• Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Cadastro
  • Publicar história
Logo
Login
Cadastrar
  • Home
  • Histórias
    • Recentes
    • Finalizadas
    • Top Listas - Rankings
    • Desafios
    • Degustações
  • Comunidade
    • Autores
    • Membros
  • Promoções
  • Sobre o Lettera
    • Regras do site
    • Ajuda
    • Quem Somos
    • Revista Léssica
    • Wallpapers
    • Notícias
  • Como doar
  • Loja
  • Livros
  • Finalizadas
  • Contato
  • Home
  • Histórias
  • Dolce Felicitá : Pequenas Doses de Amor
  • Capitulo 03

Info

Membros ativos: 9620
Membros inativos: 1625
Histórias: 2001
Capítulos: 21,175
Palavras: 53,726,301
Autores: 817
Comentários: 109,191
Comentaristas: 2603
Membro recente: Photos for my escort applicati

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Notícias

  • O e-book do Desafio das Imagens do Lettera — Maio de 2026 chegou!
    Em 25/06/2026
  • Desafio das Imagens 2026
    Em 23/04/2026

Categorias

  • Romances (890)
  • Contos (478)
  • Poemas (237)
  • Cronicas (233)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Recentes

  • Meu algodão doce
    Meu algodão doce
    Por Scrafeno
  • ObsessivaMente
    ObsessivaMente
    Por Elin Varen

Redes Sociais

  • Página do Lettera

  • Grupo do Lettera

  • Site Schwinden

Finalizadas

  • Ela não é a minha tia
    Ela não é a minha tia
    Por alinavieirag
  • Presente Do Destino
    Presente Do Destino
    Por Rosa Maria

Saiba como ajudar o Lettera

Ajude o Lettera

Categorias

  • Romances (890)
  • Contos (478)
  • Poemas (237)
  • Cronicas (233)
  • Desafios (182)
  • Degustações (28)
  • Desafio das imagens 2026 (7)
  • Natal (7)
  • Resenhas (1)

Dolce Felicitá : Pequenas Doses de Amor por jmalchanceux

Ver comentários: 2

Ver lista de capítulos

Palavras: 5136
Acessos: 145   |  Postado em: 08/06/2026

Notas iniciais:

Oi! Tudo bem? Acho que saiu um pouco mais longo do que esperado, estou cuidando de uma recém nascida e isso está me fazendo me empolgar quando tenho tempo para escrever, ou seja, tudo isso foi escrito entre as sonequinhas dela. Espero que gostem!

Capitulo 03

- A senhora tá tão bonita, mamãe! - Theo sussurra maravilhado, então coloca o rosto entre as mãos lhe admirando com um brilho nos olhos.

- Você acha mesmo? - pergunta ela com insegurança, geralmente não se veste assim, nunca sai de casa também, seu diário é dedicado ao negócio e ao filho.

- Sim, sim, sim! Muito bonita!

Marcela rodopia e encara o reflexo do espelho, um vestido azul marinho agarra suas curvas nos lugares certos, o tecido é coberto por um tule cortado na transversal acompanhando a forma da barra, o charme é a frente única. Achou que se fosse de blusa e jeans estivesse sendo casual demais, assim como seus vestidos de verão, então por fim decidiu usar a peça que estava no armário desde a colação de grau do ensino médio de Luísa. O cabelo escuro está parcialmente preso, mechas onduladas destacando a forma oval do rosto, não tem paciência para alisar ou estilizar, além disso, gosta do aspecto natural. Desde criança não tem uma definição certa para seu cabelo, a raíz é lisa e termina em ondulações incertas, algumas até mesmo cacheadas, se estiver com sorte. 

Theo herdou o mesmo tipo de cabelo, alguns tons mais claro. Pelo menos isso, ela pensa enquanto passa o protetor labial. Em personalidade eles são muito parecidos, não pode dizer isso fisicamente. Seus olhos são castanhos escuros, Diana os descreve como terra molhada pós chuva, já Theodoro tem olhos em um tom opaco e suave de verde. Uma vez, procurando tintas para a reforma da casa, descobriu o nome da cor tão dócil: capim cidreira. Às vezes, como agora que a assiste com admiração, tem um toque azulado assim como os de Diana. Quando a conheceu não tinha certeza se os olhos dela eram verdes ou azuis, parecia depender do seu humor ou clima, mesmo após anos não consegue dizer com toda certeza, mas acredita que são verdes. A ruiva e o afilhado compartilham mais do que isso, ambos têm o que Marcela considera características de pássaro: olhos ternos, expressivos, atentos e levemente separados, nariz fino e delicadamente pontudo, traços angulares, leves, adoráveis. Todos brincam que ela fez Tetéo pensando na melhor amiga, nunca admitiria que eles não estão totalmente errados, já que ela só aceitou aquela proposta insana porque o homem, no final das costas, realmente lembrava a Diana, até poderia dizer ser uma versão masculina dela.

- Mamãe, eu não posso ir junto? - o menino pergunta fazendo um biquinho fofo e rola na cama para ficar de pé, indo até seu lado para lhe abraçar pela cintura - Eu prometo que vou me comportar.

- Ah,  meu amor, eu te levaria, mas é um lugar só para adultos.

- A casa do vovô Romeu só tem adultos e eu posso ir. - ele rebate entusiasmado e nem percebe a mãe ficar tensa, ainda se sente culpada por isso, mas não conseguiu sair de casa duas noites atrás, mesmo já estando vestida, não conseguia lhes encarar depois de saber do noivado de Diana e que isso seria anunciado - E o titio vai junto, então eu também posso.

- Mas titio é adulto, assim como a mamãe e estamos indo a um lugar onde crianças não podem entrar. - ela explica pacientemente e se agacha para que fiquem na mesma altura - Lembra que falamos sobre crianças não poderem dormir tarde?

- Sim, sim, crianças que dormem tarde nunca crescem.

- E?

- Eu quero ser alto igualzinho titio. - ele sussurra decepcionado por cair nos próprios argumentos - Mas é só uma noite, mamãe.

- Mesmo assim, você não quer ser mais alto que seu tio? - o menino acena positivamente em expectativa, não a toa, Marco tem 1,94 de altura e o eleva acima da cabeça em suas brincadeiras de aviãozinho como se não fosse nada - Então você tem que dormir cedo todos os dias, comer salada e frutas.

- E fazer esportes! - ele acrescenta, está indo muito bem neste quesito.

- Então nada de acompanhar a mamãe, tá bom?

- Tá bom!

Ele acena avidamente e se senta na poltrona da penteadeira, usando todos seus neurônios para encontrar algum argumentos que possa usar em batalha, já que ainda não se dá como vencido, afinal, tem que fazer jus a sua fama de teimoso. Foi traquinando e planejando que a convenceu a lhe deixar fazer parte dos escoteiros, o presenteou com um skate no último aniversário e o deixou acampar na fazenda. Talvez não fosse bem um acampamento, apenas lhe deixou dormir na barraca do lado de fora da casa, supervisionado por Luísa. Ainda assim, foram vitórias.

- Mamãe, posso jogar Minecraft?

- Sim, mas não é para comprar nada no jogo, nem baixar mais jogos, meu celular já está começando a travar. - Marcela lhe entrega o seu aparelho, já que não permite que ele possa ter um próprio - Vou ao banheiro rapidinho, se comporte!

E é claro que Theo apronta.

 

Uma hora depois, Marcela se encontra na entrada do Galeria Bar, próximo ao centro da cidade. As paredes de madeira escura parecem querer remeter a uma estética que ela não sabe definir qual, há cercas de toras que encontram dois pilares de rostos esculpidos, onde um par de seguranças se posicionam. São dois andares, o segundo piso com uma pequena varanda e um deck lateral, mobiliado por mesas de carretel, plantas e varais de lâmpadas. Lembra de ter visitado o lugar na época da faculdade, mas era diferente, simples e usava-se mesas e cadeiras de plástico. Beatriz quem a levou e pagou por seu primeiro drink. Esperava encontrar universitários, assim como na sua época, mas há dezenas de grupos formados por pessoas de sua idade e mais velhos.

- Pelo menos a decoração melhorou. - murmura ao finalmente entrar e tenta não bufar em frustração, está cheio e escuro, iluminado por luzes amarelas baixas.

Todas as paredes são cobertas por quadros emoldurados de tamanhos diversos, com um tema em comum: rock. Não apenas as paredes, cada pilar também, com registros dos astros do gênero musical, Elvis pisca para ela da porta do banheiro masculino e no feminino Janis sorri e parece lhe encarar por trás dos característicos aros redondos. O balcão é longo e as bartenders atendem aos pedidos com rapidez, lhes entregando discos que anunciam quando estes estiverem prontos. Um pequeno palco em frente  O cheiro de gordura, álcool e muito perfume inundam seus sentidos assim que atravessa o salão, sem sinal de Marco ou algum rosto conhecido. Nenhuma mensagem é respondida e tem quase certeza de que acaba de levar um bolo do próprio irmão.

- No segundo andar não atendemos por mesa, é tudo no balcão. - explica a garçonete ao vê-la começar a subir as escadas, em um corredor estreito demais para duas pessoas passarem ao mesmo tempo.

- Tá bom, obrigada!

A situação do segundo andar lhe dá algum alívio, está quase vazio e parece ter sido revitalizado recentemente. Ainda tem as mesmas fotografias de cantores e bandas, mas em uma quantidade aceitável, televisões passam algum tipo de canal de esportes sem volume, mesas de sinuca espalhadas, máquinas de pelúcia e, para sua alegria, duas de fliperama. 

Verificando o whatsapp uma última vez, sem respostas, caminha até uma área isolada e cheia de poltronas com uma mesinha ao centro. Cada segundo que passa é uma razão para chamar um Uber e voltar ao conforto de sua casa, na companhia de seu filhote e esquecer um pouco da longa semana que passara. Está prestes a mandar uma mensagem para a babá avisando que logo voltaria, impedida por alguém lhe tomando o aparelho e posicionando um grande copo na borda da mesinha. 

- Marco! - seu tom é repreensivo, mas não evita um sorriso, pelo menos não foi largada as traças e sozinha nesse lugar.

- Você já estava arranjando uma desculpa para ir embora, eu te conheço muito bem, Celinha.

E ele está certo, afinal, ela não é uma grande fã de eventos sociais e evita o máximo que pode, se limitando aos familiares e aos que realmente precisa comparecer em relação a cafeteria. Desta vez também tinha uma desculpa: o atraso de quase vinte minutos do irmão e seu pequeno grupo de amigos, que começa a jogar em uma das mesas de sinuca livres.

- Vamos pegar umas iscas de frango, talvez a bebida da casa, o que você vai querer?

- Batata frita e… - tenta lembrar-se do nome do drink que experimentara uma vez, doce e cheio de calda de morango - Beijo na Boca, se eles ainda fazem.

- Achei que nunca tivesse vindo aqui antes.

- Marco, a cidade não é tão grande e já tive sua idade. - ela dá de ombros e coloca o celular na bolsa, as pontas dos dedos coçam para recuperá-lo imediatamente.

- Hum, depois você tem que me contar mais.

O rapaz vai até o balcão, paga e, ao invés de se juntar a irmã, se posiciona ao lado da mesa de sinuca, agarrando um dos tacos em uma partida de grupo. Duda o abraça e recebe um chamego rápido, antes dele se virar para Marcela e sinalizar para que os acompanhe.

- Cara, você mal sai de casa e faz um tempão que estamos tentando marcar algo. - Eduarda abre um sorriso desconcertado, tem certeza de que a cunhada não gosta dela.

- Ando muito ocupada. - não é totalmente mentira, mas não chega perto da verdade, quer que eles tenham mais alguns meses de relacionamento para incluí-la em seu círculo social e ao do filho - Como anda a faculdade? Quase terminando?

- Só mais três semestres, mas acho que vou ter que fazer um a mais, reprovei numa cadeira. Meu pai vai me matar! E nem dá para esconder ou refazer durante os outros semestres, agora tenho os estágios e o TCC batendo na porta, sabe?!

- Sei! É complicado!

- Nem me diga! Aliás, a tua sócia é irmã da Luísa Albuquerque, né?! Cabelo castanho claro, pintinhas no rosto, dirige um fusquinha azul?! Acho que ela é de Letras.

A morena se prepara para o que acha ser mais uma piada espirituosa em forma de reclamação sobre todos os socos que levou por causa do carro clássico que a garota faz questão de estacionar em locais estratégicos em prol de violência gratuita.

- Ah sim, é irmã da Diana mesmo, a caçula.

- Então, ela está na monitoria com a Neyla, elas são tipo assistentes da minha orientadora. Ela é uma pessoa legal? Sei lá, tem uma carinha de esnobe.

- Ah não, a Lu não tem nada de esnobe, pelo contrário. - isso é o suficiente para tranquilizar Duda, que finalmente lhe entrega um taco e volta toda a atenção ao namorado.

A partida é rápida, considerando que todos sabem como jogar, exceto Marcela, que desfruta da vitória pelos pontos que seu irmão dá ao time e não precisa pagar por sua parte da conta na primeira rodada. E acaba de fora da segunda justamente pela falta de talento. Não que ela reclame de ter que ficar longe de uma roda de universitários com quem não tem nada em comum.

- Tem certeza de que vai ficar bem? - questiona Marco ao lhe acompanhar até a área das máquinas.

- Tenho sim! Eu te agradeço por me tirar de casa, mas eu realmente não estou no clima.

- E está tudo bem, eu imagino como você está sofrendo agora. - ele tenta esconder a irritação, o que é impossível considerando o quanto odeia Diana agora mesmo - Nós vamos para casa de Uber, se quiser rachar, mas já aviso que vamos demorar um pouco.

- Acho que eles não aceitam seis pessoas em um carro só.

- Você me entendeu.

Marcela acena negativamente e se volta para o fliperama, há anos não jogava em um, este é novo em folha e é temático do Mortal Kombat assim como os jogos que possui, um deleite para sua criança interior que quase zerou no Super Nintendo. 

- E, maninha, a Fernanda não para de olhar para você. - a garota, de mais ou menos a idade de Marco, os encara ansiosamente e sorri de forma desajeitada quando seus olhares se encontram por um breve segundo - Dá uma chance, socializa.

- Ela é uma criança. Tem o quê? No máximo 20 anos? - ela zomba e se esconde atrás do corpo do irmão, desconfortável - Eu tenho quase o dobro de idade, não vai rolar.

- Você é muito exigente, talvez, se desse uma chance a coisas, você superasse a…

- Aqui não, Marco! E eu vou tentar socializar, okay? Apenas me dê um tempo. - Marcela murmura com certa impaciência e lhe dá as costas, procurando a carteira dentro da bolsa.

- Vou ficar de olho, qualquer coisa me chame.

Após um último suspiro, que ela não sabe definir se é por pena ou frustração, Marco lhe deixa em paz. A teimosia parece correr nas veias dos Martins, não importa a idade ou gênero, apenas um pode derrotar o outro e raramente existe um acordo. Ela sabe que ele não lhe deixará em paz até ter uma conversa de mais de cinco minutos com uma estranha ou alguém de seu grupo de amigos, o que não vai acontecer de jeito algum. Olhando rapidamente ao redor, percebe que não tem ninguém que possa lhe despertar interesse, o que torna a missão dez vezes pior. 

- UMK3 é melhor… - uma voz sussurra por trás de seu ombro quando está prestes a escolher o MK2 - Olá, Marcela!

A última pessoa que ela esperava encontrar ali, mas talvez não devesse, é Lilia. Elas mal haviam se comunicado sobre a batida de carro devido a correria da semana, trocando mensagens formais para resolverem o que podem sobre seus respectivos veículos e também sobre os cães.

- Oi, olá, quero dizer, oi… - Marcela murmura desconsertada, acaba de lembrar que não chegou a responder a última mensagem - Como você está? E quanto a Mel e os filhotinhos?

Tentando ser discreta, repara em como ela parece estar usando o mesmo tipo de roupa que usara naquele dia, exceto pelas botas de salto e uma camiseta estampada do Led Zeppelin, acompanhada da bengala. Não usa maquiagem e a franja está presa por grampos, a fazendo parecer mais madura.

- Eu estou bem, eles também e muito! Esqueci de te atualizar, mas Mel deu negativo para todos os exames e os filhotes até mesmo ganharam peso. Todos sem a doença do carrapato, aliás. - a morena informa animadamente e tira o próprio aparelho do bolso para lhe mostrar fotos da pequena família - O da direita é o Alípio, da esquerda é o Caco e a do meio é a Lilica.

- Espera, você os nomeou com personagens do Cocoricó?

- É claro! Você tem que concordar que são ótimos nomes! - Lilia se defende e descansa o corpo contra a máquina de pelúcias.

Marcela ergue as mãos em rendição e acena positivamente, se fosse ela teria feito algo parecido. Theo teria feito pior, ele nomeou cada animal na fazenda e o caseiro agora tem uma gata chamada Ágata. 

- Perdeu a chance de chamar Caco de Astolfo. 

- Hum, não gosto muito da ideia de irmãos com a mesma inicial. - a mulher se endireita para que alguém que sai da área de fumantes possa passar no pequeno corredor de máquinas - E Lilica se sentiria isolada.

- Lilica parece uma versão do seu próprio nome. Ela não se sentiria tão isolada assim. - Marcela brinca e esquece-se completamente de seu jogo, começando a ser absorvida pela conversa casual.

- Você tem um pouco de razão… - ela faz um biquinho pensativo e encara os olhos castanhos divertidos da empresária - Tá, você tem razão. 

- E não é tão ruim assim ter nomes com as mesmas iniciais, meu irmão e eu compartilhamos a inicial, acho que no nosso caso é pior: temos muitas letras similares. - ela dá de ombros, havia um padrão de sua mãe ao lhes nomear - Marco e Marcela.

- Conseguiu superar a minha família, quase todas as minhas irmãs têm nomes que começam com L, mas não são tão parecidos. 

- Mamãe se superou, ela era Marina.

- E seu pai?

- Marcondes.

- Não me diga que vocês andavam de camisetas combinando e tudo. - a expressão divertida, mas ruborizada, de Marcela responde a questão sem precisar de palavras - Brega, do melhor jeito possível, aposto que era muito fofo.

- Era muito fofo mesmo, mas não quando se é adolescente, as viagens eram uma tortura para mim. - quais ela daria tudo para vivenciar novamente - Família MarMar.

Lilia sorri genuinamente e compreende a melancolia por trás das palavras dela, chegando a conclusão de que estão falecidos. Não sabe o que falar, além do clássico “sinto muito”, mas não sente que seja adequado ou o momento certo para isso. Não consegue imaginar qual é a dor de perder um dos pais, muito menos perder ambos.

- Porque UMK3?

- Mecânicas melhores e gosto de combar. Mas prefiro o elenco do 2, me dá uma…

- Nostalgia! - Marcela complementa animadamente - Mas se você não souber os combos, fica na mão.

- Ainda bem que eu sei. - a morena diz de forma convencida e se aproxima da máquina, apertando os botões, por fim para com a carteira digital - E, se quiser, posso te ensinar.

- Eu adoraria!

Ela responde animadamente, mesmo que tenha cada combo e fatality, por mais decepcionante que sejam, na memória. Poderia ter lhe dito isso, mas, por alguma razão, decide por não. Lilia abre um sorriso ainda mais convencido e assume os controles, escolhendo Liu Kang, fazendo uma breve reclamação de como este não tinha seu personagem favorito.

- Bem, era exatamente por isso que eu estava prestes a escolher o segundo, Raiden é meu favorito. - Marcela faz biquinho e se aproxima timidamente, para então ser puxada pela mais alta e seu corpo é colocado entre a máquina e ela, assim podendo lhe instruir quais botões e sequências usar - Este e este juntos?

- Sim, agora os aperte juntos…

Não há como Marcela não corar, consegue sentir o hálito suave contra sua bochecha e o perfume doce invadir suas narinas, fazendo-a esquecer de todos os outros cheiros que lhe incomodam. As mãos macias cobrem as suas, surpreendentemente pequenas em comparação com as de Lilia, e a guiam através do jogo. Em questão de minutos seu cérebro sente aquela sensação de andar de bicicleta, se aprende uma vez e nunca esquece, com a pequena aula, qual a leva a derrotar uma dúzia de personagens antes de morrer lindamente ao tentar aplicar um dos combos mais difíceis.

- Achei que você não sabia. - a morena brinca e se afasta, o que faz Marcela suspirar, estava gostando da proximidade.

- Eu apenas estava enferrujada. - admite ela, envergonhada.

- Finalmente achei alguém à minha altura. 

Lilia inclina a cabeça e parece pensativa por um segundo, logo dissipando qualquer coisa que tenha surgido. Ela tenta jogar uma partida sozinha, depois entrega para a parceira de jogo e assim desistem na terceira tentativa frustrada.

- Acho que também estou enferrujada. - também admite - É mais fácil ensinar do que fazer, perdi minhas habilidades.

- Ah, você ainda deve ter algum tempo antes de enferrujar de verdade, como eu.

- As aparências enganam, bebê. - ela afasta uma mecha do cabelo negro para trás do ombro e sorri - Eu não sou tão nova assim.

- Hum.. eu te daria no máximo 30 anos. 

- Isso foi um flerte ou um chute? 

A pergunta é seguida de uma risada alta e uma girada no mesmo lugar, apoiada pela fiel bengala, como convite para outro chute.

- Talvez 34?

- Perto. - outro giro.

- Eu não sei, talvez 36?

- Vou parar de te torturar, tenho 38 anos. Completo 39 em maio. - Lilia conta com certo orgulho e faz uma pose graciosa - É a mágica do protetor solar.

- Não dá para acreditar nisso, tipo, eu tenho 37 e não chego perto de estar conservada assim.

- Marcela, Marcela, não seja tão modesta. Você facilmente seria confundida com uma dessas universitárias. 

Acidentalmente a mulher aponta para o grupo de amigos de Marco e isso chama a atenção dele, que passa a fazer caretas tentando se comunicar com a irmã de alguma forma, sua curiosidade falando mais alto, mataria para saber quem conseguiu fazê-la se soltar com tanta facilidade, o que seus amigos não conseguiram em mais de uma hora tentando.

- E nem ouse negar. - complementa em um tom mandão - Estou afim de pedir algo para beber, quer mais um drink ou cerveja?

- Quero um Beijo na Boca! - ela pede animadamente e percebe o duplo sentido da pequena sentença, correndo para corrigir, ao mesmo tempo abre a bolsa para pegar o celular  - O drink, eu quero o drink.

- É uma pena! - Lilia brinca e a impede de vasculhar a bolsa, afastando sua mão gentilmente - Eu pago! Quer algo para comer?

- Fritas?

- Eu estava pensando na mesma coisa. 

Assim que Lilia caminha até o balcão, Marcela finalmente se permite relaxar contra a lateral da máquina de fliperama. O sorriso permanece em seus lábios mesmo após vê-la desaparecer entre as pessoas. Talvez Marco estivesse certo, talvez sair de casa não fosse tão terrível e dar uma pausa pode trazer bons frutos, esperados ou não.

Seu celular vibra dentro da bolsa. Pelo menos três vezes até finalmente lhe alcançar na pequena bagunça organizada, há cerca de 17 notificações, ela franze o cenho e estranha, além das mensagens típicas de grupo e atualizações da babá há quatro de Diana. A mesma pessoa que vem a evitando nos últimos dois dias, desde que decidiu não comparecer ao jantar semanal.

Marcela arqueia uma sobrancelha e não sabe o que ela quer com mensagens tão impessoais como um boa noite genérico, seguido da pergunta “Tudo bem?” e “O que está fazendo?”, para terminar com “Desça.”.

“Não estou em casa.” é tudo o que responde, provavelmente a ruiva está lhe procurando pós bebedeira ou para discutir os últimos acontecimentos, geralmente ela demora dias para assimilar sentimentos.

“Eu sei.” a empresária responde e ela lê como se estivesse a ouvindo ao seu lado, mandona, direta e impaciente “Desça.” agora ela tem certeza de que está impaciente, odeia ter que repetir.

Marcela imediatamente assume que é um blefe, não há chances dela saber onde está e muito menos estar lhe esperando na rua do bar. Ela solta uma risada sem humor, Diana desaparece por quarenta e oito horas, ignora mensagens, até mesmo relacionadas a trabalho, a deixa remoendo sozinha a história do noivado e, de repente, resolve agir como se pudesse dar ordens. É claro que sua volta triunfal é dramática assim.

“Vá para sua casa, para Amauri.” digita rapidamente, as bolinhas aparecem de imediato.

“Não.”

“Eu estou falando sério, Diana.”

“E eu também estou, Marcela.”

Ela não responde e está prestes a guardar o aparelho novamente, mas outra mensagem chega antes que possa fazer isso.

“Desça.”

Marcela revira os olhos e silencia o contato, finalmente guardando o celular na bolsa. Não vai cair nessa. Se Diana realmente estivesse ali, já teria ligado. Ou aparecido em pessoa, para lhe carregar para fora do estabelecimento. É apenas Diana sendo Diana: Mandona. Irritantemente mandona. E dessa vez ela se recusa a obedecer, muito menos ceder.

Logo Lilia retorna, equilibrando uma bandeja com o drink, duas cervejas e uma porção generosa de batata frita. É um alívio, o assunto morre ali e ela está mais do que feliz  em continuar sua noite em sua companhia.

- Então, outra partida de Mortal Kombat? - a morena questiona com animação, colocando os itens na bancada divisória da área de lazer.

- Hum, eu estava pensando em tentar o MK2 agora ou mudar para uma dessas máquinas de pelúcias.

- Para sua sorte, sou boa em ambos. - Lilia estala os dedos em aquecimento e se posiciona, pronta para exibir-se.

Passam mais quarenta minutos entre conversas, risadas e uma disputa vergonhosa, porém acirrada, no fliperama. O segundo drink vira meio terceiro, o prato de fritas é esvaziado e Marcela é convencida a tentar um pouco de cerveja escura. Não é o suficiente para deixá-la bêbada, apenas leve. O bastante para esquecer as mensagens e os problemas por trás delas.

- Tem gosto de café queimado. - declara após um segundo gole generoso.

- Só nas primeiras vezes. E você parece mais inclinada aos doces. - a morena aponta para a taça pela metade, o gelo derretendo e fazendo o vidro suar - Parece enjoativo.

- Nem tanto. Você deveria tentar.

Sem pensar duas vezes, Lilia se aproxima e captura um dos canudos com os lábios volumosos, que se tornam levemente vermelhos pela calda de morango que acompanha a vodca. Ela nem mesmo faz careta quando o álcool atinge as papilas depois do doce tomar conta, na verdade, isso a faz sorrir e sugar mais um pouco, fechando os olhos para ampliar as sensações e chegar a um veredito.

- Não é tão ruim assim.

- Tenho que concordar. - ela cantarola e se afasta brevemente, puxando sua jaqueta de couro pelos ombros, o ambiente está cada vez mais abafado e a bebida ajudou a aquecer o corpo - Qual você quer tentar agora?

- As pelúcias? Theo ama elas, mas eu nunca consegui ganhar alguma para ele. - pela primeira vez na noite ela cita o filho e quase pode ouvir Marco, agora desaparecido, comemorar esse feito.

- Seu sobrinho?

- Filho, ele tem seis anos.

A revelação não traz nenhum esboço diferente no rosto de Lilia, geralmente, quando ainda tinha encontros, essa informação assustava quaisquer pretendentes, ou amizades. Depois de engravidar, ela chegou a perder algumas amizades antigas da faculdade por não poder sair com a mesma frequência e até foi acusada de viver apenas em torno do menino.

- Nesta noite iremos conquistar algumas para Theo! - a morena declara e ergue a garrafa de cerveja, dando um gole generoso - Antes de tudo, vamos analisar quais ele pode gostar e quais estão mais fáceis. Tenho que te ensinar estratégia, bebê.

A dupla escolhe seus alvos e começa sua missão, ao mesmo tempo em que a banda toca sua primeira música no térreo, mas estão absortas demais para perceber. As primeiras tentativas por conta própria são fracassadas, depois Lilia lhe ensina os macetes que conhece e aos poucos enche os braços de Marcela com pelúcias de diversos tamanhos.

- Você poderia ao menos ter me deixado pagar pelas jogadas dessa vez. 

- Eu faço questão, além disso, você precisa economizar para pagar o conserto do seu carro. - Lilia arrisca ao fazer a piada e sorri ao conseguir arrancar uma risada quase escandalosa dela, atribuindo parte a seu humor e parte ao álcool que faz as bochechas e pescoço corarem - Mas eu aceito o Elmo como troca.

- É justo.

Marcela lhe entrega a pelúcia vermelha, a mais difícil de conseguir, e equilibra o resto em um braço. Ainda não acredita na quantidade que conseguiram e a facilidade que a morena obteve, é como se a sorte estivesse sempre a acompanhando.

A banda começa a tocar a segunda música e Lilia se anima imediatamente, cantarolando a melodia como se a conhecesse de cabeça.

- Ah, preciso descer, minha melhor amiga está na banda e prometi que iria assistir. - ela avisa com certa tristeza, está gostando de sua companhia, mas já perdeu a primeira e Gisele vai a matar se não estiver presente na segunda, então pergunta esperançosamente - Quer ir comigo?

- Não sei se quero estar no meio daquela multidão. - a sinceridade surpreende Marcela, raramente fala o que pensa ou diz não - Sinto muito!

- Está tudo bem, eu também não gosto, mas é minha amiga. - Lilia dá de ombros e não parece querer se despedir - Vai ficar aqui?

Uma breve olhada no relógio faz a empresária suspirar, já está próximo do horário de liberar a babá e seu irmão provavelmente já foi para casa ou está espremido assistindo a banda.

- Acho que tenho que ir para casa. - confessa em um sussurro envergonhado, é quase meia noite.

- Eu te acompanho, Cinderela! - a outra se prontifica e bebe o último gole da cerveja antes de guiar o caminho para uma saída sem ter que precisar passar pela multidão - Adoro esse deck, é tão fresquinho.

- É congelante! - Marcela esfrega os braços em busca de algum calor, o vento assobia e faz os pelos dos braços se arrepiarem.

- Tome… 

Lilia lhe entrega a jaqueta de couro que usava antes, o interior é peluciado e, assim que a peça desliza sobre seus ombros, a envolve em um calor reconfortante. O perfume ainda está presente no tecido, mas ela também consegue sentir traços de cigarro e deduz de onde ela saíra para aparecer daquela forma, sem ser vista.

- Obrigada!

- De nada, bebê! Vai chamar um Uber?

Ela está prestes a confirmar, quando seus olhos capturam o Volvo XC60 preto estacionado no outro lado da rua, tenta dizer a si mesma que pode ser qualquer um, mas o arranhão na lateral feito por Theo semanas atrás não deixa dúvidas. É Diana. Esperando-a ali, por todo esse tempo.

- Hum, na verdade, estou de carona.

- Me mande mensagem quando chegar. - Lilia sorri e se aproxima, lhe dando um beijo rápido na bochecha - Boa noite! Se cuide!

- Você também!

Ela sabe que deveria estar com muita raiva, entretanto, o cansaço por ter que lidar com esses jogos mentais é maior do que qualquer coisa. Estava tendo uma boa noite, finalmente longe dela e de todos os problemas que criaram para si, estava realmente se divertindo. Se distraindo. E considera Diana ainda mais egoísta por ousar aparecer justamente neste dia, neste momento.

- Eu falei que estava lhe esperando. - é a primeira coisa que a ruiva diz ao abaixar os vidros escuros.

- Oi, mamãe! - Theo diz animadamente, então ela percebe o filho na cadeirinha de trás, com um grande pacote de biscoito de polvilho vazio e um sorriso vitorioso.

- Bem, nosso menino é muito inteligente.

- O que quer dizer? - Marcela tem medo da resposta, pois conhece muito bem o gênio de Theodoro e o quão articulado ele pode ser.

- Eu liguei pra Dinda. - declara com orgulho e encara Diana, que abre um sorriso cúmplice.

 

- E eu vim buscar você.

Fim do capítulo


Comentar este capítulo:
[Faça o login para poder comentar]
  • Capítulo anterior

Comentários para 4 - Capitulo 03:
Lea
Lea

Em: 09/06/2026

Já estou amando a Lilia.

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Lea
Lea

Em: 09/06/2026

Como amei esse capítulo!

THEODORO é um fofo e fofoqueiro. Garoto,deixa a mamãe se divertir um pouco.

Diana,como pode usar o afilhado assim. Ela foi irresponsável,por já saber a rotina do Theo.

Responder

[Faça o login para poder comentar]

Informar violação das regras

Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook:

Logo

Lettera é um projeto de Cristiane Schwinden

E-mail: contato@projetolettera.com.br

Todas as histórias deste site e os comentários dos leitores sao de inteira responsabilidade de seus autores.

Sua conta

  • Login
  • Esqueci a senha
  • Cadastre-se
  • Logout

Navegue

  • Home
  • Recentes
  • Finalizadas
  • Ranking
  • Autores
  • Membros
  • Promoções
  • Regras
  • Ajuda
  • Quem Somos
  • Como doar
  • Loja / Livros
  • Notícias
  • Fale Conosco
© Desenvolvido por Cristiane Schwinden - Porttal Web