Valentina
Quando cheguei na casa da Theo aquela manhã, já sabia que faltava pouco para acabar o trabalho e pela primeira vez desde que tinha começado a organizar o acervo da Helena, a ideia de terminar não me deixou nem um pouco aliviada.
Pelo contrário, deixou um vazio estranho.
Marta abriu a porta com o mesmo sorriso de sempre.
- Bom dia Querida.
- Bom dia Marta.
- Dona Theo está no escritório.
Eu parei.
- No escritório?
- Desde cedo.
- Trabalhando?
Marta deu de ombros.
- Diz que sim. – Sorri.
- Isso está perecendo uma crítica.
- Trabalho com ela há tempo suficiente para saber quando está trabalhando e quando está apenas fingindo estar ocupada.
- Marta... – sorri.
- O quê? Eu não disse nada.
Ela saiu rindo antes que eu pudesse responder, fui para o escritório, a porta estava aberta e The estava sentada na escrivaninha com o notebook, mas não parecia nada interessada no que estava na tela.
Ela levantou os olhos assim que passei pela porta.
- Você está atrasada.
Olhei para o relógio.
- Três minutos.
- Está piorando.
- Você está contando?
- Alguém precisa manter o padrão nessa casa.
- E eu aqui achando que você tem uma empresa para comandar.
- Eu tenho.
- Mesmo assim está aqui.
- Isso parece que está te incomodando.
- Nem um pouco.
Era verdade e talvez esse fosse o problema.
Tirei o casaco e coloquei sobre a poltrona, Theo acompanhou o movimento e dessa vez não tentou esconder, eu percebi e não disse nada.
Havia alguns dias que nossas conversas tinham mudado, não muito, mas o suficiente.
Os silêncios duravam mais e os olhares também.
As provocações vinham acompanhadas de uma coisa que nenhuma das duas parecia querer nomear e desde o toque do dia anterior, meu corpo estava estupidamente consciente da presença dela.
De onde ela estava, quanto se aproximava, quando passava atrás de mim, isso esta ficando irritante.
— Hoje termino — falei.
A expressão dela mudou, quase nada, mas mudou.
— Tudo?
— Se não aparecer outra caixa secreta em algum lugar, sim.
Theo olhou ao redor.
— Rápido.
— Você queria rapidez.
— Eu sei.
— Está decepcionada?
— Por que estaria?
— Não sei.
Ela voltou os olhos para o notebook.
— Então não inventa. - Sorri.
Fui até a última caixa, não tinha muita coisa, somente alguns cadernos, envelopes, documentos antigos e livros que provavelmente tinham sido separados pela própria Helena.
Theo permaneceu ali, dessa vez, sem fingir que tinha uma razão.
Eu trabalhava e, de vez em quando, sentia o olhar dela.
Quando olhava de volta, ela desviava.
Na terceira vez, cansei.
— Quer alguma coisa?
— Não.
— Então para de me olhar.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Eu não estava olhando.
— Claro.
— Você está muito convencida.
— Aprendi com você.
Theo sorriu.
— Péssima aluna.
— Professora questionável.
Voltei para a caixa e alguns minutos depois, encontrei um envelope maior, sem identificação.
Abri só o suficiente para entender o conteúdo, fotografias, muitas.
— Theo.
Ela se aproximou.
— Mais alguma coisa?
— Fotos.
Sentei no chão e espalhei algumas sobre o tapete, Theo se ajoelhou ao meu lado.
Helena em diferentes fases da vida, mais nova, com amigas, em viagens, eventos e algumas com Theo criança.
Peguei uma em que as duas estavam na cozinha, Theo devia ter uns oito anos, estava com farinha no cabelo, e Helena parecia rir de alguma coisa.
Entreguei, Theo olhou e sorriu, não o sorriso que usava com as pessoas.
Outro, mais tranquilo.
— Eu lembro disso.
— O que aconteceu?
— Ela tentou me ensinar a fazer pão.
— Tentou?
— Eu tinha oito anos.
— Crianças de oito anos conseguem aprender.
— Eu não.
— Isso explica muita coisa.
Ela me empurrou de leve com o ombro.
— Cala a boca.
Ri.
— E o pão?
— Ficou horrível.
— Você fez?
— Ela fez.
Comecei a rir mais e Theo também.
— Então talvez a culpa não fosse sua.
— Eu falei isso durante anos.
Ficamos olhando outras fotos, havia alguma coisa boa naquela manhã, a Theo conseguia falar da mãe sem fechar completamente.
Não parecia confortável, mas também não parecia querer fugir. Eu não sabia se tinha relação comigo, provavelmente não, ainda assim, gostei de estar ali.
Peguei outra foto.
Theo adolescente no piano.
— Você toca.
Ela pegou a foto rápido demais.
— Tocava.
— Por que parou?
— Não sei.
— Sabe, sim.
Ela me olhou.
— Você sempre faz isso?
— Isso o quê?
— Faz perguntas até alguém responder o que você quer ouvir.
— Não. Às vezes eu desisto. – Dou de ombros
— Quando?
Pensei.
— Ainda não aconteceu.
Ela riu.
— Eu não toco faz anos.
— Sua mãe ensinou?
— Não. Ela só insistiu até eu aceitar aula.
— Isso parece familiar.
— Você tocava?
— Piano.
— Tocava?
— Fui obrigada.
— Pela sua mãe?
Olhei para a foto.
— Sim.
Theo ficou em silêncio.
— Você quase nunca fala dela.
— Não tem muito o que falar.
— Sempre tem.
A resposta veio simples, sem curiosidade, sem pressão.
Só uma constatação.
Por algum motivo, isso me fez querer dizer alguma coisa.
— Minha mãe sempre teve uma ideia muito específica de quem eu deveria ser.
Theo ficou me olhando, não interrompeu.
— Piano fazia parte dessa ideia.
— Você odiava?
— O piano, não. - Parei.
— O que vinha junto.
Ela pareceu entender.
Talvez mais do que eu esperava.
— Então parou.
— Assim que pude.
— E sente falta?
A pergunta me pegou desprevenida.
Olhei novamente para a fotografia dela no piano.
— Às vezes.
Theo apoiou os braços sobre os joelhos.
— Eu também.
Nossos olhos se encontraram, foi um momento estranho, não triste.
Não exatamente, só... íntimo.
Muito mais íntimo do que qualquer coisa que tínhamos falado até ali.
Eu desviei primeiro.
— Ainda tem muita foto.
— Você sempre foge mudando de assunto?
— Você sempre percebe?
— Quase sempre.
— Irritante.
— Obrigada.
Continuamos, no fundo da caixa, havia outro envelope, dentro, encontrei mais duas fotos com a mesma menina da fotografia antiga.
Cecília, dessa vez o nome estava inteiro atrás da foto.
Helena e Cecília — 1994.
Fiquei parada, Theo percebeu.
— O que foi?
Entreguei a foto e ela leu.
— Então era Cecília mesmo.
Meu estômago apertou.
— É.
— Estranho.
— O quê?
— Minha mãe nunca falou de nenhuma Cecília.
Olhei para o rosto da menina na fotografia, era nova demais, o cabelo diferente, sorriso aberto, eu não poderia dizer que era minha mãe.
Não com certeza, havia milhares de Cecílias.
Ainda assim, alguma coisa ali me incomodou.
— Você acha que eram amigas? — Theo perguntou.
— Parece.
— Vou perguntar para alguma tia.
Assenti.
— Talvez saibam.
Coloquei as fotos em um envelope separado, não disse nada sobre minha mãe, não porque estivesse escondendo.
Porque não havia nada para contar.
Ainda.
Terminamos perto das quatro, a última caixa foi fechada, o último documento entrou no arquivo, os livros estavam catalogados, as fotografias separadas e os cadernos protegidos.
Parei no meio do escritório.
— Acabou.
Theo estava perto da janela, virou.
— Acabou?
— Dessa vez de verdade.
Olhou ao redor.
Eu também.
Nas últimas semanas, aquele lugar tinha mudado, não parecia mais abandonado.
Continuava sendo da Helena, mas agora estava organizado.
Respirava.
— Vou mandar o relatório final amanhã — falei.
— Certo.
Comecei a guardar minhas coisas e silêncio ficou estranho, Theo pegou o celular, colocou de volta, caminhou até a estante, depois até a janela.
Eu quase ri.
Ela parecia inquieta.
— Você está bem?
— Por que não estaria?
— Porque está andando de um lado para o outro.
Ela parou.
— Estou pensando.
— Perigoso.
— Muito engraçada.
Fechei o notebook, meu peito ficou apertado.
Era ridículo, eu tinha ido ali para trabalhar e o trabalho acabou.
Era simples.
Eu voltaria para editora e ela voltaria para vida dela.
Era assim que funcionava.
Então por que eu não queria ir?
Peguei minha bolsa.
— Bom...
Theo olhou.
— Bom.
— Foi um prazer.
— Não foi no primeiro dia.
— Definitivamente não.
Ela sorriu.
— Melhorou.
— Um pouco.
— Só um pouco?
— Não quero alimentar seu ego.
Theo deu um passo na minha direção.
— Tarde demais.
— Convencida.
— Você continua vindo.
A frase parou entre nós.
— Eu vinha trabalhar.
— Vinha.
Havia alguma coisa diferente no jeito que ela falou, o passado vinha.
Meu coração bateu mais rápido.
— E agora acabou — eu disse.
— Acabou.
Nenhuma se mexeu, eu segurava a alça da bolsa, Theo estava a poucos passos mas perto o suficiente para eu sentir o perfume.
— Então... até algum dia — falei.
Foi péssimo.
Ela sorriu.
— “Até algum dia”?
— O que queria que eu dissesse?
— Não sei.
— Então não critica.
Theo deu mais um passo, agora estava perto demais, meu corpo percebeu antes de mim, a respiração mudou e o jeito que eu segurava a bolsa também.
Ela olhou para meu rosto, não falou, eu devia me afastar.
Não me afastei.
— Valentina.
Minha garganta secou.
— Hum?
Ela ergueu a mão e por um segundo achei que fosse tocar meu rosto, em vez disso, pegou alguma coisa no meu cabelo.
Um pequeno pedaço de papel.
— Etiqueta.
Eu ri, nervosa.
— Claro.
— Você está vermelha.
— Você já disse isso.
Ela ainda estava com a mão perto do meu rosto.
— Continua verdade.
Eu levantei os olhos, Theo também parou de sorrir. O ar mudou, outra vez, só que agora nenhuma fingia que não sabia.
Os olhos dela desceram para minha boca e dessa vez eu não imaginei, eu vi. Meu coração bateu tão forte que tive certeza de que ela podia ouvir.
A mão dela tocou de leve meu cabelo, sem etiqueta, sem desculpa.
Eu inclinei o rosto quase sem perceber, Theo se aproximou, pouco mas o suficiente, se uma de nós avançasse mais alguns centímetros...
Meu celular começou a tocar, nós duas nos afastamos, rápido demais, olhei a tela.
Mãe.
Fechei os olhos.
Claro.
— Precisa atender? — Theo perguntou.
A voz estava diferente.
Mais baixa.
— Preciso.
Mentira.
Atendi porque precisava fazer alguma coisa com as mãos.
— Oi.
— Valentina, você não respondeu minha mensagem.
A voz da minha mãe atravessou o momento como água fria.
— Estou trabalhando.
Olhei para Theo.
Ela tinha se afastado até a escrivaninha.
— Ainda?
— Terminando.
— Você vem domingo?
— Eu disse que ia pensar.
— Já pensou.
— Mãe...
Theo olhou para mim.
— Domingo, sete da noite — Cecília continuou. — Quero você aqui.
— Eu não prometo.
— Valentina.
— Preciso desligar.
Desliguei.
Fiquei alguns segundos olhando a tela e quando ergui os olhos, Theo já tinha colocado distância suficiente entre nós para o momento anterior parecer invenção minha, só que não tinha sido e nós duas sabíamos.
— Sua mãe parece insistente — ela disse.
— Você não faz ideia.
— Você vai?
— Não sei.
Peguei a bolsa outra vez.
— Agora eu realmente preciso ir.
Theo assentiu.
— Claro.
A palavra pareceu maior do que deveria.
Caminhamos até a porta.
Antes de sair, virei.
— Theo.
— Oi.
Eu queria dizer alguma coisa sobre o que quase aconteceu.
Não disse.
Ela também não.
— Obrigada.
— Pelo quê?
Olhei para o corredor.
Para o escritório.
— Por não me demitir no primeiro dia.
Ela riu.
— Pensei seriamente.
— Eu sei.
— E você?
— Em ir embora?
— Sim.
— Também.
— Por que ficou?
A pergunta me pegou, eu podia responder qualquer coisa, profissionalismo, curiosidade, o acervo.
Mas nenhuma dessas parecia inteira.
— Não sei.
Theo me olhou por mais tempo.
— Eu também não.
Saí.
No carro, fiquei parada alguns minutos, encostei a cabeça no banco e fechei os olhos.
Quase.
Ela quase me beijou, ou eu quase beijei ela, talvez as duas coisas.
Passei os dedos pela boca como se pudesse encontrar alguma resposta ali.
Nada tinha acontecido, mas nada também era mentira, alguma coisa entre nós tinha mudado e agora não havia mais trabalho para servir de desculpa.
Theodora
A casa ficou silenciosa antes mesmo de Valentina sair pelo portão, eu sabia que sentiria, só não sabia que seria tão rápido.
Voltei para o escritório e tudo estava organizado. Perfeito, exatamente o que tinha pedido e eu odiei. A cadeira dela estava vazia, a caneca de chá tinha sumido, não havia música baixa, nenhuma caneta batendo na mesa, nenhuma voz me chamando de mandona.
Fiquei parada no meio do cômodo, ridículo, foram algumas semanas. Só isso, algumas semanas.
Peguei o celular, nada, claro que nada, ela tinha acabado de sair.
Passei a mão no rosto eu quase beijei a Valentina, não havia mais como fingir que aquilo era apenas curiosidade.
Eu queria aquele beijo, queria desde antes de perceber, talvez desde o primeiro toque, talvez antes. O problema era que com desejo eu sabia lidar, já saudade antes de a pessoa realmente ir, não.
Fechei a porta do escritório e dessa vez não tranquei.
À noite, fui jantar com Heitor e mais algumas pessoas, eu poderia ter ficado em casa mas não quis. Não queria descobrir como seria a primeira noite sabendo que Valentina não voltaria na manhã seguinte.
O restaurante estava cheio, falei, ri, bebi e Heitor contou uma história absurda sobre a faculdade e, durante alguns minutos, eu realmente me diverti.
Só que, em algum momento, peguei o celular e nenhuma mensagem. Coloquei de volta e cinco minutos depois, peguei novamente.
— Você está esperando alguma coisa? — Heitor perguntou.
— Não.
— Então larga o telefone.
— Cuida da sua vida.
Ele sorriu.
— Acabou o trabalho hoje, não acabou?
Olhei para ele.
— Como sabe?
— Você falou ontem.
— Não lembrava que tinha contado.
— Você fala bastante dela.
— Não falo.
— Theo.
— Heitor.
Ele não insistiu, melhor.
Uma mulher que eu conhecia sentou perto da gente mais tarde, Marina, já tínhamos ficado algumas vezes e ela era bonita, fácil, sem complicação.
Em outro momento, provavelmente teria aceitado quando ela perguntou se eu queria ir embora com ela, mas dessa vez olhei para sua boca e pensei em outra.
Foi instantâneo.
Irritante.
— Hoje não — respondi.
Marina pareceu surpresa.
— Outra pessoa?
— Não.
A resposta veio verdadeira, ainda não havia outra pessoa e era justamente esse o problema.
Cheguei em casa depois da meia-noite, passei pela sala, fui até a cozinha, abri a geladeira.
Fechei.
Andei até o escritório e a porta continuava aberta.
Entrei.
Tudo estava quieto, peguei um livro.
Coloquei de volta.
Sentei na cadeira em que Valentina costumava trabalhar e fiquei ali por alguns minutos.
Então peguei o celular, abri a conversa.
Escrevi:
Chegou bem?
Fiquei olhando, era uma pergunta simples.
Podia enviar.
Apaguei.
Escrevi:
Esqueceu uma caneta aqui.
Olhei ao redor, nenhuma caneta.
Apaguei.
— Patético.
Larguei o celular sobre a mesa.
Dois minutos depois, ele vibrou.
Meu coração respondeu antes de mim.
Valentina.
Valentina: Cheguei bem.
Fiquei olhando para a mensagem.
Eu não tinha perguntado.
Sorri.
Eu: Eu não perguntei.
Os três pontinhos apareceram.
Valentina: Ia perguntar.
Eu: Convencida.
Valentina: Aprendi com você.
Ri, fiquei pensando no que escrever.
Eu: Obrigada pelo trabalho.
Frio.
Apaguei.
Eu: A casa ficou estranha.
Parei, meu dedo ficou sobre enviar, não, era verdade demais.
Apaguei.
Eu: Marta já está reclamando que perdeu a companhia.
Enviei, covarde.
A resposta demorou.
Valentina: Só a Marta?
Meu peito apertou, fiquei olhando.
Ela estava perguntando, não sobre a Marta mas sobre mim e eu podia responder, deveria responder, mas alguma coisa me segurou, não era exatamente medo, ao menos não ainda. Talvez só a dificuldade de admitir o quanto aquela presença tinha crescido rápido demais.
Escrevi:
Eu: Ela fala muito.
Valentina respondeu com um emoji revirando os olhos.
Depois:
Valentina: Boa noite, Theo.
Pensei no quase beijo, na minha mão no cabelo dela, nos centímetros que faltaram para descobrir o gosto dos lábios dela.
Eu: Boa noite, Editora.
Enviei.
A conversa terminou, mas eu sabia que aquilo não bastava, o problema era que amanhã ela não viria e nem depois, o trabalho tinha acabado e se eu quisesse Valentina na minha vida teria que fazer algo que não fazia faz tempo.
Procurar alguém sem precisar de uma desculpa.
Valentina
Dois dias depois, ainda não tinha visto Theo, não era muito tempo mas mesmo assim parecia muito.
Voltei à rotina da editora, originais, reuniões, surto de autores indecisos e Becca falando sem sequer respirar, tudo exatamente igual.
Só eu que parecia diferente.
Às quatro da tarde, meu celular vibrou, olhei imediatamente.
Theo, O coração deu aquela resposta idiota de novo.
Theo: Você está ocupada?
Sorri.
Fiquei olhando por alguns segundos antes de responder.
Eu: Depende.
A resposta veio rápido.
Theo: De quê?
Eu: Do motivo.
Demorou mais dessa vez.
Theo: Café.
Mordi o canto do lábio.
Eu: Isso foi um convite?
Theo: Não me faça desistir.
Ri.
Becca ergueu os olhos da mesa ao lado.
— O que aconteceu?
— Nada.
— Você está sorrindo para o celular.
— Pessoas fazem isso.
— Você não.
Ignorei.
Voltei para a conversa.
Eu: Que horas?
Theo: Sete.
Pensei no trabalho, no livro que precisava terminar, na minha mãe, que havia mandado mais duas mensagens sobre domingo e nada daquilo pareceu tão importante naquele instante.
Eu: Sete.
Theo respondeu apenas:
Theo: Ótimo.
Guardei o celular, o trabalho tinha acabado e ainda assim, ela queria me ver.
E eu queria ir, porque agora não havia acervo, nenhuma caixa, nenhuma justificativa profissional.
Só nós duas.
Talvez fosse justamente ali que a nossa história realmente começasse.
Fim do capítulo

marianaaleao
24/08/2026 às 11:05
Eita,eita!