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EM BUSCA DE JUSTIÇA por Luhpereira

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Palavras: 1417
Acessos: 117   |  Postado em: 30/07/2026

Capitulo 5

 

Barbara Brandão

 

Olhando para o celular, havia acabado de conversar com Alexsandra. Naquela noite teríamos um importante evento social: a premiação de médicos referência em diversas especialidades, e ela também seria uma das homenageadas. Alexsandra ainda não sabia que receberia o prêmio. Paloma havia me pedido para guardar essa informação e conduzi-la até uma das primeiras mesas, que não seriam organizadas de forma nominal, justamente para manter o suspense durante a cerimônia. Estariam presentes médicos de diversas especialidades e de várias regiões do Brasil.

— Filha, e aí? Conseguiu o meu convite para o jantar?

— Não, mãe. Vou precisar ver isso com a Paloma. Inclusive, vou ligar para ela agora. — disse, procurando o número dela na agenda do celular.

— Filha, vou agendar horário no salão. Precisamos fazer o cabelo, as unhas e ainda escolher as roupas... Mas, poxa vida, a Alex poderia ter conseguido esse convite para mim. Afinal, sou mãe da futura esposa dela! — disse minha mãe, demonstrando toda a sua insatisfação enquanto colocava as mãos na cintura.

— Mãe, ela também é apenas uma convidada para esse evento. Não ficaria bem pedir que ela resolvesse isso.

— Tá... mas eu sei que ela não me suporta, ainda mais me levando para eventos como esse. — disse, empinando o nariz e demonstrando certo descontentamento. — Mas ela vai ter que me suportar, principalmente quando esse casamento deixar de ser apenas um projeto e finalmente acontecer. Vocês precisam começar a pensar nessa cerimônia. — Elevou a sobrancelha e me encarou seriamente. — Vocês ficaram noivas lá nos Estados Unidos, mas precisam dar o próximo passo. Vai aceitar ficar noiva para o resto da vida?

— Mãe, a senhora acha que é fácil lidar com a Alex? — perguntei, deixando o celular sobre a cama enquanto prendia os cabelos. — O noivado praticamente aconteceu porque eu dei um ultimato: ou nós noivávamos ou cada uma seguiria o seu caminho.

— Você está louca? Jamais! Nunca mais mencione uma coisa dessas. — respondeu, andando de um lado para o outro pelo quarto. De repente, parou e abriu um sorriso. — Tive uma ideia!

— O quê, mãe?

— Filha querida... — disse, puxando-me para sentar ao seu lado na cama. — Nós temos um grande trunfo.

Franzi a testa.

— Que trunfo?

— A sua saúde, filha. Seu transtorno de ansiedade, essas crises de enxaqueca crônica... Tudo isso precisa ser levado em consideração. Precisamos fazer com que Alex tenha mais sensibilidade e, sobretudo, mais responsabilidade com você.

— Mãe, eu não estou conseguindo entender.

— Bárbara, você é muito inocente, meu amor. — Ela sorriu de maneira quase irônica, como quem já tivesse pensado em todos os caminhos possíveis. — Você precisa se mostrar mais vulnerável, psicologicamente fragilizada. Não estou dizendo para fingir algo que não sente, mas para deixar que Alex perceba o quanto você precisa dela. Assim, ela se sentirá ainda mais responsável por você e por esse relacionamento.

— Mamãe, Alex é minha! Eu jamais pretendo perder essa mulher.

— Eu sei, minha filha. Mas justamente por isso você precisa oficializar essa relação. Um namoro pode terminar a qualquer momento. Um casamento, porém, cria raízes, compromissos... responsabilidades. — Ela fez uma breve pausa, observando minha reação. — E existe ainda uma questão que não podemos ignorar: por serem duas mulheres, a velha estratégia de uma gravidez para consolidar uma relação está fora de cogitação.

— E nem eu iria querer isso, não é? — Dei uma risadinha, deitando-me na cama e me espreguiçando. Apoiei os cotovelos sobre o colchão e cruzei uma perna sobre a outra. — Não me imagino grávida e muito menos disposta a abrir mão do meu corpinho. Além disso, Alex é louca por mim.

— Ah, filha... Poupe-me dessa safadeza de vocês duas! — Ela revirou os olhos, embora um sorriso discreto denunciasse que não estava realmente incomodada. — O que eu quero é que você saiba conduzir essa situação. Faça com que Alex perceba que esse relacionamento precisa avançar. Quero esse casamento saindo do papel.

Ela bateu de leve em minha perna e se levantou.

— Agora, agilize as coisas e consiga o meu convite com a Paloma. Enquanto isso, vou procurar um salão que esteja à altura da ocasião.

— Está bem... Mas fique tranquila, mamãe. — Sorri, confiante. — Alex é minha.

 

 

 

Ângela Cecília

Saindo do setor administrativo, estávamos indo para a área da pediatria em busca de Dona Iraci, que estava tão ansiosa quanto nós. Porém, ela ligou para Rebeca avisando que estava na lanchonete do hospital.

— Aproveitamos para tomar um cafezinho antes de irmos para casa.

— Vamos.

Esse hospital é gigante, tem uma megaestrutura e tudo fica distante, mas eu gostaria de ter a oportunidade de recomeçar por aqui.

Chegando à área da lanchonete, de longe avistei Dona Iraci. Ela é uma senhorinha de cabelos já grisalhos, estava vestida toda de branco e se sentava em uma cadeira de frente para nós. Ao nos ver, abriu um lindo e acolhedor sorriso. Seguimos em sua direção.

— Que bom que ainda não tinham ido embora, meninas! Sentem-se. Vamos tomar um chá ou café e comer alguma coisa.

— Estou mesmo morrendo de fome, vovó. — Disse minha amiga, sentando-se ao lado de Dona Iraci. Sentei-me à sua frente.

— Muito lindo este hospital e toda a estrutura que estou vendo. É tão acolhedor. — Disse, olhando admirada para Dona Iraci.

— Sim. Aqui sempre levaram a sério o lema do hospital: salvar vidas e cuidar para que os pacientes, familiares e profissionais se sintam acolhidos e bem. — Disse-me ela, sorrindo de maneira acolhedora. — Mas me contem, como foi a entrevista de vocês?

— Foi agradável, mas a entrevistadora não demonstrou muita emoção ou esperança.

— Espera, espera! Como assim, entrevistadora? Não foi o Valter quem entrevistou vocês? — perguntou Dona Iraci.

— Foi uma senhora de mais idade. Não me recordo do nome dela. — Disse minha amiga, olhando para mim.

— Dra. Angelina.

— Ahhh, não! Poxa vida!

— Ela não vai nos aceitar?

— Se ela teve tempo de ler todo o currículo de vocês, acho mais difícil que ela considere a contratação... Ela é uma pessoa de coração generoso, porém já causou muitos conflitos com a diretoria do hospital, que, muitas das vezes, acaba anulando suas ações.

— Eu não acredito! Meu Deus, a gente nunca tem sorte.

— Mas vamos ter fé. Se Deus quiser, vocês vão conseguir.

— Se for nosso destino recomeçar aqui, vai ser. — Disse e, logo em seguida, chegou uma garçonete muito atenciosa, que retirou nossos pedidos. — A senhora não irá almoçar?

— Eu esquentei a minha marmita e almocei na cozinha, que é uma área que temos lá na pediatria. Aqui eu venho apenas para encontrar algumas pessoas ou quando bate aquela vontade de tomar esse cafezinho dos deuses.

— Que bom... Mas como está sendo o seu dia?

— Hoje está sendo tranquilo. Estamos atendendo apenas retornos e pré-natal. Não está sendo um dia cheio de crianças querendo chegar ao mundo, porém nem todos os dias são assim.

— Deve ser emocionante participar desses momentos, ver eles chegando ao mundo e ter esse contato mágico, abrindo os olhinhos e enchendo os pulmões de ar pela primeira vez.

— A parte que mais me emociona é entregá-los nos braços das mães e ver o primeiro olhar entre eles. E quando acontece a primeira amamentação... É um momento emocionante, principalmente quando se trata de uma mamãe de primeira viagem.

— Que emocionante. — Disse, tocando em suas mãos. — Parabéns pela beleza da sua profissão, Dona Iraci.

— Quero muito viver essas emoções tão lindas ao seu lado, vovó!

— Você vai, filha. Vamos recuperar o seu tempo perdido. — Ela segurou a mão de Rebeca e, em seguida, tocou também as minhas. — Hoje eu fiz a minha oração, e a minha intenção foi por vocês. Podem acreditar que Deus é justo, e vocês vão poder recomeçar a vida de vocês. Eu creio muito nisso.

Ficamos mais uns trinta minutos aproveitando o intervalo de Dona Iraci e tendo uma conversa descontraída. Acho lindo ver esses momentos entre elas. Estão aproveitando cada instante e tentando recuperar o tempo perdido em que ficaram longe uma da outra. Ao observá-las, não pude deixar de sorrir. Era impossível não acreditar que, às vezes, a vida também encontra uma maneira de devolver aquilo que um dia nos foi tirado.

 

Fim do capítulo


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