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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 2034
Acessos: 263   |  Postado em: 09/06/2026

Capitulo 26

Por Marcela

Os pais de Hanna, tinham ficado muito abalados após ficarem sabendo da notícia da fuga do homem que quase destruiu a vida da filha mais nova. Minha sogra ficou mais desesperada que o pai da Hanna, mas eu conseguia entender todo aquele medo que ambos sentiam, afinal, a filha deles viveu um pesadelo no passado, e agora saber que o responsável por isso estava solto por aí, representava muito mais que a sensação de injustiça e impunidade, mas também o receio de tudo se repetir no presente. 

Naquela noite, o clima estava ruim. Hanna vivia uma mistura de sentimentos que variavam entre medo, preocupação e cansaço emocional. Contudo, Gabi em sua inocência, estava elétrica demais sem imaginar toda a situação séria que estava acontecendo, ao seu redor. A pequena não saia do meu colo naquela noite, e ficava falando sobre como seu dia na escola tinha sido divertido. Com muita luta e dificuldade consegui convencer Hanna de dormir aquela noite com a Gabriela em meu apartamento, o que me deixava mais tranquila. Eu não queria mais deixar as duas sozinhas, eu queria estar perto para protegê-las e ter a certeza que no fim tudo ficaria bem. 

No dia seguinte, acordei cedo e preparei o café da manhã para mãe e filha, que ainda estavam dormindo em meu quarto. Enquanto organizava as coisas na cozinha, fiquei pensando que precisava organizar um dos quartos do meu apartamento para se tornar exclusivo de Gabriela. A menina precisava se sentir mais em casa quando estivesse em meu apartamento, e toda criança gosta de ter seu espaço para brincar a vontade. Além disso, ela não podia dormir para sempre entre Hanna e eu. Mas conclui que eu ainda precisava conversar com minha namorada a respeito, pois eu não queria que minha proposta ficasse parecendo com a pressão para vivermos um quase casamento.  Eu não queria assustar minha namorada com algo assim, ainda mais agora que ela estava passando por um momento delicado. Tudo o que ela não precisava era de uma questão como essa para se preocupar. 

– Huuum! Que cheirinho gostoso. – Senti os braços da minha namorada envolvendo meu corpo.

– Bom dia! – Cobri seus lábios em um contato breve e delicado. – Acordei mais cedo para preparar o café de vocês. Dormiu bem? 

– Nossa, eu capotei depois que deitamos. Eu estava muito cansada. 

– Senta ai que vou te servir. – Ela fez o que pedi – A Gabi já acordou? 

– Ainda não acordei ela. Eu queria conversar com você a sós primeiro. – Observei sua expressão séria e já podia imaginar sobre o que ela queria falar. – Ontem não tivemos oportunidade, mas não quero deixar coisas mal resolvidas entre nós. 

– Concordo. – Me aproximei e dei um beijo na sua testa. – Pode falar o que quiser. Estou te ouvindo.

Demonstrei o quanto estava disposta em dialogar com ela sem que isso se tornasse um grande problema. Eu estava certa que uma relação precisa dessa liberdade para poder dar certo. 

– Marcela, eu queria que você soubesse que eu concordo que errei em não te contar sobre as flores. Mas não fiz isso por querer te excluir de algo importante, mas sim para evitar uma confusão desnecessária entre nós duas, principalmente porque estamos recomeçando nossa relação agora. – Ela não desviava o olhar do meu, e eu conseguia sentir verdades em tudo que falava. – Amor, quando recebi o buquê e percebi que não era seu como imaginei, a primeira coisa que fiz foi buscar ajuda de Micaela. Tentamos descobrir de onde tinha vindo aquilo e até cogitamos a hipótese de ser a Bianca.

– Como assim a Bianca? Você tem motivos para pensar que tenha sido dela? – Perguntei erguendo a sobrancelha.

– Na verdade, ela nunca me deu motivos. Mas como você sempre implicou com ela, e ela pareceu relutante quando a mandei sumir com aquilo da minha frente, eu pensei que poderia ter algum fundamento em suas implicâncias. – Fiquei inquieta com aquilo, mas deixei ela concluir. – Marcela, só foca aqui na gente ok? – Ela falou como se pudesse adivinhar o que se passava nos meus pensamentos. – Eu só quero que entenda que não escondi de você por ter gostado da situação ou algo parecido, apenas quis evitar problemas entre nós.

Suspirei fundo tentando organizar as ideias. Eu entendia os motivos dela, mas não concordava. Eu queria que ela entendesse que falarmos sobre tudo é importante para a nossa relação ser saudável. Evitar um problema hoje, pode ser o passo para tornar algo ainda pior no futuro, então independente do que seja, precisamos sempre conversar uma com a outra. 

Puxei a cadeira para mais perto de Hanna, e busquei juntar suas mãos nas minhas. 

– Meu bem, eu entendo o que você está falando, mas não posso deixar de dizer que fiquei muito magoada. Hanna, estamos juntas e não estou disposta a te deixar escapar dessa vez, mas preciso que compreenda que é importante termos confiança para falarmos sobre tudo uma com a outra. Por mais que algo venha causar uma discussão entre nós, a gente precisa saber conversar. – Ela abaixou a cabeça com tristeza, e eu a fiz me olhar novamente segurando seu queixo. – Amor, eu quero que você se sinta livre comigo, que não alimente esse medo de me perder porque isso simplesmente não vai acontecer. Uma relação é baseada em muitas coisas e confiança é uma base fundamental. 

– Eu confio em você, Marcela. Mas poxa, já fiquei anos longe de você por um erro estúpido meu. Eu me senti insegura de você não acreditar em mim, o que seria compreensivo depois de tudo o que aconteceu.

Fiz um carinho em seu rosto observando o quanto ela era linda. E sentindo o quanto ela era tudo que eu precisava. 

– O que aconteceu no passado, eu deixei de lado a partir do momento que abri espaço para você entrar na minha vida novamente. Se hoje estou com você, é porque quero fazer dar certo e isso significa que confio em você. Não quero que se sinta insegura quanto a isso. 

Um sorriso lindo surgiu nos lábios daquela mulher e eu não pude deixar de sorrir junto. Era maravilhoso poder ser presenteada com aquele sorriso e ainda mais maravilhoso era ser o motivo dele. 

– Me desculpa, meu amor. Prometo que isso não voltará a acontecer. – Puxei Hanna para meu colo e senti o cheiro do seu pescoço. – Ei, não faz isso. Ainda precisamos ir trabalhar e deixar uma mocinha na escola. 

– Eu não consigo resistir ao seu cheiro. – Falei já distribuindo beijos por aquela região vendo sua pele arrepiar. – Precisa mesmo ir trabalhar hoje? Eu aposto que Gabi vai adorar faltar aula. 

– Marcela, eu não quero dar motivos para falarem de mim, só porque namoro uma das donas da empresa. – Ela me olhou como se me repreendesse por cogitar a ideia de ficarmos em casa em pleno meio de semana. – E para de dar essas ideias. Aquela mocinha já adora cogitar não ir a escola. Ela não precisa mais de um incentivo.

– Não falei por isso, amor. Apenas sei que ontem foi um dia agitado. – Hanna voltou para a sua cadeira adotando um olhar triste. – Como você está se sentindo com isso?

– Eu estou com medo disso tudo, não vou negar para você. Mas eu não posso me entregar a isso. Eu preciso seguir com minha vida normalmente, até mesmo para Gabi não ser afetada de alguma forma.

Minha namorada colocou as mãos na cabeça e pude ver o quanto estava sendo difícil para ela enfrentar aquela situação.

– Você não precisa passar por tudo isso sozinha, ok? Agora eu estou aqui. – Ela me olhou com um pequeno sorriso nos lábios. – Além disso, sua família e nossas amigas também estão com você. Eu te prometo que esse desgraçado não vai fazer mal a você nem a Gabi.

– Você é maravilhosa! Só em te ter ao meu lado nesse momento, já consigo me sentir mais em paz. – Me fez um carinho em minha mão que estava sob a mesa e em seus olhos encontrei ternura. 

– Você já pensou na questão do segurança para a Gabi? Eu sei que ela é só uma criança, mas é para o bem dela e tenho certeza que você conseguira ficar mais tranquila sabendo que ela está protegida. 

Hanna suspirou parecendo um pouco relutante, e eu entendia seu lado. Gabriela era apenas uma criança de quatro anos, que até então vivia o prazer da liberdade, mas agora estava correndo perigo com um psicopata à solta que ninguém sabia por onde começar a procurar, e que poderia sim fazer mal a pequena. 

– Tudo bem, vamos fazer como você quer. Mas não quero que isso afete a liberdade da minha filha, certo? Eu quero que ela continue se sentindo uma criança normal. 

– Não se preocupe, vou contratar o melhor segurança para ela e me certificar que as coisas sejam do seu jeito. Além disso, vamos estar cada vez mais presentes ao lado da nossa pequena. Ela não vai se sentir diferente, confia em mim.

Beijei seus lábios lentamente até que uma vozinha sonolenta entrou na cozinha atraindo nossa atenção. 

– Bom dia, mamãe. 

Gabi entrou na cozinha e correu para o colo de Hanna, que a abraçou forte como se pudesse proteger a pequena de qualquer perigo só com aquele abraço.

– Ei, e eu não ganho abraço também não mocinha?

A menina me olhou com uma carinha sonolenta e abriu os bracinhos para que eu pudesse segurar. 

– Bom dia, mãe Marcela. – Seus pequenos braços cercaram meu pescoço e um beijo estalado foi depositado no meu rosto. 

– Bom dia, meu amor. Você dormiu bem? 

– Dormi sim! É tão bom dormir com vocês duas. 

– É muito bom ter você na nossa cama minha princesa. Eu te amo muito, Gabi. – Falei a abraçando de novo com os olhos conectados aos verdes de Hanna que nos observava com uma emoção contida.

– Eu também te amo, mãe.

Tanto eu quanto Hanna, nos emocionamos com a afirmação da garotinha. Aquela foi à primeira de muitas vezes que Gabi disse que me amava, e isso aquecia meu coração.

 

…

 

Depois de deixar Gabriela na escola, eu segui com Hanna para a empresa. Ela estava parecendo melhor, embora algumas vezes eu a tenha pegado olhando assustada para a rua como se estivesse buscando por alguém. Nesses momentos, eu apenas segurava mão com firmeza, tentando passar a confiança de que estava tudo bem.

Assim que chegamos à empresa, a primeira coisa que fiz foi resolver a questão da contratação de um segurança para Gabi. Chamei o Matheus, em minha sala, ele era o responsável pelo setor de segurança da empresa, homem da nossa confiança e o mais antigo da nossa equipe. Repassei para ele toda a situação ocultando as partes pessoais que envolvesse o passado da minha namorada, mas para o serviço era importante que ele entendesse o que exatamente eu precisava. 

– Então, Matheus. Conseguiu entender o problema? 

– Sim, senhora. Irei providenciar o melhor dos meus homens, mas como é um caso de segurança pessoal, a contratação fica mais cara. 

– Dinheiro não é problema. Apenas cuide de ser o melhor dos melhores. Quero disponibilidade em tempo integral, e que principalmente, seja bom de mira. 

– Sim, senhora. Irei providenciar e logo o trarei até aqui. 

– E Matheus. – O homem parou no caminho e voltou a me olhar. – Precisa ser alguém que saiba ser discreto. Estamos falando de uma criança, eu não quero que ela se sinta amedrontada ou privada de agir naturalmente como qualquer criança, entendeu? 

– Pode deixar, dona Marcela. Tenho a pessoa certa para esse trabalho. 

– Ótimo! Agora vá e retorne com o que preciso. 

Eu não sabia quem era o homem que no passado fez mal à Hanna, mas duas coisas eu tinha certeza: Ele jamais ousaria tocar nela novamente, e se caso ele tivesse a ousadia de aparecer, eu estaria pronta esperando por ele.

Fim do capítulo


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