Capitulo 3 - Acordo ou desacordo?
Victoria
Acordo antes mesmo do despertador tocar. O teto branco do quarto ainda está meio desfocado, e por alguns segundos eu não sei exatamente onde estou, mas o peso no peito chega rápido demais para permitir qualquer confusão maior.
Estou no meu quarto, na minha cama, na minha vida bagunçada, o silêncio da manhã ainda paira no ar, quebrado apenas pelo barulho distante de um carro passando na rua e alguns cachorros latindo. Fecho os olhos por um instante, tentando me dar esse pequeno luxo antes de encarar mais um dia. Mas a lista mental de problemas não me deixa descansar nem por cinco segundos.
Me levanto devagar, tentando não fazer barulho, o chão frio me faz acordar bem e me traz de volta à realidade. Passo a mão pelo rosto, esfrego os olhos e sigo para a cozinha.
A casa ainda está escura, e eu acendo apenas a luz sobre a pia, criando uma pequena ilha de claridade no meio da penumbra. Logo o sol aparecerá.
Abro a geladeira e encaro o pouco que sobrou da compra da semana passada: alguns ovos, um pedaço de queijo, um pouco de leite e pão suficiente para mais um dia, dá para improvisar.
Coloco a chaleira no fogo e pego uma frigideira. Enquanto o fogão esquenta, penso automaticamente na Pulguinha. Heloísa ainda está na fase em que acorda faminta, pedindo café da manhã como se não tivesse comido há três dias.
Sorrio sozinha só de imaginar o cabelo todo bagunçado e os olhos meio fechados, ela consegue ser a melhor e a mais confusa parte da minha vida ao mesmo tempo. A melhor porque é tudo o que eu amo e a mais confusa porque é por ela que eu preciso ser forte, mesmo quando só queria desabar.
Quebro os ovos, bato com um garfo, corto o pão. Meus movimentos são automáticos, já estou acostumada pela rotina.
Enquanto isso, minha mente vai para onde eu não queria que fosse: dinheiro, contas, prazos e aquela sensação constante de estar sempre correndo atrás de algo que nunca alcanço.
O celular vibra em cima da mesa, meu coração acelera antes mesmo de eu olhar a tela, não preciso ver o nome para saber quem é. Então respiro fundo, pois sei que não adiantará ignorar a chamada. Uma, duas, três vezes. Atendo.
— Alô. — Digo, receosa.
— Bom dia, Victoria — a voz do outro lado não tem nada de bom, é seca, impaciente. — Já conseguiu dar um jeito no valor que me deve?
Aperto os dedos em volta do celular, eu sei que estou em uma encruzilhada e não sei como sair disso.
— Estou resolvendo — respondo, tentando manter a voz firme. — Já dei um jeito, sim, vou receber um dinheiro, mas ainda vai demorar um pouco, não sei quando ao certo, porém estou tentando conseguir um adiantamento.
Do outro lado, ele solta um riso curto, mas totalmente sem humor.
— Você sempre tem uma história nova.
— Não é história — digo, mais rápido do que planejava. — Eu vou pagar, só preciso de mais um tempo.
— Tempo é exatamente o que eu não tenho mais — ele rebate. — Estou cansando de esperar, Victoria. Muito cansado.
Fecho os olhos, já prevendo o que virá pela frente e eu não posso deixar isso acontecer. Mesmo com o corpo tremendo, tento controlar minha respiração.
— Eu entendo, mas...
— Não, você não entende. — Ele me interrompe. — Se não aparecer com pelo menos uma parte logo, a conversa muda de tom.
Um arrepio percorre minha espinha, eu sei que ele vai cumprir o que está ameaçando e isso me deixa ainda mais apavorada.
— Eu vou conseguir — digo, quase num sussurro — Eu prometo.
Só consigo ouvir um silêncio, isso faz meu coração acelerar ainda mais. Não sei se é um bom sinal ou não.
— Você tem até o fim da semana — ele fala, por fim. — Depois disso, não me responsabilizo pelo que acontece.
A ligação cai, ou melhor, ele desliga. Fico alguns segundos olhando para a tela apagada do celular, como se ela pudesse me dar alguma resposta. Minha mão ainda está levemente trêmula, coloco o aparelho na mesa com cuidado demais, como se ele pudesse explodir.
Fim de semana, tenho até o fim de semana e isso me faz engolir em seco, é impossível não pensar na proposta. Na maldita proposta.
A imagem de Marcela encostada na mesa, braços cruzados, me olhando como se estivesse oferecendo a coisa mais simples do mundo, volta inteira para minha cabeça. O jeito casual com que ela falou em namoro falso, o jeito ainda mais casual com que mencionou um valor como recompensa.
Um valor que resolveria todos os meus problemas ou criaria outros completamente diferentes.
Passo a mão pelo rosto, sentindo os olhos arderem. Eu não queria nem estar considerando isso, não queria mesmo. Mas a realidade não se importa com o que eu quero, a realidade só me joga contra a parede e me faz tomar decisões que eu não quero.
— Mãe? — A voz sonolenta vem do corredor.
Me viro a tempo de ver Heloisa parada na porta da cozinha, abraçando o ursinho velho.
— Bom dia, meu amor.
Ela esfrega os olhos e caminha até mim, me abraçando pela cintura e me usando como apoio para não cair sentada no chão de tanta preguiça.
— Tem café? — Faz a mesma pergunta de sempre.
Sorrio, apesar de tudo, ela é o meu bem mais precioso e isso alegra a minha vida.
— Tem sim, melhor café da manhã do mundo. — Tento animá-la.
— Igual ao de ontem? — Pergunta, incrédula.
— Quase igual. — Sorrio sem graça.
— Então, é ótimo. — Ela faz uma careta dramática.
Apesar de Heloisa ter pouca idade, ela sabe que nossas condições não são as melhores do mundo, então ela aceita o pouco que temos com felicidade. Nunca reclamou de não termos muita diversidade nas refeições, sempre comeu o que tem.
Sirvo o prato dela e a ajudo a sentar. Enquanto ela come, fico observando cada movimento pequeno, cada expressão, tento guardar isso dentro de mim, como se pudesse usar essas imagens como combustível para continuar.
— Mãe?
— Oi, pulguinha. — A encaro.
— Você está triste?
Engulo em seco mais uma vez nessa manhã. Ela me conhece tão bem, ao ponto de saber que estou triste e que vou inventar alguma desculpa esfarrapada.
— Não, só estou com sono — Minto.
Ela me olha desconfiada, mas aceita. Queria poder dar uma vida melhor para ela e quem sabe esse acordo me dê essa oportunidade.
— Hoje eu tenho prova de matemática. — Dá uma mordida no pão.
— Eu sei, você estudou bastante. — Sei que ela é muito esforçada na escola.
— Se eu tirar dez, você vai ficar orgulhosa?
— Eu já estou orgulhosa de você. — Seguro a vontade de chorar.
Ela sorri, mostrando o espacinho onde um dente caiu semana passada. Meu mundo quase desmorona sempre que vejo o quanto ela tenta me deixar orgulhosa ou não dar trabalho fora de casa. Meu peito aperta mais uma vez.
Após arrumá-la, pegar mochila, lanche e conferir tudo três vezes, saímos de casa. O caminho até a escola é curto, mas hoje parece mais longo, minha cabeça está longe, girando em torno de números, prazos e escolhas que eu não queria ter que fazer.
Paramos em frente ao portão e eu me abaixo para me despedir dela, como sempre.
— Boa prova, pulguinha. — A abraço.
— Boa sorte no trabalho, mãe. — Me abraça com força.
— Eu vou precisar — digo em seu ouvido — Te amo.
— Também te amo.
Fico olhando enquanto ela entra e some no meio das outras crianças, só vou embora quando tenho certeza de que ela está segura lá dentro.
No caminho para a editora, minha mente insiste em revisitar a conversa com Marcela, o jeito sério, mas não cruel. Como se ela realmente acreditasse que estava me oferecendo uma solução.
Uma solução que exige que eu finja ser algo que não sou, solução que exige que eu me misture demais com alguém que eu mal entendo.
Quando chego ao prédio, já estou cansada, e o dia mal começou. Assim que entro, pego o elevador para o meu andar, e assim que saio dele, vejo Beatriz encostada na recepção, mexendo no celular. Ela levanta a cabeça quando me vê.
— Bom dia, Vic. — Diz com a voz melosa.
— Bom dia. — Sou educada, mas não simpática.
Ela se aproxima, como uma cobrinha peçonhenta que está pronta para dar o bote.
— Você sumiu ontem no fim do expediente, fiquei te procurando.
— Estava ocupada. — Deixo minha bolsa em cima da minha mesa e me preparo para ligar meu computador.
— Sempre ocupada — ela sorri de um jeito que me deixa desconfortável. — A gente podia almoçar juntas hoje.
Respiro fundo, ela sempre vem com alguma proposta de sairmos juntas, almoçarmos juntas, até para ir em minha casa ela já se convidou.
— Beatriz, a Marcela já deixou claro que você não deveria vir aqui só para... isso.
— Nossa, você fala como se eu fosse uma criminosa. — Ela revira os olhos.
— Não é isso — tento explicar — mas eu não quero problema.
— Você é muito certinha. — Se aproxima de onde estou e para ao meu lado, apoiando o corpo em minha mesa, expondo suas pernas à mostra.
— E você precisa ser mais profissional. — A encaro e só depois me toco que fui grosseira.
O sorriso dela some um pouco, não sei se ficou ofendida ou caiu a ficha de que não estou interessada.
— Tá bom, Victoria, recado entendido.
Nesse momento, o salto alto de Marcela ecoa pelo corredor, ela aparece, elegante como sempre, e olha diretamente para Beatriz e depois para mim.
— Beatriz, na minha sala. Agora.
Minha colega de trabalho engole em seco e segue. Alguns minutos depois, ela sai com a cara fechada e Marcela a acompanha até a porta e faz questão de falar para eu ouvir.
— Último aviso.
Beatriz não responde, só pega suas coisas e vai para o setor dela. Marcela volta para seu escritório e eu espero alguns segundos antes de bater.
— Entra — Ouço sua voz autorizar.
— Vim passar a programação do dia — Entro com a prancheta na mão.
Começo a falar sobre reuniões, autores, capas, revisões. Marcela escuta em silêncio, fazendo algumas anotações. Quando eu termino, ela me olha, esperando o que tenho a falar a mais. Resolvo criar coragem e tocar no assunto.
— Sobre aquilo que você comentou ontem...
Ela levanta a mão como sinal para eu parar de falar. A olho confusa e, de repente, o medo toma conta de mim de ela não querer mais o acordo.
— Depois, no final do expediente — se justifica — precisamos de tempo para falar disso e eu não tenho agora.
Meu estômago revira, essa mulher é uma megera mesmo, nem sei como vou aguentar passar um tempo fingindo gostar dela.
— Certo.
Não fico para ouvir sua resposta ou mais alguma ordem, saio da sala com a sensação de que estou andando direto para um precipício.
O dia inteiro, cada e-mail, cada ligação, cada tarefa é feita no piloto automático, por fora, eu sou a Victoria eficiente, por dentro, eu sou um caos.
Porque eu sei que, no final do dia, vou ter que decidir, e qualquer decisão vai custar caro.
Marcela
O silêncio do meu escritório sempre me agradou no fim do expediente, existe algo quase terapêutico em observar a cidade começando a desacelerar pela janela, enquanto as luzes dos prédios se acendem uma a uma.
É o momento em que finalmente relaxo os ombros, afrouxo um pouco a postura e admito, ainda que só para mim, que o dia foi pesado. Hoje, mais do que o normal.
Eu sei exatamente por que, desde ontem, a imagem de Victoria sentada à minha frente não sai da minha cabeça. O jeito contido, a tensão escondida atrás de uma postura profissional impecável, os olhos atentos demais para quem finge que está tudo sob controle.
Eu a conheço há tempo suficiente para saber quando algo não está certo e, principalmente, sei reconhecer quando alguém está prestes a aceitar algo que não quer.
Mas isso não muda o fato de que eu preciso de uma resposta. Olho para o relógio na parede, dezoito e quarenta e dois. O escritório já está praticamente vazio, como eu planejei, não quero plateia para essa conversa, não quero interrupções, nem que Victoria tenha a opção de adiar. Pego o interfone.
— Victoria, pode vir à minha sala, por favor? — falo assim que ela atende.
Alguns segundos depois, escuto a porta se abrindo, ela entra devagar, como se estivesse se aproximando de uma sala de interrogatório. Fecho o notebook e cruzo os braços.
— Senta-se.
Ela obedece, há um silêncio incômodo entre nós, nenhuma de nós duas parece disposta a quebrá-lo primeiro, o que é curioso, considerando que geralmente sou eu quem dita o ritmo de qualquer conversa.
— Eu não vou rodear — digo, por fim. — Preciso de uma decisão.
— Eu imaginei — Victoria engole em seco.
— Então?
Ela respira fundo, daquele jeito que as pessoas fazem antes de pular de um penhasco.
— Eu aceito.
Por um instante, sinto uma pontada estranha no peito, não é exatamente alívio, é mais... consciência. A confirmação de que ela realmente está fazendo isso.
— Ótimo — respondo, prática. — Então vamos formalizar.
— Com condições.
— Como é? — Levanto uma sobrancelha.
— Eu aceito, mas com condições — diz, nervosa.
— Victoria, isso não é uma negociação de fusão empresarial — solto uma pequena risada sem humor.
— Para mim é — Se mantém firme.
Me recosto em minha cadeira, cruzo as pernas. Não pretendo me estender muito nesse assunto, muito menos em ficar até tarde aqui por conta de um acordo.
— O acordo é simples — A encaro.
— Para você — Ela retruca.
— Você precisa fingir ser minha namorada e eu pago. Fim.
— Não é fim. — Ela parece mais insistente do que achei que seria.
— Olha, eu realmente não tenho tempo...
— Eu tenho — me interrompe.
O tom dela não é alto, não é agressivo, é apenas firme. Meu maxilar trava, pois isso me pega desprevenida. A olho mais uma vez, analisando-a.
— Fala — A incentivo a continuar.
— Quero uma folha — Informa.
Olho para a mesa à procura do que ela pede, mesmo sem entender.
— Para quê? — Questiono.
— Para escrever um acordo — diz como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Você está brincando — Começo a perder a paciência.
— Não — Ela não pisca.
Algo dentro de mim oscila entre irritação e respeito. Empurro uma folha em branco e uma caneta em direção a ela.
— Cinco minutos — Tento controlar pelo menos alguma coisa.
— Vai levar mais — Ela não cede.
— Começa logo — Reviro os olhos.
Victoria puxa a folha para perto, ajeita a postura e escreve no topo:
ACORDO OU DESACORDO
— Regra número um — ela diz, enquanto escreve. — O namoro vai durar seis meses.
— Isso eu já tinha em mente — respondo. — Quem decide isso sou eu.
— Tudo bem.
Ela anota: Regra 1: Namoro falso terá duração de 6 meses (decisão de Marcela).
— Regra número dois — continua. — Encontros precisam ser avisados com antecedência.
— Por quê? — Digo, impaciente.
— Porque eu tenho uma filha e uma vida. — Responde, naturalmente.
— Você tem uma filha? — Me surpreendo.
— Foi o que você ouviu — diz, pronta para o ataque.
— Tá, você decide isso — Tento não demonstrar o quanto essa informação me apavorou.
Ela escreve a regra no papel.
— Regra número três — digo, antes que ela continue. — Durante esse período, você não fica com mais ninguém.
— Isso não estava na proposta — Ela levanta os olhos.
— Agora está, se vamos convencer alguém, precisa ser exclusivo.
— Certo, mas isso é regra sua — Ela morde o lábio, claramente contrariada.
Ela escreve.
— Regra número quatro — diz. — Você vai me tratar com carinho e vai parar de ser grossa comigo, principalmente na frente dos outros.
Dou uma risada curta, quem essa garota acha que é para me dizer como agir?
— Você está querendo mudar minha personalidade agora?
— Estou querendo que as pessoas acreditem que você gosta de mim. — Tira os olhos do papel e me encara.
— Eu não sou carinhosa — Aviso.
— Vai aprender — Debocha.
Encosto a língua no céu da boca, me controlando para não a expulsar da minha sala por essa audácia.
— Você está se aproveitando — Digo entredentes.
— Não, estou estabelecendo limites.
Silêncio, ficamos nos encarando por mais tempo do que deveríamos, uma guerra entre olhares, onde nenhuma das duas aceita perder.
— Ok — respondo, por fim.
Ela escreve.
— Regra número cinco — diz, respirando fundo. — O valor.
Cruzo os braços, já esperando que essa mercenária queira me enrolar, mas ela está muito enganada se acha que isso vai acontecer.
— Já combinamos — me remexo na cadeira.
— Não exatamente — Arruma sua postura.
— Victoria... — Levo meus dedos até minhas têmporas e massageio.
— Metade no início e metade no final — solta a bomba.
— Impossível — respiro fundo.
— Então não tem acordo.
Solta a caneta em cima da mesa e se levanta, pronta para sair da sala, mas quando vejo isso acontecer, seguro seu punho. Nos encaramos.
— Quanto? — Digo baixo.
— Duzentos mil.
— Você enlouqueceu — Dou uma gargalhada.
— Eu preciso disso — Insiste.
— Cem.
— Duzentos.
— Cento e vinte.
— Cento e oitenta.
— Cento e cinquenta.
— Cento e setenta.
— Cento e sessenta.
Ela inclina a cabeça, me analisando, percebendo que estou ficando desesperada.
— Cento e oitenta — solta um sorriso de canto.
— Cento e setenta — bato os dedos na mesa, irritada — Metade agora, metade depois.
— Cento e oitenta, metade no início, metade no final.
Fecho os olhos por dois segundos, essa garota é uma aproveitadorazinha barata e eu estou tendo que gastar um dinheirão para ter paz.
Ela não sorri, só escreve, pois vê que não tenho mais argumentos.
— Regra número seis — digo. — Em caso de emergência, eu ligo para você e te chamo de amor, assim você sabe que precisa fingir que é minha namorada.
— Isso é estranho.
— Todo esse acordo é estranho.
— Tá.
Ela escreve.
— Regra número sete — diz. — Você paga transporte e roupas para eventos.
— Aceito — Afinal, é mais do que justo.
— Regra número oito — digo. — Ninguém pode saber. Ninguém. Nem amigos, nem família.
— Nem a Chica?
— Exceto a Chica.
— A Chica sabe? — Ela para de escrever.
— Foi ideia dela.
— Ela quem te falou para fingir um namoro falso comigo? — Victoria arregala os olhos.
— Não necessariamente, com você — explico — Só que eu poderia inventar um namoro falso.
— E você foi atrás das maluquices dela?
— Não tive escolha — Dou um meio sorriso.
— Regra número nove — ela diz. — Nada de pedido de namoro.
— Óbvio.
— Regra número dez — digo. — Não se apaixonar.
— Isso não é algo que se controla — Ela me encara — Mas fique tranquila, pelo menos da minha parte, é impossível disso acontecer.
— Então estamos de acordo.
Silêncio novamente, ela escreve a última regra e assina a folha. Quando ela termina, empurra a folha para mim. Leio tudo, cada linha, cada concessão e, ao terminar, ergo o olhar.
— Você está muito ousada hoje — digo, enquanto assino o papel também.
— Eu estou muito desesperada, isso sim — solta um suspiro de alívio.
Algo pesa no ar, mas não me atrevo a questioná-la sobre algo, afinal, não é da minha conta. Dobro a folha e entrego para ela.
— Tudo bem — digo, simples.
Ela solta o ar, como se estivesse prendendo a respiração há dias.
— Então estamos combinadas? — Me faz o último questionamento.
— Estamos — sou sincera.
Victoria se levanta, se prepara para sair, mas antes me olha uma última vez, em dúvida se fala algo ou não.
— Marcela?
— O quê?
— Não confunda acordo com permissão para me tratar mal.
Sustento o olhar dela por alguns segundos, analiso suas expressões e o quanto ela parece ser mais nova do que realmente é. Depois, sorrio de lado.
— Parece que você aprendeu finalmente a negociar — Arqueio a sobrancelha.
Ela nada responde, apenas sai da sala e, pela primeira vez desde que tudo isso começou, eu tenho a estranha sensação de que quem acabou de entrar em um território perigoso fui eu.
Fim do capítulo
Olá pessoal!
Voltei com mais um capitulo para vocês, espero que estejam curtindo esse inicio!
Gostaria de pedir que deixem um comentaria me dizendo o que está achando, assim posso saber como a história está chegando até vocês.
Lembrando que quem não me segue nas redes sociais, corre lá agora e aproveita para me seguir no insta e no TikTok: paloma.autora. E quem quiser entrar no nosso grupo do Whats aqui está o link:
https://chat.whatsapp.com/LdX9OXBAqzgHTWAu5YRbuB?s=cl&p=i&ilr=0
Espero que a leitura tenha te feito uma boa companhia. Até breve!
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: