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A Promessa do Vale por Lady Texiana

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Palavras: 1872
Acessos: 115   |  Postado em: 21/08/2026

Capitulo 13 - Ciúmes

 

Quando abriu a porta da varanda, encontrou Sarah apoiada na mureta de madeira, observando o céu noturno da pradaria. Jane parou no topo dos degraus, as chaves da casa na mão, e olhou com atenção para o veículo estacionado no pátio.

- Você trocou de carro? - perguntou Jane, franzindo o cenho enquanto observava a camioneta preta, visivelmente mais antiga e desgastada do que o utilitário que a amiga costumava dirigir. - O que aconteceu com o seu Celica?

Sarah virou-se, dando um sorriso fraco e dando um nó nos punhos da camisa.

- Vendi - respondeu com simplicidade, caminhando até a porta do motorista. - Peguei essa picape usada e sobrou uma boa diferença em dinheiro.

- E por que fez isso? Você adorava aquele carro.

- Como eu já tinha te falado no mês passado, Jane... estou arrumando as malas - disse Sarah, o tom de voz caindo para uma resignação serena. - O que ganho aqui não está dando para manter. Mas pelo menos já tenho o suficiente para eu recomeçar em outro lugar. Vender o Toyota foi só o primeiro passo prático.

Jane sentiu um nó apertar-lhe a garganta. A ideia de perder a única pessoa no vale com quem compartilhava memórias de infância e uma lealdade incondicional tornava o peso dos seus próprios problemas ainda mais sufocante. Ela apenas assentiu em silêncio, subindo no carona da picape preta.

O trajeto de vinte milhas até Grand Island transcorreu sob o ronco grave do motor velho e o farol cortando a escuridão da rodovia deserta. A poeira da estrada de terra dava lugar gradativamente ao asfalto e às luzes amareladas dos postes da cidade.

Elas pararam em um diner na entrada da cidade, um estabelecimento com fachadas em neon vermelho, cabines de couro sintético desgastado e um cheiro reconfortante de hambúrguer, batatas fritas e café fresco. O ambiente estava calmo, ocupado apenas por alguns caminhoneiros e trabalhadores noturnos.

Sentadas em uma cabine no canto mais reservado do restaurante, Sarah pediu duas canecas de cerveja artesanal e dois pratos reforçados. Jane segurava a caneca gelada entre as mãos calejadas, os olhos fixos na espuma que descia lentamente pelo vidro.

- Certo, Jane Cat - começou Sarah, inclinando-se sobre a mesa de fórmica e fixando os olhos na amiga. - Você está magra, trabalhando até desmaiar e pulando como um gato assustado a cada vez que ouve o nome da White & Sovereign. Sei que a crise da água é horrível, mas tem algo mais corroendo você por dentro. O que aconteceu de verdade?

Jane travou. A simples lembrança daquele nome fazia seu estômago dar nós. Ela olhou ao redor, certificando-se de que ninguém na cabine vizinha prestava atenção, tomou um gole longo da cerveja gelada e fechou os olhos por um segundo.

- Eu cometi o maior erro da minha vida, Sarah - sussurrou Jane, a voz falhando ligeiramente.

Nos dez minutos seguintes, sem conseguir mais segurar o peso que a sufocara por mais de trinta dias, Jane contou tudo. Falou sobre o jantar no restaurante refinado, sobre o vinho, sobre como Stephanie parecia genuinamente tocada ao ouvir a história de Judith e Jane Catherine, sobre o flerte velado que gradativamente tomara conta da conversa e, por fim, sobre a briga na calçada. Ela falou do beijo, a forma como respondera ao toque da executiva, as mãos sob a saia de terno e o pânico moral que a fizera empurrar Stephanie e fugir na picape como uma covarde.

- Ela me armou um golpe - concluiu Jane, com os olhos pesados de ressentimento e dor, apertando a caneca de vidro até os nós dos dedos ficarem brancos. - Ela usou o próprio corpo, usou a minha carência e a minha solidão para me desarmar. E no dia seguinte, vingou-se fechando a torneira do canal. Eu fui uma idiota manipulável.

Sarah ouviu tudo em absoluto silêncio. Sua expressão passou pela surpresa, pela incredulidade e, finalmente, por uma resignação quase palpável. Ela deu um longo gole em sua própria cerveja, encostou-se no estofado de couro da cabine e soltou um longo suspiro.

- Ai, amiga... - disse Sarah, balançando a cabeça com uma leveza triste. - Acho que você está ferrada.

Jane piscou, surpresa com a reação.

- Ferrada? Sarah, eu estou dizendo que fui vítima de um jogo cruel!

- Jane Cat, olhe para você - pontuou Sarah, apontando o dedo para o rosto da amiga. - Você está brava, sim, mas não é só raiva de ter sido enganada. Você está destruída porque gostou. Porque aquela mulher loira com roupas caras mexeu com você de um jeito que ninguém mexia há anos, de um jeito que eu nunca consegui. E o pior: você acha que ela planejou tudo, mas do jeito que você descreveu a reação dela no dia seguinte... essa guerra da água não parece estratégia fria de negócios. Parecem duas mulheres orgulhosas se digladiando por ressentimento e rejeição.

As palavras de Sarah atingiram Jane como um balde de água fria. Ela tentou rebater, mas as palavras engasgaram em sua garganta.

- Vamos sair daqui - disse Sarah, levantando-se e deixando notas de dólar sobre a mesa. - Você precisa desanuviar essa cabeça antes de voltar para aquele rancho.

As duas decidiram estender a noite e caminharam até um barzinho a poucos quarteirões dali, famoso pela música ao vivo e pelo ambiente acolhedor. O local estava moderadamente cheio, iluminado por luzes baixas e ao som de um violão acústico tocando velhas canções de country e folk.

Jane e Sarah acomodaram-se perto do balcão de madeira, pedindo mais uma rodada de bebidas. O ambiente descontraído e a conversa amigável de Sarah finalmente começaram a surtir efeito, fazendo a rigidez dos ombros de Jane ceder um pouco.

O que Jane não percebeu - e nem poderia imaginar - era a figura sentada em uma mesa pequena e sombria nos fundos do bar.

Stephanie White estava ali.

A executiva de Chicago, despida de sua habitual armadura de terno sob medida, vestia apenas uma blusa de seda preta e jeans escuros. Sua cabeça ainda latej*v* levemente, mesmo após tantos dias, e ela saíra do hotel sozinha, incapaz de suportar as quatro paredes de sua suíte e o peso insuportável da culpa e da solidão. Ela afogava suas mágoas em copos e mais copos consecutivos de uísque, encarando o gelo derreter no copo.

Quando o sino da porta do bar tocou e Jane entrou acompanhada de Sarah, o coração de Stephanie deu uma volta completa no peito.

Stephanie encolheu-se na penumbra da mesa do fundo, a mão congelada ao redor do copo de uísque. Seus olhos azuis se estreitaram, acompanhando fixamente cada movimento da rancheira. Ver Jane ali, fora do ambiente de poeira do rancho, vestindo roupas bem casuais e compartilhando risos fáceis com outra mulher, acendeu em Stephanie uma chama avassaladora e incontrolável de ciúmes.

Stephanie observava a intimidade entre as duas e ver a forma como Sarah tocava o braço de Jane para enfatizar uma piada, e como Jane permitia a proximidade, fazia o sangue de Stephanie ferver nas veias com uma mistura indigesta de inveja e possessividade.

Ela me empurrou naquela calçada como se eu fosse algo indesejável, pensava Stephanie, os dentes cravados no labial inferior enquanto tomava mais um gole queimante de uísque, mas com essa mulher... com essa mulher ela sorri.

As horas passaram sufocantes para a executiva no fundo do recinto. Por volta da meia-noite, cansada e ainda ligeiramente tonta pela cerveja e pelo desgaste emocional, Jane fez um sinal para Sarah de que queria ir embora.

As duas amigas caminharam juntas em direção à saída. Na porta, Sarah passou o braço afetuosamente pelos ombros de Jane, oferecendo apoio moral, e Jane, sem resistir, enlaçou a cintura da amiga com o braço, caminhando abraçadas em direção ao estacionamento iluminado na lateral do quarteirão.

Aquela imagem, as duas mulheres saindo abraçadas na noite fria, foi a gota d'água para Stephanie.

A executiva deixou uma nota de cinquenta dólares sobre a mesa sem esperar o troco, pegou seu casaco e saiu rapidamente pelas portas dos fundos do bar. Ela subiu em seu Cadillac, ligou o motor e manteve os faróis apagados por alguns segundos enquanto observava a camioneta preta de Sarah saindo do estacionamento.

Movida por um impulso irracional, por uma mistura de ciúmes, raiva, álcool demais no cérebro e pelo desejo desesperado de ver para onde Jane estava indo, Stephanie engatou a marcha e começou a seguir a picape antiga à distância, mantendo um intervalo seguro na rodovia escura.

A estrada para o Vale do Loup era como uma fita de asfalto preto cercada pela imensidão sombria das pradarias naquela noite sem lua. O Cadillac de Stephanie mantinha-se a algumas centenas de metros atrás, seus faróis parecendo apenas mais um par de luzes distantes no retrovisor da picape.

Cerca de vinte minutos depois, a picape preta reduziu a velocidade e virou à esquerda, adentrando o caminho de cascalho que levava à sede do Rancho Brown. Stephanie freou o carro no acostamento da rodovia ao longe, apagando as luzes e observando na penumbra enquanto a picape avançava até o pátio iluminado pela lanterna da varanda.

No pátio do rancho, Sarah desligou o motor da picape.

- Entregue sã e salva - disse Sarah com um sorriso carinhoso, virando-se para Jane. - Promete que vai tentar dormir um pouco mais amanhã? O Hank consegue tocar as coisas até o meio-dia.

Jane deu um sorriso sincero, o primeiro em muitos dias, e segurou a mão da amiga com gratidão.

- Obrigada, Sarah. De verdade. Eu precisava disso.

- É para isso que servem as amigas - respondeu Sarah, dando um aperto carinhoso na mão de Jane. - Agora vá para dentro antes que o vento frio te pegue. Você não precisa de um resfriado a mais na cota de problemas.

Jane desceu da picape, acenou uma última vez e subiu os degraus da varanda. Ela esperou na porta até ver a picape preta dar a volta no pátio, levantar uma pequena nuvem de poeira e tomar o caminho de volta em direção à rodovia principal.

Do lado de fora, parada no acostamento escuro da estrada, Stephanie viu os faróis da camioneta se aproximarem da porteira de saída do rancho. A executiva rapidamente ligou o motor do carro e acelerou em direção a entrada do rancho.

Na curva estreita que conectava a estrada particular do rancho à rodovia estadual, os dois veículos se cruzaram.

A picape preta de Sarah reduziu ligeiramente ao passar pelo carro que vinha na direção contrária em velocidade moderada. O brilho dos faróis cortou a escuridão por uma fração de segundo, iluminando a silhueta da motorista no Cadillac. Sarah olhou de relance pelo retrovisor, estranhando a presença de um carro elegante como aquele trafegando por aquela estrada tão tarde da noite, mas deu de ombros, imaginando ser apenas mais uma turista perdida ou algo assim.

Sem saber que acabara de cruzar com a mulher que desencadeara a tempestade sobre o rancho e sobre o coração de sua melhor amiga, Sarah Lee acelerou na rodovia deserta, deixando para trás a poeira e o silêncio cortado apenas pelos sons dos grilos e outros animais noturnos do Vale do Loup.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 13 - Capitulo 13 - Ciúmes:
Duduka
Duduka

Em: 21/08/2026

Ansiosa pra saber como será esse encontro com as duas com álcool na cabeça.....

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