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Contrato de Risco Romântico por Lady Texiana

Ver comentários: 1

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Palavras: 2480
Acessos: 490   |  Postado em: 06/06/2026

Capitulo 17 - O Cronograma do Subúrbio e Outras Quase Infrações de Trânsito

 

O momento de leveza doméstica, contudo, foi interrompido quando os olhos de Isla focaram no relógio digital sobre a cômoda. Os números vermelhos indicavam sete horas e dez minutos. O sorriso da segurança sumiu instantaneamente, substituído por uma expressão de foco militar.

- Fields. Temos exatamente quarenta minutos para cruzar a cidade - Isla disse, afastando Barnaby com suavidade e saltando da cama com uma agilidade impressionante. - Faz exatamente uma semana que consegui essa função de chefia na equipe de inspeção da agência. Se a CEO da empresa chega atrasada, é um problema dela; se a chefe da segurança chega um minuto depois do posto, é incompetência profissional. E eu não posso perder este cargo, Barnaby e Napoleão que o digam.

A menção ao horário operou como um choque elétrico no sistema de Phoebe. O pragmatismo executivo reassumiu o controle. Em menos de vinte minutos, o apartamento de Isla transformou-se em um cenário de eficiência coreografada: o chuveiro funcionou em ritmo acelerado, as roupas de alfaiataria do dia anterior foram recolhidas com precisão e Phoebe conseguiu prender o cabelo castanho em um coque alto que, embora feito às pressas diante do espelho embaçado do banheiro, ainda sustentava a fachada de autoridade executiva.

Às sete e trinta e cinco em ponto, o sedã executivo cortou a calçada de tijolos e ganhou a avenida principal em direção ao centro de Londres. A névoa típica da capital britânica começava a se dissipar sob um sol pálido de primavera, e o trânsito da manhã se acumulava nas proximidades das pontes sobre o Tâmisa.

Phoebe controlava o volante com uma firmeza quase agressiva, os olhos focados nas luzes de freio do táxi à sua frente. Isla, sentada no banco do carona, ajustava os punhos de seu uniforme azul-escuro da agência de segurança, a mochila apoiada sobre os joelhos.

- Você está dirigindo como se estivesse pilotando um caça em território inimigo, Fields - Isla comentou, olhando de relance para o perfil rígido de Phoebe contra o vidro do carro. - O limite aqui é de trinta milhas por hora.

- Eu conheço os radares desta rota, Cooper - Phoebe respondeu, mudando de faixa com uma precisão cirúrgica. - E eu me recuso a permitir que o seu registro de pontualidade na primeira semana seja manchado porque passamos tempo demais na cama discutindo as mentiras que minha mãe contou para mim.

Isla sorriu, relaxando os ombros contra o banco de couro.

- Falando na integridade da dona Althea... qual foi a outra mentira que ela te contou? Além da conspiração felina?

Phoebe soltou uma risada curta, o canto dos lábios se curvando enquanto reduzia a marcha para contornar uma rotatória movimentada.

- Ah, a lista é extensa, Cooper. Mas há uma que envolveu a diplomacia internacional em Hertfordshire. Quando eu tinha cerca de nove anos, insisti que queria aprender a tocar bateria. Eu achava o som fascinante, o oposto absoluto das aulas de harpa que minha prima recebia. Althea, é claro, ficou horrorizada com a perspectiva de ter uma percussão ecoando pelas alas da casa.

- E o que ela fez? Confiscou as baquetas? - Isla perguntou, visivelmente entretida.

- Pior. Ela utilizou a política - Phoebe ajeitou os óculos com um dedo rápido, sem desviar os olhos da pista. - Ela me convocou para uma reunião formal na biblioteca, com chá e biscoitos amanteigados, e me explicou, com uma seriedade absoluta, que a rainha Vitória havia assinado um decreto real em 1864 proibindo expressamente que herdeiras de holdings familiares praticassem instrumentos de percussão antes dos dezoito anos, sob pena de perda dos direitos sucessórios. Ela disse que era uma questão de 'preservação acústica do império'.

Isla soltou uma gargalhada tão alta que o som ecoou pelo interior do sedã.

- Não é possível, Fields! E você acreditou?

- Eu tinha nove anos e vivia em um ambiente onde tudo era ditado por regras arcaicas e decretos de Althea! - Phoebe defendeu-se, embora o tom de sua voz fosse de puro divertimento. - Eu passei três meses na biblioteca da escola tentando encontrar o tal 'Decreto de Moderação Acústica' nos arquivos de história constitucional. Quando confrontei meu pai sobre o assunto, ele apenas tossiu, olhou para os lados e disse que era melhor eu focar no piano clássico para evitar um incidente diplomático com o palácio de Buckingham. Eu só descobri que era uma fraude completa aos catorze anos, durante um debate sobre a era vitoriana na escola.

- Você passou cinco anos achando que a coroa britânica tinha um problema pessoal com ritmos? - Isla limpou uma lágrima invisível do canto do olho verde, balançando a cabeça. - Deus do céu, a sua família levava a educação infantil como se fosse um acordo da realeza.

- Exatamente. Por isso, descobrir que não sou alérgica a gatos hoje de manhã parece uma vitória quase revolucionária - Phoebe disse, freando o carro suavemente quando o edifício espelhado da Fields Cosmetics surgiu na esquina. O relógio do painel mudou para sete e cinquenta e quatro. - Viu? Cronograma cumprido. Seis minutos de antecedência.

- Excelente trabalho tático, motorista - Isla disse, recolhendo a mochila e assumindo a postura profissional e ereta que seu cargo exigia assim que o veículo entrou na rampa do subsolo.

O relógio marcava exatamente sete horas e cinquenta e oito minutos quando Phoebe e Isla cruzaram juntas as portas giratórias de vidro do saguão principal do edifício.

A dinâmica de separação foi imediata, mas não rápida o suficiente para escapar dos olhares atentos da equipe da recepção e dos funcionários que batiam o ponto eletrônico. No centro do imenso átrio de mármore, Phoebe e Isla se dividiram. Isla caminhou com passos firmes e postura militar em direção ao balcão de triagem e segurança principal, assumindo oficialmente o comando do posto de monitoramento do andar térreo.

Phoebe, por sua vez, seguiu sozinha em direção aos elevadores executivos. No entanto, o estrago na percepção da equipe já estava feito. A CEO, meticulosa ao extremo, exibia falhas sutis na armadura: o coque alto ostentava alguns fios graciosamente desalinhados na nuca, a blusa de seda marfim trazia vincos que desafiavam o ferro de passar de qualquer governanta da mansão de sua mãe, e a gola de seu sobretudo de lã batida estava dramaticamente erguida até o queixo, uma anomalia considerando a temperatura amena daquela manhã primaveril.

No balcão de triagem, Isla organizou sua prancheta de alumínio sob o olhar curioso de dois guardas subalternos. Ela emanava a autoridade natural de quem liderava a inspeção há apenas uma semana, mas as ações realizadas traziam um desalinho sutil que não passou despercebido pelos veteranos do posto.

As engrenagens da rádio corredor começaram a girar em velocidade recorde. Na copa do 20° andar, o burburinho ganhou contornos de debate executivo. Duas analistas de marketing compartilhavam impressões enquanto aguardavam a máquina de café expresso.

- Você viu a entrada principal hoje? - sussurrou a primeira, fingindo analisar uma planilha no tablet. - A Fields entrou exatamente no mesmo segundo que a nova chefe da segurança. Elas se separaram logo depois da catraca, mas vieram do mesmo setor do subsolo.

- Eu notei - respondeu a segunda, aproximando-se da bancada. - E o casaco da Fields? Fechado até a linha da mandíbula. Ela nunca esconde as joias ou o decote das blusas de alfaiataria. Além disso, a Cooper estava com aquela expressão de gato que se deu bem na caçada... ou de quem passou a noite muito bem... Algo está muito fora do padrão, isso posso dizer.

Enquanto isso, no andar da presidência, Florence, a secretária executiva cujo radar para inconsistências operacionais superava qualquer software de compliance, observou Phoebe entrar na antessala.

- Bom dia, senhora Fields. A documentação para a auditoria trimestral já está na sua mesa - Florence disse, com sua voz modulada em uma neutralidade impecável. Seus olhos, contudo, desceram rapidamente para as dobras irregulares na seda marfim sob o casaco de Phoebe.

- Obrigada, Florence. Providencie água mineral para a sala de conselho. A agenda de hoje exige foco total - Phoebe respondeu, mantendo o passo rápido para se refugiar em seu gabinete antes que a gola de seu sobretudo cedesse ao desalinho.

O restante do dia na Fields Cosmetics transcorreu sob a fachada de uma eficiência implacável. Phoebe passou as horas seguintes imersa em videoconferências com os laboratórios de desenvolvimento em Paris e revisando relatórios de custos operacionais da fábrica de embalagens em Manchester.

No entanto, a habitual paciência da CEO para a análise de notas de rodapé parecia esgotada. Seus olhos desviavam constantemente para o relógio no canto inferior do monitor, acompanhando o avanço dos minutos com uma atenção que nenhuma flutuação de mercado justificaria.

Lá embaixo, na triagem, Isla coordenava a entrada de clientes e a verificação de credenciais com uma eficiência cirúrgica, alheia aos comentários discretos que circulavam entre os office-boys e os assistentes administrativos que passavam pelo saguão.

Às dezesseis horas e quinze minutos, o comitê de governança interna reuniu-se na sala de conferências principal para debater o planejamento de contingência do próximo trimestre financeiro. Era a reunião mais temida da semana, tradicionalmente conhecida por se estender até o anoitecer devido à insistência de Phoebe em auditar pessoalmente cada estimativa de risco de exportação e sobretudo pelos esporros homéricos que a chefe geralmente destilava à equipe.

O diretor financeiro, Richard, estava no meio da apresentação dos gráficos de margem de lucro quando Phoebe ergueu a mão direita, interrompendo o raciocínio dele com um gesto definitivo.

- Senhores, os dados apresentados são suficientes para o escopo atual. Considero o planejamento preliminar aprovado - Phoebe declarou, fechando a tela de seu notebook com um estalo seco que cortou o silêncio da sala espelhada.

Os membros do conselho congelaram. Richard piscou várias vezes, com o marcador de texto suspenso a centímetros do papel.

- Mas, senhora Fields... ainda não analisamos as cláusulas de barreiras alfandegárias para o segundo semestre. Isso costuma demandar pelo menos uma hora de deliberação técnica.

- As contingências alfandegárias serão formalizadas por memorando e distribuídas na segunda-feira pela manhã, Richard - Phoebe levantou-se, recolhendo sua pasta de couro com uma pressa que ela mal se dava ao trabalho de mascarar. - Tenho um compromisso externo inadiável e de caráter estritamente pessoal. Estamos encerrados por hoje. Boa tarde a todos.

Sem dar espaço para contestações, ela deixou a sala de reuniões, os saltos ecoando firmes pelo corredor em direção ao seu gabinete. Na recepção, Florence testemunhou a saída antecipada da chefe com uma expressão de absoluto espanto. Fazer a CEO da Fields Cosmetics abandonar o posto antes do encerramento oficial do expediente em uma quarta-feira era um evento sem precedentes na história da companhia.

- Senhora Fields, restam três relatórios de conformidade tributária que exigem sua rubrica antes do fechamento do caixa - Florence pontuou, erguendo-se com as pastas suspensas.

- Ficarão para a próxima semana, Florence. Minhas prioridades nas próximas horas não envolvem burocracia institucional - Phoebe vestiu seu sobretudo, desta vez ajustando a gola de forma mais descontraída, permitindo que a luz do entardecer expusesse sutilmente a marca mais escura na base de seu pescoço. - E caso outros executivos entrem em contato, informe que a presidência está indisponível para consultas de holding até segunda-feira.

- Entendido, senhora Fields - Florence recolheu os relatórios, e um pequeno sorriso de cumplicidade finalmente rompeu sua postura severa. - Tenha um excelente descanso então.

Phoebe contornou a recepção e pegou o elevador comum, dispensando o trajeto privado. No saguão térreo, a atmosfera de especulação atingiu o ápice. Os funcionários que começavam a se dispersar no final do expediente observaram, em silêncio curioso, quando a CEO cruzou o átrio central em direção ao balcão de triagem.

Isla já a aguardava, tendo passado o comando do turno para o supervisor da noite. Ela segurava sua jaqueta sobre o braço, com a mochila preta ajustada nos ombros. A troca de olhares entre as duas no centro do saguão durou apenas um segundo, mas carregava toda a eletricidade que havia sido contida ao longo de horas de formalidade corporativa. 

Sem pronunciar uma única palavra que pudesse alimentar os canais de fofoca, Phoebe fez um aceno discreto com a cabeça, e ambas caminharam lado a lado em direção às portas giratórias, deixando para trás um rastro de sussurros e teorias definitivas sobre a nova gerência de segurança da empresa e a vida privada da chefe, que agora se desnudava na frente de todos.

O tráfego de retorno para o subúrbio estava denso, com o céu de Londres assumindo uma tonalidade violeta profunda enquanto os postes de iluminação pública começavam a acender ao longo das avenidas principais. Dentro do sedã executivo, contudo, a pressa que havia dominado as primeiras horas do dia transformou-se em uma calmaria absoluta. Phoebe controlava o volante com os dedos visivelmente mais relaxados, mantendo a janela ligeiramente aberta para deixar entrar o ar fresco que limpava o cansaço do ambiente corporativo.

Sua mão esquerda repousava sobre o console central do veículo. Não demorou para que Isla estendesse seus dedos firmes e calejados, entrelaçando-os aos de Phoebe com uma pressão possessiva e familiar.

- Você acabou de implodir sua reputação de líder implacável e devota ao trabalho, Fields - Isla comentou, olhando de relance com aquele sorriso de canto que desarmava qualquer linha de defesa da executiva. - O conselho de administração deve estar cogitando chamar uma auditoria psicológica para entender o sumiço da presidência antes das dezoito horas.

- Deixe que debatam as métricas, Cooper - Phoebe respondeu, apertando os dedos da segurança contra os seus. - Pela primeira vez na minha carreira, percebi que existem urgências operacionais que não podem ser solucionadas por meio de relatórios ou comitês de governança. E eu tenho um compromisso sério com duas unidades felinas no subúrbio antes que a noite avance.

Isla soltou sua risada rouca, o som preenchendo o interior do carro com uma intimidade que o trigésimo andar jamais seria capaz de replicar.

Quando o sedã finalmente reduziu a velocidade e estacionou diante do edifício de tijolos aparentes, a névoa começava a lamber a base dos postes da calçada, isolando aquela rua do restante da metrópole. Ambas desceram do veículo e subiram os dois lances de escada de concreto em um silêncio compassado, livre da pressão dos cronogramas que haviam ditado a manhã.

Isla inseriu a chave na fechadura, girando o metal com um estalo limpo e familiar. Ao empurrar a porta de metal pintado, o aroma acolhedor de sabão de coco e o som imediato dos miados de Barnaby e Napoleão as receberam de volta. 

Phoebe deu o passo definitivo para dentro do apartamento, permitindo que Isla fechasse a porta atrás delas com um baque firme e resoluto - cancelando, de uma vez por todas, todas as diretrizes, protocolos e interferências externas que por tanto tempo haviam tentado ditar o curso de suas vidas.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 17 - Capitulo 17 - O Cronograma do Subúrbio e Outras Quase Infrações de Trânsito:
Socorro
Socorro

Em: 06/06/2026

CEO abatida com sucesso kkkk


Lady Texiana

Lady Texiana Em: 07/06/2026 Autora da história
kkkk
Sim, os perímetros todos cairam.
Obrigada por todos os comentários e por acompanhar.
Abraços


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