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Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço por priskelly

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Palavras: 3278
Acessos: 69   |  Postado em: 16/08/2026

Capitulo 18

Por Lena

A luz da sala de jantar era quente, vinda dos candelabros que minha mãe insistirá em acender, criando uma atmosfera que, por um lado, era profundamente acolhedora e, por outro, me deixava com os nervos à flor da pele. Eu ainda não tinha entendido bem de onde surgiu a ideia de mamãe em oferecer um jantar para Miu. Mas uma coisa era certa… Definitivamente aquele não era um jantar de negócios, nem uma reunião formal entre sócios. A presença de Miu sentada à mesa da minha família — logo ali, ao lado de Ling — fazia com que cada gesto para que aquele momento acontecesse parecesse subitamente calculado.

Miu estava deslumbrante na sua simplicidade. Ela conversava com meus pais com uma naturalidade que me deixava, ao mesmo tempo, encantada e levemente intimidada. O mais curioso é que minha mãe tinha no olhar um brilho de satisfação, servindo-a como se ela fosse a hóspede mais ilustre que já cruzara nossa porta, enquanto meu pai, parecia ter encontrado em Miu uma ouvinte cativante para suas teorias sobre o clima que começava esfriar naquela temporada, e as safras locais que estavam prestes a serem colhidas, assunto esse que Engfa parecia ter prazer em explicar para Miu como as coisas funcionavam.

Eu apenas observava, segurando minha taça de vinho com firmeza. Era estranho ver Miu ali, sem o avental da confeitaria, rindo com sinceridade das observações feitas por meu pai. Ela parecia pertencer àquele cenário muito mais do que eu mesma, e ao se dar conta nisso, meu coração batia em um ritmo acelerado. 

A verdade é que Miu não precisava da aprovação de ninguém. Toda minha família já parecia rendida aos seus encantos, educação e gentileza. 

De alguma maneira o assunto rapidamente foi mudado mais uma vez. A conversa agora era sobre como eu, Ling e nossas primas, tinham escolhido caminhos completamente diferentes em nossas profissões.

— Sabe, Miu. — Lookmhee interrompeu, sua voz carregada de uma malícia que me fez gelar instantaneamente. Ela trocou um olhar conspiratório com Lingling, que já segurava o riso certamente já prevendo o que viria pela frente. — A Lena parece essa pessoa séria, essa escritora compenetrada que a gente vê nos livros, mas o  tio Jett tem um baú de histórias que provam que ela sempre foi... digamos, um desastre ambulante.

Senti meu rosto esquentar.

— Lookmhee, nem pense nisso. — Avisei, em tom de aviso mantendo um olhar ameaçador para a mais nova.

Mas meu pai já tinha o brilho nos olhos que ficou ainda mais evidente quando foi estimulado por Lingling. 

– Conta sim, papai. Miu vai adorar saber quem é a Lena de verdade.

Ele deu uma gargalhada sonora, pousando o talher.

— Ah, meu Deus, Miu! Você não faz ideia. Sabe essa postura de "mulher resolvida"? Esqueça! Quando a Lena tinha uns sete anos, ela decidiu que queria ser uma exploradora de quintal. O problema é que a definição dela de "exploração" envolvia tentar domesticar uma colônia de formigas-correição.

Miu soltou uma risada cristalina, virando-se para mim com um olhar divertido, os olhos brilhando.

— Formigas? — Ela perguntou com a voz suave, mal podendo crer que aquilo condizia com quem eu demonstro ser.

— Formigas, formigas gigantes! — meu pai continuou, gesticulando com entusiasmo. — Ela construiu um "hotel" para elas feito de caixas de sapato e deixou bem no meio da varanda. Resultado? No dia seguinte, a varanda inteira estava tomada por uma trilha interminável de formigas que invadiram até o nosso quarto. 

– A Lena passou o dia todo pedindo desculpas para as formigas, achando que elas estavam bravas porque o "hotel" era ruim! – Mamãe completou.

A mesa explodiu em risadas. Engfa estava literalmente batendo na mesa de tanto rir, e até minha mãe ria, balançando a cabeça em negação.

Eu me encolhi na cadeira, cobrindo o rosto com uma mão.

— Pai, por favor, a Miu já tem uma opinião formada sobre mim, não destrua isso agora!

— Pelo contrário, Lena. — Miu disse, sua voz chegando até mim como um bálsamo. Ela inclinou a cabeça, e o sorriso que ela me lançou não tinha um pingo de julgamento; apenas uma doçura que me desarmou por completo, especialmente quando sutilmente ela tocou minha mão sob a mesa. — Acho que agora eu gosto ainda mais de você. Essa versão "exploradora de formigas" faz muito mais sentido do que a escritora introspectiva que eu conheci.

Provavelmente Miu não perdeu que aquilo que disse tornou o clima em algo diferente. Não era um diferente do jeito ruim, mas algo que me fazia corar, já que todos os pares de olhos estavam nos observando.

O calor que senti no peito não veio do vinho ou da comida, mas da forma como ela me olhava. Ali, cercada por quem eu amava e por quem eu estava aprendendo a amar, a "Lena Lalina" — aquela que precisava de máscaras e roteiros — desapareceu. Sob a luz suave da sala de jantar, eu era apenas Lena, sendo ridicularizada pela própria família que gostava de me deixar em apuros.

Vi Miu observar a cumplicidade existente entre minha família com um brilho genuíno nos olhos, antes de se virar para o meu pai com uma curiosidade doce e legítima.

— Sr. Jett. — Ela começou, com a voz suave. — Vendo a forma como as primas se protegem e como o riso flui tão naturalmente entre todos vocês, eu fico me perguntando: essa conexão sempre foi assim? O senhor e seus irmãos sempre foram tão unidos quanto as meninas são hoje?

Meu pai pousou sua taça, seu semblante ganhando aquele tom de ternura nostálgica que todas nós tanto conhecíamos. A verdade, é que se nosso avô sempre foi nossa principal fonte de aprendizado, papai e meus tios, sempre foram nossa fonte de inspiração. A convivência entre os três irmãos, foi nosso maior exemplo para que hoje fôssemos tão ligadas umas às outras.

— Sempre, Miu. Desde que éramos garotos. Nossos pais, os avós das meninas, foram muito enfáticos nisso. Papai sempre nos dizia que o poder da união é a única coisa que realmente sustenta uma família. Meu pai acumulou alguns bens ao longo da vida, mas isso nunca foi cobiçado por nós, e nunca foi motivo para gerar conflitos entre meus irmãos e eu. Quando nos tornamos adultos, meus irmãos e eu fizemos um pacto silencioso: jamais moraríamos longe uns dos outros. Queríamos que nossas filhas crescessem como irmãs, que criassem laços que nenhuma distância pudesse romper. Nosso maior medo não era a pobreza ou o trabalho duro, era que, no dia em que nós partíssemos, nossas filhas ficassem sozinhas no mundo. O pacto era para que elas sempre tivessem umas às outras, assim como nós nós tínhamos.

– E foi assim por muito tempo. Até que Lena e Lingling tenham decidido morar um pouquinho longe de nós. – Lookmhee soltou sem aquele ar divertido que cativava a todos. 

Engfa, que ouvia com atenção, soltou um suspiro profundo, cruzando os braços com aquela pitada de melancolia que sempre aparecia quando o assunto era a nossa distância.

— É um pacto lindo, tio, mas a gente sabe que a vida nem sempre obedece. — Ela lançou um olhar rápido para mim e para a Ling, antes de endurecer o tom de brincadeira. — Mesmo longe, a gente não deixa a peteca cair. Sempre fomos o apoio umas das outras, mas, Miu, você não imagina o trabalho que elas podem dá. Por ser a mais velha, passei a minha vida inteira tentando educar essas três pestes e tirá-las de confusão.

Engfa ajeitou-se na cadeira, assumindo aquele papel de "lider oficial" que tanto a divertia.

— Quer conhecer a peça? — Inclinou a cabeça em minha direção. – A Lena é a intensidade em pessoa; vive dentro da própria cabeça, criando mundos, mas, quando decide agir, é teimosa como uma mula. Ainda assim, acho que quando o assunto deve ser levado com seriedade, ela é a que mais parece comigo. Já a Lookmhee é o caos disfarçado de fofura; você vai querer tê-la por perto com a mesma proporção que vai querê-la longe. Ela nunca ver um problema, como ela mesma diz, ela ver oportunidades. E a Ling... a Ling é a estrategista que adora ver o circo pegar fogo só para ver como a gente apaga o incêndio. Juntar a Ling e a Mhee, nunca é um bom negócio. E eu, bem… Eu sou a mais ajuizada.

A Mhee quase engasgou com a própria risada, gesticulando com o garfo em um protesto imediato.

— Ah, não! Engfa, por que você tem que ser tão convencida? — Ela questionou, fazendo todos rirem. 

– Mhee, não é como se tivéssemos muitos argumentos para contradizer isso. É irritante ter que admitir, mas Engfa geralmente é única que mantém o bom senso aqui. – A expressão de Ling era de puro sofrimento por precisar admitir o que todas nós sabíamos.

Ao ouvir Ling, Engfa fez aquela expressão irritante de quem diz “Viu, eu sempre estou certa”. O sorriso que era esboçado por seus lábios, era apenas o reflexo da sua certeza absoluta.

– Hum! Pode ser verdade essa coisa do bom senso. Mas  me recuso concordar com o “mais ajuizada”. Isso é um pouco demais. – Lookmhee mirou o olhar divertido de Miu. – Na verdade, Engfa é a "gerente de crise" que, no fundo, adora mandar. Mas ela também tem seus tropeços. A Lena é a "drama queen" que transforma um arranhão em uma tragédia grega. E a Lingling? Bom, a Lingling é, sem dúvida, a mais caótica. Ela tem essa carinha de santa, mas é ela quem dá o empurrãozinho para a gente pular do precipício.

– Mesmo? E você? – Miu questionou com ar divertido. Ela certamente achava Mhee um entretenimento a parte em minha família.

– Eu? Bem… Antes da Ling nos jogar, eu já estou lá em baixo mesmo.

A peste respondeu dando de ombros e arrancando gargalhadas de todos. Papai era sem dúvidas o que mais se divertia com o rumo da conversa. 

A Ling, que até então apenas observava o que Mhee dizia, arregalou os olhos em um fingimento de choque, mas não conseguiu segurar o riso.

— Eu? Caótica? Eu sou um perfeito equilíbrio entre você e Engfa. — Ela se defendeu, com aquele tom desafiador que sempre tornava nossos jantares inesquecíveis. — Eu só ajudo vocês a executarem seus planos de maneira... digamos, mais criativa. Não tenho culpa se sou a artista da família!

A mesa explodiu em uma gargalhada coletiva. Miu ria junto com elas, e eu, rindo até perder o fôlego com a autodefesa da minha irmã, senti o peito transbordar. Aquele era o tecido da nossa família: fios diferentes, por vezes contraditórios, mas entrelaçados com tanta força em um nó que jamais poderia ser desfeito.

 

…

O riso ainda ecoava pelas paredes da sala de jantar quando minha mãe, radiante, levantou-se para buscar a sobremesa. Ela voltou pouco depois, equilibrando uma travessa generosa de torta de frutas frescas, aquela que ela só fazia em momentos muito especiais. O silêncio que se formou era de antecipação, mas ninguém estava preparado para a "sobremesa" que ela decidiria servir junto com o doce.

— Sabe... — Ela começou, enquanto distribuía os pratos, sua voz carregada de uma doçura que escondia uma intenção perigosa. — Olhar para essa mesa cheia, com a Miu aqui conosco... Eu não poderia estar mais feliz. É como se uma peça que faltava finalmente tivesse se encaixado.

Senti um calafrio percorrer minha espinha. Minha mãe nunca foi de sutilezas quando estava empolgada, e mesmo que eu ainda não tivesse conversado com meus pais sobre o assunto, me parecia que eles sabiam exatamente o porquê decidiram oferecer aquele jantar para Miu.

— Na verdade… — Ela continuou, sem o menor filtro, lançando um olhar sugestivo para Miu e, em seguida, para mim. — Se essa peça viesse para ficar de vez, como nora, eu acho que meu coração finalmente pararia de bater acelerado de preocupação e passaria a bater apenas de alegria.

O silêncio na mesa foi substituído instantaneamente por uma explosão de gargalhadas. A Engfa quase caiu da cadeira, a Lookmhee batia palmas e a Ling, ah, a Ling parecia ter ganhado o prêmio da noite com aquela cena. Miu, ao meu lado, ficou visivelmente sem graça, suas bochechas tingindo-se de um vermelho intenso, embora um sorriso tímido ainda persistisse nos seus lábios.

Meu pai, com aquele seu jeito impagável, inclinou-se na direção da minha mãe e sussurrou, num tom que todos na mesa conseguiram ouvir perfeitamente:

— Malee, pelo amor de Deus, não pressione a moça! Você vai acabar fazendo a coitada desistir de querer qualquer coisa com a nossa filha, e eu ainda tenho esperanças de ter netos antes de precisar de uma bengala, mulher!

Eu estava levando a taça à boca no momento exato em que ele soltou a última frase. O resultado foi catastrófico. O vinho desceu pelo caminho errado, e eu comecei a tossir compulsivamente, sentindo o rosto queimar de um jeito que provavelmente competia com a cor do próprio vinho.

— Olha só o estado da nossa Lena. — Ling debochou, dando tapinhas (talvez fortes demais) nas minhas costas. — Ela está mais vermelha que o molho da salada! Calma, Lena, o papai só está sendo... entusiasta demais com a nossa linhagem familiar.

Eu não conseguia nem falar, apenas tentava recuperar o fôlego, sentindo cada centímetro da minha pele formigar de vergonha. A Miu, num gesto doce e protetor, tocou suavemente o meu braço, tentando me acalmar, mas isso só servia para deixar o meu sistema nervoso ainda mais em colapso.

A Engfa, percebendo que a situação estava prestes a se tornar insustentável para mim, rapidamente assumiu o comando da manobra de resgate. Ela estendeu o prato vazio na direção da minha mãe com uma determinação cômica.

— Bom, já que o assunto está ficando "fértil" demais para o meu gosto, tia Malee, será que a senhora poderia me dar outro pedaço desse doce? Está divino e eu preciso de açúcar para processar tanta informação de uma vez só!

A distração funcionou. Minha mãe começou a servir Engfa, desviando o foco da conversa, enquanto eu finalmente consegui respirar fundo, evitando olhar diretamente para a Miu, mas sentindo o calor dela logo ali, ao alcance da minha mão. O jantar estava oficialmente um caos, mas, pela primeira vez, era o tipo de caos que eu não queria que terminasse nunca.

 

Pouco mais tarde

 

O trajeto de carro até a casa de Miu foi preenchido por uma trilha sonora suave e o silêncio confortável que havíamos aprendido a compartilhar. Meus pais insistiram que eu a levasse, alegando que o caminho era muito perigoso para ela ir sozinha, já que ainda não estava familiarizada com o trajeto. Mas na verdade, eu sabia que aquela era só uma desculpa que, confesso, eu não fiz o menor esforço para contestar.

Estacionei em frente à sua casa. O motor silenciou, mas nenhuma de nós se moveu para sair. O ambiente dentro do carro parecia um mundo à parte, protegido pela penumbra da noite.

— Eu ainda estou processando o que foi essa noite. — Miu começou, quebrando o silêncio com um sorriso doce enquanto olhava para a frente. 

– Minha família é meio desajeitada, não é? Me desculpe se alguma coisa te incomodou.

Existia um brilho intenso e de pura satisfação quando seu olhar encontrou o meu.

— Sua família é incrível, Lena. Nunca, em toda a minha vida, fui recebida com tanta abertura e carinho. Eles me fizeram sentir... parte de algo, sem nem ao menos perguntarem de onde eu vim.

Senti uma onda de gratidão me invadir. Estendi a mão e, timidamente, toquei o dorso da mão dela que repousava sob sua bolsa.

— Fico tão feliz que tenha sido assim, Miu. Ver como você e eles se deram bem... Eu não sei, mas sinto como se as peças do meu mundo estivessem finalmente se encaixando.

Miu virou-se para mim, e a luz do luar que entrava pela janela iluminava a curiosidade suave em seus olhos.

— E como era antes? Digo, com a Thai... Ela também se sentia assim com eles?

Respirei fundo, sentindo o peso daquela memória se dissipar quase instantaneamente ao olhar para Miu.

– Me desculpe se foi uma pergunta invasiva. Você não precisa responder se não quiser.

— Não é isso! Quer dizer, não é nada com você. É só que… Bem, a Thai nunca veio aqui. Ela não chegou a conhecer o lugar onde nasci e cresci. Ela mal conviveu com minha família. Com exceção de Ling, que mora no mesmo apartamento que eu. 

Aquilo pareceu chocar Miu.

– Como isso é possível? Vocês todos são tão unidos… Era de se esperar que eles quisessem conviver com ela.

– A culpa sobre isso não é deles. Claro que queriam conhecer e conviver com ela. Mas Thai é uma mulher diferente das minhas primas, por exemplo. Ela achava o vilarejo sem graça. Dizia que o ritmo daqui era pobre demais para a imagem que eu precisava sustentar. Ela e minha família só se encontraram uma vez, em um aniversário surpresa que Lingling organizou para mim. Foi tudo muito formal, muito frio. Minhas primas não se deram muito bem com ela. Especialmente Engfa. Meus pais tentaram, mas bem, tudo acabou como acabou, e eles não gostam de ouvir nem mesmo o nome. Ela nunca entendeu que, para mim, este lugar não é pobreza; é onde eu me reencontro.

Miu segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos, me fazendo encarar aquele gesto com expectativa para saber o que vinha em seguida.  O clima dentro do carro mudou. A lembrança do passado parecia um fantasma distante, sem força diante do calor que Miu emanava. Ela aproximou-se, seus olhos fixos nos meus, carregados de uma intensidade que me fez perder o fôlego.

— Pois eu sou grata a cada segundo que passei aqui, porque foi esse vilarejo que me trouxe até você. — Ela murmurou, sua voz descendo uma oitava. Ela hesitou por um momento, a mão subindo para tocar a lateral do meu rosto, um carinho lento e eletrizante. — Lena, depois de tudo que vivemos essas semanas... posso ter esperança? Posso sonhar com o dia em que vamos, finalmente, oficializar o que tem acontecido entre nós?

Senti meu coração disparar, não de medo, mas de uma expectativa doce. Eu já não estava mais me escondendo.

— Miu... — Eu disse, deixando que a verdade transbordasse. — Eu já aceitei o que sinto. Meu coração não está mais trancado, ele está apenas... reaprendendo a viver. Talvez eu só precise de um pouco mais de tempo para me acostumar com essa ideia, com o fato de que, quando acordo, não me sinto mais tão solitária.

Miu sorriu, um sorriso que iluminou todo o meu ser. Ela se inclinou mais, diminuindo o espaço que nos separava parecendo decidida em me dar mais um motivo para me acostumar com a ideia.

— Posso te beijar? — Ela perguntou, num sussurro quase inaudível, pedindo permissão como se eu fosse feita de vidro.

— Sim! — Respondi, sem hesitar.

Quando nossos lábios se tocaram, foi como uma promessa. Era o gosto da calmaria depois da tempestade, o selo de que, finalmente, eu tinha encontrado alguém que não queria apenas dividir um capítulo da minha história, mas sim escrever todo o livro ao meu lado. Naquela noite, sob o céu estrelado do vilarejo, mais uma vez eu soube, com absoluta clareza, que o meu final feliz não era uma ficção; era ela.

Fim do capítulo

Notas finais:

O desafio não foi cumprido por vocês :( contudo, mesmo assim fiz o mimo 

Bom domingo!


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