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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 2649
Acessos: 367   |  Postado em: 25/06/2026

Capitulo 33

Por Daniela

Estávamos no apartamento daquela portuguesa metida enquanto aguardávamos notícias sobre a operação que poderia levar à prisão do maldito que estava infernizando a vida de Hanna. Todas estávamos nervosas, e a falta de notícias enquanto estávamos aguardando não contribuía para que o clima fosse menos que pesado. 

Marcela não desgrudava de Hanna um só segundo, Micaela e Renata tentavam conversar sobre qualquer coisa, mas eu não fazia a mínima questão de saber sobre o assunto. Por sua vez, Robson e o pai de Hanna, tinham levado a pequena Gabi para passear, assim a criança ficava longe de toda aquela tensão.

Eu andava de um lado para o outro há tanto tempo, que já sentia minhas pernas darem sinais de cansaço. O problema é que por mais que eu tentasse, eu simplesmente não conseguia ficar relaxada quando lembrava que aquela Afrodite dos infernos estava correndo perigo. Ela era muito doida… Como ela simplesmente tinha coragem de se meter naquele fogo cruzado em um lugar que não conhecia absolutamente nada? Se por um lado eu admirava sua coragem, por outro eu temia que tudo saísse muito errado. Não que eu me importasse com a portuguesa, mas imagina só, Marcela trazer a mulher lá do outro lado do mundo, só para acontecer algo com ela aqui no Brasil. Tenho certeza que Marcela jamais se perdoaria. Eu não conseguia deixar de pensar que aquela era uma mulherzinha difícil de lidar. Por que diabos ela tinha que fazer questão de estar junto nessa operação perigosa? 

– Daniela, para de andar de um lado para o outro. Eu estou vendo a hora que você vai abrir um buraco nesse piso. – Micaela reclamou, mas eu pouco me importei.

– Calma, Dani. Tudo vai ficar bem e nós vamos nos livrar dele. – Marcela tentou me acalmar. Embora seu olhar transbordasse em uma curiosidade contida.

Se ela soubesse que minha maior preocupação não era com aquele infeliz, mas sim com a portuguesa que ela havia enfiado em nossas vidas. Não que o fato de ter um maluco atrás das minhas amigas não me preocupasse, mas eu confiava no trabalho da polícia, e tinha certeza que o desgraçado logo seria  pego. Mas naquele momento, naquela situação, o que eu não conseguia confiar é naquela maluca que estava no meio disso tudo se achando a própria mulher maravilha em ação. 

A verdade é que desde a noite que aquela portuguesa dos infernos chegou ao Brasil, minha cabeça andava uma bagunça. Eu odiava aquele jeito petulante que ela se comportava. Parecia até que ela fazia questão de ser desagradável, especialmente comigo. Só de pensar nos foras gratuitos que me dava, já me irritava. Mas ainda assim, eu não conseguia deixar de me preocupar com sua segurança no meio de toda aquela bagunça.

Resolvi ir à cozinha para beber um pouco de água e tentar afastar aqueles pensamentos que só serviam para me deixar ainda mais perdida. 

Fiquei um pouco ali pensando em tudo e nada ao mesmo tempo, e quando decidi voltar para a sala quase morro do coração quando dei de cara com Renata, que estava parada de braços cruzados na porta da cozinha enquanto me olhava como se estivesse decifrando um enigma.

– JESUS! Você quer me matar do coração, mulher? – Levei a mão ao meu peito sentindo meu coração quase saindo pela boca. 

– Desculpa! Eu não tinha intenção de te assustar. – Ela se aproximou um pouco mais e colocou a mão no queixo como se analisasse algo. 

– O que foi? Por que está me olhando assim? 

– Só estou pensando nisso que está acontecendo com você.

Ergui uma sobrancelha em sinal de confusão. 

– Do que está falando? 

– Qual é Dani… Você vai mesmo entrar nesse joguinho de negação? 

Ela sentou na cadeira deixando claro que aquela conversa iria demorar mais do que eu realmente gostaria. 

– Eu realmente não sei do que você está falando. E acho melhor a gente voltar para a sala. 

Fui em direção à porta, mas ela segurou meu braço quando passei próximo a cadeira onde ela estava sentada.

– Vem cá! Senta aqui. 

Renata e Micaela sempre foram como as “mãezonas” do nosso grupo de amigas, e por mais que Marcela e eu tentássemos impor respeito, sempre acabávamos fazendo o que elas nos mandavam. 

Irritada, me sentei na cadeira vazia para a qual ela apontou, mesmo tendo certeza que eu me arrependeria disso.

– Lembra aquele dia que estávamos reunidas na sala de Marcela, e a Bárbara  te deu um mega fora? 

– O que tem isso, Renata? Não entendo aonde você quer chegar.

– Se fosse em outra situação, outro momento, e com outra pessoa, a Dani que eu conheço teria tirado proveito da situação e jamais deixaria a Bárbara sair por cima, mas naquele dia você se comportou totalmente diferente. – Engoli em seco com o rumo que tomava aquela conversa. – Primeiro seus olhos entristeceram de um jeito que jamais vi antes. Depois você tentou adotar uma postura de deboche e até conseguiu revidar o insulto, mas ainda assim não era exatamente a mesma coisa que conhecemos. Você ficou quieta, distante e logo depois saiu da sala visivelmente incomodada. Você nem mesmo se importou em se ausentar enquanto ainda estávamos conversando sobre um assunto tão importante. 

– Eu só tinha uma reunião importante. Além disso… 

– Por favor Daniela, não subestime minha inteligência. – Renata me interrompeu. – Você jamais agiu ou agiria daquela forma se não estivesse se sentindo de fato magoada. Eu te conheço desde que éramos adolescentes, e tenho certeza que  você está apaixonada por essa mulher.

Me levantei da cadeira quase que em um pulo quando ouvi aquela insanidade mencionada por Renata. Tudo bem que a Afrodite me desconcertava em alguns momentos, ou que em outros eu só quisesse matá-la por ser tão estúpida. Contudo, definitivamente eu não estava apaixonada. Eu era alguém que não se apega jamais, e não ia ser uma portuguesinha mentida, que iria mudar isso. 

– O quê? Você só pode estar de brincadeira. Qual é, Rê. Você me conhece e sabe que eu jamais me entregaria a um sentimento como esse. Além disso, essa mulher não tem nada a ver comigo. Ela não faz meu tipo. Você está dizendo isso baseada em um único momento sem significado algum?

– Eu estou dizendo isso como alguém que te conhece e sabe que você vai surtar quando perceber o mesmo que eu. Aliás, eu e todas as outras que estão começando perceber que tem algo acontecendo. Elas só não falaram nada ainda porque o momento é complicado para perdermos tempo com outros assuntos. Mas como você explica o fato de vó estar morrendo de preocupação com Bárbara?

– Vocês também estão preocupadas. 

– Estamos! Mas não estamos controladas e não entrando em colapso como você. Não seja teimosa, Daniela. Quanto mais você negar, mais difícil vai ser dar o primeiro passo para resolver a situação. 

– Que situação, mulher? Você... Não, definitivamente você está louca.

– Ah, eu estou? Então me explica toda essa preocupação. Daniela, você brigou com a Bárbara para ela não sair desse apartamento e ir nessa operação. Você estava agindo como se tivessem algo, e nem a própria Marcela que é amiga dela há anos, agiu como você. Sem falar que você praticamente está tendo um troço com a falta de notícias. 

– Eu só estou sendo racional, caramba! Não é como se ela fosse a mulher maravilha. Aquela lá de maravilha não tem nem o nome, se você quer saber. 

Eu já estava ficando desesperada com a possibilidade de ser verdade o que Renata estava falando. Mas não poderia ser verdade, não por ela… Justamente ela que me afrontava e fazia questão de mostrar o quanto não vai com a minha cara. 

“Porr*, Daniela. Se orienta e não se permita cair em uma dessa!” Pensei comigo mesma.

– Você precisa aceitar a realidade do seu coração, ou vai acabar se machucando ainda mais depois. 

– Olha só, essa situação toda está sim me deixando nervosa e preocupada, mas não significa que seja exclusivamente com ela, ok? Pode ficar tranquila que está tudo sob controle com esse meu coração bandido. Aqui ninguém entra! Eu tranquei e joguei a chave fora. 

Sim, eu precisava repetir aquelas palavras para mim mesma já que todos dizem que existem mentiras que se falarmos demais acreditamos ser verdade. 

– Tudo bem! Então eu não vou precisar me preocupar em como vou ter que lidar com seu emocional caso algo aconteça com a Bárbara hoje.

Engoli em seco aquelas palavras da Renata, mas fui firme quando respondi:2

– Claro! Eu vou agir naturalmente, afinal de contas, amiga dela é a Marcela.

Mal fechei a boca e Hanna entrou desesperada na cozinha. 

– Meninas, vamos logo. A Bárbara foi ferida e está no hospital agora. 

O copo com o resto de água que eu segurava encontrou o chão em questão de segundos espalhando cacos de vidros para todos os lados. Meu corpo tremeu como jamais aconteceu antes, e por um momento a imagem daqueles olhos azuis invadiam a minha cabeça sem pedir licença. Troquei olhares aflitos com Renata e em seguida não me preocupei com o que ela pensaria… Fui a primeira em partir em desespero rumo ao hospital.

 

Por Hanna

Chegamos ao hospital que a agente Suzana tinha nos informado, e Marcela logo buscou por informações da detetive. Todas nós estávamos preocupadas, mas o que me chamava atenção era o estado de desespero  demonstrado pelos os olhos de Daniela. Apesar da nossa amiga ter ficado em silêncio durante todo o trajeto até o hospital, eu havia percebido o quanto ela estava preocupada com Bárbara desde o momento que ela saiu do apartamento para participar da operação. Eu poderia estar ficando muito doida, já que estamos falando de Daniela, mas a sensação que eu tinha, é que sempre que as duas se encontravam um clima diferente as abraçava. Era como se existisse uma guerra fria entre dois titãs. Ambas faziam questão de demonstrar o quanto se achavam desagradáveis, mas seria mesmo isso que sentiam? Bárbara eu não conhecia o suficiente para poder afirmar minhas suspeitas, mas Daniela eu conheço perfeitamente bem, para ter certeza que algo estava acontecendo com a baixinha. 

Anotei mentalmente que precisava conversar depois com Marcela sobre esse assunto, já que agora minha namorada não tinha cabeça para isso. 

Seguimos para a sala onde a recepcionista informou que estavam os policiais. Daniela e Marcela estavam indo na frente parecendo disputar qual das duas chegaria primeiro. Eu, Micaela e Renata ficamos para trás, mas chegamos a tempo de ouvir a agente Suzana explicando para Marcela o que tinha acontecido. 

– Ela pediu autorização para entrar em ação, e mesmo sabendo que aquilo era contra as regras da corporação, eu autorizei. Ela deixou claro que iria agir com ou sem minha ordem. 

– E como ela se machucou? Como ela está agora? Onde ela está? Como diabos uma policial permite uma civil estrangeira participar de uma loucura dessas?  

Daniela parecia em um conflito de desespero e revolta, sem ao menos se preocupar com o tom de voz usado para se dirigir a alguém da lei. Na verdade, ela parecia decidida em fazer cobranças a agente que a olhava friamente.

Troquei olhares com Renata e Micaela, que pareciam compartilhar do mesmo pensamento que eu… Nossa amiga definitivamente estava apaixonada por Bárbara.

– Eu vou relevar essa sua forma descabida de falar comigo. Vou considerar a situação, mas acho bom que contenha-se, caso contrário eu...

– você o quê? Vai me prender por falar a verdade? Você foi irresponsável agente Suzana, e independente se você é ou não uma policial, eu não vou me calar diante disso para satisfazer seu ego profissional que certamente também está se responsabilizando pelo o que aconteceu. – Daniela estava totalmente fora de si.

– Ok! Vamos todas nos acalmar, certo? – Micaela tomou a frente das duas, que se enfrentavam com o olhar em uma guerra declarada.

– Você tem razão! Vamos nos acalmar. Bem, As coisas aconteceram assim… – A agente fez uma pausa forçada, e quando seu olhar cruzou com o meu, ela respirou fundo. Aquilo me deixou em alerta. – Ela enfrentou fisicamente o Jefferson. Foi ela quem o localizo quando ele estava tentando fugir acompanhado de outros bandidos perigosos. Após minha autorização, ela foi em busca dele. Houve muita troca de tiros, mas ainda assim ela conseguiu pegá-lo por um momento. Eu e meus dois parceiros estávamos em confronto com outros três meliantes. Eu conseguia ouvir tudo que os dois falavam pela escuta que Bárbara usava. Ela tentou prender a atenção dele usando o nome da Hanna, e conseguiu fazê-lo se distrair por um momento até conseguir imobilizá-lo, mas de alguma forma ele conseguiu acertar a cabeça dela com uma pedra. No fim das contas, infelizmente ele conseguiu escapar mais uma vez. 

– Na cabeça? Aquela mulher já é louca naturalmente. Agora vai ficar ainda pior. – Daniela falou andando de um lado para o outro. – Eu disse que ela não poderia participar disso, mas ela se acha a própria mulher maravilha. Como ela está? Você pelo menos já tem informações?

Se alguém me falasse que um dia eu veria Daniela agir assim por uma mulher em algum momento, eu certamente iria dizer que a pessoa era louca. E agora, ainda vendo com meus próprios olhos aquele comportamento, ainda assim não queria acreditar.

– Ainda não! Trouxemos ela desacordada para esse hospital. Assim que chegamos a levaram para fazer exames. Desculpa-me Marcela, sua amiga tem razão, isso tudo é culpa minha. Se eu não tivesse dado autorização nada disso tinha acontecido.

– Não se preocupe com isso agente. Eu conheço a Bárbara muito bem, e sei que se você não tivesse autorizado, ela realmente iria comprimir a ameaça e agir por conta própria. – Minha namorada falou calma, mas senti preocupação em cada palavra. – Mas e ele? 

– Como eu disse ele conseguiu fugir. Conseguimos prender muitos bandidos, mas todos peixe pequeno. O que deu para perceber é que Jefferson é um dos homens de confiança do chefe do tráfico daquela favela, pois o mesmo era um dos que faziam sua guarda e ajudou na fuga dele. Ele se colocou em risco de ser preso para que a fuga do chefe fosse concluída com sucesso. Isso significa muita coisa. 

– Nunca pensei que aquele que compartilhava sala de aula comigo, se tornaria esse psicopata. Na época da faculdade todo mundo sabia que ele se drogava, mas nunca ouvi nenhum rumor que ele se envolvia diretamente com o tráfico. – Falei me aproximando de Marcela.

– O que importa é que hoje ele não é apenas um foragido e condenado por estupro, ele agora também é procurado por envolvimento com o tráfico de drogas e ser cúmplice de um dos traficantes mais procurados dessa cidade. 

– Isso quer dizer que as buscas vão se intensificar? – Marcela perguntou curiosa. 

– Exatamente! Mas existe algo que eu preciso falar para vocês duas. – Eu e Marcela trocamos olhares apreensivos e esperamos o que ela iria dizer. – Antes da fuga pude ouvir o que ele disse para a Bárbara. Aquilo que temíamos de fato se concretizou… Ele fez uma clara uma ameaça de vida a vocês duas, e também a sua filha, Hanna. Eu acho bom que vocês fiquem ainda mais atentas, porque apesar de estarmos sempre de olhos abertos garantindo sua proteção, nunca sabemos quando e como ele vai agir. 

Meu coração gelou e diria que tinha parado de bater por um breve momento. Uma dor incomum me atingiu quando ouvi suas palavras. Imaginar que a vida da minha filha estava em risco era algo desesperador, mas pior ainda era imaginar que isso estava acontecendo por aquele que tinha o mesmo sangue que ela.

Fim do capítulo


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Comentários para 33 - Capitulo 33:
Silvanna
Silvanna

Em: 25/06/2026

A Daniela vai negar que gosta da guria, vamos ver até quando!

Bj

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