Capítulo 25

Capítulo 25 - Um Pedido

de A Promessa do Vale, por Lady Texiana

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O som da declaração de Stephanie ainda flutuava no ar da varanda, denso e carregado de significados, de sentimentos não ditos, mas Jane não pronunciou uma única palavra em resposta. Palavras pareciam subitamente escassas, insuficientes e perigosamente lentas para traduzir a turbulência que se instalara em seu peito. Em vez de responder, Jane usou a mão esquerda livre para segurar a nuca de Stephanie, enredando os dedos na maciez dos cabelos loiros e puxando a executiva de volta para si com um ímpeto que dispensava qualquer outro gesto.
O beijo que se seguiu foi profundo, demorado e despido de qualquer urgência. Se nos encontros anteriores ali no rancho e na cidade estava presente a faísca do confronto e da disputa, dessa vez ali, sob a penumbra da varanda do Rancho Brown, a entrega era pura, completa. Os lábios de Stephanie se abriram acolhendo os de Jane em uma cadência suave, explorando cada canto com uma ternura faminta que fazia o peito da rancheira comprimir-se. O aroma amadeirado do perfume de Stephanie, cobria o aroma de poeira e óleo que marcara o dia exaustivo de trabalho de Jane.
Elas permaneceram no velho banco de madeira de balanço por um tempo que perdeu qualquer contagem racional. As correntes de ferro rangeram baixinho algumas vezes, embaladas pelo movimento sutil de seus corpos ajustando-se no espaço reduzido. A mão de Stephanie subiu pela lateral do rosto de Jane, o polegar acariciando a pele bronzeada da bochecha, descendo pela linha da mandíbula com uma leveza que parecia querer memorizar cada contorno. Jane, por sua vez, mantinha a mão esquerda firmemente cravada na cintura de Stephanie, puxando-a para mais perto, sentindo o calor que emanava do corpo daquela mulher atravessar o tecido das roupas de ambas e aquecer a noite que começava a esfriar com a aragem da noite.
A brisa de fim de noite soprava rasteira sobre a relva seca do pátio, mas na varanda a atmosfera permanecia aquecida pela intimidade compartilhada. O silêncio era interrompido apenas pelo som suave de suas respirações descompassadas, pelos suspiros abafados contra a pele do pescoço e pelo estalar dos lábios quando se separavam por frações de segundo, apenas para se buscarem novamente como uma sede renascida.
Foi quando um som nitidamente inesperado rompeu o transe de ambas.
Um ronco alto e inconfundível partiu do estômago de Stephanie, ecoando de forma audível na varanda silenciosa.
O movimento dos lábios de Stephanie estancou no meio de um beijo na curva macia do pescoço de Jane. A executiva afastou o rosto lentamente, os olhos azuis brilhando sob a claridade fraca da lâmpada externa, e soltou uma risada baixa, sincera e um pouco constrangida. A postura impecável da presidente e herdeira do império que era a White & Sovereign dissolvia-se completamente naquele riso genuíno, fazendo surgir pequenas linhas de expressão ao redor de seus olhos.
— Meu Deus... — murmurou Stephanie, levando a mão ao estômago e balançando a cabeça. — Eu acho que a minha dignidade acaba de ir por água abaixo.
Jane soltou um riso rouco, o peito subindo e descendo devagar enquanto observava o rubor suave que cobria as maçãs do rosto de Stephanie.
— A que horas você comeu alguma coisa hoje? — perguntou Jane, a voz ainda um pouco rouca pelos beijos e pela intimidade do contato prolongado entre elas.
— Eu tomei uma xícara de café preto e comi um croissant às sete da manhã no hotel antes de ir para o QG e depois passei o resto do dia revisando relatórios do conselho até decidir entrar no carro e vir para cá, nem sequer lembrei de comer — confessou Stephanie, exibindo um sorriso de canto. — Para ser honesta, estou morrendo de fome.
— Eu também estou — admitiu Jane, soltando devagar a cintura de Stephanie, colocando a mão apoiada na borda do banco de madeira. — O trabalho no canal hoje foi pesado. Na cozinha tem alguns bifes de contrafilé que o Hank separou da última carneada, batatas para fritar e salada verde com tomates frescos no refrigerador. É uma refeição simples, de rancho... não sei se atende ao seu padrão de Chicago.
Stephanie encarou Jane com um olhar que misturava divertimento e uma ternura velada.
— Não só me atende perfeitamente — disse a executiva, levantando-se do banco de balanço com um gesto ágil e estendendo a mão para Jane —, como eu faço questão de ir para a cozinha e preparar tudo. Você passou o dia inteiro consertando motores e lidando com gado, e ainda está com esse ombro imobilizado. Hoje quem vai para o fogão sou eu.
Jane olhou para a mão estendida de Stephanie, surpresa pela oferta, e aceitou o apoio para se levantar do banco.
— Você sabe fritar batatas e passar um bife em uma frigideira de ferro antigo, Stephanie White? — provocou Jane, o canto dos lábios curvando-se em um sorriso cético enquanto desciam o olhar para as mãos bem-cuidadas da executiva.
— Você ficaria surpresa com as coisas que eu sei fazer quando não estou cercada por advogados, planilhas financeiras e analistas de risco naquelas reuniões intermináveis e chatas — Stephanie rebateu com ar de superioridade brincalhona, abrindo a porta pesada de madeira e dando passagem para que a rancheira entrasse primeiro.
A cozinha do Rancho Brown era um cômodo espaçoso, dominado por uma grande mesa de fórmica no centro, armários de pinho azul escuro e fundo branco nas paredes e um antigo fogão de ferro fundido que mantinha o ambiente confortavelmente aquecido, além de um fogão a gás mais moderno. O cheiro de madeira polida e café repousava no ar, acolhedor e familiar.
Stephanie pendurou seu casaco no suporte ao lado da porta e dobrou cuidadosamente as mangas de sua blusa de gola alta creme até a altura dos cotovelos. A imagem da herdeira da Holding movendo-se com naturalidade pela cozinha simples de uma fazenda do Nebraska tinha algo de profundamente irreal, contudo absolutamente fascinante para Jane, que sentou-se em uma das cadeiras da mesa para observar.
— Onde ficam as frigideiras? — perguntou Stephanie, abrindo as portas do armário inferior com uma curiosidade prática.
— No último armário, à esquerda do fogão — instruiu Jane, indicando com a cabeça. — A gordura para fritar as batatas está no pote de cerâmica ao lado do sal. Os bifes estão na gaveta inferior da geladeira, já temperados com sal, alho e pimenta moída.
Stephanie acenou e pôs-se a trabalhar. O silêncio que se instalou na cozinha não trazia a menor sombra de incômodo; era um silêncio confortável, preenchido apenas pelos ruídos domésticos que pareciam desacelerar o ritmo frenético dos últimos dias. O estalar do fogo acendendo sob a boca do fogão a gás, o chiado característico da gordura quente na frigideira de ferro e o som da faca cortando as batatas em tiras finas sobre a tábua de madeira ritmavam o ambiente.
Jane acompanhava cada gesto com atenção, curiosa. Vez ou outra, levantava-se da cadeira para orientar onde estavam os pratos de louça, a travessa para a salada verde e os tomates ou os panos de prato. Quando Jane se aproximava demais do balcão para alcançar um tempero com a mão esquerda livre, Stephanie não perdia a oportunidade de roçar o ombro no dela ou de deixar a mão repousar por um segundo a mais na cintura da rancheira, um toque fluido e natural que arrancava pequenos suspiros involuntários em Jane.
Em menos de meia hora, a cozinha estava impregnada por um aroma suculento de carne temperada, cebolas caramelizadas e batatas douradas.
Stephanie serviu duas travessas fundas de cerâmica, posicionou a salada verde com os tomates picados no centro da mesa de fórmica e buscou dois copos no armário. Sentaram-se uma de frente para a outra. A refeição transcorreu sem discursos ou menções às disputas pela água do Vale ou terras. Comeram com apetite genuíno, trocando olhares breves e sorrisos contidos através do vapor da comida quente. A elegância natural de Stephanie ao manusear o garfo e a faca contrastava com a simplicidade da louça de rancho, mas a executiva parecia saborear cada pedaço do bife de contrafilé com uma satisfação genuína que desarmava qualquer tentativa de Jane de manter a guarda erguida.
— Devo admitir — disse Jane, limpando os lábios com o guardanapo de pano após terminar sua porção — que o seu bife não fica devendo em nada ao que o Hank prepara na churrasqueira da casa dele.
Stephanie ergueu a sobrancelha, um brilho de orgulho satisfeito surgindo em seus olhos azuis.
— Considerarei isso o maior elogio que já recebi no estado do Nebraska — respondeu a executiva, recostando-se na cadeira com um suspiro leve de saciedade.
Depois que recolheram os pratos e os deixaram na pia para o dia seguinte, Stephanie caminhou até a antiga geladeira de trinco metálico, abriu a porta e retirou uma garrafa de cerveja gelada. Usou o abridor que Jane havia deixado em cima do balcão, ouvindo o estalo da tampa de metal cair na caixinha de coleta ao lado da pia.
Com a garrafa verde na mão, Stephanie deixou a cozinha e caminhou pelas tábuas de madeira do corredor até a sala de estar da casa.
A sala do Rancho Brown era um ambiente aconchegante, que no inverno rigoroso era aquecida por uma lareira de pedras rústicas e naquela noite estava iluminada por dois abajures de cúpula de tecido que projetavam uma luz dourada e suave. O sofá largo e confortável, coberto pela manta quadriculada, ocupava o centro do espaço, defronte a uma mesa de centro de madeira maciça cheia de revistas agrícolas e cachimbos antigos do avô e que depois foram usados por Freddie, o falecido pai de Jane.
Stephanie aproximou-se do sofá, sentou-se na extremidade esquerda e apoiou as costas com conforto contra as almofadas de tecido, dando um gole longo na cerveja gelada.
Jane entrou na sala logo em seguida. Ela hesitou por um segundo na transição do corredor, o olhar oscilando entre a figura de Stephanie e o espaço ao redor. Em um reflexo quase automático de cautela e autodefesa, Jane caminhou até o sofá e sentou-se na outra extremidade, a quase um metro de distância de Stephanie, apoiando o braço saudável sobre o joelho e mantendo o corpo rígido.
Stephanie acompanhou a atitude da rancheira com os olhos azuis fixos. Ela manteve a garrafa de cerveja na altura do peito, soltou um suspiro profundo de pura exasperação e balançou a cabeça devagar, uma certa frustração estampada em cada traço de seu rosto.
— Jane... — disse Stephanie, a voz carregada de um tom ironicamente calmo. — Eu até mordo na cama, e pretendo mesmo dar umas belas mordidas em você hoje, não vou negar... mas agora, que tal você deixar esse seu orgulho ridículo de lado, sentar aqui bem pertinho de mim?
A franqueza direta e acentuadamente sensual da frase atingiu Jane como um golpe súbito, um lembrete de como a executiva era direta quando se tratava de flertar com ela. Um rubor incandescente subiu instantaneamente pelo pescoço da rancheira, cobrindo suas bochechas de um vermelho vivo que a luz amarelada do abajur só fez destacar. Jane piscou, pega de surpresa pela audácia e sensualidade da executiva, e encarou Stephanie.
— Você... você não existe, Stephanie — murmurou Jane, tentando disfarçar o constrangimento, embora seu coração tivesse disparado no peito mais uma vez.
— Estou esperando — reforçou Stephanie, dando mais um gole na cerveja e indicando com o queixo o espaço vazio exatamente ao seu lado no estofado.
Sem argumentos e completamente dominada pela atração inevitável que a puxava na direção daquela mulher, Jane cedeu. Ela deslizou pelo estofado macio do sofá, encurtando o espaço entre as duas até que suas coxas se tocassem firmemente.
A proximidade imediata trouxe de volta o calor do corpo de Stephanie e aquele aroma magnético que parecia entorpecer a razão de Jane. Stephanie não perdeu um único segundo: assim que Jane se acomodou ao seu lado, a executiva pousou a garrafa de cerveja na mesa de centro, girou o corpo no sofá e avançou sobre a rancheira.
Antes que Jane pudesse articular qualquer protesto, a mão esquerda de Stephanie envolveu a lateral do pescoço de Jane, puxando-a para um beijo ardente, afoito e profundamente carnal.
A calma do jantar evaporou no instante em que seus lábios se chocaram. O beijo começou quente, faminto, com a língua de Stephanie invadindo a boca de Jane com uma posse absoluta que fez a rancheira soltar um gemido abafado contra sua boca. A mão livre de Stephanie desceu pelas costas de Jane, contornando a curva de sua cintura e apertando o tecido da camiseta com uma intensidade que eliminava qualquer resquício de resistência, diminuindo ainda mais a distância entre seus corpos.
Jane correspondeu com a mesma voracidade que ditava os movimentos de Stephanie. Sua mão esquerda subiu rapidamente para a gola da blusa creme de Stephanie, puxando a executiva para cima de si no sofá. O estofado macio protestou sob o peso combinado de seus corpos. Stephanie ajustou a posição com um cuidado milimétrico para não pressionar o ombro ainda imobilizado de Jane, projetando o próprio tronco sobre o da rancheira, aprofundando o beijo até que ambas ficassem completamente sem fôlego.
Os lábios de Stephanie deslizaram da boca de Jane para a linha de seu queixo, descendo em mordidas suaves e beijos úmidos pela pele sensível do pescoço, fazendo Jane arquear o corpo no sofá e cravar as unhas nas costas de Stephanie.
— Viu? — sussurrou Stephanie contra a pele do pescoço de Jane, a voz rouca e entrecortada pela respiração acelerada, os lábios roçando a clavícula da rancheira. — Não dói nada ficar perto de mim.
— Você é insuportável... — arfou Jane, a cabeça pendendo para trás contra a almofada do sofá, os olhos castanhos turvos de desejo enquanto a mão esquerda acariciava a nuca de Stephanie.
— Insuportável, mas você não consegue ficar a um metro de distância sem se entregar a mim — provocou Stephanie baixinho, voltando a procurar a boca de Jane com um beijo lento, demorado e carregado de uma intimidade incandescente que fez o ambiente da sala parecer subitamente pequeno demais.
Quando os lábios finalmente se separaram por alguns milímetros, Stephanie permaneceu reclinada sobre Jane, a testa apoiada na dela, os olhos azuis fitando os castanhos da rancheira com uma gravidade doce e sem subterfúgios. A respiração de ambas ritmava sobre o silêncio da sala, enquanto a luz dourada do abajur desenhava contornos suaves em seus rostos.
Stephanie deslizou a mão pela bochecha de Jane, afastando uma mecha de cabelo que caíra sobre a testa da rancheira, e sustentou o olhar de Jane por longos e silenciosos segundos.
— Jane... — chamou Stephanie, a voz descendo para um tom suave, quase solene, desprovido de qualquer ironia ou provocação.
— O que foi? — murmurou Jane, os dedos ainda enredados nos cabelos loiros da executiva, os sentidos embotados pelo prazer que subia pelo seu corpo e descia, concentrando-se no meio de suas pernas como uma chama voraz, exigindo satisfação.
Stephanie umedeceu os lábios, o olhar azul fixo nos olhos de Jane, carinhoso e sincero, revelando a vulnerabilidade que ela raramente se permitia demonstrar no mundo lá fora.
— Deixe-me ficar aqui esta noite — pediu Stephanie baixinho. —... aqui, com você, na sua cama. Me deixa fazer amor com você do jeito que eu tenho imaginado...

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

2
M

Minh@linda!

27/09/2026 às 23:20

Eita, que agora Jane esquece que estar com o braço na tipóia kkk
"Sim senhora! Pode ficar"
"Cê que manda, meu anjo"
"Mi casa, su casa"
H

HelOliveira

25/09/2026 às 20:53

Pedindo assim com esse jeitinho,.claro que Jane deixa rsra
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