• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço
  • Capitulo 10

Info

Membros ativos: 9629
Membros inativos: 1626
Histórias: 1990
Capítulos: 21,210
Palavras: 53,695,026
Autores: 818
Comentários: 109,701
Comentaristas: 2617
Membro recente: Jess_

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • O e-book do Desafio das Imagens do Lettera — Maio de 2026 chegou!
    Em 25/06/2026
  • Desafio das Imagens 2026
    Em 23/04/2026

Categorias

  • Romances (889)
  • Contos (478)
  • Poemas (237)
  • Cronicas (233)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço
    Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço
    Por priskelly
  • Otherside - Como a vida deveria ser
    Otherside - Como a vida deveria ser
    Por Elin Varen

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • Ela
    Ela é Naturista
    Por dyh_c
  • Construindo
    Construindo o Amor
    Por Vandinha

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (889)
  • Contos (478)
  • Poemas (237)
  • Cronicas (233)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço por priskelly

Ver comentários: 0

Ver lista de capítulos

Palavras: 3580
Acessos: 114   |  Postado em: 03/08/2026

Capitulo 10

Por narrador

 

O sol ainda se esgueirava timidamente pelo horizonte do vilarejo quando o silêncio da manhã foi interrompido pela movimentação urgente de Lingling. Desde a madrugada que a mais nova das irmãs estava ansiosa para fazer aquela ligação. Tão ansiosa que não quis perder tempo ligando individualmente, fez logo uma chamada conjunto com as duas primas. Engfa foi a primeira atender, não apenas porque diferente das outras, ela costumava acordar cedo, mas porque logo se preocupou ao ver a foto da prima surgindo na tela.  O que poderia ser capaz de tirar Lingling da cama aquela hora da manhã? Por sua vez, Lookmhee deu mais trabalho para atender a chamada, e quando fez não poupou xingamentos a prima. No entanto, o tom raivoso deu espaço a curiosidade quando ela notou na voz da prima um tom urgente e conspiratório.

Lingling não precisou de muitas palavras para convencer as duas primas aceitarem seu convite. Antes mesmo que ela pudesse terminar de explicar, Lookmhee já estava vestindo a roupa. A única frase “Lena dormiu na companhia de Miu” foram suficientes para fazer com que Engfa e Lookmhee abandonassem o conforto de suas camas antes mesmo que os pássaros começassem a cantar.

Como moravam no mesmo terreno da família, as duas primas foram juntas para o centro do vilarejo para encontrarem Ling em frente a confeitaria. A ida até lá foi feita em um ritmo acelerado. Lookmhee, sempre a mais expansiva, não conseguia conter a curiosidade.

Logo que chegarem e desceram do carro de Engfa, a mais nova adiantou-se.

– Ling, você está agindo como se tivéssemos descoberto um tesouro escondido. – Comentou Lookmhee, ajustando o casaco contra o frescor da alvorada. – Eu espero realmente que esteja valendo a pena ter deixado o aconchego da minha cama. Ah, e você me deve um café da manhã digno, por favor. 

Lingling apenas sorriu, enigmática.

– Será um belo café da manhã em família. – Ling disse com animação. – Vocês vão me agradecer por compartilhar isso com vocês. Sério! Precisam ver com os próprios olhos de vocês. A Lena… ela ainda não sabe, mas é uma nova mulher.

Ao chegarem, Lingling usou a chave reserva que pegou do seu pai, e logo a porta da frente foi destrancada. Com o coração acelerado, Lingling empurrou a madeira velha, que rangeu suavemente. O ambiente estava impregnado com o cheiro adocicado de açúcar queimado e fermento, uma fragrância que agora se misturava a uma atmosfera de paz absoluta.

Quando as três entraram na cozinha, a cena que encontraram fez o ar faltar nos pulmões de Lookmhee, que logo fez surgir aquele ar divertido que só ela tinha.

Sobre o balcão principal, onde a luz dourada do amanhecer começava a incidir, Lena e Miu estavam adormecidas, visivelmente exaustas. Elas repousavam lado a lado, com as cabeças apoiadas nos braços cruzados sobre a superfície de madeira. O que mais chamava a atenção, porém, era o estado em que se encontravam: ambas estavam literalmente cobertas de farinha, do cabelo até as pontas dos dedos, como se tivessem travado uma batalha épica – e perdido para o cansaço. O curioso é que algo assim não combinava com a personalidade de Lena. Pelo menos não aquela que ela adotará em sua fase adulta cheia de cargas pesadas e responsabilidades.

Lookmhee levou a mão à boca, soltando uma risadinha abafada que quase se transformou em uma gargalhada. Ela cutucou Lingling, os olhos arregalados brilhando com a oportunidade perfeita para uma zombaria memorável.

– Olhem isso! – Sussurrou Lookmhee, já preparando o celular para registrar o momento. – Parece que tivemos uma nevasca dentro da cozinha. Elas parecem dois fantasminhas de farinha. Eu não acredito que  Lena Lalina perdeu a dignidade desse jeito. 

Lookmhee deu um passo à frente, pronta para fazer algum comentário alto o suficiente para acordar as duas, pois estava verdadeiramente ansiosa para saber como sua prima reagiria ao ver que foi pega no flagra, mas foi impedida por um toque firme em seu braço.

Engfa, que até aquele momento estava paralisada junto à porta, deu um passo à frente. Sua expressão não era de deboche, mas de um assombro genuíno. Seus olhos atentos, percorriam a curva dos ombros de Lena, a forma como ela estava encolhida, buscando o calor de Miu, e como a mão de Lena, mesmo dormindo, repousava sobre a manga da blusa da outra.

– Não! – Disse Engfa, com a voz baixa e surpreendentemente protetora. Ela segurou o pulso de Lookmhee, sinalizando para que baixasse o celular.

Lookmhee franziu a testa, confusa. 

– Qual é, Engfa? Isso é ouro puro!

Engfa balançou a cabeça negativamente, mantendo os olhos fixos naquelas duas figuras empoeiradas. Havia uma suavidade rara em seu semblante, uma compreensão que parecia transcender a cena engraçada.

– Elas não estão apenas bagunçadas, Look. – Respondeu Engfa, a voz carregada de uma emoção contida. – Olhe bem para elas. Quanto tempo faz que Lena não dorme com essa paz no rosto? Nenhuma de nós tem o direito de quebrar esse momento só por uma risada.

Lingling, observando a postura de Engfa, sentiu um calor reconfortante no peito. Ela percebeu que, naquele momento, a seriedade da prima mais velha era o reconhecimento de que ela não era a única em apostar que, finalmente, a luz havia retornado à vida de Lena.

As três permaneceram ali, imóveis, vigiando o sono das duas como sentinelas, enquanto o sol subia, banhando a cozinha com a promessa de um novo começo.

Haviam se passado apenas alguns minutos após a chegadas das três. O silêncio na cozinha era tão profundo que a respiração rítmica de Lena e Miu parecia ditar o compasso do ambiente. O sol, agora um pouco mais alto, projetava feixes de luz que faziam a poeira de farinha suspensa no ar brilhar como pequenos cristais ao redor das duas.

A paz, contudo, foi rompida por um barulho quase imperceptível: um suspiro de Miu, que começou a se mexer, desconfortável pela posição rígida sobre o balcão de madeira. Ela soltou um resmungo baixo e, lentamente, abriu os olhos. O primeiro foco de sua visão não foi o teto da confeitaria, mas três pares de olhos fixos nelas.

Miu congelou. O susto foi imediato e físico. Ela deu um solavanco para trás, o que acabou forçando Lena a despertar abruptamente também.

– Mas o quê...?!

Miu exclamou, levando as mãos ao rosto e espalhando ainda mais a farinha que cobria suas bochechas, o que fez as três forçarem abafar um riso. Até mesmo Engfa não pode deixar de achar a cena cômica.

Lena, ainda grogue e com os cabelos emaranhados por uma camada espessa de pó branco, piscou várias vezes, tentando localizar o mundo ao seu redor. Ao ver Lingling, Engfa e Lookmhee ali, paradas como estátuas em meio ao silêncio da manhã, ela sentiu o sangue subir ao rosto – ou o que restava dele por baixo da farinha.

– Lingling? Engfa? Lookmhee? – A voz de Lena saiu rouca, carregada de uma confusão atordoada e muita vergonha. – Que horas são? O que vocês estão fazendo aqui?

Miu, sentindo-se exposta e parecendo uma estátua de gesso, tentou, inutilmente, limpar a bancada com as mãos. A cena de ambas, sujas da cabeça aos pés, era um contraste cômico com a expressão de pânico que as dominava.

Lookmhee, que antes tentara zombar e fora impedida por Engfa, dessa vez não conseguiu segurar um sorriso travesso ao ver a reação de susto das duas.

– Bom dia, "fantasminhas.” – Disse Lookmhee, cruzando os braços e tentando manter o tom sarcástico, embora seus olhos denunciassem o carinho pela cena. – Vocês pretendiam abrir a confeitaria ou virar parte dos ingredientes? Porque, sinceramente, vocês parecem ter lutado contra um saco de trigo e perdido de goleada.

Miu, ainda processando a presença das três, olhou para Lena e, depois, para a própria roupa branca. A vergonha inicial de Lena foi substituída por uma percepção diferente ao notar a expressão de suas primas. Ela viu a mão de Engfa repousada gentilmente no balcão, e o olhar de Lingling, que não continha julgamento, mas uma ternura que ela não recebia há muito tempo.

Lena baixou a guarda. Seria uma causa perdida de qualquer jeito. O pânico de ter sido flagrada deu lugar a um suspiro profundo. Ela olhou para Miu, que ainda parecia um pouco paralisada, e, sem conseguir se conter, um pequeno sorriso curvou seus lábios. A risada começou baixa, mas logo contagiou Miu, que, ao ver a cena pelo olhar de fora, também desatou a rir, mesmo que de nervoso.

– Nós estamos péssimas, não estamos? – Entre risos, Lena murmurou para a confeiteira.

– Uma vergonha! – Miu concordou sentindo as orelhas esquentarem.

Lena então buscou sustentar os olhares das outras três. 

– Nós não tínhamos a intenção de… – Lena começou, tentando explicar, mas acabou desistindo com um aceno de mão. – Digamos apenas que a noite foi mais produtiva do que planejamos. Perdemos a noção do tempo. 

Engfa, que observava tudo em silêncio, deu um passo à frente, quebrando a barreira que as separava. Ela ignorou a farinha e estendeu a mão, tocando o ombro de Lena com uma delicadeza que dizia mais do que qualquer palavra.

– Não precisam se explicar. – Disse Engfa, com um sorriso tranquilo. – Às vezes, a gente precisa mesmo de uma bagunça dessas para colocar a vida no lugar.

O clima na cozinha, antes pesado pelo susto, tornou-se mais leve, mas ainda assim carregado pela timidez de Miu e Lena, que sequer conseguiam sustentar o olhar uma da outra por muito tempo. E, ali, entre risadas contidas e olhares de cumplicidade, as cinco mulheres compartilharam um amanhecer que, para Lena, marcava o início de uma nova fase.

Lookmhee, com aquela energia contagiante que lhe era peculiar, deu um tapinha sonoro no balcão, espalhando uma nuvem fina de farinha que fez todas tossirem levemente.

– Ok! Chega de momentos emocionantes de "bom dia", porque a fome já está batendo por aqui, e eu não vou aceitar nada menos que um café da manhã digno de uma rainha. – Declarou ela, colocando as mãos na cintura. – Como a casa da Miu é a mais perto, vamos nos instalar lá. Mas, com essa zona que vocês fizeram, não vamos sair daqui sem deixar esse lugar brilhando primeiro. Mãos à obra!

– Você está se convidando para a casa dos outros, pestinha. – Engfa repreendeu a mais nova em um tom divertido.

– Ora essa! Se quer uma, tem que levar todas nós no pacote. – Lookmhee respondeu em um murmuro dando de ombros.

A princípio, Lena pareceu hesitar a ideia. Seus olhos encontrando os de Miu em um momento de dúvida silenciosa. A proximidade física durante o sono parecia ter deixado um rastro de eletricidade estática entre elas, algo que, mesmo sob a luz clara do dia, ainda a deixava sem fôlego e sem compreender porque se sentia daquele jeito.

– De jeito nenhum! Eu preciso ir para casa. Preciso de um banho e trocar de roupa. 

– Isso não é um grande problema. – Lingling mostrou para a irmã um pacote que trazia consigo. – Trouxe roupas limpas para você trocar aqui mesmo. 

– Viu?! Não tem porque ter discussão. Você já dormiu com ela, então o que custa compartilhar um café da manhã? – Lookmhee alfinetou ganhando um olhar repreensivo da prima. 

Engfa conteve o riso. Ela sabia que Lena estava completamente envergonhada, e por isso quis ajudar a prima, por isso adiantou-se.

– Então está resolvido. Vamos tomar café da manhã juntas. Eu vou na padaria comprar algumas coisas.

– Ei, você está fugindo da limpeza. – Lookmhee cruzou os braços pouco acreditando na esperteza da mais velha.

– Você inventou, então lide com isso pestinha.

Após a saída estratégica de Engfa, não restou alternativa para as outras quatro, que não fosse iniciar a limpeza. 

– Eu ajudo!

Miu disse para Lena ao vê-la começar guardar os ingredientes perdidos no balcão da cozinha. Sua voz ainda estava um pouco trêmula, mas carregada de uma doçura que fez com que Lena a olhasse com uma intensidade que a fez desviar o olhar rapidamente para um pano de prato.

A tarefa, que poderia ser tediosa, transformou-se em um caos organizado. Enquanto Lingling e Lookmhee cuidavam das superfícies mais altas, Lena e Miu ficaram responsáveis pela área próxima à batedeira, o epicentro da "guerra" da noite anterior.

– Sabe, Lena. – Começou Lookmhee, enquanto agora varria o chão com um ritmo animado. – Nosso avô adoraria ver isso. Ele sempre dizia que a confeitaria só tem alma quando a cozinha está cheia de gente, não apenas de receitas.

Lena, que estava concentrada em retirar o excesso de farinha do avental de Miu, parou por um segundo. Suas mãos tocaram o tecido, e elas acabaram paradas a poucos centímetros uma da outra. Lena abriu a boca para responder, mas as palavras morreram. Miu a encarava com um sorriso tímido, os olhos brilhando com uma gratidão que dizia muito mais do que qualquer explicação. Houve um segundo de silêncio absoluto entre as duas, um instante onde o resto do mundo pareceu desaparecer, até que o barulho de uma bacia sendo lavada por Lingling as trouxe de volta.

– Vocês usaram mel? Sei lá… Tô sentindo o cheiro por aqui mais doce que o normal. – A irmã de Lena disse em uma fingindo inocência.

Lena pigarreou, voltando a limpar o balcão com um vigor repentino, enquanto Miu soltou uma risadinha baixa, voltando-se para a pia. A conversa fluiu entre elas de forma natural; histórias de infância, planos para o festival e até as reclamações de Engfa, após seu retorno, sobre a dificuldade de encontrar seu pão preferido naquele dia.

Mesmo assim, em meio à limpeza, a atmosfera era carregada. Vez ou outra, Lena pegava Miu a observando enquanto guardavam os utensílios, e o "oi" hesitante ou o leve toque de ombros ao passarem uma pela outra revelava uma nova e delicada camada de conexão. Não era mais apenas sobre a confeitaria. Era sobre o espaço que uma estava começando a ocupar no coração da outra mesmo sem compreender ainda. 

Quando a última bancada foi lustrada e os aventais de Lena e Miu, foram finalmente pendurados, a cozinha brilhava.

– Missão cumprida! – Lookmhee anunciou, batendo palmas. –  Agora, rumo à casa da Miu. O café da manhã nos espera, e eu não aceito um "não" como resposta. 

– Você diz fala que não aceita um não como resposta, como se a casa fosse sua. – Engfa deu uma leve tapa na testa da prima mais nova. – Miu, ignore a existência de Lookmhee e você será uma pessoa mais sã. 

Saíram da confeitaria sob a luz clara da manhã, Lena e Miu caminhando um pouco mais atrás, com as mãos quase se tocando, em um silêncio confortável que prometia muito mais do que a simples amizade que surgia as unindo. 

 

…

 

A casa de Miu era um refúgio de aconchego, muito diferente da agitação da confeitaria. Lena não pode deixar de perceber que tudo em volta parecia encaixar perfeitamente com a personalidade de Miu, especialmente a calmaria trazida pelas plantas bem cultivadas.

A mesa estava posta com uma simplicidade charmosa, mas o banquete que Miu preparara em questão de minutos deixou as quatro primas boquiabertas.

– Miu, por favor, casa comigo? – Brincou Lookmhee, já atacando um bolinho de gergelim com um entusiasmo voraz, sem sequer perceber que era encarada pelo o olhar assassino de Lena. – Isso aqui está surreal! Você tem um toque de fada.

Engfa, servindo-se de um chá bem quente, assentiu vigorosamente, com os olhos brilhando ao provar o mingau de arroz temperado.

– A Lookmhee tem razão, Miu. Isso é reconfortante. É o tipo de comida que faz a gente se sentir em casa, mesmo estando na casa dos outros. No caso, sua casa. 

– Não precisa se preocupar. Daqui a pouco ela vai ser da família, então vamos ter acesso livre na casa dela mesmo. E de quebra ainda vamos comer bem. – Lookmhee sussurrou com animação apenas para Engfa. 

O clima era leve, permeado pelo tilintar de talheres e risadas ocasionais. O sol da manhã entrava pela janela, iluminando o ambiente e deixando a atmosfera ainda mais descontraída. Aproveitando o momento, Lookmhee lançou um olhar malicioso para a prima mais velha.

– Falando em "casa", em encontrar o seu lugar e tudo mais… Vocês não vão acreditar, mas a nossa querida Engfa, finalmente parou de rodar feito barata tonta. Ela está saindo com uma única mulher ultimamente.

Engfa quase derrubou a colher na tigela, o rosto tingindo-se de um vermelho escarlate.

– Lookmhee! Cala a boca! Não é nada disso, não espalhe asneiras. – Ela protestou, tentando esconder o constrangimento atrás da xícara de chá.

– Estou me sentindo traída. – Ling levou as mãos ao peito. – Como você esconde algo assim de mim? 

– Por que já me basta essa peste, para ser fofoqueira. – Engfa deu outro tapa na prima mais nova. – Além disso, é apenas alguém legal que conheci a pouco tempo. Estamos nos divertindo, só isso. Nada sério.

– Vamos conhecê-la? – Lena perguntou, mas não se animou. 

Ela conhecia a prima o suficiente para entender o que ela quis dizer com “estamos apenas nos divertindo.” Para Engfa, o tal relação não passaria de sex*. 

– Não é necessário. Realmente não é algo sério.

Miu, que era quase a última romântica do universo, estranhou a tranquilidade de Engfa ao se referir ao assunto sem se preocupar em falar abertamente que não existiria um futuro para o relacionamento que estava tendo.

– De qualquer maneira, já é um grande avanço estar saindo com uma por vez. Geralmente você é muito afrodisíaca. – Lingling alfinetou e Lookmhee sorriu.

– Sendo sincera com vocês, ainda não sinto que encontrei o meu amor verdadeiro, sabe? Não quero me prender a algo que não faz meu coração disparar de verdade.

– O que dispara é outra coisa, né minha filha? – Lookmhee soou maliciosa.

Mas após ganhar mais um tapa da mais velha, a confissão de Engfa, acabou gerando um silêncio breve e pensativo à mesa. Lingling, com um brilho curioso nos olhos, aproveitou a deixa e voltou sua atenção para a anfitriã, que até então apenas sorria, um tanto tímida diante da naturalidade das parentes.

– Interessante, Engfa. Às vezes o tempo traz as respostas que a gente não está procurando. – Lingling comentou, antes de inclinar a cabeça na direção de Miu. – Mas e você, Miu? 

– Eu? O que tem eu? – Miu a olhou intrigada.

Conhecendo a irmã que tinha, Lena se inquietou. Ela não sabia bem o que esperar de Lingling, mas sabia que a irmã era astuta o suficiente para colocá-la em uma situação constrangedora.

– Já que estamos falando disso, nos conte sobre você. Já se envolveu amorosamente com uma mulher antes? E, sendo bem direta, existe alguém no seu radar agora? Alguém que tenha despertado esse seu "coração disparar"?

A abordagem pareceu agradar Lookmhee, que visivelmente venerando a prima pela pergunta certeira que fez, pareceu ansiosa para ouvir a resposta. A mais nova apoiou os cotovelos na mesa, segurou o próprio queixo e sem cerimônia manteve o olhar concentrado em Miu. Por sua vez, Engfa, embora mais contida, também pareceu curiosa para ouvir o que seria respondido por Miu.

No entanto, Miu congelou por um milésimo de segundo. Ela sentiu o olhar de Lena sobre si, a fazendo corar. Era um olhar fixo, quase expectante, mas ainda assim contido. Era um olhar que a deixou subitamente consciente de cada movimento como se estivessem em uma partida de xadrez. Miu engoliu em seco, tentou manter a calma e, com um sorriso quase imperceptível, respondeu:

– Bom, eu… já tive meus momentos, claro. Mas, sobre estar interessada em alguém agora? – Ela desviou o olhar por um instante, deixando-o pousar suavemente sobre Lena. – Digamos que ultimamente eu tenho andado ocupada. Minha mentora não me deixa muito tempo para distrações.

Ela quis soar divertida, mas o súbito nervosismo não deixava brechas para que as outras se convencessem que aquela não era uma resposta vaga para fugir de qualquer responsabilidade.

O silêncio que se seguiu foi quebrado por um som seco e estridente. Lena, que levava uma colherada de mingau à boca no momento exato da declaração de Miu, engasgou de forma violenta. Ela começou a tossir, o rosto ficando vermelho, enquanto tentava recuperar o fôlego desesperadamente.

— Meu Deus, Lena! Calma! — Miu exclamou, levantando-se de imediato para bater levemente nas costas da outra.

A cena era cômica: Lena, com o rosto roxo pelo susto, tentando se recompor enquanto Lookmhee, Lingling e Engfa não conseguiam conter as gargalhadas. A irmã e as primas de Lena, concordavam que ela era péssima em lidar com situações como aquela.

– Acho que o mingau estava quente demais, ou a resposta foi impactante, hein, Lena? – Provocou Lingling, rindo enquanto estendia um copo de água para a irmã.

Lena, ainda ofegante e tentando limpar o canto da boca com um guardanapo, lançou um olhar de "estou te matando" para a irmã e as duas primas, mas não conseguiu disfarçar o sorriso tímido que brotou ao ver a preocupação genuína – e a proximidade – de Miu, que continuava a acariciar suas costas com uma delicadeza que dizia mais do que qualquer palavra. 

Fim do capítulo

Notas finais:

Uma semana abençoada para todas. Espero que estejam gostando da leitura! 

 

Bjus


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior
  • Próximo capítulo

Comentários para 11 - Capitulo 10:

Sem comentários

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web