Capítulo 2

Capítulo 2 — Sarah

de O Destino, por Leoa da Estrela

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O despertador tocou pela terceira vez.
Sarah Sullivan abriu os olhos lentamente e ficou alguns segundos encarando o teto.
— Só mais cinco minutos...
Estendeu a mão para desligar o despertador, mas parou no meio do caminho quando ouviu a voz da mãe do outro lado da porta.
— Sarah! Você vai se atrasar outra vez!
— Já estou acordada, mãe!
— Você disse isso há dez minutos!
Sarah suspirou e finalmente saiu da cama.
Cinco minutos depois, estava em frente ao espelho tentando domar os cabelos ruivos que insistiam em ficar exatamente onde queriam.
— Um dia eu ainda vou cortar você bem curtinho — ameaçou os próprios cabelos.
Eles, obviamente, não responderam.
Sarah riu sozinha.
Era assim quase todas as manhãs.
Acordar atrasada, correr, reclamar dos cabelos, ouvir a mãe dizer que precisava comer e sair de casa jurando que no dia seguinte faria tudo diferente.
Nunca fazia.
Desceu as escadas ajeitando a blusa e encontrou Margareth na cozinha.
A mãe estava terminando de preparar o café da manhã.
— Bom dia, minha filha.
— Bom dia, mãe.
Sarah beijou-lhe a testa e pegou a bolsa em cima da cadeira.
— Senta e come alguma coisa.
— Não dá, mãe. Eu já estou atrasada.
— Sarah...
— Eu como alguma coisa no trabalho, prometo.
Margareth cruzou os braços.
— Você sempre promete isso.
Sarah sorriu.
— E quase sempre cumpro.
— Quase não alimenta ninguém.
Sarah riu e finalmente pegou uma torrada.
— Pronto. Feliz?
— Agora sim.
Ela deu uma mordida enquanto procurava as chaves.
— Hoje eu volto um pouco mais tarde.
— Vai sair depois do trabalho?
Sarah balançou a cabeça.
— Não. Hoje é terça.
A expressão de Margareth mudou levemente.
Ela sabia.
Terça-feira era o dia de Sarah.
Desde que era criança, Sarah mantinha aquele ritual.
Todas as semanas, sem exceção.
— Vai levar flores?
— Vou passar na florista antes.
Margareth assentiu.
— Seu pai ia gostar.
Sarah sorriu, mas dessa vez não respondeu imediatamente.
Pegou a bolsa e respirou fundo.
— Eu sei.
Ela se aproximou da mãe e beijou sua testa.
— Até logo, mãe.
— Até logo, minha filha. E não corra pela rua!
Sarah já estava abrindo a porta.
— Eu nunca corro!
Margareth soltou uma gargalhada.
— Você nasceu correndo!
Sarah saiu antes que a mãe pudesse continuar.
Do outro lado da rua ficava o terminal de autocarros.
Ela olhou para o relógio.
08h07.
— Droga.
Começou a andar depressa.
Depois acelerou.
E então começou a correr.
O autocarro estava parado no terminal, com as portas ainda abertas.
— Espera! — gritou.
Sarah apertou a bolsa contra o corpo e correu ainda mais.
Não podia perder aquele autocarro.
O próximo demoraria quase vinte minutos, e seu chefe já havia deixado bem claro que atrasos não seriam tolerados outra vez.
Ao atravessar a rua, Sarah olhou rapidamente para o terminal.
Foi o suficiente para cometer um erro.
Não olhou para o outro lado.
Não percebeu a motocicleta que se aproximava.
Não viu Megan.
O ronco do motor surgiu de repente.
Sarah virou a cabeça.
Os olhos se arregalaram.
A Harley estava perto demais.
— Meu Deus!
Megan viu a mulher surgir na frente da moto.
— Cuidado!
Pisou no freio com força.
Os pneus cantaram contra o asfalto.
Sarah parou no meio da rua.
Por uma fração de segundo, nenhuma das duas se mexeu.
O coração de Sarah batia tão forte que parecia querer sair do peito.
Megan levantou a viseira do capacete.
— Você não olha por onde anda, não?
Sarah piscou, ainda tentando recuperar o fôlego.
— Eu?!
— Sim, você!
— Você quase me atropelou!
Megan soltou uma risada incrédula.
— Eu quase te atropelei? Você simplesmente atravessou a rua sem olhar!
Sarah colocou as mãos na cintura.
— E você vinha em alta velocidade!
— Eu estava dentro do limite.
— Não parecia!
Megan ia responder, mas Sarah olhou para o relógio.
08h09.
— O meu autocarro!
Virou-se e saiu correndo.
— Ei! — Megan gritou. — Você vai simplesmente embora?
Sarah continuou correndo.
— Não acredito...
Megan ficou parada por alguns segundos, olhando para a mulher desaparecer em direção ao terminal.
— Há cada maluca...
Abaixou novamente a viseira.
Ligou a moto.
E seguiu seu caminho.
Nenhuma das duas sabia que aquele encontro não terminaria ali.
Nenhuma delas poderia imaginar que, algumas horas depois, voltariam a se encontrar.
E, quando isso acontecesse, o passado que ambas acreditavam enterrado há anos estaria prestes a voltar à superfície.

Fim do capítulo

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