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  • Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço
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Os quatro compassos do amor: O ritmo do recomeço por priskelly

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Palavras: 3541
Acessos: 137   |  Postado em: 30/07/2026

Capitulo 8

Por Lena

No início da semana

 

– Ling me disse que você tem se dado muito bem com Miu. – Mamãe abordou o assunto durante o café da manhã. 

– Ficamos realmente felizes com isso, filha. Miu é uma ótima pessoa. – Papai saiu em defesa da outra.

Olhei de relance para minha irmã que mantinha os ombros encolhidos enquanto sua atenção estava no prato de comida. Ela sequer ousava me encarar, sabendo que provavelmente eu a chamaria de linguaruda.

– Vocês me pediram para ajudar, então é isso que estou fazendo. – Respondi naturalmente sem querer fazer daquilo uma grande coisa.

– Somos gratos por você ter entendido a situação. E satisfeitos por se permitir conhecer ela um pouco melhor. No primeiro momento você foi muito radical e intolerante, filha.

Sustentei o olhar da minha mãe. Durante todos esses dias, ela ainda não tinha me repreendido, mas claro que não perderia a oportunidade de fazer isso em um momento que considerasse adequado.

– Pense pelo o lado bom da coisa. Eles realmente parecem gostar dela. – Ling sussurrou em meu ouvido. 

– Não sei porque isso poderia ser bom para mim. – Respondi.

Sem querer prolongar aquela conversa, me apressei para deixá-los.

– Eu realmente preciso ir agora. – Anunciei.

– Posso ir junto? – Ergui a sobrancelha ao encarar Ling e notar sua ansiedade por uma resposta. – É só que quero ajudar na confeitaria com o que for necessário.

Existia um duelo em nossa troca de olhar. Ling parecia se divertir com a situação, enquanto eu só desejava pensar em uma maneira eficiente de fazer com que ela parasse com aquilo. Eu não sabia quais eram seus planos, mas não poderia seguirmos com aquilo. 

– Desde quando vocês duas passaram se interessar tanto pela confeitaria? – Papai questionou nos olhando.

– Especialmente você, Ling. Geralmente só ia até lá com interesse nos doces. – Mamãe lançou enquanto em seu olhar existia dúvidas.

– Que absurdo! Vocês pensam tão mal a meu respeito. – Ling se defendeu fingindo estar aborrecida. – Eu não posso querer ajudar cuidar do patrimônio da nossa família? 

Os mais velhos se entreolharam. Eles claramente não compraram aquela versão da filha mais nova.

– Sabe! É mesmo interessante que vocês estejam empenhadas em ajudar Miu nesse início. Eu já queria ter pedido isso antes, mas agora é uma boa oportunidade. 

Foi minha vez de trocar olhares com Ling. Seja lá o que papai estava prestes anunciar, para ele parecia ser algo importante. 

– O que aconteceu, pai? – Minha irmã questionou. – É algum problema?

– Não! Na verdade, é bem simples. – Ele então levantou e quando retornou foi com um papel nas mãos e me entregou. – Lembra de como quando era criança, você gostava de participar? 

Li o conteúdo e por alguma razão meu coração disparou. Era como se uma boa sensação me abraçasse, e tivesse a capacidade de fazer meu coração derreter de uma maneira misteriosa.

– O festival de luzes! – Murmurei e vi um sorriso acolhedor surgir no rosto de papai.

– A princípio pensei em não participarmos esse ano. 

– O quê? Mas seria a primeira vez que isso aconteceria. 

– Exatamente! Mas você sabe que ando bem doente. Miu está conhecendo agora como as coisas por aqui funcionam, e eu não poderia entregar essa tarefa a ela sem passar qualquer conhecimento. Mas agora… Bom, eu acho que com sua ajuda, as coisas poderiam acontecer. 

– Ele está querendo que vocês trabalhem juntinhas. – Com um sorriso sugestivo, Ling sussurrou em meu ouvido.

– Papai, eu não sei se poderia. Quer dizer, eu não sei se sou capaz. O festival de luzes é um grande demais, faz anos que não moro aqui.

– Bobagem! Claro que você é capaz. Você sempre ajudou a mim e seu avô. Conhece tudo sobre nossa cultura, nosso povo, nossa história. Lena, não importa a quantos anos você não tenha estado aqui. Tenho certeza que por mais oculto que possa ter estado em seu coração nos últimos anos, mas esse lugar nunca saiu de você. 

Ouvir aquilo realmente me tocava de uma forma especial que sequer imaginei ser possível. Era como se as palavras de papai alcançassem um lugar do meu coração, que eu não sabia que existia. 

– Eu não sei! Quer dizer, como vou conseguir ensinar tanto para ela Miu, em tão pouco tempo? 

– Ora! Que desconfiança é essa? Você sempre foi a pessoa mais segura de si que eu conheci. – Minha irmã interferiu. – É claro que você vai conseguir. Quer dizer, se vocês duas estiverem na mesma sintonia, vocês duas vão conseguir trabalhar juntas e escrever um novo capítulo na história da confeitaria. 

– Sua irmã tem razão, filha. Além disso, lembre-se do que seu avô sempre dizia: No final, o que importa de verdade é se divertir. 

 

…

 

– Lena, eu quero falar uma coisa você.

A seriedade no tom de Lingling ganhou minha atenção, afinal de contas, embora na grande maioria do tempo costumasse ser uma criança levada, minha irmã sabia o exato momento de levar as coisas com seriedade quando necessário.

– O que aconteceu? 

Ela hesitou por um momento, mas em seguida disse:

– Yen me ligou antes de eu vir para casa. Ele disse que tentou contato com você, mas sem sucesso.

– Ele não me deu férias forçadas? Estou apenas seguindo o que fui orientada a fazer. – Novamente ela silenciou por alguns segundos. – O que foi, Ling? Existe algo que eu deveria saber? 

– Nada! Quer dizer, ele só está preocupado. 

– Com o que exatamente? 

– Com o prazo! O lançamento está próximo e bem… Você já tomou uma decisão em relação a mudança do último capítulo? 

Foi minha vez de silenciar. A verdade é que desde que cheguei em casa, eu não estava pensando muito a respeito daquele assunto. As atividades referente a confeitaria e o tempo que eu vinha passando com Miu, estavam ocupando não apenas meu tempo, mas também minha mente que até outra hora estava cansada e sobrecarregada.

– Não! Para ser bem sincera, eu não tenho pensado muito a respeito. Meus dias aqui estão sendo completamente diferentes do que imaginei que seriam. 

– Hum! Você anda ocupada demais com uma certa confeiteira, não é mesmo? 

– Ah! Você quer parar com essa tonalidade carregada por insinuações? 

– Eu estou mentindo, por acaso? Mas se quer saber, eu não te julgo. Na verdade, até gosto de saber que sua cabeça vem sendo ocupada por uma certa pessoa. 

– Ela não está ocupando minha cabeça. – A olhei feio. – Os assuntos da confeitaria que estão me ocupando.

– Que seja! É algo interessante de qualquer maneira. – Ling deu de ombros. – Mas sabemos que você tem assuntos pendentes que a espera. Eu só queria me certificar que você está bem com isso. E fico realmente satisfeita que tenha esquecido as redes sociais por esse período. 

– O que tem nas redes que faz você gostar da ideia de me manter longe? Algo novo surgiu? 

Dessa vez, Ling não sustentou meu olhar. Ela se ocupou em abrir um pacote de chiclete que tirou da bolsa.

– Nada com a qual vale a pena perder tempo. 

– Você sabe que eu te conheço. – Alertei.

– E você sabe que eu não mentiria para você. 

– Então não faça isso agora. O que aconteceu? 

Ela hesitou, mas sabia que era algo sem saída. Se ela não me contasse, eu mesma descobriria.

– Como já era esperado, Thai se aproveitou dos rumores para ter ainda mais evidências na mídia. Recentemente, ela deu uma entrevista sobre o fim do relacionamento de vocês. 

– Como é que é? E o que ela disse? – Senti meu sangue ferver.

– Nada de útil, é claro. Ela é uma idiota! 

– Ling!

Um suspiro pesado escapou. 

– Ok! Ela realmente foi idiota. Disse que vocês não terminaram bem a relação, e que não se surpreenderia se você tivesse projetado o final do relacionamento de vocês no livro, considerando que vocês se amaram muito por um período, e que teria sido um sofrimento para você o fim do namoro. – Apertei firme o volante. – Mas não é apenas isso. 

– Ainda tem algo pior? 

– Bem… Acho que sim.

– Diga de uma vez, Ling.

– Ok! Foi você quem pediu. Suas fãs, ou pelo menos um parte significativa delas, estão shippando vocês duas com ainda mais força que antes. Quer dizer, está existindo um movimento meio louco na Internet, onde torcem para que vocês reatem o namoro. 

Apertei o freio do carro tão bruscamente que Ling quase voou para fora do carro. Provavelmente teria se machucado feio se não estivesse usando o cinto de segurança.

– Sua louca! Você não precisa querer me matar por eu estar sendo o jornal da má de notícia. 

– O que você acabou de dizer? 

– Sobre ser o jornal da má notícia? 

– Não! Sobre a outra coisa. 

– Lena, não leve isso muito a sério. Você sabe como funciona essas coisas de Internet. São apenas múrmuros. Logo isso passa!

– Não é bem assim! Nós duas sabemos como essas coisas podem afetar diretamente uma carreira. – Disse com preocupação. – A indústria anda meio estranha, Ling. Se eles decidem que algo é vantajoso para eles, então eles interferem para que aquilo seja vendido. 

– Você não acha que sua editora vai se apegar isso, não é? Quero dizer, não é como se eles fossem pedir para que você namore a Thai. Além disso, ela anunciou um namoro agora. Por que ela mudaria de ideia? 

Nós duas nos olhamos em silêncio. Ling sabia qual a resposta para aquela pergunta. Por mais que me doesse confirmar aquilo, o fato é que já havia ficado claro que Thai era capaz de qualquer coisa para ganhar fama e visibilidade no mercado, ainda mais que ela cultivava o sonho de ser atriz e sabia que ter muitos admiradores nas redes sociais, atualmente já era um grande passo para alcançar aquilo que ela almejava. Por outro lado, tinha a direção da editora para a qual eu trabalhava. Seria possível eles ver nesses múrmuros de internet algo atrativo para os próprios lucros? Quer dizer, eles achariam que o livro venderia mais ou algo assim? 

– Olha, não se preocupe com isso. Nada vai acontecer, ok? Além disso, você está afastada das redes, e isso é bom, afinal de contas você não está alimentando essa loucura toda. 

– Lingling, não estou com um bom pressentimento em relação a isso. 

– Você só está impressionada com isso. Eu já disse, não fique assim. Quer saber? Foque nas coisas importantes, como o festival de luzes, por exemplo. Venha, vamos contar para Miu a novidade.

 

Por Miu

– O que deu nela, afinal? O humor dela não costuma ser dos melhores, mas hoje ela está mais do que mau humorada. – Sussurrei para que apenas Ling pudesse ouvir, enquanto observava Lena concentrada no antigo livro de receitas do avô.

Desde que haviam chegado, Lena estava estranha. Ela parecia viver uma mistura de sentimentos que variavam entre preocupação e irritação. O mas curioso, é que embora estivesse irritada, naquele dia em especial, ela sequer perdeu tempo em me dar alfinetas.

– Hum! Não se preocupe. São apenas problemas com o trabalho, mas ela vai lidar bem com isso. – Ling respondeu mantendo o olhar concentrado na irmã.

– Existe algo que eu possa fazer para ajudar? 

O olhar da mais nova brilhou quando encontrou o meu.

– Na verdade, acho que sim. 

– Mesmo? E o que seria? 

Existia algo que realmente me atraia para ajudar Lena superar os próprios problemas. Nada que eu pudesse explicar com palavras, mas a ideia de vê-lá bem consigo mesma, era algo que aquecia meu coração. Embora fosse pouco o tempo de convivência com a escritora, de alguma maneira eu gostava daquela sensação de me sentir conectada a ela.

– Eu sei que o início da convivência de vocês foi um pouco conturbada. Mas acredite, a muito tempo eu não via minha irmã sendo tão ela mesma. Acho que estar de volta ao vilarejo e empenhada com as atividades da confeitaria, fez com que ela reencontrasse uma parte dela que estava adormecida. 

– Hum! Isso é bom. Mas onde eu entro nisso? 

Um sorriso doce iluminou o rosto da mais nova. 

– Você está aqui! Simples assim! 

– Perdão! Mas acho que não entendi bem. 

– Miu, sua presença faz bem a minha irmã, mesmo quando ela não percebe. Então por favor, siga sendo apenas você mesma com ela, e isso já vai ajudar bastante. De alguma maneira, você resgata a verdadeira essência da Lena. A propósito, ela tem uma notícia para te dar. Venha comigo! Vou fazê-lá contar logo.

Eu não consegui bem entender o raciocínio de Lingling. Mas ainda assim gostei de saber que de alguma maneira minha presença fazia bem a sua irmã, embora isso fosse contraditório, considerando que Lena em suas alfinetadas sempre me fazia sentir como uma intrusa em seu mundo particular.

 

…

 

Lena suspirou, fechando o grosso livro de capa de couro com um baque surdo sobre a mesa de madeira. O silêncio que se instalou na cozinha da confeitaria parecia mais denso, interrompido apenas pelo som distante dos sinos do vilarejo. Ela trocou um olhar rápido com Ling, que já a encarava com um sorriso encorajador, quase vibrante.

– Miu – Começou Lena, sua voz perdendo um pouco da rigidez habitual, ganhando um contorno de nostalgia que ela não conseguia mais esconder. – Hoje cedo papai nos contou sobre o Festival de Luzes desse ano. Ele sente que, com a saúde dele fragilizada, não conseguirá organizar tudo sozinho este ano, e ele... Bem, ele sugeriu que a gente participasse juntas.

Até então eu me mantinha ocupada limpando a bancada com movimentos metódicos enquanto a ouvia, mas então parei e a olhei. Tenho certeza que meus olhos se arregalaram levemente, alternando entre as duas irmãs.

– O Festival de Luzes? Isso não é um tipo de competição? Ouvi alguma coisa sobre isso outro dia, mas não entendi bem do que se tratava. 

– Bom, não é totalmente uma competição. Mas talvez algumas pessoas acabem se empolgando bastante e faça disso exatamente…

– Uma competição! – Ling completou quando percebeu que a irmã estava cautelosa. – E quando ela diz algumas pessoas, ela estar falando sobre si própria. – Lena beliscou a irmã, que apenas deu de ombros. – Lena é uma pessoa extremamente competitiva. E quando ela se coloca a disposição para fazer algo, leva isso bem mais a sério do que deveria as vezes. Bem, mas isso acho que você já percebeu. 

Acabei deixando um riso abafado escapar. É claro que eu já tinha notado aquela personalidade de Lena. 

– Ela está exagerando. Eu não sou assim! – Lena defendeu-se, mas não olhou para nenhuma de nós duas. – É só que desde a primeira vez que vovô lançou nossa confeitaria no festival de luzes, ela disputa bem a atração dos clientes, e nosso concorrente não fica tão atrás. 

– Ela adora colecionar os troféus que as barracas que venderam tudo, ganham no festival. – Ling sussurrou em meu ouvindo mantendo os braços cruzados.

– Como funciona isso? – Eu quis entender melhor.

– Basicamente todos os produtores e comerciantes se unem na praça central para uma noite muito divertida. Tem de tudo que você possa imaginar. O evento já virou tradição, e todos os anos sempre surge algo mais atrativo do que o ano anterior. – Lena explicou com empolgação.

– Tem brincadeiras para as crianças, show de musical, é claro, muita comida boa. Particularmente, Lookmhee e eu sempre preferimos essa parte. – Ling concluiu com um sorriso nostálgico no rosto.

– Hum! Então isso torna esse evento o mais importante da cidade, estou certa? 

– Sim! Posso te mostrar as fotos que temos guardadas no escritório do papai. Lá também está a prateleira de troféus que a confeitaria já ganhou desde quando vovô ainda tomava conta da confeitaria.

– Me parece ser algo bastante complexo. Talvez seja mais do que eu poderia gerenciar. – Respondi com insegurança.

A verdade é que Lena parecia criar bastante expectativa com o evento, e talvez eu não quisesse de alguma maneira decepcioná-la, ou manchar a história de sucesso da sua família.

Ling deu um passo à frente, contornando a bancada com uma agilidade quase felina.

– Você não vai estar sozinha, Miu! –  A mais nova exclamou, gesticulando com as mãos. – É exatamente para isso que a Lena está aqui. Ela não é apenas uma escritora da cidade grande; ela é quase uma guardiã das tradições da nossa família. – Se aproximou e voltou a sussurrar. – Acho que isso você também já percebeu. – Tenho certeza que Lena vai te ensinar tudo o que sabe sobre a história do festival, e juntas vocês são ser a atração desse ano.

Senti o peso do olhar de Lena sobre mim. Havia uma expectativa genuína ali, um brilho de esperança que me fazia sentir subitamente responsável por algo muito maior.

– Não é apenas uma celebração, Miu – Lena explicou, caminhando até a janela que dava vista para a praça principal, onde as luzes já começavam a ser montadas. – Para este vilarejo, o Festival de Luzes marca o renascimento. Meus avós diziam que a luz que acendemos nas lanternas de papel, não é apenas para iluminar as ruas, mas para guiar as boas energias de volta para as casas, para limpar os ressentimentos do ano que passou e dar lugar a novas escolhas.

– Viu? Eu disse! Ela adora contar histórias sobre tudo. – Ling voltou a sussurrar me fazendo rir do seu jeito extrovertido e de quem estava sempre disposta zombar da irmã.

Ela se virou e sustentou seu olhar no meu. Eu escutava atentamente tudo o que Lena contava. Ling podia não saber, mas eu gostava ouvir as histórias contadas por Lena. Fosse sobre chocolate, ou sobre qualquer outra coisa. Tudo parecia se tornar mais interessante sendo contada por Miu. 

– Quando eu era criança – Continuou Lena, a voz suavizando como se estivesse sendo levada por um mar de boas lembranças. – Meu avô me ensinou que cada detalhe importa. A forma como as lanternas são dispostas, a escolha das cores das fitas, o doce especial que servimos na abertura... Se for feito sem intenção, é apenas mais uma festa. Mas, se for feito com o coração, é o que mantém este lugar de pé quando o resto do mundo parece desabar.

– Eu acho que ela está precisando disso. Sabe, algo para mantê-la de pé quando o mundo dela está desabando. – Mais uma vez, Ling sussurrou. 

Mas dessa vez, Lena reaprendeu a irmã.

– Você quer parar de sussurrar como se eu não fosse capaz de ouvir você?

A mais nova de ombros pouco parecendo se importar com a repreensão.

– Lena sempre foi a melhor nisso. – Ling aproximou-se de Lena  colocando uma mão em seu ombro. – Ela cuidava de cada ritual. Eu e minhas primas só ficávamos atrapalhando e comendo os doces, mas ela levava mesmo a sério. O papai sabe que, sem a sensibilidade dela para entender o que o povo daqui precisa, o festival não teria a mesma alma sem o toque dela, e por isso ele deu a ideia de vocês trabalharem juntas.

Abaixei o olhar, me sentindo levemente intimidada, mas profundamente tocada.

– Eu me sinto muito honrada com a confiança que estão depositando em mim. – Murmurei. – E, sinceramente, um pouco assustada também. Mas, se vocês estão dispostas a me guiar, eu farei o que for preciso para ajudá-las. Só... Eu não quero atrapalhar a história de vocês.

– Você não vai atrapalhar, Miu. Pelo contrário. – Lena hesitou, mas manteve o contato visual. – Eu andei... um tanto distraída com o meu próprio barulho mental. Talvez Ling tenha razão quando diz que eu preciso desse festival tanto quanto o vilarejo. Se vamos fazer isso, faremos juntas. Vamos escrever esse capítulo, como a Ling disse.

Ling soltou um gritinho de alegria, batendo palmas levemente.

– Viu só? Eu disse que vocês duas iam se entender! Agora, chega de conversa séria. Miu, prepare o melhor chá que você tiver, porque a Lena vai precisar de muita energia para começar a me explicar onde estão aquelas lanternas antigas de seda que o avô guardava no sótão. Vou ajudar vocês pelo menos com isso.

– Você? – Lena pareceu surpresa.

A irmã mais nova revirou os olhos com impaciência.

– Tá bom! Talvez eu peça ajuda da Engfa. Ela sempre foi boa com essas coisas. Sabe, Miu. É irritante como Engfa e Lena sempre são as melhores nessas coisas de produção. Mas Lookmhee e eu, somos realmente boas em outras coisas.

– Tipo o quê? – Ri do seu jeito travesso.

– Juntar casais, por exemplo. – Ela respondeu sugestivamente.

 

Nesse momento, Lena quase cuspiu fora a água que tomava. Quando a olhei, não entendi o motivo pelo qual suas orelhas estavam tão vermelhas. 

Fim do capítulo


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Comentários para 9 - Capitulo 8:
Dolly Loca
Dolly Loca

Em: 30/07/2026

Amando essa história, contada com muita leveza e cuidado nos detalhes 


priskelly

priskelly Em: 31/07/2026 Autora da história
Oieeee… tudo bem? Muito obrigada por me deixar saber como tá sendo sua experiência com essa leitura. Fico feliz que esteja gostando!

Bjus!


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