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Até o sol encontrar você por TabitaLima07

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Palavras: 2984
Acessos: 117   |  Postado em: 16/08/2026

Capitulo 5

Valentina

A primeira coisa que pensei quando acordei foi que precisava urgentemente para de pensar na Theo a segunda coisa foi pensar nela.

Fiquei alguns segundos olhando para o teto, irritada comigo mesma, isso não era normal. Quer dizer, talvez fosse, afinal estava passando horas na casa dela todos os dias, era obvio que acabaria conhecendo seus hábitos, manias e expressões, era somente a convivência. Isso mesmo era culpa da convivência.

Foi isso que repeti enquanto levantava da cama, arrumava o cabelo e quase colocava açúcar demais no meu chá porque estava ocupada lembrando do sorriso dela quando me chamou de editora, ridículo.

Peguei o celular e não tinha nenhuma mensagem, não que eu tivesse esperando alguma, claro que não. Abri o aplicativo de mensagens, fechei e cinco segundos depois abri novamente.

- Patético. – Falei sozinha.

Foi nesse momento que vi a mensagem da minha mãe.

Mãe: Preciso falar com você hoje.

Fiquei olhando, ela tinha mandado a mensagem as seis e quarenta, não tinha um bom dia ou um como você está, somente a ordem disfarçada de necessidade.

Suspirei antes de responder:

Eu: Estou trabalhando.

A resposta chegou quase que imediatamente.

Mãe: Depois do trabalho.

Fechei os olhos, era impressionante como Cecília conseguia continuar comandando uma conversa mesmo quando havia apenas duas mensagens.

Eu: Vou ver se consigo.

Os três pontinhos apareceram, depois sumira, quando achei que tinha me safado a mensagem chega.

Mãe: Não perguntei se consegue.

Soltei uma risada sem humor, pronto, agora sim parece a minha mãe. Bloqueei o celular e terminei de me arrumar, não respondi porque aprendi que não responder também era uma forma de resposta.

Quando cheguei Theo já estava no escritório e aquilo me surpreendeu. Ela estava sentada na escrivaninha, lendo alguma coisa em um tablete com uma xícara de café ao lado.

- Bom dia.

Ela levantou os olhos.

- Você está atrasada.

Olhei o relógio.

- Quatro minutos.

- Continua sendo um atraso.

- Bom saber que já voltamos ao normal.

Um sorriso pequeno apareceu.

- Seu chá está na cozinha.

Parei.

- Meu chá?

- Marta fez.

- Claro.

Ela voltou para o tablete e eu tirei meu casaco.

- Você sempre se preocupa tanto com as visitas?

- Só com as que reclamam.

- Eu não reclamei.

- Fez uma análise completa da qualidade do café no primeiro dia.

- Eu disse que estava bom.

- Com cara de quem esperava mais.

Comecei a rir, ela não estava olhando para mim, mas vi o canto da boca subir. Era isso que estava ficando perigoso, essa facilidade, não existe mais o desconforto dos primeiros dias, havia algumas provocações, pequenos atritos e respostas atravessadas. Só que agora nenhuma delas parecia querer realmente machucar, era quase como um jogo eu estava gostando, mais do que deveria.

- Vai ficar aqui hoje? – Perguntei.

- Tenho uma reunião as onze e depois volto.

- Você está voltando para casa no meio do expediente?

Ela finalmente me olhou.

- Tenho uma empresa Valentina, não uma sentença de prisão.

- Nos primeiros dias achei que fosse a mesma coisa.

- Continua muito engraçada.

- Obrigada.

Coloquei minha bolsa sobrea poltrona e fui para a estante que tinha deixado pela metade, Theo ficou ali e durante alguns minutos cada uma fez seu próprio trabalho.

Eu gostava daquele silêncio, não era pesado, não precisava ser preenchido, a presença dela bastava.

Foi quando puxei um livro de uma prateleira alta demais e senti os outros começarem a se mover.

- Merda.

Tentei segurar dois, um terceiro caiu e depois outro.

- Valentina. – Chamou Theo.

Ouvi a cadeira se arrastar e tentei alcançar o de cima antes que caísse, foi uma ideia ruim, a pilha inteira inclinou. Senti uma mão firme na minha cintura e outra segurou o meu braço.

- Para.

A voz dela veio perto demais, meu corpo congelou antes dos livros, Theo me puxou para trás exatamente quando três volumes caíram no chão onde estava parada.

Por alguns segundos não pensei em absolutamente nada, só senti, a mão dela na minha cintura, meu braço preso entre seus dedos, o calor do corpo dela perto demais do meu e o cheiro do perfume, aquele que sempre fica em todo lugar que ela passa.

Quando virei o rosto os nossos olhos se encontraram, perto demais, Theo não soltou imediatamente e eu também não me afastei. Foi um segundo ou dois, mas alguma coisa aconteceu ali, nada grande nem cinematográfica, só aquele tipo de silêncio que deixa de ser confortável porque passa a significar outra coisa.

Os olhos desceram por um instante, até a minha boca ou talvez eu tenha imaginado, então ela me soltou rápido e se afastou.

- Você poderia ter se machucado.

Minha voz demorou um pouco para voltar.

- Eu tinha tudo sobre controle.

Ela olhou para os livros no chão.

- Claramente.

Abaixei para recolher os livros.

- Não precisa ser arrogante.

- Não precisa tentar ser mais alta do que é.

Olhei para cima.

- Isso foi uma piada com a minha altura?

- Uma observação técnica.

- Você é insuportável.

- Ainda assim acabei de salvar a sua vida.

- Só três livros caíram – Revirei os olhos.

- Três livros bem pesados.

- Dramática.

- Ingrata.

Ri, minhas mãos estavam um pouco menos firmes do que deveriam e Theo se abaixou para me ajudar. Quando pegamos o mesmo livro, nossos dedos se tocaram, dessa vez nenhuma das duas se assustou. Só paramos, olhamos para nossas mãos uma sobre a outra, Theo retirou a dela primeiro.

- Pode ficar.

- É seu.

- Estou falando para guardar na estante.

- Ah.

Ela sorriu e senti meu rosto esquentar, ótimo agora eu estava ficando vermelha, que maravilha. Voltei a organizar os livros sem olhar muito para ela.

O problema era que eu continuava sentindo onde a mão dela tinha estado na minha cintura, como se o corpo tivesse decidido guardar aquilo por conta própria.

- Você ficou quieta. – Theo disse.

- Estou trabalhando.

- Há cinco minutos você não conseguia.

- Há cinco minutos você tentou me matar com uma estante.

- Eu te salvei.

- Continua repetindo isso para você.

Quando finalmente tive coragem de olhar ela estava sorrindo, não o sorriso inteiro, um outro mais lento quase provocador.

- Está vermelha.

Fechei os olhos.

- Vai trabalhar Theo.

Ela riu.

- Estou trabalhando.

- Em que, me irritar?

- Parece fácil.

- Você é muito convencida.

- E você fica bonita irritada.

Meu cérebro simplesmente parou, olhei para ela, Theo pareceu perceber o que tinha dito e por um instante ficou séria, não arrependida, só surpresa.

Como se as palavras tivessem saído antes de passar pelo controle que ela costumava ter sobre tudo.

- Isso foi um flerte? – Perguntei.

Ela inclinou a cabeça.

- Depende.

- De quê?

- Funcionou?

Sorri antes que pudesse evitar.

- Vai para sua reunião.

Dessa vez ela riu de verdade e pegou a bolsa.

- Você está fugindo.

- Você que está indo embora.

- Tecnicamente.

- Theo.

- Tudo bem.

Ela passou por mim, quando chegou a porta virou.

- Não sobe em mais nada enquanto eu estiver fora.

- Sim mãe.

A expressão dela mudou tão rápido que me arrependi no mesmo instante.

- Desculpa.

Theo ficou parada, depois respondeu somente um tudo bem e saiu. Mas não estava eu soube, ela também mas seguiu. Não era o momento e eu não forcei.

Pouco depois do meio-dia meu celular tocou, minha mãe, olhei para a tela pensando em recusar e por fim atendi.

- Oi.

- Finalmente Valentina.

- Estou trabalhando.

- Eu sei.

A voz dela era sempre firme, até quando queria demonstrar carinho ela parecia estar conduzindo uma reunião.

- O que aconteceu?

- Preciso que venha jantar hoje.

- Mãe...

- Valentina não estou pedindo que volte para casa.

- Ainda bem.

Silêncio.

- Você poderia parar de tratar qualquer convite meu como uma ameaça.

Mordi a parte interna da bochecha.

- E você poderia fazer convites parecerem convites.

Do outro lado, outra pausa, dessa vez mais longa.

- Domingo.

- Hoje é quarta.

- Eu sei que dia é.

- Então porque está falando de domingo?

- Teremos pessoas em casa.

Meu corpo ficou tenso.

- Que pessoas?

- Negócios.

- Não.

- Você nem sabe o que eu ia dizer.

- Se envolve a sua empresa então a resposta ainda é não.

- Não envolve você profissionalmente.

Ri baixo.

- Você já disse isso antes.

- Você não precisa trabalhar comigo só porque vai jantar na minha casa.

- Também já ouvi essa.

Ela suspirou, Cecília raramente suspira.

- Eu só quero que você venha.

Aquilo me fez ficar quieta, minha mãe nunca dizia só quero, sempre havia um motivo, uma função e talvez fosse somente por isso que eu não soube o que responder.

- Vou pensar.

- Valentina...

- Eu disse que vou pensar.

Dessa vez desliguei antes dela e fiquei olhando a tela do celular, aquela conversa deixou um peso no meu peito, aquela velha sensação de estar novamente naquela casa grande esperando descobrir qual versão de mim minha mãe queria naquele dia.

Respirei, eu estava em outro lugar, tinha o meu trabalho, meu apartamento e minha vida. Aquela sensação não mandava mais em mim.

- Tudo bem?

Levantei o rosto, Theo estava parada na porta e eu nem mesmo tinha ouvido ela chegar.

- Tudo.

Ela estreitou os olhos.

- Essa resposta é minha.

Sorri sem vontade.

- Peguei emprestada.

Theo largou a bolsa sobre a poltrona,

- Quer que eu finja que acreditei?

Olhei para ela, era estranho ouvir aquilo já que ela fazia a mesma coisa.

- Você finge muito bem.

A expressão dela mudou.

- Touché.

Voltei para o notebook e ela não perguntou, não insistiu, só entrou e sentou.

Por alguns minutos trabalhamos em silêncio, depois ela saiu e voltou e colocou um pão de queijo na minha mesa.

Olhei.

- O que é isso?

- Um pão de queijo.

- Eu sei disso.

- Então porque perguntou?

- Theo.

Ela continuou olhando para o computador.

- Você não almoçou. – Deu de ombros.

- Como sabe?

- Você ficou no telefone até agora.

- Eu posso ter comido antes.

- Não comeu.

- Está me espionando?

- Você começou.

Olhei para o pão de queijo.

- Não estou com fome.

- Não perguntei.

Sorri.

- Esse é o seu jeito de cuidar das pessoas?

Ela parou apenas por um segundo.

- Não estou cuidando de você.

- Claro.

Peguei o pão de queijo.

- É só comida.

- Claro.

Mordi o pão de queijo, Theo não olhou, mas sorriu.

 

Theodora

Eu tinha chamado Valentina de bonita, em voz alta e meu cérebro decidiu lembrar disso durante toda a reunião, uma realmente importante, com seis pessoas discutindo números que eu deveria estar acompanhando e ao invés disso só consigo pensar em como ela fica bonita irritada.

Idiota, completamente idiota é isso que sou.

- Theo?

Olhei para o diretor financeiro.

- O quê?

- Sua opinião.

Ótimo.

- Sobre?

Ele me encarou, Heitor do outro lado da mesa começou a rir, filho da mãe.

- Sobre a proposta de expansão.

Olhei para apresentação, consegui juntar o suficiente da conversa para responder.

- O prazo é otimista demais, refaçam considerando mais seis meses para execução e quinze por cento de margem sobre o orçamento atual.

Silêncio e depois algumas cabeças concordaram, funcionava, eu podia não estar ouvindo tudo e ainda assim conseguir.

O problema era o motivo que me fez não ouvir tudo, quando a reunião acabou todos começaram a sair, menos Heitor.

- Nem começa.

- Não falei nada.

- Sua cara está falando desde a metade da reunião.

- Só estou surpreso, nunca vi você perder a concentração em uma apresentação dessas.

- Eu não perdi.

- Claro, você só perguntou sobre o que era para testar se todos estavam prestando atenção.

- É uma pergunta completamente normal.

Ele levantou.

- O nome dela começa com V?

- Vai trabalhar.

- Eu acertei.

- Você não acertou nada.

- Valentina.

- Heitor.

- Bonito nome né.

Joguei uma caneta nele que desviou sorrindo.

- Violência no ambiente corporativo.

- Posso demitir você.

- Você gosta demais de mim para isso.

- Infelizmente.

Ele saiu da sala rindo, eu encostei na cadeira, porque eu tinha falado aquilo?

Porque era verdade, esse era o problema, Valentina ficava bonita irritada, concentrada, sorrindo para livros antigos, bonita demais para alguém que eu não deveria estar observando tanto.

Fechei os olhos, não, aquilo não estava acontecendo, eu não tinha espaço para aquilo.

Atração era simples, podia olhar para uma mulher, desejar, levar para a cama e na manhã seguinte seguir a minha vida. Não era isso que estava me incomodando, era querer ouvir Valentina rir de novo, chegar em casa e perceber que ela ainda estava lá, me preocupar se ela tinha comido, guardar informações idiotas como o chá que ela gosta e a bendita salada.

Era abrir o celular só porque queria contar alguma coisa boba para ela, atração eu sabia administrar, aquilo parecia outra coisa e eu não queria descobrir o que era.

Quando voltei para casa, ouvi a voz dela antes de entrar no escritório, estava falando ao telefone.

Parei no corredor, não porque quisesse escutar, pelo menos foi o que eu disse a mim mesma, a voz dela estava diferente, tensa.

- Eu disse que vou pensar.

Silêncio.

- Mãe...

Parei na mesma hora, nunca tinha ouvido Valentina falar da família, ela evitava, eu já tinha percebido.

A conversa terminou logo depois, entrei e o sorriso dela apareceu imediatamente.

- Tudo bem?

- Tudo.

A resposta veio rápida e eu reconheci, porque aquela era a minha resposta, a mesma máscara que eu usava, só que nela parecia mais frágil.

Valentina fingia felicidade e eu fingia força e talvez por isso tenha ficado tão fácil enxergar, não pressionei, só levantei e peguei o pão de queijo que tinha comprado no caminho e deixei perto dela.

Era uma coisa simples, pequena, não significava nada ou pelo menos não deveria significar.

- Você não almoçou.

- Como sabe?

Eu sabia, tinha reparado e aquilo me incomodou, não o fato de ter me incomodado e sim de ter me importado.

Quando ela perguntou se aquele era meu jeito de cuidar das pessoas, simplesmente congelei.

- Não estou cuidando de você.

Mentira, uma pequena, quase inofensiva, mas era uma mentira e ela sabia, tanto que pegou o pão de queijo e sorriu.

- Claro.

Tentei trabalhar mas não consegui prestar atenção em nada do que tentei fazer, o silêncio entre nós era diferente depois daquela manhã, o toque de mais cedo tinha mudado alguma coisa, talvez não entre nós e sim dentro de mim.

Eu ainda lembrava da sensação da cintura dela sob minha mão, da forma como virou o rosto e do segundo que nenhum de nós se afastou, aquilo era desejo, agora eu sabia.

Desejo era fácil de reconhecer, o problema era que não vinha sozinho.

- Theo?

Olhei.

- Hum?

Valentina segurava uma fotografia, a mesma da minha mãe com a menina desconhecida.

- Eu estava organizando as fotos e encontrei mais uma.

Levantei e fui até ela, dessa vez eram quatro meninas na foto, minha mãe claramente mais nova, a desconhecida estava ali também e no verso uma data e um nome, ou parte dele, a tinta estava bem desgastada.

Cecí...

- Cecília? – Valentina leu.

Meu corpo ficou imóvel, o nome pareceu familiar, não sabia o porquê. Valentina também ficou estranha por um segundo.

- O que foi?

Ela piscou.

- Nada.

- Você conhece alguém com esse nome?

- Minha mãe se chama Cecília.

Senti alguma coisa, só não sabia o quê, uma coincidência nada além.

- Nome comum.

- É.

Ela guardou a foto no envelope, mas havia uma mudança no rosto dela, pequena, foi embora rápido.

- Você está bem?

Valentina levantou os olhos.

- Estou.

Dessa vez sorri.

- Péssima resposta.

Ela riu.

- Aprendi com você.

Voltei para a minha cadeira e não pensei mais na fotografia naquele momento, muito menos no nome, afinal não havia razão.

Cecília era apenas um nome apagado atrás de uma fotografia antiga e a mãe de Valentina era só a mãe dela, nada ligava uma coisa a outra ainda.

No fim da tarde Valentina estava de pé em frente à estante quando cheguei por trás.

- De novo não.

Ela olhou por cima do ombro.

- O quê?

- Tentando alcançar a prateleira.

- Não sou tão baixa.

- Não disse que é baixa.

- Está implícito.

Passei por ela e peguei o livro, quando fui entregar nossos dedos se tocaram novamente e mais uma vez nenhuma retirou imediatamente. O ar mudou, dessa vez nós duas sabíamos.

Valentina olho para a minha mão e depois para mim.

- Você está fazendo isso de propósito?

Meu coração bateu mais rápido.

- Fazendo o quê?

- Encostando em mim.

Eu poderia rir, negar, provocar, mas fiz outra coisa. Aproximei o livro, deixando nossos dedos ainda juntos.

- Talvez.

Os olhos dela se abriram um pouco.

- Você é muito convencida.

- Você já disse isso.

- E continua sendo verdade.

- E você ainda está segurando a minha mão.

Silêncio, ela olhou para nossos dedos e depois soltou devagar, como se quisesse de alguma forma prolongar aquele contato um pouco mais.

- Preciso terminar essa caixa.

Sorri.

- Claro.

Fui embora antes que ela percebesse o efeito que aquilo tinha provocado em mim, o problema foi que eu percebi.

Não era mais curiosidade, nem para mim e pelo jeito como Valentina ficou parada por alguns segundos olhando para o mesmo livro sem sequer abri-lo, provavelmente não era para ela também.

Aquilo estava começando e nós duas sabíamos.

 

 

Fim do capítulo

Notas finais:

Como prometido ♥


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