.
— Eu ouvi — aponto para ela. — Mas estou torcendo para ter entendido errado.
— Não entendeu — olha as unhas das mãos com cara de tédio.
— Marcela... — Passo as mãos pelo rosto. — Você tirou a Heloísa da escola.
— Tirei — me encara.
— E matriculou ela em uma escola particular — ando de um lado para o outro.
— Sim.
— Sem falar comigo — me desespero mais ainda.
— Sim.
— E comprou metade de uma loja de roupas para ela.
— Não foi metade — ela olha para as sacolas espalhadas pela sala. — Ela precisava de algumas coisas.
Olho para minha filha através da parede de vidro. Ela está sentada na minha mesa com Chica, provavelmente encantada com alguma coisa que encontraram por lá.
E eu ainda não consigo acreditar na transformação. Quando elas chegaram à editora, quase não reconheci Heloísa.
Roupa nova, tênis novo, uma mochila nova, óculos escuros, cabelo impecavelmente arrumado. Ela parecia uma pequena patricinha prestes a sair de um carro com motorista para ir a uma festa.
— Minha filha estava parecendo uma mini socialite quando chegou aqui — Acuso.
— Ela gostou. — Sorri animada.
— Claro que gostou. — Reviro os olhos.
— Ela escolheu algumas coisas.
— Algumas? — Aponto novamente para as sacolas. — Marcela, tem sacola suficiente aí para vestir uma turma inteira.
— Ela cresceu — sorri. — Precisava renovar algumas roupas.
— Ela tinha roupas! — Digo entredentes.
— Algumas estavam velhas.
— Ela tem sete anos! — Bufo.
— Justamente.
— Crianças de sete anos não precisam de um guarda-roupa novo porque uma mulher rica decidiu que as roupas dela não estavam boas o suficiente!
— Eu não disse que as roupas dela não estavam boas o suficiente. — Me encara.
— Então por que comprou?
— Porque eu quis. Estávamos no shopping fazendo compras, eu não faria só para mim.
— Claro — respiro fundo. — Vamos voltar para a escola.
— Pode voltar — ela assente.
— Por que você fez isso? — Tento me manter calma.
— Porque aquela escola não é segura, já te falei isso.
— Você poderia ter conversado comigo.
— Eu sei — dá de ombros novamente.
— Não, você não sabe — minha voz sobe — porque, se soubesse, teria falado comigo antes de tomar uma decisão que envolve a minha filha.
Marcela fica em silêncio por alguns segundos, me encara pensando no que vai dizer. Para mim, não fará a menor diferença a desculpa que ela inventará, eu estou muito brava.
— Eu fui conversar com a coordenação — Começa.
— E?
— E descobri coisas que não gostei.
— Que coisas? — cruzo os braços.
— A forma como controlam a entrada e saída das crianças, sem contar aquele diretor inútil.
— Eu também não gosto dele.
— Então concordamos — diz simples.
— Não significa que você pode decidir sozinha.
— Talvez não — ela respira fundo, a irritação dela é evidente. — Mas eu não conseguiria colocar Heloísa naquela escola novamente depois de hoje, eu não consegui simplesmente ignorar.
— E você resolveu tirar ela de lá — meu tom diminui um pouco.
— Sim.
— E colocar em uma particular.
— Sim.
— Quanto custa? — Me preparo para a resposta, mas ela não responde — Marcela.
— Não precisa se preocupar com isso.
— Quanto custa? — Repito.
— Victoria, você não...
— Quanto? — A interrompo.
— Eu vou pagar — solta a bomba.
— Não. — Sinto meu estômago embrulhar.
— Sim.
— Marcela, não — minha voz sai firme.
— Victoria, por favor...
— Eu não quero que você pague a escola da minha filha.
— Por quê?
— Porque ela é minha filha — Grito.
— Eu sei.
— Então pare de agir como se eu não conseguisse cuidar dela! — Explodo.
— Eu nunca disse isso. — A expressão de Marcela muda imediatamente.
— Não precisa dizer, suas ações falam por si só.
— Eu não estou tentando substituir você — ela se levanta da cadeira.
— Você tira minha filha da escola, compra roupas para ela, matricula ela em uma escola particular e agora quer pagar tudo! — Tento respirar fundo e me acalmar.
— Eu posso pagar...
— Esse é exatamente o problema! — A interrompo,
— Qual? — Ela chega mais perto e me encara.
— Você acha que, porque pode pagar, pode resolver o que quiser. — Nossos olhos travam uma batalha.
— E muitas vezes eu posso — não desvia o olhar.
— Isso não é resposta. — Bufo.
— É, sim. — Ela se aproxima ainda mais. — Victoria, você sabe quanto problema pode ser resolvido simplesmente tendo dinheiro?
— Sei.
— Então por que está brigando comigo?
— Porque nem todo problema é financeiro!
— Eu sei — ela cruza os braços. — Mas segurança é um problema financeiro.
— Marcela...
— Escola é problema financeiro. — Continua.
— Para — Advirto.
— Material escolar é financeiro, transporte é financeiro, até tempo é financeiro.
— Você realmente acredita que dinheiro resolve tudo. — A encaro sem acreditar.
— Não tudo — ela pensa por um segundo — mas quase.
— Isso é tão... — Procuro a palavra certa — tão você.
— Eu vou considerar um elogio — ela sorri.
— Não é — não retribuo o sorriso.
— Mesmo assim vou considerar — dá de ombros.
— Você não pode comprar tudo o que acha que está faltando na nossa vida. Eu ainda tenho um pouco do dinheiro que você me pagou adiantado do contrato. Você não vai nos comprar. — Reviro os olhos.
— Eu não estou tentando comprar vocês. — Ela fica séria.
— Então, o que está tentando fazer? — Coloco as mãos na cintura.
— Cuidar — a resposta vem tão rápida que me cala. — Eu sei que você não precisa de mim para cuidar da Heloísa.
Ela olha para a porta de vidro, onde conseguimos ver minha filha conversando com Chica. Por algum motivo, vejo os olhos de Marcela brilharem e até mesmo se encherem de lágrimas, mas logo ela pisca para espantar qualquer tipo de sentimento que possa ter sentido.
— Mas eu quero que ela tenha segurança — volta a olhar para mim. — Quero que ela estude em um lugar onde você não precise ficar preocupada.
— Eu já estou preocupada com o valor da mensalidade — Admito.
— Eu vou pagar — Repete.
— Não.
— Você pode discutir comigo sobre qualquer outra coisa, isso é inegociável.
— Não quero seu dinheiro. — A irritação volta a alterar minha voz.
— Então, não é meu dinheiro. — Se afasta um pouco e se escora na mesa.
— Como assim? — Franzo a testa.
— É uma valorização do seu trabalho.
— O quê? — Fico confusa.
— Eu aumentei seu salário — Se afasta da mesa e volta para seu lugar apenas para pegar uma pasta.
Fico em silêncio. Pisco. Uma vez, duas. Ela só pode estar de brincadeira com minha cara.
— Você fez o quê? — Pergunto sem acreditar.
— Aumentei seu salário — repete tranquilamente.
— Você não pode fazer isso.
— Posso — volta a me encarar.
— Marcela! — Passo as mãos pelo rosto.
— Você trabalha demais — inventa a primeira desculpa.
— Isso não significa que você pode simplesmente aumentar meu salário.
— Significa que eu sou sua chefe e posso reconhecer seu trabalho. — Sua voz fica firme.
— Não quero um aumento porque você se sente culpada por tirar minha filha da escola! — Aponto para ela.
— Não tem nada a ver com culpa. — Respira fundo.
— Então por quê?
— Porque você merece.
Fico alguns segundos sem responder, a raiva continua aqui, mas agora existe outra coisa: uma espécie de desconforto.
— Eu não quero que você pense que precisa comprar minha gratidão — Digo entredentes.
— Victoria, se eu quisesse comprar sua gratidão, teria comprado um apartamento para você. — Revira os olhos pela milésima vez.
— Você está ouvindo o que está dizendo? — Digo, incrédula.
— Estou — por fim, ela sorri. — Eu só estou tentando mostrar que um aumento de salário é uma coisa muito menor do que você está fazendo parecer.
— Porque para você dinheiro não é problema! — Acuso.
— Eu sei — a resposta vem baixa. — E eu sei que para você é, e é exatamente por isso que eu estou tentando facilitar.
— Mas você não pode simplesmente decidir o que é melhor para mim. — Minha voz se acalma.
— Talvez eu esteja aprendendo isso — Admite.
— Talvez?
— Estou aprendendo — Suspira.
— Então comece perguntando — digo mais calma.
— Está bem — ela assente.
— Antes de decidir.
— Está bem.
— Antes de comprar.
— Está bem.
— Antes de matricular minha filha em qualquer lugar.
— Essa eu não prometo — ela gargalha.
— Marcela! — A repreendo.
— Estou brincando — Se aproxima novamente.
— Você é insuportável.
— Eu sei — fala, ainda sorrindo.
— E mandona. — Acrescento.
— Também.
— E acha que dinheiro resolve tudo.
— Ainda acho — diz, atrevida.
— Meu Deus — começo a rir de mim mesma, por estar ouvindo isso.
— Viu?
— O quê? — Não entendo.
— Você está rindo — aponta para meu rosto.
— Não muda o fato de que estou brava — Aviso.
— Mas melhora.
— Não muito.
Ela volta para trás de sua mesa e se senta, colocando a pasta que está em sua mão à sua frente. Ela me encara por alguns segundos sem dizer nada, e eu faço o mesmo.
— Então podemos conversar sobre o aumento? — Quebra o silêncio.
— Não — Cruzo os braços, emburrada.
— Você vai receber — Avisa.
— Não vou aceitar — Contrario ela.
— Já está decidido — ela volta à postura de chefe.
— Você é inacreditável. — Minha vontade é chacoalhá-la até que ela entenda que eu não quero o dinheiro dela.
— Obrigada.
— Isso não foi elogio — digo baixo.
— Eu sei.
Antes que eu possa responder, alguém bate na porta. Dessa vez, Marcela não precisa dizer nada, a pessoa abre a porta sem esperar autorização. Chica aparece e Heloísa está ao lado dela.
— Desculpa interromper — Chica entra — mas já dei andamento na alteração salarial da Victoria.
— Você... — Viro lentamente em direção a Marcela.
— Eu avisei que já estava decidido — ela levanta as mãos.
— Eu vou matar você — aponto para ela.
— Boa sorte. — Me desafia.
Heloísa olha para nós duas e ouço a risada de Chica, mas não desvio o olhar da minha adorável chefinha, que se acha a dona do mundo inteiro.
— A mamãe está brava? — Minha filha pergunta.
— Um pouco — respondo e me viro em direção a ela.
— Muito — Marcela sorri enquanto fala, e isso me irrita muito.
— Mas você gostou da escola nova? — Dirijo-me à minha filha.
— Gostei muito! — Ela me olha com os olhos brilhando e se aproxima.
— Gostou mesmo? — Pergunto na esperança de ela dizer que não gostou e prefere a antiga.
— Tem uma biblioteca enorme! — Ela começa a contar nos dedos. — E uma sala de artes, uma quadra, um lugar para fazer teatro e um jardim.
— Ela decorou tudo — olho para Marcela.
— Eu percebi — ela diz com um sorriso vitorioso.
— E eu gostei das roupas — Helô dá pequenos pulinhos.
— Isso eu também percebi. — Digo, rendida.
— Eu fiquei bonita? — Ela coloca os óculos escuro.
— Ficou linda.
Abaixo-me para ficar da sua altura, ela sorri satisfeita e me dói admitir que ver minha filha tão feliz me faz pensar que Marcela não fez algo ruim, só teve a infelicidade de fazer sem me consultar.
Heloisa olha para Marcela, depois ao redor, encarando a sala toda até parar na minha chefe novamente.
— E eu gostei de ver a mamãe trabalhando — ela solta um sorrisinho tímido.
— Gostou? — Marcela franze o cenho.
— Sim — Heloísa segura minha mão e me encara. — Você trabalha muito.
— Trabalho — sinto o peso dessa palavra.
— Um dia eu quero ser importante igual a ela — faz um gesto com a cabeça para a mulher sentada atrás da mesa.
— Igual a mim? — Marcela arregala os olhos. — Por quê?
— Porque você manda em todo mundo — minha filha é sincera.
Chica começa a rir, eu cubro a boca e Marcela parece ofendida, ou apenas se faz para brincar com a minha filha.
— Eu não mando em todo mundo — Retruca.
— Manda sim — minha filha a afronta. — Você mandou a mamãe ganhar mais dinheiro.
— Viu? — Olho para Marcela querendo matá-la.
— Está vendo? — ela aponta para Heloisa. — Sua filha entende de negócios.
— Minha filha entende que você é mandona — digo sarcástica.
— Isso também é uma habilidade de liderança — dá de ombros.
— Não ensina isso para ela — a repreendo.
— Quando eu crescer, quero ter uma sala grande igual à sua — minha filha volta a se direcionar à minha chefe.
Marcela se levanta e vem até nós, se abaixa diante dela e segura em sua mãozinha que está livre. Tento não me derreter com essa cena.
— Você pode ter uma sala ainda maior — ela soa sincera.
— E posso comprar muitas coisas? — Pulguinha se empolga com o assunto.
— Pode.
— E mandar nas pessoas? — Se empolga muito.
— Se você for a chefe.
— Então eu quero ser chefe — ela estufa o peito.
— Parabéns — interrompo o diálogo e olho para Marcela.
— O quê? — Questiona sem entender.
— Você criou uma pequena versão sua em menos de vinte e quatro horas.
— Não é minha culpa se ela tem bom gosto — Marcela ri e se levanta.
— Ela tem sete anos.
— Exatamente — leva os dedos ao queixo, como se avaliasse algo. — Ainda temos tempo para aperfeiçoar.
— Marcela!
Heloísa começa a rir e eu também. A discussão ainda não acabou, meu aumento ainda me incomoda, a escola nova ainda vai precisar ser conversada. E eu ainda não aceitei completamente a ideia de Marcela simplesmente decidir coisas enormes sobre a nossa vida.
Mas, olhando para minha filha sorrindo daquele jeito, percebo uma coisa. Talvez eu esteja brava porque ela fez tudo certo da maneira errada. E, infelizmente, isso é muito a cara de Marcela.

******

Já passa das oito da noite quando percebo que a editora finalmente ficou silenciosa. Eu ainda tenho algumas coisas para conferir antes de ir embora.
E existe uma em particular que está me incomodando desde que abri a agenda de amanhã. Então, caminho até a sala de Marcela e bato duas vezes na porta.
— Entra — ouço sua voz autorizar minha entrada.
Abro a porta e encontro Marcela exatamente como imaginei: sentada atrás da mesa, os olhos presos ao computador e uma das mãos apoiada no teclado enquanto a outra segura uma caneta.
Há documentos espalhados por praticamente toda a mesa, uma xícara de café ao lado do computador e uma expressão concentrada que me faz pensar que ela provavelmente nem percebeu o horário.
— Você ainda está trabalhando? — Pergunto.
— Infelizmente — ela não desvia o olhar do computador.
— Então somos duas. — Fecho a porta atrás de mim e me aproximo.
— Você deveria ter ido embora.
— Você também — digo e, dessa vez, ela olha para mim por cima da tela.
— Eu sou a dona da empresa. — Arqueia a sobrancelha.
— E eu sou a funcionária que está cansada de ver a dona da empresa trabalhando até tarde.
— Isso foi uma reclamação formal? — Um sorriso discreto aparece em seus lábios.
— Considere um aviso.
Ela volta a atenção para o computador, e eu puxo a cadeira diante da mesa antes de me sentar.
— Vim falar sobre a agenda de amanhã. — Começo.
— Algum problema? — Questiona.
— Talvez.
— O que aconteceu? — Ela finalmente para de digitar.
— Tem uma reunião marcada às onze da manhã e está escrito apenas "nova autora".
Marcela olha para mim por alguns segundos, como se já soubesse exatamente aonde quero chegar. Ela espera que eu dê continuidade, mas não digo nada.
— E?
— E que isso não parece a sua agenda — digo o óbvio.
— Por quê?
— Porque você sempre coloca tudo. Nome, telefone, quem indicou, editora anterior, agente, observações... Às vezes eu acho que você coloca até o signo das pessoas.
— Não cheguei nesse nível — ela solta uma risada baixa.
— Ainda — Pontuo.
— Eu não coloquei as informações porque não tenho as informações. — Explica.
— Como assim?
— Consegui marcar essa reunião hoje, praticamente em cima da hora — Continua.
— Com uma autora que você nunca recebeu antes? — Estranho.
— Sim.
— E você marcou para amanhã? — Olho com desconfiança.
— Sim.
— Você está escondendo alguma coisa? — Cruzo os braços.
— Não.
— Então me explica — peço, já que ela está sendo muito vaga.
— Um dos nossos editores me mostrou algumas páginas dela, não era um material que chegou oficialmente para a editora. Ele recebeu por indicação de uma pessoa em comum, leu, gostou e me pediu para dar uma olhada.
— E você gostou?
O olhar dela muda um pouco, é sutil, mas percebo. Marcela é uma ótima profissional e já apostou em vários autores em que mais ninguém acreditava. Ela tem o tato, mas normalmente não se empolga muito antes de conhecer a pessoa.
— Gostei.
— Muito? — Fico curiosa.
— O suficiente para querer conhecê-la.
— E você acha que ela tem potencial para a editora? — Tento colher mais informações.
— Acho que ela pode ser um talento muito promissor. — Diz — Parece alguém que ainda não sabe exatamente o que tem nas mãos, a história precisa de trabalho, o texto precisa ser lapidado, talvez a estrutura precise mudar. Mas existe alguma coisa ali, uma voz própria, uma maneira diferente de contar. E isso não se ensina facilmente.
— Você está empolgada — observo-a por alguns segundos.
— Talvez um pouco. — Admite.
— Então agora estou curiosa para conhecer essa tal nova autora.
— Amanhã você conhece.
— Se ela sobreviver à sua entrevista — solto uma risada.
— Eu não sou tão assustadora assim.
— Marcela, você consegue fazer um adulto pedir desculpas por um erro que ele nem cometeu.
— Exagerada. — Ela gargalha.
— Realista.
— Onde está a Heloísa? — Marcela ergue os olhos imediatamente. — Achei que estivesse com você.
— Não.
— Então onde ela está? — Ela franze a testa.
— Na casa da Chica — Conto.
— Ah! Sim. — Marcela olha para o relógio. — Meu Deus, já passou das oito.
— Eu avisei.
Marcela fecha o computador e começa a organizar os documentos da mesa. Eu me levanto, mas continuo ali enquanto ela guarda algumas pastas.
— Amanhã precisamos resolver uma coisa — ela diz.
— O quê? — Me surpreendo.
— Sua roupa para a festa.
— Você já comprou roupas para mim. — Aviso.
— Eu lembro.
— Então qual é o problema? — Fico sem entender.
— Nenhum problema — dá de ombros. — Só precisamos marcar um dia para irmos comprar sua roupa, para combinar com a minha.
— Nós? — Ela olha para mim como se a pergunta fosse absurda.
— Claro que nós — Responde.
— Você não precisa ir — a provoco. — Só me falar a cor da sua roupa e eu compro uma adequada.
— Preciso. — Diz, firme.
— Por quê?
— Porque eu quero escolher. — Solta um sorrisinho.
— Ah. — Cruzo os braços. — Então esse é o verdadeiro motivo.
— Talvez.
— Você quer escolher o que eu vou vestir — Reviro os olhos. — Por quê?
— Porque quero ver você bonita — fala com tanta naturalidade que meu coração dá uma pequena acelerada.
— Eu já fico bonita sem você escolher minhas roupas — Digo.
— Eu sei. — Ela se levanta e se aproxima. — Mas eu quero escolher alguma coisa que faça você se sentir tão bonita quanto eu acho que você é.
— Você sabe ser convincente quando quer. — Não consigo evitar o sorriso.
— Eu sei.
— Então precisamos mesmo marcar um dia.
— Ótimo.
Ela termina de guardar os papéis e se aproxima ainda mais. Só então percebe que ainda existe alguma coisa diferente no meu jeito, mesmo que eu tenha tentado disfarçar.
— Você ainda está chateada comigo — não é uma pergunta.
— Um pouco — Admito.
Marcela se inclina e deposita um beijo rápido na minha testa. Fico parada e ela beija minha bochecha, depois o canto dos meus lábios.
— Marcela...
— O quê? — Ela sorri. — Estou negociando.
— Com beijo? — Rio de sua negociação.
— Está funcionando?
— Talvez — tento soar séria, mas falho miseravelmente.
Ela me beija novamente, dessa vez nos lábios. É um beijo curto, carinhoso, mas é impossível permanecer brava com ela por muito tempo.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
A

Alice Maria

12/10/2026 às 17:03

Posta maisssss capítulo. Pelo amor de Deus
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