Capítulo 4

Capítulo 4-Antes da Chegada

de Sob Nova Direção, por Mary_b94

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Marcela Alves nunca precisou de despertador. Não porque fosse disciplinada — muito pelo contrário. Ela tinha uma relação complicada com horários, responsabilidades e qualquer coisa que exigisse estar de pé antes das sete da manhã.

O problema era que os Lençóis Maranhenses não respeitavam seus hábitos. O lugar acordava cedo, cedo demais. O som dos pássaros começava antes mesmo de o céu clarear completamente, o vento passava pelas frestas da janela trazendo aquele cheiro salgado e quente que ela já reconhecia sem precisar pensar, e ao longe os funcionários já começavam a movimentar carrinhos, abrir portas, organizar o resort para mais um dia. E havia o sol — que parecia ter algum tipo de compromisso pessoal com a pontualidade, ao contrário de Marcela.

Virou-se na cama e puxou o lençol até o nariz.

— Só mais cinco minutos.

— Você falou isso há dez.

Marcela abriu um olho. Isabela estava sentada na cama ao lado, já completamente vestida — cabelo preso, uniforme impecável, tênis calçado, bolsa pronta.

— Você é assustadora.

— Bom dia para você também.

— Que horas são?

— Seis e quarenta.

Marcela sentou-se de uma vez.

— O QUÊ?

Isabela começou a rir.

— Levanta!

— Por que você não me acordou?

— Eu acordei.

— Não acordou.

— Marcela, eu gritei seu nome três vezes.

— Você deveria ter gritado quatro.

— Eu joguei uma almofada em você.

— Eu achei que fosse parte do sonho.

— Você sonha demais.

Marcela saiu da cama procurando as chinelas.

— Eu tenho vinte minutos.

— Você sempre tem vinte minutos.

— E sempre consigo.

— Um dia você vai se atrasar.

Já estava entrando no banheiro quando respondeu:

— Esse dia não chegou.

— Porque eu existo.

Marcela abriu a porta novamente e colocou apenas a cabeça para fora.

— Exatamente. Continue fazendo seu trabalho.

— Meu trabalho não é cuidar de você.

— É o que uma melhor amiga faz — ela sorriu.

— Você é folgada.

— Mas você gosta de mim.

Isabela tentou segurar o sorriso.

— Infelizmente.

— Eu sabia.

A porta do banheiro fechou, e Isabela balançou a cabeça. Era sempre assim. Marcela conseguia transformar até uma manhã comum em alguma espécie de pequena confusão — e talvez fosse justamente isso que fazia todo mundo gostar dela. Ela nunca entrava em um lugar sem deixar alguma coisa para trás: às vezes uma piada, às vezes uma conversa, às vezes um sorriso, e em alguns casos um funcionário levemente irritado porque ela havia parado no meio do caminho para conversar quando claramente estava atrasada. Marcela simplesmente não sabia passar pelas pessoas sem enxergá-las.

A acomodação onde as duas moravam ficava numa área reservada aos funcionários do resort, escondida atrás de uma fileira de coqueiros. Era simples — dois quartos pequenos, uma sala, uma cozinha e um banheiro cuja torneira fazia um barulho estranho toda vez que era aberta. Isabela dizia que aquilo precisava ser consertado. Marcela dizia que a torneira tinha personalidade. Para qualquer outra pessoa, talvez parecesse apertado. Para Marcela, tinha virado casa.

No começo, morar longe da família fora difícil. Muito difícil. Sentia falta de São Luís, da mãe, dos irmãos, da casa cheia, da televisão ligada em algum cômodo, das discussões por causa do controle remoto, de alguém gritando seu nome do outro lado da casa. Até das brigas — principalmente das brigas.

Marcela era a caçula de uma família de oito filhos: quatro irmãs, três irmãos, e ela, a última. A mimada, segundo todos eles. A que ninguém deixava crescer completamente, segundo a própria Marcela. Podia estar a quilômetros de casa, trabalhando, estudando, pagando as próprias contas e tentando construir a própria vida — para a família, ainda era a caçula que precisava ouvir "você comeu?", "está dormindo?", "não esquece de levar um casaco", mesmo no calor absurdo do Maranhão. Sua mãe tinha o dom de acreditar que, hipoteticamente, poderia fazer frio em qualquer lugar do mundo.

Terminou de se arrumar em tempo recorde. Passou uma maquiagem leve, soltou os cabelos castanhos ainda úmidos e ficou alguns segundos diante do espelho.

— Você consegue.

Era uma mania, falar sozinha. Isabela já tinha pegado a bolsa quando ouviu.

— Você está falando com você mesma de novo?

— Estou me motivando.

— Para quê?

— Para trabalhar.

— Você precisa de motivação para trabalhar?

— Preciso de dinheiro para sobreviver.

— Pelo menos é honesta.

— Sempre.

As duas saíram.

O resort já estava movimentado. Marcela mal atravessou a primeira área externa e já ouviu:

— Bom dia, Marcela! Isa!

Ela virou imediatamente.

— Bom dia, Seu Antônio!

O homem estava perto da área de manutenção.

— Dormiu bem?

— Melhor que o senhor, aparentemente — ela apontou para as olheiras dele.

Seu Antônio riu.

— Trabalhei até tarde.

— Então vai tomar café.

— Já tomou?

Marcela fez uma pausa.

— Ainda não.

— Então não reclame de mim.

— Eu não reclamo. Eu aconselho.

— Isso é reclamar com educação.

— O senhor está ferindo minha reputação — ela colocou a mão no peito.

Isabela puxou Marcela pelo braço.

— Vamos antes que ela faça amizade com o pessoal da manutenção inteira.

— Eu já conheço todo mundo.

— Esse é o problema.

Poucos metros depois, Rosa apareceu carregando um cesto de toalhas.

— Bom dia, meninas!

— Bom dia, Rosa!

Rosa olhou para Marcela.

— Você viu os passarinhos verdes hoje?

Marcela parou.

— Não.

— Ela não sabe nem que dia é hoje, Rosa — Isabela respondeu antes.

— Eu sei, sim!

— Sabe?

Marcela pensou.

— Hoje é...

Isabela cruzou os braços.

— Exatamente.

Rosa começou a rir. Marcela apontou para ela.

— Está vendo? Ela também não sabe.

— Eu sei!

— Então estamos todas certas.

Isabela balançou a cabeça, resignada. Era impossível não rir perto de Marcela — não porque tentasse ser engraçada o tempo inteiro, mas porque era simplesmente o jeito dela. Gostava de pessoas, gostava de saber seus nomes, de perguntar pelos filhos, de ouvir histórias que provavelmente esqueceria os detalhes depois, mas nunca esqueceria o rosto de quem contou. Talvez por isso tivesse escolhido Turismo. Ou talvez o Turismo tivesse escolhido ela muito antes de perceber.

No refeitório, Marcela pegou uma bandeja — pão, frutas, suco. Isabela olhou para o prato dela, depois para Marcela, depois novamente para o prato.

— Você é nordestina.

— Sim.

— Maranhense.

— Sim.

— E não colocou cuscuz.

— Não gosto — Marcela continuou andando.

Isabela parou.

— Como assim não gosta?

— Não gosto.

— Isso é praticamente uma ofensa cultural.

— Você está exagerando — Marcela sentou-se.

— Eu me recuso a acreditar que fui morar com uma maranhense que não gosta de cuscuz.

— Você pode ir embora.

— Não vou.

— Então aceita.

Isabela sentou-se à frente dela.

— Você é estranha.

— E você continua aqui.

— Porque alguém precisa cuidar de você.

Marcela sorriu.

— Sabia.

As duas começaram a comer. Alguns minutos depois, uma senhora da limpeza passou pela mesa, e Marcela imediatamente levantou a mão.

— Bom dia!

— Bom dia, menina.

Ela continuou andando.

— Você conversa com o resort inteiro antes das oito da manhã — Isabela observou.


— Isso é networking.

— Networking?

— Estou estudando Turismo. Preciso desenvolver relações interpessoais.

— Você inventou isso agora.

— Mas parece inteligente — Marcela deu de ombros.

— Você é impossível.

— Eu sei.

Marcela realmente gostava do curso. Não era um daqueles sonhos que se dizia ter só porque ficava bonito de contar — ela queria aquilo desde pequena. Quando não podia viajar, pesquisava lugares. Quando não tinha dinheiro para conhecer outros estados, assistia documentários. Aprendeu nomes de cidades antes mesmo de conhecer algumas pessoas. Gostava de mapas, de idiomas, de ouvir sotaques diferentes — gostava, principalmente, daquela sensação de descobrir que existia um mundo muito maior do que aquele que conhecia.
Talvez fosse por isso que os Lençóis a fascinassem tanto: eram familiares e, ao mesmo tempo, infinitos. Podia olhar para aquelas dunas todos os dias e ainda encontrar alguma coisa diferente. E gostava de pensar que, de alguma maneira, ajudava outras pessoas a enxergarem aquilo também.

Marcela não queria apenas trabalhar com turismo. Queria fazer parte das memórias das pessoas. Ser aquela que alguém lembraria anos depois — a moça que mostrou aquela lagoa, aquela guia que fez a gente rir, aquela funcionária que tratou minha família como se conhecesse a gente. Era isso que importava para ela. Não cargo, não dinheiro, não status. Pessoas. Talvez porque tivesse crescido cercada por elas. Talvez porque soubesse exatamente o que significava sentir falta de alguém.

Depois do café, Marcela seguiu para a área administrativa, onde Carolina Monteiro já a esperava.

— Bom dia, Marcela.

— Bom dia, dona Carolina.

Carolina fechou os olhos por um instante.

— Quantas vezes eu preciso pedir para você me chamar de Carolina?

— Até eu me acostumar.

— E quando será isso?

— Não sei.

Carolina riu.

— Você tem um minuto?

— Tenho.

Marcela pegou os documentos e começou a conferir as informações dos passeios — rápida, atenta, e, apesar do jeito brincalhão, levando o trabalho muito a sério. Carolina percebeu.

— Você está gostando do curso?

— Muito.

— Eu sabia.

— Como?

— Você fala sobre turismo como fala sobre as pessoas.

Marcela ficou alguns segundos em silêncio, pega desprevenida.

— Isso é bom?

— É ótimo. — Carolina sorriu. — Você gosta de fazer as pessoas se sentirem bem-vindas.

— Acho que todo mundo merece isso — Marcela baixou os olhos novamente para os papéis.

Carolina ficou em silêncio por um momento, depois mudou de assunto.

— Teremos alguns hóspedes importantes chegando amanhã.

— Importantes como?

— Empresários.

— Ah.

— Só isso?

— O que você queria que eu fizesse? Uma festa?

Carolina riu.

— Nada. Só achei que ficaria curiosa.

— Para mim, hóspede é hóspede — Marcela deu de ombros, e realmente acreditava nisso. Não importava quanto dinheiro alguém tivesse; se chegasse ali, seria recebido da mesma maneira, com atenção, educação e um sorriso.

— É por isso que gosto de você — Carolina sorriu.

— Pelo excelente trabalho?

— Também.

— Também?

Carolina saiu rindo, e Marcela ficou olhando para ela.

— Eu sabia que devia ter pedido aumento.

No início da tarde, uma família precisou reorganizar um passeio. A filha pequena estava chorando. Marcela se abaixou diante dela.

— Qual seu nome?

— Sofia.

— Sofia, eu vou te contar uma coisa. Lagoa bonita gosta de aparecer quando quer.

A menina franziu a testa.

— Ela é mandona?

— Muito — Marcela abriu um sorriso.

Sofia finalmente sorriu também.

— Então amanhã ela vai estar lá?

— Se ela for inteligente, vai.

A mãe riu.

— Você tem jeito com crianças.

— Tenho sete irmãos — Marcela se levantou. — Se eu não aprendesse, provavelmente não sobreviveria.

— Sete?

— Quatro meninas, três meninos.

— E você é a mais nova?

Marcela assentiu.

— A mais perseguida. — Mimada, corrigiu uma voz masculina imaginária dentro da cabeça dela. — Eles diriam isso.

O celular vibrou no bolso. Mãe. Marcela sorriu imediatamente.

— Oi, mãe.

A imagem travou, depois voltou. Dona Teresa apareceu na tela.

— Finalmente!

— Eu estou trabalhando.

— Você sempre está trabalhando.


— E a senhora sempre liga quando eu estou trabalhando.

— Porque quando você está de folga nunca atende.

Marcela riu.

— Como estão todos?

Antes que a mãe pudesse responder, Lucas apareceu na tela.

— A caçula está viva?

— Lucas!

— Está com saudade de mim?

— Não.

— Mentira.

Camila apareceu logo depois.

— Me dá esse celular!

A tela virou de um lado para o outro, e Marcela começou a rir.

— Vocês são adultos e ainda se comportam assim?

— A culpa é sua — disse Lucas.

— Minha?

— Você foi embora.

Marcela ficou quieta por um segundo. Camila percebeu.

— Está com saudade?

— Um pouco.

— Só um pouco?

— Muito.

A mãe voltou a aparecer na tela.

— Quando você vem?

— Em breve.

— Promete?

— Prometo.

Dona Teresa observou a filha por alguns segundos.

— Você está magra.

Marcela fechou os olhos.

— Mãe...

— Está?

— Não.

— Está sim.

— Eu estou igual.

— Está comendo direito?

— Sim.

— Dormindo?

— Mais ou menos.

— Marcela.

— Eu estou bem.

A mãe continuou olhando, aquele olhar de quem sabia quando a filha estava mentindo. Mas dessa vez ela realmente estava bem — ou pelo menos acreditava estar.

— Seu pai teria orgulho de você — disse Dona Teresa.

O sorriso de Marcela desapareceu devagar. O pai. Sempre bastava uma frase, uma lembrança, uma música, uma comida — qualquer coisa — para que a saudade viesse sem pedir licença.

— Eu queria que ele estivesse aqui — ela engoliu em seco.

— Ele está — a mãe sorriu tristemente.

— Eu sei.

Não sabia. Não completamente. Mas queria acreditar.

Antes de desligar, ouviu os irmãos discutindo novamente ao fundo.

— Mãe, manda eles pararem!

— Eu não vou me meter.

— MÃE!

Ela riu, riu enquanto os olhos ainda estavam marejados, porque aquela era a família dela. Barulhenta. Caótica. Às vezes irritante. Mas dela.
Quando a chamada terminou, Marcela ficou alguns segundos olhando para a tela apagada. Sentia falta de casa. Sentia falta deles. E talvez essa fosse a única coisa que ainda doía naquele lugar que ela tanto amava — a distância.

— Pensando em quê?

Marcela quase pulou.

— Meu Deus!

Lívia começou a rir.

— Desculpa.

— Você quer me matar?

— Talvez.

— Eu ainda sou jovem — Marcela colocou a mão no peito.

— Dramática.

— Você que me assustou.

Lívia se aproximou.

— Estava com saudade.

— Nós nos vimos ontem — Marcela ergueu uma sobrancelha.

— Vinte e quatro horas é muito tempo.

Marcela tentou não sorrir. Não conseguiu.

— Você é impossível.

— Janta comigo.

— Isso foi um convite?

— Foi.

— Vou pensar.

— Você sempre diz isso.

— Porque eu gosto de pensar.

— Você pensa demais.

Marcela ficou em silêncio. Talvez pensasse mesmo — principalmente quando o assunto era sentimento. Lívia gostava dela, e Marcela sabia. Talvez gostasse de Lívia também. Esse era o problema: não sabia exatamente como. Não sabia se era carinho, atração, amizade, ou alguma coisa que poderia se tornar maior se ela tivesse coragem de deixar.

Marcela tinha muitas qualidades — coragem para falar com desconhecidos, coragem para trabalhar longe de casa, coragem para começar uma vida praticamente do zero. Mas, quando se tratava do próprio coração, era uma covarde.

— Talvez — respondeu.

— Eu espero — Lívia sorriu.

Quando ela foi embora, Marcela ficou olhando. Isabela apareceu alguns minutos depois.

— Ela te chamou para jantar?

Marcela nem precisou responder.

— Chamou.

— E?

— Talvez.

Isabela soltou uma risada.

— Você é inacreditável.

— O quê?

— Você consegue resolver problema de cinquenta hóspedes em cinco minutos, mas não consegue decidir se quer jantar com uma mulher bonita.

— Isso é diferente — Marcela apontou para ela.

— Por quê?

Marcela abriu a boca. Parou.

— Porque é.

— Exatamente — Isabela sorriu.

O fim do dia chegou quase sem que Marcela percebesse. Quando finalmente conseguiu parar, foi até o mirante. O sol estava desaparecendo atrás das dunas. Apoiou os braços na mureta e respirou fundo. Ali, finalmente, não precisava resolver nada, não precisava sorrir para ninguém, não precisava responder perguntas. Podia simplesmente existir.

Gostava daquele momento — era um dos poucos em que conseguia ouvir os próprios pensamentos. Pensou na mãe, nos irmãos, no pai, no curso, no trabalho, em Lívia. E, pela primeira vez naquele dia, percebeu que estava sorrindo sozinha.

— Sabia que te encontraria aqui.

Isabela apareceu ao lado dela. Marcela nem olhou.

— Você me persegue.

— Sim.

— Admitiu.

— Admiti.

As duas ficaram em silêncio.

— Você gosta dela? — Isabela perguntou.

Marcela demorou a responder.

— Não sei.

— Tudo bem.

— Tenho medo de gostar — Marcela respirou fundo.

— Por quê?

— Porque gostar de alguém significa que essa pessoa passa a ter poder para machucar você — ela encarou o horizonte, um sorriso pequeno nos lábios. — E eu não gosto de perder o controle.

Talvez aquela fosse a parte dela que quase ninguém conhecia. Por trás da menina que ria com todo mundo, fazia amizade facilmente e parecia não ter medo de nada, existia alguém que guardava algumas coisas bem fundo. Marcela amava intensamente. Era justamente por isso que tinha medo.

Naquela noite, depois do banho, Marcela abriu o notebook para assistir à aula. Isabela já dormia, o quarto estava silencioso. O celular vibrou.
Carolina: Marcela, amanhã preciso de você na recepção no início da noite. Teremos a chegada de alguns hóspedes e quero que ajude a equipe.

Marcela: Claro. Estarei lá.

Carolina: São hóspedes importantes.

Marcela: Para mim todos são.

Colocou o celular de lado, abriu a aula, tentou prestar atenção. Cinco minutos depois, já estava olhando para o teto.

— Eu devia ter escolhido um curso presencial.

A voz baixa fez Isabela se mexer na cama.

— O quê?

— Nada.

— Você estava falando sozinha?

— Não.

— Estava.

— Dorme.

Isabela virou para o outro lado. Marcela sorriu, e pouco depois adormeceu — sem saber que, no dia seguinte, o resort receberia uma nova hóspede.

Uma mulher de cabelos ruivos. Olhos verdes. Elegante. Reservada. Acompanhada do noivo.
Uma mulher que chegaria à recepção sem saber absolutamente nada sobre Marcela Alves. Nada sobre sua família. Nada sobre o pai. Nada sobre seus sonhos. Nada sobre a menina que gostava de conversar com desconhecidos. Nada sobre seu medo de se apaixonar. E, principalmente, nada sobre o fato de que aquela garota sorridente atrás do balcão estava prestes a se tornar a pessoa mais difícil de ignorar em sua vida.
Marcela ainda não sabia. Para ela, o dia seguinte seria apenas mais um dia de trabalho. Mais um café. Mais hóspedes. Mais conversas. Mais um pôr do sol.

Ela ainda não sabia que algumas pessoas chegam à nossa vida como desconhecidas. E, quando percebemos, já não conseguimos imaginar como era a vida antes delas.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
L

Luna33

13/09/2026 às 15:13

Duas pessoas que sofrem quando perdem o controle de tudo ao seu redor.
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