Capitulo 27
Por Hanna
O final do expediente estava se aproximando. Eu estava na sala de Marcela aguardando pelo tal segurança que faria a guarda da minha filha. Eu ainda não tinha processado bem essa ideia, pois jamais imaginei que algo assim aconteceria, mas após pensar bem no que Marcela tinha dito, eu concordava que naquele momento seria o melhor para a Gabriela.
Marcela me fazia uma massagem nos ombros quando o telefone tocou, ouvi ela autorizando a entrada, e assim que desligou ela me informou que iríamos receber o Matheus.
– Com licença, dona Marcela.
O homem alto que eu já conhecia como segurança da empresa, entrou primeiro e logo atrás surgiu um moreno alto desconhecido. O rapaz tinha um porte físico quase assustador. Ele era bem mais forte que Matheus, além de manter uma postura rígida e séria. Olhando bem para ele, eu diria que ela se tornava quase mecânico. Eu ficaria assustada só em vê-lo passando na rua.
– Por favor, sentem-se.
Marcela mandou apontando para as cadeiras à sua frente, e eu fui para o seu lado, ficando assim de frente para os dois homens que mantinham a postura profissional.
– Senhora, esse é o Fabrício. Um dos meus homens quem te falei. Já repassei todo o serviço para ele. Trouxe apenas para apresentá-los e tratar das formalidades.
Vi Marcela avaliar o segurança como se buscasse qualquer indícios de quem era de fato o que ela precisava.
– Então Fabrício, como você já deve ter sido informado da situação que estamos passando, eu estou precisando dos seus serviços para ser o segurança pessoal de uma criança, e claro, da mãe dela quando estiverem juntas. Preciso da sua disponibilidade em tempo integral, mas quero que seja tudo feito na maior discrição possível. Uma de nós sempre iremos buscá-la ou deixá-la na escola, e quando isso não ocorrer será feito por alguém da família da minha namorada que é mãe da menina. – Marcela apontou para mim, e o olhar do homem encontrou o meu, mas reagi meio retraída ao lado de Marcela. – Vou ser direta… existe alguma objeção para você em relação a sermos um casal?
– Não senhora! Estou aqui para receber suas ordens e também da sua namorada sem nenhum problema. – A voz grossa do homem soou pela primeira vez no ambiente.
– Ótimo! Vou lhe detalhar toda a situação.
Marcela descreveu toda a situação para o segurança que seria agora responsável por garantir a segurança da minha filha, e que por consequência também estaria a minha disposição. No primeiro momento é bem verdade que tive medo daquele homem, mas durante a conversa, fui percebendo que ele parecia muito profissional e também era muito discreto, além de parecer ser uma pessoa do bem. Confesso que agora eu começava simpatizar com ele. Tudo bem que não era nada agradável saber que tinha alguém me vigiando a todo o momento, mas eu entendia que Marcela estava fazendo aquilo para nossa segurança.
Toda minha família já estava sabendo da providência que Marcela havia tomado em relação à segurança da Gabriela, e a única que ainda parecia não estar totalmente de acordo, era Micaela. Ela tinha medo que de alguma forma isso afetasse a rotina da minha filha, mas acabou se dando por vencida e aceitando a situação. Por sua vez, meus pais pareciam encantados com a forma como Marcela estava se comportando diante daquela situação. Eles adoravam o jeito como ela cuidava de mim e da Gabi, e se sentiam mais seguros em saber que estávamos ao lado dela.
…
– Queria tanto que você fosse comigo para o meu apartamento. – Marcela falou encostada na porta pronta para ir embora.
– Amor, eu não posso mudar a rotina da Gabi assim. Ontem já dormimos lá, e se isso acontecer todo dia ela pode estranhar.
O olhar de Marcela parecia decepcionado, e eu me questionei se tinha escolhido as palavras certas para falar.
– Tudo bem! Eu entendo que lá não é a casa dela. Nós apenas namoramos! Mas eu ficaria mais tranquila com vocês por perto.
– Ei, eu não falei nesse sentido. É só que aqui ela sabe que é o lugar dela, sempre foi, e para mudar assim precisaríamos sentar e conversar com ela e explicar os motivos.
– Tudo bem, eu entendi. Eu também estava pensando nisso mais cedo. À propósito, eu não sei o que vai achar da ideia. Eu não quero que pense que estou forçando uma situação, mas gostaria de fazer um quarto para ela na minha casa. – Olhei para Marcela espantada com aquilo que ouvi. Era algo realmente que eu não esperava. – É só que quero que ela se sinta bem quando for para lá, que tenha com o que brincar e onde dormir mais à vontade. – Marcela parecia envergonhada ao explicar.
– Amor, eu acho lindo a forma como você se preocupa com ela, mas você tem certeza? É a sua casa, sua privacidade.
– Claro que eu tenho, Hanna. Eu amo vocês, e bom, você é minha namorada e mãe dela. Eu só quero poder tê-las comigo e que sintam-se confortáveis com isso.
– Você é maravilhosa, sabia? Já te disse que tenho sorte em tê-la na minha vida?
– Já disse, mas não me importo que repita.
Enlacei meus braços em volta do seu pescoço, e sussurrei no seu ouvido o quanto eu tinha sorte por tê-la. Notei que Marcela se arrepiava ao meu ouvir, e aquilo me estimulava ainda mais em torturá-la antes de buscar por seus lábios. Nossos beijos eram sempre muito intensos e marcados pelo desejo, meu corpo respondia a cada toque de Marcela. Sua língua na minha boca causava uma sensação única e minha calcinha ficava vergonhosamente molhada com o mínimo de contato que tínhamos.
O beijo foi finalizando aos poucos, mas se dependesse de mim, eu queria mais, eu queria o corpo nu de Marcela sobre o meu. Nos braços dela era como se o mundo deixasse de existir e só existisse eu e ela.
– Meu bem, eu preciso ir. Se você continuar me beijando assim vou acabar não respondendo por mim.
– Então eu acho que vou continuar te beijando só para você não precisar ir. – Mordi de leve os lábios de Marcela enquanto passei as unhas em sua nuca e sorri quando ela gem*u baixinho.
– Não me tortura assim, Hanna. Eu preciso ir embora, amanhã tenho uma reunião importante.
– Mais um motivo para ficar, assim eu te deixo relaxada para amanhã. – Mordisquei o lóbulo do ouvido de Marcela. Eu sabia que aquilo era golpe baixo, mas eu estava desejando tanto minha namorada. – Amor, estou mal acostumada. Não sei dormir sem você.
– Acho que temos um problema já que moramos em casas separadas. – Sua voz soou rouca e me estremecendo toda por dentro até que minha filha apareceu.
– Mamãe, estou com fome. – Marcela se afastou rapidamente de mim o que me fez sorrir do seu desespero quando Gabriela entrou na sala e se jogou no sofá nos olhando.
– Salva pelo gongo, senhorita Bettencourt. Mas você não me escapa amanhã. – Pisquei com um sorriso malicioso para minha namorada que ficou claramente tentando se conter.
Algumas semana depois
Por Marcela
Os dias passavam sem nenhum acontecimento suspeito. Gabriela estava sendo acompanhada a todo momento pelo segurança contratado por mim, e até então, ele estava se mostrando muito competente, o que me deixava satisfeita. No início, Hanna ficava incomodada com a presença dele quando saíamos, mas agora ela já está mais acostumada e até conseguia trocar algumas palavras com o homem que se mostra totalmente reservado. Às vezes, eu sentia Hanna bastante assustada quando saiamos, mas eu a convenci que precisávamos procurar viver normalmente para não afetar a rotina de Gabriela. Ela não podia sentir toda tensão que nos cercava, sem contar que a garotinha precisava de um momento conosco, já que passávamos a semana trabalhando.
Estávamos no apartamento de Hanna. Eu brincava com Gabi enquanto aguardávamos o jantar que Hanna estava fazendo, o que por sinal estava com um cheiro maravilhoso.
– Como foi o dia na escolinha, minha pequena? – Perguntei para a Gabi enquanto ajudava ela a pentear o cabelo da sua boneca favorita.
– Foi muito bom. A tia pediu pra eu desenhar minha família. Eu desenhei minhas duas mamães e um cachorrinho.
Meus olhos brilharam com aquela frase. Eu nunca imaginei que pudesse ser chamada de mãe, mas agora a Gabi só me chamava assim, e meu coração que ainda não estava acostumado, sempre disparava como se fosse a primeira vez. Era estranho, mas eu realmente me sentia mãe daquela pequena, e eu não fazia a menor questão que ela pensasse o contrário.
– Meu amor, mas nós não temos um cachorrinho.
– Eu sei! Mas eu queria ter um. – Isso era uma novidade que eu aposto que não agradaria nem um pouco à Hanna. – Minhas amiguinhas tem. Por que eu num posso ter um também?
– Bom, um cachorrinho dar muito trabalho para cuidar. Eu acho que sua mamãe não ia gostar muito da ideia por enquanto. Você é muito novinha para cuidar de um animalzinho de estimação. – A pequena fez um bico enorme, e eu não sabia se sorria ou se ficava penalizada. – Vamos fazer um acordo? Que tal a gente tentar convencer a mamãe juntas, hã?
Gabriela logo se animou com a ideia, parecia que eu tinha falado palavrinhas mágicas para a criança que agora estava saltitando pela sala.
– Ei, ei, vem cá pequena. Não fala nada para ela agora, certo? Vamos esperar o momento certo, ai nós tentamos conversar com ela a respeito disso, mas vamos planejar primeiro para termos mais chance dela deixar.
Gabriela se jogou no meu colo e encheu meu rosto de beijos, no mesmo momento que Hanna entrou na sala e ficou olhando para nós com uma expressão interrogativa.
– O que vocês estão aprontando?
– Nós? Nadinha! Por que estaríamos aprontando algo? – Perguntei fingindo inocência, afinal, eu sabia que levaria tempo e precisaria de muito planejamento para Hanna aceitar um cachorro.
– É mamãe, não aprontamos nadinha.
Vi a Gabi falar com olhos brilhando e um sorriso sapeca surgir em seus lábios. Eu quase vacilei em minha postura quando vi a cara de pau de garotinha. Parece que ela estava aprendendo fácil lidar com a mãe.
– Marcela, eu conheço essa cara de vocês duas. Olha lá, hein? Eu estou de olho em vocês. – A desconfiança na voz da minha namorada era gritante.
– Viu como sua mamãe é desconfiada, Gabi? Nós precisamos ter cuidado.
A pequena fez um gesto como se estivesse com um zíper na boca, e eu gargalhei alto. Ela era mesmo uma criança inteligente!
– O jantar já vai sair. Acho bom as duas irem lavar as mãos.
Fui com Gabi para o banheiro para ajudar a garotinha lavar as mãos. Fiquei imaginando como seria ter uma filha, não que eu já não tivesse uma, mas o quero eu dizer é: Como seria casar com Hanna? Ter nossa casa e construir nossa família de fato morando juntas? Minha relação com Hanna estava cada dia mais intensa, mais madura e sólida. Vivíamos grudadas, dormíamos quase todos os dias juntas intercalando entre nossos apartamentos. Óbvio que eu nunca cheguei a falar com ela sobre esse assunto, mas há alguns dias, eu vinha pensando muito nessa ideia. Eu não sei se era cedo demais, precipitado demais… talvez fosse, já que estávamos juntas apenas há alguns meses, mas quando eu pesava toda nossa história, a única coisa que surgia no meu coração era o tempo que perdi longe dela, e o quanto eu não queria mais ficar longe dela e da Gabriela. Talvez essa fosse uma ideia que precisasse ser amadurecida, pensada e repensada, mas uma coisa eu tinha certeza: eu já não me via sem as duas.
– Mãe Marcela, eu já acabei. – Meus pensamentos foram cortados pela voz da minha pequena.
– Ótimo, meu amor. Então vamos para a cozinha antes que sua mãe venha nos buscar como uma fera. – A criança sorriu como se pudesse imaginar sua mãe brava.
– Leva eu nas costas? – Os olhos da pequena brilharam e como eu poderia dizer não? Lá estava eu, colocando Gabi montada nas minhas costas enquanto imitava um cavalo galopante.
Pouco tempo depois do jantar, Hanna colocou Gabi para dormir e voltou para a sala para finalmente termos um tempo nosso.
– Enfim sós! – Ela falou se jogando no meu colo. – Que saudade eu sinto dessa sua boca.
– É só me beijar sempre que quiser. Juro que não vou me importar nem um pouquinho. – Ela já passava sua boca pelo meu pescoço me deixando entregue.
– Nem um pouco? – Sua voz sedutora tomava conta dos meus sentidos não me deixando espaço para raciocinar qualquer coisa que não fosse sobre ela.
– Na verdade, eu me importo quando você não beija.
Nos beijamos sem pressa como se fosse possível transmitir todo nosso sentimento em um único beijo. Eu adorava quando Hanna tinha aquela pegada que me deixava louca, mas também ficava derretida quando ela vinha toda carinhosa com beijos apaixonados e calmos que fazia meu estômago bailar em um ritmo próprio. O fato é que os braços dela era o único lugar do mundo que sempre eu gostava de estar.
– Amor, eu esqueci de te avisar. – Falei quando ela abandonou minha boca e foi seguindo trilhas por meu pescoço.
– O quê?
– Meus pais nos convidaram para um almoço em família. – Ela parou o que estava fazendo e me olhou assustada.
Era engraçado a forma como Hanna ainda tinha receio com meus pais.
– Como assim nos convidou?
– Amor, você é meio lenta. – Brinquei com ela que me deu um tapa reprovando a piada. – Significa que eles nos convidaram. Eu, você e a Gabi. E mandaram chamar também as meninas e seus pais. É um almoço em comemoração ao aniversário de casamento deles.
– E quando vai ser? – Ela brincava com uma mecha do meu cabelo.
– No sábado! Bom, eu sou péssima com lembranças, então gostaria que convidasse as meninas e seus pais. Pode fazer isso por mim?
– Claro que posso, meu bem. Mas existe uma coisa que estou mais empenhada em fazer agora. – Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.
Não demorou muito para estarmos jogadas na cama. Nunca vi Hanna tão apressada em me deixar nua como naquele momento. Seu olhar de desejo passeava por meu corpo que já estava quente esperando por ela, mas ela não facilitava em nada minha vida. Ela seguia empenhada em distribuir beijos por todo meu corpo deixando claro quem estava no comando naquele momento.
Eu me sentia completamente viciada nos beijos e caricias de Hanna. Quando sentia suas mãos me tocando com maestria, eu me desmanchava no prazer que ela me dava, e não queria sair dos braços dela. Sua língua fazia um caminho desenhando linhas imaginárias em direção aos meus seios, e isso não era a única coisa que me enlouquecia, suas mãos tinham vida própria e apertavam o bico rígido dos meus seios que cabiam perfeitamente em suas mãos. Hanna gemia sob meu corpo, que se contorcia em sua boca, e aquilo parecia estimulá-la cada vez mais a prosseguir com seus toques maldosos. Uma de suas coxas se colocou entre minhas pernas encaixando tão perfeitamente que a cada movimento que ela fazia meu sex* era pressionado.
– Hanna, não tortura assim... – Falei com voz abafada e senti seu corpo se arrepiando.
Aquela mulher só podia estar querendo me matar de desejo. Ela não disse nada em resposta ao meu apelo, mas me lançou seu olhar diabólico fazendo par com um sorriso safado e, buscou minha boca em um beijo voraz.
As mãos de Hanna apertavam fortemente meu seio e as minhas responderam com o mesmo aperto em sua bunda. Senti a coxa de Hanna esfregando lentamente em meu sex*, que a essa altura já pulsava em resposta. Não demorou muito para Hanna encerrar aquele beijo quente e cair de boca intercalando os bicos rígidos dos meios seios. Era impossível abafar os nossos gemidos que se misturavam naquele quarto escuro. Nossas respirações ofegantes, os corpos suados e o desejo que aumentava, tudo em uma perfeita sincronia. Os toques de Hanna em meu corpo foram se intensificando demonstrando a ousadia da mulher que tanto eu amava. Quando sua boca chegou ao meu sex*, o ch*pando com vontade, foi impossível segurar o orgasmo por muito tempo. Logo estremeci em sua boca, e ela parecia satisfeita como uma criança que acaba de ganhar um doce.
Compartilhamos um silêncio de satisfação enquanto buscávamos recuperar o fôlego. O único problema é que aquela noite estava longe de terminar.
– Agora é minha vez de provar seu sabor, senhorita Prado. – Sussurrei baixinho, ouvindo como resposta um gemido delicioso que me levou à loucura.
No sábado
– Amor, vamos embora. Nós já estamos atrasadas, Hanna.
Eu tinha passado no apartamento para buscar mãe e filha para irmos juntas ao almoço de comemoração do aniversário de casamento dos meus pais, mas a verdade é que fazia meia hora que eu estava sentada no sofá da sala esperando pelas duas. Por mais que eu também seja mulher, eu não conseguia me acostumar com os atrasos de Hanna. Geralmente seus atrasos valiam por nós duas. Pelo menos o atraso sempre compensava, já que a minha mulher era sempre muito linda e bem vestida.
– Desculpa amor, mas é que fiquei indecisa que roupa escolher. Então, como estou? – Hanna perguntou ao entrar na sala.
Ela estava linda usando um vestido florido de alça, com os cabelos em um coque deixando apenas algumas mechas soltas. Usava uma maquiagem leve que apenas realçava seus olhos verdes esmeraldas.
– Está maravilhosa como sempre. – Me aproximei tocando seus lábios em um beijos rápido.
– E eu, mãe. Como eu estou?
Olhei para Gabriela que me olhava com expectativa nos olhos, enquanto cutucava minhas pernas. Peguei a pequena nos braços deixando um beijo em seu rosto.
– Está tão linda quanto sua mamãe. Eu tenho as mulheres mais lindas do mundo ao meu lado. – Beijei cada uma no rosto, e Gabriela sorria satisfeita.
Naquele dia eu havia dado folga para Fabrício, então seguimos apenas nós três, para a casa dos meus pais. Tínhamos combinado de encontrar nossas amigas já no local.
Quando chegamos, a família de Hanna já estava presente, assim como nossas amigas que se animaram ao nos verem.
Desci do carro e abri a porta para Hanna. Em seguida, peguei Gabi no colo e seguimos para área onde todos estavam reunidos.
– Eu ainda fico nervosa diante da sua família. – Ela murmurou enquanto andava praticamente colada ao meu corpo.
– Amor, não tem porque ficar nervosa. Meus pais gostam de você. – A beijei na testa, e ela enlaçou seu braço em volta da minha cintura.
– Finalmente vocês chegaram. Já estávamos pensando em ligar para você, Marcela. – Meu pai falou assim que nos aproximamos.
– Desculpa pela demora, mas a culpa é dessas duas, que não conseguem ficar prontas na hora certa, não é meu amor? – Fiz um carinho na bochecha de Gabi, que parecia tímida como jamais eu havia visto.
– Quem diria hein, Marcelinha? Você virando mãe de família. A Hanna te pegou de jeito mesmo.
Mostrei a língua para Daniela, e todos riram com nossa implicância. Não tinha jeito! Podia passar anos, podíamos ficar velhinhas, mas sempre teríamos aquele comportamento infantil quando estávamos juntas.
Minha namorada foi em direção a meus pais para cumprimentá-los e logo em seguida foi em direção a meus sogros. Fiquei observando aquela cena… Era tão bom ter todas as pessoas que eram importantes para mim, ali reunidas. Definitivamente, eu não podia me sentir mais feliz.
– Ora, se não é minha neta que chegou. Vem cá com a vovó.
Todos olharam espantados para minha mãe, que praticamente se desmanchou toda para a Gabi, mas a pequena me olhou como se esperasse uma confirmação que ela podia ir para os braços da minha mãe. Eu beijei seu rosto com carinho, e tranquilizei a pequena.
– Pode ir, minha pequena. Tenho certeza que se você pedir um sorvetinho para ela, vai ganhar.
Pronto, foi como usar a palavrinha mágica que faltava para Gabriela olhar minha mãe com os olhos radiantes. Gabi abriu os braços para que a mais velha a segurasse. Os olhos da minha mãe brilhavam com aquele contato enquanto todos admiravam a cena. Busquei o olhar de Hanna e quando o encontrei, vi que ela estava sentada próxima a sua mãe admirando a interação entre Gabi e minha mãe. Minha namorada sorriu lindamente para mim, indicando que estava tão feliz quanto eu me sentia.
– Então a senhora é minha vovó também, igual a vó Vero?
– Exatamente! Você pode me chamar de vovó Isabel.
A pequena pareceu pensar a respeito, deixando minha mãe em uma clara expectativa e nervosismo enquanto desejava ser aprovada.
– Então vai ser a vovó Bel.
Sorri ao ouvir a pequena. Meu coração se preencheu de alegria em ver ela se sentir bem e a vontade com minha família. Talvez mais feliz que eu, só minha mãe estivesse, já que o sonho dela era ser avó, e como sou filha única ela ainda não tinha realizado esse sonho.
O decorrer do almoço foi tranquilo. Meus pais estavam encantados com Gabi, que por sua vez, parecia à vontade na presença deles. A pequena estava sendo disputada agora pelos meus pais e meus sogros, mas não era uma disputa ruim, pelo contrário, todos pareciam felizes com aquela nova família que estava se formando.
Me afastei um pouco indo em direção à Hanna, que estava entretida em uma conversa animada com nossas amigas. Enlacei sua cintura em um abraço apertado deixando meu queixo repousar em seu ombro.
– Ainda é surpreendente ver vocês duas assim. – Renata falou com um sorriso satisfeito nos lábios.
– Que bom que deixaram aquela frescura de lado. Não que eu tivesse medo de vocês se matarem quando chegavam perto uma da outra, mas apenas por não fazer sentido aquelas brigas. Estava claro que vocês brigavam, mas eram consumidas por um tesão contido.
Daniela parecia convicta de suas palavras, mas a verdade é que aquilo não convenceu nenhuma de nós, já que aquela baixinha morria de medo da confusão que poderia dar sempre que eu e Hanna, estávamos no mesmo local. Só com o tempo que isso foi mudando e ela foi relaxando ao ver que nossas brigas não passavam de implicâncias.
– Aham! Até porque você nunca teve medo do circo pegar fogo, né? Você é super corajosa. – Micaela disse com divertimento arrancando risadas de todas nós.
– Claro! Eu sou super corajosa mesmo. – Respondeu a baixinha descarada. – Mas vem cá Marcelinha, conta pra Dani aqui, vai cozinhar a Hanna por muito tempo, ou pretende casar logo?
– DANIELA! – Hanna protestou e pude sentir seu corpo ficar rígido junto ao meu.
– O quê? Eu só quis perguntar. – A baixinha deu de ombros. – Eu ouvi dizer que as sapas quando começam a namorar, com pouco tempo já pensam em juntar as calcinhas. Sem falar que os últimos históricos das minhas amigas – Apontou para Renata e Micaela. – Não são dos melhores, no quesito sabedoria. O casamento parece uma coisa obrigatória nesse grupo.
Imediatamente ela recebeu uma tapa de cada lado. Renata e Micaela praticamente fuzilaram Daniela.
– Ei, nós dois estamos bem aqui. Será que poderia pelo menos fingir que você aprova nossa relação com suas amigas? – Robson se fez de ofendido, mas claro que ele levava na esportiva tudo que Daniela falava.
– Meu bem, quem tem que aguentar a TPM de cão da Micaela, não sou eu. Muito menos sou eu que lavo suas cuecas, então eu não preciso aprovar. Só lamento!
Todos caíram na gargalhada com a ousadia daquela maluca em falar aquilo bem na frente da Micaela, que agora tinha uma veia latejante na testa.
– Mas não foge da pergunta não, Marcela. Você vai ser mais inteligente do que eu, e fugir o quanto puder, ou já vão juntar as escovas de dentes? – Esse foi o Guilherme debochando enquanto Renata o olhava indignada.
– Não são as escovas seu Mané, são as calcinhas. – Dani falou novamente.
– Dá no mesmo! – Ele deu de ombros.
– Vocês são tudo sem juízo. – Hanna parecia nervosa.
– Deixa ela responder porque agora eu que estou curioso. – Robson se empolgou e vários pares de olhos com expectativas caíram sob mim.
– Ok! Já que é para alegria da nação, eu respondo. Bom, nós ainda não conversamos sobre isso. Faz pouco tempo que estamos juntas, e tem tantas coisas acontecendo, não é mesmo?
Respondi meio sem jeito. Eu não sabia o que Hanna pensava sobre aquele assunto e não queria gerar um climão. Realmente estávamos juntas há poucos meses, então não tinha como definir algo dessa forma assim tão rápido. Minha vontade era de tê-la pra sempre, já até me pegava imaginando como seria viver algo assim, mas ainda era cedo para um passo tão grande.
– Eita que eu já vi tudo. Hanna vai ser cozinhada um pouco mais. – A gargalhada de Dani contagiou os outros dois.
Busquei coragem para olhar em direção a minha namorada e talvez assim conseguir ler seus pensamentos através daqueles verdes esmeraldas que eu tanto amava, mas o que encontrei foi um rosto vermelho, provavelmente de vergonha. Sua expressão era ilegível, e isso me deixou curiosa, talvez fosse um ponto que depois precisássemos conversar.
– Vocês são três idiotas mesmo. – Minha namorada escondeu o rosto em meu pescoço enquanto os três zoavam nós duas.
– Bom, não é como se fosse ser uma mudança tão grande. Vocês já praticamente vivem juntas. Dormem juntas quase todos os dias. – Renata falou dando de ombros para a zoação que os outros três faziam.
– É isso mesmo, e minha sobrinha já se sente tão à vontade que até te chama de mãe, Marcela. Isso já é quase um casamento.
Ok! Confesso que aquela pequena pressão estava me causando pânico, mas sorri ao lembrar da sensação gostosa que aqueceria meu peito quando Gabi me chamava de mãe.
– Vocês querem parar de pressionar minha namorada? – Hanna se pronunciou pela primeira vez. – Nós estamos nos curtindo, e isso é perfeito. Acabamos de nos reaproximar, e vocês já querem nos colocar no altar? Desse jeito vou perder a namorada. – Fez um bico enorme e lindo. Meu Deus que mulher linda!
– Deixa eles, meu bem. Não saio do seu lado por nada nessa vida. – Dei um selinho em Hanna, que sorriu com tímidez. – Vocês três, vão procurar o que faze. E vocês duas caladinhas!
O clima descontraído durou o restante do dia. Vez ou outra me pegava admirando Gabi que parecia feliz no meio de toda aquela bagunça. Todos a amavam e faziam de tudo para paparicar a criança. Meus pais estavam tão envolvidos com Gabi, como eu também estava, e aquele carinho parecia ser retribuído na mesma proporção.
Não desgrudei de Hanna nem por um momento. Um imã me atraía em sua direção a todo instante, e eu não me importava nem um pouco de demonstrar carinho e amor por ela mesmo estando na frente das pessoas. O mais incrível, é que ela também parecia não se incomodar, às vezes, eu até era surpreendida por sua mão buscando a minha ou me fazendo um carinho singelo.
Logo todos se despediram deixando apenas eu, Hanna e Gabriela, junto a meus pais.
– Bom, acho que nós já vamos também. Daqui a pouco essa princesinha aqui vai querer dormir. – Falei para meus pais passando a mão na cabeça de Gabi que estava sentada brincando com suas bonecas.
– Está cedo! Nós adoramos a casa cheia. – Meu pai falou sentando-se à minha frente.
– Vocês deveriam vir mais vezes aqui, e principalmente trazer a Gabriela para nos ver.
Pensei comigo mesmo que era óbvio que minha mãe faria um pedido daqueles.
– Pode deixar, mamãe. Prometo que nós vamos vir mais vezes. – Fui em sua direção para beijar seu rosto.
– Estou muito feliz que vocês duas se resolveram. – Meu pai falou olhando diretamente para Hanna. – Sei do passado conturbado de vocês, mas sempre soube também do quanto minha filha tinha um sentimento forte por você, Hanna. E hoje, ver vocês assim juntas me faz perceber o quanto tinha que ser assim, uma pertencendo a outra.
– Eu amo sua filha, Sr. Marcos. Fiz muita besteira no passado, mas agora que a tenho novamente, lutarei sempre para nunca perdê-la.
– Eu não tenho dúvidas disso, minha nora. E estou feliz demais por tê-la na nossa família. Ainda mais que nos trouxe um grande presente. – Ele apontou para a criança que estava alheia a toda aquela conversa.
– Ain, credo! Vamos deixar desse drama porque senão daqui a pouco eu choro. – Todos sorriam da minha brincadeira. – Bom, nós já vamos. Eu ligo avisando que chegamos bem.
Nos despedimos dos meus pais prometendo que logo estaríamos de volta, e garantindo que levaríamosGabi para visitá-los mais vezes.
Quando íamos em direção ao carro observei minha namorada com nossa pequena nos braços, pensei na tarde que tínhamos passado e foi impossível não chegar à conclusão que Micaela estava certa. Nós já éramos uma família. E era com elas que eu gostaria de estar para sempre.
Fim do capítulo
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